"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

segunda-feira, agosto 20, 2018

O Eu Místico - 8/12

- Joel S. Goldsmith - 


O Eu Místico

CAPÍTULO 8
"EU FALO CONTIGO"

Dentro de cada um de nós há uma Presença, algo mais real do que qualquer coisa que possamos conhecer, além de nossa visão. Ela é que vive nossa vida em nós. Muitas vezes, contudo, inconscientes dessa Presença, estamos determinados a viver a nossa própria vida: tomar nossas próprias decisões e confiar em nossa sabedoria, julgamento ou força pessoais. Mas isso apenas porque ainda não entramos na experiência real deste Eu que está dentro de nós.

Antes dessa Presença se fazer conhecida por nós, geralmente vem um período em que reconhecemos que Ela existe. No caminho metafísico e, por vezes, espiritual, o aluno pode acreditar nisso apenas porque lhe foi contado por um professor que o experimentou, ou porque ele leu que Ela existe nos escritos bíblicos do mundo.

De uma forma ou de outra, independentemente de como Ela é trazida à nossa atenção, é necessário haver o prévio conhecimento de uma Presença Interior, um "Aquele que é maior do que aquele que está no mundo", um Espírito. Com este conhecimento, vem o reconhecimento contínuo de que Ele permanece dentro de nós, que Ele caminha ao nosso lado, que Ele é a nossa visão, a nossa orientação e a nossa direção. Devemos permanecer nessa Verdade até que Ela Se revele a nós (em nós) como Experiência consciente. Então passamos a ter a percepção consciente de que este Divino Eu habita o nosso ser. Quando isso acontece, Ele se expressa em nosso ser de forma tal, que é como se ouvíssemos o Mestre declarando: "Não temas, Eu estou contigo, Eu nunca te deixarei, nem te desampararei. Estarei contigo até o fim do mundo"Muitas vezes Ele se expressa pela palavra Eu: "Sou Eu, não tenha medo", e Ele continuamente lembra à nossa consciência o fato de que não estamos caminhando sozinhos na Terra.


A Árvore Inclui Seus Ramos

Às vezes sentimos que, quando reconhecemos Deus em nós – ou o Cristo que habita em nós – estamos endossando um senso de dualidade, mas isso não é verdade. Isso não pode ser explicado logicamente, assim como Deus também não pode ser explicado, mas a verdade é que este Eu dentro de nós, esta Presença de Deus, não forma a dualidade, porque é realmente o Ser de nosso ser – não apenas o Eu do meu ser, mas também o Eu do seu ser.

Este Eu e você são Um, mas Ele é maior do que você. Acaso não podes ver que o que é Invisível, a Fonte de tua inspiração, a Fonte de tua vida, a Causa e o Princípio Criativo de tua vida, é maior do que você, mesmo apesar do fato de que você seja Um com Ele? Quando declaramos que este Eu é maior do que você, é no mesmo sentido de quando nos referimos ao ramo de uma árvore e da árvore em si, como se eles fossem dois; mas o ramo de uma árvore e uma árvore não são dois: eles são um – uma árvore. E a árvore inclui o ramo.

Da mesma forma, Deus inclui o ser individual – assim como a árvore inteira inclui todos ramos. Não há tal coisa como a "vida de uma árvore" e a "vida de um ramo da árvore". A vida da árvore é a vida do ramo contanto que eles sejam Um; mas a partir do momento em que o ramo é cortado da árvore, a vida começa a murchar. O mesmo ocorre com o ser humano que se vê separado de Deus: sua vida começa a definhar, chegando a durar algo em torno de setenta ou oitenta anos. Entretanto, todo mundo deveria entender que há ajustes que deverão ocorrer na vida de cada pessoa, à medida que essa coisa chamada "tempo" passa. Cada um deve perceber que nem sempre terá seus amigos, parentes, pais ou filhos, porque, no esquema humano da vida – onde o ser humano vive como um ramo separado da árvore – há nascimento e morte, de modo que o próprio nascimento é o precursor da morte que está por vir.

Só há uma maneira de superar tudo isso: é perceber que, por sermos um ramo da árvore – unos com a árvore – nós não temos nenhuma "vida em ramo", nenhuma vida em nós mesmos; não temos uma vida que tenha um "começo" ou que tenha um "fim". Temos, sim, a vida infinita e eterna do Todo que é a Árvore. Devido ao nosso relacionamento com a Árvore – ou seja, de o ramo ser Um com a Árvore , não temos responsabilidade pessoal, nem vida pessoal. Nós temos a Vida que é Deus. Um ramo poderia dizer: "Eu e a árvore somos Um, mas a árvore é maior do que eu". Assim também podemos dizer: "Eu sou Um com a Vida que é Deus; contudo, a Vida, que é Deus, é maior do que qualquer um de Seus ramos. Ela é inclusive maior do que a soma total de todos os seus ramos".


Restabelecendo Nossa Unidade com a Árvore da Vida

Para trazer esse relacionamento a uma ativa expressão em nossas vidas, deve haver uma ação específica. Quando o filho pródigo percebeu que estava separado de seu pai, quando ele percebeu a que estado havia chegado devido ao desejo de ser algo por si mesmo, ele se pôs de pé e começou a jornada que o levaria de volta à casa de seu pai. Ele não continuou sentado lá; ele levantou-se e começou a voltar.

Chega um momento em nossas vidas quando percebemos estar vivendo como seres humanos apartados de nossa Fonte. Temos sido como o ramo separado da Árvore da Vida. Quando percebemos isso, realizamos um ato. Este ato é descrito nas Escrituras como "arrependei-vos, portanto, e convertei-vos". É um ato no qual conscientemente fazemos um balanço e declaramos: "eu tenho vivido separado e apartado de Deus; tenho vivido a vida de um ser humano, vivendo pelo pão, pela água e pelo ar; tenho vivido através de recursos externos. Agora eu retorno à casa do Pai; e percebo conscientemente, de agora em diante, que sou sustentado pela eterna Fonte que está dentro de mim. Eu sou alimentado pelo pão da Vida  a própria Vida que Eu sou. Eu extraio do interior, do Celeiro de meu Pai, tudo o que me é necessário.”


