"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

domingo, abril 23, 2017

Suprimento é Espírito


Joel S. Goldsmith


No campo do mentalismo, é comum a pessoa querer demonsntrar suprimento, companhia, lar ou transporte. Já numa mensagem mística como a do Caminho Infinito, esta seria uma base incorreta de se trabalhar, pois, estaríamos partindo da premissa de que “eu não tenho”. Isto seria uma lástima, pois estaríamos endossando um senso de separação de Deus, do Bem, da “completeza” e da infinitude.

Suprimento é espírito e está dentro de nós. Não é visível e nunca o será. Escapa ao olhar humano; não o sentimos com nossos dedos humanos; jamais o ouvimos ou degustamos. O que vislumbramos no mundo exterior são as formas que o suprimento assume. Externamente, o suprimento assume a forma de dinheiro, de alimento, de vestuário, de moradia, de transporte, de capital empresarial, etc. Nosso discernimento espiritual nos confirmará essa verdade. Mais tarde, teremos a prova disso – não porque conseguiremos ver o suprimento, mas porque seremos capazes de reconhecer as formas que ele assume.

O suprimento é infinito e onipresente, onde quer que nos encontremos. Como Moisés, podemos compreender que não precisamos viver do maná de ontem, nem estocar o de hoje para amanhã: o suprimento é inesgotável.

Como o suprimento, também a Verdade não pode ser vista nem ouvida. Jamais veremos ou ouviremos a Verdade. Ela está dentro de nós. A Verdade é Espírito, a Verdade é Deus. Aquilo que lemos num livro ou escutamos à nossa volta não passa de símbolos da Verdade.

Assim, não iremos sair de nossa Consciência para demonstrar coisa alguma, uma vez que a infinita Consciência divina é a nossa Consciência individual, e ela incorpora a infinitudePortanto, nada teremos de fazer para atrair o suprimento; antes, ele deverá surgir expressado de nosso próprio ser.

Enquanto vivermos neste conceito material de mundo, pensaremos em suprimento como puramente material, sempre consistindo de algo externo a nós, o qual devêssemos obter: dinheiro, casa, carro, etc. No mundo real, do Espírito, o suprimento nunca está fora de nós, nem é algo a ser adquirido, alcançado ou recebido posteriormente. Isto porque suprimento, no reino espiritual, é aquilo que Eu sou: Eu sou o pão; Eu sou o alimento; Eu sou a água. Sem qualquer pensamento voltado a algo ou alguém do mundo externo, voltamo-nos interiormente e comungamos com nosso ser interior, habitando na percepção de uma “completeza” inerente a esse nosso Eu.

Isto compreendido, poderemos olhar qualquer pessoa e notar sua completa independência com relação às demais, graças a este princípio de AutocompletezaA Vida única cuida de nós, fazendo surgir tudo o que se faça necessário ao nosso desenvolvimento. Esta Autocompleteza que somos, e que tão fartamente nos supre, não é de fato nossa: ela flui em nós, através de nós, como fruto a ser compartilhado. Antes, porém, de o colocarmos em circulação, devemos nos elevar acima do conceito material de vida, que acredita necessitarmos de obter coisas externas. Você entende aonde eu quero chegar? Não é torná-lo um humano mais rico, mas torná-lo consciente do fato de que – O REINO INTEIRO DE DEUS É SEU! Não necessitamos de lutas, esforços, nem de aquisições: basta-nos ficarmos quietos, na percepção de nosso Eu que é completo, de nosso Eu que engloba a tudo.


segunda-feira, abril 17, 2017

O Caminho para manifestar a Provisão Infinita - 6/6

- Masaharu Taniguchi -


PARA QUEM ESTÁ PROCURANDO EMPREGO

Quando você estiver desempregado, o que deve fazer para encontrar emprego?

O que vou explanar a seguir talvez signifique pedir para as pessoas desempregadas acreditarem em algo no momento incompreensível, uma vez que, se já compreendessem realmente o que vou abordar agora, não estariam sofrendo por falta de emprego.

A primeira coisa que você deve fazer para consegui emprego, é crer, antes de mais nada, que o Amor de Deus Eterno o protege sempre, que a Sabedoria de Deus Eterno o orienta sempre e que Ele está se esforçando ao máximo para torná-lo rico. Você será capaz de fazê-lo?

Não se trata de um método especial que precise ser escrito em capítulo específico.É uma questão de fé, e, se você conseguir compreender o que venho dizendo até agora, esse problema também se resolverá por si. No caso de procurar emprego, da mesma maneira que em outros problemas, a crença de que você atua ligado a Deus onipotente age com mais força do que a fé individual.

Mesmo você, quando conseguiu os empregos anteriores, com certeza tinha fé que o emprego lhe seria concedido. Você talvez tenha publicado anúncio pedindo emprego. Ou talvez tenha recorrido a parentes e conhecidos. Mas por que fez isso? Ainda que haja diferença em grau, você o fez porque tinha “fé” de que assim conseguiria uma colocação profissional. A sua “crença” está correta. Neste mundo não há ninguém que, tendo nascido humano, não receba algum emprego de Deus. Se Deus fez o homem surgir na Terra foi para fazê-lo realizar algum trabalho, de modo que é absolutamente impossível que não haja emprego.

O único problema é se ultimamente você veio pensando em trabalhar de acordo com a vontade de Deus, isto é, em “ajudar os outros”. No momento em que deixa de existir no homem o espírito de “dedicação aos outros”, deixa de haver onde trabalhar. Portanto, é preciso reexaminar profundamente a sua alma. Não é que não haja onde trabalhar; o que lhe falta é a vontade de ajudar os outros.

Para começar, a origem da palavra japonesa mookeru (lucrar) é mookeru (construir); não significa obter rendimentos. Lucrar é construir algo que beneficie os outros, e a intenção de “construir” vai fazendo a pessoa naturalmente lucrar. Trabalhar pelo bem dos outros será, em consequência, enriquecer a si próprio. Se você perdeu o emprego, faça um exame de si próprio: ou está lhe faltando vontade de trabalhar pelos outros porque está se tornando egoísta, ou você já está diplomado no trabalho que executou até agora e, para lapidar o seu espírito, é necessário um novo trabalho.

Um novo invento jamais roubará o emprego do homem. Sendo este um mundo de evolução infinita, por mais que sejam inventadas novas máquinas extraordinárias, serão necessários novos planos, novos projetos, novas instalações, e o trabalho aparecerá infinitamente num processo sucessivo. Se as máquinas evoluírem, o tempo disponível dos homens ficará proporcionalmente maior, os bens distribuídos a casa um serão mais fartos e a riqueza aumentará; consequentemente, poderá aumentar a demanda de artigos de luxo. Como os artigos de luxo não têm limite, para produzi-los serão novamente necessário novos projetos, invenções e fábricas e infinito número de pessoas que trabalhem. Por isso, mesmo que acabem os grãos de areia das praias, os trabalhos que beneficiam os outros jamais acabarão. O que acaba é unicamente a disposição de querer ser útil aos outros.

Por essa razão, desde que a pessoa tenha vontade de trabalhar, não acontecerá algo tão absurdo como ficar desempregado. Acima de tudo, acredite que Deus é a evolução infinita, e que por isso as profissões deste mundo são infinitas e evoluem infinitamente. Acredite que o homem, uma vez nascido neste mundo, com certeza tem um trabalho a ele atribuído. Acredite que você conseguirá infalivelmente realizar um trabalho útil aos outros e que, desde que o queira, encontrará emprego. E vá executando algo que beneficie aos outros, independente de receber ou não remuneração; ajudando os outros, seja no que for e quão pequeno for. Comece por fazer faxina de um banheiro, ou limpar um vidro embaçado, varrer a calçada da casa dos outros, ou limpar o recinto de um templo. Por mais insignificante que seja trabalho, ou mesmo que não receba remuneração, sinta-se grato pelo fato de ser-lhe permitido cumprir a missão de trabalhar, para a qual você nasceu neste mundo, e trabalhe com sentimento de gratidão.

Não leve em consideração a qualidade do serviço. Por maior que seja o empreendimento do ponto de vista humano, comparado à infinita história do Universo não passa de uma simples página. Diante do trabalho do Grande Universo, tanto o maior quanto o menor dos trabalhos têm praticamente o mesmo valor. Mas, se em vez de compará-los relativamente pudermos nos colocar na posição absoluta, e ver que o nosso trabalho realiza a vontade de Deus, e que dentro desse nosso trabalho está se manifestando a força da Grande Vida do Universo, compreenderemos que mesmo que seja insignificante é o trabalho da Grande Vida do Universo, e passaremos a sentir o seu imenso valor.

Se você for pedir emprego, de nada adiantaria pedir a uma pessoa pobre, desempregada, que está passando necessidade. No entanto, se pedir emprego a um empresário bem-sucedido, com amplo círculo de amizade e grande influência no mundo dos negócios, ele logo lhe providenciará emprego. Então eu lhe pergunto: quem, neste mundo, tem círculo de amizade mais amplo, tem relacionamento com todas as pessoas e exerce mais influência sobre todas as pessoas? É Deus, naturalmente. Não há ninguém que tenha um círculo de amizade tão amplo como Deus, nem tampouco que tenha tanto poder sobre todas as pessoas. Então, se você não tem emprego a melhor coisa é pedi-lo a Deus. Deus é onipotente, está presente em todos os lugares, e pode sussurrar no fundo da alma de alguém: “Ei, meu caro, empregue aquela pessoa”; e então, naturalmente ele sentirá vontade de empregá-lo.

Seja como for, o necessário é mudar totalmente a sua atitude mental. Se você veio para este mundo, não foi para executar um trabalho só para você, desligado da Grande Vida. Antes de tudo, abandone essa ideia de que é você quem faz. É preciso tornar-se humilde e dócil, disposto a “fazer com todo prazer qualquer tarefa dada por Deus”. Quando você se tornar o canal de saída do trabalho da Grande Vida, que é Deus, jamais lhe acontecerá de ficar sem emprego.

Por outro aspecto, querer obter emprego considerando-se um desempregado é o mesmo que desejar ouvir a transmissão radiofônica de JOAK deixando o aparelho sintonizado com JOBK. Não é possível obter emprego enquanto você estiver emitindo a vibração de que é um “desempregado”. No momento em que você adquirir a fé de que já está empregado e que, com certeza, seu emprego já existe, ele será encontrado concretamente. “Não ter emprego” não passa de superstição. Só não o consegue quem com ele não se sintoniza. Quando você acreditar que “o emprego existe com certeza”, mentalizar: “Eu vou expulsar da minha mente a ideia de que sou desempregado”, e fizer algum trabalho ao seu alcance que ajude os outros, por si só o trabalho que já existe no mundo da mente virá a se concretizar.

Aquele que não executa com sinceridade o trabalho que lhe foi atribuído no momento, mesmo que não seja remunerado, não receberá o importante trabalho que virá a seguir.

Mude totalmente o seu espírito, de pessimista para otimista. O espírito pessimista só atrai coisas deploráveis. O espírito otimista atrai coisas auspiciosas. Você precisa procurar ver o lado positivo das coisas. Acredite que Deus jamais deixará o homem, que é Seu filho, na condição de desempregado. É muito eficaz mentalizar: “Se Deus me pôs no mundo, foi para eu ter um trabalho. O emprego já está dado a mim. Deus já ouviu a minha prece. O emprego já está dado a mim. Muito obrigado”.

Afinal, mentalizar dessa maneira não significa rogar piedade a Deus; é fazer com que você transforme o pessimismo de sua mente em otimismo; é entrar em sintonia com o trabalho que já lhe está atribuído como sua missão e fazer co que esse trabalho surja concretamente.

Se a pessoa acreditar que já recebeu aquilo que deseja e o agradece, isso se realiza, e são inúmeros os casos verídicos que comprovam.

