"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

quarta-feira, julho 23, 2014

A natureza impessoal da Verdade e da Ilusão

DEUS, A SUBSTÂNCIA DE TODA A FORMA
(Joel S. Goldsmith)

- Capítulo 8 -

A NATUREZA IMPESSOAL DA VERDADE E DA ILUSÃO

As escrituras hebraicas profetizavam que o Cristo seria crucificado. Como alguém poderia predizer a crucifixão de um homem dois mil anos antes daquilo acontecer? Não se conhece uma boa razão que explique tal evento; porém, esta profecia é encontrada nas escrituras hebraicas. Qual é o sentido dela? O primeiro, e o mais importante ponto a ser compreendido, é que esta profecia não se refere a um homem em particular, mas sim à crucifixão do Cristo, à crucifixão da Verdade.

Os hebreus sabiam, de amarga experiência, que a Verdade seria sempre crucificada quando aparecesse ao pensamento mortal. A Verdade nunca foi nem nunca será aceita pelo pensamento mortal. Onde quer que apareça, fará surgir a rejeição eclesiástica: “Isto não é ortodoxo; não está de acordo com o nosso ensinamento, não pode ser verdadeiro”. E a própria análise eclesiástica irá bradar: “Crucifique-o”; desse modo, seguramente poderia ser profetizado, com cem anos ou com dois mil anos de antecedência, que o Cristo seria crucificado, pois, onde quer que toque o pensamento mortal, o Cristo é vítima de crucificação.

O Cristo é a manifestação de Deus; portanto, o Cristo não é um homem. Para os seguidores do Hinduísmo, Krishna ocupa uma posição similar à de Jesus no mundo cristão. Há, inclusive, os que consideram Krishna apenas como homem, embora tivesse existido um homem chamado Krishna que deu ao mundo um ensinamento espiritual da mesma forma com que um homem chamado Jesus deu ao mundo o ensinamento do Cristo. O ensinamento de Krishna foi apresentado ao mundo muitos mil anos antes do advento de Jesus, e, no entanto, somente Jesus veio sendo identificado como o Cristo, enquanto Krishna foi considerado como um ser físico. Tanto Krishna quanto Cristo tem o mesmo significado: a presença de Deus feito manifesto – o Verbo feito carne.

O pensamento mortal irá sempre crucificar a Verdade; assim, quando surge um indivíduo com esta visão da Verdade, com esta visão do Cristo, e que com Ele se identifica, pode-se saber que o caminho de sua crucifixão estará sendo preparado. Provavelmente ninguém captou a visão da Unidade tão claramente como Jesus; e, como ele se identificava com ela, a igreja da época achou que, com sua crucificação, se livraria da confusa Verdade que ele ensinava.

Eu não considero a crucificação ou as perseguições aos santos e místicos como acontecimentos necessários ao mundo. O ensinamento comumente aceito hoje, pelas igrejas ortodoxas, é o de que Jesus teve de morrer para que fôssemos salvos; entretanto, isso não passa de adaptação do antigo ensinamento dos hebreus, que considerava o sacrifício de animais inocentes como algo exigido por Deus. Tal ensinamento faz de Deus um tirano. Dessa forma, não sinto hoje que a crucificação ou perseguição façam parte de um plano de salvação do mundo; antes, pelo contrário, penso que aquilo ocorreu para as pessoas que equivocadamente se identificaram como um salvador pessoal, mais do que com o fato de ser, o ensinamento da Verdade, uma manifestação de que Deus, e de ser, cada mestre, somente uma transparência pela qual o como a qual ela estaria aparecendo.

Jesus veio ensinando: “Eu e o Pai somos um”… "Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma”… “o Pai, que está em mim, é quem faz as obras”…. "Por que me chamas bom? Não há bom senão um só, que é Deus”. Os Mestres que personalizarem a Verdade, sentindo-se os responsáveis pela mensagem, sempre sofrerão o peso das perseguições do mundo. O erro deles está na própria colocação como sendo profetas com uma mensagem pessoal. Jesus foi bem claro nesse ponto, ao declarar: “A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou”. Porém, apesar desta declaração tão clara do próprio Mestre, muitos não a interpretaram corretamente.


A UNIVERSALIDADE DA VERDADE

A Verdade é. A Verdade de toda mensagem sempre existiu e continuará existindo até a eternidade. Quando os Mestres captam um vislumbre espiritual dela, o que podem fazer é se tornarem uma transparência para que esta Verdade apareça no mundo. De fato, o mundo irá sempre querer se livrar dessa Verdade – querer crucificá-la – mas enquanto os mestres não identificarem a Verdade de suas mensagens como algo pessoal, enquanto não se colocarem como salvadores pessoais, não serão crucificados. Se a mensagem for verdadeira, o pensamento mortal desejará destruí-la, mas não destruirá a mensagem; tentará destruir a pessoa que tenha cometido o erro de acreditar que a Verdade tenha, de algum modo, alguma relação humanamente pessoal com ele.

Sejamos gratos por isso: a Verdade é santa e sagrada; a Verdade é onipresente e em todos os períodos da história do mundo surgirão aqueles que repetirão esta mensagem novamente. Ela nunca tem sua origem numa pessoa. A mensagem que Jesus ensinou é mais antiga que o próprio tempo... Nem é nova nem é original, sendo uma repetição daquilo que tem vindo através das épocas. De tempos em tempos ela chega a nós novamente. Jesus apresentou esta mesma Verdade universal numa linguagem compreensível e aceitável para o mundo ocidental, e é este o valor de seu ensinamento para nós.

Um indivíduo iluminado consegue transmitir a Verdade aos seus discípulos ou alunos imediatos, e por algum tempo ela começa a crescer e ser divulgada; mas, gradativamente, ela começa a perder sua força e significado original. Torna-se uma forma, um credo ou um sistema, pois alguém a organiza e isto selará o seu fim. A Verdade não pode sobreviver numa organização, pois, em todas elas existe uma cabeça, e no momento em que houver uma cabeça, deverá haver alguém à mão direita e alguém à mão esquerda. Daí começará a competição e o surgimento da confusão – dissensão e contenda. O indivíduo que captou a visão espiritual, aquele que redescobriu a Verdade universal, dá a ela a mais clara linguagem disponível no momento. Mas a interpretação daqueles que vêm depois é baseada nas suas diversas bagagens educacionais e regionais, com cada um entendendo a Verdade de uma forma inteiramente diferente. O resultado disso será que, após duas ou três gerações, ninguém mais concordará com o que era ou é o ensinamento.


A ILUMINAÇÃO DE GAUTAMA

Para alguns de vocês, a estória de Buda é uma antiga e bem conhecida estória. Mas, mesmo sendo já conhecida, ela parecerá sempre nova devido à sua beleza. Gautama era filho de um rei grandioso e rico e, conforme os registros sagrados, nasceu de uma virgem. Na noite de seu nascimento, uma estrela apareceu no firmamento, acompanhada de misteriosos sinais no céu.

O pai, reconhecendo o caráter e a natureza espiritual de seu filho, bem como a responsabilidade que logo cairia sobre seus ombros, cuidou para que Gautama fosse preparado para a posição que viria a ocupar. Assim, quando o jovem cresceu, possuía bastante instrução, sabedoria, e um corpo físico perfeitamente desenvolvido. Durante todo esse tempo, ele havia sido cuidadosamente resguardado do mundo exterior. Nunca tinha ido além do domínio extensivo do estado do pai, e, portanto, nada sabia de pecado, doença, pobreza e morte.

Já crescido, foi preciso que ele saísse desse reino de proteção para assumir as funções de príncipe. Uma parada foi planejada, porém o mestre de cerimônias não seguiu a rigor as instruções. A marcha havia sido planejada de forma que o jovem Gautama não pudesse ver nada que lhe chamasse a atenção para as coisas existentes no mundo. Mas, infelizmente, nesta viagem ele viu um homem sentado numa sarjeta pedindo esmolas. Quando quis saber o significado daquilo, explicaram a ele: “É porque ele é um mendigo, um homem pobre; este é seu único jeito de conseguir alimento”. Gautama ficou atônito com o fato de existir uma anomalia como um homem pobre no rico reino de seu pai. Sua preocupação aumentou quando soube da existência de muitos outros mais pobres que nada tinham para comer ou vestir. Em seu coração o jovem pensava em quão terrível era aquilo! A marcha prosseguiu e a cena seguinte mostrava um homem doente. Novamente Gautama perguntou sobre o que estava vendo, e explicaram a ele que o homem estava sofrendo por causa de uma doença. O jovem Gautama, olhando para o seu próprio corpo, respondeu: “Como pode ser isso? No corpo há somente força e vitalidade!” Mas lhe disseram que a maioria das pessoas sofria de um tipo qualquer de doença, e ele novamente pensou: “Que coisa terrível!”

O que foi testemunhado por Gautama, em seguida, foi a morte. Quando foi dito a ele que as pessoas todas morrem, que existia essa coisa chamada morte, ele ficou profundamente abalado. Para ele, aquilo parecia ser inacreditável.

À noite, voltando ao palácio, ele ainda sentido e confuso, ponderava profundamente sobre tudo que havia observado. E então, nasceu em sua consciência a ideia de que a pobreza, a doença e a morte não eram coisas certas, que deveria existir algum princípio capaz de eliminá-las e que caberia a ele procurar aquele princípio, aquela lei.

