"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

sábado, dezembro 29, 2018

O renascimento do Eterno

- Núcleo -


Divinos personagens,

Está escrito: “Eu Sou o que Vive; estive morto, mas eis que estou vivo por toda a eternidade! E possuo as chaves da morte e do inferno.” (Apocalipse 1:18)

Poderia se indagar: Como é possível ao que é Eterno ter estado morto? Ou como é possível ao Eterno nascer novamente?

Do ponto de vista da percepção mental, que é dual, parecem fazer sentido estas indagações. Mas o ponto a ser notado aqui é precisamente este: a mente é quem faz estas indagações e é também quem vê sentido nestas indagações!

Do ponto de vista da percepção consciencial, que é unitária, estas indagações não fazem sentido.

Assim, a interpretação que se deve dar a esta revelação divina é esta: "Eu Sou o que Vive (conforme a percepção mental); estive morto, mas eis que (conforme a percepção consciencial) estou vivo por toda a eternidade! E possuo as chaves da morte e do inferno."

Outro ponto a ser notado aqui é que “morte e inferno” pertencem à Representação (mundo dos personagens) e não à Realidade Divina (universo do Ser Real). Aqui a Consciência do Ser está revelando que tem as chaves da representação! O Ser Real está plenamente consciente de que a representação é uma representação. Já a mente do personagem toma como real o que é uma representação. E é isso que torna possível a representação divina ser encenada com tamanho realismo!

Assim, o Ser que é Real, que É Quem É, e que se revela como Eu Sou, está revelando que É o que Vive! E que está Vivo por toda a eternidade!

Ao dizer que “estive morto”, o Ser revela que assumiu um personagem na representação que “morreu”, mas que Ele está Vivo por toda a eternidade! E revela ainda que aquele que morreu na representação tem as chaves da morte e do inferno. Aquele que morreu na representação é chamado em algumas passagens bíblicas de Cordeiro de Deus, por ser o personagem no qual Deus se ofereceu em sacrifício para revelar que a vida verdadeira é a Vida de Deus, que é Eterna. E o divino personagem Jesus Cristo que foi enviado pelo Pai disse: “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor; mas Eu vos tenho chamado amigos, pois tudo o que ouvi de meu Pai Eu compartilhei convosco.”

E tendo compartilhado tudo o que ouviu, de Jesus foi revelado ainda que “a vida eterna é esta: que te conheçam a Ti, o Único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.”

E conhecer Jesus é perceber que é ele Quem revela: Eu Sou o que Vive; estive morto, mas eis que estou vivo por toda a eternidade! E possuo as chaves da morte e do inferno.

E conhecer Jesus é renascer por saber que Ele é o Eterno que Vive EM nós e que sendo a Verdade tem as chaves da libertação tanto da morte quanto do inferno em que vivem os que estão imersos na representação!

Seja amigo de Cristo, ouça Suas palavras e compartilhe o que dele ouviu, tal como Ele divinamente o fez!

Transcenda os limites das ilusórias indagações mentais; e eleve-se do simples acreditar em um Cristo distante e separado de você à verdadeira fé que te faz perceber que o real Cristo está vivo Em você pela eternidade! Enfim, perceba e promova o “renascimento do Eterno” que Vive em você!

Pelo natal, e pelo novo ano que se aproxima, meus votos de um feliz “renascimento do Eterno” em você!





terça-feira, dezembro 25, 2018

Uma Reflexão sobre o Natal

 - Núcleo - 


No sentido material comemora-se em 25 de dezembro o Natal, o nascimento de Jesus, o Filho de Deus. Jesus veio ao mundo para dar testemunho da Verdade. E no sentido espiritual Verdade é “Aquilo que É”. Aquilo que É significa que sempre É; É sempre o mesmo atemporalmente, de forma permanente. Nesse sentido apenas Deus é a Verdade, a única Realidade, “Aquilo que É” e sempre É, tudo mais é impermanência.

Da consciência de que Deus é a única Realidade Jesus declarou: "Eu Sou a Verdade". Declarou também: "Quem vê a mim vê Aquele que me enviou" e, "Eu e o Pai somos Um". Essas declarações contém em si o significado espiritual do Natal. O sentido espiritual de Natal é o de nascimento; nascimento do Cristo, o Filho de Deus, em nós. Por isso revelou Jesus a Nicodemos: “Aquilo que é nascido da carne é carne, e aquilo que é nascido do Espírito é Espírito. Por isso importa ao homem nascer de novo”. Esse novo nascimento em Cristo, essa conscientização da Presença do Filho de Deus em nós, esse nascimento ou renascimento espiritual é o significado espiritual do Natal.

A chave que possibilita a apreensão desse sentido espiritual do Natal como nascimento espiritual do Cristo em nós é a conscientização de que as declarações de Jesus sobre Quem Ele É são na Verdade Percepções! São Percepções de que Deus é a Verdade, a única Realidade, e sendo assim, de que o verdadeiro nascimento é o nascimento espiritual. Por isso Jesus enfatizou que “importa ao homem nascer de novo”, não no sentido material, não da carne, mas do Espírito.

É essencial estarmos atentos ao fato de que em cada uma daquelas declarações que revelam sua Consciência ou Percepção sobre sua natureza espiritual, Jesus está compartilhando Percepções da Verdade! Essas Percepções são em si a própria Verdade se expressando através de Jesus e como Jesus! Com essa consciência de total identificação com a Verdade Jesus compartilhou a Percepção: “Eu e o Pai somos Um”. Por sua total identificação com essa Realidade Única, através de seus ensinamentos e declarações Jesus compartilha as Percepções do que é a Verdade. Por serem expressões da Verdade, essas “Percepções” tem validade impessoal e atemporal. 

O advento de Jesus, sua vida e seus ensinamentos, nos possibilitam esse renascimento espiritual. Assim, podemos comemorar o natal não apenas do ponto de vista material, pelo nascimento de Jesus. Podemos comemorar principalmente o fato de que Jesus compartilhou suas Percepções de Filho de Deus, possibilitando a todos a conscientização de que sendo Deus a Verdade, a Realidade única, não há senão aquilo que nasce da Verdade! 

Sendo assim, a cada um de nós nos importa esse nascimento espiritual, esse renascimento ou conscientização da Verdade expressa pela Percepção compartilhada por Jesus de que “Deus disse: "Sois deuses, sois todos Filhos do Altíssimo.”

A todos um Feliz Natal!

domingo, dezembro 23, 2018

O significado espiritual do Natal


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Em 25 de dezembro se comemora em todo o mundo o nascimento de Jesus.

Mas, então, surge uma questão... Qual Jesus?

- Aquele de quem disseram: "Ainda não tens cinquenta anos e dizes que viu nosso pai Abraão?", ou aquele que disse: "Antes que Abraão existisse Eu Sou"? [Jo 8:58]

- Aquele que disse: "Eu Sou o pão que desceu do céu"? Ou aquele de quem disseram: "Este não é Jesus, o filho de José? Nós conhecemos o pai e a mãe dele. Então, como é que ele diz que desceu do céu?" [Jo 6:41]

Não há dúvida de que no natal se comemora o nascimento de Jesus, por sua condição de Filho de Deus, que fez muitas declarações que estavam acima da compreensão da maioria daqueles de seu tempo.

Ainda hoje é assim!

Muitos ainda seguem o Jesus, Filho de José... embora ele mesmo tenha declarado que, em verdade, Ele é aquele que desceu do céu!  

Muitos ainda seguem o Jesus, que não chegou a ter cinquenta anos... embora ele mesmo tenha revelado ser aquele a quem Deus amou antes que houvesse mundo. [Jo 17:24].

Vejamos o testemunho de João Batista, um profeta que sabia interpretar os sinais do céu, e que conheceu pessoalmente a Jesus: "Vi o Espírito descer do céu como uma pomba e parar sobre ele. Eu não sabia quem ele era, mas Deus, que me mandou batizar com água, me disse: 'Você vai ver o Espírito descer e parar sobre um homem. Esse é quem batiza com o Espírito Santo.' E eu de fato vi isso e por esta razão tenho declarado que ele é o Filho de Deus." [Jo 1:32]

Agora que identificamos a qual Jesus estamos nos referindo – o Filho de Deus, em quem Deus Se compraz –, vejamos o que o próprio Jesus disse sobre o "nascimento", já que no natal é comemorado o Seu nascimento...   

Jesus disse a Nicodemos: "A pessoa nasce fisicamente de pais humanos, mas nasce espiritualmente do Espírito de Deus." E completou: "Por isso não se admirem de Eu dizer que todos vocês precisam nascer de novo."  [Jo 3:6-7]

Eis aqui o núcleo dessa reflexão sobre o natal: Identificamos o "Jesus" e também o "nascimento" ao qual estamos nos referindo!

Estamos nos referindo ao Jesus eterno, atemporal, o Filho de Deus que nos advertiu que todos nós temos que "nascer espiritualmente"!

Esse nascimento espiritual nos fará cogitar das coisas de Deus, porque, como está escrito na Bíblia, em Romanos 8:5, "os que vivem como a natureza humana têm as suas mentes controladas por ela. Mas os que vivem como o Espírito de Deus têm suas mentes controladas pelo Espírito. Ter a mente controlada pela natureza humana produz morte; mas ter a mente controlada pelo Espírito produz vida e paz".

