"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

sexta-feira, julho 19, 2013

Iluminação pela via do Conhecimento - 4/5

Swami Vivekananda
 
 
 
É necessária alguma prática para alcançar a Unidade? Positivamente, sim. Essa ilusão que diz serdes vós o Sr. ou a Sra. Fulano de Tal pode desaparecer através de outra ilusão, que é a prática. O fogo engolirá o fogo, podeis usar uma ilusão para dominar outra ilusão.

O Eu, o Conhecedor, o Senhor de tudo, o Ser real, é a causa de toda a visão que existe no universo, mas Lhe é impossível ver a si próprio, exceto através de reflexo. Vós não podeis ver vossa própria face a não ser num espelho, e assim o Eu não pode ver Sua própria natureza enquanto ela não for refletida, e todo este universo, é, portanto, o Eu tentando compreender-se. Esse reflexo é reproduzido primeiro do protoplasma, depois de plantas e animais, e assim por diante, cada vez de melhores refletores, até que o melhor refletor - o homem perfeito - é alcançado. Tal como um homem que, desejando ver seu próprio rosto, olha primeiro para uma pequena poça de água lodosa, e apenas vê um contorno, depois vai para a água limpa e vê melhor imagem, e a seguir, diante de um pedaço de metal brilhante vê imagem ainda melhor, para, finalmente, colocando-se diante de um espelho, ver-se tal qual é. Portanto, o homem perfeito é o mais alto reflexo desse Ser, que, ao mesmo tempo, é substância e objeto.

Agora, descobrireis por que o homem instintivamente cultua tudo, e por que o homem perfeito é instintivamente cultuado como Deus em cada país. Podeis dizer o que quiserdes, mas são eles que se destinam a ser cultuados. Por isso os homens cultuam Encarnações, tais como o Cristo ou Buda. Elas são as mais perfeitas manifestações do Eu eterno. Estão muito acima de todas as concepções de Deus que vós e eu podemos fazer. Um homem perfeito é muito maior do que essas concepções. Nele, o círculo se completa, e a substância e o objeto fazem-se um. Nele, as ilusões se desvanecem, e em lugar delas vem a compreensão de que sempre foi aquele Ser perfeito.

Certa vez eu viajava pelo deserto, na Índia. Viajei por mais de um mês, sempre encontrando as mais belas paisagens diante de mim, bonitos lagos, e tudo o mais. Um dia, tendo muita sede, desejei beber a água de um daqueles lagos, mas quando me aproximei, o lago desapareceu. Imediatamente, como uma pancada, veio-me ao cérebro a ideia de que aquilo era a miragem, sobre a qual eu tinha lido toda a minha vida. Então, recordei-me, e sorri da minha loucura: durante o mês que se escoara, todas as belas paisagens e lagos que eu estivera vendo tinham sido miragens, mas eu não sabia distingui-las. Na manhã seguinte eu estava novamente a caminho. Lá estavam o lago e a paisagem, mas com eles me veio imediatamente a ideia: "Isto é miragem". Uma vez conhecida, ela perdera seu poder de me iludir.

Assim, essa ilusão do universo um dia se desvanecerá. Todo ele se desvanecerá, se esfumará. Isso é compreensão. A filosofia não é gracejo ou conversa. Tem de ser compreendida. Este corpo se desvanecerá, esta terra, e tudo com ela, se desvanecerá, esta ideia de que eu sou o corpo ou a mente em algum tempo se desvanecerá. Se o karma terminar, isso desaparecerá, para nunca mais voltar, mas se parte do karma permanecer, o corpo, mesmo depois da ilusão se ter desvanecido, continuará a funcionar durante algum tempo - como o torno do oleiro, que se conserva rodando pelo seu próprio movimento, mesmo depois que a vasilha foi torneada. De novo este mundo virá, homens, mulheres e animais virão, tal como a miragem se repete no dia seguinte, mas não com a mesma força. Com eles virá a ideia de que agora eu conheço a sua natureza, e eles não mais me aprisionarão, não mais produzirão dor, aflição ou angústia. Ao sobrevir qualquer coisa angustiosa, a mente poderá dizer: "Sei que isto é uma alucinação".

Quando um homem alcança esse estado, chamam-no jivanka, "o que vive livre", livre mesmo enquanto vive. A meta e o fim nesta vida, para os jnaneyogues, é tornar-se um jivan-mukia, "o que vive livre". É jivanmukta o que vive neste mundo sem estar a ele apegado como as folhas do Lótus sobre a água, que jamais se chegam a molhar. É a forma mais alta dos seres humanos, o mais alto de todos os seres, pois compreendeu sua identificação com o Absoluto, compreendeu que é um com Deus.

Que acontecerá ao mundo, então? Que bem faremos ao mundo? Tais perguntas não surgem. "Que se tornará meu bolo de gengibre, quando eu ficar velho?" diz o pequenino. "Que será de minhas bonecas quando eu ficar velha?" – diz a criança. "Que será de minhas bolinhas de gude quando eu ficar velho?" - diz o menino. A pergunta é a mesma com relação a este mundo. Ele não tem existência no passado, no presente ou no futuro. Se tivéssemos conhecido o Atman como é, se tivéssemos sabido que nada existe a não ser o Atman, que tudo o mais não passa de um sonho, sem existência na realidade, então este mundo, com suas pobrezas, suas angústias, suas perversidades e suas bondades, cessaria de nos perturbar. Se tais coisas não existem, por quem e por que teremos transtornos? Isto é o que jnane-yogue ensina.