Gautama tinha uma esposa e uma criança; mas, no meio da noite, beijou sua família com um adeus, deixando-a e abandonando sua riqueza e seu palácio, para vestir uma roupa de mendigo e dar início à sua jornada no caminho religioso com o objetivo de encontrar a lei ou princípio que eliminasse o pecado, a doença, a morte, as carências e limitações da terra. Ele não saiu para ser um curador; ele não saiu para curar esta ou aquela pessoa; seu objetivo único era encontrar um PRINCÍPIO que pusesse fim ao pecado, à doença, à morte e às limitações terrenas. Persistiu nesta busca durante vinte e um anos de dificuldades e tentativas. Passou por todos os tipos de formas religiosas; estudou com muitos mestres e instrutores religiosos, mas nenhum deles pôde levá-lo ao princípio que buscava.

Finalmente um dia, após ter ele abandonado todos os mestres e ensinamentos religiosos, e decidido a buscar a Verdade por si, ele chegou à árvore Bodhi, a árvore do conhecimento, a árvore da sabedoria, e ali ele sentou-se e começou a meditar. Sua meditação durou um longo, longo tempo, mas, ao término daquele tempo, ele havia alcançado a iluminação total, e com ela veio-lhe esta grande sabedoria: “Não existe pecado, doença, morte nem limitação – aquilo tudo é ilusão.”

Este é o princípio que nos chegou muito antes de Buda, e que veio a ser por ele restabelecido: o princípio de que não somos curadores de pecado, doença ou morte, pois, inexistem o pecado, a doença e a morte: tudo que aparece como um mundo objetivo é um conceito de mundo, uma ilusão. Toda experiência humana conhecida através do testemunho dos sentidos é um mito, uma ilusão. Nosso falso conceito do universo constitui a ilusão.

Depois da partida de Buda, seus discípulos fizeram excelente trabalho de cura através de sua revelação. Entretanto, cerca de cinquenta anos mais tarde, eles a organizaram e começaram a introduzir formas cerimoniais – hinos, preces, e todos os demais rituais. O poder de cura foi perdido e o ensinamento de Buda foi dividido em correntes; e assim é que hoje há muitas e muitas seitas, todas elas cercadas de formas, preces, mantras – de tudo, menos da Verdade original, dada através da iluminação de Buda, de que todo erro é ilusão.


“O MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO”

No cumprimento de sua missão na terra, Jesus ensinou a mesma mensagem, de forma idêntica: “O meu reino não é deste mundo”. Em outras palavras, o reino da realidade não é “deste” mundo (fenomênico/físico/material). Este mundo é feito daquilo que não tem existência real. É feito de pecado, doença, morte, falta e limitação; é feito de um falso conceito de vida, um senso de separatividade de Deus.

Quando Pilatos disse ao Mestre: “Não sabes que tenho poder para te crucificar e tenho poder para te soltar?” Jesus respondeu-lhe: “Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado” (João 19:11). Em outras palavras: aparte do Pai não existe poder algum. E o que disse ele a todos os doentes? Ao coxo, ao enfermo? “Levanta-te, toma a tua cama, e anda”. …“Estenda a tua mão”. …“Ela não está morta, mas dorme”. Ele poderia ter dito: “Estas coisas são ilusão; não podem prendê-lo. Não existe outro poder além de Deus”. Jesus não empregava qualquer tratamento mágico diante daqueles sofrimentos, mas um simples “Levanta-te, toma a tua cama e anda.” …“Sê limpo”. …“Lázaro, vem para fora”. Para ele, todo erro era ilusão.

Assim, também este ensinamento, como tem se mostrado nestes textos, diz que todo testemunho dos sentidos é pura crença; não é lei. Se está estabelecido na terminologia de Buda que todo pecado, doença ou morte é ilusão – maya –, ou se está nas palavras mais frequentemente usadas em O Caminho Infinito, de que tudo aquilo que vemos, ouvimos, provamos, tocamos ou cheiramos não é realidade, mas que consiste de conceitos mortais, o mais importante não está no palavreado em si. O que realmente importa é a mensagem – aquela antiga mensagem da realidade de Deus e da irrealidade do testemunho dos sentidos.


AS CRENÇAS UNIVERSAIS DECORREM DO SENSO DE SEPARAÇÃO DE DEUS

As perguntas frequentemente são do tipo: “Como pode tudo isso ter começado?”. Nas Escrituras encontramos duas estórias que falam sobre como tudo começou, mas elas não dizem, ao menos para os não-iniciados, o que tornou possível ter este começo. A primeira delas é a de Adão e Eva.

Adão estava no Jardim do Éden. Estava lá completamente só e, naquela solidão, podia dizer com substância: “Eu e o Pai somos um, e esta unidade constitui a minha plenitude, a harmonia e a totalidade do meu ser. Nada pode ser-me acrescentado e nada pode ser-me tirado. Tudo que é do Pai é meu porque eu e o Pai somos um, e este Um está no paraíso, em harmonia”.

A despeito de Adão estar no Éden, ou paraíso, conforme a estória, ele se sentia só, com falta de uma companhia. Estando no Éden, no paraíso ou na harmonia, ele possuía compreensão suficiente para saber que não poderia conseguir nada separado dele mesmo. Assim está registrado que Eva foi formada do seu interior, de uma de suas costelas. Observe que Eva não foi uma experiência externa a Adão. Não se esqueça disso. Eva foi tirada da costela de Adão, do interior de Adão, da costela da compreensão, do sólido conhecimento ou compreensão de Adão. Foi uma experiência inteiramente interna, e ela apareceu a ele não subjetivamente, mas objetivamente como Eva.

Ao ler o conto cuidadosamente, verá que mesmo quando os dois existiam, um Adão e uma Eva, eles continuavam no Éden, pois Adão e Eva ainda estavam unos com Deus. Porém, o desejo passou a fazer parte do quadro, e foi quando a confusão começou. O desejo, não fazendo parte da unidade ou da plenitude, nos separaria da infinitude de nosso ser assim que, em vez de extrairmos do interior, começássemos a pensar em extrair do exterior; começássemos a pensar na criação externa muito mais do que na interna, ou na obtenção interior. No caso de Adão e Eva, a obtenção começou a ser no exterior, com a criação de Caim e Abel, quando foi desenvolvido um senso de separatividade, um senso de estar apartado da infinita fonte do Ser, da totalidade e plenitude do Ser.

Com aquele senso de separação, nascido da crença no bem e no mal, surgiu um conceito de universo objetivo, que poderia prover o bem do lado de fora. Este senso de separação é o pecado original referido nas Escrituras, e é também o que deu origem a todos os pecados, doenças e pobreza da existência mortal.

Um conto similar de separatividade é o da parábola do filho pródigo. Aqui, novamente, encontramos o Pai uno com o filho, com tudo que é do Pai pertencendo a ele, enquanto aquela unidade perdurar. Mas, como no caso de Adão e Eva, também o filho pródigo teve o anseio de querer algo fora da infinitude do Todo, buscando uma independência com a consequente separatividade. O filho pródigo colocou-se como entidade separada, uma entidade separada e apartada de seu pai, não mais buscando no interior da família de seu pai – na infinitude do seu próprio ser espiritual – mas pretendendo buscar no exterior. Naturalmente, todos sabemos como terminou aquela intenção: no chiqueiro. Sua plenitude não pôde ser encontrada, até que ele retornasse à casa do Pai – até que novamente se tornasse consciente de sua unidade com o Pai e estivesse desejoso de saber que já possuía tudo, uma vez que tudo que pertencesse ao Pai era dele.

Desses dois claros exemplos, que nos são dados pelas Escrituras, podemos notar que o desencadeamento da existência mortal teve, como início, aquele mesmo clamor universal ou crença numa entidade ou egoidade separada ou apartada de Deus, e irá permanecer em nossa experiência até que retornemos ao Pai-consciência, reconhecendo que tudo que é do Pai é nosso. Somente então veremos que todo bem deve vir do interior, e que nossa unidade com Deus constitui nossa unidade com todo ser e coisas espirituais. Deus, sendo imortal e eterno, é também a imortalidade e eternidade do filho. Estes dois exemplos bíblicos servirão para trazer à nossa lembrança consciente o caminho espiritual que nos conduzirá, por fim, à vitória sobre o pecado, a doença e a morte.


LIDANDO COM AS CRENÇAS UNIVERSAIS

É verdade que temos, a todo momento, crenças universais a nos martelarem: a crença universal de idade, a crença universal de micróbios, a crença universal de morte. Porém, elas nos vêm aos pensamentos como crenças, sujeitas à nossa aceitação ou rejeição. Quem desconhece este estudo da Verdade desconhece esta escolha, e se torna vítima das crenças universais, vivendo à mercê delas sem que nada saiba ou possa fazer. Mas quem estuda a Verdade está sempre no controle; pode aceitar ou rejeitar as crenças universais, pensamentos ou sugestões que lhe vêm, podendo inclusive lidar com elas antes mesmo que surjam. Toda aparência como pecado, doença, falta ou limitação vem à nossa consciência como crenças ou sugestões, e nós podemos aceitá-las ou não, dependendo unicamente de nós mesmos.

