"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

domingo, agosto 21, 2016

Sim, Isso existe! (Prem Baba)

Hoje, um filme belíssimo e inspirador sobre a biografia e a jornada espiritual do brasileiro Janderson Fernandes de Oliveira, que realizou em si o estado de iluminação (sim, isso existe!) e atualmente é conhecido como líder humanitário e mestre espiritual (Guru) Prem Baba.

Namastê!


sexta-feira, agosto 19, 2016

O poder que a mente exerce sobre o corpo - 4/4

- Masaharu Taniguchi - 



COMO USAR A FORÇA MENTAL PARA EVITAR O ENVELHECIMENTO

Caro leitor, se você quer se manter sempre jovem, não se prepare para a velhice. O próprio ato de preparar-se para a velhice apressa o envelhecimento. Como disse Jó, "Aquilo que tememos sobrevém a nós". Um medroso que fica imaginando um acontecimento nefasto e se preparando para enfrentá-lo, acabará atraindo esse fato temido.

Toda pessoas que está sempre temendo algo grava marcas de temor na sua fisionomia. Se você está esperando tanto o envelhecimento físico, ele será inevitável.

Caro leitor, jamais pense que sua idade é avançada demais para realizar um determinado trabalho. Tal pensamento envelhece precocemente a fisionomia, imprimindo-lhe expressão ancião antes do tempo. Nós seremos como pensamos. Ou melhor, somos exatamente o que pensamos. Meu caro, não há Verdade tão certa quanto este princípio filosófico.

Um jornalista do Milwaukee Journal lançou a seguinte pergunta: "Qual é a tua idade?". Diz-se que a "idade da mulher se conhece pela fisionomia, e a do homem, pela mente", mas isso é um engano. O envelhecimento está relacionado basicamente com o hábito da mente. As pessoas se tornam exatamente como pensam com intensidade. Se uma pessoa passar da meia-idade e imaginar que ficará decrépita em breve, ela acabará decrépita. Um dos meios de impedir o declínio da energia está na força de vontade. O destino não investirá cruelmente contra aquele que está agarrado firmemente à vida com ambas as mãos. A morte não poderá estrangular aquele que está firmemente grudado à vida. Diz-se que o explorador Ponce Leon buscou a fonte da juventude na Flórida; ele a buscou no lugar errado. A fonte da juventude está dentro do próprio homem. As pessoas precisam rejuvenescer internamente. O eu externo morre diariamente, mas o eu interno rejuvenesce diariamente. Quando as pessoas param de manifestar o grande poder da mente, quando deixam de sentir vivo interesse pelos acontecimentos da vida, quando param de ler, pensar e trabalhar, começam a definhar como as árvores velhas. A sua idade é a que você imagina ter. Não tire ainda a sela do cavalo. Ainda há muito caminho para percorrer durante o dia.

Oliver Wendell Holmes diz em seus versos:

"O Sol ainda está alto, companheiro.
Viagem incansável em busca da verdade.
Não sei a idade, mas que vigor!
O vigor que aumenta com o tempo!"

Se você quer ter longa vida, ame o seu ofício e continue amando-o sempre. Não pare de trabalhar aos 50 anos, alegando declínio da vitalidade ou necessidade de repouso. Se preciso, goze férias, mas não abandone totalmente o trabalho. Onde há amor ao trabalho, há Vida, há fonte da juventude. Uma célebre atriz disse: "Eu não sei o que é envelhecer. Isto porque eu amo a minha arte, porque dedico toda a minha vida à arte. Eu não sei o que é enfraquecer. Sendo feliz, ocupada, não sentindo tédio e conservando a mente sempre jovem como a de uma adolescente, é impossível que surjam em minha face rugas de idade, tristeza ou angústia. Se fico cansada, é só no nível físico; meu espírito jamais se cansa".

Lembre-se de Susan Anthony, que aos 83 anos era uma líder do movimento em prol das mulheres. Lembre-se da sra. Gilbert, a atriz que representou até morrer, também com a mesma idade. Quem dirá que nessa idade essas duas mulheres estavam decrépitas ou com menos energia do que as concorrentes mais novas que elas? A sra. Anthony, mesmo se aproximando dos noventa anos, continuava o seu trabalho com a mesma energia e ardor de meio século antes. Ela foi a mulher que mais atuou entre as participantes da Convenção Internacional da Mulher realizada em Berlim. A sra. Gilbert, quando representou uma nova peça nos últimos anos de sua vida, brilhou como uma estrela no palco. Essas mulheres jamais chegaram a pensar em parar de trabalhar, nem se consideraram decrépitas aos 50 ou 60 anos. Para elas, esta vida era uma peça teatral tão interessante que não conseguiam parar.

Margaret Deland disse o seguinte: "Uma das coisas que mais nos alegra na nossa era é o fato de que a velhice se limita ao plano físico; ainda que a vista enfraqueça ou as juntas endureçam, já não ficamos com tédio, nem perdemos o interesse pela vida. Além disso, está crescendo entre a população em geral a ideia de que esta perda da capacidade física na velhice também pode ser evitada. Aliás, já existe até a teoria de que tal perda de capacidade física mostra que a pessoa viveu de maneira errada - isto é, que viveu intolerante e egoisticamente, sem imaginação criativa e ideal jovem. Seja como for, a decrepitude é uma vergonha. E essa ideia está se tornando convicção de toda a humanidade".

Certo poeta canta esta mesma convicção em seus versos:

"Apaga, apaga logo as profundas marcas
de dor, tristeza e lágrimas
que a idade gravou em teu rosto.
Deixa que tua alma bondosa
e tua ação repleta de alegria e amor tinjam o teu
rosto".

Émerson disse: "Eu não conto os anos vividos; conto os feitos da pessoa". Realmente, o que nos envelhece não são os anos que vivemos desde o nascimento, mas o modo como os vivemos. Qualquer excesso é prejudicial à manutenção da juventude. A vida desregrada e cheia de atos que pesem na consciência cria rugas de velhice precoce no rosto, embaça o brilho dos olhos, tira a agilidade dos passos e diminui a vitalidade.

Vida pura, vida simples, vida útil - tal tipo de vida proporciona a longevidade.

Caro leitor, o que desgasta a Vida e envelhece muitas pessoas aos 40 anos é a vida de aflição, atormentada por vaidade e ambições vãs e desonestas. A vida honesta e simples pode se tornar mais profunda, mais nobre e mais útil. Charles Wagner disse que a vida pacífica e a vida aflitiva não se conciliam, porém a vida simples e a vida de esforços se conciliam. Ele explica em seu opúsculo Vida simples como a energia é desperdiçada por causa das aflições, quando poderia ser útil se fosse concentrada. Ele enfatiza que as aflições de nossa mente consomem nossa energia que, se utilizada corretamente, produziria resultados valiosos.

Há mais de dez anos, aconteceu no Hospital de Londres, considerado um dos melhores do mundo, um fato realmente singular que mostra como a mente possui o poder de rejuvenescer o corpo. É a história de uma jovem mulher que enlouquecera por causa de um namoro desfeito. Ela perdera totalmente a noção do tempo. Por mais que o tempo passasse, para ela, todos os dias eram o dia em que ela se separou do namorado. Mesmo com mais de 70 anos, ela ficava todos os dias estacada junto à janela do seu quato, esperando a visita do namorado. Aos olhos dos outros, a fisionomia e o corpo dessa mulher eram de uma jovem de 30 anos. Um médico norte-americano que foi à Inglaterra testemunhou esse fato. Ela não tinha um fio de cabelo branco, uma ruga sequer, e em nenhum aspecto apresentava o menor sinal de velhice. A sua pele era lisa como a de uma menina. Como ela não imprimia a passagem do tempo na sua mente, continuava com o corpo da jovem que fora sessenta anos atrás. Ela não contava a idade nem sentia receio de envelhecer. Vivia como há sessenta anos atrás, quando o namorado a deixara. Esse estado mental regia o seu estado físico. Sua mente se concretizou em seu corpo e o mantinha jovem.

Se você, apesar de ter vivido apenas 50 ou 60 anos desde que veio o mundo, já começa a ficar senil ou a perder a força mental, está decepcionando Aquele que lhe deu a Vida. Você é vivificado pela Grande Vida, que é eterna. Então, não seria natural você manter a vigorosa juventude enquanto viver? Mesmo que sua fisionomia comece a envelhecer, isso nada tem a ver com o vigor de sua Vida. Mesmo que os cabelos brancos aumentem, mesmo que sua pele presente rugas, isso não diminui absolutamente o vigor de sua Vida em si. A tendência da força mental é crescer incessantemente. A força mental aumenta com a idade. A sabedoria baseada em muita experiência e a força mental equilibrada não são as únicas provas de que o homem viveu longos anos? O que caracteriza o homem que viveu muito tempo neste mundo não são a debilidade e a inutilidade. A força, a beleza, a grandeza e a complexa riqueza de experiências da vida são as características dos idosos.

Se você acreditar que 60 anos represente "velhice", terá o físico correspondente a essa crença. Seu pensamento se manifestará na face e no corpo. Será como pendurar na mente uma placa que diz "velho", acreditar nela piamente e se tornar exatamente como essa placa diz. O corpo é realmente o indicador da mente.

Se você pretende conservar para sempre a juventude, deve evitar ao máximo os inimigos que a aniquilam. Dentre esses inimigos, o maiores são a preocupação com a idade e a perda de interesse pela vida ao seu redor, principalmente pela vida dos jovens e pelos divertimentos deles.

Quando você não tiver mais ardorosa esperança ou a ambição da juventude, quando perder o entusiasmo que tinha na mocidade, quando não tiver mais vontade de brincar e se divertir com as crianças, estará confessando que você está realmente ficando senil, que sua mente está se enrijecendo, que a vivacidade da infância está escasseando. Caro leitor, procure viver com crianças. Não há meio mais eficaz de conservar a juventude do que o convício com crianças.

Quando o homem não está no caminho correto da evolução, sua vitalidade escasseia precocemente. Tudo que se desvia do normal é prejudicial. Um sentimento excessivamente forte, ainda que seja de alegria, prejudica a saúde.

