"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

quarta-feira, novembro 17, 2010

Explanações sobre o Caminho Infinito

PERGUNTA: "Esta verdade não serve para tornar sadias as pessoas doentes, nem ricas as pessoas pobres, mas para despertar as pessoas, mesmos as saudáveis e ricas, para uma confiança no poder espiritual, na segurança espiritual e na liberdade espiritual, que não dependem do sucesso da pesquisa médica, nem de qualquer ideologia política, nem do sistema econômico sob o qual estamos vivendo. Essa é a espécie de liberdade que Jesus procurou dar aos hebreus, em contraposição à liberdade da servidão física, que Moisés havia proporcionado ao seu povo. Todos ainda permanecem sob a lei de Moisés, porém no sentido de que eles estão agarrados à segurança econômica e política, e na medida em que ainda NÃO tenham encontrado a segurança espiritual que os manteriam seguros, sem se importar sob qual forma de governo ou onde estejam vivendo." (Joel Goldsmith)

Um ser cristão prescinde, então, de pertencer a uma igreja ou compor qualquer coletividade porque é algo essencialmente pessoal, individual. A única orientação a ser buscada é a Presença interior, e o único Caminho a seguir é aquele desprovido de maldade, ódio ou medo. Mas por mais estranho que pareça, o que se nota na maioria das pessoas ditas cristã, é que elas seguem com mais zelo o Velho Testamento e simplesmente desconhecem o Novo Testamento! Dizem-se cristãos mas não seguem o Cristo!





RESPOSTA:

Esse texto de Goldsmith fala sobre liberdade espiritual. A base do ensinamento do Caminho Infinito é a negação da existência e da presença da matéria, do fenômeno, o mundo tridimensional visível, "deste mundo". Goldsmith diz que "este mundo" é apenas aparência, uma imagem na mente humana. E quando a mente humana acredita nas imagens com que se depara, ela confere força ou poder a essas imagens, então elas passam a parecer serem incrivelmente verdadeiras - mas só para a mente que confere poder às miragens. Quem aprende a não deixar sua mente se levar/se impressionar pelas imagens que constantemente parecem existir, é aquele que entendeu que "o Meu reino não é deste mundo".

Goldsmith enfatiza muito a Verdade, tentando expressá-la como sendo o Único poder. Não um poder sobre algo ou alguém, nem sobre alguma coisa. É um poder que não possui adversários contra quem lutar. A Verdade do Caminho Infinito é uma Verdade que não serve para tornar as pessoas doentes em sadias, nem transformar pessoas pobres em ricas. Por que? Porque se assim fosse, a Verdade teria algo a combater: a doença, a pobreza. O propósito do ensinamento é fazer o homem perceber que nada disto é real - nem a doença, nem a pobreza, ou mesmo a saúde e a riqueza. As verdadeiras saúde e riqueza não estão no mundo, não estão no corpo material. Mesmo que um corpo físico seja saudável e dotado de grande constituição física, essa saúde não é a saúde verdadeira. A Verdadeira saúde é espiritual, existe no Espírito, em Deus. A mente que compreende isso, despertou para a Verdade.

A saúde não é uma condição da matéria, mas da Mente divina e infinita. Nem podem os sentidos materiais dar testemunho digno de confiança no tocante à saúde. A mente que reconhece a Verdade não é nossa mente humana, é a Mente de Cristo - a Mente a que Paulo se refere, em 2º Coríntios, como sendo a que já possuímos. Como reconhecer e constatar essa Mente em nós? Isso só pode ser feito à medida que conseguirmos nos desprender de nossa mente humana. Feito isto, a Mente de Cristo ocupará o lugar/foco antes ocupado pela mente.

Como podemos confiar no poder espiritual, em Deus, se não tivermos em nós firmemente estabelecido a compreensão do que é Deus? Antes de tentarmos entender todo o ensinamento do Caminho Infinito, temos que compreender o que é Deus. Quem é Deus? Nem adianta trabalhar com os príncipios ensinados, tentando aplicá-los, se não soubermos quem Deus é realmente. A compreensão de quem é Deus é que permitirá termos confiança no poder espiritual. Sem isso é impossível conseguir essa confiança.

