"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

sexta-feira, novembro 21, 2014

Como as graças milagrosas vêm através da religião - 2/2

Masaharu Taniguchi


Até a fundadora da seita Tenri, tida como curadora de doenças, disse que sua missão principal não é a cura. Ela ensina que o homem, na essência, jamais enfraquece, adoece ou morre. Sobre os ensinamentos dessa seita, escrevi mais detalhadamente no volume 12 da coleção A Verdade da Vida, cuja leitura recomendo. Segundo a fundadora dessa seita, o homem é como uma pérola perfeita e imaculada que está só um pouquinho coberta de pó; portanto, basta eliminar o pó para que o homem revele a sua perfeição. E o que vem a ser o pó? Sua escritura diz: "A parcimônia, a ânsia, o apego e o atrevimento são o pó". Eis o pó que encobre a perfeição e a beleza de nossa Imagem Verdadeira.

A "parcimônia" deriva da ideia de que a capacidade ou a riqueza diminui à medida que é usada. Tal ideia surge quando a pessoa não conscientiza que sua Imagem Verdadeira é Deus e que possui o infinito em seu interior. Ela pensa que, se trabalhar muito, sua energia diminuirá, causando esgotamento e doença. Este pensamento é um pó que encobre a Imagem Verdadeira. A Imagem Verdadeira do homem é Deus, é Buda, é força infinita; logo, o homem não cansa, por mais que trabalhe ou estude. Por isso se diz que a parcimônia é o primeiro dos pós que encobrem a natureza verdadeira do homem.

Em seguida vem a "ânsia", outro pó condenado pela fundadora da seita Tenri. Dentre os tipos de ânsia existem a "ânsia de receber cura", a "ânsia de ganhar dinheiro", etc. Pedir ansiosamente justamente à divindade da seita Tenri, que condena a "ânsia" é muito atrevimento. Por isso, a divindade, embaraçada, diz que o "atrevimento" é um pó.

Agora vejamos porque a "ânsia" é condenável. É porque ela expressa a mente insatisfeita, a qual não existe, e que reclama "Ainda não recebi" ou "Ainda não me curei". Esta é a mente que desconhece a sua Imagem Verdadeira, a sua Vida, que já está e sempre esteve satisfeita, curada, provida de tudo e perfeita; é a mente que encobre a Imagem Verdadeira.

Não sei se está aqui presente algum adepto da seita Tenri, mas devo dizer que suplicar cura à divindade dessa seita é o mesmo que lhe confessar que está descumprindo os ensinamentos (risos na platéia). O que a fundadora da seita ensina é maravilhoso. A seita Tenri não é uma seita curandeira. Ela ensina que, em vez de ficarmos com a mente presa à doença e "ansiarmos" pela cura, devemos conhecer a Imagem Verdadeira isenta de doença.

Há cinco dias, uma senhora de sessenta e poucos anos de idade relatou o seguinte: Ela contraíra câncer uterino seis anos atrás. Passados três anos, seu estado se agravou, e ela, ansiosa de ser curada, procurou um especialista, o qual disse que, se não fosse operada logo, ela enfraqueceria gradativamente e acabaria morrendo dentro de um ano. Então ela perguntou ao médico quantos anos mais sobreviveria, se fosse operada. A resposta foi: "Como a senhora já está com a idade avançada, não posso garantir se sua vida será prolongada". Sendo operada ou não, o resultado seria o mesmo: pouco tempo de vida". Diante dessa situação, ela, que até então ansiava ser curada, abandonou essa ânsia. Desapareceram a ânsia de ser curada e o apego à vida. Tendo sessenta e poucos anos de idade, ela já havia ultrapassado em mais de dez anos a duração média da vida, que é de cinquenta anos (*obs: essa era a duração média de vida do ser humano naquela época). Ela pensou: "Graças a Deus, tive vida longa. Mais um ano de vida, para mim, é um presente do céu! O tempo que me resta, vou dedicar às pessoas a quem devo favores, em sinal de gratidão". Já sem nenhuma ânsia nem apego, e arrastando seu corpo idoso e enfraquecido pela doença, deu início à vida de gratidão e retribuição, fazendo tudo que estivesse dentro de suas possibilidades. Então aconteceu algo incrível: ela, que só teia um ano de vida segundo o médico, começou a melhorar de saúde a olhos vistos. Um ano depois, em vez de morrer, estava ficando cada vez mais saudável. E, passados três anos, estava até rejuvenescida e não parecia absolutamente uma pessoa doente. Assim contou ela. Entretanto, o corrimento indicativo de câncer uterino ainda não havia cessado. Acontece que ela tem uma sobrinha cujo marido, chamado Kazuiti Murakami, é tripulante do Katorimaru, um navio postal japonês da rota européia, que chegou ao porto de Yokohama há um mês aproximadamente. Enquanto o navio estava atracado na doca, o sr. Murakami lembrou-se dessa senhora, visitou-a há cerca de uma semana e lhe ofereceu um volume do livro A Verdade da Vida, dizendo: "A doença não é existência verdadeira. Leia umas dez ou vinte páginas deste livro, que o corrimento do câncer uterino vai cessar". Naquele dia mesmo, ela leu umas dez páginas com a ajuda de óculos. Incrivelmente, o corrimento cessou por completo no dia seguinte.

Essa senhora, no começo, ansiava ser curada, e com essa ânsia fora ao médico. Porém, quando chegou à conclusão de que morreria com ou sem operação, isto é, quando ficou sem saída, desapareceu a ânsia de ser curada. Em outras palavras, sua mente soltou a doença. Nessa situação a mente fora obrigada a soltar o que segurava. Quando é solta da mente, a doença desaparece porque é materialização de dores e sofrimentos criados na mente. Ela aceitou a ideia da morte, deixou o apego ao corpo e à vida, não ansiou mais pela cura, não desejou nada para si, e nela nasceu o sentimento de gratidão e retribuição. Ter sentimento de gratidão e retribuição significa servir à Vida global, anulando o ego. Quando a pessoa procede dessa forma, a Vida global (a Vida divina que preenche o Universo) passa a fluir nessa pessoa, e então ela se torna saudável. Esta é a razão por que a referida senhora recuperou a saúde. Mas o corrimento do câncer uterino não parava. Por que será? É porque ela fora sugestionada pelo médico com a ideia de que ela tinha no útero uma doença tão grave que lhe tiraria a vida em um ano se não fosse operada logo. Porém, quando leu o livro sagrado A Verdade da Vida, o corrimento cessou porque ela compreendeu que "o homem não é corpo carnal; por conseguinte, a doença não existe" e, assim, eliminou a ideia "existe em mim uma doença maligna chamada câncer uterino".

Sobre a cura de corrimento proveniente de câncer uterino, existe mais um caso interessante. O sr. Seiji Miura, fabricante de saquê de uma localidade chamada Kurozawajiri, que fica a umas dez léguas ao sul de Morioka, começou a ler A Verdade da Vida e, quando chegou na metade do livro, cessou o corrimento do câncer uterino de sua esposa. Parece estranho a esposa ser curada quando é o marido quem lê o livro, mas é um fato e assim deve ser segundo a teoria budista de que "os três mundos são projeções da mente". Muitos são os casos em que um dos cônjuges se cura quando desaparece o atrito mental entre eles.

A seita Konkô também, assim como a Tenri, não é uma seita curandeira, e sim uma doutrina que prega a "inexistência da doença". Identifica-se também com a Seicho-No-Ie, que prega: "Todos os bens já estão dados a você". O fundador da seita Konkô ensina: "Deus já te concedeu graças, antes de pedires" e "Afasta a dúvida e vê o caminho verdadeiro, amplo, e te descobrirás vivificado dentro das graças divinas". Ele quis dizer que sempre estivemos e estamos vivificados pelas graças divinas que nos envolvem, mas não o percebemos porque mantemos os olhos fechados; e que, se abrirmos os olhos, veremos que estamos mergulhados num mar de graças divinas. Mas, então, por que parece que uns recebem mais graças enquanto outros, menos? Isto porque no mundo fenomênico - que é projeção da mente - as graças, já concedidas infinitamente, manifestam-se conforme a mente de cada um. Referindo-se a isso a seita Konkô diz: "As graças estão em tua mente". Diz também que "as súplicas não alteram as graças".

Portanto, os adeptos da seita Konkô que oferendam dez ou cinquenta ienes a Deus e fazem súplicas interesseiras tais como "Concedei-me uma graça cem vezes maior que esta oferenda" estão, na verdade, contrariando os ensinamentos do fundador. Como Deus não aceita tal dinheiro, este se tornou alvo de disputa acirrada entre o grupo do presidente e do vice-presidente.

Religiões boas são aquelas que proporcionam ao ser humano a consciência de que "já está salvo!", "já está dentro das graças divinas!", "já está no paraíso (ou Céu)!", "já é filho de Deus, filho de Buda!". Quem pensa que ainda não está no paraíso (ou Céu) não poderá alcançá-lo, mesmo pagando indulgência. Por exemplo, os adeptos da seita budista Hoganji que levam donativos à seita, esperando ir ao paraíso após a morte, poderão ter, na hora de morrer, o seguinte remorso: "Doei à Hoganji uma boa soma de dinheiro, mas aquilo é insignificante, comparado a todos os bens que possuo. Eu estava com o pensamento egoísta, mesquinho, de querer ir para o Céu em troca daquela ninharia. O certo seria oferecer tudo a Buda. Talvez não mereça ir para o Céu". E , como consequência desse remorso, poderão cair no inferno, apesar de terem dado dinheiro à Hoganji.

Caros ouvintes, o paraíso está aqui, agora. O paraíso é onde vivem apenas Budas. Eu, que estou falando, sou Buda. Vocês, que estão me ouvindo, também são Budas. Eu e vocês somos todos Budas. Não me estou referindo ao corpo carnal, que é apenas sombra projetada e falsa existência. Não sendo existência verdadeira, muda constantemente. Vocês não devem considerar isso como seu Eu verdadeiro. No âmago transcendente do corpo existe a Imagem Verdadeira, que é o Eu verdadeiro de vocês. Essa Imagem Verdadeira é que é Buda, e ela é imutável. A Imagem Verdadeira de todos vocês é Buda em todos os tempos: no passado, no presente e no futuro. Somente Buda é existência verdadeira. Nada existe além de Buda. Compreender isto é oferecer tudo a Buda. Vivendo no mundo presente ou passando para o outro mundo, estaremos igualmente no mundo de Buda. Tendo esta fé, não ficaremos apreensivos ou abalados na hora da morte. Temos sempre a mente tranquila, pois sabemos que estamos agora no paraíso e nele também estaremos após a morte carnal.

Jesus Cristo também ensina: "Nem dirão: Ei-lo aqui! ou: Lá está! porque o reino de Deus está dentro de vós". Isto coincide com o ensinamento da seita Konkô, que diz: "As graças divinas estão em tua mente", e com o do budismo, segundo o qual "os três mundos são projeções da mente". O apóstolo Paulo, quando orou pedindo a Deus que afastasse o "espinho", teve a seguinte resposta: "A minha graça te basta." Isto corresponde ao que a seita Konkô ensina: "Deus já te concedeu graças, antes de pedires". As graças já nos estão dadas. Já somos perfeitos, já estamos seguros, já somos filhos de Deus! Este é o verdadeiro significado da frase: "A minha graça te basta". Mas Paulo não compreendeu o verdadeiro sentido dessas palavras. Ele entendeu que o "espinho na carne" fosse uma "graça de Deus" destinada a frear sua arrogância. Tal como Paulo, existem muitos devotos que consideram a imperfeição, os sofrimentos e as doenças como "graças" concedidas por Deus para que possam refletir e se corrigir. Entretanto, Deus não é um ser incoerente que cria o homem pecável, imperfeito, e depois, quando comete pecado, manda-lhe infelicidade, sofrimento ou doença para conduzi-lo à reflexão.