O egoísmo ocorre quando a "vida" está fora do caminho correto da evolução. Pois, uma vez que todas as "vidas" são "uma" por estarem ligadas à Grande Vida, se uma é particularmente egoísta, podemos dizer que ela está se desviando do seu caminho verdadeiro. Por isso, aquele que é dominado por sentimentos egoístas vive sempre temeroso e apreensivo, em maior ou menor grau, precavendo-se contra ataques externos. Aquele que está sempre prevendo algum ataque externo, imobiliza a mente e faz com que o cérebro perca a flexibilidade, atrofiando os neurônios. Somos altruístas por natureza. Em linguagem mais fácil, nascemos para fazer o bem aos outros. Quando praticamos o bem e conseguimos que os outros fiquem contentes, sentimo-nos felizes. Essa felicidade não é uma alegria exaltada, violenta, desarmoniosa, mas sim uma satisfação natural, realmente serena, que nasce do fundo da alma.

Aquele que comete algum ato egoísta pode sentir-se temporariamente feliz, acreditando que saiu ganhando, mas, assim que a euforia passar, perceberá que essa alegria é vã e insignificante. Sentir-se-á invadido por inexprimível sensação de vazio e desolação, dia e noite, e não conseguirá deixar de se lastimar. Isto, sem dúvida, é a punição que se recebe pelo egoísmo, porque esta atitude contraria a natureza da Vida. A nossa Vida se revolta instintivamente contra os sentimentos egoísticos, desdenha instintivamente os atos egoísticos e não consegue evitar o sentimento de desprezo por aqueles que o cometem. O egoísmo não gera saúde, não gera paz espiritual, não gera sensação de felicidade.

A maioria dos ricos dificilmente conseguirá alcançar a felicidade através daquilo que possui, enquanto não empregar verdadeiramente a sua riqueza em prol da felicidade dos semelhantes, pois será constantemente perseguido pelo temor de perder a qualquer momento todos os seus bens em virtude de doença, mudança na economia, etc.

Todo temos - aflição da mente - encurta a vida e conduz ao envelhecimento precoce. Enquanto você pensar na sua idade, mantiver-se teimoso, ficar com a mente presa a algo, odiar ou invejar os outros, não poderá evitar o envelhecimento. Se você não impedir que esses inimigos da juventude penetrem no reino de sua mente, não poderá manter para sempre o vigor físico dos jovens. O pensamento flexível, como os brotos de uma árvore, rejuvenesce a vida. O pensamento irredutível, inflexível e obstinado interrompe a evolução da vida. A vida, quando não evolui, envelhece. É preciso escolher: ou a evolução ou o envelhecimento.

Os pensamentos e sentimentos que fluem para a mente, sejam de que espécie forem, são gravados em nosso interior e influem no modo de manifestação de nossa força vital. As impressões que penetram na mente são gravadas nas células, na personalidade e revelam-se na fisionomia. Se você detém na mente a juventude eterna - a flexibilidade do corpo de um bebê -, ela neutraliza o envelhecimento das funções fisiológicas. Os pensamentos e sentimentos principais da pessoa regem todo o corpo e manifestam-se nele. Por exemplo, aquele que está sempre preocupado, irritado ou apavorado não consegue evitar que o seu estado mental se manifeste na fisionomia e no corpo. Esses sentimentos negativos endurecem, mirram e envelhecem o corpo. O que neutraliza tais sentimentos e rejuvenesce o corpo são os sentimentos e pensamentos opostos a eles, isto é, os de esperança, paz, calma, amor ao próximo, etc. A influência que a mente exerce sobre o corpo é sempre absolutamente científica e inexorável.

Em qualquer célula do corpo habita a força vital, que é a fonte da saúde. Essa força vital manterá as células sempre saudáveis e harmoniosas enquanto a mente for alegre e positiva e abrigar pensamentos e sentimentos corretos. Nada melhor que a postura mental e o modo de vida corretos para ativar nas células do nosso corpo a oculta força vital que combate o processo de envelhecimento.

O meio mais eficiente para revelar essa vitalidade oculta é manter a postura mental alegre e otimista. Quando nossa mente se volta para a direção do "sol" da Grande Vida, não imprimimos em nós a imagem da velhice.

Levante sempre em sua mente, como uma grande tocha, o ideal juvenil, a coragem, a jovialidade, a esperança, a previsão otimista. Creia sempre, firmemente, que todas as células do seu corpo foram geradas nos últimos dois anos, e que não há uma célula sequer que tenha mais de dois anos de idade, a não ser a dos ossos. Já que as células velhas são renovadas constantemente, acredite firmemente que tanto o seu corpo como a sua fisionomia se mantêm sempre jovem.

Se você deseja manter a juventude, precisa conhecer o segredo de renascer constantemente através da postura mental ou da maneira de realizar o seu trabalho. Os pensamentos obstinados, as atitudes mentais muio rígidas e sérias, as aflições, a irritação, a depressão, a preocupação, o ciúme, a inveja, qualquer explosão de fúria, enfim, aceleram o envelhecimento e encurtam a vida do homem.

A surpreendente força de auto-renovação está na grande convicção de que em cada uma das células que formam o corpo humano habita a Grande Vida (princípio da saúde) inextinguível. Caro leitor, lance mão de todos os expedientes para desenvolver essa convicção. Todos sabemos, consciente ou inconscientemente, que abrigamos dentro de nós algo que jamais adoece nem morre - a Vida indestrutível que se liga à Grande Vida Universal. Quando intensificamos a conscientização dessa Verdade, manifesta-se uma surpreendente força de cura. Certas pessoas parecem ter uma natureza física que as faz renascer eternamente. Isto acontece porque a mente dessas pessoas renova constantemente sua força e, graças a isso, por mais que elas trabalhem, não se entediam nem se cansam. Tais pessoas são como as máquinas dotadas de lubrificante automático; jamais se desgastam. Para evitar o envelhecimento, devemos imprimir a juventude em nossa mente com a máxima intensidade. Não adianta querermos parecer jovens sem sentir a juventude na mentem pois isso é impossível. Por ignorar esta lei da mente, a maioria das pessoas vai talhando na sua pele rugas cada vez mais profundas com o cinzel da mente, aumentando a ideia de velhice e imprimindo até nas células novas do corpo. É por isso que já aos 50 ou 60 anos passa a apresentar sinais de velhice.

Portanto, meu caro, nunca pense que você está envelhecendo. Se você tiver a sensação de que está aos poucos envelhecendo, diga constantemente à sua mente: "Sou jovem, pois estou renascendo constantemente. Estou recebendo sempre, incessantemente, a nova força vital da Grande Vida, que é a fonte inesgotável da Vida. Meu ser se renova toda manhã, toda noite, constantemente, a cada momento. Isto porque o mundo em que respiro, o mundo em que vivo, o mundo em que existo, é o oceano da Vida infinita". Não apenas mentalize isso, mas também verbalize-o, quando tiver oportunidade, dirigindo essas palavras a si mesmo. Assim, imprima na mente, o mais nitidamente possível, a ideia de que você está renascendo constantemente, recebendo incessantemente nova Vida e se renovando sempre através do metabolismo; faça com que a sensação de juventude impregne fortemente todo o seu ser. Qualquer que seja a circunstância, evite sugestões que o façam pensar "Eu também envelheci". Saiba que você não é nada mais que a sensação que diz: "Eu existo". Você será exatamente como se sente e acredita ser. Saiba que o corpo não é nada mais que concretização da mente.

Se você contar a sua idade avançada, andar de modo condizente com essa idade, falar como um ancião e vestir roupas próprias de pessoas idosas, as sugestões que vêm disso tudo irão aos poucos se infiltrando na mente, e a sua expressão, a sua aparência e todo o seu corpo mostrarão um aspecto condizente com a sua idade. Os hábitos cotidianos sugestionam sobremaneira a nossa mente. Por isso, para mantermos sempre a mente juvenil, precisamos ver o dia-a-dia como se fôssemos jovens.

O mais fundamental de tudo é sustentar na mente, com tenacidade, a Verdade de que a Essência de sua Vida é uma com a Grande Vida eternamente jovem e imortal. Grave na sua mente a Verdade de que as células do seu corpo são constantemente renovadas pela Grande Vida eternamente jovem e imortal, que as velhas são incessantemente substituídas pelas novas, que você é eternamente jovem, e que assim é a natureza verdadeira da Vida. Se preencher sua mente com essa ideia de eterno rejuvenescimento, de renascimento constante, de forma alguma poderá agir a ideia "Eu envelheci".

O hábito de ter na mente ideia jovens expulsa as ideias da velhice. Se você for capaz de sentir que todo o seu ser está sendo renovado constantemente pela força infinita da Grande Vida, será fácil manter o seu corpo sempre jovem.

Manter na mente um ideal elevado e sentimentos nobres produz também um efeito extraordinário na manutenção da juventude. A mente, enquanto buscar ardorosamente a evolução, aspirando a algo mais elevado, mais puro, mais celeste, não envelhecerá; e enquanto a mente não envelhecer, o corpo não envelhecerá. O esforço para alcançar um objetivo ainda mais elevado e a vontade de se aperfeiçoar agem sobre o corpo como um poderoso "tônico rejuvenescedor". Em oposição, a estagnação de quem se dá por satisfeito com a situação atual e pensa "Já cheguei ao limite" envelhece o corpo.

O segredo do rejuvenescimento está em manter sempre a alegria de viver. A alegria de viver é sinônimo de juventude. Se a pessoa não se sentir feliz pelo fato de estar vivendo neste mundo e não souber aceitar com prazer as diversas tarefas da vida como uma grande prerrogativa sua, envelhecerá rapidamente.

Lembre-se sempre de manter uma atitude mental alegre. Viva com um ideal elevado. Se assim proceder, a velhice não poderá atingir você. O que nos mantém jovens é a consciência de que somos realmente filhos de Deus e que estamos em processo de exteriorizar ainda mais nossas perfeição e harmonia. Se contarmos nossa idade, pensarmos no definhamento, na decrepitude e no declínio, nosso corpo e nossa energia também terão forçosamente de envelhecer.

Caro leitor, sempre que tiver tempo, no intervalo de um minuto ou cada vez que se sentar num banco de condução, imagine a sua própria figura dotada de perfeição ideal; veja-se mentalmente como saúde em pessoa, juventude em pessoa, força em pessoa. Pense em saúde. Sinta ânimo de jovem. Deixe que a esperança brote vigorosamente de seu interior e vibre todo o seu ser. Se for homem, imagine a sua imagem perfeita, como o ideal masculino, que poderíamos chamar de "homem eterno"; e, se for mulher, como o ideal feminino, que poderíamos chamar de "mulher eterna". O melhor meio de fazê-lo é a Meditação Shinsokan.