Reconheça-Me

Conforme permanecemos nesta Verdade, vem uma experiência. Ela pode vir na forma um sentimento muito real, assegurando-lhe que:

"Nunca te abandonei. Eu nunca estive separado ou apartado de você. Tenho andado contigo a cada passo do caminho, aguardando seu reconhecimento. Há muito tempo Eu tenho esperado; Há muito tempo Eu esperei pelo seu despertar; Há muito que espero pelo seu retorno; Há muito tempo Eu venho esperando o seu reconhecimento. Olhe para dentro e encontre-Me, pois estou dentro de você. Eu sou o próprio tecido, a estrutura, e a verdadeira Fonte de sua vida.

As dores de cabeça que você passou, os problemas que você sofreu – tudo isso foi só por causa deste senso de separação que manteve o seu olhar direcionado para o reino exterior, em vez de impelir-te a olhar para dentro, onde Eu posso ser encontrado. É no interior de sua consciência e de sua percepção que Eu sou encontrado. Eu sou encontrado no silêncio, em quietude e em confiança.

Não temas, não temas; Sou EuEuque falo com você, sou o mesmo Eu daquele exército que está marchando contra você. Eu, que sou o seu lugar de permanência e repouso  a sua habitação , sou o mesmo Eu do ser de seus amigos e de seus inimigos. Eu habito neles, e moro neles todos. Como Eu habito em você, assim Eu habito neles, e assim habito em todos. Encontrando o amigo ou encontrando o inimigo, você está se encontrando Comigo.  Reconheça-Me no meio de você. E então Me reconheça no meio dos seus amigos, e reconheça-Me no meio dos seus inimigos.

Reconheça que há apenas Um Ser Divino, um Pai de todos, e logo você verá que todos os inimigos que você tivera até então consistiam em sua própria crença em um "eu" separado e apartado de Mim. Mesmo se você Me reconhecer como sua individualidade, você ainda pode ter pensamentos de outros seres como individualidades separadas de Mim. Mas Eu Sou sua individualidade, e Eu Sou a individualidade de todos os outros. 

Eu Sou sou a sustentação em tua vida; Eu Sou a tua sabedoria; Eu Sou o teu pão, a tua carne, o teu vinho e a tua água; Mas Eu Sou tudo isso para todos os homens, porque Eu estou no meio de seus amigos, de seus entes amados, e Eu estou no meio de seus inimigos.

Reconheça-Me no meio de tudo e de todos, e então perceberá que Eu estou em todos, e que Eu louvo você através de tudo. Eu o Louvo através daqueles que você pensou serem os teus amigos, e também através daqueles que pensou serem os teus inimigos; pois você nunca pode ser louvado por qualquer outro a não ser Euporque Eu Sou Infinito. Sou Onipresença Infinita; Sou Onipresença Onipotente; Eu Sou a Presença que está dentro de você, diante de você, ao seu lado, e atrás de você. Eu Sou essa Presença. Portanto, não tenha medo, Sou Eu. Sou Eu

Eu não estou no turbilhão, e portanto reconheço que não há poder em turbilhão. O único poder que há, está em Mim, no EU SOU O QUE EU SOU. Eu Sou a Vida do teu ser, a Vida do ser do teu amigo, e a Vida do teu inimigo. Eu sou a Vida de todos os seres".


A Universalidade e Onipresença da Presença

Quando esta Presença se anuncia, numa afirmação interior de que Ela está presente, lembre-se de que isso significa não só a Presença em você, mas Sua Infinita Onipresença. Ela não anuncia que Deus está presente só em você, separado de todos os outros. Ela anuncia que está presente em você e em mim, presente nele e nela, presente em todos. Em outras palavras: você não pode restringir e limitar Deus; você não pode canalizar Deus para estar em uma pessoa só, ou em um só lugar. Quando você reconhece a Presença de Deus, você reconhece a Presença Universal de Deus.

Quando, antes de entrar em seu automóvel, você recebe internamente a garantia de que "Eu estou com você, Eu vou com você", lembre-se que isso não significa você separado e além de todos os outros na estrada. Significa que você deve reconhecer "Minha Presença", a Presença Divina, como Onipresença: Presença em tudo, Presença em todo lugar. E a qualquer momento você pode perceber essa Presença.

Assim é que, quando o Espírito está anunciando a Si Mesmo e a Sua Presença, não está me dizendo "Joel, estou presente em você". Não, Ele diz: "Eu estou presente". Quão trágico seria se Deus pudesse anunciar: "Eu estou presente com você, Joel", e depois deixar de fora todos os outros. Tal coisa não é possível. Quando o Pai assegura que "Eu estou presente contigo aonde quer que vás; Eu nunca te deixarei", Deus está anunciando Sua Presença igualmente por toda parte, universalmente. Ele está anunciando a Onipresença: a Presença em você, a Presença naqueles próximos e nos distantes, porque não há nem perto e nem longe. Todo o universo e todos os seus povos estão abarcados em sua consciência. Feche os olhos e perceba que:

"Minha consciência é infinita, e Eu abarco em minha consciência os judeus e os gentios, os ocidentais e os orientais, os africanos, os asiáticos e as pessoas de todas as espécies e lugares. Eu abarco em minha consciência os americanos, os canadenses, os russos, os franceses e os ingleses. Eu abarco em minha consciência todo este universo, porque minha Consciência é infinita.

Eu posso fechar os meus olhos e instantaneamente ter dentro de mim os povos de todas as raças e de todas as idades: passado, presente e futuro. Minha consciência é ampla o suficiente para incorporar tudo e todos; e, portanto, se a Presença de Deus está comigo na minha Consciência, então a Presença de Deus está com tudo e todos na minha Consciência, e nada há que possa existir fora de minha Consciência, pois a minha Consciência é Infinita. E por que ela é infinita? Porque Deus e Eu Somos Um, e tudo o que o Pai tem, é meu. Portanto, a totalidade da Consciência de Deus é a minha consciência individualizada, e a Consciência abrange tudo o que há neste universo, que constitui o mundo, os mundos além dos mundos, e os mundos do espaço exterior".

Se essas coisas todas não estivessem corporificadas em nossa consciência, não poderíamos ter nenhum conhecimento delas; mas porque elas estão incorporadas em nossa consciência, acabaremos por saber tudo sobre elas, assim como estamos descobrindo os segredos do espaço exterior. Por que estamos agora a descobrir os segredos do espaço exterior? É porque esses segredos não estão no espaço exterior. Eles existem em nossa consciência, e nós estamos descobrindo-os nela; é nela que eles estão sendo revelados a nós. Toda pessoa que está trabalhando com pesquisas do espaço sideral está trabalhando com algo que está no alcance de sua própria consciência, ou a pessoa não poderia estar ciente disso. Portanto, o espaço exterior está em nossa consciência; e esteja certo de que Deus também está lá.

