"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

quarta-feira, outubro 07, 2015

Tozan e os dois quilos de linho (Osho) - 1/2

- Osho -

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O mestre Tozan estava pesando linho no armazém.
Um monge aproximou-se dele e perguntou: "O que é Buda?"
Tozan disse: "Este linho pesa dois quilos".


A religião não está preocupada com perguntas e respostas filosóficas. Embora pareçam profundas, elas são tolas, e uma pura perda de vida, tempo, energia e consciência, porque você pode continuar perguntando e respostas poderão ser dadas – mas dessas respostas só irão surgir mais perguntas. Se no começo havia apenas uma pergunta, no final, através dessas muitas respostas, haverá um milhão de perguntas.

A filosofia não resolve nada. Ela promete, mas nunca resolve nada, todas essas promessas ainda não foram cumpridas. Ela continua prometendo, mas a experiência que pode resolver os enigmas da mente não pode ser alcançada através da especulação filosófica.

Buda era absolutamente contra a filosofia – nunca houve um homem mais contra a filosofia do que Buda. Através de sua própria experiência amarga, ele veio a entender que todas as profundezas da filosofia são apenas superficiais. Mesmo o maior filósofo permanece tão comum quanto qualquer um; nenhum problemas foi resolvido, nem mesmo tocado. Ele tem muito conhecimento, muitas respostas, mas continua a ser o mesmo velho homem... nenhuma nova vida lhe aconteceu. E o cerne, o núcleo da questão é que a mente é uma faculdade questionadora: ela pode fazer qualquer tipo de pergunta, e então pode se enganar respondendo-as. Mas você é quem pergunta, e você é aquele que as resolve.

A ignorância gera perguntas e a ignorância cria respostas – a mesma mente cria/atua em ambos os sentidos. Como pode uma mente questionadora chegar a uma resposta? No fundo, a própria mente é a pergunta.

Assim, a filosofia tenta responder às perguntas da mente e a religião parece a própria base. A mente é a pergunta, e a menos que a mente seja descartada a resposta não será revelada a você – a mente não vai permitir, a mente é a barreira, o muro. Quando não existe mente, você é um ser experienciando; quando a mente existe, você é um ser verbalizando.

Numa escola pequena aconteceu: havia uma criança muito burra, ela nunca fazia nenhuma pergunta e a professora também não dava atenção a ela. Mas um dia ela ficou muito animada quando a professora estava explicando um determinado problema de aritmética, escrevendo alguns número na lousa. A criança ficou muito animada, levantando a mão várias vezes; ela queria perguntar algo. Quando a professora terminou o problema, ela apagou os números na lousa, e ficou muito feliz vendo que pela primeira vez essa criança estava querendo perguntar alguma coisa, e ela disse: "Estou feliz que queira perguntar alguma coisa. Vá em frente, pergunte!".

A criança ficou de pé e disse: "Estou muito preocupado, e a pergunta não parava de vir à minha cabeça. Hoje eu decidi perguntar: para onde é que essas drogas de números vão quando a senhora os apaga?".

A questão é muito filosófica, todas as perguntas são assim. Muitos perguntam para onde vai um buda quando morre, a pergunta é a mesma. Onde está Deus? A pergunta é a mesma. O que é a verdade? A pergunta é a mesma. Mas você não pode sentir a idiotice escondida nelas, porque elas parecem muito profundas, e têm uma longa tradição – as pessoas as fazem desde sempre, e pessoas que você acha muito maravilhosas têm se preocupado com elas: teorizando, encontrando respostas, sistemas de criação... mas todo o esforço é inútil, porque só a experiência pode lhe dar a resposta, não o pensar. E se você continuar pensando, você vai ficar cada vez mais louco, e a resposta estará ainda mais longe.

Buda diz: Quando a mente para de questionar, a resposta acontece. É porque você está tão preocupado com as perguntas que a resposta não pode penetrar em você. Você está com um problema tão grande, você está tão perturbado, tão tenso que a realidade não pode entrar em você – você está tremendo tanto por dentro, tremendo de medo, com a neurose, com perguntas e respostas tolas, com sistemas, filosofias, teorias; você está entupido de coisas.

O Mulá Nasrudin estava passando por uma aldeia com seu carro. Multidões estavam reunidas, e ele ficou preocupado. Ninguém estava nas ruas, todo mundo estava recolhido num lugar qualquer. Então ele viu um policial e perguntou: "O que houve? Algo errado? O que aconteceu? Eu não vejo pessoas em lugar nenhum, trabalhando, circulando nas lojas.... elas estão reunidas em multidões!"

