"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

quinta-feira, agosto 28, 2014

Comentários Nucleares à série do Caminho Infinito













Divinos personagens [personificações do Ser Real],

Permitam-me comentar este iluminado comentário que fecha esta série do iluminado ensinamento do Caminho Infinito fazendo um paralelo entre ensinamentos iluminados que têm sido publicados neste Templo dos Iluminados.

Aquele que na Representação aparece como o divino personagem “Gugu” escreveu:

“O Caminho Infinito diz que, por mais que todas as qualidades e atributos de Deus estejam incorporados/presentes em nossa consciência, nenhum resultado prático iremos obter se não tivermos a "percepção consciente" dessa Verdade.”

Esclareceu que:

“Isso significa que apenas saber (ter o conhecimento intelectual) da Verdade não fará com que sejamos beneficiados por ela.”

E complementou, dizendo que:

É necessário meditar e contemplar a Verdade, até que Sua realidade se torne uma percepção consciente para nós.”

Por sua vez, Aquele que na Representação apareceu como o divino personagem Joel Goldsmith resumiu todo o iluminado ensinamento do Caminho Infinito nestes termos:

“vai ter com Deus esperando Deus”

Isto é assim porque a Realidade é Deus!

O único Ser Real é Deus!

Se há algo a “ser conscientizado” é que é o próprio Deus Quem percebe que é Deus!

A chave de compreensão de todo o ensinamento espiritual do Caminho Infinito está condensada na expressão "percepção consciente"!

Notem que não se trata de “pensamento consciente” mas de “percepção consciente”!

Isto porque “pensamento” é a atividade da “mente do personagem” e está no âmbito da Representação, enquanto que “percepção” é a atividade da “Consciência do Ser” e está no âmbito da Realidade! Assim sendo, podemos dizer que: “A mente pensa e a Consciência percebe”.  Esta percepção como atividade da Consciência é comumente chamada de meditação. Por isso dizemos: “A mente pensa e a Consciência medita”.  

O que deve ser notado é que Quem medita ou percebe, é a própria Consciência!

No ensinamento da Seicho-No-Ie, Aquele que na Representação apareceu como o divino personagem Masaharu Taniguchi ensinou algo de extrema importância para todos os que vão meditar! A Meditação Shinsokan tem início com a percepção de que: “Neste momento deixo o mundo dos cinco sentidos e entro no mundo da Imagem Verdadeira”.

O que Masaharu Taniguchi esclareceu e que deve-se notar é que é o próprio “eu” da Imagem Verdadeira Quem deixa o mundo dos cinco sentidos... Ou seja, não é o "eu" do personagem Quem percebe ou medita, mas o Eu do Ser Real.

Assim, na verdadeira meditação há a percepção de Si mesmo por Si mesmo, ou seja, há a percepção de Quem Somos por Quem realmente Somos; de Quem “Eu Sou” por Quem “Eu Sou”; há a percepção da Realidade do Ser pelo “Eu” de nossa real identidade!  

Transcrevo algo pertinente, trecho do texto publicado no site do Núcleo (em http://nucleu.com/2013/02/26/asatoma-om-%E0%A5%90-parte-2/):

“Observem a sutileza de que na Meditação Shinsokan é o Eu da Imagem Verdadeira Quem medita, pois, como disse Masaharu Taniguchi no livro “Explicações detalhadas sobre a Meditação Shinsokan”: “A mente que mentaliza “Sou a Imagem Verdadeira e estou no mundo da Imagem Verdadeira é a mente da Imagem Verdadeira que veio através do poder divino da Imagem Verdadeira. Portanto, o eu que mentaliza a Imagem Verdadeira é o eu iluminado desde o princípio (o eu da Imagem Verdadeira). A Meditação Shinsokan não é uma prática comum realizada pelo pequeno ego. É uma poderosa prática espiritual na qual a Imagem Verdadeira realiza a Imagem Verdadeira – a isso se diz tornar-se Buda ou iluminar-se.”

E em comentário a isso foi escrito que:  

“O que existe de verdade é unicamente a Grande Vida do Universo.”

Para os que acompanham estes textos e comentários, saibam que a frase acima, de Masaharu Taniguchi, quando conscientizada, se torna o elo entre o conteúdo dos textos [a verdade revelada] e as “experiências conscienciais” [a verdade vivenciada]. Em termos práticos, Masaharu Taniguchi, nas páginas 228 a 232 do livro “Despertar Espiritual”, narra um caso verídico de pessoa que vivenciou a sensação de ser um com Deus. Vivenciar a sensação de ser um com Deus é ter uma “experiência consciencial”, ou seja, é ter uma “experiência de percepção consciencial”. [Acessem neste blog http://busca-espiritual.blogspot.com.br/2014/06/ensinamentos-essenciais-da-seicho-no-ie_8.html] 

Atentem ao que está escrito na página 27 do livro “Explicações detalhadas sobre a Meditação Shinsokan": "A Meditação Shinsokan consiste em captar o Eu verdadeiro através da “percepção da Imagem Verdadeira”. Na página 28 Masaharu Taniguchi adverte que: “Enquanto não compreendermos este princípio através da “percepção da Imagem Verdadeira”, ou seja, pelo processo de reconhecimento direto de que é a Verdade dentro de nós que sintoniza com a Verdade imanente no Universo, não conseguiremos apreender o nosso Eu verdadeiro. Praticamos a Meditação Shinsokan para captar esse Eu”.

Este caso citado por Masaharu Taniguchi é exemplo do “processo de reconhecimento direto”, que no Núcleo é chamado de “experiência de percepção consciencial”.

O que será revelado a seguir tanto pode chocar alguns quanto pode despertar outros.

Normalmente a relação entre discípulo e Mestre ou é do tipo reverencial, como no caso dos adeptos que têm um profundo sentimento de reverência e agradecimento ao Mestre e seus ensinamentos; ou é uma relação do tipo devocional, como no caso dos devotos que têm um profundo sentimento de devoção pelo Mestre a quem consideram Deus manifesto.

O que pode chocar alguns ou despertar outros é a revelação de que é apenas o próprio Ser Real Quem Se percebe! Ou seja, é o Eu Verdadeiro quem percebe o Eu Verdadeiro.

A implicação desta revelação que tanto pode chocar quanto despertar é que enquanto o “adepto” se mantém apenas numa relação reverencial com seu Mestre (ou enquanto o “devoto” se mantém apenas numa relação devocional com seu Mestre), não ocorre o “processo de reconhecimento direto”, ou seja, a “experiência de percepção consciencial”. Isto porque é o próprio Mestre Quem Se percebe! É a “percepção do Mestre” que percebe a Unidade Deus-Filho de Deus! Esta “percepção” está em nós, mas não está em nossa mente, não está na representação, por isso não está na mente do personagem [adepto ou devoto] que estamos representando; esta percepção está na própria “Consciência” do Ser que somos! A Consciência do Ser que somos e a Consciência do Mestre é uma só, porque somos um único Ser! Quando Pedro respondeu a Jesus a pergunta “Quem dizem que é o Filho do homem?", dizendo: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus Vivo”, Jesus não atribuiu esta percepção à mente de Pedro; Jesus atribuiu a percepção de Pedro ao Pai, que está no Céu, ou seja, ao Ser que está na Realidade, não na representação.

Masaharu Taniguchi deu o seguinte exemplo ao Sr. Sawada, que então pode vivenciar a sensação de ser um com Deus: “Ao olhar para o rio Yodo, você pensa que está vendo as águas do rio Yodo? Ou pensa que está vendo as águas do lago Biwa? Na Verdade, as águas do rio Yodo se originam do lago Biwa. Em outras palavras, não existem realmente águas do rio Yodo. ‘Águas do rio Yodo´ é apenas uma denominação que as águas originadas do lago Biwa recebem num trecho do seu curso. O mesmo pode se dizer dos seres humanos. Não existe Vida com denominação própria, como, por exemplo, Vida de Sawada, Vida de Taniguchi etc. O que existe de verdade é unicamente a Grande Vida do Universo.”

Como uma oração o “adepto” se mantém numa relação reverencial com seu Mestre (e como uma oração o “devoto” se mantém numa relação devocional com seu Mestre); e assim convém que seja até que esta oração conduza o adepto ou devoto à meditação, à experiência de Unidade; à percepção de que existe de verdade unicamente a Grande Vida do Universo.

Eis porque os ensinamentos da Seicho-No-Ie e do Caminho Infinito se equivalem!

E se equivalem porque são ensinamentos que não provieram da “mente” dos divinos personagens que os revelaram, porque não foram ensinamentos “pensados”; foram “percepções” advindas da “Consciência do Ser”, do “Eu Verdadeiro” de Si mesmos. Enfim, foram percepções advindas da Fonte, Núcleo, Origem ou Essência do Ser Real, da Realidade e real identidade de Quem Somos.

E de forma iluminada Joel Goldsmith resumiu isso orientando assim: “vai ter com Deus esperando Deus”!

É exatamente essa a percepção iluminada: Aquele que É em mim percebe, desfruta, contempla Aquele que É em você! 

Namastê.


quarta-feira, agosto 27, 2014

Comentando o capítulo 12

Gugu


O Caminho Infinito diz que, por mais que todas as qualidades e atributos de Deus estejam incorporados/presentes em nossa consciência, nenhum resultado prático iremos obter se não tivermos a "percepção consciente" dessa Verdade. Isso significa que apenas saber (ter o conhecimento intelectual) da Verdade não fará com que sejamos beneficiados por ela. É necessário meditar e contemplar a Verdade, até que Sua realidade se torne uma percepção consciente para nós. Ao longo dos capítulos deste livro (e dos comentários aos capítulos) foram entregues ao leitor os "princípios" ou "chaves de compreensão" necessários para fazê-lo adquirir a percepção consciente da Verdade. Joel Goldsmith diz que, se a "percepção consciente" da Verdade não nos vem como um dom divino (apenas uns poucos têm esse privilégio!), o modo de atingi-la é através de meditação (exercícios de percepção) e estudo das verdades das Escrituras ou da literatura espiritual. Portanto, agora, a nós unicamente cabe a parte de pôr em prática o que foi ensinado.

É necessário estabelecermos diariamente a conscientização da Presença de Deus (do Reino de Deus) em nós. À medida que vamos praticando, recebemos orientação/colaboração invisível (divina), somos guiados pelo Espírito a nos elevar cada vez mais em consciência, sempre de modo a aumentar a nossa percepção da Verdade. Por sua vez, quanto maior for a nossa percepção consciente da Verdade, maior será a nossa capacidade de realizar as demonstrações de saúde, suprimento, harmonia, bem estar, etc.. A princípio pode parecer que o Caminho Infinito seja um ensinamento voltado para a realização de curas espirituais (tais como a melhoria de saúde, finanças, relacionamentos, e obtenção de outras graças materiais), mas não é assim. Este é um ensinamento de realização/iluminação espiritual. Goldsmith afirma que a cura espiritual é um efeito decorrente ou secundário da conscientização da Realidade imutável de Deus. Incansavelmente, em suas obras, Goldsmith diz que nada há para ser curado, alterado ou melhorado – pois a Realidade Perfeita já é agora! O indivíduo somente começa a realizar curas espirituais na medida em que compreende verdadeiramente que não existem curas para serem realizadas. Deus já é tudo! Todos os seres, que são a plena expressão/manifestação de Deus, também já são perfeitos! Ter a percepção dessa Verdade faz com que, no universo das aparências, as imagens se ajustem à realidade presente na consciência do curador. No livro "A Arte de Curar pelo Espírito", Goldsmith diz:

"Enquanto não vires a Deus manifestado na pessoa que está diante de ti, terás vontade de pedir a Deus para que faça algo por alguém - e isto derrotará a sua intenção. O tratamento, em sua totalidade, se desenrola no plano de Deus, dentro da conscientização de Deus como sendo a vida de cada indivíduo, como sendo a lei de cada um, como lei individual, como Espírito divino em forma de substância individual  dentro da conscientização de Deus como a Causa Única. Ora, se Deus é a Causa única, então deve Ele ser também o Efeito único; e, se Ele é o Efeito único, então, está, com isto, terminado o tratamento. O curador não tem de tratar com nenhuma outra coisa: apenas Deus como Causa, Deus como Efeito, Deus como Lei, Deus como o verdadeiro ser de cada indivíduo. Toda vez que pensas que teu paciente necessita de ajuda, está turvada a tua visão espiritual. Não te dirijas a Deus com o desejo de curar ou ser curado; não vás ter com Deus esperando emprego; não vás ter com Deus na expectativa de receber segurança e proteção: vai ter com Deus esperando Deus. Vai ter com Deus na esperança de receber a experiência espiritual de sua presença. Ora unicamente para que Deus se revele como luz, como a plenitude da luz, como a verdade em toda a sua plenitude. Ora para teres luz, verdade, iluminação; ora para teres mais sabedoria. E verás como então Deus se manifesta na forma de harmonia nos acontecimentos, nas coisas ordinárias de cada dia."