Antes de entrar na parte prática, cuidaremos de mais uma questão intelectual. Até aqui a lógica tem sido tremendamente rigorosa. Se o homem raciocina, não há lugar onde possa ficar até que chegue a isto: que há somente uma Existência, que tudo o mais nada é. Não há outro ponto de vista para a humanidade racional a não ser esse. Mas como se explica que o que é infinito, sempre perfeito, sempre abençoado, Existência-Conhecimento-Bem-aventurança Absoluta, viesse a ficar sob tais ilusões? É a mesma pergunta que tem sido feita em todo o recanto do mundo. Na forma vulgar a questão é assim proposta: "Como veio ter ao mundo o pecado?" Essa é a forma mais vulgar e sensória da pergunta, e a outra é a forma mais filosófica: mas a pergunta é a mesma. A mesma pergunta tem sido feita em vários graus e maneiras, mas em suas formas inferiores não encontra solução, porque as histórias de maçãs, serpentes e mulheres não fornecem uma explicação. Nesses estágios a pergunta é infantil, e infantil é a resposta.

Mas a pergunta assumiu uma alta forma filosófica: "Como surgiu essa ilusão?" E a resposta é igualmente alta. A resposta é que não podemos esperar resposta alguma a uma pergunta impossível. A própria pergunta é autocontraditória. Não tendes o direito de fazer essa pergunta. Por que? Que é a perfeição? O que está para além do tempo, do espaço, da causação. Isso é perfeito. Então perguntais como o perfeito se tornou imperfeito. Na linguagem lógica, a pergunta pode ser colocada nos seguintes termos: "Como aconteceu que o que está para além da causalidade se tornou causado?" Vós vos contradizeis. Primeiro admitis que isso está para além da causalidade e depois indagais o que causa isso. Essa pergunta só pode ser respondida dentro dos limites da causalidade. É pergunta que pode ser feita até onde o tempo, o espaço e a causalidade se estendam. Mas, para além disso, seria tolice formulá-la, porque a pergunta seria ilógica. Dentro do tempo, do espaço e da causalidade, ela jamais pode ser respondida, e que resposta pode existir para além desses limites só pode ser sabido quando os transcendermos. Portanto, o prudente será deixar a pergunta em paz. Quando um homem está doente, a gente se dedica a curar-lhe a doença, sem insistir em que primeiro deve aprender como lhe aconteceu apanhá-la.

Há outra resposta que não fica assim em plano filosófico tão alto. Pode qualquer realidade produzir ilusão? Certamente não. Vemos que uma ilusão produz outra, e assim por diante. É sempre a ilusão que produz ilusão. É a doença que produz doença e não a saúde que produz doença. A onda é a mesma coisa que a água; o efeito é a causa sob outra forma. O efeito é ilusão, portanto, a causa deve ser ilusão. Que produziu essa ilusão? Outra ilusão. E assim vai, sem princípio.

A única pergunta que vos resta fazer, é: "Não rompe nosso monismo o fato de termos duas existências no universo - uma o Eu, e a outra a ilusão?" A resposta é: "A ilusão não pode ser chamada uma existência. Milhares de sonhos entram em vossa vida, mas não formam qualquer parte de vossa vida. Os sonhos vêm e vão: não têm existência. Chamar existência à ilusão seria sofisma. Há, portanto, apenas uma Existência indivisível no universo, sempre livre e sempre abençoada, e é isso que sois". É essa a última conclusão a que chegaram os advaitistas. Podeis, então, indagar: "Que será de todas essas formas de culto?" Permanecerão. Estão apenas tateando nas trevas, em busca de luz, e através desse tateamento a luz virá. Acabamos de ver que o Eu não pode ver a si próprio. Nosso conhecimento está dentro de uma teia de maya, de irrealidade, e além disso fica a libertação.

Dentro da teia há escravidão e tudo está sob a lei. Para além não há lei. No que se refere ao universo, a existência é governada pela lei, e para além dele fica a liberdade. Enquanto estiverdes na teia do tempo, do espaço, da causalidade, dizer que sois livres é tolice, porque essa teia está sob lei rigorosa. Todos os pensamentos que tendes são causados, todos os sentimentos são causados, e dizer que a vontade é livre não passa de mera tolice. Só quando a Existência infinita vem, por assim dizer, para essa teia de maya, é que ela toma a forma de vontade. Vontade é uma porção daquele Ser, apanhada nas teias da maya; portanto, a vontade é um nome falso, uma denominação imprópria. Nada significa – simples tolice. Assim é todo esse falatório com respeito a liberdade. Não há liberdade em maya. Não há liberdade enquanto não fordes além de maya. Essa é a verdadeira liberdade da alma.