O policial não podia acreditar no que estava ouvindo, e disse: "O que você está perguntando? Houve um terremoto agora! Muitas casas caíram, muitas pessoas estão mortas!". Então o policial disse: "Eu não posso acreditar que você não tenha sentido o terremoto!".

Se um terremoto está acontecendo dentro de você o tempo todo, então um terremoto de verdade não será capaz de afetar você. Quando você está em silêncio, imóvel, então a realidade acontece. E o questionamento é um tremor dentro de você. Questionamento significa dúvida, dúvida significa tremor. Questionar significa que você não confia em nada – tudo se tornou uma pergunta, e quando tudo é uma pergunta existe muita ansiedade. Você já observou a si mesmo? Tudo se torna uma pergunta. Se você está infeliz, você faz perguntas. Mesmo se você estiver feliz, você faz perguntas – "Por que?". Você não pode acreditar que é feliz.

As pessoas me procuram quando passam por uma meditação profunda e têm vislumbres. Elas me procuram muito perturbadas porque – elas dizem – algo está acontecendo e não podem acreditar que isso está acontecendo a elas. Elas não acreditam que essa felicidade possa acontecer, deve haver algum mal entendido. As pessoas me dizem: "Você está me hipnotizando? Porque alguma coisa está acontecendo!". Elas não podem acreditar que podem ser felizes, alguém deve tê-las hipnotizado. Elas não podem acreditar que conseguem ficar em silêncio – "Por que? Por que eu estou em silêncio? Alguém deve estar me pregando uma peça!".

A confiança não é possível para uma mente questionadora. Assim que ocorrer uma experiência, a mente cria uma pergunta: "Por que?". A flor está lá, e se você confia, você vai sentir uma beleza, uma floração de beleza, mas a mente diz: "Por que? Por que essa flor é chamada de beleza? O que é beleza?"... você vai se desviar. Você está apaixonado, e a mente pergunta: "Por que, o que é o amor?".

Contam que Santo Agostinho disse: "Eu sei o que é o tempo, mas, quando as pessoas me perguntam, tudo se perde, eu não posso responder. Eu sei o que é amor, mas se você me pergunta 'O que é o amor', eu fico perdido, não posso responder. Eu sei o que Deus é, mas você me pergunta e eu fico perdido". E Agostinho está certo, porque a partir de profundidades não se pode perguntar, não se pode questionar. Você não pode colocar um ponto de interrogação num mistério. Se você colocar o ponto de interrogação, o ponto de interrogação se torna mais importante; então a pergunta encobre todo o mistério. E se você pensa que quando você tiver resolvido a pergunta vai viver o mistério, você nunca irá vivê-lo.

O questionamento é irrelevante na religião. A confiança é relevante. Confiar significa avançar para a experiência, rumo ao desconhecido, sem perguntar muito – passar por ela para conhecê-la.

Se eu digo a você que está uma bela manhã lá fora, você começa a me questionar sobre isso aqui dentro, fechado nesta sala, e você gostaria que todas as suas perguntas fossem respondidas antes de dar um passo lá para fora. Como posso lhe dizer, se você nunca soube o que é uma manhã? Só pode ser dito em palavras aquilo que você já conhece. Como posso dizer que há uma luz, uma bela luz se infiltrando entre as árvores, que todo o céu está cheio de luz, se você sempre viveu na escuridão? Se os seus olhos estão acostumados apenas com o escuro, como eu posso explicar a você o que é a luz?

Você vai perguntar: "O que você quer dizer? Você está tentando nos enganar? Vivemos a vida toda e nunca conhecemos nada sobre a luz. Primeiro responda nossas perguntas, e então se estivermos convencidos podemos sair com você, caso contrário parece que você está nos desviando do caminho, nos desviando da nossa vida protegida".

Mas como a luz pode ser descrita se você não sabe nada sobre ela? Mas é isso o que você está pedindo: "Convença-nos sobre a divindade, então vamos meditar, então vamos orar, então vamos buscar. Como podemos buscar antes dessa convicção? Como podemos sair em busca, quando não sabemos para onde estamos indo?"