Um desses casos é o de um dentista da cidade de Nagasaki. Chegou-lhe a notificação do imposto de renda a pagar, cujo valor era tão alto que não podia ser pago com o dinheiro que ele possuía. Mas, sendo adepto da Seicho-No-Ie, agradeceu considerando-se já possuidor dessa importância. Ao acordar na manhã seguinte, foi até a porta e, apesar de não haver nenhum cliente, agradeceu: “Ó, sejam bem-vindos. São dois? Ambos desejam fazer a dentadura completa? Providenciarei imediatamente. Muito obrigado”. Disse-o, como se de fato tivesse recebido o pedido da dentadura de duas pessoas. Quer dizer, ele seguiu fielmente o ensinamento de Jesus que disse: “... tudo quanto em oração pedirdes, credes que recebestes, e será assim convosco”.

Assim, ele agradeceu considerando que já houvera o pedido de dois pares de dentaduras. Acontece que nesse dia vieram de fato dois clientes que precisavam ambos de dentadura completa. Como era a primeira vez que recebia dois pedidos de dentadura completa no mesmo dia, ele mesmo ficou assustado ao ver realizar-se tão rapidamente o seu pedido, e assim teve o testemunho de sua fé. Orando coisas semelhantes nas manhãs subsequentes, estranhamente ocorreram todos os dias coisas semelhantes, e, dentro em pouco, ele conseguiu a importância necessária para pagar o imposto de renda.

Quando eu relatei este fato no auditório de Osaka, a proprietária de certo restaurante ouviu e pensou em experimentar esse método, pois ultimamente em seu restaurante havia se reduzido a freguesia. Assim, de manhã, ao acordar, foi para a entrada do restaurante e, embora não houvesse ninguém, curvou-se respeitosamente e cumprimentou: “sejam bem-vindos. São vinte pessoas? Dirijam-se ao primeiro andar, por favor”. Conta ela que nesse dia houve de fato uma reserva para uma festa de um grupo de vinte pessoas. Como vimos, mesmo as coisas ainda não manifestadas no mundo concreto, se acreditarmos que já estão realizadas e agradecermos, vêm a se realizar.

O que escrevo a seguir é o relato de uma experiência que passei, conseguindo emprego através da oração.

Perdendo a casa no incêndio decorrente do grande terremoto de Kantô, em 1922, voltei para Kobe, minha terra natal, protegendo minha esposa que estava no último mês de gravidez. Passei a ganhar a vida traduzindo textos do inglês e redigindo a revista “Mundo Espiritual”, que foi antecedente do periódico do Grupo de Estudos da Ciência Espiritual, “O Espírito e a Vida”. Mas não era tarefas que propiciassem rendimento digno de ser chamado de rendimento e, como a maior parte era trabalho que podia ser executado em casa, eu lá ficava. Mas, ficando em casa, minha mãe achava que eu estava sem trabalho; se eu na trabalhasse fora e não trouxesse o envelope de pagamento, ela achava que eu estava desempregado e morria de preocupação com a minha situação financeira. Nessa época eu estava começando a acreditar na “força da mente”. Estava começando a compreender que a matéria era o nada, e que era algo que surgia e desaparecia, vinha e ia embora em obediência à lei da mente.

Foi nessa época que eu me propus a instituição da “Federação da Transmissão de Pensamentos Iluminadores” através da Reikô (Luz Espiritual), do meu amigo sr. Masasuke Seki, sustentando que, se este mundo se mostrava tenebroso, era porque o pensamento dos homens era tenebroso; que para melhorar este mundo era preciso purificar o nosso pensamento. Por isso, sugeri aos leitores que transmitíssemos o pensamento iluminador, marcando para isso uma hora determinada com intuito de iluminar o mundo. Também publiquei a seguinte teoria: “Se somos pobres, é porque a nossa mente é pobre. Não adianta corrermos a esmo em busca da riqueza, pois só ganharemos o cansaço e desperdiçaremos dinheiro em condução. Em primeiro lugar, precisamos enriquecer mentalmente. Se pobre não é virtude do homem. Sendo Deus a provisão ilimitada, é natural que a pessoa que reconhece Deus enriqueça espontaneamente. Conseguiremos enriquecer, só de nos sentarmos em silêncio e reconhecer Deus”.

Nessa época, havia um habitante nativo da ilha de Formosa chamado Chao Shak Kei, o qual ficou extremamente entusiasmado ao ler a minha obra “Ao Caminho Sagrado” e vivia me escrevendo e enviando produtos típicos de Formosa. Mas quando publiquei essa teoria ele pensou que eu tinha me corrompido, pois eu, que fora preconizador da “exaltação à pobreza”, falava em obter a riqueza sentado em silêncio. Talvez ele não pudesse compreender que o meu estado mental da época que preconizava a “exaltação à pobreza”, reconhecendo a existência da matéria e a possibilidade de ela poder macular o homem, era inferior ao estado mental que, reconhecendo a inexistência da matéria, diz que chamando pela riqueza em direção ao vazio ela virá naturalmente. Ele me mandou uma carta dizendo: “O professor é um Dom Quixote”, e desde então nunca mais me deu notícias.

Mas eu não esmorecia com essas coisas. No mundo de Deus nada é inexistente. Só deixamos de ter algo porque não tomamos a iniciativa que deveríamos tomar. No caso do meu emprego, a decisão de tomar iniciativas nesse sentido tornava-se cada vez mais firme. Não é que eu vivesse ociosamente dentro de casa; eu executava trabalhos que não tinham como objetivo a remuneração. E, como fazia tradução e redação da revista de graça, dessa Seara de Bênçãos recebia o estritamente necessário para a subsistência. Mas, já que minha mãe se preocupava tanto comigo, achando que eu estava levando uma vida sem estabilidade, para não preocupá-la decidi tornar-me assalariado. Eu passei a trancar-me uma vez por dia, durante cerca de uma hora, num quarto do andar superior e a praticar a Meditação Shinsokan, como é denominada atualmente. “Deus é o todo de tudo, Deus possui todas as coisas. Não é possível que o emprego de que necessito não esteja nas mãos de Deus. Se eu existo aqui, com uma determinada capacidade, certamente haverá pessoas que necessitam dessa minha capacidade. Como o ser que procura e o ser que é procurado estão dentro de Deus, ligados um ao outro, Deus fará infalivelmente com que eles se descubram um ao outro. Deus, permita-me descobrir.”

Havia decorrido cerca de um mês desde que eu começara a orar assim, profundamente concentrado. Eu estava pedindo a Deus que me concedesse uma colocação apropriada, mas nunca pedi ajuda a ninguém para arranjar-me emprego, nem sequer enderecei um só curriculum-vitae. Foi realmente muita “comodidade”. Nessa época, na casa dos meus pais levava-se uma vida bastante carente e não se assinava jornal, mas certo dia – talvez alguém tomara emprestado o jornal de outrem – encontrei o jornal “Osaka Asahi” aberto à minha frente. Eu folheei esse jornal para me distrair e, como no íntimo não era minha intenção procurar emprego, logicamente nem olhei para a seção de anúncios de emprego. Quando acabei de ler um conto e olhei para baixo, havia um anuncio especial, bem grande, onde se lia: “Procura-se tradutor de alta categoria”. Quanto ao anunciante, só fornecia o número da caixa postal e não se podia saber que empresa era. No mesmo instante, ouvi uma voz que sussurrava: “Candidate-se a essa vaga”. Então escrevi um curriculum-vitae em japonês e inglês, enderecei àquela caixa postal e imediatamente enviaram um contínuo com uma carta dizendo que queriam me entrevistar.

Chegando lá, como se tratava de uma firma estrangeira, a capacidade era mais importante do que a escolaridade, mas por sorte passei no teste. Eu deixara escrito no espaço para salário pretendido “cem ienes”, achando que isso seria suficiente para tranquilizar minha mãe; mas o encarregado da seleção disse: “No curriculum-vitae consta a pretensão salarial de cem ienes, mas resolvemos pagar-lhe cento e setenta ienes, e queremos que comece a trabalhar a partir de amanhã”. Eles ficaram satisfeitos porque encontraram a pessoa que procuravam, e propunham-se a pagar desde o início 70% a mais do que eu pretendera. Como podemos ver, não é que não exista emprego; emprego existe, e existem também pessoas adequadas para esse trabalho. Não se consegue emprego, apenas porque ambas as partes não se atraem mutuamente; se atraírem-se firmemente, tudo é muito simples.

Mas o que vem a ser essa força que faz com que o homem e o emprego se atraiam reciprocamente? É o fato de “o eu e o outro” serem “um só” – isto é “amor”. Por serem ambos em princípio um só corpo, quando age a força do “amor”, isso faz com que se traiam mutuamente. Sendo Deus o Amor e a origem de todas as coisas, estando dentro de “Deus”, o “eu” e o “outro” são um só, e o “homem necessário” e o “emprego necessário” atraem-se mutuamente como se fossem ímãs. O acerto monetário é como uma faísca que chispa quando o “homem necessário” e o “emprego necessário” se encontram e, havendo concordância mútua, haverá remuneração superior à desejada.

Por isso, quem se diz desempregado ou que não encontra emprego, na minha opinião, não está conseguindo “ir ao encontro” do empregador que lhe foi designado porque não se funde com Deus, que é um em princípio, e fica procurando desesperadamente o emprego somente no mundo fenomênico, que não é um em princípio.

Testemunhos de que, só por praticar a Meditação Shinsokan e entrar para o mundo em que tudo é “um em princípio”, foram facilmente encontrados objetos perdidos, são-nos enviados frequentemente pelos adeptos da Seicho-No-Ie. Em se tratando de emprego que se conseguiu após entrar no “mundo e que tudo é um em princípio”, por maior que seja a remuneração, jamais estará roubando o lugar de outrem, pois ele é designado a essa pessoa por Deus, e Ele próprio a chama, fazendo questão que seja essa pessoa mesmo. Em oposição a isso, mesmo sendo mal remunerado, se o emprego foi obtido sem mergulhar no que é “um em princípio” (Deus), a pessoa pode estar roubando o lugar de alguém mais apropriado, já designado por Deus, da mesma maneira que aquele milionário acabou roubando o lugar de um pobre. Por isso, até que consigamos as coisas no mundo fenomênico, precisamos mergulhar em Deus, que é um em princípio, para d’Ele obtermos as coisas.

A experiência de conseguir emprego mergulhando em Deus não é só minha. Também no livro de Waldo Trine consta o seguinte episódio, com o qual podemos constatar que a Verdade é a mesma, tanto no Ocidente como no Oriente.

Certa senhora se viu em dificuldades para arrecadar dinheiro. Como esse dinheiro seria utilizado para um fim benéfico, ela acreditou que Deus não deixaria de dá-lo. Ela acreditou que “dentro de Deus” aloja-se um tesouro inesgotável, e que através da força da mente pode-se trair o que é necessário. Por isso, certa manhã, em seu quarto, mergulhada em Deus, orou por algum tempo: “Deus me dará infalivelmente o que me é necessário”. Então, nesse mesmo dia, um senhor, seu conhecido há tempo, visitou-a e disse-lhe: “Surgiu um trabalho que eu faço questão de que seja realizado pela senhora; por isso vim pedir-lhe que o execute”. Ela pensou por um momento. Não conseguia encontrar nenhum motivo humano para aquele senhor vir pedir especialmente a ela tal serviço. Após breve momento de reflexão, percebeu: “Realmente, isto é a vontade de Deus. Deus respondeu à minha oração matinal de hoje”. E fez o trabalho com toda dedicação, com toda sinceridade. A importância que o tal senhor lhe entregou como “recompensa” quando o trabalho ficou pronto era de tal monta que ultrapassava o necessário à finalidade que ela tinha em mira.

Se pedirmos a Deus, tudo surgirá. Não as coisas más, ou que se destinam a satisfazer os desejos carnais, mas tudo o que for bom. É uma Verdade a frase “Pedi, e dar-se-vos-á”. Deus está nos dando mais do que pedimos. Não precisamos ter receio de pedir a Deus. O importante é encontrarmos no coração de Deus – buscar as coisas mergulhando em Deus. A maioria das pessoas busca, mas não em Deus e sim nos homens. Não busca no “absoluto”, mas no “relativo”. Como, em vez de buscar dentro de si, busca fora, não consegue obter um décimo sequer do que deseja e acaba vivendo a se queixar.

