"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

quinta-feira, setembro 20, 2018

"Eu sou Aquilo"

- OSHO - 

"O eu supremo é formado pela palavra "aquilo", 
que tem maya, ilusão, por disfarce; que é a fonte do mundo, investida de onisciência, 
onipresença e todo o resto; que se mistura com o indireto e é, em si, realidade.
Aquilo que faz as vezes de abrigo para a experiência do eu e da palavra "eu", 
e cujo conhecimento de seu próprio ser interior é falso, chama-se "tu" - tvan.
O supremo tem maya, ou ilusão, por disfarce; 
e o eu tem, por disfarce, a ignorância.
Quando nos livramos delas, só o eu supremo permanece, indivisível: 
sat-chit-ananda, existência, consciência e bem-aventurança."
(Adhyatma Upanishad)


Os Upanishads não acreditam num Deus pessoal. Nem em relações pessoais com o divino; Acham que a relação pessoal é impossível, inconcebível. Por quê? Porque a própria personalidade é ilusória. 

Procure entender bem isso.

Sou uma pessoa. Isso quer dizer que estou separado da existência; personalidade significa separação. Não posso ser uma pessoa se não for definido, não posso ser uma pessoa se não for diferente, não posso ser uma pessoa se não estiver separado. A personalidade existe como uma ilha; definida, demarcada, diferente, separada. Os Upanishads sustentam que as personalidades são falsas: apenas parecemos ser pessoas, mas não somos.

O ser interior é impessoal; não tem limites, não tem fronteiras. Começa em lugar nenhum e acaba em nenhum lugar. Estende-se ao infinito: é infinito e eterno. Tanto no tempo quanto no espaço, é indefinido, indiferenciado. Não é separado como uma ilha.

A palavra personalidade é muito bonita; não temos equivalentes tão bonitos para ela em sânscrito ou hindi. Ela vem do termo latino, persona, que significa "máscara". Persona é simplesmente máscara. Os atores a usavam para representar ou simular um rosto numa peça teatral. O termo na origem, significa máscara, rosto artificial. Assim, se numa peça você estiver fazendo o papel de Rama, usará um rosto falso para dar a impressão de que é mesmo Rama. Mas por dentro, você não é Rama, só a máscara é de Rama A palavra "personalidade" vem de "persona".

Todos temos personalidades, que não passa de uma máscara. Dentro, não há nenhuma pessoa, apenas energia eterna, infinita. Por fora, temos um rosto. Esse rosto não somos nós, esse rosto se parece com qualquer máscara de um drama qualquer. O mundo é um grande drama e você tem de representar inúmeros papéis - por isso, um rosto só não basta. O drama é muito longo, muito amplo, multidimensional; por isso, todos possuímos vários rostos. Você não é uma pessoa, você são várias pessoas juntas.

Quando você conversa com um amigo, tem um rosto diferente; não é a mesma pessoa. Quando você se depara com um inimigo, tem outro rosto; esse rosto não é o mesmo; Está com a criatura amada? Mais um rosto. (...) Você conversa com seu funcionário, repare em seu rosto no espelho. Você conversa com seu patrão, outro rosto. O homem tem muitos rostos e precisa ter, pois a cada momento precisa de um diferente. Quanto mais civilizado for, mais rostos terá; quanto mais civilizado e culto for, com mais facilidade trocará de rosto rapidamente. Na verdade, você nem percebe que troca de rosto; o processo se tornou automático.

Portanto, personalidade não é o correto, mas sim personalidades. Cada pessoa são muitas pessoas - uma multidão interior e vários rostos que mudam de momento a momento. Mas somos nossos rostos?

No Japão, sempre que um interessado procura um mestre zen, este lhe diz: "Medite. Este é o objeto que lhe dou para meditar: descubra o seu rosto original. Descubra como era antes de nascer ou como será depois de morrer. Encontre seu rosto original - o seu, não o que existe para os outros."

Todos os nossos rostos são para os outros. Você tem um só eu? Não pode ter, pois rostos existem basicamente para os outros. Você não precisa deles para si, não há essa necessidade. Você não tem rosto. De fato, o rosto original não tem rosto. Você não tem um rosto interior  - todos os rostos são exteriores, existem para os outros, são feitos para os outros.

Os Upanishads dizem que, por dentro somos impessoais - somos vida, não pessoas; somos energia, não pessoas; somos vitalidade, não pessoas; somos existência, não pessoas. Então, como estabelecer uma relação com o divino? Como criar um vínculo com a fonte original de vida? Se não temos rosto, como poderia tê-lo o divino?  O divino não tem rosto. Não tem e não precisa ter. Ele é existência pura, sem corpo e sem rosto. Portanto, não podemos nos relacionar com ele pessoalmente.

As religiões falam em termos de relação pessoal. Algumas chama Deus de pai, mãe, filho, irmão ou seja lá o que for; isto é, pensam em termos de relação, de entidades, relacionadas. Adoram atitudes antropocêntricas. O pai é uma relação humana; irmão e irmã, são relações humanas. Quando pensamos em termos de relação com o divino, erramos o alvo, porque o divino não é uma pessoa e o relacionamento pessoal não é possível. Por isso, os Upanishads nunca chamam Deus de pai, nunca chamam Deus de mãe, nem de amante, nem de amado. Chamam-no simplesmente de "aquilo" - tat.

O termo tat é fundamental no ensino e na filosofia upanishádica. Quando dizemos "aquilo" não pressupomos nenhum sentido de personalidade. Quando chamamos a existência de "aquilo" não levamos em conta a possibilidade de nos relacionarmos com ela - essa possibilidade não existe. Como poderíamos nos relacionar com "aquilo"? Ninguém pode se relacionar com "aquilo".

O que significa isso? Que, em última instância, não podemos nos relacionar com o divino? Não, mas mostra que nossa relação com o divino tem de ser muito diferente - uma relação não humana e, mesmo, o contrário de uma relação humana.

Numa relação de alguém com um marido, esposa, irmão, irmã, pai ou filho, duas pessoas são necessárias. Uma relação só pode existir entre dois pontos, entre dois objetos relacionados. É assim que uma relação humana existe: entre duas pessoas. Ela é um fluxo, uma ponte entre ambas. A relação humana é dual; dois pontos são necessários para que ela se estabeleça.

Entretanto, com "aquilo" - existência pura, o divino ou Deus - não podemos nos relacionar de maneira dual. Essa relação só é possível quando nos tornamos um. Você só pode se relacionar depois de deixar de existir. Enquanto continuar existindo, não haverá relação. Se você existe, está relacionado; mas então a própria palavra se torna absurda porque uma relação sempre pressupõe duas coisas. Como conceber uma relação em que só uma coisa existe?

Isso é o contrário de uma relação. Chamar o divino de "aquilo" acarreta várias consequências, várias implicações. Para começar não podemos nos relacionar com o divino no sentido comum de relação. Quando nos tornamos um, relacionamo-nos num sentido extraordinário, absurdo. Em segundo lugar, não podemos cultuar o "aquilo", é impossível.

Os Upanishads não preceituam cultos nem preces. Não. Aqui, convém entender bem a diferença entre prece e meditação. Os Upanishads ensinam meditação, não prece. A prece é sempre pessoal, um diálogo entre a pessoa e o divino. Mas como dialogar com o "aquilo"? Impossível - a pessoa precisa estar presente, do contrário não pode haver diálogo.

Um dos maiores filósofos judeus contemporâneos, Martin Buber, escreveu um livro chamado "I and Thou". O pensamento judaico é dualista, ao contrário do upanishádico. Buber diz: "Eu e Tu - eis o relacionamento básico entre o homem e o homem, mas também entre o homem e o divino. De fato, esta é a única relação possível, a relação entre o Eu e o Tu".

Se você se postar diante de Deus como "eu", Deus se torna "tu" e a relação é estabelecida. Segundo Buber, quando Deus se torna "tu" ambos se apaixonam. Os Upanishads não concordariam com isso. Para eles, se Deus é "tu" então você está presente para chamá-lo assim. O "eu" continua existindo e o "eu" é uma barreira: se o ego existe, não pode se relacionar. Portanto, se você pensa que o ego está relacionado com o divino, esse pensamento é falso, ilusório. Você está imaginando coisas. Se Deus se torna "tu" isso é pura imaginação. 

Os Upanishads usam "aquilo". Mas podemos dizer "eu e tu" e não "eu e aquilo" pois não existe relação alguma entre "eu" e "aquilo". O "eu" tem de desaparecer para que "aquilo" surja e se expanda. Com o desaparecimento do "eu", o "aquilo" nasce. O "aquilo" existe, mas o "eu" é uma barreira. Quando a barreira cai, pela primeira vez sentimos a existência tal qual é - aquilo que existe.

Por isso, os Upanishads chamam a verdade absoluta de "aquilo" - tat.

O segundo conceito que se deve extrair desse sutra é que a natureza do "aquilo" consiste em sat-chit-ananda (ou satchitananda). Sat significa existência; chit significa consciência; ananda significa bênção ou bem-aventurança. Sua verdadeira natureza é bem-aventurança.

Se você conseguir captar esses três atributos, entenderá o "aquilo". Você existe, não tem nenhuma dúvida disso. Todos dizem: "Eu existo." Você era criança e dizia: "Eu existo." Mas onde está essa existência agora? Você tornou-se jovem e repete: "Eu existo". Vai se tornar velho e dirá: "Eu existo". E a criança já se foi, o jovem já se foi e o velho logo morrerá, desaparecerá. Quem diz "Eu existo"? Quem continua a existir? A infância se transforma em mocidade, a mocidade em velhice; e a vida, em morte. Quem diz: "Eu existo"? Você o conhece?

Quando diz "Eu existo", você sempre identifica seu "eu" com a condição em que se encontra. Se é criança, afirma: " Eu, a criança, existo". Se é velho, afirma: "Eu, o velho, existo".  Se diz "eu" e é um homem, quer dizer que um homem existe; se é mulher, quer dizer: "Eu existo, uma mulher existe". Sempre a condição é identificada com o "eu" - e as condições vão mudando. Portanto, na verdade, você não conhece o que existe; conhece apenas o que muda sem parar.