Em suma, o curador não lida com "duas realidades" ou "dois poderes". O curador não intenta fazer com que um "poder superior" atue em favor de uma "realidade inferior" proporcionando curas ou melhorias. Antes, ele reconhece que não existe "realidade inferior" para ser melhorada ou curada. Deus não pode curar o que não existe! Em contrapartida, o que existe já é perfeito, iluminado e completo, desde sempre! Deus é tudo agora! Essa é a única realidade. Quando realizamos as contemplações absolutas, não apenas elevamos nossa consciência acima da crença coletiva, mas, juntamente conosco, elevamos em alguma medida a consciência da humanidade inteira. O mundo inteiro recebe benefícios/iluminação quando um simples indivíduo contempla a Verdade de que Deus é a única realidade.

Goldsmith também adverte:

"Poderá não ser hoje, amanhã, na próxima semana e nem no próximo ano que chegaremos a demonstrar a plenitude de Deus, a totalidade de Deus. Porém Deus é tudo; Deus é infinito, onipotente, onipresente, onisciente; e na medida de nossa conscientização deste fato, nós iremos demonstrando aquelas quantidades e qualidades da totalidade. Só porque ainda não completamos nossa demonstração de ascensão não significa que não tenhamos alcançado Deus. Quando a tivermos alcançado precisaremos seguir avante com paciência até chegar a hora em que Deus em Sua totalidade seja revelado na experiência de ascensão acima de todo mundo da crença."

Conforme dito no início, foram entregues ao estudante todas as ferramentas capazes de proporcionar sua realização em Deus. Goldsmith afirma que haverá um momento em que faremos a nossa "ascensão" para acima de todo o mundo da crença. Quando isso acontecer, todo o senso de "materialidade" e "separação" cessarão de vez em nossa percepção, e unicamente Deus e Sua perfeita unicidade constituirão a nossa realidade. No entanto, até que esse momento glorioso chegue, deveremos lidar com as crenças universais intrusas, que se apresentam como se fossem realidade. Mas podemos alcançar Deus mesmo sem ter realizado a "ascensão". Mesmo sem ter conscientizado plenamente a Sua presença, podemos captar interiormente a visão de Deus como sendo a Consciência Infinita que abrange todo o Bem; interiormente podemos captar a visão de Deus como sendo a substância e a realidade de toda a criação. Isso será o bastante. O que permitirá captarmos a visão é a correta compreensão/apreensão/aplicação dos princípios espirituais durante as práticas contemplativas. Uma vez tido o vislumbre, o contato foi estabelecido, Deus foi alcançado. A partir de então, o nosso trabalho será somente o de repetir aquele contato vezes e mais vezes, a fim de que a nossa visão de Deus se torne cada vez mais clara, nítida e pura. Então poderemos estar em constante contato com Deus, recebendo toda orientação, auxílio e benefícios necessários para cada momento de nossa vida. Paramahansa Yogananda escreve que, certa vez, fez a seguinte pergunta para seu mestre:

- Mestre, quando eu encontrarei Deus?
O mestre respondeu-lhe:
- Oh… Você já o encontrou.
- Não, mestre, creio que não.
- Sim… você já o encontrou. Estou certo que você não está esperando encontrar um personagem memorável, enfeitando um trono num cantinho antisséptico do Cosmo. Percebo, entretanto, que você imagina que a posse de poderes miraculosos é a prova de que alguém encontrou Deus. Não. Pode-se alcançar o domínio sobre o Universo inteiro e, no entanto, descobrir que Deus se esquiva. O progresso espiritual é medido pela profundeza da bem-aventurança alcançada em meditação.


Os princípios espirituais nos proporcionarão convicção/fé inabalável na Verdade, em Deus, o Infinito Invisível. A Bíblia diz que "fé é a certeza das coisas que não se vêem" (Hebreus 11:1). De início, pode ser que, em razão de dúvidas, incertezas e outras limitações, as contemplações absolutas aparentem ser ineficientes; mas o progresso espiritual não é necessariamente medido pela capacidade que a pessoa tem de realizar curas ou demonstrações. À medida que o indivíduo for se dedicando ao estudo e às práticas, cada vez mais receberá auxílio divino a fim de que progrida em compreensão, certeza e percepção da Verdade. Então a Verdade se tornará cada vez mais real e tangível. Basta que o estudante atenha-se aos princípios espirituais que foram expostos, e infalivelmente obterá resultados. Quanto mais ele descobrir que Deus (e o Reino de Deus) habita em seu universo interior (que é infinito, único!), maior será a sua realização, libertação, bem-aventurança e paz. E perceberá que os acontecimentos do mundo exterior passarão a corresponder à conscientização interna da Realidade Divina. Por fim, virá a ascensão, momento em que, assim como o fez Jesus, o indivíduo poderá afirmar: "Eu venci o mundo". Esse é o propósito dos ensinamentos do Caminho Infinito.

Que todos os seres, de todos os mundos, possam despertar para essa Verdade.
Todos os seres, de todos os mundos, vivem agora essa Verdade.
Assim é!

Namastê!


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sábado, agosto 23, 2014

O desdobramento do bem pela atividade da Consciência Individual

DEUS, A SUBSTÂNCIA DE TODA A FORMA
(Joel S. Goldsmith)

- Capítulo 12 (Final) -

O DESDOBRAMENTO DO BEM PELA ATIVIDADE DA CONSCIÊNCIA INDIVIDUAL

Vamos começar a trançar os fios – estes fios de consciência – a fim de formar uma forte corda de conscientização e de compreensão, e trazê-la para a aplicação prática, ou em outras palavras, ter o Verbo feito carne.

Nosso esforço, nosso desejo, nossa prece, visa compreender a Deus. Isto significa compreender a infinitude, eternidade e imortalidade. Como Deus é o tema de nosso trabalho, de nossa compreensão e de nossa revelação, então a infinitude, a imortalidade e a eternidade devem ser a natureza de seu efeito em nossa experiência.

Poderá não ser hoje, amanhã, na próxima semana e nem no próximo ano que chegaremos a demonstrar a plenitude de Deus, a totalidade de Deus. Porém Deus é tudo; Deus é infinito, onipotente, onipresente, onisciente; e na medida de nossa conscientização deste fato, nós iremos demonstrando aquelas quantidades e qualidades da totalidade. Só porque ainda não completamos nossa demonstração de ascensão não significa que não tenhamos alcançado a visão de DeusQuando a tivermos alcançado precisaremos seguir avante com paciência até chegar a hora em que Deus em Sua totalidade seja revelado na experiência da ascensão acima de todo mundo da crença.

Foi somente nos momentos finais do ministério de Jesus que ele pôde dizer: “Eu venci o mundo.” (João 16: 33). Assim, apenas no momento da ascensão, no momento em que tivermos atingido a plenitude da conscientização, é que nós, também, poderemos dizer: “Eu venci o mundo.” Mas isto não serve de desculpa para justificar nosso atraso nessa escalada de desenvolvimento e revelação. Não serve como desculpa esperarmos a aposentadoria para termos mais tempo, ou esperarmos o dia da morte, quando teríamos mais tempo ainda.

Nosso dia começa agora. E sendo este dia acompanhado continuamente de sucessivos dias de desenvolvimento da consciência, não haverá tal coisa como um dia de morte: será uma contínua experiência de desdobramento do bem.

Todos vocês que captaram esta visão de Deus como Consciência e da Consciência incorporando todo o bem – da Consciência governando e controlando a experiência individual, da Consciência como sendo a substância, a lei e a forma do ser individual e de toda a creação – podem começar a elevar a própria consciência ao discernimento espiritual das coisas de Deus.


A ATIVIDADE DA VERDADE NA CONSCIÊNCIA SE DESDOBRA COMO SEU BEM

Neste ponto você está subindo mais um degrau. Atinja esta visão: o bem de Deus; o bem que é a atividade de Deus; o bem que é um desenrolar, uma revelação e uma experiência de Deus é a atividade de sua consciência individual. Todo o bem que se manifesta em seu mundo – tudo de bom, onde quer que seja experimentado, onde quer que esteja sendo revelado ou entendido, tudo de bom que possa ter existido em qualquer lugar ou época, é a atividade de sua consciência individual. Não existe um Deus distante. Deus está mais próximo que nosso fôlego e mais perto que nossas mãos e pés. Qual a razão disso? É porque Deus constitui a consciência do indivíduo. Sob toda circunstância em que pareça haver necessidade da onipresença de Deus, conscientize que é a onipresença de sua consciência individual que constitui o Deus de seu universo.

Quando Eddie Rickenbacker estava abandonado num barco no Oceano Pacífico, não foi a consciência de seu mestre ou a consciência de seu praticista que lhe trouxe auxílio. Foi a consciência de seu ser individual, onipresente onde ele estava, que lhe possibilitou alcançar um pássaro para se alimentar, que lhe possibilitou arranjar um peixe no fundo de seu barco – o peixe havia pulado da água para dentro do barco – e que lhe possibilitou conseguir chuva num céu sem nuvens. Era a atividade de sua própria consciência aparecendo como alimento e como chuva. E foi a atividade de sua consciência que por fim apareceu como segurança.

É a atividade de sua consciência que aparece como saúde de seu corpo, como oportunidades nos negócios, como discernimento certo na hora certa, como encontro da pessoa certa no momento certo e nas circunstâncias adequadas. É a atividade de sua própria consciência aparecendo como sua experiência. Vamos perceber que:

“Eu e o Pai somos um”. Deus é a minha consciência individual, e é a atividade de minha consciência individual que aparece a mim como lar, negócio ou dinheiro, ou como talento, genialidade ou habilidade. Tudo é atividade de minha própria consciência. O que tem-me separado de meu bem é a crença na existência de algo distante, um poder, um Deus “lá fora”, ou que havia alguma coisa que eu estava tentando alcançar e não podia.”

Realmente, você nunca irá alcança-la, até que conscientize que o reino de Deus está dentro de você e que este é o único lugar a se dirigir para a aquisição de algo: o seu interior, a sua própria consciência. Não faz a menor diferença qual possa ser a sua necessidade; não importa se ela é pequena ou grande; poderia variar desde uma agulha até uma âncora. Não há limites na demonstração de sua consciência: somente você coloca limites em sua atividade!


O OBJETIVO DA CONSCIÊNCIA É INFINITO

Se formos ao mar com um pequeno copo, poderemos voltar somente com um pequeno copo cheio de oceano, mas se levarmos baldes, teremos baldes cheios de oceano. O oceano é suficientemente grande para nos fornecer qualquer quantidade que necessitemos. Assim também ocorre com a Consciência, com Deus aparecendo como nossa consciência individual. Podemos nos dirigir àquela Consciência por algo pequeno, ou podemos ir a ela com grande objetivos, pois a Consciência, mesmo a consciência individual, sua e minha, é infinita em seu raio de ação.

A partir de agora, não fique apenas pensando sobre isso, mas ponha-o em prática de forma que, ao surgir alguma necessidade de qualquer nome ou natureza, você imediatamente se dirija ao interior de sua própria consciência num estado de receptividade com aquele “ouvido que escuta”, e deixe sua consciência expandir e revelar tudo o que for necessário em sua experiência.

Não devemos, contudo, nos esquecer, em todo esse buscar, do aspecto sobre o qual estamos falando. Não devemos retornar a um linguajar alegórico ou metafórico. Estamos removendo o véu do tema: “O que é Deus?”, revelando Deus como a consciência individual. Nunca volte a pensar n’Ele como sendo algo distante, algo que precise de preces ou de agrados sob qualquer aspecto. Pense em Deus como sendo a substância real de seu ser, que você pode atingir no silêncio e deixar manifestar como um mundo cheio de harmonia, paz e saúde.