"A minha graça te basta" - com estas palavras, Deus quis dizer que suas graças nos estão dadas suficientemente, que fomos criados perfeitos, que já estamos no reino de Deus, que somos saudáveis e isentos de todo e qualquer tipo de doença ou sofrimento. Assim é a Imagem Verdadeira, a natureza verdadeira dos filhos de Deus que somos. Ensinar isto é a função da verdadeira religião. Prometer graças em troca de contribuição ou serviço é comércio, e não função da religião.

Se na Seicho-No-Ie - que não cobra um centavo de oblata - as pessoas se curam de doenças cientificamente incuráveis ou passam a receber a provisão inesgotável apenas lendo os livros sagrados, é porque elas conscientizam as graças divinas, que lhes bastam. Isso é prova de que a Seicho-No-Ie não é uma religião que faz "transação comercial" com espírito ganancioso caracterizado pela "ânsia" e "parcimônia".


(Do livro "A Verdade da Vida, vol. 27", pgs. 36 à 44)

quarta-feira, novembro 19, 2014

Como as graças milagrosas vêm através da religião - 1/2

Masaharu Taniguchi

(Transcrição da conferência proferida pelo autor, sob o tema 'O princípio da cura', em Kôbe, no dia 7 de abril de 1935)

Está presente na sala de espera deste recinto uma senhora que é esposa de um sacerdote budista. Conhecendo a Verdade pregada pela Seicho-No-Ie por meio da revista com o mesmo nome e também por meio da orientação do sr. Ishibashi, ela conseguiu transcender a doença. Ela sofria de tuberculose, chegando a vomitar sangue dezenas de vezes no ano passado. Entretanto, depois que conheceu a Seicho-No-Ie e mudou seu modo de pensar, melhorou tanto que percorreu grandes distâncias dirigindo seu carro, partindo de Akashi para Kôbe e desta para a cidade de Quioto, onde visitou o dr. Ogui, de quem recebeu novas orientações sobre a Verdade. Assimilando cada vez mais a Verdade da inexistência da doença e da existência única de Buda (ou Deus) de Vida eterna e luz infinita, sua doença acabou desaparecendo como consequência de seu despertar.

Apesar de nascida numa família de sacerdotes budistas e casada com um sacerdote da mesma seita, ela sentia certa resistência em recitar a oração budista Namu-amida-butsu (sou um com Buda), mas agorase sente aconchegada no seio de Buda, e essa oração flui espontaneamente de seus lábios. Tornou-se até capaz de curar doentes, recitando Namu-amida-butsu, com a mão sobre a parte afetada.

Mesmo agora há pouco, durante a palestra do sr. Akira Sato que me precedeu, quando estávamos na sala de espera, uma anciã procurou essa senhora budista e, reclamando de tensão nos ombros, pediu "Por favor, coloque suas mãos nos meus ombros para tirar esta tensão", porém recebeu o seguinte conselho: "Ouça as palavras dos palestrantes até o fim, e a tensão dos ombros desaparecerá por si mesma". Mas a anciã, em vez de assistir à palestra, ficou insistindo para ser tocada nos ombros, interessada tão-somente na cura física.

Naquele momento, informaram-me que estava presente no auditório o sr. Yamada, um oficial militar reformado, conhecido da esposa do general Hissamura. Ele sofria de ataxia locomotora progressiva e se curou quando deixou de recorrer ao meu eu carnal e passou a ler o livro sagrado A Verdade da Vida após sofrer uma grande mudança na atitude mental com o seguinte golpe verbal que lhe apliquei: "O senhor está muito enganado se veio aqui com o pensamento materialista e calculista de que na Seicho-No-Ie a cura sai barato porque não se paga a consulta. Para quem pensa dessa forma, a Seicho-No-Ie não é grátis. A participação em uma sessão de Meditação Shinsokan custa dez mil ienes".

Como ocorrem muitas curas com a leitura de nossos livros sagrados ou através de nossa orientação, alguns pensam que a Seicho-No-Ie seja um lugar para curar doenças e vêm pedir cura ao Masaharu Taniguchi carnal. Entretanto, a Seicho-No-Ie jamais se presta à cura de doenças. Ela faz as pessoas soltarem da mente as suas respectivas doenças. Quem segura a doença em sua mente e deseja curar essa doença, deve procurar um médico. A Seicho-No-Ie não tem nenhuma pretensão de fazer concordância com os médicos. Estes pesquisam e trabalham especialmente para curar doenças. Portanto, aos que desejam a cura de doença, recomendo ir ao médico.

Como já disse, a Seicho-No-Ie não é lugar onde se curam doenças, mas lugar onde se soltam doenças. Parece que o significado é o mesmo, mas há infinita diferença entre curar e soltar. As pessoas que desejam curar a tensão dos ombros são as que seguram (faz gesto de fechar com a mão) esse mal na mente, pensando: "Esta tensão nos ombros!". Enquanto estiverem pensando na tensão dos ombros, elas não se curam porque a mente está concentrada nos ombros. Obviamente, quando se faz massagem, a tensão se desfaz temporariamente, pois a pessoa solta de sua mente esse problema, pensando: "Ah!, com esta massagem, os músculos dos meus ombros ficarão relaxados!". Entretanto, os ombros voltam a se enrijecer porque a mente torna a se concentrar neles. Creio que os senhores ouvintes nunca viram uma mesa (batendo na mesa com a mão) ficar com os ombros tensos, nem uma jarra (apontando a jarra que está na mesa) reclamar de tensão nos ombros. Os senhores podem sofrer de tensão nos ombros, mas as mesas e as jarras não. Por quê? É porque elas não possuem mente. Não possuindo mente, nem os ombros carnais ficam rijos. Alguém já viu os ombros de boi pendurados no açougue ficarem tensos? Eles não ficam tensos porque não possuem mente. Portanto, quem costuma ficar com os ombros tensos precisa evitar que sua mente se concentre nos ombros.

As pessoas que têm a mente teimosa, rígida e inflexível também ficam com os ombros rijos. Uma mente flexível, descontraída, livre, que não se prende a nada, não enrijece os ombros. O enrijecimento dos ombros indica congestão de sangue nesse local. Se a mente estiver descontraída, não ocorrerá congestão e, consequentemente, os ombros não ficarão tensos.

A primeira medida, portanto, para evitar a tensão dos ombros consiste em ouvir palavras da Verdade a fim de que a mente se desprenda de todos os problemas e fique descontraída. No entanto, algumas pessoas, em vez de ouvir palavras sobre a Verdade, pedem que toquemos seus ombros com a mão para curar a tensão. Tais pessoas estão completamente enganadas a respeito da Seicho-No-Ie.

Naturalmente, há casos em que as doenças se curam com o toque ou imposição da mão. Entre as pessoas que não conseguem manifestar seu poder de cura apesar de tentarem desenvolvê-lo, existem algumas que passam a manifestá-lo extraordinariamente depois que assimilam os ensinamentos da Seicho-No-Ie. Isto poque aumentam as vibrações biomagnéticas que emanam da palma de suas mãos. O prof. Gurvich, da Rússia, batizou-as de Raios Mitogenéticos. E um certo médico denominou essas vibrações biomagnéticas de "raios vitais". Ao testá-los cientificamente, notou que eles atravessam até placas de chumbo, as quais os raios X não penetram.

Os "raios vitais", contudo, não têm sempre a mesma frequência ou natureza, pois não são vibrações físicas. Eles mudam de natureza conforme mude a mente. Existem, por exemplo, pessoas que, pensando em mover um objeto pendurado na ponta de uma linha, conseguem movê-lo só com o biomagnetismo de sua mão. E, pensando em curar um doente, emana da palma de suas mãos o biomagnetismo curativo. Entretanto, aqui surge um problema: quem pensa em curar a doença está segurando a doença em sua mente. Pensando "Aqui existe uma doença", ele está dando consistência à doença pelo poder de sua mente. A doença é a materialização da ideia de doença criada na mente. Portanto, é pouco producente mentalizar pela cura ADMITINDO A EXISTÊNCIA da doença, pois o poder curativo da mente é freado pelo pensamento de que "a doença existe".

Na Seicho-No-Ie, não seguramos a doença na mente, pois negamos sua existência. Dizemos categoricamente que a doença não existe e a soltamos da mente. As pessoas que assimilaram a Verdade pregada pela Seicho-No-Ie não reconhece a doença em sua mente, razão pela qual o biomagnetismo que emana de suas mãos têm maior poder de eliminar doenças. Pelo mesmo princípio, as pessoas que não tinham muita capacidade apesar de praticarem vários métodos espirituais de cura, passam a manifestar grande poder curativo quando lêem os livros da Seicho-No-Ie. Esta é a grande diferença entre a aplicação da força mental com a mente segurando a doença e a aplicação da mesma força com a mente que soltou a doença.

Bem, voltemos ao caso do sr. Yamada, que viera à Seicho-No-Ie acompanhado da esposa do general Hissamura. O sr. Yamada segurava na mente a doença chamada 'ataxia locomotora progressiva', pensando: "Preciso me curar desta doença". Acontece, porém, que a Seicho-No-Ie não é uma entidade que cura doenças; é uma entidade que ensina que "a doença não existe no homem verdadeiro". Há enorme diferença entre "curar a doença" e "negar a existência da doença". Devido a essa diferença, houve divergência entre as palavras do sr. Yamada e as minhas. Ele, que se tratava no Hospital Sada, especializado em moléstias cérebro-espinhais, disse-me: "Acredito que o Hospital Sada é o melhor de todos nos tratamento de doenças como a minha, mas vim à Seicho-No-Ie porque minha situação financeira não me permite mais arcar com altas despesas hospitalares". Embora considerasse o Hospital Sada como o melhor lugar para curar sua doença, procurou a Seicho-No-Ie, não porque acreditasse nela, mas porque não precisava pagar nada. Os que vêm à Seicho-No-Ie pensando em curar-se com despesa menor ou de graça estão completamente enganados. Não estamos competindo com médicos no preço porque sejamos inferiores a eles na capacidade terapêutica. Se fizéssemos concorrência com a medicina no preço, roubaríamos o emprego dos médicos, e eles protestariam contra nós, mas a Seicho-No-Ie não tem a mínima intenção de competir com os médicos. Aconselho que as pessoas com doenças curáveis pela medicina submetam a tratamento médico. Não podemos aceitar quem procura a Seicho-No-Ie só porque não pode pagar o médico, que acredita ser mais eficiente. Os médicos localizam a doença, apreendem-na com a mente e tentam curá-la através de meios especializados, enquanto a Seicho-No-Ie faz a mente da pessoa soltar a doença, isto é, expulsa a doença do mundo mental para que, consequentemente, a doença do corpo desapareça por si mesma. Os primeiros seguram a doença, e a segunda solta. Os objetivos são totalmente diferentes. Portanto, aos que seguram a doença na mente, pensando "tenho uma doença", recomendo que procurem um médico.