Segundo os Upanishads, o que muda não tem existência, é uma ilusão. Só tem existência o que é eterno. Por isso, procure dentro de si mesmo o ponto central, que possa dizer: "Eu existo, imutável, eterno, absolutamente eterno." Se alcançar esse centro da existência, alcançará duas coisas automaticamente, imediatamente: a consciência absoluta e a plenitude da bem-aventurança. Mas poderá também tentar outros caminhos. Há três atributos, portanto deve haver três caminhos básicos. Atinja a existência - pois os outros dois se seguirão - ou atinja qualquer dos dois e os dois restantes se seguirão.


segunda-feira, setembro 17, 2018

Deus é Absoluto: não ascende, nem descende

- OSHO - 


Questão: Meher Baba falou sobre Deus descendendo do Alto ao homem (que, então se torna um Avatar, Cristo), e sobre o homem ascendendo ao Alto para ser Deus (que então se torna o Mestre Perfeito, Sadguru, Theerthankara). Você poderia comentar sobre o que ele quis dizer?

Osho: Deus é. Ele não "ascende" e nem "descende". Para onde ele poderia ascender, e ao que ele poderia descender? Deus é tudo. Não há lugar nem ninguém ao qual Deus possa ascender ou descender. Não há nada além de Deus. Tudo-o-que-é é divino. Então, que isso fique claro, antes de mais nada: não existe ascensão, nem existe descendência.

Mas quando alguém como Meher Baba faz uma afirmação dessas, isso deve ter algum significado. O significado comporta uma nuância diferente. Deixe-me explicar isso a você.

Deus é – lembre-se. Deus é a pura seidade, pura existência, e não há lugar algum para o qual Deus possa "ir" ou "vir". O todo está carregado/repleto dele. Ele preenche totalmente sua própria existência. Esse é o primeiro ponto. 

O segundo ponto: quando alguém como Meher Baba declara isso, ele deve estar dizendo a verdade. Então deve haver algum outro significado em suas palavras – que não seja o de que Deus literalmente ascenda ou descenda no homem. Qual é o significado? O significado é que existe duas maneiras de o homem entrar em contato com Deus.

O que eu quero dizer com "homem", já que Deus é a única realidade? O homem é Deus que tem esquecido que ele é Deus; o homem é Deus que esqueceu de si mesmo.

O homem pode lembrar-se de sua divindade de duas maneiras. A primeira é pela via da entrega, da devoção, do amor, da oração; a segunda maneira é pela via da vontade, do esforço, da meditação, da yoga. 

Se o homem segue pela trilha da força de vontade, então ele sentirá que está ascendendo cada vez mais a Deus, que está se aproximando de Deus mediante o esforço de sua vontade. É por isso que os jainas chamam o homem que alcançou a divindade de "theerthankara". Theerthankara significa a consciência que atingiu o pico. O homem chegou pela ascenção – como se houvesse uma escada, a escada da vontade, a escada do esforço, da yoga. Esse também é o conceito dos budistas, que trilham o caminho do esforço da vontade. 

Avatar significa Deus descendo do Alto – essa é outra abordagem. Quando um homem se rende, ele não pode ascender. Ele simplesmente abre o coração e espera... reza e espera... e de repente ele começa a sentir o toque de algo maior em seu coração. Certamente a percepção dele será "Deus desceu em mim". Avatar significa descendência, Deus descendo. Mahavira subiu até Deus. Para Meera, Deus desceu.

Mas Deus nunca desce e nunca sobe. Deus está onde ele está. Mas a sua experiência será diferente. Se você trabalhar duro para alcançar Deus, você sentirá estar erguendo-se cada vez mais alto; naturalmente você sentirá que o Deus escondido em seu interior está emergindo, elevando-se em você mais e mais, até alcançar o zênite.

Mas se você se entrega, nada ascende em você. Você está onde está, e simplesmente espera em estado de profunda oração, de profundo amor, profunda confiança... e um dia você descobre Deus descendo em seu ser, vindo do Alto.

Essas são as experiências de dois tipos de buscadores. Isso não tem nada a ver com Deus. Tem a ver com o buscador e sua abordagem: vontade ou entrega, esforço ou oração, yoga ou bhakti (devoção).

Então, assim é com as religiões que acreditam em devoção, em bhakti. O cristianismo diz que Cristo vem de Deus. Esse é o significado de dizer que ele é filho de Deus: ele vem de cima, ele foi enviado. E esse é também o significado de Maomé: ele é um profeta, um mensageiro. "Paigambar" significa um mensageiro que vem de cima, traz a mensagem. Ele não pertence a este mundo; ele vem como um raio de luz na escuridão. E esse também é o conceito do avatar dos hindus – Krishna, Rama – eles vêm do Alto, eles vêm ao mundo.

O conceito dos budistas e do jainas são exatamente o oposto. Eles dizem que não há Deus para vir, e Deus não é um pai e não pode ter um filho. Esses são conceitos muito infantis para eles – muito antropomórficos, centrados no homem. O homem cria Deus à sua própria imagem. 

Jainas e budistas dizem que não há Deus e não há família de Deus e ninguém vem de lá. Então o que tem que fazer? Algo tem que surgir. Deus habita em você como uma semente, como uma árvore que surge da terra e vai mais e mais alto. Deus não é como chuva caindo, mas uma árvore surgindo. O homem tem a semente. O homem é potencialmente Deus. Então, quando você trabalha duro, você começa a crescer.

Estes são os dois conceitos. É por isso que Meher Baba diz: "Deus descendendo no homem (Avatar, Cristo), e o homem ascendendo para ser Deus (o Mestre Perfeito, Sadguru, Teerthankara)." 

Mas isso não tem nada a ver com Deus.


sexta-feira, setembro 14, 2018

Prece Básica

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- Allen White - 


PERGUNTA: “Como devo orar, quando tenho tantas coisas a resolver com oração?”

RESPOSTA: A prece nunca lida com circunstâncias, situações e coisas.

Responda a estas perguntas:

1- Deus faz oração?
2- Deus ora a respeito de quê?

Apenas pondere sobre estas questões por um minuto. Naturalmente, Deus, ciente de Si mesmo como Tudo que existe, não pode orar a respeito de alguma coisa. Simplesmente não existe tal coisa. Tudo que Deus percebe, é Ele próprio.

Deus, conhecendo a Si mesmo, é prece. A prece nada mais é, senão  perceber e estar consciente de Deus como a única Presença e o único Poder. Você faria isso com uma consciência individual, separada? Claro que não, pois tal coisa não existe.

Vamos nos atentar ao movimento da prece. Quando você ora com o coração, “Deus Se revela”, o que se mostra como se você fosse um indivíduo separado apelando para um  ser superior, um poder separado. Não importa! Na quietude da escuta silenciosa, algo acontece:

EU SOU TUDO, E NÃO HÁ NADA MAIS!


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quarta-feira, setembro 12, 2018

“Cristo Em Você”: A Onipotência Individualizada!

 - Dárcio Dezolt -

“O mistério que esteve oculto desde todos os séculos, e em todas as gerações, e que agora foi manifesto aos seus santos. Aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é CRISTO EM VÓS, esperança da glória”.
(Col. 1:27)


O nocivo e mentiroso hábito coletivo em que alguém se considera um “ser carnal”, gerado por casais terrenos, é derrubado em sua raiz pela Verdade Absoluta de que UNICAMENTE DEUS É REALIDADE. A “crença fraudulenta” não tem “para onde correr”, quando a TOTALIDADE DE DEUS  é conhecida, afirmada,  e contemplada como O CRISTO que verdadeiramente somos!

Que é o Cristo? É Deus Se evidenciando como “SER INDIVIDUAL”, seja como Buda, como Jesus, seja como qualquer FILHO DE DEUS. “O Cristo é TUDO em TODOS”, disse Paulo, bastando-nos descartar a “CRENÇA EM CARNAL NASCIDO”, e esta VERDADE ETERNA passa a ser percebida! Nossa renúncia à MENTIRA, de que “temos mente carnal”, faz com que a Verdade de que TEMOS A MENTE DE CRISTO seja focalizada, admitida e vista como “sempre evidenciada”.

O SER QUE SOMOS É TOTAL E INTEGRALMENTE O CRISTO, VIVENDO EM DEUS COMO DEUS! Apesar de DISTINTO, o Cristo é INDIVIDUALIZADO sem  jamais estar SEPARADO de Deus ou SEPARADO de todos os demais seres. Por isso, assim orava Jesus: “Oro para que todos sejam UM, perfeitos em UNIDADE”.

Pouca gente se detém como deveria, no sentido grandioso de que SOMOS O CRISTO ETERNO e não MORTAIS NASCIDOS. Se isto for percebido, CADA ASPECTO DE DEUS será igualmente ASPECTO DO CRISTO QUE SOMOS, pois DEUS E FILHO SÃO UM, E O MESMO! Por isso, Paulo disse que “CONHECER O CRISTO EM NÓS” SIGNIFICA “CONHECER AS RIQUEZAS DA GLÓRIA”!

DEUS É ONIPOTENTE, OU SEJA, É O ÚNICO PODER EM EVIDÊNCIA ONIPRESENTE. Portanto, O CRISTO QUE SOMOS, É A PRÓPRIA ONIPOTÊNCIA EM EXPRESSÃO INDIVIDUAL.

Desse modo, CONTEMPLE A VERDADE CORRETAMENTE, PERCEBENDO DEUS COMO TODO PODER E ÚNICO PODER, E CONTEMPLANDO ESPIRITUALMENTE A SI MESMO COMO A ONIPOTÊNCIA SE EXPRESSANDO COMO O SEU SER CRÍSTICO INDIVIDUAL.
A Onipotência, isto é, TODO O PODER DE DEUS, já está AGORA Se expressando como o CRISTO QUE VOCÊ É, razão pela qual NÃO HÁ ESFORÇO ALGUM despendido em sua “contemplação” deste FATO!

“CONTEMPLAR” É MERAMENTE  “TESTIFICAR”, SEM DESEJAR  QUE ALGO “ACONTEÇA”!  “O CRISTO”, A ONIPOTÊNCIA DIVINA, É TUDO EM VOCÊ!

