"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

quinta-feira, junho 21, 2018

"Buscar-Me-eis, e Me encontrareis..."

 - Núcleo - 


Divinos personagens!

Permitam-me compartilhar percepções advindas destas palavras divinas:

"E então Me invocareis, e ireis, e passareis a orar a Mim, e Eu vos ouvirei. Buscar-Me-eis, e Me encontrareis quando Me buscardes de todo o vosso coração. Serei achado de vós, diz o SENHOR, e farei mudar a vossa sorte." (Jr. 29: 12-14)

Quando o homem (a mente humana) ora a Deus (a Consciência do Ser) ativa-se a “percepção” de que apenas Deus, a Consciência do Ser, é real. A oração correta é aquela que conduz o homem à percepção de que Deus é a única verdade; Ele é a “realidade do Ser”. Enquanto nos identificamos como “seres humanos” estamos inconscientes de nossa “filiação divina”. Para sabermos quem realmente somos devemos orar a Deus, sem cessar. Deus é onipresente e pode nos ouvir em qualquer situação. Não é preciso estarmos inativos para estarmos orando, em plena comunhão com Deus. As atividades físicas e mentais não excluem a possibilidade de estarmos “despertos para a realidade divina”, conscientes de que Deus é presença constante em nossas vidas; de que existimos, vivemos e nos movemos em Deus, pois Ele é a verdade, nós somos o que imaginamos estar sendo.

O “mergulho em Deus”, a imersão na realidade divina de nossa existência é realizada pela oração, uma atitude de entrega absoluta de nossas vidas a Deus, com a certeza, a confiança inabalável de que Deus sabe o que faz!

Assim, para “encontrarmos” Deus, para percebermos a presença de Deus em nossas vidas, devemos “buscar a Deus de todo o nosso coração”; Ao invés de nos preocuparmos com nossas vidas, com o que haveremos de vestir ou de comer, devemos passar a orar sem cessar, a invocar Deus, até sermos “achados do Senhor”! Sim, há um momento sublime em que Deus se revela a nós na oração, e em que todos os pensamentos cessam. É um momento de pura percepção, no qual desvela-se a realidade de que Deus é o único Ser Real, a única Consciência, na qual há plena perfeição.

No evangelho de João há uma revelação: “No início era o Verbo; o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”. Ainda é assim! O Verbo continua sendo Deus. O Verbo é a “consciência divina”! Jesus estava consciente de sua “identidade divina”. Assim, além de se identificar como sendo o “filho do homem” ele também se identificava como sendo “filho de Deus”. Humanamente todos somos filhos do homem, e todos os filhos do homem que estão conscientes de sua identidade espiritual são “filhos de Deus”.

Para nos tornarmos conscientes de que somos “filhos de Deus” devemos “nascer novamente”. Não se trata de um novo nascimento físico, mas, de um nascimento espiritual, pois, “todo aquele que nasce da carne é carne, mas o que nasce do Espírito é Espírito”. Nesse “novo nascimento” nossa vida já não é a vida do personagem, da pessoa que estamos sendo, mas sim, a Vida de Deus que está Se expressando através de nós e como nós. A partir desse “novo nascimento”, espiritual, nos tornamos conscientes de que não somos nós que vivemos, mas sim, Cristo é quem vive em nós! Cristo é o Verbo, a “consciência divina” em nós. Ninguém chega a Deus senão através desse “nascimento”, que revela essa “consciência divina”. Nascendo em espírito nos tornamos conscientes dessa “filiação divina”, de que somos a “imagem e semelhança” de Deus, e temos a Vida eterna.

Desperte a percepção da “consciência divina”, a percepção consciencial. Observe essas instruções e perceba como se trata de uma real revelação:

“E então Me invocareis, e ireis, e passareis a orar a Mim, ..."
Então, Invoque a Deus, vá em frente e passe a orar!

“e Eu vos ouvirei.”
Sim, Deus é real! Esta “consciência divina” em você é real, e te ouvirá!

“Buscar-Me-eis, e Me encontrareis quando Me buscardes de todo o vosso coração.”
Veja! É uma promessa divina, de que Ele será encontrado quando orares !

“Serei achado de vós, diz o SENHOR”
A vitória é certa! O próprio Senhor o confirma! Nada mais é necessário!

“e farei mudar a vossa sorte."
A quem chegou até aqui, e percebe “a revelação”, a sorte já está mudada!

Estarmos unido a Deus é nos mantermos despertos consciencialmente. Sejamos "fiéis" a essa nova e eterna aliança "não feita por mãos humanas".

Que o homem (a percepção mental humana) não separe o que Deus (a Consciência do Ser) uniu. Esta separação ocorre no exato momento em que ativamos a percepção mental e "julgamos". Julgar significa valorar mentalmente algo como bom ou mau, certo ou errado. Apenas desfrutemos o universo de Deus onde realmente habitamos.

Estarmos "casados" ou "em união com o divino" é estarmos conscientes de que vivemos num universo espiritual, puramente consciencial, no qual a atividade de Deus pode ser percebida em cada movimento, em cada acontecimento, em cada momento e em todas as formas. Nossa real identidade é a de Filhos do Altíssimo. Mantenhamo-nos nesta percepção, nesse estado consciente de eterna união com o divino! Esse é o casamento espiritual da aparência (o personagem que estamos sendo) com a essência ( o Ser que realmente somos).

Mantenhamo-nos todos na Presença, sempre fiéis à nossa "aliança com Deus"!

Saudações e que a paz seja com todos!




segunda-feira, junho 18, 2018

A divindade representando papéis

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- Núcleo - 


No texto anterior está expresso que “Tudo o que está sendo percebido é a divindade representando papéis”

Poderia surgir a dúvida: “Se a divindade representa todos os papeis, como é possível que Deus, sendo Amor, represente o papel de animais ferozes e até de seres humanos que agem como se fossem autênticas feras?”

A resposta está na própria pergunta na qual se depreende que se trata de uma representação, e que o ator divino sabe que nada de real está de fato acontecendo, a não ser no contexto da própria representação cujo realismo é convincente para a percepção das mentes dos próprios personagens que estão nela inseridos e que se identificam totalmente com quem estão sendo. 

A identificação do ator divino com quem Ele “está sendo” (ou seja, com o “personagem” que “está representando”) se dá através da percepção da “mente do próprio personagem” que está representando, e não pela “percepção da Consciência do Ser”, dAquele que em realidade ele É.

A esse respeito importa observar que nem sempre o ator está representando um personagem inconsciente de sua real identidade! Basta que na representação o personagem passe a se ver através da percepção consciencial, ou seja, com a percepção da Consciência do ator divino, e a real identidade do personagem se desvelará ao próprio personagem. É o que acontece com os “personagens despertos”, aqueles que mesmo ainda estando na Representação não fazem a identificação através da mente dos personagens que estão sendo, mas sim, com a Consciência do Ser Real. Na linguagem dos primeiros cristãos isso assim foi expresso: 

Já estou crucificado com Cristo [a identificação com a vida do personagem ou com o ego humano através da mente do personagem que estive representando, inconsciente do Ator que vive em mim foi transcendida]; e vivo, não mais eu [o personagem], mas Cristo [o Ator] vive em mime a vida que agora vivo na carne [a vida do meu personagem] vivo-a na fé no filho de Deus [vivo na percepção do Ator divino], o qual me amou {verdadeiramente com o Amor do Cristo, do Ator], e [na representação divina] se entregou a si mesmo por mim.” 

E nesse ponto importa também observar que nem sempre o ator divino está representando um personagem inconsciente de sua real identidade mesmo estando na representação divina como um animal!

É o que é revelado nas escrituras védicas na qual a divindade esteve na representação divina consciente de sua própria identidade por exemplo como Peixe [Matsya], Tartaruga [Kurma], Javali [Varaha], Homem–Leão [Nara-Simha], Elefante [Ganesha], Macaco [Hanuman]...

Contudo, quando a identificação do personagem é feita pela mente do próprio personagem, todo o tipo de atitude desumana e inconsequente é possível, porque neste caso os "divinos personagens" permanecem inconscientes de sua real identidade e “não sabem o que fazem”.

Assim, está escrito que: Apesar de tudo, Jesus dizia: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que estão fazendo!” Lucas 23: 33

Por outro lado, por ser a própria divindade representando, por vezes podem alguns “divinos personagens” surpreender e revelar a Consciência do Ator!