Primeiro temos que entender (compreender realmente) que Deus é Bem, é Amor, é Perfeição. Deus nunca criou maldades, nem sofrimentos ou infelicidades. Se pudermos entender profundamente isso, então poderemos olhar para todas as imagens feias "deste mundo" e compreender: "Deus não as criou. Se Ele não as criou, elas não existem, porque Deus é o único Criador. Elas não estão presentes - mesmo que pareçam estar diante de mim. A Verdade é que elas nunca apareceram". É só isso que tem que ser entendido/visto. Essa Verdade é vista interiormente, não é vista com nossos olhos ou intelecto mortais. Deus é o único Criador, e tudo o que Ele criou, viu que era bom. Se você puder abrir seu coração pra essa Verdade, descartará automaticamente qualquer imagem ou 'aparente criação' em contrário. Você é perfeito agora, porque Deus te fez assim. Você consegue imaginar Deus como sendo tamanho Amor e Perfeição, tamanho Bem, a ponto de Ele o criar Perfeito e de um modo que você jamais pudesse se tornar imperfeito ou doente? Consegue confiar que Deus fez tudo perfeito, não só no início da Criação, mas que também Ele jamais se descuidou de Suas criações para que elas em dado momento se tornassem imperfeitas ou doentes? Afinal, se Ele tivesse criado tudo perfeito e dado brechas, abrindo possibilidades para que no decorrer do tempo suas obras se tornassem imperfeitas, Deus não seria perfeito. Mas Ele é. Consegue compreender e aceitar que Deus seja Bem, Amor e Perfeição a este ponto? Se puder, então pode seguir em frente nos ensinos do Caminho Infinito.

Mas se não puder, então é melhor parar de tentar entender o ensinamento todo e se concentrar nessa parte, até conseguir desenvolvê-la perfeitamente em você. Se não conseguimos compreender Deus como sendo essa Divindade Perfeita, é porque nossa mente está acreditando demais no mundo fenomênico. Temos que trabalhar e resolver isso.

Conta-se que Buda, quando foi além dos limites dos muros de seu palácio para o mundo, tomou conhecimento de que no mundo existiam coisas como a doença, o sofrimento, a morte, e imediatamente, chocado, rejeitou o mundo dizendo: "Isso não pode ser Verdade. Se este mundo for Verdade, então Deus não existe. Porque Deus jamais criaria coisas terríveis por que passam os homens num mundo como este. Este mundo não é criação de Deus, ele é uma ilusão". Buda rejeitou tudo. Por causa disso, o Budismo é tido como uma religião ateísta, uma fé que não acredita na existência de Deus. Mas não é isso. Buda não estava negando a existência de Deus. Ele estava negando que Deus tivesse alguma coisa a ver com o mundo fenomênico. Se ele admitisse o mundo fenomênico, teria de negar a existência de Deus - porque a própria palavra "Deus" não é só sinônimo de "criador". A palara "Deus" possui implicações bem mais profundas. "Deus" só pode ser bondoso, amoroso, harmonioso, perfeito. Se existir um ser superpoderoso, capaz de criar universos, mundos e seres, mas não se constituir de Amor, Bem e Perfeição infinitos, esse ser é apenas uma entidade superpoderosa, mas não é Deus. Para ser Deus, tem de ser Perfeito em todos os detalhes. Por isso Buda negou que Deus tivesse alguma relação com este mundo fenomênico cheio de imperfeições. Admitiu Deus como existência verdadeira e chamou este mundo de 'maya', ilusão. É o mesmo que Goldsmith quando diz: "este mundo não é Real", "o Meu reino não é deste mundo". O Verdadeiro mundo, a Criação de Deus, é invisível à mente que enxerga o cenário material. Só pode ser visto pela mente infinita, pela Mente de Cristo. Mas para poder ver, você precisa primeiro saber que Ele existe. Acreditando nele, você poderá começar a caminhar rumo a ele.

