"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

quinta-feira, julho 19, 2018

Volver ao Reino interior

- Joel S. Goldsmith


Talvez já tenha conhecido enfermidades, privações, dores, acidentes e desenganos. Por que não esperar também as boas coisas da vida? Por que não esperar a eliminação desses males e as manifestações do Bem? 

A despeito de tudo o que tenhas sofrido, a verdade acerca de teu ser é a sua identidade com a Fonte de todo o bem, ainda que não tenhas tido contato consciente com essa Fonte, ainda que não tenhas consciência disso e nem a confirmação interna dessa verdade.

Agora, entretanto, se for realmente verdade que tu e o Pai sois um, e que o reino de Deus está dentro de ti, e se estabeleceres contato com este reino, e receberes confirmação de dentro de ti mesmo: algo que te permita sentir a realidade espiritual indicada com estas palavras bíblicas: Meu filho, tu sempre estás comigo, ou: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo ou: A minha graça te basta, então possuirás todo o segredo da vida mística, e poderás provar que este Cristo, ou Espírito de Deus, vive dentro de ti.

Com a segurança da divina Presença dentro de ti, não precisarás de nada nem de ninguém neste mundo. Com esta realização interna, poderás entrar na jaula de um leão faminto; poderás viajar pelo mundo sem dinheiro e sem documentos. Com esta segurança de Emanuel- Deus Conosco, que diferença fará se tiveres o Faraó nas tuas pegadas e o Mar Vermelho pela frente? De que mais necessitarias, andando de mãos dadas com Deus, sentindo sua presença, sabendo que Eu estou sempre contigo?

Esta segurança não é coisa que possas obter de livros, ou em templos sagrados, em jejuns ou em celebrações religiosas. Não a conseguirás através de rituais ou sacramentos. Não a conseguirás senão buscando-a no único lugar onde pode ser encontrada: dentro de ti.

Nunca terás uma prova positiva de que o reino de Deus está dento de ti, nem conseguirás uma demonstração efetiva de unidade, se não meditares sozinho, voltando-te para dentro de ti mesmo e sem proclamar ao mundo quais sejam as tuas necessidades. 

Nesse período de isolamento, poderás fazer tua a sabedoria de Jesus, a sabedoria dos místicos ou dos ensinamentos de O Caminho Infinito, porque só então é que provavelmente estarás constatando que tu e o Pai sois um. 

Agora, terás que aceitar e provar a verdade de que estás neste Caminho:

"Volto-me para dentro de mim mesmo. Não estou voltado para o firmamento; não estou voltado para lugar algum fora de meu próprio ser.  Não estou à procura de templos, mestres ou livros sagrados. Estou voltado para dentro. Aqui estou. 

A verdadeira Fonte, a verdadeira morada de Deus é dentro de mim. Deus está no santuário interno de meu próprio ser. 

Não estou preocupado com a minha vida: com o que comerei ou beberei. Não ando em busca de saúde, emprego ou oportunidade de sucesso. Estou procurando o Teu reino, a Tua graça. 

Na realidade, o que estou procurando é certificar-me de que estás mais próximo de mim do que o ar que respiro, mais perto do que mãos e pés, e que conheces as minhas necessidades, e que é do Teu agrado dar-me o Reino. Assim oro em segredo. 

Não dou a perceber que estou orando. A ninguém dou a conhecer quais são as coisas de que necessito. Não dependo do homem cujo fôlego está no seu nariz. Volto-me para dentro: se este ensinamento é verdadeiro, Deus está aqui, e não preciso sair de onde estou. Basta-me saber que estou buscando a tua graça, para a realização da Tua presença. 

Nesta meditação eu aceito a verdade de que o lugar em que estou é terra santa porque Deus está presente. Aceito a Deus como Onipresença. Aceito a Deus como Onisciência. Ele sabe do que necessito. Aceito a Deus como Amor, que se compraz em dar-me Seu reino."

Este Espírito, com o qual agora tomaste contato e te tornaste uno, é a Presença que anda adiante de ti: é o teu pão, o teu vinho, o maná oculto, o manjar que o mundo não conhece.


segunda-feira, julho 16, 2018

O Objetivo deste Blog

 - Gustavo - 


O objetivo dos textos publicados neste blog é fazer com que as pessoas - os leitores - tomem conhecimento da transcendência, meditem (orem) e consigam alcançar a experiência transcendental interior.

Ninguém transcende o mundo e continua a compreender o mundo com os mesmos conceitos que tinham sobre ele até então. A experiência da transcendência modifica completamente o entendimento, a visão do mundo. Você passa a entender que tudo o que parece existir é na verdade NADA, um "algo" inexistente. Como pode ser? É algo realmente misterioso, que não pode ser decifrado por mais que seja sondado. Ao homem é possível decifrar o mistério, mas não da maneira como ele pensa ou espera fazer. E, como conseguir decifrar, é algo que somente a ele cabe conseguir descobrir - o caminho é solitário, a viagem só admite uma pessoa, que é ele próprio.

Ao mesmo tempo, com o acontecimento de uma experiência transcendental, a pessoa compreende que aquilo que é Invisível e que aparenta não existir, é o que existe de verdade, é a Realidade. De modo que, mesmo que o mundo continue apresentando-se diante de você - isso não importa -, você saberá que, apesar das aparências, o mundo não é o que aparenta ser. Esse é o objetivo deste blog, ao publicar todos estes textos.

Mas - você poderia perguntar -, de que adianta estar consciente (e em contato!) com essa Realidade invisível, afinal? O motivo é simples: melhorar a vida (como um todo!) do leitor, ou daquele que se dispuser a compreender esta Verdade. A conscientização da Verdade põe fim ao sofrimento. A mente humana está sempre completamente envolvida (e, consequentemente, preocupada) com este "mundo". O homem aparenta estar vivendo num mundo que, pela própria natureza, é constituído por pecados, sofrimentos, confusões, etc.. E, quanto mais tenta se livrar das coisas ruins do mundo, tanto mais com elas se envolve. Por que? Porque, ao tentar resolver seus problemas no mundo, ele continua lidando com a própria fonte/origem do problema: o mundo. A mente que afirma a existência (e os problemas) deste mundo não tem outra alternativa senão proceder desta forma, pois ignora que é possível ver este mundo como inexistente e se livrar de todos os problemas de uma única vez. Assim, as pessoas tentam escapar do mundo, mas na verdade escapam do mundo para o próprio mundo, sem se aperceberem disso.

É realmente difícil de perceber - como quando alguém reclama de um acontecimento ruim e, sem notar, atrai (faz gerar) mais acontecimentos ruins. Este é um bom exemplo, experimente pensar sobre ele: todos sabemos que, pela lei mental e espiritual da atração, o amor atrai mais amor, a alegria atrai mais alegria, e, inversamente, tristeza atrai mais tristeza e o medo atrai ainda mais medo. O semelhante atrai ainda mais o seu semelhante. E muitas pessoas, quando se deparam com algum acontecimento ruim, logo começam a se queixar, reclamar, xingar, esbravejar. Não percebem que o próprio ato de se chatearem atrairá ainda mais chateação. Então, sem perceberem, adentram num processo de "bola de neve", começam a se mover em círculos - elas estão naquilo que o budismo chama de "sansara". É tão lógico, tão razoável: se algo ruim acontece, porque deveria não me rebelar? Por que não esbravejar e ficar furioso, decepcionado ou deprimido? Qual é a lógica de permanecer feliz quando ocorre uma situação desagradável? Superficialmente não haverá lógica alguma - é por isso que para a maioria das pessoas é tão natural reagir de tal forma negativa. Por isso, inconscientemente/instintivamente, todos estão imersos nesse processo - perdidos no sansara.