“E VÓS TAMBÉM TESTIFICAREIS, POIS, ESTIVESTES COMIGO DESDE O PRINCÍPIO”, disse Jesus. E suas palavras se cumprem quando VOCÊ CONTEMPLA E TESTIFICA O CRISTO ONIPOTENTE “EM VOCÊ”, SEMPRE PRONTO E PERFEITO, AQUI E AGORA!


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segunda-feira, setembro 10, 2018

“O Dia Em Que Jesus Não Rogará Ao Pai Por Você!”

- Dárcio Dezolt -

“Outra vez os verei, e o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém vo-la tirará. E naquele dia, nada me perguntareis. Na verdade, na verdade vos digo que tudo quanto pedirdes a meu Pai em meu nome, ele vo-lo há de dar. Até agora, nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis, para que o vosso gozo se cumpra. Disse-vos isso por parábolas; chega, porém, a hora em que não mais vos falarei por parábolas, mas abertamente vos falarei acerca do Pai. Naquele dia, pedireis em meu nome, e não vos digo que eu rogarei por vós ao Pai. Pois o o mesmo Pai vos ama, visto como vós me amastes e crestes que saí de Deus.”
(João 16: 22-27)


Creio que a maioria do povo cristão já ouviu, leu ou conheceu a frase de Jesus, que diz: “Tudo quanto pedirdes a meu Pai EM MEU NOME, Ele vo-lo há de dar”. Nas muitas décadas em que passei à humanidade a revelação e a experiência vivida, de que DEUS É TUDO, LUZ ONIPRESENTE, sempre me apareceu alguém refutando as mensagens, dizendo que o Evangelho se fundamenta em “vivermos pedindo tudo em nome de Jesus”, que Jesus não era exaltado nas mensagens, e coisas do tipo. Um crente passou um ano e meio me escrevendo, dizendo que as Mensagens da Verdade não eram a Verdade! Tudo, para ele, era para ser pedido “em nome de Jesus”! E quando lhe explicava o REAL EVANGELHO DE JESUS,  a idolatria absurda o tornava cego e surdo. Sua “prática da Verdade” se reduzia a “pedir tudo em nome de Jesus” e em “aguardar ser arrebatado por ele”!

Assim disse Jesus: “Disse-vos isso por parábolas; chega, porém, a hora em que não mais vos falarei por parábolas, mas abertamente vos falarei acerca do Pai. Naquele dia, pedireis em meu nome, e não vos digo que eu rogarei por vós ao Pai. Pois o MESMO PAI VOS AMA, visto como vós me amastes e crestes que saí de Deus” .

As Mensagens da Verdade falam abertamente acerca do PAI, e somente empregam as "parábolas" com este fim, que é o de revelar Quem Somos e Onde é que estamos.

São estes os ensinamentos essenciais de Jesus! “Não recebo honra de homens!”; “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus”; “Negue-se a si mesmo, tome sua cruz e me siga”; “Por que me chamas bom? Bom só há um, que é Deus!”.

O Evangelho todo está voltado ao “renascimento”, quando nos despimos do falso “eu nascido” para entender que, como disse Paulo, “o CRISTO vive em MIM”!

“Naquele dia, pedireis em meu nome, e não vos digo que eu rogarei por vós ao Pai. Pois o MESMO PAI VOS AMA, visto como vós me amastes e crestes que saí de Deus” .

Este DIA, citado por Jesus, é O AGORA ABSOLUTO  em que cada um percebe o Amor do Pai por si e em Si mesmo, sem necessitar de intermediações de ninguém! Quem desconhecer este Fato, viverá nas "parábolas", somente "pedindo em nome de Jesus", sem conhecer a Verdade revelada por Ele. Qual Verdade? A seguinte: “Dei-lhes a glória para serem UM, como nós, ó Pai, SOMOS UM – PERFEITOS EM UNIDADE!”.

Sem esta percepção, a humanidade viverá como “parasita da Luz de Jesus”, sem ter LUZ PRÓPRIA para ser “colocada no Alto”, e sem cumprir em SI MESMA a Verdade declarada por João: "Quem crê no Filho tem em si mesmo o testemunho. Este é, portanto, o real objetivo da “vinda de Jesus”, declarado por Ele próprio:

“Naquele dia, pedireis em meu nome, e não vos digo que eu rogarei por vós ao Pai. Pois o MESMO PAI VOS AMA, visto como vós me amastes e crestes que saí de Deus”.


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segunda-feira, setembro 03, 2018

O Eu Místico - 12/12

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 Joel S. Goldsmith  


O Eu Místico

CAPÍTULO 12
NÃO PASSAR "DO OUTRO LADO" DA ESTRADA

O desvelamento de Deus ocorre dentro de você quando você percebe que o Eu no meio de você é Deus, em Quem você pode relaxar sem palavras e sem pensamentos – relaxar e receber a Palavra, aquietar e receber o Seu Espírito, descansando em Sua Graça sem preocupações com o amanhã e sem arrependimentos sobre o ontem, sem reviver os dias passados em sua memória, pois eles foram apagados.

Quando Deus é revelado em você, você começa a viver no estado de Presença, no Agora da vida. É como se você acordasse todas as manhãs e percebesse que Deus lhe deu um novo dia. É um dia que será preenchido com alguma coisa. É um dia que você pode escolher preencher com a Sua Presença, com o Seu Espírito, com o Seu Amor; ou é um dia que você pode preencher com a crença humana – leis materiais e leis mentais , ignorando a Presença do Espírito de Deus em você.

A Escritura não pode ser cumprida ontem, e a Escritura não será cumprida amanhã. A Escritura é cumprida agora (hoje), se assim você aceitar a "revelação" e permitir que o Espírito de Deus o ensine, deixar que o Espírito de Deus o inspire e o alimente, deixar que o Espírito de Deus caminhe com você a cada minuto de cada dia, sem jamais querer caminhar sozinho por um minuto sequer. O "desvelamento" vem naquele momento de sua decisão de despertar pela manhã com Deus, adormecer à noite com Deus, e determinar que, a cada minuto de cada dia, você andará com Deus e deixará que Deus ande em você e através de você. 

Essa é a meta, e o meio para atingir essa meta é o ouvido atento, o ouvido que escuta. Você estará andando com Deus, e vivendo com Deus  e em Deus , apenas quando aprender a manter um ouvido alerta durante toda a sua vigília e horas de sono. Por um tempo, pode ser necessário ter que abrir os seus ouvidos como a última coisa a ser feita à noite, e dizer: "fala, Senhor, pois o teu servo escuta", e depois ir dormir. Quando você adormece desta maneira, seu corpo e mente estão em repouso, mas você está acordado. Você estará recebendo pensamentos durante a noite de forma tão consciente quanto lhe acontece ao longo do dia.

Nesse estado de consciência, você estará consciente dos eventos que ocorrem no Reino Espiritual e, às vezes, do relacionamento desses eventos com os seus assuntos mundanos, porque o Eu nunca dorme. A Consciência nunca dorme, nunca se torna inconsciência; e a Consciência é o que Eu Sou. A mente e o corpo são o que Eu uso, mas a Consciência é o que Eu Sou.

Antes de haver um conceito de Deus, você pode ter certeza de que havia EU SOU, e Eu estava lá, e Eu estou lá, e Eu estarei lá. No princípio tive toda a Glória de Deus, com Deus, e em Deus, e portanto Eu não tinha necessidade de criar na minha mente um Deus para adorar. No princípio, Eu já estava dotado do alto com Sua Graça, vestido com Seu Espírito, revestido de Sua Imortalidade. Assim envolto em Sua Graça, nunca houve pecado, nem doença, nem morte e, portanto, não havia necessidade de inventar um Deus para se livrar desses males.

Deus é necessário na mente do homem somente quando ele está experimentando alguma falta ou limitação, ou algum erro ou mal. Uma criança não precisa de Deus, porque a criança está vivendo toda a sua inocência de ser, já sendo tudo o que uma criança deveria ser. Nada precisa ser adicionado para a criança. Muitas crianças já disseram aos seus pais que elas comungavam interiormente com Deus, indicando que elas nasceram com uma compreensão da Verdadeira Natureza de Deus. Elas descobriram um Deus que não é uma ideia ou pensamento na mente de um ser humano, mas sim uma experiência de Consciência, uma comunhão interior na Alma.


A Graça de Deus É Para o Benefício de Todos os Homens

Quando Deus é revelado para que você O contemple como a Alma de toda a humanidade, você pode verdadeiramente sentir dentro de você que o Cristo está encarnado em ti, em mim e em seu vizinho, seja o vizinho amigo, inimigo, cristão, judeu, pagão ou ateu. Quando Deus é revelado em tua Consciência como Onipresença, como aquele Espírito que está em você, e quando você nunca mais pede a Deus por qualquer coisa, nem implora a Deus, e nem diz a Deus o que você quer, mas permanece sempre na Consciência da Presença de Deus, então você experimentou Deus, e Deus foi revelado a você.

Deus é universal. Assim como Deus providenciou um sol que brilha no céu para todas as terras e todos os mares, também a Graça de Deus brilha universalmente a todos os homens. Quando um Krishna recebeu a revelação da Presença e da Graça de Deus, isso não significava que um homem exclusivo deveria ser erguido e adorado como um filho especial de Deus, mas sim que, através dele, o Conhecimento de Deus pudesse ser impartido/compartilhado com os homens que viviam naquela época. Quando um Jesus Cristo apareceu no planeta, não foi para que ele pudesse andar sobre esta terra como um ser exclusivo e separado da humanidade, mas para que Deus, aparecendo como a consciência de Jesus Cristo, pudesse ser uma Luz para o seu o mundo.

Da mesma forma, quando a mensagem do Caminho Infinito foi dada a mim, foi apenas para que, através de mim, esta mensagem pudesse ser trazida para o mundo inteiro. Você pode, então, acreditar que seja possível receber uma mensagem que traga uma grande bênção somente para você e para os seus? A princípio pode parecer que sim, mas não se deixe enganar pelas aparências. Se você foi preparado pelo Espírito para receber uma mensagem ou ensinamento espiritual, é apenas porque, através de você, ela pode ser espalhada para o seu mundo. Você pode começar com o mundo da sua família, pode começar com o mundo de sua comunidade, mas deve continuar até que essa mensagem encontre um caminho para atinja a consciência humana universal.