Talvez não haja nenhuma igreja no espaço exterior. Eu não saberia dizer. Mas posso afirmar que Deus está no espaço exterior. Não há lugar onde a Vida não esteja, nenhum lugar onde o Espírito não esteja. Por quê? Porque tudo o que existe, existe na Consciência, e essa Consciência é a minha e é também a sua. O Mestre afirmou isto com estas palavras: "Tu, Pai, estás em mim, e Eu em Ti". Todos nós estamos corporificados na Consciência Divina, que é Deus. Nosso despertar para esta Verdade traz ela à nossa experiência consciente.


O Solo Sagrado do Eu

"Eu estou contigo" significa que Eu estou com todos. Mas milhares ainda cairão à sua esquerda e à minha esquerda, e dez mil cairão à nossa direita, até que despertem para a Minha Presença, a Presença que Eu Sou, a Presença que habita dentro deles. Na proporção em que cada indivíduo desperta para a Minha Presença, ele se torna livre em certa medida, livre das limitações de um sentido mortal (mente carnal), livre das limitações que colocariam uma pessoa aparte de outra, ou os interesses de uma pessoa separados e em atrito com os de outros.

"Eu, no meio de você, estou onde você está. Eu, no meio de você, estou onde seus amigos estão. Eu, no meio de vós, estou onde estão os vossos inimigos. Não há nenhum lugar, nenhum tempo, nenhum espaço, nenhuma pessoa onde eu não esteja. Não temas; Sou Eu. Esteja você olhando para o rosto de seu amigo, ou para o rosto de seu inimigo, ou se você está olhando para o rosto de um lago sereno ou de uma tempestade furiosa. Não se assuste, Sou Eu, a Onipresença! Onipresença! Não há poder no turbilhão, não há poder na tempestade, não há poder no problema. Eu estou lá; Eu Sou o Único Poder. Além de Mim, não há poderes, e eu sou Onipresença.

'Na casa de meu Pai há muitas moradas... Se não fosse assim, Eu o teria dito a você. Eu vou preparar um lugar para você.' Lembre-se sempre de que na Minha Casa  esta Divina Consciência , há muitas moradas. Lembre-se que Eu no meio de você vou preparar um lugar para ti. Quer você permaneça em casa ou saia de casa para o trabalho, ou para fazer compras, Eu estou lá para preparar um lugar para você.

Você traz esse Eu para uma expressão tangível somente no grau de sua consciência acerca Dele. É necessário haver ação; é necessário haver ação consciente, um reconhecimento consciente. "Arrependei-vos... Convertei-vos e vivei. Reconheça-O em todos os teus caminhos, e Ele dirigirá os teus passos... Tu conservarás em perfeita paz aquele cuja mente está firme em ti".

Ação! Ação! Ação! Uma atividade da consciência! E quando a sua consciência estiver ativa na Verdade  com a Verdade, e através da Verdade , você verá que a Verdade ativa na sua Consciência torna-se o próprio tecido da nova Vida.


Não Ontem, Nem Amanhã: Somente Hoje!

Você deve aprender a viver como se não houvesse ontem, a viver como se pecados ou erros jamais tivessem sido cometidos. Você tem que viver como se ontem tivesse passado. Assim como você marca a data em seu calendário, retira a folha do mês passado e joga no lixo, da mesma forma você tem que rasgar seu passado inteiro conscientemente, e ativamente viver como se hoje fosse o único dia que lhe foi dado viver. Se você tentar reviver o ontem, você estará revivendo erros e mais erros; então é melhor sua mente deixar o passado passar.

Deixa passar o ontem, e viva como se este fosse "o dia que o Senhor fez", e nenhum outro. Somente este dia está feito  não ontem e não amanhã. O ontem não foi feito, e o amanhã não foi feito. Nossos erros estão acabados e terminados – não existem! , nossos pecados estão superados. Nossos medos acabaram e terminaram. Agora, agora é o dia marcado.

"Agora é o dia em que eu reconheço o Espírito de Deus presente dentro de mim, e no qual reconheço a Presença de Deus presente dentro de vocês  de vocês, meus amigos, e de vocês, meus inimigos, aqueles que gostam de mim e aqueles que não. Eu reconheço Deus no meio de tudo. Louvo a Deus presente neles, e eles, por sua vez, reconhecem a Deus em mim. Não há ontem: tudo isso está acontecendo hoje.

Quando a meia-noite vem e vai, ainda é 'hoje'. Sem importar quantos dias e noites passem, ainda é o hoje no qual eu vivo a Vida da Onipresença; ainda é o hoje em que vivo na realização de uma Presença dentro de mim, que vai antes de mim para preparar moradas, que vai preparar um lugar para mim. Agora! Hoje! Hoje!"

Sem meditação, uma descoberta/realização como esta não pode vir. Não pode vir do ar; não pode vir de fora; tem que vir de dentro. Mas se é para vir de dentro, como pode vir, se não há períodos de quietude, de descanso, de confiança, de certeza, de períodos de escuta deste Eu que está no meio de nós? Como podemos ser ensinados sobre o Espírito, se não nos sentamos para comungar com Ele, deixando que esse Espírito Se revele a nós mesmos, na Sabedoria, na Verdade, na Vida e no Amor?


A Atividade da Meditação Interior Muda o Cenário Exterior

A meditação é uma atividade. Não é ficar desocupado, física ou mentalmente, embora outros que olhem para nós em meditação possam pensar que estamos tentando escapar do mundo. Não, não estamos tentando escapar do mundo: estamos tentando encontrar a realidade do mundo que está dentro de nós. Fora de nós, a imagem está sempre a mudar, de acordo com a mudança de nossa consciência, mas o mundo exterior nunca mudará para melhor a se não houver algo de dentro para trazer isso à tona, e esse "algo" é este reconhecimento:

"Há uma Presença, e esta Presença está dentro de mim para me instruir e me dar Luz. Assim como a vida da árvore flui para cima, através do tronco e para fora, em direção aos ramos, assim é a Vida que é Deus, fluindo universalmente no invisível, e ainda assim eu posso senti-la derramando em mim, o ramo, individualmente. Assim como Ela Se derrama em mim como um ramo, também está derramando a Si Mesma em todos aqueles que estão no mundo  que também são ramos –, dando-lhes renovação de vida que, com o tempo, aparecerá como folhas, brotos, flores e, finalmente, frutas e cultivos ricos.