Torno a frisar que estão equivocados os que vêm à Seicho-No-Ie para curar-se de doença. E o sr. Yamada veio, não porque esgotou todos os outros meios de tratamento ou porque tivesse fé absoluta na Seicho-No-Ie, mas simplesmente porque não queria gastar dinheiro. "Na Seicho-No-Ie, nada é barato. Uma sessão de Meditação Shinsokan custa dez mil ienes. Se veio aqui pensando que é de graça, pode ir embora" - disse eu em tom de brincadeira, mas com a intenção de corrigir a atitude mental do sr. Yamada. Ele ficou surpreso, embaraçado, e não sabia o que fazer. Então o coronel Yoshitaka Nomura, que estava sentado ao lado dele, o acudiu: "Sr. Yamada, se o professor está dizendo o senhor para ir embora, deve ir. Obedecer docilmente às palavras de seu mestre é a atitude correta de quem busca a Verdade. Volte para casa e, se quiser vir de novo, venha outro dia com o espírito arrependido". O sr. Yamada, que também era militar, acatou as palavras do coronel, como se recebesse uma ordem de um superior. Fiquei com pena da esposa do general Hissamura, que me apresentara o sr. Yamada e o acompanhava, mas eu não podia curá-lo com o biomagnetismo de minhas mãos. Ele acreditava que o tratamento material do Hospital Sada era o melhor do Japão. Se eu curasse com o toque de mão alguém que considera a matéria como o melhor meio de cura, ele acreditaria que foi curado pela matéria chamada mão, embora a cura ocorresse pela ação das vibrações mentais positivas transmitidas por meio de ondas biomagnéticas de minha mão. Ele pensaria que a Vida é dominada pela matéria. Da doença se livraria, mas não alcançaria a grande convicção de que sua Vida é uma existência autônoma e suprema. E isso não seria salvação verdadeira, mesmo porque a causa da doença permaneceria em sua mente. Por isso, recuso-me a atender ao pedido de cura de tais pessoas, apesar de poder deixá-las curadas temporariamente.

O sr, Yamada retirou-se do recinto como que pressionado pelo coronel Nomura e chegou até o portão para ir embora. A esposa do general Hissamura, penalizada, foi atrás dele e explicou que ele seria curado se lesse a obra A Verdade da Vida e soltasse da mente a doença.

É desse modo que se alcança a verdadeira salvação. Praticar os ensinamentos da Seicho-No-Ie é fácil mas, ao mesmo tempo, difícil. É fácil porque consiste em soltar da mente tudo que a pessoa está segurando. Segurar um objeto grande ou pesado é difícil, mas soltá-lo é fácil, desde que a mente aceite soltá-lo. Se parece difícil soltar, é porque a mente não aceita fazê-lo. Entretanto, quando encurralada e colocada em situação desesperadora, a mente é obrigada a soltar o que segura. Uma situação desesperadora pode funcionar como o portão de entrada para o despertar espiritual.

O sr. Yamada no início, "segurava" na mente o tratamento material do Hospital Sada considerando-o o melhor do Japão. Entretanto, foi obrigado a soltá-lo quando se esgotaram seus recursos financeiros. Em seguida, veio "segurar" a Seicho-No-Ie, pensando tratar-se de um tipo de terapia material mais barata, mas viu que a Seicho-No-Ie não é material, é impalpável, não aplica terapia de espécie alguma nem é barata: ouviu que uma sessão de Meditação Shinsokan custava dez mil ienes. Aliás, quando eu disse isso brincando, concedi um grande desconto. Poderia ter dito um milhão ou dez milhões de ienes. A Seicho-No-Ie não cobra um centavo, mas podemos dizer que praticá-la custa muito mais que dez milhões de ienes, pois é preciso soltar tudo que se está segurando. Obviamente, ela não está pedindo contribuição, como fazem alguns pregadores da seita Tenri. Se fizesse isso, ela própria estaria segurando a matéria.

Como estava dizendo, o sr. Yamada teve de soltar (abandonar) os tratamentos do Hospital Sada. E, vindo à Seicho-No-Ie em busca de terapia barata, foi repelido. Naquele momento, a esposa do general Hissamura aconselhou-o a ler A Verdade da Vida. Não lhe restava outra alternativa. Enquanto lia e relia a obra recomendada e praticava a Meditação Shinsokan, despertou para a Essência de sua Vida; consequentemente, a doença desapareceu e manifestou-se concretamente nele a Essência inadoecível da Vida.

Curar doenças é função da medicina, e não da religião. Esta tem por finalidade despertar o homem para a sua Imagem Verdadeira (Jissô), que é filho-de-Deus sem doença. A maioria das pessoas pensa que a doença existe, que o envelhecimento existe, que a morte existe, que os sofrimentos da vida existem. A função da religião não é livrar o homem desses males considerando-os existentes, mas despertar as pessoas para o mundo onde eles não existem. As religiões, até agora, procuram libertar o homem desses males considerando-os existências verdadeiras, e por isso não souberam esclarecer que este - aqui! - é o mundo sem doenças, sem envelhecimento e sem morte. Admitiam de um lado, conformados, o mundo dos sofrimentos e, por outro lado, procuravam estabelecer em algum lugar distante ou no além-túmulo o céu ou o paraíso onde não haja sofrimentos. Mas essa necessidade desapareceu com o surgimento da Seicho-No-Ie, que esclarece a Verdade de que a matéria não existe, o corpo carnal não existe, o mundo do envelhecimento, da doença e da morte não existe, embora pareçam existir. Ela não prega o meio de se livrar do mundo cheio de sofrimentos; mostra que tal mundo não existe; não promete para o futuro um mundo ideal - o céu ou o paraíso - num local distante; esclarece que o paraíso, o céu, está aqui e agora, que o Eu búdico está aqui e agora. Este mundo presente (não o mundo perceptível aos cinco sentidos) que está aqui e agora é o paraíso, o céu; este ser (não o perceptível aos cinco sentidos) que está aqui e agora é o ser búdico, o ser indestrutível, o ser eternamente feliz, que transcende o envelhecimento, a doença e a morte. E, como consequência dessa conversão mental, surgem também no mundo perceptível a infinita saúde, a infinita capacidade, a infinita provisão e a situação paradisíaca repleta de alegria.

Fazer as pessoas tomarem consciência do seu Eu perfeito e sem sofrimento e do mundo de perfeição e alegria, que sempre existiram - eis a verdadeira missão da religião.
Cont...
(Do livro "A Verdade da Vida, vol. 27", pgs. 27 à 36)

segunda-feira, novembro 17, 2014

Agradecer porque já somos saudáveis!

Masaharu Taniguchi


AGRADEÇAMOS A DEUS ADMITINDO QUE JÁ SOMOS SAUDAVEIS.

Se um doente não consegue recuperar a saúde, é porque está agarrado à idéia de que está doente. Se os diversos métodos de terapia, as orações e a leitura de livros sagrados não surtem efeito, é porque ele pensa: “Preciso me curar porque estou doente.” Dessa forma, ele está agarrado á idéia “porque estou doente” e está lutando contra ela. “A doença não existe” – isto é a Verdade, é o Jissô. Se queremos despertar em nós esse Jissô saudável, não devemos ficar mantendo a ideia “porque estou doente”. Assim, não conseguiremos firmar a ideia de que a “doença não existe”. Se abandonarmos a ideia “eu estou doente” e a substituirmos pela ideia “eu sou saudável”, a doença será curada.

Então, como faremos para consegui-lo? Para isso, devemos agradecer a Deus, admitindo que já somos saudáveis e que fomos criados perfeitos. Tomemos a postura de Shinsokan e agradeçamos a Deus da seguinte forma: "Deus é o todo de tudo, é Vida de Deus, sabedoria de Deus e amor de Deus. E eu, não fugindo à regra, também sou preenchido pela Vida perfeita, sabedoria perfeita e amor perfeito de Deus. Por isso, tenho saúde perfeita. Realmente, tenho saúde perfeita. Obrigado, Obrigado. Realmente, agora tenho saúde perfeita. Obrigado, Obrigado...".

Estas palavras de agradecimento, ditas com a real sensação de que somos saudáveis, têm força para afastar o pensamento "quero me curar porque estou doente". É bom repetirmos mentalmente várias vezes o último trecho, com emoção, até que se crie essa sensação dentro de nós: "Realmente, agora tenho saúde perfeita".


sexta-feira, novembro 14, 2014

IMORTALIDADE TRAZIDA À LUZ - 8/8

Dorothy Rieke



No que diz respeito a Deus, a Vida eterna, o homem habita naquela compreensão divina que a tudo governa, e não possui qualquer outra consciência. A Mente divina e eterna ignora o acaso ou a mudança. Por vezes, os Cientistas Cristãos aceitam a seguinte ideia: “Bem, é certo que não existe morte e por isso, continuamos a viver eternamente; mas Deus retira-nos deste estado ou nível de consciência e leva-nos para outro.” Esta noção implicaria que Deus tivesse conhecimento daquilo a que se chama morte ou “transição”. Se a aceitarmos, não poderemos, evidentemente, demonstrar a Vida eterna como Enoque, Elias e Jesus o fizeram. A Vida eterna não conhece a morte, nem a “transição”, nem a mudança. Por isso, podemos nos libertar da crença e do medo ridículo de que todos morreremos um dia.

Todos nós deveríamos afirmar em alta voz que “Deus, a minha Vida eterna, nada conhece sobre a morte.” Sendo a Sua imagem e semelhança, o homem não pode ter conhecimento de nada que se relacione com a morte. Deus conhece apenas o maravilhoso desdobramento do Bem, sem qualquer sugestão de declínio. Reconheçamos a nossa unidade com essa Vida eterna que desconhece totalmente a morte, essa Verdade eterna que ignora o mínimo erro e essa Mente divina que não admite o menor mal.

Mas se não passamos pela “transição”, como se processa então a nossa evolução? Estejamos alertas, pois esta questão é uma armadilha disfarçada. Nem sequer se imagina o número de Cientistas Cristãos que admitem voluntariamente a ideia de que um dia experimentarão um crescimento ou elevação através da morte. Frequentemente, estes se sentem um pouco culpados por reivindicarem o bem para eles mesmos e julgam que essa ideia é cientifica, aceitando mediante uma atitude tímida, apagada e confusa, que um dia evoluirão. Tornam-se um pouco mais confiantes, mais seguros e talvez até um pouco mais exuberantes quando cantam o seguinte verso do Hino 64 do Hinário da Ciência Cristã: “A senda do sentido à Alma vejo,” julgando com essa frase justificar a sua atitude.

Regressando à citação inicial, — Miscellany, pág.2 42 — como pode aquilo que é imortal progredir? Para onde se elevaria o homem? Como pode aquilo que já se encontra no ponto da perfeição — e não em vias de se aproximar desse mesmo ponto — elevar-se ainda mais? Apenas aceitando a crença de que o homem é mortal, é que podemos admitir alguma possibilidade de ascensão. O mortal espera, eventualmente, elevar-se até à imortalidade, mas este não é um enunciado científico. Devemos, pelo contrário, reivindicar agora a nossa imortalidade. Como poderemos então regozijarmo-nos na compreensão de que somos imortais e, ao mesmo tempo, esperar evoluir da mortalidade para a imortalidade? Recordemos que nunca deixamos o céu pela terra! Nunca nos tornamos mortais, nem nos materializamos, pois jamais nascemos na matéria.