Essa foi a percepção consciencial compartilhada por Jesus, como está escrito: 

“Naquele mesmo momento, Jesus exultando no Espírito Santo [desfrutando a percepção consciencial] exclamou [compartilhou com esta ênfase]: “Ó Pai, Senhor do céu e da terra! [Senhor da Realidade Divina – céu - e da Representação – terra] Louvo a ti, pois ocultaste estas verdades dos [divinos personagens] sábios e cultos e as revelaste aos pequeninos [divinos personagens que aparentemente sem conhecimento algum da vida manifestam percepções conscienciais]. Amém, ó Pai, porque Tu tiveste a alegria de proceder assim.” (Lucas 10: 21)

Por isso é compartilhada aqui uma vez mais a percepção de que subjacente a todos os divinos personagens é apenas, e sempre, o Mestre Quem se percebe a Si mesmo!

Por ser assim, com esta mesma percepção da Consciência do Ser Pedro a compartilhou dizendo que: “Na verdade reconheço que Deus não faz acepção de pessoas”. (Atos 10: 34)

É o que Aquele presente em Pedro, em você, em mim e em todos os “divinos personagens” me faz perceber, desfrutar esta percepção, e compartilhá-la.

Por isso é dito: Percebam, desfrutem essa percepção divina e a compartilhem!

A paz seja com todos!


quinta-feira, junho 14, 2018

O Mestre

- Núcleo - 


O Mestre se percebe a Si mesmo!

Só o Ser é real. O personagem é o próprio Ser representando. Quando o Mestre escolhe estar Se identificando com a representação, então surgem os personagens. Ele percebe a Si mesmo encenando. O Mestre está plenamente consciente de sua personificação como cada personagem.

Quando um personagem está à procura do Mestre, eis o Mestre! É o Mestre representando divinamente o papel de um personagem à procura do Mestre! Sua representação é tão divina que o personagem acredita ser o personagem, e certamente encontrará o Mestre. Sim, todos encontrarão o Mestre, porque já são Quem buscam, e perceberão a real identidade de Si mesmos. Quando esta percepção ocorre a um personagem, a representação continua no papel de muitos outros personagens.

Tudo o que está sendo percebido é a divindade representando papéis.

Sempre que um personagem percebe sua real identidade ele, sabendo ser Quem é, pode escolher permanecer no cenário em silêncio ou compartilhar sua percepção com os personagens que representam papéis de buscadores espirituais ou mesmo outros papéis. É isto que estamos fazendo no Núcleo. Estamos compartilhando a percepção de Quem somos, para que outros personagens saibam que é possível ter esta percepção e que continuem suas representações, mas já não mais inconscientes de sua unidade com o Ser, com a Vida, com Deus e suas incontáveis manifestações.

Há uma unidade essencial entre personagem e Ser que se revela por uma especial percepção que, uma vez sintonizada, revela toda a graça da criação divina! Esta é a real visão do Mestre, daquele que percebe, e que, por estar percebendo, sabe Quem percebe! Daquele que está representando e que, por estar percebendo que está representando, sabe Quem representa! Daquele que está vivendo o presente e que, por estar percebendo que está vivendo o presente, sabe Quem está vivendo o presente!

A Consciência de Quem faz é a percepção do Mestre a ser compartilhada. O “Mestre” é a Consciência do Ser; é Quem nos faz perceber o que disse o Mestre: “Eu de mim nada posso, o Pai em mim é Quem realiza as obras.”

Meditem sobre esta revelação. Estejam sintonizados no Ser, “in Theos”, desfrutem esta percepção e quando souberem que devem, compartilhem.

segunda-feira, junho 11, 2018

É Cristo Quem vive em Mim

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Divinos Amigos,

Em que consiste os ensinamentos dos Mestres, sábios, videntes e Iluminados de todos os tempos?

Em Percepções!

Eles as tiveram e as compartilharam.

Eles perceberam que há uma Realidade além deste mundo visível pelos cinco sentidos. E tendo percebido que este mundo dos sentidos não é a Realidade, compartilharam suas Percepções. E assim fizeram porque as tribulações deste mundo (para os que se percebem como sendo seres deste mundo) são vivenciadas como algo real.

Assim, Buda compartilhou a Percepção da irrealidade dos fenômenos de nascimento, envelhecimento, doença e morte. No Núcleo é dito que estes são acontecimentos que ocorrem na Representação. Na Realidade não há isso. 

O ensinamento de Buda revela a visão transcendente da vida humana como sendo em realidade a Vida de Deus. A Percepção de que vivemos, não uma vida humana isolada de Deus, mas a própria Vida de Deus, nos faz conscientes de que na Realidade somos seres eternos e não sujeitos a nascimento, envelhecimento, doença e morte.

Esse é o cerne da Percepção compartilhada pelos que passaram na Representação pela experiência de Iluminação. Notem que a experiência de Iluminação ocorre na Representação. Esse acontecimento na Representação não altera o que na Realidade todos JÁ são! Jesus compartilhou essa Percepção ao responder a aqueles que o viam apenas como um homem e lhe questionaram: "Você ainda não tem cinquenta anos e conheceu nosso pai Abraão?". Ao que Jesus respondeu: "Antes que Abraão existisse EU SOU." O significado disso é que Abraão, como todos os "personagens", existem na Representação. Nessa passagem Jesus compartilha a Percepção de que Ele é QUEM É, na Realidade! Ou seja, antes que houvesse "mundo fenomênico", dualidade, Representação, AQUELE que É sempre É. A Percepção dAquele que sabe ser sempre o mesmo e único EU é: EU SOU.

Assim, aqueles que na Representação passaram pela experiência de Iluminação compartilharam a Percepção de que suas vidas são na Realidade a própria Vida de Deus. Eles perceberam que não há outra Vida senão a própria Vida de Deus. Por isso seus ensinamentos são tidos como "religiões", porque eles nos religam. Assim em torno do ensinamento destes Mestres - Buda, Krishna, Cristo - surgiram as grandes religiões da humanidade. Esses ensinamentos nos religam a nós mesmos, à nossa própria Essência e Realidade Divina. O essencial é Perceber que esses ensinamentos sempre apontam que há algo em nós que nos proporciona esse religar. Esse algo em nós é chamado por Jesus de "Justiça". Jesus enfatizou que devemos procurar em primeiro lugar o Reino de Deus e "Sua Justiça"!

As pessoas citam essa passagem bíblica de que "devemos procurar em primeiro lugar o Reino de Deus" mas nem sempre dão ênfase ao complemento "e Sua Justiça", que é o cerne do ensinamento Divino! Fazer-nos conscientes de que o CAMINHO é interno, pois, o Reino de Deus está dentro de nós (que é onde devemos buscá-lo), é a direção. Mas estando nesse Caminho interno, a meta, a finalidade da busca, é realizar a Justiça de Deus! Este é o parâmetro que devemos nos conscientizar e usar para conhecer a Verdade; é a "Visão Justa", a "Visão Divina" de todas as coisas.

Esclarecendo sobre essa "Visão Justa", essa medida interna de Percepção, há uma passagem bíblica que diz: "Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da vossa mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus." Aqui há uma contraposição entre o "padrão deste mundo", pelo qual a mente é velada pelos cinco sentidos; e a "Justiça Divina", o parâmetro interno que produz uma renovação mental e nos faz "capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus." Essa Visão Divina, que é o parâmetro interior a ser usado para desvelar o Real, é a Visão a ser alcançada chamada por Jesus de "Justiça". Masaharu Taniguchi a descreve como sendo um despertar para a Imagem Verdadeira da Vida e revela o que acontece quando se chega a "isso", a esta Visão iluminada. Ele escreve: “Todos aqueles que despertaram para a Imagem Verdadeira da Vida podem alcançar a conscientização de que eles próprios são personificações do Deus Eterno, ou, em linguagem budista, personificações de Buda, que alcançou a iluminação há tempos imemoriais: podem alcançar um despertar espiritual tão grandioso, que os fará compreender que eles próprios estavam em Jesus Cristo quando ele pregava a Verdade na Judeia, há 2.000 anos; que estavam também em Sakyamuni quando ele pregava a Verdade na Índia, há 3.000 anos; e que estavam com o Criador quando Ele fez surgir o Universo e o colocou em movimento.”

É isso! Este é o ponto! Essa Percepção está em nós! 

Nessa Percepção Divina sabemos que O Mestre está VIVO EM NÓS!

Todos os apóstolos de Jesus que chegaram a este ponto, conduzidos por essa "Justiça", testemunharam e compartilharam a Percepção de que: "Vivo, mas já não sou eu quem vive; é Cristo Quem Vive em Mim." 

