"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

quinta-feira, agosto 22, 2019

A Linguagem Divina do Silêncio

- OSHO -

“O propósito de uma armadilha para peixes é pegar peixes.
E quando são capturados, a armadilha é esquecida.
O propósito das palavras é transmitir ideias.
Quando as ideias são compreendidas, as palavras são esquecidas.
Onde posso encontrar um homem que se esqueceu das palavras?
É com ele que eu gostaria de conversar.”  (Chuang Tzu)

É difícil esquecer as palavras. Elas se agarram à mente. É difícil jogar fora a rede, porque não só os peixes são capturados, mas o pescador também. Esse é um dos maiores problemas. Trabalhar com palavras é brincar com fogo, porque as palavras tornam-se tão importantes que o significado perde o significado. O símbolo se torna tão pesado que o conteúdo é completamente perdido; a superfície hipnotiza e você esquece o centro.

Isso aconteceu em todo o mundo. Cristo é o conteúdo, o cristianismo é apenas uma palavra; Buda é o conteúdo, o dhammapada é apenas uma palavra; Krishna é o conteúdo, o Gita não é nada além de uma armadilha. Mas o Gita é lembrado e Krishna é esquecido. Se você falar de Cristo, é por causa das igrejas, da teologia, da bíblia, das palavras. As pessoas carregam a rede por muitas vidas, sem perceber que aquilo é apenas uma rede, uma armadilha, como se a pessoa vivesse carregando uma escada.

Buda costumava contar:

Alguns homens estava atravessando um rio. O rio era perigoso, ele estava na cheia – devia ser a estação das chuvas – e o barco salvou suas vidas. Então eles pensaram – eles deviam ser muito, muito inteligentes – eles pensaram: “Este barco nos salvou, como podemos deixa-lo agora? Este é o nosso salvador e será ingratidão deixa-lo aqui!”. Então, eles levaram o barco na cabeça para a cidade.

Alguém lhes perguntou: “O que vocês estão fazendo? Nunca vimos ninguém carregando um barco.”

Eles disseram: “Agora vamos ter de levar este barco por toda a nossa vida, porque ele nos salvou, e não podemos ser ingratos.”

Essas pessoas de aparência inteligente deviam ser estúpidas. Agradeça ao barco, mas deixe-o lá. Não o carregue. Você tem carregado vários tipos de barcos na cabeça. Olhe para dentro. As escadas, os barcos, caminhos, palavras – este é o conteúdo da sua cabeça, da sua mente.

O recipiente se torna importante demais, o veículo se torna importante demais, o corpo se torna importante demais. O veículo era só para lhe transmitir a mensagem – receba a mensagem e esqueça o veículo. Agradeça-lhe, mas não o leve em sua cabeça.

Maomé insistiu muito, quase todos os dias de sua vida: “Eu sou apenas um mensageiro. Não me adorem, eu apenas trago uma mensagem do divino. Não olhem para mim, olhem para o divino, que enviou a mensagem a vocês.” Mas os maometanos parecem ter esquecido a fonte. Maomé se tornou importante, o veículo.

Onde você empreende a sua busca – nas palavras, nas escrituras? Se sua mente está muito sobrecarregada com palavras, teorias, escrituras, então o seu caminho para a existência está fechado, nada real pode lhe acontecer. Nada real poderá penetrar em você, nem o amor, nem a meditação, nem a existência. E tudo o que é belo aconteceu num processo de interiorização. Quando você está em silêncio, sem qualquer apoio das palavras, quando você está esperando... Nesse momento de espera, a beleza acontece, o amor acontece, a devoção acontece, a divindade acontece. Mas, se um homem é muito viciado em palavras, ele vai perder tudo. No final, ele terá uma longa coleção de palavras e teorias, lógica, tudo – mas nada vale a penas porque está faltando o conteúdo.

Você tem a rede, a armadilha, mas não há nenhum peixe lá. Se você tivesse realmente capturado o peixe, você teria jogado fora a rede imediatamente. Quem se importa com a rede? Se você já usou o barco, pode esquecê-lo. Quem pensa no barco? Você transcendeu, ele foi usado.

Assim, sempre que um homem realmente passa a saber, o conhecimento é esquecido. Isso é o que chamamos de sabedoria. Um homem sábio é aquele que foi capaz de desaprender o conhecimento. 

Mas por que esse vício pelas palavras? Porque o símbolo parece ser o real. Você acha que a palavra é a realidade. E, se ela se repete muito, a repetição faz com que você se auto-hipnotize. Repita uma coisa, e aos poucos você vai esquecer que você não sabe. A repetição vai lhe dar a sensação de que você sabe.

Se você vai ao templo pela primeira vez, vai na ignorância. Você não sabe se esse templo realmente contém alguma coisa, se Deus está lá ou não. Mas vá todos os dias e viva repetindo o ritual, as orações; e faça tudo conforme lhe for dito, sempre, todas as vezes, dia após dia, ano após ano. Você vai se esquecer do estado de espírito que havia no começo. Com repetições contínuas a coisa vai para dentro da mente e você começa a sentir que esse é o templo, que Deus vive aqui, que essa é a morada de Deus. 

Você me procura, o problema é o seguinte: na base há palavras e agora você está tentando meditar e ficar em silêncio – a base está sempre lá. Sempre que você começa a ficar em silêncio a base começa a funcionar. Então, você se torna consciente do que pensa quando medita – ainda mais do que normalmente. Por que? O que está acontecendo? Quando você está em silêncio você vai para dentro de si e se torna mais sensível ao absurdo interior que existe ali. Quando você está em meditação você fica voltado para fora, fica extrovertido, envolvido com o mundo e você não pode ouvir o barulho interior que ocorre dentro de você. Sua mente não está lá.

O ruído é contínuo dentro de você, mas você não pode ouvi-lo, você está ocupado. Mas sempre que fecha os olhos e olha para dentro, o hospício se abre. Você pode ver e sentir e ouvir, e então fica com medo e assustado. O que está acontecendo? E você estava pensando que a meditação ia deixá-lo mais silencioso. E está acontecendo isso, exatamente o oposto.

No começo é inevitável que isso aconteça, porque uma base errada foi dada a você. Toda a sociedade, seus pais, seus professores, suas universidades, sua cultura, deram-lhe uma base errada. Sua fonte está envenenada. Esse é o problema – como desintoxicar você. Leva tempo, e uma das coisas mais difíceis é se livrar de tudo o que você conheceu, desaprender.

A repetição contínua de uma palavra cria a realidade, mas essa realidade é falsa. É ilusão, e você só pode voltar para a realidade se todas as palavras desaparecerem da sua mente. Mesmo uma única palavra pode criar a ilusão. As palavras são grandes forças. Se ainda houver uma única palavra na sua mente, ela não está vazia. Tudo o que você está vendo, sentindo, é criado através da palavra, e essa palavra vai mudar a realidade.

Você tem que ficar completamente sem palavras, sem pensamentos. Você tem que ser apenas consciência. Quando você é apenas consciência, a realidade é revelada a você. Só então o real aparece, é revelado. Agora o sutra:

“O propósito de uma armadilha para peixes é pegar peixes.
E quando são capturados, a armadilha é esquecida."

Você se esqueceu completamente do propósito. Você acumulou tantas armadilhas para peixes, vive tão preocupado com essas armadilhas que se esqueceu completamente do peixe.

Se você não consegue esquecer a armadilha, isso significa que o peixe ainda não foi capturado. Lembre-se, se você está continuamente obcecado com a armadilha, isso mostra que os peixes ainda não foram pegos.

"O propósito das palavras é transmitir ideias.
Quando as ideias são compreendidas, as palavras são esquecidas."

Se você realmente me entender, não será capaz de se lembrar do que eu disse. Você vai pegar o peixe, mas irá jogar fora a armadilha. Você vai ser o que eu disse, mas não vai se lembrar das palavras que eu disse. Você vai ser transformado por elas, mas não vai se tornar um homem mais instruído por causa delas. Você estará mais vazio por causa delas, menos cheio; você vai se afastar de mim revigorado, não sobrecarregado.

Não tente acumular o que eu digo, porque tudo o que você acumular será errado. O acúmulo está errado: não acumule, não preencha o seu baú com as minhas palavras. Jogue-as fora, então o significado vai estar lá, e o significado não precisa ser lembrado. Ele nunca se torna parte da memória, torna-se parte da sua totalidade. Você só precisa se lembrar de uma coisa quando ela faz parte da memória, do intelecto. Isso que lhe digo não faz parte da memória, do intelecto. Você nunca precisa se lembrar de uma coisa real, pois se a coisa acontece a você, ela está lá – qual a necessidade de lembrar? Não repita, porque a repetição vai lhe dar uma falsa noção.

Ouça, mas não as palavras – bem ao lado das palavras o que não tem palavras está sendo transmitido a você. Não fique focado demais nas palavras, basta olhar um pouco de lado, porque a coisa real está sendo transmitida ali. Não ouça o que eu digo, ouça-me! Eu também estou aqui, não apenas as palavras. E se você me ouvir, então todas as palavras serão esquecidas.

