"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Explanações sobre o Caminho Infinito - 03

Pergunta: Trago um trecho sobre Carma e Consciência Espiritual, que gostaria fosse comentado: (...) "Embora o Caminho Infinito lance uma nova luz sobre o ensinamento de carma e a lei cármica, poucos estudantes têm precebido a diferença entre a abordagem tradicional deste assunto e a do Caminho Infinito, o qual ensina que, quando você eleva acima da consciência humana até a consciência espiritual, não há lei cármica; não há lei de causa e efeito; não há lei segundo a qual você colherá o que semear. Essas são superstições e ilusões da mente humana; são crenças criadas pelo homem..." (Joel S. Goldsmith)





Resposta:

O tema trata da "vida regida pela leis cármicas" (ou lei de causa e efeito) x a Vida pela Graça (o regime que guia a vida do homem depois que ele aprende a viver pelo Espírito).

A história conta que no início Deus criou o homem, que vivia no paraíso do Éden. Lá, o homem tinha tudo o que era necessário. Ele não tinha de trabalhar para viver, ele já havia recebido tudo, e tinha apenas que desfrutar da vida que lhe fora dada. Ele vivia pela Graça. Mas algo aconteceu e o homem foi expulso do Jardim do Éden. Desse dia em diante, ele devia trabalhar para sua subsistência, passou a conseguir seu suprimento mediante a "própria" força. Antes, ele não fazia nada... ele encontrava-se naquele estado que Jesus descreveu, como: "Eu de mim mesmo nada posso/faço. É o Pai em mim quem realiza as minhas obras". Mas, quando decaiu do Éden, o homem adentrou uma condição, onde ele passou a dizer: "Eu mesmo é quem realizo as minhas obras... infelizmente. Se nada fizer, sofrerei, terei necessidades".

A história do gênesis é uma metáfora para o que acontece na consciência do homem. O homem nunca perdeu sua condição original - ele continua com ela -, contudo, sua consciência e compreensão do mundo decaíram do Éden, porque comeram do "fruto da árvore do conhecimento". O homem realmente não necessitava de nada. Por exemplo: se ele estivesse doente, ele não teria de fazer absolutamente nada para restabelecer sua saúde - isso aconteceria sozinho -, ele sequer precisaria pensar nisso. Sua vida se restabeleceria até a máxima vitalidade, sozinha, sem depender de nenhum auxílio, porquanto a vida se auto-supre; a vida sabe cuidar de sua própria existência, por si mesma sabe como perpertuar-se. Realmente o homem não necessita fazer nada, ele tem o dever apenas de ficar quieto. Não há nada para se conhecer, nada para se fazer - tudo o que há para ser conhecido já é conhecido, a sabedoria toda está presente.

E tudo o que é necessário ser feito já está sendo feito. O homem precisa apenas se aquietar e observar.

"Aquieta-te e sabe: Eu sou Deus". (Salmos 46:10)

"Não temeis, nem vos preocupeis, pois a peleja não é vossa. Tomai posição, ficai parado/quieto, e vede o salvamento que o Senhor lhe dará".

Tudo já está feito! Não há nada que Deus já não esteja fazendo. Por isso, não há nada realmente com que possamos nos preocupar, nada que precisemos "conhecer" ou "fazer" por nós mesmos, através de nossas próprias forças. O Pai em nós é quem realiza as obras, não nós! Quando aceitamos que "eu de mim mesmo nada faço, mas o Pai em mim é quem realiza as minhas obras", estamos em nosso estado originário de consciência, e estamos vivendo no Jardim do Éden. Entretanto, quando tentamos fazer as coisas por nós mesmos, viver a nossa própria vida, restringimos a liberdade (infinita!) de nossa consciência e a condicionamos às crenças do nosso pequeno "eu" (aquele que acha que pode realizar as obras por si).

Nesse caso, se uma pessoa assim estivesse doente, ela diria: "Para eu restabelecer minha saúde, preciso tomar remédios" ou "minha saúde está sendo prejudicada por este tempo/clima, e só poderá melhorar depois que ele for embora". As pessoas começam a impor condições para que a Vida, que é infinitamente livre (portanto, não depende de remédios, de clima ou de tempo para restabelecer a própria vitalidade), possa recuperar-se. Elas limitam (com sua crença) a Vida que é originariamente ilimitada e livre! LIVRE e IRRESTRITA de todo e qualquer condicionamento. Quando a pessoa limita sua vida, ela está criando para si um novo conhecimento. Ela comeu do fruto! Ela diz: "Os remédios curam a Vida". Como ela limitou a Sabedoria (do Todo)! Como ela limitou a Vida! Consequentemente, a Vida perde a liberdade para expressar-se infinitamente, e passará a se expressar dentro daquele padrão que foi imposto a ela. Quando fazemos isso, comemos do "fruto da árvore do conhecimento", e o resultado não pode ser outro senão sermos auto-expulsos do paraíso do Éden.