A Sra. Eddy sublinha no livro Não e Sim : “Jesus veio anunciando a Verdade e dizendo não somente ‘o reino de Deus está no meio de vós.’ Logo não há pecado, pois o reino de Deus está em toda parte e é supremo, e segue-se que o reino humano não está em parte alguma, e deve ser irreal.” (pág. 35: 25-29). Logo a seguir, vem uma das mais significativas declarações acerca de nosso Mestre: “O ser consciente e verdadeiro de Jesus nunca deixou o céu pela terra. Permaneceu no alto para sempre, mesmo quando os mortais acreditavam que estava aqui. Uma vez falou de si próprio (João 3:13) como sendo “o Filho do homem que está no céu”, — palavras notáveis, inteiramente contrárias às opiniões populares sobre a natureza de Jesus.” Também nós somos os filhos de Deus, imortais, habitando para sempre no reino celestial de Deus. Não podemos decair desse único estado de existência, nem a ele nos elevarmos, pois nele vivemos agora; e é esse estado de existência que reivindicamos, compreendemos e com o qual nos regozijamos.

Um dos relatos que deveríamos ter sempre presente no pensamento é o da transfiguração de Jesus: levando consigo a Pedro, Tiago e João, Jesus subiu a um alto monte e aí foi transfigurado na presença daqueles: “o seu rosto resplandecia como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele. Então disse Pedro a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui.” (Mateus 17: 2-5). Fazendo eco das palavras de Pedro, afirmemos também: “Senhor, bom é estarmos aqui.” E onde estamos nós? Estamos igualmente no cimo do monte da compreensão divina; vimos a Jesus, Moisés e Elias e na Ciência, vimos o homem perfeito: jamais nascido e incapaz de morrer, mas sempre semelhante ao filho de Deus; podemos igualmente escutar a voz de Deus, falando conosco como falava aos discípulos daquele tempo: “Este é o meu filho amado, em quem me comprazo.” (Mateus 3:18). A luz da verdade revelou-nos que esta declaração é válida não somente para Jesus, mas também para Moisés, para Elias e para todos os filhos de Deus. Permanecendo no cimo do monte com Pedro, Moisés, Elias e Jesus, é bem menos difícil ver o nosso próximo, sem exceção, como o filho bem-amado de Deus, perfeito e imortal. Tomemos agora a decisão de permanecer no cimo do monte da compreensão e revelação divinas. Não renunciemos nunca à nossa resolução de ver o nosso próximo e todo o universo nesse mesmo local, em companhia dos imortais Moisés, Elias e Jesus. Veremos então o universo e conheceremos o homem como Deus os vê: imortais e perfeitos. Não será essa a forma de trazer a imortalidade à luz?

Todos os dias, eu me coloco as questões que vou agora enunciar e em seguida responder. Quando nelas meditarem, respondam como se fossem jurados num tribunal, obrigados sob juramento a dizer a verdade:

Quando é que foram para a Rússia? Quanto tempo viveram sob as leis e os regulamentos russos? Quantas injustiças e afrontas sofreram durante esse tempo? Que tipo de impostos e multas suplementares foram obrigados a pagar na Rússia? Quantos dias infelizes, repletos de desânimo e de medo aí passaram? Quando é que decidirão abandoná-la?

Não é evidente por si mesmo que, se alguém nunca esteve na Rússia não pode aí ter sofrido, tal como não se pode abandonar um local onde nunca se esteve? Respondamos então agora às seguintes questões com o mesmo parecer positivo e com a mesma certeza científica:

Quando é que entraram no reino da matéria, ou por outras palavras, quando é que nasceram? Quanto tempo viveram sob o controle das leis e regulamentos materiais? Com que frequência transgrediram as 1eis materiais? Quantas dores e sofrimentos sofreram na matéria? Quantos dias infelizes, cheios de medo e de desalento, viveram no reino da matéria? Quando pensam “apanhar um comboio”, por exemplo, e efetuar a “transição” ou morrer na matéria? Quando pensam “apanhar um avião”, por exemplo, e elevarem-se acima da matéria?

Desta forma, não vos parece lógico que, nunca tendo vivido na matéria, seja impossível nela pecar ou sofrer? O homem não pode estar agitado, atormentado ou preocupado na matéria; não pode morrer na matéria ou efetuar a “transição”, tal como não se pode elevar acima de algo de onde nunca foi oriundo.

Tenho um apreço especial por este pequeno exercício mental, pois torna-se assim bem mais fácil compreender que, visto eu nunca ter entrado na Rússia, não posso aí ser penalizada ou mesmo daí sair. Da mesma forma, é igualmente mais fácil compreender que, nunca tendo nascido na matéria ou na mortalidade, não podemos ser nela castigados, tal como não a podemos abandonar.

Tendo-nos tornado obedientes às duas primeiras recomendações do nosso texto inicial — nomeadamente, a de reivindicar a nossa imortalidade e a de a compreendermos — é agora mais fácil ser obediente à terceira recomendação: a de praticarmos a Ciência Cristã “a partir do ponto da perfeição”. De que modo foi científica a Sra. Eddy ao praticar a Ciência unicamente a partir do ponto de perfeição! Conforme já foi citado antes, ela declara: “A Ciência Cristã é absoluta; ela não está aquém nem além do ponto da perfeição, mas encontra-se exatamente nesse ponto e é a partir daí que deve ser praticada.” (My. pág. 242: 5-7). É espantosa a forma como a Sra. Eddy inclui nessa importante declaração a reivindicação da imortalidade e a argumentação a partir do ponto da perfeição. A bem dizer, as duas ideias andam a par e passo; é por ser o homem imortal, que se justifica a sua perfeição e é igualmente a sua imortalidade que lhe confere o direito de reivindicar, argumentar e testemunhar unicamente a perfeição. Por outro lado, como o homem reivindica a sua perfeição e procura viver “a vida que se aproxima do bem supremo”, reconhece a sua própria identidade verdadeira e, como consequência, compreende a sua imortalidade.

Como diz o nosso livro texto, numa das suas maravilhosas afirmações: “A Ciência do ser fornece a regra da perfeição e traz a imortalidade à luz.” (pág. 336: 27-28). Vamos agora tentar demonstrar a regra da perfeição que a Ciência nos fornece e assim experimentar a recompensa total de uma maior inspiração e iluminação da nossa imortalidade. Suponhamos que eu vos colocasse a todos no banco das testemunhas; em seguida, pedisse que respondessem somente de acordo com a mais absoluta verdade a vosso respeito. O vosso testemunho deveria então ser o testemunho que Deus fornece a respeito de cada um de vós. Recordo-vos agora, antes de dar início aos vossos testemunhos, que apenas pratica a Ciência Cristã quem declara a verdade absoluta; lembro-vos igualmente, que ao declarar os fatos científicos a vosso respeito, estareis a obedecer à ordem de nossa líder; e recordo-vos ainda que, ao testemunhar dessa forma, trareis a imortalidade à luz na vossa própria existência, bem como na de outros.

Sentem-se algo constrangidos, algo culpados ou hipócritas ao reivindicar a total perfeição para vós mesmos? Pois não recuem um passo na argumentação que visa a perfeição. Recordem-se que não estão em vias de alcançar a perfeição, nem aquém da mesma, mas estão agora mesmo no ponto exato dessa perfeição. De novo, na página 242 de Miscellany a Sra. Eddy chama a nossa atenção para o fato de que devemos tomar uma posição radical a favor da perfeição, ao afirmar: “A menos que se compreenda perfeitamente o fato de se ser um filho de Deus, e como tal, perfeito, não existe Princípio algum a demonstrar, nem qualquer regra que o permita fazer.” (8-10). Compreendendo que não somos desonestos ao testemunhar dessa forma e que não há qualquer hipocrisia ao declarar a verdade a respeito do homem imortal de Deus, nem sequer admitiremos a hipótese de responder de outra forma. Avancemos então para a questão seguinte:

1ª Questão – Tomaram plena consciência de que a vossa resposta deve ser absoluta, sem quaisquer compromissos ou restrições? Entenderam agora que tipo de testemunho devem apresentar?

“Ah, sim, sou realmente perfeito, embora esse não pareça ser bem o caso”; “sim, sou um dos melhores Cientistas Cristãos do mundo, mas nem sempre sou capaz de o demonstrar”; “sim, eu sei que sou realmente perfeito, mas tenho ainda que o demonstrar”; “sem dúvida, sou o filho imortal de Deus, e por isso, perfeito, mas desejava compreender e experimentar melhor esse fato”; “sou um dos homens mais honestos do mundo, mas ninguém pensa desse modo a meu respeito”; “a minha família é perfeita, mas temos uma vizinhança terrível.” “Eu sou perfeito, mas quanto a alguns membros da Igreja…” e etc., etc., etc. Já repararam que cada vez que se associa a palavra “mas” a uma declaração da verdade, o que se segue é uma afirmação que compromete essa verdade? E o que sucede com a nossa demonstração da verdade, se afirmamos: “Sim, sou o filho perfeito de Deus, mas desejava poder assemelhar-me mais a Ele”? Não estaremos assim a fechar a porta à tão desejada manifestação da perfeição? Nos meus próprios esforços para manter uma argumentação unicamente a partir do ponto da perfeição, encontrei um grande auxílio num artigo publicado no Christian Science Jounal. Quando o artigo foi publicado, foi de tal forma bem acolhido pelos leitores, que quando escrevi para Boston na tentativa de obter uma cópia suplementar da referida publicação, responderam-me que esta já tinha esgotado. Era evidente que eu não havia sido a única a apreciar a leitura positiva e absoluta que esse artigo apresentava de fundo. O seu título era: “Aceitar a demonstração”, e foi escrito por Margaret Morrison, sendo publicado no Journal de Fevereiro de 1947. Nesse artigo, a Sra. Morrison salienta que a verdadeira demonstração é espiritual e mental, o que corresponde àquilo que estivemos desenvolvendo neste estudo. Toda manifestação que possa ocorrer na nossa experiência humana, como resultado da demonstração da Verdade, é um acréscimo. Em outras palavras, o regozijo por um Deus perfeito, um universo perfeito e um homem perfeito é demonstração! A atividade certa que surge no nosso caminho, a cura de um problema físico, a descoberta de uma casa onde morar e a manifestação de suprimento são as “coisas” que nos são “acrescentadas”. É maravilhosa esta forma de chamar a atenção para o fato de que, se rendermos testemunho fiel àquilo que é de fato verdadeiro, deixamos a porta aberta a essas coisas que nos são “acrescentadas”.

Assim, se acrescentarmos à nossa demonstração da verdade a adversativa mas, seguida de um pensamento negativo, fecharemos a porta às coisas “acrescentadas”. É evidente que essas coisas “acrescentadas”, que “descem do Pai das luzes” tornam mais agradável a nossa existência; então, porque não deixar a porta de entrada aberta para que essas coisas possam afluir em abundância na nossa vida cotidiana, testemunhando com firmeza unicamente a Verdade, sem nenhuma outra concessão do tipo “se…”, “mas…” ou “talvez”…?!

A tentativa de encontrar o testemunho da matéria é outra forma de fechar a porta a essas coisas que do alto nos são dadas. Se alguém afirma que Deus é a saúde do seu rosto, que esta se revela em beleza e que é o reflexo perfeito de um Deus perfeito e em seguida procura ver no espelho se a Verdade curou a sua palidez, então essa pessoa não tem certamente o seu olhar fixo unicamente no Espírito; esse alguém está prestes a demonstrar antes uma dualidade, tentando utilizar o Espírito para curar a matéria, observando a carne para concluir se esta foi curada.