Foi o que aconteceu... Buda morreu, e os discípulos ficaram muito perturbados, porque nenhuma de suas frases foram registradas enquanto ele estava vivo. Eles haviam se esquecido completamente. Os discípulos iluminados de Buda foram abordados – Mahakashyapa, Sariputta, Moggalyan –, e todos esses que se tornaram iluminados encolheram os ombros: “É difícil, ele disse tantas coisas, mas não nos lembramos.” E esses foram os discípulos que tinham alcançado a iluminação!

Então Ananda foi abordado. Ele não se tornou iluminado enquanto Buda estava vivo, ele tornou-se iluminado depois que Buda morreu. Ele se lembrava de tudo. Ele acompanhou Buda por quarenta anos, e ele ditou tudo, palavra por palavra – um homem que não foi iluminado! Parece paradoxal. Aqueles que tinham alcançado a iluminação deveriam se lembrar, não esse homem que ainda não havia atingido a outra margem. Mas quando a outra margem é atingida, esta margem é esquecida e, se a própria pessoa se tornou um buda, quem se importa em lembrar o que Buda disse?

“O propósito de uma armadilha para peixes é pegar peixes.
E quando são capturados, a armadilha é esquecida."

As palavras de Buda eram armadilhas, Mahakashyapa capturou o peixe. Quem se preocupa com a armadilha agora? Quem se importa em saber para onde o barco foi? Ele cruzou o rio. Claro que vai ser assim. Se Mahakashyapa tornou-se ele próprio um buda, como eles podem estar separados? Os dois não são dois. Contudo Ananda disse: “Eu vou relatar suas palavras”, e ele relatou de modo muito autêntico. A humanidade tem uma grande dívida para com este Ananda, que ainda era ignorante. Ele não havia capturado o peixe, por isso ele se lembrava da armadilha. Ele ainda estava pensando em pegar o peixe, por isso tinha que carregar a armadilha.

Lembre-se disso como uma lei básica da vida: o que é superficial, periférico (e palavras são superficiais, periféricas) parece tão significativo porque você não está consciente do essencial, do centro. Esse mundo parece tão significativo porque você não está consciente de Deus. Quando Deus é conhecido, o mundo é esquecido, nunca o contrário. 

As pessoas tentaram esquecer o mundo para que pudessem conhecer Deus – isso nunca aconteceu e nunca acontecerá. Você pode continuar tentando esquecer o mundo, mas você não vai conseguir. Todos os seus esforços para esquecer o mundo se tornarão uma lembrança contínua. Somente quando Deus é conhecido o mundo é esquecido. Somente quando a outra margem é atingida, esta margem desaparece.  Você pode continuar lutando para abandonar o pensar, mas você não pode abandonar o pensamento enquanto não alcançar a consciência. O pensar é um substituto – como você pode abandonar a armadilha enquanto o peixe ainda não está capturado? A mente dirá: “Não seja tolo, onde está o peixe?”

Como você pode abandonar as palavras se ainda não percebeu o significado? Não tente lutar com as palavras, tentar alcançar o significado. Não tente lutar com os pensamentos. É por isso que eu insisto mais uma vez em dizer que, se os pensamentos o perturbarem, não lute contra eles, não os combata. Se eles vierem, deixe-os vir. Se eles se forem, deixe-os ir. Não faça nada, apenas fique indiferente, seja apenas um observador, um espectador, não se preocupe. Isso é tudo o que você pode fazer agora – ser indiferente.

Não diga: “Não venham.” Não convide, não rejeite, não condene e não aprecie. Basta ficar indiferente. Olhe para eles, eles vêm como nuvens, e depois vão, como as nuvens desaparecem. Deixe-os ir e vir, não fique no caminho, não preste atenção neles. Porque, se você ficar contra eles, você começará a prestar atenção, e logo estará perturbado: “Minha meditação está perdida”. Nada está perdido. A meditação é a sua natureza intrínseca. Nada está perdido. O céu está perdido quando há nuvens? Nada está perdido.

Seja indiferente, não se sinta incomodado pelos pensamentos, desta ou daquela maneira. E, mais cedo ou mais tarde, você vai sentir e perceber que esse ir e vir dos pensamentos se tornou mais lento. Cedo ou tarde você vai ver que agora eles vêm, mas não tanto; às vezes o trânsito para, a estrada fica vazia. Um pensamento passou, outro ainda não chegou; há um intervalo. Nesse intervalo você vai conhecer o seu céu interior em sua glória absoluta. Mas se entrar um pensamento, deixe-o entrar, não fique perturbado.

Se você conseguir, faça isso, pois somente isso pode ser feito; nada mais é possível. Seja desatento, indiferente, sem se importar. Apenas permaneça como uma testemunha, observando, não interferindo, e a mente irá passar, porque nada poderá ser retido no seu interior, se você ficar indiferente.

A indiferença é o corte das raízes, as próprias raízes. Não se sinta antagônico porque assim você também estará alimentando. Se você tem que se lembrar dos amigos, você tem que se lembrar dos inimigos também, até mais. Os amigos você pode esquecer, como pode esquecer os inimigos? Você terá que lembrar constantemente deles, porque você tem medo.

As pessoas ficam perturbadas com os pensamentos. Mas através da luta você presta atenção – e a atenção é o alimento. Tudo cresce se você prestar atenção; cresce rápido, torna-se mais vital. Seja apenas indiferente. 

Uma história:

Foi o que aconteceu... Um homem estava acostumado a ir à pista de corrida todo ano no dia do seu aniversário. O ano inteiro ele acumulava o dinheiro apenas para um aposta em seu aniversário. E ele estava perdendo há muitos anos, mas a esperança sempre o reanimava. Toda vez ele decidia não ir novamente, mas um ano é muito tempo. Por alguns dias, ele se lembrava, mas depois novamente a esperança voltava: "Quem sabe?" Esta ano eu posso ficar rico, então porque não fazer um esforço a mais?"

Quando seu aniversário chegou, ele estava novamente pronto a ir para a pista de corria. E era seu quinquagésimo aniversário, assim ele pensou: "Eu deveria tentar pra valer."

Então ele vendeu todas as suas posses, reuniu uma pequena fortuna, tudo o que ele havia ganhado em toda a sua vida, tudo o que tinha, e disse: "Agora eu tenho que decidir. Ou eu me torno um mendigo ou um imperador, não vou mais ficar no meio, chega!"

Ele foi até o guichê e olhou para o nome dos cavalos: "Há esse cavalo, Adolf Hitler, ele vai se dar bem. Um grande homem, um homem vitorioso. Ele ameaçou o mundo inteiro. Esse cavalo deve ser feroz e forte." Assim, ele apostou tudo – e perdeu. Como todos que apostaram em Hitler, ele perdeu. Agora ele não tinha para onde ir, pois tinha perdido inclusive a própria casa. Então o que fazer? Não havia nada a fazer senão se suicidar.

Ele então se encaminhou para a beira de um precipício, só para pular e acabar com a própria vida. Quando ele estava prestes a saltar, de repente ouviu uma voz, e não a reconheceu; não sabia se ela vinha do exterior ou do interior. Ele ouviu: "Pare! Da próxima vez vou lhe dar o nome do cavalo vencedor – tente mais uma vez. Não se mate."

A esperança reviveu, ele voltou. Ele trabalhou duro naquele ano, porque ia ser a vitória pela qual estivera esperando a vida inteira. O sonho tinha que se realizar. Ele trabalhou duro dia e noite, ganhou muito. Então, no ano seguinte, com o coração trêmulo ele foi até o guichê e esperou. A voz disse: "Ok, escolha este cavalo, Churchill." Sem discutir, sem pensar, sem deixar a mente interferir, ele apostou tudo e venceu. Churchill ficou em primeiro lugar.

Ele voltou novamente ao guichê e esperou. A voz disse: "Agora aposte em Stálin". Ele apostou tudo. Stálin ficou em primeiro lugar. Agora ele tinha uma grande fortuna.

Na terceira vez ele esperou, e a voz disse: "Chega."

Mas ele disse: "Fique quieta, eu estou ganhando, estou com sorte e ninguém pode me derrotar agora." Então, ele escolheu Nixon e Nixon ficou em último.

Toda a fortuna foi perdida e ele se tornou novamente um mendigo. Ali, parado, ele murmurou para si mesmo: "E agora, o que fazer?"

Disse a voz interior: "Agora você pode ir para o precipício e pular!"

No momento em que você vai morrer, a mente para, porque não há nada pelo qual trabalhar. A mente faz parte da vida, não faz parte da morte. Quando não há vida pela frente, a mente para, não há trabalho, ela fica imediatamente desempregada. E quando a mente para, a voz suave interior vem lá de dentro. Ela está sempre lá, mas há tanto barulho que uma voz mansa e suave não pode ser ouvida.