Então, o homem perde a liberdade, deixa de viver a Vida pela Graça, e passa viver sob a lei que ele próprio criou e impôs a si mesmo: "minha vida só melhorará se eu tomar remédio". Ele acaba de se sentenciar. Antes ele tinha tudo. Agora, ele passou a ter tão pouco: sua vida só poderá melhorar se ele fizer "isto" ou "aquilo". Antes, a vida dele não dependia de "isto" ou "aquilo" para progredir - ela progrediria livremente, independentemente das circunstâncias. Mas agora ela passa a depender de auxílios externos, porquanto o homem resolveu comer do "fruto da árvore do conhecimento".

Deus não expulsa o homem do Éden. É o homem que expulsa a si mesmo. Quando o homem decai do Éden, ele passa a viver no mundo da mente. As crenças aceitas pela mente governam a experîência da vida das pessoas. A mente existe à nível individual e também à nível coletivo. No nível coletivo temos a "mente coletiva da humanidade", que é formada pelos pensamentos de todos os homens e mulheres que desde a mais remota antiguidade viveram neste mundo, e que governa as experiências da humanidade. Se a humanidade passa pela experiência de ter que enfrentar pecados, doenças e desgraças, é porque essas coisas foram semeadas na mente coletiva da humanidade ao longo das eras. E, consequentemente, até hoje as pessoas pagam o preço pelos pensamentos acumulados na mente coletiva. É muito mais fácil a mente coletiva ser preenchida com pensamentos negativos do que com pensamentos positivos, porque a maior parte da humanidade pensou e agiu egoisticamente. É tão mais fácil ter pensamentos egoístas, eles são tão mais prazeirosos. A humanidade escolheu o caminho mais fácil. Todos os pensamentos tidos ao longo dos tempos ficam acumulados/retidos na mente coletiva do mundo, esperando uma oportunidade para se manifestarem. E, quando esses pensamentos se manifestam, eles o fazem em forma de doenças, desgraças, sofrimentos, etc. A humanidade paga o preço de seus pecados, responde aos seus carmas um-por-um.

E as pessoas que estão afinadas/sintonizadas com a crença coletiva têm suas experiências governadas por ela. Elas são arrastadas pela força do carma, do pecado que o mundo cometeu.

Mas há o Jardim do Éden. Ele não sumiu. Nós apenas nos expulsamos dele, mas podemos a ele retornar, em razão da atitude de nossa aceitação de que a Vida é totalmente livre, de que Deus é absolutamente onipresente, onisciente e onipotente. Essa aceitação retira de nós todas as limitações que vínhamos impondo a nós próprios. A aceitação basta. Apenas aceitar já desfaz todos os problemas, todos os embaraços , todos os nós que por nós foram provocados. Antes, quando limitamos a nós mesmos, nós fizemos isso através de uma aceitação. E agora, iremos desfazer isso através da aceitação também. Antes, não sabíamos que a Vida era uma existência absolutamente livre, e por isso pudemos aceitar crenças que nos permitiram limitá-la. Mas agora, compreendemos todo o processo e podemos aceitar novamente de que a Vida é uma existência de total liberdade, infinita. A aceitação desfaz os nós provocados por a nossa "errônea" aceitação do passado. Isso é o suficiente para nos libertarmos de nossos carmas/pecados e voltarmos novamente a viver pela Graça. Esse estado que vive pela Graça divina - o estado do filho de Deus - nunca nos foi retirado, suprimido ou negado. Nós é que voltamos as nossas costas para ele. Mas a qualquer momento podemos volver a ele novamente, onde encontraremos Deus nos dizendo: "Filho, tu és o meu filho amado em quem me comprazo. Eu estou sempre contigo, e todas as coisas minhas são tuas". Sempre tivemos tudo. A nossa liberdade (uma liberdade espiritual) permite-nos sermos ou termos tudo o que necessitamos independemente das condições exteriores.

As pessoas que se deixam levar pelas "condições exteriores" são as que criam cada vez mais conhecimento para si e se auto-expulsam do jardim do Éden. Elas saem do regime da Graça, e entram no domínio da Lei, que pune os homens "olho por olho e dente por dente".