Isso não quer dizer que se apenas dissermos: “Eu não gostei de você! Saia!”, bastará para darmos fim à crença. Não é assim tão simples! Deverá ser objeto de convicção, de uma real compreensão de que o Eu, a Consciência, governa, e controla este corpo, e que o corpo não pode receber ou se mostrar sensível às crenças do mundo. Deverá estar bem claro que existe somente um Poder, somente uma Causa: todo poder está na Causa e não há nenhum poder no efeito.

Deixe bem claro, em seu pensamento, que este senso de corpo, isto é, este conceito a que chamamos de corpo físico, não é, de si mesmo, uma entidade consciente. Assemelha-se a um carro nosso, um veículo em que viajamos e que segue na direção que nós determinamos. Este corpo também segue na direção em que determinarmos. Ninguém poderá fazer com que nosso corpo realize algo. Nós, nós próprios, governamos e controlamos sua ação.

Como já repeti várias vezes, este não é trabalho destinado a homem preguiçoso. É um trabalho que requer esforço constante e consciente. Seguir o caminho espiritual não é permanecer sentado deixando que um Deus misterioso faça algum favor especial. Nossa vida é determinada pela nossa própria consciência, pelo nosso próprio conhecimento da Verdade do ser, e pelo desejo nosso de rejeitar, tão rápido quanto nos venham, as sugestões deste miasma mental chamado “mente humana”, “mente carnal” ou “mente humana universal”.

Ao falarmos sobre o aspecto mais esotérico ou espiritual deste mundo, vemo-nos na possibilidade de realmente “caminhar nas nuvens”; porém, quando descemos à aplicação prática em nossa experiência, será preciso sairmos um pouco das nuvens para compreendermos a natureza daquilo com que estamos lidando. Em nossa existência “neste mundo”, estamos lidando com crenças universais. Elas são mais antigas do que o tempo, a começar da crença de que nós nascemos, e que vai direto à crença de que morremos. Certamente, em algum período de nossa experiência, precisamos despertar conscientemente para esse fato e darmos início à rejeição destas crenças do mundo.

Cont...

segunda-feira, julho 21, 2014

Comentando o capítulo 7

Gugu

Os ensinamentos iluminados afirmam que a morte pode ser superada. Obviamente isso não quer dizer que o homem vá viver para sempre como um corpo físico. O corpo físico é uma existência dual (conceito) e está fadado a desaparecer pelo simples fato de ter um dia surgido. Os fenômenos "surgir" e "desaparecer" representam polaridades opostas do universo dualístico. Tudo o que surge, desaparece. A imortalidade não diz respeito ao corpo, e sim à existência espiritual do homem. Espiritualmente o ser humano existe sem jamais ter nascido ou morrido - ele é sempre, de eternidade a eternidade. Quando o homem perde o falso conceito do corpo e conscientiza a sua natureza verdadeira, que é Espírito, a imortalidade é obtida. Todavia, o falso sentido que fazemos do corpo somente pode ser descartado com a conscientização da verdade sobre ele, e isso requer treinamento de percepção (meditação). Sem prática constante da meditação, o indivíduo não chega a ir longe neste caminho.

Há uma espécie de "mente" criando e projetando o universo conceitual. Nos ensinamentos metafísicos, tal mente é chamada de "mente carnal", "mente mortal", "mente ilusória", "crença coletiva" ou "crença universal". Ninguém é responsável pelo aparecimento do universo ilusório, ele é produto de uma mente impessoal (que não é de ninguém) e ilusória que se vê separada de Deus. Essa mente não proveio de Deus e não possui vínculo com nada e ninguém - é como uma "onda de rádio" ou "nuvem" que paira no meio do simples "nada". Não está realmente aqui, mas se apresenta como se estivesse. E, justamente por surgir do "nada" é que tal mente pode ser compelida a retornar ao seu "nada" originário. Quando a mente ilusória retorna ao nada, a existência verdadeira criada por Deus (que sempre esteve aqui, encoberta pela falsa presença da mente impostora) se revela como existência-sempre-presente. Esse é o fundamento da cura praticada e ensinada por Joel Goldsmith.

A humanidade acredita que morte, doenças, misérias, discórdias, e toda espécie de sofrimentos são frutos de carmas negativos acumulados (pecados). Acredita, portanto, que o homem é o responsável pelas experiências boas ou ruins por que passa na vida. A pessoa que passa por infortúnios ou doenças está "compensando" uma dívida contraída no passado. A humanidade carrega em seu inconsciente coletivo a ideia de que um pecado ou culpa somente podem desaparecer se o indivíduo pagar um preço justo. E a moeda exigida para expiar a culpa e o pecado é a punição. "Eu pequei, agora tenho que sofrer de alguma forma para poder compensar e me livrar deste pecado" ou "Aquela pessoa cometeu este e aquele ato, agora deverá ser punida para compensar o mal que fez" - essa é a ideia que está incutida na mente coletiva da humanidade. Essa é a justiça humana. E, como parte integrante da humanidade, cada indivíduo carrega em alguma medida essa ideia na mente.

Goldsmith diz que o homem não é o responsável por seus pecados. Toda situação de doença, dor, miséria, discórdia,  escassez e sofrimento têm sua origem na "crença universal" que cria e projeta o universo ilusório, e não no ser humano em si. É a crença universal (que não possui relação alguma com qualquer ser em absoluto) que faz aparecer uma situação de doença, miséria ou sofrimento. Ao ensinar a cura espiritual, Goldsmith diz que o primeiro passo para nos livrarmos da ilusão/culpa/pecado é conscientizar que o problema em questão não está de maneira alguma associado a uma pessoa, coisa ou fato, e isolá-lo. Toda situação de pecado é fruto da mente universal (que não é de ninguém). Isso é chamado de "princípio da impersonalização". Após a impersonalização, passamos ao "princípio da nadificação". A situação deverá ser "nadificada", ou seja, o indivíduo deve conscientizar que tanto a crença universal (geradora da situação) quanto a situação em si têm a sua natureza/origem no nada. Com esses dois passos, a aparência de pecado desaparece. Por exemplo: suponhamos que alguém tivesse o seu carro roubado. Ao realizar a cura espiritual, o praticista deverá imediatamente livrar-se da tentação de pensar que "meu carro foi roubado por alguém", pois tal situação foi gerada pela mente carnal, e não pela vontade de uma pessoa. No mundo criado por Deus não existem pessoas cometendo atos tais como roubos, pois todos são filhos de Deus, todos os seres são inocentes. Não há ninguém que seja pecador ou culpado. Assim, o suposto "ladrão" deverá ser isolado da situação em si (roubo do carro), pois o "ladrão" é na verdade o Cristo, o Filho de Deus perfeito, e todo Fiho de Deus age com a consciência de ser filho de Deus. Este é o passo da impersonalização. A seguir, o praticista deve conscientizar que, já que não existe ninguém cometendo roubos, a situação em questão somente pode ser uma imagem/quadro/cenário/filme projetado pela mente carnal, a qual é o nada. Se, por natureza, a mente carnal é o nada, o problema que advém dela também é "nada" - jamais aconteceu! Se, com esses dois passos, o indivíduo conseguir expulsar de sua consciência a crença universal que dizia que "o carro foi roubado", é bem provável o universo conceitual passe a apresentar uma sequência de imagens em que o carro perdido torne a aparecer.

Da mesma forma, as imagens de "nascimentos" e "mortes" que são mostradas no universo conceitual são frutos da crença universal, e não da Consciência ou Mente Divina. Por isso, Goldsmith recomenda que em nossas meditações diárias devemos conscientizar a imortalidade aqui e agora - a imortalidade deste corpo e deste universo - para que possamos descartar o falso sentido que, influenciados pela crença universal, fazemos do corpo e do universo.

Ademais, Goldsmith explica que nada dentro do universo conceitual possui vida, inteligência, força, vontade ou poder por si mesmo. Isso porque o universo conceitual não é universo, mas apenas um conceito do Universo. E tudo o que existe, existe no Universo. Assim, a vida, inteligência, força, vontade e poder estão no Universo (Deus) e não nas coisas do universo das aparências. É por isso que Goldsmith afirma que o corpo físico não possui inteligência, não pode se mover - ele é apenas como uma sombra refletindo o nosso estado de consciência. O corpo que se move é o corpo real que existe no Universo. E quem move o corpo é o homem real, o qual, novamente, existe no Universo. É somente no Espírito que tudo existe e acontece. "Em Deus vivemos, nos movemos e temos o nosso ser" (Atos 17: 28). Devemos nos erguer nossa consciência acima da crença de que a vida está no corpo e que o corpo controla a vida. Este é o fundamento que, se plenamente conscientizado, nos faz vencer a morte, o último inimigo. Goldsmith afirma: "O passo inicial para vencermos a morte está na conscientização de que o corpo não possui qualquer inteligência pela qual possa viver ou morrer. O corpo não tem inteligência para apanhar um resfriado, e para conseguirmos um resfriado para ele precisamos permitir a atividade da mente carnal aceitando as crenças do pensamento humano; e teremos de agir do mesmo modo para contrair para o corpo doenças de qualquer natureza. A doença humana nunca é contraída pelo corpo ou através dele. O corpo não possui inteligência: ele não pode se mover; é inerte; e, como uma sombra, reflete nosso próprio estado de consciência. Toda doença, portanto, que pareça ser do corpo é contraída através da atividade da mente humana pela sua aceitação das crenças universais. O primeiro ponto então para que a morte seja vencida é superar a crença de que o corpo tem, por si, capacidade de viver ou morrer, e conscientizar que o corpo tem somente a capacidade de refletir ou expressar a atividade de nosso próprio estado de consciência.".