A voz não vinha de fora, não há ninguém fora de nós, tudo está dentro. Deus não está no céu, está em você. Aquele homem ia morrer – a última decisão tomada pela mente. Mas então a mente se aposentou, não havia mais trabalho, e de repente ele ouviu a voz. Essa voz veio de seu núcleo mais profundo, e a voz que vem do âmago mais profundo está sempre certa.

Então o que aconteceu? Duas vezes a voz se fez ouvir, mas a mente interferiu novamente e disse: "Não dê ouvidos a tal absurdo, estamos com sorte e estamos vencendo."

Lembre-se: sempre que você ganha, você ganha por causa da voz interior. Mas a mente sempre vem e toma conta. Sempre que você sente felicidade, ela vem de dentro. Então a mente salta imediatamente à frente e assume o controle, e diz: "É por minha causa." Quando você está apaixonado, isso é como a morte, a mente para - você se sente feliz. Imediatamente vem a mente e diz: "Ok, esta sou eu, isso é por minha causa."

Sempre que você medita, há vislumbres. Então a mente entra e diz: "Seja feliz! Olhe, eu fiz isso!" E imediatamente o contato é perdido.

Lembre-se: com a mente você será sempre um perdedor. Mesmo que você seja vitorioso, suas vitórias serão apenas derrotas. Com a mente não há vitória, com a não-mente não há derrota.

Você tem que mudar toda a sua consciência da mente para a não-mente. Depois que a não-mente estiver presente, tudo é vitorioso. Depois que a não-mente estiver presente, nada dará errado, nada pode dar errado. Com a não-mente, tudo é absolutamente como deveria ser. A pessoa tem contentamento, não resta nem um único fragmento de descontentamento; ela está absolutamente à vontade. Você é um estranho por causa da mente.

Essa mudança só é possível se você se tornar indiferente; caso contrário, essa mudança nunca será possível. Mesmo se você tiver lampejos, esses lampejos serão perdidos. Você já teve lampejos antes – não é só na oração e na meditação que os vislumbres acontecem. Os vislumbres acontecem na vida cotidiana também. Ao fazer amor com uma mulher, a mente para. É por isso que o sexo é tão atraente, é um êxtase natural. Por um momento único, de repente a mente não está lá; você se sente feliz e contente, mas apenas por um único momento. Imediatamente a mente entra e começa a funcionar – como conseguir mais, como ficar mais tempo? Surge o planejamento, o controle, a manipulação, e você se perdeu.

Às vezes, sem mais aquela, você está andando na rua, debaixo das árvores e de repente um raio de sol vem e cai em você, uma brisa toca o seu rosto. De repente é como se o mundo inteiro mudasse, por um único momento você está em êxtase. O que aconteceu? Você estava andando, despreocupado, indo a lugar nenhum, só fazendo a caminhada, numa manhã ou tarde. Naquele momento de descontração, de repente, sem o seu conhecimento, a consciência deslocou-se da mente para a não-mente. Imediatamente há beatitude. Mas a mente vem e diz: "Quero ter mais momentos como este." Então você pode ficar lá durante anos, durante vidas, mas isso nunca vai acontecer de novo – por causa da mente.

Na vida comum, no dia a dia, não só nos templos, mas em lojas e escritórios também, os momentos vêm – a consciência muda e vai da periferia para o centro. Mas a mente assume de novo o controle imediatamente. A mente é o grande controlador. Você pode ser o mestre, mas ela é o gerente, e o gerente absorveu tanto controle e poder que pensa que é o mestre. E o mestre fica completamente esquecido.

Seja indiferente à mente. Sempre que ela interferir, em momentos sem palavras, silenciosos, não a ajude, não coopere com ela. Basta olhar. Deixe-a dizer o que quiser, não preste muita atenção. Ela vai se retirar.

Na meditação, isso acontece a você todos os dias. Muitos me procuram e dizem: "Aconteceu no primeiro dia, mas desde então não aconteceu mais."

Por que aconteceu no primeiro dia? Você está mais preparado agora, no primeiro dia você não estava tão preparado. Aconteceu no primeiro dia porque o gerente não tinha conhecimento do que ia acontecer. Não poderia planejar. No dia seguinte, o gerente sabia muito bem o que ia ser feito. Agora, o gerente sabe, e o gerente faz. Então isso não vai acontecer de novo, porque o gerente tomou a frente.

Lembre-se: sempre que um momento de bem-aventurança acontecer, não peça por ele novamente. Não peça que seja repetido, porque toda a repetição diz respeito à mente. Não peça por ele novamente. Se você pedir, então a mente vai dizer: "Eu sei o truque. Vou fazer isso por você."

Quando esses momento acontecerem, sinta-se feliz e grato e esqueça. O peixe foi pego, esqueça a armadilha. O significado foi capturado, esqueça a palavra.

E a última coisa: sempre que a meditação está completa, você se esquece dela. E só então, quando você se esquece da meditação, ela chega à plenitude, o clímax é atingido. Agora você fica meditativo durante 24 horas por dia. Não há nada a ser feito; ela está ali, é você, é o seu ser.

Se você puder fazer isso, então a meditação torna-se um fluxo contínuo, não um esforço da sua parte – porque todo esforço é da mente.

Se a meditação se torna a sua vida natural, a sua vida espontânea, o Tao, então eu lhe digo, algum dia Chuang Tzu vai encontrar você. Porque ele pergunta:

"Onde posso encontrar um homem que se esqueceu das palavras? É com ele que eu gostaria de conversar."

Ele está procurando. Eu já o vi muitas vezes aqui perambulando em torno de você, apenas esperando, esperando. Se você se esquecer das palavras, ele vai falar com você. E não só Chuang Tzu – Krishna, Cristo, Lao Tsé, Buda, todos eles estão em busca de você; todas as pessoas esclarecidas estão em busca dos ignorantes. Mas elas não podem falar porque conhecem a linguagem do silêncio, e você conhece a linguagem da loucura. Isso não vai levar a lugar nenhum. Eles estão em busca. Todos os budas que já existiram estão em busca. Sempre que estiver em silêncio, você vai sentir que eles sempre estiveram ao seu redor.

Dizem que sempre que o discípulo está pronto o mestre aparece. Sempre que você está pronto a verdade é entregue à você. Não há um intervalo nem mesmo de um instante. Sempre que você está pronto, acontece imediatamente. Lembre-se de Chuang Tzu. A qualquer momento ele pode começar a falar com você, mas antes que ele comece, você precisa parar de falar.

Basta por hoje.

segunda-feira, agosto 19, 2019

Comentando o texto anterior de Osho

- Núcleo -

Eis mais um “texto nuclear”!

Permitam-me comentá-lo.

Os comentários estarão em azul negritado e entre chaves {...}

(...) Ao encontrar a si mesma, a pessoa encontra o sentido da vida, o significado da vida, a alegria da vida, o esplendor da vida. Encontrar a si mesmo é o maior achado na vida de uma pessoa, e esse encontro só é possível quando você está sozinho, quando sua consciência está completamente vazia — nesse vazio, nesse nada, um milagre acontece. E esse milagre é a base de toda a religiosidade {esse milagre é a percepção de Si mesmo; de Quem você É; a percepção do “Eu Verdadeiro”; a percepção de Sua real identidade divina}.

Eis o milagre: quando não existe nada mais para a sua consciência ficar consciente, a consciência se volta para si mesma. Ela se torna um círculo. Não encontrando obstáculo, nenhum objeto, ela volta para a fonte {A Fonte é a Consciência do Ser, que é o próprio Ser Real; o mundo visto pela mente é uma “representação”, que é um emaranhado de conceitos, e conceitos não são reais; quando “este mundo” é percebido pelo que ele é, como uma representação, deixa de ser um desafio, um obstáculo e passa a ser um deleite... Um deleite divino! Quem Se deleita é o próprio Ser Real...}. E, no momento em que o círculo está completo, você não é mais apenas um ser humano comum {um personagem na representação}; você se tornou parte da divindade que circunda a existência {você se tornou consciente de que é o Ser que abrange tudo, que é o todo}. Você não é mais você mesmo {não se vê mais como um personagem}, você se tornou parte de todo o Universo {você Se percebe consciente do Ser que É} — o palpitar do seu coração é agora o palpitar do coração do próprio Universo.

Essa é a experiência que os místicos têm procurado por todas as vidas, através dos tempos {é a experiência do despertar – Contudo, é preciso ver que toda experiência está na representação, e por isso não é algo real. Você já é um ser desperto desde o início... e nem sequer há um início... O início também é algo que está na representação, assim como o fim, ambos dão a ambiência onde se passa a representação e também não são reais}. Não existe outra experiência mais arrebatadora, mais bem-aventurada. Essa experiência transforma toda a sua perspectiva: onde costumava haver escuridão {representação}, agora existe luz {divina Realidade do Ser}; onde costumava haver infelicidade {representação}, existe bem-aventurança {Realidade}; onde costumava haver raiva, ódio, possessividade, ciúme {representação}, existe somente uma bela flor do amor {Realidade}. Toda a energia que era gasta em emoções negativas não é mais desperdiçada; ela passa por uma reviravolta positiva e criativa.