Os homens, por muito agudos e intelectuais que sejam, por mais claramente que vejam a força da lógica que diz: "nada poder ser livre aqui", sentem-se todos compelidos a pensar que são livres. Não o podem evitar. Não há trabalho que se possa realizar enquanto não começarmos a ver que somos livres. Isso significa que a liberdade de que falamos é um relance do céu azul para além das nuvens, e que a verdadeira liberdade - o próprio céu azul - está acolá. A verdadeira liberdade não pode existir em meio desta ilusão, desta alucinação, desta tolice do mundo, deste universo dos sentidos, do corpo e da mente. Todos esses sonhos sem princípio nem fim, descontrolados e incontroláveis, desajustados, rompidos, dissonantes, formam nossa ideia deste universo. Num sonho, quando vedes um gigante com vinte cabeças vos perseguindo, e estais fugindo dele, não achais que aquilo seja dissonante ou absurdo, achais que é apropriado e direito. Assim é esta lei. Tudo quanto chamais lei é uma simples oportunidade sem significação. Neste sonho em que estais, chamais a isso lei. Dentro de maya, enquanto existir essa lei de tempo, espaço e causalidade, não haverá liberdade, e todas essas várias formas de culto estão dentro dessa maya. A ideia de Deus e as ideias do bruto e do homem estão dentro dessa maya, e, como tais, são igualmente alucinações. Todas elas são sonhos.

Mas deveis ter o cuidado de não argumentar tal qual alguns homens extraordinários de que ouvimos falar no tempo presente. Dizem que a ideia de Deus é ilusão porém que a ideia deste mundo é verdadeira. Ambas as ideias resistem ou tombam pela mesma lógica. Só ele tem o direito de ser um ateu que nega este mundo, tanto quanto o outro. O mesmo argumento aplica-se a ambos. A mesma massa de ilusão estende-se de Deus até o animal mais insignificante, de um fio de capim ao Criador. Resistem ou caem pela mesma lógica. A mesma pessoa que vê falsidade na ideia de Deus deve vê-la também na ideia de seu próprio corpo e sua própria mente. Quando Deus se desvanece, então se desvanecem também o corpo e a mente, e quando ambos se desvanecem, o que é a Existência real permanece para sempre. "Ali os olhos não podem ir, nem a fala, nem a mente. Não podemos vê-la, nem conhecê-la." E compreendemos agora que até onde podem ir a fala, o pensamento, o conhecimento e o intelecto, tudo fica dentro de maya, dentro da prisão. Para além dela está a Realidade. Ali não chegam a mente e a fala. Até aqui isso está certo, intelectualmente, mas é preciso que venha a prática. É necessária alguma prática para compreender essa Unidade? Positivamente, sim. Não quer dizer que ireis tornar-vos aquele brâmane, já o sois. Não quer dizer que ides tornar-vos Deus ou ser perfeito: já sois perfeitos, e sempre que Pensais não o ser será uma ilusão. Essa ilusão que diz serdes vós o Sr. ou a Sra. Fulano de Tal pode desaparecer através de outra ilusão. O fogo engolirá o fogo, e podeis usar uma ilusão para dominar outra ilusão. Uma nuvem virá e afastará para longe outra nuvem, e depois ambas irão embora.

Que são essas práticas, então? Devemos sempre ter em mente que não iremos ser livres, mas já somos livres. Toda a ideia de que somos prisioneiros é ilusão. Toda a ideia de que somos felizes ou infelizes é uma tremenda ilusão, e outra ilusão virá, a que temos de trabalhar e cultuar e lutar, para sermos livres. Esta expulsará a primeira ilusão, depois ambas terão terminado.

A raposa é considerada muito ímpia pelos maometanos e hindus. Também, se um cão toca em qualquer pedaço de alimento, este deve ser atirado fora e não pode ser comido por nenhum ser humano. Numa certa casa maometana, uma raposa entrou apanhou um bocadinho do alimento que estava sobre a mesa, comeu-o e fugiu. O homem era pobre e tinha preparado um banquete muito bom para si próprio, e o banquete se tornara ímpio e ele não poderia comê-lo. Assim, foi ter com um mullah, um sacerdote, e disse-lhe:

- Aconteceu-me o seguinte: uma raposa entrou e apanhou um bocado da minha comida. Que posso fazer? Eu tinha preparado um banquete e desejava muito comê-lo, e agora vem essa raposa e destrói tudo!"

O mullah pensou por um minuto e então encontrou a única solução, dizendo: "A única maneira é arranjares um cão e fazê-lo comer um bocado do mesmo prato, porque cães e raposas estão sempre em disputa. A comida que foi deixada pela raposa irá ter ao teu estômago, e também a que for deixada pelo cão, pois cada impureza anulará a outra".

Estamos mais ou menos na mesma situação. Dizer que somos imperfeitos é uma alucinação, e tomaremos outra, que diz termos de praticar para nos tornarmos perfeitos. Então uma anulará a outra, exatamente da forma como podemos usar um espinho para extrair outro e depois atirar ambos fora. Há pessoas para as quais é suficiente como conhecimento o fato de ouvirem: "Tu és isto". Num relance este universo desaparece e a natureza real resplandece. Mas outras têm de lutar duramente para se livrarem da ideia de aprisionamento.

