"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

"Não te esqueças de Mim" - A Gênese da Criação




Deus é tudo! Mas como a humanidade caiu em pecado? Se tudo o que existe é autoexpressão de Deus, como pôde a humanidade cair dentro de uma percepção de 'separatividade de Deus'? Como pôde a humanidade iludir-se e cair em "pecado"?

Deus é UM; essa Unidade aparece como sendo muitos, ou seja: o Deus Universal aparece como a vida individual de cada um dos seres existentes. No entanto, "no momento" em que Deus Universal individualiza-se, Ele sussurra suavemente à cada uma de Suas consciências individuais:


"Eu sou UM, mas estou me individualizando. Apesar disso, não acredite na infinidade e na diversidade de coisas que aparecerão "daqui pra frente". Aqui tudo sou EU. Eu apenas escolhi me desconcentrar, apenas escolhi me descentralizar, mas não vá perder de vista a visão de "Quem sou eu", nem perca de vista a visão de "quem você é". Não acredite na diversidade de aparências que irão surgir à partir de agora, pois 'em si mesmas' elas nada são. Se acreditares nisso, tu te esquecerás de Mim. Apesar de eu estar me descentralizando, não há nada para se conhecer verdadeiramente, pois Eu continuo sendo tudo aqui - inclusive você. Não coma do "fruto da árvore do conhecimento".


Essa é a advertência que Deus dá à cada uma de Suas consciências individuais, quando são manifestadas e passam a existir. Deus é o Oceano. Toda consciência individual existente nasce do Grande Oceano -- são ondas ondulando na superfície do Grande Oceano. No exato momento e no exato ponto em que o oceano começa a assumir a forma de onda, ele sussura aos ouvidos de cada uma delas: "Não se esqueça do lugar em que você se encontra; você está em Mim. Eu estou aqui. E isto é tudo o que há para se conhecer, não coma da fruta da árvore do conhecimento, ou você me esquecerá". Mas, por curiosidade e até mesmo por inocência, muitas ondas experimentam comer da fruta da árvore do conhecimento, só para ver o que acontece -- apenas para saber o que ela é, o que ela faz. Nisso, essas ondas esquecem-se da sua ligação com o Grande Oceano e começam a enxergarem a si como se possuíssem uma existência em si mesmas, independente do Grande Oceano no qual elas se encontram. Essa é a história do homem. Foi assim que "surgiu" este mundo ilusório com o qual muitas das ondas individualizadas estão sonhando.

Quando a alma individual nasce, ela nada sabe -- ela acabou de nascer. Deus se dividiu em muitos e, numa dessas divisões, assumiu a forma de alma individual. O Universo é todo feito/constituído de Deus -- e Deus sabe disso. Mas a alma, por ter acabado de nascer, por ter ela nascido sem nada saber, tem o potencial de acreditar no universo desdobrado de Deus, vendo tudo de forma separada, e também tem o potencial de permanecer na mesma visão que Deus conserva de seu Universo: a de que, embora no Universo desdobrado tudo pareça estar separado, ele é, em verdade, Deus. Por isso, no exato momento quando a alma nasce, Deus a adverte: "não coma do fruto da árvore do conhecimento". Mas ela é livre para acreditar nas infinidades de aparências que se formaram, se ela quiser. A alma nasceu num momento em que o Universo de Deus já estava desdobrado. Antes disso, ela não existia para ver que "somente o Grande Oceano estava lá". E é por isso que, ao nascer, há a possibilidade de ela acreditar no universo desdobrado como algo separado de Deus, sem relacionar esse universo desdobrado a Deus. Ao nascer, a alma precisa de uma advertência, precisa ser avisada de que o Universo que ela está vendo não é aquilo que aparenta ser. Mas Deus, o Grande Oceano, concede à alma individual essa advertência, dizendo: "cuidado! não coma do fruto da árvore do conhecimento". De qualquer forma, qualquer que seja a escolha que a alma faça, isso faz parte do plano de Deus. Deus já havia colocado isso em seus planos no momento em que decidiu se desdobrar. Ele soube desde o início que as almas nascidas poderiam confundí-Lo com as diversas formas que Ele passaria a assumir.