A atividade da consciência individual aparece como demonstração sob toda a forma de bem que possa ser necessário e adequado para o momento. Lembre-se, porém, que a consciência não é a sua mente “pensante”; a consciência nada tem a ver com os pensamentos que você pensa; a consciência nada tem a ver com seu esforço individual físico ou mental. Quando eu falo de consciência, não estou me referindo ao intelecto ou à mente racional que serve somente como veículo, mas eu me refiro àquilo que realmente é a substância ou realidade da mente humana. Ao se dirigir interiormente a esta Consciência infinita de seu ser, dirija-se numa atitude de escuta, de receptividade, de esperar que Ela Se revele. Não é preciso dizer nada a ela; não é preciso pedir aquilo que você está precisando ou desejando. Se você conhece a sua necessidade, Ela também a conhece.

Sem qualquer palavra, sem qualquer pensamento, sem dar a Ela o nome da pessoa a quem deseja beneficiar, ou o nome da doença que você quer tratar, ou ainda sem especificar qual é a sua necessidade, volte-se interiormente numa atitude receptiva de que aguarda a resposta para certa pergunta, e permita que a Consciência Se manifeste e Se revele a você.

Isto não é fácil, eu sei, porém o caminho é este: é este o caminho do desenvolvimento; é este o caminho espiritual; é este o caminho pelo qual nos tornamos conscientes de nossa unidade com Deus.


CONFIE NA ATIVIDADE DE SUA PRÓPRIA CONSCIÊNCIA

É possível para uma pessoa utilizar todas as afirmações da verdade que ela conheça e ainda assim obstruir a sua própria demonstração. Por exemplo, se ela estiver desempregada, suas afirmações serão em função de um emprego: “Eu trato dos negócios do Pai” ou “Eu estou empregado”. Mas poderia ocorrer de, naquele momento, a real demonstração ser justamente o fato de estar sem emprego, demonstração a qual estaria sendo limitada em razão da tentativa de se “demonstrar um emprego”.

Isso me faz lembrar de um amigo que vivia numa fazenda pela qual passaram duas ou três gerações de sua família. Sempre eu ficava pensando em quão duramente eles deviam ter trabalhado para desenvolver aquele pedaço de terra e retirar do solo a própria subsistência. Se eram religiosos, como devem ter orado para que algumas das pedras fossem removidas da terra, ou para terem mais resistência física para trabalhar na fazenda, ou ainda orado por um melhor tempo que fizesse render maior produção de batatas. Estou certo de que nos anos em que viveram na fazenda eles oraram bastante a fim de arrancar o seu sustento.

No entanto, a terceira geração que veio encontrou petróleo naquela fazenda! E agora a mesma fazenda já tem cinco poços de petróleo. Deu para perceber o significado dessa exemplificação? Nunca delineie sua demonstração à Consciência. Aquilo delineado poderá não ser o que a Consciência tem para você. Suponha que você faça um plano e ore para que Deus lhe dê forças para trabalhar em sua fazenda, para semear e plantar. Suponha que ore para que mais meia dúzia de trabalhadores apareça para ajuda-lo na colheita, onde exatamente se encontra o petróleo, à espera de poder jorrar. Deu para captar o sentido? Nunca diga à sua consciência o que você pensa a respeito do que deveria ser a sua demonstração, pois isso a impediria de operar livremente. Quase todos têm trabalhado arduamente por anos seguidos, e talvez isso pudesse ser evitado caso tivessem confiado que a atividade da própria consciência os conduziria rumo à demonstração.

Foi a atividade de sua consciência que formou o seu corpo. Não foi a atividade da consciência de algum Deus distante. Foi a atividade da consciência de seu próprio ser que formou oseu corpo. É a atividade da consciência que o tem conduzido através dos anos, e muito provavelmente, em algumas vezes, tem sido difícil para ela avançar contra os seus próprios esforços.


DEUS ESTÁ PERTO DE VOCÊ

Vamos relaxar na conscientização de que não temos que ir a terras distantes para encontrar Deus. Nossa busca por Deus não é realizada externamente no mundo. Você se recorda de quantas vezes os homens saíram em busca do Cálice Sagrado e de quantas vezes eles voltaram para casa cansados e doentes e foram encontra-lo em seus próprios jardins? A história do Cálice Sagrado é simbólica, ilustrando o fato de que eles estavam, na realidade, indo em busca de felicidade, paz, harmonia e alegria, mas que se enganaram ao tentar consegui-las no mundo, com todos os recursos humanos disponíveis – toda a força humana, todo o raciocínio humano e até com todo o dinheiro que tinham. Quando o mundo não pode dar a eles o que buscavam, quando a mente deles não pode dar a eles o que buscavam, quando toda a habilidade e dinheiro foram empregados em vão, foi então que eles voltaram para casa e puderam encontra-lo exatamente onde ele sempre tinha estado. Era todo o tempo a atividade da própria consciência deles e, quando abandonaram os meios do mundo, e exaustos abandonaram a busca, ele apareceu.

Algo de natureza semelhante é o que ocorre conosco quando dispendemos muito esforço ao darmos tratamento e nos sentimos cansados ou esgotados. A Consciência Se expande e nos diz: “Você é uma pessoa tola! Eu estava aqui o tempo todo.” Sim, às vezes nós mesmos nos ludibriamos de tal maneira.


A MENTE COMO UM INSTRUMENTO

Porém, embora a mente humana, a mente racional, não seja a consciência, nem por isso ela deve ser posta de lado ou destruída. Ela tem a sua posição. É ela que age para nós quando recebemos sabedoria e conhecimento da consciência. A direção, a orientação, a inspiração e o conhecimento vêm a nós individualmente por ação da consciência, e nossa mente e nosso corpo são utilizados como veículos de transporte daquele comando.

Portanto, não tentemos abolir a mente humana e nem parar de pensar. Muitas coisas maravilhosas nos vêm através do nosso pensamento, mas devemos deixar que ele seja inspirado por um processo espiritual da consciência. Deixemos a nossa mente serena enquanto ficamos “na escuta”. O escutar é uma atividade da mente humana, a qual pode ser utilizada para deixar a Alma ou Consciência aparecer. O ponto principal que gostaria de ressaltar aqui é sobre a capacidade que a Consciência tem de Se revelar a nós sem que necessite da mente pensante; esta última é usada para as ordens e orientações recebidas serem exteriorizadas.


ESTABELEÇA DIARIAMENTE A CONSCIENTIZAÇÃO DE DEUS

A Consciência somente se revela a nós quando estamos receptivos e mantemos a linha aberta. Neste trabalho, nós aprendemos a jamais sair de casa pela manhã sem que tenhamos feito o contato com a Consciência, ou sem que tenhamos recebido da Consciência algum impulso, algo que pareça nos dizer: “Tudo está bem. Vá em frente.” Pode vir também na forma de um senso de satisfação ou sentimento de paz. Talvez você dissesse: “Sim, mas ainda não sei que rumo tomar.” Mas não tem nada a ver. Siga adiante e faça o que estiver à mão, e, no instante em que forem necessários a Intervenção, Poder e Sabedoria divinos, você os encontrará disponíveis na forma mais adequada.

O ponto importante é mantermos aquele contato. O fato de você ter realizado hoje o contato não implicará necessariamente que estará conscientemente unido àquela Consciência por todo o tempo. “Neste mundo”, um mesmerismo universal ou sugestão universal é lançado em nossa direção nas vinte e quatro horas do dia. Esta crença universal vem a nós através dos pensamentos humanos, do rádio, dos jornais e da agitação geral da consciência humana. Nós somos envolvidos por um mundo-conceito tão forte que se torna mesmérico, capaz de nos separar da atividade de nossa própria consciência. Por isso, nos estágios preliminares deste trabalho, é necessário que façamos conscientemente a “sintonia” com bastante frequência.

Todos os que estão neste caminho deveriam aprender a nunca sair de casa antes de ter sentido aquele contato interior, não importa o quanto estejam ocupados, mesmo que fosse preciso se levantar uns quinze minutos mais cedo para realiza-lo. Mesmo que não haja uma sensação de que o contato tenha sido feito, é importante sentar-se por alguns instantes com ouvidos abertos, numa receptividade que dá as boas vindas a Deus. Em outras palavras, pelo menos nós podemos abrir nossa consciência, preparando-a para o que possa nos vir, e só então irmos rumo aos nossos negócios. Como já disse, nos estágios iniciais isto deveria ser repetido ao meio dia e à noite, ou seja, ao menos umas três vezes por dia. Também, se acordarmos durante a noite, devemos reconhecer que não se trata de mera insônia, mas que estaremos despertos e alertas para alguma finalidade. Esta finalidade seria nós fazermos a “sintonia” na quietude da noite, para recebermos algo que nos fosse necessário saber. Se não for para sabermos algo naquele momento, pelo menos nos foi dada uma oportunidade de estabelecer nosso contato. E isso é tudo de que necessitamos.

Quando sentimos ter perdido nosso contato com Deus, isto é devido ou às crenças do mundo, que são universais e de efeito mesmérico, ou aos nossos receios, dúvidas ou inexperiência em seguir a orientação interior. Um ou vários desses fatores contribuem para romper o nosso contato com a Consciência. Assim, ele deve novamente ser restaurado: temos que nos sentar e “escutar”; temos que estar silenciosos e receptivos; temos que nos conscientizar de que o nosso bem somente aparecerá como atividade de nossa consciência individual. Devemos sempre estar lembrados de que: "Meu bem se manifesta como atividade de minha própria consciência. É a atividade de minha consciência que aparece externamente na forma de saúde, harmonia, paz, alegria, cooperação, amizade, eternidade, imortalidade, vida, verdade e amor."


SUA CONSCIÊNCIA DETERMINA A SUA EXPERIÊNCIA

Você ficará surpreso ante as coisas miraculosas que acontecem a partir do momento em que você conscientiza ser o seu bem um desenvolvimento da consciência individual, a partir do momento em que você não fica mais aguardando a vinda de seu bem “daqui” ou “dali”, de pessoa, lugar ou coisa, ou a partir do momento em que você o aguarda como um fluxo da atividade de sua própria consciência individual. Milagres passam a acontecer a partir daquele momento, e eles realmente são milagres. A multiplicação dos pães e peixes é um exemplo do que ocorre quando, igual a Jesus, você se volta para o Pai – sua própria Consciência – e conscientiza que você não pode sair para comprar alimento suficiente para alimentar quatro ou cinco mil pessoas, e que portanto ele deve começar a fluir através de atividades de sua própria consciência.

Eu tenho visto repetidamente o que acontece às pessoas, quando elas se conscientizam de que todo o seu bem não pode vir a elas do “exterior”, e que nenhuma condição má externa consegue impedir o curso do seu bem até elas. Você acredita poder existir algo no mundo exterior capaz de impedir que sua consciência se desenvolva e se revele na forma de seu bem? Não existe. O mundo exterior não consegue atingir o interior de sua consciência para governa-la ou afeta-la.

As condições externas nos afetam somente quando acreditamos que nosso bem possa vir de pessoas, lugares ou coisas, isto é, de algo externo. Uma vez que reconhecido que o mundo “de fora” nada tem a ver com o desenrolar de nosso bem, já que nada “de fora” consegue atingir a sua atividade de aparecer em todas as formas de bem, então não poderá haver qualquer efeito de condições externas em nossa experiência.

Todo o reino de Deus está dentro de sua própria consciência! Todo o reino de Deus se desdobra a você do interior de seu próprio ser, e nada – nenhum grupo de pessoas, nenhuma forma de governo, nenhum tipo de economia – pode de alguma maneira entrar em sua consciência e impedi-la de expressar o seu bem individual. Como é maravilhoso saber que do início ao fim dos tempos teremos todo o bem de que necessitarmos continuamente a fluir pela atividade de nossa própria consciência, e que o seu desenvolvimento nunca depende de algo que esteja se passando no mundo exterior! Você percebeu como pôde Moisés fazer cair maná do céu e retirar água da rocha? Ou como Jesus conseguiu ouro na boca de um peixe? Aquilo foi possível por não ser, em absoluto, uma atividade do exterior. Era o desenrolar da própria consciência que apareceu externamente na forma necessária para o momento. Tanto Moisés como Jesus conheciam este segredo, o segredo de que tudo ocorre dentro da consciência.