Um ramo não pode dar frutos de si mesmo. Um ramo só pode dar fruto em virtude de sua Unicidade com sua fonte. Eu, por mim mesmo, nada posso fazer; mas ao me voltar para dentro, o Pai me instrui, me alimenta, me guia, me dirige e me protege; Ele vai antes de mim, caminha ao meu lado e atrás de mim, acima e abaixo, porque este Eu que está dentro de mim é Onipresença. Ele conduz os aviões, conduz submarinos, navios, comboios, automóveis. Isto é Onipresença; é Onipresença dentro de mim e dentro de você, onde quer que eu possa estar, e onde quer que você esteja. Eu, no meio de mim, Sou a Vida de todo Ser. Eu, no meio de mim, Sou a segurança, a paz, a prosperidade e a alegria de todo Ser.

A minha alegria, nenhum homem tira de mim. Porque a minha alegria não é dependente de coisas exteriores, do mundo. A minha alegria não é devida ao fruto na minha árvore: a minha alegria existe simplesmente por causa da Onipresença da Vida, que inevitavelmente deve aparecer como frutos. Eu não me vanglorio nos frutos de minha árvore, mas glorifico-me no Espírito de Deus em mim, que é o tecido do fruto que deve aparecer. Eu posso tomar o fruto, comê-lo, vendê-lo, ou usá-lo; mas dentro de mim está a Substância, a Essência, o Eu, a Presença, o Tecido de todo o fruto que há de vir para cada hoje que há, até a eternidade. 

Não me glorio na prosperidade exterior ou na saúde exterior. Eu me glorio na Essência que me preenche, esta Presença Divina, para que assim eu possa gastar o que tenho hoje e ser renovado; eu posso doar e compartilhar tudo o que o Pai me concede, e ainda conservar dentro de mim a Presença, a Substância, o Cajado da Vida, que, a seu tempo, aparece exteriormente como ainda mais outra mensagem, outro dólar, outra viagem, outra cura. Sempre, dentro de mim, está presente a Essência, a Substância, a Fibra, o Tecido daquilo que deve aparecer externamente".

É o nosso reconhecimento consciente dessa verdade o que faz com que a Presença do Espírito de Deus esteja disponível para nós.


Volte-se do Problema para o Eu

Sempre que um problema surgir em sua experiência, ou na experiência de outros que procuram a sua ajuda, não tente encontrar em sua mente uma solução para o problema, pois assim você estará buscando uma solução humana e empregando a capacidade humana na tentativa de resolvê-lo. Em vez disso, afaste-se imediatamente do problema e mantenha-se na realização deste Eu interior, que é Espírito, sabendo que esse Espírito é a solução para todos os problemas.

Aguarde em meditação até que você tenha o sentimento desta Presença, e então entregue o problema para Ela, e deixe-o ir. Não se debruce sobre o problema. Em vez disso, veja de que maneira Eu, o Espírito no meio de você, irá solucionar o problema. Eu irá sair e fazer o trabalho que for necessário para você, fará coisas que você nunca poderia conceber, e que você jamais poderia acreditar. Você não poderia fazê-lo por sua própria capacidade própria, nem poderia chegar ao mesmo resultado valendo-se de sua sabedoria. Tudo o que você pode fazer é voltar-se do problema para a realização de que Eu, dentro de você, é a solução do problema, e então aguardar em meditação até que você sinta Aquela Presença. Assim que o fizer, libere o problema, deixe-o ir. Não permita que o problema volte à sua mente. Deixe-o fora de sua mente, pois você já o liberou para o Eu que você é, o Eu dentro de você. Então você verá, em um, dois ou três dias mais tarde, como o problema foi resolvido de uma forma que você nunca poderia ter entendido ou realizado.


Onde Dois ou Mais Estão Reunidos

"Onde dois ou três estiverem reunidos em Meu nome, ali Eu estarei no meio deles". Isso significa que dois ou mais devem estar reunidos no reconhecimento deste Eu como Onipresença. Quando nós nos reunimos e estamos na lembrança consciente de que o Eu está no meio de mim, o que significa que Eu está no meio de você, e que Eu está no meio de todos os outros, então nós somos esses "dois ou mais" reunidos em Meu nome  o nome que Eu Sou.

Não faria diferença onde poderíamos estar  em uma classe do Caminho Infinito, em uma ceia, ou num piquenique. Se estivermos na percepção consciente de que a presença do Eu em nós é a presença do Eu em todos os outros, então seremos os dois ou mais reunidos nesse Nome, desde que nos mantenhamos nessa realização.

Você certamente pode ver o milagre e a magia disso. Eu não posso sentir inveja do Eu que eu sou, mesmo que o Eu que eu sou esteja aparecendo como você. Eu não posso roubar ou querer roubar de mim mesmo; e assim, ao reconhecer que meu Eu é você, eu não posso tirar nada de você. Estando nesse reconhecimento nós compartilhamos uns com os outros. Por quê? Porque é o Ser compartilhando com o Ser  dois ou mais reunidos no único nome Eu: Eu no meio de nós.

Não poderia haver luta em qualquer nível, nenhuma discórdia ou desarmonia, se houvesse um constante reconhecimento do Eu. Sou Eu aqui; Sou Eu lá; e é o mesmo Eu, pois somos Um.


Libere! Libere! Libere!

Uma vez por dia, em suas meditações, lembre-se conscientemente de liberar Deus, no sentido de liberá-Lo de qualquer responsabilidade pelos males do mundo  quer sejam os males que se aproximaram de sua morada ou da morada de qualquer outra pessoa, quer sejam os males coletivos deste mundo. Lembre-se de liberar Deus no sentido de perceber conscientemente que nenhum mal tem sua fonte em Deus, e que nada que não provenha de Deus tem poder. 

Ainda nessa mesma meditação, libere também toda a humanidade da responsabilidade, da culpa e da punição por seus pecados. "Pai, perdoa-os, porque eles não sabem o que fazem", quer sejam os pecados de seus amigos ou os pecados de seus inimigos; quer sejam ainda os pecados de sua nação ou os pecados de outras nações. Mas sempre lembre-se de que deve haver uma liberação, que deve ocorrer através de uma atividade consciente dentro de você.