A primeira pergunta é: "Quem está em condições de ser jnana-yogue?" Os que estão equipados com estes requisitos:

Primeiro, renúncia a todos os frutos do trabalho e a todos os gozos desta ou de outra vida. Se sois o Criador do universo, tereis o que desejardes, porque criareis para vós mesmos o que desejardes, é apenas uma questão de tempo. Alguns conseguem imediatamente, outros têm os samskaras, impressões passadas, a erguerem-se no caminho de seus desejos. Damos o primeiro lugar ao desejo de prazeres, nesta ou em outra vida. Negais que exista uma vida qualquer, porque a vida é apenas o outro nome da morte. Negais que sois um ser vivo. Quem se importa com a vida? A vida é uma dessas alucinações, e a morte é a sua réplica. A alegria é uma parte dessas alucinações, e a angústia outra parte, e assim por diante. Que tendes vós com a vida ou com a morte? Tudo isso não passa de criações da mente. A isso se chama abandonar os desejos de prazeres, nesta ou em outra vida.

Depois vem o controle da mente, acalmando-a de tal maneira que ela não se desfaça em ondas e tenha toda a sorte de desejos. Manter a mente firme, sem permitir que ela vacile através de causas externas ou internas, controlar a mente perfeitamente, apenas pelo poder da vontade. O jnane-yogue não recebe qualquer auxílio interno ou externo. Os instrumentos em que acredita são o raciocínio filosófico, o conhecimento, e sua própria vontade.

Depois vem titiksha, paciência, suportando todas as angústias sem murmurar, sem se queixar. Quando um agravo vier, não se importar; se um tigre avançar, ficar ali. Há homens que praticam titiksha e têm sucesso. Há homens que dormem nas margens do Ganges em pleno verão da Índia e no inverno boiam sobre as águas do Ganges o dia inteiro: não se importam. Homens sentam-se na neve dos Himalaias e não se importam de usar roupa alguma. Que é o calor? Que é o frio? Que as coisas venham e vão, que diferença isso me faz? Eu não sou o corpo. É difícil compreender isso, em países ocidentais, mas é bom saber que isso é feito.

Assim como vosso povo é corajoso bastante para saltar à boca de um canhão no meio de um campo de batalha, nosso povo é corajoso bastante para pensar e agir de acordo com a sua filosofia. Dá sua vida por isso "Sou Existência-Conhecimento-Bem-aventurança Absoluta. Eu sou Ele. Eu sou Ele." Assim como o ideal ocidental é manter o luxo na vida prática, assim o nosso é manter a mais alta forma de espiritualidade, a fim de demonstrar que a religião não é apenas palavras inconsistentes, mas pode ser levada avante, em todos os pontos, nesta vida. Isso é titiksha, suportar tudo, não se queixar de nada. Eu mesmo tenho visto homens que dizem: "Eu sou a Alma. Que vem a ser o universo para mim? Nem prazer nem dor, nem virtude nem vício, nem calor nem frio. Nada é para mim". Isso é titiksha – não correr atrás dos prazeres do corpo.

Que é religião? Rezar: "Dá-me isto e aquilo!" Ideias loucas sobre religião! Os que acreditam nelas não têm uma verdadeira ideia sobre Deus e a alma.

Meu Mestre costumava dizer que o abutre voa alto, cada vez mais alto, até se tornar um simples ponto, mas seus olhos estão sempre no pedaço de carniça que ficou na terra. Afinal, qual é o resultado de vossas ideias sobre religião? Limpar as ruas e ter mais pão e roupas? Quem se importa com pão e roupas? Milhões chegam e vão a cada minuto. Quem se importa? Por que fazer questão das alegrias e vicissitudes deste pequeno mundo? Ide para além dele, se ousais. Ide para além da lei, deixai todo o universo desvanecer-se, e ficai sozinhos. "Eu sou Existência-Absoluta, Conhecimento-Absoluto, Bem-aventurança-Absoluta. Eu sou Ele, Eu sou-Ele."
Cont...
 
 

15 comentários:

Gugu disse...

Aqui está um paralelo, contido no UM CURSO EM MILAGRES, sobre o mesmo assundo/conteúdo exposto neste post:

O QUE É O MUNDO?

1. O mundo é falsa percepção. Nasceu do erro e não deixou a sua fonte. Ele deixará de existir quando o pensamento que lhe deu origem deixar de ser apreciado. Quando o pensamento da separação for mudado para um pensamento de verdadeiro perdão, o mundo será visto sob outra luz; uma luz que conduz à verdade na qual o mundo todo tem que desaparecer, assim como todos os seus erros têm que sumir. Agora a sua fonte se foi e os seus efeitos também.

2. O mundo foi feito como um ataque a Deus. Ele simboliza o medo. E o que é o medo senão a ausência de amor? Assim, o mundo foi feito para ser um lugar em que Deus não pudesse entrar e no qual o Seu Filho pudesse estar à parte Dele. Aqui nasceu a percepção, pois o conhecimento não poderia causar tais pensamentos insanos. Mas os olhos enganam e os ouvidos ouvem o que é falso. Agora, os erros vêm a ser bastante possíveis pois a certeza se foi.

3. Em seu lugar nasceram os mecanismos da ilusão. E, agora, eles partem para achar o que lhes é dado buscar. Seu objetivo é cumprir o propósito que o mundo foi feito para testemunhar e fazer com que seja real. Ele vêem nas suas ilusões apenas uma base sólida onde a verdade existe, mantida à parte das mentiras. No entanto, tudo o que transmitem é apenas ilusão, mantida à parte da verdade.