Sobre sua elucidação, acima descrita, Masaharu Taniguchi acrescentou: “Outro dia, o Sr. X disse-me que já se sente como Buda."

Notem, o quão sutil e elevado é Masaharu Taniguchi! Ele não enfatiza o personagem, nem sequer cita o nome do "personagem", descrevendo-o apenas como "Senhor X"! Assim é como o Mestre enfatiza que o essencial é a Percepção e não o personagem! Por isso Masaharu Taniguchi objetiva e assertivamente enfatiza a Percepção tida pelo Senhor X, com muita naturalidade, compartilhando o que lhe foi dito pelo Senhor X  sem julgar, dizendo aos ouvintes: “Outro dia, o Sr. X disse-me que já se sente como Buda."

Caro leitor! Que compartilhar DIVINO de Masaharu Taniguchi. Ele poderia falar de si mesmo e de suas tantas Percepções, mas isso só faria com que muitos dissessem: "Ele tem essas Percepções porque ele é o Mestre!"

Mas Masaharu Taniguchi afirma com total naturalidade que o Senhor X tem essa Percepção e já se sente como Buda! 

Jesus enfatizou o mesmo quando disse a Simão: "Simão, isso Quem te revelou não foi carne e sangue, mas meu Pai que está no Céu."

Caro leitor! Da mesma forma, que compartilhar DIVINO foi esse realizado por Jesus Cristo. Ele poderia falar de si mesmo e de suas tantas Percepções como Cristo, mas isso só faria com que muitos dissessem: "Ele tem essas Percepções porque é Jesus Cristo!"

De que adianta seguir um Mestre apenas para concordar com Seus ensinamentos, sentir-se discípulo e seguidor, ou praticante, mas não levá-lo a sério nos pontos em que o Mestre expõe e enfatiza o essencial?

Nenhum Mestre expôs Seus divinos ensinamentos para que servissem apenas de consolo a alguém. Todo ensinamento divino tem em si o poder de produzir uma transformação na vida dos discípulos. O ensinamento de Jesus transformou a vida dos discípulos, que então testemunharam: "Vivo, mas já não sou eu quem vive; é Cristo Quem Vive em Mim."

A própria palavra "transformação" tem em si algo essencial. Atentem bem à palavra transformAÇÃO.

Transformar pela AÇÃO! Por isso no Núcleo é dito: "Não há Percepção sem Ação"! Perceber e não agir significa apenas acreditar. Perceber não é o mesmo que acreditar! Percepção é sinônimo de FÉ. E está escrito: A FÉ sem obras é morta.

A próxima vez que você ler um texto espiritual não sinta apenas que: "acredito neste ensinamento do Mestre". Dê um passo além! Aceite o texto espiritual com "coração de criança" [expressão bíblica] ou seja, aceite com total naturalidade, não como algo vindo de alguém que está no exterior, fora de você, de um Mestre, pois isso apenas fará sua mente concordar com as Palavras do Mestre. E assim que terminar a leitura você voltará a lidar com as tribulações deste mundo; voltará a se ver imerso em um mundo fenomênico...

O que quero enfatizar é que há algo preexistente em nós! Nós não O fizemos! Deus fez Isso! 

Somos Filhos de Deus e estamos todos "destinados" a reconhecer este fato! RE-CONHECER...

Na Representação é conhecer novamente assim como já O conhecíamos..."antes que Abraão existisse..." 

Notem bem! Na Representação este fato aparece como um re-conhecimento; mas na Realidade este fato é uma PERCEPÇÃO, o conhecimento é ALGO JÁ SABIDO! 

Notem que os ensinamentos divinos têm validade atemporal e impessoal e não trazem uma Verdade Nova!

Por isso a ênfase do ensinamento compartilhado no Núcleo é dada à PERCEPÇÃO! Não é dada ênfase a "este" ou "aquele" Mestre, pois todos são "personagens despertos", conscientes de que nossa real identidade é o próprio Ator subjacente ao personagem!     

Quando a ênfase é dada à Percepção estando diante de um Mestre, o que ocorre em nós é algo muito diferente do que se apenas quiséssemos seguir o Mestre. Isso faz com que o Mestre seja PERCEBIDO EM nós! Assim sendo, já não há o sentimento de que existe "um Mestre e nós", mas sim, "o Mestre e Sua manifestação COMO nós"!

Assim os textos são experienciados claramente como a Verdade emergindo em Mim, no Eu que Eu Sou! Nas palavras do apóstolo: Que nos faz "capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus." 

Este é o sentido de compartilhar todos estes textos.

Jesus disse: "Se o mundo vos aborrece, aborreceu a mim também. Neste mundo passarás por tribulações, mas tende bom ânimo, EU venci o mundo!"

Assim, para "vencer o mundo" Jesus revelou: "EU vim para que tenham VIDA e VIDA em abundância!" 

Atentem que é a emergência, o vir à tona, da Percepção deste EU em nós que vence o mundo!

E não há Percepção sem AÇÃO!

O mais paradoxal que acontece quando estamos percebendo e agindo, ou seja, quando estamos agindo pela FÉ, é que temos a total consciência de que Quem está agindo é Deus! É aquele Eu Impessoal. Em relação a isso Jesus compartilhou a seguinte Percepção: "As obras que faço não sou eu quem as realiza; o Pai em Mim é Quem realiza as obras."                 

Quanta clareza nesta revelação de Jesus sobre Quem Faz! No Núcleo é dito: Perceba Quem faz!   

Essa é a Percepção que pode vir a ser desfrutada e compartilhada por todos os "Filhos de Deus"!

Por isso compartilho a Percepção dos discípulos que testemunharam: "É Cristo Quem Vive em Mim!".

É o que Aquele que Vive em Mim [Emanuel, Deus em nós] me faz Perceber, desfrutar e compartilhar.

Namastê.


quarta-feira, junho 06, 2018

"Eu sou Brahman"

 
- Núcleo -


"Mantenha este pensamento em sua mente: 'Eu não sou um simples ser humano, eu sou a personificação da Divindade'. Tenha essa convicção fixada em sua mente e você perceberá essa verdade. É dito: 'O conhecedor de Brahman (Deus) torna-se, verdadeiramente, Brahman' (Brahmavid Brahmaiva Bhavathi). Se você se percebe como Divino, você se torna Divino. Se você se considera um ser humano, você permanecerá assim. Embora sua forma seja a de um ser humano, há o princípio do Atma em você. Para reconhecer esse Atma, você precisa manter seu coração puro e livre de negatividade." (Sathya Sai Baba)


O pensamento acima, expressado por Sai Baba, contém a base do ensinamento do Núcleo. Por isso, quero compartilhá-lo. Permitam-me comentar brevemente duas frases deste texto, muito elucidativas: 

1- "Tenha essa convicção fixada em sua mente e você perceberá essa verdade."

 Destaco: "você perceberá."

Note que não se trata de uma conclusão mental, fruto de raciocínio ou da lógica, mas sim de uma "percepção", uma percepção que não provém da mente humana, mas de uma certeza, uma "firme convicção" de que existe algo além da realidade perceptível pelos cinco sentidos humanos de percepção. Essa "convicção" emerge da Consciência divina em nós. É a percepção consciencial, o escopo do Núcleo, que é a conscientização de que temos essa percepção e que ela deve ser ativada por cada um de nós para que "a verdade" nos seja revelada ou melhor, desvelada!

Observe que a primeira frase completa é esta: "você perceberá essa verdade"  A segunda frase a ser destacada é essa:

2- "Se você se percebe como Divino, você se torna Divino."

Note! "Se você se percebe... você se torna."

Quando se ativa a "percepção consciencial" de imediato desvela-se o Ser Real. O Ser Real é aquilo que realmente somos. Enquanto percebermos a realidade com os cinco sentidos - ou seja, mentalmente -, nos identificaremos como sendo "seres individuais" e separados do Todo; e assim nos veremos como "pessoas", palavra que denota o sentido de "personas", máscaras, ou personagens. Enquanto nos identificarmos mentalmente, nos veremos como sendo "personagens do Ser". Quando ativamos a percepção consciencial, a ilusão causada pelos cinco sentidos se esvai e então percebemos nossa real identidade, percebemos que somos o próprio "Ser Real". Há uma passagem bíblica que revela este acontecimento interno, esta iluminação:

"Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de Ser. Sabemos que, quando Ele Se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque haveremos de vê-Lo como Ele é." (1 JOÃO 3:2)

Amigos, a mesma mensagem tem sido passada desde tempos imemoriais. É a mensagem de que o "Ser Real", o "Espírito Santo", habita em nós; que nossa verdadeira identidade é Divina; de que vivemos no Universo da Consciência do Ser e que estamos representando personagens num teatro divino e que podemos ter a percepção disso, despertando em nós a percepção dessa Consciência do Ser em vez de permanecermos indefinidamente na percepção da mente do personagem que estamos representando. 