“EU SOU” APARECE COMO FORMA

Salomão também conhecia este segredo. Anos atrás, num antigo livro trazido a mim em Boston, eu descobri a palavra secreta da Maçonaria, que havia sido perdida há muito tempo durante a construção do templo do rei Salomão. Estava escrito que naquela época os que se elevavam ao grau de mestre maçom recebiam a palavra secreta, a palavra que lhes possibilitariam viajar para qualquer parte do mundo, e esta palavra-chave identificá-los-iam como mestres.

A palavra foi perdida, e como não é mais usada na Maçonaria, ela não é um segredo. Realmente, poucos são os maçons que sabem algo a esse respeito. Porém o autor daquele livro, após muitos e muitos anos de pesquisa, descobriu que a antiga e perdida palavra secreta dos mestres maçons era “EU SOU”. EU SOU é aquela antiga palavra, e se os construtores daquele templo a tivessem conhecido, ela lhes teria garantido, onde eles estivessem, as maiores regalias – aquelas de um mestre maçom.

Este foi o segredo de Moisés, o segredo de Salomão e o segredo de Jesus:

"Eu sou. Deus é a minha própria consciência. Deus é a consciência individual, e onde eu estou, Deus está. Portanto, onde quer que eu esteja, o meu bem se manifesta. 'Se desço ao inferno, nele te encontras', porque se eu estiver lá, Deus estará lá, e meu bem se manifestará lá. Para onde irei a fim de me subtrair da tua presença?'. Como poderia eu sair de minha própria consciência? Enquanto eu estiver consciente, isto não poderá ocorrer. E é esta própria consciência – a atividade desta consciência que constitui o meu suprimento, as minhas oportunidades, a minha sabedoria – que me orienta e dirige."

É bastante poético dizer: “Ele está mais próximo que a respiração, e mais perto que as mãos e os pés”, ou “o reino de Deus está dentro de vós” (Lucas 17: 21). Porém nós precisamos mais do que poesia, mais do que beleza de expressão para nos tornarmos concretamente cônscios de Deus, da natureza de Deus e da atividade de Deus em nossa experiência individual.

Quando você se habituar com a ideia de que a atividade de sua consciência lhe aparece em todas as formas de bem, será capaz de dar o passo seguinte e se conscientizar de que a atividade de sua consciência aparece como a saúde de seu paciente. Como há somente uma Consciência, e como um com Deus é a maioria, então o seu contato com a Consciência, sua conscientização de que a atividade de sua consciência aparece em todas as formas de bem faz com que esta atividade apareça como a saúde e a harmonia de seu paciente. Isto é o que faz com que as práticas metafísicas sejam possíveis.

Seja qual for a prática metafísica empregada para atingir um fim desejado, ela não consiste em uma transferência de pensamentos de um a outro indivíduo. Não se trata do uso de uma mente sobre outra, embora existam muitos praticista que pensem que estas atividades humanas de sugestionar ou influenciar aos outros são parte da prática metafísica. Na realidade não são. Se tais pessoas compreendessem a prática metafísica, prontamente veriam que é a própria conscientização de unidade com Deus que aparece como a saúde e a harmonia de seus pacientes. Não é o poder da vontade; não é o desejo do praticista de que o paciente fique bom; não é um praticista sugestionando um paciente: “você está bem e está ciente disso.” Nada disso é parte da moderna prática metafísica.


UNIDADE CONSCIENTE

A prática metafísica consiste da consciente unidade com Deus por parte do praticista, que aparece externamente como sua saúde, riqueza, sucesso e também como o bem daqueles que a ele se dirigem. O contato é feito quando uma pessoa pede ajuda ao praticista, seja para si mesma, seja para algum parente ou amigo. “Você me ajudará?”, ou, “você ajudará o meu filho?”, ou, “você ajudará o meu amigo?”. Basta isso; isso é o suficiente para estabelecer a unidade da consciência, trazendo o necessitado à consciência do praticista, e tudo que tomar lugar como atividade desta consciência será externamente expresso como harmonia e plenitude do paciente. Em outras palavras, seria fácil tomar a sala repleta de pessoas em minha consciência, como seria fácil para alguma delas ou todas elas se manterem fora. Isto é o que acontece quando observamos uma, duas ou três pessoas sendo curadas e você fica imaginando o porque de as outras seis ou sete não receberem a cura.
Aqueles que se curaram estavam de alguma maneira ligados ao praticista: estavam sintonizados nele, unos com ele, por simpatia ou por outra razão, de forma que se fizeram parte da consciência dele. Os outros, que não receberam a cura, provavelmente se sentaram pensando: “Eu gostaria que ele pudesse fazê-lo, mas será que ele pode?”. E com tal atitude se mantiveram do lado de fora. Na verdade, somente na crença é que eles se mantiveram fora, mas é desta maneira que não puderam se beneficiar com a atividade da consciência do praticista.
Não é que a pessoa, o paciente ou o estudante necessariamente se faça uno com a consciência pessoal do praticista, mas sim uno com a verdade. Ele se coloca mais ou menos na conscientização de que “Eu sou uno com a verdade; eu sou uno com a consciência da verdade; eu sou uno com a verdade que está aparecendo na forma deste praticista ou deste mestre.” Isto significa estar uno com a verdade, e não uno com a personalidade ou mente do praticista, uno com a verdade do indivíduo, com a consciência espiritual do indivíduo. E naquele senso de sintonia, de unidade, as curas ocorrem.
Quando você passar a conhecer que a verdade é a sua consciência individual, e que a atividade desta consciência aparece externamente como a harmonia do seu ser, ou como a harmonia de todos que se dirigem a seus pensamentos, então começam a surgir as curas. A cura é a prova desta mensagem, ou alguma mensagem, ser verdadeira ou não. O modo como esta mensagem é apresentada nada tem a ver com o fato de ela ser ou não verdadeira. Se for verdadeira deve resultar em harmonia e paz, em saúde, alegria, prosperidade e plenitude, ao menos em alguma medida em sua experiência individual e na experiência daqueles que o procuram solicitando ajuda. Esta constitui a prova de que a mensagem é verdadeira.
A função da verdade é dissipar a ilusão dos sentidos, e no momento em que nos colocamos neste caminho e compreendemos esta verdade, é esperado que iniciemos os trabalho de cura. Como poderia alguém falhar na realização das “maiores obras”, após ter entendido ser a atividade de sua consciência individual aquilo que aparece externamente como a saúde e harmonia do universo que o toca?

“Estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão.” (Marcos 16: 17-18)

FIM


terça-feira, agosto 19, 2014

Comentando o capítulo 11 - 2/2

Gugu


Outro ponto essencial, enfatizado por Joel Goldsmith, no capítulo 11, diz respeito aos dois mandamentos deixados por Jesus:

1) Amarás ao Senhor teu Deus acima de todas as coisas, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento... (Lucas 10: 27)

2) ...e amarás ao teu próximo como a ti mesmo. (Lucas 10: 27)

Jesus deixou à humanidade esses dois grandes mandamentos. Havia uma razão muito boa para ele os ter concebido. Jesus era detentor de imensurável conhecimento e sabedoria; estava consciente de um grande segredo que poucas pessoas na humanidade tiveram acesso – um segredo que diz respeito à verdadeira natureza da Mente que criou o Universo, o homem, e da também da "inteligência" (mente) que criou o universo da separação. Devido a isso, ele conseguiu "mapear" e solucionar todo o "mecanismo engenhoso" de que a ilusão se vale para perpetuar na Mente do homem o senso de separação de Deus. Então, com base nisso, Jesus elaborou em simples palavras dois pequenos mandamentos capazes de resolver completamente os problemas da separação e da dualidade. Ambos os mandamentos são complementares e, juntos, transmitem todo o caminho possível de ser trilhado na espiritualidade. Como consequência disso, eles também sintetizam e expressam a essência de todos os ensinamentos espirituais. Por isso, será bom compreendermos o mais profundamente possível as implicações/significados desses dois mandamentos de Jesus, e de que modo eles estão relacionados à iluminação espiritual e à cura espiritual.

Mas, antes de entrarmos nos mandamentos de Jesus, necessitaremos fazer algumas considerações: há um único Princípio, um único Ser, uma única Mente, Onipresente, em todo o Universo. Essa é a Realidade. Todavia, há um (suposto) "pensamento universal de separação"  concebendo a (aparente) existência de um universo de dualidade e separatividade. Tal pensamento de "separação" ou "afastamento" de Deus não foi concebido por Deus, porque Deus nunca se separa ou afasta de si mesmo. Não existe separação de Deus! A ilusão é que faz parecer como se existisse. Devido ao fato de o Universo ser constituído por uma única Mente, para fazer com que a separatividade pareça existir, a ilusão vale-se de um certo "truque": ela faz com que a Mente Única Infinita seja projetada; e, nessa projeção, a Mente Infinita é dividida em várias "pequenas mentes" para fazer parecer existir várias identidades, corpos, mentes, espíritos, enfim, vários seres distintos, isolados e separados uns dos outros. Dessa forma, dentro do universo da projeção, cada ser acredita ser uma existência diferente/única/especial, separada e isolada de todos os demais seres. Apesar disso, a realidade continua sendo a de que, por trás de cada "ser" que está sendo projetado no universo da separação, existe uma mente maior – a Mente Única – e no nível dessa Mente os seres sabem que são todos "iguais" e "UM" uns com os outros. Em razão disso, o universo da separação pode ser percebido ou interpretado a partir de dois pontos de vista: um que advém da "mente pequena e superficial" que percebe a separação; e outro que advém da Mente Única Infinita que percebe a unicidade. A mente que percebe a separação é como a "pequena ponta de um iceberg" que existe na superfície. E a Mente Perfeita que percebe a unicidade é como o "iceberg" em sua totalidade. Perceba o fato de que o iceberg é o mesmo, porém apenas uma pequena parte dele está visível para os que estão acima da superfície, enquanto que a sua parte gigantesca está escondida/oculta dentro do mar. Por essa razão, os seres todos do universo da projeção percebem conscientemente a separação e, ao mesmo tempo, sabem inconscientemente que a separação não existe e que, no lugar dela, somente existe a perfeita unicidade. A percepção de unicidade do todo existe – ela está velada/oculta nas profundezas da Mente – mas pode ser trazida à tona, ou seja, pode ser lembrada. E é nisso que consiste a caminhada espiritual de cada ser humano: desfazer-se do sentimento de separação do todo, e lembrar-se de sua perfeita unicidade com Deus.

O senso de separação é como a "treva" que inexiste diante da "luz". Quando a Luz se faz presente, a treva revela sua ausência/inexistência originária. Quanto mais o ser humano acredita na ideia da separação (concebida pela crença universal), mais o sentido de separação é reforçado em sua Mente – ou seja, a Mente Única –, e isso garante com que ele continue experienciando o seu Ser como se existisse separado do Todo. O contrário também ocorre: se, ao invés da separação (trevas), o ser humano reforçar em sua Mente a ideia da unicidade perfeita (Luz), o sentido de separação começa a ser desfeito, até desaparecer por completo, e o homem passa a experienciar o seu Ser sendo "UM" com todas as coisas. Esse é o mecanismo total que explica o envolvimento da Mente Infinita Universal com a ilusão de separação. Se o funcionamento desse mecanismo for bem compreendido, a ilusão de separação na Mente pode ser desfeita. E aqui chegamos ao fim das considerações necessárias para compreendermos os mandamentos deixados por Jesus.

