"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

segunda-feira, junho 26, 2017

A linguagem divina do Silêncio

- OSHO -

“O propósito de uma armadilha para peixes é pegar peixes.
E quando são capturados, a armadilha é esquecida.
O propósito das palavras é transmitir ideias.
Quando as ideias são compreendidas, as palavras são esquecidas.
Onde posso encontrar um homem que se esqueceu das palavras?
É com ele que eu gostaria de conversar.”  
(Chuang Tzu)

É difícil esquecer as palavras. Elas se agarram à mente. É difícil jogar fora a rede, porque não só os peixes são capturados, mas o pescador também. Esse é um dos maiores problemas. Trabalhar com palavras é brincar com fogo, porque as palavras tornam-se tão importantes que o significado perde o significado. O símbolo se torna tão pesado que o conteúdo é completamente perdido; a superfície hipnotiza e você esquece o centro.

Isso aconteceu em todo o mundo. Cristo é o conteúdo, o cristianismo é apenas uma palavra; Buda é o conteúdo, o dhammapada é apenas uma palavra; Krishna é o conteúdo, o Gita não é nada além de uma armadilha. Mas o Gita é lembrado e Krishna é esquecido. Se você falar de Cristo, é por causa das igrejas, da teologia, da bíblia, das palavras. As pessoas carregam a rede por muitas vidas, sem perceber que aquilo é apenas uma rede, uma armadilha, como se a pessoa vivesse carregando uma escada.

Buda costumava contar:

Alguns homens estava atravessando um rio. O rio era perigoso, ele estava na cheia – devia ser a estação das chuvas – e o barco salvou suas vidas. Então eles pensaram – eles deviam ser muito, muito inteligentes – eles pensaram: “Este barco nos salvou, como podemos deixa-lo agora? Este é o nosso salvador e será ingratidão deixa-lo aqui!”. Então, eles levaram o barco na cabeça para a cidade.

Alguém lhes perguntou: “O que vocês estão fazendo? Nunca vimos ninguém carregando um barco.”

Eles disseram: “Agora vamos ter de levar este barco por toda a nossa vida, porque ele nos salvou, e não podemos ser ingratos.”

Essas pessoas de aparência inteligente deviam ser estúpidas. Agradeça ao barco, mas deixe-o lá. Não o carregue. Você tem carregado vários tipos de barcos na cabeça. Olhe para dentro. As escadas, os barcos, caminhos, palavras – este é o conteúdo da sua cabeça, da sua mente.

O recipiente se torna importante demais, o veículo se torna importante demais, o corpo se torna importante demais. O veículo era só para lhe transmitir a mensagem – receba a mensagem e esqueça o veículo. Agradeça-lhe, mas não o leve em sua cabeça.

Maomé insistiu muito, quase todos os dias de sua vida: “Eu sou apenas um mensageiro. Não me adorem, eu apenas trago uma mensagem do divino. Não olhem para mim, olhem para o divino, que enviou a mensagem a vocês.” Mas os maometanos parecem ter esquecido a fonte. Maomé se tornou importante, o veículo.

Onde você empreende a sua busca – nas palavras, nas escrituras? Se sua mente está muito sobrecarregada com palavras, teorias, escrituras, então o seu caminho para a existência está fechado, nada real pode lhe acontecer. Nada real poderá penetrar em você, nem o amor, nem a meditação, nem a existência. E tudo o que é belo aconteceu num processo de interiorização. Quando você está em silêncio, sem qualquer apoio das palavras, quando você está esperando... Nesse momento de espera, a beleza acontece, o amor acontece, a devoção acontece, a divindade acontece. Mas, se um homem é muito viciado em palavras, ele vai perder tudo. No final, ele terá uma longa coleção de palavras e teorias, lógica, tudo – mas nada vale a pena porque está faltando o conteúdo.

Você tem a rede, a armadilha, mas não há nenhum peixe lá. Se você tivesse realmente capturado o peixe, você teria jogado fora a rede imediatamente. Quem se importa com a rede? Se você já usou o barco, pode esquecê-lo. Quem pensa no barco? Você transcendeu, ele foi usado.

Assim, sempre que um homem realmente passa a saber, o conhecimento é esquecido. Isso é o que chamamos de sabedoria. Um homem sábio é aquele que foi capaz de desaprender o conhecimento. 

Mas por que esse vício pelas palavras? Porque o símbolo parece ser o real. Você acha que a palavra é a realidade. E, se ela se repete muito, a repetição faz com que você se auto-hipnotize. Repita uma coisa, e aos poucos você vai esquecer que você não sabe. A repetição vai lhe dar a sensação de que você sabe.

Se você vai ao templo pela primeira vez, vai na ignorância. Você não sabe se esse templo realmente contém alguma coisa, se Deus está lá ou não. Mas vá todos os dias e viva repetindo o ritual, as orações; e faça tudo conforme lhe for dito, sempre, todas as vezes, dia após dia, ano após ano. Você vai se esquecer do estado de espírito que havia no começo. Com repetições contínuas a coisa vai para dentro da mente e você começa a sentir que esse é o templo, que Deus vive aqui, que essa é a morada de Deus. 

Você me procura, o problema é o seguinte: na base há palavras e agora você está tentando meditar e ficar em silêncio – a base está sempre lá. Sempre que você começa a ficar em silêncio a base começa a funcionar. Então, você se torna consciente do que pensa quando medita – ainda mais do que normalmente. Por que? O que está acontecendo? Quando você está em silêncio você vai para dentro de si e se torna mais sensível ao absurdo interior que existe ali. Quando você está em meditação você fica voltado para fora, fica extrovertido, envolvido com o mundo e você não pode ouvir o barulho interior que ocorre dentro de você. Sua mente não está lá.

O ruído é contínuo dentro de você, mas você não pode ouvi-lo, você está ocupado. Mas sempre que fecha os olhos e olha para dentro, o hospício se abre. Você pode ver e sentir e ouvir, e então fica com medo e assustado. O que está acontecendo? E você estava pensando que a meditação ia deixá-lo mais silencioso. E está acontecendo isso, exatamente o oposto.

No começo é inevitável que isso aconteça, porque uma base errada foi dada a você. Toda a sociedade, seus pais, seus professores, suas universidades, sua cultura, deram-lhe uma base errada. Sua fonte está envenenada. Esse é o problema – como desintoxicar você. Leva tempo, e uma das coisas mais difíceis é se livrar de tudo o que você conheceu, desaprender.

A repetição contínua de uma palavra cria a realidade, mas essa realidade é falsa. É ilusão, e você só pode voltar para a realidade se todas as palavras desaparecerem da sua mente. Mesmo uma única palavra pode criar a ilusão. As palavras são grandes forças. Se ainda houver uma única palavra na sua mente, ela não está vazia. Tudo o que você está vendo, sentindo, é criado através da palavra, e essa palavra vai mudar a realidade.

Você tem que ficar completamente sem palavras, sem pensamentos. Você tem que ser apenas consciência. Quando você é apenas consciência, a realidade é revelada a você. Só então o real aparece, é revelado. Agora o sutra:

“O propósito de uma armadilha para peixes é pegar peixes.
E quando são capturados, a armadilha é esquecida."

Você se esqueceu completamente do propósito. Você acumulou tantas armadilhas para peixes, vive tão preocupado com essas armadilhas que se esqueceu completamente do peixe.

Se você não consegue esquecer a armadilha, isso significa que o peixe ainda não foi capturado. Lembre-se, se você está continuamente obcecado com a armadilha, isso mostra que os peixes ainda não foram pegos.

"O propósito das palavras é transmitir ideias.
Quando as ideias são compreendidas, as palavras são esquecidas."

Se você realmente me entender, não será capaz de se lembrar do que eu disse. Você vai pegar o peixe, mas irá jogar fora a armadilha. Você vai ser o que eu disse, mas não vai se lembrar das palavras que eu disse. Você vai ser transformado por elas, mas não vai se tornar um homem mais instruído por causa delas. Você estará mais vazio por causa delas, menos cheio; você vai se afastar de mim revigorado, não sobrecarregado.

Não tente acumular o que eu digo, porque tudo o que você acumular será errado. O acúmulo está errado: não acumule, não preencha o seu baú com as minhas palavras. Jogue-as fora, então o significado vai estar lá, e o significado não precisa ser lembrado. Ele nunca se torna parte da memória, torna-se parte da sua totalidade. Você só precisa se lembrar de uma coisa quando ela faz parte da memória, do intelecto. Isso que lhe digo não faz parte da memória, do intelecto. Você nunca precisa se lembrar de uma coisa real, pois se a coisa acontece a você, ela está lá – qual a necessidade de lembrar? Não repita, porque a repetição vai lhe dar uma falsa noção.

Ouça, mas não as palavras – bem ao lado das palavras o que não tem palavras está sendo transmitido a você. Não fique focado demais nas palavras, basta olhar um pouco de lado, porque a coisa real está sendo transmitida ali. Não ouça o que eu digo, ouça-me! Eu também estou aqui, não apenas as palavras. E se você me ouvir, então todas as palavras serão esquecidas.

Foi o que aconteceu... Buda morreu, e os discípulos ficaram muito perturbados, porque nenhuma de suas frases foram registradas enquanto ele estava vivo. Eles haviam se esquecido completamente. Os discípulos iluminados de Buda foram abordados – Mahakashyapa, Sariputta, Moggalyan –, e todos esses que se tornaram iluminados encolheram os ombros: “É difícil, ele disse tantas coisas, mas não nos lembramos.” E esses foram os discípulos que tinham alcançado a iluminação!

Então Ananda foi abordado. Ele não se tornou iluminado enquanto Buda estava vivo, ele tornou-se iluminado depois que Buda morreu. Ele se lembrava de tudo. Ele acompanhou Buda por quarenta anos, e ele ditou tudo, palavra por palavra – um homem que não foi iluminado! Parece paradoxal. Aqueles que tinham alcançado a iluminação deveriam se lembrar, não esse homem que ainda não havia atingido a outra margem. Mas quando a outra margem é atingida, esta margem é esquecida e, se a própria pessoa se tornou um buda, quem se importa em lembrar o que Buda disse?

