"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

sábado, setembro 26, 2015

O Observador da mente

- Sri Bhagavan -


Pergunta: Bhagavan, você nos diz para observar a mente. Quem é esse que vai ficar observando a mente, se não há o ‘self’?

Resposta: É a Consciência que está testemunhando. É isso o que denominamos Chit. E a consciência também tem bem-aventurança, que denominamos Ananda. É por isso que cantamos Sat-Chit-Ananda. Essas são as propriedades da consciência, portanto, ela também é a própria capacidade de testemunhar. Ela não pode participar, mas ela pode testemunhar. Então é a consciência que está testemunhando a mente, que está testemunhando os pensamentos. E quando a consciência testemunha, ela não se identifica. Ela simplesmente vê os pensamentos, vê a mente, vê as ações. E Você é essa pura consciência. 

Nesse momento, você está identificando a si mesmo com a mente. É por isso que você está aprisionado dentro da mente. Mas uma vez que você salte fora, você estará livre das garras da mente e tudo o que você estará fazendo será testemunhar. Para testemunhar você precisa testemunhar e ver como é. Eu não tenho que descrever isso, senão você formará conceitos. Uma vez que você chegue lá, será tudo muito claro. Ninguém precisa ensinar nada a você. Você vai saber por si mesmo. Você vai chegar lá, não se preocupe.

A cada semana há mais pessoas chegando lá. O processo está se acelerando. Mais e mais pessoas estão realizando isso ao redor do mundo, e tão facilmente. Então elas começam a rir porque você vai se questionar ‘como eu pude não perceber isso todos esses anos?’. Tal é a simplicidade disso, tão simples quanto respirar. Você vai realmente rir de si mesmo.

Todas as coisas são testemunhadas, isso é tudo. É a consciência que está testemunhando, que está em todos os lugares, e ao mesmo tempo em lugar nenhum. Você não pode dizer que ela está aqui, ela está em toda parte. Todas as coisas estão sendo testemunhadas. E quanto mais eu falar disso, mais você formará conceitos com o que digo. Eu vou deixar assim, esperando que você chegue lá.

Pergunta: Bhagavan, podemos fazer algo para acabar com essa ‘corrida da mente’ pela sobrevivência?

Resposta: "Nesse momento você está preso na mente, e continua fazendo todas essas coisas para escapar do seu próprio sofrimento. Mas quando você despertar, você vai fazer as mesmas coisas. O mesmo trabalho, a mesma profissão, o mesmo negócio. Mas a experiência será totalmente diferente.

Agora, você está fazendo o que está fazendo. Uma vez que você se torne desperto, vamos dizer que você seja um carpinteiro, não será mais trabalho. À medida que você fizer a carpintaria, você vai amar isso, vai experienciar cada momento disso. Digamos que você seja um atendente em um escritório. À medida que você põe tinta no papel e escreve alguma coisa, isso será apreciável.

Todo trabalho se tornará bastante agradável. Nesse momento, ele é escravidão. Você precisa trabalhar para sobreviver ou como uma forma de escapar de seu próprio sofrimento. Mas isso não será mais necessário. O mesmo trabalho vai continuar. Se você for um alfaiate, você continua sendo um alfaiate estando desperto. Como barbeiro, sim, você continua sendo um barbeiro. Ou um cientista, você continua sendo um cientista.

Nada muda. A mesma esposa, os mesmos filhos, a mesma casa. Mas tudo parece muito, muito diferente. A experiência é muito diferente. O despertar não vai perturbar a sua vida normal, na verdade, você se torna muito eficiente. Você se torna muito capaz. Porque não vai haver stress, tensão, conflito, portanto, uma suprema eficiência surge disso. Não há com o que se preocupar em relação ao despertar."

QUESTÃO: "Eu como pessoa não existo." Como pode você dizer que você está em mim e eu em ti? Bhagavan, por favor me ajude com o mistério a respeito de mim mesma. Isso não existe no ensinamento. Como pode você pode estar no 'eu' que não existe?

Resposta: "O 'eu' é criado pela mente. A mente irá destruir tudo o que ela cria, o que existe é apenas o Divino. Quando eu digo que eu estou em você ou o Divino está em você, o que queremos dizer é que você é o Divino e o Divino é você, não há separação. A separação é uma criação da mente; em última instância a própria mente vai se destruir. E então você percebe que você é o Divino, você é o Universo, você é Tudo. "Você é tudo o que é." E você também percebe que você existe sozinho, você é ÚNICO. E que o que há é somente Oneness - Unidade. Essas coisas não são compreendidas intelectualmente, elas são experienciadas. Quando a mente desaparece, isso se torna a sua realidade. Seu inimigo é a mente."


6 comentários:

SERgio disse...

Olá,Gustavo...
Bem, já que alguém fez (a primeira) pergunta ao Bhagavam,
continuo aqui esmiuçando um pouco mais a título de investigação.

Possivelmente, o Núcleo, ou você mesmo Gustavo,poderão aprofundar,mesmo correndo o risco de cair em demasia no coceitual.