O Caminho Infinito ensina que podemos nos desvincular de toda nossa carga cármica de uma única vez! Ele diz que: "quando você eleva acima da consciência humana até a consciência espiritual, não há lei cármica; não há lei de causa e efeito; não há lei segundo a qual você colherá o que semear. Essas são superstições e ilusões da mente humana; são crenças criadas pelo homem..."

Mas o homem não precisa viver segundo as crenças que foram criadas - sejam essas crenças criadas por ele, ou pela humanidade -, ele pode libertar-se delas agora mesmo e voltar a viver no Princípio, na Origem, no Jardim do Éden. O paraíso edênico é um estado de consciência de absoluta liberdade. Compreender que vivemos nesse total estado de liberdade é a chave para a iluminação espiritual, e para a vida pela Graça.

Nós não precisamos sequer tentar retornarmos a esse "estado originário", tal é o nosso estado de liberdade. Não dependemos de "esforços para estar em nosso estado originário" a fim de que possamos estar dentro de nosso estado originário. Nós já estamos! Compreendamos isso! Nós já somos livres! Nessa liberdade reside o segredo para o entendimento das mensagens de Joel Goldsmith e outras afins. A Vida pela Graça é a vida na qual nada fazemos, mas que "O Pai em nós é quem realiza as obras". Apenas ficamos aquietados, parados, e vemos o salvamento que o Senhor já nos concedeu. Deus já nos concedeu tudo desde o Princípio, onde tudo já existe. "As obras de Deus são permanentes", e só podemos acessá-las mediante a compreensão desse estado de total Liberdade que inere à nossa Vida, à nossa existência. Essa liberdade permite-nos não termos que "trabalhar pelo pão de cada dia", mas nos faz compreender que esse pão já nos "foi dado gratuitamente por Deus". Não temos que conseguir o pão com o "suor do nosso rosto", não temos que "fabricá-lo", ele já está pronto. Nós apenas o acessamos. Só conseguiremos ter este acesso se não comermos do "fruto da árvore do conhecimento", ou seja, apenas se permanecermos em nosso estado de total liberdade.

A compreensão da nossa liberdade infinita é a chave para termos acesso a todas as coisas do Pai.


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*P.S: Para ver mais sobre a questão do "Jardim do Éden", veja aqui e aqui (nessa ordem)

3 comentários:

Anônimo disse...

e toda a doutrina espirita, com seu caudal de relatos da vida no além, mundos diversos de expiação de carmas, umbrais, etc..qual a explicação para esta vasta literatura, é tudo ilusão?

Anônimo disse...

gostaria de mais saber sobre o assunto, inclusive sobre o comentário já postado e também existe um volume do professor masararu tanighuci, um dos primeiros livros de uma de suas coleções, (não recordo o nome) que aborda o tema do carma, fala de mestres do carma, etc...Estou tentando avançar do conhecimento intelectual das coisas mundanas para esta tomada da verdade única, mas sinto-me em na maioria dos momentos açambarcado pelas coisas e medos do mundo, dor, pesadelos, etc...

Gugu disse...

Olá!

As ciências humanas (história, geografia, sociologia, física, química, biologia, etc.) explicam os fenômenos que ocorrem neste mundo material. Da mesma forma, o espiritismo descreve como são as coisas no mundo-além, o mundo espiritual, que é para onde vai o homem quando morre e se despe de seu pesado corpo carnal. Apesar de se despir do corpo carnal, o homem continua vivendo por meio de um corpo mais sutil, chamado de corpo-espírito ou perispírito. A diferença do corpo de quem morreu para o corpo de quem ainda vive neste mundo é apenas de densidade. Um é mais grosseiro/denso, enquanto que o outro é mais leve e etéreo. Mas ambos são ilusões. Os habitantes do mundo espiritual também buscam alcançar a iluminação, igualzinho o pessoal daqui do mundo terreno. Quando se alcança a iluminação, a ilusão é vista pelo que realmente é: ilusão, inexistência, nada.

Se você está tentando avançar além deste conhecimento de carma, espírito, e demais coisas ilusórias, comece lendo livros à respeito da Não-Dualidade, de Unicidade, e comece também a meditar. Um bom caminho seria começar com mestres da linha Advaita. Eles costumam ser bastante claros, e a mensagem é diretamente voltada para que o homem alcance a auto-realização.

Obrigado pelo comentário.

Grande Abraço!