"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

terça-feira, maio 24, 2016

A identidade espiritual do homem



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A INVISIBILIDADE DA IDENTIDADE ESPIRITUAL

Esta vida que estou experimentando não é a minha vida, mas a vida de Deus: infinita, eterna, imortal. Este corpo, que é meu veículo de expressão, é o corpo de Deus. Se fosse meu, seria isolado e separado de Deus; e como eu o preservaria? Mas este não é meu corpo, é o corpo de Deus em uma de suas infinitas formas e expressões. O controle está em seu ombro para manter e sustentar este corpo e sua individualidade até a eternidade. Ele nos prometeu que nunca abandonará Seu universo: Ele nunca me deixará ou me abandonará. Isso não quer dizer que Ele não deixará minha alma apenas. Quer dizer que ele não abandonará meu corpo também. Deus não abandona minha alma ou meu corpo, porque eles são um só. A alma é a essência e o corpo é a forma.

“Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte”, você andaria nele comigo e eu me encontraria com a mesma individualidade e o mesmo corpo. À medida que minha compreensão disso aumenta, todavia, minha sensação física de corpo tomará uma aparência sempre melhor, não porque o corpo mude, mas porque meu conceito de corpo muda. Meu corpo é sempre o mesmo: infinito, imortal, útil, vigoroso, essencial e eternamente jovem. Meu conceito dele pode variar. Eu posso aceitar um conceito de envelhecimento e mostrá-lo, porque tudo o que eu aceito em minha consciência está visível na aparência. Mas, se eu aceito em minha consciência a verdade de que este corpo é o templo de Deus, formado, mantido e sustentado por Deus, então tenho um conceito de imortalidade mais perto da verdade do ser. Assim, meu corpo manterá sua aparência amadurecida, sua força amadurecida e sua harmonia amadurecida. Meu corpo é eterno, apenas meu conceito dele muda.

Cada ano nosso conceito de corpo melhora à medida que permanecemos na identidade de toda vida e, à medida que nosso conceito melhora, nossa aparência também. Deus é o princípio de tudo o que existe; portanto, tudo o que existe é eterno. Apesar de passarmos pela experiência de que o mundo clama a morte, ainda estaremos intactos, perfeitos, integrais, completos e espirituais, manifestando-nos como forma, porque não pode haver Eu oscilando aqui fora no espaço. O Eu é sempre criado.

Quando você olha para uma árvore, você acredita realmente que está vendo uma árvore. Assim, quando as folhas caem ou os ramos morre, você pode pensar que a vida não é eterna porque as flores, os frutos, os ramos estão mortos e você os viu secos e sem vida. Mas você nunca viu uma árvore. De fato, em toda a sua vida, você realmente nunca viu uma árvore. Você viu o efeito ou a forma de uma árvore, mas a própria árvore é tão invisível quanto eu ou você o somos.

Se eu quiser vê-lo, apenas na verdadeira elevação de meus momentos iluminados que posso entrar em contato com a realidade do "Você" que você é, o que você entende quando diz “Eu”. Se você fechasse os olhos já e dissesse “Eu, Maria”, “Eu, Jorge”, ou qualquer outro nome que fosse, você saberia imediatamente que eu não poderia vê-lo, porque essa Maria ou esse Jorge não estão em lugar nenhum visível. O corpo não é você: a cabeça, o pescoço ou os braços são seus; todo o corpo, da cabeça aos pés, é seu, mas ele nunca é você.

Quem o conhece? Quem me conhece? Quem já o viu ou já me viu? Cada um de vocês tem um conceito sobre mim e há tantos conceitos diferentes, quanto há pessoas que acolhem esses conceitos. Eu não reconheceria nenhum deles como sendo Joel, porque eu me conheço por dentro e você não. Você simplesmente formou uma opinião a meu respeito, uma ideia às vezes boa, às vezes má, mas nunca correta, porque tudo o que sou, eu sou. Essa é minha verdadeira individualidade, que não exibo a ninguém. Eu não permito que ninguém saiba como eu sou em meus piores momentos, mas os bons eu oculto também. Meu ser está oculto no meu interior, completamente isolado, seguro, com Deus. Assim, eu divulgo apenas certas qualidades, sobre as quais você forma um conceito ou uma opinião.

Eu também formo conceitos ou opiniões sobre você. Às vezes, afirmo erroneamente que não penso que esse ou aquele aluno nunca chegará a qualquer lugar espiritualmente e, então, ele me confunde como sendo um dos melhores. Além disso, os Judas, os Pedros e os hesitantes Tomés mostram-nos o quanto nossos conceitos podem estar errados, quando os vestimos com todas as glórias da pura espiritualidade e então eles deixam de corresponder a essa convicção e confiança.

Muitos de vocês têm sido ensinados, em Metafísica, que toda pessoa é uma ideia espiritual, o filho de Deus e que aqueles gatos, cães e flores são idéias espirituais. Isso não é verdade e nunca foi. Uma ideia espiritual é perfeita e eterna nos céus. Uma ideia espiritual nunca muda, nunca falha, nunca tem um sentido de separação de Deus, nunca envelhece e nunca morre. Ela nunca pode ser vista com os olhos. Nunca! Assim como você não pode me ver, porque esse “eu” é uma ideia espiritual, do mesmo modo você não pode ver um gato, um cão, uma flor ou uma árvore. Você só pode ver a forma. A ideia espiritual é a própria entidade, que é a identidade espiritual, mas o que você viu é o seu conceito daquela identidade espiritual.

Você não pode ver a minha mão. Você nem mesmo sabe o que é uma mão. Olhe para a sua mão e então procure compreender que você não a está vendo. Você está vendo sua ideia dela aparecendo como forma. A própria mão é uma ideia espiritual permanente e nunca muda, nunca envelhece e nunca morre. É um instrumento para seu uso, preparado para você no princípio e ficará com você eternamente.

O propósito dos ensinamentos de O Caminho Infinito é conduzi-lo àquele estado de consciência em que, quando você vê uma pessoa, uma coisa ou uma condição contraditória, você não tenta mudá-la. Não tente manipular nada externamente. Perceba que você não está examinando algo, mas um conceito que em si e por si mesmo não tem poder, presença ou realidade. A realidade que você está testemunhando é eterna nos céus, perfeita. Quando você olhar para um corpo harmonioso, um corpo jovem ou fisicamente perfeito, lembre-se de que você não está vendo uma ideia espiritual. Você está olhando o seu conceito de uma ideia espiritual. Quando compreender isso, começará a se livrar de qualquer mal e o restabelecimento virá rapidamente.


UNIDADE, UM RELACIONAMENTO ETERNO

Diariamente somos tentados a acreditar em uma separação de Deus. Uma pessoa pode ter um pecado grande ou pequeno na sua vida e estar certa de que é o bastante para afastá-la de Deus. Uma outra sente que cometeu um erro de um certo tipo, algum ato de ação ou omissão, que vai afastá-la. Uma outra pessoa ainda torna-se vítima de uma grave enfermidade e pensa que isto é um sinal de afastamento de Deus. Outra pessoa também atravessa um período de carência ou limitação e aceita isso como evidência de que está isolada e separada de Deus e, nessa aceitação, reside a continuidade de sua dificuldade. A identidade com o Pai é um relacionamento eterno. Tudo que você pode manter é a sensação de afastamento de Deus. A sensação de afastamento de Deus pode ser superada pelo conhecimento da verdade.

“Eu nunca estou afastado de Deus. Todos os pecados que eu já cometi ou que possa cometer nunca me afastarão do amor de Deus. Nem toda a necessidade ou limitação me convencerão de que eu me separei do Pai ou de que estamos à parte um do outro. E nem todas as enfermidades, até mesmo a morte, me farão acreditar que Deus se afastou de mim. Apesar do fato de que neste momento eu estou mantendo uma sensação de afastamento de Deus, Deus existe e habito em sua existência”. 

Rompa essa sensação de afastamento não tentando fazer uma demonstração no espaço ou no tempo, mas recolhendo-se para aquele santuário interior, tornando-se muito calmo e começando novamente com tudo que você aprendeu, para se reassegurar da natureza permanente de seu ser e verdadeira identidade.

“Antes que Abraão existisse eu sou”. Eu viverei até a eternidade. Eu nunca serei abandonado ou esquecido. Eu nunca estarei sem a vida e o amor de Deus, o Espírito e a alma de Deus. Se, por qualquer razão, eu tenha manchado ou estou manchando o templo de Deus, há muito sabão e muita água. Eu limparei isso com a compreensão de que a verdadeira natureza de meu ser é Deus”.

“Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço” (Romanos 7:19). Parte da natureza humana está expressa naquela afirmação de São Paulo, mas “esquecendo-me das coisas que atrás ficam” (Filipenses 3:13), procurando no futuro, avançando, agora, neste momento de consciência, começamos a nos elevar de novo. Se pudermos ser generosos o bastante para perdoar nosso semelhante “setenta vezes sete” (Mateus 18:22), certamente poderemos ser tão generosos com nós mesmos e perdoar-nos, sabendo que nas profundezas de nosso ser somos puros, bem como os nossos motivos. Nas profundezas de nosso ser, somos limpos e qualquer impureza que houver em nós representa apenas aquele conceito hipnótico do mundo dos homens que não superamos completamente e que mesmo o Mestre não superou até próximo do fim de seu grande ministério, quando disse: “Eu venci o mundo” (João 16:33).

Quando somos ressuscitados, isto é, quando “morremos diariamente” em tal grau, que nos apossamos da compreensão consciente de nosso verdadeiro ser, então nós também seremos capazes de dizer: “eu venci o mundo”. Vencemos o mundo quando já não odiamos, tememos, amamos, cremos ou confiamos em alguém ou alguma coisa no mundo e mesmo no amor, porque vemos o Espírito de Deus no centro de todo ser. Então, podemos olhar para toda pessoa na carne e reconhecer que não estamos vendo, porque ela é invisível.

É difícil para alguém ver Jesus em seu verdadeiro ser. Só Pedro o reconheceu como o Cristo. Assim, você também se mantém olhando para a pessoa e dizendo que “há José, João ou Elizabete”, até que um dia você examinará aquela aparência e dirá: “não, há o Cristo!”. Todo vidente ou mestre olha para a aparência humana e a rejeita: “Não, não, não você não é José, João ou Elizabete. Você é o Cristo. Você não vê que com meus olhos eu o vejo, com meus olhos interiores. Eu reconheço você; eu saúdo o Cristo de Deus”.

O conceito do mundo sobre você é visível, mas você mesmo está brilhando para fora, por detrás de seus olhos. Assim, você é o Cristo invisível ou o filho de Deus. E, agora, assim como você está dirigindo seu olhar para fora através de olhos adultos, lembre-se de que houve um tempo que você esteve olhando para fora através de olhos juvenis e um outro tempo em que você esteve olhando para fora através dos olhos de uma criança. Mas sempre foi você olhando para fora através daqueles olhos, você é invisível.

