"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

terça-feira, outubro 04, 2011

Ética para a libertação do ser humano


Masaharu Taniguchi

"A moralidade e o direito nasceram
Quando o homem deixou de viver
Pela alma do Universo.
Com a tirania do intelecto
Começou a grande insinceridade.
Quando se perdeu a noção da alma,
Foi decretada a autoridade paterna
E a obediência dos filhos.
Quando morreu a consciência do povo,
Falou-se em autoridade do governo
E lealdade dos cidadãos."
(Lao-Tsé, Tao-Te-Ching)



A MORAL RÍGIDA NÃO É A MORAL VERDADEIRA

A humanidade não tem conseguido alcançar a verdadeira felicidade, nem praticar espontaneamente o bem, porque há excessivos regulamentos e leis a tolher sua liberdade. Mesmo em se tratando de prática do bem, o ser humano sente-se relutante quando é coagido a isso, porque sua natureza é originariamente livre. A linha traçada com uma régua pode primar pela sua característica perfeitamente reta, mas a linha ligeiramente torta traçada à mão livre é mais interessante, e os artistas preferem esta àquela; isto porque ela exprime a liberdade, que é inerente à Vida. A linha traçada à mão livre pode parecer imperfeita se comparada com a linha traçada com uma régua, mas, em última análise, é mais bela justamente por sua peculiaridade. Tudo aquilo que representa a livre expressão da Vida é belo. Quando se tenta dirigir o comportamento do ser humano com regulamentos e restrições excessivamente rígidos, ele tente a reagir praticando infrações, ao invés de obedecer.

Portanto, não devemos tentar impor ao ser humano padrões de conduta excessivamente rígidos. Quando se impõem ao ser humano padrões de conduta demasiadamente rígidos, sua Vida reage contra isso, fazendo com que ele se torne rebelde ou, pelo contrário, acovarde-se e perca a capacidade de exteriorizar seu verdadeiro valor. Em outras palavras, ele se desencaminhará ou se apequenará, perdendo toda a sua vitalidade.

A Vida provém de Deus. Portanto, ela constitui a Natureza Divina, a autonomia e o auto-respeito do ser humano. É sacrilégio tentar moldar a Vida, que é sagrada e autônoma, a uma regra-padrão. A Vida não é uma energia mecânica, mas sim uma força evolutiva e criadora que brota do interior do ser. Ela se caracteriza pela capacidade de criar incessantemente novas formas, novos elementos. Não sendo tolhida, ela se expressa com toda a sua autenticidade.

Por isso, devemos reduzir o quanto possível as regras rígidas que tolhem a Vida, e procurar cultivar a força criativa, a força autopurificadora, o viço e a beleza que provêm do âmago da própria Vida. Se assim procedermos, nossa vida se ordenará por si mesma, sem as restrições das regras impostas, e passará a se desenvolver num ritmo verdadeiramente harmonioso. A Vida em si é uma energia dotada de sabedoria infinita, que age segundo o seu próprio ritmo; assim sendo, quando a deixamos manifestar-se livremente, por si mesmo se estabelece um ritmo harmonioso. É como acontece com a música. Cada tipo de música, com seu próprio ritmo, é belo e harmonioso.

Nossa Vida é a Vida do próprio Deus. Portanto, se não a tolhermos e procurarmos sempre expressá-la o máximo possível, podemos melhorar infinitamente, e criar infinitas coisas boas e belas. Se a maioria das pessoas não consegue isso, é porque não estão expressando plenamente a Vida. É porque considera a Vida um simples “elemento material fixo”, sem a capacidade de evoluir incessantemente. Aqueles que, com base nessa concepção, tentam acrescentar à Vida algo de bom ou belo, fatalmente se verão obrigados a imitar, na forma, o belo ou o bem que a própria Vida já revelou espontaneamente no passado. Resultam disso a arte convencional e a moral convencional. A mera imitação da forma é destituída de Vida, não passa de uma forma sem conteúdo, uma imagem sem alma. No momento em que passamos a imitar apenas a forma, distanciamo-nos do bem e do belo verdadeiros; então, passamos simplesmente a seguir as pegadas daquilo que, no passado, era realmente expressão do bem ou do belo. Se determinadas obras e condutas eram, no passado, expressão do belo e do bem, é porque elas resultavam da expressão e ação espontaneamente livres da Vida.