Então esse é o verdadeiro "natal" que devemos comemorar: O do "nascimento" do Espírito de Deus em nós, que nos faz pender para as coisas de Deus, que nos dá Vida e Paz! O "nascimento" que nos leva a viver em Unidade com o Filho de Deus, que assim orou a Deus: "Eu estou neles, e tu estás em mim, para que eles sejam completamente unidos, a fim de que o mundo creia que me enviaste e que os amas como também me ama." [Jo 17:23]     

Notem que revelação: "... e que os amas como também me ama."

Assim, por essa oração percebemos que "viver em Unidade com o Filho de Deus" nos torna conscientes do Amor de Deus por nós!  

Enfim, a "reflexão sobre o natal" nos levou a essa mensagem do eterno Amor de Deus por nós, através da oração de Seu Filho amado, que é Aquele que verdadeiramente "desceu do céu e fez nascer em nós o Espírito de Deus", e por isso comemoramos!

Com essa mensagem de Amor universal, desejo a todos um Feliz Natal!



quinta-feira, dezembro 20, 2018

Natal


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Uma mensagem de Natal deve ser uma mensagem de paz, em que nossos pensamentos se voltam do conceito de paz que o mundo busca, para a realização da verdadeira paz, “a Minha paz”, que vem assim que os homens se encontram prontos a recebê-la.

O mundo busca uma paz que jamais pode ser encontrada enquanto o senso de paz estiver baseado na cessação de guerra. Esta paz, ainda quando esteja realizada, é temporária, pois está baseada somente em conferências e relacionamentos entre homens e nações. A verdadeira paz é consumada, exclusivamente, quando nos despimos da armadura da carne, no momento em que deixamos de erguer a espada em defesa dos temores e ódios do mundo e cessamos de guerrear com as condições terrenas.

A paz duradoura reina somente quando os relacionamentos entre os homens estão alicerçados na conexão de cada um com Deus. A paz é realizada quando nos encontramos unidos com nossos companheiros através da experiência da vivência de Deus. A paz é alcançada quando contemplamos antes o Filho de Deus governando nossa vida e, em seguida, também a de nosso irmão.

O mundo está procurando a paz “lá fora”, mas ela deve ser encontrada dentro do nosso próprio ser individual, na medida em que hospedamos o Príncipe da Paz. Portanto, deixemos de procurar a paz que “o mundo está buscando” e empenhemo-nos em encontrar “A paz de Deus que ultrapassa todo entendimento humano”. “A Minha Paz vos deixo, a Minha Paz vos dou: não como o mundo vos dá. Que não se turvem vossos corações e nem se receiem”. (Ler Isaías 42: 1-9, em seguida, Isaías 61-62: 1-4 e 62: 12).

As advertências e as promessas do Velho Testamento são muitas vezes mal interpretadas como se fossem dirigidas a algum homem em particular ou a uma determinada raça. Os amigos Hebreus consideravam-se filhos de Deus distintos e favorecidos por Ele; tal má interpretação levou à adoração de certas pessoas chamadas de salvadores, como se fossem, por si mesmas, o Cristo. Isto gerou o sectarismo em determinadas religiões, com limitadas diferenças e inimizades.

Deus não ungiu especificamente um homem ou um povo: Deus tem ungido o Seu Bem-amado, o Cristo. O Cristo é uma entidade espiritual, um impulso espiritual – Um espírito que está no homem. É Ele que, em nós, é abençoado, ungido e sustentado pelo Pai.

Ocasionalmente, este divino Impulso Espiritual - o Cristo -, se manifesta de uma forma mais pronunciada num indivíduo aqui, noutro acolá; porém, Ele existe na consciência de cada um na face do globo terrestre. Chega um período específico na vida de cada indivíduo no qual ele recebe a anunciação espiritual, e então o Cristo é concebido, nutrido e desenvolvido. Num dia de Natal, o Cristo nasce; em outras palavras, a presença do Cristo é realizada dentro do nosso ser.

O nascimento de Cristo não ocorre cronologicamente no dia 25 de dezembro nem em lugares de terras santas, mas ocorre, sim, na consciência elevada do indivíduo. Este estado de consciência elevado é a Cidade Santa – a cidade cuja busca foi esquecida, o lugar de nascimento e o lugar onde habita o Cristo. Onde quer que o Espírito de Deus apareça na consciência humana, todas as bênçãos e profecias em relação aos ricos frutos do Cristo se evidenciam.

Na luz do Cristo o cenário humano se revela como algo fantástico. É somente depois da realização do Cristo em consciência que o sentido profundo da verdadeira humildade é compreendido. Antes desse acontecimento, sempre haverá um sentido pessoal do ego; mas, com o nascimento do Cristo, todo sentido de exibição pessoal, todo desejo de algo ou de alguém e toda a espécie de ambição humana são perdidos. A partir desse ponto de transição em consciência, onde havia necessidades, desejos pessoais ou uma vida incompleta, passa-se a não mais ter uma vida própria para ser plenificada com seus apegos e suas necessidades de êxitos e sucessos. Neste estado de consciência não existe nem mais um senso de necessidade de Deus, porque há a realização de se contemplar Deus agindo através de si. Esta atividade nunca é para benefício pessoal, mas se torna uma bênção para aqueles que ainda não experienciaram a concepção e o nascimento de Cristo dentro do seu próprio ser e, portanto, não realizaram a natureza universal de Cristo.

Elias revelou a natureza do Cristo como sendo a “pequenina e silenciosa voz” que está dentro e ao alcance de cada indivíduo que se torna receptivo a ouvir; Daniel revelou o Cristo como uma “pedra cortada da montanha sem mãos”. Nas palavras de Isaías (42; 2-4): “Não chamará, não se exaltará, nem fará ouvir sua voz na praça. A cana trilhada não quebrará, nem apagará o pavio que fumega; em verdade, produzirá o juízo”. Quando Cristo Jesus falava daqueles que “tinham olhos, mas não viam”, referia-se a uma capacidade interna que contempla aquilo que jamais os olhos humanos seriam capazes de captar.

A natureza do Cristo é uma atividade espiritual, totalmente sem cumprimento físico, e mesmo assim suficiente para destruir os quatro reinos temporais. As palavras e os pensamentos de Elias, de Daniel, Isaías e outros grandes personagens bíblicos transitam no meu ser e se unem na revelação de uma Essência espiritual única, de uma Presença e de um Poder. Mesclados com estes pensamentos estão também os das crianças que vêm ao mundo com deficiências. Estas crianças, com seus clamores, indagam: “por que isto?, por que eu?, por que comigo?”, e suas vozes penetram a consciência da Terra, e esta não tem resposta aos seus problemas e às suas necessidades de cura. Um clamor semelhante se faz dos povos do mundo inteiro, ansiosos por uma cessação de guerras e esperançosos de uma paz mundial, e a Terra também não tem resposta para eles.

Mas há uma resposta! A resposta é o Cristo! Cristo é a influência espiritual dentro de você, de mim e de todas as almas e corações abertos para a anunciação, para a experiência da concepção e nascimento do Cristo. O Espírito do Senhor Deus Todo-poderoso está sobre o Cristo do seu ser individual e esta suave Presença é manifestada, não pela força e nem pelo poder, mas sim pela unção do próprio Espírito.

É este Cristo a resposta à paz mundial, assim como também é a resposta a todos aqueles pequeninos que clamam por suas heranças divinas de saúde, harmonia e plenitude.

A maior missão do Cristo é curar o mundo, portanto, se torna necessário, para aqueles que sentiram o toque do Cristo para servir, abrir caminho para a atividade do Cristo, que é permear a consciência humana com o conhecimento e o amor do Cristo. A prece é o canal ativo em nossa consciência, que traz a Presença e o Poder de Deus aos afazeres humanos.

Eventualmente você poderá receber pedidos para uma ajuda específica; e, para estar preparado, é preciso aprender a manter a comunhão com o Príncipe da Paz, com nenhum outro propósito a não ser o da própria comunhão com Ele. Você deve reservar períodos todos os dias para a meditação e nesses momentos se isentar de qualquer preocupação com os problemas relacionados com sua própria vida. Sua única razão para meditar deve ser experienciar em consciência a comunhão com Deus.

Nesta comunhão, a atividade de Cristo em você se torna o agente curador por todos aqueles que lhe solicitem ajuda.

Pensem acerca da consciência curadora que pode ser implementada no mundo, quando cada estudante da verdade se conscientizar, em primeiro lugar, que “o único filho bem-amado, que está no âmago do Pai”, é o Cristo do seu ser individual.

Tudo que o Pai tem, está derramado sobre esta Centelha divina, vital, eterna e imortal, e o lugar onde Ele habita é dentro de você, em sua consciência!

Lembre-se sempre de que “onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, aí estarei no meio deles”.

A atividade amorosa do Cristo, em você, é suficiente para derrubar os reinos temporais. Mas, uma coisa é exigida: cada Cristo deve ter o seu Jesus. A criança espiritual deve ter o Seu representante na Terra, e Ela deve ser liberada ao mundo através da conscientização daquelas pessoas que chegaram a realizar o Cristo em si mesmas.

É nossa função recolhermo-nos, diariamente, sem nunca falhar, com o propósito de receber o Príncipe da Paz e, dessa forma, criar-Lhe a possibilidade de atuar em nossos negócios e relacionamentos humanos.

