"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

quinta-feira, setembro 03, 2015

"Eu e o Pai somos Om"


- Núcleo - 


Divinos personagens,

Jesus disse: “Eu e o Pai somos Um”.

Jesus compartilhou uma percepção divina, uma percepção consciencial.

Uma percepção consciencial é impessoal e é válida tanto para quem a tem quanto para quem a percebe!

Saibam identificar o “mestre” que aparece no mundo externo como sendo a própria percepção do Mestre em vocês que percebe “o mestre que aparece”.

Assim, “o mestre que aparece” no cenário visível pela mente compartilhando suas percepções é o Mestre que está sendo percebido por nós!

Atentem que é a percepção que está em nós que percebe o mestre! Essa percepção não é de quem estamos sendo, mas sim, de Quem somos!

Ou seja, essa percepção não é da mente do personagem que estamos sendo, mas sim, é a percepção da Consciência do Ser Real que já somos.

Essa é a chamada “percepção consciencial” revelada pelo ensinamento compartilhado no Núcleo. Ela está em nós por sermos Um com o Ser Real da qual emerge.

Quando Simão, respondendo À pergunta de Jesus, disse: “Tu és o Filho de Deus vivo”, essa percepção não foi da “mente de Simão”, mas sim, da “Consciência do Ser divino” que percebeu ser Jesus o “Filho de Deus”!

Por isso disse Jesus: “Simão, isso quem te revelou não foi carne e sangue, mas meu Pai, que está no céu.”

Em outras palavras: “Isso quem te revelou não foi carne e sangue [ou seja, não foi aquilo que está na “representação”, não foi a “carne e o sangue”, não foi a “mente”]; mas foi “meu Pai” [foi a Consciência do Pai], que está no céu [ou seja: foi a Consciência do Ser, que está na Realidade divina do próprio Ser; ou seja, que “está no céu”]

E Jesus completou dizendo que: sobre esta pedra [ou seja, sobre esta “percepção pétrea”, que é a percepção firmada na “pedra indestrutível”, que é “a Verdade”, que é a Vida interior do homem] edificarei a minha eclesia [edificar a eclesia significa edificar a comunidade dos que seguem esta “percepção pétrea”, fundada na Verdade].

Assim, ao declarar “Eu e o Pai somos Um”, Jesus compartilhou a percepção de que: O “eu” do Filho do Homem e o “eu” do Filho de Deus [personagem divino que ele é], e o “Pai”, que é o “Eu” do Ser, são Um, ou seja, são o mesmo Ser; são a mesma essência.



Por isso o Evangelho de João tem as seguintes revelações, que são percepções conscienciais compartilhadas, e está escrito:

“No Princípio era o Verbo.
E o Verbo estava com Deus;
O Verbo era Deus;
E o Verbo se fez carne.”

Pra facilitar a compreensão e a visualização destas revelações divinas contidas no evangelho de João, no “esquema visual” do ensinamento compartilhado no Núcleo o “Circulo sem imagens” corresponde ao “Princípio”, no qual “era o Verbo”. Nele o “Verbo divino” [que corresponde à Palavra sânscrita OM] está presente como “Nome”; está presente mas sem forma, ou seja, está presente mas sem imagem; está presente apenas como Essência, como Substância.

Na segunda figura do “esquema visual” aparece uma Imagem do Verbo, ou seja, uma Imagem do OM, como a imagem do Buda Eterno ou Cristo Eterno.

Sendo o “Verbo” a essência ou substância do Ser, tanto o “eu” do personagem Jesus, a quem ele se refere como Filho do Homem, quanto o “Eu” do Ser Real que Ele É, a quem ele se refere como Pai, são Um, porque são a mesma essência ou substância, quer seja referida apenas como Nome, ou seja, sem imagem (Figura 1), ou como forma, que então “aparece” ou é representada como uma imagem do Buda Eterno ou Cristo Eterno (Figura 2) ou como a imagem fenomênica de Jesus (Figura 3), que é o “Filho do Homem”.

O que deve ser notado é que a percepção consciencial compartilhada por Jesus é válida tanto pra ele quanto pra cada um de nós, de forma impesssoal e atemporal…

Mas, por ser uma percepção “consciencial” não é a percepção da mente do personagem que estamos sendo, mas sim, é a percepção da Consciência do Ser que somos!

Podemos identificar esta percepção atuando em nós quando percebemos a divindade, o “Mestre”, “aparecendo como” algum personagem no cenário da representação!

Assim, se reconhecemos alguém como sendo a personificação de Deus, do Mestre, seja ele Jesus, Buda, Masaharu Taniguchi, ou qualquer outro “divino personagem”, esta percepção é a percepção do Mestre que está emergindo em nós! É a percepção da Consciência que está emergindo em nós. E ela se expande ao ponto de nos fazer incluir a todos neste “re-conhecimento” divino de Quem todos são e de Quem nós mesmos Somos!

Esta é a essência da revelação, do ensinamento divino ou percepção consciencial, que diz: “Amai a Deus sobre todas as coisas e amai ao próximo como a ti mesmo.”

O “AMOR” não é um “SENTIMENTO” do personagem que estamos sendo; é uma PERCEPÇÃO do Ser que somos…

Em certo sentido podemos dizer que o Amor é a lente com que Deus percebe! Em verdade o Amor é mais que a percepção que Deus tem pois é o que Ele mesmo É.

Deus é Amor e Amor é Deus.

O Verbo de Deus é o próprio Deus em Ação…

E amar é o Verbo que revela a ação de Deus!

Se quer PERCEBER como Deus percebe, AME…

Sendo OM o Verbo divino a ação de Jesus revelou que ele atuou como o próprio Verbo divino.

Aquele que ama, ou seja, que age como o próprio Verbo divino percebe que: Eu e o Pai somos Um;

Aquele que ama, ou seja, que age como o próprio Verbo divino percebe que: Eu e o Pai somos OM!

Namaste.


terça-feira, setembro 01, 2015

"Iluminação" e a "Natureza de Maya"


- Núcleo - 


Escute ArjunaEntre Mim e este Universo move-se mayadenominada ilusão. Deveras, é difícil, uma árdua tarefa o homem alcançar ver além de maya, porque maya também é Minha. É da mesma substância. Você não a pode supor separada de Mim. É criação Minha e está sob o Meu controle. Numa fração de segundo revira o mais poderoso dos homens de pernas pro ar! Somente aqueles que são plenamente ligados a Mim podem vencer maya.