“O propósito de uma armadilha para peixes é pegar peixes.
E quando são capturados, a armadilha é esquecida."

As palavras de Buda eram armadilhas, Mahakashyapa capturou o peixe. Quem se preocupa com a armadilha agora? Quem se importa em saber para onde o barco foi? Ele cruzou o rio. Claro que vai ser assim. Se Mahakashyapa tornou-se ele próprio um buda, como eles podem estar separados? Os dois não são dois. Contudo Ananda disse: “Eu vou relatar suas palavras”, e ele relatou de modo muito autêntico. A humanidade tem uma grande dívida para com este Ananda, que ainda era ignorante. Ele não havia capturado o peixe, por isso ele se lembrava da armadilha. Ele ainda estava pensando em pegar o peixe, por isso tinha que carregar a armadilha.

Lembre-se disso como uma lei básica da vida: o que é superficial, periférico (e palavras são superficiais, periféricas) parece tão significativo porque você não está consciente do essencial, do centro. Esse mundo parece tão significativo porque você não está consciente de Deus. Quando Deus é conhecido, o mundo é esquecido, nunca o contrário. 

As pessoas tentaram esquecer o mundo para que pudessem conhecer Deus – isso nunca aconteceu e nunca acontecerá. Você pode continuar tentando esquecer o mundo, mas você não vai conseguir. Todos os seus esforços para esquecer o mundo se tornarão uma lembrança contínua. Somente quando Deus é conhecido o mundo é esquecido. Somente quando a outra margem é atingida, esta margem desaparece.  Você pode continuar lutando para abandonar o pensar, mas você não pode abandonar o pensamento enquanto não alcançar a consciência. O pensar é um substituto – como você pode abandonar a armadilha enquanto o peixe ainda não está capturado? A mente dirá: “Não seja tolo, onde está o peixe?”

Como você pode abandonar as palavras se ainda não percebeu o significado? Não tente lutar com as palavras, tentar alcançar o significado. Não tente lutar com os pensamentos. É por isso que eu insisto mais uma vez em dizer que, se os pensamentos o perturbarem, não lute contra eles, não os combata. Se eles vierem, deixe-os vir. Se eles se forem, deixe-os ir. Não faça nada, apenas fique indiferente, seja apenas um observador, um espectador, não se preocupe. Isso é tudo o que você pode fazer agora – ser indiferente.

Não diga: “Não venham.” Não convide, não rejeite, não condene e não aprecie. Basta ficar indiferente. Olhe para eles, eles vêm como nuvens, e depois vão, como as nuvens desaparecem. Deixe-os ir e vir, não fique no caminho, não preste atenção neles. Porque, se você ficar contra eles, você começará a prestar atenção, e logo estará perturbado: “Minha meditação está perdida”. Nada está perdido. A meditação é a sua natureza intrínseca. Nada está perdido. O céu está perdido quando há nuvens? Nada está perdido.

Seja indiferente, não se sinta incomodado pelos pensamentos, desta ou daquela maneira. E, mais cedo ou mais tarde, você vai sentir e perceber que esse ir e vir dos pensamentos se tornou mais lento. Cedo ou tarde você vai ver que agora eles vêm, mas não tanto; às vezes o trânsito para, a estrada fica vazia. Um pensamento passou, outro ainda não chegou; há um intervalo. Nesse intervalo você vai conhecer o seu céu interior em sua glória absoluta. Mas se entrar um pensamento, deixe-o entrar, não fique perturbado.

Se você conseguir, faça isso, pois somente isso pode ser feito; nada mais é possível. Seja desatento, indiferente, sem se importar. Apenas permaneça como uma testemunha, observando, não interferindo, e a mente irá passar, porque nada poderá ser retido no seu interior, se você ficar indiferente.

A indiferença é o corte das raízes, as próprias raízes. Não se sinta antagônico porque assim você também estará alimentando. Se você tem que se lembrar dos amigos, você tem que se lembrar dos inimigos também, até mais. Os amigos você pode esquecer, como pode esquecer os inimigos? Você terá que lembrar constantemente deles, porque você tem medo.

As pessoas ficam perturbadas com os pensamentos. Mas através da luta você presta atenção – e a atenção é o alimento. Tudo cresce se você prestar atenção; cresce rápido, torna-se mais vital. Seja apenas indiferente. 

Uma história:

Foi o que aconteceu... Um homem estava acostumado a ir à pista de corrida todo ano no dia do seu aniversário. O ano inteiro ele acumulava o dinheiro apenas para um aposta em seu aniversário. E ele estava perdendo há muitos anos, mas a esperança sempre o reanimava. Toda vez ele decidia não ir novamente, mas um ano é muito tempo. Por alguns dias, ele se lembrava, mas depois novamente a esperança voltava: "Quem sabe?" Esta ano eu posso ficar rico, então porque não fazer um esforço a mais?"

Quando seu aniversário chegou, ele estava novamente pronto a ir para a pista de corria. E era seu quinquagésimo aniversário, assim ele pensou: "Eu deveria tentar pra valer."

Então ele vendeu todas as suas posses, reuniu uma pequena fortuna, tudo o que ele havia ganhado em toda a sua vida, tudo o que tinha, e disse: "Agora eu tenho que decidir. Ou eu me torno um mendigo ou um imperador, não vou mais ficar no meio, chega!"

Ele foi até o guichê e olhou para o nome dos cavalos: "Há esse cavalo, Adolf Hitler, ele vai se dar bem. Um grande homem, um homem vitorioso. Ele ameaçou o mundo inteiro. Esse cavalo deve ser feroz e forte." Assim, ele apostou tudo – e perdeu. Como todos que apostaram em Hitler, ele perdeu. Agora ele não tinha para onde ir, pois tinha perdido inclusive a própria casa. Então o que fazer? Não havia nada a fazer senão se suicidar.

Ele então se encaminhou para a beira de um precipício, só para pular e acabar com a própria vida. Quando ele estava prestes a saltar, de repente ouviu uma voz, e não a reconheceu; não sabia se ela vinha do exterior ou do interior. Ele ouviu: "Pare! Da próxima vez vou lhe dar o nome do cavalo vencedor – tente mais uma vez. Não se mate."

A esperança reviveu, ele voltou. Ele trabalhou duro naquele ano, porque ia ser a vitória pela qual estivera esperando a vida inteira. O sonho tinha que se realizar. Ele trabalhou duro dia e noite, ganhou muito. Então, no ano seguinte, com o coração trêmulo ele foi até o guichê e esperou. A voz disse: "Ok, escolha este cavalo, Churchill." Sem discutir, sem pensar, sem deixar a mente interferir, ele apostou tudo e venceu. Churchill ficou em primeiro lugar.

Ele voltou novamente ao guichê e esperou. A voz disse: "Agora aposte em Stálin". Ele apostou tudo. Stálin ficou em primeiro lugar. Agora ele tinha uma grande fortuna.

Na terceira vez ele esperou, e a voz disse: "Chega."

Mas ele disse: "Fique quieta, eu estou ganhando, estou com sorte e ninguém pode me derrotar agora." Então, ele escolheu Nixon e Nixon ficou em último.

Toda a fortuna foi perdida e ele se tornou novamente um mendigo. Ali, parado, ele murmurou para si mesmo: "E agora, o que fazer?"

Disse a voz interior: "Agora você pode ir para o precipício e pular!"

No momento em que você vai morrer, a mente para, porque não há nada pelo qual trabalhar. A mente faz parte da vida, não faz parte da morte. Quando não há vida pela frente, a mente para, não há trabalho, ela fica imediatamente desempregada. E quando a mente para, a voz suave interior vem lá de dentro. Ela está sempre lá, mas há tanto barulho que uma voz mansa e suave não pode ser ouvida.

A voz não vinha de fora, não há ninguém fora de nós, tudo está dentro. Deus não está no céu, está em você. Aquele homem ia morrer – a última decisão tomada pela mente. Mas então a mente se aposentou, não havia mais trabalho, e de repente ele ouviu a voz. Essa voz veio de seu núcleo mais profundo, e a voz que vem do âmago mais profundo está sempre certa.

Então o que aconteceu? Duas vezes a voz se fez ouvir, mas a mente interferiu novamente e disse: "Não dê ouvidos a tal absurdo, estamos com sorte e estamos vencendo."

Lembre-se: sempre que você ganha, você ganha por causa da voz interior. Mas a mente sempre vem e toma conta. Sempre que você sente felicidade, ela vem de dentro. Então a mente salta imediatamente à frente e assume o controle, e diz: "É por minha causa." Quando você está apaixonado, isso é como a morte, a mente para - você se sente feliz. Imediatamente vem a mente e diz: "Ok, esta sou eu, isso é por minha causa."

Sempre que você medita, há vislumbres. Então a mente entra e diz: "Seja feliz! Olhe, eu fiz isso!" E imediatamente o contato é perdido.

Lembre-se: com a mente você será sempre um perdedor. Mesmo que você seja vitorioso, suas vitórias serão apenas derrotas. Com a mente não há vitória, com a não-mente não há derrota.

Você tem que mudar toda a sua consciência da mente para a não-mente. Depois que a não-mente estiver presente, tudo é vitorioso. Depois que a não-mente estiver presente, nada dará errado, nada pode dar errado. Com a não-mente, tudo é absolutamente como deveria ser. A pessoa tem contentamento, não resta nem um único fragmento de descontentamento; ela está absolutamente à vontade. Você é um estranho por causa da mente.