Todos são o Cristo! Só há Um Senhor e Ele está na Consciência de cada um e de todos os seres! Há personagens que escolhem manifestar esse Ser, essa Consciência Interna de cada ser. Todo ser humano é antes o Ser, o próprio Ser, escolhendo ser "humano"! Eu Sou o Ser! Não existe outro Ser além de Mim. Só há um Ser, o Ser Real Único.

Mas isto não deve ser apenas "apreendido intelectualmente", mas "percebido". A sutileza, o segredo está em "perceber", não em acreditar ou em concordar com belas palavras ou textos alheios, pois permanecerão sendo apenas isso: "alheios".

A Verdade deve emergir da Consciência Interna, ela se revela como "percepção", não como crença ou concordância. A Verdade expressa por outro personagem, seja ele Jesus, Elias, Eliseu ou Buda devem ser percebidas consciencialmente, é algo essencialmente pessoal e interno.

De nada adianta ler ou compilar textos e textos e mais textos de outrem sem uma certa dose de percepção de que tudo isso se refere a Mim, ao Ser que "Eu Sou". 

Os textos sagrados abordam uma realidade a ser desvelada, uma conscientização a ser feita. A percepção mais elevada é a consciência de que Somos o Ser Real.

Nem por isso precisamos "descartar o personagem". Eu quer ser cada um de nós. E efetivamente está sendo. Podemos viver a vida, a representação do personagem inconscientes de Quem realmente somos, ou podemos desfrutar a "percepção" de que nosso "Eu" real está muito além do que a mente do personagem imagina.

Percebo que sempre que os personagens ativam a percepção consciencial (que já está em cada um), Eu age de forma sobre-humana (além do personagem), e fora das leis ou regras que existem no âmbito da mente. É quando as coisas extraordinárias passam a acontecer. Mas a mente do meu personagem não tem conhecimento de como isso acontece, só sabe que é real, o mistério do que Eu Sou permanece, porque é incomensurável.

A realidade para um personagem como Jesus ou Buda é a realidade para todos os outros personagens porque trata-se de uma "realidade impessoal". A Verdade é sempre impessoal: se vale para um vale para todos.

Se puderem assimilar essas mensagens do Núcleo, vocês presenciarão essa Consciência Se manifestando. E assim tem sido para este personagem, porque este personagem não se interpõe naquilo que Eu quer manifestar ou revelar a todos. É a Consciência do Ser que habita em Mim Se expressando. Este Ser idealizou toda a sequência de eventos a fim de que a mensagem nuclear fosse difundida e, de fato, está sendo. Essa mensagem atemporal faz com que os nossos cálices transbordem, e é por isso que aqui a compartilho. Todos estão sendo convidados a se darem conta (ou seja, de que percebam) Quem realiza as obras.

Seja Um com o Pai que habita em você. Permita que essa Consciência Se expresse através de você e como você. Só assim poderá comprovar que essa Consciência do Ser é a Sua Consciência. Você pode se elevar em Consciência e perceber que você é o próprio Ser Consciente de Quem É; e que este Ser é Único, embora Se manifeste como sendo muitos. Sendo Único só há uma consciência; esta Consciência não pertence ao personagem, é impessoal.

Saúdo a todos os divinos personagens.





segunda-feira, junho 04, 2018

Meditação

- Núcleo -


“Há um mundo bem mais elevado do que o palco da evolução do homem carnal e, se é nele que você adquire verdadeira liberdade, força e independência, deveria sentir maior interesse em se dedicar à descoberta desse mundo, do que se dedicar a um empreendimento desta vida, seja ele qual for.”  [“Caminho que transcende a vida e a morte”, página 90 – Masaharu Taniguchi ]

Masaharu Taniguchi diz que “Cristo denominou esse mundo elevado, onde se obtém a liberdade, força e independência, de Reino do Céu ou Reino de Deus”. Mas ele o chama de mundo da Imagem Verdadeira. E diz: “O mundo da Imagem Verdadeira criado por Deus é perfeito e harmonioso, não existindo qualquer mal. Esse mundo existe aqui, neste momento, mas os cinco sentidos carnais não conseguem percebê-lo. Somente a pessoa que desperta aquilo que poderíamos chamar de percepção da Imagem Verdadeira é que consegue ver mentalmente esse mundo perfeito.” [“Imagem Verdadeira e Fenômeno”, página 53 – SNI ]

No Núcleo essa “percepção da Imagem Verdadeira” é chamada de “percepção consciencial”, por ser a percepção da Consciência do Ser que nós somos.

Essa percepção não requer esforço, mas sim, mudança de referencial. O que ocorre é que você pensa que sua realidade é de alguém que vai praticar meditação para ascender ao mundo da Imagem Verdadeira. Quando, em verdade, você é Quem Vive no mundo da Imagem Verdadeira em permanente meditação e que, meditando, imagina a realidade de alguém que veio praticar meditação... 

Assim, pode ser dito que a meditação é um encontro de você com você mesmo, mas que te proporciona perceber Quem você É!

Quando você pensa, você se vê, ou seja, você se percebe como quem pensa…, como um personagem num cenário humano…

Quando você medita, você se vê, ou seja, você se percebe como Quem medita…, como o Ser Real, na própria realidade divina!

O pensamento aciona a percepção da “mente do personagem” e gera o cenário humano.
A meditação ativa a percepção da “Consciência do Ser” e desvela a Imagem Verdadeira.

Portanto, se quer perceber este “mundo bem mais elevado do que o palco da evolução do homem carnal”, despertar aquilo que poderíamos chamar de “percepção da Imagem Verdadeira”, e adquirir verdadeira liberdade, força e independência, você deve sentir maior interesse em se dedicar à meditação!


quinta-feira, maio 31, 2018

Transcendendo a visão dos personagens

- Núcleo - 

Filhos de Deus!

Observem com atenção este modelo:

Surge num determinado tempo e local um “Iluminado”; ou seja, surge num tempo – há milhares, centenas ou a dezenas de anos; e num local – na Índia, na Judéia ou no Japão. Então os personagens percebem que se trata realmente de um “personagem incomum”, e passam a reverenciá-lO como “Iluminado”, “Mestre”, ”Filho de Deus”! A partir de então legiões de seguidores criam uma religião em torno da figura desse “personagem incomum” e então se dividem em budistas, cristãos, Seicho-No-Ie, ou outras religiões e denominações.

Sobre o que falou o Mestre?
- Falou sobre o Amor!

O que ensinou o Mestre?
- A irmandade entre os homens e a paternidade de Deus!

O que revelou o Mestre?
- O "reino de Deus” e o acesso a este reino.

Então, nesse ou em algum outro ponto começam as divergências entre os personagens sobre Quem é o “verdadeiro Mestre” e sobre o que Ele ensinou.

Este é o ponto aonde  quero chegar!

No instante em que começam as divergências entre os homens sobre "Quem é o 'verdadeiro Mestre' e sobre o que Ele ensinou”, o principal tema, o Amor, sobre o que falou o Mestre, foi deixado de lado; os personagens perderam o foco...

Os personagens “perdem o foco” toda vez que escolhem falar em vez de ouvir.

Por isso Jesus disse que o que contamina o homem não é o que entra pela boca, mas o que sai dela.

Os personagens “perdem o foco” quando, em vez de estarem atentos ao que “sai da boca”, começam a falar sobre o que deve ou não entrar pela boca.

Contudo, o que entra ou não pela boca é matéria e diz respeito a “este mundo”; mas o que sai pela boca está vindo da “mente dos personagens” ou da “Consciência do Ser”! E é a isto que devemos estar atentos! Ou seja, devemos estar atentos a ”o que estamos falando”, porque aquilo sobre o que estamos falando revela nosso estado de consciência ou de inconsciência sobre Quem somos!

Os personagens buscam relacionar o que “entra pela boca” com a natureza divina do Ser; mas é “o que sai pela boca” [se provém da Consciência do Ser] o que revela esta natureza divina; porque o que “entra pela boca” expressa ”um fazer” humano e o que “sai da boca” expressa “um estado de ser” divino.