A Alegria de um Relacionamento Espiritual 

Aqueles que trabalharam com a mensagem do Caminho Infinito por qualquer período de tempo receberam benefícios de uma natureza ou de outra, embora nem sempre de acordo com o que eles estavam buscando no início. Às vezes, uma pessoa chega a um ensinamento espiritual com a ideia de rapidamente recuperar a saúde, e então provavelmente descobre que a cura da saúde é a última coisa que ele obtém. Outros podem vir na esperança de encontrar felicidade ou prosperidade, e eles também descobrem que essas são as últimas bênçãos que lhes chegam. Mas cada um deles descobre que não demora muito para que as bênçãos, de uma forma ou de outra, comecem a aparecer em sua experiência, e assim eles se agarram e se apegam à mensagem, até perceber a plenitude da Graça.

Ninguém que tenha recebido benefícios pela compreensão e prática desta Mensagem, porém, pode começar a conhecer as bênçãos dela, até que entre em associação com outros estudantes, especialmente com alunos de várias partes do mundo, tanto de países assim chamados "amigos", quanto dos países assim chamados "inimigos". Aqueles que tiveram essa experiência descobriram por si mesmos o vínculo de unidade que existe entre os alunos deste trabalho. Isso não ocorre em virtude de relacionamento ou laço humano, pois não há nenhum. Mas em virtude do Espírito comum, o Espírito que você descobre estar presente em todos nós.

Isto que você sente entre os alunos do Caminho Infinito, aqueles que estão perto e aqueles que estão longe  este companheirismo, esse amor que você experimenta, a alegria desse companheirismo do Caminho Infinito  não se baseia em valores humanos. Baseia-se na sua Unidade Consciente com Deus, a qual constitui sua unicidade com todos os outros estudantes que se encontram na senda espiritual, e assim você descobre que não há necessidade de um laço humano, obrigação humana ou uma dívida humana.

Porque você e seu Pai são Um, e porque tudo o que o Pai tem é seu, você pode olhar para dentro de si e encontrar a Graça de Deus. Seu relacionamento com os outros alunos não é o de esperar ou desejar qualquer coisa deles, mas sim a partir da Abundância e da Graça de Deus, compartilhando com eles o que lhe foi dado. Você também tem a sensação de que eles não estão em sua companhia para obter alguma coisa de você. Eles se aproximam em uma livre associação de amor, para compartilhar os presentes celestiais com você, e para que você possa ter a oportunidade de compartilhar esses presentes com eles também.

Nesse relacionamento não há nada de natureza material que entre nele como um dever, uma obrigação ou uma necessidade. Somente dessa maneira pode um vínculo perdurar. Porque Deus é revelado em sua consciência como a sua Identidade, como Aquele que te suporta, te sustenta e alimenta, e à medida que você confere reconhecimento ao fato de que Deus está Se revelando na consciência de cada aluno  percebendo que o aluno também percebe a Fonte do seu bem e, portanto, da alegria infinita; sem qualquer pretensão de querer, esperar ou obter algo, mas apenas de compartilhar tesouros – então, e somente então, você começa a perceber o que um relacionamento espiritual pode ser, e os mútuos benefícios que ele pode proporcionar aos homens na Terra.

Assim como esta revelação da Verdade de seu verdadeiro relacionamento com Deus e com toda a humanidade tomou lugar em você, algum dia ela atingirá toda a consciência humana. Deus não escolhe um "eu" pessoal para suas bênçãos. A Graça de Deus é revelada para ser compartilhada por toda a humanidade. É bem verdade que Ela só vem para a consciência preparada, mas "onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome..." ou "dez homens justos" podem salvar uma cidade. Assim, à medida que a consciência estiver cada vez mais aberta a esse desvelamento da Verdade, o mundo inteiro será incluído neste mesmo relacionamento que agora é experimentado pelos alunos do Caminho Infinito.


O Círculo da Cristandade

Nestes últimos anos, onde quer que os ensinos de O Caminho Infinito se fizeram presentes, os alunos têm chegado de todas as partes dos Estados Unidos e do Canadá, de todas as partes da Inglaterra e Europa, África, Austrália, Nova Zelândia e da América do Sul. Todos todos atraídos pelo quê? Pelo Espírito de Deus, que foi revelado na minha consciência humana; foram atraídos também pelo Espírito de Deus que estava revelado na consciência daqueles de vocês que vivem em cada um desses países, atraindo para si cada um desses homens de todas as partes do globo, a fim de erguê-los até o nível espiritual de suas consciências, a Cristo-Consciência.

Ao voltar para casa, de volta para seus países e suas cidades, esses estudantes levaram consigo a Graça que eles alcançaram em nossas consciências unificadas ("onde dois ou mais estiverem reunidos em Meu nome..."), e eles impartiram essa Graça com os  estudantes do Caminho Infinito de suas cidades e de suas terras, atraindo-os para esta fraternidade universal, cumprindo o círculo da Cristandade que se revela em "A Arte da Meditação" (obra do autor).

Existe um Círculo assim no plano interior. Há aqueles que têm acesso à Consciência Divina dos iluminados de todas as eras, e com os quais podemos comungar e celebrar. Existe um círculo de Cristandade no qual vivemos e nos movemos, e através do qual recebemos revelação e inspiração. Isso foi o que me permitiu escrever que esse Círculo seria revelado na Terra; e foi dado a mim viajar este mundo e formar esse círculo invisível entre os alunos do Caminho Infinito. Ocorre que isso acabou se espalhando para muito além desse grupo, porque a "revelação" nos faz conhecer que este Espírito de Deus é o Espírito de Deus presente em todos os homens. Assim, o Círculo de Cristandade abarca todos os homens, quer sejam ou não estudantes do Caminho Infinito. Entretanto, todos eles serão atraídos para este Círculo.

Como um elo integrante deste Círculo de Cristandade, você estará vivendo em dois mundos, ou entre dois mundos. Você estará neste mundo, mas sem pertencer a ele. Você pertencerá ao Reino Espiritual, e mesmo que você faça parte deste Círculo da Cristandade, você viverá no mundo dos negócios, da arte, da literatura, do governo ou da religião, a fim de que a Luz Crística possa brilhar, e para que você continue a erguer o Filho de Deus em todos os homens. É vendo o Cristo na consciência individual, e como a consciência individual de cada um, que você O ergue. 

Não é que você tenha que fazer alguma coisa: você não precisa sair em "missões de boa vontade", ou em missões do tipo "salvar o mundo", mas onde quer que você esteja e com quem você se encontrar, cintilará a fagulha  um segundo de reconhecimento , e você terá erguido o Filho de Deus no homem. Você terá percebido e discernido o Cristo encarnado em todos os santos e em todos os pecadores que você encontrar, em todos os amigos e inimigos que você encontrar. Assim você não apenas estará consolidando ainda mais a si mesmo no Círculo da Cristandade, mas estará trazendo para o Círculo aqueles que estavam de fora, os ramos da árvore que foram cortados e que estavam murchando e morrendo.


O Propósito do Caminho Infinito

Mais uma vez, deixe-me lembrá-los que a função do Caminho Infinito não é meramente a cura da doença ou a superação do pecado ou da carência. Trata-se de uma subida da dimensão tridimensional da consciência do bem e do mal para a Quarta Dimensão, a Consciência Iluminada que está ciente das coisas de Deus. Nessa Quarta Dimensão, você está em uma área da Consciência onde não só você conhece as coisas de Deus, mas você recebe as coisas de Deus, e você vive sob a Lei de Deus. Isso é Graça.

O Mestre, que de todas as pessoas era melhor conhecido por viver no seu estado auto-realizado de consciência crística, usou como seu princípio "não resista ao mal" e "recolha à bainha a tua espada" – que é o reconhecimento de que não há poder no mundo externo, nada contra o que lutar. Ele compreendia o não-poder do mundo dos efeitos.

Você, também, deve dar com o machado à raiz, e a raiz de todo o mal é a crença universal em dois poderes  aquilo que Paulo chamou de a "mente carnal", a mente do bem e do mal. Uma vez que você compreenda o princípio de que todo o mal é impessoal e não tem origem em qualquer indivíduo, você terá o segredo do trabalho de cura e o segredo do trabalho do mundo, porque você não vinculará qualquer indivíduo ao pecado, à doença, à luta pelo poder, ao erro, ou a qualquer outra coisa.

O anti-Cristo, ou o chamado "mal", é a mente carnal, a crença universal em dois poderes, que constitui um hipnotismo universal. Quando você tiver despersonalizado e reconhecido a nulidade, o nada, a inexistência desta crença universal, você terá erguido sua consciência para mais perto da Consciência Crística, e então você descobrirá porque você não deve resistir ao mal. Deus não está no turbilhão. O poder não está na condição do mal. O Poder de Deus está na "Voz pequena e silenciosa". Você quer Deus? Você quer o Poder de Deus? Você deseja a Graça de Deus? Então fique quieto! E no momento em que a "Voz pequena e silenciosa" falar, você terá tudo isso. O que acontece quando você está na quietude interior é que a Presença de Deus se realiza e faz o trabalho, qualquer que seja a natureza desse trabalho.

A importância deste princípio é muito maior do que você pode imaginar. A realização de Deus não é para que você ou qualquer outra pessoa possa alcançar saúde, abundância ou felicidade. Esteja certo de que Deus não está nenhum pouco interessado em tudo isso. Se, no Caminho Infinito, houver dez mil ou cem mil de nós que realmente atingiram a saúde, a riqueza e a felicidade, isso ainda não constituiria uma façanha muito grande, já que existem milhões e milhões de pessoas na terra, e inúmeras outras nascendo a cada dia. Isso torna as nossas curas individuais praticamente sem sentido.

É apenas na medida em que permitimos que a Luz que vem para você e para mim brilhe e seja mostrada ao mundo, que nós servimos a qualquer propósito na terra. Nós não fomos enviados aqui para nos tornarmos seres humanos felizes. Nós fomos enviados a este mundo para glorificarmos a Deus, para que as Leis de Deus sejam manifestadas através de nós, e para que, por meio de nós, o mundo possa testemunhar as Leis de Deus em operação, as Leis que libertam os homens.