Então alguém dirá: “Explique-me detalhada e concretamente o que devo fazer para buscar em Deus em vez de buscar nos homens”. Bem, quanto ao modo de pedir orando, basta seguir o meu exemplo, que citei anteriormente, e o dessa senhora estrangeira. Mas, explicando mais detalhadamente:

Primeiro junte as mãos em posição de prece, feche os olhos, recite o Canto Evocativo de Deus como se faz na Meditação Shinsokan; depois, mergulhe em Deus. Para isso, repita dezenas de vezes concentradamente o verso do Canto Evocativo de Deus: “Eu vivo, não pela minha própria força, mas pela Vida de Deus-Pai, que permeia os céus e a terra”. E mergulhe todo o espírito no significado do verso. Se assim fizer, emergirá a consciência de que o fato de você estar vivendo não se deve à pequena força física, que até então você acreditava ser o seu “eu”, mas sim à Grande Vida, poderosa, imensurável, que existe imanente no Universo grandioso. Quando sentir profundamente essa consciência, repita dezenas de vezes o verso seguinte do Canto Evocativo de Deus: “As minhas obras, não sou eu quem as realiza, mas a força de Deus-Pai, que permeia os céus e a terra”.

Criando assim sentimentos profundos de que não existe entre o céu e a Terra um trabalho sequer que seja feito pelo “ego”, mas sim que o que você faz, as transformações que ocorrem na Terra, tudo se deve à força do Deus-Pai onipresente e imensurável, sinta do fundo da alma:

“Não há nem eu nem o outro; todo o Universo está dentro de Deus que é um só. Eu busco, não com a pequena força do ego, mas com a força do Universo inteiro. Por isso, ao mesmo tempo em que eu busco, infalivelmente em algum lugar do Universo está nascendo um objeto desta busca; se eu o busco, o objeto buscado também me busca e, assim, estamos nos aproximando um do outro. Como essa atração mútua se deve à Força de Deus, à força imensurável, graças a ela o que eu busco será infalivelmente encontrado”.

Mentalize assim durante uns dez minutos, e depois, com o espírito calmo, renda graças ao Pai do Universo, terminando assim a Meditação Shinsokan. Após isso, não deve ficar se preocupando com a realização ou não do seu desejo. Uma vez que durante a Meditação Shinsokan você já negou a existência de qualquer trabalho feito pelo “ego” e confiou o seu desejo ao juízo do Universo, ao manifestar o juízo do ego toda aquela oração resultará em desperdício. Já que confiou tudo a Deus, jamais acontecerá algo que não seja bom – ainda que por um momento pareçam vir-lhe coisas más ou que lhe seja dado o que não satisfaz o teu desejo, isso é um trampolim que fará surgir algo superior ao desejado. Portanto, é necessário que se dedique sinceramente a esse trabalho. No caso da senhora que acabamos de citar, ela precisava de dinheiro, mas em vez do dinheiro propriamente dito veio um trabalho. Se nesse momento a senhora, pensando que lhe surgiu algo diferente do que desejava, deixasse de fazer esse serviço com honestidade, acabaria não conseguindo o dinheiro de que precisava. O segredo para realizar aquilo que deseja é, primeiro orar e confiar em Deus e, seja o que for, receber com gratidão aquilo que vier através das mãos da providência, dedicando-lhe total sinceridade e honestidade.

Seja o que for que lhe venha antes, mesmo que seja sofrimento, não deve se deixar derrotar por ele. Deve considerar esse fato como processo de transformação do destino e, antevendo um futuro alegre, desbravar a sua sorte futura usando a todo instante a força de Deus que se aloja em você. Não deve pensar que desbrava com sua própria força, mas acreditar que o faz com a força de Deus que se aloja em você.

O sr. Takeo Iwashi, professor da Faculdade de Kansei Gakuin e filósofo, cego, apesar da sua condição física conseguiu concluir todos os estudos e manifestar a glória de Deus, comovido pela frase da Bíblia: “... foi para que se manifestasse nele a glória de Deus”. A cegueira à qual nos referimos é o símbolo da grande adversidade que é imposta na vida. Mesmo havendo uma adversidade tão grande como a cegueira, há dentro de você uma força grandiosa de Deus, que transpõe até isso – nesse caso, a adversidade está sendo um instrumento para mostrar quão poderosa é a Força de Deus que se aloja em seu interior. Por isso, seja qual for o tipo de sofrimento que advenha, não precisamos temê-lo, não devemos nos queixar.

Se temermos, a nossa força vital diminuirá; se nos queixarmos, a nossa força vital também diminuirá. Se tiver tempo para lamuriar, para temer, utilize-o para aperfeiçoar-se gradativamente com todo o zelo, a fim de manifestar a glória de Deus que se aloja em você. Avance, antevendo tranquilamente a realização da glória de si próprio, que é filho de Deus. O pensamento é a luz que ilumina o caminho a seguir, ao mesmo tempo em que é a mola propulsora que impulsiona para cima a vida atual. Acredite, acredite em Deus que se aloja dentro de você. Acredite que existe dentro de você algo que é invencível.

Cumprindo sempre honestamente as obrigações de cada dia, prossiga desenhando na mente aquilo que deseja. Dessa forma, a força do Universo agirá espontaneamente, e concretizará as coisas e fatos que você deseja, de acordo com o protótipo delineado em pensamento. O pensamento é força. Se for um pensamento que não visa apenas a satisfação própria, mas o auto-aperfeiçoamento para ser mais útil aos outros, ele se realizará ao orar a Deus confiando este desejo a Ele e cumprindo todas as obrigações do dia-a-dia. Caso sobrevenham adversidades inesperadas, pratique a Meditação Shinsokan repetindo os versos do Canto Evocativo de Deus, sinta-se um com Deus e, em seguida repita:

“O estado em que me vejo agora é uma etapa que Deus me proporcionou como pré-requisito para a vinda da coisa almejada. Em breve deixarei este estado para entrar naquele que eu realmente desejo. Como Deus o fará com sua onipotência, não há necessidade de eu duvidar ou de me preocupar.”

Permaneça assim mais dez minutos, com toda a sua Vida convergida para essa “ideia”. Repetindo isso todos os dias, em pouco tempo o estado adverso se desfará, e surgirá um estado que permite desenvolver a Vida livremente.

O princípio para superar a pobreza resume-se a uma frase muito simples: “A matéria é originariamente inexistente; assim sendo, conforme a mente, pode manifestar-se tanto de modo inesgotável como escassamente”. Desejo que, pela aplicação desse princípio simples, você próprio vá superando a pobreza, concretizando neste mundo fenomênico o estado da provisão infinita e inesgotável, inerente ao filho de Deus, até que toda a humanidade enriqueça.

Mas como é próprio do homem comum prender-se às matérias quando elas se avolumam, quanto mais se acumularem matérias, mais devemos lembrar-nos da Verdade de que “a matéria é originariamente nada”. Enquanto a pessoa se mantém consciente da Verdade de que “a matéria é originariamente nada”, tanto faz ser grande ou pequena a quantidade de matéria em suas mãos, ela estará possuindo a riqueza infinita. Mas se a pessoa se prender à riqueza que está em seu nome e considerar essa matéria existente, mesmo que ela seja multimilionária, a partir desse instante sua riqueza se tornará finita; e ela passará a achar que, cedida, ela diminui, e a não compreender a maravilha da riqueza que aumenta quanto mais é utilizada, desde que a mente seja rica.

Aí está a cilada em que os ricos caem: só pelo fato de ter a ideia de que gastando-a ela diminui, a pessoa se torna prisioneira da matéria. Sendo a matéria originariamente inexistente, por mais que a acumulemos, depois da morte não nos será possível usá-las. Ainda que estejamos de posse de todas as coisas possíveis neste mundo, tal posse não pode durar mais do que duzentos anos. Um dia deixaremos este mundo, e neste dia teremos de nos transferir para o mundo espiritual, abandonando todas as posses materiais.

Há pessoas que pensam que, transferindo-nos para o mundo espiritual, poderemos ir imediatamente ao Paraíso ou ao Reino dos Céus; mas, de acordo com os estudos espirituais recentes, isso não acontece. O nosso espírito mesmo depois de passar para o mundo espiritual, mantém o hábito da mente por um tempo considerável. E o espírito que tem o hábito mental de apegar-se às coisas exteriores, tanto no mundo espiritual como no mundo terreno continua apegado à posse e, tentando em vão obter o que não consegue, mantém-se na condição de “alma penada”, sem poder ser salva. Em parapsicologia, chama-se isso de “espírito preso à terra” (Earth bound spirit). Mesmo no mundo espiritual, está amarrado às coisas e fatos da Terra devido ao hábito mental do apego, isto é, desejar obter o que não é possível, e não há coisa mais penosa para quem está no mundo espiritual.

Ter posses exteriores acreditando que são existentes, sejam elas poucas ou muitas, é bastante perigoso. Por isso, precisamos, desde agora, enquanto estamos neste mundo, treinarmos para não considerar a posse exterior como existente. A Seicho-No-Ie não proíbe as pessoas de ter posses exteriores, nem as obriga a delas se desfazerem; apenas diz que as coisas exteriores são originariamente “inexistentes” – são existências falsas, que se manifestam como sonho ou miragem, de acordo com a mente, e que, embora aparentem existir, são originariamente inexistentes.

Se não compreendermos que, independentemente da quantidade, as posses exteriores são originalmente “inexistentes”, acabaremos pensando que são “existentes”; com isso a mente não conseguirá a liberdade e se prenderá. Ainda que abandonemos todas s posses e fiquemos nus, se pensarmos que ainda existe o “corpo”, prendemo-nos a ele. Por isso, há pessoas que, mesmo desfazendo-se de todos os bens, como fazem os adeptos da seita Ittoen, ainda se prendem ao seu corpo carnal, preocupando-se em como se desfazer dele. É o caso daquele milionário que, ao tornar-se adepto dessa religião, ficou com a mente presa em só viajar no vagão de segunda classe, preocupando-se em como se ver livre do vagão de primeira no qual fora obrigado a viajar.

Pensando bem, se a pessoa não compreende a “inexistência” originária das posses exteriores, ainda que sejam poucas, é natural que sua mente se prenda a elas. Mas, se compreender a Verdade da “inexistência” originária dos bens exteriores, não há como se prender a algo que não existe. Por maiores que sejam as suas posses, é impossível que a mente se prenda a ele. Além disso, a pessoa que compreende essa Verdade não paralisa a circulação acumulando riquezas ao seu redor. Movimenta apenas o necessário para o momento e deixa o restante depositado no Banco do Grande Universo fundado por Deus, vivendo cada dia com gratidão, sem preocupar-se desnecessariamente com o futuro. Tal pessoa não está de posse de matérias, mas do princípio fundamental que faz surgir as matérias. Por isso, se chamar o que necessita com a força do pensamento, qualquer que seja a riqueza surgirá de acordo com a necessidade e desaparecerá quando não houver necessidade. Se ela não está de posse das matérias, mas sim do “princípio fundamental” que faz surgir as matérias, não relutará em abandonar as coisas do mundo quando chegar a hora de deixar este mundo para entrar no mundo espiritual, e lá conseguirá, de novo, fazer surgir livremente as coisas necessárias ao seu ambiente, através da força do “pensamento”. Esta é a pessoa que conhece a Verdade. Somente quem conhece a Verdade nada possui e, ao mesmo tempo, é milionária, possuidora da riqueza inesgotável.