Em um de seus escrito, Masaharu Taniguchi conta que, durante os vários anos de práticas ascéticas na floresta, Sakyamuni se policiou quanto ao que “entrava pela boca” e demais coisas que “fazia”. E foi no momento em que, após ter meditado sob uma árvore e estar com fome, aceitou um prato de arroz com leite de uma jovem e teve a “experiência de iluminação”… e então que passou a falar, a ensinar, sobre a Realidade de Quem somos e a expressar [pela boca], a real natureza do Ser.

Não se deve inferir do que foi dito acima que o ser humano não deva atentar ao que “entra pela boca” porque as escolhas humanas sobre nossas ações denotam o tipo de “personagens” que estamos escolhendo representar e os personagens normalmente se unem aos grupos de semelhantes. Assim, o que “entra pela boca” pode levar a nos aproximar de certos grupos de pessoas e nos afastar de outro grupo. O que Jesus quis chamar a atenção ao revelar que “o que contamina o homem não é o que entra pela boca mas o que sai” é que as pessoas não devem se distanciar ou se aproximar umas das outras pelo que ingerem, mas que devem se irmanar pela comunhão do Espírito e se unir na busca do reino de Deus. Por isso disse que todos deveriam buscar em primeiro lugar o reino de Deus e Sua Justiça e que não deveriam se inquietar sobre o que haveriam de comer ou o que haveriam de vestir.

Tanto no tempo de Jesus quanto nos dias de hoje existem grupos de personagens que se sentem “melhores seres humanos” em função do que comem. Há até os que veem nesta escolha uma efetiva e real ligação com Deus e procuram influenciar outros para que adotem a mesma escolha, e façam crescer o grupo dos que acreditam ser este o critério correto pelo qual o ser humano deve realizar suas ações e assim se conectar com Deus.

Contudo, Deus não faz acepção de pessoas!

Todos os “seres humanos” continuam sendo Quem são [seres divinos] aos olhos do Ser. Assim é porque todo ser humano é em realidade um “Nyorai” [significa: aquele provém da Grande Fonte] e o que os distingue ”neste mundo” é a percepção deste fato, que se revela pelo que compartilham com todos, sem diferenciar as pessoas pelo que comem ou pelo que usam.

Quando Sakyamuni aceitou um prato de arroz com leite de uma jovem donzela, ele estava - do ponto de vista de seus companheiros de práticas ascéticas - quebrando todas as regras! Mesmo assim, este foi o momento em que ele se tornou Buda; foi o momento em que Sakyamuni transcendeu a percepção da mente do “seu personagem”, que está na representação, e se conscientizou de que tudo está na Consciência de Quem Ele É, que é a única Realidade!

Assim, Sakyamuni percebeu que montanhas, nuvens, rios, arroz, leite, pássaros e a jovem donzela, enfim, todos os seres e todo o cenário, bem como o próprio personagem Sakyamuni que ele estava sendo [representando] estão na Consciência do Ser, que é Buda!

Notem com atenção que esta visão de Sakyamuni não é de fato a percepção do personagem Sakyamuni, mas sim, trata-e da percepção de Quem ele É.

Com esta visão é possível perceber que Sakyamuni não se tornou Buda, mas que ele sempre foi Buda! O divino personagem Sakyamuni que aparece na representação divina não é existência real. Enquanto personagem, na representação divina, ele nasce, envelhece, adoece e morre. Contudo, o Ser Real não é “quem está sendo”´; o Ser é “Quem É”. Assim, apenas Buda é existência real e Vive na Realidade do Ser.

Da mesma forma, com esta visão é possível perceber que você, leitor, não se torna Buda, mas que você sempre foi Buda! O seu divino personagem que aparece na representação divina não é existência real. Quem você É surge num determinado tempo e local, ou seja, surge na representação divina como um “Iluminado”. Então os personagens ao perceberem que se trata realmente de um “personagem incomum”, seguindo o modelo daquele comportamento mental condicionado passarão a reverenciá-lo como “Iluminado” ou irão querer crucificá-lo, assim como Sakyamuni foi reverenciado, e Jesus crucificado. Os personagens que assim agem estão julgando; o resultado do julgamento depende do critério que usam. Você será julgado como bom ou como mau, porque a mente humana não percebe o real; ela percebe apenas aquilo que consegue ver. Como o “real iluminado” não é o personagem mas o Ser, o julgamento estará sempre falho.

Apresentar-se como “um espelho” dá a chance àquele julga de perceber que está julgando e vendo a si mesmo no ”espelho” ou a chance de transcender a percepção de si mesmo.

Jesus deu a todos a chance de transcender a percepção de si mesmos quando disse: “Quem vê a mim vê Aquele que me enviou”.

Esta é a chave para a transcendência da visão dos personagens: ver com o olhar de Deus, ver com Amor! Só o Amor desvela o Amor.

Masaharu Taniguchi disse: “Cada um de vocês é um Masaharu Taniguchi.”

Sakyamuni ao se iluminar percebeu: "Eu Sou Buda. E não há nada que não seja Buda!"

Enfim, nenhum critério humano, nenhuma prática ascética, nenhuma alimentação especial, nenhum exercício físico, nada do que algum personagem “faça” poderá alçá-lo à condição de Buda, de Mestre ou de Filho de Deus. Uma única percepção e o real se revela. Contudo, é apenas Deus Quem Se percebe!

Busque esta dimensão que está em nós, o reino de Deus, e Ele Se revela!

Notem que a prática da Meditação Shinsokan pode nos alçar à percepção da Realidade divina, mas atentem ao fato de que ela é realizada com a "percepção da Imagem Verdadeira" em nós, e não com a percepção da mente de um personagem.

Meu personagem compartilha percepções com plena consciência de que estas percepções não vem da mente de um personagem, e então diz: “Isto sou Eu!” Da mesma forma meu personagem compartilha percepções conscienciais de outros personagens e diz: “Isto sou Eu!”

Compartilhar estas percepções é uma forma de fazer com que outros personagens olhem para a direção certa! Isto faz com que se despertem para o fato de que não é o que fazemos que revela Quem somos, mas sim, o que percebemos consciencialmente! As percepções compartilhadas por Sandy Nat, pelo padre Charles Ogada e pelo senhor Sawada, já citadas em outros textos do Núcleo, são exemplos de percepções da Realidade de Quem Somos. Meu personagem as enfatiza porque é o algo a ser percebido, que nos revela uma visão transcendida da realidade de personagens.

Com esta visão da Realidade de Quem Somos sabemos que somos seres divinos, não sujeitos a nascimento, envelhecimento, doença e morte. E sabemos que a simples percepção desta Realidade torna esta representação algo ainda mais divino, porque é divino estar na representação com percepção de que é a própria representação divina que está em nós!

Então percebemos que o Mestre que apareceu em algum tempo e local, em realidade está EM nós!

E compreendemos a revelação do Mestre de que “virá novamente”; de que Cristo voltará, de que Masaharu Taniguchi irá nos reencontrar; e a revelação de Sakyamuni de que somos Buda desde o início dos tempos!

É esta a visão consciencial que meu personagem tem desfrutado e que a está compartilhando, usando como exemplo percepções conscienciais compartilhadas por outros personagens para que esteja evidente que estas percepções não pertencem a um personagem em especial, mas sim a Quem Somos. Assim, fica também evidente que o real iluminado, o Mestre, é Quem Somos [o Ser Real] e não quem estamos sendo [o personagem].

É o que percebo, desfruto e compartilho.

Saúdo a todos os Nyorais.

terça-feira, maio 29, 2018

A experiência de "Iluminação"

- Núcleo -


A questão é: Pode um “personagem” se iluminar?

Pode o “cebolinha” [personagem criado por Maurício de Souza] se tornar consciente de que ele é uma ficção do próprio Maurício de Souza?

Mesmo que o Maurício de Souza escreva um texto no qual o cebolinha adquira esta consciência, ou seja, se “ilumine”, seria esta uma experiência real do cebolinha? O fato é que a “experiência de iluminação”, como toda “experiência”, está no campo da “representação”, na qual estão inseridos os personagens do Ser. Assim, a experiência de iluminação ocorre apenas na “representação”. O que todos os que se “iluminaram” descrevem é que eles se tornaram conscientes de que eles não são “personagens”, e que sua real identidade é a de Quem sempre foram, que é o Ser Real, porque nenhum personagem é real.

Se o “personagem” não é real, não há alguém [real] para se iluminar… e Aquele que é o real iluminado, a real identidade de todos os seres, o Real “Autor” dos personagens criados, não está na representação, mas sim em Sua própria Realidade! Assim, a experiência de iluminação é isso: uma experiência que ocorre apenas no âmbito da própria representação e que, então , altera “a fala” do personagem a respeito de Quem ele É e de Quem todos Somos.