Existe uma inércia mental que opera universalmente neste mundo humano, objetivando dificultar ou impedir até mesmo aqueles que foram ensinados a diariamente se proteger espiritualmente contra as ações da mente carnal. Essa inércia mental os faz esquecerem de realizar a Presença de Deus; faz com que se esqueçam de perceber que o mesmerismo e suas artimanhas (negligências, displicências, distrações, desatenção) não são ordenados espiritualmente, e que, portanto, não são capazes de operar na consciência individual de quem realizou a Presença. A pessoa que se empenha diariamente em sua prática espiritual, na realização da Presença de Deus, e na percepção do não-poder do mesmerismo e de suas artimanhas, anula o efeitos do hipnotismo universal, e em algum grau esses efeitos também são anulados para o mundo inteiro. Um grupo de estudantes diligentes poderia libertar não apenas a si mesmo das discórdias, mas gradualmente libertar suas comunidades, famílias, vizinhos, amigos, nações e, eventualmente, libertar o mundo.

Em razão de todos nós sermos tão individuais, cada um de nós desempenha um papel diferente no tocante a deixar que a Luz da mensagem brilhe através de nós. Há aqueles que podem convidar os membros de sua família e amigos para se reunirem a fim de ouvir as gravações das mensagens, e dessa forma a Luz chegaria à consciência humana. Outros estudantes que estão mais adiantados podem se tornar praticistas e professores. Outros, ainda, poderiam auxiliar no financiamento das diversas atividades que envolvem este trabalho, e assim ajudar a difundi-lo em todo o mundo. Eventualmente, há aqueles que, talvez, por apresentar maior discernimento do que outros no momento, ou por apresentar maior prontidão, começam a compreender os princípios do Caminho Infinito de tal maneira a ponto de poderem individualmente se tornar instrumentos para trazer a Consciência Divina à experiência humana. Cada um desempenha um papel, e ninguém escolhe a função a ser executada. Mas qualquer que seja a "função" ou "dom" concedido a alguém, essa é a maneira conforme ele deverá atuar na propagação dessa mensagem.


Aceitando a Responsabilidade pelo Trabalho Mundial

Quando este Espírito de Deus faz a Si mesmo perceptível em nós e passamos a saber que temos uma responsabilidade para com este mundo inteiro, começamos a nos perguntar: "Como posso cumprir essa obrigação para com o mundo?". Nós não só podemos, como devemos fazer essa indagação, porque ninguém na terra tem dinheiro o suficiente para prover e educar todas as crianças do mundo. Nenhuma nação da terra possui recursos o suficiente para manter e sustentar todas as nações empobrecidas. Portanto, devemos encontrar uma maneira diferente de servir, abençoar, ajudar e engrandecer as pessoas do mundo.

Não acreditemos, nem por um momento, que fazendo um dízimo de 20 ou 50 por cento de nossa renda  ou até mais do que isso  estaremos contribuindo muito para o mundo. Mesmo se tivéssemos o mesmo grande poder de cura que o Mestre tinha, e pudéssemos curar multidões, nós também não estaríamos contribuindo muito. Nós nunca poderemos alcançar todas as seis bilhões de pessoas do mundo, quer seja com o nosso dinheiro ou com o nosso dom de curar. Há apenas uma maneira de realizar isso, e é pela aceitação da responsabilidade que advém com a Realização Espiritual. Todos os que estão em nosso nível de Consciência devem se engajar no trabalho a favor do mundo, quer façamos isso de forma unida, em grupo, ou o façamos individualmente, sozinhos, em casa. A maneira como isso é feito não é o importante. O importante é o que é feito.

Estamos agora atravessando um período que é fascinante e desafiador. Eu não ficaria surpreso se for mais interessante estar vivo neste momento particular da história do que em qualquer outra época do mundo. Certamente este é um período no qual o mundo está atravessando uma transição de tais proporções, que pode acabar sendo a transição final, aquela em que o senso material pode ser completamente superado e a Consciência de Cristo pode vir sobre o mundo, como um dom universal.

Para mim, parece que isso é o que está acontecendo. Por exemplo, há uma grande quantidade de agitação e conflitos religiosos. Mas com isso também podemos notar um sentido maior de Unidade que está tomando lugar entre as religiões do mundo. Quantas barreiras religiosas estão sendo removidas! As limitações estão sendo quebradas na Igreja Católica como nunca antes e, claro, o mesmo senso de separação está equiparadamente sendo superado no Protestantismo. Enquanto uma boa parte do mundo possa chamar algumas dessas mudanças de "heresia" e lutar contra elas, sabemos que, na realidade, elas são o rompimento da ignorância e da superstição.

Esta é a era da ruptura dos preconceitos nas relações raciais. Há uma ruptura não só com o tipo de capitalismo que não cuidava adequadamente de seus trabalhadores, mas também com o tipo de sindicalismo que não tinha nenhuma consideração com a gerência e os empregadores. Ela rompe de todos os lados com os velhos padrões incrustados na ideia de que a autopreservação é a primeira lei da natureza humana.

A mente humana e suas atividades podem ser comparadas a um pântano, nas profundezas de uma floresta, um pântano que foi completamente isolado do sol e do ar fresco, e até mesmo da lua e das estrelas. Ele é escuro, úmido e miserável, e nele abundam todos os tipos de criaturas inferiores. Você saberá reconhecer essas criaturas. Elas são aquelas de quem Paulo fala: "o homem natural não recebe as coisas do Espírito de Deus". Essa é a mente humana, as atividades e as criaturas da mente humana, mas que são totalmente renovadas quando o Cristo entra, assim como o pântano seria feito novo, arejado e fresco, se as árvores que obstruíam o caminho fossem removidas e o brilho do sol tornasse a entrar.

Assim é que, quando a névoa que nos encobre é dispersada e o Cristo entra em nossa alma, o nosso mundo se torna novo. Não somos mais um mundo repleto de pessoas separadas. Agora nós nos tornamos parte do Círculo da Cristandade, cada um compartilhando com o outro o que foi revelado no interior de si mesmo, a partir do Reino de Deus. Uma vez que nossos seres individuais constituem todo um universo, eu estou recebendo a Graça de Deus que eu compartilho com você, mas aqueles de vocês que são artistas, escritores, ministros, empresários ou advogados, estão recebendo a Graça de Deus em diferentes formas, e vocês a compartilham uns com os outros.

Quando compreendemos isso, completamos o Círculo da Cristandade. Não nos limitemos a compartilhar, no entanto, com aqueles que já estão no Círculo, mas vamos trazer para este Círculo pessoas do mundo inteiro, pelo nosso reconhecimento e por nossa percepção do Cristo nelas.

Ao erguermos o Filho de Deus nelas, nós as atraímos para o Círculo da Luz. Pode ser que leve uma semana, um mês, um ano, ou dez anos, antes de elas possam entrar conscientemente nesse Círculo e reconhecer que estão nele e que fazem parte dele, mas isso não é preocupação nossa. Uma vez que tenhamos erguido o Filho de Deus nelas, elas entraram em nosso Círculo de Cristandade, e então é apenas uma questão de tempo, circunstância e experiência até que elas abram os olhos e digam: "Eu estava cego, mas agora vejo. Eu estava morto, agora estou acordado, vivo". 

Nós somos aquele pântano até que conscientemente deixemos a Luz brilhar em nosso interior e aprendamos a andar com Deus, a conversar com Deus, a ir dormir com Deus e acordar com Ele, conscientemente percebendo:

"Tu és o meu dia; Tu és a minha noite; Tu és a Sabedoria que me guia e me governa. Tu és a Alma que purifica todos os meus pensamentos e atos. Tu és o Espírito que purifica cada propósito e faz de mim uma dádiva".

Quando interiormente nos voltamos para o Espírito de Deus, é apenas para recebermos a Graça  uma Luz, uma Sabedoria  para que possamos compartilhá-La. Essa Graça recai sobre todos os que receberam a Luz espiritual para serem uma transparência através da qual essa Luz possa vir ao mundo. Se em algum momento surgir no campo de nossa atenção individual alguma forma de mal que já esteja acontecendo, ou que esteja prestes a acontecer – um assim chamado "mal" aparecendo como estado de saúde, como clima, ou como relacionamentos humanos – vamos lembrar que isso é um chamado para nós, como almas iluminadas, para deixarmos as nossas "redes" imediatamente, e nos retirarmos em meditação para trazer a atividade do Cristo para a situação até que esse problema particular tenha sido solucionado.


Aquieta-te

É necessário sempre haver um indivíduo, você ou eu, para trazer à tona a realização de que na Presença do Cristo o poder temporal não é poder. Sem o Cristo aparecendo como a consciência de Jesus Cristo, a Luz não teria vindo à Terra naquele tempo particular e daquela maneira particular. Lembre-se que, se alguma vez você pediu ajuda a um praticista espiritual – de ordem física, mental, moral ou financeira – e a recebeu, então foi o Cristo realizado na consciência do praticista quem fez a obra. Sem a realização do Cristo na consciência individual, a mente humana se voltaria diretamente para a doença, o pecado e a morte. 

Somente o Cristo realizado na consciência individual faz com que o poder temporal não seja poder. É por esta razão que você não pode separar o Cristo de Jesus, você não pode separar o Buda de Gautama, nem pode separar o Espírito do homem individual, pois eles são Um. Quando você reconhece o Espírito e o homem como Um, então você tem a Onipresença, a Onipotência e a Onisciência. Você não precisa de palavras e você não precisa de pensamentos: você precisa do silêncio da receptividade, do ouvido atento, e então, qualquer verdade que deva ser anunciada, Deus a anunciará. Mas deve haver uma consciência que escuta.

Aquieta-te; aquieta-te! Não tenha pensamentos. "Fique quieto e saiba que Eu sou Deus"Eu no meio de vós, Eu sou Deus. Fique quieto. Em quietude e em confiança, permaneça quieto. Pare de alimentar pensamentos, pois você não pode mudar nada no mundo pelo pensamento; você provavelmente só vai torná-lo pior do que é. Não pense. Fique quieto. Ouça aquela Voz. E quando Ele proferir a Sua Voz, a terra se derreterá. Fazer isso nos impede de nos tornarmos egoístas, acreditando que humanamente temos algum poder. Somos apenas os instrumentos ou transparências através dos quais o Poder opera, e Ele age em proporção à nossa imobilidade e quietude. 