Essa mudança só é possível se você se tornar indiferente; caso contrário, essa mudança nunca será possível. Mesmo se você tiver lampejos, esses lampejos serão perdidos. Você já teve lampejos antes – não é só na oração e na meditação que os vislumbres acontecem. Os vislumbres acontecem na vida cotidiana também. Ao fazer amor com uma mulher, a mente para. É por isso que o sexo é tão atraente, é um êxtase natural. Por um momento único, de repente a mente não está lá; você se sente feliz e contente, mas apenas por um único momento. Imediatamente a mente entra e começa a funcionar – como conseguir mais, como ficar mais tempo? Surge o planejamento, o controle, a manipulação, e você se perdeu.

Às vezes, sem mais aquela, você está andando na rua, debaixo das árvores e de repente um raio de sol vem e cai em você, uma brisa toca o seu rosto. De repente é como se o mundo inteiro mudasse, por um único momento você está em êxtase. O que aconteceu? Você estava andando, despreocupado, indo a lugar nenhum, só fazendo a caminhada, numa manhã ou tarde. Naquele momento de descontração, de repente, sem o seu conhecimento, a consciência deslocou-se da mente para a não-mente. Imediatamente há beatitude. Mas a mente vem e diz: "Quero ter mais momentos como este." Então você pode ficar lá durante anos, durante vidas, mas isso nunca vai acontecer de novo – por causa da mente.

Na vida comum, no dia a dia, não só nos templos, mas em lojas e escritórios também, os momentos vêm – a consciência muda e vai da periferia para o centro. Mas a mente assume de novo o controle imediatamente. A mente é o grande controlador. Você pode ser o mestre, mas ela é o gerente, e o gerente absorveu tanto controle e poder que pensa que é o mestre. E o mestre fica completamente esquecido.

Seja indiferente à mente. Sempre que ela interferir, em momentos sem palavras, silenciosos, não a ajude, não coopere com ela. Basta olhar. Deixe-a dizer o que quiser, não preste muita atenção. Ela vai se retirar.

Na meditação, isso acontece a você todos os dias. Muitos me procuram e dizem: "Aconteceu no primeiro dia, mas desde então não aconteceu mais."

Por que aconteceu no primeiro dia? Você está mais preparado agora, no primeiro dia você não estava tão preparado. Aconteceu no primeiro dia porque o gerente não tinha conhecimento do que ia acontecer. Não poderia planejar. No dia seguinte, o gerente sabia muito bem o que ia ser feito. Agora, o gerente sabe, e o gerente faz. Então isso não vai acontecer de novo, porque o gerente tomou a frente.

Lembre-se: sempre que um momento de bem-aventurança acontecer, não peça por ele novamente. Não peça que seja repetido, porque toda a repetição diz respeito à mente. Não peça por ele novamente. Se você pedir, então a mente vai dizer: "Eu sei o truque. Vou fazer isso por você."
Quando esses momento acontecerem, sinta-se feliz e grato e esqueça. O peixe foi pego, esqueça a armadilha. O significado foi capturado, esqueça a palavra.

E a última coisa: sempre que a meditação está completa, você se esquece dela. E só então, quando você se esquece da meditação, ela chega à plenitude, o clímax é atingido. Agora você fica meditativo durante 24 horas por dia. Não há nada a ser feito; ela está ali, é você, é o seu ser.

Se você puder fazer isso, então a meditação torna-se um fluxo contínuo, não um esforço da sua parte – porque todo esforço é da mente.

Se a meditação se torna a sua vida natural, a sua vida espontânea, o Tao, então eu lhe digo, algum dia Chuang Tzu vai encontrar você. Porque ele pergunta:

"Onde posso encontrar um homem que se esqueceu das palavras? É com ele que eu gostaria de conversar."

Ele está procurando. Eu já o vi muitas vezes aqui perambulando em torno de você, apenas esperando, esperando. Se você se esquecer das palavras, ele vai falar com você. E não só Chuang Tzu – Krishna, Cristo, Lao Tsé, Buda, todos eles estão em busca de você; todas as pessoas esclarecidas estão em busca dos ignorantes. Mas elas não podem falar porque conhecem a linguagem do silêncio, e você conhece a linguagem da loucura. Isso não vai levar a lugar nenhum. Eles estão em busca. Todos os budas que já existiram estão em busca. Sempre que estiver em silêncio, você vai sentir que eles sempre estiveram ao seu redor.

Dizem que sempre que o discípulo está pronto o mestre aparece. Sempre que você está pronto a verdade é entregue à você. Não há um intervalo nem mesmo de um instante. Sempre que você está pronto, acontece imediatamente. Lembre-se de Chuang Tzu. A qualquer momento ele pode começar a falar com você, mas antes que ele comece, você precisa parar de falar.

Basta por hoje.

quinta-feira, junho 22, 2017

Como age a verdadeira Seicho-No-Ie (2)

- Núcleo

Divinos Amigos,

O presente texto é uma continuação das explanações contidas nos posts "A Verdadeira Seicho-No-Ie" e "Como age a Verdadeira Seicho-No-Ie".

O tema aqui ainda é: A ação que deve ser praticada de acordo com a "verdadeira Seicho-No-Ie".

Inicialmente atentem que o termo "verdadeira Seicho-No-Ie" não se refere a nenhuma instituição religiosa fenomênica nem a nenhuma das manifestações da Seicho-No-Ie, até porque as instituições religiosas que seguem os ensinamentos do Mestre Masaharu Taniguchi têm em sua essência a "verdadeira Seicho-No-Ie". 

O que se segue relaciona à essência dos ensinamentos do Mestre Masaharu Taniguchi aos ensinamentos védicos (Advaita), evidenciando que realmente, tal como afirmou o Mestre, há uma total identidade de todas as religiões na essência! 

Observem o que fala o Mestre Masaharu Taniguchi sobre a prática dos ensinamentos da Seicho-No-Ie.  O que se segue são transcrições dos ensinamentos do Mestre chamando que falam da "revelação divina".

Na página 57 do livro "A Verdade da Vida, Prática Contemplativa, 8º volume", está escrito:

"Quando abrimos os ouvidos para o "apelo" da Verdade que se aloja em nós, recebemos a orientação da Sabedoria infinita de Deus. Esse "apelo" da Verdade que se aloja em nós, manifesta-se como "consciência" e como "revelação divina". A "consciência" e a "revelação divina" são frente e verso de uma mesma coisa; são manifestações que vem do "eu superior", indícios da "natureza verdadeira" de nós próprios, a voz de Deus que se aloja em nós mesmos."   

E na página 77 Masaharu Taniguchi revela que:

"Se praticarmos sempre a Meditação Shinsokan, criarmos o hábito de fazer coincidir nossa mente com Deus e procurarmos viver de acordo com o modo de viver da Seicho-No-Ie, em consonância com a purificação da mente, as vibrações do corpo carnal vão se purificando e nos tornaremos capazes de captar ainda na condição carnal a revelação que vem do mundo mais elevado. 

Durante a prática da Meditação Shinsokan, ou durante o sono, o nosso corpo carnal não se preocupa com as coisas e os fatos vulgares da vida cotidiana, em consequência disso, o nosso corpo espiritual pode com mais facilidade receber revelações do mundo espiritual, e às vezes do mundo divino. Mas, lamentavelmente, as vibrações do corpo carnal não chegam a ser tão refinadas quanto as vibrações do mundo espiritual e não se sintonizam com elas. Por isso, a revelação transmitida para o nosso corpo espiritual é muitas vezes descartada por não ser percebida pelo consciente do nosso corpo carnal e não ser aproveitada na prática.  [Para uma leitura mais completa acessem neste blog o texto publicado em http://busca-espiritual.blogspot.com.br/2010/11/o-meio-de-captar-sabedoria-infinita_09.html] 

Atentem bem a este trecho: "...nos tornaremos capazes de captar ainda na condição carnal a revelação que vem do mundo mais elevado". 

Esse pequeno trecho contém duas afirmações essenciais sobre a iluminação! É um método que revela como viver de forma iluminada, ou seja, viver com a consciência de unidade com Deus ou viver consciente da Verdade sobre nossa real identidade mesmo estando na condição humana!

A primeira dessas afirmações do Mestre é esta: "ainda na condição carnal"

E a segunda, é esta: "mundo mais elevado".

Notem a profundidade do que está sendo afirmado pelo Mestre! "Ainda na condição carnal" é possível viver de forma iluminada!

Essa é a ponte com o conceito védico de "Jivan Mukti" {ou Jivanmuktha} que significa estar iluminado, ou seja, liberado da ilusão de separatividade, mesmo na condição humana. Também a Bíblia afirma: "Ainda em minha carne verei a Deus". (Jo 19:26)

Notem que esse método ensinado pelo Mestre Masaharu Taniguchi conduz à Percepção de Unidade com o Todo, ou seja, conduz à visão não dual, à visão Advaita! 

Isso significa que aquele que pratica esse ensinamento essencial do Mestre chega a mesma Consciência de Unidade de um Jivanmuktha
  
Notem que o ensinamento Advaita [ensinamento da não dualidade] é todo nesse sentido: de que não há separação entre Deus e Homem, de que a separação é apenas aparente. 

E, indo ainda um passo além, no ensinamento Advaita há a revelação de que Deus é o único Ser Real, a única Realidade, conforme o ensinamento compartilhado no Núcleo de que apenas Deus (o Ator) é a Realidade, sendo o personagem uma identidade que emerge numa Representação Divina.

Isso significa que mesmo na condição humana essa não é nossa real identidade! O fato de aparentemente estarmos ou não conscientes disso não altera a Realidade em si! Essa é a essência dos ensinamentos e da "revelação divina"!

Toda revelação divina provém do "mundo mais elevado". O "mundo mais elevado" é a Realidade, ou Mundo Absoluto, ou Jisso; e a ação praticada de acordo com a "verdadeira Seicho-No-Ie" conduz à Consciência de Unidade, a mesma Percepção de um Jivanmuktha.