O algo a ser notado aqui é que a “percepção” de Quem Somos não está na “mente do personagem” que estamos sendo, mas sim, está na “Consciência do Ser” que [já] somos. Ou seja, esta percepção está em Quem sempre fomos e sempre seremos; está além da realidade de “quem estamos sendo”, pois, a “realidade de quem estamos sendo” é uma representação divina e não a Realidade.

Apenas em certo sentido é possível que um personagem se ilumine… no sentido de que ele perceba que não é quem está sendo, que é Quem sempre foi, “antes que houvesse mundo…”, ou seja, antes que houvesse a representação. Aqui a palavra “antes” é empregada não no sentido temporal, mas no sentido de “a despeito de haver” ou “independentemente de” haver alguma representação. A percepção é a de que não há um personagem que se ilumina; não há um personagem que percebe Sua real identidade, e que é o próprio Ser Real Quem Se percebe, como sempre Se percebeu. Na representação vai parecer que um personagem teve a “experiência de que se iluminou”!

Porém, nossa real identidade é que somos o Ator, não os personagens! Já somos Quem Somos, somos o Ser Real antes que houvesse mundo [antes que houvesse a representação divina…].

O que a “mente do personagem” pensa sobre isso não altera a realidade! Se pensa que a iluminação é possível ou que não é possível; se pensa que é algo real ou não, isso não altera a realidade de que a “iluminação” é uma “percepção”, não um pensamento. Essa percepção não é do personagem e nem mesmo de um personagem específico. Apenas o Próprio Ser Se percebe, e percebe que não há nenhum “outro”, não há nada além de Si mesmo e de Sua Realidade! E a bem-aventurança dessa percepção divina também só é percebida por Si mesmo!

Mas, enquanto se identificando como sendo um personagem, ninguém deve se desesperar pensando que não terá a experiência de iluminação. Não pense assim, pois, ela é inevitável! É o próprio ato de “pensar” que ativa a percepção da mente do seu personagem e cria a “ilusão de separação”, a visão dual de que existe o personagem e o Ser; você e Deus... Pois só o Ser é real. Enquanto a mente do personagem pensa em termos de “existência” [que significa “ex-sistere”, ou seja, algo que está fora] a Consciência do Ser percebe a “seidade”, no sentido de aquilo que É em si mesmo, ou seja, algo que é o próprio “Ser”, e que É em “Si mesmo”; aquilo que É o que É! Portanto, não pense! Simplesmente perceba! Perceba Quem percebe em você e perceberá que não há um “você”, mas apenas Quem percebe… “Aquieta-te e saiba: Eu Sou Deus!”

Perceba apenas: “Eu Sou Aquilo”
É o que na representação divina… percebo, desfruto e compartilho!

Assim seja!
Assim É…


segunda-feira, maio 21, 2018

Samadhi - O Filme (Parte 2)

(Para visualizar a legenda em português, clique no botão "detalhes" e selecione a opção das legendas)


E para acessar o vídeo Samadhi - O Filme (Parte 1), clique Aqui
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quinta-feira, maio 17, 2018

A Voz Silenciosa

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"Está escrito que, para aquele que está no limiar da divindade, nenhuma lei pode ser criada, nenhum guia pode existir. Contudo, a fim de instruir o discípulo, o esforço final pode ser expresso da seguinte maneira: Agarre-se firmemente àquilo que não tem nem substância nem existência."

"Está escrito que, para aquele que está no limiar da divindade, nenhuma lei pode ser criada, nenhum guia pode existir..." 

O supremo é desconhecido. Nada se pode dizer sobre ele porque nada que possa ser dito será verdadeiro. Ele permanece indefinível, desconhecido, inexplorado, por muitas razões. Não somente desconhecido, mas, em certo sentido, incognoscível.

A primeira razão é que aqueles que nele penetram nele se dissolvem. Eles não podem permanecer eles mesmos. São totalmente destruídos por ele. Eles renascem, são totalmente novos. E somente o velho pode definir.

Tente compreender isto. Somente o velho pode definir. Se eu vejo você e já o vi antes, reconheço-o prontamente. Quem o reconhece? O passado. Porque o conheci antes, lembro-me do seu rosto, reconheço-o. O reconhecimento ocorre devido ao passado. Mas se minha mente estiver totalmente limpa e eu tiver esquecido completamente o passado, ou se minha memória for eliminada e não houver nenhuma conexão com o passado, não posso reconhecê-lo. Aquele que penetra no supremo perde completamente seu passado; assim, ele não pode reconhecer o que está acontecendo agora. Não há nenhuma referência.

Em segundo lugar, você pode reconhecer apenas aquilo que conheceu antes. E este fenômeno do divino é absolutamente desconhecido. Você nunca o conheceu antes. Em que termos interpretá-lo, defini-lo? Você não tem nenhuma referência, não possui nenhum termo, não tem nenhuma definição. A experiência é absolutamente nova – como traduzi-la numa linguagem?

Em terceiro lugar, quando você penetra no supremo, a linguagem torna-se impossível, pois toda a linguagem se baseia na dualidade. Você define a vida pela morte. Talvez não esteja consciente desse absurdo. Você define a matéria pela mente, define a mente pela matéria. Se alguém pergunta: “Que é matéria?” – você responde: “É aquilo que não é mente.”... Mas tem certeza? Que é mente? Então você define a mente como aquilo que não é matéria. Você se move em círculos.

Quando lhe é feita a pergunta a respeito da matéria, você fala a respeito da mente como se conhecesse a mente. Você diz: “Aquilo que não é mente.” Mas se alguém lhe pergunta: “Que é mente?” – você passa a defini-la em termos de matéria: “Aquilo que não é matéria.” Ambas são desconhecidas. Mas você está enganando a si mesmo. Quando lhe perguntam a respeito de uma, você a define pela outra. Quando lhe perguntam a respeito da outra, você a define pela primeira. Ambas são indefiníveis.

No que se refere às atividades terrenas, não há nada de mal em agir dessa maneira. É proveitoso, útil. Não verdadeiro, mas útil. Porém, quando você penetra no supremo, esse dualismo não será de nenhuma serventia. Você não pode definir o divino por alguma coisa que esteja em oposição a ele, porque não há nada que esteja em oposição a ele. Ele é o todo.

Você pode dizer que a matéria não é mente, ou pode dizer que a mente não é a matéria, porque a mente não é o todo e a matéria não é o todo; matéria e mente existem como opostos um do outro. Você pode definir cada um deles pelo seu oposto. Pode dizer que a vida não é morte; pode dizer que a morte não é vida. Pode dizer que a escuridão não é luz e que luz não é escuridão. Pode dizer que homem não é mulher e que mulher não é homem. Pode continuar definindo através do oposto.

Mas qual é o oposto do divino? Não há nada em oposição a ele. “Divino” significa o todo, a totalidade; portanto, como defini-lo? Ele é indefinível, porque todas as definições se baseiam nos opostos e nada está em oposição a ele. A linguagem mostra-se inútil. Ela diz: “Não posso penetrar nessa dimensão.” – A linguagem existe na dualidade e não pode penetrar no não-dual.

O divino é desconhecido porque é exatamente como o céu. Não é como a Terra. Se você caminha sobre a Terra, deixa pegadas atrás de você; outros podem segui-lo. Você passou por um certo lugar –outros podem segui-lo. Seguindo suas pegadas, eles podem chegar ao lugar onde você chegou. Mas a totalidade – o divino, ou Deus, ou como você preferir chamá-lo: X, Y, Z, o Todo – é exatamente como o céu. Pássaros voaram através dele mas nenhum rastro foi deixado. Você não pode segui-los. Precisa começar do ABC.

Sempre que você penetra no divino... Buda penetrou antes de você, Jesus penetrou antes de você, Krishna penetrou antes de você, mas não há pegadas. Quando você penetra no divino, é como se o homem estivesse penetrando pela primeira vez. O céu permanece virgem, intacto, sem marcas. Mas isso é bom. Essa absoluta virgindade é boa porque então a experiência é unicamente sua.

De outro modo, se você encontrasse as pegadas de Buda, as pegadas de Krishna – mapas, definições, manuais – tudo seria de segunda mão. Muitos conheceram isso, muitos chegaram antes de você. Eles diriam tudo o que você poderia chegar a conhecer. Tudo seria de segunda mão.