O elixir da vida e da juventude não está nos remédios materiais. Ele existe somente dentro de nossa mente. O elixir da juventude eterna está no direcionamento correto da mente. Quando nossa mente se volta para a direção errada, envelhecemos. Manifestamos no corpo a aparência e a idade que pensamos e sentimos ter, pois o corpo é reflexo da mente.

Sendo assim, mantenhamos belos pensamentos, concebamos belos ideais, cultivemos na mente as melhores coisas possíveis, a fim de manter o corpo sempre jovem e a fisionomia sempre nobre e bela.

Dentre os remédios secretos de rejuvenescimento que conhecemos, nenhum é mais poderoso que o amor - amor pelo trabalho, amor ao próximo, amor por todas as coisas.

O amor, sim, constitui o mais poderoso remédio ressuscitador e poção secreta de rejuvenescimento. O amor desperta na alma o que há de mais sublime na pessoa. O amor suscita no coração o que há de mais forte na pessoa. O amor manifesta o que há de divino na pessoa.

Jamais se deixe levar pelo aspecto falso das coisas. Procure ver o aspecto verdadeiro de tudo. Procure ver a Vida, a Imagem Verdadeira (filho de Deus), em todas as pessoas. Mesmo que alguém esteja se mostrando desvirtuoso, fraco e ignorante, não considere essa imagem como existência verdadeira. A imagem perfeita que Deus criou, sim, é existência verdadeira; o que se apresenta aos cinco sentidos é imagem falsa. Procure ver essa imagem verdadeira. A imagem que se apresenta aos cinco sentidos é tal como a Lua deformada refletida na superfície agitada de um lago. A imagem perfeita é tal como a lua cheia que brilha no céu. Habituando-se a ver a Imagem Verdadeira de todas as pessoas e coisas, você vivificará os outros e, ao mesmo tempo, a si mesmo.

Expulse da mente, portanto, o hábito de ver os defeitos e as imperfeições. E procure ver com os olhos da mente a imagem mais ideal de si e dos outros. Aquele que, desta maneira, expulsa as imagens imperfeitas visíveis aos olhos carnais e procura ver, com os olhos da razão, o homem perfeito tal qual Deus criou - a própria imagem de Deus - em si mesmo e nos outros, será capaz de fazer durar por mais tempo a juventude e de viver mais do que qualquer outra pessoa que via nas mesmas condições materiais.

A harmonia, a paz e a alegria da mente são imprescindíveis para quem deseja manter-se jovem. Qualquer desarmonia ou desequilíbrio mental conduz o homem ao rápido envelhecimento. A meditação sobre a Verdade eterna - Deus - expulsa da nossa mente o temor, a ansiedade, a preocupação, etc., e reaviva a nossa energia.

O fenômeno do envelhecimento só ocorre quando as células do corpo são afetadas e endurecidas por pensamentos e modo de viver errôneos. As células atingidas pelo acesso de emoções violentas vão envelhecendo rapidamente.

As pessoas que realizam um trabalho útil aos semelhantes e as que empreendem um trabalho destemida e ousadamente, nunca terão a sua energia esgotada e serão capazes de manter para sempre a aparência jovem. Se o envelhecer consiste num hábito da mente, o rejuvenescer também é um hábito mental.

O acúmulo de experiências e de sabedoria não é indício de que a pessoa terá de se aposentar logo desta vida. Justamente as pessoas experientes têm o dever de servir mais a este mundo e aos semelhantes, vivendo mais tempo. O homem não morre enquanto a sua função neste mundo não termina. Pela lógica, não deveriam morrer aqueles que nunca perdem a função neste mundo, que mantêm para sempre uma missão a cumprir neste mundo. Tornamo-nos capaz de realizar um trabalho realmente útil ao mundo depois que passamos dos 50 anos. Passando dos 60 ou 70 anos, nosso trabalho começa a ficar realmente valioso, graças à nossa rica experiência. Se mantivermos nosso cérebro sempre ativo e jovem e não endurecermos as células cerebrais através de ira, temor, egoismo ou atitude excessivamente séria e rígida, não envelheceremos mentalmente.

Se a humanidade abandonar a crença de que a Vida deve passar pelo fenômeno de envelhecimento e adquirir a firme convicção de que "a Vida só promove rejuvenescimento", esta convicção vencerá com certeza o envelhecimento. O pecado da humanidade - a não-conscientização da Imagem Verdadeira do homem, que não envelhece nem morre - é que encurtou a vida do homem, ditando que ela deve durar 60 ou 70 anos no máximo. Por que nos dias atuais, em que a medicina está mais avançada, a duração média da vida humana é bem mais curta do que na época de Abraão, em que não existia ciência médica alguma? É porque nunca, em toda a História, se interpretou tão materialmente a Vida e se reprimiu tanto a força vital como nos dias de hoje.

Não é possível que o nosso Criador, que é sabedoria e amor, cometa a contradição de fazer-nos buscar com tanto ardor a longevidade e a juventude eterna sem que houvesse a possibilidade de consegui-las. Grande é a missão que o homem deve cumprir na Terra, e curta demais é a vida para cumpri-la. Não é possível que Deus cometa a contradição de fazer com que o homem morra prematuramente ao chegar à idade em que, tendo obtido conhecimentos profundos e grande experiência, começaria a ser realmente útil à sociedade. Se toda a humanidade deseja ter longa vida, é porque isso é possível. A proporção entre a duração da fase de crescimento e a duração da vida após essa fase dos animais mostra que a vida terrena do homem foi feita originariamente para ser mais duradoura. Fomos criados para, quanto mais vivermos, mais vigorosos ficarmos e tornarmo-nos capazes de servir mais à sociedade, utilizando as ricas experiências adquiridas.

Portanto, o envelhecimento é algo que, na verdade, não deve existir; na estrutura admiravelmente perfeita do corpo humano não há, decididamente, um órgão que se desgaste e definhe com 50 ou 60 anos de uso. Os órgãos foram feitos de tal maneira que, quanto mais usados, mais vigorosos se tornam e passam a funcionar melhor. Assim é o ser humano. Homem que envelhece, enfraquece, adoece e se torna inútil não está de maneira alguma, no projeto do Criador.

Envelhecer é sinônimo de regredir. Regredir é contrário de progredir e contraria a lei da Vida. Tudo é regido pela lei da Vida, pela lei do progresso. O envelhecimento foge à lei do progredir; portanto, na verdade, não pode existir. Deus jamais criou os seres para regredirem. A regressão é contrária à vontade divina. "Progredi e evoluí" - esta é a vontade divina inserida em todos os seres do Universo. É inconcebível que Deus tenha criado o homem à Sua imagem para trabalhar e progredir durante apenas algumas dezenas de anos e depois envelhecer, definhar e assumir aspecto miserável. Como um ser tão deplorável pode ser a imagem de Deus? Todas as criações de Deus têm a marca do progresso infinito e da evolução eterna. Todos os seres deste mundo evoluem. Tudo progride segundo a vontade divina. O homem decrépito, fraco e feio não passa de uma caricatura do homem verdadeiro criado por Deus. O homem verdadeiro - o Homem-Deus - jamais regride ou envelhece; apenas progride, apenas evolui. Assim, caminhamos para a evolução infinita. Se o homem conscientizar que a função da Vida é progredir e evoluir eternamente sem jamais envelhecer, com certeza desaparecerão o temor e a ansiedade, que são os inimigos da evolução e da felicidade, e o fenômeno de envelhecimento desaparecerá deste mundo.


Do livro: "A Verdade da Vida, vol. 24", pp. 51-70

quarta-feira, agosto 17, 2016

O poder que a mente exerce sobre o corpo - 3/4

- Masaharu Taniguchi - 


POR QUE O HOMEM ENVELHECE?

Recentemente, o ex-secretário do juiz da Grande Corte de Nova Iorque suicidou-se no dia do seu septuagésimo aniversário. Ao lado do cadáver foi encontrado um ensaio sobre a teoria do dr. Osler a respeito da duração da vida do homem, intitulado A lei do limite.

"Setenta anos - Segundo a teoria de Osler, o homem encerra aos setenta anos o seu período de vida predestinado. Terminando esse período, o trabalho ativo do homem cessa. Isto é, termina sua função no mundo terreno. Eu cheguei agora a essa idade. Suicidar-me-ei, pois não há mais razão para viver."

Como esse ancião estava demasiadamente preso à teoria de Osler, de que depois dos setenta anos o homem se torna um traste inútil e incômodo, tanto para si próprio como para a sociedade, acabou se suicidando no seu septuagésimo aniversário.

À parte a teoria de Osler, podemos notar claramente como a humanidade está sendo prejudicada pela tradicional ideia de que a vida humana é curta.

Quando o homem acredita que ele só tem força limitada, a manifestação de sua força fica realmente limitada. Existem muitos casos de pessoas que, tendo acreditado que a duração de sua vida seria de tantos anos, acabaram morrendo na idade prevista, embora essa crença tenha se arraigado em sua mente na época em que gozavam de saúde.

Tanto as obras religiosas do Ocidente como as do Oriente mostram que, para quem leva uma vida correta e saudável, é possível uma vida mais longa. Elas dizem que o homem tem o dever de viver uma vida nobre, digna de ser vivida; que ele precisa viver de modo mais puro e mais útil possível; e que tal vida nobre e útil à sociedade alonga a existência humana no mundo terreno.

A vida dos seres vivos da natureza, principalmente do reino animal, tem duração cinco vezes maior que o tempo de sua maturação. Então não seria um insulto ao Criador pensarmos que o homem é permitido viver apenas o triplo do tempo de sua maturação (que é de 30 ano aproximadamente)? Não parece lógico que o homem - a mais primorosa obra de toda a Criação de Deus - consiga viver também cinco vezes mais que o tempo de sua maturação? A fruta que recebe abundante raio solar não cai enquanto não amadurece. O homem, iluminado pela Sabedoria de Deus, também não deveria ser assim?

