"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

quarta-feira, outubro 22, 2008

Explicações detalhadas sobre o post "Revelação ou Doutrinas?"

Este post é um desdobramento do post anterior. O debate que surgiu em torno dos questionamentos de um amigo meu, companheiro de blog e de busca, foi tão produtivo, tão oportuno, e tão esclarecedor e significativo que não pude evitar publicar o diálogo ocorrido entre meu amigo Merton e meu outro amigo - e autor do texto postado -, Dárcio Dezolt. Ao questionar o teor da mensagem do post, as colocações feitas pelo Merton foram bastante pertinentes, porque, logo a seguir, foram dadas as explicações a fim de tentar elucidar tudo o que foi questionado. O resultado desse jogo de perguntas e respostas resultou uma síntese perfeita. Por isso não pude deixar de publicá-la aqui. Esse post tem como objetivo esclarecer pontos essenciais para aqueles que buscam entender a sério este ensinamento que diz que o homem é filho de Deus, que já é uno e perfeito em Deus. Vamos ao debate...




Merton: Olha só, eu acho que há um erro de interpretação clássico nesse texto. A parte que eu não concordo nessa abordagem é essa história de afirmar que "somos iguais a Deus"... Acredito que muitos místicos bem intencionados confundiram algumas coisas e acabaram caindo na mesma "cilada" que foi armada desde o princípio da humanidade (é só um jeito metafórico para tentar explicar).

Dárcio: Quem acha "um erro de interpretação" não é um "eu", mas a "mente carnal". Ela afirma achar blasfêmia afirmar que "somos iguais a Deus" para SE MANTER! A "mente carnal" é a inimizade contra Deus! Enquanto ela ILUDIR alguém, parecerá haver "algo diferente de Deus", razão pela qual Jesus disse: "Para me seguir, RENUNCIE A SI MESMO, venha, tome sua cruz e me siga". É o caso da afirmação de Paulo: CRISTO É TUDO EM TODOS (Colossenses 3-11), em que ele afirma a VERDADE alertando que, ANTES, deve ser despida a "velha criatura", o ego que somente a "mente carnal" enxerga, e que é desconhecido de Deus e da Verdade.


Merton: Segundo Zaratustra, o Talmud, o Zohar e a Cabala, a Bíblia, o Alcorão e uma infinidade de outros livros sagrados e doutrinas ancestrais da humanidade, foi exatamente assim que o mal entrou no nosso plano e as coisas começaram a despirocar por aqui: quando o homem começou a acreditar que era igual a Deus. No Gênesis, esta é a frase exata de Satanás: "Comei dessa árvore, e sereis iguais a Deus"... Já no Apocalipse, surge Miguel, o príncipe dos anjos, que clama "Quem pode ser como Deus?"

Dárcio: O "mal" JAMAIS entrou no NOSSO PLANO, pois, "NOSSO PLANO", se aceitamos a Onipresença, é DEUS! Jesus nunca ensinou a vencer "o mal neste plano", mas, sim, a VENCER O MUNDO, que ele explica ser o mundo do pai-da-mentira, uma ILUSÃO, apenas! "Vós, deste mundo não sois"; "Não chameis de pai a ninguém sobre a face da terra" (Mateus 23-9). Jesus nos vê em DEUS, como também Paulo, ao declarar: "NELE vivemos, nos movemos e TEMOS O NOSSO SER" (Atos 17 28). O "Satanás" é a mente carnal! Uma ILUSÃO que se dissipa exatamente com o conhecimento da Verdade. "Temos a mente de Cristo" (I Cor 2-16). ENQUANTO a pessoa não se entregar à REVELAÇÃO de que "tem a mente de Cristo", e não a ilusória "mente do mundo", o que chamamos de "panenteísmo" será visto como afirmação de "panteísmo", e a VERDADE parecerá estar encoberta! Somente por REVELAÇÃO é "vencido o mundo". O que as Escrituras alertam é que NENHUM SER HUMANO É DEUS ou IGUAL A DEUS; e isso é óbvio: o ser humano é o ego, a ILUSÃO forjada pela mente carnal, a "velha criatura a ser despida", ou, o suposto "eu" . Jesus disse que teremos de RENUNCIAR A ELE.