4. Assim como a vista foi feita para conduzir para longe da verdade, ela pode ser re-direcionada. Os sons vêm a ser o chamado de Deus e um novo propósito pode ser dado a toda percepção por Aquele Que Deus designou como o Salvador do mundo. Segue a Sua Luz e vê o mundo tal como Ele o contempla. Ouve apenas a Sua Voz em tudo o que fala contigo. E deixa-O- dar-te a paz e a certeza que jogaste fora, mas que o Céu preservou Nele para ti.

5. Que não descansemos em nosso contentamento, enquanto o mundo não tiver se unido à nossa percepção, que já foi mudada. Que não estejamos satisfeitos, enquanto o perdão não tiver se tornado completo. E não tentemos mudar a nossa função. Temos que salvar o mundo. Pois nós, que o fizemos, temos que contemplá-lo através dos olhos de Cristo, para que o que foi feito para morrer possa ser restituído à vida que dura para sempre.

Anônimo disse...

Quando tento viver nesses modos, não parece eu mesma vivendo. Esse modo de viver sem reclamar, suportando e aceitando tudo até que a própria alegria é uma ilusão, é como não poder sentir emoçáo alguma... Por isso me sinto estranha e fico séria, sei lá. Acho que não consogo atingir o âmago da questão. Seria esse um estado de conformação? Existem coisas na minha vida que eu gostaria muito de mudar, sabendo que sou eu a responsável por tudo que acontece comigo, mas qdo me deparo com esse tipo de leitura, fica parecendo que isso é o que é e eu tenho apenas que observar aceitar e náo se envolver. Realmente pra mim isso infelizmente é confuso!

Gugu disse...

Então, anônima, esse é o tipo de cuidado que devemos ter quando nos deparamos com essas espécies de dizeres.

Nós só compreendemos que o personagem é uma ilusão quando conseguimos nos desidentificar dele. Não adianta lutar contra a existência do personagem a fim de superá-la e alcançar essa desidentificação. Isso porque, quando lutamos contra o personagem, estamos fortalecendo em nossa consciência o senso de existência dele. O próprio ato de tentar lutar ou superar o personagem é uma afirmação de que "o personagem é real", é ir exatamente na direção contrária àquela que desejamos.

Uma vez compreendido isso, podemos aplicar o mesmo aos sentimentos tidos pelo personagem. A sustentação da ideia de que "o personagem não pode sentir emoção alguma" fortalece o senso que temos a respeito da realidade de nossos personagens. Tentar não sentir emoção alguma é uma forma de manter-se preso, atado ao personagem. Por isso, afirmo o seguinte: tentar suprimir as emoções do personagem, como se isso fosse uma prática espiritual (e como se isso fosse nos fazer alcançar o nível de percepção em que nos percebemos como o ser), é andar na direção contrária. Tentar fazer isso pode ser perigoso, porque a pessoa pode acabar se tornando apática, indiferente, fria. Ela não será nada mais do que isso: um personagem apático, indiferente e frio. Mas ainda é personagem! E entre ser um personagem indiferente e chato (isso é resignação, conformação), e um personagem alegre e cheio de vida, é melhor ser este segundo!

A desidentificação ocorre quando conseguimos nos desapegar do pacote completo (personagem com todos os seus sentimentos, vontades, ações, etc.). devemos entender o que é esse desapego completo.

O que ocorre é o seguinte: quem é feliz ou infeliz é o personagem. Se o personagem existe, sentimentos de alegria ou tristeza estarão presentes e alternando-se entre si.

Deixe o personagem viver espontaneamente com todas as suas variações sentimentais. Se você estiver realmente distante, desidentificada, o personagem poderá sentir-se feliz e alegre (sem você querer barrar esses sentimentos), e você simplesmente observa, presencia, fica consciente do que está acontecendo. Esse observar (Consciência) é o estado de desidentificação. Não lute contra a ilusão, ou você acabará por dar mais força a ela. Deixe o personagem sentir, pensar e agir como bem entender. Ele não é você. Ele pode perfeitamente cuidar da vida dele e correr atrás de todos os seus objetivos, sem que isso interfira na sua meditação ou caminhada espiritual. Mas a atenção/observação/presença/consciência deve estar presente, isso é fundamental. Quando é assim, você não está se conformando ou resignando com as situações. Você está na aceitação e na posição de observador, não interferindo e fluindo com tudo o que estiver acontecendo.

E quando for assim, você atingiu o âmago da questão. "Observar sem se envolver" é um ensinamento que transcende esses entendimentos de que "devemos lutar contra os sentimentos tidos pelos personagens a fim de pode me conscientizar de Quem sou". Não é necessário lutar, apenas compreender todo o quadro (que geralmente é mais amplo do que pensamos) e observar.

Grande Abraço!

Namastê!

Anônimo disse...

Obrigada por responder e entender a minha angústia. Acho que estou sim andando na direção contrária. Preciso mesmo muito claramente entender o que de fato é esse desapego completo. Indiferente e fria não, mas apática eu já me sinto um pouco .... Ativar a percepção, não é mesmo? Isso é um trabalho a ser feito, é uma busca, uma entrega ??? Namastê!

Gugu disse...

Anônima,

Eu quero que você entenda (com a alma, intuitivamente, e não intelectualmente) o mecanismo de como se aciona essa percepção.

Acompanhe com cuidado, passo a passo (e percebendo/intuindo aí mesmo) tudo o que a seguir será dito:

A percepção não se ativa por alguma ação ou esforço de nossa parte. Ela é "ativada" quando compreendemos que ELA JÁ ESTÁ ATIVA. Como assim? Continue acompanhando...