Se pudermos sair da superfície, e lançarmos um olhar mais profundo para o quadro todo, veremos que a lógica - a melhor lógica a ser utilizada - é exatamente o processo inverso. Quando um infortúnio acontecer, esse será o exato momento de, ao invés de reclamarmos, começarmos a agradecer. Se algo nos for tirado, será o momento exato de agradecermos e nos alegrarmos com aquilo ainda temos. E, assim, a gratidão gerada a partir de dentro se manifestará e atrairá no mundo externo situações que lhe farão sentir ainda mais gratidão - e, se for para você ter gratidão, somente coisas boas poderão surgir para lhe acontecer. À primeira vista, parece ilógico proceder assim. Mas, não. Cristo disse: "Não resistais ao maligno". Quando resistimos ao "maligno", damos-lhe mais força e, propagamos ainda mais a sua existência. A verdade é que é muito mais inteligente expressarmos amor, alegria e gratidão em situações cujas coisas nos provocam tentação de esboçar raiva, medo e depressão. Este é o exemplo. Reflita bem sobre ele. Esse exemplo foi dado para fazê-lo entender o seguinte: a mente que acredita (ou afirma) a existência de culpas, pecados, sofrimentos e problemas não pode prover uma solução verdadeira para eles; pelo contrário, ela assegura a permanência deles em nossa experiência. Só a mente que compreende a irrealidade das coisas visíveis (que parecem existir) e a realidade do Invisível (que parece inexistir) é que pode solucioná-los.

A mente que compreende profundamente (que percebe!) que o mundo fenomênico é inexistente, deixa de se perturbar e envolver com tal mundo e, assim, se livra da bola de neve. Ela corta o mal pela "raiz", e se lança fora do sansara. Alguma vez você já tentou desfazer os nós de um barbante extremamente feio e todo emaranhado? Quanto mais tentamos desfazer os nós do barbante a fim de fazê-lo voltar a ser uma linha normal e bonita, mais bagunçado fica! Assim é com aqueles que tentam resolver os problemas do mundo, mas que tomam a mente que acredita no mundo como base ou ponto de partida para a solução de seus problemas. Tentam alcançar a felicidade, mas o fazem com base na mente que afirma a existência dos problemas e sofrimentos do mundo. E Cristo disse: "Deixo-vos a paz, não a paz que o mundo vos dá, mas a Minha paz", aquela que está além de todo o entendimento. Com a felicidade ocorre o mesmo. A verdadeira felicidade é aquela que também transcende todo o entendimento, é a felicidade que advém do Cristo. Toda e qualquer espécie de problema existe apenas no âmbito deste mundo. Se você puder ver este mundo como inexistente, o mundo realmente deixará de existir para você, e todas as coisas que dependem do mundo para existir desaparecerão, igualmente. Eis porque muitos dos textos postados batem tanto na tecla que diz: "Não existe mundo material", "não existe doença", "não existe pecado", "somente existe Deus". Os textos não visam falar de "coisas bonitinhas", nem visam apresentar-nos uma "filosofia" para acreditarmos meramente, mas tratam de uma percepção real que, se compreendida e praticada, gerará frutos visíveis e concretos.

O segredo da vida é ser feliz sem motivo, em todas as ocasiões. Ser alegre sem motivos, em todas as ocasiões. E ser agradecido sem motivo, em todas as ocasiões. Não é necessário haver motivos para estarmos nos sentindo alegres, gratos e felizes. Se houver motivos, estamos colocando a nossa felicidade nas mãos do mundo, o pior lugar possível. De fato, não poderíamos escolher um lugar pior. A atitude e o pensamento devem ser: Com situações felizes no mundo, ou com situações infelizes no mundo - eu estou Feliz! (feliz, com "f" minúsculo, é felicidade relativa; não é o mesmo que Feliz, a felicidade absoluta). Com situações alegres no mundo, ou com circunstâncias não alegres no mundo - eu estou Alegre! (alegre não é o mesmo que Alegre). Estar grato não é o mesmo que estar Grato. "Estar Grato" é sentir gratidão imotivada, incausada, uma gratidão independente, que existe em si e por si mesma. Com os seus problemas, ocorre o mesmo. Aprenda a ver que eles já estão resolvidos, independentemente de no mundo externo eles aparentarem estar solucionados ou não. Compreenda que eles já estão resolvidos. Já estão resolvidos por si mesmos. Eles não existem. E finque fundo a mente nessa compreensão e não permita mais que ela saia daí. Contemple essa Verdade, sempre que possível. Permanecer nesse reconhecimento contemplativo é "oração" (ou meditação). Deus não criou problemas, não cria problemas, nem permite que eles existam. A criação de Deus é perfeita e está completa e consumada, nada podendo nela ser acrescentado ou diminuído. "As obras de Deus são permanentes". O homem filho de Deus jamais viveu ou vive situações de problemas. Ele vive no mundo perfeito criado por Deus, em que "tudo é muito bom". Pelo reconhecimento interno e transcendental de que "seus problemas não existem", logo isso se manifestará no mundo-fenomênico-externo como "problemas solucionados". Todas as coisas necessárias serão providas, em conformidade com o que Cristo disse: "Buscai primeiro o reino de Deus, e as demais coisas lhe serão dadas por acréscimo".

Realmente, os ensinamentos transcendentais apresentados nos textos postados neste blog têm o potencial de fazer o diferencial e mudar a vida de quem os compreende e assimila. A nossa força, felicidade, alegria e paz não podem ser alcançadas por nossos próprios esforços. Se estivermos nos esforçando, estaremos ainda lidando com o mundo. Essas coisas dependem e são providas/supridas pela Graça de Deus. Não precisamos fazer nada, a não ser contemplar a Verdade de que "Tudo já está feito", e deixar que a Graça se manifeste em nossa vida. "A tua Graça me basta". Cristo também disse: "tende olhos, mas não vedes". De agora em diante, passe a "ver". A mera visão material do mundo-fenomênico-exterior não é o bastante para "ver" como Cristo desejou que víssemos. Espero que, após a leitura e compreensão deste texto, os leitores passem a ler os textos publicados neste blog com "outros olhos".

Deus, que habita em mim, reconhece, reverencia e agradece Deus que habita em você.


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quinta-feira, julho 12, 2018

Vivifique o Presente!

 
 - Núcleo -

Vivifique o presente!

Isto significa: vivifique o agora, conscientize-se do presente!

No âmago do ser humano vive o Ser Real, o “Eu Verdadeiro”, que está encoberto pela visão da mente de nossos personagens, ou seja, está encoberto por nossas “personas”, que são “máscaras” que velam o Ser, que encobrem o Ser Real.

Já foi dito que a palavra “presente” tem um duplo significado: O de momento presente e o de aquilo ou aquele que é presente. Aquele que é presente é o Ser Real, o Eu Verdadeiro.