(Do livro: “A Verdade da Vida, vol. 8”, pp. 163-183)

sexta-feira, abril 14, 2017

O Caminho para manifestar a Provisão Infinita - 5/6

- Masaharu Taniguchi -


O RECONHECIMENTO DA PROVISÃO INFINITA REQUER UM PREPARO PRÉVIO

Uma das coisas a fazer para acionar o motor da provisão infinita é colocar-lhe a “água para estimular a bomba”. Isto porque a bomba de água instalada no poço da provisão infinita está com a válvula seca por ter ficado muito tempo sem uso, e não tem força para aspirar e elevar a água. Isto é uma alegoria usada para simbolizar a pessoa que não acumulou boas ações no passado. Se a pessoa não acumulou boas ações, por mais que se esforce não atrai a riqueza. É semelhante a uma bomba deixada muito tempo sem receber água. Por mais que movimentemos a alavanca, não aspira água. Nós precisamos compreender através desse fato a lei “Dando- recebe-se”, “Daí e ser-vos-á dado”. Pode ser que alguém diga “Mesmo que eu queira dar, não tenho nada”, mas isso é inverdade. Seja quem for, sendo sadio e tendo força para trabalhar, possui coisas para dar em abundância. Talvez haja quem diga que, embora tendo força para trabalhar, está sem emprego e nada pode dar.

Mas tal situação significa apenas não ter trabalho remunerado. Em todos os cantos existe farta quantidade de trabalhos que devem ser executados pelo homem. Lavrar terreno baldio é um trabalho; quem não o tem, pode varrer a calçada da casa dos outros, arrancar as ervas daninhas do jardim, limpar o recinto do templo – tudo é trabalho. Fazer a força vital trabalhar de alguma forma em benefício de outrem – isto é amor. Como o amor pertence à mesma frequência vibratória de Deus, no momento em que a pessoa desperta o sentimento de amor e pratica ações com amor, o motor do pavimento de Deus começa a funcionar. Se uma pessoa escolarizada fica desempregada, ela pode reunir as crianças da vizinhança e promover um curso gratuito de preparação e recapitulação de lições utilizando os conhecimentos que possui. Ser pobre atualmente é, dito na linguagem religiosa, não ter acumulado boas ações no seu passado; portanto, é preciso, antes de mais nada, começar a dar.


AGRADEÇA PELAS COISAS QUE JÁ RECEBEU

Após acionar o motor para receber a provisão infinita, é necessário agradecer pela riqueza que já possui. Apenas proferir “obrigado” é insuficiente. É preciso sentir gratidão com toda sinceridade, do fundo da alma. É preciso digerir bem o sentimento de gratidão pelo que já possui agora e gravá-lo no fundo da alma. Pode ser que haja quem se considere tão pobre que nada possui agora, mas quem assim pensa não percebeu a provisão infinita que já possui e não está sintonizado com ela. Em consequência, não atrai a provisão subsequente. Geralmente, as pessoas só olham as partes carente ou penosas e sofrem concentrando a mente apenas nisso. Assim mentalizam “falta isso, falta aquilo”, sintonizam a mente com as carências e atraem-nas. E também mentalizam “é penoso, é penoso”, sintonizam com as coisas penosas, e somente estas lhes sobrevêm. Aqueles que sofrem do estômago vivem pensando “eu sofro do estômago, eu sofro do estômago”, esquecem-se de que as mãos, os pés, os olhos e os ouvidos estão saudáveis e emitem ondas mentais de insatisfação. Por isso a sua doença não desaparece. De maneira semelhante, as pessoas pobres só pensam “sou pobre, sou pobre” e mencionam apenas as coisas que lhes faltam, por isso a carência jamais desaparece. Por mais que nos faltem coisas, se considerarmos que ainda possuímos coisas melhores e a elas passarmos a agradecer, a carência desaparecerá.


A HISTÓRIA DA ANCIÃ QUE FICOU CURADA DA PARALISIA

Certo dia, uma anciã hermiplégica com uma das mãos deformada procurou a sra. Tomoko Hibino, de Wakayama, pedindo-lhe que a curasse. A sra. Hibino conduziu-a à sala e começou a dizer que o ser humano não é matéria e sim manifestação da Vida de Deus, da Vida de Buda; que o corpo dela não era corpo carnal, mas cim o corpo de Amithaba, e que Amitabha não adoece. Mas a anciã retrucou:

– Eu já ouvi do monge da seita Shin algo assim. Eu não vim ouvir sermão da seita Shin; cure primeiro a minha doença.

A sra. Hibino então disse-lhe:

– Calma, não fale assim. Ouça. Se as mãos e os pés da senhora, que é Amitabha, estão paralisados e não se movem, isso é a sombra da sua mente – é porque a senhora tem uma mente teimosa e inflexível. Portanto, ouça-me com o coração dócil.

Então a anciã respondeu:

– Já ouvi essa história de um professor da seita Tenri. Eu não vim ouvir sermão da seita Tenri, vim tratar a doença. Cure primeiro a doença.

Então a sra. Hibino disse-lhe:

– A senhora é muito teimosa mesmo, e não tem sentimento de gratidão; é por isso que a sua doença não se cura.

E a anciã respondeu, muito séria:

– Se me curar a doença, agradecerei, mas como a doença ainda não está curada, não posso agradecer ainda.
– A senhora já está curada, não vê? Por que não agradece?
– não, não estou curada, como a senhora pode ver.

Assim disse a anciã, esticando a mão contorcida na direção da sra. Hibino.

– Veja, já está curada.
– Não, não está.
– Veja, como está curada. Alguma vez agradeceu a essa mão, que está curada desde o começo?

Dizendo assim, a sra. Hibino indicou a mão, que desde o início não estava paralisada. A anciã, ao olhar para ambas as mãos nesse instante, percebeu que estava esticada a mão antes incapacitada. Ela juntou as mãos diante da sua face em posição de prece. No momento em que ela se esqueceu da mão que era doente e percebeu o valor da mão que já era saudável e lhe agradeceu, também a mão que era imperfeita sarou.

O mesmo ocorre com nossa doença econômica, ou seja, a “pobreza”. Se nós procurarmos esquecer as coisas que estão faltando, enumerarmos as riquezas que já nos estão dadas e a elas agradecermos com naturalidade, o que é carente também vai se tornando completo.

Todos recebem a luz solar, recebem a água. Ainda que seja em um quarto pequeno, de apenas um metro quadrado, é-lhes dado um lugar para morar. Mesmo que a pessoa não tenha um espaço de um metro quadrado e tenha de dormir no chão, ao relento, é-lhe dado esse chão. Ela deve agradecer a esse chão e limpá-lo em sinal de gratidão por tê-lo permitido dormir durante a noite. É preciso agir com a intenção de dar, como agradecimento e retribuição àquilo que já foi dado até agora. Se até agora a pessoa só recebeu e não retribuiu, de agora em diante deve dar de volta. É assim que se abre o caminho da circulação e realiza-se a provisão infinita.

Ou seja, o ato de dar funciona como estímulo e ativa toda a circulação, à semelhança do movimento do relógio, o qual, dando-se corda por um minuto, funciona durante uma semana. Mas, se não lhe dermos corda, o relógio não nos informará as horas. Antes de tudo, dar – isso funciona como força motriz par atrair a riqueza.


DEVE-SE DAR AMOR A TODAS AS COISAS

Como vimos, a riqueza é a circulação das boas ações que tivermos acumulado. Na Bíblia consta que o filho pródigo, ao voltar, ganhou do pai um anel.O anel tem a forma de círculo e representa a circulação infinita. A lei “dando- recebe-se” também se baseia na circulação contínua, assim como o fato de ser necessário injetar água para a bomba puxar a água do poço. Quando der tudo que possui agora, abre-se o caminho da circulação infinita. Talvez haja pessoas que, ao ouvirem falar em “dar”, pensam que é preciso doar algo material, como por exemplo dinheiro ou objetos, mas dar nem sempre significa dar a matéria. Dar amor, antes de mais nada – isto é, dar atenção, esse é o melhor presente para atrair a riqueza. Naturalmente é preciso ser atencioso para com as pessoas, mas o que é mais necessário ainda é amar todas as pessoas e coisas, considerando-as manifestação de Deus.

Os japoneses costumam tratar com cuidado os seus pertences, mas não tomam muito cuidado com as coisas públicas. Quando se trata de uma mesa de sua casa, conservam-na com todo o cuidado para não sofrer um arranhão sequer mas, quando se trata da mesa da empresa, de uso público, colocam chaleiras quentes diretamente sobre ela, tratam-na displicentemente sem se importar se o verniz queimou ou descascou. Por que fazem tais coisas? Porque, em primeiro lugar, são egoístas. E de onde vem esse egoísmo? Vem da visão materialista do homem. Pensam que o “outro” e o “eu” são totalmente separados um do outro, como se apresentam aos olhos carnais. Por isso acham que, se os objetos das outras pessoas se quebram ou estragam, não tem nenhuma relação consigo. Em segundo lugar, porque veem todas as coisas apenas como matéria e não pensam que precisam reverenciá-las como sendo coisas de Deus. Consequentemente, acham que se não têm relação consigo não precisam ser tratadas com cuidado. Quem pensa assim ignora o fato de que toda matéria é automanifestação de Deus, e sem conhecer essa fonte da riqueza permanece com os olhos fechados em relação a ela. Por conseguinte, essa pessoa não recebe a sua provisão e não tem outra alternativa senão continuar pobre.

Dar “amor”, além de dar coisas materiais, faz abrir o canal da fonte da riqueza e provoca a sua circulação infinita, mas o que é mais necessário ainda é dar a “sabedoria”. Certa pessoa, ao conhecer a lei da provisão infinita, segundo a qual “quando mais se dá, mais aumenta”, entendeu erroneamente que significava apenas dar dinheiro e objetos. Assim, dando-os indiscriminadamente às pessoas, sem pensar em como dar, pois achava que dando-os simplesmente eles aumentavam, acabou ficando pobre. Neste caso, a pessoa doava dinheiro mas não tinha sentimento de “amor” pelo dinheiro; além disso, não dava a “ideia” de como e em que usar o dinheiro.

Para começar, tanto o “dinheiro”, como as “coisas”, embora tenham forma de matéria, são a expressão da Vida e, portanto, vivem. Por isso, ao ver o dinheiro não devemos vê-lo como matéria, e sim amar a sua Vida. Em se tratando de um filho seu, você iria confiá-lo irrefletidamente a outros, sem pensar em como e onde fazê-lo trabalhar? Jamais o faria. Sendo um filho, que lhe é caro, você usará o seu amor e sabedoria para mandá-lo ao lugar mais digno possível, onde ele possa atuar à vontade. É dessa forma que esse filho sente o amor do pai, e na primeira oportunidade passa a retribuir-lhe.

Com o dinheiro acontece o mesmo: se colocarmos em ação o amor e a sabedoria para empregar o dinheiro num lugar o mais digno possível, onde possa circular à vontade, ele, agradecido ao “pai” tão admirável e bondoso, logo retorna à casa paterna trazendo muitos amigos. Em suma, a “riqueza” é uma “coisa viva”, a qual é a concretização da fusão de “amor”, “sabedoria” e “Vida”, de tal modo que, se faltar um desses elementos, a provisão abundante não se realizará.


APROVEITE DA MELHOR MANEIRA POSSÍVEL O QUE VOCÊ TEM AGORA

Aproveite da melhor maneira possível todo o dinheiro que possui agora. Use da maneira mais produtiva possível tudo o que possui agora. Se digo isso parece que se deve usá-lo abusivamente, mas na verdade deve colocar em ação o amor e a sabedoria a fim de fazê-lo elaborar um trabalho mais brilhante e eficiente possível. E não deve pensar que basta dar objetos e dinheiro, pois a verdadeira provisão infinita só aparece quando você próprio tomar as rédeas e empenhar totalmente a sua vida. Com o sentimento avaro de querer ficar na ociosidade fazendo apenas os outros trabalharem e tirar partido disso, não conseguirá ter a abundante provisão. Se deseja realmente obter a provisão infinita, é preciso dar totalmente o amor, a sabedoria e a Vida.