Arjuna, não veja em maya, o mínimo que seja, algo repulsivo que tenha descido de qualquer parte. Ela é um atributo da mentefazendo esta ignorar a Verdade e o Eterno ParamatmaMaya conduz ao erro de acreditar que o corpo é o Ser. Não é algo que era e depois desaparecerá; nem é alguma coisa que não era, vem a ser, e ainda é. Maya nunca foi; não é; e nunca será. É um nome para um fenômeno inexistente. Mas esta coisa não existente vem de dentro da própria visão!  É igual à miragem no deserto, um lençol d’água que nunca houve nem há. Quem conhece a Verdade não vê miragem. Somente os desavisados quanto ao deserto são por ela atraídos. Correm para ela e sofrem aflição, exaustão e desespero. Como a sombra crescendo dentro do quarto, a esconder o próprio quarto; como a catarata a crescer no olho suprime a visão, maya apega-se àquele que a ajuda a crescer. 

Arjuna, você pode perguntar se maya, que penetra e prejudica o próprio lugar que lhe dá origem, não Me tem maculado, pois em Mim tomou nascimento. Tal dúvida é natural. Mas é sem base. Maya é a causa de todo esse universo, mas não é a causa de DeusSou Eu a autoridade que a dirige. Este universoque é produto de maya, move-se e se comporta de acordo com a Minha Vontade. Assim, a pessoa que estiver ligada a Mim e se conduza de acordo com a Minha Vontade não pode ser prejudicada por maya; maya reconhece autoridade nela também. O único método para vencer maya é adquirir jnana (sabedoria) do Universale redescobrir sua própria natureza Universal. Você atribui limite à existência daquilo que é eternopois isto é o que produz maya. Fome e sede são características da existênciaAlegria e tristeza, impulso e imaginação, nascimento e morte são tidos características do corpoNão são características do Universal, do Atma.


Acreditar que o Universalque é você mesmo, está limitado e sujeito a todas essas características não-átmicas – isto é maya. Mas lembre-semaya não ousa aproximar-se de quem tenha Me tomado por refúgio. Para aqueles que fixam a atenção em mayaela opera como um obstáculo de vastidão oceânica. Mas aos que fixam sua atenção em Deusela se apresentará como Krishna! A barreira de maya pode ser superada, seja por desenvolver a atitude de unidade com Deus Infinitoseja pela atitude de completa submissão ao Senhor. 
(Sathya Sai Baba - Gita Vahini)


Divinos personagens,

“Iluminação” é estar consciente de que Deus é o único Ser Real e, da real identidade!

Assim, o “iluminado” está consciente de Quem Deus É, e de Quem (tudo e todos os seres) Somos…

Aquele que está consciente de que não há outro Ser Real senão o próprio Ser, quem pode e sabe ser senão o próprio Ser?

Um ator não deixa de ser “ator” quando está representando. É “atuando” que ele se expressa e que se realiza!

Deus é o ator divino, e por ser divino atua tanto representando o papel de “personagens” quanto o papel de “cenário” e dos “objetos do cenário”!

Assim, o “Ator divino” quando está atuando está presente em toda a Sua “encenação divina”.

Está consciente tanto quando a “vê” como “encenação” quanto quando a “vê” como real…

Quando a “vê” como “encenação” está atuando como um personagem desperto, iluminado;

Quando a “vê” como real… está atuando como um personagem indesperto, não iluminado.

Em ambos os casos trata-se do próprio Ser Real consciente de que é “o ator” representando!

Portanto o Ser Real é a real identidade de todos os personagens e também de todo o cenário!

Na linguagem védica essa “representação divina” é chamada de “Maya”.

Maya surge do Ser e é o próprio Ser Quem está presente em toda ela, tanto como personagens quanto cenário!

O que se segue é uma passagem do livro Gita Vahini (A Interpretação do Bhagavad Gita por Sathya Sai Baba), comentado conforme a linguagem exposta pelo Núcleo.

Os comentários estão entre colchetes, assim: […]

Escreve Sai Baba:

Escute Arjuna [personagem]! Entre Mim [o Ser Real; o Ator] e este Universo move-se maya [a representação divina], denominada ilusão. Deveras, é difícil, uma árdua tarefa o homem [o personagem] alcançar ver além de maya, porque maya também é Minha. É da mesma substância. Você não a pode supor separada de Mim. É criação Minha e está sob o Meu controle. [Notem que Krishna é Quem está falando com Arjuna e que ele é consciente de que é tanto o aspecto criador do Universo Real, Brahma, quanto é consciente de que Ele é Quem cria a “representação”, “maya”. Um adendo: em termos da simbologia védica há um Deus universal chamado de Brahman. Brahman revela ter três aspectos: O aspecto criador de Brahman é chamado de Brahma; o aspecto preservador de Brahman é chamado de Vishnu; e o aspecto transformador é Shiva. Krishna manifesta ora um ora outro desses aspectos, sendo por esse motivo considerado por uns como um “avatar” de Shiva e por outros um “avatar” de Vishnu. Literalmente a palavra “avatar” significa “descida”; a “descida de Deus”, do céu, para Se manifestar no Universo! Portanto, Krishna é a própria divindade manifesta! Ele é o Ser Real, consciente de Quem É! Por ser Quem É, Krishna conhece sua real identidade e a real identidade de todos os seres, e conhece também a natureza tanto do Universo Real quanto da representação divina, maya. É o que Krishna está revelando a Arjuna neste diálogo divino. Daí a importância do texto!]

Krishna diz:

“Numa fração de segundo revira o mais poderoso dos homens [personagens] de pernas pro ar! Somente aqueles que são plenamente ligados a Mim [o Ser Real] podem vencer maya [vencer maya não significa se debater contra maya com a finalidade de vencê-la, mas sim, significa vê-la com uma visão que a transcende, que percebe sua natureza de representação divina, ou seja, aquilo que parece ser real, mas que em realidade não é!]. Arjuna, não veja em maya, o mínimo que seja, algo repulsivo que tenha descido de qualquer parte. Ela é um atributo da mente [Que revelação divina! Notem que é a visão da “mente do personagem” que vê maya como sendo algo real], fazendo esta ignorar a Verdade e o Eterno Paramatma [A Verdade é que só Deus é Real. Há um Universo, criado por Deus, que é Real. Mas maya é apenas uma representação divina]. Maya conduz ao erro de acreditar [acreditar é perceber com a “mente do personagem”, é “ver” mentalmente a representação e tomá-la como real…] que o corpo é o Ser. Não é algo que era e depois desaparecerá; nem é alguma coisa que não era, vem a ser, e ainda é. Maya nunca foi; não é; e nunca será [Maya é uma representação].