Portanto, qualquer que seja a escolha da alma, não há problema algum. Se uma alma, por curiosidade, escolheu comer do fruto da árvore do conhecimento, isso já fazia parte dos planos que o Grande Oceano tinha quando resolveu se individualizar. Da mesma forma, as almas que optaram por seguir o conselho dado pelo suave sussuro do Grande Oceano, também tomaram parte no plano de Deus. Era plano de Deus que cada alma individual tivesse o livre arbítrio para seguir o caminho que escolhesse. Em Seu plano havia dois caminhos: optar por seguir o caminho Absoluto (não comer do fruto) ou acreditar na infinidade e diversidade de aparências que "surgiram" no momento em que Deus se individualizou/se relativizou (comer do fruto). Aqueles que escolheram não comer do fruto, hoje estão vivendo suas vidas em "algum lugar" em Deus (desconhecido por nós). Aqueles que preferiram comer, ainda estão em Deus, mas estão esquecidos dEle, porque passaram a acreditar nas inúmeras formas do Universo desdobrado de Deus, como se elas existissem em si mesmas (separadas de Deus). Quando o homem crê que o universo desdobrado/descentralizado é uma criação separada de Deus, como se possuísse existência em si mesmo, o homem se retira do referencial ABSOLUTO e se coloca num referencial que é imensamente, infinitamente, totalmente relativo. O ABSOLUTO e o relativo não podem coexistir simultaneamente. Um existe sozinho, conhece apenas a si mesmo, expressa apenas a si mesmo -- está sempre num estado de autocontemplação. O outro está imerso num mar de infinitas relatividades, onde tudo -- qualquer coisa -- pode parecer ser a verdade, dependendo do modo como é olhado/visto. O mundo relativo é um mundo de infinita perdição. Apenas o ABSOLUTO é a verdade, apenas o ABSOLUTO é a existência verdadeira. Quando se está em um, a alma precisa esquecer-se do outro, e vice-versa. A existência relativa não conhece a existência absoluta, e a existência absoluta não conhece a existência relativa -- Deus se dividiu, se diversificou, se relativizou, mas NUNCA se iludiu com sua "criação", nunca deixou de saber que tudo era Ele, nunca perdeu a noção de quem Ele era, -- eis a diferença. E conhecer a Verdade liberta.

A liberdade em Deus é tão grande que, no momento em que Ele - o Grande Oceano - individualiza-se na forma de uma infinidade ondas (mas sem jamais deixar de ser o Grande Oceano), tudo é tornado possível: de forma que muitas optam por não comer do fruto da árvore do conhecimento, enquanto outras, por curiosidade, escolhem experimentá-la. Em Deus não há nada para ser conhecido. Eis porque se você comer do "fruto da árvore do conhecimento", você é "expulso do paraíso". A visão do referencial divino faz com que Deus seja o conhecedor, o objeto conhecido e o próprio processo de (auto)conhecimento -- Deus é tudo! Nada resta para ser conhecido em Deus; nada há para se acontecer. Tudo já está feito! As obras de Deus são permanentes, eternas, imutáveis -- o Reino de Deus já foi preparado e concluído desde o princípio de todos os tempos. Agora que você já conhece essa história, mude o seu referencial. Tome essa resolução. Tudo o que é relativo nunca é verdadeiro, apenas aparenta ser. A Verdade, por ser absoluta, conhece a verdadeira liberdade -- Ela é livre e liberta os que A conhecem. Como poderia a Verdade ser Verdade, se não for, em si mesma, absoluta, livre, autônoma, independente? Não há como. A Verdade, por natureza, é absoluta, tem de ser! A verdadeira liberdade existe na realidade única do Absoluto. E o Absoluto é Essência, é Amor, é Alma, é Espírito, é Vida, é Deus, é Tudo o que existe. Um olhar atento revela que o Oceano, o Grande Oceano, é tudo o que realmente existe. Só existe Deus.

8 comentários:

Palavras de Osho disse...

Lindo texto. Ouço muito essa expressão "Tudo é Deus", mas é a primeira vez que leio um texto desenvolvendo melhor o assunto.

Gugu disse...

Obrigado, "Palavras de Osho".

A expressão "Deus é tudo", apesar de ser uma sabedoria milenar declarada por todas as religiões realmente ligadas à Deus, é muito mal compreendida e condenada por grande parte das pessoas. Elas estão andando na direção contrária, querem separar tudo, ao invés de unir, de unificar, de realizar a UNIDADE.

A expressão "Deus é tudo" é uma expressão absoluta, como bem tenta mostrar o post. Tudo o que estiver fora do absoluto, não será a verdadeira realidade, e será apenas a "realidade aparente" - mas jamais aquela REAL.

Vamos pegar o Osho como exemplo: O Osho é o mestre da relatividade. Através da sua capacidade de conseguir relativizar qualquer coisa, ele ajuda as pessoas a descondicionarem suas mentes rígidas, presas a idéias ou conceitos da vida (ou de si mesmas) que elas se mantêm sustentando.