Há pessoas que fracassam, apesar de pensar exaustivamente em como usar o capital em coisas boas. Isto acontece pelo fato de não serem dotadas de muita inteligência, e assim todo o trabalho que elas realizam pensando “Se aplicar o dinheiro nesse trabalho, com certeza melhorará a situação” fracassa. Isto se deve também à falta de boas ações praticadas no anonimato; mas o que se deve fazer em tais casos? Sendo Deus o todo de tudo, no mundo de Deus existe todo e qualquer tipo de ideia segura. Jamais acontece de uma pessoa nascer com falta de inteligência. Se lhe faltar inteligência, basta orar a Deus para obtê-la.


BUSQUE A SABEDORIA ATRAVÉS DA ORAÇÃO

Precisamos conhecer o poder da oração. A oração é uma forma de sintonização com Deus e, sintonizando-nos com Deus, espontaneamente receberemos ideias oportunas.

A riqueza é a concretização da ação que beneficia o próximo, portanto não é simplesmente dinheiro. Por isso, para rogar a “riqueza” a Deus, não devemos orar para que Ele nos dê dinheiro em cédulas e moedas. Se orarmos a Deus pedindo que nos dê um milhão de dólares em cédulas, como responderá Deus? Primeiramente, Deus, que é o Criador do Universo, convocará inúmeros deuses e anjos que são seus auxiliares e realizará uma assembleia, assim como consta na oração xintoísta: “Os inúmeros deuses, Deus os convocou a todos, discutiu e rediscutiu”. E Deus dirá à assembleia: “Nesse momento, Fulano de Tal, residente em tal cidade de tal estado, de tal país, está pedindo que lhe dê um milhão de dólares; mas será que devo lhe dar esse dinheiro? Eu, no passado, prometi aos homens: ‘Pedi e dar-se-vos-á; batei e abrir-se-vos-á’. Ele está agora batendo à Minha porta. Ele está agora Me pedindo. Preciso lhe dar, caso contrário Eu faltarei a essa promessa. Todos os deuses e anjos, procurem por todos os cantos do reino de Deus, do reino da Imagem Verdadeira, e, se acharem cédulas de um milhão de dólares, deem-nas a ele”.

Então, todos os deuses e anjos, recebendo a ordem do Grande Deus, voam e percorrem todo Seu reino, o reino da Imagem Verdadeira, e após investigar até os cantos dos celeiros apresentam-se diante do Grande Deus e Lhe comunicam: “Nós todos investigamos todo o reino da Imagem Verdadeira, mas não conseguimos achar sequer uma cédula de cem dólares, nem ao menos de um dólar. Na realidade, no reino de Deus há Amor, Vida e Sabedoria, mas o que se chama ‘cédula’ ou ‘nota’ nunca foi nele impressa; portanto, é óbvio que não seja encontrada”.

Esta é uma alegoria criada pelo professor Glenn Clark. Enfim, é inútil buscar na oração as “coisas que não existem no mundo de Deus” pois não serão conseguidas. “orar” significa “sintonizar”. Por isso, somente quando sintonizamos com as coisas que existem no Mundo de Deus é que passam a se concretizar as coisas existentes no mundo de Deus. A “cédula” não existe no mundo de Deus, mas o Amor, a Sabedoria e a Vida existem; portanto, se os pedirmos, sintonizando com eles, estes com certeza concretizar-se-ão e surgirão neste mundo. Desse modo, se você busca a riqueza, basta orar conforme segue abaixo e praticá-lo na vida cotidiana:

“Ó Deus, Criador do Universo e meu Pai, concedei-me uma boa ideia, que esteja de acordo com o meu talento e que beneficie o maior número possível de pessoas. E concedei-me a força vital capaz de realizar essa boa ideia”. Ore mentalizando dessa maneira repetidas vezes e, quando se convencer de que foi ouvido por Deus, agradeça profundamente: “A minha oração já foi ouvida. Muito obrigado”.

Assim, no momento oportuno essa boa ideia fulgurará na mente. Essa boa ideia nem sempre lhe é concedida durante a oração ou ao término dela. Pode acontecer de a ideia fulgurar quando menos se espera, ou de alguém lhe propor: “Você não quer fazer esse serviço? O capital fica por minha conta”. Não pense que a boa ideia surge somente de seu cérebro. Sendo o Universo uma só Vida, mesmo que as boas ideias surjam aos outros, se elas lhe são transmitidas, em última análise, são boas ideias vindas para você.

Na oração acima, a frase “que esteja de acordo com o meu talento” é realmente indispensável, pois, sendo diversos os talentos humanos, cada um só pode executar aquilo para o qual tem capacidade. É inútil pedir para nascer glicínia na roseira, ou rosa no pé de glicínia. Pedir que seja dado a um grande escritor como Goethe a capacidade inventiva de Edison, tanto como pedir a Edison a criatividade literária, seria pedir algo além do talento natural, de modo que tais pedidos não serão atendidos. Não adianta pretender que o violino produza o som do piano, nem que o piano produza o som do violino. Enquanto ao violino é possível apenas produzir o mais elevado som de violino, ao piano é possível produzir o melhor som de piano. Isto significa que, de acordo com o talento natural, será diferente a atividade para a realização da riqueza.


A HARMONIA NO LAR PRODUZ A VIBRAÇÃO QUE ATRAI A RIQUEZA

Para realizar a riqueza é preciso que a vida familiar seja harmoniosa, principalmente a vida conjugal. Se a esposa fica depreciando a capacidade de trabalho do marido, a verdadeira riqueza não se concretiza. Há certas senhoras que julgam seus maridos “incompetentes”. Enquanto houver esposas que assim pensam, não poderá ocorrer grande progresso na sorte dos maridos. A força mental humana tem o poder de concretizar no próximo aquilo que desenha na mente. Por isso, se a esposa despreza o marido considerando-o um incompetente, esse pensamento se materializa diminuindo a capacidade mental e financeira dele. Além disso, se o casal vive em desarmonia, tende a surgir na mente do marido a ideia de que é bobagem prover fartamente a mulher, e pode chegar ao extremo de pensar em “vingar-se dela” deixando-a na pobreza. Mas, para deixá-la na pobreza, é indispensável que ele empobreça. Assim, para satisfazer o desejo alojado no subconsciente, tal marido fracassa economicamente e torna-se pobre.

(Do livro: “A Verdade da Vida, vol. 8”, pp. 152-163)

segunda-feira, abril 10, 2017

O Caminho para manifestar a Provisão Infinita - 4/6

- Masaharu Taniguchi -


A PARÁBOLA DO MENDIGO FILHO DE PAI RICO, DA SUTRA DO LÓTUS

Na Sutra do Lótus consta a chamada “parábola do mendigo filho de pai rico”. Consta-se que em certo lugar havia um homem muito rico. Seu filho unido fugira de casa quando pequeno e andava vagando de lá para cá imaginando-se um mendigo, ou seja, um filho da pobreza. Assim, esse filho acabou tornando-se um pobre vadio e, mal alimentado e vestido de trapos sujos, voltou á terra natal à procura da casa do seu pai. O pai ficara ainda mais rico e próspero e morava numa mansão imponente que parecia um palácio. Esse filho pobre parou diante dessa casa, mas, como ele acreditava que seu pai era pobre, mesmo vendo diante dos seus olhos a “casa do pai de provisão infinita”, não perceber que se tratava da casa do seu pai – isto é, a “fonte da provisão”. É exatamente igual a um pobre que, sem saber que Deus-Provedor Infinito é seu Pai, está à procura da “matéria finita” pensando que esta é a fonte (pai) da provisão infinita.

Então o filho pobre, pensando que mansão que tinha diante de si pertencesse a algum senhor poderoso, sem nenhum parentesco com ele, abriu de mansinho o portão e espiou: viu um senhor de aparência imponente (que na realidade era seu pai) sentado com ar grave, vestido de roupa vistosa. E ao lado estava sentado um súdito (que na realidade era o secretário), também vestido de roupa muito rica, comparada com a do mendigo. O filho mendigo pensou: “Que palácio magnífico! Deve ser de algum soberano. Se eu ficar espiando esse lugar, com roupa suja e rasgada, e for descoberto, poderão suspeitar de minhas intenções, serei repreendido pela falta de respeito e poderei receber dura pena”. E fugiu em disparada.

Se ele pudesse conscientizar-se claramente de que o senhor rico era o seu pai, ele se tornaria seu sucessor e receberia toda a riqueza. No entanto, devido à ilusão de não ter o direito de herdar tal riqueza, ele mesmo restringiu a riqueza que lhe cabia receber e, recusando-a, saiu fugindo. Todos os pobres são como esse mendigo: apesar de terem o direito de receberem a riqueza infinita, fogem dela.

Mas o pai milionário (que representa Deus, a fonte da provisão infinita), por seu turno, só de ver de relance, percebeu: “Aquele é o meu filho único, o herdeiro de toda a fortuna que possuo”. E mandou o secretário buscá-lo. Acontece que, quando o secretário foi ao seu encalço, o filho mendigo pensou: “Garanto que ele me descobriu espreitando o portão daquela mansão e veio me prender para me punir por falta de respeito”. E saiu correndo. “Se o deixar escapar, nem sei como me desculpar junto ao meu amo” – pensando assim, o secretário o seguiu correndo mais ainda. “Ai de mim se me prenderem” – o filho mendigo acelerou ainda mais os passos, mas, como andara vagando de lá para cá e certamente estava subnutrido, não conseguiu correr o bastante. No momento em que ia ser alcançado pelo secretário, desmaiou de medo.

Então o secretário voltou e relatou o ocorrido ao seu amo, que disse: “Pobre rapaz! Ele é meu único filho e na realidade possui o direito de herdar tudo eu possuo, mas não percebe isso e foge. Mas, mesmo que eu lhe diga agora, de repente, que ele é meu sucessor, não acreditará e, ao contrário, fugirá. Por isso, meu secretário, quero que você se disfarce de capataz, vá onde o meu filho está caído e, quando ele voltar a si, diga-lhe: ‘Se você não tem onde trabalhar, não quer trabalhar na minha turma como operador braçal?’, e empregue-o. E faça-o trabalhar assiduamente. Observando o seu trabalho, vá promovendo-o aos poucos, de subchefe dos operários para chefe das obras, e, quando chegar ao cargo de chefe de departamento de finanças, se lhe dissermos que ele é meu herdeiro já existirá conscientização mais profunda, e assim ele acreditará sem reserva”.

É dito que a Sutra do Lótus contém o ponto mais profundo da Verdade pregada pelo budismo. Sakyamuni mostrou através dessa parábola que o homem é filho de Deus, dotado de provisão infinita. Também na Bíblia há a parábola do filho pródigo, o qual é pobre apenas enquanto está longe do pai e anda vagando pelo mundo; mas, uma vez de volta à casa do pai, este o veste com roupa nova e põe-lhe no dedo o anel de outro, que é símbolo da provisão infinita.

Aquele que não considera Deus como fonte da provisão, ou que, mesmo considerando-o como tal, pensa que Deus é um pai avaro e pobre, é filho pródigo, é mendigo. Somente no momento em que damos a reviravolta na nossa mente e buscamos a fonte da provisão infinita no Ser infinito, Deus, é que se concretiza a riqueza infinita.