Aquele que argumenta com firmeza “a partir do ponto de vista da perfeição”, reivindica a seu respeito todas as verdades maravilhosas, gloriosas e espirituais; em seguida, ele faz face à realidade que lhe diz respeito e verifica que as verdades se transformaram em realidades agora que compreende ser a imagem e semelhança perfeita, pura e santa de Deus pode erguer o seu rosto sem mácula. Não existe outra solução; não existe matéria na qual possa ocorrer uma manifestação; não existe mente mortal para dar conta de uma determinada situação; não existe sentido material para testemunhar a aparência do homem. Regozijemo-nos agora com estas verdades, não através de uma débil tentativa de a aplicarmos, mas sim através da sua demonstração.

FIM

quarta-feira, novembro 12, 2014

IMORTALIDADE TRAZIDA À LUZ - 7/8

Dorothy Rieke



No livro A Unidade do Bem, a Sra. Eddy salienta esse ponto na seguinte declaração: “(…) os moribundos — se é que se pode morrer no Senhor — despertam da ideia da morte para uma consciência da Vida em Cristo, com um conhecimento da Verdade e do Amor superior ao que possuíam anteriormente.” (pág. 2: 24-27) Recordemos que, referindo-se à morte de Joseph Armstrong, a Sra. Eddy descreveu seu fiel seguidor como gozando de maior sabedoria, saúde e felicidade do que anteriormente, pois o sonho mortal de vida já havia sido atenuado. Senti uma enorme inspiração ao ler um artigo de John Randall Dunn sobre o tema da imortalidade, intitulado “The Spring Song of Christian Science” (“O cântico primaveril da Ciência Cristã”). No entanto, depois de ter tomado conhecimento do falecimento do seu autor, foi-me particularmente difícil manter esse pensamento inspirado no trabalho metafísico que eu fazia para os meus pacientes. Resolvi então estudar um artigo do Christian Science Journal; mas antes de o ler, tive o seguinte pensamento: “Será que vou encontrar aqui alguma mensagem para mim da parte do Sr. Dunn?” Ao abrir então a referida publicação, deparei-me com essa maravilhosa mensagem sobre o tema da imortalidade. Para mim, foi tal como se a tivesse ouvido dos seus próprios lábios! Aquelas palavras reconfortaram-me profundamente e o meu pensamento recebeu uma alegria renovada e um maior impulso: “Certamente, o Cientista Cristão que já não vemos, foi elevado a um melhor e mais feliz sentido da realidade.” Ao continuar a ler, pude imediatamente sentir que o Sr. Dunn não queria que eu me sentisse afligida por causa da sua partida: “São muitos os homens e as mulheres acabrunhados pela dor que buscam a Ciência numa tentativa de pôr fim ao intenso egoísmo do desgosto, pois enquanto se acarinha a ideia de perda e de angústia, não pode haver regozijo na liberdade e na harmonia; esse acordar espiritual para além da sua própria visão é inevitável na experiência do Cientista Cristão. Assim, a mensagem pascoal da Ciencia Cristã pede aos que sofrem: Regozijai-vos, porque o homem vive e ama, e ele ignora a tristeza e a separação.”

Mas será então necessário passar pelo sonho da morte para se ser curado, para se alcançar a compreensão de que a morte não existe, para se crescer espiritualmente e para se demonstrar que não existe idade? Não, de forma alguma. A Ciência Cristã ensina de um modo tão claro e infalível sobre a imortalidade do homem que não nós é necessário morrer para podermos demonstrá-la. Sabemos neste exato momento quem somos, para que o Cristo, a Verdade, seja glorificado. Sabemos quem somos e sabemos também qual é a verdadeira realidade; sabemos, sem sombra de dúvida, que nunca tendo nascido, somos espirituais e perfeitos, não podendo nunca vir a morrer. Temos igual consciência da impossibilidade absoluta da. morte, devido à sua completa inexistência. Somos agora os filhos e as filhas do Rei, possuindo já um perfeito estado de ser, de pensar e de demonstrar; e não nos é necessário morrer para descobrirmos ou demonstrarmos esse fato.

Uma das mais poderosas verdades para o estabelecimento da irrealidade da morte é o fato de que Deus, a única Vida divina e eterna, desconhece em absoluto tudo o que com esta se relacione. A doutrina ortodoxa antiga defende que Deus tem conhecimento de muitas coisas relacionadas com a morte e muitos dos Cientistas Cristãos não estão suficientemente esclarecidos ou confiantes para refutarem essa doutrina. A maioria dos sermões fúnebres antigos continha a seguinte declaração: “Deus a concedeu, Deus a tomou.” Jamais se pronunciou uma tão grande mentira como essa de que Deus leva os Seus filhos pela morte.

Um grande Cientista Cristão, com quem me relacionei bastante, disse-me uma vez: “Quando chegar a hora de eu partir, logo que Deus queira me levar, estarei preparado.” Tal atitude implicaria que Deus tivesse conhecimento de que existe algo chamado morte. Essa crença está de tal forma enraizada no pensamento de algumas pessoas, que as impede de rejeitar a ideia da morte e de aceitar a verdadeira ideia da Vida eterna. A crença generalizada diz: “Só podemos tomar duas coisas como certas: a morte e os impostos.” Apenas quando se abandonar essa crença e se começar assim a reconhecer o fato de que Deus desconhece a morte, só a partir desse momento será possível começar a vencer a morte. Por ocasião da crucificação de Jesus, os doutores da lei e os fariseus procuraram provar que a crença no mal, e em particular na morte, era real. Quando se deu a ressurreição, Jesus certamente reconheceu que Deus, seu Pai-Mãe e Princípio celestial, desconhecia por completo a morte. Tomou consciência somente da sua coexistência com esse Princípio divino, negando assim todas as experiências relatadas anteriormente. Não há dúvida que foi essa compreensão que lhe permitiu sair do túmulo e demonstrar assim o seu domínio sobre aquilo que se apelidou de morte.

Nunca é da vontade de Deus que alguém morra. Em Ezequiel lemos: “Porque não tenho prazer na morte de ninguém, diz o Senhor Deus. Portanto convertei-vos e vivei.” (18:32) Além de não desejar a morte, Deus não possui qualquer conhecimento sobre esta. E como o poderia possuir, Ele que é a Vida eterna? Como poderia a luz ter conhecimento das trevas ou o bem do mal?

Frequentemente, ouvimos dizer: “Como se pode afirmar que a morte não existe, se eu já assisti à morte de várias pessoas? De fato, todos vamos ter que morrer alguma vez.” Visto que a maior parte das pessoas afirma conhecer bem a morte, pagam depois o preço desse falso conhecimento, cavando a sua própria sepultura. Consideremos os fatos espirituais: Enoque andava com Deus. Ele reconhecia a simples verdade de que o seu Criador nada conhecia acerca da morte e vivia a sua união com Deus, sendo por, fim elevado de forma a não passar pela morte; Eliseu sabia que o seu Criador desconhecia a morte e unia o seu pensamento à Mente divina, a qual ignora a morte.

Também ele triunfou, provando que o conhecimento da Vida eterna o libertou da crença na morte; Cristo Jesus sabia que Deus desconhecia a existência da morte. Declarou ele que “todo o que (…) crê em mim, não morrerá, eternamente.” (João 11:26) E acrescentou ainda: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” (João 17:3) Se por algum momento, Jesus tivesse acreditado que o seu Criador conhecia a morte, então ele próprio, por reflexo, a teria conhecido e nunca teria podido demonstrar a ressurreição.

Diante do túmulo de Lázaro, Jesus reconheceu que Deus nunca levara o seu amigo; reconheceu que Deus nunca tomara conhecimento daquilo que os mortais apelidavam a morte de Lázaro, e reconheceu também que o seu Criador celestial, a sua Mente divina, era tão dinâmico na Sua presença, na Sua força e glória que na sua Consciência não poderia existir qualquer conhecimento de morte. Foi por essa razão que Jesus ordenou ao povo ali presente que “desatassem” Lázaro e o “deixassem ir”. Afirmou a Marta que ali mesmo não existia absolutamente mais nada do que o reconhecimento da Vida. Como consequência, Lázaro saiu livre do túmulo.

Quando esteve em casa de Jairo, Jesus deteve-se numa ante-camara na presença daqueles que manifestavam ter conhecimento da morte e do seu aparente poder. Aí, o Mestre viu claramente que o eterno Criador não possuía qualquer conhecimento da morte, ou de qualquer espécie de fim. Assim, ele pôde entrar no quarto e ordenar: “Talita cumi”, que significa: “Menina, eu te mando, levanta-te.” (Marcos 6:41) Ele compreendia que não existia nenhuma ideia de morte, nem nenhum de seus efeitos nefastos.

Se Deus nada conhece sobre o tema da morte, então é fácil concluir que Ele desconhece igualmente os vários estados e níveis de consciência. A Vida eterna não pensa no homem passando de um estado ou nível de consciência para outro.

Cont...

domingo, novembro 09, 2014

IMORTALIDADE TRAZIDA À LUZ - 6/8

Dorothy Rieke



Farei agora algumas observações acerca destes exemplos e das citações da Sra. Eddy, desejando que se torne cada vez mais clara a verdade de que a morte é totalmente irreal. Na verdade, não se passa nada no processo humano denominado transição e é por isso que não devemos temê-lo.

Ponto 1 – Quem é que alcançou realmente a vitória sobre a morte no último exemplo? Não menosprezando o valor daqueles que faziam o seu trabalho de oração, foi a própria paciente quem se mostrou disposta a querer continuar a viver, recusando-se a consentir na ideia da morte. Não terá sido esse o motivo que tornou possível o sucesso da oração daqueles que a auxiliavam? A jovem não planejou morrer, nem aceitou tal ideia. Se afirmamos a nossa imortalidade, devemos então regozijarmo-nos por compreendê-la e nos recusar a reconhecer a morte como sendo alguma coisa; se não a planejarmos, nem a consentirmos, não podemos morrer.

Ponto 2 – Se a pessoa descobre que já não pode mais se comunicar com aqueles com quem estava, procura outros interlocutores e encontra os seus entes queridos que haviam desaparecido antes dela. Cito como referência a este ponto o poema da Sra. Eddy contido no livro Escritos Miscelâneos, na página 385: “The Meeting of My Departed Mother and Husband.” (“O encontro dos meus falecidos mãe e marido”); neste poema, chamo a vossa atenção para o tema do reencontro com os entes queridos, pois a Sra. Eddy tomou como certo o fato de que a sua mãe decerto acolheria o seu marido, o Dr. Asa Eddy. Este tema é novamente desenvolvido no livro texto: “Só há um momento em que é possível aos que vivem na terra comunicarem-se com aqueles a quem chamamos mortos, e esse é o momento que precede a transição — o momento em que o elo entre duas crenças opostas se está rompendo. No vestíbulo pelo qual passamos de um sonho a outro, ou quando despertamos do sono terrenal para as grandes verdades da Vida, os que se vão podem ouvir as boas-vindas daqueles que se foram antes. Os que se vão podem sussurrar essa visão, pronunciar o nome daquele cuja face lhe sorri e cuja mão lhes acena, como alguém que, diante do Niágara, só tendo olhos para essa maravilha, esquece tudo o mais e expressa em alta voz seu arrebatamento.” (pág. 75: 21-6)

Ponto 3 – O homem desperta com o mesmo conceito mortal ou corpo que tinha no momento da transição. A Sra. Eddy desenvolve esta ideia em Ciência e Saúde, empregando o seguinte provérbio popular: ” ‘Como a árvore cai, assim tem que ficar.’ Tal como o homem adormece, assim acordará. Tal como a morte encontra o homem mortal, assim ele será depois da morte, até que a provação e o crescimento efetuem a mudança necessária.” (pág. 291: 22-26) Esse homem conservou um conceito de um corpo físico depois da morte semelhante aquele que possuía antes e está certamente em contradição com a antiga crença ortodoxa que, afirma que o homem se torna espiritual no instante em que morre.