Isso é desconfiança. E por causa dessa desconfiança você não consegue avançar rumo ao desconhecido. O conhecido se apega a você, e você se apega ao conhecido – e o conhecido é o passado morto. Ele pode parecer aconchegante porque você viveu nele, mas ele está morto, ele não está vivo. A vida é sempre o desconhecido batendo à sua porta. Siga com ela. Mas como você pode seguir sem confiança? E mesmo pessoas que duvidam pensam que têm confiança.

Uma vez aconteceu: O Mulá Nasrudin me disse que estava pensando em se divorciar da esposa. Eu perguntei: "Por que? Por que tão de repente?"
Nasrudin disse: "Eu duvido da fidelidade dela".
Então eu lhe disse: "Espere, vou perguntar à sua esposa".
Então eu disse à esposa dele: "Nasrudin está espalhando para todo mundo boatos de que você não é fiel, e ele está pensando em divórcio, então o que houve?"
A esposa disse: "Isso é demais. Nunca ninguém me insultou assim. E digo a você: eu já fui fiel a ele dezenas de vezes!".

Não é uma questão de dezenas de vezes – você também confia, mas dezenas de vezes? Essa confiança não pode ser muito profunda, é apenas utilitária. Você confia sempre que sente valer a pena. Mas sempre que o desconhecido bate você nunca confia, porque você não sabe se ele vai valer a pena ou não. A fé e a confiança não são uma questão de utilidade – elas não são utilitárias, você não pode usá-las. Se você quiser usá-las, você as mata. Elas não são de modo algum utilitárias. Você pode apreciá-las, pode usufruir delas, mas elas não valem a pena.

Elas não valem a pena nos termos deste mundo. Pelo contrário, o mundo inteiro vai olhar para você como um tolo, porque o mundo acha uma pessoa sábia somente quando ela duvida, o mundo acha que uma pessoa é sábia somente quando ela questiona, o mundo acha que uma pessoa é sábia somente quando ela avança um passo com convicção, e antes de estar convencida ela não dá nenhum passo. Essa é a astúcia, a inteligência do mundo – e o mundo chama essas pessoas de sábias!

Elas são tolas – pelo menos no que diz respeito ao Buda. Porque através da sua chamada sabedoria, elas perdem o mais grandioso, e o mais grandioso não pode ser utilizado. Você pode se fundir com ele, você não pode usá-lo. Ele não tem nenhuma utilidade, não é uma mercadoria; é uma experiência, é um êxtase. Você não pode vendê-lo, você não pode fazer negócio com ele – pelo contrário, você se perde nele completamente. Você nunca mais será o mesmo novamente. Na verdade, você nunca pode voltar: é um ponto sem retorno. Se você for, você vai. Você não pode voltar atrás, não há como voltar atrás. É perigoso.

Assim, apenas as pessoas muito corajosas podem entrar no caminho. A religião não é para os covardes. A religião é apenas para os muito corajosos, para aqueles que podem dar o passo mais perigoso – e o passo mais perigoso é o do conhecido para o desconhecido; o passo mais perigoso é o da mente para a não-mente, do questionamento para o não questionamento, da dúvida para a confiança.

Antes de entrar nesta pequena mas bela história, mais algumas coisas devem ser entendidas. Primeira: você só será capaz de compreender quando conseguir dar um salto, quando conseguir construir uma ponte, de alguma forma, do conhecido para o desconhecido, da mente para a não-mente. Segunda coisa: a religião não é uma questão de pensar; não é uma questão de pensar corretamente, que se pensar corretamente você vai se tornar religioso – não! Quer você ache certo ou errado, você permanecerá não religioso. As pessoas pensam que se você pensar corretamente vai se tornar religioso, e se pensar equivocadamente você vai se desviar.

Mas eu digo a você que, se você pensar, você vai errar – de maneira certa ou errada, não importa. Se você não pensar, só então você estará no caminho. Pense e você se perderá. Você já partiu numa viagem longa, você não está mais aqui e agora; o presente está perdido – e a realidade está apenas no presente.