Porém, como a maioria das pessoas de bom coração acha que se receber a provisão infinita de Deus não conseguirá entrar no Céu e restringe sua riqueza fugindo dela, temos neste mundo a estranha cena na qual quanto mais bondosa, mais pobre é a pessoa, e somente os mais ousados entre os maus tornam-se ricos. Eu era assim. Quando jovem lera a frase “é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus”, e pensava: “Não importa quão pobre seja a minha vida fenomênica; o importante é o meu espírito ser salvo por Deus e ir para o Céu”. Acontece que, em consequência de tal pensamento, eu fui ficando cada vez mais pobre: usava sempre a mesma roupa presa com um cinto de corda, calçava chinelo feito de casca de bambu; um cesto quadrado de quinze centímetros de altura feito de salgueiro, contendo uma toalha e uma escova de dentes, constituía todos os meus bens, tal era o estado de pobreza a que eu havia chegado. Mais tarde eu me casei e, casando-me, precisava de dinheiro para as despesas de casa. Então escrevia alguma coisa e a mandava para uma editora para ser publicada. Mas todas as editoras que publicavam meus escritos abriam falência, e eu acabava não recebendo nem direitos autorais nem honorários. Refletindo agora, sei que era a minha mente vitimada pelo complexo de pobreza que, por meio de minha queda voluntária à pobreza, estava satisfazendo o desejo de “ser pobre para poder ir para o Céu”


CONSCIENTE – SUBSCONSCIENTE – SUPERCONSCIENTE

A nossa mente, segundo a psicologia, é formada pelo consciente, que é a parte superficial, que gera pensamentos do momento; pelo subconsciente, que é a parte mais profunda onde ficam acumulados os pensamentos profundos como se fosse uma gravação em disco; e pelo superconsciente, que se situa nas profundezas do subconsciente que seria a mente universal ligada a todo o Universo. O superconsciente é a mente que preenche todo o Universo, semelhante às ondas eletromagnéticas de uma emissora de rádio, e sabe perfeitamente onde e como acontecem os fatos. O subconsciente está ligado, na sua profundidade, ao superconsciente. Assim, se você grava no subconsciente o pensamento “Se eu não for pobre, não poderei ir para o Céu”, seu subconsciente comunica-se com a “consciência universal” que tudo sabe, informa-se sobre a editora a qual deve pedir a publicação para se tornar pobre, e ele vai dirgindo o seu consciente e sua ação no sentido de fazer com que justamente uma editora prestes a falir publique o seu livro.


O DESTINO DO HOMEM É DETERMINADO PELA DECISÃO DO INCONSCIENTE QUE AFLORA DE SÚBITO À MENTE

Ser uma pessoa bem ou malsucedida, pobre ou rica, depende em última análise da opção que a pessoa faz através de uma “ideia que surge de repente”. E de onde provém essa ideia que surge de repente? Na maioria dos casos, por mais que conscientemente haja argumentações, no íntimo uma força estranha, “incontrolável”, vai arrastando a pessoa, levando-a a uma decisão. Por isso, mesmo que conscientemente a pessoa esteja pensando “Quero muito dinheiro para a minha manutenção”, se no fundo do subconsciente estiver retida a ideia “Quem é rico não pode ir para o Céu; eu, como quero ir para o Céu, não posso ficar rico”, o subconsciente determina isso ao inconsciente (a ideia que surge de repente) dessa pessoa fá-la pobre, mesmo contrariando o desejo do consciente.

Por isso para se tornar tica é preciso que a pessoa leia frequentemente livros que contêm a Verdade, segundo a qual Deus é amor infinito e apraz-lhe prover os homens infinitamente, e assim eliminar o “complexo de pobreza” (pensamento errôneo de querer ser pobre) alojado até então no subconsciente e, em seu lugar, cultivar o pensamento: “Eu sou filho único de Deus que é possuidor da riqueza infinita”.

Conforme fui lendo a Sutra do Lótus já mencionada, a Bíblia, os livros de pensadores iluministas americanos, a ideia que eu mantinha até então de que “só o pobre consegue a salvação de Deus” foi aos poucos sendo expulsa do meu subconsciente. A ideia de que “enriquecendo, serei punido por Deus”, a qual me dominava, foi sendo substituída pela ideia de que “se eu não enriquecer, estarei sendo ingrato a Deus, pois assim não estarei concretizando a Vida ilimitada e magnificente”. Para tornar os homens ricos e fazê-los viver uma vida abundante, não há outro meio senão divulgar esse pensamento – foi objetivando isso que passei a publicar as obras da Seicho-No-Ie, destinadas a transmitir essa Verdade. Este foi o ponto de partida da Seicho-No-Ie, o movimento de divulgação da Verdade, que está por se propagar no mundo inteiro.


A CONSCIÊNCIA DO PECADO E A IDEIA DA EXPIAÇÃO LEVAM O HOMEM À DESGRAÇA

O que gera o espírito de exaltação à pobreza é a ideia do “pecado”. É concepção corrente entre os homens que o pecado só poderá ser resgatado através do sofrimento, e por causa dessa concepção o subconsciente da maioria das pessoas atrai a autopunição na forma de pobreza, doença, infelicidade, desgraça, etc.

Eu, quando jovem, era adepto da seita Oomoto, conforme relato em Memórias (volumes 19 e 20 da presente coleção), e trabalhava na redação da revista e do jornal dessa entidade religiosa. Atualmente, a seita Oomoto denomina-se Aizen-en, e consta que está se transformando em um ensinamento que prega a harmonia com as demais religiões, dizendo “Todas as religiões têm a mesma raiz”, o que na Seicho-No-Ie é dito desta maneira: “Todas as religiões retornam a uma única fonte”. Mas, naquela época, ela pregava a ameaçadora punição divina, extremamente rigorosa com os que não obedeciam a Deus, os pecadores etc., conforme podemos ver nas escrituras do fundador: “Eu vos exterminarei com terremotos, trovões e chuvas de fogo”. Além, disso, havia a profecia de que, no dia 5 de maio de 1922, através do juízo final, ocorreria uma catástrofe aniquiladora de pecadores, os quais seriam exterminados com terremotos, trovões e demais catástrofes, e sobreviria a era de Maitreya (segundo a crença budista, Maitreya é o bodisatva que virá a este mundo, atingirá a iluminação e pregará para salvar a humanidade). Eu, desejando remir o pecado a ponto de poder sobreviver ao juízo final, para o qual faltavam poucos anos, ora jejuava, ora praticava atos ascéticos na água e buscava voluntariamente a pobreza. Mas, através do jejum, ascetismo e pobreza, não senti o pecado desaparecer.

Afinal, o que se deve fazer para o pecado desaparecer? O que é pecado? Qual é a substância do pecado? Vendo-me diante do dia do juízo final, anunciado previamente com data exata pelo Deus da seita Oomoto, não pude deixar de pensar seriamente nessas questões. Finalmente, acabei negando o Deus da punição e atingi a Grande Verdade de que, porque Deus é Amor, é bem, é o todo de tudo, e porque Ele não cria o pecado, o pecado não existe. Como consequência disso, a ideia que eu possuía até então de que era preciso limitar-me e fazer sofrer a mim próprio para redimir o pecado foi retirada do meu subconsciente. Com isso, também a ideia de que, se não fosse pobre, não poderia ir ao Céu foi retirada da minha mente, e por fim eu saí para um mundo espaçoso. Concomitantemente, ao reeditar uma obra depois de quinze anos, a qual até então não tinha rendido um tostão sequer de direitos autorais nem de remuneração escrita, venderam-se centenas de milhares de exemplares, e realizou-se em mim a vida rica de provisão infinita.

Falando assim, tem-se a impressão de que a riqueza se realiza muito facilmente, mas isso foi somente a descoberta do poço da provisão da riqueza e o abrir do registro que impedia a sua passagem. Mesmo que abramos o registro, se o motor da bomba não for acionado a água encanada não fluirá; da mesma maneira, após compreendermos que Deus é a provisão infinita e retirarmos a sujeira que obstrui o cano, torna-se necessário ligar o motor.

(Do livro “A Verdade da Vida, vol. 8”, pp. 144-152)

sexta-feira, abril 07, 2017

O Caminho para manifestar a Provisão Infinita - 3/6

- Masaharu Taniguchi -


A RIQUEZA É AÇÃO QUE BENEFICIA O PRÓXIMO

Sendo a provisão concedida aos homens a concretização do Amor de Deus, somente dando amor ao próximo é que estaremos em conformidade com as ondas vibratórias do Amor de Deus e veremos concretizado o mundo da provisão infinita. Para começar, “riqueza” não significa simplesmente o acúmulo de matéria em grande quantidade. “Ser rico” significa ter algo com a função de beneficiar o próximo em grande quantidade. O que tem a função de beneficiar o próximo – isso é amor; e, quando colocamos em prática esse amor, ele se transforma em “riqueza”. As pessoas que têm conseguido muita “riqueza” são aquelas que trabalharam para o bem de muitas pessoas. Mesmo sendo uma “ação que beneficia o próximo”, beneficiar poucas pessoas só gera pouca “riqueza”. Se trabalharmos para o bem de dez pessoas, tornaremos felizes essas dez pessoas. Direta ou indiretamente a retribuição dessas dez pessoas chegará até nós, e essa retribuição se transformará espontaneamente em riqueza. Mas fazendo o bem apenas para dez pessoas, mesmo que de cada um venha dez mil ienes, só formaremos uma riqueza de apenas cem mil ienes. Por isso, para concretizar a riqueza torna-se indispensável que façamos o bem ao maior número possível de pessoas.


RIQUEZA É FRUTO DO AMOR, DA IDEIA E DA VIDA

A “intenção de servir ao próximo” é amor. Mas, se nos limitarmos a pensar simplesmente “quero servir ao próximo” e não soubermos como podemos servir, de nada adiantará. Concluímos então que para concretizar a riqueza não adiantará apenas sentir o amor; ele precisa vir acompanhado da “ideia” que possa ser levada à prática. Preliminarmente a “riqueza” não é o “acúmulo de matéria”, e sim a concretização da “ideia para servir ao próximo”. A riqueza nada mais é que a manifestação no mundo da forma das duas existências espirituais: vontade de servir ao próximo, ou seja, o amor, acrescido da ideia para concretizá-lo. Mas, para concretizá-las, é preciso que se lhes acrescente a “força vital”. Se tivermos “boa ideia para servir ao próximo” e soubermos o que deve ser feito, mas nos limitarmos a isso e não agirmos, nem a ideia nem o amor se manifestarão na forma. Para manifestá-los na forma é indispensável fazer agir a “força vital”. Quando se somam o amor, a boa ideia e a força vital, eles se concretizam e passam a constituir a riqueza infinita. Então, se quisermos realizar no mundo terreno o mundo da farta provisão exatamente igual ao reino de Deus, devemos “buscar em primeiro lugar o reino de Deus e Sua justiça”, como disse Jesus. “Reino de Deus” é o mundo da Imagem Verdadeira – isto é, o mundo que preexiste ao mundo do fenômeno – e o que “existe” nesse mundo é a “justiça”. Portanto, a “justiça do reino de Deus” é a Sabedoria infinita, o amor infinito, a força vital infinita. Se os buscarmos, eles virão se manifestando espontaneamente e realizar-se-ão em forma de riqueza infinita.

O amor, a sabedoria e a Vida são existências invisíveis – ou seja, são “existências mentais”. Toda “riqueza” é a concretização dessa existência mental, e por isso ela não é “matéria” propriamente dita. A sua substância é a “mente”. Se, antes de mais nada, realizarmos a riqueza infinita na mente, concretizar-se-á no mundo fenomênico a riqueza infinita.

Para realizar no “mundo da mente” a riqueza infinita, não há meio mais eficiente do que a Meditação Shinsokan, porque nessa prática visualizamos o Amor, a Sabedoria, a Vida e a provisão infinitos de Deus como existências reais, e os desenhamos nítidos na mente.


NÃO DEVEMOS CONSIDERAR DEUS UM SER AVARO

Neste Universo, existe uma lei segundo a qual, as coisas possuidoras de vibrações semelhantes se atraem. Portanto, se o indivíduo mantiver ideias de pobreza, torna-se pobre; se mantiver ideias de riqueza torna-se rico. Para realizarmos a riqueza infinita, em primeiro lugar, não devemos considerar Deus como um ser avaro. Enquanto assim estivermos considerando Deus ficaremos pensando: “Não estaríamos cobiçando ‘riqueza’ maior do que a permitida por Ele? Não seremos repreendidos por Ele?”. Dessa forma, no percurso da realização da riqueza infinita, acabamos auto-restringindo esta riqueza. Podemos dizer que toda pobreza é resultado da auto-restrição que temos em relação à provisão infinita de Deus. Deus está transmitindo a provisão infinita do mundo da Imagem Verdadeira para o mundo do fenômeno, mas nós, na hora de captarmos essa transmissão, auto-restringimo-nos, enfraquecemos essa vibração e impedimos que a provisão infinita seja captada.