Atenhamo-nos ao exemplo daquele indivíduo que ao morrer, transportou consigo o seu conceito mortal de corpo. Recordemos agora a forma explícita com que a Sra. Eddy declara na sua carta que, se aquele que parecia morto se tivesse voltado e observado a cadeira sobre a qual estivera sentado, a teria visto vazia. No livro texto, esta conclusão é confirmada na citação seguinte: “Os mortais despertam do sonho da morte com corpos que não são vistos por aqueles que pensam estar sepultando o corpo.” (pág. 429:15) Reparem que ela não afirma que estes últimos enterrem o corpo, mas sim que “pensam estar sepultando” o corpo. Mais adiante, falando do corpo depois da morte, diz-nos: "(…) a mente humana ainda mantém, na crença, um corpo por meio do qual age e que para a mente humana parece viver — um corpo como o que tinha antes da morte. Esse corpo é abandonado somente quando a mente mortal e errônea cede a Deus, a Mente imortal, e se verifica que o homem é a Sua imagem.” (pág. 187: 30-3). Decerto, a verdade de que no sonho da transição o homem leva consigo o seu conceito humano de corpo acentua a irrealidade da morte. Não deveríamos, então, rejeitar o nosso sentido mortal acerca do corpo atual, regozijando-nos na nossa espiritualidade e imortalidade?

Ponto 4 – Aqueles que já partiram, despertam para o reconhecimento da irrealidade da morte. Em Ciência e Saúde lemos: “O pensamento despertará de sua própria declaração material: Estou morto, para ouvir esse toque de clarim da Verdade: Não há morte, não há inação, nem ação mórbida, nem ação excessiva, nem reação.” (pág. 427: 34-2) A ideia de que transportamos conosco o nosso conceito humano de corpo facilita a nossa compreensão de que a morte não existe.

Em Escritos Miscelâneos, a Sra. Eddy declara: “Ao despertar do sonho da morte, aquele que julgava estar morto comprova que se tratou apenas de um sonho e que não morreu.” (pág 58: 5-7)

O antecedente põe em evidência um outro fato: o de que uma cura pode ocorrer imediatamente após a “transição”. A citação completa é dada em resposta à seguinte pergunta: “Se alguém morreu de tuberculose e já não se recorda de nada acerca da sua enfermidade ou sonho, terá ainda essa enfermidade algum poder sobre ele?” (Escritos Miscelâneos, pág. 58: 1-3) Não, e isso reforça a ideia de que logo que esse alguém entenda que não morreu “compreende que a tuberculose não causou a sua morte. Quando se destrói a crença no poder da moléstia, a moléstia já não pode reaparecer.” (pág. 58: 7-10) Não é razoável aceitar que, havendo o homem perdido o medo e a crença na morte, não pode deixar de constatar a irrealidade daquilo que supostamente a causou? Desprovido do medo e da crença na morte e na moléstia, não desejaria realmente o homem ser curado?

Ponto 5 – Para onde foram os entes queridos já falecidos? Não foram para lugar algum. Para onde poderiam eles ter ido? Não temos todos nós o nosso ser na Mente única e não é nela, que “vivemos e nos movemos”? Onde poderíamos nós estar senão no reino da Mente divina? É somente devido a um falso conceito humano que admite que um ente querido pode ser afastado da nossa vista, que parecem existir estados, etapas e níveis de existência capazes de os afastar de nós.

A respeito da morte de Edward A. Kimball, a Sra. Eddy escreve, em MisceIIany (pág. 297: 18-24): “O meu querido amigo Edward A. Kimball, cujo ensinamento claro e correto da Ciência Cristã foi e continua a ser uma fonte de inspiração para muitos, está tão vivo agora como estava há um ano atrás, quando aqui me veio visitar. Se de fato pudéssemos compreender essa verdade, poderíamos vê-lo aqui e constataríamos que ele nunca havia morrido; esta é a demonstração da verdade fundamental da Ciência Cristã.” Comecemos desde já a nos alegrar com o fato de não possuirmos qualquer concepção errada sobre a vida ilimitada; não aceitemos sequer que o homem seja capaz de morrer e ir para outro local, nem reconheçamos a morte como um sonho ou como uma ilusão; porque sabemos que a morte é totalmente inexistente, elevemo-nos à compreensão e ao reconhecimento de que todos os filhos de Deus, vivem numa única Mente, imortal e perfeita. E por esse motivo que não precisamos experimentar a dor de uma separação, porque esta não existe.

Uma das crenças que é abandonada após o despertar do sonho da morte é a crença na idade. Depois de se ter alcançado a total convicção de que o nascimento e a morte não existem, é 1ógico e natural que se demonstre a consequente irrealidade da idade.

Ponto 6 – O despertar para a irrealidade da morte é de tal modo inspirador e revelador da imortalidade, que certamente conduzirá a um rápido crescimento espiritual.

Cont...

sexta-feira, novembro 07, 2014

IMORTALIDADE TRAZIDA À LUZ - 5/8

Dorothy Rieke


Jesus estava consciente da sua pré-existência espiritual., como se pode verificar pelo teor desta grande oração: “E agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo.” (João 1 7:5) É fácil compreender que não podia existir moléstia, pecado ou mesmo uma crença em nascimento, “antes que houvesse mundo”. Deus era a única origem, o único criador. Ele glorificava o homem através da Sua própria existência, da Sua. própria realidade, da Sua própria substância, da Sua própria consciência, do Seu próprio ser e da Sua ação; da Sua própria lei, da Sua própria realidade, do Seu próprio amor, do Seu próprio conhecimento e compreensão.Esse mesmo fato é verdadeiro ainda hoje, pois nunca existiu um mundo material ou uma existência material para interromper a imortalidade. A Sra. Eddy escreve, em Escritos Miscelâneos: “O conhecimento firme e verdadeiro que o manso Nazareno possuía acerca da sua pré-existência e da inseparabilidade de Deus e do homem foi o que o tornou poderoso.” (pág. 189: 8-11) Declara ainda na mesma obra: “Os mortais perdem o seu conceito de mortalidade — moléstia, pecado e morte — na proporção em que adquirem o conceito da pré-existência espiritual do homem como filho de Deus, como o descendente do bem, e não como o oposto de Deus — o mal, ou o homem decaído.” (pág. 181:27) É igualmente importante que, ao utilizar o termo pré-existência, estejamos bem certos de que não nos referimos a uma vida espiritual anterior a uma vida material, ou a uma vida material precedendo uma outra vida material. Muitas religiões ortodoxas ensinam que o homem deixou o céu pela terra, e que devido a esse fato, nós já vivemos espiritualmente antes desta existência material. Outras religiões pregam uma existência material precedendo a existência material atual. Mas a Ciência discorda destes falsos preceitos e os substitui pela verdade da imortalidade ininterrupta da existência espiritual atual, tão espiritual como aquela que existia antes que “houvesse mundo”. Existe somente a existência espiritual, e assim, a única pré-existência tem que ser forçosamente espiritual.

Antes de conhecer a Ciência, eu acreditava que devíamos ter tido vidas anteriores, mas o meu conceito era um conceito mortal. Eu estava predisposta a aceitar a imortalidade, a vida eterna, mas imaginava igualmente que existiam períodos de mortalidade. No final do Curso Primário da Ciência Cristã, cada aluno estava autorizado a fazer uma pergunta ao nosso Professor, que já antes havia insistido no ponto de que a única pré-existência era espiritual. Contudo, eu não estava ainda muito convencida e perguntei-lhe então o seguinte: “Se nunca experimentamos uma existência material anterior a esta, então porque é que eu nasci na América, tive o privilégio de receber uma boa educação, de encontrar a Ciência Cristã e de ter sido abençoada pelo Curso Primário, enquanto que na Índia, um hindu vive na maior miséria, sem quaisquer possibilidades de se elevar acima do seu sistema de castas, recebendo muito menos instrução e não tendo sequer a hipótese de ouvir falar na Ciência Cristã? Se nós não tivemos nenhuma existência humana anterior que influencia o status da nossa existência atual, então porque é que existe uma diferença tão grande nas nossas experiências?” A resposta foi plena de sabedoria: “Ambas não passam de sonhos.”

Pude então entender que o meu raciocínio acerca da pré-existência era falso, porque não estava baseado num fato científico. Como no presente supomos viver uma existência material, eu pensava que a pré-existência, deveria também ter sido material. “Para raciocinar corretamente” – escreve a Sra. Eddy – “deve estar presente no pensamento um só fato, a saber, a existência espiritual. Na realidade, não há outra existência, porque a Vida não pode ser unida à sua dessemelhança, a mortalidade.” (C&S, pág. 492:3-7) Em seguida, neguei o sonho presente da existência material e pude aperceber-me de que a nossa pré-existência era idêntica à imortalidade espiritual, perfeita e ininterrupta. Em momento algum eu e o hindu pudemos viver uma história material, da mesma forma que nenhum de nós foi alguma vez cigano. Tivemos, ao longo de todo o tempo, a nossa vida em Deus e ambos sempre fomos abençoados de uma forma ilimitada pelos Seus recursos infinitos, estando sempre plenamente conscientes da nossa espiritualidade e imortalidade, bem como da nossa união com o Pai.

Referindo-se a uma pré-existência, para assegurar que os seus leitores se conscientizariam totalmente da imortalidade infinita, a Sra. Eddy associou esse tema a uma outra palavra — “coexistência”. Vejam, de que forma inspirada ela a utiliza no livro Escritos Miscelâneos: “A Ciência inverte o testemunho do sentido material pelo sentido espiritual, segundo o qual Deus, o Espírito, é a única substância e o homem, a Sua imagem e semelhança, é espiritual, não material. Essa grandiosa verdade não anula, mas confirma a identidade do homem, a sua imortalidade e pré-existência, ou coexistência espiritual com o seu Criador.” (pág. 47: 21-27)

Tendo aceito o fato de que somos agora imortais e sempre o fomos, será o termo “coexistência” mais apropriado? Mais do que uma sugestão passada, presente ou futura, a coexistência representa a imortalidade ininterrupta do eterno agora; tendo aceito o fato de que somos agora imortais e que sempre o fomos, admitamos o fato de que sempre o seremos. É neste ponto que a maioria das religiões cristãs concordam, ao saber que o nosso futuro está associado à imortalidade.