Recentemente, tive que repreender uma senhora para possibilitar a cura de seu filho, que sofria de tuberculose. Essa senhora estava obstruindo a livre manifestação da Vida de seu filho, impondo-lhe repouso absoluto. Ela amava muito o filho e, por desejar vê-lo curado, obrigava-o a seguir rigidamente o “método de cura pelo repouso absoluto”, que tinha surtido efeito satisfatório em alguém, no passado. Devido a isso, a energia vital desse jovem estava sendo restringida e sufocada, e ele ia ficando cada vez mais debilitado. Ele passou a nutrir profundo ressentimento contra a mãe; e ela, por sua vez, redobrou as preocupações com o filho, instalando-se, assim, uma vida amarga e sofrida, resultante do apego. Quando a mãe veio pedir-me orientação, eu lhe disse: “quem está impedindo a cura de seu filho é a senhora mesma”, e repreendi o seu comportamento em relação ao filho enfermo. Ela ficou magoada com a minha repreensão, dizendo-me o quanto ela amava seu filho. Porém, o fato é que, quando ela resolveu seguir meu conselho e deixou de tolher a Vida de seu filho com aquele rigoroso método de cura criado por alguém no passado, ele ficou completamente curado.

Há também o caso de uma certa menina que passou a detestar os estudos porque seus pais influenciavam-na negativamente com a ideia fixa de inculcar-lhe o dever e a obrigação de estudar. Sempre que se sentava diante de sua mesa de estudos, a menina sentia as vibrações mentais de seus pais que a tolhiam com a obsessão do dever e obrigação, experimentava uma sensação de desconforto e, mas começava a estudar, perdia o interesse e ia para fora brincar. Aconselhei a mãe dessa menina a crer firmemente que sua filha é uma criança estudiosa, e deixar de pensar em obrigá-la a estudar mais a todo custo. Quando a mãe passou a proceder conforme o meu conselho, a menina começou a se interessar pelos estudos espontaneamente, e tornou-se uma criança estudiosa.

Também nas relações conjugais, o cerceamento da liberdade traz resultados negativos. Se o marido tentar tolher a liberdade da esposa (ou vice-versa) com regras ou normas excessivamente rígidas, não será possível a verdadeira felicidade conjugal. Um casal que vive assim, por mais que aparente ser feliz, não o é realmente. Para se conseguir a verdadeira felicidade conjugal, é preciso que cada um dos cônjuges procure doar-se inteiramente ao outro, em vez de tentar cercear-lhe a liberdade com sentimento de posse.

Somente o amor verdadeiro, destituído de apego, é que traz a felicidade. Há algum tempo, contaram-me o caso de uma senhora casada com um pastor há 15 anos, a qual se apaixonou por um membro da congregação e foi viver com ele, abandonando o marido. Os amigos e conhecidos do pastor, muito indignados, queriam separar o casal de amantes e vieram consultar-me sobre o caso. Eu lhes disse: “Antes de mais nada, é preciso questionar por que essa senhora deixou o marido, com quem vivia há 15 anos. É provável que esse pastor tivesse um senso de moral bastante distorcido, e procurasse sempre tolher a liberdade da esposa. Os moralista de fachada acabam levando os outros a atos imorais. A liberdade é inerente à Vida. Por essa razão, quanto mais se procura tolher o ser humano, mais ele procura reagir contra a restrição. Isso se aplica também ao caso desses amantes. Não tentem obrigá-los a se separar. Se fizerem isso, eles reagirão e procurarão unir-se mais ainda. Não devemos tolher a Vida, mas sim deixá-la agir livremente, confiando em seus corretos impulsos. Assim, a Vida só poderá tomar o rumo certo. Portanto, vocês devem deixar que aqueles amantes sigam o correto impulso da Vida. Se o certo é separarem-se, eles acabarão se separando, por si mesmos; se o certo é ficarem juntos, eles permanecerão juntos e, nesse caso, a vocês cabe abençoá-los e desejar-lhes uma vida feliz”. Este foi o meu conselho. Não me cabe julgar ninguém. Se eu dissesse que é preciso forçar aqueles amantes a se separarem, eu estaria julgando-os. “Não julgueis” – assim ensinou Jesus Cristo. Como já disse, a Vida é a expressão do próprio Deus. Portanto, confiar na manifestação natural da Vida é confiar no julgamento do próprio Deus, que é infalível.