O SENTIMENTO DE EXALTAÇÃO À POBREZA EMPOBRECE O HOMEM

Entre os sentimentos que enfraquecem essa vibração existe também o sentimento de “exaltação à pobreza”. Neste mundo há pessoas estranhas que consideram pobreza uma virtude. Tal pensamento está fundamentado na história do Buda Sakyamuni, na qual consta o seguinte: ele estava andando pelas montanhas junto com os discípulos, e um deles viu num lugar recôndito do vale grandes quantidades de moedas de ouro, provavelmente ocultadas por algum rei. E, quando os discípulos tentaram se aproximar dela, Sakyamuni disse: “Aquilo é cobra venenosa. É perigoso aproximar-se” – e passou longe. Ou, ainda, estaria fundamentado no ensinamento de Jesus que, ao ser interrogado por um jovem rico sobre o caminho para ir ao Céu, disse: “... é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus”.

Assim, tais pessoas consideram o fato de ser rico parecido a um crime. E quando um religioso enriquece criticam-no, dizendo: “Ele é religioso e, no entanto, é rico!”. Mas, se um religioso não enriquecer, quem é que deve enriquecer? É justamente o religioso quem está mais constantemente em contato direto com o Amor infinito, a Sabedoria infinita, a Vida infinita e a criatividade infinita do reino de Deus. Se, apesar disso, o próprio religioso não consegue dar o exemplo enriquecendo, a sua doutrina é vã filosofia e a sua fé é uma fé que não frutifica.


O PROVIMENTO DE DEUS DEPENDE DO TAMANHO DO “RECIPIENTE MENTAL” DAQUELE QUE O RECEBE

Porque nos esquecemos que Deus é a provisão infinita e prendemo-nos à visão materialista do mundo, segundo a qual a provisão é finita, chegamos ao pensamento de que, se uma pessoa tomar para si essa coisa finita em quantidade maior, a parte dos demais diminuirá. Mas, se o suprimento é infinito, é como se retirássemos a água do oceano: se um pega mais não diminui a quantidade que os outros deveriam pegar. Nesse caso, se levarmos um recipiente maior receberemos em maior quantidade, e se levarmos um recipiente menor receberemos em menor quantidade. A quantidade que recebemos depende somente do tamanho do nosso próprio recipiente.

Então, para recebermos a provisão infinita devemos tornar maior o nosso recipiente mental.É preciso negar mentalmente tal deus avaro que não permite a entrada do homem no Céu caso ele se enriqueça. Devemos considerar uma profanação imaginar que Deus seja tão avaro e miserável.


DEVEMOS CONHECER A GRANDIOSA CAPACIDADE DE DEUS PARA PROVER INFINITAMENTE

Vejam! Quão rico Deus criou este Universo! Sua extensão é imensurável. E novos sistemas estelares estão sendo criados em quantidade incalculável. O sistema solar onde nós vivemos não passa de um deles, e não é dos grandes. Observando apenas a superfície de Terra, que é uma parte minúscula do sistema solar, notamos o quanto ela é vasta. No pequeno jardim de Deus que é esta Terra há um enorme lago chamado Oceano Pacífico. Para além desse lago, encontra-se uma grande ilha chamada Continente Americano. E nessa ilha estão construídos os jardins com paisagens grandiosas tais como as cataratas do Niágara e o vale de Yosemite. Aquém desse lago encontra-se uma ilha chamada Continente Asiático, e na sua extremidade oriental aglomera-se o arquipélago japonês. Na parte central desse arquipélago eleva-se o monte Fuji com o formato de um leque de ponta-cabeça, mostrando sua forma bela e magnificente. E Deus diz: “Vejam, até mesmo esse pequeno jardim que há nessa Terra, que, pelo que consta, nem chega a um centésimo trilionésimo de todo o Universo, não criei com tanta riqueza? É um erro pensar que Eu seja um avaro, que fico com inveja e os impeço de entrar no Céu se os homens enriquecem mais do que o necessário para viver. Até mesmo os peixes que há nas águas do Oceano Pacífico, os criei em quantidade infindável, de tal modo que não se esgotarão por mais que os homens os pesquem. Os homens não conseguem usufruir de tudo isso porque falta-lhes a Sabedoria de Deus. Desprendam-se da ilusão e vejam a Imagem Verdadeira com a Sabedoria de Deus. Aí mesmo onde se encontram, terão a provisão infinita”.

Como vimos, o primeiro passo para desenharmos na mente a “justiça do reino de Deus” é desfazer-nos da estupidez de imaginarmos um Deus avaro, que ama somente os pobres e repudia os ricos, e reconhecer Deus, tanto consciente quanto inconscientemente, como sendo aquele que já nos deu a riqueza infinita. Quando conseguimos acreditar sinceramente que Deus é Pai generoso e misericordioso, disposto a prover-nos em quantidade infinita, adquirimos o primeiro requisito necessário para nos tornarmos ricos.


(Do livro: “A Verdade da Vida, vol. 8”, pp. 138-144)

quarta-feira, abril 05, 2017

O Caminho para manifestar a Provisão Infinita - 2/6

- Masaharu Taniguchi -


ABANDONE A MENTE QUE SE APEGA À POBREZA

A maioria dos religiosos manda as pessoas desfazerem dos bens. Pregam de modo que as pessoas abandonem totalmente os bens até ficar sem um tostão, para então obter a salvação. E assim enriquecem as igrejas, enquanto pregam aos adeptos: “vendei vossos terrenos, vossas casas, abandonai tudo e recebei a Deus. Se não fordes capazes de vos decidir a tal ponto, não estareis em conformidade com a vontade de Deus”, e frases semelhantes. Mesmo as pessoas não religiosas acham que o dinheiro é uma coisa vil, e possuem o preconceito de que se não se tornarem satisfeitos com a pobreza não poderão se aproximar de Deus. A Seicho-No-Ie abole esse preconceito errôneo.

Sendo Deus a provisão infinita, quanto mais nos aproximamos de Deus, mas a nossa riqueza aumenta. Porém, essa riqueza, não a sacamos de outrem, mas a retiramos de Deus; por isso, por mais que aumente a nossa riqueza, isso não significa que roubamos alguém. Em oposição a isso, para quem não considera a “riqueza” como a provisão infinita de Deus e pensa que se trata de algo criado pelas mãos do homem e que, portanto, se alguém monopolizá-la, a parte dos outros ficará reduzida – para estes, mesmo acumulando o mínimo possível, isso significa roubar os pobres.

No número de junho de 1933 do periódico Hikari (Luz) da seita Ittoen, que preconiza a vida de inesgotabilidade dentro do nada, consta o seguinte relato: o milionário Kyujiro Okazaki (diz-se que esse senhor doou sem relutância um milhão de ienes para a instalação de uma fazenda, nos moldes da Ittoen, em algum lugar de Odawara), na ocasião em que viajava de Tóquio à Ittoen de Kyoto junto com seu filho Toshiro Okazaki, no começo de abril do ano passado, tentou comprar passagens de terceira classe, mas não havia nenhuma. Comprou, então, duas passagens de segunda classe, e acomodou-se, mas não se sentia bem. Certamente não se sentia bem devido ao sentimento de culpa, achando que estaria fazendo extravagância em relação às pessoas mais pobres. Então, o sr. Kyujiro Okazaki pediu ao condutor que, ao desocupar algum lugar na terceira classe, o mandasse para lá, ainda que no meio do caminho. Transcorrido certo tempo, desocupou-se um só lugar na terceira classe, que o filho Toshiro ocupou, e o sr. Kyujiro permaneceu no vagão da segunda classe até chegar a Kyoto. E comentou que sentiu-se “muito mal” por não ter podido viajar no vagão de terceira classe e sim no de segunda classe, que era mais confortável. O st. Tenko Nishida, da Ittoen, muito satisfeito, o elogia dizendo que sua mente está aos poucos se identificando com o pensamento do sr. Tenko.

Do meu ponto de vista, uma pessoa assim deveria ser considerada alguém que “apega-se à pobreza e torna-se escrava dela”. As pessoas, muitas vezes, trabalham arduamente durante a primeira metade de sua vida, obcecadas pela “riqueza”; e ao se tornarem milionárias, em idade madura, prendem-se à “pobreza” como reação à fase anterior; e, diante de uma coisa de qualidade superior e outra de qualidade inferior, sentem-se mal se não ficarem com a de qualidade inferior. Há pessoas que diante de um objeto esmerado e outro de qualidade inferior sempre escolhem o último, porque senão sentem-se constrangidas em relação aos pobres. À primeira vista tais pessoas parecem possuir um sentimento de muito amor aos pobres, mas, como a raiz de sua atitude está no apego emocional à “pobreza” em reação ao apego à “riqueza” que vinham mantendo até então, do ponto de vista de um juízo saudável isto não tem fundamento algum.

Se todo milionário, ao partir da estação de Tóquio, achasse que seria um luxo viajar no vagão de primeira ou de segunda classe e ocupasse um lugar no vagão de terceira classe que estivesse vago, o que aconteceria? Pode ser que ele pense: “Eu, sendo milionário, normalmente viajaria na primeira ou segunda classe, mas ultimamente estou seguindo uma religião cujo lema é ‘não viver roubando um ao outro’. Então, não faço extravagância para não roubar as coisas dos outros”. Assim ele pode sentir-se muito bem tomando o vagão de terceira classe, cedendo aos outros os vagões de primeira e de segunda classe que são melhores, e o seu espírito talvez permaneça tranquilo. (Caso tal milionário seja uma pessoa que leva uma vida de reação à fase de apego à riqueza e não se sinta tranquilo em viajar no vagão de segunda classe por falta de vaga no de terceira, não há dúvida de que, ao conseguir tomar o vagão de terceira classe, sentir-se-ia tranquilo e muito bem.)

Porém, o que poderia acontecer enquanto esse sr. Milionário, plenamente satisfeito e tranquilo, acomodado no vagão de terceira classe e achando que tinha feito uma boa ação, se dirigia em direção a Kyoto? Pelo fato de ele ter tomado o vagão da terceira classe, uma pessoa que precisava tomar esse vagão em Yokohama não pôde tomá-lo por falta de lugar; e, não sendo rica o bastante para comprar a passagem de segunda classe, teve de desistir e aguardar o próximo trem. E, por esse motivo, essa pessoa que estava atendendo ao chamado do pai doente poderia não chegar antes da morte dele. Ou pode ser que, devido à pressa, ela tivesse de tomar com muito esforço o vagão de segunda classe, gastando todo o dinheiro que levava e ficar sem dinheiro para a passagem de volta. Então o sr. Milionário, cuja intenção era a de beneficiar o próximo, ao tentar “não roubar os outros” e viajar no vagão de terceira classe, ao contrário pode fazer com que os outros paguem mais enquanto ele próprio paga menos.

Por que se chaga a tal resultado? É que o sr. Milionário não está vivendo rigorosamente a verdadeira vida de “zero”, não assumiu totalmente a vida desapegada vazia e livre de obstáculos. Se ele pensa que, sendo o preço da passagem de terceira classe inferior ao de segunda e, portanto, viajar de terceira o aproxima mais da “vida sem nada” ou da “vida de zero” do que viajar de segunda classe, não está realmente vivenciando a “vida de zero”, “vida de nada possuir” ou “vida vazia e livre de obstáculos”. Para viver a verdadeira vida desapegada ou “vida de nada possuir”, é preciso compreender bem a Verdade da inexistência da matéria pregada pela Seicho-No-Ie, e assimilar a liberdade do “verdadeiro nada”, do “verdadeiro vazio” que transcende a comparação de preços e a discriminação relativa à classe dos vagões. Quem assimila o “verdadeiro nada”, o “verdadeiro vazio”, é capaz de entrar com naturalidade no vagão de primeira classe quando nele houver lugar, sem sentir-se apreensivo durante a viagem. Uma pessoa que compreendeu a Verdade precisa ser capaz de ocupar com naturalidade o vagão que estiver vago.