O que cria, o que gera a persona [a máscara que encobre o Eu Verdadeiro] são os pensamentos. Através dos pensamentos nos identificamos apenas como sendo seres individuais, separados de Deus. Mesmo o pensamento de que “somos um com Deus” não nos leva a percepção de Quem Somos. O “acreditar” [que é forma de perceber mentalmente] que somos um com Deus não nos conscientiza de nossa natureza divina. Por isso Jesus disse enfaticamente que: “Quem não comer da minha carne e quem não beber do meu sangue não terá a Vida eterna.” O que Jesus revelou ao dizer “comer a Minha carne e beber o Meu sangue” foi que devemos nos conscientizar da Sua natureza divina e nos fundirmos nela, tornando-se também a nossa. Em outras palavras, que devemos nos elevar da crença [percepção mental] da natureza divina de Jesus para a percepção [percepção consciencial] de Sua essência [Sua carne e Seu sangue] em nós. Fazemos isso vivificando “o presente”, ou seja, vivificando “Aquele que é presente”, o Cristo Eterno. Assim, “vivificar o Presente” significa que devemos vivificar a Vida de Deus EM nós.

Como fazer isso, como “vivificar o presente”? Comece onde você está! Perceba que o seu personagem está num certo contexto [é isto o que ele "pensa"; e não apenas pensa, mas também analisa e julga o contexto onde está. E dependendo do julgamento mental você se sentirá feliz ou infeliz]. Seu personagem está num certo contexto mas você vive no Reino de Deus! A percepção de que você vive agora no reino de Deus não é mental; ela não é fruto de “pensamento, análise e julgamento”; e se continuar “pensando”, apenas “terá razão”; você continuará no nível da percepção mental, que se auto-alimenta de conceitos e percepções mentais, de raciocínio, de lógica, enfim, de razões…

Contudo, num nível que transcende os conceitos e o raciocínio está a Vida! A Vida verdadeira não é a vida mental. A Vida verdadeira é a Vida de Deus, é a Verdade que pode e deve ser conhecida, mas não pode ser “pensada”, porque os pensamentos a expressam em conceitos, e a Vida verdadeira é algo real, algo não conceitual.

Existe em nós algo que nos possibilita perceber essa “Vida verdadeira” que é a própria Vida! Parece ser paradoxal para a mente que pensa, mas é real. Quando Jesus Cristo revelou que: “Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai Pai senão por Mim”, quis dizer que “o Pai” é Deus e que Deus é Vida; e que a Vida de Deus é Quem Sou porque “Eu e o Pai somos Um”.

Ao revelar isso ele estava se referindo ao Cristo eterno que Vive EM nós. Este é nosso "Eu Verdadeiro", Aquele que é “presente” no “reino de Deus”, que está “dentro de nós”.

Portanto, devemos “comer e beber  dessa carne e desse sangue”, ou seja, devemos perceber [nos conscientizar] e desfrutar essa essência divina, que é a Vida de Deus, o Cristo que vive EM nós.

Por fim, aquilo que “aciona essa “conscientização” é o ato de compartilhar. “Não há percepção sem ação”!

Enfim, para ativar a percepção que transcende o nível dos pensamentos, comece onde está, pois, a Vida de Deus já está presente em você. Deixe os conceitos mentais de lado e desfrute dessa percepção, ou seja, coma, beba e sacie-se dela. E por fim a compartilhe; compartilhe generosamente.

O ato de compartilhar é que sedimenta em você a percepção do Presente.

Por isso compartilho a percepção; por isso esta mensagem está chegando  a você; por isso Buda compartilhou a iluminação que percebeu e desfrutou; por isso Jesus compartilhou o que “ouviu do Pai”.

Ao compartilhar o que perceberam e desfrutaram, eles “vivificaram Aquele que é Presente” neles, vivificaram Quem São e em o fazendo vivificaram Quem Somos, vivificaram a Vida de Deus, o Cristo que Vive EM nós.

Sim! Vivifique o presente!

Namastê.


segunda-feira, julho 09, 2018

O ponto de vista para se ler o Gita - 2/2


 - Núcleo -


O Gita, uma das mais respeitadas Sagradas Escrituras do Oriente, pertence a uma outra tradição e contexto espiritual. Mas, se você se permitir, verá que este texto universal te revelará o mesmo Cristo, não o Cristo a quem suplicamos que nos proteja, mas a quem agradecemos pela proteção e pela própria Vida que nos proporciona todos os dias de nossas vidas.

Neste sentido o texto que se segue é uma revelação. Uma revelação divina! As verdadeiras revelações não procedem dos pensamentos, da mente humana. Esta é uma grande dificuldade! As verdadeiras revelações surgem de percepções. Nem sempre a razão é capaz de apreender o real sentido de uma "percepção".

Pensamentos são produtos da mente; as percepções provêm da Consciência. O que o Maharaj está propondo é uma percepção, não um pensamento, esta é a barreira mental a ser transposta. O ponto de vista da Consciência desperta – a Consciência de Krishna – é o ponto de vista da Consciência do Ser, que Vive em nós, que é nossa Vida e real identidade, mas que, mesmo assim, não sabemos.

O problema está em que desconhecemos nossa real identidade. A mente é a máscara que vela a real identidade: A mente vela o Ser; a consciência O desvela. Assim, quando utilizamos a mente para descobrir quem somos, esta descoberta se torna um objetivo impossível. O pensamento, o raciocínio e a lógica humana são instrumentos inadequados para o fim de sabermos nossa real identidade. A nossa mente está condicionada por suas muitas crenças e pela própria forma com que percebe a realidade. Ela percebe de forma dual. Onde há apenas um Ser e Suas infinitas manifestações, a mente “percebe” muitos seres, todos individualizados... Ela percebe as formas, mas não a essência que existe em todas as formas.

Para se ler o Gita do ponto de vista de Krishna é necessário descartarmos a “máscara" da personalidade, e não presumirmos que somos nem mesmos “os Arjunas do mundo”. Tampouco devemos presumir que somos“o Krishna”, que no Gita é o Ser Real, a essência de todos os nomes e formas, a própria divindade.

Perceba esta sutileza: O Maharaj nos sugere que devemos adotar o ponto de vista de Krishna, e não que devemos nos identificar como sendo um personagem do Gita: o Krishna. Esta é uma revelação que nos virá como uma percepção, talvez ao longo da leitura do Gita, ao final, ou mesmo até algum tempo após. Não importa o tempo em que a percepção ocorrerá. Saiba apenas que é possível, embora não pareça evidente. Assuma o ponto de vista de Krishna e perceberá que o Gita está desvelando a Consciência que, no Gita, é representada por Krishna  a essência e real identidade de todos os seres. Se isto for feito, afirma o Maharaj: “Vocês entenderão, então, que no Vishva-rupa-darshan, o que o Senhor Krishna mostrou a Arjuna não era seu próprio Svarupa, mas o Svarupa – a verdadeira identidade – do próprio Arjuna e, por conseguinte, de todos os leitores do Gita".

Note que, no Gita, Arjuna representa “um ser humano bom”, que quer ouvir e seguir as orientações do Senhor. Mesmo assim, a percepção de Arjuna é mental. Onde há apenas um ele vê muitos. Então ele perde as forças e lamenta que “não pode lutar”. Percebendo as limitações da mente humana de Arjuna – seus conceitos e crenças equivocadas, ainda que, do ponto de vista humano, louváveis, dignas de respeito pelos demais seres humanos, até por seus oponentes –, Krishna sabe que esta visão mental e valores equivocados não livrará Arjuna da derrota.

Não somente “a mente de Arjuna” o ilude, mas também a mente iludirá a qualquer um que a tomar como ponto de partida e instrumento para “perceber” a verdade.

