"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)
Mostrando postagens classificadas por relevância para a consulta Joel S. Goldsmith. Classificar por data Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens classificadas por relevância para a consulta Joel S. Goldsmith. Classificar por data Mostrar todas as postagens

quinta-feira, outubro 17, 2013

O Universo conspira a seu favor


  

 
– Quão limitado é o nosso conceito de Deus, se pensamos ter o poder de influencia-Lo a fazer para nós aquilo que Ele já não esteja fazendo; e quão finita deve ser a nossa compreensão de Deus quando nos dirigimos a Ele com nossos desejos egoicos ou quando nos aproximamos d'Ele com a pretensão de obter o que quer que seja – exceto pedir por luz, graça e sabedoria, além do entendimento acerca de Seus caminhos, Suas leis, Sua vida. Ao orarmos, devemos liberar Deus de qualquer obrigação pessoal para conosco, com a consciência de que estamos confiando na sabedoria d'Aquele que criou o Universo e tudo faz para sustenta-lo e governa-lo. Quando é assim, não mais tentamos canalizar Deus na direção de nossos desejos pessoais. Deus não irá mudar os Seus caminhos a fim de nos atender ou beneficiar – nós é que devemos nos modificar em relação à Deus. Nós não podemos fazer  Deus se adequar à nossa desobediência e ignorância, mas podemos nos tornar obedientes e espiritualmente sábios. Que possamos abrir mão de nossas tentativas de usar Deus, assim como das eventuais expectativas de que Deus fará as nossas vontades ou realizará os nossos desejos, e assumamos o seguinte: "Pai, seja feita não a minha vontade, mas que a Sua vontade se cumpra em mim. Eu não peço que Vós atenda aos meus desejos, às minhas esperanças ou às minhas ambições; e sim que eu possa realizar a Sua vontade, a Sua graça, Seus caminhos. Liberta-me, ó Pai, de todos os desejos, esperanças, vontades, e planos. Faz com que eu seja obediente aos planos que tens para mim. Mostra-me claramente o caminho que eu devo seguir, e eu prometo seguir a luz conforme ela me seja mostrada." - Joel S. Goldsmith

– Quando oramos a Deus por nós mesmos ou por nossos próximos, é certo que pensamos conhecer melhor do que Deus quais são as nossas necessidades ou as necessidades de nossos vizinhos; mais do que isso, acreditamos  ter o amor de querer que o nosso semelhante tenha suprida todas as suas necessidades, mas que Deus não tenha o conhecimento nem amor para supri-lo. Contudo, no lugar mais recôndito de nosso coração, sabemos que essa não é verdade. Deus não é servo do homem, e Deus não age de acordo com o pensamento dos homens de como as coisas deveriam ser ou funcionar. Abandonemos, pois, as nossas tentativas de dizer a Deus quais bênçãos ele deveria conceder ou quando as deveria conceder, e descansemos na confiança de que a Sua graça é a nossa suficiência. Soltemo-nos, pois, no ritmo de Deus a fim de que possamos nos tornar integrados ao ritmo deste universo. - Joel S. Goldsmith

– Não precisamos procurar Deus. Só precisamos saber que Ele está conosco e que jamais irá nos abandonar: podemos descansar nessa Palavra. Se não o fizermos, estaremos cerrando as cortinas da janela e saindo em seguida à procura de luz! O Reino de Deus está dentro de vocês. Por que procurar mais? Aceitem que "Eu e o Pai somos um só, aqui e agora, e o lugar onde me encontro é solo sagrado." Se a nossa mente estiver serena, em vez de buscar, de investigar ou de mentalizar, nós podemos ouvir o que Deus tem a dizer. E não duvidem de que Deus tem coisas infinitamente mais interessantes a dizer a nós do que nós a Ele! Pratiquem a consciência da Onipresença até que obtenham uma completa percepção dela. Em vez de procurar Deus, reconheçam: "O pai está comigo; não onde eu O procuro, mas dentro de mim. Quando? Agora, agora que O reconheço, pois é Onipresente, sempre presente. Obrigado, Pai. Tu estás aqui!". - Joel S. Goldsmith
 
 Nossa união consciente com Deus constitui a nossa unidade com cada ser e ideias espirituais. Isso significa que somos todos um e, na medida em que amarmos o nosso semelhante como a nós mesmos e agirmos para com ele do mesmo modo que gostaríamos que agissem para conosco, nesse exato grau estaremos acionando e colocando em ação a lei espiritual. É grande a responsabilidade do estudante espiritual, ninguém possui tanta responsabilidade quanto aqueles que trilham o caminho místico. Conhecer a Verdade, seguir princípios espirituais – semear no espírito, ao invés de na carne –, apenas isso é que poderá proporcionar a nossa regeneração, ressureição, renovação e, finalmente, a nossa ascensão para além de toda a materialidade. Pela palavra semear entendemos "estar conscientes de". Em tal estado elevado de consciência, até mesmo a lei cármica cessa de operar em nossas experiências; pois, em decorrência do reconhecimento de que jamais somos o agente/fazedor, mas unicamente Deus é que opera/age através de nós, a lei do carma é simplesmente nulificada. - Joel S. Goldsmith




sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Realidade e aparência

Mesmo sendo visível a todas as pessoas que o sol nasce e se põe, esse fato não significa uma realidade absoluta, uma vez que o próprio sol nada sabe a respeito de ele estar "surgindo" e se "ocultando". Dessa forma, o nascer e o pôr-do-sol nada mais é do que uma verdade relativa.

Da mesma forma, somente após a ciência provar que a religião estava errada em acreditar que a Terra era plana e que o Sol girava em torno da Terra, foi que percebeu-se que aquela era uma realidade relativa e não absoluta.

Precisamos analisar também a questão do pecado e da doença (que parecem existir, contudo são somente verdades relativas e não absolutas), exemplificando cientificamente o que é realidade relativa e realidade absoluta. Assim sendo, segundo uma linguagem metafísica:



Textos de Joel S. Goldsmith


"Dizer que o pecado e a doença são irreais não significa que eles não existam, ou que não se manifestem. Não significa que não há algo que aparece como pecado ou doença, mas significa que essa aparência não tem nenhuma das qualidades da realidade.

O significado da palavra “irrealidade”, neste sentido, não é a definição comumente aceita da palavra. Ela é usada aqui como é usada em filosofia. A palavra “realidade”, neste sentido, significa aquilo que é permanente, aquilo que é eterno, aquilo que é infinito, aquilo que sempre é e sempre será. Neste sentido da palavra, você entenderia instantaneamente a natureza irreal da doença. Houve um tempo no qual a doença não existiu, e haverá um tempo no qual ela não existirá. A doença não é real, porque não tem nenhuma essência para mantê-la ou sustentá-la. Ela existe só num sentido finito, num sentido falso, da mesma forma que duas vezes dois igual a cinco existe – não como realidade, não como uma entidade ou identidade, mas como uma aparência, uma crença ou uma ilusão ou como um sentido falso de matemática.

Isto é de importância vital para nós, porque o mundo inteiro está tentando se livrar do pecado e da doença como se fossem realidades, como se eles tivessem uma existência real. O clero está tentando curar pecadores e remover o pecado. O mundo médico está tentando eliminar a doença, e muitas vezes se sai bem. Mas este não é o nosso trabalho, nem o nosso mundo: “Meu reino não é deste mundo” (João 18:36). Se nós, como metafísicos, abordarmos o assunto do pecado e da doença como se eles existissem como realidade, e como se esperassem que fizéssemos alguma coisa quanto a eles, ou usássemos algum poder ou força para removê-los, estaríamos no mesmo nível de consciência que o mundo material ou mental. Agora, lembre-se que o trabalho espiritual não está nesse nível. Você encontrará no livro Spiritual Interpretation of Scripture e em outros escritos do “Caminho Infinito” uma exposição completa da natureza do erro e, especialmente, da natureza da crença material e mental tão diversas da realidade espiritual." (Joel S. Goldsmith – “As Palavras do Mestre”)


"A medicina alivia as dores, mas não traz uma saúde verdadeira. Devemos extrair um poder maior daquele que é encontrado no corpo ou nos pensamentos humanos, que nos dê a felicidade, a harmonia e a paz que são direitos nossos de nascença. Tal poder está disponível para todos, pois ele já faz parte do nosso ser – na verdade, é a parte maior do nosso ser. Como um iceberg, que mostra apenas uma parte de si fora da água, assim os poderes humanos do corpo e da mente não representam senão uma parcela de nossos poderes e faculdades." (Joel S. Goldsmith – “O Caminho Infinito")

"O que ajuda é chegar a uma percepção real da irrealidade do erro e perceber o por que de ele ser irreal, perceber o que é que o torna irreal. Ele é irreal porque EM SI MESMO E POR SI MESMO nunca foi nada. O treinamento se inicia pela nossa reação diante dele – não ao fazer algo pelo erro, mas ao desenvolver nossa reação diante dele até podermos olhá-lo e dizer: “Obrigado, Sombra!”. Tudo isso nos leva ao ponto no qual não há nenhuma resistência mental ao erro. Por essa razão, esse trabalho diverge totalmente de muitos ensinamentos metafísicos. Estamos evoluindo para o ponto de não-reistência ao erro.

Quando chegamos a este ponto do pensamento, no qual não começamos a negar a sombra, mas onde conhecemos a irrealidade de todas as formas de pecado, doença e morte, e sabemos que eles, em si e por si mesmos, não têm poder e não podem fazer nada a ninguém, a não ser no grau de nossa reação diante deles, chegamos ao Cristo.

Supunhamos, por exemplo, que você vê um diamante e, ao olhá-lo, você o toma por uma imitação. No entanto, durante todo o tempo ele é um diamante. Onde está a imitação? Em nenhum lugar; não há nenhuma imitação. O que você está chamando de imitação representa um conceito finito ou falso de um diamante perfeito. Você aceita o seu conceito da imitação como verdade, até que um avaliador de diamante avalia a pedra e confirma que é um diamante. O que acontece com a sua imitação? Nunca houve uma imitação; a pedra existe agora é a mesma que sempre existiu – um diamante. Sua imitação desapareceu. Mas, de onde ela desapareceu, já que nunca teve qualquer existência? Não havia realmente nada para desaparecer, já que nunca houve uma imitação; a única existência da imitação foi como uma crença ou um sentido falso." (Joel S. Goldsmith – “As Palavras do Mestre”)


Embora muitos ainda não tenham compreendido também os textos do sábio filósofo Nietzsche, ele denomina de “erro da razão e equívoco intelectual”, a realidade aparente (crenças) que o ser humano encara como sendo uma realidade absoluta.

Além da realidade relativa comum resultante da ilusão de óptica, há também a realidade relativa ou aparente que a mente humana criou no passado através de crenças e superstições, que hoje acreditamos tratar de uma realidade definitiva e absoluta. Estas crenças não ficam somente no imaginário, elas se externalizam como realidade através das ações humanas e da expressão de nossa consciência imbuída ou repleta de tais crenças.
________________________________
* Texto extraído do site "Único poder".

terça-feira, junho 17, 2014

Deus: A Substância de Toda a Forma – Introdução



A partir de agora vamos dar início ao estudo de uma série de textos do Caminho Infinito. Hoje, dia 17 de junho de 2014, é o aniversário de 50 anos desde que Joel Solomon Goldsmith completou sua missão de vir à Terra e legar ao mundo um profundo e poderoso ensinamento espiritual capaz de despertar e elevar a consciência ser humano às alturas da Consciência Una, a Consciência Crística. Portanto, essa série que está se iniciando é uma homenagem, reverência e agradecimento ao grande Homem, Instrutor, Mestre, Iluminado, Curador, Místico, Metafísico, que foi Joel Goldsmith. Ele é, sem dúvidas, um dos Mestres mais queridos, essenciais e importantes apresentados neste blog.