"Pai, perdoa-os, porque não sabem o que fazem. Perdoa-os como eu seria perdoado. Qualquer erro que ainda possa estar oculto em mim, Pai, perdoa-me, pois eu não o faço consciente ou intencionalmente".

Desta forma, ao liberar Deus da responsabilidade pelos males do mundo, retiramos todo o poder da natureza errônea ou maligna do mundo, porque qualquer potência que essa natureza possa ter vem de uma crença universal de que Deus é a causa das discórdias e desgraças do mundo. Portanto, quando liberamos Deus de tudo isso, é como se estivéssemos liberando do mal todo o poder que ele tem, e reduzindo-o ao nada.

Da mesma forma, ao liberarmos cada indivíduo, estamos cumprindo a Oração do Senhor: "perdoai nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores". Perdoe a nós na medida em que perdoamos aqueles que nos tem ofendido. É necessário haver uma liberação consciente todos os dias. Eu não me importo se estamos falando de americanos ou russos, se do governo dos Estados Unidos ou da Rússia. Eu não me importo se estamos falando dos chineses, dos espanhóis, ou seja lá quem for: "Pai, perdoai-os, porque não sabem o que fazem".

E então você encontrará, dentro de si, a própria libertação que você oferece aos outros. É dito que tudo o que afrouxamos é afrouxado conosco, e que todas as coisas que atamos são atadas junto conosco. O mesmo ocorre a nós interiormente: quando liberamos Deus da responsabilidade pelos males do mundo, estamos liberando a nós mesmos de todos os males. Ao liberarmos os pecadores da responsabilidade por seus pecados, libertamos os pecadores que nós próprios somos  ficamos liberados de todos os nossos pecados cometidos por ação ou omissão.

Em nossa experiência humana, é impossível não pecar. Pecamos todos os dias por dar falso testemunho contra alguém, seja ele um amigo ou inimigo. Fomentamos o falso testemunho todos os dias, e de muitas maneiras ficamos aquém do ideal cristão. Mas nós não seremos perdoado por nossos pecados a não ser na medida em que perdoarmos aqueles que pecaram contra nós, ou contra este mundo.

"Acima de tudo, não tenhas medo. Não tenhas medo, pois sou Eu. Em silêncio e confiança, perceba que Eu, no meio de ti, sou poderoso. Na quietude e na confiança, tu compreenderás: Não tenhas medo, eles têm apenas o 'braço da carne', as 'armas carnais'. Eu, no meio de ti, sou poderoso e nunca te deixarei, nem te desampararei. Somente não tenhas medo, não tenhas medo!"


quinta-feira, agosto 16, 2018

O Eu Místico - 7/12


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O Eu Místico

CAPÍTULO 7
DESPERSONALIZANDO O ERRO

A história do mundo registra centenas de místicos que se elevaram tão alto em consciência ao ponto de realizarem o Eu; no entanto, muitos deles jamais conseguiram desfrutar de uma vida feliz, saudável e bem-sucedida, e nem formaram um corpo de alunos capazes de revelar ao mundo a harmonia divina aqui disponível para todos. Por que ocorre isso? Por que tantos místicos atingiram tamanha elevação e, mesmo assim, foram atormentados pelas discórdias deste mundo? Eis o motivo: eles não captaram a importância e o significado da natureza do erro.

Sem uma compreensão da natureza do erro, este mundo não será, na próxima geração, diferente do que tem sido na atual. Todos sabemos que têm havido várias revelações do Eu, mas também sabemos que elas não salvaram o mundo. No entanto, a revelação da natureza do erro, combinada com a revelação do Eu, pode fazer isso, e irá fazê-lo.


Uma Compreensão do Não-Poder do Efeito É Essencial

É verdade que a natureza do erro foi ensinada, em certa medida, nos primeiros anos de ensino e cura metafísicos, mas o real significado do princípio da nulidade e não-poder da doença não foi compreendido. Acreditava-se que a mente, que foi tornada um sinônimo de Deus, era o poder que curava a doença; em resumo, acreditava-se que Deus era o poder que a removia. No entanto, se você aceitar a verdade de que Deus é Onipotente, logicamente concluirá o seguinte: "Ora, então nada, além de Deus, é poder". Isso deve significar a impotência de toda e qualquer coisa que se apresente a você como poder, seja uma pessoa, uma circunstância, uma coisa ou condição. Então você poderá olhar para ela objetivamente, e perceber o quão impossível seria para ela ser um poder ou ter um poder, já que Deus é Onipresente e Onipotente  a única Presença e o único Poder.

Quanto mais consciente você se torna da natureza de Deus como Onisciência, Onipotência e Onipresença, mais consciente você se torna do não-poder deste mundo de efeito. Talvez você fique a imaginar o que impediu os místicos de outrora de descobrirem esse princípio, e a resposta é que suas mentes estavam condicionadas, assim como a mente de alguns dos místicos de hoje estão condicionadas. Eles acreditavam que o karma é poder, mais poderoso até do que Deus, ou acreditavam que Deus usa o mal para os Seus propósitos. Eles estavam tão condicionados que não podiam abrir mão de sua crença no poder do pecado, doença, falsos desejos, carência e limitação. Isso é o que torna difícil explicar este princípio àqueles que não foram interiormente conduzidos a um tal ensino. Mas aqueles que foram conduzidos a ele, mais prontamente puderam aceitá-lo e compreendê-lo, certamente por já terem comprovado em alguma medida o não-poder do erro, de alguma forma ou de outra. Tudo o que você experimentou, no entanto, é apenas um começo.


Os Poderes Deste Mundo Não São Poder na Presença de Deus

Como milhões de pessoas da atualidade, séculos atrás, também os hebreus oravam a Deus para destruir os males de seu mundo, mas eles nunca foram destruídos. Desde o advento do cristianismo, os cristãos têm orado a Deus para vencer os males do seu tempo, e essas preces também nunca foram bem-sucedidas. Pessoas de outras religiões e ensinamentos também oraram para superar os males de seu mundo, e ainda assim eles não foram vencidos. E isto jamais acontecerá até que cheguemos ao reconhecimento de que temos perdido tempo lutando contra o mal. Se Deus pudesse lutar contra o mal, não seria necessário orarmos a Ele para que fizesse isto. Deus faria isso sem que fosse necessário qualquer pedido.