É um nome para um fenômeno inexistente. Mas esta coisa não existente vem de dentro da própria visão! [Outra revelação divina digna de nota! Krishna está revelando que é a visão da mente do personagem que vê o que não é real e a projeta como se fosse real, tornando-a real para a própria visão da mente do personagem…] [Em seguida Krishna elucida que…] É igual à miragem no deserto, um lençol d’água que nunca houve nem há. Quem conhece a Verdade não vê miragem. Somente os desavisados quanto ao deserto são por ela atraídos. Correm para ela e sofrem aflição, exaustão e desespero. Como a sombra crescendo dentro do quarto, a esconder o próprio quarto; como a catarata a crescer no olho suprime a visão, maya apega-se àquele que a ajuda a crescer.”

Prossegue Krishna:

“Arjuna, você pode perguntar se maya, que penetra e prejudica o próprio lugar que lhe dá origem, não Me tem maculado, pois em Mim tomou nascimento. Tal dúvida é natural. Mas é sem base. Maya é a causa de todo esse universo [universo do personagem; representação], mas não é a causa de Deus [e nem é a causa do Universo Real, que é gerado por Brahman].

Sou Eu a autoridade que a dirige [Krishna é a base que “sustenta” a representação. Isto significa que não seria possível haver representação sem o Ator, sem os personagens e sem o próprio cenário]. [Por isso, acrescenta Krishna que] Este universo [irreal, este universo dos personagens], que é produto de maya, move-se e se comporta de acordo com a Minha Vontade. Assim, a pessoa que estiver ligada a Mim e se conduza de acordo com a Minha Vontade não pode ser prejudicada por maya [“estar ligada em” Krishna é ser unida à visão que Krishna proporciona; é estar percebendo a onipresença da divindade na representação, e ao mesmo tempo estar consciente de que se trata de uma representação e não da Realidade]; maya [por ser da mesma substância de Krishna e não poder se supor separada de Krishna] reconhece autoridade nela também. O único método para vencer maya é adquirir jnana (sabedoria) do Universal [o conhecimento do Ser Real], e redescobrir sua própria natureza Universal. Você [com a visão de um personagem do Ser] atribui limite à existência daquilo que é eterno [o Ser Real], pois isto [a visão mental] é o que produz [o que faz surgir] maya. Fome e sede são características da existência [dos personagens]. Alegria e tristeza, impulso e imaginação, nascimento e morte são tidos características do corpo [do personagem que se percebe num universo dual…]. Não são características do Universal, do Atma [do Ser Real].

Acreditar [perceber com a mente do personagem] que o Universal [que o Ser Real], que é você mesmo, está limitado e sujeito a todas essas características não-átmicas – isto é maya. Mas lembre-se [bela ênfase de Krishna a Arjuna e a todos os divinos personagens]: maya não ousa aproximar-se de quem tenha Me tomado por refúgio. Para aqueles que fixam a atenção em maya [para os que se fixam na percepção da mente que “vê” maya], ela opera como um obstáculo de vastidão oceânica. Mas aos que fixam sua atenção em Deus [para os que se fixam na percepção da Consciência que “vê” a Realidade], ela se apresentará como Krishna! [E completa Krishna dizendo que…] A barreira de maya pode ser superada, seja por desenvolver a atitude de unidade com Deus Infinito [seja por se ver em unidade com Deus], seja pela atitude de completa submissão ao Senhor [seja por seguir as orientações divinas, como contidas nesta esplêndida e muito elucidativa revelação divina de Krishna a Arjuna!].

E para completar, usando a linguagem bíblica…

Disse Jesus:

"Vós já estais puros pela palavra que vos tenho anunciado. Permanecei em mim [Ser Real] e Eu permanecerei em vós. O ramo [o personagem] não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira [no Ser Real]. Assim também vós não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em Mim. Eu sou a videira [o Ser Real]; vós, os ramos [personagens]. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem Mim nada podeis fazer.

E quanto a tudo o que disse, Jesus revelou:

Já não vos chamo servos [personagens inconscientes], porque o servo não sabe o que faz seu senhor. Mas chamei-vos amigos [personagens conscientes], pois [sendo Eu o Ser real que aparece na representação como um personagem consciente] vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai [o Eu Verdadeiro, a Consciência do Ser, a nossa real identidade!]. (João 15:15)

Namastê!

domingo, agosto 30, 2015

Um "personagem" não pode alcançar a iluminação

- Nisargadatta Maharaj -


Um grupo de três pessoas estava visitando Maharaj pela primeira vez. Embora padecendo na cama e extremamente fraco, Maharaj lhes perguntou se tinham alguma pergunta a fazer. Eles conversaram entre si e decidiram fazer apenas uma pergunta: “Maharaj, todos nós fizemos certa Sadhana por algum tempo, mas o progresso não parece adequado. O que devemos fazer?”

Maharaj disse que o propósito de qualquer esforço é obter algo, algum benefício, que não se possui.

- “O que é isto que tentam atingir?”

A resposta foi rápida e positiva: 

- “Nós queremos ser como você – iluminados.”

Maharaj riu e se empertigou na cama. Quando estava mais confortável com dois travesseiros para apoiar suas costas, ele continuou:

“É nisto que a ideia errada está enraizada: em pensar que vocês são entidades que devem alcançar algo para que possam se tornar como a entidade que vocês pensam que eu sou! Este é o pensamento que constitui a ‘escravidão’, a identificação com uma entidade – e nada, absolutamente nada, exceto a desidentificação, causará a ‘liberação’.

Como eu disse, vocês vêem a si mesmos e a mim como entidades [personagens], entidades separadas; eu vejo vocês exatamente como me vejo [o Ator]. Vocês são o que eu sou, mas vocês se identificaram com o que pensam ser – um objeto – e buscam a liberação para este objeto. Não é uma enorme piada? Poderia algum objeto ter existência independente e vontade de agir? Poderia um objeto estar escravizado? E liberado?”

O interlocutor juntou suas mãos em namaskar e, muito respeitosamente, sugeriu que o que Maharaj tinha dito não poderia talvez ser questionado como um ideal teórico, mas que, certamente, disse ele, ainda que as pessoas possam ser entidades fictícias, nada mais que meras aparições na consciência, como viveríamos no mundo a menos que aceitássemos as diferentes entidades como suficientemente ‘reais’ na vida?

Esta discussão pareceu animar extraordinariamente o Maharaj, e a debilidade em sua voz desapareceu gradualmente. 

