"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

quarta-feira, agosto 19, 2015

A divindade representando papéis

- Núcleo - 


No texto está expresso que “Tudo o que está sendo percebido é a divindade representando papéis”

Poderia surgir a dúvida: “Se a divindade representa todos os papeis, como é possível que Deus, sendo Amor, represente o papel de animais ferozes e até de seres humanos que agem como se fossem autênticas feras?”

A resposta está na própria pergunta na qual se depreende que se trata de uma representação, e que o ator divino sabe que nada de real está de fato acontecendo, a não ser no contexto da própria representação cujo realismo é convincente para a percepção das mentes dos próprios personagens que estão nela inseridos e que se identificam totalmente com quem estão sendo. 

A identificação do ator divino com quem Ele “está sendo” (ou seja, com o “personagem” que “está representando”) se dá através da percepção da “mente do próprio personagem” que está representando e não pela “percepção da Consciência do Ser”, dAquele que em realidade ele É.

A esse respeito importa observar que nem sempre o ator está representando um personagem inconsciente de sua real identidade! Basta que na representação o personagem passe a se ver através da percepção consciencial, ou seja, com a percepção da Consciência do ator divino, e a real identidade do personagem se desvelará ao próprio personagem. É o que acontece com os “personagens despertos”, aqueles que mesmo ainda estando na Representação não fazem a identificação através da mente dos personagens que estão sendo, mas sim, com a Consciência do Ser Real. Na linguagem dos primeiros cristãos isso assim foi expresso: 

Já estou crucificado com Cristo [a identificação com a vida do personagem ou com o ego humano através da mente do personagem que estive representando, inconsciente do Ator que vive em mim foi transcendida]; e vivo, não mais eu [o personagem], mas Cristo [o Ator] vive em mim; e a vida que agora vivo na carne [a vida do meu personagem] vivo-a na fé no filho de Deus [vivo na percepção do Ator divino], o qual me amou {verdadeiramente com o Amor do Cristo, do Ator], e [na representação divina] se entregou a si mesmo por mim.” 

E nesse ponto importa também observar que nem sempre o ator divino está representando um personagem inconsciente de sua real identidade mesmo estando na representação divina como um animal!

É o que é revelado nas escrituras védicas na qual a divindade esteve na representação divina consciente de sua própria identidade por exemplo como Peixe [Matsya], Tartaruga [Kurma], Javali [Varaha], Homem–Leão [Nara-Simha], Elefante [Ganesha], Macaco [Hanuman]...

Contudo, quando a identificação do personagem é feita pela mente do próprio personagem, todo o tipo de atitude desumana e inconsequente é possível, porque neste caso os "divinos personagens" permanecem inconscientes de sua real identidade e “não sabem o que fazem”.

Assim, está escrito que: Apesar de tudo, Jesus dizia: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que estão fazendo!” Lucas 23: 33

Por outro lado, por ser a própria divindade representando, por vezes podem alguns “divinos personagens” surpreender e revelar a Consciência do Ator!

Essa foi a percepção consciencial compartilhada por Jesus, como está escrito: 

“Naquele mesmo momento, Jesus exultando no Espírito Santo [desfrutando a percepção consciencial] exclamou [compartilhou com esta ênfase]: “Ó Pai, Senhor do céu e da terra! [Senhor da Realidade Divina – céu - e da Representação – terra] Louvo a ti, pois ocultaste estas verdades dos [divinos personagens] sábios e cultos e as revelaste aos pequeninos [divinos personagens que aparentemente sem conhecimento algum da vida manifestam percepções conscienciais]. Amém, ó Pai, porque Tu tiveste a alegria de proceder assim.” (Lucas 10: 21)

Por isso é compartilhada aqui uma vez mais a percepção de que subjacente a todos os divinos personagens é apenas, e sempre, o Mestre Quem se percebe a Si mesmo!

Por ser assim, com esta mesma percepção da Consciência do Ser Pedro a compartilhou dizendo que: “Na verdade reconheço que Deus não faz acepção de pessoas”. (Atos 10: 34)

É o que Aquele presente em Pedro, em você, em mim e em todos os “divinos personagens” me faz perceber, desfrutar esta percepção, e compartilhá-la.

Por isso é dito: Percebam, desfrutem essa percepção divina e a compartilhem!

A paz seja com todos!


4 comentários:

SERgio disse...

A maioria de nós (personagens) nem sequer sabe (como revelado pelo Núcleo,e por outras fontes) que a vida humana é uma representação, um teatro, um circo...achamos que somos o palhaço.
Acreditamos que "somos nós mesmos",seres objetivos reais, em cima do Planeta Terra, em um mundo existindo de per si "lá fora".

Você que lê este comentário,pode achar que "você é você", conforme ao que a mente enxerga, e nunca se dar conta,através da Verdadeira Identidade, de Quem É.

Saber que "este mundo" e "seus habitantes" são uma "novela",
ainda que de forma conceitual,seria,por assim dizer,o pre-despetar.

O Despertar mesmo, na representação, só acontece se for da vontade do Deusretor.

Namastê!


Gustavo disse...

Belas palavras, meu Amigo SERgio.
Seu comentário expressou muitíssimo bem o espírito deste post.