O primeiro mandamento "Amarás ao Senhor teu Deus acima de todas as coisas" consiste no reconhecimento de uma única Fonte, Mente ou Ser em todo o Universo. Toda existência surge de uma única Mente, sendo constituída e permeada pela Mente Única: Deus. Deus é a totalidade de tudo o que existe! Deus é tudo como tudo! "Amar a Deus acima de todas as coisas" significa honrar a Deus como sendo existência única. Significa reconhecer que não existem aquelas "todas as coisas" (são ilusórias!) que pudessem ser amadas além de Deus, porque Deus é realmente tudo! Nós honramos a Deus como sendo tudo quando descartamos aquilo que é "nada", "inexistência". A ilusão não existe. Portanto, não há como honrar a Deus reconhecendo a existência de "universo material" e de "seres humanos vivendo na matéria". O Universo é espiritual! E o ser humano vive em Deus! Devido a isso, somente é possível cumprir o primeiro mandamento de Jesus quando, no Silêncio Sagrado, percebemos a irrealidade da ilusão e a existência única e absoluta da Realidade Divina. Ao descartarmos a ilusão e permanecermos na Realidade Infinita puramente espiritual (que não se mistura com a realidade-finita-material), experienciamos um estado indescritível de felicidade, paz, amor, êxtase, plenitude. Nessa Realidade Absoluta, a consciência (o Filho) perde a sua individualidade, une-se à sua Fonte (o Pai) e experiencia o supremo estado espiritual de unicidade perfeita. Nele, não há mais um "eu" – unicamente o Amor (o Todo) habita em toda a parte. Pai e Filho são UM. Nessa Realidade Celestial, o Filho tem a experiência de ser emanação/pensamento de Deus, e esse pensamento é perfeito. Por ser perfeito, é um pensamento total, pleno e completo – um pensamento que não pode ser tocado pelo mundo (ilusão). Você não pode ser tocado na perfeita unicidade porque não há nada mais para tocá-lo. Nessa condição, um estado de gratidão é muito natural e apropriado. Sentimos como se o tempo todo estivéssemos dizendo "Obrigado, obrigado", mas não trazemos palavras a isso, somente nos permitimos ter a experiência. Em tal estado de plenitude, tudo está incluso.

Ao acessar esse patamar absoluto de consciência, Goldsmith fazia contato com a Verdade de que: "há somente uma Realidade e, nela, tudo já está feito! Não há imperfeição ou ilusão a ser curada, modificada ou melhorada. Deus é tudo como tudo!". Essa era a base da realização de sua cura espiritual. Esse patamar absoluto somente pode ser experienciado em momentos de contemplação, quando estamos totalmente alheios/isolados/fechados à ilusão. Jesus diz: "Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, o recompensará" (Mateus 6:6). Ou seja, em nossas orações (meditações),  a fim de podermos contatar "o Pai que está em secreto", devemos "fechar a porta" para o universo exposto pela ilusão. Isso é assim porque, perante a Realidade, a ilusão não existe. Portanto, em nossas orações/meditações somente nos ocuparemos única e exclusivamente com Deus. Ao fazer isso, estaremos cumprindo o principal mandamento de Jesus. Logo, resumindo tudo em termos simples: o primeiro mandamento de Jesus diz respeito a vivenciar/experienciar a perfeita Realidade Espiritual. A contemplação da Verdade "Eu sou Deus, o Ser único, em perfeita unidade com todo o Meu Universo" desfaz o sentido de separação incutido em nossa Mente, provocando a aceleração do momento em que experienciaremos o nosso Ser como sendo o Todo, uno e perfeito: Deus.

O segundo mandamento "...e amarás ao teu próximo como a ti mesmo" é decorrência ou sucessão do primeiro mandamento. O primeiro mandamento é vivenciado em nossos períodos de contemplação absoluta, quando a realidade projetada pela ilusão deixa de existir completamente para nós. Por sua vez, o segundo mandamento é para ser cumprido nos períodos vivenciados fora das contemplações absolutas. As contemplações não farão a ilusão sumir; ao terminarmos a meditação, o universo projetado pela ilusão ainda estará lá. Todavia, a realidade projetada será influenciada pelas contemplações. A Verdade conscientizada durante as contemplações atua poderosamente no curso dos fatos e acontecimentos da realidade ilusória. Isso é assim porque a ilusão nada mais é do que uma "sombra" da Realidade Espiritual Perfeita. Tome como exemplo a sombra de um lápis projetado na parede. Jamais alguém conseguiria modificar a "forma" ou a "posição" daquela sombra tocando-a com as mãos diretamente na parede onde ela está projetada. Mas basta entrar em contato com o "objeto original" e, a partir dele, poderemos provocar na sombra toda espécie de alteração possível. O que é sombra não possui "substância" ou "realidade" própria, podendo ser alterada ou modificada a qualquer instante. Isso significa que o "roteiro" que a ilusão traça para nós pode ser alterado. Por exemplo: se no roteiro programado pela ilusão estiver previsto que a pessoa deverá "ter determinada doença"  ou "sofrer um acidente", tal roteiro poderá ser modificado se o indivíduo entrar em contato com a Realidade Original e conscientizar a verdade de que "não existem doenças nem acidentes na Realidade criada por Deus. Há unicamente saúde e vida, invulnerabilidade e felicidade". Essa conscientização desfaz o roteiro programado pela ilusão e faz com que na "sombra" seja apresentada uma sequência de imagens condizentes com a Verdade reconhecida. A contemplação da Realidade Absoluta tem o poder de anular carmas. Mas, se a pessoa não mantiver periodicamente o reconhecimento de que Deus é tudo, pouco a pouco ela é colocada debaixo de um novo roteiro a ser designado pela ilusão. Por isso, é importante adquirir o hábito de meditar constantemente, até que a meditação se torne uma segunda natureza ou parte de nosso ser.

Retomando: o segundo mandamento é para ser praticado nos períodos vivenciados fora das contemplações absolutas, quando estaremos lidando com o mundo da projeção. Para conceber o universo da separação, a ilusão aplica o "truque" de fracionar ou dividir a "Mente Única" em várias "pequenas mentes" distintas e separadas entre si. Assim, na realidade projetada, cada ser aparece como se fosse distinto e separado, mas o tempo todo a Mente Única (objeto original) permanece por detrás de cada "mente separada" (sombra). O grande segredo no qual Jesus baseou o seu segundo mandamento é: cada "mente separada" é a própria Mente Única. Do ponto de vista das "mentes separadas" parece que elas é que estão vendo tudo como se fosse separado, mas isso também é ilusão. A verdade é que a Mente Única está olhando para "fora" e percebendo a Si mesma como se fosse uma "pequena mente" que enxerga a separação. Mas tanto a "pequena mente" como a "percepção" que decorre dela são falsas. Por isso a Bíblia diz que: "nós não recebemos o espírito [mente] do mundo que somente vê as coisas do mundo, mas o Espírito [Mente] que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus... Temos a Mente de Cristo." (1 Coríntios 2: 12 e 16). A ilusão espera que os seres olhem para o exterior e acreditem na realidade da separação; ela deseja que todos os seres vejam-se diferentes e separados entre si; e deseja que todos pensem e atuem como se fossem separados uns dos outros – tudo isso alimenta a ilusão, reforça/faz perdurar na Mente o sentido de separação, o que garante com que o indivíduo continue experimentando a si mesmo como se existisse separado do Todo. Mas, se o indivíduo olhar para o exterior e perceber o "outro" como sendo uma projeção de Si próprio (de modo que não exista o "outro"), ele deixa de alimentar em sua Mente a ideia da separação, e esta começa a ser desfeita; e à medida em que o senso de separação for desaparecendo da Mente, a pessoa retorna ao seu estado natural de perceber e experienciar a Si mesmo como o Ser único. Assim, grave bem esta lei: a forma com que você olhar para o exterior, é a forma com que verá a si mesmo.

Isso nos leva a um outro aspecto tremendamente importante (ainda muito mais profundo!), que está implícito no segundo mandamento: se é verdade que da forma como vemos o "outro", veremos a nós mesmos (e isso é verdade!), então, se passarmos pela vida vendo as pessoas e o mundo como uma ilusão, um dia vamos pensar sobre nós mesmos, em nossa própria Mente, como uma ilusão. Lembre-se: a Mente (Mente Única) vai traduzir qualquer coisa que pensemos sobre os outros como uma mensagem a nosso próprio respeito. Isso é assim porque, embora nós (enquanto personagens projetados na ilusão) não estejamos ciente disso, nossa Mente sabe tudo, incluindo o fato de que existe apenas um Ser (que está sendo cada um de nós). Tudo o que nós pensarmos a respeito dos outros é realmente uma mensagem nossa, para nós, a nosso próprio respeito. Assim, nós definitivamente não deveríamos pensar nas outras pessoas como "seres não iluminados" ou como "ilusões", ou é isso que vamos pensar que também somos. Em vez de limitarmos uma pessoa como sendo um "corpo físico" ou "mente" separada, precisamos pensar nela como ilimitada. Em vez de pensar nela como "parte" de algo, precisamos pensar nela como sendo tudo. Se agirmos assim, isso afastará a nossa Mente do foco de sermos "seres indespertos vivendo em ilusão". Se virmos o outro como sendo tudo, nada menos que Deus, a Mente, em cada um de nós, entenderá que, se eles são a perfeita unicidade com Deus, então isso significa que nós temos de ser a perfeita unicidade com Deus. Então será assim que um dia experimentaremos o nosso Ser. Jesus fazia isso; ele não pensava em termos de separação, mas via a completude em todos os lugares. Jesus via a realidade do Espírito, a face do Cristo, em todos. Então, vamos pensar em todos como sendo o mesmo que Deus é. Isso é realmente visão espiritual.

Nos períodos fora da contemplação absoluta, devemos saber que "este próprio mundo em que estamos vivendo é o mundo que Deus criou. Este é Ele. A mente humana não o está vendo como ele é, mas, apesar disso, este é Ele.". Isso também está expresso nos ensinamentos da Índia, que afirmam "Eu sou Aquilo", "Eu sou Ele" (Soham). Cada "ser" ou "mente" separada é, na verdade, o Ser único, a Mente Única. Da mesma forma, este mundo em que (aparentemente) vivemos não deve ser visto ou avaliado como ilusório, a não ser durante os períodos de contemplações absolutas. Às vezes nos deparamos com ensinamentos absolutos que, intencionalmente ou não, afirmam que o mundo da projeção é algo "feio", "abominável", "imprestável", "maligno", e, empregando o poder da palavra,  induzem subliminarmente as pessoas a sentirem aversão pela vida e a desprezá-la por completo. Isso não está certo. Precisamos ter cuidado com o palavreado empregado nas literaturas espirituais, pois a mente subconsciente capta tudo. Se, por um lado, esses ensinamentos ensinam as pessoas a desfazerem o sentido de separação na Mente (durante as meditações absolutas), por outro lado criam um forte sentimento de separação na mesma Mente (em períodos vivenciados fora das contemplações). Sem contar que, ao adquirir tal visão errônea sobre a vida/o mundo/os seres, a pessoa começa a atrair para si situações problemáticas/horrendas condizentes com as ideias sombrias alimentadas no cotidiano; então a vida aqui na projeção se torna um grande inferno. Este próprio mundo deve ser visto como belo, sublime e maravilhoso: o mundo de Deus.

Neste capítulo, Goldsmith diz que: "a mais elevada concepção é aquela que permite olhar de frente a face do diabo e ver somente a face de Deus. Não existe céu e terra; não existe Deus e homem; não existe ser espiritual e ser material. Existe somente um, e Eu sou Ele". Por isso, se quisermos realmente amar a Deus, devemos amar a todos os nossos irmãos, aqui mesmo, no (suposto) mundo da projeção. Explica Goldsmith: "Se nós não amarmos ao homem a quem podemos ver, como iremos amar a Deus a quem não vemos? Deus e o homem são um. Ao senso finito, que vê através de limitada visão, é verdade que Deus é invisível; mas uma vez atingido este elevado estado, esta elevada realização do ser espiritual, passamos a olhar para o mundo e ver cada pessoa, cada circunstância e cada condição como sendo Deus aparecendo, e então Deus se torna visível para nós. Até que tenhamos atingido aquele estado, contudo, Deus será invisível para nós, porque para honrarmos a Deus, o Invisível Infinito, nós devemos honrar ao homem como Deus feito manifesto de forma visível." Ao invés de sentirmos aversão, desprezo e ingratidão pela vida, devemos amá-la e bendizê-la. A vida é sagrada! Todos devemos ser gratos por (parecer) estarmos aqui. Pode parecer paradoxal, mas o caminho para "escapar" da ilusão é vê-la e vivenciá-la como sendo a realidade, ao invés de sendo uma ilusão. Não nos esqueçamos de que este é Ele! Portanto, devemos ver este mundo como ele realmente é.