“Eu estou oculto com Cristo em Deus. Sou invisível ao mundo. É por isso que as armas do mundo não me podem atingir, pois eu não estou no mundo. Sou invisível”.

Quando você chega a esse ponto, sua consciência se enriquece espiritualmente com a graça de Deus, além de qualquer outra coisa que você realizou com seu pensamento e conhecimento corretos, com suas leituras e meditações bem orientadas. Em outras palavras, você se conduz a um certo grau de esclarecimento pelo conhecimento da verdade correta sobre Deus, sobre os homens e sobre o universo. Você enriquece sua consciência com qualquer mensagem espiritual que você lê, estuda, pondera e sobre a qual medita. Mas, além e acima disso, está o instrumento adicional, dado a você pela graça de Deus, que realiza a verdadeira espiritualização do seu ser. O que você faz é apenas uma preparação para aquilo que recebe.


sábado, maio 21, 2016

Pescadores de homens

- Joel S. Goldsmith -


Nas escrituras e literatura espiritual, muitas referências lhe indicam que você deverá modificar algo em seu modo de vida, ou fazer alguma coisa para receber a Graça de Deus. Lembre-se do que agora lhe digo: a responsabilidade não lhe pesa sobre os ombros ou sobre os ombros de alguém. Assim, peço-lhe que se abstenha de criticar ou julgar as pessoas e, especificamente, deixe de julgar, criticar, condenar ou menosprezar a si mesmo e sua própria compreensão, pois a responsabilidade pelo seu aprimoramento não recai sobre seus ombros: recai sobre os ombros do Cristo.

Relaxe mais na conscientização de que o Cristo é quem o está conduzindo, guiando e dirigindo. Nunca creia que os santos, sábios e profetas do mundo, por alguma grandiosa ação de vontade própria, chegaram àquela posição, pois não é verdade. Mesmo atualmente, constatamos a existência de suficiente número de amadas luzes espirituais, mestres, líderes e praticistas, para sabermos que jamais alguém abandonou o conceito pessoal de vida para se tornar esse mestre ou líder espiritual conhecido: saíram do mundo dos negócios ou dos afazeres caseiros pela Graça de Deus, que os tornou "pescadores de homens".

O Mestre andava pela encosta e, ao escolher seus discípulos, prometeu-lhes: "Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens". Você poderia pensar que eles fossem homens de elevada compreensão, pela obediência que demonstraram. Mas não, eles não possuíam poder algum para deixar de obedecer. Não possuíam maior poder para resistir ao chamado do Mestre do que o poder que temos, você ou eu, para fazer isto. Quando o Mestre disser: "Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens", você irá obedecê-Lo. Você já vinha fazendo isso, pelo sacrifício de tempo, dinheiro, esforço, e pelos seus estudos e meditações. Já pôde demonstrar ser incapaz de resistir à atividade do Cristo em sua consciência, mesmo que tivesse esse desejo ou vontade, o que certamente não é o caso. Mas, se fosse, e se lhe faltasse compreensão, sabedoria, coragem ou determinação, mesmo assim nenhuma diferença faria, pois há algo em você superior a qualquer ideia humana de rebelião ou de anseio por conforto material.

Realmente, o ser humano tem o desejo normal e natural de querer ficar no conforto, e são pouquíssimos os que despendem tempo, esforço e dinheiro para ampliar seus conhecimentos sobre Deus como você vem fazendo. Ah, não! O ser humano tem casamentos para comparecer, funerais, necessita de retirar jumentos caídos na vala. O ser humano dispõe de muitas coisas que ocupam seu tempo – teatro, reuniões, atividades esportivas –, e deixa de atender à atividade do Cristo. Mas, uma vez tocado e chamado pelo Dedo divino, esteja certo de uma coisa: ele irá atender a esse chamado.

Após serem escolhidos, teriam os discípulos alguma responsabilidade por suas carreiras? Não! O Mestre os enviou. Foram mandados sem bolsa e sem alforje; seguiram o caminho determinado, e sobreviveram. Noutra ocasião, seguiram com bolsa e alforje, e também sobreviveram. O Mestre levou alguns ao topo da montanha – ele os levou. Teriam ido por conta própria? Não! Ele os levou. Tiveram poder para resistir? Não! Também você e eu não temos esse poder. Isto constitui a vida pela Graça. Tudo que hoje transpira em sua vida, e tudo que irá transpirar a partir de agora até a eternidade, são e continuarão a ser uma atividade da Graça.

Ah, eu sei que alguns, e talvez até eu mesmo esteja aí incluído, tentarão resistir por certo tempo. Vez ou outra tentarão ficar de lado, retornando a algum senso, vontade ou ambição de cunho pessoal; mas, serão forçados a voltar, pois nenhuma condição para resistir ao Cristo lhes será concedida. Quando ocorre o chamado, somos incapazes de rejeitá-lo ou de refutá-lo. É verdade que poderemos negar o Mestre até mesmo "por três vezes"; poderemos ser acusados de traição, de estar dormindo no Jardim de Getsêmane. Que importa? Não nos deixemos ficar perturbados ou alarmados por causa disso. Que não haja autocondenação por estas nossas faltas! Percebamos que aquilo foi a parte da ilusão que não pudemos evitar; mas que, devido à Graça divina, o ultimato da salvação nos será ainda mais inevitável.

Foi bem mais inevitável que Pedro curasse aquele homem à porta do templo Formosa, do que ele negasse o Cristo. Sua negação do Cristo foi mero incidente, daqueles pequenos exemplos em que um ser humano cai à beira do caminho, para assegurar popularidade junto às massas, ou por temer algum castigo. Não sejamos tão severos nesses julgamentos. Talvez cada um de nós fizesse o mesmo! Talvez! Neste mundo, há pessoas que, por este ou aquele motivo, renunciam temporariamente à dedicação plena ao seu seguimento ao Cristo. Sejamos bondosos, justos e compassivos com elas. São apenas traços de humanidade ainda presentes, que pouco diferem da cena em que os discípulos caíram no sono, quando estavam no jardim. Não há nenhum dano real nisso tudo! Trata-se apenas de um lapso temporário.

O que era inevitável, portanto, era ocorrer o despertar dos discípulos para o Pentecostes, com a descida do Espírito Santo sobre eles, apesar de todas aquelas experiências. Passaram a ouvir em sua própria língua a linguagem do Espírito; e, a partir de então, foram cuidar "dos negócios do Pai". Ainda assim, ainda erraram em achar que poderiam distribuir seus recursos e viver satisfeitos por dividi-los entre os membros do grupo. Concluíram, porém, que todos deveriam viver segundo o próprio estado de consciência; que deveriam demonstrar sua maior ou menor entrada de recursos; que deveriam demonstrar seu grau de conforto e de harmonia na vida, não pela força ou poder, não pela divisão daquilo que está neste mundo, não às custas de outra pessoa, mas pelo próprio grau de conscientização do Cristo em si mesmos.

No mundo quadridimensional, você vive pela Graça – "não pela força ou pelo poder, mas pelo Meu Espírito". Cada um é responsável pela própria integridade; cada um é responsável pelo seu próprio desenvolvimento; porém, se for julgar pelo mundo das aparências, durante sua "jornada de 40 anos pelo deserto", é possível que encontre alguns escorregando, escorregando, escorregando, por longa distância no sentido contrário ao Caminho. Talvez chegue a ficar chocado com certas coisas que conhecerá daqueles que aparentemente tinham já avançado boa distância da jornada. Seja caridoso: lembre-se de que tudo não passa de pequena fraqueza humana, e esteja certo de que o Cristo a dissolverá, uma vez que a atividade do Cristo é a dissolução da humanidade de alguém, de suas fraquezas e de suas ilusões.

Paciência! Paciência! Você dispõe de uma eternidade para trabalhar em sua salvação. Paciência! Seja paciente com os demais, e também consigo próprio. Perdoe a si mesmo, e com a freqüência que chegar a cair, levante-se novamente. Não haverá escolha! Inevitavelmente, a Voz fará soar em seus ouvidos: "Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens."

Ficará então ciente de que é o "Eu" que o estará chamando. Saberá que não será sua vontade própria agindo, e isto o impossibilitará de ser bem-sucedido ou mal-sucedido. Lembre-se: você não poderá ter sucesso nem fracasso. Por quê? Porque Eu o chamei para fazer de você "pescador de homens". Assim, haverá de ser o Meu sucesso operando em você e através de você, e isso para que se cumpra o Meu objetivo. Dessa forma, você passará a ser simplesmente um instrumento.

Em momentos de insucesso temporário, faça-se recordar que também aquilo faz parte do plano. Talvez seja a parte dele que irá ensiná-lo que você, de você mesmo, não pode ter sucesso nem fracasso, pois o Eu, que o chamou, é o único sucesso.

"Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens." Eu farei isto. Que é este Eu? Onde está este Eu? Este Eu do nosso ser não é Deus? Que seria mais poderoso? Eu ou um remédio material? Eu ou o dinheiro no Banco? "Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens." Siga este Eu, que está dentro de você, o Pai interior.

Siga este Cristo, este Princípio, este Espírito que se aloja no interior de seu próprio ser, e verifique que, por se abdicar das dependências materiais da vida, terá o desenvolver de uma vida espiritual mais elevada, apurada e jubilosa, manifestada como saúde melhorada e suprimento mais abundante.

Será capaz de abrir mão de todas as dependências materiais? Será capaz de abandonar a dependência à sua família, com relação ao amor, justiça e compaixão, esperando que tudo venha do Pai? Será capaz de transferir sua expectativa de justiça de um júri ou juiz para o Pai, no interior de seu próprio ser? Ou de transferir sua expectativa de gratidão, recompensa, reconhecimento ou apreciação por parte de patrão, funcionários, membros de sua família, unicamente para o Pai dentro de você? Será capaz de seguir somente o Espírito interior, e não o senso pessoal exterior?

Onde está você, agora, em consciência? Naquele que diz ao Mestre: "Não, aguarde um pouco mais. Devo pescar para sustentar minha família... siga em frente, enquanto aqui ficarei confiando em seres humanos para receber recompensa, reconhecimento, cooperação, gratidão."? Ou terá alcançado aquele ponto de consciência dos discípulos, que sem questionamentos deixaram suas redes?

O Mestre não pediu àquelas pessoas que seguissem um homem de nome Jesus. Pediu-lhes que seguissem o ensinamento de que o Eu interior é o Messias. E hoje, ninguém lhe está pedindo que siga um homem ou um livro, mas que sigam a Mim, o Eu, o Espírito, no âmago de seu próprio ser.