Para uma leitura complementar em português sobre ensinamentos advaita acessem os seguintes sites

- http://advaita.com.br/advaita-vedanta/imagens/
- http://ventosdepaz.blogspot.com.br/p/nao-dual.html

Namastê!

terça-feira, junho 20, 2017

Advaita: A sabedoria da Não-Dualidade



A SABEDORIA DA NÃO-DUALIDADE

I. O que é? Princípios Essenciais.

O Advaita Vedanta é uma “filosofia”, por assim dizer, que surgiu há muitos séculos na Índia, tendo a sua origem nos Vedas, as escrituras mais antigas e sagradas do Hinduísmo. Advaita literalmente significa “não-dualidade”, e Vedanta significa “a parte final (ou conclusão) dos Vedas”.

A doutrina principal do Advaita postula que apenas o Absoluto (Brahman) é Real e que o mundo (toda a criação) é irreal, sendo que toda e qualquer modificação, dualidade, pluralidade – seja objetiva ou subjetiva – é apenas uma superimposição, uma imagem que é sobreposta ao Absoluto através do poder da ilusão (Maya). 

Como o Absoluto é imutável e sem atributos, a criação é negada, uma vez que o absoluto não pode criar, devido a sua própria “infinitude”, digamos assim, e também porque não pode haver nada “fora” ou “diferente” dele. O Absoluto é o oceano de Ser-Consciência-Beatitude (sat-chit-ananda), sendo Real, enquanto que tudo o que nele surge e desaparece é transitório, limitado e, portanto, irreal. Nas palavras de Shankara, o ensinamento Advaita central é que “o absoluto é real, o universo é ilusório, e a alma individual não é diferente do absoluto“. Embora a alma individual (Jiva) seja vista como parte do mundo ilusório, e portanto irreal, a “testemunha” que há por trás dela (a Consciência), ou Eu Real, é idêntico ao Absoluto.

Para o Advaita a ilusão, ou ignorância espiritual, não é real, mas apenas uma falsa-percepção. Os Upanishads explicam que Maya (ilusão cósmica) causa o surgimento do universo e que avidya (ignorância individual) é responsável por o Absoluto Ser parecer ser uma multidão de almas individuais (jivas). Assim, através da ação inexplicável da ignorância, o Absoluto ou Eu Real (Brahman ou Atman), cuja natureza é Ser-Consciência-Beatitude, encontra-se preso em um complexo corpo-mente, acreditando-se e vivendo como se fosse um ser limitado e individual, enquanto que na verdade é apenas existência impessoal e eterna. A metáfora mais utilizada pelas escrituras é a situação de um homem que abre a porta de um quarto escuro e, naquele momento, uma corda que estava em uma prateleira cai no chão, e o homem, devido à pouca luz existente no recinto, acredita ter visto uma cobra, enchendo-se de medo. De igual maneira, ensinam os mestres, nós acreditamos ser um ser individual, limitado a um corpo-mente, vivendo em um mundo exterior, objetivo, substancial e real, enquanto que tudo isso não passa de um sonho, um engano, uma miragem. Nós somos, agora e sempre, apenas o Eu Real ou Self.

O obstáculo principal à liberação da alma (Moksha ou Mukti) é a falsa identificação do eu com o corpo-mente – em outras palavras, a ilusão de que o corpo-mente é “eu” ou “meu”, que estamos circunscritos a ele. Assim, os textos de Shankara (e os demais textos Advaita supervenientes) recomendam que a remoção dessa ilusão seja obtida pelo processo inverso de “des-superimposição”. Para isso o aspirante à iluminação deve desenvolver as seguintes características:

1 -  Discernimento espiritual (viveka): saber separar o Real do irreal, o eterno do transitório, e ter a convicção de que apenas o Absoluto é real e tudo o resto é ilusão;

2 - Desapego: (vairagya): não desejar nada, nem neste mundo nem em vindouros. Não buscar a felicidade em nada que não seja o Eu Real;

3 - Seis virtudes: serenidade, autocontrole, cessação das atividades, equanimidade, concentração mental, e confiança (nos ensinamentos e no Guru);

4 - Desejo forte pela libertação (mumukshutva): desejar apenas iluminação, com a exclusão de todo o resto.

E quando afinal a alma individual (Jiva) alcança a liberação (Mukti), ela se torna um Jivamukta (Aquele é está liberado mesmo enquanto vive na condição humana).

Para tanto, o buscador deve aproximar-se de um Guru que seja um mestre espiritual iluminado e ouvir a verdade de que “eu sou Brahman” (shravana), refletir sobre ela até convencer-se completamente do seu conteúdo (manana) e meditar sobre ela (nididhyasana) até que a ilusão de ser um corpo-mente desapareça (samadhi).

Os Upanishads aconselham a prática de mentalmente rejeitar tudo, rejeitar a atenção a qualquer coisa que não seja o Eu Real, através da prática neti-neti, que literalmente significa “não isto, não isto”. Também, através da repetição das chamadas “grandes frases” (mahavakyas), eliminar a falsa impressão de que somos uma personalidade ou individualidade e descobrir nosso verdadeiro ser. Tais frases são:

- Eu sou Brahman (Aham Brahmasmi)
- Você é Aquilo (Tat vam asi)
- Tudo é Brahman (Sarvam khalvidam Brahman)
- A Consciência é Brahman (Prajnam Brahman)
- Eu sou Ele (So Ham)

Em síntese, tais são os princípios do Advaita Vedanta clássico e as práticas por ele aconselhadas. 

Retirado do site: www.advaita.com.br

domingo, junho 18, 2017

Advaita: Oceano e a onda

 - Sri Atmananda Krishna Menon -


ADVAITA (NÃO-DUALIDADE)

I. Jivas (almas individuais), tal qual ondas no oceano, vêm à existência, erguem-se e tombam, lutam uns contra os outros e morrem.

II. Golpeando a beira-mar, ondas recuam, cansadas e desgastadas, à procura de repouso e paz. Similarmente, Jivas procuram o Supremo de várias formas.

III. Ondas têm seu nascimento, vida e morte no próprio oceano; Jivas, no Senhor.

IV. Ondas nada são além de água. Assim é o oceano. Da mesma forma, o Jiva e o Senhor nada são além de Sat, Chit e Ananda (Verdade, Consciência, Bem-aventurança).

V. Quando ondas percebem que o mar é sua base comum, toda luta termina.

VI. Muito não é obtido assim. Não é a palavra final. Encontra-se adiante trabalho para remover o senso de separação.

VII. Quando a água é reconhecida, onda e oceano desaparecem. O que aparecia como dois é então percebido como um.

VIII. A água pode ser alcançada imediatamente, a partir da onda, ao se seguir o caminho direto. Caso assumido o caminho pelo oceano, precisa-se de muito mais tempo.


quinta-feira, junho 15, 2017

Como age a Verdadeira Seicho-No-Ie (1)

- Núcleo


Expressões do Jisso!

Continuando com transcrições dos escritos de Masaharu Taniguchi, no livro Seimei no Jisso, volume 8, que trata da "Prática Contemplativa", o Mestre fala sobre a atitude mental preconizada como prática específica de cada religião, as quais se fundem "numa mesma e única verdade", consistindo em ver-se:

- "Vivificado" pela Grande Vida Infinita (visão da ciência naturalista);
- "Preenchido" por Deus que ilumina todo o Universo (visão xintoísta);
- "Iluminado" pela luz infinita de Amithaba (visão budista);
- "Purificado de todos os pecados" pela luz espiritual do amor que irradia da cruz (visão cristã).    

E explanando esse ponto Masaharu Taniguchi afirma que: "a Seicho-No-Ie não fala mal de nenhuma religião"

Notem que o ensinamento original do Mestre é claro quanto a que a Seicho-No-Ie (original) não fala mal de nenhuma religião, seja xintoísmo, budismo, cristianismo ou qualquer outra religião.

Se é assim em relação a outras religiões é evidente que também deve ser assim em relação às atuais ramificações da própria Seicho-No-Ie, que seguem o ensinamento original da Seicho-No-Ie. E a explicação para que assim seja, dada pelo próprio Mestre é esta: 

"A Seicho-No-Ie não fala mal de nenhuma religião, mas não porque considere "errado" falar mal dos outros, e sim porque ela se funde com a essência de todas as religiões; não há, pois, necessidade de desencadear atritos religiosos." [A Verdade da Vida, volume 8, 2ª edição, Prática Contemplativa, página 19]
    
Os atritos religiosos não tem lugar quando se percebe a identidade de todas as religiões na essência! Notem que esse é outro ensinamento original do Mestre! Nesse sentido, a "verdadeira Seicho-No-Ie" é a própria essência de todas as atuais ramificações da Seicho-No-Ie! Assim, o caminho para não haver atritos religiosos entre as ramificações da Seicho-No-Ie é se fundirem "numa mesma e única verdade" praticando o ensinamento do Mestre quanto ao fato de que: "A Seicho-No-Ie não fala mal de nenhuma religião, porque ela se funde com a essência de todas as religiões".

Namastê.


segunda-feira, junho 12, 2017

A Verdadeira Seicho-No-Ie

- Núcleo


Meus Divinos Amigos,

Tenho sido conduzido por orientação divina aos escritos do Mestre Masaharu Taniguchi sobre a criação e o propósito original da Seicho-No-Ie. Essa orientação divina me inspira a compartilhar um tema de atual grande importância, que é: "A Verdadeira Seicho-No-Ie."

O que se segue são palavras textuais escritas pelo próprio Mestre Masaharu Taniguchi. São, portanto, transcrições, que elucidam questões atinentes à Verdadeira Seicho-No-Ie e são também revelações referentes ao Ser Divino subjacente à figura dAquele que apareceu como o Mestre Masaharu Taniguchi.  

Por se tratar de transcrições de palavras textuais do Mestre, peço que não apenas não as julguem, sendo inclusive altamente recomendável uma postura reverencial e um agradecimento ao Mestre pelo fato de ter elucidado temas tão delicados e os ter disponibilizado a nós em forma de Seus escritos.  

Iniciemos estes temas sobre o que revelou o Mestre sobre Cristo e Amithaba (Buda). 