E o seu compartilhar me inspirou a querer compartilhar o que segue:

É verdade que o despertar acontece por vontade de Deus (o Diretor, o Ator). No Núcleo se diz que também há que se levar em consideração as ações, as intenções e vontade do personagem que busca despertar. Isso porque há uma unidade essencial entre o Ator e o personagem. Nada na representação pode acontecer a menos que o Ator (por detrás da representação) esteja atuando. Mas, mesmo na representação, algumas dependerão da vontade do personagem para ocorrer. Por exemplo, suponhamos que eu (Gustavo) esteja representando o papel de um monge budista, e, na representação, o monge deseje juntar as mãos na altura do coração e pronunciar "Namastê". Se não houver o Gustavo (Ator, por detrás da cena) para emprestar suas mãos (e seus movimentos) ao monge da representação, o movimento será impossível de ocorrer dentro da representação. Por outro lado, se o monge (personagem) não manifestar sua vontade e agir para "elevar suas mãos à altura do peito e pronunciar o Namastê", esse movimento também não acontecerá. Por um lado, depende do Ator (sem ele, tudo na representação seria impossível); por outro lado, depende do personagem (pois, se o personagem não agir, a representação não pode prosseguir).

A fim de tentar elucidar um pouco mais, invoquemos a figura de um espelho. Quando estamos em frente ao espelho e juntamos nossas mãos em posição de prece, a imagem refletida automaticamente junta as mãos em posição de prece. Do ponto de vista do ser real (que observa do lado de fora do espelho), a imagem não poderia juntar as mãos em forma de prece a menos que nós realizássemos tal movimento. Mas, do ponto de vista da imagem que está dentro do espelho (representação), ela está unindo as mãos por si mesma, com as próprias forças e através da própria vontade. A imagem dentro do espelho (personagem) pode até pensar que é ela quem está realizando o movimento de "unir as mãos em forma de prece". E, de fato, se ela não tomar a decisão de "agir, elevando as mãos", aquele movimento não acontecerá. E, sempre que a imagem do espelho une as mãos, o que em verdade ocorre é que: É o Ser real (fora do espelho) Quem está unindo as mãos em forma prece.

Por isso o Núcleo diz: Quando, aqui na representação, nós tomamos decisão/atitude de buscar a Deus, isso já é o próprio Deus agindo em nós para fazer com que nos voltemos em direção a Ele. Não seria prudente o personagem pensar: "Já que vou despertar somente quando Deus quiser, vou ficar esperando o momento chegar". Dentro da representação, o
personagem deve se esforçar para realizar tudo o que lhe for possível, do contrário não haverá nenhum movimento do personagem em direção ao Ator. Porém, a verdade é que, quando o personagem está em busca de Deus, isso significa que Deus já começou a Se revelar ao personagem [o que culminará numa experiência de Auto-revelação, ou seja, o Ser percebendo-se a Si mesmo]. Quando o personagem caminha em direção a Deus, isso já é Deus caminhando em direção ao personagem. E isso ocorre devido à Unidade Essencial que existe entre Personagem e Ser.

Namastê!

SERgio disse...

Reverências!
Namastê!

Gustavo disse...

Gratidão!

E complementando um pouco mais...

Um dos princípios mais importantes ensinado no Núcleo é que "Não há percepção sem ação." Se a percepção for legítima, o personagem será levado a agir em consonância com o que foi percebido. Não ficará esperando que as coisas "caiam do céu."

No exemplo dado, se a imagem dentro do espelho desejar "juntar suas as mãos em forma de prece", e ficar esperando que o Ator [que existe fora do espelho] mova as mãos [a fim de que a imagem tenha suas mãos movidas], provavelmente ela ficará esperando indefinidamente por esse acontecimento dentro da representação. Se a imagem dentro do espelho conhecer a Verdade de que "em realidade, é o Ator quem move minhas mãos", ela mesma irá elevar suas mãos em prece, sabendo que Quem realiza o movimento é o Ator, e não ela enquanto representação. Essa é a diferença entre os personagens que estão conscientes de Quem são e os personagens que estão inconscientes de Quem em realidade são. Aqueles que sabem Quem são, elevarão suas mãos em prece conscientes de que "É Deus quem move esta mão" [ou seja, agirão em conformidade com a percepção]. Ao passo que os personagens inconscientes elevarão suas mãos pensando ser eles mesmos a fonte do movimento. A ação do personagem consciente é fruto de uma percepção de unidade. A ação do personagem inconsciente é fruto de uma percepção de separatividade.

Essa ideia foi muito bem expressa num vídeo postado há pouco tempo atrás, que pode ser conferido aqui no site, neste endereço:

http://www.busca-espiritual.blogspot.com.br/2015/07/o-equilibrio-entre-acao-e-fe-em-deus.html

Aqui, o Swami fala da importância entre ter fé em Deus [perceber Quem faz] e nossas ações enquanto personagens da representação. A mensagem do vídeo pode ser sintetizada da seguinte forma: "Ao perseguirmos algum objetivo, devemos fazer tudo o que nos for possível fazer [agir], sabendo que tudo é pela Graça de Deus [fé/percepção]."

Há também o ditado popular que diz: "Confie em Deus, mas amarre o seu camelo."

Enfim, é pela unidade essencial que há entre "personagem" e "Ser", que o agir deve acontecer.

Reverências,
Namastê!