Será que não temos muito pouca compreensão de como somos dominados por nossa própria atitude mental? Deveríamos conscientizar muito mais que a fé exerce um grande poder em nossa vida. Sem sombra de dúvida, grande parte da humanidade encurta sua própria vida por abrigar na mente a ideia de que, chegando a uma determinada idade - provavelmente a idade em que seus pais morreram - deverá morrer também. Ouvimos frequentemente dizerem: "Já que tanto meu pai como minha mãe morreram jovens, certamente não viverei muito também".

O episódio que vou contar agora aconteceu nos Estados Unidos. Havia em Nova Iorque um homem que, apesar de ser bastante saudável, anunciou aos familiares: "Morrerei infalivelmente no meu próximo aniversário". Na manhã do dia de seu aniversário disse: "Vou morrer até meia-noite de hoje; portanto, chamem o médico", e não foi trabalhar. Os familiares, assustados, chamaram o médico. Este examinou o homem e explicou-lhe que não havia nenhuma anormalidade no seu corpo. Mas ele nem quis se alimentar. Enfraqueceu rapidamente... e acabou morrendo antes da meia-noite.

No caso desse homem, foi gravada profundamente no subconsciente a convicção de que estava se aproximando da morte, e essa convicção estancou a força vital, ceifando pela raiz as funções orgânicas vitais.

Acredito que, se alguém tivesse mudado essa sinistra convicção do homem através de poderosas palavras e incutido no fundo da mente dele a sugestão de que ele seria longevo, ele teria vivido ainda por muitos anos.

Também o próprio leitor, se se deixar levar pelo hábito de sua mente ou pelos fatos que acontecem ao seu redor e acreditar que após os cinquenta anos de idade o ser humano começa a envelhecer, que aos poucos vai perdendo o vigor físico e o interesse pela vida, sendo obrigado a se retirr da vida ativa, e que depois disso entra em acelerado processo de envelhecimento, esse pensamento impregnará todas as células dos corpos físico e espiritual, e então será inútil todo o esforço para impedir o definhamento que se verificará com o avanço da idade.

Tudo se inicia na mente. Antes de algo se manifestar no nível físico, ele surge na mente como ideia. Se surgir na mente a ideia de que você envelheceu, os sinais de senilidade aparecerão em seguida no corpo. Se surgir em sua mente a ideia de que você é jovem, cheio de vigor, ainda útil à sociedade, e se conseguir mantê-la ininterruptamente, seu corpo permanecerá jovem.

Portanto, a velhice começa na mente. Se o corpo apresentar mais sinais de velhice, eles são fruto da semente chamada velhice plantada na mente. Vendo as pessoas começarem a apresentar sinais de senilidade ao chegarem a uma determinada idade, imaginamos que também manifestaremos os sinais de velhice quando chegarmos àquela idade. E, por acreditarmos firmemente que o envelhecimento do homem é algo inevitável, os indesejáveis sinais de velhice começam a ser imprimidos em nosso corpo. Mas, se isso é inevitável, é porque, de um lado, a mente de cada um acredita que assim será, e, por outro lado, porque a mente de toda a humanidade também está habituada a acreditar que a velhice é inevitável. Portanto, tudo começa na mente.

Se conseguirmos eliminar de nossa mente a crença de que o homem é um ser fadado a envelhecer e mantivermos um ideal elevado e pensamentos repletos de esperança e alegria, a velhice não poderá de maneira alguma imprimir a sua marca em nosso corpo.

O elixir da juventude e longa vida está na mente, em nenhum outro lugar. Não adianta apenas vestir roupas jovens e usar maquiagem com o intuito de se mostrar jovem. Antes de tudo, pe preciso destruir a ideia de que você está envelhecendo. Podemos dizer que, enquanto estiver arraigada na mente a ideia de que está envelhecendo, os trajes e cosméticos não terão praticamente nenhuma força para rejuvenescer seu corpo. Antes de mais nada, você precisa mudar a convicção. Precisa remover o pensamento que imprimiu a idade em seu corpo físico.

"Sou jovem!" - assim sentindo, acredite que você tem juventude eterna. Quando você atingir essa fé, terá obtido um ponto na luta contra a velhice. Saiba que todo pensamento que você tem a respeito de idade manifesta-se em seu corpo.

Já que o corpo é a representação de seus pensamentos e sensações habituais, considere-se jovem sem reserva, por mais tempo que tenha vivido neste mundo. Isto ajudará você a conservar a juventude. Deus é eternamente jovem. O filho de Deus também é eternamente jovem.

Imagine a figura de um jovem animado, alegre, otimista e cheio de esperanças e pense que ele é você próprio. Pense que são seus o sonho, o ideal, a esperança palpitantes e toda a juventude resplandecente, próprios dos jovens. Nada é melhor do que este pensamento para reter o avanço de sua idade.

A maior infelicidade é o envelhecimento precoce da nossa força de imaginação. A vida moderna que levamos é demais árdua, atarefada, e tal modo de vida atrofia os neurônios cerebrais, prejudicando terrivelmente a imaginação, que requer jovialidade e flexibilidade. A vida atual tente a anular a flexibilidade, a delicadeza e a juventude mentais e a cortar as asas da imaginação.

Pessoas que vivem de modo muito sistemático, ou que pensam que a vida não irá pra frente se não resolverem tudo com suas próprias mãos, ou que trabalham duramente só para ganhar dinheiro e não têm tempo para mais nada - todas essas pessoas imprimem seu pensamento em sua fisionomia, marcando-a com sinais de sofrimento. Embora não sejam idosas, sua energia vital vai diminuindo, sua cútis vai enrugando e o corpo também vai endurecendo, exatamente como a mente delas.

O capricho e a arrogância também envelhecem precocemente o corpo porque as pessoas com tal caráter não têm docilidade nem maleabilidade mentais, mas um tipo de mente inflexível que teima em fazer prevalecer sua vontade.

As pessoas que vivem com a mente alegre e radiosa não envelhecem tão cedo quando as que vivem com a mente sombria.

Há outro motivo pelo qual muitas pessoas envelhecem precocemente: é que elas param de evoluir. É realmente lamentável que muitas pessoas, quando passam da meia-idade, não procurem assimilar ideias novas e modernas. Como é que elas, ao chegarem em torno dos cinquenta anos, estacionam no nível de progresso atingido até então?

Abandone a ideia de que deve parar de crescer e de evoluir só porque sua idade está avançando. É por causa dessa ideia que o homem envelhece cedo. Se você quer se manter jovem, não procure perder os hábitos de sua juventude. Não diga que não é capaz de fazer o que fazia quando jovem, que já está muito velho para fazer essas coisas, e viva exatamente como um jovem!

Por mais que você envelheça, não se acanhe de viver animadamente como na juventude. Evite toda e qualquer situação e ocasião que o faça pensar que envelheceu. Lembre-se de que o que envelhece o corpo é o envelhecimento precoce da mente, a paralisação do crescimento mental. Continue sempre, sempre, crescendo. Mantenha sempre, sempre o interesse por todas as coisas que o cercam.

Como disse anteriormente, já está comprovado cientificamente que a crença de uma pessoa de que ela morrerá em tal dia de tal mês, ou com tantos anos, atrofia as funções fisiológicas e provoca a sua morte mais ou menos na época prevista.

Se você deseja manter sempre a juventude, precisa ainda esquecer as experiências desagradáveis e acontecimentos infelizes. Certa senhora, que aos 80 anos mantinha a fisionomia jovem, respondeu, ao ser interrogada recentemente sobre seus métodos de rejuvenescimento: "É que eu esqueço os fatos desagradáveis".

Não é possível uma pessoa manter-se jovem sem continuar a crescer. Também não é possível a pessoa continuar crescendo, se ela é incapaz de sentir vivo interesse pelos fatos que ocorrem no mundo ao seu redor. Somos feitos de tal maneira que absorvemos das pessoas e coisas ao nosso redor a maior parte do sustento mental. Ninguém poderá viver isoladamente, sem parar o crescimento mental. Aqueles que seguram obstinadamente coisas velhas e aqueles que não estendem as mãos mentais para receber novos alimentos mentais não conseguem crescer.

Nada é mais fácil do que envelhecer. O homem consegue envelhecer facilmente só de pensar que vai envelhecer, só de prever o envelhecimento, só de temê-lo, só de se preparar para a velhice, só de ver o rosto dos anciãos à sua volta e imaginar que também ficará aos poucos como eles.

Aquele que pensa constantemente na hora da morte, faz planos para a morte e se prepara para a velhice está, na verdade, gravando em sua mente a ideia de que sua força está em constante declínio - de que está perdendo a força vital. Tal pensamento o separa da fonte de Vida infinita e faz com que o corpo envelheça, refletindo o pensamento.

Quem sempre mantém a ideia de que sua força está diminuindo com a idade, de que seu vigor físico está se reduzindo, e de que a velhice se aproxima sorrateiramente e vai aos poucos furtando a força vital, acabará perdendo sua força mental e seu vigor físico.

Aquele que se atém ao seu envelhecimento e diz que já não pode fazer o mesmo que os jovens por causa de sua idade, reprime a força rejuvenescedora da Vida existente no seu interior, tornando-se suscetível às doenças e a diversos problemas físicos.

A antecipação ou adiamento da velhice depende da atitude mental.

O dr. Mechinikov sustentou a tese de que o homem pode viver pelo menos cento e vinte e cinco anos. Não resta a menor dúvida de que estamos encurtando a nossa vida com pensamentos errôneos, modo de vida incorreto e crenças antigas.


PESSOAS QUE SE MANTIVERAM JOVENS POR MUITO TEMPO

A mundialmente famosa atriz Sarah Bernhardt, que se manteve sempre jovem, costumava dirigir à sua idade o seguinte brado: "Por mais que tentes me vencer, eu de domino!".

Certamente o leitor estará ouvindo esse brado proveniente do fundo da alma dessa grande atriz. Os que conheceram Sarah sabiam que o desafio dela contra a idade não era blefe. Aos 60 anos, não havia perdido a viva beleza e jamais aparentou mais de 40 anos.
Se existem pessoas tais como Bernhart que aparentam ser muito mais jovens do que são, não é porque a Natureza as tenha beneficiado mais do que às outras; a causa dessa juventude está na atitude mental delas em relação à idade. Elas não permitem, jamais, que seu rosto seja esculpido pelo cinzel da idade. Em outras palavras, elas tomaram mentalmente a decisão de não envelhecer.