Deixem suas "redes", e sigam o Eu. Deixem seus meios e costumes materiais, e sigam o Eu, o Espírito dentro de vocês, o divino Cristo, depositando nEle maior confiança do que em algo ou alguém do reino exterior.

Ao menos alguns, dentre vocês, chegaram a ponto de desenvolvimento espiritual para serem chamados, hoje, a escolher a quem irão servir. Alguns não tinham ainda deixado suas "redes"; alguns não tinham ainda abandonado sua dependência ou confiança em meios materiais ou em seres humanos; alguns não tinham ainda aprendido a confiar inteiramente no Pai interior. Mas, agora, vocês estão sendo chamados para deixar as suas "redes".


quarta-feira, maio 18, 2016

Consciência x mente

- Joel S. Goldsmith -


Pergunta: Se Deus é mente, ou mesmo se Ele é consciência, Sua atividade não é mental?

RESPOSTA:  Não, a atividade mental é um raciocínio e uma atividade do pensamento. A consciência não é uma atividade mental; a consciência não raciocina ou pensa: ela apenas percebe.

Duas vezes dois, quatro. Deus, Consciência infinita, não utiliza um processo mental para chegar a essa resposta. Trata-se apenas de um estado óbvio. Nunca houve uma ocasião em que isso fosse diferente, nem tampouco houve uma época na criação quando duas vezes dois tornou-se quatro. Não existe um processo para tornar duas vezes dois, quatro; por conseguinte, não há necessidade de atividade mental para estabelecer esse fato. Duas vezes dois sempre existiu como quatro, e a única atividade mental envolvida nesse conceito é a atividade da percepção.

Quando declarei que não trabalhamos no plano mental, o que quis dizer foi que a única atividade da mente é a da percepção. Tornamo-nos conscientes de que somos espirituais, que somos um ser divino, que o pecado, a doença e a morte são ilusões -- nada mais que nada ou apenas uma sugestão mesmérica -- mas não passamos por nenhum processo mental para que seja assim.

Não nos entregamos a nenhuma espécie de processo mental com a idéia de tornar são um homem doente, ou tornar rico um homem pobre, ou de empregar um desempregado. Se houver algum processo, este é o da percepção, o processo de conscientização que já é divino, e esse não é um processo mental.

Do ponto de vista humano, não podemos olhar uma pessoa doente e afirmar mentalmente: "Você está bem". Isso é hipocrisia e ignorância e, obviamente, uma inverdade. Somente com o discernimento espiritual é que podemos olhar através da aparência humana e ver a realidade divina subjacente a ela. Por isso, não é através do processo mental que nos conscientizamos da perfeição, e nosso trabalho consiste em nos conscientizarmos da perfeição. Isso não pode ser feito pelo homem com a mente humana, porque nada que a mente humana conheça será perfeito. Só quando a mente humana não está trabalhando, quando, na verdadeira quietude de nosso ser mais íntimo, os sentidos de nossa Alma e da consciência espiritual são despertados, é que vemos o homem perfeito.

É por esse motivo que a cura espiritual não é um processo mental. Nada do seu ou do meu pensamento trará saúde a você ou a mim. Uma vez mais voltamos a Jesus: "E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado a sua estatura?" Quem por preocupação pode tornar "um cabelo branco em preto"? "Não estejais apreensivos por vossa vida..." Em outras palavras, um processo mental nada tem a ver com a verdade espiritual, e esse é realmente o ponto mais importante desta apresentação total de verdade. A atividade mental humana nada tem a ver com esta abordagem particular. Nenhuma quantidade de conhecimento da verdade o ajudará, nenhuma quantidade de declaração da verdade. Nenhum processo mental/humano entra nessa apresentação.

O Caminho Infinito diz respeito primeiro, e antes de mais nada, ao desenvolvimento do sentido da Alma. Quando estamos quietos, sentados com aquele "ouvido que escuta", quando estamos em meditação, dando o que chamamos um tratamento, a Essência íntima vem para a vida e nos mostra a perfeição espiritual interior, aquilo que de fora é interpretado como um ser humano saudável, são ou rico.

Exatamente aqui estão a carne e a substância do Caminho Infinito. Não nos entregamos a nenhum processo mental para a autocura, e é aí que nos afastamos de todo o campo metafísico. Trata-se de desenvolver nosso sentido espiritual de modo que, por fim, cheguemos à consciência de um Cristo Jesus que pôde olhar o aleijado e dizer: "Levanta-te e anda!".

O que você acha que capacitaria um homem a dizer isso? Você acredita que qualquer processo mental que alguém pudesse empregar levantaria, instantaneamente, um homem aleijado, de modo que ele pudesse andar? Não; somente o Fogo divino interior, somente o próprio Espírito de Deus poderia fazer isso.

Talvez fosse possível dar a uma pessoa um tratamento de um ano e, gradativamente, transformá-lo de um aleijado num homem saudável através da manipulação mental -- martelando-o, martelando-o mentalmente. Porém nenhum ser humano poderia fazer isso instantaneamente -- só a inspiração de Deus que existe nele.

Eis porque precisamos fazer do amor a influência dominante em nossa experiência. Todas as qualidades divinas do Cristo precisam tornar-se ativas em nós; todos os desejos pessoais -- todo o ódio, inveja, crítica e condenação -- precisam ser abandonados. Não pode haver complacência com essas qualidades humanas. Precisamos deixar de temê-las, porque então estamos perdendo a oportunidade de trazer à luz as qualidades divinas do Cristo. Por que deveríamos estar por aí cedendo a estas coisas humanas a expensas de nos enganarmos que temos a mente que estava em Cristo Jesus?

A mente que estava em Cristo Jesus não se empenha em qualquer processo de raciocínio ou de pensamento. Ao paralítico ela diz: "Levanta-te, e toma teu leito e anda", e poderia ter acrescentado "O que há para impedi-lo? Existe algum poder fora de Deus?". Esta mente de Cristo Jesus é percepção sem um processo.


A verdade é que não existe poder fora de Deus, mas poderíamos repetir isso mil vezes, e nada aconteceria. De fato, o mestre metafísico pode sentar-se e repetir estas verdades desde agora até o dia do juízo e não obter, como resultado, qualquer manifestação de espiritualidade em sua aura; um clérigo pode pregar sermões encantadores e, ainda assim, os membros de sua congregação continuarem sendo a mesma espécie de seres humanos, entra ano, sai ano, exatamente com as mesmas doenças, os mesmos crimes, as mesmas fraudes nos negócios, a mesma corrupção na política. Por que as congregações nessas igrejas e centros não progridem espiritualmente? Pela simples razão de que algumas vezes estão ouvindo somente uma apresentação intelectual da verdade e, apesar de muitas vezes esta vir de um ser humano muito bom, se a pessoa não desenvolve a consciência de Cristo, ou o sentido espiritual, ela não pode estimular as mentes e os corações de seus seguidores.

O que é mais importante é não criticar as falhas humanas, mas antes elevar as pessoas até o lugar onde não sejam mais humanas. Você não pode fazer isso por meio da razão humana. Você pode dizer a uma pessoa para não roubar; pode dizer para não mentir e não enganar; pode dizer-lhe qualquer coisa que queira, e muitos de vocês provavelmente já o fizeram, mas usualmente isso não teve e não tem qualquer efeito sobre a conduta dessa pessoa.

A melhora da conduta só é ocasionada se se alcançar o indivíduo através do Espírito. Você precisa conseguir tal grau de espiritualidade que um pecador, ao ser tocado pela sua consciência, perde todo o desejo de pecar. Quando isso acontece, você está atuando como um mestre espiritual. Então você não está ensinando novas verdades e novos processos mentais: você está projetando a verdade de tempos imemoriais que foi experimentada e considerada eficiente -- por Eliseu, Elias e Isaías, por Jesus e João.

A verdade é tão simples que toda ela pode ser resumida em menos de mil palavras, mas é apenas através do desenvolvimento de nossas qualidades espirituais que a espiritualidade pode ser levada às pessoas com quem nos encontramos.



segunda-feira, maio 16, 2016

Como viver a vida cristã

- Joel S. Goldsmith - 


Esta verdade não serve para tornar sadias as pessoas doentes nem ricas as pessoas pobres, mas para despertar as pessoas, mesmo as saudáveis e ricas, para uma confiança no poder espiritual, na segurança espiritual e na liberdade espiritual, que não dependem do sucesso da pesquisa médica, nem de qualquer ideologia política, nem do sistema econômico sob o qual estamos vivendo.

Esta é a espécie de liberdade que Jesus procurou dar aos hebreus, em contraposição à liberdade da servidão física, que Moisés havia proporcionado ao seu povo. Todos ainda permanecem sob a lei de Moisés, porém no sentido de que eles estão agarrados à segurança econômica e política, e na medida em que ainda não tenham encontrado a segurança espiritual que os manteria seguros, sem importar sob que forma de governo ou onde estejam vivendo.

Ser um cristão significa mais do que a filiação a uma organização cristã ou à cidadania de um país cristão. Significa viver o princípio de Cristo, que quer dizer literalmente orar por nossos inimigos, orar por aqueles que nos perseguem ou que maldosamente nos usam; isso implica fazer um esforço sincero para perdoar nossos devedores até setenta vezes sete e dar amor em troca de ódio. A vida de Cristo nos obriga a "embainhar a espada" e, por isso, a não usar a força humana mesmo em nossa própria defesa.

A vida cristã, no entanto, é individual e nunca se sobrepõe a qualquer outra. Não ditamos nosso desejo ao nosso vizinho; "damos a César o que é de César"; e se nosso país nos convocar em tempo de guerra para o serviço militar ou com o objetivo de comandar na guerra, cumprimos cada exigência que nos é feita, embora sem maldade, ódio ou medo, e sem a convicção de que a força é um poder real.

São cristãos todos os que aceitam a lei e a realidade do poder espiritual, quer pertençam ou não a uma igreja. Os verdadeiros cristãos não têm por que confiar nos meios e métodos humanos, já que têm a Presença interior para guiar, dirigir, governar, curar, manter e proteger. Eles têm "comida para comer, que vós não conheceis" (João 4:32), isto é, uma substância, força e poder não visíveis para o mundo -- uma confiança interior.

Mas o fato é que a maioria dos cristãos é mais hebraica do que cristã. Eles acreditam nos ensinamentos judaicos e, habitualmente, têm mais conhecimento e fé no que está no Velho Testamento do que no que está no Novo. Quando se diz a um cristão que não ouse dirigir uma ofensa contra seu vizinho, não importando qual tenha sido a agressão que sofreu, ele considera isso transcendental, em vez de considerá-lo um ensinamento real de Jesus Cristo.