Para estarmos "iluminados pela Consciência", precisamos nos sintonizar com a Consciência do Ser - a “percepção consciencial” -, que no Gita se revela plenamente pela visão de Krishna e suas revelações, que é o ponto de vista sugerido para se ler o Gita, o qual transcende a percepção da mente de Arjuna, que é uma visão apenas humana e “mental”.

Na Bíblia conhecemos a ordem divina para nos “erguermos de entre os mortos”, ou seja, de nossas “visões mentais” da vida. Só então Cristo, a Consciência do Ser, nos iluminará, virá e nos dará vida, pois Cristo é a própria Vida que vive em nós.

Como advertência antes da leitura do texto, esteja atento e não presuma! Assuma o ponto de vista de Krishna para ler o Gita, mas não presuma nada. Presumir é fruto da mente, que ilude. Não presuma que você é o Krishna, assim também como não devemos presumir que somos “um com Deus”. Isto vem no tempo de Deus, como uma revelação, uma percepção. Você não precisará "acreditar", como também saberá que "não acreditar" não altera esta realidade... O acreditar ou não acreditar estão no nível da mente, e não na Consciência. Os que sabem que é possível, por exemplo, colocar um ovo em pé equilibrado, sem truques, não precisam acreditar. Os que não acreditam que isto seja possível não alteram a realidade de que isto não apenas é possível, mas que qualquer pessoa pode fazer isto. Da mesma forma qualquer pessoa pode “conhecer a verdade”, mas será preciso desfazer todos os condicionamentos e as crenças que tem a respeito do que é a Verdade. O conhecimento da Verdade liberta o homem. A "verdade a ser percebida" é que Deus, o Ser que Vive em nós, é a própria Verdade. Este Ser Real vive em todos os seres. Nenhum ser tem vida em si mesmo, e nem está separado do Ser - o único Ser. No ser humano, este Ser Se revela como Consciência, não como a “sua” ou a “minha” consciência, mas como a Consciência do Ser, Aquilo que “Eu Sou”, e que é impessoal, universal. Revelando sua real identidade, Cristo diz: “Antes que Abraão existisse, Eu Sou.” O Cristo que vive de eternidade a eternidade é real e onipresente. Está em todos, aguardando apenas o momento em que será “percebido”.

Leia o Gita do ponto de vista de Krishna, e em algum ponto esta “percepção” sobrevirá e revelará a real identidade, não apenas de Krishna ou de Arjuna, mas, também, a de Cristo, a sua, a minha e a real identidade de todos os seres.


 Svarupa - a forma cósmica, a verdadeira identidade/face de Krishna revelada.

quinta-feira, julho 05, 2018

O ponto de vista para se ler o Gita - 1/2



Introdução: O texto a seguir que estará diante de você provém de outra tradição e contexto espiritual, o Gita, uma das mais respeitadas Sagradas Escrituras do oriente. Há um segredo em cada Escritura Sagrada  um segredo que, se for notado, garantirá o seu envolvimento, afinamento e compreensão dos textos sagrados em sua máxima profundidade. Todo conteúdo encontrado dentro de um livro sagrado não diz respeito a outra coisa senão a Deus, ao conhecimento da Verdade, à Consciência ou a Unidade. Só há uma Verdade e a característica da Verdade é ser UNIVERSAL; a Consciência é Una com tudo o que existe. E a Consciência carrega o Infinito dentro de si! É impossível algo estar existindo  algo ser!  e não estar em Unidade com a Consciência ou a Verdade. Você vive  esse fato, por si só, prova que você está na Unidade e é uno com tudo aquilo que está na Unidade com a Consciência, Deus. O Segredo é: saber/compreender que tudo o que as Escrituras Sagradas relatam são Verdades, são histórias concernentes a cada um de nós. O Gita narra o diálogo acontecido entre os personagens históricos "Krishna" e "Arjuna", porém todas as coisas nele contidas são simbologias, um reflexo externo de nossa própria história. Uma Escritura Sagrada não deve ser encarada apenas a partir de um contexto histórico, como se a Verdade ou as experiências vividas pelos personagens pertencessem a eles exclusivamente. Não! A história de Krishna é a minha própria história; a história de Jesus é a minha e a sua história. A Bíblia e o Gita não são livros, são espelhos. Há uma só Consciência sendo! A mesma Consciência que no passado apareceu como Krishna, está aparecendo como eu e você. Eis porque tudo o que está contido no Gita, sobretudo o que diz respeito a Krishna, é verdadeiro para você e para mim. No Gita, Krishna ensina ao Arjuna: "O Ser Divino que sou, você também o é! Não veja-se separado ou excluído de Mim, senão você estará preso na ilusão. Perceba que minha Consciência Divina é também a sua". Krishna pede a Arjuna que deixe de lado a visão mental/dual, troque/inverta o referencial, e perceba de forma direta quem ele é.

Neste texto, Nisargadatta Maharaj, por saber que não há maneira de ser a Verdade senão sendo a própria Verdade, pede que comecemos a ler o Gita do ponto de vista de Krishna ao invés do de Arjuna. Tanto o Gita como a Bíblia 
 assim como todas as escrituras sagradas – têm sido lidos pelas pessoas como se elas fossem buscadoras da Verdade que tentam, que desejam, que se esforçam e fazem de tudo (esforços pessoais) para compreender a Verdade e finalmente um dia realizá-La em si mesmas. Isso é impossivel; ninguém pode ser a Verdade se já não for a própria Verdade. Se uma pessoa não for a Verdade desde sempre, é impossível que um dia ela deixe a condição de "não ser a Verdade" e adentre a condição de "Ser a Verdade". É por isso que Nisargadatta diz: "Não leiam o Gita do ponto de vista do aspirante à Verdade. Leiam-no do ponto de vista de Krishna, da própria Verdade - você já é a Verdade; eis o motivo". O Gita não tem de ser um livro no qual sua mente trabalhe com diversas possibilidades ou passeie viajando/divagando em hipóteses fantasiosas como: "vou ler o Gita para conseguir (no futuro) encontrar Deus, compreender a Verdade". Como espelho, as coisas que existiam só como possibilidades, o Gita torna-as concretas; aquelas hipóteses ou fantasias deixam de ser hipotéticas ou fantasiosas e são vistas como verdadeiras no exato momento presente. Tudo está ali! - Essa é a percepção a ser notada. A mente não necessita ir a lugar algum, ela deve ficar onde já está.

O Segredo de conhecer a Verdade está na Unidade - já que em tudo há o UM se expressando, a Verdade válida para uma de Suas manifestações é também verdade para todas as outras. Que valor teria a Bíblia ou o Gita para mim, se tudo o que é encontrado neles não possuir relação alguma com o ser que sou? Se a verdade da Bíblia ou do Gita concernissem somente a um homem chamado Jesus, ou a um homem de nome Krishna, então a Bíblia ou o Gita seria o livro deles somente. E, além de para Jesus e Krishna, tais escritos não teriam nenhuma razão de ser, pois, por mais que as escrituras alcançassem outros seres, nenhuma possibilidade de transformação ou de realização a eles jamais seria possível. Toda e qualquer busca do homem é por coisas que apontem e digam respeito ao próprio ser que ele é.

Por ora, ficaremos com este texto de Nisargadatta Maharaj. E a seguir, no próximo post, será feita uma explanação mais específica, aprofundando, com maiores detalhes, os assuntos discutidos neste texto do mestre iluminado.


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"Em uma das sessões, uma distinta dama que visitava Maharaj fez uma pergunta sobre o Bhagavad Gita. Enquanto ela formulava sua questão nas palavras adequadas, Maharaj, repentinamente, perguntou-lhe: “De que ponto de vista você lê o Gita?”