Concluindo: devemos nos focalizar no fato de que a vida humana é uma ilusão e de que unicamente existe Deus, porém isso é só para quando estivermos fazendo as contemplações absolutas. Em nosso dia-a-dia, nos períodos fora da contemplação, devemos empregar o segundo mandamento de Cristo, alinhando-nos com o princípio de que só existe Um de nós, amando ao próximo como a nós mesmos, e fazendo para os outros aquilo que gostaríamos que fosse feito para nós. "Se alguém diz: 'Eu amo a Deus', e aborrece a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? Aquele não ama, não conhece a Deus, porque Deus é Amor." (I João 4: 20). Devemos contemplar a Deus como tudo, sendo existência única! E em nossa vida cotidiana, devemos pensar no mundo da projeção (ilusão) como sendo o mundo de Deus (Realidade); devemos pensar em todos os seres como sendo o mesmo que Deus é. Devemos amar e perdoar todas as pessoas; devemos viver em harmonia com todos os seres; devemos abençoar todos aqueles que cruzarem o nosso caminho; devemos agradecer a todos e reverenciá-los como sendo Filhos de Deus perfeitos. Devemos orar pela felicidade de toda a humanidade. Esse é o caminho. Tudo isso faz desaparecer da Mente o sentido de separação; e quando nossa Mente tiver sido "esvaziada" de todo e qualquer senso de separação, o que restará é o nosso estado originário de iluminação espiritual.

Além de tudo isso, que relação tem o segundo mandamento de Jesus com a cura espiritual? No capítulo 5 deste livro, Goldsmith diz:

"Acima de tudo é preciso lembrar-se de que o mínimo desejo de receber benefício pessoal, a presença do menor traço de egoísmo, são fatores que anulam o processo de cura. Não há nada que deva ser obtido, e não podemos trabalhar do ponto de vista que admitisse haver. Deus é o infinito ser que revela, desenvolve, manifesta e expressa a Si próprio infinitamente como sendo eu e você. O único objetivo do tratamento e da prece é dar a conscientização da perfeição que já existe. Tudo que nós chegarmos a conscientizar como sendo verdade para nós mesmos, para o nosso ser, deve ser compreendido como sendo também verdade sobre todos os demais. Em outras palavras, não é possível haver uma prece visando que o sol brilhe em nosso jardim somente. Num caso destes, a prece deverá ser apenas para o sol brilhar. Devemos estar desejosos de que ele brilhe tanto em nosso pátio como no de nosso inimigo. Enquanto conservarmos no pensamento algum senso de ódio ou inimizade, o tratamento ou prece será inútil. Não é fácil perceber que seria pura perda de tempo haver tratamento ou prece sem esta qualidade de perdão? A consciência precisa ser uma transparência para Deus, isto é, uma transparência de caráter universal, impessoal e imparcial. Sua chuva cai tanto sobre os justos como sobre os injustos. Os ensinamentos do Mestre são repletos de amor e de perdão, sem qualquer traço de juízo ou condenação. Na Cristo-consciência não pode haver lugar que abrigue qualquer ódio, inveja, ciúme ou malícia. A consciência que retém algum desses traços não é uma consciência curadora."

Como vimos, os mandamentos de Jesus abrangem toda a espiritualidade possível de ser vivida. Juntos, eles constituem o caminho mais curto/rápido para o nosso despertar em Deus. Que possam eles serem a estrela guia, o norte, o referencial, para todos nós e para a humanidade inteira.

Namastê!

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sábado, agosto 16, 2014

Comentando o capítulo 11 - 1/2

Gugu


Qualquer que seja o estado de consciência, ele é sempre algo completo em si mesmo. Um estado de consciência não iluminado é algo "completo em si mesmo". E o estado iluminado de consciência  é também "completo em si mesmo". É característica da consciência, da realidade e da percepção serem coisas já prontas, inteiras, completas, consumadas. Vamos entender melhor este ponto, pois a compreensão dele tornará clara a desnecessidade (na verdade, a impossibilidade!) de tentar "desenvolver", "expandir" ou "evoluir" uma consciência não iluminada.

Eis um exemplo que nos permitirá entender essa característica/natureza da consciência, da realidade e da percepção: Quando vamos dormir, deixamos de lado a nossa "consciência de vigília" para ingressarmos em uma "consciência de sonho". E ao começar a sonhar não sentimos ter havido uma "passagem" de um estado de consciência para o outro: subitamente nos vemos dentro da realidade concebida pelo sonho. A realidade do sonho nos chega de repente e sem pedir licença: quando menos percebemos já estamos nele. No âmbito dessa "consciência de sonho" ocorrem inúmeros fenômenos que seriam estranhos e absurdos do referencial de nossa "consciência de vigília". Quando considerados à luz da "consciência que sonha", os acontecimentos do sonho parecem ser muito sensatos/razoáveis, e nós não os questionamos, não os contestamos... ao contrário, nós os aceitamos com naturalidade. Porém, uma vez que despertemos do sonho e retornemos ao nosso estado de vigília, se considerarmos novamente a história sonhada, poderemos constatar todas as anormalidades, incoerências, contradições e absurdos dos fatos que se sucederam. "Como fomos parar dentro daquele sonho?". No sonho isso não é questionado – sua realidade faz total sentido. A "consciência de sonho" atua de modo tal que sequer desconfiamos que estamos em uma realidade de sonho.

Mas, se um personagem do sonho descobrir que está "sonhando" e desejar retornar à realidade que existe fora do sonho, o que ele poderia fazer? Haveria alguma "passagem" ou "caminho" que ele pudesse percorrer para chegar ao mundo real? Existe alguma "conexão" ou "elo" ligando as duas realidades? Poderia ele tentar "desenvolver", "expandir" ou "evoluir" a consciência com a qual ele se vê no sonho para alcançar a realidade fora do sonho? Poderia algo ser acrescentado à "consciência que sonha" para fazer dela uma "consciência que percebe a realidade fora do sonho"? Sabemos que não há essa possibilidade. Isso é assim porque a "realidade de sonho" é algo inteiro e completo em si mesmo, e também pelo fato de a "realidade fora do sonho" ser uma existência inteira, pronta, completa, consumada. Em razão dessas duas realidades serem "completas" é que ambas existem totalmente desconectadas, separadas e isoladas. Devido a isso, o modo de "passar" de uma realidade para outra não se dá mediante uma "passagem" ou "caminho" – a única possibilidade é através de um despertar. Ocorrendo esse despertar, a "consciência" que acusava a presença do sonho desaparece juntamente com o sonho, e o indivíduo se vê imediatamente na realidade. Fim do exemplo.

A partir do exemplo dado, vamos compreender que a mente não iluminada é inteira e completa em si mesma. Da mesma forma, a consciência iluminada é uma consciência já pronta, inteira, perfeita e completa em si mesma. Em decorrência disso, nada há que possa ser acrescentado à mente ilusória para fazer dela uma consciência iluminada. O que não é iluminado não pode ser "aprimorado", "desenvolvido" ou "expandido" até tornar-se iluminado. E da mesma forma, não existe "passagem" de uma percepção não iluminada para uma percepção iluminada. Se você estiver percebendo mentalmente (ilusoriamente), sua percepção será a de que a realidade é de substância mental (material), desde sempre. Ao passo que, se você estiver percebendo consciencialmente (verdadeiramente), a sua percepção será a de que a realidade é de substância espiritual (consciencial, divina), desde sempre. Para a percepção mental nunca houve um momento em que a realidade fosse divina ou consciencial. Da mesma forma, para a percepção consciencial, nunca houve um momento em que a realidade fosse de substância material ou mental. Decorre disso que, na realidade mental, não existe "acesso" ou "passagem" para a realidade consciencial; e, na realidade consciencial, também não existe "acesso" ou "passagem" para a realidade mental. São realidades "fechadas", "isoladas" – completamente desconectadas. Por isso, a única maneira de começar a perceber consciencialmente é perceber consciencialmente agora mesmo! Não há outro meio. E se você conseguir perceber consciencialmente, a própria percepção consciencial lhe fará perceber que nunca você "acessou" a percepção consciencial a partir de uma percepção mental, ou seja, nunca você "saiu" de uma percepção/realidade mental para "ingressar" na percepção/realidade consciencial. É assim que é, tal é a natureza da consciência, da realidade e da percepção.

E, para perceber consciencialmente agora mesmo, o Caminho Infinito recomenda que o praticante adquira o hábito de meditar constantemente. O estudante deve sentar-se calmamente, aquietar a mente e os sentidos (que percebem o mundo material) e colocar-se em estado de relaxamento e receptividade para perceber a realidade espiritual/consciencial. Em tal estado de relaxamento e receptividade, deve-se contemplar/visualizar a Realidade Divina como realidade já presente, agora mesmo. Agora mesmo vivemos no Reino de Deus! Agora mesmo somos os Filhos amados de Deus, dotados de todas as virtudes e atributos de Deus. Agora mesmo "vivemos, nos movemos e existimos" na realidade perfeita que Deus é. A Presença de Deus é a nossa Presença! O Ser que Deus é é o Ser que somos. Por isso, agora mesmo estamos preenchidos de todo amor, sabedoria, verdade, vida, força, inteligência, harmonia, alegria, paz e demais bênçãos de que necessitamos. Neste momento, o Universo inteiro é infinitamente perfeito agora! Você, como integrante deste Universo – e em unidade com Ele –, também é infinitamente perfeito agora! Contemple essas verdades como válidas (para você e o universo inteiro) aqui e agora! Não tente visualizar um universo perfeito a fim de que ele se manifeste em sua realidade. Não tente "elevar" ou "aprofundar" o seu estado de consciência a fim de que você perceba este Universo Perfeito. Também não tente acessá-lo. Não faça tentativas. Compreenda que não é preciso "acessá-lo", porque neste momento você está nele! Compreenda (ainda mais profundamente!) que não é preciso sequer "percebê-lo", porque neste momento você já o está percebendo. Veja-o presente! Contemple-o presente! Perceba-o presente! E não tente entender como é possível você se ver em um novo Universo que nunca teve que acessar (pode ser que a mente queira contestar e argumentar com suas lógicas). Você simplesmente está nele. Esteja nele, e ponto final. Assim é a visão mística que percebe a Realidade. Essa é a meditação ensinada no Caminho Infinito.

Há um estado iluminado de consciência que nos faz perceber o universo físico como sendo apenas um conceito (ao invés de Universo). Nos faz compreender que o único Universo que existe é o Universo Espiritual criado e mantido por Deus. Essa é a única existência verdadeira. Somente ele está acontecendo. Somente ele está presente. O universo conceitual  não está ocorrendo, e também não está presente. Acreditar na existência/presença de "dois universos" deixa o praticista desalinhado com o princípio espiritual do ÚNICO PODER anunciado pelo Caminho Infinito. Acreditar na presença ou existência do universo conceitual (que se constitui em bem e mal) o torna um poder atuante em nossa experiência. Joel Goldsmith diz que ele não é poder. Unicamente Deus é poder.

Goldsmith afirma que, no início de nosso aprendizado, pode ser útil considerar a existência de dois universos, um "real" e outro "irreal". Todavia, este é apenas um artifício utilizado para separar o nosso pensamento da crença coletiva que diz que "o ser humano mortal, pecador ou doente é criação de Deus". Após obtivermos a inabalável convicção de que "o ser humano é o Filho de Deus, perfeito, criado por Deus", tomamos como verdade (ponto de partida) unicamente esse Fato – o qual, de fato, é o único que está agora ocorrendo. Goldsmith diz:

"Uma vez que você tenha se elevado neste caminho, você fará uma grande descoberta. Você próprio é aquele homem espiritual, e exatamente aqui e agora é o universo espiritual. De fato, Deus não creou aquilo que vemos, pois o que nos é visível não é realmente o que está naquele local. O que vemos é apenas um conceito que temos daquilo que ali se encontra, e esse conceito nada tem a ver com a creação de Deus. Neste período em que avançamos do humano ao divino, um aprendizado que precisaremos conseguir para prosseguirmos em nosso desenvolvimento espiritual será o da conscientização de que aquilo testificado pelos cinco sentidos físicos não é realidade. Por esse motivo é que encontramos na literatura metafísica os termos 'mundo real' e 'mundo irreal', 'homem real' e 'homem irreal'. Através da metafísica, você aprende que 'há um homem real' e passa a erguer imediatamente um ideal, visualizando a si próprio e se aproximando daquele estado de espiritualidade e divindade atribuído ao homem real. Mas queremos lembrá-lo que o tempo todo você é aquele homem ideal, e tudo que é necessário para trazer este homem à manifestação é a sua conscientização de que existe um Princípio divino operando no universo. Você não chegará ao reino dos céus enquanto não começar a perceber que já é agora aquele homem espiritual, aquele homem que está agora no paraíso, sob regra e jurisdição divina. Exatamente aqui e agora você é um ser espiritual que é a própria manifestação de tudo que Deus é."