Não é necessário dirigi-Lo ou esclarecê-Lo; a nossa parte consiste em esperar, silenciosamente, sem esforço e sem poder, e deixá-Lo ocupar nossa consciência! Você pode vislumbrar o que acontece quando o Cristo realmente realizado começa a tocar a consciência de todas as pessoas na Terra, removendo delas as causas e os efeitos do erro humano? O Cristo, ao nos tocar a consciência, liberta-nos dos ódios e dos medos do mundo, abençoando assim inúmeras pessoas.

A prece feita dessa forma nos abre à visitação e à comunhão com o Príncipe da Paz, fazendo de nossa consciência a Cidade Santa, onde o Cristo habita, e através da qual Ele acha o caminho de entrada em todas as consciências humanas.

Enquanto a videira recebe a sua substância pelo Pai, cada galho está sendo alimentado. O Santo de Israel, o Espírito de Deus no homem, o Cristo, está sempre presente, porém, disponível somente na medida em que nos abrimos para recebê-Lo, deixando-O em nós habitar. Nosso único propósito, ao entrarmos em comunhão com o Cristo, é o de Lhe propiciar uma entrada ao mundo, para que possam ser demolidas as crenças humanas cristalizadas e ser estabelecido o Reino de Deus sobre a Terra.

Saibamos que não nos cabe um trabalho pessoal, temos somente que nos aquietar e “deixar fluir”. No verdadeiro sentido da humildade, não há um “eu” dirigindo esta atividade; ao contrario, há um sentimento profundo de paz e quietude, onde nos tornamos exclusivamente desejosos de deixar o Cristo se encarregar dos negócios do Pai.

Nunca você ou eu poderemos nos ocupar dos negócios do Pai – somente o Cristo pode executar as funções de Deus sobre a Terra, estabelecendo Seu reino nos corações de todos aqueles que são receptivos e responsivos à Sua presença curadora.

E assim, no dia de Natal, façamos votos de boa sorte ao Príncipe da Paz em Sua jornada de amor nas consciências humanas, de modo que cada indivíduo que tenha seu pensamento e mente, Espírito e Alma, abertos à concepção e nascimento de Cristo, possa conhecer essa Presença amorosa capaz de lançar a paz na Terra e a boa vontade entre os homens.


segunda-feira, dezembro 17, 2018

A Cabala e o Nosso Destino Final: Ser como Deus - 13/13

 - Rav Michael Berg -


"O OCEANO DE TODAS AS LÁGRIMAS DE TODAS AS PESSOAS"

Após a morte de um grande mestre, seu filho aguardou, tendo certeza de que seu pai em breve apareceria para ele, seja num sonho ou numa visão, com notícias do outro mundo.

Mas o pai não veio.

Quando lhe perguntavam se a visita finalmente tinha acontecido, o filho respondia que não. "Entretanto, ontem de noite eu visitei o tribunal celestial para perguntar aos anjos o que tinha acontecido com meu pai. 'Ele esteve aqui', eles responderam, 'mas não ficou.'

"Procurei então em todas as regiões do céu, perguntando aos anjos se tinham visto meu pai, e em todos os lugares davam a mesma resposta: 'Seu pai esteve aqui, mas continuou a caminhar. ' Finalmente, me deparei com um homem sentado na entrada de uma floresta e perguntei: 'Você viu meu pai?' Ele também respondeu: 'Sim, ele esteve aqui, mas continuou a caminhar. ' E então acrescentou: 'Você o encontrará do outro lado da floresta. '

"Caminhei pela floresta por vários dias, e finalmente cheguei a um lugar onde terminavam as árvores. Ali se estendia um vasto oceano, com ondas do tamanho de montanhas. Meu pai estava em pé ali, olhando para as águas turbulentas.

"Eu me aproximei dele e peguei em seu braço. 'O que você está fazendo aqui?', perguntei. 'Estávamos todos preocupados. Você não voltou para nós numa visão ou num sonho.'

"Sem se voltar, meu pai disse: 'Você sabe o que é este oceano, meu filho?' Respondi que não. 'Este é o oceano de todas as lágrimas de todas as pessoas do mundo que alguma vez choraram por dor e sofrimento. Eu jurei diante de Deus que não deixarei este oceano enquanto Ele não secar todas as lágrimas.'"

A transformação não é um empreendimento individual.

Não é se acomodando numa poltrona confortável que você se torna como Deus.

A JORNADA PARA DEUS É UMA LIBERTAÇÃO DE  UM  CANTO MINÚSCULO  DO UNIVERSO CHAMADO (INSIRA AQUI SEU NOME), PARA A UNIFICAÇÃO COM VIDAS EM TODA PARTE, PARA UMA COMPAIXÃO QUE SE ESTENDE A TODO SER EXISTENTE E PARA O VASTO OCEANO DE SOFRIMENTO QUE OS ENGOLFA SIMPLESMENTE POR TEREM NASCIDO NESTE MUNDO.

O Desejo de Receber Somente para Si Mesmo cria uma membrana divisora de insensibilidade. Ele nos permite focar na incrível história do "eu", ignorando a dor e a morte nos outros. TORNAR-SE COMO  DEUS EXIGE UMA OBLITERAÇÃO DESTA SEPARAÇÃO - EXIGE QUE ACABEMOS PARA SEMPRE COM QUALQUER DISTINÇÃO. FRONTEIRA E DIVISÃO ENTRE O QUE CONSIDERAMOS COMO SENDO NÓS E O QUE NÃO CONSIDERAMOS COMO SENDO NÓS.

SER COMO DEUS NÃO É SER DOIS COM O UNIVERSO. É SER UM.

Ter compaixão pela vida em toda parte não é uma simples questão de ser bondoso, solidário e generoso. A compaixão é o que emerge das cinzas do Desejo de Receber Somente para Si Mesmo, quando, assim como todo ser é preocupação de Deus, cada ser se torna nossa preocupação também. "Nós experienciamos nossos pensamentos e sentimentos como algo separado do resto", disse Einstein. "É um tipo de ilusão de ótica da consciência."

Na Bíblia, Noé foi salvo durante o dilúvio com um macho e uma fêmea de cada espécie, enquanto o mundo ao redor dele era des- truído. Ele era, como sabemos, um homem justo. Mas a Bíblia também considera Noé um fracasso. Ele fracassou em cumprir seu potencial. Como entender que salvar o mundo da extinção seja qualificado como potencial não realizado?

Faltava a Noé a capacidade de sentir a dor dos outros. Ele não rezou nem se manifestou enquanto seus semelhantes morriam num apocalipse global. Hoje em dia, apocalipses modernos ainda acontecem nesta terra massacrada onde microchips realizam milhões de operações por segundo, mas nem assim conseguem erradicar a fome, a doença e as explosões de crueldade humana denominadas noticiário da noite. NÃO PODE HAVER CRESCIMENTO ESPIRITUAL SEM UMA COMPAIXÃO QUE NÃO SE ESQUECE, E QUE NOS MOVE ATÉ TODOS OS SERES ESTAREM LIBERTADOS.

Na Cabala, a compaixão não é um conceito sentimental. É uma força do universo, assim como as leis da física. "Querer ser o primeiro em tudo" não é errado por não ser adequado. É errado porque viola as leis da física, a ligação que os cientistas denominaram de Campo Unificado. Há centenas de anos, o grande cabalista Baal Shem Tov ensinou que não existem coincidências neste universo. Tudo existe por um propósito. Pelo simples motivo de que, por terem atraído nossa atenção, até mesmo acontecimentos negativos são influenciados por nós de alguma maneira. Por uma lógica ainda impenetrável, quando testemunhamos uma tragédia, somos de alguma forma responsáveis por ela.

Isto significa que NÃO EXISTEM ESPECTADORES INOCENTES NA COLISÃO CONHECIDA COMO VIDA, NENHUM CAMAROTE DE ONDE POSSAMOS ASSISTIR E DESFRUTAR DOS FESTEJOS. COM A TRANSFORMAÇÃO VEM RESPONSABILIDADE.   Sendo  meu  pai  um  grande  erudito  e  cabalista, cresci no meio de histórias dos grandes heróis espirituais, e fui particularmente tocado pelo exemplo de Moisés. Ele abandonou a vida de conforto na casa do Faraó e suportou a dor e o sofrimento de conduzir os israelitas para fora da escravidão. Sua compaixão pela desgraça humana superava de longe seu apego ao conforto. Eu costumava pensar que homens como Moisés existiam para serem admirados, mas vim a descobrir que eles existem para serem imitados. Chega uma hora em que cada um de nós deve deixar o palácio do Faraó e ousar sair da mediocridade confortável. Deixar a indignação crescer e a compaixão aflorar, em favor tanto daqueles que se encontram nas alas de pesadelo da prisão, "os miseráveis da terra", como daqueles na ala do colarinho branco, os que podem dispor de TV a cabo, mas estão igualmente separados de Deus, igualmente condenados à morte.


Um homem realizou uma longa viagem até seu mestre levando notícias tristes: ele tinha um filho cujo estado de saúde era grave e os médicos tinham perdido as esperanças. Sem a intercessão do mestre o menino certamente morreria. "Existe alguma coisa que você possa fazer para ajudar?"

O mestre começou a rezar e meditar, tentando de tudo, mas depois de horas de esforço se voltou com tristeza para o aluno: "Desculpe-me", disse, "mas os portões do céu estão fechados. Não há nada que eu possa fazer por seu filho."

O homem ficou desolado. Montou no cavalo e começou a viagem para casa. Quando a noite ia caindo, escutou um galope atrás dele. Voltou-se e viu seu mestre.