Nunca se esqueça do que o Mestre diz: "O Pai que habita em mim, Ele é quem faz as obras", e isto irá mantê-lo sempre humilde. Mesmo que uma tempestade ou uma guerra venham a cessar após sua meditação, você saberá que não foi você quem as fez cessar: você foi apenas a transparência através da qual a atividade de Deus alcançou a consciência humana.

O Mestre curou os cegos, mas Ele nunca disse: "Eu curei os cegos". Ele disse que a cura ocorreu para que a Glória de Deus fosse manifestada. Não se esqueça disso: que a Glória de Deus pode ser manifestada. E o que podemos fazer para sermos instrumentos através dos quais a Glória de Deus é manifestada? Fique quieto e saiba: 

"O Espírito Dele está sobre mim, e Eu fui enviado para curar os doentes, mas não sem o Espírito Dele estar sobre mim. Eu fui enviado para curar os doentes, não em virtude de quaisquer palavras que eu conheça ou pensamentos que eu pense, mas em virtude de o Seu Espírito estar sobre mim; e então as palavras certas e os pensamentos certos despontarão conforme necessários".

Vivendo neste nível aflorado de consciência, você é responsável por cada imagem que se apresenta à sua vista ou por cada som que chega aos seus ouvidos. Você não pode "passar do outro lado" da estrada. É dado aos homens que vivem puramente no mundo humano ignorar os problemas de outros homens, ainda mais se forem de uma terra diferente, de uma religião diferente ou de uma raça diferente. Mas isso não é dado a você. A Graça que você recebeu de Deus foi confiada a você, mas não para o seu uso pessoal: ela lhe foi dada como o fruto de Deus que o mundo deve comer. "Tomai e comei, este é o meu corpo". Você é uma videira frutífera na qual as uvas crescem: você é alimentado espiritualmente, vestido espiritualmente e abrigado espiritualmente. Desista de suas uvas, não se torne apegado, deixe que as suas uvas sejam levadas ao mercado, em favor do mundo.

Você tem uma dívida para com Deus e para com o mundo. E a dívida é que você não passe do outro lado da estrada, mas tome nota de cada discórdia e cada desarmonia e as traga à atividade do Cristo para serem tratadas. Que você seja uma transparência através da qual o Cristo dissolve as aparências! Você não necessariamente tem que pensar em alguma coisa, mas você deve estar quieto. Você deve parar por um instante, e deixar o Seu Espírito fluir através de você e dissolver a aparência. Você não pode passar do outro lado da estrada.

Você está em um estado de desenvolvimento espiritual no qual já lhe foi dito para deixar as suas "redes"  não ir a qualquer lugar ou fazer qualquer coisa, mas apenas não se preocupar com as suas "redes" diante das aparências. Em vez disso, é hora de parar a sua pesca por um momento e ser "pescador de homens". Mas como? Basta o reconhecimento. Leva apenas um momento, um piscar de olhos, para perceber que, na presença do Cristo, o poder temporal não é poder. É apenas um "braço de carne".

Você não pode servir a Deus, a quem você não viu e não conhece, a menos que você sirva ao homem, a quem você conhece. Seu único modo de servir a Deus é servindo ao homem. Isso é oferecer os primeiros frutos a Deus. A única maneira que você tem de negligenciar o seu serviço a Deus é negligenciando o seu serviço ao homem.

É bom e certo que você compartilhe uma parcela de seus recursos materiais com aqueles que têm menos ou que não têm nada. Essa é uma parte pequena, porém necessária, ao seu desenvolvimento espiritual, porque todos nós devemos reconhecer que temos muito poucos recursos materiais para oferecer ao mundo, devido à proporção ou tamanho das suas necessidades. Você que anda na Luz tem mais para dar individualmente do que uma nação inteira tem para dar, pois as nações só podem dar recursos materiais limitados e finitos, mas você tem água viva, você tem alimento espiritual, você tem vinho espiritual, pão espiritual. Você tem a Palavra da Vida; Você tem o Espírito de Deus encarnado em você. 

Acima de tudo, você tem um momento de silêncio, para que nesse silêncio a suave Voz de Deus possa trovejar. Este é o presente mais precioso em todo o mundo. Você tem o vazio. Você todos os dias traz para Deus um vaso vazio, uma consciência vazia, orando:

"Enche-me hoje com tudo o que Tu és. Enche-me com a Tua Alma, com o Teu Espírito, com a Tua Graça, para que a minha presença na terra Te glorifique, para que a minha presença na terra revele a Tua Glória, 'com a Glória que Eu tive contigo antes que o mundo existisse', a Glória original da Filiação Divina".

Você pode se perguntar de vez em quando: "Por que eu nasci? Com qual propósito eu vim à terra?". Se você parar para escutar, você ouvirá a Voz dizer: "Eu vim para que todos tenham Vida, para que o mundo tenha Vida plenamente". E "todos" não é só você. "Todos" é toda a consciência humana. Eu vim para que a consciência humana possa ser preenchida com o Espírito de Deus, completamente cheia do Espírito de Deus. Eu vim para que o Reino de Deus possa vir à Terra, assim como ele o é no céu.

Você não apenas está na Terra, mas você pertence à Terra, até que chegue o momento em que você percebe que: "o Espírito de Deus está sobre mim". Você é um homem da Terra até que ocorra para você a realização de que, como homem ou mulher, você não é nada – NADA! Na verdade, é menos do que nada. Somente quando o Espírito de Deus toca a sua consciência é que você é despertado, vivificado. Até então, você é um "morto-vivo". E quando o Espírito de Deus o toca, é para que, através de você, esse Espírito possa fluir para toda a humanidade. 

O modo de fazer isso é perceber que, diante de cada aparência, sempre que um ser humano lhe aparecer, você deve levantar o Filho de Deus nele e perceber o Deus encarnado nele. Sempre que uma aparência de pecado, doença, morte, carência, limitação ou desastre se lhe apresentar, você se conscientiza imediatamente de que na Presença de Deus realizado, na Presença do Cristo realizado, o poder temporal não é poder. No céu ou na terra, não há poder maior do que EU SOU.

Quando o Espírito do Senhor Deus está sobre você, você é o enviado, mas você não é enviado para ser alguém separado, especial, exclusivo. Você é enviado para curar os doentes, para confortar, para alimentar, para perdoar. Esse é o propósito da ordenação não para que você seja glorificado, mas para que você seja melhor preparado para dar mais abundantemente, para compartilhar mais livremente, e para compreender mais universalmente que os seus filhos não são apenas aqueles que nasceram da sua carne, mas que todas as crianças deste mundo são seus filhos, e você tem a mesma responsabilidade de compartilhar com eles.

Você deve ser capaz de olhar para este mundo e dizer-lhe: "o Espírito de Deus em mim é seu Pai. Você pode olhar para o Pai dentro de mim, buscando substância e sustento. Você, amigo, ou assim chamado inimigo, pode olhar para o Espírito de Deus em mim, a Paternidade de Deus em mim, para que você seja cuidado".

Então você vai entender esse relacionamento que foi mantido em segredo do mundo, o laço invisível que existe entre todos os místicos. Os místicos visíveis e invisíveis do mundo, que reconheceram o Eu batendo à porta de suas consciência, estão eternamente unidos na Consciência, compartilhando uns com os outros.

"Eu pus diante de ti uma porta aberta, e nenhum homem pode fechá-la." 
(Apocalipse 3:8)


sexta-feira, agosto 31, 2018

O Eu Místico - 11/12

- Joel S. Goldsmith - 


O Eu Místico

CAPÍTULO 11
UM ATO DE ADORAÇÃO E O DESFRUTE

Vivemos, nos movemos, e temos nosso ser num mar de Consciência, um oceano infinito de Consciência, derramando-Se do Eu como (e através de) nossa consciência individual, e aparecendo externamente como forma. Desde que o sentido de "eu" ou "meu" não entre interferindo no caminho, o ritmo daquela Consciência continuará a se desdobrar harmoniosamente. As aparências, as formas exteriores serão harmoniosas, e nós estaremos vivendo a Vida Espiritual, vivendo na Quarta Dimensão da vida.

Se violarmos uma lei moral ou espiritual, teremos acionado a lei cármica, a lei que diz que "o que for semeado é o que será colhido". Mais cedo ou mais tarde, o nosso erro vai nos encontrar e exigir o pagamento. Isto viremos a considerar como punição, quase como se fosse castigo de Deus. De fato, a maioria das religiões ensina que a punição é de Deus.

Quando o mundo aprende a verdade que é revelada no livro "O Trovejar do Silêncio" (obra do autor), descobre que isso não é verdade. Qualquer punição que recebamos não é castigo de Deus mais do que acreditar que "duas vezes dois é cinco", e depois pensar que quaisquer efeitos desagradáveis dessa crença errônea sejam uma punição de Deus. O castigo não é de Deus: decorre inteiramente da nossa ignorância; e a punição termina no próprio momento de nossa iluminação.

Enquanto continuarmos a viver como seres humanos, não há a revogação da lei cármica, mesmo que tenhamos de esperar dez gerações. A lei cármica, no entanto, é anulada a qualquer momento em que retornamos ao ritmo do universo, sintonizando-nos com ele, e andando em obediência aos dois grandes mandamentos: "Amai ao Senhor Deus de todo o teu coração, com toda a tua alma, e com toda a tua mente", e "Ama ao teu próximo como a ti mesmo".

Esses dois mandamentos não são fáceis de seguir. A maioria de nós descobriu que é impossível amar o Senhor nosso Deus de todo o coração e com toda nossa alma, e é ainda mais impossível amar ao próximo como a nós mesmos. Pessoalmente, eu acho que, se alguém alega que está fazendo isso, ele está mentindo, exceto sob uma condição, a saber, se ele realmente souber o significado de amar a Deus, e se ele realmente souber o significado de amar seu próximo.

"Amar a Deus" e "amar o próximo" não têm nada a ver com qualquer emoção. Nenhum destes comandos tem a ver com amor em qualquer forma que humanamente possamos entender por amor, a menos que possamos traduzir a palavra "amor" em obediência à lei.