Por um lado, você não é mais seu antigo eu {a máscara que vela o Ser, a “persona”; o personagem...} e, por outro lado, você é, pela primeira vez, seu autêntico eu {o Ser Real, a identidade verdadeira, o Eu Verdadeiro}. O velho {o personagem} se foi, o novo {o Eu Verdadeiro} chegou. O velho está morto {de fato nunca esteve vivo, pois, sempre foi um personagem... cuja vida está no Ator, no Ser Real}; o novo pertence ao eterno, ao imortal {ao Ser}.
A menos que você se conheça como ser eterno, como parte do todo {como o Ser}, continuará com medo da morte {que também está na representação e que não é real}. O medo da morte existe simplesmente porque você não está consciente da sua fonte eterna de vida {porque está na representação como um personagem indesperto... Na representação existem personagens despertos e indespertos, você mesmo, o Ator, é quem escolhe o papel...}. Uma vez constatada a eternidade de seu ser {uma vez que na representação você se torna um “personagem desperto”}, a morte se torna a maior mentira da existência {a morte revela-se como representação, algo que não é real}. A morte nunca aconteceu, nunca acontece, nunca acontecerá, porque aquilo que existe sempre existirá, em formas diferentes, em níveis diferentes; não existe descontinuidade. Há eternidade no passado e no futuro, ambas lhe pertencem. E o momento presente se torna um ponto de encontro entre duas eternidades: uma indo em direção ao passado e outra indo em direção ao futuro {há a Realidade do Ser, que é um eterno presente...}.

A lembrança de sua solitude não deve ser somente mental {não pode ser; nem deve ser uma lembrança, que é mental, mas sim, uma percepção, que é consciencial}; cada fibra de seu ser, cada célula de seu corpo deveria se lembrar, e não com uma palavra, mas como uma profunda sensação {como uma percepção}. O esquecimento de si mesmo {o esquecimento do seu Eu Verdadeiro; de sua origem divina; a imersão na representação de forma inconsciente, como um personagem indesperto...} é o único pecado {visão encoberta} que existe, e a lembrança {visão descoberta} de si mesmo, a única virtude.

Você não é parte deste mundo mundano {sua natureza e real identidade não é a de um personagem...}; seu lar é o lar do divino {A Realidade divina}. Você está perdido no esquecimento, esqueceu-se de que dentro de você Deus está oculto. Você nunca olha para dentro — porque todo mundo {porque todo personagem indesperto...} olha para fora, você também insiste em olhar para fora {insiste em permanecer no papel de um personagem indesperto...}.

Ficar sozinho é uma grande oportunidade, uma benção, porque em sua solitude fatalmente você se deparará com você mesmo {perceberá Quem É} e, pela primeira vez, se lembrará de quem você é.

(...) Fique mais centrado em sua profunda solitude {Deus, que é o Ser Real, é a única Realidade!}. Meditação é isso: ficar centrado na sua própria solitude {Meditação é a percepção da Realidade divina; é a percepção de que tudo é o próprio Ser Se desvelando, é o Eu Verdadeiro “aparecendo como”...}. A solitude precisa ser tão pura que nem mesmo um pensamento, nem mesmo um sentimento a perturbe {apenas uma “percepção”}. No momento em que sua solitude for completa, sua experiência dela se tornará a sua iluminação {a percepção da Realidade e da real identidade divina de todos os seres como o único Ser Real...}. A iluminação não é algo que vem de fora, ela é algo que cresce dentro de você {dentro e fora são conceitos mentais, estão na representação, não são reais}.

Esquecer-se do ser é o único pecado {é a visão encoberta...}. E lembrar-se do seu ser, em sua completa beleza, é a única virtude, a única religião {é a visão descoberta...}. Você não precisa ser hindu, muçulmano, cristão — para ser religioso, tudo o que você precisa é ser você mesmo {perceber-Se como Ser}.

Ao conhecer a si mesmo {ao perceber-Se}, uma coisa fica clara: nenhuma pessoa é uma ilha {ninguém é um personagem num cenário...} somos um continente, um vasto continente, uma infinita existência sem nenhuma fronteira {somos todos o Ser, o único Ser Real, ilimitado, infinito, atemporal}. A mesma vida corre através de todos, o mesmo amor preenche cada coração, a mesma alegria dança em cada ser. Por causa do nosso mal-entendido apenas {por causa da visão encoberta}, achamos que estamos separados.

A ideia de separação é nossa ilusão {toda ideia está na representação, assim sendo, não é real}. A ideia da unidade {a percepção} será nossa experiência da verdade suprema. É necessário apenas um pouco mais de inteligência, e você poderá sair do desalento, da infelicidade, do inferno em que toda a humanidade está vivendo {a representação como está...}. O segredo de sair desse inferno é lembrar-se de si mesmo {é perceber-Se!}. E essa lembrança será possível se você compreender a ideia de que você está sozinho {de que é o Ser Real e único}.

Você precisa perceber {É isso! “Você precisa perceber”! Perceber-Se...}, não importa o quanto isso possa parecer doloroso no início, que está sozinho numa terra estranha. Na primeira vez, esse reconhecimento é doloroso. Ele elimina todas as nossas ilusões, que geram grandes consolos. Mas, quando você ousa aceitar a realidade {a Realidade divina do “Eu Verdadeiro”...}, a dor desaparece. E, oculta atrás da dor, está a maior das bênçãos do mundo: você vem a conhecer a si mesmo {vem a perceber-Se... em Sua Realidade!}.

Você é a inteligência da existência, a consciência da existência {Você É!...}, a alma da existência. Você é parte dessa imensa divindade que se manifesta de milhares formas: nas árvores, nos pássaros, nos animais, nos seres humanos... {No Núcleo é dito que na “representação” “Eu apareço como”... e também é dito que: “Às vezes, nem eu mesmo percebo [às vezes, “aparecendo como”, ou seja, representando papel de “árvore, pássaro, animal ou ser humano” este meu “personagem” nem mesmo percebe que Sou EU...} mas é a mesma consciência em diferentes estágios de evolução {Os estágios de evolução existem apenas na representação}. E a pessoa que reconhece a si mesma {a pessoa ou “persona” que Se percebe, que no Núcleo é chamada de “personagem desperto”} que sente que o deus que ela buscava e procurava por todo o mundo reside em seu próprio coração, atinge o mais elevado ponto da evolução {este “mais elevado ponto da evolução” é qualquer momento em que você Se percebe como Quem É}. Não existe nada superior a isso.

A pessoa pouco inteligente {o personagem inconsciente...} é aquela que está correndo por todo o mundo à procura de algo, sem saber exatamente o quê. Algumas vezes achando que talvez seja o dinheiro, seja o poder, seja o prestígio, seja a respeitabilidade {achando que aquilo que busca seja algo na representação}.

A pessoa inteligente {o personagem consciente...} primeiro procura seu próprio ser {procura conhecer sua própria identidade}, antes de começar a jornada no mundo exterior. Isso parece ser simples e lógico... pelo menos, olhe primeiro em sua própria casa, antes de procurar pelo mundo inteiro. E aqueles que olharam dentro de si mesmos o encontraram, sem nenhuma exceção {Você É Aquele que está onde você está!... Não há separação entre Quem você É e onde você está. Por isso é dito que a distância entre você e Deus é a mesma distância entre você e você mesmo...}.

O mundo precisa de uma grande revolução, na qual cada indivíduo encontre sua religião dentro de si mesmo {a verdadeira religião, ou seja, o verdadeiro “religare” ocorre internamente; a verdadeira religião é uma percepção! Aquele que diz: “Vivo, mas já não sou eu Quem vive, é Cristo Quem vive em mim” religou-Se a si mesmo com o “Cristo”, com o Ser, com Quem É}. No momento em que as religiões se tornam organizadas, elas ficam perigosas {pelo fato de nas religiões organizadas as pessoas se reunirem em torno de “ideias” e não de “percepções”}, na realidade, elas se tornam política, com uma falsa face de religião. Por isso, todas as religiões do mundo tentam converter mais e mais pessoas à sua religião. É a política dos números; aquela que tiver um número maior será mais poderosa. Mas ninguém parece estar interessado em trazer milhões de indivíduos a seus próprios seres. {Por isso o ensinamento do Núcleo não é persuasivo, não objetiva convencer mas sim “compartilhar percepções”, evidenciar que elas existem, que estão relatadas nas experiências dos “personagens despertos” os chamados “místicos”, mestres ou seres iluminados de todas as principais religiões. Elas são também a experiência das pessoas comuns que se iluminam... que passam a estar conscientes de que elas também tem percepções e que o fato de serem compartilhadas ativa a percepção de outras pessoas! Assim, o “ensinamento nuclear” que se transmite de mente a mente ativa a “percepção consciencial” compartilhada pelos próprios “personagens”}

Meu esforço aqui consiste em afastá-lo de qualquer tipo de esforço organizado, porque a verdade nunca pode ser organizada. Você precisa seguir sozinho na peregrinação, porque a peregrinação será interior. {Por ser uma “percepção” ninguém, nenhum outro “eu”, nenhum outro “personagem” percebe por você... É seu próprio “Eu” Quem Se percebe!} Você não pode levar ninguém com você. E você precisa deixar de lado tudo o que aprendeu com os outros, porque todos esses preconceitos distorcerão sua visão e você não será capaz de perceber a realidade nua de seu ser. A realidade nua de seu ser é a única esperança de encontrar Deus.