Imediatamente, pensou que talvez seu mestre tivesse conseguido enfim abrir os portões do céu. "Quais as novidades?", perguntou ansiosamente. "Desculpe-me", disse o mestre. "Os portões do céu continuam fechados. Mas depois que você partiu percebi que embora não possa ajudá-lo com minhas orações e meditações, pelo menos posso chorar com você. Foi por isso que eu vim." Os dois homens se sentaram juntos em cima de uma pedra ao lado da estrada e choraram.


Compaixão é o que somos obrigados a sentir. Fazer o que podemos. Compartilhar, ajudar, diminuir qualquer sofrimento que esteja em nosso poder aliviar. Ou simplesmente sentar com outra pessoa em cima de uma pedra e chorar. MAS A FORMA MAIS PODEROSA DE COMPAIXÃO É  TRAZER  MAIS  LUZ  PARA O MUNDO. PERMITIR QUE  A  DOR E O SOFRIMENTO ALIMENTEM NOSSA JORNADA PARA NOS TORNARMOS COMO DEUS, E AJUDAR OS OUTROS EM SUA JORNADA,  DE  TAL  FORMA QUE, EM VEZ DE FAZER UMA PEQUENA LASCA NA  DOR  DA  TERRA, CRIAMOS UMA FORÇA DE PODER INIMAGINÁVEL DE SERES TRANSFORMADOS. NA OBRIGAÇÃO DE LIVRAR O  MUNDO  DO SOFRIMENTO, TORNAR-SE COMO DEUS SE TORNA O ATO ÚLTIMO DE COMPAIXÃO.

"Não entre dócil nesta noite boa", escreveu o poeta galês Dylan Thomas. "Enfureça-se, enfureça-se contra o morrer da luz." Com toda sua eloquência, Thomas estava ligeiramente enganado, porque a Luz nunca morre. Somos nós, nascidos numa prisão, que não conseguimos enxergá-la.

Quando a compaixão é interminável, nos enfurecemos contra o morrer da luz. Mas não quando morremos.

Nós nos enfurecemos contra o morrer da luz enquanto estamos vivos.


EPÍLOGO: UMA JANELA EM NOSSOS CORAÇÕES

Certa vez um grande cabalista levou seu aluno mais próximo até uma janela e ficaram sentados juntos durante horas. Os dois choraram o tempo todo.

Quando o mestre foi embora, os outros alunos correram para a janela. "O que nosso mestre lhe mostrou?", quiseram saber.

O aluno respondeu: "Ele me mostrou toda a Luz que será revelada - toda a alegria e toda a satisfação - quando uma massa crítica de pessoas tiver se transformado... quando tivermos feito nosso trabalho."

"Isto fez vocês chorarem?", os alunos perguntaram surpresos.

O aluno respondeu: "Sim, porque ele me mostrou também toda a dor e todo o sofrimento que o mundo terá que passar para alcançar essa satisfação."


A cada noite, quando coloco meus filhos na cama, sinto gratidão por ter encontrado a sabedoria que compartilhei aqui com você. Como sinto amor por meus filhos, sei que esta informação pode salvá-los. Depois, sou abatido por um temor: e se eu não completar a jornada? E se o mundo não completar sua jornada? O que será de meus filhos, o que será dos filhos deles, se não passarmos pela porta que se abriu para nos tornarmos como Deus?

E se a dor, o sofrimento e a morte triunfarem?

Então me lembro, com absoluta certeza: é nosso destino nos tornarmos como Deus.

Cada um de nós tem uma janela em seu coração, uma janela que nos mostra o que poderia ser. Nossa tarefa, toda vez que cruzamos com alguém sentindo dor, é levar a pessoa para essa janela e mostrar o que nos aguarda do outro lado do sofrimento.

NOSSA TAREFA É AJUDAR O MUNDO  A  ALCANÇAR  UMA  MASSA  CRÍTICA DE PESSOAS NO CAMINHO DE SE TORNAR COMO DEUS, PARA QUE A DOR, O SOFRIMENTO E A MORTE DESAPAREÇAM. Preocupar-se com o mundo desta maneira é parte do processo de se tornar como Deus, porque sentir a dor da humanidade e se esforçar incessantemente para acabar com ela é um aspecto de ser como Deus.

NOSSO DESTINO É  NOS TORNARMOS COMO  DEUS.

O Oponente tentará nos fazer esquecer. Não esqueceremos. Ele tentará enfraquecer nossa decisão de mudar. Não permitiremos que isso aconteça. Repetidamente nos relembraremos do que estamos tentando fazer e por que estamos tentando fazê-lo.

NOSSO DESTINO É NOS TORNARMOS COMO DEUS.

Abriremos as portas da prisão, para nós mesmos, para nossos filhos e para o mundo.

NOSSO DESTINO É NOS TORNARMOS COMO DEUS.

E eliminar a dor, o sofrimento e a morte para sempre.


(Fonte: https://pt.scribd.com/document/61497692/Tornar-Se-Como-Deus-A-Cabala-e-Nosso-Destino-Final-MICHAEL-BERG)

sexta-feira, dezembro 14, 2018

A Cabala e o Nosso Destino Final: Ser como Deus - 12/13

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O ZOHAR

O Baal Shem Tov foi um dos raros gigantes na história que completou sua própria jornada para se tornar como Deus. Quando um decreto negativo era emitido, e o mal estava descendo sobre seu povo, o Baal Shem Tov ia a um lugar específico na floresta, acendia um fogo, e dizia uma oração especial. Acontecia então um milagre e o infortúnio desaparecia.

Uma geração depois, quando seu discípulo o Magid de Mezritch tinha que intervir com os céus, ele ia para o mesmo lugar na floresta e dizia: "Senhor do universo, ouça-me. Eu não sei rezar como meu mestre, mas ainda acendo o fogo."

E o milagre acontecia de novo.

Na geração seguinte, quando o discípulo do Magid, Rav Moisés Lev tinha que intervir com os céus, ele também ia para a floresta e dizia: "Eu não sei acender o fogo, eu não sei a reza, mas eu me lembro do lugar, e acredito ser o suficiente."

E era o suficiente.

Na geração seguinte, o aluno pôs as mãos na cabeça e se dirigiu a Deus: "Senhor do universo, ouça-me. Eu não sei mais como acender o fogo, eu não sei a reza, eu não consigo nem achar o lugar na floresta. Tudo o que sei é contar a história, e acredito ser o suficiente."

E era o suficiente.


O mero fato de pegar o Zohar, o Livro do Esplendor, para simplesmente escanear suas letras em aramaico e permitir a entrada da energia infundida nelas, é se colocar face a face com aquilo que os cabalistas têm considerado por milhares de anos como a mais poderosa de todas as ferramentas para aniquilar o ego e se reunificar com Deus.

É uma energia incrustada nas páginas de um livro.
É o texto, ferramenta e tecnologia central da Cabala.
É a origem dos segredos para se tornar como Deus.

O Zohar resiste a definições. É um guia vasto e abrangente para a natureza divina perdida de nossas almas. É um compêndio de virtualmente toda informação a respeito do universo, cuja sabedoria a ciência só hoje está começando a verificar. Mas seus códigos, suas metáforas e sua linguagem enigmática não são dados a nós puramente para compreensão. Servem também como canais para energia, entendamos ou não. O Zohar não somente expressa a energia de Deus, ele incorpora a energia de Deus.

DESDE O MOMENTO DA CRIAÇÃO DESTE MUNDO, SABENDO O TRABALHO QUE ENFRENTARÍAMOS AO NOS TORNARMOS COMO DEUS, O CRIADOR PREPAROU UM LUGAR ONDE FICARIAM ARMAZENADOS A SABEDORIA PARA ESTA TRANSFORMAÇÃO E O PODER E A ENERGIA PARA COMPLETÁ-LA. ASSIM, NOS CONECTAMOS COM O ZOHAR PARA NOS TORNAR COMO DEUS. E quando estamos lendo, estudando ou escaneando o Zohar, permitimos que a energia da criação que vive nas formas de suas letras em aramaico fale, de forma silenciosa e misteriosa, na linguagem de um outro mundo, diretamente às nossas almas.


O DOMÍNIO DE GIGANTES

Eles são uma linhagem de gigantes, homens e mulheres que se completaram, superaram o Oponente e se tornaram como Deus. Ao longo do caminho eles deixaram portais para nós todos, para que também nos liguemos ao seu poder.

Não é coincidência que todas essas grandes almas tenham se reunido para revelar a Luz do Zohar. Rav Shimon bar Yochai revelou a totalidade do Zohar há 2 mil anos, em colaboração com uma assembleia histórica de seres transformados - alguns em corpo, outros em alma -, uma assembleia que incluiu nada menos que Moisés e Elias. Depois disso, os gigantes que se seguiram retiraram sua sabedoria e energia desta fonte única de poder e formaram a sabedoria da Cabala a partir de suas revelações.

Um livro que um ser transformado outorga a gerações vindouras não é mera informação, ou registro de vida, ou compêndio de ideias. É uma unidade móvel de força, uma transmissão direta de energia armazenada dentro de uma bateria espiritual. Ela permanece acessível para sempre para todos nós que precisamos acessar sua força para a batalha que travamos.

