"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

sexta-feira, dezembro 27, 2013

"Eu Vim"

 
Joel S. Goldsmith / Núcleo
 
Se disser que Deus é onisciência, onipotência e onipresença, ou que Jesus é onisciência, onipotência e onipresença, não fará nenhuma diferença, pois estará considerando Deus e Jesus separadamente do “Eu” que você é.
 
Quando considerar que “Eu  o Pai somos um”, sabendo que este “Eu” é onisciência, onipotência, onipresença, você, nesta UNIDADE, será infinito. Nesta UNIDADE, o “Eu” de seu Ser será imortalidade. E poderá verificar a diferença que se fará notar em sua vida diária.
 
A cada reconhecimento do “Eu”, você estará demonstrando a presença de Deus. Feche os olhos; volte-se internamente em atitude de “escuta”: Deus Se revelará. Deus revelará Sua Presença em seu âmago; mas será você quem Lhe deverá abrir caminho; terá de esvaziar recipientes já cheios; terá de entrar no silêncio sem quaisquer conceitos.
 
Pensar que Jesus, ou algum místico, “falava de si mesmo”, ao revelar o “Eu”, é enorme erro. Quando o Mestre disse “Eu”, referia-se àquele “Eu” que está em seu Centro, o que dava sentido a uma das maiores passagens das Escrituras: “Eu vim para que tenham vida, e que a tenham com abundância”. Se você lembrar que esta passagem está se referindo ao “Eu” que está em seu Centro, nunca mais temerá por sua vida, por seu suprimento, por sua felicidade ou por sua segurança. Para este “Eu”, em seu interior, é que você deverá olhar, e para nenhum outro. Deixe o divino “Eu” viver sua vida, vivendo conscientemente no “Eu” de seu próprio íntimo, no “Eu” que você declara ter vindo para que você tenha vida infinita, abundante e eternamente. (Joel S. Goldsmith)
 

Comentário (Núcleo):
 
A mensagem contida neste texto é profunda!
 
Goldsmith usa a palavra "centro"... No Núcleo dizemos: "Vá para o núcleo!"
 
"Ir para o núcleo" significa exatamente ir para este "centro" que está em nós, que Jesus chamou de "Reino de Deus", no qual percebemos que "Eu e o Pai somos Um". Este centro de percepção nos proporciona a percepção do Eu. 
 
Permita-me revelar um detalhe sutil.... O que nenhum "personagem" percebe é que quando aparentemente nos dirigimos a este núcleo ou centro de percepção, a este Eu, em realidade é o próprio Eu que está se dirigindo, se revelando a nós! Isto não é possível perceber do ponto de vista do próprio personagem, porque parece ser ele quem se dirige ao Ser... mas é o próprio Ser Quem Se revela! O "personagem" que estamos sendo não tem vida em si mesmo e nada pode fazer se o próprio Ser não o fizer! É Deus, o Ser Real, o Cristo, Quem Vive em nós! Por isso o apóstolo e divino personagem que teve esta percepção ou revelação disse: "Vivo, mas já não sou eu Quem vive; é Cristo Quem vive em mim."
 
A revelação compartilhada no Núcleo de que "Não há percepção sem ação" traz em si esse detalhe sutil, mas poucos se dão conta e perguntam seguidamente: Como faço para ativar esta percepção? A resposta é a própria percepção! E está contida nesta revelação de que "não há percepção sem ação".

O que deve ser percebido é: "Perceba Quem percebe em você!". Para ter a percepção do Ser e perceber como o Ser percebe é preciso ser como o Ser É. Por isso Jesus ora para que sejamos todos perfeitos em Unidade - "Eu neles e Tu em mim para que sejam perfeitos em unidade". Assim, para ter a percepção do Ser e perceber como o Ser percebe é preciso "ser UM com Deus". Esta unidade com o Ser, do ponto de vista do personagem, se realiza pela ação! Por isso é revelado que não há percepção sem ação. Desta forma, é "amando" que percebemos que Deus é Amor; é "sendo verdadeiros " que percebemos que Deus é a Verdade; é "vivendo em comunhão com Deus" que percebemos que Deus é a própria Vida. É preciso notar que esta ação de que estamos falando não é necessariamente um "fazer", mas um "estado de ser". Podemos "amar" sem mesmo estarmos fazendo algo; mas o amor nos leva a agir de determinada forma; Podemos "ser verdadeiros" sem mesmo estarmos fazendo algo, mas isto nos leva a agir de determinada forma; Podemos "viver em comunhão com Deus" sem mesmo estarmos fazendo algo, mas a vida em comunhão com Deus nos leva a agir de determinada forma. Jesus nos dá o exemplo de um ser que aparentemente não age – uma árvore –, e nos faz ver que pelos seus frutos a árvore é conhecida! Assim, a árvore também "age". Em verdade é a Vida de Deus quem Se manifesta, quem age, pela árvore! E no tempo devido ela produz seus frutos ou seus frutos podem ser conhecidos. Toda a natureza manifesta este tipo de ação, que é a própria ação de Quem faz. É o Ser subjacente a tudo Quem verdadeiramente está agindo, é Ele Quem faz. Por isso Jesus declara: "Eu de mim nada posso; o Pai em mim é Quem realiza as obras."
 