No entanto, estas diferem da Ciência Cristã, quando partem do princípio de que teremos que morrer para a imortalidade prevalecer; assim, uma vez terminada esta vida, deveríamos então continuar a viver a fim de alcançar a demonstração de imortalidade. Mas a Vida é Deus e Deus é a única Vida, a nossa Vida, a qual não conhece a morte — nem mesmo uma fase chamada transição. Cristo Jesus ensinou, pregou e demonstrou a verdade de que a Vida é eterna e de que a morte não existe. Esta gloriosa promessa foi proferida perto do túmulo de Lázaro: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim, não morrerá, eternamente. Crês nisto?” (João 11: 25, 26). A ressurreição de Jesus dentre os mortos, seguida da sua ascensão, foi uma prova irrefutável de que o homem é eterno. Em todos os seus livros a nossa líder provou a irrealidade e total inexistência do processo de morte. São inumeráveis as vezes em que ela declara: “A morte não existe.” É por este motivo que não deveríamos temer a morte como uma inimiga, nem acolhê-la como uma amiga, mas apenas considerá-la como sendo absolutamente nada, e portanto, totalmente não-existente. Como é maravilhoso saber que a nossa compreensão espiritual, a nossa saúde e a nossa imortalidade não são cúmplices de uma amiga chamada morte! Como tal, não somos obrigados a acolher essa falsa amiga, pois a nossa saúde, a nossa compreensão espiritual e a nossa imortalidade procedem de Deus, fonte inesgotável.

Como considerar então a morte? Como uma amiga, uma inimiga ou como o nada absoluto? Na revista Seleções do Reader’s Digest, de Fevereiro de 1952, consta um excerto condensado do livro The Will to Live (A vontade de viver), de autoria de Arnold A. Hutschnecker. Este livro, na sua maior parte, foi escrito sob um ângulo científico e ao lê-lo, fiquei profundamente impressionada por tudo quanto esse físico eminente havia declarado. Ele chegou à conclusão de que ninguém passa pela transição da morte sem que antes a tenha planejado.

O que é que planejamos? Viver ou morrer? Sejamos vigilantes. Por vezes, esse planejamento ocorre de uma forma muito sutil. Podemos fazer a afirmação com a maior firmeza: “Eu não morrerei nunca”, mas será que não a transgredimos quando admitimos que o nosso nome venha a constar de uma lápide num cemitério? Ou quando fazemos um testamento ou um seguro de vida? Não se encontrará a casa de algum de vós devidamente organizada para facilitar a procura de documentos pessoais no caso da sua própria morte? O Dr Hutschnecker afirma o seguinte: “Frequentemente descobrimos que a vítima de um enfarte repentino e imprevisto havia antes consultado o seu advogado para tratar do testamento ou tinha feito recentemente um novo seguro de vida.”

Não há muito tempo, eu mesma caí na seguinte armadilha: Pensei que não assistiria a uma nova guerra. Mas de súbito interroguei-me: “O que estás a pensar? Que já não estarás mais viva para assistir a uma nova guerra ou que já não haverá mais nenhuma guerra?” Como a minha vida é planejada por mim, me era impossível admitir que eu pudesse passar pela transição antes que uma nova guerra se declarasse num universo material. Eu devia antes alegrar-me pelo fato de que nenhuma guerra poder existir no reino da consciência divina, onde eu eternamente vivo.

Conheço um caso em que, a despeito da ajuda dada por um devotado praticista, sincero e consagrado, o paciente faleceu. Aos amigos que assistiam ao funeral, a família distribuiu com orgulho uma carta que a defunta havia redigido alguns meses antes. Era verdade que essa carta estava especialmente bem escrita e que exprimia muito bons sentimentos, mas por outro lado, revelava que essa pessoa havia de tal forma baseado os seus pensamentos na ideia da morte, que resolvera escrever uma carta a esse respeito! Todos consideraram que se tratava de uma carta magnífica, exceto eu; tive a convicção de que a paciente poderia ter feito muito melhor uso do seu tempo cooperando com o trabalho do praticista e planejando a vida, ao invés da morte. Por vezes, se fazem as seguintes interrogações: “Que se passa com os praticistas? Porque é que há tantos casos de Cientistas Cristãos que morrem?” Eis aqui a resposta: muitos deles aceitam a ideia da morte.

Comecemos já então a planejar viver uma vida plena. Paremos de poupar dinheiro para o deixar como herança aos nossos filhos. Não será essa uma outra forma sutil de planificação? Vivamos o presente e utilizemos os nossos recursos agora, sabendo que o Pai celeste que tanto nos ama suprirá ilimitada e abundantemente tanto às nossas necessidades como as dos nossos filhos, tal como Ele fazia “antes que houvesse mundo”.

Na página 427 do livro Ciência e Saúde, a Sra. Eddy descreve a morte como sendo apenas” (…) outra fase do sonho de que a existência possa ser material.” (14-15) Como consequência, a morte é o nada, uma ilusão. É apenas uma parte do relato de Adão e Eva, pretendendo tornar verídica a mentira de que o homem possa nascer na matéria, viver na matéria e morrer na matéria; contudo; isso não passa de uma fábula. Podemos relegar todas as fases da vida na matéria para o reino da pura ficção, pois no reino da ficção, a morte, é o nada — não existe. Mesmo aqueles que nesse sonho de existência adâmica imaginaram morrer, serão os primeiros a confirmar que não se passou absolutamente nada.

Há alguns anos, tive o privilégio de participar de uma mesa redonda da Universidade de Indiana, a qual decorreu durante a “semana da religião” (Religion in Life Week). No meu grupo de trabalho estavam representadas várias religiões, dentre as quais constava um rabino judeu e um pastor metodista. Quando eu afirmei que Deus desejava a nossa verdadeira felicidade, o rabino opôs-se com veemência, defendendo que existiam períodos nos quais nos sentimos profundamente tristes e infelizes; pensava ele que tal correspondia à vontade de Deus, citando em seguida o seguinte exemplo: Se um homem morresse enquanto participava da construção de um suntuoso edifício, seria decerto uma infelicidade para ele não poder assistir ao final da obra que havia iniciado. “Não teriam os seus amigos e familiares motivo suficiente para se sentirem tristes e infelizes?” Perguntou-nos ele. Quando eu me preparava para responder, o pastor metodista fê-lo por mim: “Não, não estou de acordo. Recuso-me a acreditar que esse homem tivesse deixado de trabalhar na sua obra.” Fez-se nesse momento um intervalo e em mais nenhuma ocasião posterior se voltou a discutir esse tema. Fiquei deveras grata pela discussão ter terminado com esta observação. Tínhamos acabado de ouvir uma verdade evangelizadora, que desmascarava a nulidade da morte, anunciando que esta última não impede o homem de continuar a sua atividade anterior.

A Sra. Eddy sublinha que essa transição não traz nenhuma mudança radical na existência do homem e que este pode, inclusive, prosseguir com o seu trabalho. Ao referir-se à morte de Joseph Armstrong, no livro The First Church of Christ, Scientist and Miscellany, ela afirma: “O saudoso irmão Cientista Cristão e editor de meus livros, Joseph Armstrong, C.S.D., não está morto, nem tão pouco dorme ou descansa com relação à sua obra na Ciência divina. O mal não tem poder algum para causar dano, limitar ou destruir o verdadeiro homem espiritual. Hoje, ele goza de maior sabedoria, saúde e felicidade do que no passado. O sonho mortal de vida, substância ou mente na matéria foi atenuado, e a recompensa do bem, a punição pelo mal e o seu sonho adâmico do mal terminarão na harmonia — o mal sendo impotente e Deus, o bem, sendo onipotente e infinito.” (pág. 296: 10-20)

Arquivada na Igreja Mãe encontra-se uma carta apelidada “The Riley Letter” — a carta Riley. Trata-se de uma resposta dada a um casal de apelido Riley, o qual havia perdido recentemente um filho. Na carta dirigida à Sra. Eddy, este casal afirmara ter entendido a existência de uma só e única Vida, sem começo nem fim, mas questionava também o que se passaria após o falecimento. Partilhando agora o conteúdo da resposta da Sra. Eddy, não posso precisar os termos exatos, mas posso garantir que o sentido foi inteiramente respeitado, por assim dizer, palavra por palavra: “Suponhamos que enquanto estão duas pessoas sentadas a conversar se aproxima um atirador da janela e lança uma seta para uma delas. Aos olhos da testemunha que assiste, a pessoa atingida deixa-se afundar na cadeira e morre, encontrando-se assim aquele na presença de um cadáver inerte. Contudo, isto não é senão o conceito humano da testemunha acerca do que se passou, que em nada corresponde ao conceito daquele que foi atingido pela flecha, o qual se esforça por continuar a falar com o seu amigo. Logo que chega à conclusão que já não pode mais continuar a comunicar-se com o amigo, valendo-se do conceito humano que tem a respeito de si próprio, ele parte em busca daqueles com quem possa se comunicar. Se ele se voltasse e lançasse um olhar à cadeira sobre a qual estivera sentado, veria então que esta se encontrava vazia.” Não nos mostra esta carta com clareza que nada de muito violento se passa na experiência do sonho chamado morte?

Conheço vários casos de Cientistas Cristãos que morreram e voltaram a viver. Dentre esses, escolhi um em especial, o qual confirma o que anteriormente lemos e que proporcionará uma melhor compreensão sobre este tema:

Uma jovem mulher já havia perdido a sua mãe há muitos anos. Nessa Primavera, perdera o seu bebê, e agora, tudo indicava que ela seria a próxima a morrer. Foi então que se sucedeu o seguinte: quando se deu conta de que já não podia falar com aqueles que rodeavam o seu leito, levantou-se e dirigiu-se à janela; então, olhando para o jardim em baixo, viu a sua mãe, aparentando menos idade do que aquela que possuía da última vez que a vira, segurando o seu filho bebê. A jovem desejou muito descer ao encontro da sua mãe e filho, mas nesse instante, apercebeu-se de que aquilo que estava se passando com ela era o que chamamos “transição”. Lembrou-se então de que seu professor tinha-lhe pedido categoricamente que nunca admitisse essa ideia e compreendeu que se descesse ao encontro dos seus entes queridos, isso significaria que ela a consentia. Em seguida, ouviu as palavras do seu professor: “Nunca admitam essa ideia! Nunca!” Ela afirma que a coisa mais difícil que já fez em toda a sua vida, foi voltar-se e regressar à sua cama, mas não deixou por isso de ser obediente àquilo que lhe havia sido ensinado. Voltou assim para a cama e só então aqueles que oravam por ela foram capazes de a fazer regressar à vida.

Cont...

terça-feira, novembro 04, 2014

IMORTALIDADE TRAZIDA À LUZ - 4/8

Dorothy Rieke


A verdade de que Deus representa o nosso único Pai é uma lei de cura para qualquer problema de hereditariedade, quer num caso de doença, quer para uma questão de caráter. Não tendo nunca nascido de pais humanos, o homem não pode herdar qualidades ou condições próprias da raça humana. Oriundo unicamente de Deus, o homem não tem outra hipótese senão herdar as qualidades e condições provenientes da divindade. Um homem obteve uma cura relativa a seu pai e a seu filho quando negou qualquer relação mortal entre os três, raciocinando que, sendo eles filhos de Deus, não podiam herdar senão as Suas qualidades. Isso significava que ele não havia herdado asma de seu pai, tal como seu filho não a herdara dele próprio. Os três estavam convictos de que nenhum deles havia herdado as tendências humanas de medo, frustração e conflitos emocionais que poderiam ter contribuído para o aparecimento da crença em asma. Mais ainda, esse homem concluiu que, não existindo relacionamento humano, não poderia existir um sentido opressor de amor, o qual se poderia fazer representar sob a condição de asma, mas ao invés, regozijou-se de que cada um refletia o generoso e libertador amor de Deus. Então, a cura há tanto procurada foi rapidamente alcançada através da aplicação desta simples verdade de que Deus é a nossa única origem e o nosso único criador, o nosso Pai-Mãe. Se cada um se identificasse unicamente como o filho de Deus, então todos seríamos irmãos e irmãs num único universo espiritual, e os pais nunca mais seriam um fardo para os filhos, nem os filhos para os pais. Tudo estaria inteira e completamente a cargo de Deus, independente de qualquer pessoa e nos casos em que os laços humanos e as suas falsas responsabilidades se evidenciassem, estabelecer-se-ia antes uma relação feliz e harmoniosa.