Há tempos que sinto falta da presença dos ensinamentos do Caminho Infinito aqui no blog. Isso ocorreu devido ao fato de a maioria dos materiais em português já terem sido disponibilizados neste site, restando apenas alguns poucos ensinamentos a serem compartilhados. Todavia, recentemente tive a alegria de receber em mãos o livro de Goldsmith entitulado "DEUS: A SUBSTÂNCIA DE TODA A FORMA", livro que até hoje estava disponível somente em inglês. E este livro chegou em minhas mãos em português, e sem jamais ter sido publicado por qualquer editora! Não existe disponível no mercado. Mas esse é o tipo de coisa que acontece quando ficamos sintonizados/conectados na energia de um ensinamento verdadeiramente divino. O Universo faz manifestar! Deus "aparece como". No caso, Deus (substância espiritual) apareceu como livro (forma materializada). Por isso, considerei esse acontecimento um grande presente de Deus para mim, para o blog, e para os leitores do blog – principalmente para aqueles que são sintonizados com os ensinamentos do Caminho Infinito.

O livro que está para ser apresentado é essencial para os que, como eu, são estudantes do Caminho Infinito. Nele, Goldsmith, passo a passo, e muito inspiradamente, aborda princípios vitais do Caminho Infinito, sem os quais o estudante dificilmente sai do nível do intelecto para se elevar em direção àquilo que ele chama de conscientização/experiência da Presença de Deus. O livro pega desde os aspectos mais simples e básicos até o ponto mais alto/elevado do ensinamento, o que gera muito proveito para o estudante. A mensagem espiritual de Goldsmith, que é totalmente fundamentada na Escritura Bíblica, está inteiramente voltada para o despertar de uma consciência de unicidade, em total sintonia e harmonia com a profunda sabedoria do Oriente, tais como a filosofia Budista, Zen, Advaita e ensinamentos védicos. Uma vez que o ser humano entre em contato com essa Consciência Divina, e tenha a experiência da Presença de Deus, então começará a ter domínio sobre sua vida e seu universo – que nada mais são do que expressões de sua própria consciência.

Esta série de Goldsmith será acompanhada de uma outra. Após a exposição deste livro, iniciaremos o estudo de um outro, um brilhante livro metafísico, escrito por Dárcio Dezolt, inteiramente voltado para a assimilaçãoprática dos princípios espirituais explanados nos ensinos de Goldsmith. A apresentação de ambos os livros tornará este um trabalho muito especial. As duas séries se complementam, apresentando extraordinário alinhamento e sintonia entre si, otimizando ao máximo o progresso/sucesso do leitor na interiorização e realização do ensinamento. Essas duas séries foram escolhidas em decorrência de inspiração ou orientação interna, que acato e sigo. Ambas serão publicadas em homenagem a Joel S. Goldsmith e ao Caminho Infinito. Portanto, mais uma vez, durante um longo tempo, este blog se ocupará em expor e aprofundar o ensinamento de um único autor – desta vez, o de Joel Goldsmith.

Os ensinamentos do Caminho Infinito constituem expressão da Verdade Suprema, última! É um poderoso ensinamento iluminado, que Deus enviou ao mundo, para que a humanidade se eleve em percepção, consciência, amor, sabedoria, bondade, realização! Unicidade com Deus! Por isso, valerá todo o trabalho e o esforço! Este também é um trabalho oferecido em agradecimento a Deus.

Deus revela a Verdade àqueles que têm um desejo profundo, ardente e sincero – e que se empenham em conhecê-La.

Desejo a todos bons estudos e bom proveito!


domingo, fevereiro 28, 2010

Explanações sobre o Caminho Infinito - (fim)

Pergunta:

"Uma das mais libertadoras experiências que podem ocorrer a uma pessoa é quando ela apreende o sentido de: "ao Senhor pertence a terra e tudo o que nela se contém." (Salmos 24;1). O conhecimento dessa verdade eliminará o equívoco generalizado a respeito da questão de dízimos..." (Joel S. Goldsmith)

"Só alguns nascem com o instinto espiritual de desejar dar e, como dar não ocorre naturalmente à maioria das pessoas, deve-se ensinar a toda criança não apenas os Dez Mandamentos, mas também que é mais abençoado dar do que receber. Ser obediente aos dez mandamentos não é, porém, de maneira alguma viver a vida espiritual. A retidão do estudante espiritual deve ultrapassar a lei e ser uma realização interior..." (Joel S. Goldsmith)

Questiono sobre o dízimo, aqui. Afinal, como surgiu a imposição do dízimo?! À luz da realização interior, o que vem a ser o dízimo?





Resposta:

A questão do dízimo está relacionada com a lei do "dar e receberás". É uma lei mental que rege não só o mundo fenomênico, mas todo o Universo. Não apenas o Joel Goldsmith, como também os outros grandes instrutores espirituais do mundo, recomenda que vivamos mais pela ação de doar/de dar do que receber. Deus é o Grande doador do Universo, Ele nada quer para si, senão doar completamente o próprio Ser que ele é. Se não fosse assim, não seria válida a verdade pregada pelo Caminho Infinito de que "o nosso ser é Deus", que "Tudo o que é do Pai, é nosso". Isso só é possível porque Deus é o eterno Doador. Somos a "Imagem e semelhança de Deus", por isso, quando alcançamos o verdadeiro modo de viver, passamos a despreocupar mais com relação a nós, e começamos a cuidar mais do "outro". Passamos a amar! Os espiritualmente iluminados sabem que não precisam preocupar-se em cuidarem de si mesmos. Lao-Tsé escreve no Tao Te Ching: "O Sábio não se preocupa com a sua salvação, e por isso a encontra". Ao conhecermos verdadeiramente a Deus, passamos a saber que somos seus filhos, e que somos amados pelo Pai, infinitamente, em todos os sentidos. Não precisamos preocuparmo-nos em cuidar de nós. O Pai se encarregará de fazê-lo. Não precisamos nos preocupar em "receber", "obter" ou "conquistar"... a sabedoria espiritual revela que temos dentro de nós o infinito. "Todas as coisas do Pai são nossas". Podemos viver doando, compartilhando, levando sempre mais e mais o outro em consideração, de modo a vivificá-lo cada vez mais. Isso é viver o amor. Viver o amor significa "abdicar de si mesmo em prol/em benefício do outro". Mas o estranho é que, quanto mais abdicamos de nós mesmos em favor do outro, quanto mais nos doamos - e quanto mais vivificamos o outro -, mais recebemos, mais somos vivificados e maior é a nossa vida. Quando "abrimos mão" de nossa vida, mais vida recebemos! Essa é a lei do "dar e receberás". Não é só uma lei mental. A lei do "Dar", porque diz respeito ao amor, atua em todos os âmbitos: material, mental e espiritual.

E o dízimo está ligado a questão do "dá e receberás". Oferecer o dízimo a Deus não significa ter que tratar com dinheiro. Quem não tem dinheiro, pode oferecer o dízimo a Deus de outras formas, inúmeras - doar uma palavra, um pouco de atenção, ou mesmo um sorriso... tudo isso constitui formas de amar, de doar, de "contribuir" com os nossos "10%". E o que importa não são os atos que praticamos, e sim nossa disposição/vontade/intenção de praticá-los. Quem sorri a uma pessoa apenas superficialmente (com a boca), não está praticando o dízimo. O sorriso deve ser feito com uma intenção sincera. Essa intenção sincera é o que conta. Ela é aquilo que nós estamos oferecendo a Deus. Não estamos oferecendo a Deus dinheiro, um sorriso, uma palavra ou qualquer outra coisa. Estamos oferencendo a Ele o nosso amor, a nossa "intenção sincera de amar". Essa "intenção sincera de amar" é a alma de tudo o que fazemos, e por isso pode assumir a forma de uma caridade, de uma atenção ou de um gesto. Quando essas coisas são praticadas sem a alma, elas se tornam atividades "vazias", então mesmo que você doe grande soma de dinheiro, não terá praticado o dízimo. Como Deus é Amor, Ele vive Sua Vida para "os outros". Se atingirmos o estado de consciência no qual somos "filhos de Deus", feitos à Imagem e semelhança do Pai", nossa vida será vivida da mesma forma que Deus vive a Sua vida. Não precisamos de nada, já temos tudo - só o que nos resta a fazer, então, é fazer o amor circular: distribuindo, compartilhando, amando. Deus ama a tudo e a todos, porque tudo e todos são UM com Ele. Deus vive para todos os seus filhos, porque Ele é a vida de cada um dos filhos que ele tem. Por isso, Deus se doa por inteiro, doa todo o Ser que ele é. Por isso, tudo o que Deus é, nós somos. Por isso, tudo o que Deus tem, nós temos. Porque somos UM. Se Deus é Deus, nós também somos, porque nesse instante recebemos de Deus todo o Ser que Ele próprio é. Não há maior dizimista do que o Pai, que tudo nos doa.

Para finalizar, transcrevo as palavras de Joel Goldsmith acerca do dízimo, nas quais ele explica que o dízimo visa transcender nossas tendências egoístas e egóicas e estabelecer um relacionamento entre nós e o Todo, um relacionamento impessoal, imparcial e universal:

"Depois de algum tempo, em nosso caminho espiritual, devemos começar com uma quantia de cinco ou dez por cento de nossa renda e aprender a gastá-la num sentido universal; aprender a gastá-la em algo que não traga benefício para nós mesmos ou para nossa família - algo que seja universal: para a educação ou para a religião, ou para os filhos daqueles que não podem dar o que eles precisam, ou para os órfãos ou para os idosos. Deve ser por alguma razão impessoal e imparcial. Mais cedo ou mais tarde, ao fazermos isto com cinco ou dez por cento de nossa renda, nos encontraremos fazendo isso com quinze ou vinte por cento. Há pessoas que estão dando oitenta por cento de sua renda para algum propósito impessoal e universal, e ainda estão encontrando o suficiente para eles mesmos e suas famílias.

O amor humano nos instigaria a pegar tudo o que temos e a gastar com as pessoas que amamos. O amor universal nos permite começar, pelo menos num grau pequeno, a ser impessoais e imparciais com o nosso dinheiro. Assim, dizemos que esta riqueza não é nossa, que ela é de Deus e, porque é de Deus, pertence ao mundo, pertence ao mundo dos filhos de Deus.

O amor espiritual nos mostra como ser impessoal e imparcial em nosso amor. Ele nos mostra como a chuva de Deus cai sobre o justo e o injusto. Ele nos mostra como a impessoalidade da palavra de Deus é expressa. Ele nos mostra por que podemos curar os pecadores tão bem como os santos, e que, às vezes, é mais fácil curar pecadores do que santos, porque o santo, via de regra, representa um alto grau de egoísmo. O amor espiritual é muito diferente do amor humano. O amor espiritual transcende o amor humano; todavia, o amor espiritual se manifesta no amor humano. É um mistério e um paradoxo (...)"


"Deus não concede ao homem o Espírito por medida. O Pai ama o Filho, e todas as coisas entregou nas suas mãos." (João 4;34-35)

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Amor e Suprimento Espiritual (Joel S. Goldsmith)

Joel S. Goldsmith


"Eu e o Pai somos um". Na percepção desse relacionamento, deixo o Infinito Invisível trazer-me dos céus, das núvens, do ar, da terra, de toda parte do universo, tudo o que for necessário ao meu desenvolvimento. Mas, este não seria o "seu" suprimento, ou o "meu", pois isto denotaria limitação. O simples uso de "seu" e "meu" encerraria uma limitação. Podemos usar a palavra "meu" de início; mas, pela expansão da consciência, perceberemos que a Verdade, por ser universal, faz com que a Autocompleteza seja válida igualmente para todos os homens.

Quando falamos do sol ou da lua, não dizemos "meu" sol ou "minha" lua, "seu" sol ou "sua" lua. Falamos do sol como luz universal a brilhar para o santo ou pecador, para o branco ou negro, oriental ou ocidental, judeu ou gentio. Por fim, passamos a encarar o suprimento sob este enfoque, sem o rotularmos de "meu" ou "seu", pois, se o considerarmos como pessoal, estaremos tornando-o finito, transformando-o em conceito material, em vez de entendê-lo como verdade espiritual. Se quisermos falar verdadeiramente sobre suprimento, deveremos abandonar todo e qualquer senso pessoal de posse; deveremos eliminar todo conceito de limitação, deixando de alegar que isto ou aquilo seja "meu" ou "seu".