Perceba a importância vital de contemplar essas verdades como realidade já presentes! Podemos dizer que essa pequena recomendação, sozinha, constitui todo o aprendizado requerido neste ensinamento!

Namastê!

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segunda-feira, agosto 11, 2014

Estados e estágios de consciência

DEUS, A SUBSTÂNCIA DE TODA A FORMA
(Joel S. Goldsmith)

- Capítulo 11 -

ESTADOS E ESTÁGIOS DE CONSCIÊNCIA

"Em seguida o Senhor estendeu a sua mão, tocou-me na boca e disse-me o Senhor: Eis que eu pus as minhas palavras na tua boca; eis que te constituí hoje sobre as nações, e sobre os reinos, para arrancares e destruíres, para arruinares e dissipares, para edificares e plantares." (Jeremias 1: 9-10)

Aquilo não foi dito a um homem; foi dito a um estado de consciência, um estado de consciência espiritual. Aquele estado de consciência não apenas arranca, mas também planta; ele destrói, mas edifica. A única coisa que é posta abaixo e destruída é um falso conceito, um falso conceito de Deus, um falso conceito de universo, um falso conceito de seu ser e corpo individual: O que é edificado é a conscientização de sua identidade verdadeira – um conhecimento do mundo e de tudo que nele está como realmente são.

Existem estados e estágios de consciência, e ao trabalharmos no mundo humano com nossos recursos humanos, sabedoria humana e força física, estamos vivendo em um estado material e através de um estado material de consciência.

Até a metade do século dezenove, o mundo estava em sua maior parte num estado de consciência material, quando então avançou para um estado mais mental de consciência. Sempre existiram algumas poucas pessoas que em certa extensão conheciam o reino mental – os artistas, escritores e visionários de todas as épocas. Quando o poder da mente atraiu em grande escala a atenção do mundo, durante a metade do último século, o mundo parecia estar pronto para avançar a um estado mental de consciência e passou a realizar mentalmente aquilo que antes era feito fisicamente. Em outras palavras, as curas do corpo que antes eram realizadas por remédios, ervas e ataduras, passaram a ser feitas por “pensamentos”, por sugestões mentais, e às vezes até mesmo por auto-sugestão. Vieram todos os tipos de tratamentos mentais, desde o hipnotismo até as mais leves formas de sugestão ou auto-sugestão.


O ESTADO MÍSTICO DE CONSCIÊNCIA

Através de todas as épocas, tem sido conhecido que além do material e mental, existe um terceiro tipo mais elevado de consciência, a consciência espiritual, atingida pelos místicos do mundo, por aqueles que conscientemente encontraram sua unidade com Deus. O misticismo é todo ensinamento ou religião que conhece a possibilidade de haver uma união consciente com Deus. Em seu sentido correto, o misticismo reconhece a capacidade de se receber, sem benefício ou ajuda externa, a comunicação com Deus, de comungar com Deus e receber diretamente Sua orientação. Nada há de oculto ou de misterioso no misticismo. Corretamente compreendido, o misticismo é a linguagem de todos os ensinamentos metafísicos, pois trata da unidade consciente com Deus.

O estado místico da consciência – consciente unidade com Deus – é o estado mais elevado que existe. Nele, a mente consciente que pensa apenas funciona como veículo da mente divina, da Sabedoria universal, que Se individualiza como sua e como minha mente.

Assemelha-se a um artista, que em momentos de elevada inspiração concebe um quadro de rara beleza: logo ele irá cristalizar aquela visão em uma tela, com a ajuda não apenas de suas mãos, mas também de sua mente humana, através de seus conhecimentos de cor, perspectiva e técnica de pintura. Com toda a sua habilidade ele executaria a ideia oriunda de sua percepção do infinito sentido espiritual do ser.

Da mesma forma, o tom, a melodia ou a harmonia que um compositor incorpora em seu trabalho também tem sua origem no Infinito, na Consciência universal, que Se individualiza como a obra deste compositor. Porém tal músico teria que fazer uso dos seus conhecimentos de teoria e harmonia musical, obtidos por ele individualmente, e através da mente humana teria de traduzir sua ideia na forma de uma peça musical, possível de ser executada por algum artista habilidoso na arte do instrumento musical pretendido.

O maior místico de todos os tempo foi João, o discípulo predileto. Foi quem escreveu: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós” (João 1: 14). O verdadeiro místico não é um visionário no sentido de considerar algo impraticável, e este ensinamento não é o de um visionário que se põe sentado, com a cabeça nas nuvens. Aquilo pode ser permitido e ter a sua importância, desde que enquanto a cabeça estiver nas nuvens, seus pés fiquem firmemente plantados no chão, isto é, embora pareça algo intangível ou visionário para os sentidos, torna-se tangível como forma e demonstração.

Neste estado espiritual de consciência você não apenas sonha, mas tem visões e recebe ideias. Você não fala delas aos homens comuns, porque “o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entende-las, porque elas se discernem espiritualmente” (I Coríntios 2: 14). É melhor retê-las na própria consciência, sempre trabalhando no seu desenvolvimento, até finalmente você receber a prova de que o Verbo se fez carne. Ele se torna tangível; Ele se torna visível; Ele habita entre nós como demonstração. No Caminho Infinito da vida, nós sempre estamos nos empenhando na aquisição de maior compreensão espiritual, e caminhando nessa direção, observamos como ela se torna tangível e visível em nossa experiência.

Ver espiritualmente é bem diferente de ver psiquicamente. Quando nos tornamos conscientes de experiência psíquicas, tais como ver cores ou ter visões, mesmo que elas possam ter alguma aplicação em nossa experiência humana, isto é, que possam ser usadas como profecia ou aviso, ou mesmo como orientação, lembre-se de que elas pertencem inteiramente ao nível psíquico ou mental da consciência. Esse tipo de experiência psíquica em nada se relaciona com o mundo do Espírito. Na literatura espiritual você nunca encontrará alguma referência a elas como sendo de natureza espiritual. Somente na literatura psíquica ou ocultista é que encontramos referências àquelas experiências.


O UNIVERSO “REAL” E O “IRREAL”

Ao nos iniciarmos na metafísica aprendemos sobre o “mundo real” e o “mundo irreal”, sobre o “homem real” e o “homem irreal”. Por enquanto pode ser necessário fazermos esta distinção entre o que aparece a nós como um mortal (um ser humano) e o tipo ideal de homem, que chamamos homem-Cristo, o mais elevado ideal de ser individual que pode ser concebido.

Quando estamos neste caminho como neófitos ou mesmo iniciados, podemos fazer aquela distinção e falar em termos de “realidade”, “homem real” ou “universo irreal”. Jesus disse: “O meu reino não é deste mundo” (João 18:36). Isto poderia dar-nos a entender que existem dois mundos, mas é somente um meio temporário destinado a separar o nosso pensamento da crença de que o ser humano mortal, pecador ou doente, é creação de Deus. Assim, no início de nosso estudo e prática, seremos capazes de olhar para esse mundo humano e dizer: “Obrigado, Pai. Eu sei que isto não é obra de Suas mãos!”

De fato, Deus nunca creou aquilo que vemos, pois o que nos é visível não é realmente o que está naquele local. O que vemos é apenas um conceito que temos daquilo que ali se encontra, e esse conceito nada tem a ver com a creação de Deus. Tal conceito se baseia em nossa bagagem cultural, em fatores hereditários e em nossas experiências humanas na vida. Por exemplo, se alguém tiver sido roubado algumas vezes, não confiará mais em nenhuma pessoa, ou se tiver sido enganada repetidamente, não acreditará mais em ninguém. Também pode ocorrer o extremo oposto: a pessoa que tenha conhecido somente pessoas de integridade, nunca pensará na possibilidade de existir a desonestidade ou existirem pessoas que intencionalmente prejudicam os outros. Em ambos os casos os conceitos mantidos por aquelas pessoas foram consequência do ambiente e experiência por que passaram.

O mesmo se aplica a cada um de nós. Os conceitos que mantemos do mundo e de tudo que nele existe são moldados pelo meio-ambiente, pelas influências hereditárias e pela educação que tivemos. Todos esses fatores contribuem na formação dos conceitos que retemos do universo.

O quadro que temos à frente, do bem e do mal humanos, é este o mundo “irreal” sobre o qual ouvimos falar em metafísica, e que a maioria dos metafísicos interpreta como um mundo que não existe, ou como um homem que não existe e que não é o homem-Cristo. Isto não é verdade. A única irrealidade sobre este universo e sobre o homem que estamos vendo é somente o nosso conceito, e não aquilo que realmente lá se encontra.

Neste período em que avançamos do humano ao divino, um aprendizado que precisaremos conseguir para prosseguirmos em nosso desenvolvimento espiritual será o da conscientização de que aquilo testificado pelos cinco sentidos físicos não é realidade. Por esse motivo é que encontramos na literatura metafísica os temos “mundo real” e “mundo irreal, “homem real” e “homem irreal”, homem material e homem espiritual.


O HOMEM ESPIRITUAL E O UNIVERSO ESPIRITUAL ESTÃO AQUI E AGORA

Ao se elevar neste caminho espiritual, você fará uma grande descoberta. Você próprio é aquele homem espiritual, e exatamente aqui e agora é o universo espiritual: para alcança-lo você não precisará nem morrer e nem mesmo tornar-se alguém que você já não seja agora. A única coisa necessária é abandonar os falsos modelos da humanidade, os medos infundados e a ignorância da existência de um Princípio que a tudo governa.

Não temos de nos tornar algum outro além do que já somos a fim de recebermos a orientação divina, a sabedoria divina, a proteção divina e o suprimento divino. O porque disso é que tão logo nós relaxamos o pensamento humano, isto é, os pensamentos de medo e de dúvida, tão logo aprendemos a soltar a crença num poder separado de Deus e retornamos descontraidamente ao estado natural e normal do ser, passamos ao reconhecimento: “Ah, sim, Deus é!”. E é quando o mundo todo de temores, ansiedades e dúvidas humanas desaparece juntamente com toda necessidade de planejamentos ou programas de caráter humanos.

Não há necessidade alguma de ficar pensando sobre o amanhã, pois a cada minuto de cada dia eu recebo um impulso para fazer o que deve ser feito naquele momento. Nenhuma obstrução existe, pois nada há em meu pensamento que possa barrar o fluxo desse Impulso divino. Não há hesitação ou indecisão, já que não existe nenhum sentimento de que eu tenha de realizar algo através de minha ingenuidade humana. Portanto, com esta conscientização, eu me torno uma transparência para o Impulso divino, e Ele mantém todo o desenvolvimento através do tempo.

Tendo esta conscientização, atingimos um conhecimento mais profundo do plano divino para o mundo e desta forma ficamos relaxados, depositando nele toda a nossa confiança.

O mesmo se aplica às suas atividades, no lar e nos negócios do mundo. No estágio onde, pela metafísica, você é denominado “homem humano” ou “homem pensante”, muito do seu tempo é perdido no planejamento de cada dia, em preocupações sobre o que irá fazer no ano seguinte, ou sobre o que deveria ser feito com relação a isto ou aquilo em seu mundo pessoal. Este é o estado ou estágio de consciência em que você é um mortal, um ser humano. Mas através da metafísica, você aprende que há um “homem real” e passa a erguer imediatamente um ideal, visualizando Jesus Cristo, ou alguma outra pessoa, ou visualizando a si próprio se aproximando daquele estado de espiritualidade e divindade atribuído ao homem real. Isto, por algum tempo, atenderá seu objetivo dando-lhe um ideal em cuja direção irá caminhar.

Mas queremos lembra-lo que durante todo o tempo você é aquele homem ideal, e tudo que é necessário para trazer este homem à manifestação é a sua conscientização de que existe um Princípio divino operando no universo. No instante em que aquilo for percebido, você ficará descontraído, soltando tudo o que constituía a sua humanidade – suas preocupações, receios, dúvidas, ansiedades, medos e planejamentos. E ao mesmo tempo em que o falso senso de humanidade se vai, você passa a descobrir a si mesmo como sendo aquele homem espiritual, aquele homem real, aquele homem que você estava tentando se tornar.