Apenas um passo para dentro de si mesmo e você chegou. {Simples assim!}

Pode levar um pouco de tempo, porque os velhos hábitos demoram para ser vencidos; mesmo que você feche os olhos, sua cabeça estará cheia de pensamentos {sua mente estará ocupada e cheia de “idéias” relacionadas à representação}. Esses pensamentos são de fora, e o simples método, que foi seguido por todos os grandes videntes do mundo, é simplesmente observar os pensamentos, ser uma testemunha. Não os condene, não os justifique, não os racionalize. Permaneça à parte, permanece indiferente, deixe-os passar — eles irão embora. {Não resista ao mal, pois, resistência gera existência... Por você se focar em um pensamento ou ideia é o que o faz se restringir aos limites da realidade aparente em que eles existem... Os pensamentos são como nuvens que encobrem no céu. Assim como nuvens são passageiras e o céu é permanente, pensamentos são passageiros e a consciência é permanente!  O céu sempre está lá, num nível bem mais elevado que as nuvens, mesmo que não esteja sendo visto; Da mesma forma, a Realidade eterna, da Consciência, sempre está lá, num nível bem mais elevado que a realidade aparente, da mente, mesmo que não esteja sendo percebida...}

E, no dia em que sua mente estiver absolutamente silenciosa, sem nenhuma perturbação {em que a mente estiver transparente e receptiva à percepção da Verdade... Vide http://busca-espiritual.blogspot.com/2019/08/perceba-se.html]}, você dará o primeiro passo que o leva ao templo de Deus.

O templo de Deus é feito da sua consciência {a Consciência é o próprio Ser, o único Ser Real; E por isso o seu, o meu e o Ser Real de todos nós... Compartilho aqui a “percepção” dAquele divino personagem que disse: “Nós vivemos, nos movemos e temos nossa existência em Deus”}. Você não pode ir lá com seus amigos, com seus filhos, com sua esposa, com seus pais {Você não pode “ir lá”... no núcleo de seu próprio ser, com a “ideia” de que eles são outros... Não pode “ir lá”... com a “ideia” de que existem outros... Você não pode “ir lá”... com “ideias”...  Mas, você pode “ir lá”!}.

Todos precisam ir lá sozinhos {Enfim, deve “ir lá”! Este “ir lá” não significa sair de onde está...; não significa procurar por Deus em algum templo ou lugar; não significa ir ao céu; não significa nem mesmo se mover... Você deve “ir lá” significa: Você deve “perceber”!}.


sábado, agosto 17, 2019

Esquecimento de Quem somos: o pecado original


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(...) Ao encontrar a si mesma, a pessoa encontra o sentido da vida, o significado da vida, a alegria da vida, o esplendor da vida. Encontrar a si mesmo é o maior achado na vida de uma pessoa, e esse encontro só é possível quando você está sozinho, quando sua consciência está completamente vazia — nesse vazio, nesse nada, um milagre acontece. E esse milagre é a base de toda a religiosidade.

Eis o milagre: quando não existe nada mais para a sua consciência ficar consciente, a consciência se volta para si mesma. Ela se torna um círculo. Não encontrando obstáculo, nenhum objeto, ela volta para a fonte. E, no momento em que o círculo está completo, você não é mais apenas um ser humano comum; você se tornou parte da divindade que circunda a existência. Você não é mais você mesmo, você se tornou parte de todo o Universo — o palpitar do seu coração é agora o palpitar do coração do próprio Universo.

Essa é a experiência que os místicos têm procurado por todas as vidas, através dos tempos. Não existe outra experiência mais arrebatadora, mais bem-aventurada. Essa experiência transforma toda a sua perspectiva: onde costumava haver escuridão, agora existe luz; onde costumava haver infelicidade, existe bem-aventurança; onde costumava haver raiva, ódio, possessividade, ciúme, existe somente uma bela flor do amor. Toda a energia que era gasta em emoções negativas não é mais desperdiçada; ela passa por uma reviravolta positiva e criativa.

Por um lado, você não é mais seu antigo eu e, por outro lado, você é, pela primeira vez, seu autêntico eu. O velho se foi, o novo chegou. O velho está morto; o novo pertence ao eterno, ao imortal.

A menos que você se conheça como ser eterno, como parte do todo, continuará com medo da morte. O medo da morte existe simplesmente porque você não está consciente da sua fonte eterna de vida. Uma vez constatada a eternidade de seu ser, a morte se torna a maior mentira da existência. A morte nunca aconteceu, nunca acontece, nunca acontecerá, porque aquilo que existe sempre existirá, em formas diferentes, em níveis diferentes; não existe descontinuidade. A eternidade no passado e no futuro, ambas lhe pertencem. E o momento presente se torna um ponto de encontro entre duas eternidades: uma indo em direção ao passado e outra indo em direção ao futuro.

A lembrança de sua solitude não deve ser somente mental; cada fibra de seu ser, cada célula de seu corpo deveria se lembrar, e não com uma palavra, mas como uma profunda sensação. O esquecimento de si mesmo é o único pecado que existe, e a lembrança de si mesmo, a única virtude. Você não é parte deste mundo mundano; seu lar é o lar do divino. Você está perdido no esquecimento, esqueceu-se de que dentro de você Deus está oculto. Você nunca olha para dentro — porque todo mundo olha para fora, você também insiste em olhar para fora.

Ficar sozinho é uma grande oportunidade, uma benção, porque em sua solitude fatalmente você se deparará com você mesmo e, pela primeira vez, se lembrará de quem você é.

(...) Fique mais centrado em sua profunda solitude. Meditação é isso: ficar centrado na sua própria solitude. A solitude precisa ser tão pura que nem mesmo um pensamento, nem mesmo um sentimento a perturbe. No momento em que sua solitude for completa, sua experiência dela se tornará a sua iluminação. A iluminação não é algo que vem de fora, ela é algo que cresce dentro de você.

Esquecer-se do ser é o único pecado. E lembrar-se do seu ser, em sua completa beleza, é a única virtude, a única religião. Você não precisa ser hindu, muçulmano, cristão — para ser religioso, tudo o que você precisa é ser você mesmo.

Ao conhecer a si mesmo, uma coisa fica clara: nenhuma pessoa é uma ilha somos um continente, um vasto continente, uma infinita existência sem nenhuma fronteira. A mesma vida corre através de todos, o mesmo amor preenche cada coração, a mesma alegria dança em cada ser. Por causa do nosso mal-entendido apenas, achamos que estamos separados.

A ideia de separação é nossa ilusão. A ideia da unidade será nossa experiência da verdade suprema. É necessário apenas um pouco mais de inteligência, e você poderá sair do desalento, da infelicidade, do inferno em que toda a humanidade está vivendo. O segredo de sair desse inferno é lembrar-se de si mesmo. E essa lembrança será possível se você compreender a ideia de que você está sozinho.

Você precisa perceber, não importa o quanto isso possa parecer doloroso no início, que está sozinho numa terra estranha. Na primeira vez, esse reconhecimento é doloroso. Ele elimina todas as nossas ilusões, que geram grandes consolos. Mas, quando você ousa aceitar a realidade, a dor desaparece. E, oculta atrás da dor, está a maior das bênçãos do mundo: você vem a conhecer a si mesmo.

Você é a inteligência da existência, a consciência da existência, a alma da existência. Você é parte dessa imensa divindade que se manifesta de milhares formas: nas árvores, nos pássaros, nos animais, nos seres humanos... mas é a mesma consciência em diferentes estágios de evolução. E a pessoa que reconhece a si mesma, que sente que o deus que ela buscava e procurava por todo o mundo reside em seu próprio coração, atinge o mais elevado ponto da evolução. Não existe nada superior a isso.

A pessoa pouco inteligente é aquela que está correndo por todo o mundo à procura de algo, sem saber exatamente o quê. Algumas vezes achando que talvez seja o dinheiro, seja o poder, seja o prestígio, seja a respeitabilidade.

A pessoa inteligente primeiro procura seu próprio ser, antes de começar a jornada no mundo exterior. Isso parece ser simples e lógico... pelo menos, olhe primeiro em sua própria casa, antes de procurar pelo mundo inteiro. E aqueles que olharam dentro de si mesmos o encontraram, sem nenhuma exceção.

O mundo precisa de uma grande revolução, na qual cada indivíduo encontre sua religião dentro de si mesmo. No momento em que as religiões se tornam organizadas, elas ficam perigosas; na realidade, elas se tornam política, com uma falsa face de religião. Por isso, todas as religiões do mundo tentam converter mais e mais pessoas à sua religião. É a política dos números; aquela que tiver um número maior será mais poderosa. Mas ninguém parece estar interessado em trazer milhões de indivíduos a seus próprios seres.