"Do Senhor é a terrra, e tudo que ela encerra"..."Filho, tu estás sempre comigo, e tudo que é meu é teu". Não devo ser egoísta ao extremo de acreditar que estas palavras sejam dirigidas apenas a Joel. Devo entender que estão endereçadas aos filhos de Deus. Se personalizá-las de algum modo, acreditando que Deus as está dirigindo somente a mim, que estarei fazendo de você? E, se excluísse um de vocês, mesmo o maior pecador, estaria excluindo a mim próprio, pois existe somente o infinito Eu divino, sendo este EU Automantido, além de englobar a totalidade da Existência. O conceito material de suprimento o personaliza! Ao falarmos em suprimento como "seu" ou "meu", ele estará sendo visto como limitado; porém, ao pensarmos na totalidade do suprimento como pertencente o Pai, ele será infinito!

Porque há tantas pessoas limitadas? A resposta é única: o mundo retém um conceito pessoal de suprimento. Enquanto esta idéia perdurar, haverá limitação. De fato, inexiste carência e inexiste abundância. Existe somente esta ou aquela pessoa experienciando individualmente a carência ou a abundância.

Suprimento é espiritual; portanto, é infinito! Se nos abrirmos à Graça de Deus, todo suprimento necessário nos será acrescentado. Mesmo quem não tiver sido ensinado a viver espiritualmente, se abrir a consciêcia para expressar o amor humano, deixando a concha em que vinha vivedo, terá abundância, desde que parta para a doação, aprendendo a compartilhar, a servir e a ser mais amigos. Nunca duvide do seguinte: quem está sem receber o suprimento está, de algum modo, barrando-o ele próprio. E esta ação difere de pessoa para pessoa.

Certas pessoas adoram se vangloriar, o que é tremenso contra-senso! Outras jamais entenderam o sentido real da gratidão, desconhecendo o que é dar, compartilhar, amar. Não falo de doação feita a filhos e familiares, mas da doação impessoal. Tais pessoas estão barrando o fluxo do suprimento, pois, embora ele esteja encostado rente à porta, é incapacitado de ultrapassá-la, a não ser que a pessoa abra a própria consciência. De uma maneira ou de outra, aqueles que estão carentes de suprimento, eles próprios se colocaram nessa condição, por terem fechado a porta à consciência infinita. Esta atitude não é tomada premeditadamente, mas sempre ignorantemente.

Muitos casos chegaram ao meu conhecimento de pessoas que concluíram serem elas próprias que estavam barrando seu suprimento por jamais darem ou compartilharem coisa alguma; assim, passaram a praticar o dízimo e mudaram completamente de situação, mesmo sem terem atingido o nível mais elevado de realização espiritual, mas apenas à nível de ajudar e dividir com o próximo. Não existe uma forma única de se experienciar abundância: há provisão em todo nível de consciência. A demonstração máxima, entretanto, é a conscientização da presença de Deus. Isto é que atende a todas as tuas necessidades.

No nível místico de consciência, jamais devemos permitir que a mente se prenda ao suprimento como sendo ele algo a ser buscado, conquistado ou merecido. Suprimento é a conscientização de que o Eu, em vosso interior, "veio para que tivéssemos vida, e vida em abundância".

Começaram a notar a diferença entre os dois mundos? O mundo exterior, em que parece que vivemos em coisas que são externas, e o mundo interior, em que mesmo as coisas que parecem vir de fora são, realmente, expressadas pelo Espírito que está dentro de nós? Permaneçamos na Verdade de que a nossa vida invisível é que nos atrai do exterior o que for necessário à nossa experiência individual.

Seja qual for o segmento da vida que estivermos considerando, jamais deveremos esquecer o grande princípio da IMPERSONALIZAÇÃO. Não é certo que cada confusão em que temos entrado se foi caudada por termos personalizado Deus ou o erro? Agora, deveremos dar outro passo e impersonalizar o suprimento, de tal forma que desapareça a idéia de "meu" ou "seu" suprimento: existe a Autocompleteza, Autodesdobramento, Autocorporificação da totalidade.

Na percepção de nosso relacionamento de unicidade, são encontradas completeza e totalidade. Esta unicidade com o Pai é minha plenitude, minha completeza, mas não implica que seja algum "meu" separado do "seu". Você possui a mesma plenitude, a mesma completeza, a mesma perfeição. Apenas terá de despertar para ela, e assim faremos em proporção à nossa capacidade de impersonalizar Deus, impersonalizar o erro, impersonalizar o suprimento e impersonalizar o amor.

A forma única de impersonalizarmos o amor e expressarmos divino amor está em sabermos que não temos poder nem para dar nem para reter qualquer coisa. Podemos meramente ser instrumentos pelos quais a coisa acontece. Apesar de tudo que conhecemos, humanamente seremos tentados a dar ou a deixar de dar amor em função de preferências pessoais. A dar mais "aqui" do que "ali". Tudo isso torna-se barreira à demonstração da real harmonia em nossas vidas. Cada um precisa reservar um período ao dia para ser uma transparência à ação do Espírito, para que Ele possa abençoar nosso lar, negócio, nação, sem qualquer influência de preferência pessoal.

Humanamente, talvez sintamos mais afeição por uns do que por outros. Mas são os outros os responsáveis pela diferenciação. Eu não poderia dar mais afeição humana àqueles não a dão nem a compartilham, pois seriam eles que estariam deixando de chamá-la para si. Quem expressa afeição em grau máximo é o que a recebe em maior medida. Sob o ponto de vista humano, a verdade é esta e tenho que admití-lo.

Este fato, entretanto, não me impede de, ao menos uma vez ao dia, buscar minha quietude interna para perceber que não posso dar amor a alguém ou represá-lo. Estarei sendo a transparência pela qual a Graça de Deus envolve todas as pessoas de todos os lugares. A receptividade delas lhes trará a vida abundante, e a falta dessa receptividade as excluirá. Serei responsável somente por "deixar a Luz brilhar". Abrir a porta da consciência para recebê-la será função de cada um.

Nossa maior contribuição ao mundo está não em prestarmos serviços pessoais a familiares. Nosso maior valor é a medida com que nos sentamos, em quietude, para sermos uma clara transparência para o Amor de Deus fluir em nosso ambiente, negócio e nação. Isto é impersonalizar o amor, e é esse tipo de amor impessoal que atende às necessidades individuais e coletivas.

Em alguns níveis de vida humana, uma pessoa deverá ser humanamente mais amorosa, caridosa, benevolente, pois será este seu único acesso à paz e à harmonia. À medida que der, receberá. Aquilo que semear, ceifará -- não, porém, em nível espiritual, onde a experiência máxima é amor divino, e este ninguém é capaz de dar ou de reter. Antes, é Algo que flui atrávés de nós, e atua fora do nível humano.

O Suprimento é infinito; porém, é preciso haver receptividade. Qualquer um diria: "Ora, eu receberei todo suprimento que você me der". Mas não é assim que a coisa funciona! Podemos ter todo suprimento que dermos. Mas a barreira encontra-se aqui: o não desejo de doação. Eis a causa da carência ou da limitação.

O povo faminto do mundo é culpado pela falta de alimento? Não, não mais que nós mesmos, quando desconhecíamos esta verdade, ou quando nos culpávamos por não estar desfruntando de maior hamonia. Os que sofrem carência estão barrando o suprimento com a ignorância espiritual. Alguns se permitiram se tornar desamorosos; e, onde inexiste amor, inexiste abundância. Permitiram-se parar de desenvolver, separados e apartados de seus irmãos humanos. Criaram uma mentalidade de "receber" e não de "dar", inclusive o de receber em troca de nada! Esse tipo de ignorância, porém, não é falha deles. Estão hipnotizados! E este hipnotismo durará até que haja um despertar interior que os direcione a algo superior ao sentido material, rompendo de vez com esse hipnotismo universal.

Adquira o hábito de, diariamente, sentar-se quietamente, sem dar amor humano a ninguém, e, por outro lado, sem conservar qualquer emoção negativa como ódio, inveja, ciúme, malícia, vingança ou indiferença. Abandone tudo isso, inclusive o desejo de amar alguém. Sente-se quietamente, por um momento, e deixe que o Espírito de Deus, o Amor divino, flua através da sua consciência para a seu lar, família, vizinhos, cidade, estado, comunidade, nação e, finalmente, o mundo.

"Tua Graça é a suficiência deste mundo. Deixo Tua Graça estar sobre o mundo e ser realizada em toda consciência humana. Deixo Tua Graça ser estabelecida assim na terra como o é no céu".

Depois, permaneça silencioso por alguns momentos, enquanto há o fluxo do Espírito. Você não terá dado amor algum; não terá retido amor algum; não terá sido desamoroso: terá simplesmente permanecido quieto, permitindo à "suave e pequenina Voz" ser ouvida por toda consciência humana a Ela receptiva.


sexta-feira, dezembro 27, 2013

"Eu Vim"

 
Joel S. Goldsmith / Núcleo
 
Se disser que Deus é onisciência, onipotência e onipresença, ou que Jesus é onisciência, onipotência e onipresença, não fará nenhuma diferença, pois estará considerando Deus e Jesus separadamente do “Eu” que você é.
 
Quando considerar que “Eu  o Pai somos um”, sabendo que este “Eu” é onisciência, onipotência, onipresença, você, nesta UNIDADE, será infinito. Nesta UNIDADE, o “Eu” de seu Ser será imortalidade. E poderá verificar a diferença que se fará notar em sua vida diária.
 
A cada reconhecimento do “Eu”, você estará demonstrando a presença de Deus. Feche os olhos; volte-se internamente em atitude de “escuta”: Deus Se revelará. Deus revelará Sua Presença em seu âmago; mas será você quem Lhe deverá abrir caminho; terá de esvaziar recipientes já cheios; terá de entrar no silêncio sem quaisquer conceitos.
 
Pensar que Jesus, ou algum místico, “falava de si mesmo”, ao revelar o “Eu”, é enorme erro. Quando o Mestre disse “Eu”, referia-se àquele “Eu” que está em seu Centro, o que dava sentido a uma das maiores passagens das Escrituras: “Eu vim para que tenham vida, e que a tenham com abundância”. Se você lembrar que esta passagem está se referindo ao “Eu” que está em seu Centro, nunca mais temerá por sua vida, por seu suprimento, por sua felicidade ou por sua segurança. Para este “Eu”, em seu interior, é que você deverá olhar, e para nenhum outro. Deixe o divino “Eu” viver sua vida, vivendo conscientemente no “Eu” de seu próprio íntimo, no “Eu” que você declara ter vindo para que você tenha vida infinita, abundante e eternamente. (Joel S. Goldsmith)
 

Comentário (Núcleo):
 
A mensagem contida neste texto é profunda!
 
Goldsmith usa a palavra "centro"... No Núcleo dizemos: "Vá para o núcleo!"
 
"Ir para o núcleo" significa exatamente ir para este "centro" que está em nós, que Jesus chamou de "Reino de Deus", no qual percebemos que "Eu e o Pai somos Um". Este centro de percepção nos proporciona a percepção do Eu. 
 
Permita-me revelar um detalhe sutil.... O que nenhum "personagem" percebe é que quando aparentemente nos dirigimos a este núcleo ou centro de percepção, a este Eu, em realidade é o próprio Eu que está se dirigindo, se revelando a nós! Isto não é possível perceber do ponto de vista do próprio personagem, porque parece ser ele quem se dirige ao Ser... mas é o próprio Ser Quem Se revela! O "personagem" que estamos sendo não tem vida em si mesmo e nada pode fazer se o próprio Ser não o fizer! É Deus, o Ser Real, o Cristo, Quem Vive em nós! Por isso o apóstolo e divino personagem que teve esta percepção ou revelação disse: "Vivo, mas já não sou eu Quem vive; é Cristo Quem vive em mim."
 
A revelação compartilhada no Núcleo de que "Não há percepção sem ação" traz em si esse detalhe sutil, mas poucos se dão conta e perguntam seguidamente: Como faço para ativar esta percepção? A resposta é a própria percepção! E está contida nesta revelação de que "não há percepção sem ação".