O Osho consegue convencer você de qualquer coisa. Se ele quiser, ele te faz acreditar que a morte existe (e existem discursos em que ele assim diz) e também consegue te convencer de que a morte não existe. Porque ele consegue fazer isso? Porque ele conhece bem a relatividade e sabe trabalhar com ela. Qualquer coisa, no plano da relatividade, dependendo da forma/maneira como é abordada, pode assumir uma aparência de real, de verdadeiro. E é assim que o Osho ajuda as pessoas. Por quase ninguém se tocar disso, Osho acaba sendo muito mal compreendido por quase todo mundo.

Uma pessoa vai até ele, uma pessoa que acredita piamente que Jesus é o único salvador, e que tudo o mais é coisa do diabo. Ele vai atacar as crenças dessa pessoa, provavelmente (como muitas vezes já vi) ele vai falar mal de Jesus e enaltecer o diabo para essa pessoa (heheheh... já vi Osho dizendo que o diabo é bom), vai reunir argumentos e evidências para usá-los contra as idéias que estão condicionando a mente do homem que o procurou. E depois que esse homem estiver com a mente descondicionada, ele dirá: "eu menti para você, nesse momento você pode talvez não compreender o porque, mas quando chegar a hora, você saberá e vai me entender e perdoar por isso".

E depois de tudo, ele diz: "Deus não é ne bom e nem mal. Deus é transcendente a tudo isso, e é incapaz de ser expressado pelas palavras. Você terá que encontrá-lo por si mesmo (realizar o salto) buscando isso através da meditação. Mergulhe profundamente nela, e você encontrará e saberá por si mesmo".

Esse é o trabalho e a contribuição que Osho fez para este mundo. grande parte do mund precisa ser descondicionada, precisa perceber que na verdade tudo o que está manifesto na realidade das aparências é relativo, e que portanto qualquer uma das coisas aqui existentes podem assumir uma aparência de verdadeiro -- e por isso mesmo são falsas.

Osho não está errado. As pessoas apenas não compreendem direito o seu trabalho, o papel que ele veio cumprir neste mundo. Se ele estiver errado, então uma leva de gente também terá de ser classificada como falsas: Ramana Maharshi, Krishnamurti, Yogananda, Nisargadatta, e todos os mestres do Yoga e do Advaita. O próprio Joel Goldsmith era uma admirador profundo dos ensinamentos de Ramana Maharshi. Aliás, eu não me importo muito com o Osho, eu me importo, isso sim, com o as coisas que ele falou.

Há pessoas que vêm ao mundo para realizar um trabalho espiritual no sentido de levar às pessoas a mensagem do absoluto; e há pessoas que também vêm à humanidade (porque ela necessita) para trabalhar a mente da humanidade no sentido do relativo.

É isso.
Obrigado por seu comentário.

grande abraço.

Gugu disse...

Yogananda disse:

"O maior problema é o egoísmo: a consciência de individualidade. As mudanças que ocorrem no seu corpo o afetam. Mas, por que se deixar levar? Você não é esse corpo. Tudo é Espírito. No teatro da vida, o Senhor precisou criar a APARÊNCIA de individualidade. Acaso poderia me dizer porque isso é uma árvore e você é um ser humano? Se todos os habitantes da terra vissem que existe apenas uma Essência em tudo, montando o cenário, dirigindo a peça e representando os papéis, rapidamente se cansariam. É preciso haver atividade e variedade para manter o espetáculo em cartaz. Tem que parecer real. É por isso que existe a individualidade."

=)

Frase de grande contribuição para este post!

Gugu disse...

Agora, uma do Osho:


“Há milhões de ondas no mar. Você nunca vê o mar, as ondas é que sempre são vistas, porque estão na superfície. Mas cada onda nada mais é que uma ondulação do oceano; o oceano está ondulando través de todas as ondas. Lembre-se do oceano e esqueça-se das ondas – porque as ondas não existem realmente, só o oceano existe. O oceano pode existir sem as ondas, mas as ondas não podem existir sem o oceano. Se não houver oceano, não poderá haver nenhuma onda – ou poderá? Se não houver o oceano, o que estará lá para “ondular” as ondas? Ondas não podem existirem sozinhas, mas o oceano consegue. Não há necessidade de haver ondas, o oceano pode apenas estar silencioso. Se não houver ventos soprando, o oceano estará lá, em silêncio. O Oceano pode existir sem as ondas, mas as ondas não podem existir sem o oceano. Assim, as ondas acontecem apenas na superfície, e existem apenas acidentalmente – é pela ação dos ventos que elas vieram à existência. Elas apareceram na existência devido a algum acontecimento exterior, algum acidente as criou. Se o vento não estiver soprando, o oceano estará silencioso e não ondulará. Assim, as ondas são provenientes/criadas devido a algum acidente/incidente externo que ocorreu na superfície; o oceano é algo totalmente diferente.