Agir pra perceber Quem faz é algo semelhante a nos voltar em direção a luz... Percebemos a luz vindo em nossa direção [percepção] quando nos voltamos em direção à luz [ação]. Somente quando nossa ação é voltada para a Luz divina, Deus, é que percebemos que em realidade é Deus Quem está "vindo" a nós!
     
É dito que: "Não há percepção em ação." Esta ação parte da percepção de que há uma luz divina vindo a nós. Por isso aquele que percebe Deus deve agir e se voltar para Deus para ativar, firmar ou confirmar esta percepção! Caso contrário esta percepção ficará apenas como algo pressuposto, algo em que acreditamos mas que não temos evidência. É algo como perceber a claridade e olhar para a sombra. A fonte de luz não será vista e será apenas pressuposta por estarmos voltados para a sombra que ela projeta... Essa é a percepção dos que acreditam que Deus existe, mas que de fato não o percebem; esta é a percepção mental. Outra é a visão dos que se voltam para Deus que percebem que veem porque é a própria Luz de Deus que se projeta neles que os faz ver! 
 
Assim, é o próprio Eu "projetado" em nós Quem nos faz vê-lo! Contudo, essa "projeção" do Eu em nós depende de estarmos voltados para este Eu em nós. Por isso a oração de Jesus é: Eu neles e Tu em  mim. "Eu neles" significa que nosso foco de atenção deve estar "voltado para" o Cristo em nós! Ou seja, deve estar focado no Cristo que Vive em nós. O Cristo em nós está voltado para o Eu, para o Pai, ou seja, a percepção crística em nós está sempre voltada para Deus mas se não estivermos voltados para ela, se estivermos voltados para as nossas mentes, focados em nossa visão e certezas mentais, não veremos a Realidade de Deus; veremos apenas a "representação", que é a realidade vista pela mente.
 
Sempre que um personagem desperto – Aquele que percebe a Realidade –, dá este esclarecimento, ele está projetando essa luz sobre a humanidade e sabe Quem de fato é a Fonte dessa Luz. O personagem desperto não é quem projeta a luz mas é um dos que a refletem... e em assim o fazendo dá oportunidade para que todos possam fazer o mesmo, que possam refletir a luz que incide sobre todos. A luz divina já está incidindo sobre todos! E isto pode ser percebido por todos. 
 
Todos os que olham para um mestre, e percebem que ele de fato se trata de um mestre, só o fazem porque a percepção do mestre já está desperta e ativa neles! Estes são os que estão voltados ou focados na percepção do mestre que está neles
 
Poderia ser dito: Todos os que olham para um buda e percebem que se trata de um buda só o fazem porque a percepção do buda já está desperta e ativa neles! São os que estão voltados ou focados na percepção do buda que está neles. 
 
A propósito, a expressão "divinos personagens", que é usada no Núcleo, tem como base a percepção de que apenas Deus é Real. A "realidade" vista pela mente é uma representação, nela nada é real, a não ser como representação mesmo, assim como um personagem de quadrinhos é real na realidade dos quadrinhos. Somos "seres conscienciais", vivemos na Consciência de Deus; somos todos Imagem e Semelhança de Deus, como está na linguagem bíblica; somos todos seres búdicos, como revela o budismo.             
 
Enfim, o texto "Eu Vim" fala da percepção que emerge em nós vinda do centro... Todos os textos sagrados falam desta percepção. Esta percepção não nos faz sair do mundo, mas nos torna conscientes de qual é nosso verdadeiro mundo... Nosso verdadeiro mundo não é a representação, mas a Realidade divina. Jesus disse: "Eu desse mundo não sou, vós também não sois."  E disse também: "Eu vim para que tenha Vida e Vida em abundância." A vida dos personagens não é a Vida do Ator, que é o Ser Real. Da mesma forma, nossa Vida não é a vida de "quem estamos sendo", dos "personagens", mas sim, a Vida de Quem Somos! Somos o Ser, o Eu verdadeiro. Isto é o que é percebido quando emerge em nós, quando "vem a nós" Aquele que já veio, que já É; o Cristo que disse: "Eu Vim"!
  
Assim seja percebido por todos, pois, assim É.
 
É o que percebo, desfruto e compartilho.

 

4 comentários:

Jaime Pires disse...

A VINDA do Cristo em mim é a VIDA do Cristo em mim.

Namastê

Gugu disse...

A VINDA do Cristo em mim não significa que ele não estava aqui antes (e que por isso precisou vir). Sua VINDA significa a descoberta de que Ele sempre esteve aqui. É a VINDA "dAquele que já veio". Como Ele sempre esteve aqui, a VIDA toda sempre esteve repleta dELE. A VINDA é igual à VIDA. O Cristo veio em nós desde o momento em que Ele sempre foi a nossa Vida.

Namastê!

Jaime Pires disse...

Que belo comentário! sucinto e ao mesmo tempo claríssimo! Muito obrigado.
Namastê!

SERgio disse...

"Cristo é tudo em todos" (Col.3;11)