O que deve ser percebido é: "Perceba Quem percebe em você!". Para ter a percepção do Ser e perceber como o Ser percebe é preciso ser como o Ser É. Por isso Jesus ora para que sejamos todos perfeitos em Unidade - "Eu neles e Tu em mim para que sejam perfeitos em unidade". Assim, para ter a percepção do Ser e perceber como o Ser percebe é preciso "ser UM com Deus". Esta unidade com o Ser, do ponto de vista do personagem, se realiza pela ação! Por isso é revelado que não há percepção sem ação. Desta forma, é "amando" que percebemos que Deus é Amor; é "sendo verdadeiros " que percebemos que Deus é a Verdade; é "vivendo em comunhão com Deus" que percebemos que Deus é a própria Vida. É preciso notar que esta ação de que estamos falando não é necessariamente um "fazer", mas um "estado de ser". Podemos "amar" sem mesmo estarmos fazendo algo; mas o amor nos leva a agir de determinada forma; Podemos "ser verdadeiros" sem mesmo estarmos fazendo algo, mas isto nos leva a agir de determinada forma; Podemos "viver em comunhão com Deus" sem mesmo estarmos fazendo algo, mas a vida em comunhão com Deus nos leva a agir de determinada forma. Jesus nos dá o exemplo de um ser que aparentemente não age – uma árvore –, e nos faz ver que pelos seus frutos a árvore é conhecida! Assim, a árvore também "age". Em verdade é a Vida de Deus quem Se manifesta, quem age, pela árvore! E no tempo devido ela produz seus frutos ou seus frutos podem ser conhecidos. Toda a natureza manifesta este tipo de ação, que é a própria ação de Quem faz. É o Ser subjacente a tudo Quem verdadeiramente está agindo, é Ele Quem faz. Por isso Jesus declara: "Eu de mim nada posso; o Pai em mim é Quem realiza as obras."
 
Agir pra perceber Quem faz é algo semelhante a nos voltar em direção a luz... Percebemos a luz vindo em nossa direção [percepção] quando nos voltamos em direção à luz [ação]. Somente quando nossa ação é voltada para a Luz divina, Deus, é que percebemos que em realidade é Deus Quem está "vindo" a nós!
     
É dito que: "Não há percepção em ação." Esta ação parte da percepção de que há uma luz divina vindo a nós. Por isso aquele que percebe Deus deve agir e se voltar para Deus para ativar, firmar ou confirmar esta percepção! Caso contrário esta percepção ficará apenas como algo pressuposto, algo em que acreditamos mas que não temos evidência. É algo como perceber a claridade e olhar para a sombra. A fonte de luz não será vista e será apenas pressuposta por estarmos voltados para a sombra que ela projeta... Essa é a percepção dos que acreditam que Deus existe, mas que de fato não o percebem; esta é a percepção mental. Outra é a visão dos que se voltam para Deus que percebem que veem porque é a própria Luz de Deus que se projeta neles que os faz ver! 
 
Assim, é o próprio Eu "projetado" em nós Quem nos faz vê-lo! Contudo, essa "projeção" do Eu em nós depende de estarmos voltados para este Eu em nós. Por isso a oração de Jesus é: Eu neles e Tu em  mim. "Eu neles" significa que nosso foco de atenção deve estar "voltado para" o Cristo em nós! Ou seja, deve estar focado no Cristo que Vive em nós. O Cristo em nós está voltado para o Eu, para o Pai, ou seja, a percepção crística em nós está sempre voltada para Deus mas se não estivermos voltados para ela, se estivermos voltados para as nossas mentes, focados em nossa visão e certezas mentais, não veremos a Realidade de Deus; veremos apenas a "representação", que é a realidade vista pela mente.
 
Sempre que um personagem desperto – Aquele que percebe a Realidade –, dá este esclarecimento, ele está projetando essa luz sobre a humanidade e sabe Quem de fato é a Fonte dessa Luz. O personagem desperto não é quem projeta a luz mas é um dos que a refletem... e em assim o fazendo dá oportunidade para que todos possam fazer o mesmo, que possam refletir a luz que incide sobre todos. A luz divina já está incidindo sobre todos! E isto pode ser percebido por todos. 
 
Todos os que olham para um mestre, e percebem que ele de fato se trata de um mestre, só o fazem porque a percepção do mestre já está desperta e ativa neles! Estes são os que estão voltados ou focados na percepção do mestre que está neles
 
Poderia ser dito: Todos os que olham para um buda e percebem que se trata de um buda só o fazem porque a percepção do buda já está desperta e ativa neles! São os que estão voltados ou focados na percepção do buda que está neles. 
 
A propósito, a expressão "divinos personagens", que é usada no Núcleo, tem como base a percepção de que apenas Deus é Real. A "realidade" vista pela mente é uma representação, nela nada é real, a não ser como representação mesmo, assim como um personagem de quadrinhos é real na realidade dos quadrinhos. Somos "seres conscienciais", vivemos na Consciência de Deus; somos todos Imagem e Semelhança de Deus, como está na linguagem bíblica; somos todos seres búdicos, como revela o budismo.             
 
Enfim, o texto "Eu Vim" fala da percepção que emerge em nós vinda do centro... Todos os textos sagrados falam desta percepção. Esta percepção não nos faz sair do mundo, mas nos torna conscientes de qual é nosso verdadeiro mundo... Nosso verdadeiro mundo não é a representação, mas a Realidade divina. Jesus disse: "Eu desse mundo não sou, vós também não sois."  E disse também: "Eu vim para que tenha Vida e Vida em abundância." A vida dos personagens não é a Vida do Ator, que é o Ser Real. Da mesma forma, nossa Vida não é a vida de "quem estamos sendo", dos "personagens", mas sim, a Vida de Quem Somos! Somos o Ser, o Eu verdadeiro. Isto é o que é percebido quando emerge em nós, quando "vem a nós" Aquele que já veio, que já É; o Cristo que disse: "Eu Vim"!
  
Assim seja percebido por todos, pois, assim É.
 
É o que percebo, desfruto e compartilho.

 

sexta-feira, julho 05, 2013

Ordenação (Joel S. Goldsmith)


 Joel S. Goldsmith


Dou-lhes duas declarações do Mestre: "Meu Reino não é deste mundo..." e "Eu venci o mundo".

Três homens que tiveram a revelação completa do segredo da vida foram Lao-Tsé, na China, cerca de 600 a.C; Buda, na Índia, cerca de 550 a.C; e Jesus de Nazaré. Através de Jesus a revelação plena veio para o amado discípulo João, na Ilha de Patmos.

Foi de Jesus que eu também recebi essa mesma revelação através do que afirma a Bíblia "Meu Reino não é deste mundo". Esta declaração, juntamente com "Eu venci o mundo", tornaram-se o objeto de minha meditação durante muitos meses. Eu não as escolhi; elas se apegaram a mim e, finalmente, veio a compreensão do seu significado. Nunca soube que isso tenha sido ensinado desde que foi recebido por João, exceto em seus próprios escritos ocultos. Portanto, se você receber e aceitar este ensinamento, Deus com efeito abençoou você além de todos os homens e mulheres.

Vencer o mundo significa sobrepujar ou elevar-se acima de todo o desejo dos sentidos, estar livre da atração do mundo, viver no mundo mas não ser sua propriedade, conseguir libertar-se da servidão ao ego pessoal e entender o mundo espiritual e, assim, libertar-se do falso sentido do universo de Deus. Na medida em que vemos este mundo, sob a ótica humana, estamos vendo o céu de Deus, mas vendo-o "por espelho em enigma". Vencer este mundo significa elevar-se acima do sentido humano, finito, errôneo do mundo, e vê-lo como ele é.

Foi João quem nos disse: "Quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele; porque assim como é o veremos.". Nesta consciência esclarecida, veremos Deus face-a-face, apesar de que será Deus aparecendo como você ou como eu, Deus aparecendo como homem ou mulher.

Estas palavras projetam claramente a consciência mais elevada da vida, mas somente quando você puder ser convencido no seu íntimo e puder abrir espiritualmente a sua consciência, é que poderá ter a verdadeira percepção delas. Isso é o batismo espiritual, a experiência Pentecostal de receber o Espírito Santo. Dele vocês emergirão como homens e mulheres que viram através da miragem dos sentidos o testemunho da realidade subjacente em que vocês, na verdade, vivem, se movem e têm o seu ser.

Esta vida que vocês vivem é Deus, visto "por espelho em enigma", mas agora, neste instante, vocês o vêem face-a-face. Agora vocês podem desfrutar de amizades, companhias, casamento, associações empresariais, mas tudo sem ligação intensa. Os grandes sucessos de seus amigos ou familiares não os deixarão indevidamente alegres, e seus fracassos não o pertubarão mais.

Você usará o dinheiro como um meio de troca, mas nunca mais você, que venceu este mundo, o odiará, o temerá ou o amará. Você tratará o dinheiro como trata os passes de ônibus - parafernália necessária e desejável na vida cotidiana. Você sempre terá mais do que necessita, sem qualquer apreensão. Mesmo a ausência temporária de dinheiro não o embaraçará ou o pertubará, porque nada em seu mundo depende dele. Tudo o que você precisa vem a você pela graça, e como presente de Deus.

Ao vencer este mundo, você vence as crenças que constituem este mundo, inclusive a crença de que o homem tem de ganhar a vida pelo suor de seu rosto. Você é co-herdeiro, com Cristo, em Deus, de todas as riquezas celestiais, de cada ideia da Sabedoria infinita.

Ao vencer este mundo, você perde o seu medo do corpo, libertando-o dessa forma para viver sob a lei de Deus. Você vence as crenças do mundo à respeito do corpo – que ele é finito ou material, que ele vive somente do pão ou dos assim chamados alimentos materiais, ou que ele tem de ser provido de qualquer maneira. Banhe-o, mantenha-o limpo por dentro e por fora, mas descarte toda preocupação com ele. Ele está sob a guarda eterna de Deus. Ele está vivendo, se movendo e tendo o seu ser na consciência de Deus. Não se preocupe com o seu corpo, porque é do interesse de Deus preservar e manter a imortalidade de Seu próprio universo, inclusive do Seu corpo, que é o único corpo.

O que você vê fisicamente como seu corpo representa o seu conceito de corpo; mas há somente um corpo, o corpo de Deus, e este é o segredo dos segredos.

A saúde de Deus é a sua saúde. A riqueza de Deus é a sua riqueza. Sua família é o domicílio de Deus; sua consciência, o ser individual, infinito, de Deus. Há somente um único Ser, e esse Ser é Deus, e cada pessoa que você encontra representa o seu conceito desse ser Único, expresso individualmente.

Sua liberdade espiritual significa a sua libertação das crenças falsas e universais sobre o seu corpo, seus afazeres e seus relacionamentos. Então você já não está mais sob a lei da crença universal: você se torna livre em Cristo, isto é, você sobrepujou ou se elevou acima das crenças errôneas a respeito do mundo de Deus e, por isso, venceu este mundo, o sentido falso do mundo. Você agora vê o mundo como ele realmente é e não como "este mundo".


"Deixo-vos a paz, Eu vos dou a Minha paz; não vo-la dou como o mundo a dá". A paz espiritual Eu dou a você, a paz que transcende compreensão, a paz que não depende de pessoas ou condição exterior. Agora, nada neste mundo poderá afetar você, que está livre em Cristo, em consciência espiritual. Você caminhará de um lado para o outro no mundo, indo e vindo livremente, e nenhuma das crenças do mundo se ascenderá em você. As chamas não lhe causarão dano; as águas não o afogarão. Eu coloquei o meu selo sobre você, e você está livre. Caminhe para cima e para baixo, para dentro e para fora. A lei espiritual mantém o seu ser, o seu corpo, o seu negócio.

Não diga a nenhum homem o que você viu e ouviu. Não explique nem conte às pessoas a respeito de sua libertação "deste mundo". Movimente-se de um lado para o outro entre os homens, como um dom, como uma bênção, como a luz do mundo. Deixe esta vida e esta mente estarem em você como o estavam em Cristo Jesus. Seja receptivo. Seja expectante. Esteja sempre alerta para receber orientação, direção e apoio interiores. Mantenha-se sintonizado com o seu mundo interior, mas ainda assim cumpra com todos os seus deveres externos. Cumpra todas as obrigações externas, mas mantenha-se alerta interiormente.