Um articulista do Chicago Journal escreve: "A técnica para se tornar um velho elegante é válida; porém, o segredo para não envelhecer é muito melhor. Vale a pena aprender tal segredo. Tanto os homens como as mulheres envelhecem na medida em que se permitem envelhecer. Este é o segredo. A chave está no poder da mente. O mundo todo é governado pelo poder da mente".

Juliz Wars Howe é um exemplo marante de pessoa que, mesmo depois de avançada idade, não perdeu a vitalidade, o vigor mental nem o frescor de jovem. Mary Livermore manteve igualmente a vitalidade juvenil até morrer recentemente. O sr. Henry G. Davis, aos 80 anos de idade foi escolhido vice-presidente do Partido Democrata dos Estados Unidos e ainda estava dotado de dinamismo e energia que causava inveja às pessoas de 40 anos. Gerorge Meredith, escritor inglês, disse, na festa de seu 74º aniversário: "Não sinto nem um pouco que meu cérebro envelheceu, nem meu coração. Ainda vejo a vida com olhos de moço. Eu vim desejando não ficar caduco como as pessoas que, por terem vivido em outras épocas, olham sem simpatia a nova era e criticam os outros com base em suas ideias anacrônicas".

Caro leitor, conscientize a sua própria natureza divina! Conscientize que a Vida do homem é inextinguível como a lei matemática que determina que 2x2 seja 4. Conscientize que nenhum incidente, nenhum trabalho e nenhuma dificuldade da vida consegue atingir a parte indestrutível, a essência do ser humano. Conscientize que a Vida do homem é parte da Vida Universal que prossegue a atividade criadora infinita. Se chegar a tal conscientização, de modo algum definhará mental ou fisicamente na idade viril.

Caro leitor, tome a decisão de jamais permitir que o cinzel da idade deixe marcar abomináveis em você. E sugestione-se incessantemente com a ideia de que você é jovem, evitando assim o envelhecimento do corpo. Se não fizer tal esforço mental, será derrotado pelo pensamento comum/coletivo da humanidade, segundo o qual "o homem envelhece", e não conseguirá impedir o envelhecimento nem da fisionomia, nem da mente.

Normalmente, começamos a semear no mundo da mente a ideia de velhice já na mocidade. Se não removermos essa "semente", ela germinará quando passarmos dos 40 anos e nos levará ao crepúsculo da vida quando passarmos dos 50.


Do livro: "A Verdade da Vida, vol. 24", pp. 41-51

domingo, agosto 14, 2016

O poder que a mente exerce sobre o corpo - 2/4

- Masaharu Taniguchi - 


A FORÇA DA SUGESTÃO INFLUENCIA A SAÚDE

"O mais imperdoável de nossos inimigos é aquele que nos pergunta gentilmente: 'Hoje você está pálido, parece mal! Aconteceu algum problema?'. Desde esse instante, passamos a nos sentir mal. Ele subtrai de nós a alegria, e uma sombra escura encobre a nossa mente". - Este comentário é expressão da verdade.

O poder de sugestão pode ser comprovado por uma pessoa hipnotizada: ela apresenta olhas em sua pele quando sobre ela colocam uma moeda fria, dizendo "Vou encostar uma brasa em sua pele. Veja, você se queimou".

Se surgem bolhas num corpo por sugestão de outras pessoas, não é nada estranho que curemos nosso próprio corpo de indigestão de origem nervosa ou outras doenças, pelo poder de sugestão nossa.

Se uma pessoa hipnotizada tomar água sob o sugestionamento de que "está tomando uísque", ela começará a cambalear como se estivesse embriagada. Então é certo que, influenciando a mente de uma pessoa através da sugestão, podemos provocar diversos efeitos em seu corpo.

O dr. Frederick, formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Amsterdã, estudou com entusiasmo a parapsicologia e relatou muitos exemplos de espantoso poder da sugestão, entre os quais a experiência realizada por uma famoso professor de medicina de Paris, a respeito da qual ele diz o seguinte:

"Eu presenciei uma aula prática de clínica dada por aquele professor. Na ocasião, o professor fez um paciente beber água, fazendo-o acreditar que fosse vinho, o que o deixou embriagado. Depois fê-lo segurar uma colher fria de prata, dizendo que era uma peça de ferro em brasa, e o paciente soltou a colher, como se tivesse queimado a mão. Em seguida, o professor deu  a outro paciente um livro, dizendo-lhe: 'Esse livro está totalmente em branco'. Então o paciente não enxergou as letras impressas. O professor soprou as páginas do livro e disse: 'Veja, esse livro contém fotos de pessoas ilustres', e o paciente folheou as páginas com muito interesse. O professor soprou novamente o livro, dizendo: 'Veja, esse livro traz fotos de paisagens estrangeiras', e o paciente, parecendo enxergá-las de fato, apontou e descreveu cada uma das paisagens e depois disse: 'Isto é realmente incrível; nunca vi tal mágica'.

Depois o professor disse: 'Sei fazer mágicas mais interessantes. Feche os olhos e depois abra. Enquanto você estiver de olhos fechados, a minha cabeça terá desaparecido'. O paciente fechou e abriu os olhos, e fitou o professor com expressão de espanto. 'Que tal? Você gosta de ver um homem sem cabeça?', brincou o professor. E o paciente, dizendo 'Realmente o professor está sem cabeça! Será que fiquei louco?', deu uma pancada em sua própria cabeça."

O dr. Marden presenciou uma experiência em que sugestionaram um cavalo, fazendo-o crer que estava doente. Fizeram o cavalo deitar-se e o cobriram com um cobertor como se ele estivesse com uma doença muito grave; passaram remédio nele e o massagearam, mostrando-se compadecidos dele. Então o cavalo acabou perdendo o apetite, tornando-se incapaz de comer e beber.

Trouxeram ainda outro cavalo saudável, levantaram uma de suas pernas dianteiras, apalparam-na, aplicaram-lhe atadura, massagearam-na e trataram-na com cuidado como se aquele membro tivesse algum problema. Quando o cavalo foi andar novamente, começou a mancar de verdade.

Pelo mesmo princípio, quando a mãr se preocupa demais com a criança, dizendo "Você tem algum problema?" e mostrando assim seu medo, preocupação e ansiedade, a criança passa a apresentar sintomas da doença.

A atitude de prevenção da mãe que está constantemente imaginando um mal, temendo que algo prejudique o seu amado filho, acaba atraindo o que ela teme. A mãe que fica sempre observando se o filho não está com alguma doença, procurando detectar o menor sinal de enfermidade, contagia imediatamente a mente sensível da criança, prejudicando-lhe o funcionamento do organismo.

Numa certa família que o dr. Marden visitou, a mãe ficava constantemente dizendo aos seus amados filhos: "Você não está com algum problema? E a barriga? Que tal tomar este remédio? Talvez seja melhor aquele outro". Só à tarde ela perguntou pelo menos seis vezes a cada um dos filhos: "Você não está com frio? Não está com dor de cabeça? Não vai ficar resfriado?". E dizia: "Vai ficar resfriado se não cobrir a cabeça. Nossa, está com os pés tão molhados! Vai ficar doente!". Cuidava assim de cada um dos filhos, sempre preocupada. Por amor aos filhos, citava o nome de toda as doenças que conhecia, no intuito de resguardá-los delas. Como consequência disso, projetava na mente deles a ideia de doença, e sempre havia alguém doente em sua família. "Em casa sempre há um doente; por isso, nem posso sair", queixava-se ela. Na verdade, porém, tal mãe estava criando a doença com suas próprias palavras.

O pai não era menos preocupado que a mãe com as doenças de seus familiares. Chamava os filhos e verificava-lhes a pulsação, colocava a mão na testa deles para ver se tinham febre, e dizia: "Está um pouco quente; você está com febre". E a criança, acreditando estar realmente doente, corria para a cama.

É lamentável que sejam raros os pais que percebem que eles próprios estão introduzindo na mente sensível dos filhos os pensamentos relativos à doença e o sentimento de medo que alimentam em sua própria mente. Tentando resguardar seus filhos da doença, estão, na verdade, tornando-os doentes.

Quando o ser humano é criado dentro de tal atmosfera - de preocupação e temor relativos à doença -, com constante precaução contra supostos perigos, e sempre alertado com mil recomendações, ele é dominado pela ideia de que tudo que fizer o deixará doente; cresce com a obsessão de que praticamente não há meio de viver em paz; e, mesmo depois de adulto, será escravo do temos em relação à doença.

Se os pais souberem do terrível efeito do temor de doenças, certamente eliminarão da mente de seus filhos esse temor e procurarão não incutir neles qualquer ideia de doença.

Não faz ainda muito tempo que a humanidade começou a perceber quão espantoso é o poder da sugestão.

Bem recentemente, Marden encontrou uma mulher inteligente que, por causa de uma sugestão depressiva recebida de um romance que lera numa revista, passou mais da metade desse dia como uma verdadeira doente. Esse romance era da autoria de um famoso escritor e descrevia em estilo vigoroso um fato trágico. A forte impressão causada pelo seu estio despertou o temor à doença que estava oculto no fundo de sua mente, tornando-a completamente enferma.

É muito comum os estudantes de Medicina ficarem doentes em virtude da terrível sugestão recebida na sala de experiência de anatomia patológica ou por medo de contrair a doença que estão estudando.

Então, é natural que pensamentos sempre alegres, saudáveis e cheios de esperança influam favoravelmente no corpo, podendo até restituir a saúde ao corpo doente.

A mente de quem fica doente é um tanto fraca, subjetiva e negativa. E é muito sensível, altamente suscetível à sugestão, seja ela boa ou má.

Em oposição, a mente das pessoas saudáveis é independente, positiva e criativa; tem maior resistência à sugestão e repele os pensamentos relativos à doença.

Quase todas as pessoas devem ter experimentado melhora repentina de seu estado de saúde ao receber a visita de um amigo alegre e otimista que transmite esperança e coragem.

Da mesma forma, creio que todos nós já tivemos a experiência de ficarmos ainda mais deprimidos e doentes ao recebermos um visitante melancólico e pessimista.

O doente, assim como a criança, precisa ser encorajado. Ele precisa ser iluminado pelos outros com a luz da esperança.