Quando confiamos na vida e deixamos que ela aja com a liberdade que lhe é inerente, ela se manifesta plenamente e, sendo essa a manifestação autêntica da Vida, revela-se o bem, e revela-se também o belo. Então, a trilogia “autenticidade-bem-belo” manifesta-se em nossas vidas, fazendo com que as nossas condutas sejam autênticas, boas e belas ao mesmo tempo. Os semelhantes se atraem. Se uma pessoa vê no outro a autenticidade, o bem e o belo e lhe deposita inteira confiança, o outro também vê nela a autenticidade, o bem e o belo, confia inteiramente nela, e então passa a haver um convívio feliz, repleto de beleza e harmonia (no caso de marido e mulher, o lar deles se torna um paraíso terrestre).


NÃO DEVEMOS FORÇAR OS OUTROS

Não devemos forçar os outros a se enquadrarem ao nosso padrão moral. Se agirmos dessa forma, não só eles se afastarão mais do bem, reagindo contra a imposição, como também estaremos prejudicando a nós mesmos. Quando tentarmos impor normas de conduta aos outros, somos obrigados a julgá-los constantemente, segundo o nosso próprio padrão de moral; e enquanto nos empenhamos nisso, a nossa preciosa energia vai sendo consumida em vão. Isso será desperdício de energia. Melhor dizendo, será o mesmo que usar a energia para prejudicar os outros e também a nós próprios. A sensibilidade da mente humana é tal, que quando reparamos constantemente nos pontos negativos dos outros e os mantemos gravados em nossa mente, passamos a ter vibrações mentais negativas que causam até danos físicos não só aos outros como também a nós próprios. No caso da sra. Fumiko Tanaka, citada anteriormente, a sua suscetibilidade fez com que ela ficasse com manchas na pele só por ter ouvido a transmissão radiofônica de uma história cuja personagem sofria de uma terrível doença que fazia surgir manchas na pele. A maioria das pessoas não é tão suscetível como essa senhora. Mas o fato é que, quando reconhecemos o mal e o mantemos gravado em nossa mente, ele influi negativamente em nossos pensamentos, mina-nos por dentro, faz-nos emitir vibrações mentais negativas, e as pessoas que receberem essas vibrações serão feridas, como se fossem atingidas por um projétil.

Em Palavras de Sabedoria há um trecho que diz: “Quando temos a pretensão de conduzir o outro à virtude, acabamos por prejudicá-lo; mas quando acreditamos na bondade inata do outro, ele passa a revelar essa bondade”. Isto é verdade. Se você deseja manter sempre sadios o seu corpo e a sua mente, e empregar de forma positiva toda a sua energia, não deve forçar os outros a seguirem o caminho traçado por você, ou seja, obrigá-los a conduzir-se de acordo com as normas estabelecidas por você. O caminho natural e verdadeiro existe onde não há obrigação imposta pelas normas rígidas. As aeronaves, que não se locomovem sobre trilhos, não correm o risco de descarrilhamento, mas os trens e os bondes, que correm sobre trilhos, estão sujeitos a tal risco.

Havendo o caminho obrigatório, haverá também o risco de se desviar. Pessoas atadas às normas e padrões rígidos sofrem quando elas próprias se desviam do caminho e também quando não conseguem evitar que os outros se desviem. Os trens e os bondes não podem se locomover se não houver trilhos, mas o ser humano, sendo Filho de Deus, encontra o equilíbrio por si mesmo e movimenta-se com perfeição, justamente quando lhe é permitido agir com a liberdade inerente à sua natureza. Tudo aquilo que é capaz de movimento autônomo funciona com perfeição quando lhe é permitido mover-se livremente, porém, havendo algum elemento externo que procure restringir-lhe o movimento, começa a funcionar desordenadamente. É como o pião que está a girar: se não o tocarmos, continuará girando com perfeição, mas se o tocarmos, sairá do lugar e começará a balançar.