Ele disse:

“Você vê quão sutil é este assunto? Você respondeu sua própria pergunta, mas a resposta lhe escapou. O que você disse é que você sabe que a entidade como tal é totalmente fictícia e não tem autonomia própria; é apenas um conceito. Mas a entidade fictícia deve viver sua vida normal. Onde está o problema? É muito difícil viver uma vida normal, sabendo que a vida em si é um conceito? Você compreendeu? Uma vez que tenha visto o falso como falso, uma vez que tenha visto a natureza dual do que chama ‘vida’ – que na realidade é viver – o restante será simples; tão simples como um ator desempenhando seu papel com entusiasmo, sabendo que é apenas um papel que ele está desempenhando em uma peça ou um filme, e nada mais. Reconhecer este fato com convicção, apercebendo-se desta posição, é toda a verdade. O resto é mera atuação.”


(Do livro: "Sinais do Absoluto")

FONTE: Editora Advaita - http://editoraadvaita.blogspot.com.br/2013/06/uma-entidade-nao-pode-alcancar.html

sexta-feira, agosto 28, 2015

A experiência da "Iluminação"

- Núcleo -


A questão é: Pode um “personagem” se iluminar?

Pode o “cebolinha” [personagem criado por Maurício de Souza] se tornar consciente de que ele é uma ficção do próprio Maurício de Souza?

Mesmo que o Maurício de Souza escreva um texto no qual o cebolinha adquira esta consciência, ou seja, se “ilumine”, seria esta uma experiência real do cebolinha? O fato é que a “experiência de iluminação”, como toda “experiência”, está no campo da “representação”, na qual estão inseridos os personagens do Ser. Assim, a experiência de iluminação ocorre apenas na “representação”. O que todos os que se “iluminaram” descrevem é que eles se tornaram conscientes de que eles não são “personagens”, e que sua real identidade é a de Quem sempre foram, que é o Ser Real, porque nenhum personagem é real.

Se o “personagem” não é real, não há alguém [real] para se iluminar… e Aquele que é o real iluminado, a real identidade de todos os seres, o Real “Autor” dos personagens criados, não está na representação, mas sim em Sua própria Realidade! Assim, a experiência de iluminação é isso: uma experiência que ocorre apenas no âmbito da própria representação e que, então , altera “a fala” do personagem a respeito de Quem ele É e de Quem todos Somos.

O algo a ser notado aqui é que a “percepção” de Quem Somos não está na “mente do personagem” que estamos sendo, mas sim, está na “Consciência do Ser” que [já] somos. Ou seja, esta percepção está em Quem sempre fomos e sempre seremos; está além da realidade de “quem estamos sendo”, pois, a “realidade de quem estamos sendo” é uma representação divina e não a Realidade.

Apenas em certo sentido é possível que um personagem se ilumine… no sentido de que ele perceba que não é quem está sendo, que é Quem sempre foi, “antes que houvesse mundo…”, ou seja, antes que houvesse a representação. Aqui a palavra “antes” é empregada não no sentido temporal, mas no sentido de “a despeito de haver” ou “independentemente de” haver alguma representação. A percepção é a de que não há um personagem que se ilumina; não há um personagem que percebe Sua real identidade, e que é o próprio Ser Real Quem Se percebe, como sempre Se percebeu. Na representação vai parecer que um personagem teve a “experiência de que se iluminou”!

Porém, nossa real identidade é que somos o Ator, não os personagens! Já somos Quem Somos, somos o Ser Real antes que houvesse mundo [antes que houvesse a representação divina…].

O que a “mente do personagem” pensa sobre isso não altera a realidade! Se pensa que a iluminação é possível ou que não é possível; se pensa que é algo real ou não, isso não altera a realidade de que a “iluminação” é uma “percepção”, não um pensamento. Essa percepção não é do personagem e nem mesmo de um personagem específico. Apenas o Próprio Ser Se percebe, e percebe que não há nenhum “outro”, não há nada além de Si mesmo e de Sua Realidade! E a bem-aventurança dessa percepção divina também só é percebida por Si mesmo!

Mas, enquanto se identificando como sendo um personagem, ninguém deve se desesperar pensando que não terá a experiência de iluminação. Não pense assim, pois, ela é inevitável! É o próprio ato de “pensar” que ativa a percepção da mente do seu personagem e cria a “ilusão de separação”, a visão dual de que existe o personagem e o Ser; você e Deus... Pois só o Ser é real. Enquanto a mente do personagem pensa em termos de “existência” [que significa “ex-sistere”, ou seja, algo que está fora] a Consciência do Ser percebe a “seidade”, no sentido de aquilo que É em si mesmo, ou seja, algo que é o próprio “Ser”, e que É em “Si mesmo”; aquilo que É o que É! Portanto, não pense! Simplesmente perceba! Perceba Quem percebe em você e perceberá que não há um “você”, mas apenas Quem percebe… “Aquieta-te e saiba: Eu Sou Deus!”

Perceba apenas: “Eu Sou Aquilo”
É o que na representação divina… percebo, desfruto e compartilho!

Assim seja!
Assim É…


quarta-feira, agosto 26, 2015

O Tempo e a Eternidade

- Núcleo - 


Quem Eu Sou é o tempo e a Eternidade …
Em outras palavras…
Quem Eu Sou é o tempo (representação divina) e a Eternidade (Realidade Divina)
Não há exceção da divindade…
Há apenas onipresença!

Não há espaço vazio onde parece haver…
Não há solidão onde parece haver…
Não há nascimento, envelhecimento, doença ou morte, onde parece haver…
Há apenas Deus, o Ser Real;
Há apenas a divindade onipresente!

Onde parece haver ódio, Eu Sou o perdão…
Onde parece haver tristeza, Eu Sou a alegria…
Onde parece haver desespero, Eu Sou a esperança…
Eu Sou a Realidade por trás da representação!

O Amor é o Caminho para Me ver…
Eu Sou esse Amor divino!
Eu Sou o Caminho!
Eu Sou Quem ama…
Eu Sou Quem é amado…

Apareço como passado e futuro…
Mas Eu Sou o eterno presente!
Assim como apareço como você…
Mas Eu Sou Quem Eu Sou!

Você e Eu parecemos ser dois…
Mas Somos Um só Ser!
Você parece ser real…
Mas sua realidade Sou Eu!

Sim,
Sou o tempo e a eternidade…
A representação e a Realidade!


segunda-feira, agosto 24, 2015

"Eis, aqui e agora, o dia da Salvação!"

.
Diz um ditado: "O tempo cura todas as feridas". Não há dúvida que com o passar do tempo, nossas mágoas, frustrações, acontecimentos infelizes, tendem a desvanecer-se.

No entanto, faço uma objeção a esse brocardo popular: por que preciso esperar certo tempo, após uma experiência desagradável, para, de novo, usufruir minha paz, alegria, motivação e positiva atitude em relação ao futuro? Sou mesmo obrigado a sofrer um período de desânimo e tristeza, por causa de um desentendimento com alguém? Ou porque um empreendimento não deu certo? Não! Se todos estamos sujeitos a experiências frustradoras, isso não quer dizer que sejamos obrigados a sempre reagir negativamente a elas. Só quando aceito o teor negativo de uma experiência é que me magoo e levo certo tempo para recuperar o estado natural.