Mas o divino não é de segunda mão; é sempre de primeira mão. Sempre que você penetra nele, é como se estivesse penetrando pela primeira vez. Ninguém penetrou antes de você e ninguém penetrará depois, porque nenhuma pegada pode ser deixada; cada um é único.

É por isso que todas as experiências terrenas tornam-se cansativas. Ficamos fartos porque tudo se torna de segunda mão; tudo se torna emprestado. Algum outro já conhece; nada é virgem.

O divino é sempre virgem, absolutamente virgem. Você não pode estragá-lo, não pode torná-lo velho, não pode torná-lo repetitivo. É por isso que nada pode ser definido, nada pode ser mapeado, nenhum guia pode ser fornecido.

"Contudo, a fim de instruir o discípulo, o esforço final pode ser expresso da seguinte maneira..." Mas apenas para instruir o discípulo - aquele que ainda não penetrou mas que está a um passo, pronto para dar o salto – pode-se tentar dizer alguma coisa, podem ser dadas algumas indicações. Mas não se deve tomá-las em nenhum sentido absoluto. Trata-se apenas de uma ajuda, de última ajuda que pode ser dada.

Esta é a última instrução do Mestre:

"Agarre-se firmemente àquilo que não tem substância nem existência."

Agarre-se firmemente àquilo que não tem substância nem existência. Temos aqui duas coisas. A matéria tem substância; é substancial. Se eu atirar uma pedra em você, há nela substância, massa. Ela o atingirá; matéria é substância. Mas o que é a mente? O que é você, em seu interior, em sua consciência?

A consciência não é uma substância. Ela existe, tem existência, mas não é uma substância. Não posso atirar uma consciência em você. E, mesmo se eu pudesse, você não seria atingido. A consciência existe; a matéria subsiste. A matéria tem substância; a consciência tem existência.

Este sutra diz: "Agarre-se firmemente àquilo que não tem nem substância nem existência." 

O divino não tem nem uma nem outra. Ele não é como a matéria, não é como a substância. Ele não é como a mente ou a consciência. Você não pode dizer que Deus é substância e não pode dizer que Deus existe.

Há muitas razões para isso. Quando você diz que Deus existe, está fazendo uma afirmação tautológica, uma repetição. Quando digo que esta mesa existe, essa afirmação é significativa, porque a mesa pode deixar de existir; podemos destruí-la. Mas quando digo que Deus existe, trata-se de uma afirmação sem sentido, porque Deus não pode deixar de existir e não pode ser destruído. A existência é significativa somente se a não-existência for possível. Se a não-existência é impossível, a existência não tem sentido.

Quando você diz que Deus existe, o que você quer dizer? Que Deus pode não existir? Então, essa afirmação seria significativa. Mas se você quer dizer que ele não pode estar num estado de não-existência, então o que você realmente está dizendo é que Deus é existência, e não que Deus existe.

Deus não pode existir; Deus somente pode ser a existência. Quando digo que a mesa existe, a mesa não é a existência. Ela pode sair da existência; portanto, a proposição é significativa. Quando digo que Deus existe, a proposição é sem sentido, porque ele não pode sair da existência. Quando digo que Deus existe, estou dizendo que a existência existe. Uma tautologia, uma repetição, inútil. Até mesmo dizer que Deus é trata-se de uma proposição sem sentido, porque ele é o próprio estado-de-ser. Não há necessidade de se dizer é. Deus não é; ele é o estado-de-ser.

Você não pode dizer que Deus é substância, assim como não pode dizer que ele existe. Ele está além de ambos: além da matéria e além da mente. Ou, ele é as duas. De qualquer maneira, ele transcende.

Assim, estas são as últimas instruções para o discípulo, quando está prestes a penetrar no templo do divino. Nada mais pode ser dito.

Lembre-se, Deus não é matéria. Possuímos uma ideia de Deus enquanto matéria. É por isso que criamos ídolos, criamos templos, fazemos imagens. Substâncias!

O islamismo não permite que se façam ídolos de Deus justamente por este motivo: para que Deus não seja identificado, de modo algum, com a matéria. Nenhum ídolo, nenhuma imagem pode ser feita de Deus, porque uma imagem produz a idéia de substância, e ele não é substância.

Mas então concebemos Deus enquanto mente: o controlador, o criador, o que dá o sustento. Temos uma vaga ideia de Deus como uma mente suprema, que está sentado em algum lugar no céu controlando todas as coisas. Mas, nesse caso, Deus torna-se a mente. Ele pode ser um notável engenheiro ou, como diz Platão, um grande matemático, mas a ideia é de que ele é a mente. Ele não é nem mente nem matéria. Ele está além de ambas.

Este sutra diz: lembre-se dessa transcendência. Ele não é nem o exterior nem o interior. Não é nem o corpo nem a mente. Não é nem uma coisa nem um pensamento. Antes de você penetrar no templo supremo de onde nenhum retorno é possível, lembre-se disto: "Agarre-se firmemente àquilo que não tem nem substância nem existência."

"Ouça apenas a voz que é silenciosa."

Ouça apenas a voz que é silenciosa. Todos os sons são criados. Todos os sons que conhecemos são, de um modo ou de outro, criados. O vento sopra, e um som é criado. Você bate palmas e um som é criado. Eu falo, e um som é criado. Mas todos estes sons são criados. Eles morrerão, porque aquilo que nasce está destinado a morrer, aquilo que é criado será destruído.

Há algum som que seja incriado? Se há algum som incriado, a verdade pode ser expressa somente através dele – porque aquilo que pode morrer não pode expressar a verdade. É por isso que se diz frequentemente que a verdade só pode ser expressa no silêncio; não pode ser dita através das palavras.

As palavras podem levá-lo ao silêncio, mas não podem exprimir a verdade. As palavras morrerão, e aquilo que é imortal não pode ser dito através de palavras mortais. Como poderão sê-lo? É impossível. Como aquilo que é eterno pode estar contigo no temporal? Como aquilo que é atemporal pode ser trazido para o tempo? Como aquilo que está além do espaço pode ser colocado em algum lugar num templo, num espaço? A verdade só pode ser revelada através de alguma coisa que seja eterna.

Por intermédio da meditação, muitos buscadores chegaram a conhecer, em seu interior, um som sem som, um som silencioso. As palavras são contraditórias: "um som sem som". Ele é sem som porque você não pode ouvi-lo através de seus ouvidos. Ele é sem som porque o som é sempre criado através do conflito, e não há nenhum conflito. O som é sempre criado através da dualidade, duas coisas em conflito; mas não há duas coisas no coração. Ele é sem som porque não pode ser ouvido; só pode ser vivenciado.

Lembre-se: "Ouça apenas a voz que é silenciosa."

Como se pode ouvir uma voz que é silenciosa? Há, no Zen, um koan: ouvir o som de uma única mão batendo. Os monges zen chamam a isto de a mais profunda meditação: tentar ouvir um som incriado. Se você ficar meditando, meditando – apenas sentado e meditando, tentando ouvir – ouvirá muitas coisas. Esta é uma das técnicas mais belas. Feche os olhos, sente-se sob uma árvore e comece a ouvir. Você ouvirá muitos sons novos, dos quais nunca esteve consciente antes. Pássaros, insetos... Lentamente, muito lentamente, você se tornará consciente de muitos sons ao seu redor. Continue procurando qual som é incriado.

Todo som é criado. Um pássaro começa a cantar e então pára. Aquilo que foi criado moveu-se agora para a não-existência. Continue ouvindo, continue ouvindo. Continue tentando encontrar qual é o som incriado. Aos poucos, sons ainda mais sutis serão ouvidos. Você começará a ouvir as batidas do seu próprio coração, começará a ouvir sua própria respiração. Mas isso também é criado. Seu coração parará, sua respiração não pode continuar eternamente. Ela não esteve sempre aí. Quando uma criança nasce, não há nenhuma respiração. Então, de repente, a criança começa a chorar e a respiração se inicia.

Continue ouvindo profundamente. Estes não são sons-sem-som. Jogue-os fora, elimine-os. Você começará a ouvir o som de sua circulação sanguínea. Ainda mais sutil. Você não tem, habitualmente, consciência da circulação de seu sangue. Você o ouvirá circulando, ouvirá o som. Mas este também é um som criado, criado pela circulação, pelo conflito. Continue eliminando. Se você persistir o bastante, chegará finalmente um momento em que todos os sons terão desaparecido, você não pode ouvir nada. Uma brecha é criada; todos os sons desaparecem. E, com esses sons, todo o universo desaparece para você, como se você tivesse caído num vazio.