Note que os ensinamentos do Caminho Infinito dizem respeito a vivermos a vida material a partir de um nível ou estado superior de consciência. Ao caminharmos com o nosso corpo físico [conceito], devemos estar cientes de que não é o corpo físico que está caminhando, mas somente o corpo real pode caminhar. Este é um exemplo bem pequeno e simples, mas através do qual podemos começar a treinar os princípios da cura espiritual, para posteriormente transpô-los para outros aspectos maiores da vida. "O ponto importante é em que nível de consciência estamos vivendo. Estamos nós vivendo de forma tal que, seja qual for o local ou plano de existência, dominamos os obstáculos da mortalidade e da materialidade? O grau de nossa conscientização de que esta divina Consciência nos governa é o grau com que nós 'vencemos o mundo'; dentro de cada um de nós estou Eu, e Eu sou o poder que rege toda a nossa experiência."

Por isso, medite! Contemple:

"Este corpo não é um poder sobre mim. Eu sou a vida, a mente, a inteligência e o poder que governam este corpo. Não eu, um ser humano, mas Eu, a divina consciência do Ser, dirijo este corpo, este negócio, este lar, este ensinamento e este algo mais dentro da faixa da minha consciência."

Namastê!

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sexta-feira, julho 18, 2014

O último inimigo

DEUS, A SUBSTÂNCIA DE TODA A FORMA
(Joel S. Goldsmith)

- Capítulo 7 -

O ÚLTIMO INIMIGO

Todos têm interesse no assunto da imortalidade – imortalidade aqui e agora, neste corpo, e não uma imortalidade a ser alcançada após a morte. É neste próprio corpo que podemos experienciar a imortalidade: neste próprio corpo que ora utilizamos como instrumento. Não iremos perder nosso corpo, mas perderemos o nosso falso conceito do corpo pela conscientização de sua natureza verdadeira.

Com a perda do sentido de doença, acidente e velhice, e com a conscientização do corpo perfeito não ocorre a perda do corpo: ocorre apenas a perda do falso conceito do corpo e a conscientização de sua natureza verdadeira. Do mesmo modo, experienciar a imortalidade aqui e agora não acarreta a perda do corpo, mas apenas na perda do falso sentido do corpo. Em nossa meditação diária vamos assim conscientizar a imortalidade aqui e agora – a imortalidade deste corpo e deste universo – para que possamos descartar o falso sentido que o mundo faz do corpo e do universo.

"Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte" (I Coríntios 15: 26). Para muitos, isto pode parecer bastante desencorajador. Mas, de uma coisa podemos estar certos, seja ou não este o último inimigo a ser aniquilado: ele não será vencido enquanto nós não começarmos a vencê-lo, enquanto nós não tomarmos alguma atitude em relação a ele. Passar de ano em ano somente repetindo: "Bem, a morte será o último inimigo a ser vencido", não fará com que ela seja adiada. Se desejamos adiar a morte e finalmente vencê-la, devemos começar agora mesmo.

O que é a morte? A morte parece ser um cessar momentâneo da consciência. Mas a consciência não pode permanecer ou estar em estado inconsciente. De fato, a consciência nunca pode se tornar totalmente inconsciente. O que chamamos de morte não passa de um lapso aparente de profunda inconsciência, do qual nos tornamos conscientes novamente, de forma similar àquela que ocorre quando dormimos.


O CORPO EXPRESSA A ATIVIDADE DA CONSCIÊNCIA

O passo inicial para vencermos a morte está na conscientização de que o corpo não possui qualquer inteligência pela qual possa viver ou morrer. O corpo não tem inteligência para apanhar um resfriado, e para conseguirmos um resfriado para ele precisamos permitir a atividade da mente carnal aceitando as crenças do pensamento humano; e teremos de agir do mesmo modo para contrair para o corpo doenças de qualquer natureza. A doença humana nunca é contraída pelo corpo ou através dele. O corpo não possui inteligência: ele não pode se mover; é inerte; e, como uma sombra, reflete nosso próprio estado de consciência. Toda doença, portanto, que pareça ser do corpo é contraída através da atividade da mente humana pela sua aceitação das crenças universais. O primeiro ponto então para que a morte seja vencida é superar a crença de que o corpo tem, por si, capacidade de viver ou morrer, e conscientizar que o corpo tem somente a capacidade de refletir ou expressar a atividade de nosso próprio estado de consciência.

Quando nós aceitamos na consciência o pensamento ou crença de morte, é que o corpo sucumbe a ela. Tem sido dito, repetidas e repetidas vezes, tanto pelos metafísicos como pelos médicos, que as pessoas morrem somente quando dão o seu consentimento. De uma maneira ou outra isto é verdade. Consciente ou inconscientemente é dado o consentimento para que ocorra a morte. Se você compreender este ponto de forma suficientemente clara, poderá não apenas adiar e provavelmente dominar a morte, mas estará de posse de uma verdade com a qual atenderá os chamados referentes a doenças e senilidade.

O fato de um indivíduo no caminho espiritual experimentar a morte ou passamento não significa necessariamente que ele tenha morrido. Por favor, lembre-se do seguinte: isto que venho dizendo não é produto de minhas suposições ou de algo que eu tenha lido em algum livro; tudo que tenho dito vem de experiência real em revelações interiores.


PROGRESSO OU RETROCESSO

Quando as pessoas na corrida normal da vida morrem, ocorre apenas momentâneo lapso de consciência do qual elas despertam praticamente no mesmo grau de mortalidade ou sentido material. Elas não se tornam mais avançadas ou mais espiritualizadas por causa da "passagem"; sua materialidade não se converte em espiritualidade. Elas talvez possam se livrar de uma dor imediata ou de uma doença imediata, mas tal libertação é similar à trazida pela medicina. A ajuda médica poderia livrá-las da dor ou da doença, mas nunca as faria avançar espiritualmente. Do mesmo modo, mesmo que o fenômeno da morte possa aliviá-las de alguma doença ou calamidade, isso não mudaria o nível de consciência delas; e iriam permanecer no mesmo nível material ou mortal, com a mesma oportunidade de a certos momentos avançar no caminho espiritual ou retroceder. A escolha é delas, tanto aqui como depois. Isso tudo, naturalmente, se aplica àqueles que no nível comum da existência humana morrem por acidente, doença ou pela comumente chamada "morte natural".

Os que deixam este plano de existência enquanto estão nas baixas esferas da vida, ou seja, como um alcoólatra, um viciado em drogas, um criminoso ou qualquer outro estado grosseiro da materialidade, irão permanecer no mesmo nível após a sua "passagem". A materialidade deles se tornará ainda mais densa, embora em alguma época, despertando para a verdadeira identidade, possam mudar o curso e iniciar a ascensão espiritual.

O estudante de religião ou metafísica que experiencia a morte ou "passagem" quando em ascensão espiritual, enquanto se eleva em sua trajetória, não somente desperta bem avançado no caminho, mas, em muitos casos, se for ampla a sua proximidade com relação à verdade espiritual, sua "transição" poderá significar uma libertação completa da experiência física ou mortal. É esta a libertação contida na mente dos seguidores de certas religiões ocidentais, que ao lado de seus ensinamentos sobre a reencarnação fazem referência ao estado que almejam atingir para não precisarem mais retornar à terra. Em outras palavras, alguns indivíduos atingem tal nível de consciência espiritual, que têm pleno conhecimento de sua verdadeira identidade e de que o chamado corpo físico não constitui o ser e não possui inteligência por si próprio, mas é um veículo ou instrumento através do qual eles aparecem como forma. A estes, a experiência da "passagem" pode fazer cessar o envolvimento com a consciência de sentido mortal ou material, fazendo com que eles passem à plenitude do viver espiritual.


VENCENDO O MUNDO

Temos a oportunidade de dominar a morte por completo, no sentido de permanecermos aqui na terra em nossa forma presente e nas contínuas e progressivas aparências que esta forma venha a assumir. Não sei se isso vem sendo feito ou não, mas há esta oportunidade. Contudo, o ponto importante não é este. Se iremos permanecer aqui por duzentos ou por dois mil anos não tem importância maior do que viajar para Nova York ou para a Califórnia ou Europa. Não há importância alguma o lugar em que iremos viver. O importante é como vivemos e porque vivemos. O ponto importante é em que nível de consciência estamos vivendo. Estamos nós vivendo de forma tal que, seja qual for o local ou plano de existência, dominamos os obstáculos da mortalidade e da materialidade?