Não sou obrigado a reagir negativamente! Tenho outra alternativa. Aceito que o Divino, em mim, (Eu) tem o poder de curar todas as feridas e restaurar todos os desentendimentos, ao revelar-me que a parte humana (eu) reage por causa de suas falhas. Ele (Eu) me dá compreensão das causas, em mim, para eu extrair proveito da experiência e evitá-las no futuro. Esse tratamento interno (percepção de quem Sou) é muito rápido, consciente e iluminador.

No Espírito (Em Mim, no Eu) não tenho que esperar que a tempestade humana se acalme, para de novo nascer o sol; nEle (no Eu, ou, em Mim) me restauro, aqui e agora mesmo. Ele (Eu) não deseja ver-me (a mim, personagem) mergulhado dias, semanas, meses, em sombras e amarguras.

Obrigado, meu Deus (minha real identidade, o Eu do Ser que Sou), por me fazeres saber (por me tornar consciente de) que não sou meus pensamentos, sentimentos e hábitos (de que esse eu é apenas a máscara, o títere, o personagem). Tudo isso é provisório (essa visão do eu, a percepção do personagem). Meu verdadeiro Ser, que és Tu (o Ser Real, o Eu, a minha identidade real), transita, incólume, através de todas as experiências.


Comentário (Núcleo):

Divinos personagens,

Se observarmos com atenção veremos que esse texto expressa a distinção entre perceber algo mentalmente (perceber com a mente do personagem, da identidade humana, o "eu") e perceber algo consciencialmente (perceber com a Consciência do Ser, da identidade divina, o "Eu").

Notemos que quando reagimos a algo que percebemos estamos acionando a "percepção mental", pois quem reage é o "eu", a mente do personagem. Da mesma forma, quando interpretamos algo, estamos o fazendo mentalmente, pois quem interpreta também é o "eu", a mente humana. Mas somos o Ser! Nossa real identidade é o "Eu", aquilo que "É" e sempre "É". Esse "Eu" de nossa real identidade É o que É. Quando Moisés subiu a montanha, ele recebeu os "dez mandamentos"; esse "subir a montanha" significa elevar-se ao mais alto nível de percepção, o da Consciência do Ser, que realmente somos. Nesse alto nível de percepção Moisés teve a revelação do Ser: Eu Sou o que Sou.

Enquanto personagens do Ser, estamos imersos no mundo dos nomes e formas, das circunstâncias sempre mutáveis e então oscilamos conforme muda o cenário, como os títeres (bonecos/marionetes) se movem com os movimentos da mão daquele que os movimenta.

Até que estejamos conscientes de Quem Somos, nosso "animador" é o mundo. Seremos títeres do mundo reagindo mentalmente aos acontecimentos e imagens que nossa mente percebe. A mente do personagem percebe, interpreta e reage.

O "dia da salvação" ocorre no instante em que nos livramos das reações mentais e percebemos que "apenas Deus, o Ser que É aquilo que É, e sempre É, é real". O mundo ao qual a mente do personagem interpreta e reage é sempre mutável, ou seja, não é o que é - ele "está sendo", está sempre mudando. Há aqui ainda uma sutileza realmente importante e digna de toda a atenção: Quando percebemos a realidade consciencialmente, do "alto da montanha", despertamos para o fato de que o mundo que a mente percebe não é o mundo real. A mente humana não está de fato percebendo aquilo que É, mas, ela percebe apenas aquilo que parece ser! Não é real.

O universo divino e real é perfeito, mas a mente percebe apenas a imagem que é capaz de "conceber". Ela "vê" de forma distorcida Aquilo que realmente É, ou seja, não vê - ela imagina, distorce, se ilude. Assim, o universo percebido pela mente é ilusório. Não que ele seja ilusório em Si mesmo, mas significa que aquilo que a mente do personagem vê, a imagem que ela capta, a interpretação que ela dá, e as reações que ela tem, fazem do personagem um títere do cenário que vê, que interpreta e ao qual reage.

O texto evidencia que podemos nos colocar acima da percepção mental, que podemos "perceber" as experiências pelas quais passamos de outra forma, não com a mente do personagem, mas com a Consciência do Ser, que JÁ somos, somos AGORA. É esta percepção (a da Consciência do Ser que somos, do "Eu") que revela a verdade expressa no texto: "EIS AQUI E AGORA O DIA SALVAÇÃO".

No texto há comentários escritos entre parênteses. A percepção da identidade enquanto personagem foi colocada como (eu ou mim); a percepção da identidade como o Ser real que somos foi colocada como (Eu ou Mim).

Nós não somos "títeres do mundo", ou ao menos não precisamos estar sendo. Basta nos elevarmos acima da percepção mental, das reações e interpretações que a mente dá ao que vê. Como Moisés, nós podemos "subir a montanha" e nos elevar aos mais altos níveis de percepção. Nada há que nos "prenda ao solo" a não ser o ato de estarmos vinculados "julgando" cada acontecimento, como sendo bom ou ruim, certo ou errado. Esses pensamentos nos vinculam ao mundo que está sendo "percebido" pela mente. Essa interpretação mental do mundo é o que nos faz ter a sensação/a ideia/a impressão de nos sentirmos pessoas, "personas", "títeres", personagens felizes ou infelizes.

Ao contrário dos julgamentos, que nos vinculam ao mundo, há percepções que agem como balões de gás leve, que nos alçam direto ao céu! A contemplação das pequenas e grandes maravilhas de Deus é uma delas. Quando contemplamos a vida como sendo "atividade de Deus" algo (a percepção da Consciência do Ser) nos revela aquilo que a mente humana não percebe: o universo é a manifestação da Consciência, e que o universo "percebido" pela mente é concepção do homem! O universo real é perfeito, porém a "imagem" do universo "percebida pela mente" é apenas aquilo que ela (a mente humana) consegue conceber.

Cuidado com o universo que está aparecendo a sua frente, na forma de sua vida, pois você a está concebendo mentalmente!

Não faça julgamentos sobre os acontecimentos, permita que Deus te revele o real. Deus se revela no homem como Consciência, eleve-se à ela, transcenda a mente.

Desfrute a bem-aventurança. Deus te fez assim. Não pense o contrário. Perceba!

Saudações a todos.

sexta-feira, agosto 21, 2015

A transcendência da visão dos personagens

- Núcleo - 

Filhos de Deus!