Quando alguns cristãos são lembrados de orar por seus inimigos, eles não parecem saber que isso está na Bíblia e que os que aceitam o ensinamento de Cristo devem agir de acordo com essas leis. Os cristãos nem sempre são cristãos. Eles leem a história do Bom Samaritano e, no entanto, frequentemente recusam-se, por razões pessoais, a ajudar alguém -- talvez porque a pessoa seja alemã, japonesa, russa, negra, católica, judia, ou por a pessoa pertencer a alguma outra filosofia ou religião. Mas como quer que seja, eles não estão cumprindo o ensinamento do Mestre, Cristo Jesus. Seus ensinamentos desvelam e revelam o ser espiritual, a identidade espiritual e a existência espiritual.

O que você espera e o que você quer do seu Messias? Lembre-se de que o seu Messias é o Cristo do seu próprio ser. A questão é se você chegou ou não àquele ponto em que pode rejeitar a tentação de manifestar pessoas e coisas e voltar-se para o Cristo, para o Reino interior, conquistando sua liberdade espiritual. Ao passar para a vida espiritual, você está procurando esse Reino interior, esse Cristo que está dentro de você, essa Presença divina, uma liberdade espiritual que significa liberdade das leis materiais, da atividade material, das forças materiais, quer a força seja de infecção ou contágio, quer a força seja dos astros ou de qualquer coisa que alegue ter poder.

Há uma razão pela qual você está nesse caminho. Alguma coisa o atraiu para esse caminho, para esse ensinamento; alguma coisa o atraiu para o estudo deste texto. Você não foi atraído por seu conhecimento ou amizade comigo, nem por causa da grande reputação que eu tenho como escritor. Não, não foi por nenhuma dessas razões. Foi porque alguma coisa indefinível, uma comunhão invisível, uniu leitor e escritor no nível interior e espiritual.

É o que o Mestre, Cristo Jesus, mencionou quando disse: "As minhas ovelhas ouvem a minha voz" (João 10:27). É o que o místico hindu quer dizer quando olha uma pessoa com este reconhecimento "Você é meu discípulo", e o discípulo replica "Eu o tenho procurado há anos!".

É isso o que ocorre! Alguma vez você pensou que o Cântico de Salomão e outras mensagens espirituais são escritas na linguagem do amor porque todo o relacionamento entre mestre e discípulo é um relacionamento de amor? Esse relacionamento sagrado não pode e não vem através da mente que raciocina. Quando você encontra o mestre ou o ensinamento que é realmente seu, você o reconhece imediatamente, talvez por causa da sua comunhão interior. De qualquer forma, trata-se de um reconhecimento -- quase como se você encontrasse uma pessoa pela primeira vez, a olhasse nos olhos e dissesse: "Creio que iremos ser amigos para sempre". É uma comunhão em um nível interior.

Em outras palavras, todos os dias da semana você encontrará essas pessoas, circunstâncias e lugares que são levados até você e sem os quais você não poderia prosseguir, nem eles sem você. Você se sentirá atraído para esses lugares onde poderá ser muito útil e exatamente no momento certo. Você está em sintonia com um sistema infinito de telefonia espiritual e é a Central que está enviando ou fazendo os contatos para você. Você não os faz; a Central os envia e os faz para você. Quando você está vivendo essa vida, sempre constata que esse Escritório Central, Deus, a sua Consciência interior, é a influência realmente dominante em sua vida. E já não há pensamento que vise a querer ou merecer alguma coisa. De fato, você não se preocupa com nada; você apenas segue as direções que lhe são dadas e entra em contato com as pessoas necessárias para o seu desenvolvimento.

Este é, verdadeiramente, o primeiro passo da vida espiritual. Você deu o primeiro passo ao ser levado a ler este texto. Daqui por diante, verá as pessoas que são levadas a você e que você é levado às outras pessoas. Você se verá sendo conduzido a lugares e lugares, levando você até as pessoas. E dirá: "Essa é justamente a coisa que eu gostaria de ter -- se tivesse pensado sobre isso". Mas é sempre alguma coisa maior do que você poderia ter pensado por si mesmo.

Nosso objetivo não é apenas obter um pouco de conhecimento para poder curar algumas dores ou alterar as datas de algumas lápides tumulares. O que queremos é aprender como viver a vida que Jesus veio nos mostrar. Ele não veio apenas para curar as pessoas doentes ou para ressuscitar os mortos. Isso foi somente a prova de que sua mensagem era verdadeira. A importância de sua mensagem foi que no reino espiritual somos "co-herdeiros com Cristo" em Deus, nós fazemos parte da casa de Deus, somos cidadãos conterrâneos dos santos.

Em outras palavras, trata-se de uma vida totalmente diferente da que vivemos no plano interior -- uma vida jubilosa. Na verdade, somos parte do mundo exterior, mas temos uma atividade interior. Não importa onde possamos estar, no meio de qualquer multidão, grande ou pequena, se nos encontrássemos haveríamos de trocar um pequeno sorriso. Temos alguns pequenos segredos; aprendemos algumas coisas sobre o mundo e sobre nós; e, por isso, não importa onde nos encontremos -- dois ou vinte de nós -- haverá apenas esse pequeno sorriso, querendo dizer: "Nós sabemos alguma coisa, não sabemos?"

Sim, realmente sabemos alguma coisa! Sabemos um pouco mais a respeito do Cristo; sabemos um pouco mais a respeito da vida interior; sabemos um pouco mais a respeito daquele Reino que não é deste mundo; e sabemos muito mais sobre como vencer o mundo. Sabemos que, vencendo o mundo, estamos vencendo as crenças que este mundo apresenta, crenças em infecção e contágio, discórdia, pobreza e em coisas que estão fora e à parte do nosso próprio ser.

Estamos aprendendo mais do que isso. Estamos aprendendo que o Cristo não era um homem. O Cristo é o sentido do amor divino que flui entre nós e, se o mundo O permitir, Ele deve fluir de homem para homem e de mulher para mulher, inundando a Terra. Então nunca haveria um homem desejando a propriedade do outro ou a sua esposa; nunca haveria um país desejando dominar o outro, ou a sua mão-de-obra, ou seus recursos naturais.

Os que fazem parte da morada de Deus jamais iniciam demandas pessoais uns contra os outros, ou solicitam sacrifícios pessoais. A única demanda que existe é espiritual:

"O Pai está em mim, e Eu estou no Pai, e você está em mim e Eu estou em você. Eu tenho uma força interior que nunca vacila. Eu tenho vida eterna -- Eu sou vida eterna. Eu sou a própria Presença de Deus e estou abençoando o mundo através de minha compreensão de que isto é verdadeiro, não somente quanto a mim, mas em relação a cada indivíduo no mundo; e se ele despertou ou não para esta verdade, esta é a verdade do seu ser."

Uma vez que você tenha atingido a condição de Cristo, terá alcançado a sua liberdade espiritual. Você então estará livre de toda queixa de mortalidade -- pecado, doença, carência e limitação.


sexta-feira, maio 13, 2016

Purificação de nosso estado de consciência

- Joel S. Goldsmith - 


A doença é sanada quando a consciência é purificada, e isso é verdade individual e universalmente. Quando permitimos que nossa consciência esteja em harmonia ou alinhada com o poder espiritual, a doença, o pecado, o medo e a necessidade são eliminados dela. Não podemos rogar a Deus para nos dar força espiritual a fim de afastar nosso problema enquanto a causa dele permanecer, e a causa é sempre a consciência/mente humana. Portanto, devemos elevar nossa consciência a Deus. "E Eu, quando for levantado da terra, todos atrairei até a Mim" (João 12:32), se nós elevarmos nossa consciência para a filiação divina e deixarmos a Luz espiritual tocar nossa consciência e libertar-nos do ódio, da animosidade, do temor, do ciúme, não encontraremos doença, necessidade e medo. Então, todo nosso trabalho será harmonizar nossa consciência com o divino, franqueando-nos para a realização da Onipresença, Onipotência e Onisciência, orando com o coração: "Tua vontade seja feita em mim, não a minha".

Então, devemos abandonar qualquer um dos conceitos que foram recebidos: conceitos intra-subjetivos, conceitos do mundo, conceitos de toda humanidade. Por exemplo, eu e você, como seres humanos temos recebido idéias de outras pessoas, de outras raças, de outras nações, todas falsas. Nós não sabíamos disso na ocasião, mas a maioria de nós o sabe agora. O preconceito foi desmedido antes da Primeira Guerra Mundial. Houve preconceitos de cor e preconceito religioso e de ideologias políticas que induziram as pessoas a lutar umas com as outras. Essas ideologias não eram necessariamente certas ou erradas, mas preconceito resultante dos motivos que atribuímos àqueles que os defendiam.

Devemos eliminar de nossa consciência o ódio, o medo e a desconfiança, através do conhecimento de que eles representam simplesmente nossos falsos conceitos uns dos outros. Quando nos dispusermos a renunciar a estes e reconhecer que na essência do ser de cada um de nós reside o mesmo "filho de Deus", nos afinaremos com os princípios espirituais e começarão a resultar as curas. Não temos de pedir a Deus para curar-nos. Houve milhões de pessoas que morreram, enquanto oravam pedindo a Deus curá-las. Tudo o que precisamos fazer é começar a amar o nosso semelhante como a nós mesmos e, desse modo, colocarmos nós mesmos em harmonia com as leis de Deus a fim de que elas possam começar a atuar.

As leis de Deus não podem atuar numa consciência cheia de falsos conceitos. Devemos nos harmonizar com o divino. Se olharmos para as pessoas e virmos todas as suas diferenças humanas, em breve gostaremos de algumas e não gostaremos de outras; vamos confiar em algumas e desconfiar de outras. Teremos tantas diferenças, que nossa própria cabeça ficará confusa.

Se, contudo, pudermos reconhecer que, apesar das aparências, a Divindade é a natureza do ser de cada pessoa e que Deus nos fez à Sua própria imagem e semelhança, estamos conhecendo a verdade sobre todas as pessoas. Se alguém está representando ou não aqui na terra, não é da nossa conta; e se estivermos cientes de qualquer pecado em outra pessoa, ao invés de participar do julgamento, deveríamos praticar, no íntimo, o princípio do Novo Testamento: "Não julgueis para que não sejais julgados" (Mateus 7:1).

Portanto, não julgaremos; tomaremos a atitude: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem"(Lucas 23:34). Assim, estaremos percebendo que toda pessoa é um ramo da mesma árvore, a Árvore da Vida. Nisso não há julgamento, não há crítica. Há perdão "setenta vezes sete", perdão e uma oração para que seus olhos estejam abertos. Isso é nossa própria harmonia com o Divino, tornando-nos receptivos à cura, à Graça e à proteção divinas, porque eliminamos nossos conceitos humanos das pessoas e as estamos vendo como imagem e semelhança de Deus, vendo-as espiritualmente como o verdadeiro Cristo de Deus. Nós não estamos usando nosso julgamento humano; estamos usando nossa intuição espiritual para reconhecer que Deus fez todos nós à Sua própria imagem e semelhança, considerou-nos e achou-nos bons.