Vivendo a Partir da Onisciência, Onipotência e Onipresença

"Amar ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de toda a tua mente" significa reconhecer Deus como Onisciência, o que significa aprender a abster-se de pedir algo a Deus ou de dizer o que Ele deveria fazer, ou exigir algo de Deus. Significa observar o Silêncio na presença de Deus e aceitar Deus como Onipotência. Nunca devemos buscar o Poder de Deus, pois, com a realização da Onipotência e Onipresença, não há tempo nem lugar em toda a História onde um poder foi ou seja necessário.

Há uma exigência de silêncio para se estar na Presença de Deus. No reconhecimento da Onisciência, há uma exigência de silêncio. No reconhecimento da Onipotência, há uma exigência de silêncio. No reconhecimento da Onipresença, também é exigido silêncio de nossa parte. A única forma de oração aceitável para Deus é o silêncio absoluto, um relaxamento e uma convicção de Deus como Onisciência, Onipotência e Onipresença. Para trazer à tona a Graça de Deus – a Glória e a Perfeição de Deus –, é necessário estar quieto, a fim de que o ritmo do universo possa fluir dessa quietude como harmonia.


Unindo Todos os Homens na Casa de Deus

Você logo verá verá o quanto um ato de compromisso é capaz de fazer cessar seu apego aos pensamentos, a fim de que você seja capaz de abster-se de lembrar a Deus das suas necessidades, ou de procurar a ajuda ou a força de Deus. Isso também é um ato de compromisso – um ato difícil, muito difícil. Mas, assim como entrar no Silêncio (ou na Presença de Deus) é um ato de compromisso, "amar ao teu próximo como a ti mesmo" também é, e para que esse ritmo do universo possa surgir como harmonia, esse ato adicional de compromisso deve ser realizado.

O significado de "amar ao teu próximo" não é muito difícil de entender. Em sua essência, acaso não significa quebrar as barreiras das relações familiares, nacionais e religiosas, e a consequente união de todos os homens na casa de Deus? Acaso não implica na ruptura de todos os preconceitos nacionais, raciais e religiosos e convergência para a família única de Deus, o Pai de todos?

Se estamos fornecendo comida para outras nações, mesmo as inimigas, ou contribuindo para a educação de outras crianças que não as nossas, ou fazendo qualquer outra coisa pelos nossos semelhantes com uma natureza desinteressada – esse é o ato que prova a nossa aceitação do mandamento de amar ao próximo como a nós mesmos. Esse é o ato de compromisso que confirma nosso acordo interior. Quando esse ato é concluído, estamos em obediência à lei de Deus, e somos filhos de Deus; e agora, o ritmo de Deus pode fluir através de nós sem interrupção, sem se deter em barreiras, sem ser desviado, e nós podemos nos voltar para a contemplação.


Reconhecendo Nosso Próximo Como Nosso Eu

"O mundo é renovado para cada alma, quando Cristo entra nela". O mistério sempre foi: quando o Cristo entra em nossa alma? Como trazemos o Cristo à tona em nosso interior? E aqui temos a resposta. Cristo entra no momento em que a nossa consciência é purificada da sua crença em dois poderes, expurgada do ódio, inveja e ciúmes que mantêm o homem separado do homem. Tão logo o ritmo do universo esteja funcionando dentro de nós, o Cristo entra em nossa alma e o mundo se torna novo, porque estamos não apenas amando o nosso próximo, mas estamos amando nosso próximo concretamente, e ao fazê-lo, o nosso próximo é impelido a nos amar. Assim, privamos o nosso próximo da capacidade de não nos amar.

Humanamente, parece que não temos o poder de privar os outros do seu poder de nos ferir; mas, sim, nós temos, nós temos. Fazemos com que seja impossível sermos mal compreendidos ou maltratados porque há apenas um Eu, e aquele que aparece como a consciência de meu ser, aparece também como a consciência do seu ser, em razão do nosso reconhecimento de um único Ser. No momento em que eu amo ao meu próximo como a mim mesmo, faço com que a consciência do meu próximo e a minha consciência sejam uma única e mesma Consciência, respondendo, portanto, à mesma influência.

Ao amar ao meu próximo como a mim mesmo, eu privo este mundo da sua capacidade de enviar armas contra mim. Mas isso também é um ato de compromisso  não um ato de compromisso fugaz que, por ter sido honrado hoje, me isentará para sempre de futuras responsabilidades. Não. É um ato de compromisso que acontece não apenas todos os dias de nossa vida, mas geralmente muitas vezes a cada dia. Todas as vezes que encontramos uma pessoa, ela nos obriga a outro ato de compromisso, porque o mesmerismo humano é tal que nós automaticamente estabelecemos um indivíduo como separado daqueles aos quais estávamos previamente comprometidos.


Atos Contínuos de Compromisso Aceleram a "Morte" do Sentido Pessoal

Claro, você vê que em última instância a solução para tudo isso consiste em "morrer diariamente" para aquele senso pessoal de "eu"; mas não acredite, nem por um momento, que você pode "morrer" completamente para essa palavra "eu". Parece que isso é uma impossibilidade neste plano. Pode vir um momento em que o Cristo será erguido tão alto em nossa consciência que o pequeno "eu" desaparecerá, mas se isso alguma vez já aconteceu, nós não temos registro disso.

Sabemos que o sentido pessoal do "eu" estava presente com Jesus quando estava apregoando contra os oficiais da igreja e os cambistas, contra aqueles que ocupavam altas posições, bem como àqueles que exigiam sacrifício de animais. Sabemos que o sentido pessoal de "eu" estava lá quando perguntou a seus discípulos: "Não podereis vigiar comigo uma hora?"

Portanto, enquanto durar a nossa estadia neste mundo, é muito improvável que morreremos inteiramente para o sentido pessoal do "eu"; mas nós podemos minimizar os efeitos do sentido pessoal do "eu" mediante contínuos atos de compromisso de "amar a Deus de todo o nosso coração, alma e mente" e de "amar aos nossos próximos como a nós mesmos".


Uma Razão Para a Nossa Fé

Enquanto continuamos a fazer isso e descansamos no Silêncio da Presença de Deus, o ritmo flui em nossa experiência. No entanto, não cometa o erro que muitos daqueles no caminho espiritual cometeram: não se deixe levar pela fé cega. É certo ter fé em que "duas vezes dois" são "quatro", ou ter fé que "H2O" é água, mas não tenha fé em "algo que você não conheça", pois isso é perigoso.

Portanto, quando você está no Silêncio da Presença de Deus, e você está esperando este ritmo de vida fluir através de sua consciência como harmonia para o mundo exterior, tenha certeza de que você possui uma razão para a sua fé. Essa razão é que chegamos ao conhecimento de que esse Eu é o Nome de Deus. Chegamos a uma constatação, e é por isso que podemos ficar tranquilos, sabendo que Eu no meio de cada um de nós é Deus.

Então percebemos por que é verdade que "Eu tenho o maná escondido", por que "Eu tenho o alimento que o mundo não conhece": tenho a fonte, o manancial, o armazém que Eu Sou. E, porque a infinitude da vida, a imortalidade da vida é armazenada no Eu que sou, posso me aquietar e deixar esse ritmo fluir, indo à minha frente para aplainar lugares tortuosos, andando ao meu lado e atrás de mim, e aparecendo, conforme necessário, como nuvem durante o dia, ou como uma coluna de fogo à noite; como uma viúva pobre a compartilhar o que possui, como bolos cozidos achados em uma pedra, ou como a multiplicação de pães e peixes.


O Milagre É o Silêncio

Aqui novamente repito uma lição anterior: não acredite que há performadores de milagres sobre a terra  que "qualquer homem" pode multiplicar pães e peixes, fazer o maná cair do céu, ou extrair água da rocha. Não há provisão em todo o reino de Deus para tais coisas. Aquiete-se e saiba que Eu posso te dar água. Esse Eu, lembre-se, é a Presença de Deus diante da qual ficamos em silêncio. Apenas saiba que Eu posso multiplicar pães e peixes, e que este Eu é a Presença diante da qual ficamos em completo silêncio. Então nós podemos testemunhar como os pães e os peixes são multiplicados. Podemos contemplar águas vivas fluindo, águas curativas. Nós podemos contemplar a Palavra de Deus revelando-se como pão, alimento sólido e vinho. Podemos ver a Palavra de Deus aparecendo externamente, como uma atividade da Graça Divina.

Mas apenas lembre-se disso e nunca se esqueça: nenhum homem na face do globo pode realizar um milagre, exceto o milagre do Silêncio. Para a maioria de nós, isso em si é um milagre  se nós formos capazes de fazê-lo. Fique quieto pelo intervalo de um segundo, e então você verá o Eu, que não usamos ou manipulamos, mas que contemplamos na quietude, em silêncio. Este Eu aparece externamente como harmonia em nossa experiência. Ele também aparece como um Poder que fecha a boca do leão e detém os Pilatos deste mundo.

Quando a Escritura diz: "maior é Aquele que está em vós do que aquele que está no mundo", você consegue ver exatamente o quão maior, quão mais poderoso? O poder de Deus está dentro de nós, e Sua fortaleza pode ser trazida para o reino exterior pela nossa tomada de atitude como contempladores, ficando completamente quietos na Presença do Eu que somos.


A Lei Cármica é Rompida Quando o Sentido Pessoal é Retirado

É contra esse Eu que os nossos pensamentos colidem, quando a nossa parte humana se entrega aos ódios humanos, amores e medos humanos, às dúvidas e à ignorância humana. Quando eles colidem contra esse Eu, ricocheteiam de volta como aquilo que nós chamamos de punição. É isso punição, ou é apenas o erro natural nascido de outro erro?

A lei cármica, a lei do "colher o que plantou", é posta em movimento, sempre que os sentimentos humanos colidem contra a realidade espiritual do Eu que eu sou. No momento em que mantemos um pensamento errado ou performamos uma ação errada, isso atinge a nossa própria integridade espiritual interior e volta refletido para nós. Como os resultados nem sempre são visíveis no momento, às vezes pensamos que podemos escapar deles, mas inevitavelmente eles nos alcançam, e então depois nos perguntamos: "Por que sofro com isso? Por que isso tem que acontecer comigo?". Nós esquecemos a lei que pusemos em movimento, violando a nossa própria integridade espiritual. Felizmente, podemos corrigir isso a qualquer momento, retirando o sentido pessoal do "eu" que se entrega a amores, ódios ou medos, e tornando-nos contempladores ao estar na Presença do Espírito, o Eu que está dentro de nós. Isso nos absolve de todos os nossos erros e castigos.


