"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

quarta-feira, julho 28, 2010

Explanações sobre a Seicho-no-Ie


Jissô - A realidade absoluta, transcendental, o ser verdadeiro, absoluto, eterno e perfeito, constituído de Idéia de Deus; a Essência do ser.


Pergunta: Por favor, alguém comente esta parte da 'Sutra Sagrada Chuva de Néctar da Verdade', comparando com o texto da matéria postada.

"Às corporificações das idéias emitidas pela vida e projetadas no espaço dá-se o nome de matéria. A matéria é originariamente nada e não possui autonomia nem força. O que faz parecer que a matéria possua autonomia e também força para dominar a vida, é a distorção ocorrida na ocasião da passagem da vida por 'aquela forma de reconhecer'. Vede corretamente a Imagem Verdadeira da Vida sem vos prender a esta distorção."

Mais adiante a sutra afirma, ainda, que tudo é projeção da mente. Que mente é esta?


Resposta:
O texto da Seicho-No-Ie que foi postado é muito profundo, muito filosófico, vai fundo na Essência. Nele, Masaharu Taniguchi exterioriza toda sua conscientização do mundo verdadeiro, o mundo divino, perfeito, criado por Deus. Esse mundo divino existe e é mais real do que o mundo fenomênico (na verdade, não existe 'mais real', ou algo é real ou não é) que percebemos diante de nós com nossos sentidos mentais da visão, audição, olfato, paladar e tato. Mas o mundo divino não é captado pelos sentidos mentais; ele somente pode ser percebido, experienciado e vivido por um sentido ou uma percepção espiritual.

Compreenda uma coisa antes de tentar entender o assunto explanado no texto: Só existe Deus e o mundo perfeito e maravilhoso criado por Deus. Essa é a realidade. Mas como percebê-la? Compreender neste exato instante que só existe Deus e sua criação, a maioria acha muito difícil. Por isso, iremos no valer do seguinte expediente ou artifício para explanar a Verdade: diremos que existem duas mentes: a mente fenomênica e a Mente real. Somente a Mente real existe. Mas para o fim de obtermos alguma compreensão desta Verdade, consideraremos também a mente fenomênica como algo existente. Ela precisa existir se quisermos justificar ou explicar para nós mesmos o que é este mundo que está diante de nossos olhos físicos. Contudo, para quem não tem a necessidade de querer explicar, para aquele que é capaz de aceitar a Verdade docilmente com o coração inocente de uma criança, é desnecessário colocar a mente fenomênica em questão. Essa é a maneira de proceder dos ensinamentos com aqueles que buscam conhecer o Transcendental.

Assim, vamos entender o seguinte. A mente fenomênica projeta e percebe o mundo por ela projetado. Esta mente fenomênica, para perceber este mundo, precisa estar constituída por limites. Você não poderá ver nenhuma imagem diante de si se não existirem limites dentro dos quais esta imagem esteja aparecendo. O mesmo se dá com a forma: para que a forma exista, é preciso delimitar, restringir o espaço. Imagine um círculo e então visualize o tamanho dele ser aumentado até o infinito. Como está agora esse círculo? De que forma ele ficou? Para que você possa "ver" o círculo você precisa primeiro parar de aumentá-lo, então ele aparece. Se expandí-lo infinitamente, ele se tornará sem forma. Portanto, perceba que a mente fenomênica vê tudo com base em limites. Sem limites ela não existe – simplesmente não consegue -, e só a mente sem limites é que existe.

Pensando desse modo, fica fácil entender que a mente que só vê com base em limites não consegue perceber a existência sem limites, e vice-versa. A existência sem limites é percebida por uma outra Mente.

Agora entraremos na pergunta que foi levantada.

A Sutra diz:

"Às corporificações das idéias emitidas pela vida e projetadas no espaço dá-se o nome de matéria. (...)"