Em suas orações, não comece a dizendo a Deus sobre algo que Ele não esteja fazendo. A sabedoria de Deus é infinita   não a sua sabedoria, mas a sabedoria de Deus. A sua sabedoria passa a ser infinita quando você "morre" o suficiente para as suas teorias, suas crenças, seus conceitos, e, em meditação, você se abre em consciência para receber a sabedoria de Deus. Só então a sua sabedoria é infinita, porque não é realmente sua sabedoria, mas de Deus.

Em suas meditações, eventualmente, você chegará a uma profunda comunhão com Deus. Essa Presença é tão real e tangível quanto qualquer coisa que você tenha conhecido, ou até mesmo muito mais real; e quando, através de suas meditações, você começa a comungar com esse Espírito dentro de você, Ele vai muito rapidamente convencê-lo de que os poderes do mundo não são poder, e, mais especialmente, de que os poderes malignos do mundo não são mal algum. De fato, nada é mal, a não ser que o pensamento o torne assim. Aceitá-lo como "tal" o torna assim; porém, em si e de si mesmo, o mal não existe.

Em qualquer medida que tenha experimentado uma cura espiritual, você já terá provado esta verdade. Em outras palavras, se você esteve com um resfriado, que seria supostamente um poder, e obteve uma cura espiritual dele, então irá saber que isto provou que o resfriado não era o poder que ele afirmava ser.

Se você teve uma doença mais séria e, através da consciência espiritual sua ou de outra pessoa, viu a dor e os sintomas desaparecem e a harmonia ser restaurada, tudo o que você realmente experimentou foi a nulidade daquilo que estava aparecendo como uma doença, porque se ela fosse realmente alguma coisa, continuaria existindo como alguma coisa. O próprio fato de ela ter desaparecido sem o uso de remédios materiais, cirurgia ou qualquer outra espécie de procedimento, significa que ela não era aquilo que alegava ser.


O Mal, um Hipnotismo Universal

Todo mal, seja qual for o seu nome ou natureza, é produto de um hipnotismo universal, ou prática errônea baseada na crença em dois poderes, que Paulo descreveu como "mente carnal". Qualquer discórdia à nossa frente nada mais é que este senso mesmérico. Não se trata de uma crença minha ou sua; trata-se de uma crença universal e impessoal, sob a qual nos colocamos, em virtude de nossa ignorância da Verdade.

Através da atividade da mente carnal, operando universalmente, ficamos sujeitos a esse hipnotismo desde o momento da concepção; e se estivermos vivendo sob a lei do bem e do mal, tudo pode acontecer. Nós estamos sujeitos ou à mente carnal universal – às suas crenças e atividades de ponta-cabeça –, ou estamos sujeitos (e respondendo cada vez mais) ao impulso espiritual. 

Exemplificando, quando no outono caem as primeiras chuvas frias, provavelmente três ou quatro, a cada dez pessoas, apanharão um resfriado, não por terem sido vítimas dos próprios pensamentos errôneos, mas devido ao hipnotismo universal oriundo da crença em dois poderes. Esse hipnotismo pode e deve ser rompido, mediante a conscientização de que não precisamos estar sujeitos ao mesmerismo do mundo, e pela compreensão de que o hipnotismo, ou mente carnal, não é de Deus  não é espiritualmente ordenado, não tem lei espiritual para sustentá-lo. Portanto, não é poder.

Nós não lutamos contra o hipnotismo ou mente carnal; não discutimos com ele; nós não tentamos destruí-lo nem nos elevarmos acima dele. Para nós, o hipnotismo e a "mente carnal" são meramente nomes que identificam o bem e o mal como a essência de toda limitação, e conforme sobrepujamos a crença nos poderes do bem e do mal, começaremos a dissolver a fonte de nossas discórdias e desarmonias.

Quanto mais vivemos na percepção de que não precisamos nos sujeitar ao hipnotismo universal da crença mundial em dois poderes, mais nos libertamos dessa influência para vivermos sob a Graça, em vez de sob a lei. Quando compreendemos a Deus como Onipotência, podemos então perceber que o hipnotismo, o mesmerismo, a mente universal ou a crença universal em dois poderes, não são de fato poder; e conforme for o grau dessa realização, proporcionalmente nos tornaremos livres.

Essa crença universal da mente humana (ou carnal) pode atuar como poder apenas por causa de nossa aceitação dela como tal; mas, em si e de si mesma, inexiste qualquer poder na sugestão de uma entidade além de Deus, separada de Deus, ou de uma presença ou poder apartados de Deus. A única presença é Onipresença. Mesmo que possamos acreditar ver um fantasma – mesmo que possamos ver pecado, doença ou morte –, a única presença é Onipresença.

Deus é o único poder, a despeito das aparências, e Deus é Onisciência, é Todo-Sabedoria. Portanto, não precisamos saber nada sobre a atividade da mente ou do corpo. Tudo que nos cabe fazer é descansar na Onisciência de Deus, repousar em Sua Infinita Sabedoria. Ao permanecermos na Onisciência, Onipotência e Onipresença, poderemos convictamente afirmar: "Ah, sim! Entendo que não há presença e não há outro poder além de Deus, e isso que nós chamamos de crença em dois poderes  a mente carnal  isso não é poder. Ela não pode atuar no homem, ou através dele".


O Mal é Impessoal

Todo o mal é impessoal: não há pessoa em quem, sobre quem ou através de quem ele possa operar. Seja uma alegação de tempo, de carência, ou de doença  seja qual for o nome ou a natureza do mal  ele é impessoal. Não teve sua origem em mim, em você ou em qualquer pessoa, lugar, coisa ou condição. A raiz de todo mal é a mente carnal, ou a crença em dois poderes. E a crença de que há poder na doença, no pecado, na carência, é o hipnotismo causador de toda a discórdia no mundo. 

À medida que percebermos mais e mais que em todo este mundo não há tal coisa como o "bem" e o "mal" existindo como uma entidade, ficaremos sem a mente carnal. Portanto, mesmo pensar ou dizer que tal pessoa, coisa ou condição sejam boas, significa permitir que a mente carnal nos controle. Há somente um Ser, uma Essência, um Poder, e este é Consciência  Deus. A Consciência não é boa nem má: ela simplesmente "É".

Para que a Consciência fosse boa ou má, Ela teria que ter um oposto, e Ela teria que possuir graus. Não há opostos em Deus; não há graduações em Deus: Deus é infinito; Deus é Onipresente, Onipotente, Onisciente, o que não deixa espaço para opostos, oposição, limitação ou finitude. Ao permitirmos que limitação e finitude operem em nossa consciência, estaremos trazendo a mente carnal à nossa experiência. A mente carnal não é vencida por se lutar contra ela, mas através do reconhecimento de que ela composta pela crença no bem e no mal.