Transcrições das palavras do Mestre no livro Seimei No Jisso = Jisso da Vida - Livro de Introdução - Luz Vida - As sete declarações iluminadoras - Caminho que conduz à vida - Autor Masaharu Taniguchi 

"Logo, tanto Cristo quanto Amithaba (Buda), em última análise, são os salvadores que o Pai, a Grande Vida, nos enviou para que sejamos salvos sem grandes sofrimentos".  

Comentário: Vemos que o Mestre Masaharu Taniguchi coloca no mesmo nível de "salvador que o Pai, a Grande Vida, enviou" tanto a Jesus, o Cristo, quanto Amithaba, o Buda! 

Notem que o reconhecimento do fato de que Cristo e Buda são "salvadores enviados pela Grande Vida" só pode ser feito por quem tenha em si mesmo o parâmetro de aferição que possibilita aferir este fato! 

Partindo da premissa de que é Verdade o que o Mestre Masaharu Taniguchi afirmou sobre Cristo e Buda conclui-se que o Mestre Masaharu Taniguchi tinha ou acessou em si mesmo este parâmetro de aferição.

Notem que "premissa" e "conclusão" [conforme acima escrito: "Partindo da premissa"... "conclui-se que"] pertencem ao âmbito lógica, que é uma forma de raciocínio encadeado na qual a partir de uma premissa se chega a uma conclusão. Assim, se partirmos da premissa: "Todo homem é mortal" e afirmarmos que "Pedro é homem", a conclusão será: "Pedro é mortal".

O que limita o uso da lógica é o fato de que nossas premissas partem normalmente daquilo que é verificável pela experiência. Porém, a experiência normalmente advém do uso dos cinco sentidos, e estes não se aplicam no campo das experiências espirituais, que advém do uso de um "outro" sentido. Por isso surge o conflito entre os materialistas, que admitem como real apenas o que é experienciável pelos cinco sentidos, e os espiritualistas, que ampliam o campo das experiências a as advindas do uso desse "outro" sentido. Então, para refutarem as experiências espirituais os materialistas partem da premissa de que: "Só existem cinco sentidos de percepção do que é real". 

Contudo, os que tem experiências espirituais sabem que a premissa de que "só existem cinco sentidos" não é verdadeira. Para os que tem experiências espirituais isto é algo evidente pela própria experiência.

Assim, todos os que têm experiências espirituais sabem da existência de um "mundo espiritual" além do "mundo físico", que experienciável por este "outro" sentido. 

O que poucos sabem é que além do mundo físico e do mundo espiritual existe uma Realidade subjacente a tudo que é experienciável tanto pelos cinco sentidos, que nos possibilitam experienciar o mundo físico, quanto a tudo o que é experienciável pelo "outro" sentido, que nos possibilita experienciar o mundo espiritual.

Essa Realidade subjacente a tudo que é experienciável tanto pelos cinco sentidos quanto a tudo o que é experienciável pelo "outro" sentido é o Absoluto, o Ser Real, que só é experienciável por sua Percepção. Notem que a "Percepção" não é um "sexto ou sétimo" sentidos. É aquilo que possibilita perceber o Divino!

Em alguns raros escritos Masaharu Taniguchi faz a distinção entre "mundo espiritual" e "mundo Divino". O Mundo Divino é esta Realidade subjacente tanto ao "mundo espiritual" quanto ao "mundo físico".

A grandeza do ensinamento da Verdadeira Seicho-No-Ie, é que este grande ensinamento revela este "mundo Divino" através do que é conhecido como "Verdade Vertical", que é o conhecimento que revela nossa Unidade com Deus. Assim, a afirmação de que: "O Homem é Filho de Deus" é a "Verdade Vertical", que é fruto de PERCEPÇÃO do Real; Percepção do Mundo Divino, que é o aspecto verdadeiro, chamado de Jisso. Este aspecto verdadeiro é a Realidade Divina subjacente aos mundos físico e espiritual.

Notem que a Meditação Shinsokan, que é parte essencial do ensinamento da Verdadeira Seicho-No-Ie,  se inicia com uma PERCEPÇÃO ao revelar: "Neste momento deixo o mundo dos cinco sentido e entro no mundo da Imagem Verdadeira". Este "mundo da Imagem Verdadeira" é o próprio "Mundo Divino". Notem que o acesso ao "mundo espiritual" é feito por aquele "outro" sentido, uma espécie de "sexto ou sétimo" sentidos [porque o ser humano possuí mais que cinco sentidos], mas o "mundo Divino" só é acessível pela PERCEPÇÃO.

No livro "Explicações detalhadas da Meditação Shinsokan" Masaharu Taniguchi elucida este fato e chama esta PERCEPÇÃO de "Percepção do Eu da Imagem Verdadeira", esclarecendo que: é a própria "Percepção do Eu da Imagem Verdadeira" que "deixa o mundo dos cinco sentidos" e entra no mundo da Imagem Verdadeira"

Assim, a Meditação Shinsokan pode ser praticada tanto pelos que estão no "mundo físico" quanto pelos que estão no "mundo espiritual" a fim de que todos possam "entrar no mundo da Imagem Verdadeira". 

Notem também que "entrar no mundo da Imagem Verdadeira" não significa "ir a algum outro lugar"; significa apenas PERCEBER o aspecto real [Jisso] subjacente tanto ao mundo físico quanto ao mundo espiritual.

Foi com essa PERCEPÇÃO do aspecto verdadeiro subjacente a Jesus e a Amithaba que Masaharu Taniguchi pode afirmar que Cristo e Buda foram "salvadores que o Pai, a Grande Vida, enviou". 

Por estar manifestando essa PERCEPÇÃO, que é manifestação do "mundo Divino", Masaharu Taniguchi revela-se como sendo igualmente um "enviado do Mundo Divino", "enviado da Grande Vida"!

Assim, o Mestre Masaharu Taniguchi está no mesmo nível de "salvador que o Pai, a Grande Vida, enviou" tanto afirmou que estavam nesse mesmo nível Jesus, o Cristo, quanto Amithaba, o Buda! 

A implicação destas afirmações é que tanto o ensinamento de Jesus, quanto o ensinamento de Buda, quanto o próprio ensinamento da Verdadeira Seicho-No-Ie próvem do "mundo Divino", isto é, revelam a Verdade subjacente aos mundos "físico e espiritual"; revelam o "aspecto verdadeiro" subjacente. Este aspecto verdadeiro subjacente aos mundos fisico e espiritual é chamado de Jisso. "Jisso da Vida" é a própria Realidade subjacente, é o aspecto real da Grande Vida. 

Referindo-se a Cristo e a Buda, na página 37 do livro Jisso da Vida, Masaharu Taniguchi revela que: "As manifestações são duas, mas a origem é uma só".

Pelo fato de Aquele que apareceu como Masaharu Taniguchi compartilhar a PERCEPÇÃO de que "As manifestações são duas, mas a origem é uma só", sabendo que a Percepção provém do próprio Ser Real e único, podemos afirmar referindo-nos a Cristo, a Buda e a Masaharu Taniguchi que: "As manifestações são três, mas a origem é uma só".

Enfim, sobre o tópico "o que revelou o Mestre sobre Cristo e Amithaba (Buda)" fica evidente que o Mestre revelou sua própria origem divina! 

Agora passemos ao tópico: A Verdadeira Seicho-No-Ie.

Na página 97 do citado livro Jisso da Vida, Masaharu Taniguchi escreve o seguinte:

"No início, eu tinha a impressão de que a revista chamada Seicho-No-Ie era publicada por um ser humano, isto é, por mim. Porém, ela acabou se tornando uma revista doutrinária lançada por Deus. Através de uma Revelação Divina recente que diz: "Seja quem for, se houver alguém que pregue o "Jisso" da Vida, eu me manifesto nele e me torno um só corpo com ele", ficou evidente que o que escrevo e o meu modo de viver estão se tornando a própria expressão do "Jisso" da Vida, e por isso Deus está se manifestando através deles."    
  
Sob o título "A Seicho-No-Ie e eu" [ página 39 do livro Jisso da Vida ] o Mestre escreve:

"Tenho a convicção de que o modo de viver preconizado pela "Seicho-No-Ie" é realmente benéfico. E as inúmeras cartas de agradecimento que recebo de leitores de diversas localidades comprovam que esta convicção não é mera presunção minha. Alguns deles consideram-me o criador da "Seicho-No-Ie", mas não fui eu quem a criou. Nada mais sou que um seguidor que, ouvindo juntamente com os adeptos os ensinamentos da "Seicho-No-Ie", esforça-se seriamente em viver de acordo com os princípios dela." 

Em seguida o Mestre relata que: 

"É claro que os originais desta revista são escritos com a caneta que seguro em minhas mãos. Porém, ao sentar-me diante da escrivaninha para escrever a "Seicho-No-Ie", já não sou a mesma pessoa. Surge um espírito para me orientar. Brotam torrencialmente palavras tão fortes que, pela minha natureza tímida, eu seria incapaz de escrever. Os Poemas da "Seicho-No-Ie" número 2 (hoje conhecidos como Sutra Sagrada Chuva de Néctar da Verdade), por exemplo, contém palavras de tamanha força que até mim me surpreendem." 

E o Mestre também relata: [Página 40 do livro Jisso da Vida ]

"Certa vez, quando morava em Kameoka, estava concentrado escrevendo sobre os ensinamentos e o Sr. Kato, um clarividente que se encontrava ao meu lado e me observava, disse que vira um ser espiritual, que não era eu, segurando a caneta. Não sei se posso ou não acreditar nisso, mas se existe um fundador da "Seicho-No-Ie", não deve ser este eu terreno."  

Sobre este relato do mestre se faz importante diferenciar o que é manifestação do mundo espiritual e o que é expressão do mundo Divino, isto é, do Jisso!

Os que incorporam espíritos do mundo espiritual são médiuns. O ser divino visto pelo citado clarividente não provem do mundo espiritual, mas do mundo divino, isto é, do Jisso. Sendo Jisso o aspecto real que subjaz ao mundo físico, Masaharu Taniguchi não era médium de incorporação e o relato do clarividente é visão do aspecto real de Masaharu Taniguchi, ou seja, é a PERCEPÇÃO da real identidade do Mestre!

