"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

sexta-feira, agosto 08, 2014

Comentando o capítulo 10 - 2/2

- Gustavo -


A Consciência é a chave de tudo. O nosso estado de consciência é o que determina a realidade que experienciamos. É ilusão querermos buscar "algo" que já não seja uma realidade para a nossa consciência, pois esse "algo" somente se tornará visível depois que tivermos a clara percepção de sua realidade em nossa consciência. Desse modo, devemos aprender a abandonar um estado de consciência que enxerga a "carência" e a "ausência" para nos vermos de posse da consciência que reconhece a "presença" e a "realidade" do bem almejado. E o veículo que nos permitirá ingressar/acessar em um novo estado de consciência é a exercitação da percepção, mediante as meditações e contemplações.

Explanando acerca disso, Goldsmith escreve que a felicidade é como uma borboleta: sempre que a perseguimos, ela fica fora de nosso alcance. Todavia, se, ao invés de persegui-la, ficarmos no próprio lugar onde estamos, cientes e calmos de que em nós já existe a felicidade – que a felicidade já é uma realidade –, então ela virá e pousará em nossos ombros. Esse exemplo expressa uma lei espiritual que diz que a felicidade somente ocorre para uma consciência feliz, ou seja, uma consciência que já percebe a felicidade. Para a consciência destituída de felicidade (isto é, que não percebe), a felicidade estará sempre fora de alcance. Essa lei, em termos bíblicos, está expressa da seguinte forma: “Porque àquele que tem, muito mais lhe será dado, e terá em abundância; mas àquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado.” (Mateus 13:12).

Por exemplo: a pessoa que deseja obter saúde precisa, antes de tudo,  ver-se com a consciência que enxerga a saúde já presente. Enquanto ela buscar saúde com uma consciência que julga que "a saúde não está presente", a saúde não tomará parte em sua realidade/experiência. Se a pessoa estiver num estado de consciência que vê ausência de saúde, sua realidade/experiência será exatamente a de “ausência de saúde”. Por isso, Goldsmith diz que não adianta ficar correndo atrás de algo, tentando obtê-lo. Melhor é aquietar-se e entrar em um estado de consciência que percebe aquele “algo” como já presente, já existindo, já sendo realidade. Então ele virá e “pousará em nossos ombros”. Este é um princípio da cura espiritual: para demonstrar a harmonia e o bem, a pessoa deve desenvolver a habilidade de entrar em um estado de consciência capaz de perceber o “bem” e “ harmonia” como sendo realidade já presente.

E para nos fazer entender que todas as bem aventuranças (saúde,  vida, amor,  sabedoria,  paz, força, inteligência, alegria, felicidade, harmonia, suprimento, êxtase, plenitude) estão presentes em nós como realidade, Goldsmith enfatiza a sabedoria bíblica que diz: "nada pode ser-lhe acrescentado e nada lhe pode ser diminuído", dando a entender que o Ser que somos é uma obra pronta, completa, perfeita, consumada. Tudo está feito! Não existe evolução ou involução para Quem somos ou para o Universo. O Universo também está agora pronto! E isso é o Reino de Deus já inteiramente presente em nosso Ser. O Ser que somos e o Reino de Deus são o mesmo, são um. São constituídos da mesma vida, presença, consciência, substância, Eu sou. É o que diz Goldsmith:

"Tudo isso nos faz retornar ao ensinamento do Mestre: 'O reino de Deus está dentro de vós'; ele deve fluir do seu interior. Nada pode ser-lhe acrescentado, nada pode ser-lhe tirado: você é eternamente pleno e completo. Sempre que formos meditar precisamos nos lembrar desta verdade: não existe nada "fora" ou separado de nós que possa ser obtido. Precisamos apenas obter a consciência daquilo que estamos buscando, para descobrir que já o temos. Ficou claro? O segredo para a obtenção de algo está em se atingir, em primeiro lugar, a consciência daquele algo. No momento em que você tem consciência de uma coisa, a consciência a cria, seja ‘ela’ qual for – lar, companhia, suprimento, emprego, saúde, eternidade, imortalidade.”

Contemple o seu Ser e o Universo já prontos! Para isso é que servem as meditações – através delas o indivíduo aprende a mudar o seu estado de consciência, eliminando a consciência que enxerga a ausência do bem almejado e adquirindo a consciência que percebe aquele bem como experiência já presente.