Nós Reconhecemos o Bem e o Mal na Experiência Humana

Isso não significa que deixaremos de tomar conhecimento do bem e do mal em nossa vivência cotidiana. Naturalmente, nós reconhecemos que uma condição de saúde é uma experiência melhor em nossa vida do que a de doença; e um dos frutos da vivência espiritual é um senso máximo de saúde que podemos estar agora desfrutando. Assim, enquanto é verdade que humanamente nós parecemos ser compelidos a reconhecer as limitações do bem e do mal, devemos reconhecer que a Consciência não incorpora em Si mesma quantidades ou qualidades do bem e mal, ou de limitação.

Ao nos envolvermos com a rotina das atividades diárias, internamente manteremos nossa percepção do Eu como consciência individual, e reconheceremos que tudo o que aparece em nossa experiência como pecado, doença, morte ou limitação é a mente carnal, o "braço de carne", ou seja, nenhuma mente.

Não negaremos que existam maus motoristas, motoristas alcoolizados, descuidados ou incompetentes nas estradas. No que diz respeito ao cenário humano, os trajetos estarão cheios de pessoas boas e más; mas, ao assim reconhecermos, assumiremos a nossa postura espiritual: "Sim, essa é esta é a aparência decorrente da crença no bem e no mal  mente carnal –mas ela não é poder: não é ordenada, mantida ou sustentada por Deus. É apenas o 'braço de carne'".

Ao longo de nossa experiência humana, não podemos evitar de tomar conhecimento de pecado, de doença e pobreza no mundo, condições que estarão no mundo enquanto existir uma raça que não tenha se emancipado. Enquanto perdurar um mundo fundamentado na crença no bem e no mal, estas imagens estarão aqui para serem vistas: doença por toda parte, morte, insanidade, e todas as demais coisas componentes da mente carnal. O que irá determinar a harmonia de nossa experiência é a maneira como reagiremos a esses quadros – não por esconder nossas cabeças na areia (como faz o avestruz), reivindicando ou declarando que elas não existem –, mas reconhecendo: "sim, elas são o 'braço de carne'. Têm poder temporal. Elas são poder para um mundo que crê no bem e no mal, mas não são poder para mim. Eu sei que existe somente um Poder."

No início de nossa jornada espiritual, estamos apenas saindo do conceito mortal de mal para um conceito melhorado de vida humana, com mais saúde, mais prosperidade ou felicidade. Contudo este não é o objetivo final de vida. O sentido definitivo da vida é a realização espiritual que, no momento certo, nos erradica de ambos os conceitos de vida humana: o bom e o mau.


A Onipotência do Eu

Ao testemunhar os males do mundo, a medida que eles surgirem na sua vida ou na de seus familiares, vizinhos ou em sua nação, certifique-se de estar cobrindo, em sua meditação, os dois maiores princípios de O Caminho Infinito: primeiro, abra a porta de sua consciência e admita o Eu; e a seguir faça o reconhecimento:

"Não tenha medo, Eu estou contigo. Não tenha medo dos que estão por aí. Eu sou Ele. Eu estou aqui, e Eu estou lá. Não tema: Eu, no meio de ti, sou poderoso. Eu sou a vida eterna. Eu sou o Caminho. Apenas confie em Mim. Não tema o perigo, porque não há poder algum externo a ti. Eu, dentro de ti, sou o poder infinito, todo o Poder, o único Poder. 

Viva pela Graça, pois Eu sou o seu alimento, seu vinho, sua água. Eu posso lhe dar a água que, ao ser bebida, fará com que jamais volte a ter sede. Eu tenho alimento que o mundo não conhece. Eu sou a Ressurreição, Eu sou o Caminho. Eu sou o Caminho para a sua paz; Eu sou o Caminho para a sua abundância; Eu sou o Caminho para a sua segurança.

Eu sou a rocha. Eu sou a fortaleza. Eu sou a torre alta. Permaneça em Mim, e permita que Eu permaneça em ti, e mal algum se aproximará da tua morada. Nenhuma arma apontada para ti te atingirá, porque são todas sombras, não são realidades, não são poder. Eu, dentro de ti, sou a Onipotência, o único Poder. Essas flechas, esses dardos envenenados, esses germes, essas balas, essas bombas: são todos sombras, são crenças em um poder que não sou Eu. São a crença universal em dois poderes. Acredite em Mim como Onipotência."

Você não estará na Mística até que tenha aberto a sua consciência e admitido a Verdade de que Eu, no meio de você, sou Ele  o Cristo vivendo em você , e que a Anunciação significa a concepção do Cristo em você. Seu reconhecimento desta verdade é o nascimento do Cristo em você. Mas, uma vez que você O admitiu, não se esqueça de que o trabalho não estará completo até que você tenha aceitado a Onipotência do Eu, que é o primeiro princípio do Caminho Infinito, junto com o segundo, que é o "não-poder" de tudo aquilo que está aparecendo como o mundo dos efeitos.


Reconheça o Mal como a Mente Carnal

Em sua experiência, você estará lidando com pessoas de diferentes níveis de consciência, com variados graus de bem e de mal, e mesmo que elas não tenham contato pessoal com você, virá ao seu conhecimento o mal em pessoas ativas em ocupações nacionais e internacionais. Não será o suficiente  eu posso lhe garantir – você apenas testemunhar o fato de que o Cristo está presente nelas. Você deve dar o segundo passo e também reconhecer que a mente carnal não é poder. Somente assim a sua prece ou meditação estará completa. Até que você tenha reconhecido: "Eu, no meio de mim, é Deus; Eu, no meio de ti, é Deus; e a mente carnal, a crença universal em dois poderes, não é poder", então, e somente então, seu trabalho estará completo.

Não tente destruir o mal em uma pessoa. Perceba a natureza universal e impessoal da mente carnal, e depois "esvazie" isso, chegando ao "nada". Isso pode ser feito porque Deus nunca criou uma mente carnal. Deus nunca criou dois poderes. Deus nunca criou o mal. Portanto, ao realizar a "despersonalização" e a "anulação", você conduz sua oração, tratamento ou realização a uma conclusão. Então você poderá descansar e ter certeza de que você realmente lidou com a situação de forma espiritual e inteligente, por ter honrado a Deus, reconhecendo a Sua Onipotência. Você honrou a Deus ao reconhecer a Onipresença, a Presença de Deus dentro de você – o verdadeiro Eu do seu ser –, e praticamente varreu o diabo para longe, pela conscientização de que a mente carnal, a crença universal em dois poderes, não tem nenhuma lei de Deus a mantê-la.