A tendência natural do bambu é crescer reto; a tendência natural das trepadeiras é enroscar-se nos muros, nas árvores, etc.; a tendência natural das gramas-rasteiras é espalhar-se pelo chão. Cada qual tem sua própria beleza e peculiaridade. Na peculiaridade de cada um percebemos a vontade divina, sentimos a presença do próprio Deus. Deixemos que o bambu cresça com as características do bambu; que as trepadeiras cresçam com as características das trepadeiras; que as gramas-rasteiras cresçam com as características das gramas-rasteiras. Se tentarmos fazer com que as trepadeiras cresçam retas como o bambu, ou obrigarmos o bambu a enroscar-se como as trepadeiras, ambos acabarão morrendo. E, o que é pior, nós próprios acabaríamos ficando esgotados no afã de obrigá-los a crescer contra sua própria natureza. O mesmo acontece em relação às pessoas. Se julgarmos os outros com nossa própria medida (isto é, com nossos próprios critérios) e tentarmos forçá-los a seguir o nosso padrão de moral, acabaremos prejudicando não só a eles como também a nós mesmos.


DEVEMOS VALORIZAR AS DIFERENÇAS INDIVIDUAIS

As pessoas diferem quanto à personalidade e também quanto à forma de observar coisas e fatos, do mesmo modo que diferem quanto à fisionomia. Assim sendo, as tentativas de forçar os outros a terem critérios e opiniões exatamente iguais às nossas fatalmente resultarão em fracasso. Insistindo em tais tentativas, só ganharíamos irritação e cansaço, e além disso acabaríamos sendo detestados pelos outros. Ninguém gosta de ser forçado a aceitar opiniões alheias. Assim, se uma pessoa tentar, arrogantemente, impor sua opinião aos outros, será inevitável que eles passem a detestá-la.

Como devemos agir para melhorar as pessoas? Nunca devemos restringir-lhes a liberdade, impondo rígidas regras de conduta. O que devemos fazer é valermo-nos da Verdade por nós apreendida para fazer algum trabalho concreto no sentido de beneficiar o próximo, e deixar que ele se conduza de acordo com seus próprios pensamentos. Devemos deixá-lo agir livremente, acreditando na bondade que ele traz dentro de si, como Filho de Deus. Quando pode agir com verdadeira liberdade, a pessoa encontra o equilíbrio por si mesma e passa a viver corretamente. Podemos comparar isso ao fato de que, se não tocarmos o pião que está girando, e o deixarmos que continue rodando livremente, ele manter-se-á perfeitamente equilibrado sobre seu próprio eixo.

(Do livro “A Verdade da Vida, vol. 14”, pág. 123-138)


"Pela retidão se governa um país;
Pela prudência se conduz um exército.
Mas é pelo não-agir
Que é regido o Universo.
De onde sei que é assim?
É evidente por si mesmo.
Quanto mais proibições existem,
Tanto mais o povo empobrece.
Destrói-se toda a ordem
Quanto mais os homens procuram
Os seus interesses pessoais.
Prepara-se a revolução
Quando os homens só pensam em si mesmos,
Quando o governo só confia
Em leis e decretos
Para manter a ordem.
O que diz o sábio:
Não intervenho!
Eis que por si mesma prospera a vida.
Na sociedade mantenho-me imparcial
E por si mesmo o povo se endireita.
Não me meto em conhavos!
E por si mesma floresce a ordem.
Não nutro desejos pessoais!
E eis que tudo por si mesmo cai bem."
(Lao Tsé - Tao Te Ching)


"Quando o governo é simples
O povo vive feliz.
Quando o governo tudo determina e interfere,
O povo mostra-se infeliz.
A felicidade repousa na renúncia.
Renúncia é a base da feliciade.
Se o estado é governado sem retidão,
A retidão se converte em erro
E o bem em perversidade.
E iludido, o povo torna-se confuso
Durante longo tempo.
Portanto, o sábio é como um esquadro,
Que não corta ninguém com seus ângulos,
Como uma aresta, que não fere ninguém
Com sua agudeza,
Estende-se, mas não às custas dos outros
Brilha mas a ninguém ofusca."

(Lao Tsé - Tao Te Ching)




2 comentários:

Anônimo disse...

Acompanho este excelente blog para compreender melhor o que eu sou, de onde vim e para onde vou. Meus parabéns ao(s) organizador(es) e continue(m) a postar cada vez mais e mais mensagens espirituais!

Gugu disse...

Obrigado!

Sentimos satisfação em poder publicar e divulgar textos profundos sobre a Verdade.

Grande Abraço!