Observem com atenção este modelo:

Surge num determinado tempo e local um “Iluminado”; ou seja, surge num tempo – há milhares, centenas ou a dezenas de anos; e num local – na Índia, na Judéia ou no Japão. Então os personagens percebem que se trata realmente de um “personagem incomum”, e passam a reverenciá-lO como “Iluminado”, “Mestre”, ”Filho de Deus”! A partir de então legiões de seguidores criam uma religião em torno da figura desse “personagem incomum” e então se dividem em budistas, cristãos, Seicho-No-Ie, ou outras religiões e denominações.

Sobre o que falou o Mestre?
- Falou sobre o Amor!

O que ensinou o Mestre?
- A irmandade entre os homens e a paternidade de Deus!

O que revelou o Mestre?
- O "reino de Deus” e o acesso a este reino.

Então, nesse ou em algum outro ponto começam as divergências entre os personagens sobre Quem é o “verdadeiro Mestre” e sobre o que Ele ensinou.

Este é o ponto aonde  quero chegar!

No instante em que começam as divergências entre os homens sobre "Quem é o 'verdadeiro Mestre' e sobre o que Ele ensinou”, o principal tema, o Amor, sobre o que falou o Mestre, foi deixado de lado; os personagens perderam o foco...

Os personagens “perdem o foco” toda vez que escolhem falar em vez de ouvir.

Por isso Jesus disse que o que contamina o homem não é o que entra pela boca, mas o que sai dela.

Os personagens “perdem o foco” quando, em vez de estarem atentos ao que “sai da boca”, começam a falar sobre o que deve ou não entrar pela boca.

Contudo, o que entra ou não pela boca é matéria e diz respeito a “este mundo”; mas o que sai pela boca está vindo da “mente dos personagens” ou da “Consciência do Ser”! E é a isto que devemos estar atentos! Ou seja, devemos estar atentos a ”o que estamos falando”, porque aquilo sobre o que estamos falando revela nosso estado de consciência ou de inconsciência sobre Quem somos!

Os personagens buscam relacionar o que “entra pela boca” com a natureza divina do Ser; mas é “o que sai pela boca” [se provém da Consciência do Ser] o que revela esta natureza divina; porque o que “entra pela boca” expressa ”um fazer” humano e o que “sai da boca” expressa “um estado de ser” divino.

Em um de seus escrito, Masaharu Taniguchi conta que, durante os vários anos de práticas ascéticas na floresta, Sakyamuni se policiou quanto ao que “entrava pela boca” e demais coisas que “fazia”. E foi no momento em que, após ter meditado sob uma árvore e estar com fome, aceitou um prato de arroz com leite de uma jovem e teve a “experiência de iluminação”… e então que passou a falar, a ensinar, sobre a Realidade de Quem somos e a expressar [pela boca], a real natureza do Ser.

Não se deve inferir do que foi dito acima que o ser humano não deva atentar ao que “entra pela boca” porque as escolhas humanas sobre nossas ações denotam o tipo de “personagens” que estamos escolhendo representar e os personagens normalmente se unem aos grupos de semelhantes. Assim, o que “entra pela boca” pode levar a nos aproximar de certos grupos de pessoas e nos afastar de outro grupo. O que Jesus quis chamar a atenção ao revelar que “o que contamina o homem não é o que entra pela boca mas o que sai” é que as pessoas não devem se distanciar ou se aproximar umas das outras pelo que ingerem, mas que devem se irmanar pela comunhão do Espírito e se unir na busca do reino de Deus. Por isso disse que todos deveriam buscar em primeiro lugar o reino de Deus e Sua Justiça e que não deveriam se inquietar sobre o que haveriam de comer ou o que haveriam de vestir.

Tanto no tempo de Jesus quanto nos dias de hoje existem grupos de personagens que se sentem “melhores seres humanos” em função do que comem. Há até os que veem nesta escolha uma efetiva e real ligação com Deus e procuram influenciar outros para que adotem a mesma escolha, e façam crescer o grupo dos que acreditam ser este o critério correto pelo qual o ser humano deve realizar suas ações e assim se conectar com Deus.

Contudo, Deus não faz acepção de pessoas!

Todos os “seres humanos” continuam sendo Quem são [seres divinos] aos olhos do Ser. Assim é porque todo ser humano é em realidade um “Nyorai” [significa: aquele provém da Grande Fonte] e o que os distingue ”neste mundo” é a percepção deste fato, que se revela pelo que compartilham com todos, sem diferenciar as pessoas pelo que comem ou pelo que usam.

Quando Sakyamuni aceitou um prato de arroz com leite de uma jovem donzela, ele estava - do ponto de vista de seus companheiros de práticas ascéticas - quebrando todas as regras! Mesmo assim, este foi o momento em que ele se tornou Buda; foi o momento em que Sakyamuni transcendeu a percepção da mente do “seu personagem”, que está na representação, e se conscientizou de que tudo está na Consciência de Quem Ele É, que é a única Realidade!

Assim, Sakyamuni percebeu que montanhas, nuvens, rios, arroz, leite, pássaros e a jovem donzela, enfim, todos os seres e todo o cenário, bem como o próprio personagem Sakyamuni que ele estava sendo [representando] estão na Consciência do Ser, que é Buda!

Notem com atenção que esta visão de Sakyamuni não é de fato a percepção do personagem Sakyamuni, mas sim, trata-e da percepção de Quem ele É.

Com esta visão é possível perceber que Sakyamuni não se tornou Buda, mas que ele sempre foi Buda! O divino personagem Sakyamuni que aparece na representação divina não é existência real. Enquanto personagem, na representação divina, ele nasce, envelhece, adoece e morre. Contudo, o Ser Real não é “quem está sendo”´; o Ser é “Quem É”. Assim, apenas Buda é existência real e Vive na Realidade do Ser.

Da mesma forma, com esta visão é possível perceber que você, leitor, não se torna Buda, mas que você sempre foi Buda! O seu divino personagem que aparece na representação divina não é existência real. Quem você É surge num determinado tempo e local, ou seja, surge na representação divina como um “Iluminado”. Então os personagens ao perceberem que se trata realmente de um “personagem incomum”, seguindo o modelo daquele comportamento mental condicionado passarão a reverenciá-lo como “Iluminado” ou irão querer crucificá-lo, assim como Sakyamuni foi reverenciado, e Jesus crucificado. Os personagens que assim agem estão julgando; o resultado do julgamento depende do critério que usam. Você será julgado como bom ou como mau, porque a mente humana não percebe o real; ela percebe apenas aquilo que consegue ver. Como o “real iluminado” não é o personagem mas o Ser, o julgamento estará sempre falho.