Você não chegará ao reino dos céus enquanto não começar a perceber que já é agora aquele homem espiritual, aquele homem que está agora no paraíso, sob regra e jurisdição divina. Aprenda mais e mais relaxar e deixar que aquela lei se torne visível em sua experiência, operante em sua vida. Você não irá nunca ser transformado em outro homem; mas pelos ensinamentos, estudos, pela prece e meditação, fará desenvolver uma elevada consciência da verdade: será o mesmo homem, porém sem as suas antigas limitações humanas.

Estou considerando tudo isso para deixar clara a resposta sobre a diferença entre a visão psíquica e a visão espiritual, pois uma vez atingida a conscientização de que exatamente aqui e agora você é um ser espiritual que é a própria manifestação de tudo que Deus é, então você deixará de lado todo o mundo psíquico com suas visões, cores, ou desejos de ver algo de qualquer natureza.


A VISÃO ESPIRITUAL

A verdade é que você tem sido sempre aquele “homem real”, embora não tivesse a consciência desse fato. Mas quando aquele momento de consciência vier, você olhará para este mundo e perceberá:

"Este é o mundo que Deus creou; este é ele. A mente humana não o está vendo como ele é, mas apesar disso, este é ele. A mente humana não me vê como eu sou, mas eu sou Ele (soham). Se olhar para o espelho e tentar encontra-Lo, eu não serei capaz de vê-Lo, pois novamente estaria tentando localizá-Lo. Estaria novamente olhando para um conceito e tentando encontra-Lo, aquele que está aqui como a própria presença de meu ser. Como poderia ser eu algum outro além do que Eu sou? E aquele Eu é a manifestação de tudo que Deus é: Aquele Eu é o Cristo, e Eu sou Ele. Neste momento de conscientização, eu encontro-me relaxado, e Eu sou Ele."

Esta é a razão pela qual no início de seu ministério Jesus falava somente do Pai interior, negando a sua humanidade. “Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma... a minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou.” Ele proclamava que aquilo que o mundo via como um ser humano não era, em si ou de si mesmo, a realidade do ser, mas apenas o veículo ou transparência através do que o ser real era manifestado.

Mas como encerrou Jesus o seu ministério? “Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o pai... Eu e o Pai somos um.” (João 14:9; 10:30). Nesta visão final, ele contou a eles a verdade total: despojado dos temores e ansiedades humanos, dos traçados e planejamentos humanos, o Eu que eu sou é aquele próprio Ser espiritual.

Tem sido dito que a mais elevada concepção é aquela que permite o olhar de frente a face do diabo e ver somente a face de Deus. Este estado espiritual está muito acima do mental ou psíquico, e é o estado que nos possibilita a olhar a cada homem e mulher do mundo e dizer: “Eu estou olhando a face de Deus”. Você somente conseguirá realizar isto quando sua própria consciência estiver despida de desejos, quando você não desejar mais nada dos outros, quando você puder olhar para o mundo sem aspirações, luxúria, animalidade, ódio ou medo. Você será a mesma pessoa que há vinte e cinco anos poderia ter olhado para o mundo e visto alguém a quem cobiçasse ou alguém que lhe causasse medo, mas agora você a olharia dizendo: “Eu vejo a face de Deus!”. Percebeu o que eu quis dizer? Não há dois de você. Há apenas um, e Eu sou aquele um.

Mas você é aquele um somente na proporção em que tiver crescido através de todos esses ensinamentos espirituais ao lugar que poderá olhar para o mundo sem desejar algo, ou sem cobiçar as coisas carnais, sabendo que na realidade de seu próprio ser a realização de Deus é feita manifesta, e que tudo que lhe for necessário tornar-se-á manifesto no momento adequado. Seja dinheiro, companhia, transporte – ou qualquer outra necessidade – Deus dá expressão a Si mesmo como ser individual, como o meu ser individual e como o seu ser individual. Ao assimilarmos isto, estaremos de posse da mais elevada revelação da verdade espiritual. Não existe céu e terra; não existe Deus e homem; não existe ser espiritual e ser material. Existe somente um, e Eu sou Ele.

O Mestre do Cristianismo nos deu dois grandes ensinamentos:

1) Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo. (Lucas 10:27)

2) Se alguém diz: Eu amo a Deus, e aborrece a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? (I João 4:20)

Se nós não amarmos ao homem a quem podemos ver, como iremos amar a Deus que nós não vemos, se Deus e homem são um? Ao senso finito, que vê através de limitada visão, é verdade que Deus é invisível; mas uma vez atingido este elevado estado, esta elevada realização do ser espiritual, passamos a olhar para o mundo e ver cada pessoa, cada circunstância e cada condição como sendo Deus aparecendo, e então Deus se torna visível para nós. Até que tenhamos atingido aquele estado, contudo, Deus será invisível para nós, porque para honrarmos a Deus, o Invisível Infinito, nós devemos honrar ao homem com Deus feito manifesto de forma visível.


GRATIDÃO

Como nós amamos a um indivíduo? Precisamos compreender a individualidade como sendo Deus, compreender que Deus é o ser individual – e a única individualidade que há. Tal individualidade aparece infinitamente, e ela surge como o seu eu individual e como o meu eu individual. Portanto, ao honrar e respeitar o indivíduo, estaremos cultuando Deus.

Eis o porque de eu vir dizendo que o primeiro dever do discípulo ou estudante é o da gratidão. A gratidão deve ser expressada tangivelmente, e isto não pode ser feito num plano abstrato. Portanto ela precisa ser expressada a um indivíduo. Somente expressando gratidão a um indivíduo, estará você expressando gratidão à individualidade de Deus numa de suas formas. Você estará reconhecendo a Deus como a origem daquilo pelo que você está agradecido.

Nunca deveríamos dar ou receber dinheiro, tomar algum alimento ou bebida, sem que houvesse um momento de reconhecimento e de gratidão àquela infinita Fonte que também é a Fonte de nosso ser. Se isso, porém, for feito, mas falharmos em sermos igualmente gratos ao indivíduo pelo qual o bem vem a nós, a nossa gratidão ficaria no plano do abstrato. Estaríamos com a cabeça nas nuvens sem manter os nossos pés no chão.

Há diversas maneiras ou formas para expressarmos gratidão a um indivíduo. Uma delas, naturalmente, é através do dinheiro; uma outra é pelo reconhecimento. Reconheçamos a parte que cada um de nós toca na vida das outras pessoas e sejamos desejosos de fazer com que nossa gratidão flua a elas em alguma forma tangível. Poderia ser em forma de serviço, em forma de palavra falada ou mesmo em forma de dinheiro. Qualquer forma que seja, ela deve acontecer, deve ser expressada, e deve ser expressada a um indivíduo a fim de ser ofertada a Deus, pois Deus aparece a cada um de nós como o indivíduo.

Omar Khayyam teve a visão correta ao dizer: “O paraíso é uma visualização dos desejos realizados”, e você e eu estamos no paraíso no exato momento em que sentimos estarmos vivendo a vida para a qual fomos trazidos para viver, e nós sabemos quando aquilo está acontecendo pelo sentimento de retidão existente em nossas vidas. Não há alegria real na realização de um trabalho que não gostamos, mas quando amamos o nosso trabalho, não vemos a hora de executá-lo. Naquele senso de retidão nós encontramos o nosso céu, a nossa harmonia. Omar Khayyam teve esta mesma visão quando escreveu: “Um pedaço de pão, um copo de vinho, e você”. Naquela simples experiência de uma companhia humana, naquele preenchimento das necessidades físicas de alimento e bebida, ele via um senso de felicidade, um senso de paz e de contentamento. Era uma visão mística, não contendo maior sensualidade do que o Cântico de Salomão. Era algo espiritual, traduzido à linguagem cotidiana da experiência humana.

Se eliminássemos aquela experiência humana de todos os dias, como iríamos poder experimentar aquela coisa transcendental chamada felicidade ou paz mental? Não, é justamente nessa vida comum de todo dia, nos simples e pequenos gestos de cortesia, bondade, estima, gratidão, ajuda e cooperação, que nós por fim encontramos nossa paz espiritual. Somente nessas pequenas coisas humanas de lugar comum, nesses relacionamentos humanos, iremos por fim encontrar a nossa paz espiritual e a divindade do nosso ser.


ATINGINDO A CONSCIÊNCIA ESPIRITUAL

É preciso que nós acabemos com o mistério do “homem real” e do “universo real” para conscientizarmos que este é o paraíso, exatamente aqui e agora. Se não estamos encontrando o paraíso aqui, isto não significa que existe algum outro mundo que devemos procurar ou que existe algum outro homem no qual devemos nos tornar. Precisamos somente relaxar a nossa humanidade, despindo-nos dos temores, preocupações e dúvidas de natureza humana. Mas isso não pode ser feito simplesmente com o poder de nossa vontade. Só há um meio de se perder o senso humano ou mortal de existência, e é estarmos conscientes de uma Presença que nós conhecemos e compreendemos ser Deus. Aquela consciência é atingida através de nossa receptividade, através de meditação e ponderação das verdades da Escritura ou da literatura espiritual.

Não se trata de afirmar ou negar algo até que uma verdade seja memorizada e enraizada na mente humana. Trata-se de um ponderar suave, calmo e pacífico dessas verdades espirituais até elas serem absorvidas de forma a se tornarem parte de nossa consciência. Assim, nós adquirimos a convicção da presença de Deus; experimentamos e sentimos realmente aquela Presença, perdemos todo o falso senso humano, aquele senso humano negativo, e nos encontramos numa condição considerada pelo mundo como um estado de boa humanidade, mas que na realidade não se trata daquilo, absolutamente: trata-se da divindade do nosso próprio ser, feita manifesta. Tal divindade apresenta-se como você e eu, individualmente – o Verbo se torna carne e habita entre nós, e aquele Verbo se faz carne como você e como eu.

Observe que não é nossa intenção tentar destruir ou mesmo inativar a mente humana. O nosso esforço está voltado na direção de nos tornarmos cônscios da verdade espiritual; nós tentamos adquirir a consciência da paz, quando então a mente humana passará a ser o que lhe fora destinado a ser originariamente – um veículo de nossa sabedoria e conhecimento. De forma similar, nosso corpo não desaparecerá em virtude do atingimento da consciência espiritual, mas atuará como era pretendido inicialmente, ou seja, como veículo de nossa expressão individual.

"Antes que eu te formasse no ventre de tua mãe, te conheci; e, antes que tu saísses do teu seio, te santifiquei e te estabeleci profeta entre as nações" (Jeremias 1: 5).

Conscientize-se, agora, de que antes da concepção deve ter havido uma consciência que a causou, uma consciência que formou o seu corpo. Nós, como pais, não poderíamos formar um corpo nem para nossos próprios filhos, embora possamos ser veículos através dos quais aquilo pode ser feito. Uma consciência formou aquilo que somos. E esta só poderia ser a Consciência divina, que nos formou conforme os Seus padrões, e que nos mantém e sustém sob custódia. O que vem ocorrendo, no transcorrer desses anos todos, é que temos assumido toda a responsabilidade de nossos trabalhos, esquecidos de que aquilo que nos formou como seres individuais, dando-nos forma e corpo, e que aparece ao mundo como creação, foi um estado de consciência executante de um plano eterno. Portanto, o que foi formado é homem espiritual.

“E te estabeleci profeta entre as nações.” A consciência que o formou, formou-o como uma entidade espiritual, como um profeta, ou como um estado perfeito de consciência.

"Não digas: Sou um menino; porquanto a tudo o que te enviar irás, e dirás tudo o que eu mandar" (Jeremias 1: 7).

Em outras palavras, há sempre esta consciência infinita, eterna, imortal e espiritual, que age, fala e desempenha como sendo você. Nós é que nos mantínhamos separados d’Ela, assumindo todo o trabalho como quis fazer o filho pródigo. Mas, através deste ensinamento, estamos retornando ao Pai-consciência e começando a nos conscientizar: “Ora, eu sou aquele profeta, eu sou aquele vidente espiritual perfeito.”.

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