Ainda no mesmo livro Jisso da Vida, página 41, há outro relato, do senhor Masayoshi kasahara, que durante a prática da Meditação Shinsokan, também teve a PERCEPÇÃO da real identidade do Mestre! A descrição do ser espiritual indica ser Deus Sumiyoshi! 

No livro Jisso da Vida, páginas 15 e 16, o Mestre elucida que: 

"A sede verdadeira da "Seicho-No-Ie" é a fonte de inspiração do pensamento publicado na revista Seicho-No-Ie, e está no mundo de Deus, isto é, no mundo do "Jisso". O centro de sua representação aqui na Terra é que se denomina provisoriamente "Sede Central da Seicho-No-Ie", a qual se encarrega de administrar a elaboração e a publicação da revista."  

Por agora, apenas considerem em conjunto estas palavras do Mestre sobre a verdadeira "Seicho-No-Ie":

- "...consideram-me o criador da "Seicho-No-Ie", mas não fui eu quem a criou. Nada mais sou que um seguidor que, ouvindo juntamente com os adeptos os ensinamentos da "Seicho-No-Ie", esforça-se seriamente em viver de acordo com os princípios dela"... 

- "A sede verdadeira da "Seicho-No-Ie"... está no mundo de Deus, isto é, no mundo do "Jisso". 

- "O centro de sua representação aqui na Terra é que se denomina provisoriamente "Sede Central da Seicho-No-Ie"... 

Por estas Suas palavras, vemos que enquanto esteve neste mundo o Mestre representou a verdadeira "Seicho-No-Ie" e que o centro de sua representação aqui na Terra é que se denominava provisoriamente "Sede Central da Seicho-No-Ie". O Mestre disse textualmente também que "se existe um fundador da "Seicho-No-Ie", esta não seria seu "eu terreno".  

Clarividentes compartilharam a Percepção do "ser espiritual" subjacente ao Mestre, da mesma forma que Simão Pedro expressou a Percepção de ser Jesus o Filho de Deus Vivo.

Ainda, o Mestre afirmou que teve uma Revelação Divina que diz: "Seja quem for, se houver alguém que pregue o "Jisso" da Vida, eu me manifesto nele e me torno um só corpo com ele", ficou evidente que o que escrevo e o meu modo de viver estão se tornando a própria expressão do "Jisso" da Vida, e por isso Deus está se manifestando através deles."    

Baseado nas palavras do Mestre temos que: O ensinamento da "Seicho-No-Ie" é um modo de viver preconizado pela verdadeira "Seicho-No-Ie" 

A verdadeira "Seicho-No-Ie" não é uma instituição fenomênica, ou seja, não é uma organização religiosa fundada deste mundo. Há certamente um fundador da verdadeira "Seicho-No-Ie". E este fundador é um ser espiritual, é o Deus da "Seicho-No-Ie".

Enquanto esteve neste mundo o Deus da "Seicho-No-Ie" apareceu como o Mestre Masaharu Taniguchi e a sede da "Seicho-No-Ie" foi denominada provisoriamente "Sede Central da Seicho-No-Ie".

Com o desaparecimento do Mestre Masaharu Taniguchi da face da Terra desapareceu também da face da Terra a "Sede Central da Seicho-No-Ie", cujo "centro" voltou a ser o mundo divino. E os adeptos da verdadeira "Seicho-No-Ie" são os que pregam o "Jisso" da Vida e que praticam o modo de viver preconizado pela Seicho-No-Ie conforme os ensinamentos do Mestre Masaharu Taniguchi.

Afinal a revelação divina compartilhada pelo Mestre é válida para todos porque está escrito: 

"Seja quem for, se houver alguém que pregue o "Jisso" da Vida, eu me manifesto nele e me torno um só corpo com ele"

Assim, a todo aquele a quem chegar o que aqui está sendo compartilhado que pregue o "Jisso" da Vida e que faça com que seu modo de viver se torne a expressão do próprio "Jisso" da Vida. Pois, com essa prática Deus estará Se manifestando através de quem assim age

Enfim, este modo de viver a fim de que todos possam expressar o "Jisso" da Vida é o propósito original da verdadeira Seicho-No-Ie.   

Namaste.

quarta-feira, junho 07, 2017

A Realidade do Cristo (Goldsmith)

- Joel S. Goldsmith - 


O Cristo não é apenas um nome dado a alguma coisa intangível ou nebulosa. O Cristo é uma realidade divina, uma presença viva e onipresente. Ele está bem onde você está, e onde eu estou. Cristo não é uma pessoa. É um princípio. Ele é um princípio de vida. Ele é um princípio de Deus, que forma a realidade de seu ser. Mas, por causa da experiência do filho pródigo, entendemos o que é o poder físico, o que é o poder mental; sabemos o que é trabalhar arduamente com nós mesmos, mas não aprendemos ainda como ficar tranquilos e deixar o Cristo trabalhar. Nós, na crença, nos tornamos separados do verdadeiro Cristo do nosso ser. É quase como se vivêssemos numa casa com as persianas fechadas e nos acostumássemos a andar na escuridão ou num quarto iluminado artificialmente. 

À medida que o tempo passasse, esqueceríamos realmente que havia algo como a luz solar e que fora de nossas sombras delineadas estava o sol radiante e quente. Sob nosso aspecto de seres humanos, fizemos exatamente isso. Fechamos as persianas – nossas persianas mentais. Isto é o que Jesus quis dizer, ao afirmar: “Tendo olhos, não vedes e tendo ouvidos, não ouvis”. Estas faculdades espirituais foram fechadas, de modo que não estamos cientes do fato de que apenas além do âmbito de nosso aspecto humano existe a divindade do nosso ser chamada Cristo, o Espírito de Deus no homem. 

O Cristo em nós é a nossa inteligência divina, a nossa sabedoria espiritual. Esta não é a sabedoria humana: a sabedoria humana pode cometer erros; a sabedoria humana pode ser enganada. 

Nossa sabedoria humana frequentemente se baseia em experiências passadas ou no senso comum; mas o Cristo (esta intuição espiritual, esta sabedoria, orientação e poder espirituais) nunca comete um erro; e Ele nos leva a fazer coisas que, humanamente, pensamos não serem sábias ou que, humanamente, nem mesmo poderíamos pensar em fazer. Nem mesmo podemos saber que passo devemos dar; mas este Cristo, ao abrir nossa consciência, dá o passo para nós, mesmo antes de estarmos cientes da necessidade. 

Cristo é uma realidade. Cristo é aquele de quem você pode depender: você pode ouvi-Lo e, através dEle, encontrar sua inspiração, sua orientação, sua direção. Cristo é uma consciência de cura. Quando nos pedem para curarmos a nós mesmos ou a outros, se tivermos tocado este Cristo, não há mais necessidade de depender de afirmações da verdade ou de qualquer atividade. Este “Algo”, chamado de Salvador, o Princípio salvador, a Presença de cura ou o Cristo que cura, toma conta. Ele recupera; Ele revivifica; Ele reconstrói; Ele edifica. 

Cristo é uma realidade. Cristo não é simplesmente um nome, um termo para alguma coisa intangível. Não, Cristo é tão palpável em sua experiência como qualquer coisa que você possa ver ou tocar. Ele é tão real como seu professor ou como um livro – só que mais real. Se todos nós pudéssemos conhecer a realidade, a onipresença, a onipotência do Cristo, entenderíamos por que podemos colocar nEle toda a confiança; como Ele vai à nossa frente para fazer tudo o que temos de fazer. Mas, o Cristo é mais do que isso! É uma influência unificadora. Cristo é o cimento, a influência unificadora, que nos une em entendimento. 

Cristo é um fio invisível, que nos une; mas não só a nós: Ele une todos os homens e mulheres, por todo o mundo, independentemente de religião, de credo ou de região. Todos aqueles que têm como objetivo ver o reino de Deus manifestado na Terra estão unidos conosco através deste fio do Cristo.

Em nosso estudo, em nossa prática, e na nossa associação com os outros, passo a passo desenvolvemos uma percepção deste Poder ou Presença infinita e invisível, chamada de Cristo. Descobrimos que há uma Presença real conosco, que desempenha nosso trabalho para nós; que o desempenha através de nós; que o desempenha como nós. Isto foi o que tornou possível a Paulo dizer: “Eu vivo, mas já não sou eu quem vive, é Cristo quem vive em mim”

Lembre-se de que Ele desempenhou aquilo que é dado para eu fazer; Ele aperfeiçoou aquilo que me ocupa, ou como o Salmista diz: “O Senhor aperfeiçoará o que me concerne”. Este é o Cristo, e este Cristo é o princípio ou o Espírito de Deus presente em você, como, digamos, sua integridade, sua lealdade, sua fidelidade, sua fidedignidade. Estas são as qualidades que você reconhece estarem presentes em você; e você as reconhece, não porque já as viu ou as ouviu, mas por causa de seu efeito em sua experiência. 

Sua honestidade e sua integridade conquistaram para você o respeito de seus sócios. A lealdade e a fidelidade fizeram de você bom cidadão, bom marido,ou esposa, bom filho. 

Estes são os efeitos da qualidade da integridade, da lealdade, da fidelidade, da honestidade e da fidedignidade. Mas há algo maior do que qualquer uma dessas, algo maior do que todas elas reunidas, e isso é a percepção consciente, o reconhecimento consciente deste Cristo, que pode criar e criará estas qualidades em nós, mesmo se e quando parecer que elas estão faltando.


segunda-feira, junho 05, 2017

O Cristo sendo você como Onda Perfeita

- Dárcio Dezolt - 

“Eu vim para que tenhais vida, e vida em abundância.” (JOÃO 10: 10)


Suponha que você chegue em sua casa, entre na   sala, e veja, num canto, o aparelho de TV desligado.  Ansioso por ver um jogo de futebol em que o jogador está para dar um chute ao gol, você corre, liga o aparelho, sintoniza o canal desejado, e, de imediato, ali “surge”  a imagem correspondente na tela. E   você vê o jogador chutar a bola e fazer o gol. Pergunte-se: naquela sala, onde estava o jogador, antes que você ligasse o aparelho?