Conectar-se desta maneira com a energia de gigantes é um ato de intenção consciente. Pegamos o Zohar, senão com temor e tremor, pelo menos com admiração e respeito. Estamos na presença de um campo de força. Quando um cabalista escreve, sua essência é injetada na obra. QUEREMOS NOS CONECTAR COM SUA CONSCIÊNCIA,  SEU PODER, SUA CERTEZA, SUA CLAREZA, PARA PODERMOS DESPERTAR NOSSA PRÓPRIA CONSCIÊNCIA LIMITADA. NOSSA LEITURA  DO  ZOHAR NOS CONECTA DIRETAMENTE COM A CONSCIÊNCIA DE RAV SHIMON BAR YOCHAI.


Um dia, quando Rav Shimon bar Yochai saiu com seu filho, eles viram o mundo de repente mergulhar numa escuridão. Toda luz desapareceu do mundo, e surgiu um anjo, do tamanho de uma enorme montanha, soprando trinta chamas de fogo pela boca.

Rav Shimon falou: "O que você pretende fazer?"

O anjo respondeu: "Vou destruir o mundo, porque não há trinta homens justos nesta geração”.

Rav Shimon disse a ele: "Vá, por favor, diante do Sagrado, e diga a Ele, 'se não há trinta justos no mundo, há vinte, e se não há vinte, há dez, porque está escrito que o mundo não será destruído pelo bem de dez homens. Se não há dez, há dois - meu filho e eu - porque está decretado que dois bastam. Se não há dois, há um - eu, Rav Shimon - porque está escrito que uma pessoa justa é uma fundação eterna'."

Nesse momento uma voz ressoou do céu, dizendo: "Feliz é sua porção, Rav Shimon. O Sagrado emite um decreto, mas você o anula abaixo."


Esta é a lição do anjo da destruição: QUANDO ESTAMOS COMPLETAMENTE CONECTADOS COM DEUS, COMO ERA O CASO DE RAV SHIMON, QUANDO TRIUNFAMOS ACIMA DO EGO E NOS CONECTAMOS TOTALMENTE COM NOSSA NATUREZA DIVINA, PODEMOS PARAR QUALQUER  TIPO  DE MAL - INCLUINDO A DESTRUIÇÃO DO MUNDO.

Rav Moisés Luzzatto foi outro gigante. Ele via o mundo como um grande labirinto onde os seres humanos caminham em estado de ignorância enquanto as almas dos transformados, aqueles que derrotaram o Oponente, sentam por cima em galhos de árvores e nos direcionam.

O labirinto no qual caminhamos hoje é uma consciência coletiva com a medida de força de seis bilhões de pessoas, consciência de dor, sofrimento e morte, uma crença com a força de seis bilhões de pessoas no valor último do ego. Cada um de nós é uma parte desta consciência mundial, cada um de nós dominado pelas incríveis forças mobilizadas no time do ego e da Escuridão. Não há esperança de se completar a jornada para Deus sem uma infusão maciça de energia da Luz, por cortesia dos gigantes sentados lá em cima, em seus galhos de árvores. A consciência deles é mais importante que sua sabedoria. A energia deles nos provê armas contra a inércia de seis bilhões.

Rav Shimon bar Yochai, em essência, vive em dimensões profundas dentro dos átomos das letras do Zohar, disponível online, uma fonte de poder livre das limitações deste mundo. As pilhas estão sempre incluídas.


A PEDRA QUER RETORNAR À MONTANHA

Começa com a montanha. Termina com a montanha.

No ínterim, há a idade das pedras.

Pedras são pedaços da montanha, idênticas em essência, existindo somente por causa da separação.

Seres humanos são pedaços de Deus, idênticos em essência, existindo somente por causa da separação.

Como pedras querendo se unir de novo com a montanha, os seres humanos desejam retornar a Deus, mas, no caso dos humanos, Deus também anseia por nosso retorno a Ele, com um desejo ainda maior que o nosso, e oferece Sua ajuda.


Um aluno do Rav Ashlag chegou-se a ele com tristeza. "Mestre, eu tentei me livrar da Escuridão dentro de mim. Tentei quebrar o Desejo de Receber Somente para Mim Mesmo. Esforcei-me para diminuir meu ego. Fiz tudo que o senhor me ensinou. Mas tenho que admitir uma coisa."

O aluno fez uma pausa, apreensivamente. "Tenho que confessar que, apesar de ter tentado tudo em meu poder, não consigo fazê-lo." E abaixou a cabeça.

Para espanto do aluno, Rav Ashlag bateu palmas com alegria. "Mas mestre", disse o aluno, "eu sei o quanto o desaponto por meu fracasso em entender seus ensinamentos. Por que o senhor está tão feliz?"

Rav Ashlag falou: "Você não pode alcançar a transformação que tenho lhe ensinado sem a ajuda do Criador. E você não pode receber a ajuda de Deus a não ser que compreenda profundamente que sem ela você é incapaz de mudar."


A jornada para se tornar como Deus pode parecer uma tarefa intransponível, mas PARA NOSSA ENORME VENTURA, NÃO ESTAMOS SOZINHOS. PRECISAMOS SOMENTE DA CERTEZA DE QUE A AJUDA É NECESSÁRIA. E QUANDO ESSA CERTEZA É CONQUISTADA, A AJUDA VIRÁ.

Como o grande cabalista Rav Brandwein certa vez escreveu para meu pai, que estava ocupado no caminho de ser o primeiro cabalista a difundir o Zohar pelo mundo: "NÃO SE PREOCUPE, PORQUE HÁ MAIS FORÇAS DO NOSSO LADO DO QUE DO LADO DELES."

Há mais forças do nosso lado do que do lado deles.

Ele queria dizer que temos a ajuda de gigantes que vieram antes e em cujos ombros estamos montados. Temos a ajuda de um gerador de energia único chamado Zohar. E, é claro, quando nosso comprometimento é inexorável, temos a ajuda de Deus.


(Fonte: https://pt.scribd.com/document/61497692/Tornar-Se-Como-Deus-A-Cabala-e-Nosso-Destino-Final-MICHAEL-BERG)


terça-feira, dezembro 11, 2018

A Cabala e o Nosso Destino Final: Ser como Deus - 11/13

- Rav Michael Berg - 


ARMAS DE GUERRA

Estamos propondo a fuga da maior prisão de segurança máxima jamais construída. Sendo assim, não é uma simples questão de se esgueirar quando o guarda estiver dormindo. Nesta prisão, o guarda nunca dorme.

A fuga da prisão da vida se parece mais com um combate armado. O Zohar chama nossa vida de zona de guerra, uma incessante batalha contra uma força negativa que opera dentro da nossa pele, dentro do nosso cérebro, dentro das nossas células, nos consigna à existência robótica, e depois como recompensa nos mata. É um combate mortal pela causa da vida imortal.

Habitamos numa zona de guerra, nós que adentramos por esta porta que se abriu neste momento na consciência humana. OU NÓS SOMOS REATIVOS, MECÂNICOS, MARIONETES DO OPONENTE.  OU  SOMOS AGENTES PROATIVOS DE NOSSA PRÓPRIA NATUREZA DIVINA. Somos ou um ou o outro. A cada momento da existência temos uma escolha de sistema operacional, e cada momento é uma oportunidade de promoção. Há alegria a cada revelação de Luz, mas mesmo assim a realidade da guerra continua, A GUERRA BÁSICA NUNCA TERMINA ATÉ NOS TORNARMOS COMO DEUS.

Este livro, portanto, pode ser visto de uma outra maneira: ele é um arsenal de armas à disposição na luta por nossa alma, num campo de batalhas chamado nossa vida.

O RECONHECIMENTO é a primeira arma. Devemos reconhecer que vivemos numa prisão, e não num hotel de luxo, porque o reconhecimento provoca urgência, e somente com urgência o fervor para a fuga pode começar.

A RECUSA é  a segunda arma. Somente na recusa em aceitar a morte e o sofrimento como realidades finais o poder da ação pode começar.

A FÓRMULA DE DEUS  é a terceira arma. Somente com absoluta clareza e concentração no objetivo final e nos meios para se chegar lá podemos abrir caminho através dos muros e nos tornar como Deus.

DESMASCARAR O OPONENTE é a quarta arma, porque ele enganará, confundirá e iludirá a cada volta.

A CERTEZA é a quinta arma. Somente se houver certeza no potencial extraordinário de cada ser humano de se tornar como Deus pode ser atingida nossa meta.

A VIGILÂNCIA CONTRA O CONFORTO é a sexta arma,  porque  somente nos afastando da armadilha mortal do conforto e mergulhando com alegria no âmbito do desconforto podemos começar a destruição do ego e o compartilhar transformador.

FINALIZAR é a sétima arma, porque somente com um foco incessante e com a rememoração do objetivo final, e com a recusa em se contentar com qualquer coisa que seja menos que a transformação total iremos nos tornar como Deus.


DETESTAR O EGO

Certa vez, Rav Ashlag chocou seus alunos.

"Nenhum de vocês acredita realmente no que ensinei a respeito do ego", disse a eles. "Se tivessem acreditado em mim, vocês já teriam mudado."

Vocês já teriam mudado.

Mesmo após anos de trabalho com um grande cabalista, o infatigável ego resiste à conquista.