E o mesmo caso ocorre com todos os seres existentes. A árvore é uma onda, o homem também é uma onda, e a pedra também é uma onda. E por detrás do homem, da árvore e da pedra, existe o mesmo oceano oculto. A esse oceano os Upanishads chamam “Brahmam”. O Brahma, a Alma última, O Espírito Absoluto... é apenas o oceano. Assim, olhe para o homem, mas não se apegue à superfície, mova-se imediatamente para as profundezas e veja o Brahmam que está oculto ali.”

Osho – Vedanta: Seven Steps to Samadhi (tradução livre)


Outra grande contribuição para este post! =)

Anônimo disse...

O tempo não existe, isso é correto.Há adquirirmos a consciência disso, vai levar muito tempo. A decisão de seguir a esquerda ou direita, nos levar a um mar de relatividades e carmas, isso é incompreensível. O Todo é perfeito e Uno, mas uma de suas derivações está adermada no mar das relatividades. O artigo, explica, explica, mas deve haver muitas outras coisas não reveladas, que necessárias são e urgentes para sairmos da ilusão do relativismo. O absoluto está longe, o relativismo dói.Não existe mágica.

Gugu disse...

Certo, Anônimo, concordo com você.

Muitas coisas necessárias não foram explicadas. Mas só o fato de o ser humano começar entendendo que o relativo e o Absoluto existem separadamente, isso já é um passo enorme, já é uma grande realização espiritual. Aos poucos as coisas serão explicadas, sempre em conformidade com a vontade de Deus.

Você disse: "adquirirmos a conscientização de que o tempo não existe vai levar muito tempo". Observe o seguinte: você já conscientizou! Se não tivesse se conscientizado disto, através da leitura do artigo, você sequer poderia ter feito o seu comentário. talvez o que você quisesse dizer seria: "aceitarmos que o tempo não existe vai levar muito tempo". Por que? Porque, neste momento, o que você aceita em sua mente é que "o tempo existe". E como ela está muito condicionada a esse pensamento, como ela está muito condicionada e sentindo-se bastante confortável/familiarizada com essa aceitação, ela resiste a mudar a crença. Você só pode mudar depois que se conscientiza. E para mudar, é necessário você fazer força. Você terá que sair da sua zona de conforto e "deslocar-se" para um outro lugar, inteiramente novo, que neste momento é desconhecido para você. Isso faz a mente resistir. A mente não gosta de mudanças. Gosta de permanecer sempre ali onde está. Portanto, a escolha é sempre nossa. Você já conscientizou, mas quando vai tomar a decisão de abandonar a crença de que "o tempo existe" para aceitar que "o tempo não existe"? Compreende? Em última instância, somente nós podemos realizar a mudança em nós mesmos.


abraços!

Jorge disse...

Tenho lido muito sobre aasuntos como os tratados aqui. Tenho chegado a muitas conclusões e tenho ficado com muito mais duvidas pequenas e grandes que me levam a crer que sem um mestre, sem um guru, eu não não poderei entender e me esclarecer. Espero pela Graça de Deus, pois pela simples leitura é muito difícil. Só sei que desejo me desmaterializar e não quero mais reencarnar aqui. Já consegui entender e aceitar muitas coisas. Hoje não frequento nenhuma religião pois acho que não é necessário, mas já fui católico, kardecista e evangélico (o unico crente reencarnacionista), mas só lendo sobre o hinduísmo consegui me localizar melhor. Isso é mais um desabafo de minha parte que um comentário. Agradeço se alguem me der um apoio.

Gugu disse...

Se você sente que é no hinduísmo que você se localiza melhor, Jorge, então siga essa sua intuição. Se você é o tipo de pessoa que gosta de quiestionar e que gosta de encontrar sempre respostas coerentes, então acho que a filosofia Advaita será boa pra você.

Aprender essas coisas apenas lendo é realmente difícil e muito demorado; há que se ter também muita paciência. Mas quem realmente deseja entender esses mistários não se importaria em tentar por meio da leitura, caso essa fosse a única opção existente. O a vontade e o desejo de encontrar é que contam! E não o que fazemos. O que fazemos é secundário, isso se desdobrará de acordo com o grau de vontade que temos. Primeiro as coisas acontecem dentro, no coração. Depois elas se exteriorizam e, pouco a pouco seremos conduzidos ao caminho que devemos percorrer. Isso com certeza, mesmo que demore algum tempo, nos levará até o lugar onde tanto queremos estar.


Grande Abraço.