Sem parar para pensar, alguém poderia julgar que o jogador inexistia naquela sala! E, que “passou a existir” somente após o aparelho  ser ligado e sintonizado com a emissora. Mas, isso não é verdade! O jogador já estava presente como “onda invisível”; ele apenas   se tornou “perceptível” graças à sintonia  feita!

De modo análogo, VOCÊ – COMO CRISTO – É ONDA PERFEITA, INVISÍVEL, emanada de Deus! Acreditar que você é “corpo físico” seria o mesmo que acreditar que o jogador  fosse o material do monitor da TV ligada! Acreditar que “você está na matéria” é o mesmo que acreditar estar o jogador  “no monitor do aparelho de TV”, ou seja,  um absurdo que não tem tamanho!

 Se algo distorcer a imagem do jogo, o jogador parecerá estar deformado! Mas, aquela imagem “vista” não é ele! Ele, na sala, é sempre  a “onda da emissora”.

Aplique esta analogia em suas silenciosas contemplações meditativas! Sejam quais forem as deformações visíveis ligadas a você, ao seu corpo, negócios ou atividades, tire toda a sua atenção da “imagem distorcida”! Você não está nela! Você é a ONDA PERFEITA, irradiada de modo também PERFEITO por Deus!

Separe conscientemente a imagem imperfeita e visível da onda sempre perfeita invisível! Separe a “ilusão” da Verdade! Identifique-se unica, total e exclusivamente com o que é verdadeiro! Desse modo, sua “antena” ficará sintonizada com a Emissora divina, a sua “Imagem Verdadeira”  poderá ser “captada” com precisão, e “surgirá” visivelmente na “tela da mente” como VOCÊ real e espiritualmente  já é: PERFEITO.

Eis por que a Bíblia diz que “o que se vê é feito do que não se vê”.


quarta-feira, maio 31, 2017

Deus É

- Joel S. Goldsmith - 


A prece é nosso contato com Deus, a Fonte infinita de nosso ser, da qual não podemos ter nenhum conhecimento intelectual, e que temos chamado de Mente, Vida, Verdade, Amor, Espírito ou Infinito Invisível. 

Deus é o único princípio criativo do universo, o princípio criativo de tudo que É; e, como esse princípio opera a partir da Inteligência suprema, sem começo e sem fim, precisamos aprender a fazer contato ou a nos tornar um com Ele. A menos que aprendamos como fazer isso, não poderemos nos valer da Onipresença, Onipotência e Onisciência de Deus.

A prece, às vezes chamada de comunhão, é a via de acesso ao contato com Deus; através dela, descobrimos nossa unicidade com Deus, nós conscientizamos Deus. Ela é o meio de se trazer à experiência individual a atividade, a lei, a substância, o suprimento, a harmonia e a totalidade de Deus. Este é um dos pontos mais importantes que um estudante de sabedoria espiritual deve saber, praticar, compreender e vivenciar.

Na compreensão da infinita natureza de Deus, entendemos a infinita natureza de nosso próprio ser. “Eu e o Pai somos um” é o fato a nos garantir a natureza infinita do seu e do meu ser. Isto independe de sermos ou não estudantes da Verdade; depende de nosso relacionamento com Deus, pela natureza de unicidade desse relacionamento — unicidade. Em proporção ao nosso progresso, iremos cada vez mais ouvir a respeito da palavra “unicidade”.

Qualquer coisa espiritualmente válida a certo indivíduo, seja santo ou pecador, deverá ser aceita como válida para mim e para você, porquanto o relacionamento entre Deus e Sua Criação é de uma unidade universal. 

Ao nos ensinar que “Eu e o Pai somos um”, Cristo foi muito cuidadoso em nos assegurar que falava de meu Pai e de seu Pai. Estava revelando a Verdade espiritual universal. 

Que diferenciava a demonstração de Cristo Jesus da apresentada pelos rabis hebraicos da época? Que diferenciava a demonstração do Mestre daquela de seus alunos ou discípulos? Era o mesmo relacionamento! “Eu e o Pai somos um”— meu Pai e seu Pai! 

Neste relacionamento em Cristo Jesus, somos todos um, em termos de Verdade ou de Realidade espiritual; logo, a diferença residia na diferença de conscientização.

O Mestre conscientizou sua identidade verdadeira. 

Reconheceu sua relação com o Pai, com Deus, como a Fonte de seu ser. 

Reconheceu Deus como sua vida — pão, vinho, água. 

Reconheceu, portanto, sua substância ou suprimento como infinito, sua vida como eterna, sua saúde como perfeita. 

Todos estes fatores tinham origem no Pai, e passaram a lhe pertencer por herança divina; revelavam o direito, o privilégio e a experiência do elo Pai-Filho. “Filho, tu estás sempre comigo, e tudo que é meu é teu.” 

O Mestre, em seu reconhecimento pleno dessa Verdade, podia demonstrá-la. Os discípulos, não tão convictos, não tão conscientizados, chegaram a demonstrar certo poder de cura e certo suprimento, embora em escala menor. O motivo: a diferenciação no grau de conscientização da unicidade.

O fato de você ouvir com seus ouvidos, ver com seus olhos, não constitui prece e não fará a sua demonstração; porém, se algo profundo em seu coração, uma certeza confortadora no íntimo de sua consciência lhe disser: “Sim, isso é a Verdade! Eu sei que somente nessa conscientização sou um com o Pai”, então será esta a medida de sua percepção da natureza da prece. 

A prece é a certeza da Verdade dentro de você. Ela nunca significa ir a Deus por alguma coisa; nunca significa desejar algo, exceto o desejo de conhecer Deus, ou tomar maior consciência de Sua Presença. Muitos estudantes, tão plantados na velha teologia ou na metafísica mental moderna, vivem na crença de que podem ir a Deus em busca de algo: saúde, suprimento, emprego, companhia ou cura; e acabam, em vista disso, adiando a própria demonstração de harmonia.

Nenhum bem lhe fará ficar a pensar em sua vida, sua saúde, seu suprimento; nenhum bem lhe fará dirigir-se a Deus munido de alguma requisição, pedido ou desejo, pois Deus nada possui que nEle possa estar retido, e Deus não retém coisa alguma que faça parte de Sua posse; Deus é ser ativo infinito. Tudo que Deus É, e tudo que possui, está fluindo constantemente em manifestação, expressão e forma. Será tolice alguém julgar que sua prece poderá influenciar Deus a acelerar a vinda de algo, ou fazer com que Ele lhe traga algum benefício.

A harmonia vem rapidamente à sua experiência, tão logo concorde que não há sentido algum em se dirigir a Deus em busca de algo. Lembre-se: quando digo “concordar”, falo de uma sensação de certeza, de uma concordância interna ou profunda convicção, e não de um mero falar superficial do tipo: “Sim, eu acredito, concordo com o Mestre. Sou cristão e aceito o seu ensinamento.” Esse tipo de aceitação é o mesmo que nada! Você pode sentir a veracidade desse fato? É capaz de sentir a verdade desta tremenda revelação do Mestre, de que “o Pai sabe que necessitais de todas estas coisas…que é de Seu agrado dar-vos o Reino”? Caso não se sinta convicto, não vá a Deus em busca de alguma coisa. Trabalhe dentro de você mesmo; ore no interior de seu próprio ser; realize uma comunhão interna, até perceber uma concordância, um sentimento de que o Mestre realmente sabia que o Pai conhece todas as suas necessidades, e que, antes que Lhe peça, é de Seu agrado dar-lhe o Reino.

A prece é um reconhecimento desta Verdade do amor de Deus por Sua própria Criação; é um conhecimento interior de que jamais o Pai abandonou a Sua Criação. Quando olhamos para o mundo e vemos doença, pecado, morte e calamidade, ficamos prontos para questionar tudo isso; porém, nesse procedimento, estaremos desconsiderando a sabedoria de João, quando nos adverte: “Não julgueis pelas aparências, mas segundo julgamento justo”.

Temos nos dedicado a ver com os olhos e a ouvir com os ouvidos, quando deveríamos estar vendo com os olhos interiores e ouvindo com os ouvidos interiores, com aquela percepção espiritual que não julga pelas aparências, mas pelo julgamento espiritual. 

E então, saberíamos que todo pecado, doença, morte, carência, limitação e caos, reinantes no mundo de hoje, surgem por um só motivo, e surgem àqueles que vivem pelo sentido material; àqueles que ainda estão voltados a querer ou desejar obter, adquirir e buscar alguma coisa; àqueles que desconhecem a natureza infinita de seu próprio ser, bem como o fato de que, devido a ser infinita esta natureza, eles deveriam DEIXÁ-LA SE EXPRESSAR a partir deles próprios, em vez de viverem tentando acrescentar algo à infinitude.

A prece comumente aceita, ortodoxa ou metafísica de cunho mental, deve falhar por ser na maioria tentativa de se obter algo, acrescentar algo, realizar algo ou receber algo, quando a natureza infinita de nosso ser, um com Deus, implica em estarmos com nossos “recipientes” já lotados. Tudo que é do Pai é nosso! Algo mais nos poderia ser acrescido? Browning, o grande poeta, registrou em seus versos o segredo maravilhoso: “A Verdade está dentro de nós mesmos… e o conhecimento… consiste em abrirmos espaço para que escape o esplendor aprisionado…”.