Uma das últimas declarações de Jesus foi a seguinte: "Eu venci o mundo" (João 16: 33). Mas era ainda Jesus que estava dizendo aquilo, enquanto estava no mesmo corpo. "Eu venci o mundo". Nós, também, vencemos o mundo à medida de nossa conscientização:

"Este corpo não é um poder sobre mim. Eu sou a vida, a mente, a inteligência e o poder que governam este corpo. Não eu, um ser humano, mas Eu, a divina consciência do Ser, dirijo este corpo, este negócio, este lar, este ensinamento e este algo mais dentro da faixa da minha consciência."

O grau de nossa conscientização de que esta divina Consciência nos governa é o grau com que nós "vencemos o mundo". Então poderemos caminhar por sobre as águas, caminhar entre os micróbios, caminhar entre as guerras ou catástrofes, sem que nenhuma dessas condições tenha grande efeito ou poder sobre nós, porque dentro de cada um de nós estou Eu, e Eu sou o poder que rege toda a nossa experiência. Onde quer que estejamos, seja qual for a condição ao nosso redor, iremos nos encontrar diariamente alimentados, vestidos e abrigados. Se for necessário, encontraremos o maná caindo do céu; se for necessário, acharemos ouro na boca de um peixe; se for necessário, veremos pães e peixes serem multiplicados. De uma forma ou outra, seremos supridos diariamente com tudo o que se fizer necessário, seja na forma de pessoa, lugar, coisa, circunstância ou condição. Mas esta nossa experiência ocorrerá somente quando vencermos o mundo.

O processo para vencer o mundo tem início com a nossa compreensão da unidade, de nossa união com Deus, com a nossa conscientização de que "eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma" (João 5: 30), tudo que está fluindo através de mim é a vida, a saúde e a plenitude que é Deus.

"Isto disse o Senhor: Não se glorie o sábio no seu saber, nem se glorie a fonte na sua força, nem se glorie o rico nas suas riquezas; porém, aquele que se gloria, glorie-se em Me conhecer, e em saber que Eu sou o Senhor que exerce a misericórdia, a equidade e a justiça sobre a terra". (JEREMIAS 9: 23,24)

No momento em que começamos a perceber que tudo que temos é do Pai, que é universal, impessoal, imparcial e, portanto, que não temos direitos nem patentes, estaremos abrindo nossa consciência ao fluxo; e é quando aquele governo se responsabiliza por nosso corpo, nossos negócios, nosso lar, onde quer que estejamos.


RESSURREIÇÃO E ASCENSÃO

Na consciência de Deus não existe morte. Deus não pode morrer. Deus é vida eterna e a Consciência infinita não pode morrer ou ficar inconsciente. Deus, a divina Consciência, está sempre Se expandindo, Se revelando, manifestando e expressando ininterruptamente a Si mesma como consciência individual. Deus é a sua consciência individual e esta consciência não pode morrer. Se Deus pudesse morrer ou ficar inconsciente, então, e somente então, poderia você morrer. Como Deus é a vida individual, poderia esta vida morrer? Poderia esta vida, que aparece como sua forma ou corpo, desaparecer da terra? Não; pode somente sair do campo de visão da mortalidade, através do processo da "Ascensão".

Quando nós, por nós mesmos, erguermos a nossa consciência acima da crença de que a vida está no corpo e que o corpo controla a vida, experienciaremos a ressurreição; obteremos a convicção de Jesus, ao dizer: "Derrubai este templo, e em três dias o levantarei" (corpo). Quando estivermos imbuídos da compreensão de que a divina Consciência, que é a consciência individual, governa e controla nosso corpo, e quando nós percebermos individualmente a verdade de que a nossa própria consciência é o poder da ressurreição, de reconstrução, teremos a nossa experiência da ressurreição. E então virá a ascensão.

A ascensão vem com a conscientização de que Deus está revelando a Si próprio como o nosso ser individual, e como o Espírito deve aparecer ou manifestar-Se como forma, então este corpo é tão espiritual, imortal e eterno quanto a Espírito-substância com a qual é formado. Com a luz dessa conscientização, virá a nossa ascensão.

Existe um significado espiritual trazido a nós pelo nascimento, crucifixão e ascensão do Mestre: se existe uma progressiva expansão da consciência, até que o nascimento e a crucifixão se cumpram em nós e tenhamos atingido a ascensão, não mais no corpo, mas como uma lei sobre o corpo, nunca mais teremos de retornar àquelas experiências. A ascensão é o estado de consciência que sabe que o corpo não controla a vida, mas que a vida controla o corpo. O Mestre provou ter atingido aquele estado de consciência quando, referindo-se à sua vida, disse: "Eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la" (João 10: 18), e disse também: "Derrubai este templo (corpo), e em três dias o levantarei" (João 2: 19); ou, em outras palavras: "Eu, Consciência, controlo este corpo". A Consciência controla o corpo pelo deixar que a Consciência do Eu Sou forme de Si mesma as maravilhas e belezas que nós denominamos aqui e agora.
Cont...

quarta-feira, julho 16, 2014

Comentando o capítulo 6


Gugu


Para desenvolver uma consciência de cura, a primeira coisa que o praticante deve ter em mente é que ele não é o realizador da cura. Não é o homem quem cura. O estudante deve ter a habilidade de se abtrair  e discernir a inexistência/nulidade da existência de um ser humano, pois ali onde parece existir um "homem" está na verdade Deus manifestado em toda sua perfeição, glória, esplendor, totalidade e infinitude. Unicamente Deus está presente - esse é o fundamento que explica porque não é o ser humano quem realiza a cura, pois ele nem está presente, para início de conversa. O curador deve ter a habilidade de se abstrair e ver através das imagens/aparências/conceitos formados pela mente humana. Exatamente no lugar onde aparenta existir um cenário material formado pela mente humana está manifestado o puro e perfeito Reino de Deus. O Reino de Deus é de substância espiritual, formada a partir do próprio Espírito de Deus. Deus e Seu reino constituem mesma substância. A matéria não existe. O Universo é espiritual, tal como o é Deus. Nós existimos unicamente em Deus, conforme revela a Bíblia: "Em Deus vivemos, nos movemos e existimos" (Atos 17:28). Alcançar determinada medida desta compreensão/percepção é essencial para realizar o tratamento. Goldsmith diz:

"O tratamento é a conscientização, seja qual for a natureza do pedido, de que exatamente ali está presente a totalidade, a harmonia, o domínio, a perfeição do Deus único, e que essa harmonia é portanto universal, impessoal e imparcial. Se num chamado por ajuda a substância do corpo humano parecer estar envolvida, deveremos ter a visão nítida de que o Espírito, sendo a única substância, deve ser a substância da forma e do corpo; e também o Espírito, sendo onipresente, faz com que a forma perfeita esteja presente, seja qual for a aparência apresentada. O Espírito é onipresente em todas as suas formas e variedades. Os sentidos nos dizem que o poder e a substância estão na forma, mas a iluminação espiritual nos revela que o poder, a substância e a lei estão sempre no Espírito."

Joel Goldsmith está dizendo que, onde parece haver um corpo material (que pode se apresentar ora doente ora saudável) existe um corpo espiritual (perfeito, eterno, glorioso, imutável) constituído da própria Substância de Deus. Assim como não há que se falar em "dois universos" (material e espiritual), também não existem "dois corpos", na medida em que um deles é apenas um conceito. O "corpo material" (que não é corpo em absoluto) é apenas um conceito do corpo espiritual que está presente aqui e agora. Nesse âmbito espiritual, Deus está aparecendo como o corpo do indivíduo. Nesse âmbito espiritual tudo está acontecendo. Não existe ser humano vivendo ou passando por experiências em universo material - o qual, novamente, não é um universo, mas apenas um conceito. A vida e a experiência do homem ocorrem no Universo, em Deus. Em Deus o homem é um ser perfeito, tal qual Deus é. Por isso, Goldsmith diz que "toda ação que há é Deus-ação". O tratamento consiste na conscientização dessa verdade.

O ensinamento do Caminho Infinito é apresentado à luz da experiência da unicidade com Deus. Ao perceber a sua unicidade com Deus (Totalidade de tudo o que existe), o indivíduo percebe estar conectado com cada outra "parte" do Universo. Uma das frases mais enfatizadas por Goldsmith em seus ensinamentos é: "Minha unicidade com Deus garante a minha unicidade com cada ser individual existente". Na metafísica isso é ensinado através do seguinte exemplo: visualize uma reta matemática e perceba que a reta é formada por vários "pontos". A reta pode ser compreendida como sendo Deus, a Totalidade. Os "pontos" que formam a reta podem ser compreendidos como sendo o "ser individual". Da mesma forma que é impossível uma reta matemática estar separada dos "pontos" que a constituem, Deus não pode estar separado do "ser espiritual individual". E, da mesma forma que cada "ponto" (por ser um com a reta) está em unidade com todos os outros pontos, cada ser individual está em unicidade com todos os outros seres individuais. A verdade sobre Deus é a verdade sobre todos! Daí o fato de Goldsmith afirmar que essa é uma verdade universal, impessoal e imparcial. Quando o homem conscientiza a verdade sobre si mesmo, conscientiza também a verdade sobre todos os outros seres. E caem por terra as distinções engendradas pela mente humana. Unicamente Deus está presente como cada ser individual.