Por que ainda não mudamos? Qual o segredo da durabilidade do Desejo de Receber Somente para Si Mesmo? Por que nossa devoção ao ego é tão inabalável? A resposta simples é: nós não o detestamos o suficiente. Não achamos os males desencadeados pelo ego suficientemente repugnantes para fazer o que é necessário para nos transformarmos. O Oponente nos hipnotizou, fazendo-nos crer que o cuidado e a alimentação do ego são o melhor para nós - quando na verdade isso acaba com nossas vidas. NESTA BATALHA, NOSSA VANTAGEM ESTÁ NA NATUREZA DE NOSSA ESSÊNCIA DE AUTOMATICAMENTE REJEITAR TUDO QUE PERCEBE COMO NEGATIVO. ASSIM, É VITALMENTE IMPORTANTE RECONHECER A NEGATIVIDADE. NOSSO TRABALHO NÃO É TANTO NOS LIVRAR DA NEGATIVIDADE, MAS SIMPLESMENTE ENXERGÁ- LA. O PROCESSO DE ENXERGÁ-LA É SINÔNIMO DE EXPULSÁ-LA.

SE AS PESSOAS REALMENTE SOUBESSEM QUE TODA VEZ QUE FICAM ZANGADAS ESTÃO COMETENDO SUICÍDIO, NUNCA MAIS FICARIAM ZANGADAS. Isto torna a jornada para se tornar como Deus mais uma questão de enxergar, e menos uma questão de fazer. E continuamente ficar chocado com cada novo pedaço de ego que enxergamos, mesmo quando o mundo inteiro nos louva por nossa humildade.

O quanto devemos abominar o ego?


Alguém certa vez se dirigiu a um grande cabalista: "Preciso lhe contar que, há alguns meses, um de seus alunos agiu de uma forma incrivelmente repulsiva."

Ouvindo o nome do aluno, o cabalista respondeu: "Zushya é uma das pessoas mais espirituais que possa existir. Não posso crer que ele tenha agido mal. Conte- me a história."

"Bem, era para acontecer um casamento em nossa cidade", o homem relatou, "e no dia da cerimônia a mãe da noiva perdeu o dote. A cidade inteira estava emocionada com o casamento, mas agora que ele teria que ser cancelado todos estavam tristes e algumas pessoas ficaram discutindo e brigando - foi horrível. De repente, este homem entrou no salão do casamento, se apresentou como Zushya e anunciou que tinha encontrado o dote. Você pode imaginar o quanto todos ficaram aliviados, principalmente a noiva e sua família. Estávamos todos contentes, mas logo nosso contentamento virou indignação. Zushya disse: 'Se vocês querem o dote de volta, devem me pagar uma gratificação de 20% pelo achado.'

"Olhamos para ele pasmos. 'Você está louco? ', eu disse. 'Que tipo de homem poderia pedir uma gratificação numa circunstância como essa? Simplesmente devolva a ela o dinheiro. ' Mas ele insistiu que não devolveria o dinheiro sem antes receber seus 20% de gratificação.

"As coisas foram de mal a pior. Começou uma briga. A família da noiva bateu em Zushya e arrancou o dinheiro de seus bolsos. Depois, nós o agarramos e o expulsamos da cidade. E, francamente, nem posso dizer que o que fizemos foi errado, afinal que vigarista agiria assim?"

"Deve haver alguma explicação. Deixe-me conversar com Zushya e descobrir o que aconteceu", disse o cabalista.

"Foi assim", Zushya explicou. "Minha filha estava para se casar e, como sou pobre, não tinha fundos para seu dote. Viajei de cidade em cidade para conseguir algum dinheiro. Depois de dois meses de trabalho duro, finalmente consegui arrecadar a quantia de que precisava e estava voltando para casa quando passei por esta cidade na qual todos estavam tão tristes e desconsolados. Perguntei o que tinha acontecido e me contaram a história do dote perdido. Decidi fazer uma grande ação de compartilhar e dar para a família da noiva o dinheiro que eu tinha arrecadado para minha filha. Descobri exatamente quanto dinheiro tinha sido perdido e o valor das notas, e planejei entregar o dinheiro para a família fingindo tê-lo encontrado. Todavia, quando eu estava indo para o salão do casamento, de repente o Oponente começou a falar comigo. 'Zushya', ele disse, 'você é um sujeito tão bom. Quem mais no mundo seria capaz de fazer o que você está fazendo? Você não tem dinheiro nenhum, trabalhou duro meses para arrecadar o dinheiro para o casamento da sua filha, e agora você dá tudo para a família da filha de alguma outra pessoa que você nem conhece. Você deve ser a pessoa mais generosa do mundo.'

"O Oponente continuou falando assim, e eu pude sentir meu ego crescendo cada vez mais, então disse para mim mesmo: 'Quero fazer esta ação de compartilhar com esta família, mas não posso deixar meu ego receber todo o crédito.' Assim, procurei um jeito de dar o dinheiro para a família da noiva e ao mesmo tempo dar uma bela surra no meu ego. Foi então que me veio a ideia de pedir 20% de gratificação por ter encontrado o dinheiro. Eu sabia que eles nunca me dariam este valor e que eu seria expulso em desgraça da cidade."


O ego comanda. Ele mandou o homem da história não dar seu dinheiro. Depois mandou-o receber crédito por sua generosidade. Mas Zushya estava na guerra, e a aversão ao ego foi uma arma que não falhou.


COMPARTILHAR RIDICULAMENTE

Quando vivemos na natureza do ego, compartilhar é um ato não natural. Compartilhar viola a necessidade fundamental de sobrevivência do ego: eu quero para mim mesmo. Trata-se de um poço fundo e escuro, uma coceira que não dá para coçar, um anseio sem fundo fadado a jamais ser preenchido.

Tornar-se como Deus começa com se comportar como Deus, e isso significa se transformar num ser que compartilha. Parece lógico, portanto, que sendo compartilhar o caminho para a transformação e sendo a transformação a rota de fuga da morte e do sofrimento, deveríamos correr para compartilhar com o ardor de um condenado fugindo de uma prisão. Veríamos uma pessoa em necessidade da mesma maneira como um prisioneiro vê uma lima de ferro. QUANTO MAIS COMPARTILHAMOS, MAIS NOS APROXIMAMOS DA LUZ DO SOL POR TRÁS DOS MUROS DA PRISÃO. QUANTO MAIS DESCONFORTÁVEL O COMPARTILHAR,   MAIS   RÁPIDO   CHEGAREMOS   LÁ.   É   o  princípio do crescimento. Os pesos que levantamos com facilidade não nos dão forças como os pesos levantados com esforço. Ser bom, doar para a caridade e dar dinheiro para mendigos são atos de compartilhar seguramente incrustados em nossa zona de conforto, e, sendo assim, os bíceps de nossa natureza divina só crescem um pouco. COMPARTILHAR EXORBITANTEMENTE, INESPERADAMENTE, QUANDO É UM SACRIFÍCIO FAZÊ-LO, QUANDO VAI CONTRA NOSSA NATUREZA FAZÊ-LO, QUANDO ALGUÉM ADMIRA A NOSSA CANETA  FAVORITA  E  DIZEMOS "FIQUE COM ELA" - É AÍ QUE COMEÇAMOS A NOS TORNAR COMO DEUS.


Na Bíblia, Abraão queria encontrar uma esposa para seu filho, Isaac, e para isso mandou seu empregado, Elazar, a uma determinada cidade para procurar pela mulher certa. O empregado levou dez camelos e, chegando à cidade, fez com que se ajoelhassem num poço ao anoitecer, a hora em que as mulheres vinham tirar água. Ele rezou para Deus: "Faça com que a donzela a quem eu disser 'por favor, vire seu jarro para que eu possa beber', e que responder 'beba e darei água também para os camelos' seja a nora designada para meu mestre."

Nem bem ele terminou de rezar e uma linda donzela, Rebeca, surgiu com um jarro no ombro. Ela desceu para a fonte, e Elazar correu para ela e disse: "Permita, por favor, que eu beba um pouco de água do seu jarro."

Ela respondeu: "Pode beber à vontade", e quando terminou de dar de beber a ele, ela disse: "Tirarei água também para seus camelos até eles se saciarem."

Imediatamente, Elazar entendeu que sua oração tinha sido respondida e que ele tinha encontrado a alma gêmea de Isaac.


A história de Rebeca é uma representação do compartilhar transformador. É fácil oferecer água para um estranho, é absurdo oferecer água para toda sua manada de camelos. A menos que a ação tenha por trás uma intenção consciente, que é despertar a divindade dentro de si próprio. Neste caso, o compartilhar é feito para si mesmo e não para o recebedor. Rebeca estava operando no nível de intenção consciente de se tornar como Deus, e por isso foi considerada uma parceira digna para Isaac.

O que distingue o compartilhar normal do compartilhar transformador não tem nada a ver com o que está sendo compartilhado. A consciência e a dificuldade por trás do ato determinam sua carga de Luz. Um dólar dado com um desejo consciente de crescer, de se tornar como Deus, é um ato de compartilhar transformador. Um legado de 10 milhões de dólares, dado para obter autoglorificação, fama e mais poder, não é. A ÚNICA REGRA QUE PODEMOS SEGUIR É QUE NOSSAS AÇÕES DEVEM NOS MOVER NA DIREÇÃO DE NOS TORNARMOS COMO DEUS.


AGORA. E AGORA. E AGORA.