Meu esforço aqui consiste em afastá-lo de qualquer tipo de esforço organizado, porque a verdade nunca pode ser organizada. Você precisa seguir sozinho na peregrinação, porque a peregrinação será interior. Você não pode levar ninguém com você. E você precisa deixar de lado tudo o que aprendeu com os outros, porque todos esses preconceitos distorcerão sua visão e você não será capaz de perceber a realidade nua de seu ser. A realidade nua de seu ser é a única esperança de encontrar Deus.

Apenas um passo para dentro de si mesmo e você chegou.

Pode levar um pouco de tempo, porque os velhos hábitos demoram para ser vencidos; mesmo que você feche os olhos, sua cabeça estará cheia de pensamentos. Esses pensamentos são de fora, e o simples método, que foi seguido por todos os grandes videntes do mundo, é simplesmente observar os pensamentos, ser uma testemunha. Não os condene, não os justifique, não os racionalize. Permaneça à parte, permanece indiferente, deixe-os passar — eles irão embora.

E, no dia em que sua mente estiver absolutamente silenciosa, sem nenhuma perturbação, você dará o primeiro passo que o leva ao templo de Deus.

O templo de Deus é feito da sua consciência. Você não pode ir lá com seus amigos, com seus filhos, com sua esposa, com seus pais.

Todos precisam ir lá sozinhos.


quinta-feira, agosto 15, 2019

Perceba-Se!

 - Núcleo -


Alguns buscadores espirituais pretendem “iluminar” suas próprias mentes, para assim se tornarem iluminados.

Este propósito pode parecer ser dos melhores, mas este não é o caminho, pois apenas insuflará o ego. Não devemos tentar iluminar a mente humana, devemos apenas torná-la transparente e receptiva à percepção da Verdade. Há em nós uma presença a ser percebida. Esta presença é Deus, a Verdade.

É nossa falsa identificação o que nos faz inconscientes da presença divina. Enquanto nascidos humanamente somos “Filho do Homem”, mas devemos renascer e nos tornar conscientes de que Deus é o nosso verdadeiro Pai. E renascidos nos tornamos conscientes de que somos “Filhos de Deus”. Na linguagem do Núcleo poderíamos dizer que a expressão “Filho do Homem” tem o sentido de “personagem do Ser” e que a expressão “Filho de Deus” tem o sentido de “personagem consciente do Ser”.

Então percebemos o real significado desta revelação:

“Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de Ser. Sabemos que, quando Ele Se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque haveremos de vê-Lo como Ele é.” (1 JOÃO 3,2)

Se permanecermos na unção, “unção que vem do alto”, estamos sendo os “personagens conscientes do Ser”, “Filhos de Deus”. Este é o sentido de: “Amados, agora, somos Filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de Ser.” No instante em que a Consciência do Ser Se manifesta percebemos que: “Eu e o Pai somos um”, e que “Quem vê a mim vê o Pai”.

Assim, o sentido se completa: “Sabemos que, quando Ele Se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque haveremos de vê-Lo como Ele É.” Nós nos veremos em tudo e estaremos nos identificando com o próprio Ser real.

O “Filho de Deus” não pretende ir além de manter-se em unção com o Pai. Ele deve apenas procurar o “Reino de Deus”, tudo mais virá por acréscimo, inclusive a revelação, que vem do Pai, da real identidade de todos os seres.

Neste instante podemos fazer a seguinte reflexão:

"Meu estado de serenidade mental, de contemplação e silêncio interior me faz perceber que “Deus está aqui”, bem aqui diante de mim e eu O percebo dentro e fora de mim, em cada movimento, em cada pulsação; em tudo eu O vejo. E estou consciente de que é Ele Quem de fato percebe tudo isso. Ele se revela como a percepção, a própria consciência que a tudo percebe. Sei que nada faço, que não há esforço algum de quem estou representando para que haja esta visão, esta percepção, de Quem realmente percebe tudo. Apenas não impeço que o Ser Se revele, não raciocino, não conceitualizo, não imagino nada, simplesmente contemplo tudo e percebo Quem percebe."

Nós somos “Filho do Homem” e dizemos que temos a “Mente de Cristo”, a “Consciência do Ser”. Melhor seria dizer que esta Consciência está em nós. É ela quem tudo percebe. Ela é a própria vida que chamamos de nossa vida.

No momento em que percebemos isso, fica evidente o sentido da revelação: “Vivo, mas, já não sou eu quem vive; é Deus/Cristo quem vive em mim.”

E que assim seja.

Saúdo a todos.

domingo, agosto 11, 2019

Diálogos conscienciais: Meditar, Perceber e Amar!


 - Núcleo -


De que forma o Amor está relacionado à meditação?

A resposta pode ser obtida através do compartilhamento a seguir de um diálogo entre a "mente" e a "Consciência", entre o "homem" e "Deus", entre o "personagem" e o "Ser”.

Personagem: O que é meditação?
Ser: Meditação é percepção.

Personagem: Como faço para aprender a meditar?
Ser: Meditação é percepção. Você já está percebendo…

Personagem: O que estou percebendo é que sou um ser humano que quer aprender a meditar.
Ser: Quem medita percebe que não é um ser humano…

Personagem: Se já estou percebendo, mas eu não percebo que não sou um ser humano, quem é o eu que está percebendo?
Ser: É seu Eu verdadeiro; é Quem já está percebendo…

Personagem: Se não percebo meu Eu verdadeiro, que é Quem já está percebendo, como posso percebê-lo?
Ser: Meditando…

Personagem: Mas o que é meditar?
Ser: Meditar é perceber…

Personagem: Parece que voltamos ao início! Meditar é perceber… Espere um momento… perceber o que?
Ser: É apenas perceber…

Personagem: De fato já estou percebendo algo!
Ser: Sim, foi o que Eu disse, você já está percebendo…

Personagem: Mas estou percebendo apenas o meu mundo, o que todos percebem com os cinco sentidos de percepção.
Ser: É o que você já está percebendo…

Personagem: Mas eu quero perceber a Realidade Divina, não a realidade humana, que os iluminados dizem que não é real. Como posso perceber a Realidade Divina?
Ser: Há apenas uma realidade, que é percebida meditando…

Personagem: Eu me rendo! Não consigo sair disso. Sei que não vai adiantar eu perguntar novamente o que é meditar…
Ser: Não é preciso se render, apenas siga a direção correta…

Personagem: Mas minhas perguntas acabam sempre voltando ao mesmo ponto…
Ser: Mesmo no nível das perguntas, no nível da mente, faça a pergunta correta! Não desista!

Personagem: Está bem. Vamos lá… O que é meditação?
Ser: Já dei esta resposta. Meditação é percepção.

Personagem: Perguntei como faço para aprender a meditar?
Ser: Já dei esta resposta também. Quer que a repita?

Personagem: Não. Quero saber qual a pergunta correta aqui?
Ser: Quando disse que meditar é perceber… já dei a deixa… abri todas as possibilidades a você.

Personagem: Por que em vez de “dar a deixa” você não me diz logo qual o caminho a seguir para eu poder meditar?
Ser: Porque é você que escolhe o caminho que quer seguir… Suas escolhas definem a realidade de quem você está sendo. Escolhas não alteram a possibilidade de meditar e perceber. A possibilidade de meditar e perceber estará sempre a sua disposição!

Personagem: Você disse que meditar é apenas perceber…
Ser: Sim, é apenas perceber…

Personagem: Se é apenas perceber… e não é perceber algo, o que você percebe?
Ser: Percebo apenas a Mim mesmo!

Personagem: Mas você está me percebendo, já que estamos tendo um diálogo!
Ser: Sim, estou te percebendo em Mim mesmo…

Personagem: Como assim, me percebendo em você mesmo? Não estamos separados? Não tenho realidade fora de você?
Ser: Não estamos separados, percebo apenas a Mim mesmo! E somos Um só!

Personagem: Já sou você e estamos vivendo a mesma Vida? Se é assim, porque não estamos vivendo a mesma realidade?
Ser: Só há uma Vida, Eu sou essa Vida e estamos vivendo esta Vida. Mas a realidade que você vê vem de um tipo de percepção e a realidade que vejo vem de outro…

Personagem: Então refaço a pergunta sobre a percepção! Você disse que meditar é perceber e então perguntei: Perceber o que? Refaço a pergunta: Que tipo de percepção?
Ser: A percepção que resulta em uma ação consciente.

Personagem: Que ação consciente? O que devo fazer?
Ser: De início perceba que perguntas e respostas estão na percepção da mente… Não se detenha nesse nível. A percepção que se expressa numa ação consciente pode ser expandida ao infinito. Saiba: Estou sempre meditando, sempre percebendo a Mim mesmo e a Minha Realidade, que é a nossa, a única. Somos Um, por isso você pode Me perceber, ou seja, você pode perceber-Se. Quando você imerge em Mim e Me percebe, percebe que em realidade Sou Eu Quem está Se percebendo… Neste sentido, nunca há alguém além de Mim que Me percebe… Sou sempre Aquele que medita, Aquele que percebe! Por isso disse que: “Quem medita percebe que não é um ser humano”.