Agora, ao chegar a este ponto, não tenha medo. Caso contrário, você recuará novamente para o mundo dos sons. Permaneça sem nenhum receio. Isto será semelhante à morte, e é uma morte porque quando todos os sons são perdidos, você também perdeu sua mente. Sua mente é apenas uma caixa barulhenta. Você não tem mais nenhuma mente. Com a ausência dos sons, o mundo não está mais presente. Você se sentirá como se tivesse morrido; você não existe mais. Você não era mais do que uma combinação, uma reunião de sons.

Persista. Esta morte é bela porque é a porta para o divino. Continue tentando ouvir o que está agora aí. Depois desse intervalo, se você passou por ele sem se tornar amedrontado e assustado...

Se você se amedrontar, recuará novamente; correrá de novo para o mundo dos sons. A mente começará a funcionar outra vez. Mas se você permanecer sem nenhum temor e conseguir persistir nesse intervalo, onde não há som algum, tornar-se-á consciente de um novo som, que é incriado. Este som é chamado pelos hindus de omkar: aum. Aum é apenas um símbolo para o som que está sempre presente no centro mais profundo. Aum, aum, aum – esse som está vindo de dentro, incriado. Ninguém o está emitindo. Ele apenas está ali.

Esse é o som sem som – incriado. E somente com esse som você pode penetrar no santuário.

"Olhe somente para aquilo que é igualmente invisível aos sentidos internos e externos."

Olhamos para o mundo com os sentidos externos. A matéria é percebida. Mas a matéria não está realmente ali. Os físicos dizem, atualmente, que a matéria não existe. Ela é simplesmente energia, energia vibrando. A matéria é ilusória. Isso é muito estranho. No Oriente, os místicos sempre disseram que a matéria é ilusória, maya. Com isso, eles queriam dizer que tudo não é o que parece. Os físicos de hoje concordam com Shankara; Einstein concorda com o Vedanta. Os cientistas também afirmam, atualmente, que a matéria é ilusória. Jamais alguém pensou ou imaginou que algum dia também a ciência afirmaria que a matéria é ilusória.

A matéria parece ser, mas não é. Ela é energia. Mas é uma energia movendo-se com tamanha velocidade, com uma velocidade tão incrível, que não é possível vê-la se mover. É por isso que ela parece ser matéria imóvel. Os elétrons se movem com uma velocidade tão espantosa que você não pode vê-los em movimento. Eles dão a ilusão de imobilidade, de substância.

A matéria não existe realmente. Mas, através de seus sentidos externos, a matéria aparece. Trata-se de sua interpretação. A mente também não existe; mas através de seus sentidos internos ela parece existir. Então, o que é real? Se você olha através de seus sentidos externos, a matéria aparece, mas ela é irreal, não-real; e se você olha com seus sentidos internos, a mente aparece, mas ela também é irreal, também é uma interpretação dos sentidos. O misticismo oriental diz que o real só pode ser encontrado quando você deixou de usar tanto os sentidos externos quanto os internos. Quando nenhum sentido é usado, não há possibilidade de se distorcer a realidade. Então, imediatamente, você está na realidade.

Os sentidos fazem distinções. Eu olho para você. Não sei o que você é, como você é, mas meus olhos olham para você e me fornecem uma determinada informação. Não posso chegar em você diretamente; os olhos são os mediadores. Seja o que for que eles disserem, tenho de acreditar.

Seja o que for que seus sentidos disserem, você tem de acreditar. Não pode saber se é uma realidade ou não. Seus sentidos podem ser deficientes, ou podem estar interpretando o mundo de uma maneira errônea. Não há nenhum modo de saber se os seus sentidos estão interpretando de forma errada ou correta. Não há como saber, pois, seja o que for que você souber, saberá através dos sentidos. Não há outro modo de saber, de julgar e de comparar.

Por esse motivo, Emmanuel Kant disse que nenhuma coisa pode ser conhecida em si mesma. Não há nenhuma maneira de se conhecer uma coisa em si mesma, pois, seja o que for que você conheça, você a conhece através dos sentidos. Você não pode conhecer nada diretamente, apenas indiretamente. Você tem de acreditar em seus sentidos. Quem sabe o que é que está realmente ali? Você nunca esteve ali. Seus sentidos vão até ali e o informam. Você está sempre à distância, interpretando.

A mesma coisa acontece quando você começa a usar seus sentidos internos. Eles o informam a respeito daquilo que se encontra do lado de dentro: o que é a alma, o que é o eu. Mas isso também é apenas uma interpretação dos sentidos.

Este sutra diz: "Olhe somente para aquilo que é igualmente invisível aos sentidos externos e internos.". O real é invisível a ambos. Não pode ser conhecido através da mente; não pode ser conhecido através da meditação. Quando tanto a mente como a meditação são lançadas fora, só então você pode penetrar na realidade. Quando não há meditação, quando você chega diretamente até ela, quando você penetra nela, quando não há mais distância, quando você tornou-se a realidade, só então você pode conhecê-la.

Isso pode ser dito de um modo diferente: Você não pode conhecer Deus, a menos que se torne o próprio Deus. Se você diz que pode conhecer Deus sem tornar-se Deus, está dizendo algo que é impossível. Por causa disso, uma coisa muito estranha tem acontecido. Tanto o cristianismo como o maometismo pensam que afirmar que você pode tornar-se Deus é sacrilégio, profano, irreligioso; não demonstra respeito. A atitude maometana a esse respeito tem sido tão obstinada que os maometanos mataram Mansoor e outros místicos sufis por terem declarado que eram Deus.

Mansoor disse: “Analhaque. Eu sou o divino.” Ele foi morto, porque isso é demais! Um ser humano dizendo que é Deus? Mas o que Mansoor está dizendo é uma verdade muito simples, básica. Ele está dizendo que você, ou pode dizer que Deus não pode ser conhecido, ou pode admitir que o homem pode tornar-se Deus. Pois, como pode Deus ser conhecido, a menos que você esteja nele? A menos que você penetre nele e torne-se um com ele, como pode conhecê-lo? Você pode apenas ficar dando voltas e mais voltas ao redor dele. Mas, seja o que for que venha a conhecer, é apenas uma informação obtida do exterior; não é um conhecimento direto.

Mansoor diz que você pode conhecer Deus somente se se tornar o próprio Deus. Não há outro modo. Como você pode conhecer a partir do exterior? Como pode conhecer, a menos que se torne o próprio coração da divindade, a menos que você mesmo se torne divino?

Este sutra diz que a realidade não pode ser conhecida, quer pelos sentidos externos – os sentidos externos interpretam a realidade como matéria –, quer através dos sentidos internos – os sentidos internos interpretam a realidade como mente. A realidade só pode ser conhecida quando você dá um salto na própria realidade, sem quaisquer mediadores; quando você perde sua mente e também sua meditação.

A meditação está concluída quando você é capaz de largá-la. Então você entra em samadhi, entra na realidade, no supremo.

"Que a paz esteja com você."

Só então a paz pode estar com você; nunca antes. Antes disso, você permanecerá, de um modo ou de outro, angustiado; permanecerá, de um modo ou de outro, tenso. Você é a tensão, é a angústia, é o conflito. O problema é o seu sentimento de que "você é". Quando você não é, o problema não existe.

Como você pode estar num estado de não-existência? Como pode cessar de existir? Esse é o caminho para a paz. Se você pode cessar de ser, você penetra na realidade; penetra na paz infinita, na paz absoluta.

Seu ser, enquanto separado do todo, é o problema. Você se sente como um intruso, um estranho, um alienado. Essa alienação cria a perturbação, essa alienação cria o medo, essa alienação cria a morte. Você não pode estar em paz. Quando você joga fora completamente sua alienação e se dissolve na realidade, funde-se nela, perde-se a si mesmo nela – quado você não é mais, e só a realidade é –, então, e apenas então, você pode encontrar aquela paz que é impossível de ser perturbada, que nada pode ameaçar.

Lembre-se de que você é a doença. Você não pode ser curado porque você é a doença. Se a doença fosse outra coisa qualquer, poderia ser curada, mas você é a doença. Não pode ser curado; você é incurável. Jogue fora a doença. Jogue fora a si mesmo, sinta como se você não existisse. Crie, cada vez mais, o sentimento de ser ninguém, de ser o nada.

Mova-se para o não-ser, porque o não-ser é a porta para o ser supremo. Quando você cessar completamente de ser, você será divino. Quando você não for, você será o próprio Deus.