A maior arma que temos na guerra da transformação é o momento presente, porque cada segundo que vivemos é uma oportunidade. CADA INCIDENTE IRRITANTE É UMA OPORTUNIDADE DE ABRAÇAR O DESCONFORTO E LASCAR MAIS UM ÁTOMO DE EGO. CADA ENCONTRO É MAIS UMA OPORTUNIDADE DE CONFRONTAR O EGOÍSMO   E COMPARTILHAR COM ALGUÉM. Esta é a vitória da trivialidade, porque cada momento é trivial, e é no trivial e no modesto que a transformação é conquistada. Gestos grandiosos e momentos dramáticos não duram. O que dura é o agora e o agora e o agora. É no agora que aqueles que completarão a jornada são separados dos que não completarão. É agora que nos lembramos de nossa natureza e objetivo. Estamos aqui para nos tornar como Deus e agora não esqueceremos, como não nos esqueceremos que o que se apresenta para nós é exatamente o que precisamos para avançar em nossa jornada. NÃO EXISTE "VOU ESPERAR QUE ISTO PASSE PARA PODER VOLTAR À MINHA TAREFA DE ME TORNAR COMO DEUS". NÃO HÁ DESVIO. CADA CURVA E BIFURCAÇÃO NA ESTRADA É A ESTRADA EM SI.

Alguém nos pede café, e nos apressamos em ir pegar. Mas não nos esquecemos do motivo por que o fazemos. Não porque a pessoa gostará de nós, não para parecermos espirituais, mas porque essa ação de compartilhar despertará nossa natureza divina. O quanto mais nos lembrarmos, quanto mais permanecermos conscientes, mais intensa a transformação. Alguém fura a fila na nossa frente. Queremos reagir com raiva. Não reagimos, porque sabemos que fazendo a restrição quebraremos mais uma barreira entre nós e Deus. Desta maneira passamos a entender a verdade sobre o sacrifício. Damos a isso o nome de sacrifício porque acreditamos estar abrindo mão de algo de valor. Porém, através do sacrifício, estamos na verdade abrindo mão apenas dos pensamentos e ações tóxicos do nosso Desejo de Receber Somente para Si Mesmo.

Faça-o neste instante, e no próximo instante, e no seguinte. Faça-o com a topada no pé e com o café frio e com alguém furando a fila.

Sua vida depende disto.

DETESTE O EGO. 
COMPARTILHE RIDICULAMENTE. 
AGORA. E AGORA. E AGORA.


(Fonte: https://pt.scribd.com/document/61497692/Tornar-Se-Como-Deus-A-Cabala-e-Nosso-Destino-Final-MICHAEL-BERG)

sábado, dezembro 08, 2018

A Cabala e o Nosso Destino Final: Ser como Deus - 10/13

- Rav Michael Berg - 


O CORAÇÃO DAS PESSOAS DESENCAMINHADAS É "QUASE"

Quando estamos numa prisão de segurança máxima, um plano de fuga não é literatura escapista. Não é somente algo para passar o tempo deitados em nossos beliches. Se for um plano de fuga verdadeiro, ele inflamará nossos sonhos de liberdade e dominará cada instante em que estivermos acordados. É aí que uma prisão física difere da prisão que chamamos de vida. Porque na prisão da vida, acorrentado ao ego, um ser humano pode muito bem topar com um plano de fuga - talvez, na luz cinza da masmorra, ler a respeito de um caminho para a luz eterna. Qual será sua reação? É bem provável que siga o plano de fuga durante anos, se aventurando a cada dia para fora de sua cela para reunir mais informação, retornando a cada noite para regalar seus companheiros de prisão com o que aprendeu. Ele jamais deixará a prisão, mas se confortará durante anos com a noção de que ele está mesmo no caminho para a fuga.

O que acorrenta os seres humanos à mediocridade do quase? O que nos mantém escravizados é a falta de clareza quanto ao nosso objetivo no mundo e a falta de clareza sobre a verdadeira abrangência e poder da Fórmula de Deus. Depois que se aceita claramente como o único objetivo o de tornar-se como Deus, não é possível ficarmos satisfeitos com o simples compartilhar, meditar, orar ou fazer o bem. NOSSO OBJETIVO NÃO É SER BOM. E NOS TORNARMOS COMO DEUS Em vez de um hobby, a jornada para se tornar como Deus atinge a dimensão de uma luta de todo coração conduzida a cada segundo que respiramos.

NOSSA TRANSFORMAÇÃO EM DEUS É O ÚNICO OBJETIVO QUE  VALE  A PENA NA VIDA. NADA SERVE QUE SEJA MENOR QUE O COMPLETAR DESTA JORNADA. Mas nós habitamos uma mentalidade onde o completar não existe, onde tirar nota baixa é passar, onde 51% são uma maioria, onde o conforto é o objetivo.


A ILUSÃO DO MEIO

Compreender a Fórmula de Deus destrói o que chamo de ilusão de estar no meio. Essa ilusão nos diz que, em algum lugar entre um ataque total contra o Desejo de Receber Somente para Si Mesmo e uma vida de completa Escuridão, existe um aprazível jardim da mediocridade. Um lugar pacífico para assistirmos à TV, doarmos aos necessitados, pensarmos em espiritualidade e construirmos nossos fundos de aposentadoria.

Quebrar a ilusão conduz à compreensão de que o meio não existe. OU ESTAMOS NO CAMINHO PARA A LUZ OU ESTAMOS NO CAMINHO PARA A ESCURIDÃO. OU ESTAMOS NOS TORNANDO COMO DEUS OU ESTAMOS COMETENDO SUICÍDIO. NÃO EXISTE OUTRA POSIÇÃO. Podemos rejeitar isso, dizendo ser melodrama, e o Oponente espera que o façamos. Mas enquanto continuamos vivendo na natureza do ego, obcecados com nosso eu, enquanto ronronamos para os elogios e nos arrepiamos quando o devido respeito não nos é prestado, enquanto satisfazemos desejos egoístas sem considerar a dor dos outros, estamos lentamente cometendo suicídio. Isso é optar pelo Desejo de Receber Somente para Si Mesmo. Numa encruzilhada, estamos fazendo a escolha do sinal que diz DOR, SOFRIMENTO E MORTE.

Por outro lado, QUANDO ANIQUILAMOS A FORÇA DO EGO, QUANDO EXPERIENCIAMOS HUMILHAÇÃO E AGRADECEMOS AO HUMILHADOR PELA OPORTUNIDADE, QUANDO COMPARTILHAMOS ATE DOER, ESPECIALMENTE SE ESSE COMPARTILHAR FOR A ÚLTIMA COISA QUE QUEREMOS FAZER, ESTAMOS ENTRANDO NA IMORTALIDADE. ESTAMOS NOS TORNANDO COMO DEUS.

E, das duas uma: ou completamos essa jornada, ou não chegamos a lugar nenhum.

Havia um mestre cuja hora de deixar este mundo havia chegado. Ele reuniu seus muitos alunos em seu leito de morte. Um por um, eles se curvavam sobre seu corpo frágil e ouviam com atenção enquanto ele lhes revelava suas tarefas específicas depois que tivesse partido. Finalmente, chegou a vez de um dos alunos mais próximos do mestre, a quem o mestre tinha conhecido e amado por muitos anos.

"Seu trabalho", o sábio sussurrou, "é viajar pelo mundo todo e contar histórias sobre minha vida que inspirarão as pessoas a buscarem a verdade."

O aluno ficou desapontado. Naqueles dias era uma dificuldade viajar grandes distâncias e, além disso, ele sentiria saudades de seus amigos e de sua família durante as longas ausências. No entanto, ele compreendeu que o maior bem para todos, incluindo ele mesmo, viria de cumprir seu propósito divino na vida, e estava determinado a obedecer à instrução. Beijou a mão do mestre e perguntou: "Esta será minha obrigação para sempre ou somente por um certo período?"

"Você saberá quando tiver completado seu trabalho", o mestre respondeu.

Por muitos anos, o aluno viajou de cidade em cidade e de país em país contando histórias sobre a vida do seu mestre. Graças ao seu grande talento como contador de histórias, ele sempre levantava os corações do público e os deixava resolvidos a crescer espiritualmente. Embora sentisse a profunda satisfação que vem do cumprimento de um propósito, ele ansiava por receber um sinal de que sua missão estava completa.

Um dia, ouviu falar de um homem muito rico, que vivia numa cidade distante e tinha a reputação de pagar generosamente a quem lhe contasse histórias autênticas sobre o mestre. O aluno decidiu embarcar na longa jornada com a esperança de melhorar suas finanças, que estavam num estado lastimável. Chegou a cidade alguns dias depois e foi direto para a casa desse homem rico.

"Eu estive ao lado do mestre continuamente durante muitos anos", disse ao homem, "e conheço milhares de histórias."

Naquela noite, a casa toda se reuniu ao redor da mesa de jantar e todos os olhos estavam voltados para o aluno.

"Conte-nos", disse o homem rico. "Eu creio que talvez você possa saber uma história que esperei muito tempo para ouvir."

O aluno abriu a boca para falar, mas não conseguia pensar em nada para dizer. Sua mente tinha dado um branco. Ao longo dos anos, tinha contado inúmeras histórias, mas agora não estava conseguindo se lembrar de nem uma única delas.

O homem rico tentou esconder seu desapontamento e disse para o aluno não se preocupar. "Talvez você precise dormir", ele sugeriu. "Vamos conversar de novo de manhã." No dia seguinte, entretanto, a mesma coisa aconteceu. A mente do aluno estava totalmente vazia. Envergonhado, balbuciou um pedido de desculpas, certo de que a família estaria desconfiada de que ele os estava enganando para desfrutar da hospitalidade. Partiu logo, prometendo nunca retornar à cidade que havia sido o cenário de tal provação. Depois de viajar por quatro ou cinco horas, porém, alguma coisa o fez parar: de repente ele se lembrou de uma história. Debateu-se na dúvida por alguns momentos.