A propósito, que idade tem cada um de vós? Se eu agora vos pedisse que prometessem dizer apenas a verdade, toda a verdade e nada mais que a verdade, qual seria a vossa resposta? Que o fato de não possuírem idade é maravilhoso: não tendo nunca nascido, não podeis ter nem um dia, muito menos trinta, quarenta ou cinquenta anos. Que idade tem a vossa 17a irmã? Nunca tendo nascido, terá ela dias ou anos? Claro que não.

O mesmo se passa convosco. A verdade acerca da idade do homem é que este é radiosamente jovem. Ele é eterno, o reflexo imediato e instantâneo do ser de Deus. Tal como o raio de sol, que mesmo que exista há milhões de anos continua a refletir ainda hoje o sol, assim o homem, o reflexo e a expressão do ser de Deus é neste mesmo instante tudo quanto Deus é. Esse homem é, sem qualquer dúvida, eterno, e tal como o raio de sol, está sempre no zênite da perfeição. Embora o homem mortal possa parecer emocional e impulsivo, ele é sensato e moderado, a completa e perfeita imagem e semelhança de Deus, refletindo em perfeito equilíbrio e da forma mais completa todas as qualidades de Deus.

É isso que a Sra. Eddy exprime quando compara a vida ao sol e a humanidade ao zênite eterno. Não um zênite em função da acumulação de anos, mas sim em função da plenitude e da totalidade do reflexo. O nosso nascimento espiritual não poderia encontrar melhor descrição que esta maravilhosa citação de Ciência e Saúde: “A criação está sempre se manifestando e tem de continuar a manifestar-se eternamente, por causa da natureza de sua fonte inesgotável.” (pág. 507: 30-32)

Não possuindo idade, é uma impossibilidade para o homem ser penalizado pelos seus anos de vida material. A verdade fundamental acerca do mito do nascimento humano fecha a porta às doenças infantis. Logo que uma família seja capaz de se regozijar pelo homem não ter idade e não mais considerar os seus filhos como crianças ou bebês, e sim como idéias de Deus, possuindo a idade da maturidade, cessam os pensamentos receptivos a crenças em papeira ou em varicela. Os problemas de pele ligados à adolescência cedem facilmente à verdade gloriosa de que o homem nunca nasceu e nunca pode ter a idade de um dia, muito menos de dezessete anos. Decerto, aquele que compreende e se alegra constantemente por ser imortal, não pode, de modo algum, ser penalizado pela evolução da vida. Nunca tendo nascido, o homem não tem sequer um dia, e muito menos cinquenta anos. Sabendo que a vida é Deus, sem mutações e sem idade, o homem deve obrigatoriamente demonstrar a perfeição imutável e a harmonia.

O mesmo se aplica aos problemas que surgem aos sessenta ou mais anos, que são imediatamente resolvidos assim que a imortalidade sem idade for reivindicada. Uma das minhas amigas estava muito preocupada por seu pai ser obrigado a aposentar-se aos sessenta e cinco anos, pois ele tinha sido sempre um homem muito ativo na sua profissão e ela temia que a inatividade pudesse trazer-lhe problemas. Porém, nessa fase, essa minha amiga concentrou a sua atenção na imortalidade do homem e no fato dele não possuir idade, regozijando-se com estas verdades. Realizando que o seu pai nunca tinha nascido, era impossível que ele tivesse sessenta e cinco anos, e portanto inconcebível que este pudesse ser prejudicado por algo que não existia. Pôde ainda concluir que Deus nunca aposenta os seus filhos, mas emprega-os continuamente. Um dia, o seu pai encontrou um amigo e este perguntou-lhe como passava; ele respondeu que estava bem, mas que preferiria continuar trabalhando. Então o amigo replicou: “Eu conheço um bom número de pessoas que teriam todo o interesse em empregar alguém como tu.” Assim, no curto espaço de uma semana, o pai da minha amiga estava empregado. Apesar de ter dirigido durante anos um departamento de uma importante organização, ganhava agora muito melhor neste novo emprego. Isto passou-se três semanas antes do Natal e a companhia ofereceu-lhe um presente, tal como a todos os outros empregados — o primeiro presente que ele alguma vez recebera de qualquer empresa.

Porque conhecemos e compreendemos a imortalidade, sejamos então nós reconhecidos por não termos que aceitar qualquer penalidade causada pela idade! Não é maravilhoso que nenhum de nós tenha alguma vez que passar pela velhice, nem ser prejudicados por ela? Somos agora a expressão imediata do ser de Deus e sempre o seremos, manifestando plenamente a Sua liberdade, a Sua força, a Sua inteligência e a Sua atividade divinas, já que somos imortais e compreendemos que de fato o somos.

Que faremos, então, quanto aos aniversários?

A Sra. Eddy diz-nos em Ciência e Saúde: “Medir a vida pelos anos solares é espoliar a juventude e revestir a velhice de fealdade.” (pág 246:11-12)

Ela declara que nunca deveríamos fazer caso da idade e que “os registros de nascimento e de óbito não passam de conspirações” contra o homem e a mulher. Permaneçamos firmes a respeito desta questão de nunca ter nascido, ao invés de afirmarmos sem refletir: “Não posso ser prejudicado pelo nascimento, que na verdade nunca aconteceu” e em seguida fazer caso de um aniversário ou desejar um feliz aniversário a uma outra pessoa. Porque havemos de celebrar algo que nunca aconteceu? Permitam-me deixar-vos aqui algumas questões que a Sra. Eddy nos coloca em Miscellany: “É Deus infinito? Sim. Criou Deus o homem? Sim. Criou Deus tudo quanto foi criado? Sim, Ele o criou. É Deus Espírito? Sim, é. O Espírito infinito criou aquilo que não é espiritual? Não. Quem ou que é que criou a matéria? A matéria como substância ou inteligência nunca foi criada. É o homem mortal um criador, material ou espiritual? Nem um, nem outro. Porquê? Porque o Espírito é Deus e é infinito; como tal, não pode existir nenhum outro criador, nem nenhuma outra criação. O homem é unicamente a Sua imagem e semelhança.

Sois vós Cientistas Cristãos? Eu sou. Aceitam como verdadeiras as declarações acima transcritas? Eu aceito. Então qual a razão destas comemorações de aniversários desprovidas de sentido, se estes não existem?” (pág. 235:15-26)

É comum a interrogação: “Que devemos pensar acerca dos presentes de aniversário? Afinal, essas ofertas são uma expressão de amor.” Todos nós ficamos felizes por dar um presente e é certo que apreciamos a idéia que incita uma outra pessoa a fazê-lo. Mas porquê associar a um presente os estigmas da ficção, da irrealidade e da mentira? Porquê ajudar a cavar uma sepultura, acrescentando a palavra “aniversário” a um presente? Há quem diga: “Eu não faço qualquer referência à idade, esse dia é apenas o meu dia.” Certamente, se assim o desejarmos, todos nós podemos atribuir a um dia um caráter especial, mas porque motivo escolheremos aquele em que nascemos? Porque não escolher uma outra data e consagrá-la como nossa? Um casal meu amigo ignora totalmente esses dias passando-os anonimamente e sem celebração.

Em vez de celebrar essas datas, preferem então comemorar o dia de S. Valentim, que de todas as formas, é um dia consagrado à expressão do amor. Assim, eles estabelecem um forma de comemoração, trocam presentes e fazem realmente desse dia especial o seu dia.

Já alguma vez pensaram como é fácil ver o nosso próximo perfeito, uma vez que se tenha tomado consciência do fato de que ele nunca nasceu? Foi isso que aconteceu numa determinada altura da minha vida, quando me era particularmente difícil ver a irrealidade das qualidades mortais desagradáveis de uma pessoa, e ver somente as qualidades de Deus. Depois, encontrei em Ciência e Saúde a afirmação de que a Ciência “(…) levanta a cortina e deixa ver que o homem nunca nasce (…)” (pág 557: 21-22) Então, baixei a cortina sobre a imagem de um mortal invejoso e egoísta e apeguei-me à imagem que a Ciência apresenta sobre o homem. Vendo o meu próximo como coexistente com Deus, foi-me muito mais fácil aceitá-lo como amoroso, honesto, sem medo, pleno de compaixão e generosidade. Persisti neste conceito, o verdadeiro conceito, e inútil será dizer, a situação harmonizou-se.

Sugiro-vos que naqueles casos em que nas vossas experiências vos seja, particularmente difícil adquirir a visão perfeita, baixem então a cortina sobre a imagem mortal e deixem que a Ciência vos revele a verdade sobre o ser real que nunca nasceu na matéria. Posso vos garantir que vereis o vosso próximo já não como um cigano e sim como o filho do rei.

Conscientizando-nos que jamais nascemos, devemos igualmente aceitar o fato glorioso de que nunca trocamos o céu pela terra. Vivemos, movemo-nos e possuímos sempre o nosso ser em Deus. Assim sendo, o nosso universo é o universo da consciência divina e a nossa história é a história eterna de que “tudo é Mente infinita e Sua manifestação infinita.” (C&S pág 468:10-11) Essa poderosa verdade revela que não existe nada que possa nos afetar, condicionar ou influenciar, senão Deus. No reino da consciência, no interior do qual habitamos, não existe nenhum relato de Adão e Eva capaz de lançar uma maldição sobre nós; não existe caos, destruição, carência, limitação ou conflito capaz de nos fazer sofrer; não existe nenhuma falsa teologia capaz de nos governar ou de impedir o nosso bem-estar, quer nós a apelidemos de Catolicismo, Protestantismo ou Comunismo; não existem leis médicas para nos aprisionar, e acima de tudo isso, não existe mente mortal capaz de exprimir medo, ódio, inquietação, tentação, inveja, abuso, mentira, desconfiança, e assim por diante. Por conseguinte, não existindo mente mortal, não há mesmerismo, magnetismo animal ou hipnotismo que nos influenciem. Todas as forças nocivas e destrutivas ligadas ao universo material e a uma história mortal são completamente falsas, postas a nu como absolutamente inexistentes pela verdade imortal de que o homem nunca nasceu na matéria.

É necessário compreender que não somente somos agora imortais, mas que sempre o fomos. Nunca houve um início de imortalidade. Uma assim-chamada existência material jamais pôde interromper a imortalidade. Em resposta à pergunta de Deus a Jó: “Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra e (…) as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e rejubilavam todos os filhos de Deus?” (Jó 38: 4, 7) nós podemos afirmar: “Estava lá com as estrelas da alva, rejubilando, junto aos filhos de Deus.”

Cont...