Os médicos, as enfermeiras, os amigos e os parentes precisam infundir esperança, alegria e coragem na mente do doente através de sua expressão fisionômica, atitude e palavras. É incalculável o quanto isso ajuda os doentes a melhorarem. Certamente virá o dia em que isso será costume comum dos que assistem os doentes.

O que realmente se faz necessário é um médico alegre e otimista. Ele sempre sugestiona os doentes de modo que se sintam seguros. Ele estimula o poder curativo natural, que existe dentro dos doentes. Anima-os quando a face deles começa a ficar corada e encoraja-os quando a pulsação está voltando ao normal. Constantemente aviva a esperança dos doentes e os alegra, contribuindo efetivamente para a melhora deles. Os doentes confiam nos médicos. Precisamos saber que a sugestão otimista do médico é um precioso remédio, infinitamente mais eficaz do que qualquer medicamento.

Marden cita dois médicos que comprovaram na prática esse fato. Um deles era otimista, muito divertido, possuidor de senso de humor e sempre gracejava com os doentes, contava-lhes casos cômicos ou lhes infundia esperança e alegria. Quando esse médico completava sua jornada de visita aos pacientes, a atmosfera da enfermaria mudava totalmente. Sua fisionomia alegre e seu otimismo radiante como o Sol melhoravam o estado de todos os pacientes.

O outro médico era um homem melancólico, austero, calado, que dificilmente sorria. Quando o estado do paciente piorava, ele o declarava honestamente: "O seu estado está piorando". Sendo um médico honesto e consciencioso, não conseguia deixar de revelar o seu diagnóstico, por pior que fosse. Os doentes ficavam desiludidos, desanimados, e frequentemente acontecia de sucumbirem sem demora.

Como são raros os médicos conscientes de que o ânimo e a esperança de seus pacientes dependem de uma palavra ou expressão sua! Atualmente, os médico mais avançados estão começando a admitir que a energia e a capacidade autocurativa dos pacientes aumentam com a fé e a esperança de que irão se restabelecer.

Certos médicos honestos pensam que é dever seu contar a verdade aos pacientes, e que estes, por sua vez, têm o direito de sabê-la, principalmente no caso de doenças graves. Se os médicos fossem oniscientes, fizessem os diagnósticos absolutamente isentos de erro e fossem capazes de medir com precisão toda a vitalidade, toda a energia que atua dentro do corpo humano, talvez fosse correto dizer a verdade aos pacientes. Porém, mesmo o mais erudito dos médicos quase nada conhece a respeito da Vida que habita o interior do homem. Muitos são os casos em que os pacientes praticamente sem esperança de cura passam a melhorar, quando recuperam a esperança graças às palavras de um grande médico.

Então, porque os médicos não deveriam dar gentilmente aos pacientes um fio de esperança, se sabem como os pensamentos pessimistas ou um diagnóstico desanimador são nocivos aos pacientes já debilitados? Teriam os médicos outro dever maior que o de auxiliar a cura dos doentes? Por que eles não deveriam utilizar o grande poder curativo que reside na esperança e na fé?

É muito grande a influência da mente forte e saudável dos médicos sobre a mente abatida e enfraquecida dos pacientes. Os médicos devem ministrar aos pacientes um revigorante de natureza espiritual também, sempre que possível.

Os médicos têm para com os pacientes um dever infinitamente mais importante do que o de informá-los da "verdade" ou do "estado de saúde" que eles consideram verdadeiro.

O poder da sugestão, agindo sobre a mente, produz um efeito comparável ao milagre.

Lendo a história das religiões, notamos que ela está repleta de casos de cura de pessoas que se banharam em termas famosas, em fontes sagradas onde são cultuadas imagens de Nossa Senhora ou em rios considerados milagrosos.

As pessoas que passaram um tempo em estações de tratamento e recuperaram a saúde atribuem a causa da cura ao ar ou à água da região, mas não podemos negar que elas foram influenciadas em grau semelhantes pela mudança do ambiente e, consequentemente, pela sugestão recebida desse ambiente.

Os fatores mentais como a tranquilidade, a coragem, a esperança, a alegria, etc., são bem mais eficazes que os medicamentos na cura de doenças, e devem ser estimulados ao máximo.

A infelicidade da humanidade está no fato de não conscientizar o milagroso poder curativo que está oculto no interior de todo ser humano. Não há uma doença sequer que não possa ser curada pelo remédio específico que existe dentro de nós. E essa cura não é alívio temporário, mas sim a cura total e absoluta, como está testemunhada na Bíblia.


O AMOR É UMA FORÇA QUE CURA

O amor cura. A Bíblia enfatiza esse fato mais do que qualquer outro. Não vemos um pequeno exemplo disso no amor da mãe que elimina o medo e cura todos os pequenos ferimentos e doenças de seus filhinhos? É natural que a criança recorra constantemente à mãe, pedindo-lhe para massagear o local dolorido, ou refugiando-se em seus braços quando fica assustada com algo.

Se o amor da mãe tem poder de curar a criança, é lógico que o Amor de Deus, isento de qualquer interesse pessoal, tenha infinito poder de cura. Não dá a Bíblia a incontestável prova de que o amor perfeito erradica o temor? E quando o temor se vai, é eliminada uma das maiores causas de nossas disfunções orgânicas e doenças.

Para quem é atormentado pelo temor, que é o maior inimigo da humanidade, não há remédio melhor que a leitura do Salmo 91 (ou 90) e sua aplicação na vida prática. Esse grande salmo inicia-se assim: "Aquele que habita à sombra do Altíssimo, na proteção do Onipotente descansará..."

Aquele que crê no Altíssimo (Deus) e se deixa envolver por Seu amor, é protegido por Deus Onipotente. Para ele não há temor algum, preocupação alguma. Não há melancolia nem insegurança. Qualquer temor, preocupação, melancolia ou insegurança desaparecerá se interpretarmos corretamente este salmo e o aplicarmos corretamente na vida prática. Mesmo as pessoas que etão no abismo da desilusão sentir-se-ão encorajadas, se compreenderem esta Verdade!

Existe situação mais segura do que estar envolto pelos braços de Deus Onipotente? Aqueles que estão nos braços de Deus - que é a fonte de todo o bem -, aqueles que são protegidos pelo Amor de Deus, nada temem, não conhecem a tristeza nem a preocupação, pois se sentem realmente amparados pela força onisciente e onipotente e pela Sabedoria infinita de Deus.

Quando desta maneira adquirimos a convicção de que estamos ligados à fonte de tudo que é benéfico; quando conscientizarmos que a saúde não é algo que temos de conquistar de fora para dentro, mas que somos a própria saúde; quando conscientizarmos que a harmonia não é algo que obtemos combinando seres espalhados aqui e acolá, mas que nós próprios já somos a própria Verdade, o próprio princípio da Vida, então começaremos a viver de modo verdadeiro e pleno.

Todo homem sabe que possui no fundo de sua essência uma força misteriosa que cura todas as doenças. Simplesmente não tem fé suficientemente forte para revelar essa força. Todo homem sente a presença de algo divino que habita o seu interior, algo que não pertence à carne, algo que, estando por trás da carne, nos cura incessantemente. Se sabemos vagamente dessa força, é porque somos filhos de Deus, filhos da Vida. O grande objetivo da vida do ser humano está em descobrir dentro de si mesmo a chama da Vida que a tudo vivifica e a tudo rejuvenesce, e aprender a utilizá-la na vida cotidiana.


Do livro: "A Verdade da Vida, vol. 24", pp. 30-40

quinta-feira, agosto 11, 2016

O poder que a mente exerce sobre o corpo - 1/4

- Masaharu Taniguchi -


Foi bem antes de o renomado ator inglês Henry Irving morrer. O médico da família o proibiu de representar o famoso protagonista da peça Os sinos. O médico argumentara que, se Irving continuasse a representar esse papel, seu coração não resistiria a tão grande esforço. Ellen Terry, que por muitos anos fora a atriz favorita de Irving, escreveu o seguinte a seu respeito em sua biografia: 

"Quando ele estava representando e chegava à cena em que o sino toca, dava a impressão de que ia sucumbir de taquicardia. Sua face se tornava toda pálida. Nisso não havia truque algum. A força da imaginação dele, que tentava encarnar plenamente o personagem da peça, influía fisiologicamente sobre o corpo.

Quando ele representava o personagem robusto chamado Mathias e chegava à cena em que este morria, ele apresentava uma expressão totalmente diferente da que mostrava em outras cenas, e agonizava de fato, tamanha era a intensidade com que ele imaginava a morte. Os olhos  ficavam cravados no ar; numa expressão de moribundo, o rosto ficava cinzento; as mãos e os pés, gelados. Por isso, não foi sem razão que o seu coração não resistiu a tão grande excitação quando ele representou a peça Os sinos em Bradford, violando a proibição do médico de Wolverhampton. Em menos de vinte e quatro horas após ter representado no palco a morte de Mathias, ele morreu".

Na noite seguinte (foi nessa noite que ele morreu), ele representava o papel de Becket, mas o médico, vendo a sua interpretação, disse que ele continuava a trabalhar agonizando de fato. Esse famoso ator só não morreu durante a representação graças ao estímulo mantido pelo seu arrebatamento como ator e pelo entusiasmo dos espectadores.

São muito comuns os casos em que os atores enfermos, estimulados pela paixão de representar e pelo entusiasmo dos espectadores, chegaram a ficar temporariamente curados e esquecer completamente os seus sofrimentos.

O ator Edward Southern também disse: "Quando eu piso o palco, sinto que o funcionamento do cérebro melhora muito. E mesmo no nível fisiológico, a respiração se torna profunda. Sinto que o ar que respiro me estimula agradavelmente. Quando chego à entrada do palco, o cansaço se dissipa. Mesmo nas ocasiões em que teria de ir ao médico e ficar no leito, se entrar no palco, sou capaz de representar sem nenhuma dificuldade." Entre oradores, pregadores ou vocalistas famosos, há muitos que têm experiências semelhantes.

Não lamente a situação que obriga você a empenhar toda a sua força. Ela constitui uma fonte de força que o vivifica. A "necessidade premente" não é um fardo, mas fonte de vitalidade. Os sofrimentos e as doenças comuns são dissipados diante dessa fonte de vitalidade. Mesmo nas ocasiões em que pensamos ser incapazes de fazer o esforço exigido, se nos virmos diante de uma grande emergência que nos obrigue a agir, a força infinita que existe no interior de nós se manifestará e se nos salvará, tornando-nos capazes de realizar sem dificuldades até mesmo os trabalhos que parecem ser impossíveis.