Personagem: Um mestre deu a entender num poema que sou fruto da Sua imaginação… Eu sou fruto da Sua imaginação?
Ser: Que mestre deu a entender isso?

Personagem: Você não sabe que mestre?! Como é possível você não saber se somos Um; se estou em você?
Ser: Quem disse que não sei? Apenas perguntei que mestre deu a entender isso, porque sei que outros lerão este nosso diálogo e eles saberão a quem e ao que você está se referindo. Assim poderão acompanhar melhor este diálogo.

Personagem: Percebo… Bem, o mestre a que me referi é Meher Baba em seu poema "O amante e o Amado", onde ele escreve:

Deus é amor. E o amor deve amar. E para se amar deve haver um amado. Mas como Deus é Existência infinita e eterna, não há ninguém para Ele amar além Dele mesmo. E para poder amar a Si mesmo ele deve imaginar-se como o amado a quem Ele como o amante imagina amar. A relação amado e amante implica separação. E a separação cria anseio e o anseio resulta em procura. E quanto mais ampla e intensa é a procura maior será a separação e mais terrível será o anseio. Quando o anseio é o mais intenso a separação está completa e a finalidade da separação, que tinha a finalidade de permitir que o amor pudesse experimentar a si mesmo como o amante e o amado, é cumprida; e a União é o que resulta. E quando a União é atingida, o Amante vem a saber que o tempo todo ele próprio era o Amado a quem ele amou e com quem desejou a União e que todas as situações impossíveis que Ele superou eram obstáculos que Ele mesmo colocou no caminho para Si mesmo. Atingir a União é tão incrivelmente difícil porque é impossível tornar-se o que você já é! A união não é nada além do conhecimento de si mesmo como o Sujeito Único.

Eu me refiro ao trecho em que ele escreveu: “E para poder amar a Si mesmo ele deve imaginar-se como o amado a quem Ele como o amante imagina amar”Por isso fiz a pergunta se sou fruto da Sua imaginação?

Ser: Estamos falando da ação consciente que resulta da percepção. Como disse, estou sempre meditando, sempre percebendo a Mim mesmo. A Minha Realidade resulta deste tipo de percepção que produz sempre uma ação consciente e muito amorosa. O Amor é a Minha Realidade e você é a expressão do Amor!

Personagem: Sou expressão do Amor de Deus! Então, o que alguém deve fazer para “ver” em sua realidade esse Amor?
Ser: Aceita uma resposta breve?

Personagem: Sim, claro!
Ser: Deve Amar!

Personagem: Nossa, resposta muito breve! O que é Amar?
Ser: Amar é o Verbo que expressa a ação de alguém que percebe Quem somos.

Personagem: Está dizendo que nós somos Um e devemos perceber isso para amar?
Ser: Não. Eu já percebo isso por todos nós e estou compartilhando o que percebo. Você deve amar para “ver o amor”, perceber o que percebo; e para viver a Minha realidade!

Personagem: Por onde começar a amar?
Ser: Comece se harmonizando com “o céu e a terra”! Ou seja, harmonize-se com todos os seres, com tudo que percebe em sua realidade!

Personagem: Efetivamente como fazer isso?
Ser: Note que o tipo de percepção de que estamos falando não implica necessariamente em fazer algo. Você pode estar fazendo algo ou não e mesmo assim “amando o que faz” e “interagindo comigo”. É agindo assim, ou seja, amando que se ativa esta percepção! A chave é: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como ama a você mesmo.

Personagem: Sim, eu sei, sei do que trata este diálogo sobre amor e a percepção… Sei que podemos interagir como estamos interagindo e ter a percepção de “Quem” Sou. Nesta percepção instantaneamente Eu Me “percebo” e todas as perguntas e respostas cessam. A bem-aventurança advém desta percepção oceânica na qual tudo Se revela como o Ser Real que tudo É…
Ser: Então você Se percebe…

Personagem: Não. Percebo que não sou eu…; ao menos não esse eu que pergunta… Ocorre exatamente o que você disse! Você Se percebe!
Ser: Sim, percebo que somos Um!

Personagem: Posso compartilhar este diálogo com todos eles?
Ser: Com todos eles? Por enquanto compartilhe apenas comigo…

Personagem: Mas agora estou te percebendo em todos eles…
Ser: Então compartilhe com todos eles!

Assim sendo, por estar harmonizado com “o céu e a terra”;
Por perceber o que estou percebendo [ Deus em cada um ];
Por desfrutar o que estou desfrutando [a percepção divina],
Compartilho esse diálogo com a divindade, com o Mestre…
Com Aquele que apareceu como leitor!
Com Aquele que pode ainda aparecer como vários outros…
Percebo o Mestre em todos!
E a todos agradeço!

Namastê!


quarta-feira, agosto 07, 2019

Estudo Bíblico pela visão do Núcleo

- Núcleo -


Para início desse estudo vamos à questão das terminologias utilizadas. 

Para isso remeto os leitores deste post à leitura do que foi exposto na série “Preleções Nucleares – A Unidade Essencial”, publicada no blog Templo dos Iluminados, em especial ao início da explanação sobre a tabela sinótica com o esquema de duas colunas, no qual na coluna Um, no item 4, está o termo “Consciência” enquanto que na coluna dois, está no item 4 o termo “mente”.  Acessem: 

Para se ter uma ideia da importância de se distinguir a terminologia usada pelos vários autores de ensinamentos espirituais, notem que Joel Goldsmith no Capítulo V do seu livro “O caminho infinito”, cujo título é A Alma, de início a define como sendo a Realidade do Ser. Contudo, ao longo do livro o termo “mente” é utilizado tanto para se referir à “Mente” de Cristo como à “mente” humana.

Para evitar ambiguidade no Núcleo usamos o termo “Consciência” para nos referir à “Mente de Cristo” e o termo “mente” para nos referir à “mente humana”.

Assim, há dois referenciais pelos quais podemos perceber algo: pela mente ou pela Consciência. Joel Goldsmith utiliza o termo “consciência material” quando se refere à percepção pela mente; por vezes usa também o termo “sentido material”, “sentidos finitos” etc., e usa o termo “consciência espiritual” quando se refere à percepção com os sentidos da Alma.

Se por um lado podemos perceber algo pela mente ou pela Consciência, aquilo que vemos como sendo a realidade que surge diante de nós é completamente diferente! Isto porque o que percebemos com a mente é a realidade aparente… Mas o que vemos com a Consciência é real. Essa diferença se torna perceptível e evidente quando vemos com a Consciência! A essencial e maior diferença entre estas visões é que apenas na visão da Consciência torna-se evidente que não há nada além de Si mesma; não há nada além da própria Consciência, pela qual fica evidente que tudo é expressão da própria Consciência de um Ser Único e Real.

Por isso a terminologia usada no Núcleo usa as expressões “Consciência do Ser” e “mente do personagem” para deixar ainda mais evidente que a única percepção que apreende o Real é a percepção da Consciência, a “percepção consciencial”. 

Assim a percepção mental vela nossa real identidade forjando uma identidade aparente [a de um personagem], enquanto a percepção consciencial desvela nossa real identidade.

Não devemos, contudo, descartar a percepção da mente, que é a percepção com a qual, enquanto representando nossos “personagens”, percebemos a realidade deste “mundo” porque há uma beleza incomensurável neste nosso mundo quando percebemos o que ele realmente é: Uma expressão magnificente da Glória de Deus! E ao mesmo tempo percebemos que é Deus mesmo em nós Quem nos faz conscientes dessa Sua Glória! Perceber “Quem faz” é em si algo glorioso! Esse é o ponto central que quase sempre não é notado com a devida atenção pelos seguidores de qualquer ensinamento espiritual, ou seja, o fato de que só é possível ver a Glória de Deus através de Sua própria visão!

Foi isso o que Jesus ressaltou quando Simão Pedro o reconheceu como Filho de Deus.

Vejam esta passagem:

“E, Simão Pedro respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. Ao que Jesus lhe afirmou: “Abençoado és tu, Simão, filho de Jonas! Pois isso não foi revelado a ti por carne ou sangue, mas pelo meu Pai que está nos céus.” (Mateus 16)

No budismo se diria: Somente Buda vê Buda.

Masaharu Taniguchi escreveu: “O mundo da Imagem Verdadeira criado por Deus [mundo da Consciência do Ser] é perfeito e harmonioso, não existindo qualquer mal. Esse mundo existe aqui, neste momento, mas os cinco sentidos carnais não conseguem percebê-lo. Somente a pessoa que desperta aquilo que poderíamos chamar de percepção da Imagem Verdadeira [percepção do Eu Verdadeiro ou percepção da Consciência do Ser] é que consegue ver mentalmente esse mundo perfeito.” [Leia-se “mentalmente” através da visão da “Mente” do “Eu Verdadeiro”. Segundo a terminologia usado no Núcleo diz-se “consciencialmente”]. [Do livro: “Imagem Verdadeira e Fenômeno”, página 53 – SNI]

Independente da terminologia utilizada importa o fato de que podemos apreender o universo que se apresenta a nós com nossa visão ou percepção mental ou com nossa visão ou percepção consciencial. Nosso propósito nesse estudo bíblico é enfocarmos a visão ou percepção consciencial.

