
Masaharu Taniguchi
"No princípio Deus criou o céu e a terra." (Gênesis 1:1)
Para Deus – a Grande Vida, a Suprema Sabedoria – não existe o que se chama princípio. Se houvesse princípio, poderia haver fim; porém, como não existe princípio, também não existe fim. O que aqui é dito "princípio" refere-se ao um. No idioma japonês, o ideograma que indica um lê-se também hajime ("princípio"). Um é o número-base a partir do qual tudo se desenvolve. Não é o um relativo a dois, mas o um global referente à unidade de todas as coisas. Se não existisse o um, nada neste mundo poderia se realizar. Por existir primeiramente o um é que pode vir a seguir o dois. Existindo o um global, pode-se formar a seguir o par. Existindo o absoluto, forma-se o relativo. O um global, absoluto, é aqui chamado de "princípio". Em suma, existe o princípio único, a realidade absoluta, e desse princípio único e absoluto é que se originaram todos os seres.
Uma vez que o princípio é absoluto, tanto Deus como o homem, como o eu, como o outro, como todos os seres criados, são um. É um erro pensar que somos seres separados uns dos outros. Originariamente todos estamos ligados, constituindo o um. Portanto, a afirmação "eu e o outro somos um" é a própria Verdade. E quando se vive segundo essa Verdade, isto é, quando se elimina a discriminação entre eu e o outro, nasce a verdadeira força vivificadora. "Até aqui sou eu, daqui em diante é o outro" – enquanto se fizer essa discriminação, não nascerá a verdadeira força vivificadora. A chamada força vivificadora não é algo que existe no eu e no outro; ela existe onde há união do eu com o outro. Uma vez abolida a discriminação, o homem manifestará em seu trabalho uma força até então nem imaginada.
Tomemos como exemplo um assalariado. Suponhamos que ele pense assim: "Este trabalho é trabalho da empresa, e eu estou apenas vendendo parceladamente, oito horas por dia, a minha vida em troca de um salário". Se ele pensa assim, surge antagonismo entre o trabalho da empresa e a vida do empregado porque existe discriminação, e quando há discriminação aparece uma "fenda" no coração. O empregado pensa: "Este trabalho não é meu; portanto, quanto mais intensamente a ele me dedicar, mais se reduzirá a minha vitalidade e mais aumentará o lucro da empresa; por isso, se eu não trabalhar com moderação estarei me prejudicando". A empresa e o empregado estão divorciados e, havendo um abismo entre eles, a força vivificadora não pode se manifestar plenamente. Porém, se houver harmonia entre o trabalho da empresa e a Vida do empregado, isto é, se houver a conscientização de que originariamente eu e o outro somos um, então se realizará um grandioso trabalho.
Se o empregado pensa que a empresa e ele são existências separadas, achando que se trabalhar demais estará levando desvantagem, surge-lhe o pensamento de que é mais vantajoso vadiar o máximo possível. Consequentemente, começa a pensar e a engendrar como vadiar, burlando a vigilância superior. Na verdade, além do trabalho que lhe foi atribuído, tem de executar o trabalho extra de observar o olhar superior. Nessas condições, embora pense em vadiar o máximo possível a fim de não se prejudicar, só pelo fato de assim pensar sofre um desgaste mental duas vezes maior que as demais pessoas. Portanto, do ponto de vista prático, quem tem desejo de vadiar é o que mais usa a mente. Além disso, uma vez que sua mente é usada para fim escuso, há um certo temor e peso na consciência, o que cansa mais depressa. Consequentemente, quanto mais ele pensa em vadiar, mais se torna propenso a sofrer esgotamento nervoso, do mesmo modo que quanto mais se foge temendo um cão, mais se arrisca a ser mordido por ele, pois esta é a lei da mente.
Porém, se houver, desde o início, a identificação entre o trabalho da empresa e a Vida do empregado, traduzida na consciência de que eu e o outro somos um, o trabalho da empresa será trabalho do empregado, e o trabalho do empregado será trabalho da empresa. Não havendo a mínima discriminação entre eles, não haverá necessidade de a pessoa desviar a atenção para a vigilância superior e será possível concentrar-se mentalmente numa única ocupação.
A concentração mental é um fator muito importante em nossa vida. As recente comunicações do mundo espiritual são unânimes em confirmar que o treinamento no mundo espiritual consiste principalmente na concentração mental. Às vezes, somos tentados a pensar que é por meio do nosso trabalho que a empresa aufere lucros e que nós temos apenas prejuízo. Porém, a empresa lucra somente em dinheiro, enquanto nós, homens, além do dinheiro pelo trabalho executado, obtemos um lucro muito valioso: o adestramento de nossa vida (alma) através do trabalho a nós atribuído. Adestrar a vida significa saber o procedimento correto para que o eu, que à primeira vista parece uma vida pequena e limitada, consiga exteriorizar, cada vez mais, a Vida proveniente da Fonte Inesgotável. Portanto, o que a pessoa diz ser trabalho da empresa é trabalho dela, que faz sua vida se adestrar e desenvolver. Despertando para o fato de que todo trabalho lhe é atribuído para adestrar e desenvolver sua vida, encarando com gratidão esse trabalho e dedicando a ele integral devoção, a pessoa consegue concentrar-se mentalmente. Assim, por mais que trabalhe, não se cansará porque estará manifestando a força infinita que transcende o eu limitado. Nascer-lhe-ão novas ideias em relação ao trabalho e obterá grandes progressos em relação à sua inteligência, afetividade e vida (saúde).
Para manifestar essa força infinita que transcende o "eu" limitado, o único caminho a seguir é despertar para a Verdade primordial de que eu, o outro e o Infinito constituem um só ser. De nada adianta, porém, pensar de modo vago, superficial, que o eu, o outro e o Infinito são um; os resultados concretos somente aparecem quando se desperta para essa Verdade.
O que foi dito acima não se refere apenas à relação empregado-empregador, mas também ao relacionamento familiar. Quando os membros de uma família fazem nítida distinção entre o lucro próprio e o lucro do outro, ocorre maior desgaste mental, e a Vida inesgotável não flui para o interior deles. Tal família apresenta uma tendência à desorganização e não prospera. Quando eu, o outro e o Infinito formam uma trindade, qualquer trabalho que se faça para o outro será trabalho próprio, e o Infinito (Deus) estará dentro da pessoa, manifestando a força infinita. Portanto, por mais árduo que seja, o trabalho não lhe será penoso. Quanto mais difícil o trabalho, maior interesse haverá em transpô-lo. Disso virá o seu progresso.
Em conclusão, tudo tem uma só origem. O princípio é um. Quando se age conforme a Verdade da unidade intrínseca, que é ao mesmo tempo amor e vida, manifesta-se a inesgotável força vivificadora.
Do livro: "A Verdade da Vida, vol. 11"