A Sutra diz que "matéria" é corporificação das idéias emitidas pela Vida. Quando a Vida concebe/emite uma idéia e esta se concretiza, chamamos isto de matéria. Veja que, para que essa "idéia emitida pela Vida" surja, é necessário haver um "espaço" (em outras palavras, limites!) onde ela possa aparecer. Qual é a mente que vê a matéria? A fenomênica. A matéria surge no mundo da Mente sem limites e adquire corporificação no mundo da mente de limites. Essa explicação só vale para a mente limitada que quer entender a existência material. No âmbito dessa mente, esta explicação é satisfatória e verdadeira. Os ensinamentos espirituais dizem que "tudo o que existe surge do que não existe". Do ponto de vista fenomênico isso é correto.

"(...) A matéria é originariamente nada e não possui autonomia nem força. (...)"

Mas logo a seguir, a sutra afirma que a matéria é nada, não possuindo existência nem força. Por que ela diz assim? É porque, pouco antes, quando esta parte estava prestes a ser escrita, o autor havia mudado imediatamente o seu referencial de explanação da Verdade. Antes de continuar escrevendo, o referencial foi mudado. Quando o autor explicou que a matéria se projeta no espaço, falou do ponto de vista da mente fenomênica, levando sua existência em consideração. Imediatamente, após isso, ele inverte o referencial, indo para um ponto de vista mais alto – o da Consciência infinita -, e então diz que "A matéria é originariamente nada".

"(...) O que faz parecer que a matéria possua autonomia e também força para dominar a vida, é a distorção ocorrida na ocasião da passagem da vida por 'aquela forma de reconhecer' (...)"

Nada faz parecer que a matéria possui existência ou força para dominar a Vida, exceto a "distorção" a que se refere o texto. A distorção é a mente fenomênica "vendo", é o próprio 'processo de percepção' da mente finita. Essa "distorção" acontece quando a pessoa se deixa levar pelas imagens mostradas pela mente fenomênica. A mente finita mostra uma série de imagens finitas/limitadas e, acreditando na existência delas, pensa e age somente com base nos limites percebidos. Por não acreditar ou não saber da existência de Algo além, age confinadamente, tolhida em todos os sentidos. Quando, para alguém, a matéria possui existência ou força para dominar a Vida, é porque a mente da pessoa foi dominada pela crença ou idéia que diz "somente o mundo material diante de mim existe de verdade", não permitindo que seu Ser vá além dessa crença sugerida pelas imagens mostrada pela mente humana. Portanto, o que faz parecer que a matéria possui força para dominar a Vida é crer/acreditar (essa é a distorção!) que a Vida esteja confinada ao que está sendo visto/experimentado pelos sentidos materiais.

"(...) Vede corretamente a Imagem Verdadeira da Vida sem vos prender a esta distorção."

Essa parte é bastante clara. Clara no sentido de que é fácil compreendermos o que o texto nos orienta a fazer. E, aqui, deixamos de lado o artifício considerar a mente e o mundo fenomênico como existentes. Ver "corretamente a Imagem Verdadeira da Vida" significa transcender, desacreditar, desconsiderar (mesmo que elas estejam se mostrando diante de você!) a existência da mente fenomênica e de todas as imagens mutáveis que ela joga na frente das nossas vistas a todo instante. Ao acreditar na presença ou na existência da matéria, restringimos a Vida, a atuação e o campo de atuação infinito da Vida, aprisionando-os a condições finitas/limitadas. A distorção não existe. É a mente que causa a distorção. Considerar existente o que é inexistente é causar a distorção. Você é capaz de perceber e ver a existência verdadeira quando não presta atenção nem às imagens limitadas, nem aos pensamentos que, graças a essas imagens limitadas, ocorrem em seu cérebro. Ao proceder assim, você aciona a Mente infinita em você. Não é necessário alcançá-la, desenvolvê-la ou despertá-la. Ela já existe em ti. Acredite na existência do mundo perfeito criado por Deus (mundo da Imagem Verdadeira), ele já está aqui. E quanto mais você contemplá-lo e percebê-lo com a Mente infinita, mais ele será evidenciado. Você obterá confirmações e provas da existência deste Mundo de Perfeição na medida em que ele se manifestar no "mundo visto pela mente fenomênica".