De nossa parte, basta uma compreensão, uma visão clara de que "a percepção já está em funcionamento". Vou explicar como fazer para ter essa "visão clara". Não há nada que possamos fazer que já não esteja contido na Consciência. Isso se aplica a tudo (coisas físicas, mentais, espirituais), sem exceção. Se nós podemos exercer o simples ato de levantar a nossa mão, é porque esse movimento foi projetado pelo Universo. O movimento de levantar a mão existe primeiro no Universo e, como consequência disso, podemos fazer o movimento de levantar as mãos. É como uma casa que, antes de ser construída, existe primeiramente no papel projetado pelo arquiteto. Tudo o que vier a se concretizar naquela casa, deve primeiro estar previsto no planejamento, ou seja, deve primeiro existir no projeto. É impossível construir a casa sem que ela tenha passado pelo crivo do projeto. Para existir, ela deve estar prevista e sob o crivo do projeto.

E assim é com tudo em nossa vida. Perceba que, para você poder exercer o simples ato de caminhar, essa ação deve existir primeiro em algum lugar. Procure intuitivamente onde fica esse lugar, e você compreenderá que ele existe. Embora não possa vê-lo, você consegue constatar que ele existe. Esse lugar é a Consciência.

Agora, você deseja ativar a percepção, certo? Então, para podermos alcançar essa compreensão, vamos imaginar a seguinte situação: Você, a anônima, querendo despertar a consciência, leu muito, estudou muito, procurou muito, meditou muito, e fez tudo o que estava ao seu alcance fazer. Até que um dia... você ativou a percepção! Esse é o exemplo.

O que eu quero que você compreenda é que o ativar a percepção é como o levantar de uma mão. Se você conseguiu ativar a percepção é porque o "ativamento da percepção" já existia em algum outro lugar. A ativação da percepção só pôde vir à tona porque primeiro ela já estava lá (pronta!) em algum lugar da existência. Tudo o que você faz está sob a égide dessa Consciência maior. Nada escapa dessa égide. Essa Égide é a que deve ser considerada, contemplada, é para ela que a nossa atenção deve se voltar. A fim de percebê-la nós não podemos (devemos) sequer tentar perceber porque... o próprio ato de "tentar perceber" só é possível porque existe primeiro na Égide dessa Consciência. Não há nada que possamos fazer para percebê-la, compreende? Basta perceber (diretamente, ou seja, de uma só vez, num só lance) que ela existe por si mesma, e está acima de todas as coisas. Isso é tudo.

(Cont...)

Gugu disse...

Assim, como ativar a percepção? Percebendo essa Consciência-Égide-Suprema. A Consciência (percepção) já está ativada. Quando você se volta para ela, em pura compreensão, isso é meditação. Há algo que você possa fazer (ou que possa existir) sem que esteja no domínio desta Consciência? A resposta é "não".

O próprio Salmista disse: "SENHOR, tu me sondaste, e me conheces. Tu sabes o meu assentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento. Cercas o meu andar, e o meu deitar; e conheces todos os meus caminhos. Não havendo ainda palavra alguma na minha língua, eis que logo, ó Senhor, tudo conheces. Tu me cercaste por detrás e por diante, e puseste sobre mim a tua mão. Tal ciência é para mim maravilhosíssima; tão alta que não a posso atingir. Para onde me irei do teu espírito, ou para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer no inferno a minha cama, eis que tu ali estás também. Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar. Até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá." (Salmos 139)

Essa Consciência é tão alta, que nós (personagens) não podemos atingí-la. Mas podemos compreender que ela existe e está por detrás de tudo, porque nada existe que não esteja primeiramente abrangido/projetado/existindo na Consciência.

Quando um personagem aqui na terra se ilumina, a iluminação verdadeira não consiste na situação de que "o personagem 'x' passou de um ser não-iluminado para iluminado". Se ele se iluminou, é porque essa iluminação existia primeiro na Consciência Universal (em Deus). Quando ele se ilumina, a atenção dele volta-se para aquela iluminação que existe na Consciência (e não para a iluminação fenomênica que aconteceu a um personagem efêmero). Ele não se vê como um ser que antes era dormente e que posteriormente despertou. A percepção dele é a de que ele é desperto/iluminado desde sempre. ele sempre fora um iluminado! Mas ele percebe isso porque a atenção dele volta-se para aquela Consciência-Égide-Maior. É lá que a verdadeira iluminação (percepção) está. A iluminação do personagem é apenas um fenômeno secundário.

Assim, como fazer para ativar a percepção? Primeiro você compreende que ela já está ativada, então você busca enxergar (intuitivamente) o lugar onde essa percepção está. Esse "lugar" é a Consciência, é Deus. Você apenas volta a sua atenção para ele, e ele cuida de fazer o resto. Você não tem de "ativar" a sua percepção. Deixe que Deus faça isso. Apenas volte-se para Ele. Mas esse "voltar-se para Ele" exige a compreensão que acima foi explicada. Compreenda isso, e fique tranquila quanto ao resto! Isso é meditação.

Gratidão, fico feliz pelo seu interesse em buscar entender esses mistérios. Pra mim é uma satisfação poder (ou pelo menos tentar) ajudar. De minha parte, estou fazendo o melhor possível.