Existem aqueles entre vocês que foram chamados para o trabalho de Deus. Será transmitido a você o que fazer e quando. Eu coloquei o Meu Espírito em você. Esse Espírito será visto e sentido pelos homens. Não será você, mas o Espírito que eles discernirão, embora pensem Nele como você.

Meu espírito trabalhará por você e através de você e como você. Ele trabalhará para realizar o Meu propósito. Você será a Minha presença na Terra. Eu não deixarei você, nem o abandonarei. Sob qualquer aparência, Eu ainda estrei com você. Não tema nada deste mundo. Meu Espírito orientador está sempre com você.



De Lao-tsé diz-se que quando tinha 1.200 anos de idade tornou-se cauteloso porque o mundo não podia concordar em libertar-se da moenda desta vida mortal. Ele decidiu deixar a cidade, mas antes de passar pela porta, o sentinela, suspeitando que ele nunca mais retornaria, pediu-lhe para escrever seu ensinamento, o que ele fez numa mensagem curta.

De Buda, diz-se que ele ensinou seus discípulos, mas constatou que eles não podiam compreender plenamente a importância da mensagem. Por isso, um dia, mandou chamá-los, despediu-se e deixou este plano humano.

Jesus perguntou: "Então nem uma hora pudeste velar comigo?". Ele também disse: "Se eu não for, o Consolador (O Espírito da Verdade) não virá a vós", significando que os discípulos também não tinham apreendido o significado de sua mensagem.

Uma vez mais, agora, a Mensagem é repetida sobre a Terra para você. Você também dormirá?

 

segunda-feira, junho 01, 2009

O Cristo (Joel S. Goldsmith)

Joel S. Goldsmith


Uma antiga escritura revela: "É difícil de se entender: doando nosso pão, nos tornamos mais fortes; dando nossas roupas aos outros, ganhamos em formosura; fundando moradas de pureza e verdade, adquirimos grandes tesouros".

Abraão, pai dos hebreus, baseou a prosperidade do seu povo na idéia do dízimo — doar um décimo dos ganhos para propósitos espirituais e caritativos, sem pensar em retorno ou recompensa.

"A imortalidade pode ser alcançada apenas pela prática contínua de atos de benevolência, e a perfeição se obtém pela compaixão e pela caridade." Quanto maior o degrau de amor altruísta que galgamos, mais nos aproximamos da compreensão do Eu universal como nosso ser real.

O sentido pessoal de "eu" (ego) está ocupado em ter, em obter, em desejar, em conseguir e acumular; enquanto nosso Eu verdadeiro está empenhado em dar, conceder, repartir e abençoar.

O sentido pessoal de "eu" representa a corporificação de todas as nossas experiências humanas, muitas das quais limitadas e indesejáveis. O Eu verdadeiro corporifica as idéias e atividades infinitas, espirituais, que se manifestam continuamente, sem limites ou restrições.

O pequeno "eu" preocupa-se basicamente com seus problemas pessoais e seus negócios, dilatando seus limites para incluir neles seus parentes próximos e seus amigos. O sentido pessoal, muitas vezes, avança além, envolvendo-se em trabalhos caridosos e de assistência comunitária, mas quando analisamos seus motivos percebemos tratar-se de ação governada pelo próprio sentido pessoal.

O "Eu" verdadeiro alimenta sua vida do centro do seu próprio ser, abençoando todos os que dele se aproximam; é reconhecido pelo seu altruísmo e desinteresse, por não buscar o reconhecimento, a recompensa ou qualquer engrandecimento pessoal. Não se trata de uma entidade sem vigor ou de um boneco que possa ser manipulado pelos mortais — de fato não pode nunca ser visto nem compreendido pelos mortais.

Recordo-me de dois belos exemplos que, em quadros comoventes, revelam as diferenças entre o pequeno eu pessoal e o Eu imortal.

Sidharta, que abandonara o lar e a família em busca da Verdade, recebeu por fim a iluminação, tornando-se o Buda, o Iluminado ou, poderíamos dizer, o Cristo do seu tempo. Seu pai, grande rei, sentindo a morte se aproximar e desejando rever o filho, mandou procurá-lo, pedindo que retornasse. Ao rever o filho, percebeu que o perdera, em sentido pessoal de pai e filho, mas assim mesmo tentou reconquistá-lo. Disse o rei: "Eu te daria meu reino, mas se o fizesse, teria para ti o mesmo valor da cinza". Buda respondeu-lhe: "Sei que o coração do rei transborda de amor... mas deixe que os laços do amor que te prendem ao filho que perdeste enlacem igualmente todos os teus súditos; assim em lugar de Sidharta receberás algo muito maior: receberás o Iluminado, o Mestre da Verdade, o Pregador da Retidão e ainda a Paz de Deus em teu coração".

O outro exemplo diz respeito ao grande Mestre. "E falando ainda à multidão, estavam fora sua mãe e seus irmãos que desejavam falar-lhe. E disse-lhe alguém: Eis que estão lá fora tua mãe e teus irmãos querendo te falar. Mas ele respondeu àquele que o chamara: Quem é minha mãe? E quem são meus irmãos? E abrindo seus braços, apontando seus discípulos, disse: Pois qualquer um que faça a vontade do meu Pai que está no céu, este é minha mãe, minha irmã e meu irmão."

À medida que nos tornamos espiritualmente iluminados, somos procurados por aqueles que buscam se libertar de diversas formas de trevas materiais — da doença, do pecado, do medo, da limitação, da agitação e da ignorância. E nós podemos defrontar estas necessidades impersonalizando tanto o bem como o mal, e compreendendo que a harmonia é uma atividade e uma qualidade da Alma, que se expressa universal e individualmente.

Na meditação, ou comunhão, nos tornamos receptivos à Verdade que se desdobra dentro de nós — e a isto nós chamamos de oração. Nosso orar não deve ter ligação com o chamado paciente. De fato, a oração não é um processo, uma combinação de palavras ou pensamentos, de colocações, de declarações, de afirmações ou de negações. A oração é um estado de consciência no qual experimentamos a percepção da harmonia, da perfeição, da unidade, da alegria, da paz e do domínio. Com freqüência, a meditação ou comunhão traz ao indivíduo alguma verdade específica, e esta verdade aparece externamente como o fruto de sua própria conscientização do ser real.

Foi revelado, vezes incontáveis, que o talento, habilidade, educação e a experiência de cada indivíduo são de fato a Consciência que se desdobra em caminhos individuais — como artista, músico, vendedor, homem de negócios ou ator. Segue-se disso que a Consciência, que expressa a Si mesma, nunca está sem oportunidade, reconhecimento e aceitação. Assim, não pode haver dom sem reconhecimento, um talento ou habilidade sem expressão, um esforço sem recompensa, uma vez que todos os esforços e ações são Consciência expressando suas infinitas capacidades e possibilidades. A percepção consciente desta verdade fará dispersar a ilusão de desemprego, a falta de recompensa ou de reconhecimento. Contudo, guarde isso muito bem: a repetição destas palavras sem uma parcela de "sentimento" da verdade que encerram, será como "nuvens sem chuva", "vãs repetições", nada.

Desta mesma maneira já foi revelado que há apenas uma Vida, e que esta única Vida nunca está sujeita ao perigo de doença, de acidente ou morte. Esta Vida é a vida do ser individual. Nunca é necessário tratar diretamente uma pessoa ou um animal, mas estar sempre alerta para nunca aceitar a idéia ou sugestão de qualquer outra presença, poder ou atividade que não a única Vida, a única Lei, a única Alma. O viver constantemente nesta consciência do bem, da harmonia, dissipará a ilusão dos sentidos, quer se manifeste como pessoa doente ou pecadora. O simples declarar ou afirmar constante desta verdade nos seria de bem pouca valia, enquanto sua conscientização ou sentimento se nos manifestará como cura, como modificação, como renovação e até mesmo como ressurreição.

Recentemente, escrevi a um amigo por ocasião de seu aniversário, e creio que ele gostaria que eu compartilhasse com vocês as idéias que me ocorreram no caso:

“Quanto aos votos de aniversário, eu apenas gostaria que não tivesse qualquer aniversário, de modo que se lhe tornasse familiar a idéia de continuidade da existência consciente, sem parada ou interrupção — a conscientização do desenvolvimento progressivo.”

Na verdade, não há interrupção na continuidade da consciência que desenvolve, nem pode a consciência deixar de estar cônscia do corpo, assim como você jamais perde a consciência musical ou artística, ou qualquer outro talento que porventura possua.

A consciência se desdobra de dentro para fora de uma fonte ilimitada, da infinitude do seu ser, para a percepção individual de si mesma, em infinitas variedades, formas e expressões.

A morte é a crença de que a consciência perde a percepção do seu corpo. A imortalidade é a compreensão da verdade de que a consciência está eternamente ciente de sua própria identidade, corpo, forma ou expressão.

A consciência, cônscia do seu infinito ser e corpo eterno, é a imortalidade atingida no aqui e agora. A percepção de que "a consciência mantém sua própria identidade e forma" é a vida eterna. A percepção de que a consciência se desdobra eternamente nas formas individuais da criação ou manifestação, é a imortalidade demonstrada aqui e agora. "Esta consciência é VOCÊ."

A consciência espiritual é o abandono do esforço pessoal na realização de que a harmonia é algo que "já é". Esta consciência, com a renúncia ao esforço pessoal, é atingida quando percebemos o Cristo dentro de nós como uma realidade presente. O Cristo é a atividade da Verdade na consciência individual. É mais uma receptividade à Verdade do que a sua verbalização. Na medida em que conseguimos a quietude interior, tornamo-nos sempre mais receptivos à Verdade que se nos revela, dentro de nós mesmos. A atividade desta Verdade na nossa consciência é o Cristo, a própria presença de Deus. A Verdade recebida e mantida continuamente em nossa consciência é a lei da harmonia em todas as nossas vicissitudes. Ela governa, dirige, orienta e suporta todas as nossas atividades da vida cotidiana. Quando nos aparecer a idéia de doença ou carência, esta Verdade onipresente será o nosso curador e nosso recurso; será mesmo nossa saúde e nosso suprimento.

Para muitos, a palavra Cristo continua sendo um termo mais ou menos misterioso, uma entidade desconhecida, algo raramente ou nunca vivenciado diretamente. Se, porém, quisermos nos beneficiar com a revelação da Presença divina ou Poder dentro de nós, feita por Cristo Jesus e outros, teremos de modificar este estado de coisas. Devemos chegar à experiência do Cristo como uma revelação permanente e contínua. Temos de viver com a percepção consciente e contínua da verdade interior ativa; mantendo sempre uma atitude receptiva — ouvidos atentos —, não demorará para que tenhamos a experiência do despertar interior. Esta é a atividade da Verdade dentro da consciência, ou o Cristo que alcançamos.

Uma tal compreensão do Cristo nos esclarecerá a respeito da oração. Todas as definições do dicionário são unânimes em conceituar a oração com base na crença errônea de que haja um Deus, em algum lugar, a esperar que Lhe imploremos de algum modo. Então, se pudermos encontrar este Deus bem disposto, teremos nossas orações respondidas favoravelmente; a menos que, logicamente, nossos pais ou avós, até a terceira ou quarta geração tenham pecado e, neste caso, seremos imputáveis pelos seus pecados e teremos nossas orações jogadas na cesta de lixo do céu.

Nós temos um sentido diferente do que seja a oração. Percebemos que qualquer bem que nos aconteça é o resultado direto da nossa própria compreensão da natureza do nosso próprio ser. Nossa compreensão da vida espiritual se desenvolve à medida da nossa receptividade à Verdade, não orando a Deus, mas deixando que Deus Se revele e Se manifeste a nós. Este é o mais alto conceito de oração; é alcançado quando dedicamos alguns minutos, tanto de dia como de noite, à meditação, a comungar, a escutar. Na quietude, chegamos a um estado de receptividade que nos abre o caminho para sentir ou para perceber a presença real de Deus. Esta percepção, ou sentimento, é a atividade de Deus, a Verdade em nossa consciência, é o Cristo, nossa Realidade.