Não há nada em nós de crítica, condenação, julgamento e, portanto, nossa consciência está aberta para receber a Graça de Deus. Se nós acreditamos que há duas forças, estamos levantando uma barreira em nossa própria consciência. Se, contudo, estamos compreendendo a Onipotência, a Onisciência e a Onipresença, estamos novamente em harmonia com o exercício do poder espiritual, com a sabedoria espiritual.

Na proporção em que nos identificamos com princípios revelados nos ensinamentos do Mestre, nossa consciência está imbuída de poder espiritual do Alto. Acreditamos em Jesus Cristo como sendo a alma mais iluminada que já passou pela terra, porque nunca ouvimos ou lemos sobre qualquer mau sentimento em sua natureza. Ele foi dotado lá das alturas com poder espiritual, porque tinha esse grau de consciência preparado para recebê-lo. Ele não alimentou dentro de si mesmo crítica, julgamento, antagonismo ou desejo de beneficiar-se com o poder temporal. Ele não tinha dentro de si qualquer desejo de ver alguém punido, não obstante o pecado. Em outras palavras, sua consciência era pura. Portanto, ela poderia ser a transparência para a presença e o poder de Deus.

O Mestre mandou-nos ser e agir à sua semelhança, mas não podemos ser dotados de poder espiritual enquanto nos apresentarmos a este mundo com uma disposição carnal. Apenas na medida em que podemos orar um para o outro, amigo ou inimigo; apenas na medida em que podemos compreender a Onipotência, a Onisciência e a Onipresença universalmente, é que nossos problemas serão desfeitos e nossa consciência se torna uma transparência para o poder espiritual que nos habilita a curar, regenerar, perdoar e satisfazer os outros.

Até que possamos nos transportar àquele lugar onde estamos dispostos não só a curar, mas a alimentar e vestir multidões, até que estejamos dispostos a ser usados para espalhar este suprimento de dólares ou coisa que o valha, não estaremos abrindo nossa consciência para o dom espiritual, porque o espiritualmente dotado não recebe: eles são os meios pelos quais é dada a graça divina. Enquanto estamos orando para receber, estamos obstruindo a força espiritual.

Quando estamos orando "Pai, estou desejoso de curar e alimentar multidões. Deixe apenas Sua graça fluir", nós a encontraremos fluindo. Que engano é a crença de que nós podemos orar para obter algo para nós mesmos, quando realmente podemos receber somente quando estamos orando a fim de dar, doar, compartilhar, multiplicar. O resultado dessa oração egoísta é que formamos um ego, um sentimento pessoal, e então procuramos a Deus para aumentá-lo. Deus não amplia a sua ou a minha fortuna pessoal, por mais que queiramos que Ele faça isso. Só quando começarmos a derramar até mesmo o pouco que temos, é que a nossa própria fortuna aumenta além de qualquer medida possível de nossas próprias necessidades.

Nessa idade, a força espiritual e a natureza de sua tarefa são descobertas. À medida que continuamos a aprender cada vez mais sobre a força espiritual, nos preparemos para ser instrumentos dignos de seu fluxo -- não tanto para seu bem ou o meu, mas para que o mundo inteiro possa estar envolvido pelo amor divino. Então você e eu partilharemos dele porque somos partes desse mundo.


quarta-feira, maio 11, 2016

Orar a Deus (Goldsmith)

- Joel S. Goldsmith -


A essência de nosso trabalho é que DEUS É! Todos falamos sobre Deus, pensamos em Deus, oramos a Deus; mas, ao percebermos que Deus não está existindo para receber nossas orações saberemos os motivos que tornam tão infrutíferos o nosso falar e grande parte do nosso pensar sobre Deus.

O primeiro ponto a ficar claro, quando percebemos que DEUS É, é que Deus não existe para estar recebendo nossas orações. Se simplesmente tivéssemos captado o que nos revelou Mary Baker Eddy, fundadora da Ciência Cristã, já teríamos percebido isso há muito tempo. Observemos suas palavras:

“Deus não é movido pelo bafejo louvaminheiro a fazer mais do que já fez, nem pode o infinito fazer menos do que conceder todo o bem, porquanto Ele é sabedoria e Amor imutáveis. Deus é Amor. Podemos pedir-Lhe que seja mais? Deus é Inteligência. Podemos passar à Mente infinita algo que ainda não compreenda? Pedir a Deus que seja Deus é vã repetição. Deus é o mesmo ontem, hoje e o será para sempre; e Aquele que é imutavelmente justo, fará o que é justo sem que seja preciso lembrá-Lo de Seu ofício. Quem se colocaria diante de uma lousa para rogar ao princípio da matemática que lhe resolvesse o problema?”

O primeiro passo é aprendermos a não pedir ou orar a Deus, nem esperar algo dEle. O passo seguinte é aprendermos a nos voltar ao Reino dentro de nós, que é o Reino de Deus. Não por alguma coisa, mas em reconhecimento da harmonia e perfeição presentes em tudo que Deus governa. E Ele governa a Realidade inteira.

Aprendemos, também, que não existe mal em nenhuma pessoa, lugar ou coisa, mas que o mal está no CONCEITO universal de pessoa, lugar ou coisa. Saber que inexiste mal em toda circunstância ou condição nos liberta dos efeitos malignos que poderiam advir da crença no mal.

Se o sentido espiritual é o que dissolve cada chamado problema humano, também é verdadeiro que uma percepção consciente da verdade do ser resulta em harmonia que nunca nos deixa, e que experienciamos conscientemente. Portanto, devemos “conhecer a Verdade”, para que “a Verdade nos liberte” de tudo que aparente nos ocultar a nossa real identidade.

Se somente habitarmos na infinitude e natureza eterna do governo divino e do Universo, reconheceremos e experienciaremos a natureza imutável de toda a criação de Deus. A dependência a um poder supostamente externo a nós mesmos é sempre o erro.

Todo o nosso objetivo é a realização da presença e poder de Deus. “Eu, de mim mesmo, não posso fazer nada”, mas perdura o fato de que “o Pai interior faz a obra”. Como ter consciência do “Pai interior”? Aquietando os sentidos humanos e ouvindo a “pequenina voz suave”. “Eu ouvirei Tua Voz”, pois, a transmissão deve sempre provir da Mente.


segunda-feira, maio 09, 2016

Deus, o único Eu

- Joel S. Goldsmith - 


Os milagres acontecem quando o “pequeno eu” está ausente. Quando você recebe um pedido de ajuda, se houver a conscientização de que este “eu” é inexistente, a chamada cura já se inicia. Porém, se encarar a pessoa como este “eu”, com a ideia: “Como poderei melhorá-la, curá-la, supri-la?", você estará destruindo sua capacidade curativa, pois este “eu”, levado em consideração, não existeDeus é o ÚNICO Eu, e Deus não necessita de cura, ensinamento ou enriquecimento.

Se alguém lhe disser: “Eu estou doente”, e sua resposta for do tipo: “Bem, vamos ver o que poderei fazer para torná-lo saudável”, tal procedimento será o de “um cego conduzindo outro cego”. O “paciente” pensa ser alguém apartado de Deus; assim, se você alimentar a mesma ideia, estarão ambos caindo no fosso.

A única forma de vivenciarmos um ministério de cura em elevado nível espiritual consiste em nos convencermos da inexistência de qualquer “eu” apartado de Deus. Se houvesse este “eu”, Deus não existiria. É impossível existir Deus e algum ser mortal, alguém fadado a adoecer, pecar ou morrer.

Nós abolimos não somente a crença em doença física ou a crença numa possível causa mental para ela: abolimos também a crença de que existe alguma pessoa vivenciando a condição doentia, até chegarmos à conscientização de sua REAL IDENTIDADE. Não podemos considerar um ser humano para, depois, querermos torná-lo mais saudável, mais próspero, mais sábio! Nós revelamos Deus como o Ser infinito e Individual. Nosso interesse fica voltado apenas nesta direção: ver Deus como cada Ser, em permanente manifestação. A forma de se conseguir isto está no “morrer diário” para a nossa humanidade, no “renascer” para a nova Identidade espiritual, e na conscientização – quando alguém solicita nosso auxílio – de que a totalidade do Reino de Deus jamais inclui pessoa alguma naquela situação. Mantendo-nos e sustentando-nos nesta atitude, a harmonia começará a ser evidenciada.

Quando alguém de nosso círculo familiar ou de amizade estiver envolvido em algum senso de desarmonia, em vez de procurarmos saber de que forma poderíamos ajudá-lo, sentemo-nos para assim conscientizar: “Ah, não acreditarei na existência de tal pessoa! Deus é a Individualidade infinita; Deus é a Pessoa infinita; Deus é o Um infinito; e, ao lado de Deus, não há nenhum outro”.

A forma verdadeira de prestarmos ajuda está em aprendermos a “morrer diariamente”; e, para tanto, utilizamos a disciplina denominada “Não-eu”. Não-eu! Não! Esta pessoa não me interessa! Ela nada tem a ver comigo. O verdadeiro e único Eu está tomando conta dela.



quinta-feira, maio 05, 2016

Abrindo a porta a Deus

  - Joel S. Goldsmith -


"Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo." (Apocalipse 3:20)

A Presença espiritual Se mantém sempre à porta de nossa consciência, tentando entrar. Por ignorância espiritual, desconhecemos esse fato. Temos vivido fora de nós mesmos, à mercê de toda sorte de influências externas, passando por várias experiências, algumas agradáveis, outras enfadonhas, mesquinhas, pecaminosas, que poderíamos ter evitado, se tivéssemos encontrado o céu na terra. Ninguém nos havia dito que o Divino, o Eu em nós, está constantemente à porta de nossa consciência, batendo para que Lhe abramos nossa mente, a fim de que Ele assuma um governo sábio e amoroso em nossa vida. Entregues a nós mesmos, lutávamos. Defendíamos-nos. Vivíamos mal, como grande número de pessoas que não se encontraram ainda.

Agora, através desta revelação, chegou o tempo de adquirirmos um novo senso de vida, pela experiência de que nosso corpo é o templo do Deus vivo, ao Qual devemos consagrar nossa vida.


Dedicação

Todos os dias, devemos dispor de um período em que possamos fechar os olhos e nos voltar para dentro de nós mesmos, convidando Deus a entrar.