Voltemos ao exemplo de vocalistas e atores. Eles têm de se apresentar todas as noites no palco, mas há ocasiões em que estão de folga. E justamente nesses momentos, por não terem o que fazer, sentem-se mais doentes e passam mal. Diz-se entre atores e vocalistas: "Não temos tempo para ficar doentes".

Disse certo ator: "Não podemos nos dar ao luxo de ficar doentes. Somos impelidos pela espora chamada 'necessidade premente'. Nós também passamos por momentos em que, se fôssemos pessoas comuns e ficássemos em casa, teríamos o direito de ficar na cama e ser doentes, como vocês. Mas, em tais ocasiões, rejeitamos a cama. Munidos apenas da necessidade de subir ao palco, repelimos o ataque da doença. Não é mentira a afirmação de que a vontade é o melhor fortificante. Quem se apresenta no palco sabe que precisa ter uma boa reserva desse fortificante".

Certo ator, vítima de reumatismo, não conseguia andar os dois quarteirões que separavam o hotel do teatro, mesmo com o auxílio de bengala. Porém, quando chegou a hora de ele entrar em cena, conseguiu não só subir ao palco com facilidade e gestos elegantes, como também esqueceu totalmente os problemas de saúde que o estavam atormentando até então. A força de vontade, que era mais forte, afastou a doença, que era mais fraca. O ator não sentia dor alguma enquanto estava no palco. Isso não significa que a doença ficasse neutralizada por outros pensamentos, sensações e emoções. Ainda que temporariamente, ele ficava totalmente curado. E quando, terminada a representação, deixava o palco, ele voltava a ser o reumático que era.

Na época da Guerra de Secessão, o general Grant estava sofrendo de forte reumatismo, mas, ao saber que o comandante da tropa inimiga, general Lee, estava querendo se render, não só esqueceu o seu reumatismo, como de fato ficou totalmente curado por determinado tempo, arrebatado por tamanha alegria.

Houve também o caso de uma pessoa que sofria de paralisia durante quinze anos e que se curou graças ao choque do Grande Terremoto de São Francisco. Durante aquela catástrofe, foram incontáveis os casos de cura milagrosa quase instantânea. Muitos que estavam acamados e não conseguiam cuidar nem de si mesmos, ao se virem naquela situação desesperadora, revelaram uma valentia de troiano e perfizeram longo percurso a pé até a zona segura, carregando os filhos e os pertences.

A aldeia de Deadwood, situada na serra Black, em Dakota do Sul, na época em que não havia ainda telefone, telégrafo nem ferrovia, era realmente um lugar desprovido de recursos; e, para chamar um médico, tinham de andar cem milhas. Por isso, para pessoas de nível comum de vida, consultar um médico estava totalmente fora de cogitação! Isso só acontecia no caso de doença ou ferimento muito grave. Nas famílias numerosas dessa aldeia havia muitas pessoas que nunca viram um médico. Quando alguém experimentou perguntar a uma dessas famílias se nunca tinham ficado doentes, recebeu uma resposta singular: "Não, nunca ficamos; simplesmente não poderíamos viver se não fôssemos fortes, pois não temos condições de chamar um médico. E também, mesmo que fôssemos chamá-lo, o doente morreria antes de ele chegar".

A maior infelicidade cultivada por nós, que nos dizemos "altamente civilizados", é termos deixado de acreditar na capacidade curativa natural que existe no interior de nós mesmos. Nas grandes cidades em que vivemos, há demasiado número de estabelecimentos que cuidam de doenças. Como consequência natural, imaginamos a doença, prevemos a doença e acabamos ficando doentes, segundo a lei da mente. Há um consultório médico a cada um quarteirão ou a cada dois quarteirões. As farmácias ostentam suas placas em todos os quarteirões. Os médicos e as farmácias estão nos tentando, como a dizer para procurá-los assim que surgir algum indício de doença. Dessa forma, passamos cada vez mais a recorrer ao auxílio externo, enquanto o poder curativo interno fica embotado e nos tornamos incapazes de curar com nossa própria força o desarranjo do corpo.

Na época em que o grau de civilização não era muito alto, nas cidades e aldeias pequenas raramente apareciam médicos. Seus moradores confiavam no poder curativo interior e não recorriam a nenhum auxílio externo. E eram fortes e revelavam grande resistência à doença.

A saúde de uma criança criada num lar que por qualquer probleminha chama o médico, está sujeita a ficar num estado lastimável. Isso porque a presença de um médico dá à criança uma sugestão bastante forte de que "ela é fraca". Há grande número de mães que, quando acham que os filhos não estão muito bem, logo chamam o médico; em consequência disso, no subconsciente dessas crianças ficam gravadas ideias de doença, médico, remédio, etc., que as influenciarão, mesmo depois de crescerem ou durante toda a vida.

Certamente virá a época em que se compreenderá que a criança e o remédio são realmente incompatíveis. A criança deve ser criada sob sugestão de amor, Verdade, de harmonia.

Desde que surgiu este movimento neo-espiritualista, aumentou muito entre os seus seguidores as famílias que não tomam remédio algum nem consultam médicos. Está ficando cada vez mais próxima a era em que se tornará ilusão do passado a crença de que, para consertar o nosso corpo criado por Deus, precisamos remendá-lo com "retalhos" materiais. De maneira alguma o Criador deixa a saúde, a felicidade e a prosperidade do homem à mercê de simples acidente, tornando necessário que ele more perto de médicos.

Deus, de maneira alguma, deixa abandonado na mão tirana do simples acaso ou da crueldade do destino o que Ele criou com amor. A Vida, a saúde e a felicidade dos filhos que Deus gerou não precisam, de forma alguma, estar perto de remédios para recorrer a eles em caso de emergência. A Vida, a saúde e a felicidade do homem não foram feitas de maneira a depender da existência ou não de plantas ou minérios medicinais na proximidade.

Acredito que Deus não comete o absurdo de deixar escondidos os remédios nas ervas e nos minérios existentes em lugares distantes e acessíveis apenas a uma pequeníssima parcela da humanidade, fazendo com que muitas pessoas morram sem consegui-los. Não seria mais lógico pensar que ele deixou guardado o remédio para curar doenças e outros males bem ao alcance do homem, isto é, no interior do próprio homem, de modo que possa ser aplicado a qualquer momento?

No interior de cada pessoa está oculta a força secreta, a Vida indestrutível, a fonte inesgotável de saúde, a qual, quando ativada, constitui o remédio que cura todo e qualquer ferimento nosso, toda e qualquer infelicidade nossa.

O homem geralmente não adoece enquanto tem de trabalhar como figura central na solução de um problema. Mesmo as damas aristocráticas de compleição frágil, dificilmente ficam impossibilitadas de comparecer, por motivo de doença, no dia em que lhes é concedida uma audiência com o chefe da nação ou quando são convidadas para a Casa Branca, em Washington.

São bastante comuns os casos em que os doentes crônicos ficam praticamente curados quando lhes é atribuída uma grande responsabilidade. Muitas vezes, as pessoas acamadas há muito tempo, quando são obrigadas a levantar e agir devido a algum acontecimento de extrema gravidade que as faz esquecer da doença, ficam completamente curadas!

No mundo todo, existem muitas mulheres que até alguns anos atrás eram extremamente fracas mas que, por ter aumentado o número de filhos para cuidar e não ter mais tempo para pensar na sua doença, passaram a trabalhar e a fazer planos em prol deles, e graças a isso estão agora vivendo com relativa saúde.

A maioria dos seres humanos fica doente se tiver tempo para isso. Mas, quando têm uma família numerosa e faminta para sustentar ou são perseguidos por diversos afazeres que a vida lhes impõe, eles têm saúde, queiram ou não.

A "situação que nos obriga a agir" - quanta gratidão deve o mundo a essa espora! Que grande esforço o homem faz quando é acuado para uma situação em que não há a quem recorrer, quando fica privado de todos os meios de salvação externa e se vê obrigado a armar-se de toda a força que possui, quando tem de sair com sua própria força dessa situação infeliz! Quanto este mundo deve a essa força da "necessidade premente"!


Do livro: "A Verdade da Vida, vol. 24", pp. 15-22

segunda-feira, agosto 08, 2016

Libertando-se de todo desejo (Goldsmith)



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As barreiras ao nosso progresso espiritual são representadas por nossas esperanças, ambições e desejos, mesmo quando bons

Alguns de nós não conseguem libertar-se da procura da saúde, e outros não conseguem libertar-se da busca ao rendimento, à comida, roupa ou companhia. Sempre, uma dessa necessidades ou desejos é a coisa que achamos que tem de ser resolvida em primeiro lugar. 

Acreditamos que, se pudéssemos nos livrar da dor, e só então, poderíamos ir em busca de Deus; ou que, se pudéssemos ser mais bem providos, então poderíamos pensar em Deus. 

Não, a coisa funciona ao contrário: se pensarmos primeiro em Deus, teremos todas essas outras coisas. 

“O homem, cujo fôlego está nas narinas” tem sempre de querer coisas, condições ou pessoas, por achar que estas lhe faltam; e, portanto, ele nunca está livre para buscar o reino de Deus e sua virtude.

Podemos desejar que nos seja dado um pensamento com o qual possamos operar a obra da cura, mas isso é um efeito. 

Podemos querer que nos seja dada uma verdade sobre a posse de bens ou companhia, mas isso, também, é um efeito. Até mesmo desejar bons pensamentos é desejar efeitos. Não desejamos bons pensamentos; desejamos apenas uma coisa: PAZ - QUE NADA MAIS É QUE A PERCEPÇÃO DE QUE O ESPÍRITO DE DEUS É O NOSSO!

O desejo é sempre uma barreira ao nosso progresso, e certamente, uma barreira no caminho da meditação. 

Quando chegamos a um ponto em que não há nada que desejemos obter da meditação, quando não estivermos nos empenhando na meditação por um propósito qualquer, mas simplesmente devotando-nos a estar em quietude, é fácil chegar à meditação. 