Visitante: Do ponto de vista de que o Gita é, talvez, o guia mais importante para o buscador espiritual.

Maharaj: Por que esta resposta absurda? Certamente, ele é um guia muito importante para o buscador espiritual; não é um livro de ficção. Minha pergunta é: Qual o ponto de vista do qual você lê o livro?

Outro visitante: Senhor, eu o li como um dos Arjunas no mundo, para cujo benefício o Senhor foi generoso o bastante para expor o Gita.

Quando Maharaj buscou em torno uma outra resposta, houve apenas um murmúrio geral de confirmação desta.

Maharaj: Por que não ler o Gita do ponto de vista do Senhor Krishna?

Esta sugestão suscitou dois tipos simultâneos de reação de assombro de dois visitantes. Uma das reações foi uma exclamação escandalizada que claramente significava que a sugestão era equivalente a um sacrilégio. A outra foi de um único e rápido bater palmas, uma ação reflexa, obviamente, indicando alguma coisa como o "Eureka" de Arquimedes. Ambos os visitantes interessados estavam como que embaraçados por suas reações inconscientes e pelo fato de que as duas eram o exato oposto uma da outra. Maharaj deu um rápido olhar de aprovação ao que havia batido palmas e continuou:

Maharaj: Muitos livros religiosos se supõe ser a palavra de alguma pessoa iluminada. Por mais iluminada que seja uma pessoa, ela deve falar a partir de certos conceitos que achou aceitáveis. Mas a extraordinária distinção do Gita é que o Senhor Krishna falou do ponto de vista de que ele é a fonte de toda a manifestação, isto é, não do ponto de vista de um fenômeno, mas do númeno, do ponto de vista de que "a manifestação total sou eu mesmo". Esta é a exclusividade do Gita.

Agora – disse Maharaj  considerem o que deve ter acontecido antes que qualquer texto religioso antigo tenha sido escrito. Em todos os casos, a pessoa iluminada deve ter tido pensamentos, os quais colocou em palavras, e as palavras usadas podem não ter sido muito adequadas para comunicar seus pensamentos exatos. As palavras do mestre poderiam ter sido ouvidas pela pessoa que as escreveu, e o que ela escreveu, certamente, seria de acordo com seu próprio entendimento e interpretação. Depois deste primeiro registro manuscrito, várias cópias dele teriam sido feitas por diversas pessoas e tais cópias conteriam numerosos erros. Em outras palavras, o que o leitor de qualquer tempo particular lê, e tenta assimilar, pode ser totalmente diferente do que realmente o mestre original pretendeu comunicar. Acrescentem a tudo isto as interpolações inconscientes, ou deliberadas, feitas por vários eruditos no curso dos séculos, e vocês entenderão o problema que eu estou tentando comunicar a vocês.

Disseram-me que o próprio Buda falou apenas na linguagem Maghadi, enquanto seu ensinamento, como foi anotado, está em Pali ou em Sânscrito, o que poderia ter sido feito apenas muitos anos mais tarde; o que agora temos de seus ensinamentos passou por numerosas mãos. Imaginem o número de alterações e acréscimos que foram infiltradas nele por um longo período. Não seria surpreendente que haja agora diferenças de opinião e disputas sobre o que Buda realmente disse, ou quis dizer?

Nestas circunstâncias, quando peço a vocês que leiam o Gita do ponto de vista do Senhor Krishna, peço que abandonem imediatamente a identidade com o complexo corpo-mente quando o lerem. Peço que leiam de acordo com o ponto de vista de que vocês são a consciência desperta – a consciência de Krishna – e não os objetos fenomênicos aos quais ela deu sensibilidade, para que assim o conhecimento que está no Gita seja verdadeiramente revelado para vocês. Vocês entenderão, então, que no Vishva-rupa-darshan, o que o Senhor Krishna mostrou a Arjuna não era seu próprio Svarupa, e sim o Svarupa (a verdadeira identidade) do próprio Arjuna e, por conseguinte, de TODOS OS LEITORES do Gita.

Em resumo, leiam o Gita do ponto de vista do Senhor Krishna, como a consciência de Krishna; vocês então compreenderão que o fenômeno não pode ser ‘liberado’ porque ele não tem nenhuma existência independente; é apenas uma ilusão, uma sombra. Se o Gita for lido neste espírito, a consciência, a qual tem se identificado erroneamente com o complexo corpo-mente, tornar-se-á consciente de sua verdadeira natureza e se fundirá com sua origem."
Cont...


segunda-feira, julho 02, 2018

"Eu Sou Krishna"

- Núcleo -


No Bhagavad Gita, Krishna disse a Arjuna: “Eu sou a testemunha; por Mim, este aglomerado de cinco elementos chamado Universo, todos estes objetos móveis e imóveis, são formados. Seja qual for o nome ou a forma adorada, Eu sou o Destinatário, porque Eu sou a Meta de todos. Eu sou o Único. Não há nenhum Outro. Eu Mesmo Me torno o Adorado, através de Meus muitos Nomes e Formas. Não apenas isso, Eu sou o Fruto de todas as ações, o Doador do Fruto e o Instigador. Perceber-Me é verdadeiramente a libertação. É o Jivanmuktha (libertado mesmo enquanto vivo) que alcança essa realização. Arjuna, se alguém aspira tornar-se um Jivanmuktha, deve-se eliminar totalmente o apego ao corpo.” (Sathya Sai Baba)


Divinos Personagens,

Que bela mensagem escolhida pelo Ser, a quem desde já reverencio e agradeço!

Krishna (a divindade) declara:

“Perceber-Me é verdadeiramente a libertação.”

E também:

“É o Jivanmuktha (libertado mesmo enquanto vivo) que alcança essa realização.”

Atma é o Ser Real. Jiva é o personagem. Muktha (libertado) provém de Moksha, que significa libertação. A vida é a representação divina.

O personagem (Jiva) deve aspirar por conhecer sua real identidade (Atma), ou seja, deve perceber Quem ele É. Quando na representação divina esta percepção da real identidade ocorre ao personagem, ele é chamado “Jivanmuktha” (aquele que está liberto mesmo enquanto vive em um corpo, ou seja, mesmo enquanto representa).

No momento em que o “Jivanmuktha” percebe que a real identidade do personagem (Jiva) é o Ser (Atma) ele então pode declarar: “Eu Sou o Atma”, ou como disse Cristo: “Eu e o Pai somos Um.”

O Atma (o Ser Real) quando considerado independentemente da representação divina é descrito como Paramatma (Deus Absoluto). A mais alta realização é perceber que a única realidade é Paramatma (Deus Absoluto). E sendo o Paramatma o “Deus Absoluto”, significa que não há nada além de Si mesmo. Paramatma é também o Deus descrito como "o Todo-Poderoso".

Entre os “Poderes” do “Todo-Poderoso”, está o “Poder de Agir”. Porém, não há ninguém e nada além de Si mesmo, por ser Deus o “Absoluto”, ou seja, a “Única Realidade”. Mas não há limites para Deus. Tendo o “Poder de Agir”, e não tendo limites, Deus age! E, sendo a “Única Realidade”, Deus cria em Si mesmo um universo divino no qual manifesta o Seu “Poder de Agir”! Com Seu Poder de Agir, o universo que Deus criou foi o algo mais divino que se possa conceber: Um universo de seres plenamente conscientes de Quem são, de que são todos o que Deus É, de que É o Ser Real, o Único! 