Em sentido metafísico, porém, Deus não entra e nem sai, pois nada tem de natureza material; não pode limitar-Se a ficar dentro ou fora de coisa alguma, já que é onipresente, isto é, está sempre e ao mesmo tempo fora e dentro, acima e abaixo de tudo, porque permeia tudo.

Portanto, se Deus, como Infinidade, é Onipresente, no momento em que Lhe abrimos a porta –imagino essa porta como sendo a minha mente – apercebemo-nos de que Sua Presença e Infinidade inundam nossa consciência e no guiam ao estado da Graça! A Graça de Deus é o poder, a Presença e a sabedoria que “excede todo o entendimento”. A Graça de Deus é o que nos confere, como recompensa por Lhe abrirmos nossa “porta”, a auto-realização, seguida de seus frutos.

Se não negligenciarmos, horas virão em que seremos guiados, intuídos, beneficiados, abençoados. Mas a dedicação a Deus deve ser renovada e realimentada em cada meditação. Para isso, procurem vivenciar a essência destas palavra:

“Eis que estou à porta, e bato (...)”. Abro minha consciência a Deus, imortal e infinito. Ele habita em mim e eu n’Ele. Assim, a Consciência divina me permeia. Minha mente, minhas emoções, meu corpo, meu trabalho, meu lar, minhas recreações, meus relacionamentos, minhas aptidões, são dedicados a Ele. Consagro-Lhe tudo o que sou e tenho. Faço-me um instrumento consciente de Sua vontade, para que Ele realize minha parte em Seu plano”.

A sincera consagração aos desígnios divinos, leva-nos a um estágio mais alto, no qual podemos compreender porque algumas pessoas progridem intensamente em suas atividade espirituais, enquanto outras não. Por ignorarem a natureza da dedicação, consideram-na uma qualidade humana, uma virtude de sua personalidade. Ufanam-se de serem consideradas pessoas incomuns e dedicadas. A dedicação se converte, pois, em glória pessoal, não numa consagração a Deus. Torna-se uma dedicação a si mesmo (personalidade), e nada pode acrescentar ao íntimo como crescimento.

Pela consagração correta, a vida passa a ter um propósito espiritual, que inclui o serviço humilde, amoroso e altruísta ao próximo, por amor a Deus, como foi dito: “Em verdade vos digo, o que fizestes a alguns destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizeste” (Mateus 25:40)

A Descoberta do Reino em Nós

Não há outro lugar onde possamos encontrar o Reino de Deus, senão dentro de nós. Todavia dentro de nós não significa o coração, ou o cérebro, ou a medula espinhal.

Quando fechamos os olhos e nos voltamos para dentro, sentimo-nos envoltos em densa escuridão. É o vestíbulo do Infinito! Aí é que se nos abre a porta que nos conduz ao Reino de Deus, o Reino do Espírito. O reconhecimento deste fato quase nos põe em condições de “ouvir a pequenina e silenciosa voz”, que nos vem de dentro, não de fora. Vem-nos do Ser interno, do centro para a periferia, das profundezas para a superfície de nosso Ser. Em tal estado de abertura expectante, compreendemos que “através da consciência, ganhamos acesso ao Reino de Deus”!

No momento em que aprendemos a fechar os olhos e a penetrar, com a atitude correta, no “Vestíbulo do Infinito” – à Sua Graça, às Suas dádivas, ao Seu amor e Vida – inicia-se um processo de enriquecimento de nossa consciência. A princípio não o podemos perceber, porque ainda nos encontramos nos sentidos físicos. Mas com o tempo, pela sincera persistência e anelo de luz, testemunharemos resultados mais profundos. Esses resultados se evidenciam em nossa própria vida: a melhora nos relacionamentos, na saúde, na provisão de recursos, etc., porque, ao ir penetrando em nossa consciência, essa Influência espiritual, purificadora, vai harmonizando e restaurando tudo!

É-nos extremamente beneficioso abrir a consciência ao Espírito. Do contrário, Ele permanecerá fora – no sentido de que, ao crer-nos distanciados d’Ele, isolamo-nos de Sua Graça. Isto responde àquelas perguntas tão freqüentemente formuladas: “Por quê este pobre cão foi atropelado?”, “Por quê esta boa mulher foi acometida de tão horrível enfermidade?", “Por quê estes jovens são enviados ao campo de batalha, onde serão mutilados ou mortos?"

É que o “homem natural” não vive sob a Lei de Deus. O que de bom lhe acontece é, as mais das vezes, ocasional e efêmero. Mesmo os que nascem com vocação especial e desejam ardentemente cultivá-la, nem sempre o conseguem. Há muitas pessoas de talento que nunca prosperaram. Outras há que merecem reconhecimento do mundo e nunca o receberam. Grande parte do êxito humano é acidental.

Como, então, podemos ficar acima desse reino do acaso, onde estamos sujeitos a toda sorte e caprichos e flutuações? A resposta é: submetendo-nos à Lei de Deus. Quando cumprimos a Lei, compreendendo a necessidade de entrarmos em sintonia com o Universo de que fazemos parte, guindamo-nos ao plano da Graça e, nesse estado, a Lei atua em nosso favor; e somos guiados pelo Paráclito prometido por Jesus Cristo.

Mas ninguém pode fazer isto por nós. É uma escolha voluntária. Temos o direito de descer ou subir. Mas, se querem o meio de consegui-lo, é a meditação, tal como aprendi, cujos resultados comprovei e agora ensino:

Inicie, diariamente suas meditações, durante três ou quatro períodos de, no máximo, quatro minutos. Algumas vezes bastam dez ou vinte segundos, nos quais você procurará abstrair-se dos ruídos externos, e abrir o “ouvido interno”, para escutar os sons que estejam além e acima da faixa dos sons conhecidos. Diga, então, em seu íntimo: “Fala Senhor, que Teu servo escuta!”

Sinceramente feito, este exercício vai abrindo a porta da nossa consciência, atendendo ao honroso convite do Cristo interno. E Ele entrará, senão logo, algum tempo depois, de modo apenas perceptível por aquelas doces sensações de Algo sublime, que nos põe num estado especial, inspirado, de felicidade.

Mas é comum que, antes de visitar-nos, Ele nos ajude a operar certas mudanças em nossa natureza egoísta e vaidosa. É provável que nos leve a perceber o que Ele diz: “Buscas-me somente pelos pães e peixes. Vai cuidar de seus negócios. Estou triste contigo!” Mas, se nos voltarmos a Ele com intenções sinceras e puras, Ele virá sem tardança, mais depressa do que O esperamos. E Sua influência nos conduzirá finalmente àquela meta atingida por Paulo, quando disse: “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim!” - Gálatas 2:20.



segunda-feira, maio 02, 2016

A base da cura espiritual

- Joel S. Goldsmith - 


A cura espiritual é conseguida através da realização do Cristo na consciência individual. Deus, a Consciência individual deste universo, é a consciência única e exclusiva. Todavia, já que Deus é a consciência de mim e já que Deus é a consciência de ti, e porque há somente uma única consciência, a verdade se torna efetiva na consciência de qualquer pessoa que sintonize com ela. Portanto, qualquer verdade que se revele dentro de nossa consciência revela-se instantaneamente à pessoa que aparece como nossa paciente.

Algumas vezes, pessoas que não estão ligadas a nós de algum modo, como amigos, parentes, estudantes ou pacientes -- alguém que esteja num hospital, numa prisão ou numa ilha deserta, alguém que esteja buscando este conceito mais alto de Deus -- podem ser curadas ainda que não nos conheçam e nós não as conheçamos; ou, ainda que elas nos conheçam, podem não saber que estamos nesta trilha e, por isso, não saberiam que foram curadas.

Há somente uma Vida, uma Consciência, uma Alma; mas Esta é a sua consciência, é a minha consciência. É por isso que não termos de tentar alcançar pessoa alguma. Quando estamos nessa união consciente, tanto nos tornamos uma parte do outro que o que um está pensando à respeito da Verdade, ou de Deus, o outro está ouvindo; mas não há transferência de pensamento e isso não deve ser interpretado dessa maneira. Nós não somos únicos em nossa humanidade: nós somos únicos no Cristo, e tudo o que está sendo proporcionado é a ideia divina que flui na consciência.

Por esta razão, aqueles que não estão conscientes do princípio do poder único jamais precisam preocupar-se em suportar os pensamentos de outra pessoa. Todo o sofrimento da Terra, não importando sua forma ou natureza, é um produto da crença universal em dois poderes; portanto, a harmonia universal só será restaurada quando Deus for revelado como Onipotência. Há apenas uma mente e esta é o instrumento de Deus, jamais se eleva mais alto do que a pessoa em cuja mente ele está ocorrendo.

Por exemplo, se alguém estivesse sentado aqui repetindo "duas vezes dois, cinco", nosso senso matemático nos protegeria e não aceitaríamos essa afirmação incorreta. Ele poderia dizer: "Você está morto!", mas o nosso senso de vida seria uma proteção e não nos perturbaríamos por causa desse pensamento errôneo.

Em certas formas de prática mental, têm sido feitos experimentos provando que um indivíduo não pode ser induzido a fazer alguma coisa que violente sua própria integridade, salvo se for por sua própria escolha consciente. Nenhum pensamento humano conscientemente dirigido a uma pessoa pode jamais fazer com que alguém violente sua própria integridade; e, em consequência, quando alguém comete um erro, é porque essa pessoa está conscientemente violentando seu próprio senso do que é certo. Tudo isso é inerente ao próprio ser.


LIBERDADE ESPIRITUAL

Os discípulos pouco entenderam a missão de Jesus. Nos três anos que estiveram com Jesus, apesar de terem contato quase diário com ele e com seu pensamento e trabalho, poucos foram os que evidenciaram estar profundamente tocados por sua mensagem. Ele não conseguiu provocar muita espiritualidade em Judas e não teve grande sucesso com Pedro, e menos ainda com a maioria dos demais discípulos. João, naturalmente, captou a mensagem plena e completa.

A chegada do Messias havia sido profetizada há séculos, mas os hebreus não tinham o conceito do Messias como um ensinamento ou uma ideia divina. Pensavam que o Messias, quando chegasse, seria um homem que os conduziria à liberdade. Liberdade do que? Liberdade da servidão a César, de serem escravos de César; liberdade provavelmente de algumas das práticas impostas por sua religião, porque os povos da época de jesus estava procurando uma liberdade física, uma liberdade temporal, e provavelmente pensavam que o Messias poderia vir como um rei para dar-lhes essa liberdade. Nisso ficaram desapontados. Não compreendiam que a missão de Jesus não era deste mundo.

Jesus veio com a ideia divina da liberdade espiritual. Esperava que, colocando os povos de sua época livres em sua consciência -- livres da escravidão a pessoas e coisas -- eles estariam de fato livres. Mas os hebreus estavam procurando um emancipador humano, que os tornaria livres de condições intoleráveis, e não conseguiriam compreender a missão do Cristo. Por esta razão, pouco deles captaram a visão e se beneficiaram com ela.