Com a mente, você continuará se perdendo. A mente tem um mecanismo: ela se move em círculos, círculos viciosos. Tente observar a sua própria mente: a vida tem sido uma jornada, ou ela está apenas se movendo em círculos? Você está realmente avançando, ou apenas se movendo em círculos? Você repete a mesma coisa, vezes e vezes sem conta. Anteontem você estava com raiva, ontem você estava com raiva, hoje você está com raiva... e existe uma grande possibilidade de que amanhã você também vá ficar com raiva. E você sente que a raiva é diferente? Anteontem foi a mesma coisa, ontem foi a mesma coisa, hoje é a mesma coisa – a raiva é a mesma. As situações podem ser diferentes, as desculpas podem ser diferentes, mas a raiva é a mesma coisa! Você está avançando? Você está indo a algum lugar? Há algum progresso? Você está andando em círculos, chegando a lugar nenhum. o círculo pode ser muito grande, mas como você pode avançar, se anda em círculos?

Ouvi, uma vez, andando numa tarde... dentro de uma pequena casa, uma criança choramingava e dizia à mãe: "Mãe, eu estou farto de andar e círculos". A mãe disse: "Ou você cala a boca, ou eu prego no chão o seu outro pé também". Você ainda não está farto. Um pé está pregado na terra e, como essa criança, você está se movendo em círculos. Você é como um disco de vinil quebrado: o mesmo verso se repete, ele continua se repetindo.

Por que essa repetição? A mente é repetitiva, é um disco quebrado; a própria natureza dela é justamente a de um disco quebrado. Você não pode mudá-la. Um disco quebrado pode ser reparado, mas a mente não pode, porque a própria natureza da mente é repetir. No máximo você pode fazer círculos maiores, e com círculos maiores, você pode ter alguma impressão de estar avançando; com círculos maiores você pode enganar a si mesmo de que as coisas não estão se repetindo.

O círculo de uma pessoa compreende apenas 24 horas. Se você é inteligente, você pode fazer um círculo de 30 dias; se você é ainda mais inteligente, você pode fazer um círculo de um ano; e se você for ainda mais inteligente, você pode fazer um círculo de uma vida inteira... mas o círculo permanece o mesmo. Não faz nenhuma diferença. Maior ou menor, você anda no mesmo sulco, você volta para o mesmo ponto.

Devido a esse entendimento, os hindus chamaram a vida de uma roda – sua vida, é claro, não é a vida de um buda. Buda é aquele que saltou para fora da roda. Você se apega à roda, você se sente muito seguro lá – e a roda se move. Desde o nascimento até a morte ela completa um círculo. Nascimento novamente, morte novamente. Você vai e vem, e você faz muitas coisas – sem sucesso. Onde você se perde? Você se perde no primeiro passo.

A natureza da mente é a repetição, e a natureza da vida não é a repetição. A vida é sempre nova, sempre. A novidade é a natureza da vida, o Tao; nada é velho, não pode ser. A vida nunca se repete, ela simplesmente se torna a cada dia nova, a cada momento nova – e a mente é velha, por isso a mente e a vida nunca se encontram. A mente simplesmente se repete, a vida nunca se repete. Como podem a mente e a vida se encontrar? É por isso que a filosofia nunca compreende a vida.

Todo o esforço da religião é: como descartar a mente e passar para a vida, como abandonar o mecanismo repetitivo e entrar no mesmo sempre novo, sempre vivo fenômeno da existência. Esse é o ponto principal desta bela história: Tozan e os dois quilos de linho.

Continua...

6 comentários:

Silvano disse...

Meu Divino Amigo Gustavo,

Belo texto!
Mesmo ainda parcial já tocou no ponto essencial de todo ensinamento espiritual.
O ponto é este:
“Todo o esforço da religião é: como descartar a mente e passar para a vida, como abandonar o mecanismo repetitivo e entrar no mesmo sempre novo, sempre vivo fenômeno da existência.
Esse é o ponto principal desta bela história: Tozan e os dois quilos de linho.”

Algo fundamental a ser notado é que existe uma diferença crucial entre pensamento e percepção. Enquanto o pensamento é um processo que ocorre na mente a percepção é algo imediato e advém da Consciência.
Essa distinção, assim que conscientizada, é capaz de deixar explícita a diferença entre estarmos vivendo num universo imaginado e estarmos vivendo no Universo real!
Enquanto a mente “pensa” sobre o universo e acredita que o que pensa corresponde à realidade e provoca reações condicionadas, positivas ou negativas, a Consciência “percebe” o universo real e desfruta o que percebe.
Há, portanto, uma diferença entre o universo pensado e o Universo real.
É este o ponto essencial do texto ao dizer que: “Todo o esforço da religião é: como descartar a mente [descartar o processo mental de pensar] e passar para a [percepção consciencial/espiritual da] vida, como abandonar o mecanismo repetitivo [o processo de pensamento] e entrar no mesmo sempre novo, sempre vivo fenômeno da existência [na percepção do agora eterno].
A importância do texto que está sendo comentado está em estabelecer a distinção entre a abordagem especulativa, filosófica [visão mental] do universo e a abordagem [visão] espiritual.
Nas Sagradas Escrituras de todos os povos há relatos dos personagens que tiveram “percepções conscienciais” do universo real e as compartilharam com a humanidade.