Grande Abraço,

Namastê!

Anônimo disse...

Obrigada pela paciência! E tenha certeza, embora existam indagações, seus esclarecimentos são verdadeiras jóias para mim. Namastê!

Belisa disse...

Olá. Gostaria de saber quem é o autor desses ótimos textos? (Iluminação pelo método do conhecimento)
Até mesmo, quem é ou são, dono(s) deste blog?

Por que não tem informações a respeito, é algo secreto? seria legal colocar a autoria (até mesmo caso quiser copiar, para direitos autorais!)

gratidão! =)

Belisa

Gugu disse...

Olá Belisa,

Os textos que são aqui postados são vários, por isso também são vários os autores dos textos. Sempre que você quiser saber quem é o autor do texto, basta olhar o nome que está escrito logo abaixo da foto ou imagem ilustrativa. No caso desta série (Iluminação pelo método do Conhecimento), o autor é Vivekananda, um swami hindu, que foi o principal discípulo de Ramakrishna. Assim, as autorias estão sempre sendo colocadas.

Cada texto é de autoria de um autor diferente. Neste blog são postados textos vários seres/personagens despertos, iluminados.

Quem cuida do blog sou eu mesmo (Gugu). Eu não ligo pra essas questões de fotos ou informações sobre mim, porque a ênfase e o objetivo do blog estão nas mensagens dos mestres iluminados. Originalmente, fiz este blog com o propósito de armazenar textos para minhas leituras, estudos, e meu próprio proveito. Depois a coisa foi tomando o rumo de ser um blog voltado não só para mim, mas também para outros que quisessem. Eu também leio os textos que posto, pois estou aprendendo assim como todo mundo.

Grato pelo comentário.
Namastê!

Belisa disse...

Ah tá! Eu não tinha tinha entendido desse jeito, pensei que era apenas uma ilustração mesmo com a identificação (nome) embaixo, não que fosse o autor. Achei que tinhas escrito a partir das ideias dele (Vivekanada) talvez.

Gostei muito de suas respostas para Anônima. Há quanto tempo vc vem estudando?

Muito grata pelo esclarecimento!

Nemastê =)

Gugu disse...

Olá Belisa,

Então, eu comecei a me interessar por esses assuntos/estudos desde o ano 2000. Mas a intensidade da busca e dos estudos começou a aumentar partir de 2002. A ideia de começar o blog só surgiu mais tarde, em 2006.

A minha experiência é a de que, quando nos firmamos num propósito sério e sustentamos uma vontade ininterrupta de alcançar o conhecimento espiritual da transcendência (Unidade), isso cria em torno de nós uma atmosfera que começa a atrair uma série de acontecimentos, coisas, pessoas, que nos impulsionam na direção desejada. O Universo cuida de proporcionar a nós eventos que nos auxiliam, assim como também conhecer várias ideias, livros, pessoas que têm a ver com a nossa meta. E assim a vida vai se desdobrando e tudo vai chegando. Essa atitude interna (o desejo ardente de querer conhece a Verdade) é o ingrediente principal e poderoso, é o que faz tudo acontecer.

Seja bem vinda, grato por suas palavras.

Namastê!

Belisa disse...

Legal, Gugu.
Qual sua idade? Se não tiver problema em dizer claro. Sei que isso pouco tem importância. Mas por curiosidade mesmo, rsrs.

Quanto a esse desejo ardente de querer conhecer a Verdade. Vc acha que isso de fato é possível para nós? Ou é da natureza do desejo, nunca alcançar a satisfação plena, estando sempre a frente, para podermos ficar sempre nisso, de não querer parar essa BUSCA, ficando na eterna ESPERAnça?! Ou seja, enquanto buscadores, assim permaneceremos... Por isso me questiono se essa busca tem "fim", ou a "finalidade" é mesmo essa infinita caminhada, a Verdade está nesse processo todo, pois não tem um ponto de chegada...

Outra questão que me veio... Encontrar essa Unidade e a Verdade, seria [de certo modo] então iluminar-se?

Desculpe-me se ficou muito confuso e/ou inconveniente, hehe.

Nemastê!

Gugu disse...

Tudo bem, Belisa, não tem importância ficar colocando dados, mas também não tem problema alguém perguntar. A idade do meu personagem é 29 anos. Mas eu sei que a verdade é que "antes que Abraão existisse, eu sou". Isso vale para todos nós.

Sobre a questão do desejo... eu não tenho dúvidas! É totalmente possível. Você acredita que Buda conseguiu realizar a iluminação? Ele desejou tanto que abandonou o palácio, família, amigos e todos os privilégios que ele tinha na vida só para buscar essa realização. Estou citando Buda só como exemplo, existiram muitos outros como ele. Se foi possível a ele, é possível a cada um de nós também.

Esse desejo de Buda é diferente dos demais desejos (esses que você cita). O desejo de alcançar a realização, a felicidade, vem do coração, vem de uma fonte autêntica. Para esse desejo há um fim. Os desejos gerados pela mente é que são os falsos desejos, eles são impossíveis de satisfazer, eles não têm fim.