Embora este universo de seres conscientes de Quem são esteja além do alcance das palavras e da imaginação - porque existem muitos seres mas que são todos o mesmo Ser -, é Real. É o universo da Consciência de Deus. No Núcleo este universo criado por Deus é chamado de universo consciencial. Na Seicho-No-Ie é chamado de Mundo da Imagem Verdadeira, ou  Jissô. No cristianismo é chamado de Paraíso ou Reino de Deus. No budismo é o Nirvana. Como disse o poeta, uma rosa é uma rosa, seja qual for o nome que se dê a ela…

Os seres conscientes de Quem são tem consciência deste “Poder de Agir” e criam uma representação divina, um universo onde tudo é possível, inclusive com personagens que não têm a consciência de Quem são, e isto abre muitas possibilidades à própria representação! Por ser uma manifestação do Poder divino, a representação é muito realística! Nela tudo parece ser real: o cenário e uma multiplicidade de divinos personagens com muitos nomes e formas! Mas também, por ser uma representação divina, na qual tudo é possível, entre todas as possibilidades, na representação divina, está a possibilidade de que os divinos personagens possam voltar a ter consciência da realidade de Quem são!

Por isso, Krishna, sendo um dos “seres conscienciais”, mesmo estando na representação, mantém a consciência de Quem ele É, e declara: “Perceber-Me é verdadeiramente a libertação.”

E revela quem, na representação, ou seja, que tipo de personagem pode ter esta percepção:

“É o Jivanmuktha (libertado mesmo enquanto vivo) que alcança essa realização.”

Portanto, mesmo estando na representação, é possível “estar liberto” e ter esta consciência, a percepção de um Jivanmuktha, que no Núcleo é chamada de “percepção consciencial”.

Personificações da divindade:

Leiam com atenção o que acaba de ser comentado. Se o fizerem terão um benefício imenso! Pois, não se trata de um simples comentário. Trata-se de uma “versão atual” de uma Verdade atemporal capaz de libertar os personagens! Muitos personagens querem de fato saber a Verdade. Esta é uma grande oportunidade, pois a Verdade sobre a real identidade de cada um dos personagens do Ser está novamente sendo abertamente revelada. Todos podem tê-la!

Observem que nesta “nova versão” apresentada no Núcleo a ênfase não é dada a nenhum Mestre especificamente, mas sim, à percepção! O que importa é que você perceba sua real identidade, não importando a que Mestre segue! E é assim porque com esta percepção a Verdade será conhecida e o real Mestre emergirá em você! Pois, o verdadeiro Mestre está na Consciência do Ser que você É! Este “universo consciencial”, este Reino de Deus, o Nirvana, não está fora de você, nem longe de você. Estes conceitos de fora e longe são apenas conceitos, só existem na representação divina, não se aplicam ao universo consciencial, não se aplicam a Quem você realmente É. Não há de fato um Mestre fora de você, nem longe.

Por isso Krishna disse: “Perceber-Me”.

Assim, este comentário é para os que querem “estar na representação” mas não serem subjugados pela representação. Por isso é feita esta elucidação, e é dado este esclarecimento. É algo que não vem da “mente de um personagem”; é algo atemporal, algo que não vem da identificação com o Jiva, mas com o Atma!

A propósito: termos como “Jiva”, “Atma”, “Paramatma” vêm do hinduísmo e são usados para descrever a realidade divina. Na Seicho-No-Ie são usados termos como “mundo da Imagem Verdadeira”, “mundo fenomênico”, “Jissô”. No cristianismo são usados termos e expressões como: “Filho de Deus”, “O Verbo se fez Carne”, “Viver em Cristo”, etc. Ou seja: cada religião ou filosofia espiritual usa termos próprios e expressões como uma forma de resgatar o significado espiritual da Verdade que foi revelada por algum Mestre, mas que com o tempo e com as muitas traduções das palavras do Mestre e das muitas reinterpretações, foi se perdendo.

Em resumo, o comentário acima expõe de forma sintética o ensinamento compartilhado no Núcleo de que: A Única Realidade é Deus. Deus é o único Ser Real. Ele é Absoluto, ou seja, não há outro Ser Real. Toda a Verdade se resume nisto e poderia ser colocado um ponto final aqui. Alguns até ficam nesse ponto! Mas Deus é Todo-Poderoso. Ele pode tudo! Ele pode criar, ou seja, Ele pode “fazer existir o que não existe”. E Deus criou um universo de seres plenamente conscientes de Quem são, de que são o Ser Real, Único! Este universo criado por Deus é Real. É o universo da Consciência de Deus, o universo consciencial. Os seres deste “universo consciencial”, os “seres conscienciais” criaram uma representação divina. Estes “seres conscienciais” assumiram papéis na representação divina e estão representando…

Você é um ser consciencial como Krishna, e a representação divina não altera esta realidade! Todos os seres conscienciais são plenamente conscientes de que são a própria divindade. 

Não há uma nova verdade sendo revelada, pois, o ensinamento compartilhado no Núcleo é uma versão atualizada de uma verdade atemporal.

Por isso compartilho que: Não há sequer uma única nova verdade a ser revelada, nem mesmo uma nova consciência a ser desenvolvida. Nossa Consciência está plenamente desperta e já somos filhos de Deus, criados a Sua imagem e semelhança. O que nos falta é tão somente percebermos esta realidade nos desfazendo dos nossos condicionamentos.

Jesus disse: Conheça a Verdade e a Verdade te libertará.

Krishna disse: "Perceber-Me é verdadeiramente a libertação."

Não é possível “perceber o Ser” com a “mente do personagem”. Esta “percepção” não está na mente, mas, sim, na Consciência! A Consciência está na essência, no “núcleo do Ser” que você É!

“Vá para o Ser, para Krishna!”

Perceba-O, desfrute e compartilhe!

Namastê.


sexta-feira, junho 29, 2018

Onde nos leva o caminho espiritual?

- Núcleo -

"Aquele que Me percebe em toda parte e contempla todas as coisas em Mim nunca Me perde de vista, nem Eu jamais o perco de vista." (Bhagavad Gita VI:27, 29-30)


Divinos Personagens,

Eis um texto bastante “nuclear”!

Quando meus olhos físicos leram o texto acima, que se encontra na página 89 do livro “A Yoga de Jesus” (de Paramahansa Yogananda), imediatamente percebi que este é um texto, uma revelação divina, que deve ser compartilhada, especialmente com os que estão no caminho espiritual.

A propósito, onde nos leva o caminho espiritual? Este caminho nos leva à percepção do sagrado a cada momento da vida. Ele nos torna conscientes da beleza das coisas simples que inundam nossas vidas todos os instantes, como cada movimento que fazemos, cada olhar que lançamos, cada momento que respiramos; a contemplação do silêncio ou dos sons da natureza, enfim, tudo. É uma simples questão de percepção, de nos mantermos conscientes dos “eternos presentes” e da presença de Deus.

Enquanto nos mantemos imersos em nossos pensamentos ou enquanto nos mantemos na expectativa do momento de união com Deus que reservamos para meditar ou orar, nossa atenção não está focada no presente, então não estamos desfrutando o presente e perdemos a benção daquele momento. Por certo devemos reservar um tempo dedicado à meditação e oração, mas que este tempo seja o de exercitarmos e manter nossa atenção no presente e na onipresença. Assim, quando estamos em grupo, compartilhamos com os demais a consciência que temos da benção que é o momento de estarmos reunidos, como familiares, como irmãos, como pais e filhos, como amigos. Estas são oportunidades em que estamos experimentando o amor de Deus em suas infinitas formas. Da mesma forma, enquanto estamos sós podemos desfrutar o amor de Deus em silêncio, em oração, em contemplação ou em meditação, ou seja, ouvindo Deus, falando com Deus, percebendo Deus ou sendo um com Deus!