Normalmente, vivemos imersos num mundo sensorial (material), e nos preocupamos apenas com o objeto de nossos sentidos. E isso nos traz nossa experiência de bem e de mal, de dor e de alegria. Se nós, através do estudo e da meditação, nos voltarmos mais para o lado mental da vida, veremos que nossos pensamentos se tornam mais elevados e, com isso, teremos melhores condições. A medida que refinamos nossas qualidades mentais e manifestamos mais paciência, mais gentileza, caridade e perdão, estas qualidades se refletirão sobre nossa experiência humana. Mas não paremos por aqui.

Mais alto que o plano do corpo e da mente está o domínio da Alma, o reino de Deus. Aqui encontramos a realidade do nosso ser, nossa natureza divina — não que o corpo e a mente estejam separados ou afastados da Alma; apenas que a Alma é o recôndito mais profundo do nosso ser.

Nos domínios da Alma encontramos completa tranqüilidade, paz absoluta, harmonia e domínio. Aqui não encontramos nem bem nem mal, nem dor nem prazer, apenas a alegria de ser. Estamos no mundo, mas não pertencemos a ele, pois não mais vemos o mundo dos sentidos como aparenta ser, mas, tendo despertado nosso sentido espiritual, nós o "vemos como ele é" — vemos a Realidade através das aparências.

Até aqui, buscamos nossa felicidade no universo objetivo, em pessoas, lugares ou coisas. Agora, porém, através do sentido espiritual, do sentido da Alma, o mundo todo tende a nos trazer seus presentes, embora não mais pela busca direta de pessoas ou coisas, mas servindo-se destas como canais. No sentido material, pessoas e coisas são os objetivos — aquilo que desejamos. Através do sentido da Alma, nosso bem se desdobra a partir do nosso interior, embora se apresente como pessoas e condições melhoradas. O sentido da Alma não nos priva dos amigos, da família e do conforto da existência humana, mas nos dá isso com maior segurança, num nível de consciência mais alto, mais belo e duradouro.

Por muitos séculos, a atenção foi focalizada em Jesus Cristo como o Salvador do homem, e ao longo deste século o sentido espiritual da vida oscilou entre dois extremos, entre a luz e as trevas. Um mestre do século XVI escreveu: "Cristo (Jesus) chamou a Si mesmo de Luz do mundo, mas completou dizendo que Seus discípulos também eram a Luz do mundo. Todo cristão em quem esteja vivo o Espírito Santo, isto é, os verdadeiros cristãos, são um com o Cristo em Deus e são como o Cristo (Jesus). Portanto, eles terão experiências semelhantes, e o que Cristo (Jesus) fez, eles também farão".

Nossa tarefa é a descoberta do Cristo na própria consciência. Reconhecemos com alegria e amor profundo o quanto do Cristo foi alcançado, não só por Jesus, mas por muitos videntes espirituais e profetas de todos os tempos. Nosso coração está cheio de gratidão pela revelação do Cristo para tantos homens e mulheres de nossos dias. E olhamos agora para a frente, para a realização do Cristo em nossa própria consciência. "O reino de Deus está em vós, e aquele que o procura fora de si mesmo nunca o encontrará, pois fora de si mesmo ninguém pode ver ou achar Deus; pois aquele que procura Deus, em verdade já O tem."

Temos de compreender a palavra "consciência", pois só podemos comprovar aquilo de que estamos conscientes. Como estamos em termos de consciência? Somos ainda mortais? Ou já renunciamos à nossa individualidade material e reconhecemos ser o Cristo a plenitude, a presença de Deus? Algum dia teremos de abandonar o esforço para tudo conseguir e reconhecer a nós mesmos como sendo o eterno Doador em ação. Temos de alimentar cinco mil pessoas sem ter a preocupação de onde virá o alimento. A multidão pode ser alimentada pela nossa cristicidade. E onde estaria, pois, a carência a não ser na crença de que somos apenas humanos? Temos de nos livrar desta crença e proclamar nossa verdadeira identidade.

Quando nos deparamos com pessoas ou circunstâncias que têm aparência de mortalidade, devemos reconhecer: "Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo", e aquilo que nos aparece como mortal é ilusão, é nada. Não temos de temer nenhuma circunstância mortal ou material, uma vez que reconhecemos sua nulidade.

A Verdade é simples. Não há verdade metafísica profunda ou misteriosa. Ou é verdade ou não é verdade; e não pode haver verdade profunda ou superficial nem pode haver diversos graus de verdade. Para a verdade ser verdade, deve ser verdade absoluta. Ocupamo-nos agora com a verdade de que nós individualizamos o poder infinito. Não devemos procurar um poder fora ou separado de nós mesmos. Nós individualizamos o poder infinito na medida de nossa conscientização da Verdade.

A Vida, que é Deus, é nossa vida. Há apenas uma Vida, e esta é a vida de todos os seres, de todos os indivíduos. Nós individualizamos esta vida eterna, e não há menos Deus em alguns seres do que em outros. E esta vida, em todos, é sem doença e imortal. Nossa consciência desta verdade é a influência curadora dentro de nós.

Existe apenas uma Consciência, Deus. Esta Consciência onipotente e onisciente se indivualiza em nós; por isso, nossa consciência é o socorro sempre presente em qualquer circunstância. Por esta razão não oramos ou buscamos a um Ser longínquo, mas percebemos a onipresença da divina Consciência como nossa consciência, e deixamos que o aparente problema se vá. A percepção desta verdade nos confirma na consciência da presença da Vida, da Verdade, de Deus. A compreensão da unidade da Consciência como a nossa consciência, da Vida como a nossa vida, é a Verdade eterna.

O próximo passo no desenvolvimento é a descoberta de que, como individualização da Consciência, nós incorporamos em nossa própria consciência nosso corpo, nossos negócios e nosso lar. Podemos comprovar nosso domínio sobre o tempo, o clima, a renda, a saúde e o corpo apenas na medida em que sabemos serem idéias da consciência que somos. O lar, o trabalho e o corpo são idéias nossas, sujeitas à nossa compreensão, e a conscientização desta verdade nos confere o domínio. Isto não nos exalta como seres humanos nem nos torna divinos: isto varre de nós a natureza humana e revela nossa divindade.

Podemos medir nosso desenvolvimento espiritual observando se estamos, ou não, tentando melhorar uma condição física. Temos de lembrar que a vida orgânica do homem, do animal ou da planta não é a Vida, Deus, e sim conceitos humanos e limitados da Vida real; assim, qualquer tentativa de curar, mudar ou corrigir o universo físico é uma evidência de que não temos desenvolvido o suficiente a consciência espiritual.

A Cristo-consciência reconhece que toda a vida é Deus — mas percebe que aquilo que nos aparece como visão ou som materiais não é a Vida, mas mera ilusão ou um falso sentido de existência. A consciência espiritual distingue a vida que é real.

Já que não podemos resolver um problema em seu próprio nível, temos de subir além das aparências para trazer às claras a harmonia do ser. Aquilo que recai sob os cinco sentidos não é a realidade das coisas; assim não podemos julgá-las neste nível. Deixando de lado as aparências, damos as costas ao quadro que se apresenta aos nossos sentidos e começamos a ter consciência da Realidade — daquilo que é eterno.


quinta-feira, maio 14, 2009

Meditação (Joel S. Goldsmith)


Joel S. Goldsmith



Meditar significa: "fixar a mente em"; "pensar em algo ininterruptamente"; "contemplar"; "envolver-se em reflexão contínua e contemplativa"; "deixar-se ficar mentalmente em alguma coisa"; "remoer"; "cogitar".

Em linguagem espiritual, meditação é oração. A oração verdadeira, ou meditação, não é pensamento voltado para nós mesmos ou para nossos problemas; é antes a contemplação de Deus e de Suas obras, da natureza de Deus e do mundo que Deus criou.

Todo mundo deveria reservar algum tempo, diariamente, para se recolher a um canto quieto e meditar. Durante este período deveria voltar seu pensamento para Deus, ponderar a sua compreensão de Deus e buscar uma compreensão mais profunda da natureza do Espírito e de Suas formas. Deveria tomar o cuidado de não levar para o estado meditativo problemas seus ou de outros. Este é um momento especial, à parte, dedicado e consagrado à reflexão sobre Deus e Seu universo.

Deus é a Alma e a Mente de todos os indivíduos e, por isso, é possível a todos nós sintonizarmos com o reino de Deus, receber as divinas mensagens e promessas e os benefícios do Amor infinito. A Graça de Deus que recebemos nestes momentos de meditação ou oração se nos torna tangível na forma de preenchimento das chamadas necessidades humanas. Se, porém, nós não abrirmos a nossa consciência para recebermos a compreensão espiritual, não teremos de ficar surpresos se não experimentarmos nenhum bem espiritual na vida cotidiana. E não há outro caminho para abrirmos nossa consciência para o reino da Alma a não ser pela meditação ou oração, através da contemplação das coisas de Deus. "Tu manterás em perfeita paz aquele cuja mente está fixada em ti."

Durante o dia todo, nossos pensamentos estão voltados para as atividades da vivência humana, nos cuidados e deveres para com a família, nos ganhos necessários ao sustento, nos negócios sociais e comunitários e, por vezes, até nos grandes negócios de Estado. Não é pois natural que durante o dia ou ao anoitecer nos disponhamos a nos retirar por um tempinho para as profundezas de nossa consciência, que é o Templo de Deus, e aqui nos envolvermos com as coisas de Deus? E, acima de tudo, temos de desenvolver o sentido de receptividade, de modo a nos tornarmos sempre mais cientes da presença real de Deus em Seu templo sagrado, que é a nossa consciência. No lugar secreto do Altíssimo, do Santo dos Santos, que é a nossa própria consciência profunda, nós recebemos a iluminação, a direção, a sabedoria e o poder espiritual. "Na confiança e na quietude estará vossa força."

Quando aprendemos a ouvir a "pequena voz silenciosa", o Espírito de Deus abre nossa consciência para o reconhecimento imediato do bem espiritual. Somos então preenchidos com as divinas energias do Espírito, iluminados pela luz da Alma; recebemos o refrigério das águas da Vida e alimentados pelo pão que não perece. Este alimento espiritual nunca é negado àqueles que aprendem a encontrar Deus no templo de seu ser.

Para recebermos a Graça de Deus, devemos nos retirar do mundo dos sentidos, aprender a silenciar os sentidos materiais e nos encontrarmos com Deus. Deus deve se tornar, para nós, uma realidade viva, uma divina presença, o Espírito Santo em nosso ser; e tudo isso só pode nos acontecer quando tivermos aprendido a meditar, a orar e a contemplar Deus.

Pela meditação, nos tornamos conscientes da presença do Cristo, e esta percepção permanece conosco durante todo o dia e a noite toda, mesmo que estejamos lidando com as coisas de nossa existência humana. Esta percepção permeia toda nossa experiência e faz prosperar todos nossos empenhos. Esta consciência do Cristo é a luz para os nossos passos e uma estrela guia para nossas aspirações. É a Presença que caminha à nossa frente e aplana nossos caminhos. É uma qualidade em nós que nos torna compreendidos e apreciados pelos nossos semelhantes.

Ao acordar pela manhã, e de preferência antes de sair da cama, volte seus pensamentos à conscientização de que "Eu e o Pai somos um"... "Filho... tudo que tenho é teu"... "O lugar onde estás é solo sagrado"; e deixe então que o significado disso se desdobre de dentro de sua própria consciência. Alcance a convicção de sua unidade com o Pai, com a Vida universal, com a Consciência universal. Sinta a infinitude do bem dentro de você, que é a evidência da sua unidade com a infinita Fonte de seu próprio ser.

Tão logo sinta uma emoção, um estado de paz profunda ou uma onda de Vida divina, levante-se e faça os preparativos físicos para o seu dia. Antes de sair de casa, sente e pondere sobre sua unidade com Deus.

A onda é uma com o oceano, indivisível e inseparável do oceano como um todo. Tudo o que o oceano é, a onda é; e todo o poder, a energia, toda a força, toda a vida e substância do oceano estão expressas em cada onda. A onda atinge tudo o que está sob si mesma, pois que a onda é de fato o oceano, assim como o oceano é a onda, uno, inseparável, indivisível. Notemos aqui um ponto importante: não há um lugar onde uma onda termine e outra onda comece, de modo que a unidade da onda com o oceano subentende a unidade de uma onda com a outra.