Goldsmith diz que um dos objetivos do Caminho Infinito é nos proporcionar o "aceleramento e expansão da consciência para desenvolver a consciência divina como a nossa consciência individual." Que significado tem essa "expansão ou desenvolvimento da consciência"? Será que essa "expansão" ou "desenvolvimento" implicam um processo linear, no qual o  indivíduo tenta fazer com que uma  "consciência não iluminada" passe a ser uma "consciência iluminada"? Seria buscar o aprimoramento de uma consciência iludida (que percebe o irreal) a fim de que ela possa finalmente perceber o real? Não. "Desenvolver" ou "expandir" a consciência não envolve um processo contínuo/linear, e sim uma total desconexão/descontinuidade entre os estados de consciência. Nenhuma espécie de ponte é possível entre uma "consciência ilusória" e a "consciência da realidade". A consciência ilusória é algo completo em si mesmo e, da mesma forma, a consciência iluminada também é uma consciência pronta, perfeita, completa e consumada, em si mesma. Em razão disso, "nada pode ser acrescentado" a uma consciência iludida para fazer dela uma consciência iluminada. Se houvesse algum caminho, alguma ponte, a realidade estaria ligada/conectada/unida à irrealidade, e ambas fariam parte de uma mesma existência. Por isso, quando Goldsmith afirma que "o objetivo do Caminho Infinito é proporcionar o desenvolvimento ou expansão da consciência", o significado disso é o de que o estudante deve ter a capacidade de dar um salto de uma "consciência iludida" diretamente para a "consciência iluminada". É um salto imediato, súbito. Este "saltar" significa: em determinado instante (antes de meditar) o indivíduo se vê num estado de consciência que não percebe a presença do Reino de Deus; e, no instante imediato (ao meditar), ele passa a se ver em um estado de consciência em que o Reino de Deus é realidade-sempre-presente (e nesse estado iluminado de consciência, o Reino de Deus sempre esteve presente!). Esse é o salto requerido – um salto quântico – onde "tudo é, sem jamais ter sido", onde "tudo muda, sem nada ter mudado".

Por isso repito aqui o que foi dito anteriormente sobre as contemplações: a meditação não diz respeito ao indivíduo querer criar (com o poder de sua mente ou de sua consciência) uma realidade que ainda não está lá. A meditação contemplativa consiste em o estudante perceber diante de si uma realidade que já existe, que já está acontecendo. É imbuído deste espírito que o praticante deve realizar as práticas contemplativas. Esse é um ponto muito crucial e importante: não realize as contemplações objetivando manifestar em sua realidade coisas que ainda não existem. "Contemplar" significa apenas "ver" o que já está lá. Contemple o Reino de Deus (perfeito, pronto, consumado aqui e agora), da mesma forma como alguma vez você já contemplou pássaros voando no céu. Se você pôde contemplá-los é porque eles já estavam lá. A você coube apenas o papel de desfrutar da visão de pássaros voando. Ao meditar, você deverá contemplar o Reino de Deus da mesma forma como contemplaria o cenário de pássaros cruzando o céu. Sem forçar, sem querer criar nada – apenas constatar aquilo que já é. O mínimo desvio desse princípio faz com que a sua prática se torne um mero exercício mental, e não espiritual.

Compreenda bem este assunto da consciência, e medite! Finalizando este texto, a fim de reforçar tudo o que foi explanado nestes comentários,  deixo esta citação de Goldsmith:

"Percebeu agora como é importante a consciência? À medida em que você for se tornando mais e mais consciente da natureza infinita de sua própria consciência, o efeito irá aparecendo em sua experiência sob infinitas formas. Quanto mais a sugestão mesmérica ou crença universal numa egoidade apartada de Deus atuar em você, mais a sua demonstração será governada pela crença do mundo, em vez de sê-lo pela sua própria consciência infinita. Aprender a mudar nossa consciência é realmente e verdadeiramente o objetivo do nosso trabalho, pois todas as forma discordantes de nossa experiência não passam de nossa consciência errônea de tudo aquilo que está aparecendo para nós. Você acredita realmente e verdadeiramente que é a sua própria consciência que governa a sua vida? O ensinamento integral de O Caminho Infinito está baseado na premissa de que a Consciência é Deus, e aquela Consciência, sendo universal, é a sua consciência individual. Assim que você adquirir a consciência do bem, ele passará a ser produzido por aquela consciência: a consciência se torna a substância de sua demonstração."

Namastê!

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4 comentários:

Jaime Pires disse...

Comentário Iluminado!
Namastê!

Gugu disse...

Grato, Jaime!

Vale ressaltar um ponto importante:

Percebo que o Universo realmente se moveu (sincronizou) em relação ao ponto que diz respeito ao "desenvolvimento" ou "expansão" da consciência. Isso porque antes de eu publicar o comentário ao capítulo 10, o meu amigo Silvano fez um comentário enfatizando este aspecto essencial da mensagem. Tenho certeza de que isto apenas confirma que não existe evolução para uma consciência ilusória. É o próprio Ser confirmando. A Consciência iluminada é aquela que já percebe o Ser sendo tudo. Já é detentora da percepção total, a qual também não pode sofrer "acréscimos" ou "decréscimos".