A percepção de que nossa vida é a oportunidade de estarmos desfrutando o onipresente amor de Deus, enquanto personagens, é a chave de uma vida humana realizadora, aquilo que Jesus revelou ao dizer: "Eu vim para que tenham Vida em abundância". No Núcleo enfatizamos que “crer” é perceber Quem faz. Assim, os que creem, ou seja, os que não apenas acreditam nas palavras de Jesus, mas sim os que tem fé, os que percebem a verdade que elas expressam têm “vida em abundância”. Então, mantenham-se atentos, percebam Quem faz e desfrutem o presente!

Façam isso a cada momento. Não se separem do momento de comunhão com Deus, porque Deus não Se separa de Seus filhos em instante algum. A mensagem de hoje começa com uma citação do Bhagavad Gita e termina com uma citação bíblica, porque os textos sagrados legados à humanidade são revelações divinas, do mesmo Deus único. E a revelação bíblica é esta: “Pois, todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus.” (Rm 8:14)

Escolham estar “casados com Deus”. Mantenham esta união espiritual; não permitam que alguns pensamentos da mente separem aquilo que Deus uniu. Sejam guiados pela percepção da Consciência do Ser que está em cada um, que revela a unidade essencial que existe entre cada presente neste universo e Deus; entre o personagem e o Ser.

Saudações a todos.

quarta-feira, junho 27, 2018

Você não está só

 
- Núcleo -

Quando sentir solidão, dirija-se a Deus com o seguinte pensamento: "Deus é meu Pai, minha Mãe, meu Filho, meu Amigo, meu Espírito protetor. Para quem conhece Deus não existe solidão. Eu descobri o Pai eterno, a Mãe eterna, o Filho eterno, o Amigo eterno, o Espírito protetor eterno. Chamando por Deus, Ele me responde imediatamente. Deus Se manifesta entre os membros de minha família, através de meu pai, minha mãe, meu sogro, minha sogra, meu filho, minha filha, meu neto. E me ama concretamente. Quando alguém de minha família me trata friamente ou duramente, essa atitude é apenas reflexo de minha mente dominada pela ilusão, que não consegue visualizar a perfeição da Imagem Verdadeira de tais pessoas." (Autor: Masaharu Taniguchi)


O pensamento divino acima foi percebido por um "personagem consciente".

Esteja você também consciente de que Deus é Onipresente. Por ser Onipresente está também em você. Reflita sobre estes pensamentos divinos até perceber algo. Quando perceber esse "algo" saberá que é uma mensagem divina especial a você!

Assim que li este pensamento percebi imediatamente que deveria compartilhá-lo. Sei que alguém vai se beneficiar especialmente dele. Estou fazendo a minha parte entregando a você esta mensagem.

No Núcleo o tema abordado foi a necessidade de nos despertarmos das ilusões que a mente cria e que nos condiciona a uma vida limitada por nossas crenças. Inconscientes de que a Deus tudo é possível, vive o ser humano limitado a crer que seus problemas são insolúveis. Assim, vive "dormindo" ou vive "entre os mortos".

Mas, a mensagem da Consciência divina expressa numa passagem bíblica nos revela que temos algo a fazer: Devemos nos despertar desse sono e nos levantar de entre os mortos, nestes termos:

"Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará." (Efésios 5:14)

Também devemos procurar ouvir Deus, que Se manifesta como esta Consciência, a consciência interior que nos revela a "vontade do Senhor". Nós devemos buscar conhecer os pensamentos de Deus, da Consciência do Ser que está em nós, que não são os nossos pensamentos, ou seja, os pensamentos que estão em nossa mente.

"Por esta razão, não vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor." (Efésios 5:17)

Perceba que VOCÊ NÃO ESTÁ SÓ. A divindade é onipresente e está em você! Jesus Cristo já nos revelou a verdade de que: O reino de Deus está dentro de vós.

Mas se continuar usando a mente apenas para julgar as situações, estará diante de problemas de difícil solução. Se, em vez de julgar, procurar direcionar a mente para ouvir a voz da Consciência, então, no tempo certo, conhecerá o pensamento de Deus, a luz a ser revelada por Cristo, que é VIVO, de eternidade a eternidade. E quando o seguimos, Cristo Se revela a nós! E nos dá a Si mesmo! Ele é a vida, a própria vida em abundância.

No Bhagavad Gita, há um belo simbolismo deste direcionamento que devemos dar a nossas vidas, sobre que devemos seguir a voz da Consciência divina em nós e não nos limitarmos a seguir apenas a voz de nossa mente humana. No Gita, Arjuna, o personagem que busca seguir as orientações do Senhor, entrega as rédeas da carruagem da vida ao Senhor, Krishna, o divino eterno condutor, e vence a guerra!

Todo aquele que age como Arjuna, procurando seguir a voz da Consciência e não a voz da mente, no devido tempo poderá fazer a declaração: "Eu venci o mundo"! Mas saberá também que este "Eu" que vence o mundo não é o sentido pessoal do "eu" humano. A ilusão da dualidade concebida por este "eu" humano se esvai, revelando a verdade de que "Eu" e o "Pai" somos "Um" ou: "Eu Sou o Ser Real".

Este é o sentido da verdade expressa por Jesus Cristo: "Eu e o Pai somo Um". Isto só é possível àquele que conhece sua real identidade, de que é o próprio Ser, eterno, não sujeito a nascimento ou morte. Quem conheceu sua real identidade, sabe que a pessoa (o personagem que está representando) de si mesmo nada pode, mas que o Ser Real, é quem realmente faz, quem de fato "vence o mundo".

Por saber sua real identidade Jesus declara: "Antes que Abraão existisse Eu Sou." Jesus sabe que o eu humano, o sentido pessoal de "eu" não tem nenhum poder, mas sim, o "Eu" universal e impessoal. Deus onipresente é a Fonte desse poder, e por isso ele declara: "eu de mim nada posso, o Pai em mim é Quem realiza as obras".

No Núcleo dizemos que o único Ser Real é Deus e que todos os demais seres são personificações ou personagens de Deus. Nem todos os personagens tem consciência de sua identidade e origem divina. E assim vivem "vidas mentais".

São como o filho pródigo, estão distanciados do Pai, mas um dia retornarão à "casa do Pai", ao "núcleo", à percepção de sua origem e filiação divinas. Assim seja.

Saúdo a todos os divinos personagens.


 

segunda-feira, junho 25, 2018

A Percepção transcende o conhecimento mental

-Núcleo -


Divinos personagens,

Consideremos as palavras contidas neste “pensamento do dia”, de Sathya Sai Baba:

“Em termos de espiritualidade, regras e regulamentos em princípio parecem elementares. Mais tarde, eles lhe habilitam a estar consciente de áreas fora do alcance dos sentidos. Com o tempo, você perceberá a experiência da Verdade de todas as verdades, e compreenderá que o Senhor único é imanente em tudo e permeia todo cosmos. Você será preenchido com bem-aventurança quando sua mente estiver fixa nessa fé e nessa consciência. Esse é o verdadeiro conhecimento (Vidya), a culminância do mais elevado processo educacional.”