PARA RECEBER A PROVISÃO INFINITA, É PRECISO PRIMEIRO ELIMINAR A “INTENÇÃO DE ROUBAR”

Mas isso não significa de maneira alguma que eu esteja recomendando esbanjar recursos. Como a provisão necessária ao homem vem de Deus, não adianta “gastar” apenas no sentido de “esbanjar”, é preciso sintonizar a mente com Deus. Como a provisão de Deus nos é dada para ser útil à humanidade, para sintonizarmos nossa mente com Deus, devemos ter vontade de “doar” para o bem dos outros. Quando assim fizermos, nós também passaremos a receber em abundância.

Criando o sentimento de disputa e tentando roubar o outro, no fim os recursos de produção se esgotarão e a provisão diminuirá. O fato de nossa provisão diminuir em consequência da disputa que empreendemos com base na crença de que roubando aumentam os nossos bens é semelhante, por exemplo, à disputa por um copo d’água: se houver duas pessoas tentando tirar uma da outra, acabam derramando a água e nenhuma das duas consegue bebê-la. Além disso, em consequência da disputa, transpiram mais, seus corpos se desidratam e ficam com mais sede. Neste caso, se ambas cederem-no uma à outra dizendo “Tome você primeiro”, poderão tomar metade cada uma. E, recobrando ambas as energias, se saírem amistosamente à procura de uma mina poderão encontrar água potável jorrando em abundância.


(Do livro: “A Verdade da Vida, vol. 8”, pp. 133-138)

segunda-feira, abril 03, 2017

O Caminho para manifestar a Provisão Infinita - 1/6

- Masaharu Taniguchi -


A MATÉRIA AUMENTA QUANTO MAIS É USADA COM ADEQUAÇÃO

A Seicho-No-Ie diz que a matéria não existe. Se utilizo aqui o título “O Caminho para manifestar a provisão infinita” depois de afirmar que a matéria não existe, pode parecer contraditório mas a verdade é que a matéria, por ser originariamente “nada”, por ser “sombra da mente”, pode se manifestar de modo infinito e inesgotável. Quando a matéria é considerada como algo que existe concretamente e que só aparece quando trazemos de algum lugar algo com forma espacial delimitada, podemos dizer que “a matéria é limitada”. Se trouxermos a matéria do ponto A para o ponto B, a matéria do ponto B aumenta, mas a do ponto A diminui; por isso, dizemos que “a matéria é limitada”. Porém, se a matéria for originariamente nada, que é extraída do mundo infinito e inesgotável (mundo de Deus) através da picareta chamada mente, teremos de dizer que ela se manifesta infinita e inesgotavelmente à medida que a extraímos.

Pelo raciocínio comum, pensa-se que a matéria diminui quanto mais é usada; mas segundo os físicos, pelo princípio da conservação da energia, a matéria jamais diminui. Essa energia indestrutível não é somente inesgotável como irredutível, tanto que pelo menos a energia que recebemos aqui na Terra, ao contrário de diminuir, está aumentando. Não obstante a hipótese dos geólogos de que a Terra esfria a cada ano, a sua temperatura está se elevando a cada ano que passa. Mesmo pelos cálculos dos astrônomos, tem-se verificado que o calor irradiado pelo Sol, que é a fonte de energia da Terra, está aumentando. Os alimentos, que pelos cálculos deveram faltar com a população aumentando em progressão geométrica, aumentarão mais do que a própria população, desde que não devastemos os recursos para a produção de alimentos. Chegaremos mesmo a “quebrar a cabeça” para encontrar um meio de diminuir a produção.

Desde que usadas em dose certa, as coisas aumentam quanto mais as usamos. Vou explicar esse princípio através do exemplo do katsuo-bushi (peixe seco, que os japoneses utilizam para tempero), o qual, acredita-se, quanto mais raspamos mais diminui. Que o katsuo-bushi em si diminui à medida que é raspado, é um fato comprovado e evidente aos olhos de qualquer pessoa. Mas isso é semelhante ao fato de retirarmos a água do poço e brotar mais água ainda. Da mesma forma, como há consumidores de katsuo-bushi, todos os anos são produzidos novos katsuo-bushi, os quais são distribuídos e grande quantidade nos mercados da região e jamais se esgotam. Se formos ao Ocidente, como não há ninguém que consome o katsuo-bushi seria de se supor, então, que lá houvesse katsuo-bushi sobrando. No entanto, no Ocidente, onde ninguém consome o katsuo-bushi, ao contrário, há menos katsuo-bushi e quase não se pode encontrá-los. Portanto, o katsuo-bushi aumenta quanto mais o consumimos, e diminui quanto menos é consumido.

Muito bem, pode ser que comendo o katsuo-bushi a quantidade desse produto na região aumente, mas a quantidade dessa espécie de peixes que habita os mares próximos não diminuiria? Não, isso de maneira alguma acontece. Como cada peixe põe milhões e milhões de ovos, desde que não ocorra pesca indiscriminada de seus filhotes, pescando-se apenas os peixes adultos para fabricar katsuo-bushi, seu número não diminuirá, mesmo que o consumo seja infinito. Além disso, se os homens valorizam tanto o katsuo-bushi, com certeza não pescarão indiscriminadamente os peixes novos, de modo que não haverá perigo de faltar essa espécie de peixes no mar. Pelo contrário, como é possível também criá-los por processo de cultura, em se tratando de peixe de grande procura, aumentará cada vez mais. Da mesma maneira que a água do poço está ligada ao inesgotável lençol de água subterrâneo, os peixes também estão ligados ao fluxo infinito e inesgotável, como acabamos de ver; portanto, o katsuo-bushi aumenta à medida que o comemos. Onde não há quem o coma, ao contrário, deixará de existir um sequer.

Com exceção dos adeptos da Seicho-No-Ie, as pessoas em geral não dão muita importância à “ação da mente”. Como a “mente” não está enclausurada dentro do nosso corpo carnal, e sim ligada à Mente onipresente, a vibração de um desejo que surge na mente de uma pessoa será sentida pela Mente do Universo inteiro: ocorre em algum ponto do Universo uma ação que facilita a concretização desse desejo; essa ação atinge a pessoa e acaba satisfazendo o desejo que ela sentiu. Bem ditas são as frases “O nosso desejo não será em vão” e “pedi e dar-se-vos-á”.

O Universo inteiro é um corpo vital comparável ao corpo humano. No caso do nosso corpo, quando ele sofre algum ferimento na pele, não ocorre dano apenas nesse local, mas o corpo todo também sente essa desordem física; todo o sangue do corpo circula enviando substâncias para curar o ferimento da pele. O mesmo acontece com os recursos econômicos de cada um: quando surge algo negativo em nossa situação econômica, infalivelmente o fluxo de provisão de todo o Universo corre para supri-lo. Por isso, se despertarmos para a Imagem Verdadeira (Jisso) de que nossa vida está ligada ao fluxo do Grande Universo, jamais poderá existir para nós a “pobreza”. O Universo é a provisão infinita. Se estamos ligados a essa provisão infinita, como poderá existir para nós algo chamado “pobreza”?

Toda riqueza já nos está dada. Nós estamos no centro da riqueza da provisão infinita do Universo. Se mesmo aquilo que não se faz necessário no momento for posto infinita e ilimitadamente ao encargo deste limitado volume de natureza física chamado “eu”, é natural que eu me veria em dificuldade na manipulação deles. Por isso, assim como as pessoas comuns, quando têm dinheiro, deixam à mão o dinheiro de que vão precisar para os gastos imediatos e depositam o restante no banco, “eu” tenho depósito no “Banco do Grande Universo” administrado por Deus – que não é um banco estabelecido pelos homens – toda a minha fortuna com exceção daquilo que eu preciso para os gastos urgentes. Disse provisoriamente “eu”, referindo-me a mim mesmo, mas isso é para exemplificar, pois o mesmo acontece com todos os senhores. A diferença talvez seja que “eu” tenho a consciência do fato de que toda a minha fortuna está depositada no “Banco do Grande Universo”, cujo diretor-presidente é Deus, enquanto que os senhores podem não estar conscientizados do fato...

Suponhamos que os senhores tenham grandes depósitos bancários e precisem neste momento do dinheiro. Se não tiverem consciência que possuem tal montante no banco, os senhores não irão sacar esse dinheiro. Da mesma maneira, embora todos possuam infinita riqueza depositada nesse “Banco do Grande Universo” fundado por Deus, quem não conscientiza isso não consegue sacá-la de acordo com a necessidade – isto é o que ocorre com o comum das pessoas. Há também pessoas que, por desconhecerem que existe esse “Banco do Grande Universo” fundado por Deus, acumulam desesperadamente os bens, deixam-nos depositados no banco dos homens, que ninguém sabe quando poderá falir, e vivem atormentadas pelo medo de perdê-los, quando deveriam depositar o desnecessário para o momento no “Banco do Grande Universo” que não corre o perigo de falir, por toda a eternidade.

Tais pessoas, mesmo que sejam bilionárias, são mais pobres do que eu, que não possuo riqueza em meu nome além do necessário para o momento. Mesmo sendo milionário ou capitalista, quem pensa que o dinheiro ou a fortuna é só o que possui “forma”, e que apenas os depósitos bancários ou títulos em seu nome são a sua fortuna não é tão rico, por maior que seja a riqueza material. Isto porque tal riqueza já está dimensionada. O verdadeiro milionário é aquele que, mesmo não tendo bem algum em seu nome, tem a consciência de que possui no “Banco do Grande Universo” riqueza sem limite e sem forma, e que é capaz de sacá-la a qualquer momento.

O diretor-presidente do “Banco do Grande Universo” é Deus, superintendente do Universo, o qual controla toda a riqueza do Universo. E ele sempre diz a nós, que somos seus correntistas: “De acordo com o grau de tua conscientização, Eu te deixarei sacar. O Meu capital soma infinitos milhões. Àqueles que se conscientizam de que depositaram mil moedas no Meu banco eu pagarei mil moedas; àqueles que se conscientizam de que depositaram um milhão de moedas eu pagarei um milhão de moedas; e àqueles que se conscientizam de que depositaram uma quantia inesgotável pagarei a quantia inesgotável”. Esta é a relação entre o “Banco do Grande Universo” e nós. Como Deus não é o caixa de um banco que possa falir, jamais ficará na caixa do “Banco Central do Universo” negando o pagamento àqueles que o exigem. O que pode ocorrer é que, como os homens vão raramente ao “Banco do Grande Universo”, e recorrem às entidades fundadas pelos homens para pedir o pagamento de pequenas contas ou agenciamento de emprego, por vezes recebem respostas negativas.

O dito antigo “não podeis servir a Deus e à riqueza” é em certo ponto verdade e em outro, não. Em que sentido ele é verdade? Se essa “riqueza” se refere à considerada como proveniente unicamente dos bancos particulares e das habilidades econômicas individuais, se os homens pretenderem ou mantiverem somente “riquezas” desse tipo, estarão correndo em direção contrária ao “Banco do Grande Universo” fundado por Deus e, assim, aproximando-se da riqueza estariam distanciando-se de Deus. Aproximando-se de Deus estariam distanciando-se da riqueza – em última análise, não se pode servir a Deus e à riqueza. Mas, para quem se conscientiza de que a “riqueza” não provém das habilidades econômicas particulares, mas sim do “Banco do Grande Universo” de Deus, quanto mais se aproxima da “riqueza” mais se aproxima de Deus.

É por isso que consta na parábola de um mendigo filho de milionário, da Sutra do Lótus, que o filho, enquanto estivesse longe do pai, sempre seria mendigo; mas, voltando à tutela do pai, pôde tornar-se sucessor do homem mais rico do país. Aquele que, dessa maneira, não vê oposição entre “riqueza” e “Deus”, e sabe que Deus é a origem de todas as coisas, que é dentro d’Ele que há a provisão infinita, sempre busca a riqueza em Deus e a consegue – isto é, ele retira de Deus a riqueza. Alcançando esse estado, reverenciar Deus e obter riqueza são, naturalmente, a mesma coisa.


(Do livro: “A Verdade da Vida, vol. 8”, pp. 127-133)