O objetivo deste estudo é elucidar que podemos ler a Bíblia do ponto de vista da mente, ou seja, de nossa identidade humana, representada pela segunda coluna na tabela sinótica ou esquema de duas colunas da Unidade Essencial, ou do ponto de vista da Consciência, de nossa identidade divina, que é representada pela primeira coluna. Notamos, entretanto, que a leitura do ponto de vista mental nos dará um enfoque temporal da mensagem divina, ou seja, uma visão de que as coisas acontecem apenas como a mente concebe a realidade, numa percepção de passado/presente/futuro. Por outro lado, a leitura “consciencial” da mesma mensagem divina nos possibilita uma visão “atemporal”, na qual tudo existe num “eterno presente” e, assim, percebemos que a Bíblia é realmente uma revelação divina, algo que nos desperta e nos faz imediatamente conscientes de que Deus é a essência do nosso próprio Ser, e que de fato “vivemos, nos movemos e temos nossa existência em Deus.” (Atos 17:28).

O objetivo deste estudo é enfocar esta percepção.

Então, muitas passagens bíblicas que não têm sentido do ponto de vista mental, passam a ser percebidas como revelações essenciais sobre a natureza da realidade do Ser Real, de Quem realmente somos quando nos identificamos não do ponto de vista da mente, mas sim, da Consciência. Em João 8:56, Jesus relata uma “percepção consciencial” de Abraão. Sobre este relato os judeus perguntaram a Jesus: "Ainda não tem cinqüenta anos e viste Abraão?". Perguntaram isto porque Jesus não poderia ter conhecido Abraão, que viveu centenas de anos antes de todos eles, fato que do ponto de vista mental era algo lógico e evidente para todos os presentes naquele encontro, menos para Jesus, que, mesmo sabendo que todos ali o percebiam apenas mentalmente, não retirou o que disse e declarou: “Antes que Abraão existisse Eu Sou”. Esta declaração de Jesus sobre sua real identidade é essencial para o nosso estudo, por ser uma revelação consciencial. Ela significa não apenas que Jesus tem a percepção de sua real identidade real como Cristo, o Filho de Deus, a qual por ser atemporal existe antes do dia do encontro com os judeus, registrado nesta passagem, como significa, também, que existe antes do próprio Abraão. As mentes daqueles personagens todos, os judeus, não conseguiram assimilar a verdade revelada por Jesus. Isto os irritou bastante, e diz a Escritura que eles pegaram em pedras para apedrejá-lo, mas que Jesus se ocultou e retirou-se do templo.

O que importa para nós neste estudo não é condenar os judeus por sua revolta contra Jesus, mas sim, observar que eles agiram mentalmente e, então, não conseguiram assimilar a verdade declarada por Jesus; e, que não devemos proceder da mesma forma. Mas, o ponto mais importante desta passagem está em percebermos que a revelação de Jesus é consciencial. Ela diz respeito à identidade do Cristo, que é atemporal, ou seja, não está limitado à existência no tempo de Jesus, no tempo de Abraão ou mesmo antes de Abraão. Ela não pode ser percebida da forma como a mente concebe a realidade, como algo cindido em passado, presente e futuro. É a realidade eternamente presente.

Cristo declarou EU SOU e, portanto, ele continua sendo real e presente AGORA! No entanto, isto só é possível ser percebido consciencialmente. Jesus é o exemplo perfeito do ponto de vista da mente, que vê a representação divina e muitos personagens, de um personagem divino consciente de Quem ele é. Como personagem Ele é o próprio Deus “aparecendo como” no mundo dos personagens, para que todos os que nele crerem, ou seja, todos os que perceberem consciencialmente Quem ele É, sejam “Um” com ele, assim como ele é “Um” com Deus (João 17:22). Esta é uma declaração consciencial, na qual Jesus ora a Deus para que todos percebam o que ele percebe e que sejam o que ele é, para que percebam quem eles também são e que não permaneçam em pecado. Pecar é estar se vendo separado de Deus e, em termos bíblicos, é “pender para a carne”; é “cogitar das coisas da carne”, ou seja, é pender para a mente e permanecer nela. E o maior pecado é negar a existência do Espírito de Deus em nós. Aquele que assim procede “já está julgado”, porque a percepção consciencial está no Espírito, em nossa identidade e natureza divina. Quando a negamos (negar é fazer um julgamento, é estar na percepção mental), nós impossibilitamos que ela se revele e, assim, estamos condenando a nós mesmos a viver percebendo tudo mentalmente, nos isolando da Consciência do Ser em nós, ou seja, nos condenando a não perceber a Onipresença divina, o Espírito Santo, que é perceptível consciencialmente.

Nosso estudo tem o objetivo de nos livrar deste mal, a visão puramente mental da vida. E, então, compreenderemos porque Jesus pediu a Deus, não que nos tirasse do mundo (onde vivem os personagens, que são divinos quando percebidos consciencialmente), mas sim que nos livrasse do mal, desta visão apenas mental que não nos dá uma vida consciente da nossa unidade com Deus. (Jo 17:15)

Para finalizar este nosso estudo, vamos a uma passagem bíblica:

“Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é.” (1 Jo 3:2)

Apenas quando permitimos que o Espírito de Deus se manifeste em nós, ou seja, quando escolhemos agir conforme a percepção da Consciência do Ser em nós, é que percebemos “Quem” faz, “Quem” está diante de nós e “Quem” realmente somos.

Até então nós estamos na percepção mental, ou seja, estamos alheios à percepção da Consciência. Nós nos mantemos “inconscientes” de Deus e não sabemos o que fazemos.

Por isso Jesus, mesmo estando sendo crucificado, pediu a Deus que perdoasse seus ofensores, porque estava consciente de que eles não sabiam o que estavam fazendo!

A visão consciencial de Jesus muitas vezes surpreendeu e chocou a muitos. Isto fica claro observando a seguinte passagem bíblica:

Novamente, os judeus pegaram pedras para apedrejá-lo e ele lhes perguntou: “Tenho vos mostrado muitas obras boas da parte do Pai, por qual delas querem me apedrejar? Então, lhe responderam os judeus: Não é por obra boa que te apedrejamos, e sim por causa da blasfêmia, pois, tu sendo homem te fazes Deus a ti mesmo”. (Jo 10:33).

Aqui também não devemos condenar os judeus, mas sim perceber que aqueles judeus só estavam percebendo Jesus mentalmente e estavam reagindo mentalmente. No Núcleo dizemos: “O que você prefere? Reagir ao personagem ou interagir com o Ser?” O que acontece é que quando escolhemos “reagir aos personagens” imediata e inadvertidamente nós estamos “agindo mentalmente”, exatamente como aqueles judeus e romanos fizeram!

Para “interagirmos com o Ser” precisamos “ouvir a voz da Consciência do Ser” em nós, e, para isso, precisamos nos dar um tempo, ainda que breve, devemos nos silenciar. Foi o que Jesus ensinou com um ato quando lhe trouxeram a mulher flagrada em adultério, para terem de que o acusar. Então Jesus inclinou-se e começou a escrever no chão… Como insistissem na pergunta Jesus levantou e disse: Quem estiver sem pecado seja o primeiro a atirar pedra…

Está escrito:

"Eles falavam assim para prová-lo e terem alguma coisa de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia na terra com o dedo, como se não tivesse ouvido. Porque insistiram na pergunta, Ele se levantou e lhes disse: 'Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro a lhe atirar uma pedra.' E, novamente, inclinou-se e escrevia na terra.” (João 8: 6-8)

Notamos que Jesus se deu um tempo antes de simplesmente reagir aos personagens… E é o que devemos fazer antes de agirmos impulsivamente, ou seja, reagir ao personagem.

Por fim, quando acusaram Jesus de blasfemar por se dizer Filho de Deus ele se defendeu dizendo que Quem disse que somos todos filhos do Altíssimo foi o próprio Deus e ainda  enfatizou que a Escritura não pode falhar! (João 10.34-35)

Contudo, enquanto agimos guiados apenas pela mente estamos inconscientes de nossa relação com Deus. Somente quando passamos a ouvir e a nos guiar pela Consciência é que nos tornamos conscientes de nossa origem e filiação divina. A Bíblia Sagrada diz isto claramente (e como afirma Jesus a escritura não pode falhar) da seguinte forma: “Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus.” (Romanos 8,14).

Eis a finalidade deste estudo bíblico: sermos guiados pelo Espírito de Deus em nós e agirmos conforme nossa real natureza e identidade de verdadeiros Filhos de Deus!

A paz seja com todos!