O mal que se aproxima de sua morada sempre se personaliza. Ele vem como um pecado, como uma tentação, como um falso desejo seu, ou de alguma outra pessoa. Ele sempre se personaliza como "ele", "ela" ou "você". Observe como você jamais pensa no alcoolismo, mas pensa em alguém alcoólatra. Você nunca pensa no vício em drogas, mas pensa no viciado em drogas. Você nunca pensa na mente carnal universal: você pensa no homem mau na prisão, porque o mal sempre surge numa forma personalizada. Ele veio a Jesus na forma de diabo. O mal sempre se personaliza, mas quando Jesus  encarou o diabo, não havia diabo algum ali. Foi apenas uma tentação em sua mente, e foi em sua mente que ele teve que ser encarado. 

Assim, não há nenhuma pessoa má a confrontá-lo. Não existe nenhuma condição maligna a confrontá-lo. Isto é uma personalização da impessoal mente carnal – não uma crença sua ou minha, mas a crença universal em dois poderes. À medida que você reconhecê-la e despersonalizá-la, o mal se afastará da pessoa, seja na forma de pecado, doença, falso desejo, ou o que quer que seja. Sua saída é às vezes, muito rápida; em outras vezes, é lenta, dependendo do grau de receptividade de cada um.


Nenhum Poder de Deus é Usado

Quando você aprende a despersonalizar o mal, não terá que apelar a um poder divino. Você somente será capaz de aceitar a Deus como Onipotência, se puder perceber as aparências malignas como maya ou ilusão, e, em vista disso, abandonar a pretensão de que Deus faça alguma coisa com elas. Agindo assim, você estará na sabedoria espiritual. Poderá, então, dizer ao cego: "Abra seus olhos". Contudo, no instante em que intencionar que um poder divino faça algo pelo cego, terá perdido a demonstração.

Se puder olhar para o paralítico, e dizer: “Levante-se, tome seu leito e ande”, você conseguirá dar-lhe ajuda; porém, se recorrer a Deus para que faça algo por ele, você estará participando do mesmo sonho em que o paralítico está. Os espiritualmente iluminados sabem que não há necessidade de recorrer a Deus por alguma coisa, porque Deus está sempre cuidando de Seus negócios. Ele não precisa ser lembrado, dirigido nem clamado.

Se você deseja realmente honrar a Deus, saiba que Deus está sempre sendo Deus; Deus está sempre mantendo e sustentando Seu universo espiritual. Então, colocando de lado a necessidade de recorrer a Deus, irá conscientizar: "Que poder há além de Deus? Que presença há além de Deus? Não devo ser enganado por aparências". Assim você verá a retidão se revelar. Nenhum poder divino é usado. O poder divino estava presente desde o princípio, mas o reconhecimento de Sua Onipotência e Onisciência, combinado com o reconhecimento da natureza irreal das aparências, trouxeram-no à infinita manifestação.


Desperte da Inércia para o Ser

Está em nossas mãos! Dentro de nós reside o poder de determinar se valorizamos ou não nossa liberdade o suficiente para rompermos com a inércia mental que nos impede de perceber, duas, três ou mais vezes por dia, de forma consciente, a Verdade. 

Cada um de nós tem um destino espiritual. Então, o que nos impede de vivenciá-lo? A crença em dois poderes  o bem e o mal , que se cristalizou tanto na consciência humana que formou uma malversação, um hipnotismo, que nos mantém sob sua a lei, em vez de sob a Graça! Uma vez que sabemos a verdade de que toda forma de discórdia em nossa vida é uma forma de hipnotismo, e, na proporção em que pudermos aceitar que somos o Eu Divino – o Ser de Deus , ficaremos livres dos pecados, medos e doenças deste mundo. Nossa mente não tentará alcançar Deus, não buscará o bem: estaremos completamente livres de buscar qualquer tipo de coisa. Deus É, Eu Sou; nesta verdade permanecemos repousados. 

E assim conscientizamos:

"Minha vida e a vida de Deus estão unidas, constituindo a única Vida. Minha mente e a mente de Deus são a única Mente. Nada pode nos separar ou dividir. Nem a vida nem a morte podem separar-me da Vida de Deus, do Amor de Deus e da Abundância de Deus, porque Deus é isso AGORA: eu não posso criar isto  e nem mesmo Deus pode fazê-lo, pois já tem sido assim desde o princípio. O que Deus uniu, nenhum homem, circunstância ou condição podem separar, e qualquer crença ou poder que eu vinha aceitando até aqui, referentes a uma presença ou poder apartados do Eu que Eu Sou, rejeito conscientemente embasado na Onipotência e Onipresença."

Despersonalize Deus; despersonalize o mal. Conheça a natureza do Eu como sendo Universal; Vida e Existência Universais. Não permita que o "véu" que personaliza Deus volte a ser colocado. Não construa imagens de Deus: não faça uma escultura em madeira; não faça uma estátua de marfim ou de ouro; não faça sequer uma imagem mental de Deus. Assim você não estará personalizando Deus. 

No minuto exato em que você faz uma imagem de Deus em seu pensamento, você está personalizando, e você estabelece que esse conceito seja Deus  e um conceito não pode ser Deus. Só Eu posso ser Deus, e você não pode ter uma imagem mental desse Eu. Essa é a única palavra que desafia a descrição. Tente o quanto quiser, mas não conseguirá fazer uma imagem mental do Eu.

Quando esta verdade lhe for desvelada, jamais ela voltará a ser encoberta para você. Você nunca mais será capaz de voltar a fazer conceitos de Deus, ou de esperar que Deus faça algo quanto à nulidade e impotência – não-poder – deste mundo do efeito. Sempre aquele sorriso lhe virá aos lábios, e a palavra Eu lhe surgirá; e então você estará em paz, estará repousado. E nesse estado de quietude e confiança, você se tornará um observador de Deus em ação. Não irá acioná-Lo; não irá instruí-Lo; não irá dirigi-Lo; não irá colocá-Lo em expressão: em quietude e confiança, apenas se tornará um espectador, vendo-O trabalhar.