Deus não existe no universo conceitual. Há somente uma Vida, e esta existe no Universo criado e mantido por Deus. A (aparente) vida que se manifesta no universo conceitual não é a Vida a qual Goldsmith se refere em seu ensinamento. A Vida existe acima do universo das aparências, em Deus. No universo aparente, aquilo que se apresenta como "vida" está sujeito a nascimentos e mortes. Goldsmith afirma que Deus é a única Vida, e que Deus não é vítima de passamentos. O ser que nasce, morre e evolui através de inumeráveis reencarnações não é o Cristo, o Filho, o Ser Individual. O Ser que somos já está 100% evoluído, acabado, completo, pronto. Existe em total estado de perfeição. A Bílbia revela que "tudo está feito". Isso significa que o Universo também não está se desenvolvendo ou evoluindo. O Reino de Deus é um reino que existe já pronto aqui e agora! Todas essas verdades são para ser consideradas nas meditações/contemplações.

O que está acima explanado fornece a base para compreendermos, de uma vez por todas, que o tempo não é um agente ou força capaz de exercer o seu poder sobre nós. Uma vez que não evoluímos, não podemos ter idade de 5, 10, 20, 40, ou 80 anos. Podemos também dar tratamento ao tempo. Acerca disso, Goldsmith explica que somos "tão jovens e tão antigos como Deus". Os ensinamentos do oriente dizem que as diversas fases da vida (infância, juventude, maturidade, velhice) passam, enquanto o ser que somos permanece sempre o mesmo - o homem não é a aparência mutável: é o ser que subjaz a ela. A pessoa que, em decorrência de sua compreensão espiritual, consegue adquirir a firme convicção de que o tempo não é poder capaz de atuar sobre si como se fosse "causa", acaba por retardar o seu envelhecimento no universo das aparências. Quem não acredita no tempo (por compreender e realizar o Espírito como única causa) evita os efeitos do tempo. Goldsmith diz: "Deus, o Espírito, é a única substância e não há razão nenhuma para que o corpo apresente aos noventa anos menos vitalidade e força do que aos dezenove anos. O corpo não pode ler o calendário; o corpo não conhece, por si, a sua idade. Somente nós é que podemos conhecer o calendário e aceitar a crença de idade, a qual é refletida externamente sobre o corpo. Se conscientizarmos a nossa verdadeira identidade como sendo Espírito, o corpo passará a ser visto como espiritual e será tão isento de idade como o somos nós próprios. Qualquer que seja a nossa idade hoje, este é o momento em que começamos a conscientizar que Deus é a nossa vida individual e que temos a mesma idade de Deus. Com isto aprenderemos que a vida nunca teve um princípio e, portanto, nunca terá um fim."

Mas tal consciência precisa ser desenvolvida. E o desenvolvimento da consciência requer prática e exercícios. Goldsmith adverte que seu ensinamento não é para pessoas preguiçosas. Apenas ler ou saber essas verdades não fará com que o indivíduo retarde o seu processo de envelhecimento. É importante que a meditação (que nada mais é do que a prática de conscientização desta verdade) se torne um hábito na vida do estudante. Neste livro, Goldsmith sugere, como exercício de meditação, a contemplação de que: “Eu sou a mesma idade que era ontem; eu sou a mesma vida, a mesma mente, o mesmo Espírito, o mesmo corpo. Tudo que é do Pai é meu – isenção de idade e mudanças; tudo que é do Pai em relação à sabedoria, inteligência, orientação – tudo é meu.”

Da mesma forma, em relação ao cenário econômico/político, aos negócios e às atividades profissionais, se a pessoa estiver desempregada ou insatisfeita com sua atual profissão, Goldsmith recomenda como tratamento a contemplação de que: "Deus não pode ser vítima de condições materiais ou mortais, se Deus aparece como você ou eu; porém, para não sermos afetados por tais condições precisamos conscientizar este tratamento de que sempre e somente Deus está presente.". Saúde, atividades profissionais, relacionamentos, prosperidade - tudo está ocorrendo segundo os critérios de Deus, do Espírito. O Espírito, somente, é Lei para nossas vidas. Dessa forma, não há nada em nossa vida que esteja sujeito aos caprichos ou mudanças de homens, política, economia, governo, pois a vida é espiritual e está sob a jurisdição do Altíssimo.

Este capítulo explana sobre a importância do tratamento e como o mesmo pode ser aplicado às diversas situações capazes de surgir no mundo das aparências. Aliás, um bom tratamento é conscientizar que jamais surgiram situações em mundo de aparências (que também sequer surgiu!). Esse é um tratamento mais básico que vai bem mais fundo, diretamente à raiz de todos os (inexistentes) problemas. É importante dar um tratamento condizente/adequado a cada situação. Que possamos bem compreender os princípios aqui apresentados e aplicá-los em nossas contemplações. Pois, "sem conhecer essa verdade, você não terá nada com que curar porque toda a cura se baseia na consciência da verdade, e antes desta consciência ser obtida é preciso ao menos conhecer a mensagem correta da verdade. Através da vivência com a mensagem da verdade chegará por fim o momento em que sua consciência é preenchida com a verdade. Assim, frente a qualquer chamado, não haverá mais a necessidade de se passar pelo processo de pensar sobre a verdade repetidamente. Surgirá a consciência da Onipresença e bastará simplesmente dizer: “Obrigado, Pai!”. Seria como dizer cento e quarenta e quatro quando alguém disser doze vezes doze. Não hesite em utilizar o tratamento. Não hesite em ponderar as verdades espirituais referentes ao chamado em questão."

Namastê!

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domingo, julho 13, 2014

Desenvolvendo uma consciência de cura

DEUS, A SUBSTÂNCIA DE TODA A FORMA
(Joel S. Goldsmith)

- Capítulo 6 -

DESENVOLVENDO UMA CONSCIÊNCIA DE CURA

Lembremo-nos de que o agente de cura não é o tratamento. O agente de cura é a consciência que se manifesta através da realização do tratamento. É a Cristo-consciência do praticista que realiza a cura. Todos possuímos aquela Cristo-consciência como um potencial, mas ela precisa ser desenvolvida, e inicialmente isto pode ser conseguido pelo domínio, em algum grau, do temor à doença ou do temor ou gosto em relação ao pecado. Somente aquela consciência que, em certa medida, tenha abandonado seus ódios e temores pode atuar como agente de cura. As pessoas são atraídas ao curador cuja Cristo-consciência está desenvolvida e por esse motivo tal praticista é bastante atarefado.

Assim, nos estágios preliminares do nosso trabalho, o tratamento é um recurso necessário, ou pelo menos útil, para erguer nossa consciência ao ponto da demonstração. Não estou considerando que o tratamento seja alguma fórmula ou conjunto de palavras especiais; o tratamento é a conscientização, seja qual for a natureza do pedido, de que exatamente ali está presente a totalidade, a harmonia, o domínio, a perfeição do Deus único, e que essa harmonia é portanto universal, impessoal e imparcial.


DEUS, A ÚNICA ATIVIDADE

Se num chamado por ajuda a substância do corpo humano parecer estar envolvida, deveremos ter a visão nítida de que o Espírito, sendo a única substância, deve ser a substância da forma e do corpo; e também o Espírito, sendo onipresente, faz com que a forma perfeita esteja presente, seja qual for a aparência apresentada. O Espírito é onipresente em todas as suas formas e variedades. Os sentidos nos dizem que o poder e a substância estão na forma, mas a iluminação espiritual nos revela que o poder, a substância e a lei estão sempre no Espírito. Suponhamos que o chamado se refira a alguma atividade orgânica deficiente. Os órgãos, o sangue ou outra parte qualquer do corpo parecem estar afetados. O que devemos conscientizar primeiramente é que toda ação é atividade da consciência, o que significa que seria uma impossibilidade haver uma ação boa ou má no corpo, uma vez que sua ação é atividade da consciência, a qual se expressa como ação do corpo. O corpo não possui absolutamente qualquer ação por si mesmo.

Assim, para todo pedido ou crença referente a alguma atividade irregular no corpo, há somente uma resposta: toda ação que há é Deus-ação. A mente, como um instrumento de Deus, é o único elemento agente, é a única ação existente, sendo que o corpo meramente reflete aquela ação. Querer tratar a mão, o braço ou o pé seria o mesmo que tentar dar tratamento às paredes para mudar suas cores, forma ou aspecto. Isto não pode ser feito. Devemos estar cientes de que a mente é o único instrumento de ação, e, portanto, nós nunca tratamos a ação em si mesma. Nosso tratamento é uma conscientização de que toda ação é uma atividade da consciência.


SOMENTE A VIDA UNA

Às vezes os chamados envolvem o temor à morte. Nesses momentos nos voltamos à natureza da vida. O que vem a ser a vida? Há somente uma Vida, e esta Vida é Deus. A Vida que é Deus não pode morrer; nem pode esta Vida que é Deus ter um passamento. Não nos deixemos enganar por expressões do tipo: “Não existe morte; houve apenas o passamento dele.” Deus não é vítima de passamento e Deus é a única vida. Para todos os casos relacionados com o medo da morte existe apenas uma resposta: a Vida não possui oposto, pois a Vida é infinita. A Vida, a Vida que é Deus, é universal; e a vida de todo ser, seja a do homem, a da mulher, a da criança, do animal ou da planta. A Vida sempre é Deus; não existe uma outra vida. Tudo que soubermos sobre a Vida que é Deus é verdade sobre a vida individual que está aparecendo como sendo eu ou você.