Veja o paradoxo disto: para conseguir melhorar e progredir no mundo fenomênico - em qualquer sentido que seja -, você precisa estar disposto a abrir mão, desapegar-se do mundo fenomênico, manifestar e viver a sua liberdade. Viva sua liberdade em você, em seu próprio Ser. Vivendo dessa forma a sua liberdade, o mundo fenomênico torna-se livre, amplo, as coisas acontecem sem embaraço. Elas acontecem como "frutos", como consequências/decorrências, como "coisas vindas por acréscimo", porque o mundo fenomênico-exterior é uma imagem-reflexo do mundo-verdadeiro-interior. Se compreender que sua Vida é intrinsecamente livre e perfeita, ou seja, que a liberdade e a perfeição estão ali pela Graça, pela própria natureza das coisas como elas são, tal liberdade e perfeição serão refletidas também no mundo externo. Mas esteja atento para o fato de que você não conseguirá melhorar o mundo fenomênico se contemplar a Imagem Verdadeira com a intenção de melhorá-lo. Se, com segundas intenções, você se dirigir a Deus na tentativa de corrigir ou melhorar o fenômeno, você estará na verdade acreditando no mundo fenomênico em vez de no mundo da Imagem Verdadeira (se quer melhorá-lo é porque acredita que ele existe). O mundo fenomênico não existe perante o mundo da Imagem Verdadeira, Deus. Não é possível querer/servir "dois senhores" (Deus e o mundo externo) ao mesmo tempo - é um ou outro. Busque Deus tendo como objetivo o próprio Deus (isso é amar a Deus!), não faça isso com segundas intenções (buscar Deus com segundas intenções é querer usar Deus, é não amá-Lo de verdade).

Agora, à luz destas explanações, leia novamente o texto postado, e perceba por que Taniguchi escreve: "Visto pelos olhos da Verdade, todo homem é filho de Deus e está nos braços de Deus desde o princípio; ele é filho de Buda. Todos o são, independemente de se conscientizarem ou não disso". Perceba o ponto diferencial que destaca as duas conscientizações abordadas no texto. Então você conseguirá perceber claramente que:

"Enquanto a pessoa vir como existente o fenômeno, que não é existência verdadeira, terá de lamuriar, dizendo "sou fraco, não sou perfeito", mesmo tendo passado pela experiência de se fundir com o mundo absoluto de Deus. É um erro considerar o fenômeno como realidade. Saibam que realidade é apenas a Imagem Verdadeira, a perfeição proveniente de Deus. Portanto, quando ressaltamos a existência exclusiva da Imagem Verdadeira e negamos a existência do mal, dizendo "Seres fracos não existem! A imperfeição não existe!" - isto é, quando afirmamos apenas a realidade da Imagem Verdadeira, na qual tudo é bem - dominamos até a realidade fenomênica."

Deus é tudo. Somente existe Deus, o Bem, a Harmonia, a Perfeição. Pratique com essa compreensão o Shinsokan, e contemple Deus.


"Olhai para Mim, e sede salvos, vós, todos os povos da terra; porque Eu sou Deus, e não há outro." (Isaías 45:22)



3 comentários:

Anônimo disse...

Explanação clara! Em especial a citação bíblica perfeita para o tema abordado.
Mystico

Anônimo disse...

Pergunta: Porque o Mundo da Imagem Verdadeira não é projetado harmônico e perfeito, qual a necessidade de estarmos sonhando, onde vicissitudes, emoções e paixões, nos arrastam numa desdita sem fim. O "estar iluminado" nos livra das reencarnações...Após a morte terrena, quem alcançou a Iluminação,não sonha mais....

Gugu disse...

É porque a mente distorce a projeção perfeita do mundo da Imagem Verdadeira. Se não houvesse a mente distorcendo, a projeção seria perfeita. É por isso que o ensinamento bate muito no ponto de que temos que compreender a inexistência da matéria. Quanto mais compreendermos que a matéria inexiste, mais a mente humana (que distorce a Realidade) deixa de interferir.

A pessoa que alcançou a iluminação não sonha mais... a menos que sonhe. rs.

Grande abraço.