Apresentar-se como “um espelho” dá a chance àquele julga de perceber que está julgando e vendo a si mesmo no ”espelho” ou a chance de transcender a percepção de si mesmo.

Jesus deu a todos a chance de transcender a percepção de si mesmos quando disse: “Quem vê a mim vê Aquele que me enviou”.

Esta é a chave para a transcendência da visão dos personagens: ver com o olhar de Deus, ver com Amor! Só o Amor desvela o Amor.

Masaharu Taniguchi disse: “Cada um de vocês é um Masaharu Taniguchi.”

Sakyamuni ao se iluminar percebeu: "Eu Sou Buda. E não há nada que não seja Buda!"

Enfim, nenhum critério humano, nenhuma prática ascética, nenhuma alimentação especial, nenhum exercício físico, nada do que algum personagem “faça” poderá alçá-lo à condição de Buda, de Mestre ou de Filho de Deus. Uma única percepção e o real se revela. Contudo, é apenas Deus Quem Se percebe!

Busque esta dimensão que está em nós, o reino de Deus, e Ele Se revela!

Notem que a prática da Meditação Shinsokan pode nos alçar à percepção da Realidade divina, mas atentem ao fato de que ela é realizada com a "percepção da Imagem Verdadeira" em nós, e não com a percepção da mente de um personagem.

Meu personagem compartilha percepções com plena consciência de que estas percepções não vem da mente de um personagem, e então diz: “Isto sou Eu!” Da mesma forma meu personagem compartilha percepções conscienciais de outros personagens e diz: “Isto sou Eu!”

Compartilhar estas percepções é uma forma de fazer com que outros personagens olhem para a direção certa! Isto faz com que se despertem para o fato de que não é o que fazemos que revela Quem somos, mas sim, o que percebemos consciencialmente! As percepções compartilhadas por Sandy Nat, pelo padre Charles Ogada e pelo senhor Sawada, já citadas em outros textos do Núcleo, são exemplos de percepções da Realidade de Quem Somos. Meu personagem as enfatiza porque é o algo a ser percebido, que nos revela uma visão transcendida da realidade de personagens.

Com esta visão da Realidade de Quem Somos sabemos que somos seres divinos, não sujeitos a nascimento, envelhecimento, doença e morte. E sabemos que a simples percepção desta Realidade torna esta representação algo ainda mais divino, porque é divino estar na representação com percepção de que é a própria representação divina que está em nós!

Então percebemos que o Mestre que apareceu em algum tempo e local, em realidade está EM nós!

E compreendemos a revelação do Mestre de que “virá novamente”; de que Cristo voltará, de que Masaharu Taniguchi irá nos reencontrar; e a revelação de Sakyamuni de que somos Buda desde o início dos tempos!

É esta a visão consciencial que meu personagem tem desfrutado e que a está compartilhando, usando como exemplo percepções conscienciais compartilhadas por outros personagens para que esteja evidente que estas percepções não pertencem a um personagem em especial, mas sim a Quem Somos. Assim, fica também evidente que o real iluminado, o Mestre, é Quem Somos [o Ser Real] e não quem estamos sendo [o personagem].

É o que percebo, desfruto e compartilho.

Saúdo a todos os Nyorais.

quarta-feira, agosto 19, 2015

A divindade representando papéis

- Núcleo - 


No texto está expresso que “Tudo o que está sendo percebido é a divindade representando papéis”

Poderia surgir a dúvida: “Se a divindade representa todos os papeis, como é possível que Deus, sendo Amor, represente o papel de animais ferozes e até de seres humanos que agem como se fossem autênticas feras?”

A resposta está na própria pergunta na qual se depreende que se trata de uma representação, e que o ator divino sabe que nada de real está de fato acontecendo, a não ser no contexto da própria representação cujo realismo é convincente para a percepção das mentes dos próprios personagens que estão nela inseridos e que se identificam totalmente com quem estão sendo. 

A identificação do ator divino com quem Ele “está sendo” (ou seja, com o “personagem” que “está representando”) se dá através da percepção da “mente do próprio personagem” que está representando e não pela “percepção da Consciência do Ser”, dAquele que em realidade ele É.

A esse respeito importa observar que nem sempre o ator está representando um personagem inconsciente de sua real identidade! Basta que na representação o personagem passe a se ver através da percepção consciencial, ou seja, com a percepção da Consciência do ator divino, e a real identidade do personagem se desvelará ao próprio personagem. É o que acontece com os “personagens despertos”, aqueles que mesmo ainda estando na Representação não fazem a identificação através da mente dos personagens que estão sendo, mas sim, com a Consciência do Ser Real. Na linguagem dos primeiros cristãos isso assim foi expresso: 

Já estou crucificado com Cristo [a identificação com a vida do personagem ou com o ego humano através da mente do personagem que estive representando, inconsciente do Ator que vive em mim foi transcendida]; e vivo, não mais eu [o personagem], mas Cristo [o Ator] vive em mim; e a vida que agora vivo na carne [a vida do meu personagem] vivo-a na fé no filho de Deus [vivo na percepção do Ator divino], o qual me amou {verdadeiramente com o Amor do Cristo, do Ator], e [na representação divina] se entregou a si mesmo por mim.” 

E nesse ponto importa também observar que nem sempre o ator divino está representando um personagem inconsciente de sua real identidade mesmo estando na representação divina como um animal!

É o que é revelado nas escrituras védicas na qual a divindade esteve na representação divina consciente de sua própria identidade por exemplo como Peixe [Matsya], Tartaruga [Kurma], Javali [Varaha], Homem–Leão [Nara-Simha], Elefante [Ganesha], Macaco [Hanuman]...

Contudo, quando a identificação do personagem é feita pela mente do próprio personagem, todo o tipo de atitude desumana e inconsequente é possível, porque neste caso os "divinos personagens" permanecem inconscientes de sua real identidade e “não sabem o que fazem”.

Assim, está escrito que: Apesar de tudo, Jesus dizia: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que estão fazendo!” Lucas 23: 33

Por outro lado, por ser a própria divindade representando, por vezes podem alguns “divinos personagens” surpreender e revelar a Consciência do Ator!

Essa foi a percepção consciencial compartilhada por Jesus, como está escrito: 

“Naquele mesmo momento, Jesus exultando no Espírito Santo [desfrutando a percepção consciencial] exclamou [compartilhou com esta ênfase]: “Ó Pai, Senhor do céu e da terra! [Senhor da Realidade Divina – céu - e da Representação – terra] Louvo a ti, pois ocultaste estas verdades dos [divinos personagens] sábios e cultos e as revelaste aos pequeninos [divinos personagens que aparentemente sem conhecimento algum da vida manifestam percepções conscienciais]. Amém, ó Pai, porque Tu tiveste a alegria de proceder assim.” (Lucas 10: 21)

Por isso é compartilhada aqui uma vez mais a percepção de que subjacente a todos os divinos personagens é apenas, e sempre, o Mestre Quem se percebe a Si mesmo!