Silvano disse...

Vamos tomar como exemplo um relato bíblico. Um detalhe importante a ser notado é que as “percepções conscienciais” são percepções advindas do Espírito de Deus em nós, ou seja, não são pensamentos da mente de algum personagem, mas sim percepções. E assim como todas as coisas espirituais, devem ser discernidas espiritualmente.
O que se segue é uma percepção consciencial assim compartilhada:
“E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi a tarde e a manhã, o dia sexto.”
Gênesis 1:31

Essa percepção consciencial revela o seguinte:
Deus criou o Universo;
Deus viu que tudo era muito bom;

Em Gênesis 1:26 está escrito: 2”
E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança;
O ponto a ser notado aqui é que tendo sido o homem criado à Imagem e semelhança de Deus, se Deus viu que tudo era bom o homem é também capaz de ver!
Atenção total deve ser dada ao fato de que o homem capaz de ver é o homem criado à Imagem e semelhança de Deus!
Outro ponto a ser notado é que essa é a descrição do Homem criado por Deus, ou seja, do Homem real, que como Deus é espiritual.

Silvano disse...

Foi compartilhada ainda a percepção de que:
E havendo Deus acabado no dia sétimo a obra que fizera, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito.
E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que Deus criara e fizera.
Gênesis 2:1-3

Eis o núcleo deste comentário, a relação entre o texto comentado e o relato bíblico, a sutileza, o segredo, o algo a ser notado: Para”a descartar [o processo repetitivo e infindável de pensamentos que ocorrem em] a mente e passar para a [percepção e o desfrute da] vida, como abandonar o mecanismo repetitivo [de pensamento] e entrar no mesmo sempre novo, sempre vivo fenômeno da existência [na percepção do agora eterno]” é fundamental, tal como Deus mesmo o fez, “descansar no sétimo dia”!

Isso significa o seguinte: Se quer ver a glória de Deus atuando em sua vida [se quer ativar a sua percepção consciencial, que é própria da condição de quem foi “criado à Imagem e Semelhança de Deus], se quer ver o que Deus vê, você deve [ você tem que] fazer a sua parte [como Deus fez a dele! Este é o significado de “trabalhar seis dias] e fazer isso a cada dia vendo que tudo o que você faz é bom [o significado é que você dar o melhor de si e saber que o que fez é bom]. E agora o essencial, o segredo, a revelação das revelações! Você deve "descansar no sétimo dia", ou seja, deve não fazer nada além de dedicar sua atenção plenamente a Deus! Tendo feito a sua parte [que o significado de trabalhar seis dias] você deve confiar plenamente em Deus e dedicar este dia a Ele [que é o significado de descansar no sétimo dia]! É assim que se ativa sua conexão com Deus, sua "percepção de Quem faz"! Só assim o verá agindo!Só assim ativará a percepção que te fará ver que Deus é Quem o está santificando!

Este ensinamento está assim expresso na Bíblia:

“Tu, pois, fala aos filhos de Israel, dizendo:
Certamente guardareis meus sábados; porquanto isso é um sinal entre mim e vós nas vossas gerações; para que saibais que Eu sou o Senhor, que vos santifica.
Êxodo 31:13
Guardar o sábado, ou seja, após fazer a sua parte descansar plenamente no Senhor sabendo que “tudo já está feito” e que “tudo é bom”, é uma percepção consciencial libertadora!
Que todos percebam! E que percebendo, desfrutem e compartilhem essa percepção divina!

Namastê.

Gustavo disse...

Com certeza, meu Amigo, excelente foi o seu comentário.