Do mesmo modo que a onda é una com o mar, assim somos um com Deus. Nossa unidade com a Vida universal constitui nossa unidade com cada expressão individual desta Vida; a unidade com a divina Consciência é a unidade com cada concepção desta Consciência. Assim como a infinitude de Deus brota através de você para abençoar todos aqueles com quem se relaciona, lembre-se de que também transborda de todos os outros indivíduos sobre você. Ninguém compartilha com você qualquer coisa que seja seu mesmo, pois tudo o que tem é do Pai; assim também tudo o que você tem é do Pai, e você o compartilha com o mundo. Você é um com o Pai, com a Consciência universal, e é também um com cada idéia espiritual abarcada por esta Consciência.

Se pudermos apanhá-la, esta é uma idéia poderosa. Significa que o que é do seu interesse o é também para todos os indivíduos do mundo; significa que aquilo que é interesse dos outros o é também para você; significa que não temos interesses separados uns dos outros e mesmo que não temos interesses separados dos de Deus; significa de fato que tudo o que o Pai tem é também nosso, e tudo o que nós temos é para o benefício de todos, e o que os outros têm é também para nosso benefício, e tudo isso é para a glória de Deus.

Esta idéia deve desdobrar-se dentro de nós de maneira própria. Deve, aos poucos, dia após dia, assumir formas diferentes, e sempre com significados maior por causa da infinitude da Consciência. Pode observar como uma árvore tem muitos ramos, e como cada ramo é um com o tronco e, por isso, é um com a raiz, e a raiz da árvore é uma com a terra, e retira dela tudo o que a terra tem a oferecer, e, além disso, que cada ramo não só é um com a árvore toda, mas também com cada outro ramo, como partes interligadas do todo.

Ao ponderarmos esta idéia de nossa unidade com Deus e com cada conceito individual do espírito, surgirão em nós novas idéias, novas imagens e símbolos originais. Terminando esta meditação matinal, acharemos que sentimos realmente a presença de Deus dentro de nós; sentiremos de fato a divina energia do Espírito; sentiremos surgir uma vida nova dentro de nós; e isso nos levará ainda a outros pensamentos.

Sempre que vamos de um lugar para outro, como quando deixamos nossa casa para ir ao trabalho, ou do trabalho para ir à Igreja, ou desta para voltar para casa, paremos por uns momentos para perceber que a Presença andou à nossa frente para preparar o caminho, e que esta mesma Presença divina ficou atrás de nós como uma bênção para todos que passam pelo mesmo caminho. No início, poderemos esquecer de fazer isso diversas vezes ao dia, mas, exercitando nossa memória, isso se tornará provavelmente uma atividade habitual em nossa consciência, e então não mais caminharemos sem sentir a divina Presença sobre e atrás de nós, e assim nós seremos a luz do mundo.

Um dos assuntos que mais nos preocupa nestes últimos anos é a paz, embora tenhamos bem pouca esperança numa paz duradoura baseada em qualquer documento ou organização humanos. Realmente, estes têm um propósito e são uma etapa necessária para os seres humanos, assim como os Dez Mandamentos foram uma etapa necessária até que fossem substituídos pelo Sermão da Montanha, com sua visão superior. Nós não precisamos dos Dez Mandamentos, pois nós não precisamos de exortações para não roubar, mentir ou fraudar, nem precisamos de ameaças de punição para nos mantermos honestos, limpos e puros; no entanto, os Dez Mandamentos são necessários para aqueles que ainda não aprenderam a justiça como fim a si mesma.

Do mesmo modo, o mundo está grandemente necessitado de algum tipo de organização ou documento humanos para manter alguma forma ou alguma medida de paz no mundo. Mas a paz verdadeira, definitiva, só virá como veio para cada um de nós individualmente, pela percepção de que não precisamos de qualquer coisa que outros tenham e, por isso, não há motivos para guerrear. Tudo o que o Pai tem é nosso. Que mais poderíamos querer além disso? De fato, como co-herdeiros de Deus com Cristo, poderíamos alimentar cinco mil a cada dia, sem sequer nos preocuparmos de onde o alimento viria.

Quando toda a humanidade atingir esta consciência de sua verdadeira identidade, não mais haverá guerras, competição, conflitos. Ganhando a plena consciência de nossa verdadeira identidade, o demonstraremos por um maior senso de harmonia, de saúde e sucesso, e atrairemos a nós, um a um, os que buscam o mesmo caminho. Desse modo, todos os homens serão por fim conduzidos ao reino dos céus.



segunda-feira, junho 02, 2008

Pescadores de homens (Joel S. Goldsmith)

Joel S. Goldsmith


Nas escrituras e literatura espiritual, muitas referências lhe indicam que você deverá modificar algo em seu modo de vida, ou fazer alguma coisa para receber a Graça de Deus. Lembre-se do que agora lhe digo: a responsabilidade não lhe pesa sobre os ombros ou sobre os ombros de alguém. Assim, peço-lhe que se abstenha de criticar ou julgar as pessoas e, especificamente, deixe de julgar, criticar, condenar ou menosprezar a si mesmo e sua própria compreensão, pois a responsabilidade pelo seu aprimoramento não recai sobre seus ombros: recai sobre os ombros do Cristo.

Relaxe mais na conscientização de que o Cristo é quem o está conduzindo, guiando e dirigindo. Nunca creia que os santos, sábios e profetas do mundo, por alguma grandiosa ação de vontade própria, chegaram àquela posição, pois não é verdade. Mesmo atualmente, constatamos a existência de suficiente número de amadas luzes espirituais, mestres, líderes e praticistas, para sabermos que jamais alguém abandonou o conceito pessoal de vida para se tornar esse mestre ou líder espiritual conhecido: saíram do mundo dos negócios ou dos afazeres caseiros pela Graça de Deus, que os tornou "pescadores de homens".

O Mestre andava pela encosta e, ao escolher seus discípulos, prometeu-lhes: "Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens". Você poderia pensar que eles fossem homens de elevada compreensão, pela obediência que demonstraram. Mas não, eles não possuíam poder algum para deixar de obedecer. Não possuíam maior poder para resistir ao chamado do Mestre do que o poder que temos, você ou eu, para fazer isto. Quando o Mestre disser: "Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens", você irá obedecê-Lo. Você já vinha fazendo isso, pelo sacrifício de tempo, dinheiro, esforço, e pelos seus estudos e meditações. Já pôde demonstrar ser incapaz de resistir à atividade do Cristo em sua consciência, mesmo que tivesse esse desejo ou vontade, o que certamente não é o caso. Mas, se fosse, e se lhe faltasse compreensão, sabedoria, coragem ou determinação, mesmo assim nenhuma diferença faria, pois há algo em você superior a qualquer idéia humana de rebelião ou de anseio por conforto material.

Realmente, o ser humano tem o desejo normal e natural de querer ficar no conforto, e são pouquíssimos os que despendem tempo, esforço e dinheiro para ampliar seus conhecimentos sobre Deus como você vem fazendo. Ah, não! O ser humano tem casamentos para comparecer, funerais, necessita de retirar jumentos caídos na vala. O ser humano dispõe de muitas coisas que ocupam seu tempo — teatro, reuniões, atividades esportivas --, e deixa de atender à atividade do Cristo. Mas, uma vez tocado e chamado pelo Dedo divino, esteja certo de uma coisa: ele irá atender a esse chamado.

Após serem escolhidos, teriam os discípulos alguma responsabilidade por suas carreiras? Não! O Mestre os enviou. Foram mandados sem bolsa e sem alforje; seguiram o caminho determinado, e sobreviveram. Noutra ocasião, seguiram com bolsa e alforje, e também sobreviveram. O Mestre levou alguns ao topo da montanha – ele os levou. Teriam ido por conta própria? Não! Ele os levou. Tiveram poder para resistir? Não! Também você e eu não temos esse poder. Isto constitui a vida pela Graça. Tudo que hoje transpira em sua vida, e tudo que irá transpirar a partir de agora até a eternidade, são e continuarão a ser uma atividade da Graça.

Ah, eu sei que alguns, e talvez até eu mesmo esteja aí incluído, tentarão resistir por certo tempo. Vez ou outra tentarão ficar de lado, retornando a algum senso, vontade ou ambição de cunho pessoal; mas, serão forçados a voltar, pois nenhuma condição para resistir ao Cristo lhes será concedida. Quando ocorre o chamado, somos incapazes de rejeitá-lo ou de refutá-lo. É verdade que poderemos negar o Mestre até mesmo "por três vezes"; poderemos ser acusados de traição, de estar dormindo no Jardim de Getsêmane. Que importa? Não nos deixemos ficar perturbados ou alarmados por causa disso. Que não haja autocondenação por estas nossas faltas! Percebamos que aquilo foi a parte da ilusão que não pudemos evitar; mas que, devido à Graça divina, o ultimato da salvação nos será ainda mais inevitável.

Foi bem mais inevitável que Pedro curasse aquele homem à porta do templo Formosa, do que ele negasse o Cristo. Sua negação do Cristo foi mero incidente, daqueles pequenos exemplos em que um ser humano cai à beira do caminho, para assegurar popularidade junto às massas, ou por temer algum castigo. Não sejamos tão severos nesses julgamentos. Talvez cada um de nós fizesse o mesmo! Talvez! Neste mundo, há pessoas que, por este ou aquele motivo, renunciam temporariamente à dedicação plena ao seu seguimento ao Cristo. Sejamos bondosos, justos e compassivos com elas. São apenas traços de humanidade ainda presentes, que pouco diferem da cena em que os discípulos caíram no sono, quando estavam no jardim. Não há nenhum dano real nisso tudo! Trata-se apenas de um lapso temporário.

O que era inevitável, portanto, era ocorrer o despertar dos discípulos para o Pentecostes, com a descida do Espírito Santo sobre eles, apesar de todas aquelas experiências. Passaram a ouvir em sua própria língua a linguagem do Espírito; e, a partir de então, foram cuidar "dos negócios do Pai". Ainda assim, ainda erraram em achar que poderiam distribuir seus recursos e viver satisfeitos por dividi-los entre os membros do grupo. Concluíram, porém, que todos deveriam viver segundo o próprio estado de consciência; que deveriam demonstrar sua maior ou menor entrada de recursos; que deveriam demonstrar seu grau de conforto e de harmonia na vida, não pela força ou poder, não pela divisão daquilo que está neste mundo, não às custas de outra pessoa, mas pelo próprio grau de conscientização do Cristo em si mesmos.

No mundo quadridimensional, você vive pela Graça — "não pela força ou pelo poder, mas pelo Meu Espírito". Cada um é responsável pela própria integridade; cada um é responsável pelo seu próprio desenvolvimento; porém, se for julgar pelo mundo das aparências, durante sua "jornada de 40 anos pelo deserto", é possível que encontre alguns escorregando, escorregando, escorregando, por longa distância no sentido contrário ao Caminho. Talvez chegue a ficar chocado com certas coisas que conhecerá daqueles que aparentemente tinham já avançado boa distância da jornada. Seja caridoso: lembre-se de que tudo não passa de pequena fraqueza humana, e esteja certo de que o Cristo a dissolverá, uma vez que a atividade do Cristo é a dissolução da humanidade de alguém, de suas fraquezas e de suas ilusões.

Paciência! Paciência! Você dispõe de uma eternidade para trabalhar em sua salvação. Paciência! Seja paciente com os demais, e também consigo próprio. Perdoe a si mesmo, e com a freqüência que chegar a cair, levante-se novamente. Não haverá escolha! Inevitavelmente, a Voz fará soar em seus ouvidos: "Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens."

Ficará então ciente de que é o "Eu" que o estará chamando. Saberá que não será sua vontade própria agindo, e isto o impossibilitará de ser bem-sucedido ou mal-sucedido. Lembre-se: você não poderá ter sucesso nem fracasso. Por quê? Porque Eu o chamei para fazer de você "pescador de homens". Assim, haverá de ser o Meu sucesso operando em você e através de você, e isso para que se cumpra o Meu objetivo. Dessa forma, você passará a ser simplesmente um instrumento.

Em momentos de insucesso temporário, faça-se recordar que também aquilo faz parte do plano. Talvez seja a parte dele que irá ensiná-lo que você, de você mesmo, não pode ter sucesso nem fracasso, pois o Eu, que o chamou, é o único sucesso.

"Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens." Eu farei isto. Que é este Eu? Onde está este Eu? Este Eu do nosso ser não é Deus? Que seria mais poderoso? Eu ou um remédio material? Eu ou o dinheiro no Banco? "Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens." Siga este Eu, que está dentro de você, o Pai interior.

Siga este Cristo, este Princípio, este Espírito que se aloja no interior de seu próprio ser, e verifique que, por se abdicar das dependências materiais da vida, terá o desenvolver de uma vida espiritual mais elevada, apurada e jubilosa, manifestada como saúde melhorada e suprimento mais abundante.

Será capaz de abrir mão de todas as dependências materiais? Será capaz de abandonar a dependência à sua família, com relação ao amor, justiça e compaixão, esperando que tudo venha do Pai? Será capaz de transferir sua expectativa de justiça de um júri ou juiz para o Pai, no interior de seu próprio ser? Ou de transferir sua expectativa de gratidão, recompensa, reconhecimento ou apreciação por parte de patrão, funcionários, membros de sua família, unicamente para o Pai dentro de você? Será capaz de seguir somente o Espírito interior, e não o senso pessoal exterior?

Onde está você, agora, em consciência? Naquele que diz ao Mestre: "Não, aguarde um pouco mais. Devo pescar para sustentar minha família... siga em frente, enquanto aqui ficarei confiando em seres humanos para receber recompensa, reconhecimento, cooperação, gratidão."? Ou terá alcançado aquele ponto de consciência dos discípulos, que sem questionamentos deixaram suas redes?

O Mestre não pediu àquelas pessoas que seguissem um homem de nome Jesus. Pediu-lhes que seguissem o ensinamento de que o Eu interior é o Messias. E hoje, ninguém lhe está pedindo que siga um homem ou um livro, mas que sigam a Mim, o Eu, o Espírito, no âmago de seu próprio ser.

Deixem suas "redes", e sigam o Eu. Deixem seus meios e costumes materiais, e sigam o Eu, o Espírito dentro de vocês, o divino Cristo, depositando nEle maior confiança do que em algo ou alguém do reino exterior.

Ao menos alguns, dentre vocês, chegaram a ponto de desenvolvimento espiritual para serem chamados, hoje, a escolher a quem irão servir. Alguns não tinham ainda deixado suas "redes"; alguns não tinham ainda abandonado sua dependência ou confiança em meios materiais ou em seres humanos; alguns não tinham ainda aprendido a confiar inteiramente no Pai interior. Mas, agora, vocês estão sendo chamados para deixar as suas "redes".



quarta-feira, maio 28, 2008

Como Viver a Vida Cristã (Joel S. Goldsmith)

Joel S. Goldsmith


Esta verdade não serve para tornar sadias as pessoas doentes nem ricas as pessoas pobres, mas para despertar as pessoas, mesmo as saudáveis e ricas, para uma confiança no poder espiritual, na segurança espiritual e na liberdade espiritual, que não dependem do sucesso da pesquisa médica, nem de qualquer ideologia política, nem do sistema econômico sob o qual estamos vivendo.

Esta é a espécie de liberdade que Jesus procurou dar aos hebreus, em contraposição à liberdade da servidão física, que Moisés havia proporcionado ao seu povo. Todos ainda permancem sob a lei de Moisés, porém no sentido de que eles estão agarrados à segurança econômica e política, e na medida em que ainda não tenham encontrado a segurança espiritual que os manteria seguros, sem importar sob que forma de governo ou onde estejam vivendo.

Ser um cristão significa mais do que a filiação a uma organização cristã ou à cidadania de um país cristão. Significa viver o princípio de Cristo, que quer dizer literalmente orar por nossos inimigos, orar por aqueles que nos perseguem ou que maldosamente nos usam; isso implica fazer um esforço sincero para perdoar nossos devedores até setenta vezes sete e dar amor em troca de ódio. A vida de Cristo nos obriga a "embainhar a espada" e, por isso, a não usar a força humana mesmo em nossa própria defesa.

A vida cristã, no entanto, é individual e nunca se sobrepõe a qualquer outra. Não ditamos nosso desejo ao nosso vizinho; "damos a César o que é de César"; e se nosso país nos convocar em tempo de guerra para o serviço militar ou com o objetivo de comandar na guerra, cumprimos cada exigência que nos é feita, embora sem maldade, ódio ou medo, e sem a convicção de que a força é um poder real.

São cristãos todos os que aceitam a lei e a realidade do poder espiritual, quer pertençam ou não a uma igreja. Os verdadeiros cristãos não têm por que confiar nos meios e métodos humanos, já que têm a Presença interior para guiar, dirigir, governar, curar, manter e proteger. Eles têm "comida para comer, que vós não conheceis" (João 4:32), isto é, uma substância, força e poder não visíveis para o mundo -- uma confiança interior.

Mas o fato é que a maioria dos cristãos é mais hebraica do que cristã. Eles acreditam nos ensinamentos judaicos e, habitualmente, têm mais conhecimento e fé no que está no Velho Testamento do que no que está no Novo. Quando se diz a um cristão que não ouse dirigir uma ofensa contra seu vizinho, não importando qual tenha sido a agressão que sofreu, ele considera isso transcendental, em vez de considerá-lo um ensinamento real de Jesus Cristo.

Quando alguns cristãos são lembrados de orar por seus inimigos, eles não parecem saber que isso está na Bíblia e que os que aceitam o ensinamento de Cristo devem agir de acordo com essas leis. Os cristãos nem sempre são cristãos. Eles lêem a história do Bom Samaritano e, no entanto, frequentemente recusam-se, por razões pessoais, a ajudar alguém -- talvez porque a pessoa seja alemã, japonesa, russa, negra, católica, judia, ou por a pessoa pertencer a alguma outra filosofia ou religião. Mas como quer que seja, eles não estão cumprindo o ensinamento do Mestre, Cristo Jesus. Seus ensinamentos desvelam e revelam o ser espiritual, a identidade espiritual e a existência espiritual.

O que você espera e o que você quer do seu Messias? Lembre-se de que o seu Messias é o Cristo do seu próprio ser. A questão é se você chegou ou não àquele ponto em que pode rejeitar a tentação de manifestar pessoas e coisas e voltar-se para o Cristo, para o Reino interior, conquistando sua liberdade espiritual. Ao passar para a vida espiritual, você está procurando esse Reino interior, esse Cristo que está dentro de você, essa Presença divina, uma liberdade espiritual que significa liberdade das leis materiais, da atividade material, das forças materiais, quer a força seja de infecção ou contágio, quer a força seja dos astros ou de qualquer coisa que alegue ter poder.

Há uma razão pela qual você está nesse caminho. Alguma coisa o atraiu para esse caminho, para esse ensinamento; alguma coisa o atraiu para o estudo deste texto. Você não foi atraído por seu conhecimento ou amizade comigo, nem por causa da grande reputação que eu tenho como escritor. Não, não foi por nenhuma dessas razões. Foi porque alguma coisa indefinível, uma comunhão invisível, uniu leitor e escritor no nível interior e espiritual.

É o que o Mestre, Cristo Jesus, mencionou quando disse: "As minhas ovelhas ouvem a minha voz" (João 10:27). É o que o místico hindu quer dizer quando olha uma pessoa com este reconhecimento "Você é meu discípulo", e o discípulo replica "Eu o tenho procurado há anos!".

É isso o que ocorre! Alguma vez você pensou que o Cântico de Salomão e outras mensagens espirituais são escritas na linguagem do amor porque todo o relacionamento entre mestre e discípulo é um relacionamento de amor? Esse relacionamento sagrado não pode e não vem através da mente que raciocina. Quando você encontra o mestre ou o ensinamento que é realmente seu, você o reconhece imediatamente, talvez por causa da sua comunhão interior. De qualquer forma, trata-se de um reconhecimento -- quase como se você encontrasse uma pessoa pela primeira vez, a olhasse nos olhos e dissesse: "Creio que iremos ser amigos para sempre". É uma comunhão em um nível interior.

Em outras palavras, todos os dias da semana você encontrará essas pessoas, circunstâncias e lugares que são levados até você e sem os quais você não poderia prosseguir, nem eles sem você. Você se sentirá atraído para esses lugares onde poderá ser muito útil e exatamente no momento certo. Você está em sintonia com um sistema infinito de telefonia espiritual e é a Central que está enviando ou fazendo os contatos para você. Você não os faz; a Central os envia e os faz para você. Quando você está vivendo essa vida, sempre constata que esse Escritório Central, Deus, a sua Consciência interior, é a influência realmente dominante em sua vida. E já não há pensamento que vise a querer ou merecer alguma coisa. De fato, você não se preocupa com nada; você apenas segue as direções que lhe são dadas e entra em contato com as pessoas necessárias para o seu desenvolvimento.

Este é, verdadeiramente, o primeiro passo da vida espiritual. Você deu o primeiro passo ao ser levado a ler este texto. Daqui por diante, verá as pessoas que são levadas a você e que você é levado às outras pessoas. Você se verá sendo conduzido a lugares e lugares, levando você até as pessoas. E dirá: "Essa é justamente a coisa que eu gostaria de ter -- se tivesse pensado sobre isso". Mas é sempre alguma coisa maior do que você poderia ter pensado por si mesmo.

Nosso objetivo não é apenas obter um pouco de conhecimento para poder curar algumas dores ou alterar as datas de algumas lápides tumulares. O que queremos é aprender como viver a vida que Jesus veio nos mostrar. Ele não veio apenas para curar as pessoas doentes ou para ressuscitar os mortos. Isso foi somente a prova de que sua mensagem era verdadeira. A importância de sua mensagem foi que no reino espiritual somos "co-herdeiros com Cristo" em Deus, nós fazemos parte da casa de Deus, somos cidadãos conterrâneos dos santos.

Em outras palavras, trata-se de uma vida totalmente diferente da que vivemos no plano interior -- uma vida jubilosa. Na verdade, somos parte do mundo exterior, mas temos uma atividade interior. Não importa onde possamos estar, no meio de qualquer multidão, grande ou pequena, se nos encontrássemos haveríamos de trocar um pequeno sorriso. Temos alguns pequenos segredos; aprendemos algumas coisas sobre o mundo e sobre nós; e, por isso, não importa onde nos encontremos -- dois ou vinte de nós -- haverá apenas esse pequeno sorriso, querendo dizer: "Nós sabemos alguma coisa, não sabemos?"

Sim, realmente sabemos alguma coisa! Sabemos um pouco mais a respeito do Cristo; sabemos um pouco mais a respeito da vida interior; sabemos um pouco mais a respeito daquele Reino que não é deste mundo; e sabemos muito mais sobre como vencer o mundo. Sabemos que, vencendo o mundo, estamos vencendo as crenças que este mundo apresenta, crenças em infecção e contágio, discórdia, pobreza e em coisas que estão fora e à parte do nosso próprio ser.

Estamos aprendendo mais do que isso. Estamos aprendendo que o Cristo não era um homem. O Cristo é o sentido do amor divino que flui entre nós e, se o mundo O permitir, Ele deve fluir de homem para homem e de mulher para mulher, inundando a Terra. Então nunca haveria um homem desejando a propriedade do outro ou a sua esposa; nunca haveria um país desejando dominar o outro, ou a sua mão-de-obra, ou seus recursos naturais.

Os que fazem parte da morada de Deus jamais iniciam demandas pessoais uns contra os outros, ou solicitam sacrifícios pessoais. A única demanda que existe é espiritual:

"O Pai está em mim, e Eu estou no Pai, e você está em mim e Eu estou em você. Eu tenho uma força interior que nunca vacila. Eu tenho vida eterna -- Eu sou vida eterna. Eu sou a própria Presença de Deus e estou abençoando o mundo através de minha compreensão de que isto é verdadeiro, não somente quanto a mim, mas em relação a cada indivíduo no mundo; e se ele despertou ou não para esta verdade, esta é a verdade do seu ser."

Uma vez que você tenha atingido a condição de Cristo, terá alcançado a sua liberdade espiritual. Você então estará livre de toda queixa de mortalidade -- pecado, doença, carência e limitação.