O desejo autêntico vem da nossa vontade (as vezes consciente, as vezes inconsciente) de nos reaproximar de Quem somos. É um desejo que todo ser humano sente, sem exceção; tal desejo se traduz na busca pela felicidade, que é o mesmo que realização, preenchimento, completude, Deus. E cada pessoa está buscando isso. Alguns estão buscando na direção errada, no mundo. Ao buscarem Deus no mundo chega um ponto em que a pessoa atinge o "fundo do poço", onde é impossível continuar seguindo em frente. Nesse momento, ela é automaticamente forçada a mudar/inverter a direção; ao invés de "fora", a pessoa começa a procurar "dentro". O caminho do mundo (exterior) também faz parte da caminhada espiritual, só que ele demora mais.

Eu não tenho um pingo sequer de dúvidas acerca dessa iluminação, desse estado de consciência elevado de Unicidade. Já tive todos os tipos de provas e respostas possíveis, respostas essas que chegam justamente porque eu carrego esse desejo profundo de realizar Deus. Quando é assim, toda a espiritualidade atua em nosso favor.

A "caminhada infinita" que você se referiu existe, mas ela pertence à representação. A evolução é para o personagem. Porém a realidade é que não existe evolução para Quem somos. Quem somos já está inteiramente aqui e agora, imóvel, completo, consumado. Para Quem somos, tudo já é. E esse estado de Consciência pode ser constatado. Os caminhos para se chegar a isso são vários. Eu, por exemplo, me identifico muito com a Seicho-No-Ie, o Caminho Infinito e a filosofia Advaita.

Grato pelo comentário.
Namastê!

Belisa disse...

Realmente, temos vários exemplos, como estes "mestres famosos" que você coloca no blog. Só que pelo que me parece são estas pessoas mais "incomuns", se assim posso dizer.. Não gente que eu encontro no cotidiano por exemplo. De tantos buscadores, pelo que eu sei, raríssimos são os que conseguem.

Acredito sim que é possível a iluminação, justamente pq tem exemplos. Questionei a possibilidade de realizar enquanto buscador. Pois pelos testemunhos que conheci ao menos, a iluminação se deu por PARAR de buscar.

Bom.. tenho vários questionamentos, curiosidades.. e estou sempre pesquisando, lendo bastante sobre, mas muitas das minhas dúvidas não encontro, e não tenho ninguém pra conversar sobre, pra me ajudar esclarecer, enfim.. Até tem pessoas pra falar a respeito sobre alguns temas relacionado a espiritualidade, eu e meu namorado lemos bastante Osho por exemplo e ficamos depois trocando ideias... Mas assuntos ainda mais profundos, como o advaita, não conheço ninguém que conheça,hehe, ou se interesse muito.

Acho que seria bom dialogar com alguém mesmo, mais próximo, buscador como eu, não ficar só com as palavras de "gurus", que estão tão distantes de certa forma..
Se não for ruim pra vc, poderias me passar um contato pra gente ir conversando quando possível? Seu e-mail ou facebook (ou eu passo meu e-mail, vc não publica aqui e manda pra mim).
Se não for algo chato pra vc, claro. Ou até mesmo, caso vc não quiser, e tiver alguém pra me indicar pra me auxiliar nessas minhas dúvidas e angustias.

Gratidão =)

Gugu disse...

Belisa,

Existem pessoas iluminadas, e eles são gente comum. Essas pessoas existem assim, justamente para mostrar ao mundo que essa condição de percepção (unidade) é possível a qualquer pessoa, como eu e você. EU se revela ao mundo como professor, como guru, como mestre (personagem). Mas Eu também Se revela através de pessoas comuns, justamente para que os personagens não se tornem apegados às imagens daqueles seres incomuns que se destacam das massas (mestres professores e gurus). Isso ocorre para que eles não pensem que somente um mestre poderá atingir a condição de iluminado. Aliás, o verdadeiro Mestre é Aquele que aparece como mestre, como guru... o mestre nunca é o personagem. O Mestre é aquele que "aparece como". Se estivermos atentos, podemos interagir com esse Mestre que aparece como cada personagem. Eu se revela para quem escolhe não reagir ao cenário ou aos personagens, e sim àqueles que decidem interagir Comigo, o Autor que está por detrás de toda a representação.

Você disse que conheceu muitos para os quais a iluminação deu-se por PARAR a busca. Realmente, quando a iluminação chega, há uma parada na busca. A Gangaji gosta de colocar muita ênfase nisso: "se você quer encontrar, então simplesmente pare com tudo". Mas essa parada não significa que a pessoa meramente deva parar de buscar, aprender, praticar, meditar... Para que o indivíduo consiga realizar essa "parada", é necessário que ela esteja acompanhada de uma compreensão. Caso contrário a pessoa poderá até parar com tudo, mas ela não vai perceber nada, ou seja, nada acontecerá.

Osho é muito bom, ele tem livros profundos, em que foca somente a questão da meditação; e tem outros livros que ele fala sobre diversos assuntos. Quando eu o leio, gosto de ir somente naqueles primeiros (os de meditação). Realmente, ninguém consegue falar e explanar como ele. Ler o Osho me possibilitou entender vários outros assuntos dentro da espiritualidade e da meditação.

Podemos conversar, sim, será um prazer. E acho que você está certa: é bom trocar ideia com alguém, e não ficar somente com as "palavras de gurus distantes". Você pode enviar o seu contato pra esse e-mail: miludas@hotmail.com

Eu respondo suas mensagens. Vamos nos falando...

Grande Abraço!
Namastê!