ENVELHECIMENTO

O tratamento que aplicamos à idade é a conscientização de que a pessoa é tão jovem ou tão antiga quanto Deus. Mas quão velho isto significa? Ou quão jovem vem a ser isto? No instante em que em que pensarmos em nossa idade, estaremos pensando numa egoidade separada de Deus e dar um tratamento para tal coisa seria tratar uma ilusão. Não devemos fazer isso.

É necessário que conscientizemos que não existe idade ou tempo em nossa experiência; somente que deveríamos ter começado muito mais cedo – pela época em que estávamos sob a crença de ter sete ou oito anos de idade. É uma pena! Depois veio a crença de que tínhamos doze ou treze anos, o que era um pouquinho pior e a seguir houve a crença de termos dezesseis, dezessete ou dezoito, que era ainda pior. Provavelmente a crença de idade mais tentadora é aquele período entre os dezoito e primeiros vinte anos. É o ponto em que sabemos tudo o que há para ser conhecido e ninguém pode nos ensinar nada; tornamo-nos homens e mulheres! Esta é uma crença idade que necessita de um bom tratamento enquanto é tempo. Daí vem aquele período descrito como “mudança de vida”, que é um verdadeiro pesadelo. E, por fim, segue-se o último estágio: a velhice.

O período ideal para o início do tratamento para a idade é quando a pessoa está por volta de sete ou oito anos. Se manejarmos bem naquela idade, provavelmente pelo tempo que tivermos doze ou treze anos o problema da idade estará resolvido, de forma que as demais crenças de idade não mais necessitem de tratamento. No entanto, para a maioria de nós, a crença-idade não foi defrontada aos sete ou oito anos e nem aos doze ou treze e assim precisamos encará-la agora. Este é o momento em que começamos a conscientizar que Deus é a nossa vida individual e que temos a mesma idade de Deus. Com isto aprenderemos que a vida nunca teve um princípio e, portanto, nunca terá um fim.

As crenças pertencentes ao corpo são consideradas de maneira similar. Deus, o Espírito, é a única substância e não há razão nenhuma para que o corpo apresente aos noventa anos menos vitalidade e força do que aos dezenove anos. O corpo não pode ler o calendário; o corpo não conhece, por si, a sua idade. Somente nós é que podemos conhecer o calendário e aceitar a crença de idade, a qual é refletida externamente sobre o corpo.

Por outro lado, se conscientizarmos a nossa verdadeira identidade como sendo Espírito, o corpo passará a ser visto como espiritual e será tão isento de idade como o somos nós próprios. O corpo deveria manifestar sua plenitude em todas as épocas. Nunca deveria apresentar o que conhecemos como infância, juventude, meia-idade ou velhice. Deveria manifestar sempre sua forma total e plena, e realmente seria assim se tivéssemos conhecido a tempo esta verdade. Se soubéssemos precocemente a nossa identidade real como Espírito, teríamos evitado muitas das mudanças ocorridas em nossa estrutura física. Mas ainda não é muito tarde. Agora é o único tempo que existe e já podemos começar neste momento. Assim, daqui a dez anos aparentaremos ser dez anos mais jovens. Mas teremos que conhecer esta verdade conscientemente.

Nunca pense um só instante que por ler livros de metafísica ou assistir a palestras ou aulas de metafísica você estará demonstrando a verdade. Esta verdade terá de ser demonstrada por você individualmente, através de uma consciente atividade de sua própria consciência. Não é algo que lhe possa ser concedido. De nada lhe adiantará declarar: “Oh, Deus é minha vida”, e viver preocupado com tudo. Em absoluto. Requer uma consciente atividade da consciência individual, uma consciente atividade da compreensão até que passe afazer parte de seu ser a ponto de dispensar todo pensamento àquele respeito. Até aquilo se tornar possível, um longo tempo virá em que precisaremos recordar, sempre ao nos levantarmos pela manhã:

“Eu sou a mesma idade que era ontem; eu sou a mesma vida, a mesma mente, o mesmo Espírito, o mesmo corpo. Tudo que é do Pai é meu – isenção de idade e mudanças; tudo que é do Pai em relação à sabedoria, inteligência, orientação – tudo é meu.”


OS NEGÓCIOS COMO ATIVIDADE DA CONSCIÊNCIA

Há certos períodos em que o mundo vive sob crenças de desemprego e depressão. Novamente devemos conscientizar que Deus é o único ser. Deus não é empregado, exceto que Ele está empregado em ser Deus. Como poderia estar Deus desempregado? Seria o mesmo que Ele ter deixado de ser Deus. Deus, por Suas próprias qualidades, ação, inteligência, e obras atuantes como você e como eu, é o único emprego que há. Deus é o único empregador e Deus é o único empregado, e, além do mais, Deus está sempre empregado em grandes atividades, grandes obras e grandes ideias. Deus não pode ser vítima de condições materiais ou mortais, se Deus aparece como você ou eu; porém, para não sermos afetados por tais condições precisamos conscientizar este tratamento de que sempre e somente Deus está presente.

O mesmo é aplicável aos nossos negócios. Você pensa ser possível livrar-se das ameaças que assolam os negócios, bastando para isso confiar em algum “Deus desconhecido”? Ele não irá operar. O negócio é uma atividade do Espírito, e, como aquele Espírito é o seu Espírito, o negócio é uma atividade do seu Espírito. Portanto, o seu negócio irá refletir a condição de sua consciência nos assuntos de negócio. É preciso conscientizar a cada dia que o negócio é uma atividade de Deus através da mente, e portanto é uma constante atividade de nossa mente. Como atividade da mente, não está sujeito aos caprichos ou mudanças dos homens ou do governo, pois o negócio é espiritual e está sob a jurisdição do Altíssimo. O seu negócio, sendo um negócio de Deus, é governado por Deus.

A mera repetição dessas declarações, afirmações ou negações nada irá realizar para você. Somente quando estas verdades sobre o negócio permearem a sua consciência e você as tiver conscientizado plenamente é que elas se tornarão realidade em sua experiência. De nada irá adiantar apenas fazer as declarações. Conheci muitas pessoas que iam por tudo lado declarando: “Meus negócios vão bem; meus negócios vão bem” enquanto caminhavam rumo à falência. Não são os meus negócios que vão bem. São os negócios que vão bem – os negócios, uma atividade da Consciência, da Sabedoria divina. E, por ser uma atividade de minha mente, isto traz como consequência o sucesso dos meus negócios. Mas somente quando for associado o meu negócio com o negócio de Deus é que ele será individualmente expresso jubilosamente e harmoniosamente.


CONSCIENTIZE A VERDADE

Com referência aos relacionamentos familiares, aplicam-se os mesmos princípios. Nós todos temos observado famílias divididas devido a incompatibilidade, pecado, doença ou outra condição qualquer da experiência humana. Você acha que existe algum Deus misterioso observando os seus relacionamentos familiares? Nunca acredite nisso. Se o seu lar torna-se dividido, se a sua família encontra-se separada, isto significa que você não está conscientemente procurando resolver a situação; você não está conscientemente tratando do problema; você não está conscientemente considerando o assunto da família, marido, esposa e filho, em sua consciência, pedindo ao Pai por luz, por orientação, por ajuda, por sabedoria interior.

Do mesmo modo, nós saímos dirigindo o nosso carro, e às vezes pensamos: “A Consciência é o motorista sentado à direção do meu automóvel, logo tudo estará bem”. Mas, nós nos lembramos de incluir naquilo todo o resto do mundo? Conscientizamos ser Deus a mente/consciência de todo o indivíduo na estrada? Não, pelo contrário, até reclamamos do outro motorista ao mesmo tempo em que afirmamos ser Deus a nossa mente individual. Daí é que surgem os problemas. Nada justifica acreditarmos que possuimos algum tipo de proteção divina que os outros não possuem, por sermos metafísicos. A nossa proteção está em proporção direta à nossa utilização destas leis da verdade, que são trazidas conscientemente à nossa compreensão até que se tornem parte do nosso ser.

Deu pra sentir a necessidade do tratamento? Sem conhecer essa verdade, você não terá nada com que curar porque toda a cura se baseia na consciência da verdade, e antes desta consciência ser obtida é preciso ao menos conhecer a mensagem correta da verdade. Através da vivência com a mensagem da verdade chegará por fim o momento em que sua consciência é preenchida com a verdade. Assim, frente a qualquer chamado, não haverá mais a necessidade de se passar pelo processo de pensar sobre a verdade repetidamente. Surgirá a consciência da Onipresença e bastará simplesmente dizer: “Obrigado, Pai!”. Seria como dizer cento e quarenta e quatro quando alguém disser doze vezes doze. Não hesite em utilizar o tratamento. Não hesite em ponderar as verdades espirituais referentes ao chamado em questão.

Assim, por vários anos que hão de vir, descobrirá que terá um tempo de tratamento verdadeiramente ativo. Porém, nunca deixe que o tratamento se transforme numa rotina – um ritual ou cerimônia. Não permita que ele se torne um hábito. Não deixe que ele se torne um hábito a ponto de passar indolentemente por ele. Nunca faça isto. Um tratamento assim não poderá ajuda-lo, pois passaria a ser somente uma fórmula e atuaria apenas como uma sugestão. Um tratamento deve ser uma compreensão consciente da verdade.