Que ninguém cometa hoje o mesmo engano a respeito da missão do Caminho Infinito. Seu propósito é a compreensão e a revelação do ser espiritual, a manifestação harmoniosa e eterna de Deus, do Bem. Ela não procura mudar, corrigir ou reformar pessoa alguma. Por isso, o nosso trabalho está dentro do nosso próprio ser e consiste em alcançar aquela consciência espiritual em que não há tentação para aceitar o universo e o ser individual como outro que não Deus aparecendo como o universo e como ser individual.

No sentido comumente aceito pela prática metafísica de cura, a saúde é habitualmente procurada como o oposto ou como a ausência de doença; a bondade e a moralidade como oposto ou a ausência de maldade e imoralidade; porém, nesta exposição, não tentamos curar o corpo, eliminar a doença ou reformar os pecadores. Não procuramos saúde no que Jesus chamou "este mundo" porque o "Meu reino não é deste mundo", isto é, o trabalho de Cristo não está no reino dos conceitos humanos. Entendemos que a saúde é a qualidade e a atividade da Alma, sempre expressa como um corpo perfeito e imortal. Até mesmo um corpo humano harmonioso não expressa necessariamente a saúde, porque esta é mais do que a ausência de doença: É uma disposição eterna do ser espiritual. Além disso, a bondade humana não é senão o oposto da maldade humana, e não é a disposição espiritual do ser que precisamos compreender e conseguir em nossa abordagem à vida.

Conquanto esta mensagem não diga respeito à saúde ou à doença humana, à riqueza material ou à pobreza, à bondade ou à maldade pessoal, mesmo assim a consecução da consciência de Deus que aparece como um ser individual resulta naquilo que ao sentido humano aparece como saúde, riqueza e bondade. Estas coisas, entretanto, representam os conceitos finitos daquela harmonia espiritual que a realidade está sempre presente.

Quando não estivermos mais sujeitos à crença de que somos escravos de alguma pessoa ou circunstância, e quando não formos mais escravos de contas a pagar, estaremos verdadeiramente livres para sempre. Então, não nos fará diferença que espécie de sistema político ou econômico existe em nosso mundo. Seremos abundantemente providos por qualquer que seja a forma de suprimento necessário, seja qual for a forma de governo em que estejamos vivendo. E se estivéssemos na prisão, ainda assim estaríamos livres. Seríamos como aquelas pessoas de outrora que diziam: "Aprisionar-me você não pode! Meu corpo você pode pôr na prisão -- mas não a mim!".

A mente, ou a consciência, não pode ser confinada a uma sala ou cadeira. A mente pode vagar à vontade por aí e ser treinada de modo a elevar-se acima do sentido corpóreo, como o de estar realmente fora deste mundo com a sensação de estar livre do corpo, sem que deixemos o corpo. Não é possível deixar nosso corpo porque somos uma só coisa, mas podemos deixar o sentido corpóreo dele e ficar tão livres espiritualmente que não seremos limitados nem pelo tempo nem pelo espaço. É o que acontece quando conquistamos nossa liberdade espiritual.

Nessa liberdade espiritual, sobrepujamos todo o sentido de limitação. Por exemplo, não cessamos de usar o dinheiro, mas não nos preocupamos com ele. O dinheiro virá, e ainda que continuemos a usá-lo, não estaremos mais limitados ou aprisionados ao conceito de que dinheiro é um suprimento.

Enquanto pensarmos no dinheiro como suprimento, não demonstraremos liberdade espiritual no que se relaciona com o suprimento. Mesmo que nossa renda fosse dobrada, não nos regozijaríamos por ter feito uma demonstração, se ainda acreditarmos que dinheiro é suprimento! Dinheiro não é suprimento. Eu sou suprimento: a Consciência é suprimento. Esta Essência indefinível, chamada Espírito, que somos, é suprimento, e é onipresente, onipotente e onisciente.


A CONDUTA DE UM MÉTODO DE CURA

Desenvolvendo o seu método de cura, tenha o cuidado de não repetir presunçosamente declarações da verdade a seus pacientes, de não lhes dar bonitas citações da Escritura nem de escritos metafísicos, salvo se você próprio teve uma dimensão consciente dessa verdade. Lembre-se: é muito melhor não dizer coisa alguma a seus pacientes além de "Deixe isso comigo" ou "Eu o ajudarei", ou "Eu estarei com você" ou "Chame outra vez pela manhã" -- é muito melhor não lhes transmitir qualquer declaração da verdade, mas apenas a sua garantia de que, com o seu entendimento da presença de Deus, você está conscientemente com eles em prece e realização.

Quando sua consciência está imbuída no espírito da verdade -- não apenas na letra da verdade, mas do espírito da verdade -- ocorrerá a cura. Então você pode explicar a seus pacientes o que é a verdade, transmitindo-lhes declarações da verdade que você provou ou demonstrou, e que se tornaram parte de sua consciência. Eles, então, não apenas ficarão contentes por ouvir essas declarações, como também sentirão a sua verdade. Fazer a seus pacientes ou estudantes citações e declarações da verdade das quais você próprio não tem consciência, é como dar-lhes pedra quando eles pedem pão. Preferivelmente, faça-lhes uma declaração simples, uma que você já tenha demonstrado repetidamente e que, portanto, sabe que é verdadeira. A menos que você possa fazer isso, dê-lhes o silêncio que cura. Nada diga, mas sinta dentro de seu ser esse Cristo que cura.

Lembre-se disto: você não é chamado para curar uma pessoa; você não é chamado para eliminar uma moléstia terrível; você não é chamado para mudar a atividade de um corpo humano. Tudo o que você é chamado a fazer é compreender a natureza espiritual do Deus onipotente e a criação perfeita de Deus. Você é chamado para sentir uma presença vivente, para sentir esta Presença vivente no centro do seu ser.

Em cada caso para o qual você é chamado, o verdadeiro chamado é para a sua compreensão de Deus como a vida do homem, Deus como a mente, a alma, a lei, a substância e a causa. Declarar estas coisas, no entanto, não constitui uma cura espiritual. Você tem de senti-las; trata-se de uma verdadeira percepção espiritual dentro do seu próprio ser.

Não tente alcançar o seu paciente. Não tente transmitir o seu pensamento a um paciente. Esteja apenas certo de que dentro de seu próprio ser você sente a verdade, você sente a exatidão, você percebe o sentido espiritual de ser. Então o seu paciente corresponderá. Não leve o paciente para o seu pensamento -- não tome nota de seu nome, nem da natureza de sua moléstia, nem de qual é a sua aparência -- e, acima de tudo, jamais pense que você tem de transmitir ou de transferir algum pensamento para ele.

Não importa qual seja a alegação ou o problema. Quando o Cristo de você toca o Cristo do seu paciente, acontece a cura. Não tente curar humanamente pessoa alguma, seja mental ou fisicamente. Procure ficar calado no centro de seu ser e sinta o Cristo, sabendo que tudo isso está ocorrendo no Coração único, no coração de Deus, que é o seu coração. Você tem de sentir uma unidade consciente com Deus. Deus inclui tudo e, já que é assim, você e eu precisamos estar incluídos nesse ser-Deus, de modo que quando você é um com Deus, você é um comigo. "Minha união consciente com Deus constitui a minha unidade com você, e com cada ser espiritual, e com cada atividade de Deus que está incluída na minha vida". Todas estas são idéias divinas, cuja forma traduzimos em termos de nossas necessidades humanas.

Assim, como o seu corpo é um corpo espiritual em Deus, nem masculino, nem feminino, quando você está em contato com o seu Cristo, no centro do seu ser, que é o Cristo de cada indivíduo... quando ocorre o contato com o Cristo, há somente amor puro, Espírito puro. Entretanto, por causa do sentimento humano, as qualidades de Deus são interpretadas como masculinas e femininas, indiferentemente.

Da mesma maneira, a ideia de transporte pode ser traduzida num jumento, num avião, num bonde, ou num automóvel. Estes representam somente os conceitos humanos da idéia divina de transporte. A verdade sobre transportes é encontrada em uma palavra: instantaneidade -- Eu estou em todos os lugares -- aqui, lá, e em todos os lugares! Esta é a verdade a respeito do transporte espiritual. É por isso que é tão fácil a um clínico de São Francisco curar alguém na China como curar alguém que esteja fisicamente presente.


A PERCEPÇÃO DE DEUS É NECESSÁRIA

No livro "O Caminho Infinito" há um capítulo sobre 'Meditação' que delineia um curso sobre o que poderia ser chamado de preparação espiritual. A primeira parte dessa preparação é a prática de despertar pela manhã na compreensão consciente de sua unidade com Deus. "Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam". Se você não trouxer conscientemente Deus para sua experiência em seu primeiro momento de vigília, você pode ter perdido a oportunidade de ter Deus com você em cada ocasião durante todo o dia.

Talvez, à medida que você lê isto, possa pensar: "Ó, Deus é onipresente; Deus está sempre comigo!". Não acredite nisso, porque não é absolutamente verdade! Este é um daqueles clichês, uma daquelas citações!

É verdade que Deus é onipresente. É verdade que Deus está exatamente onde você está. Mas se é verdade que Deus é onipresente, então deve ter estado presente quando todos os rapazes foram mortos na frente de batalha, ou quando os antigos cristãos foram atirados aos leões, ou quando nas últimas décadas milhares de pessoas inocentes foram massacradas em campos de concentração. O que Deus estava fazendo enquanto aconteciam esses horrores? Ele estava lá? Então, por que Ele não estava ajudando? Certamente Deus estava lá, mas Deus não é uma pessoa e Deus não pode olhar você aqui embaixo e dizer que sente o sofrimento que você está suportando. Deus está onipresente nos hospitais, nas prisões, na frente de batalha. Deus é onipresente! Mas de que isso serve para alguém? De que serve isso para você? Somente isto: Deus está disponível em cada caso, na medida da sua percepção consciente da presença de Deus.

Deus está presente! Sem dúvida. A eletricidade estava presente através das eras quando as pessoas estavam usando óleo de baleia e querosene. Mas que benefício a eletricidade representava para elas? Nenhum, porque não havia compreensão consciente da presença da eletricidade.

Jesus também poderia estar viajando ao redor da Terra Santa em um aeroplano. E o que dizer dos hebreus em sua longa caminhada cruzando os areais? Hoje isso leva quarenta minutos! As leis da aerodinâmica estavam presentes e a seu dispor, mas não havia percepção consciente delas, embora essas leis pudessem ter sido implementadas se houvesse qualquer conhecimento de sua existência.