A percepção da Verdade transcende o mais alto nível de conhecimento, é o real "saber".

A Verdade apenas “é”; ela não pode ser descrita. A Verdade é o Ser, a identidade real de todos os seres e de todas as coisas, o “Eu Sou” de tudo. A Verdade é o que somos; o que "estamos sendo" é apenas uma crença sobre a verdade; A Verdade é o que é, não o que os seres humanos, os personagens do Ser, creem que seja. A Verdade é a própria Vida de Deus, que Vive em todos e em tudo. É algo a ser percebido, não apenas crido.

Voltemos nossa reflexão a este “pensamento do dia”, neste ponto: “Com o tempo você perceberá a experiência da Verdade de todas as verdades, e compreenderá que o Senhor único é imanente em tudo e permeia todo cosmos.” Está escrito que “você perceberá”, e não que “você conhecerá”.

A percepção consciencial transcende o mais elevado conhecimento mental. Perceber consciencialmente é ser aquilo que é percebido, é ter consciência de que o que conhece e o que é conhecido são o mesmo. A Consciência do Ser percebe que Eu Sou o que Sou; não que "Eu sou isto ou que sou aquilo". Aquele que percebe "isto" ou "aquilo", É também o algo percebido. Eu Sou Aquilo! (Soham!)

Perceba: O Ser que percebe em você Sou Eu; e o que está diante de você também Sou Eu. Esta percepção é a Verdade; é a percepção da “imanência da divindade”. “O Senhor único é imanente em tudo e permeia todo cosmos”.

Deixe-se envolver por esta percepção. Então, “você será preenchido com bem-aventurança quando sua mente estiver fixa nessa fé e nessa consciência.”

A verdadeira educação deve proporcionar ao educando esse “conhecimento de si mesmo”, essa "percepção": “Esse é o verdadeiro conhecimento (Vidya), a culminância do mais elevado processo educacional.”

Que profundo este “pensamento do dia”!

O que sentem a respeito?

Saudações a todos.



quinta-feira, junho 21, 2018

"Buscar-Me-eis, e Me encontrareis..."

 - Núcleo - 


Divinos personagens!

Permitam-me compartilhar percepções advindas destas palavras divinas:

"E então Me invocareis, e ireis, e passareis a orar a Mim, e Eu vos ouvirei. Buscar-Me-eis, e Me encontrareis quando Me buscardes de todo o vosso coração. Serei achado de vós, diz o SENHOR, e farei mudar a vossa sorte." (Jr. 29: 12-14)

Quando o homem (a mente humana) ora a Deus (a Consciência do Ser) ativa-se a “percepção” de que apenas Deus, a Consciência do Ser, é real. A oração correta é aquela que conduz o homem à percepção de que Deus é a única verdade; Ele é a “realidade do Ser”. Enquanto nos identificamos como “seres humanos” estamos inconscientes de nossa “filiação divina”. Para sabermos quem realmente somos devemos orar a Deus, sem cessar. Deus é onipresente e pode nos ouvir em qualquer situação. Não é preciso estarmos inativos para estarmos orando, em plena comunhão com Deus. As atividades físicas e mentais não excluem a possibilidade de estarmos “despertos para a realidade divina”, conscientes de que Deus é presença constante em nossas vidas; de que existimos, vivemos e nos movemos em Deus, pois Ele é a verdade, nós somos o que imaginamos estar sendo.

O “mergulho em Deus”, a imersão na realidade divina de nossa existência é realizada pela oração, uma atitude de entrega absoluta de nossas vidas a Deus, com a certeza, a confiança inabalável de que Deus sabe o que faz!

Assim, para “encontrarmos” Deus, para percebermos a presença de Deus em nossas vidas, devemos “buscar a Deus de todo o nosso coração”; Ao invés de nos preocuparmos com nossas vidas, com o que haveremos de vestir ou de comer, devemos passar a orar sem cessar, a invocar Deus, até sermos “achados do Senhor”! Sim, há um momento sublime em que Deus se revela a nós na oração, e em que todos os pensamentos cessam. É um momento de pura percepção, no qual desvela-se a realidade de que Deus é o único Ser Real, a única Consciência, na qual há plena perfeição.

No evangelho de João há uma revelação: “No início era o Verbo; o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”. Ainda é assim! O Verbo continua sendo Deus. O Verbo é a “consciência divina”! Jesus estava consciente de sua “identidade divina”. Assim, além de se identificar como sendo o “filho do homem” ele também se identificava como sendo “filho de Deus”. Humanamente todos somos filhos do homem, e todos os filhos do homem que estão conscientes de sua identidade espiritual são “filhos de Deus”.

Para nos tornarmos conscientes de que somos “filhos de Deus” devemos “nascer novamente”. Não se trata de um novo nascimento físico, mas, de um nascimento espiritual, pois, “todo aquele que nasce da carne é carne, mas o que nasce do Espírito é Espírito”. Nesse “novo nascimento” nossa vida já não é a vida do personagem, da pessoa que estamos sendo, mas sim, a Vida de Deus que está Se expressando através de nós e como nós. A partir desse “novo nascimento”, espiritual, nos tornamos conscientes de que não somos nós que vivemos, mas sim, Cristo é quem vive em nós! Cristo é o Verbo, a “consciência divina” em nós. Ninguém chega a Deus senão através desse “nascimento”, que revela essa “consciência divina”. Nascendo em espírito nos tornamos conscientes dessa “filiação divina”, de que somos a “imagem e semelhança” de Deus, e temos a Vida eterna.

Desperte a percepção da “consciência divina”, a percepção consciencial. Observe essas instruções e perceba como se trata de uma real revelação:

“E então Me invocareis, e ireis, e passareis a orar a Mim, ..."
Então, Invoque a Deus, vá em frente e passe a orar!

“e Eu vos ouvirei.”
Sim, Deus é real! Esta “consciência divina” em você é real, e te ouvirá!

“Buscar-Me-eis, e Me encontrareis quando Me buscardes de todo o vosso coração.”
Veja! É uma promessa divina, de que Ele será encontrado quando orares !

“Serei achado de vós, diz o SENHOR”
A vitória é certa! O próprio Senhor o confirma! Nada mais é necessário!

“e farei mudar a vossa sorte."
A quem chegou até aqui, e percebe “a revelação”, a sorte já está mudada!

Estarmos unido a Deus é nos mantermos despertos consciencialmente. Sejamos "fiéis" a essa nova e eterna aliança "não feita por mãos humanas".

Que o homem (a percepção mental humana) não separe o que Deus (a Consciência do Ser) uniu. Esta separação ocorre no exato momento em que ativamos a percepção mental e "julgamos". Julgar significa valorar mentalmente algo como bom ou mau, certo ou errado. Apenas desfrutemos o universo de Deus onde realmente habitamos.

Estarmos "casados" ou "em união com o divino" é estarmos conscientes de que vivemos num universo espiritual, puramente consciencial, no qual a atividade de Deus pode ser percebida em cada movimento, em cada acontecimento, em cada momento e em todas as formas. Nossa real identidade é a de Filhos do Altíssimo. Mantenhamo-nos nesta percepção, nesse estado consciente de eterna união com o divino! Esse é o casamento espiritual da aparência (o personagem que estamos sendo) com a essência ( o Ser que realmente somos).

Mantenhamo-nos todos na Presença, sempre fiéis à nossa "aliança com Deus"!

Saudações e que a paz seja com todos!