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sexta-feira, julho 11, 2014

Comentando o capítulo 5

Gugu


O ensinamento do Caminho Infinito divide o processo de cura espiritual em duas fases: tratamento e prece. O tratamento é mental, ocorre no âmbito da mente; a prece é consciencial, ocorrendo além e acima do reino da mente. Dessa forma, o tratamento é o passo inicial e serve para conduzir/elevar a consciência do praticista até o ponto onde ocorre a prece. No tratamento o estudante utiliza-se de pensamentos positivos e inspirados a fim de aquietar, purificar e elevar a mente ao estado de consciência que realizará a cura. Isso é necessário porque todo o ser humano, desde o momento em que nasceu (ou pareceu nascer) neste mundo, é constantemente bombardeado pelas mais variadas formas de sugestões mentais que o levam a ter a impressão de que este mundo (e os diversos acontecimentos de natureza dual) realmente existe. Joel Goldsmith explica que o tratamento é indispensável para os que estão no início ou mesmo em estágios mais ou menos adiantados neste caminho. Mas ao tornar-se experiente, o estudante pode dispensar o tratamento, pois, neste caso, terá condições de ingressar diretamente naquilo que Goldsmith chama de "estado de prece" (que é também meditação ou oração). O próprio Goldsmith não tinha a necessidade de efetuar tratamento, devido a sua elevada condição consciencial e constante conexão com o Espírito da Verdade.

A cura verdadeira ocorre a nível espiritual. Enquanto que a cura mental é realizada em nível mais superficial. O indivíduo está realmente curado quando sua consciência deixa de sentir o sentimento de separação de Deus. Todas as doenças e sofrimentos são frutos de um sentido de separação em Deus. Se o homem não estivesse dotado de tal senso de separação, a doença não poderia ter lugar em sua experiência. Goldsmith explica que ao obter uma cura de natureza mental, a pessoa não está inteiramente curada, pois não foi curada a nível espiritual (o sentido de separação de Deus não foi curado), então a doença pode sumir hoje e reaparecer algum tempo depois. 

Passada a etapa do tratamento, o praticante deve buscar adentrar o estado de prece. E Goldsmith diz que a prece não é algo que dizemos a Deus, e sim o que Deus diz a nós. O que Deus tem a dizer sobre nós? Qual é a forma com que Deus nos vê? Ele nos vê como seres que estão separados d'Ele? Ou Ele nos percebe em unidade perfeita com o Ser que Ele é? Deus nos enxerga como seres doentes ou necessitados? Ou Ele nos vê como seres já providos de todas as coisas necessárias à nossa plenitude? O que Deus tem a dizer sobre nós? A oração, meditação ou prece ocorrem quando a "voz" de Deus nos fala enquanto apenas escutamos e acatamos Suas "palavras" como sendo a Verdade. Acerca disso, Goldsmith diz: "Após termos conscientizado ou pronunciado a verdade sobre o problema, é chegado o momento de nos sentarmos e assumirmos uma atitude de escuta. É como se nos colocássemos naquele local da consciência ou da conscientização na expectativa do recebimento de uma resposta, de uma certeza de que tudo está bem e que o problema foi depositado no devido lugar para ser cuidado. Neste ponto, após ter sido dado o tratamento, é que a prece se inicia. No meu modo de entender a prece é a palavra de Deus. A prece não é algo feito por você; a prece é algo de que você toma consciência. A prece é a palavra de Deus que vem a você. É aquela “pequena voz suave” trazendo-lhe uma certeza de harmonia, paz, alegria, poder, domínio, saúde, plenitude e abundância. Após o término do tratamento dado a você ou a outro alguém, sente-se em quietude, abrindo a consciência: “Eis me aqui, Pai”. “Fala, Senhor, teu servo ouve”, e aguarde vir a resposta.". Portanto, a cura somente estará terminada quando o estudante tiver finalmente adentrado o estado de prece, em comunhão com o Espírito, que está além da mente.

Goldsmith também faz uma importante observação, advertindo que pensamentos ou intenções egoístas anulam o processo de cura. A pessoa somente conseguirá curar espiritualmente se o seu amor for genuíno e desinteressado, pois somente o amor verdadeiro sintoniza o homem com Deus, tornando o praticante uma transparência/veículo para a atuação do poder divino. Além disso, o estudante deve estar consciente de que não há nada para ser curado, melhorado ou obtido, pois a Verdade é que todos os seres são manifestações ou expressões do próprio Deus e, por isso, já estão supridos e plenificados de tudo o que lhes for necessário. A cura espiritual deve ser trabalhada a partir do ponto de vista de Deus (visão de Deus acerca do Universo), ao invés de a partir do referencial humano (visão que a mente humana tem do universo).

Eis um fundamento/princípio metafísico que deve ser muito bem gravado: Quando estamos na presença de Deus, somos exatamente o que Deus é. Quando estamos na presença de Deus, temos a experiência de ser o próprio Ser que Deus é. Isso é assim porque Deus nos concede tudo o que tem, estendendo a nós todas as Suas características/qualidades divinas. Se Deus é pleno, somos plenos. Se Deus é vida infinita, amor infinito, sabedoria infinita, etc., também o somos. Nunca pode haver um "ser humano" na presença de Deus. Na presença de Deus só existe Deus. E Deus é onipresente! Esse é o fundamento que o praticante deve ter sempre em mente. Essa é a Verdade. E, se quisermos acessá-la, então deveremos nos colocar de acordo com ela. Fazemos isso procedendo da mesma forma com que Deus procede para conosco. Se Deus é Amor (e nos faz ser Amor), devemos estender para fora (a todos os seres, nossos irmãos) o amor que somos. O amor deve ser estendido, manifestado. É dessa forma que nos colocamos em sintonia com Deus e acessamos a nossa realidade como Amor. A sagrada Escritura bíblica afirma que: "Aquele que diz que está na luz, e odeia a seu irmão, até agora está em trevas. Aquele que ama seu irmão, permanece na luz, e nele não há tropeço". (1 João 2; 9-10). Os segredos espirituais aqui ensinados não são revelados aos que não estão de acordo com as verdades divinas. Essa Verdade não pode ser vivenciada pelo homem possuidor de intenções mesquinhas ou egoístas, pois tais características o distanciam da Realidade/Verdade que Deus é. Goldsmith diz:

"Acima de tudo é preciso lembrar-se de que o mínimo desejo de receber benefício pessoal, a presença do menor traço de egoísmo, são fatores que anulam o processo todo. Não há nada que deva ser obtido, e não podemos trabalhar do ponto de vista que admitisse haver. Deus é o infinito ser que revela, desenvolve, manifesta e expressa a Si próprio infinitamente como sendo eu e você. O único objetivo do tratamento e da prece é dar a conscientização da perfeição que já existe. Na Cristo-consciência não pode haver lugar que abrigue qualquer ódio, inveja, ciúme ou malícia. A consciência que retém algum desses traços não é uma consciência curadora. A consciência de um curador deve ser a consciência de um indivíduo que não acolhe nenhum sentimento de ódio, inveja, ciúme ou malícia. A consciência deve ser uma transparência para Deus, e como Deus opera na consciência do amor, quando qualidades opostas são acolhidas não há uma consciência curadora. É preciso desejar ardentemente que a verdade conhecida sobre si mesmo seja universalmente válida. Não é fácil perceber que seria pura perda de tempo haver tratamento ou prece sem esta qualidade de perdão? A consciência precisa ser uma transparência para Deus, isto é, uma transparência de caráter universal, impessoal e imparcial."

Goldsmith diz ainda: "Tudo que nós chegarmos a conscientizar como sendo verdade para nós mesmos, para o nosso ser, deve ser compreendido como sendo também verdade sobre todos os demais. Em outras palavras, não é possível haver uma prece visando que o sol brilhe em nosso jardim somente. Num caso destes, a prece deverá ser apenas para o sol brilhar. Devemos estar desejosos de que ele brilhe tanto em nosso pátio como no de nosso inimigo. Enquanto conservarmos no pensamento algum senso de ódio ou inimizade, o tratamento ou prece será inútil." A Verdade é universal. Não existe mais Verdade ou "Deus" em um ser do que em outro. O Deus que existia (existe!) em Jesus é o mesmo Deus que existe em Buda, em Krishna, e em cada ser existente. Deus é onipresente! A questão consiste em o ser humano despertar para essa verdade. Quando todos os homens despertarem para essa verdade, todos se verão brilhando na mesma Luz Infinita que compõe a totalidade do Universo. Jesus Cristo disse: "Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste, e os amaste como também amaste a mim." (João 17; 21-23). Por isso Goldsmith afirma que devemos ter a consciência de que "não temos inimigos". A Luz de Deus brilha sobre todos, imparcialmente. Por isso, o ensinamento cristão ensina-nos a "orar por nossos inimigos". Não se trata de orar por inimigos (pois não são realidade), e sim anular a visão errônea da mente humana e reconhecer a realidade de Deus como sendo tudo.

Namastê!

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