A eletricidade está presente hoje como sempre esteve, mas agora, por causa de uma percepção consciente de suas leis, ela nos dá calor, luz e força. Deus está presente aqui e agora, mas é preciso haver uma percepção e compreensão conscientes -- na realidade, mais do que isso; um sentimento consciente da presença de Deus para que você possa recorrer a essa Presença e Poder. Conversa lisonjeira, citações e clichês metafísicos não devem ser confundidos com essa percepção e compreensão conscientes, através das quais Deus se torna uma realidade vivente para você. Concordar com os clichês metafísicos é tão inútil quanto seria para alguém que, vivendo nos tempos antigos, dissesse: "Você sabe, a eletricidade está disponível". Sim, é claro que estava -- se soubessem como fazer uso dela.

Essa conversa a respeito de Deus tem acontecido há milhares de anos, e ainda há muitas pessoas religiosas nas igrejas que estão falando sobre Deus e mesmo assim estão passando por todas as vicissitudes da experiência humana. Não é a conversa, no entanto, mas a compreensão consciente da presença de Deus que é o segredo do viver espiritual.

A respeito do desenvolvimento desse estado de consciência, há certas práticas que constituem passos ao longo do caminho. A mais importante delas é treinar a fim de realizar um esforço consciente para compreender a presença de Deus ao despertar pela manhã. Se você não pode sentir imediatamente a presença de Deus, pode pelo menos aprender a reconhecer a onipresença, a onipotência e a consciência de Deus; você pode, pelo menos, tentar compreender: "Assim como a onda é uma com o oceano, do mesmo modo eu sou um com Deus. Assim como o raio de sol é um com o Sol, do mesmo modo eu sou um com Deus."

Se você tomar um, dois ou três minutos para fazer isto perceberá, ao sair da cama e colocar os pés no chão, que está com uma disposição mental bem diferente. Quando você aprender a não sair da cama enquanto não estiver estabelecido sua unidade consciente com Deus, seu dia começará bem.

Quando acordo pela manhã, tenho o hábito de estabelecer esta compreensão consciente da presença de Deus. Considero essa a parte mais importante do meu trabalho diário, porque depois que fiz isso, não tenho muito a fazer durante o resto do dia, a não ser olhar sobre meus ombros e ver Deus trabalhando.

Por exemplo, quando você sai de casa de manhã, não passe pela porta sem compreender conscientemente que a Presença foi à sua frente e que a Presença permanece atrás de você para abençoar os que passam por aquele caminho. Não saia sem fazer isso conscientemente, porque o esforço consciente determina a sua revelação.

Da mesma maneira, quando você senta-se à mesa, não coma até que tenha pelo menos piscado seus olhos e dito silenciosamente: "Obrigado, Pai!". Isto não é dito em qualquer sentido ortodoxo de ação de graças. É um reconhecimento de Deus como a fonte do seu suprimento, um reconhecimento de que não foi o seu próprio esforço humano que lhe trouxe o alimento, e que por si só você nada pode fazer; o Pai dentro de você colocou esse alimento à sua frente.

Não há maneira de saltar do ser humano para ser um ente espiritual, mas pouco a pouco precisamos começar a espiritualizar nosso pensamento até que nos encontremos no reino do céu. Precisamos aprender que, não importa o que estejamos fazendo durante o dia, é somente por causa da presença de Deus que o estamos fazendo. Jesus disse: "Não posso por mim mesmo fazer coisa alguma... O Pai que está em mim é quem faz as obras" E Paulo disse: "Já não sou eu quem vivo, mas Cristo vive em mim".

Você precisa ver que cada pedacinho de bem que você faz ou vivencia é o Cristo atuando dentro e através de você; é o Espírito de Deus ativando você. A atividade de cura é a atividade da Consciência divina, a atividade do Cristo do seu próprio ser, que ocorre dentro de você.


ENTENDIMENTO DA NATUREZA DE DEUS

Toda a nossa vida espiritual depende de nossa capacidade de compreender Deus e, a menos que compreendamos a onipresença e onipotência de Deus, não progrediremos nesta tarefa.

Através dos tempos, muitos nomes foram dados a Deus: Abraão conheceu Deus como Amigo. Nas antigas escrituras dos hindus, que remontam a milhares de anos e abrangem um pouco mais da primitiva literatura dada ao mundo sobre o assunto de Deus, este é mencionado como "Mãe" e às vezes como "Pai". O grande místico hindu moderno, Ramakrishna, conheceu Deus como a "Mãe Kali"; mas, freqüentemente, alguns termos como "Mestre", "Princípio", "Alma", "Luz", "Espírito", "Amor" e outros sinônimos bem-conhecidos de Deus também serão encontrados nas escrituras hindu. Entretanto, porque era da natureza dos hindus primitivos, assim como dos hebreus primitivos, personalizar, eles trouxeram Deus para mais perto de si da maneira que melhor entendiam -- como uma Mãe amorosa e, ocasionalmente, como um Pai.

No século XIX, as pessoas versadas em sânscrito traduziram muitos dos grandes clássicos hindus para o alemão e o inglês, de modo que pela primeira vez o ocidente teve a oportunidade de familiarizar-se com a terminologia hindu. O resultado foi que muitos dos seus conceitos à respeito de Deus se infiltraram na literatura do século XIX. O Termo "Pai-Mãe", como sinônimo de Deus, obteve ampla aceitação por sua incorporação ao ensino da Ciência Cristã de Mary Baker Eddy. Com a utilização do termo na literatura da Ciência Cristã, ele mais tarde foi incorporado em muitos outros ensinamentos metafísicos. E, assim, Deus tem sido conhecido como Mãe, algumas vezes como Pai e, também, como Pai-Mãe. Nenhum desses termos procurou indicar um gênero, nem significar que Deus era masculino ou feminino. Em vez disso, esses termos carinhosos conotam as qualidades suaves, amorosas e protetoras de uma mãe, e as qualidades severas, legisladoras, de proteção, de apoio e de defesa de um pai.

Por isso, quando Deus vem à sua consciência individual, Ele chega de uma maneira tão suave que você pode ainda usar o termo "Pai" ou "Mãe". Cada vez mais, no entanto, as pessoas estão começando a pensar em Deus como Luz e Vida; e, quando Deus é compreendido na consciência individual como Vida ou como Luz, não há sentido de masculino ou feminino, apenas um sentido de Deus como a vida universal que permeia a forma que você tem -- a vida que permeia a forma da árvore, do animal, da flor... uma vida impessoal mas, mesmo assim, vida.

Deus é Espírito, e Espírito é a substância e a essência da qual todas as coisas são formadas -- tudo o que está na Terra e no Céu, no ar, e na água. A criação espiritual é formada dessa indestrutível e indivisível Substância, ou Espírito, denominado Deus.


A CONSCIÊNCIA ESPIRITUAL REVELA A REALIDADE

Você pode, então, questionar: porque há coisas como árvores apodrecendo e vulcões entrando em erupção? Eles também são essência de Deus? Não; eles representam o nosso conceito daquilo que realmente está lá. No reino de Deus não há jamais uma árvore apodrecendo, nem existem forças destrutivas ou arrasadoras em ação. O místico alemão Jacob Boheme via a realidade através das árvores e da relva. Para todos os místicos é como se o mundo se abrisse e eles vissem o mundo como Deus o fez.

Deus é a substância e a realidade subjacentes a toda forma; mas o que vemos, ouvimos, degustamos, tocamos ou cheiramos é o produto da mente humana, do sentido mortal, material, finito. A soma total dos seres humanos no mundo, sob o que se chama lei material -- médica, teológica ou econômica -- estabeleceu esse sentido finito do universo que eles vêem, ouvem, degustam, tocam ou cheiram.

Nada é aquilo que parece ser. Todos nós poderíamos olhar para o mesmo objeto e cada um de nós poderia vê-lo diferentemente. Por que? Porque cada um de nós o interpreta à luz da educação, do ambiente e dos antecedentes de nossa experiência individual. Compreender que aquilo que vemos representa apenas o nosso conceito do que na realidade existe é importante, porque sobre este ponto criamos ou perdemos nossa consciência curativa. Deus criou tudo o que foi criado e tudo o que Ele criou é bom. Por isso, todo este mundo, quer visto como seres humanos, ou como animais e plantas, é Deus manifesto. Mas quando o vemos, não o vemos como é: vemos somente nosso conceito finito dele.

Isto é muito importante porque é nessa premissa que se baseia toda cura espiritual, e a falta de reconhecimento deste ponto responde por noventa e cinco por cento das falhas na cura espiritual. Muitos metafísicos estão procurando curar o corpo físico, e este não pode ser curado porque nada existe que um metafísico possa fazer a um corpo físico; mas quando ele muda seu conceito de corpo, este passa a corresponder àquele conceito mais elevado. Então o paciente diz: "Fui curado!". Ele não foi curado: ele era perfeito no começo. O que estava errado não se achava no corpo, mas em seu falso conceito de si mesmo e de seu corpo.

Se você compreender esta idéia, isto poderá poupá-lo de cometer o engano fatal na tentativa de curar alguém ou o corpo de alguém. Quando vejo o seu corpo através do sentido espiritual, considero você como Deus o fez, e você declarará que foi curado. A criação de Deus está intacta; está perfeita e harmoniosa, e essa criação perfeita e harmoniosa está bem aqui e agora. Porém, isso não pode ser visto com os olhos do corpo. Somente pode ser discernido através da visão espiritual, do sentido espiritual -- através da consciência espiritual, ou do que é chamado de consciência de Cristo.

Não tente reformar o mundo exterior. Quando você encontra roubalheira, embriaguez, ou qualquer outra forma de degradação, não olhe para essas coisas, mas através delas. Feche os olhos, ou então vire-se de costas. Olhe através do indivíduo, considerando com o seu sentido espiritual a realidade do ser dele, e você proporcionará o que o mundo chama de cura. Com o seu sentido espiritual interior, dado por Deus, olhe dentro do coração de cada homem e veja o Cristo, e lá você encontrará a mais maravilhosa força curativa que existe no mundo. Depois, deixe que o seu sentimento o guie. Procure obter o sentimento ou a sensação do Cristo presente bem no centro de cada ser, e quando você alcançar esse Cristo terá uma cura instantânea.

Para conseguir uma cura de pecado ou moléstia não se preocupe com o ser ou com o corpo humano. Recolha-se no silêncio interior: sinta a presença de Deus, o sentimento divino/interior, e então você não será tentado a pensar em pessoa alguma. Não é necessário pensar no nome da pessoa que recorreu a você em busca de auxílio, nem em sua forma nem em sua moléstia. A Inteligência onisciente sabe e, por isso, quando você percebe um sentimento de Alma que a empolga, terá testemunhado uma cura.