Quando julgamos pelas aparências, submetemo-nos à crença causadora de toda confusão e discórdia da existência humana: o julgamento do bem e mal. Isto é bom; aquilo é mau; assim rotulamos tudo! Naturalmente, aquilo que hoje é chamado de bom, pelas mudanças de regras sociais poderá ser chamado de mau amanhã. E coisas hoje ditas muito más, talvez se tornem normais, naturais e comuns a todos no amanhã. Porém, não estaremos vendo assim enquanto estivermos julgando pelas aparências. Estaremos julgando segundo os padrões atuais da sociedade ou tradições do momento, regras a nós impostas; desse modo, instantaneamente rotulamos tudo como coisa boa ou má, julgando tudo com base em opinião, crença e teoria humanas. Enquanto estivermos encarando o mundo com olhos humanos, sempre estaremos achando algo bom e algo mau, muito embora essa classificação se altere a cada geração que passa.

Para que haja uma compreensão correta da natureza da prece, precisamos, neste instante, abandonar nosso julgamento humano em termos de bem e mal. Não podemos continuar a enaltecer nosso senso de sabedoria psicológica, permitindo-nos julgar as pessoas de nossa família, do círculo profissional ou de nossa comunidade. Deveremos deixar de lado nossas opiniões de bem e de mal, de inteligência ou de ignorância, de honestidade e desonestidade, de moralidade e imoralidade, para termos condição de ver cada indivíduo sem qualquer condenação, sem qualquer crítica e sem qualquer julgamento, unicamente estabelecidos na "percepção de que Deus É!"

Deus É; A Vida É. Não nos é permitido fazer qualquer julgamento que ultrapasse esse ponto. Deus É. Trata-se de um treinamento para deixarmos de emitir opiniões. É muito fácil e agradável, para o ego de alguém, ser um bom juiz da natureza humana, ser humanamente capaz de avaliar aqueles que encontra; e, humanamente, talvez ele até esteja julgando certo. Entretanto, se ficarmos olhando o mundo e julgando a humanidade, colocando rótulos nas pessoas, e permanecendo no âmbito das opiniões e análises humanas, somente atrairemos confusão. 

Há uma só forma de escaparmos disso tudo e ficarmos apartados: concordando que Deus fez tudo que foi feito, e que tudo que Deus fez é bom; concordando que Deus, Espírito, é a vida, a Alma, e a mente do ser individual. Como poderíamos aceitar um ensinamento que revela Deus como a Vida de toda a existência, como o Princípio criativo de todo ser, e, paralelamente, ficarmos classificando alguma coisa como boa ou como má?

A mulher flagrada em adultério não foi rotulada pelo Mestre: “Mulher, onde estão os teus acusadores?… nem eu, também, te condeno”. E ao cego de nascença, “Nem este homem pecou nem seus pais.” 

Você está percebendo a necessidade de se abandonar toda censura, toda condenação que se fundamenta em aparências? Toda revelação ou ensinamento espiritual registrado desde 1500 AC. está baseado nos postulados: “Ame a seu próximo como a si mesmo”, e “Faça aos outros o que gostaria que lhe fizessem”. A prece é nosso contato com Deus, e não teremos contato algum com Ele, a menos que amemos nosso próximo como a nós mesmos. O primeiro passo para conseguirmos amar verdadeiramente aos nossos irmãos é cessarmos com todos os nossos julgamentos em relação a eles. 

Quando os julgamos pelas aparências, imediatamente os condenamos, uma vez que não estaremos vendo-os como Deus os criou, mas reforçando com a nossa visão uma aparência ilusória. Quando aprendemos a olhar com a visão correta para o nosso próximo, isso já é amor.

Esta prática, logicamente, nos irá tirar de muitas das nossas discussões de cunho político ou social, pois não seremos mais capazes de culpar familiares, amigos, sócios ou lideranças políticas pelos nossos problemas, circunstâncias e depressões. Isto nos exigirá disciplina, e irá nos exigir mais o seguinte: um profundo e grandioso amor a Deus. Ninguém poderá penetrar na sagrada atmosfera de Deus exalando críticas, julgamentos e condenações referentes ao próximo. “Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti; deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem e apresenta a tua oferta” (Mt.5:23-24.)

Não é possível que haja demonstração espiritual enquanto continuamos presos às opiniões humanas de bem e mal. Quando olhamos para o mundo sem opiniões, julgamentos ou rótulos— mesmo os bons—, conscientizando que DEUS É, criamos uma espécie de vazio interior. Neste vazio aflora a sabedoria espiritual capaz de definir e avaliar o que está diante de nós, e isto se mostrará inteiramente diferente de nossa estimativa humana. Chega-nos à consciência uma espécie de calor, uma sensação de amor pela humanidade, e a percepção de que Deus é a totalidade da Existência. Quando alguém contempla esta revelação da verdade espiritual, encontra-se pronto para dar o passo seguinte: o passo que o torna um praticista de cura espiritual, um salvador, um reformador, um supridor no universo aparente.

Este é o momento em que devemos olhar para toda condição, seja de prisão em cárcere, em corpo doente, em falta ou limitação, sem lançarmos opinião de bem e mal. Devemos poder encarar qualquer situação e circunstância com a conscientização de que DEUS É. Ser-nos-á requerido um elevado grau de consciência espiritual, para olharmos uma doença séria e sermos capazes de contemplar o Cristo. Isto não quer dizer que olharemos para o pecado, a doença, a pobreza, o cárcere, para rotularmos tudo aquilo de “bom”. Não significa que faremos afirmações mentais de que aquilo é espiritual ou harmonioso; tampouco consideraremos que algo seja “mau”, munidos da intenção de superá-lo, melhorá-lo ou curá-lo. Não, não, não. Falamos de um abandono/desapego de todo julgamento humano, na conscientização de que somente DEUS É - DEUS, SOMENTE, É .

Talvez você pergunte: “Que princípio está aqui envolvido?” No reconhecimento de Deus como infinito, poderia você admitir um doente, um pecador, uma condição de pecado ou de doença? Poderia você aceitar uma pessoa ou condição necessitada de cura, mudança ou melhoria? Não, não poderia. Que ocorre quando você testemunha o que o sentido humano chama de “erro”, e ora para removê-lo? A resposta é uma só: ocorre o fracasso.

Lembre-se: você não foi chamado para olhar pessoas e condições errôneas e chamá-las de boas ou espirituais, nem para dizer que uma pessoa em erro é o Filho de Deus. Uma pessoa assim não é o Filho de Deus. Você foi chamado para eliminar toda opinião, teoria ou crença, deixando de lado todo julgamento. Não declare que algo ou alguém seja bom. Disse Cristo: “Por que me chamas bom? Não há ninguém bom, exceto Deus.”

Não vamos chamar nada nem ninguém de bom, mas também não chamaremos de mau. 

Aprenderemos a olhar para qualquer pessoa e condição com apenas duas palavrinhas: "DEUS É", ou "ELE É" . É — É— É: … nunca “será” curado, melhorado, removido. DEUS É . A Harmonia É. Ele É! ELE É AGORA!

Na percepção de que DEUS É, será revelada toda entidade e perfeição espiritual. E então, você não estará vendo o mal humano transformado em bem; não estará vendo pobreza humana transformada em riqueza; não estará vendo doença humana transformada em saúde; não estará vendo culpa humana transformada em virtude; entretanto, estará percebendo a atividade e Lei de Deus presentes exatamente onde parecia existir uma pessoa boa ou má, uma condição boa ou má.

Não buscamos transformar uma humanidade má em humanidade boa. 

O objetivo deste trabalho e estudo é alcançar “aquela Mente que estava em Cristo Jesus”, isto é, alcançar o mesmo estado de consciência espiritual manifestado por ele, a fim de contemplarmos o mundo espiritual, o homem espiritual, o Filho de Deus. “O Meu reino não é deste mundo”. 

O reino de Deus é um reino espiritual, um universo espiritual, governado por lei espiritual. Ele é uma SUBSTÂNCIA espiritual sem começo e que não terá fim.

Podemos compreender melhor esse fato se analisarmos que jamais houve um tempo em que duas vezes dois não fosse quatro. Nunca houve tempo em que uma semente de roseira deixasse de produzir rosa. 

A lei “semelhante produz semelhante” vem vigorando desde antes que o tempo existisse. Ela sempre foi, é e será. A oração, no sentido comum de prece, não irá provocar esse efeito. Todo “bem” JÁ É.

Mesmo no âmago das chamadas “depressões econômicas”, a terra continuava abarrotada de frutos, os oceanos repletos de peixes, os céus repletos de pássaros. Deus não tem poder para aumentar o Seu suprimento. JÁ É INFINITO! É maior do que a terra possa usar. Ele ainda é, apesar da aparente falta de provisão e dos preços elevados que somente a ignorância é capaz de explicar. O mundo está produzindo mais do que pode consumir ou utilizar. Orar a Deus por aumento de suprimento irá realmente fazer crescer a quantidade de produtos ou benefícios? NÃO! Já existe mais que o suficiente para o mundo todo!

Naturalmente, uma pergunta poderá surgir: “Como nos valeremos desta suficiência?”. Resposta: “Através da prece.” 

Que é prece?

A prece é este sentimento, esta convicção, este saber interno que estas palavras são verdadeiras. DEUS É. Você mudaria esse fato? Mudaria algo feito por Deus? Pediria melhorias no universo de Deus? Pediria a Deus para deixá-lo influenciar as leis, a substância e a atividade de Sua própria criação? “Sim, mesmo que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo.”(Salmo 23:4.) DEUS É. Teríamos de orar por algo mais? O sentimento de certeza da declaração “DEUS É”, constitui a sua prece. Exatamente agora, ela lhe será o bastante, desde que possa você abrir mão de todos os seus desejos, vontades e mesmo esperanças, para deixar este sentimento, esta realização, conduzi-lo a planos mais profundos de consciência, fazendo-o penetrar nos reinos mais profundos da prece. DEUS É. Isto não basta?

Agora eu reafirmo: não julgue pelas aparências. Olhe para cada pessoa, cada coisa, cada situação, munido somente desta compreensão: DEUS É! A partir daí, deixe a Realidade Espiritual se tornar visível pela ação de seu Pai interior.