A compreensão deste ponto básico faz toda a diferença no estudo destes ensinamentos. Por isso, vale a pena chamar a atenção para o que foi dito.

No mais, muito obrigado a todos!

Grande Abraço!

genny_brito@hotmail.com disse...

"Meus olhos se enchem de lágrimas
O que devo fazer? Aonde devo ir?
Quem pode acabar com minha dor? meu corpo foi picado pela cobra da "ausência"
E minha vida está se esvaindo a cada batida do coração". (Mirabai, poeta indiano do século XV)
Este cântico que diz "habitar no deserto antes de nos darmos a conhecer". Nós quando estamos no caminho espiritual, temos uma grande necessidade de alimento espiritual, temos uma avidez interior da consciência que não se contenta mais com as coisas do mundo, nem com as coisas da vida; a consciência não se satisfaz mais com aquele ensinamento que vem de fora, por mais correto que ele possa ser, por mais real que ele possa ser, mas nós chegamos num ponto que não nos satisfazemos mais com isso e, ao mesmo tempo, nós não temos ainda aquela possibilidade de nos nutrirmos e de encontrar este ensinamento, esta força, dentro de nós, porque nós temos muita pressa de nos manifestar, temos muita pressa de nos dar a conhecer, de inspirar os outros, de mandar nos outros mas, isto tudo, não acaba bem quando a gente ainda não atravessou o deserto. Então, o cântico está chamando atenção para isto. É um momento intermediário este, porque todos nós deixamos de nos contentar com as coisas do mundo e da vida, sempre um pouquinho antes de conseguirmos a verdadeira Vida, de conseguirmos a coisa que estamos buscando. Todos passam por isso. E esse trecho do nosso caminho, no qual nada de fora nos satisfaz mais, mas ainda não temos aquilo de dentro, fluente, ainda não temos aquilo disponível. Mas, nós só chegamos nisso, nesta situação, depois que estamos realmente decididos a sermos guiados internamente.
E não temos outra decisão a tomar porque não se encontra mais guia aqui fora, não se encontra mais nada o que satisfaça realmente. E fica este intervalo, fica este hiato, fica este deserto, fica este trecho de caminho que nós temos que fazer, porque neste trecho do caminho aonde a gente não é nem uma coisa e nem outra, aonde a gente não encontra o que quer e não sabe onde buscar, ou sabe onde buscar e quando vai buscar lá não vem, nós precisamos de atravessar este deserto, nós precisamos desta situação, porque é nesta situação que nós vamos comprovar se somos perseverantes. É nesta situação que nós vamos comprovar para nós mesmos se a nossa fidelidade já está madura, já está treinada.E se nós perseveramos, se nós não desistimos, e no momento que a gente decide continuar e prosseguir, apesar de tudo, neste momento, o deserto acaba. Neste momento começa a vir aquilo que tem que vir de dentro e isto é imperceptível, isto não dá sinais, não, e quando a gente percebe... Está chegando! Quando a gente percebe está vindo!
É assim que me sinto atualmente!
Enfim, quero agradecê-lo, vc seja lá quem for (se bem que não preciso sabê-lo pois, estamos todos conectados), sua visão sobre o livro de Joel Goldsmith expandiu muito minha consciência. Ja li o Livro mas, confesso que agora depois de ler seus artigos e comentários expostos, compreendi muito melhor.
Namastê!

Gugu disse...

Olá Genny!

O estado descrito por você é exatamente aquele por que passam todos os autênticos buscadores espirituais. Algum dia todos deverão se ver frustrados com o mundo, não haverá mais nada para eles - e é quando se verão no "deserto". E deverão encarar o deserto e atravessá-lo, até encontrar um paraíso repleto de "água que sacia". Na travessia desse deserto, há também um período crítico que os ensinamentos denominam "noite escura da alma". Quando esse período ocorrer, podemos ter certeza de que o amanhecer do dia (Luz) está próximo.

E obrigado por suas palavras.

Agradeço por acompanhar esta série do Joel Goldsmith. Realmente, como podemos perceber, os ensinamentos do Caminho Infinito são muito profundos. A cada vez que leio (ou releio) um livro do Joel, encontro uma nova percepção, compreensão, e uma maior profundidade na mensagem dos ensinamentos. Isso ocorre com todos. Mas, dentre tudo, o mais importante é praticar as meditações. Muitos dos insights, compreensões e explicações que me chegam são devido a elas.

Muito obrigado!
Namastê!