O Perdão Vem Quando o Eu Dissolve o Sentido Pessoal

Não há necessidade de pedir perdão por nossos erros, porque há essa integridade do Eu que tudo sabe, e Ele já sabe se o outro "eu" foi dissolvido. Quando uma nuvem obscurece o sol, o sol não alcança a terra, mas quando a nuvem se dispersa, o sol volta a brilhar na terra. Acaso o sol sabia que a nuvem estava lá para impedir que ele alcançasse à Terra? Alguma vez o sol parou de brilhar?

O mesmo ocorre com o Eu no centro do teu ser e do meu ser: Ele é a nossa integridade espiritual individual, sempre brilhando. Eis que, então, uma nuvem fica no caminho. E qual é a natureza dessa nuvem? É o sentido pessoal, o sentido humano do "eu". Mas essa integridade infinita que é minha, que Eu Sou, permanece brilhando, e, no curso do tempo, conforme a Escritura diz: "todo joelho se dobrará", e isso significa que toda nuvem eventualmente deve ser dissipada.

A Luz que Eu Sou dissipa todo o sentido pessoal, e então "a glória que eu tive contigo antes que o mundo existisse" está em plena evidência para o mundo, e o mundo diz: "esta é a Glória do Senhor!". Mas o Eu que nós somos não toma conhecimento de que está queimando a negatividade do sentido pessoal – a minha e a sua – que nos entretém. Ele nem sabe. Nossa integridade espiritual está apenas brilhando, e mais cedo ou mais tarde essa negatividade se evaporará, e o Eu que nós somos nem sequer saberá que houve um sentido pessoal do "eu" para ser perdoado. Não adianta dizer: "Por favor, me perdoe", porque enquanto houver um "eu" para pedir perdão, não há verdadeiramente perdão, mas quando um coração desejoso se prostra ardentemente para receber o perdão, então há o motivo certo para que ocorra o processo de purificação.

Honramos a Deus e honramos a nossa integridade espiritual quando, em vez de pedir perdão ou favores, nos aproximamos de Deus com um dedo de silêncio nos lábios e na mente: indo a Deus sem pensamentos, sem desejos, indo para este centro dentro de nós mesmos, no Silêncio, no qual podemos ouvir "a voz pequena e silenciosa", mesmo quando ela estiver sussurrando bem baixinho, quase silenciosamente.


O Amor de Deus Não Pode Ser Canalizado

O ouvido atento é a nossa atitude na oração e na meditação: é necessário que possamos ouvir, não que sejamos ouvidos  apenas que possamos ouvir, a fim de podermos receber as impartições do Espírito a partir de dentro. Fazemos isso com o pleno conhecimento de que não vamos receber a Graça de Deus para qualquer propósito ou uso pessoal, mas apenas para o que for para o benefício de todos. Quando orarmos pela Graça de Deus, rezemos por ela como sendo uma benção universal, para que o Reino de Deus seja estabelecido na terra assim como já o é no Céu; pois, independente do que pensemos, dissermos ou fizermos, será assim. Não será de outra maneira. Ninguém pode canalizar o Amor de Deus para 'esta' ou 'aquela' nação, para 'esta' ou 'aquela' família, para 'esta' ou 'aquela' pessoa. O Amor de Deus não pode ser canalizado: o Amor de Deus é tanto para os justo quanto para os injustos.

Jesus não podia condenar ninguém por seus pecados, pois sabia que eles eram resquícios do sentido pessoal de "eu". Por outro lado, ele não podia tolerar ninguém chamando-o de bom, exatamente conhecer a Fonte de onde procedia aquele bem, e certamente Jesus teria desaprovado alguém que exaltasse as suas grandiosas performações milagrosas, como a multiplicação de peixes, pois Ele sabia que nenhum homem é um milagreiro.


O Perdão Vem em um momento de Compromisso

Deus não concedeu a ninguém a capacidade de operar milagres, mas o homem, em seu Silêncio, torna-se uma transparência para o próprio Espírito Milagroso, o Autor dos milagres. Sem isso, afloraria no homem um egoísmo ao ponto de negar o Espírito interior, obstruindo (às vezes para sempre) a Sua manifestação. 

Se alguma vez fôssemos convencidos a acreditar que o homem mortal é ou pode ser espiritual  ou que o homem mortal é ou pode ser o Filho de Deus , então seguiria toda a variedade de estupidez que faz as pessoas acreditarem que podem ir para a igreja nos domingos, e serem perdoadas através de algum "hocus-pocus", e em seguida reiniciarem os seus malfeitos no dia seguinte, ainda carregando consigo as suas faltas de caridade, a falta de benevolência, de perdão e de fraternidade. Como elas poderiam então serem purificadas?

Os hebreus ensinaram, e ainda ensinam, que há um dia do ano em que, ao realizarem as práticas/rituais designados para aquele dia, eles são perdoados. Mas isso é impossível. Ninguém é perdoado enquanto mantém sua consciência em dessemelhança com Deus. Tal consciência não pode ser perdoada: tem que ser abandonada... Quando ela  a consciência separada de Deus  é abandonada, ela não mais existe; e porque não existe, não precisa ser perdoada. Portanto, o único perdão é quando o Espírito transcendente entra e nos purifica, e isso não precisa ocorrer em um determinado dia do ano. Acontece em um determinado momento, e geralmente num momento de compromisso.


O Poder Não Está nas Palavras, mas na Consciência

Não dependa de palavras, mantras ou orações. Se as palavras e os pensamentos vêm, eles nada mais são que ferramentas  ferramentas de trabalho. Mas o poder está na Consciência, através da qual as palavras vêm. Deus é a Consciência individual. É por isso que nos sentamos em Silêncio, com a disposição de "ouvir", sem palavras e sem pensamentos, na presença do Eu que Eu Sou. De dentro dessa Consciência serena vem a Palavra que é Poder. Ela pode Se expressar como um grande número de palavras e de pensamentos, mas não se apegue às palavras e aos pensamentos, porque então você perde o poder.

Aprenda a sentar-se em uma atitude de respeito, amor e gratidão, diante da porta de sua própria Consciência. Ah sim, lembre-se disso: "Eu estou à porta de sua consciência. Estou de pé à porta, e bato." Você não percebe que Eu somente posso entrar quando você se acomoda em uma escuta pacífica e silenciosa, diante da porta de sua própria consciência? Não cometa o erro de adorar a consciência de alguém, alguém do passado, presente, ou esperado para o futuro. Aprenda a compreender que "Eu estou à porta de cada consciência", santo ou pecador, e com você aprendendo a sentar-se em silêncio respeitoso, vou abrir-Me a você, vou revelar-Me como Poder, Presença, como alimento, vinho e água.

As palavras que você pensa nunca multiplicarão pães e peixes. Os pensamentos que você pensa nunca curarão ninguém de seus males. O poder está na Consciência, e quando Ela anuncia a Si mesma, a terra derrete. Deve haver um "você" e um "eu" sentados aos pés do Mestre. Mas sentado "onde" aos pés do Mestre? Sentados dentro de nossa própria Consciência, em silêncio, em segredo, não dizendo a ninguém o que estamos fazendo, e ali recebendo o pão, o vinho, o alimento, a água e a Palavra.


Ouvir É a Atitude Correta Para a Oração

Não há Deus e o homem. Não há Deus lá "no alto" ou lá "fora" respondendo a qualquer oração, e tenha a certeza de que não há Graça de Deus para o erro. Orar pela graça de Deus, enquanto ainda se é indulgente e conivente com o sentido pessoal do "eu" e do mundo, é como pedir aos analfabetos que trabalhem na resolução de um problema de matemática avançada. 

É inútil tentar reivindicar a espiritualidade para si mesmo; é inútil tentar reivindicar a Natureza Crística ou a Natureza Divina para si mesmo. A melhor abordagem para a vida espiritual é sentar-se no Silêncio, diante de sua própria Consciência, e deixar a Voz dizer quem você é, o que você é, quando, onde, como, quão muito, quão pouco, e por quê.

Não faça reivindicações para si mesmo, já que essas reivindicações não poderão ser mantidas perante a sua Integridade interior; elas farão de você um mentiroso. Mantenha o dedo nos lábios: "Se eu sou um santo, tudo bem, Deus assim o fez; se eu sou um pecador, é muito ruim, não posso evitar; mas em qualquer caso, santo ou pecador, deixe-me apenas sentar-me aqui aos pés do Mestre, no interior de mim, e deixe que o Pai revele a mim a minha identidade, a natureza do meu ser. E, como a Luz do mundo, deixe o Pai penetrar por entre as nuvens que se interpõem entre mim e a demonstração espiritual".

Silenciosa, sagrada e secretamente, sem se fazer notado pelos homens, sem agir externamente como se fôssemos diferentes das demais pessoas, mas interiormente sempre sentados aos pés do Mestre, deixamos que a nossa oração seja: "Fala, Senhor, pois o teu servo ouve". O efeito dessa oração é que o Senhor não expõe a nós as nossas faltas, mas o Senhor as dissolve. Em todos os anos de meu ministério de ensino e cura, Deus nunca me apontou um erro sequer de alguma pessoa. Eu testemunhei um grande número de erros serem dissolvidos em outras pessoas, assim como em mim mesmo, mas nunca ouvi Deus me dizer que alguém estava errado.

Falar a Deus e enviar pensamentos a Deus é uma pura perda de tempo. Qualquer coisa que possamos dizer ou pensar estaria destinada a colidir contra a nossa integridade espiritual interior, porque a Verdade não está em nós como seres humanos. Mas para mantermos uma completa atitude de receptividade à Palavra que é impartida sobre nós, a atitude deve ser outra, isto é, a atitude de escutar; essa é a atitude da oração, da meditação, da cura, a atitude de ser um observador ou testemunha dos milagres de Deus. Sei que, mais e mais, a literatura oriental será lida com o passar do tempo, e que mais e mais auto-ilusão ocorrerá devido a interpretações errôneas, por se acreditar que no mundo existem operadores de milagres, mas operadores de milagres não existem. Qualquer pessoa através de quem ocorram milagres nada mais é do que uma transparência para o Espírito que opera o milagre. Isso é tudo.