Por ser assim, com esta mesma percepção da Consciência do Ser Pedro a compartilhou dizendo que: “Na verdade reconheço que Deus não faz acepção de pessoas”. (Atos 10: 34)

É o que Aquele presente em Pedro, em você, em mim e em todos os “divinos personagens” me faz perceber, desfrutar esta percepção, e compartilhá-la.

Por isso é dito: Percebam, desfrutem essa percepção divina e a compartilhem!

A paz seja com todos!


segunda-feira, agosto 17, 2015

O Mestre

- Núcleo - 


O Mestre se percebe a Si mesmo!

Só o Ser é real. O personagem é o próprio Ser representando. Quando o Mestre escolhe estar Se identificando com a representação, então surgem os personagens. Ele percebe a Si mesmo encenando. O Mestre está plenamente consciente de sua personificação como cada personagem.

Quando um personagem está à procura do Mestre, eis o Mestre! É o Mestre representando divinamente o papel de um personagem à procura do Mestre! Sua representação é tão divina que o personagem acredita ser o personagem, e certamente encontrará o Mestre. Sim, todos encontrarão o Mestre, porque já são Quem buscam, e perceberão a real identidade de Si mesmos. Quando esta percepção ocorre a um personagem, a representação continua no papel de muitos outros personagens.

Tudo o que está sendo percebido é a divindade representando papéis.

Sempre que um personagem percebe sua real identidade ele, sabendo ser Quem é, pode escolher permanecer no cenário em silêncio ou compartilhar sua percepção com os personagens que representam papéis de buscadores espirituais ou mesmo outros papéis. É isto que estamos fazendo no Núcleo. Estamos compartilhando a percepção de Quem somos, para que outros personagens saibam que é possível ter esta percepção e que continuem suas representações, mas já não mais inconscientes de sua unidade com o Ser, com a Vida, com Deus e suas incontáveis manifestações.

Há uma unidade essencial entre personagem e Ser que se revela por uma especial percepção que, uma vez sintonizada, revela toda a graça da criação divina! Esta é a real visão do Mestre, daquele que percebe, e que, por estar percebendo, sabe Quem percebe! Daquele que está representando e que, por estar percebendo que está representando, sabe Quem representa! Daquele que está vivendo o presente e que, por estar percebendo que está vivendo o presente, sabe Quem está vivendo o presente!

A Consciência de Quem faz é a percepção do Mestre a ser compartilhada. O “Mestre” é a Consciência do Ser; é Quem nos faz perceber o que disse o Mestre: “Eu de mim nada posso, o Pai em mim é Quem realiza as obras.”

Meditem sobre esta revelação. Estejam sintonizados no Ser, “in Theos”, desfrutem esta percepção e quando souberem que devem, compartilhe.

sexta-feira, agosto 14, 2015

Sobre nossa origem e real identidade

- Núcleo - 


Sobre nossa origem e real identidade, Masaharu Taniguchi disse:

“Nascemos por exigência de Deus, impelidos pela vontade dEle de Se auto-expressar. Todos os homens são, portanto, filhos de Deus. Não nos transformamos em filhos de Deus por meio de algum método ou ensinamento. Não é o leigo que se transforma em Deus por meio de asceses. Torna-se Deus aquele que nasceu de Deus. Torna-se Buda aquele que é originalmente Buda.” {Do livro "Preleções sobre a interpretação do Evangelho segundo João à luz do ensinamento da Seicho-No-Ie”, Página 23}

A seguir, na mesma página ele escreveu: “Significa que todos nós somos filhos unigênitos de Deus. Há, portanto, uma infinidade de filhos unigênitos. Quem vive em ilusão, sem despertar para o fato de que é filho unigênito, é um “filho pródigo” que deixou a casa para levar uma vida errante."

Em seguida fez a notável seguinte observação: "Os cristãos, que conhecem a interpretação comum da Bíblia, pensam que somente Jesus é o filho unigênito, mas, no Evangelho Segundo João, está claro que todos nós somos filhos de Deus, que em todos os homens habita a glória de Deus e todos são resplandecentes filhos unigênitos do Pai.”

Por “interpretação comum da Bíblia”, ele está se referindo ao tipo de interpretação mental, a qual é incapaz de adentrar à essência da revelação divina contida no texto bíblico, em contraposição à interpretação do Evangelho à luz do ensinamento da Seicho-No-Ie, que são percepções conscienciais compartilhadas em forma de ensinamentos.  

Na página anterior ele havia escrito que: “A interpretação superficial da Bíblia diz que até hoje não surgiu quem intuísse que o homem é filho de Deus,mas quando Jesus Cristo surgiu como filho de Deus, revelou a Verdade: “o Unigênito, que está no seio do Pai, ele mesmo é que o deu a conhecer”. Significa que só a Imagem Verdadeira pode conhecer a Imagem Verdadeira de filho de Deus. Encontramos citação semelhante na Sutra do Lótus.   

Por isso no texto se indaga: Quem percebe que a única Realidade é Deus?

Apenas Deus! O Ser Real.

E como Deus percebe isso?

Com Sua própria Consciência!

É esse o ponto a ser notado!

Ou seja, que isso não se percebe com a mente, mas com a Consciência, pela percepção, que é a verdadeira fé, “a certeza das coisas que não se vêem”. Citando o mestre budista Shinram, Masaharu Taniguchi esclareceu que Shinram disse que: “a grande fé é a natureza búdica, e a natureza búdica é o próprio Buda". Essa fé ou percepção consciencial traz à tona a Palavra de Deus que já habita em nosso interior. Assim passamos a reconhecer a Verdade expressa na Palavra do Mestre como sendo a Verdade que Vive em nós, até o momento em que percebemos que a Palavra do Mestre ressoa em nós porque há em nós mesmos algo que percebe a Verdade e que esse algo é a Consciência divina em nós.  

Na página 31 Masaharu Taniguchi escreve: “A sublimidade do ser humano está no fato de a sua Imagem Verdadeira ser uma auto-expressão de Deus..."

E esclareceu que: “O que Jesus quis dizer foi que a Imagem Verdadeira do homem é de filho de Deus, e que ele viera comunicar aos homens essa Verdade tão importante, mas lamentavelmente eles não estavam entendendo”.

A relação entre ator e personagem usada no Núcleo, na qual ator é a real identidade e personagem é uma identidade fictícia, objetiva facilitar esse entendimento.

Que assim seja!

Amém.