"Devo voltar?", pensou. "Não é uma grande história. Até eu voltar estará tarde e estarei cansado. Além disso, o homem vai mandar me prender se eu começar a bater na sua porta no meio da noite alegando ter lembrado de uma história." 

Recordou-se então do entusiasmo do homem no momento em que acreditou que o discípulo poderia lhe contar histórias, e do amargo desapontamento em seu rosto quando percebeu que suas horas juntos seriam infrutíferas; e rememorou a instrução sagrada de seu mestre de trazer inspiração para as pessoas mundo afora. Finalmente, deu meia-volta com seu relutante cavalo e começou a jornada de volta para a cidade do homem rico. Chegou à casa do homem depois da meia-noite e bateu à porta, que foi aberta de imediato. O homem estava de pé na porta e o aluno percebeu que os olhos dele estavam vermelhos, como se tivesse chorado muito.

"Eu me lembrei de uma história!", exclamou o aluno, "mas é uma das piores histórias do meu repertório. E baseada em minha própria experiência e nem sei como ela termina. Só sei contar uma parte."

"Não faz mal", disse o homem, conduzindo o viajante para a sala de estar e fazendo sinal para que se sentasse. Um empregado trouxe chá, e o homem rico mal podia se conter enquanto o aluno se refrescava com alguns goles da bebida. Finalmente, o aluno começou a história.

"Havia uma cidade governada por um homem cruel. Meu mestre ficou sabendo que este homem planejara um massacre para o dia seguinte, e por isso saiu pela floresta com sua companhia para visitar o governante e tratar de impedi-lo. Quando chegamos à cidade, meu mestre me chamou e me mandou ir falar com o governante para marcar uma reunião com ele. Olhei para meu mestre horrorizado.

'"Ele vai me matar', balbuciei.

'"Simplesmente vá e faça o que eu disse', meu mestre respondeu serenamente.

"Eu pedi uma audiência com o governador e expliquei a ele que meu mestre queria vê-lo na estalagem onde tinha se hospedado. O governador estava sentado numa imensa cadeira de couro, quase como um trono, e ponderou por um momento. Uma dúzia de guardas o protegia, todos armados com cimitarras reluzentes. Parecia certo que ele acenaria a eles e que eu seria instantaneamente picado em pedaços. Mas, para minha surpresa, o governador olhou para mim e me informou que iria visitar meu mestre de imediato.

"O governador e meu mestre se reuniram durante muitas horas, mas eu nunca fiquei sabendo sobre o que eles conversaram. Tudo o que sei é que, como resultado da reunião, o governador cancelou o massacre iminente. Pouco depois, ele deixou a cidade e nunca mais se ouviu falar dele. Isto é tudo que tenho para lhe contar."

O homem rico se levantou e abraçou o aluno, o tempo todo chorando como um bebê.

"Era eu", disse o homem. "Eu era o governador. Eu tinha levado uma vida terrível e matado muitas pessoas inocentes. Eu achava que não havia mais esperança para mim, até conhecer seu mestre. De alguma forma, ele conseguiu tocar minha alma. Ele me disse muitas coisas que mexeram profundamente comigo, e imediatamente resolvi mudar meu caminho. Perguntei a ele se havia alguma esperança para mim, e ele me disse que sim. O mestre me deu instruções exatas para me purificar de minhas más ações. Então perguntei a ele: 'Como saberei quando tiver completado minha correção?'

"Ele respondeu: 'Se alguma vez um homem vier a você e lhe contar sua história, você saberá que foi absolvido."'

O homem rico abraçou novamente o aluno e disse: "Foi por causa disto que todos estes anos eu paguei uma fortuna para ouvir histórias sobre o mestre, na esperança de ouvir minha própria história. Depois que você partiu ontem, entendi o que estava acontecendo: você era o portador da história do mestre e tinha surgido uma oportunidade de terminar minha correção, mas eu a tinha desperdiçado. Comecei a rezar, chorar e implorar por ajuda para me purificar de qualquer resíduo do meu passado. Minhas rezas devem ter sido atendidas, porque você se lembrou da história e voltou."

Esta história fala de um momento no tempo em que dois homens resolveram ir mais além, e, ao fazê-lo, atingiram seu objetivo final. O homem rico podia ter aceitado seu desapontamento e ter ido para a cama. O aluno podia ter seguido em seu caminho. Ele estava exausto, estava envergonhado e já era tarde. Teria sido fácil continuar até o alojamento da noite. Qualquer um faria isso.

O segredo do completar é erradicar o quase. Livrar-se do bom o suficiente e perto o bastante. Para o Rav Ashlag, o que mais lhe doía era ver pessoas que tinham começado sua jornada, mas não tinham conseguido completá-la. O resto do mundo não o incomodava, todos aqueles milhões que nunca embarcaram na jornada a Deus, que nunca se preocuparam em dar uma olhada para fora das janelas da prisão. Mas sofria profundamente quando alguém se esforçava na jornada, mas não conseguia completá-la.

Rav Ashlag falava frequentemente sobre persistência. Ele dizia: "HÁ UM TESOURO EM SEU SÓTÃO, E UMA ESCADA  COM  DEZ  DEGRAUS QUE SOBE ATÉ LA. SE VOCÊ PARAR NO NONO DEGRAU. PODERÁ  ACHAR  QUE CHEGOU LONGE. O MUNDO PODERÁ PENSAR QUE VOCÊ CHEGOU LONGE. MAS VOCÊ ESTÁ SOMENTE NO NONO DEGRAU. NÃO GANHOU NADA."




PARA TODA A HUMANIDADE QUE TIVER PARADO NO NONO DEGRAU, A MENSAGEM É SIMPLES: VOCÊ FEZ A PERGUNTA ERRADA. VOCÊ PERGUNTOU: QUANTO EU SOU ESPIRITUAL? QUANDO A VERDADEIRA PERGUNTA É: EU JÁ SOU COMO DEUS?

Tornar-se como Deus não se encaixa em nossos cronogramas. É muito inconveniente, na verdade. Passamos a ter que subordinar todos os outros interesses perante isto. Não tem dias de folga. Mas chegamos à compreensão de que, com nossas almas penduradas na balança, as distrações da vida não passam de insanidade. Persegui-las é como ficar assistindo à TV enquanto a casa pega fogo.


O ESFORÇO RESOLUTO É O REQUISITO PARA A TRANSFORMAÇÃO.

Podemos tentar bater de leve numa tábua durante cem anos e ela não se quebrará. Mas se concentrarmos toda a nossa força num único golpe de  todo  o coração,  a tábua  se   romperá.  Rezar,  meditar,  ser voluntário em obras de caridade e perseguir a excelência são ótimas metas. Mas se elas não resultarem em verdadeira transformação, em tornar-se como Deus, são praticamente inúteis.

A Bíblia conta uma história a respeito de Rebeca. Durante sua gravidez, ela percebeu algo muito estranho: Toda vez que passava por determinadas partes da cidade - um lugar de estudo ou oração - ela sentia que seu filho queria ir para lá. Ao mesmo tempo, toda vez que passava por outras partes da cidade - uma casa de idolatria ou um antro de malfeitores - sentia que seu filho queria ir para lá também. O fenômeno a preocupava, porque pensava que seu filho podia estar hesitante em seguir o caminho do mal ou o caminho da retidão.
Ela decidiu ir pedir conselho a um sábio, que disse: "Você está carregando duas crianças. Um gêmeo se tornará um gigante espiritual e o outro será atraído para a escuridão." Ele se referia aos dois filhos dela, Jacob e Esaú.
Ao ouvir essa notícia, Rebeca teve uma reação surpreendente: não ficou nem um pouco consternada. Ela ficou encantada.


A LIÇÃO EXTRAORDINÁRIA DESSA HISTÓRIA É QUE, PARA A MAIORIA DE NÓS, SER  BOM  É  UMA BARREIRA PARA NOS TORNARMOS COMO  DEUS.  O mediano nunca se elevará acima do mediano, mas a escuridão extrema carrega dentro de si o potencial de perceber sua escuridão e mudar. Assim, Rebeca ficou encantada de saber que nenhum de seus filhos estava destinado à mediocridade, fadado a nunca se tornar como Deus. Uma criança era perfeita, a outra era totalmente negativa.  Em  seus  extremos,  ambos  escapavam  dos  perigos  da mediocridade. Ambos possuíam um forte potencial para se tornar como Deus.

Estas são as verdades que podem nos libertar. O problema com tais verdades, como com todas as verdades, é que não basta simplesmente lê-las. Não basta simplesmente compreendê-las. Precisamos possuí-las. O QUE PRECISAMOS FAZER É TORNAR A FÓRMULA DE DEUS UMA PARTE DE NOSSAS CÉLULAS, PERMITIR QUE ENTRE EM NOSSO DNA E MODIFIQUE NOSSA CODIFICAÇÃO BÁSICA. 

COMO DISSE O REI SALOMÃO, "O CORAÇÃO DAS PESSOAS DESENCAMINHADAS É "QUASE". O caminho pode parecer impossível, contudo é nosso destino transformarmos nossa natureza. Por fim, todos nós o atingiremos. A única pergunta é, quanto tempo adiaremos isso, a jornada de volta para Deus, que está mais próximo do que o ar que respiramos, constantemente presente até a jornada se completar.


(Fonte: https://pt.scribd.com/document/61497692/Tornar-Se-Como-Deus-A-Cabala-e-Nosso-Destino-Final-MICHAEL-BERG)