É só quando levamos para nossa meditação o nosso desejo por alguma coisa, e esse desejo é o desejo de um efeito, que essa PERCEPÇÃO, quietude e paz interior fogem de nós.

Trabalhar com os princípios que constituem a letra da verdade desenvolve o espírito ou Consciência da verdade. 

Finalmente, estamos vivendo na consciência de Cristo, onde é muito fácil meditar, porque não temos nem ódio, nem medo, nem amor por nada que pertença ao domínio exterior. 

Até o nosso amor pelos amigos e pela família adquire uma natureza espiritual, o que desencadeia neles uma mudança em relação a nós, de forma que eles passam a não se agarrar a nós como faziam antes, ou depender de nós, ou confiar cegamente em nós.

A conscientização de que Deus é a realização do nosso ser liberta-os e liberta-nos para o amor, porque estamos agora livres para dar e receber sem apego ou ligação. 

Podemos amar nossas famílias sem acreditar que elas nos devam algo, e sem achar que lhes devamos algo: apenas amá-las. 

Nossos familiares têm o mesmo Deus que nós temos, ou seja, o Espírito de Deus é o mesmo em todos nós, e agora estamos unidos nesse laço de amor que pode dar e receber livremente, e nunca achar que, ao dar, privamo-nos de algo, ou que, ao receber, privamos outrem de algo, isso porque sabemos que estamos sempre dando ou recebendo de NÓS MESMOS.

Chegar à percepção de nossa unicidade com Deus é a experiência mas libertadora do mundo. 

Mas chegamos a ela através de muita e muita prática, e atendo-nos a esta verdade até que, a pouco e pouco, toda a nossa consciência muda. 

Quando isso acontece, e este mundo aparentemente material “morre” para nós, ganhamos todo o mundo: ele é então todo nosso cada pedacinho. Era apenas o desejo do mundo que o mantinha longe de nós. 

Agora não há nada a ser alcançado, nada a ser ganho, nada a ser conquistado. Tudo já o foi. 

O Senhor já é nosso pastor, não porque o tenhamos ganho ou o mereçamos, nem porque façamos jus a isso, não porque vamos fazer qualquer coisa, mas simplesmente porque o Senhor é nosso pastor, o SENHOR É O NOSSO ESPÍRITO e não ficaremos em necessidade. 

Adquira a percepção consciente da presença e do poder de Deus dentro do seu próprio ser. 

Independentemente do nome ou da natureza do problema ou da necessidade, não tente resolvê-lo ao nível do problema. 

Não tente resolver a necessidade de bens materiais como tal, nem tampouco as relações de família como relações de família. 

Abandone todo e qualquer pensamento relativo a essas coisas. 

Penetre em si mesmo até alcançar aquele lugar interior que lhe fornece a resposta divina. 

Então, o seu problema se solucionará. Uma vez que você tenha tocado o Cristo dentro de você, dentro do seu próprio ser, terá tocado a fonte da vida em maior abundância.

A unicidade consciente com Deus! 

Esta constitui a unicidade consciente com todo o ser espiritual e com cada ideia espiritual.


sexta-feira, agosto 05, 2016

A Vacuidade: a realidade além da realidade

- Yongey Mingyur Rinponche -


O senso de que as pessoas vivenciam quando repousam suas mentes é conhecido nos termos do budismo como vacuidade, que é provavelmente uma das palavras mais mal-entendidas da filosofia budista. Já é difícil para os próprios budistas compreender o termo, mas os leitores ocidentais têm ainda mais dificuldade, já que muitos dos primeiros tradutores dos textos budistas em sânscrito e tibetano interpretavam a vacuidade como “o Vazio” ou o nada — erroneamente relacionando a vacuidade com a idéia de que nada existe. Nada estaria mais longe da verdade que o Buda buscava descrever.

Apesar de o Buda de fato ter ensinado que a natureza da mente — na verdade, a natureza de todos os fenômenos — é a vacuidade, ele não quis dizer que sua natureza fosse verdadeiramente vazia, como um vácuo. Ele disse que ela era vacuidade, termo que, em tibetano, é composto de duas palavras: tongpa-nyi. A palavra tonpa significa “vazio”, mas somente no sentido de algo além de nossa habilidade de perceber com nossos sentidos e nossa capacidade de conceitualizar. Talvez uma tradução melhor fosse “inconcebível” ou “que não pode ser nomeado”. A palavra nyi, por sua vez, não tem nenhum significado específico no vocabulário tibetano cotidiano. Mas, ao ser agregada a outra palavra, ela transmite um senso de “possibilidade” — um senso de que tudo pode surgir, tudo pode acontecer. Então, quando os budistas falam da vacuidade, eles não querem dizer “o nada”, mas sim um potencial ilimitado que algo tem de surgir, mudar ou desaparecer.

Talvez possamos usar, neste ponto, uma analogia com o que os físicos contemporâneos aprenderam sobre os estranhos e maravilhosos fenômenos que observam quando examinam o funcionamento interno de um átomo. De acordo com os físicos com os quais conversei, a base de todos os fenômenos subatômicos é muitas vezes chamada de estado de vácuo, o estado de menor energia no universo subatômico. No estado de vácuo, as partículas continuamente aparecem e desaparecem. Assim, apesar de aparentemente vazio, esse estado é, na verdade, muito ativo, repleto do potencial de produzir alguma coisa, qualquer coisa. Nesse sentido, o vácuo compartilha certas características com a “qualidade vazia da mente”. Assim como o vácuo é considerado “vazio”, mas, ao mesmo tempo, é a fonte da qual toda espécie de partículas surge, a mente é essencialmente “vazia” no sentido de que desafia a descrição absoluta. Entretanto, todos os pensamentos, emoções e sensações perpetuamente surgem a partir dessa base indefinível e incompletamente conhecida.

Como a natureza de sua mente é a vacuidade, você possui a capacidade potencialmente ilimitada de vivenciar uma variedade de pensamentos, emoções e sensações. Mesmo os mal-entendidos sobre a vacuidade não passam de fenômenos que surgem da vacuidade! Um simples exemplo pode ajudá-lo a obter algum entendimento da vacuidade em um nível experimental. Alguns anos atrás, um estudante me procurou pedindo ensinamentos sobre a vacuidade.

Dei-lhe as explicações básicas e ele pareceu bem satisfeito — eletrizado, até. “Isso é tão legal!”, ele exclamou ao final de nossa conversa. Minha própria experiência me ensinou que a vacuidade não é tão fácil de entender depois de uma lição, então sugeri que ele passasse os próximos dias meditando sobre o que aprendera. Alguns dias depois, o aluno chegou sem aviso no lado de fora do meu quarto com uma expressão de horror no rosto. Pálido, arqueado e tremendo, ele entrou no quarto vacilante, como alguém que estivesse testando o chão à sua frente para ver se não se tratava de areia movediça.

Quando finalmente parou na minha frente, ele disse: “Rinpoche, você me disse para meditar sobre a vacuidade. Mas, na noite anterior, me ocorreu que, se tudo é vacuidade, então o prédio inteiro é vacuidade, o piso é vacuidade e o chão embaixo do piso é vacuidade. Se esse é o caso, por que todos nós não afundamos e caímos nas profundezas de um buraco no chão?”

Eu esperei até que ele terminasse de falar. Então, perguntei: “Quem cairia?” Ele pensou a respeito por um momento e sua expressão mudou completamente.

“Ah”, ele exclamou, “entendi! Se o prédio é vacuidade e as pessoas são vacuidade, não há ninguém para cair e nada por onde cair”.

Ele soltou um longo suspiro, seu corpo relaxou e a cor voltou a seu rosto. Então, sugeri que ele voltasse a meditar sobre a vacuidade com essa nova compreensão.

Dois ou três dias depois, ele retornou a meu quarto sem aviso. Novamente pálido e trêmulo, ele entrou no quarto e parecia bem evidente que estava fazendo o máximo de esforço para prender a respiração, com medo de expirar o ar. Sentando-se na minha frente, ele disse: “Rinpoche, meditei sobre a vacuidade como você instruiu e entendi que, da mesma forma como o prédio e o chão são vacuidade, também sou vacuidade. Mas, à medida que me mantive seguindo essa linha de meditação, continuei me aprofundando cada vez mais, até que não fui mais capaz de ver ou sentir nada. Se eu não for nada além de vacuidade, tenho medo de morrer. Por isso corri para vê- lo hoje. Se eu for só vacuidade, então basicamente não sou nada, e não há nada para impedir que eu me dissolva no vazio.”

Quando vi que ele havia terminado, perguntei: “Quem se dissolveria?”

Esperei alguns momentos para que ele absorvesse a questão e pressionei mais um pouco: “Você está confundindo vacuidade com vazio. Quase todo mundo comete o mesmo erro no começo, tentando compreender a vacuidade como uma idéia ou um conceito. Eu mesmo cometi esse erro. Não há como entender a vacuidade conceitualmente. Você só pode reconhecê-la de fato por meio da experiência direta. Não estou pedindo que você acredite em mim. Tudo o que estou dizendo é que, nas próximas vezes em que você se sentar para meditar, deve perguntar a si mesmo: ‘Se a natureza de tudo é a vacuidade, quem ou o que pode dissolver-se? Quem ou o que nasce e quem ou o que pode morrer?’ Tente isso e você pode se surpreender com a resposta.” Com um suspiro, ele concordou em tentar de novo.

Vários dias mais tarde, ele voltou a meu quarto, sorrindo tranqüilamente ao anunciar: “Acho que estou começando a entender a vacuidade.” Eu pedi que me explicasse. “Segui suas instruções e, depois de meditar sobre o assunto por um longo tempo, percebi que a vacuidade não é o nada, porque deve haver algo antes de haver o nada. A vacuidade é tudo — todas as possibilidades da existência e da não-existência imagináveis ocorrendo simultaneamente. Assim, se a sua verdadeira natureza for a vacuidade, então não se pode dizer que alguém realmente morre e não se pode dizer que alguém realmente nasce, porque a possibilidade de ser de certa forma e não ser de certa forma está presente dentro de nós em todos os momentos.”


“Muito bem”, eu disse. “Agora esqueça tudo o que você acabou de dizer, porque, se tentar lembrar-se exatamente disso, transformará tudo o que aprendeu em um conceito e precisaremos começar tudo de novo.”


Do livro: “A Alegria de Viver – Descobrindo o Segredo da Felicidade”