Você não é capaz de ir a algum lugar sem acreditar que ele existe. Se você toma a iniciativa de viajar é porque sabe que o lugar pra onde você vai já está lá. Se você não proceder assim com os ensinamentos do Caminho Infinito, o resultado será o mesmo. Primeiro você tem que saber que Deus é Bem, Amor e Perfeição Infinitos. Depois tem de acreditar que "Meu Reino" já existe. Se não contiver em ti essa convicção, não poderá chegar a lugar algum. Portanto, o primeiro passo é compreender Quem é realmente Deus, qual é a verdadeira natureza de Deus. É com base nessa convicção que você estará apto (terá poder) para enfrentar as ilusões "deste mundo" que nos aparecem como se fossem genuinamente reais. Melhor dizendo: você não as enfrentará. A própria compreensão de que só existe Deus e a criação perfeita deixará claro que nunca houve o que combater e derrotar. Essa visão retira das aparências todo poder que foi dado a elas - elas deixarão de parecer realidades. Goldsmith diz: "Todo poder está em Deus", não em aparências. Essa compreensão desfaz as aparências. Você nunca luta contra algo, nunca tenta alcançar nada, porque não é preciso. Deus é perfeito, não é? Então jamais Deus abriu, em sua Criação, margens/brechas/possibilidades para que você em dado momento perdesse a sua condição de perfeição. Se pensarmos que isso ocorreu, então nosso entendimento de Deus ainda não é o suficiente. Sempre fomos perfeitos. Nunca mudamos. Temos tudo, somos livres. Tudo graças à Perfeição e ao Amor do Pai. Nada disso é devido a nós, os méritos não são nossos. É tudo por causa d'Ele. Graças a Ele temos tudo, temos saúde, paz, harmonia, sabedoria, amor... essa tem que ser a compreensão. E aparência alguma deve nos abalar - é ilusão, exatamente como Buda disse. A Compreensão de Deus desfaz a ilusão, porque dela retira o poder que a ela antes havia sido dado. Então vivemos em Deus, e vivenciamos a presença do Cristo. Viver em Deus é viver a vida Cristã. "Em Deus vivemos, existimos e temos o nosso ser" (Atos 17:28)

- Obs:
O conteúdo deste post também vale para quem segue os ensinamentos da Seicho-No-Ie (não é à toa que Masaharu Taniguchi começa explanando "o que é Deus" logo no início da Sutra) e da Ciência Cristã, pois todos eles partem do mesma Verdade: somente Deus, a Realidade Perfeita e Divina, existe realmente, e o mundo material é uma inexistência, um "nada", o qual é visto/percebido apenas e tão-somente por um mesmerismo, uma ilusão.


3 comentários:

josejurandir87@hotmail.com disse...

Fico impressionado com o aglomerado de ideias que surgem no sentido de explicar a Verdade. Deus é infinitamente sábio.

Anônimo disse...

Qual o sentido do mergulho sonambólico do Ego com todos seus sonhos de prazeres e desprazeres, se somos a Perfeição de Deus? Onde está a brecha que explica isso? Por que é tão dificil cair o véu?

Gugu disse...

Olá!

Você disse... "se somos a Perfeição de Deus"...

Se somos a Perfeição de Deus, então o Ego nunca mergulhou em sonhos de prazeres e desprazeres. Porque a Perfeição jamais pode ser tirada ou ocupar outra posição ou condição na qual ela já está. Se puder ser "mergulhado", ou tirado de onde (e como) já está, então não é Perfeição.


Vou colar aqui, de novo, um trecho valiosíssimo do post acima:

"Você consegue imaginar Deus como sendo tamanho Amor e Perfeição, tamanho Bem, a ponto de Ele o criar Perfeito e de um modo que você jamais pudesse se tornar imperfeito ou doente? Consegue confiar que Deus fez tudo perfeito, não só no início da Criação, mas que também Ele jamais se descuidou de Suas criações para que elas em dado momento se tornassem imperfeitas ou doentes? Afinal, se Ele tivesse criado tudo perfeito e dado brechas, abrindo possibilidades para que no decorrer do tempo suas obras se tornassem imperfeitas, Deus não seria perfeito. Mas Ele é. Consegue compreender e aceitar que Deus seja Bem, Amor e Perfeição a este ponto?"


OKs?

Abraço!