É o seguinte: O Bhagavam na primeira resposta,disse:
"E quando a consciência testemunha,ela não se identifica(...)"
"E você é essa pura consciência."
"Nesse momento,você está identificando a si mesmo com a mente(...)"
"Mas,uma vez que você salte fora..."

A minha pergunta investigativa, é esta:
Quem é esse que está "identificando a si mesmo com a mente"?
Quem é esse que daria o "salto fora"?

Grande Abraço!





Gustavo disse...

Olá SERgio!

Ótima questão! Grato por suas colocações, que podem ser questões de outros leitores.

De fato, esse que está se identificando com a mente é a Consciência impessoal. Se é uma consciência impessoal, então ela não é ninguém especificamente. Isso significa que não há ninguém para estar se identificando com a mente. Porque a Consciência não possui uma identidade específica. É justamente pelo fato de a Consciência não possuir uma identidade específica, que se diz: "se IDENTIFICA com a mente", ou seja, assume uma identidade. E somente quando surge uma "identidade, é que surge um "alguém". Portanto, essa Consciência impessoal não é um "alguém" para se identificar. Mas também não seria correto dizer que ela é um "ninguém" ou um "nada". Apesar dos ensinamentos explanarem que essa Consciência é como um "vazio", ela não é um vazio "negativo", "neutro", "pobre", desprovido de toda e qualquer coisa. Ela é um vazio divino, "positivo", repleto de qualidades e atributos. É um vazio dotado de Vida, Inteligência, de Presença. Logo, podemos dizer que é essa Vida, inteligência/Presença que se identifica com a mente, e que também dá o salto para fora da mente.

Grato por ter levantado essas importantes perguntas!

Grande Abraço!
Namastê!

Gustavo disse...

A fim de elucidar ainda mais o assunto, permita-me valer de um comentário feito pelo Silvano, no texto "Qual é o Núcleo de nosso ser?", também se Sri Bhagavan.

O Silvano comentou:

Uma vez que você desaparece [uma vez que seu personagem desvanece], o que existe é amor incondicional, simplesmente amor sem nenhum motivo [ o que Se revela como sua Essência, seu Núcleo, Seu Ser Real é Amor ]. O amor que vocês conhecem [o amor dos personagens é relativo a alguém ou algo] tem um motivo, mas o amor de que estou falando não tem uma razão [o amor do Ser Real é absoluto], ele apenas está lá.
Você [Sua real identidade] vê um cachorro, você o ama.
Você [Quem voce realmente É] vê uma formiga, você a ama.
Você [O Ser Real] vê um ser humano, você o ama.
Isso simplesmente acontece, sem qualquer motivo.


Parafrasendo o comentário do Silvano:

"uma vez que você (o personagem, o "alguém") desaparece, o que existe é amor incondicional, simplesmente amor sem motivo (o Ser, a Consciência impessoal, a Vida, a Presença, a Inteligência se evidencia como o Ser).
Você (a real identidade, ou seja, a Consciência impessoal) vê um cachorro e o ama.
Você (Quem você realmente é, aquele Vazio, Vida, Presença, Inteligência) vê uma formiga e a ama.
Você vê um ser humano, você o ama.
Isso simplesmente acontece, sem qualquer motivo. (Acontece assim justamente porque não há ninguém lá, apenas aquela Consciência impessoal).

Grande Abraço!

SERgio disse...

Sim Divino Amigo!

Como transcrito o que o Bhagavam disse, deu a parecer ser uma
contradição: Ele colocou que a Consciência(Pura que'somos')não se identifica quando testemunha.E a seguir,seguindo o texto, foi transcrito que "nesse momento, você está identificando a si mesmo com a mente...", e o tal "salto". E como você colocou a "Consciência impessoal"...não há ninguém: A Consciência Onipresente É só infinitamente.Por isso inquiri "quem/que seria esse".
Esse jogo (paradoxal para a visão do personagem interessado) da Consciência de se identificar aparentemente -embora de Verdade "não" - talvez (não me atrevo a dizer que de fato é )
tenha a ver com o Divino querer através da identidade aparente
do personagem ,existir(ex-sistere) como uma Identidade Indivisa consciente de Si objetivamente.

É (como se) a Consciência sonhando/esquecendo de Si, quisesse, através desse estratagema,dar-se conta de Si como Idivíduo indiviso (Eu Sou).

Para alguns, o que escrevi pode soar "muito intelectual".

Mas foi o que me ocorreu.

Abraço Universal! Rs...

Gustavo disse...

Sim, entendi suas questões, caro SERgio!
Muito obrigado por trazê-las a nós!

Os textos da Oneness são bons, mas acho que poderiam ser melhor traduzidos.
Neste texto, em especial, acho que o que Bhagavan quis dizer é que, quando a Consciência está testemunhando, ela não está identificada com a mente. Por outro lado, quando ela está identificada com a mente, ela não está testemunhando. E, para sair do "estado de identificação" e adentrar o "estado de testemunhar", é necessário dar o "salto" para fora da mente. Quem dá o salto é a Consciência, que deixa de se ver identificada, para se ver como pura testemunha (e sem participar) de tudo o que está acontecendo.

Grato pelos comentários!
Namastê! _/\_

SERgio disse...

Grato!

Namastê! _/\_