Suas palavras compartilhadas fizeram-me lembrar destas duas passagens bíblica, que dizem:

"E então me invocareis, e ireis, e passareis a orar a mim, e eu vos ouvirei. Buscar-me-eis, e me encontrareis quando me buscardes de todo o vosso coração. Serei achado de vós, diz o Senhor, e farei mudar a vossa sorte." (Jr. 29: 12-14)

"Aquieta-te e saiba que Eu Sou Deus. E sereis exaltados sobre a terra." Salmos 46:10

O dois pontos destacados por você correspondem à duas passagens bíblicas acima: 1) fazer a nossa parte dando o melhor de si... isso corresponde ao "buscar a Deus de todo o coração"; 2) e o descansar no sétimo dia [o que significa não fazer absolutamente nada, mas apenas dedicar plenamente a atenção a Deus], corresponde ao "aquietar-se e saber que Eu sou Deus".

Ao narrar como se deu o processo de sua iluminação, Osho disse o seguinte: "Agora eu entendo por que nada acontece. O próprio esforço era a barreira, a própria escada estava impedindo, o próprio impulso de busca era o obstáculo. Nada é atingido sem a busca — buscar é necessário — mas chega um ponto em que a busca precisa ser abandonada. O barco é necessário para vocês atravessarem o rio, mas chega o momento em que vocês têm de largar o barco, esquecer tudo sobre ele e deixá-lo para trás. O esforço é necessário, sem esforço nada é possível. Mas também somente com esforço, nada é possível."

Se nos dedicarmos de coração a Deus, fazendo tudo o que nos for possível fazer para conhecê-Lo (1), e descansarmos no sétimo dia [ausência de esforço/silêncio/quietude, o que significa ficar com a atenção focada 100% na percepção, em Deus] (2), então chegará o momento em que o Espírito de Deus descerá do Céu e nos proporcionará o seu "Batismo com Fogo", que é o Batismo verdadeiro, o Batismo no Espírito. Então "seremos exaltados sobre a terra", ou seja, passaremos a ver a glória de Deus atuando em todos os aspectos de nossas vidas.

Como disse Jesus: "Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito."

Humanamente não somos capazes de perceber as coisas de Deus. É Deus [o Espírito Santo de Deus] que nos propicia a Graça de percebê-lo! E a fim de que possamos receber o Espírito de Deus em nosso ser, é necessário criarmos o hábito de entrar nesse Silêncio, nessa Quietude, e aguardar com humildade e paciência a descida do Espírito de Deus sobre nós. Em Lucas 24:49, a Bíblia traz ao homem a seguinte promessa: "E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém [localidade santa, sagrada], até que do alto sejais revestidos de poder."

Se, com humildade e dedicação, persistirmos em "permanecer na cidade de Jerusalém", o Espírito de Deus descerá sobre nós, "revestindo-nos de poder", e então "seremos exaltados sobre a terra". Em outras palavras, seremos revestidos da mesma glória com que o Pai glorificava Jesus, conforme a oração proferida por ele em João 17:22, que diz: "E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um."

Devemos, pois, ter sabedoria para discernir quando usar de nossos esforços, bem como para saber quando é a melhor hora de abandonar os esforços e não fazer nada [Quietude, Silêncio, ficar na cidade Santa] a fim de que o Espírito Santo de Deus desça sobre nós e nos revele tudo quanto houver para nos ensinar.

Grato por sEU comentário!
Namastê!

Silvano disse...

Agradeço as palavras Daquele que [na Representação ] aparece como meu Amigo, o divino personagem Gustavo!

Personificações da Divindade [Leitores do blog]!

Eis um exemplo prático perfeito e imediato das percepções que foram compartilhadas!
Assim que li o texto me ocorreu [percebi que deveria] comentá-lo.
Com essa percepção meu personagem fez a sua parte, deu o melhor de si, percebeu e agiu, ou seja, percebeu que deveria comentar e comentou. [É o significado de trabalhar seis dias vendo que o melhor foi feito].
E descansou sabendo que "tudo já está feito".
Sabia que veria Deus em ação.

Agora vejam o que aconteceu!

O comentário do divino personagem Gustavo evidencia a própria divindade em ação!
O comentário explicitou o que há pra ser explicitado, lincou o que há pra ser lincado, de forma inspirada, divina, com outras passagens bíblicas, ou seja, com outras "percepções conscienciais" compartilhadas na Bíblia.

Por perceber Quem faz, agradeço.

Por perceber Quem aparece como, agradeço as palavras do meu divino Amigo Gustavo!

Por perceber Quem percebe em mim, dou gloria a Deus!

Namastê.

Gustavo disse...

Amém!
Namastê! _/\_