Merton: O fato é que há uma diferença sutil no significado de certas expressões nos Evangelhos, que precisam ser cuidadosamente observados... É o caso da expressão "comunhão", citada no post: estar em comunhão com alguém não quer dizer que você “é” esse alguém, ou que você “é igual” a esse alguém.

Dárcio: Quaisquer "observações CUIDADOSAS" de "certas expressões nos Evangelhos" partem da "mente carnal". Enquanto a pessoa não RENUNCIAR a esta mente falsa, a palavra "comunhão" não será captada em seu sentido absoluto.


Merton: Eu vivo numa comunhão maravilhosa com a minha esposa, por exemplo. Nós nos completamos, nos amamos profundamente e fazemos questão de declarar o nosso amor a todo instante... Nós dois nos respeitamos, nos ajudamos, vivemos em cumplicidade, temos gostos, idéias e objetivos parecidos, etc, etc, etc... Mas isso não quer dizer que eu "sou” ela nem que eu "sou igual a ela". - Vivemos numa perfeita comunhão, mas cada um é cada um, cumprindo seu próprio papel: cada um produz a sua própria nota musical na infinita orquestra sinfônica cósmica.

Dárcio: Fazer analogia do sentido de "comunhão" com acontecimentos DESTE MUNDO será total perda de tempo. A "comunhão", em termos absolutos, é a percepção da VIDEIRA UNA...só DEUS PRESENTE--, que traduz o sentido da fala de Jesus: "NAQUELE DIA (o da REVELAÇÃO) conhecereis, EU estou no PAI, VÓS em MIM e EU em VÓS". Em sua visão iluminada, Jesus via o fato verdadeiro: O VERBO SENDO TUDO E TODOS, ou O CRISTO SENDO TUDO EM TODOS. Enquanto a pessoa estiver "sem renunciar a si mesma", "sem ter vencido o mundo", terá de acatar estes princípios pela FÉ (a certeza do não-visto) e meditar em total entrega à ação do Espírito Santo (Sua Consciência Iluminada), que lhe trará o ENTENDIMENTO REVELADO.


Merton: O mesmo se dá com as nossas relações com o divino. Estar “em Comunhão" com Deus não significa “ser” igual a Deus, essa interpretação é um erro crasso. Toda busca espiritual começa exatamente do ponto em que nos conscientizamos que não somos auto-suficientes, quando detectamos um vazio dentro de nós mesmos, que grita por ser preenchido... Muitos místicos se referiram a esse "vazio" como o “Ponto Deus”, que já foi identificado inclusive pela ciência no cérebro humano(!).

Dárcio: Aqui é dito que interpretar "ser igual a Deus" é "erro crasso" porque a pessoa PENSA (mente carnal)estarmos falando do ego, da falsa e velha criatura, do homem natural. Se a RENUNCIA a ele for feita, pela entrega à "mente de Cristo" que temos, a REVELAÇÃO espontaneamente lhe dará a EXPERIÊNCIA DA COMUNHÃO: "Eu e o Pai somos um", "Aquele que vê a MIM, vê o Pai".

Toda Verdade é impessoal e universal. Tudo que Jesus disse sobre SI, em Deus, e não como Jesus, é Verdade absoluta ONIPRESENTE. Ele sabia o que era o MIM e o que era o Jesus. O MIM, o PAI em MIM, o VIR A MIM..significa uma escalada interna de CONSCIÊNCIA, a SUBIDA AO PAI. "Minha doutrina NÃO É MINHA", disse JESUS, mas DAQUELE QUE ME ENVIOU. E disse também: EU SUBO A MEU PAI E VOSSO PAI..isto é SOBE A MIM (O EU SOU presente em todos). Não disse ser DELE a doutrina, exatamente para que Jesus(pessoal) não fosse CONFUNDIDO com o MIM, que é DEUS(UNIVERSAL) EM TODOS. Por isso, em Gálatas 2-20, declara Paulo: "Já não sou mais eu(ego) quem vive... mas CRISTO VIVE EM MIM". Este "MIM", presente em Jesus, em Paulo, em TODOS, é o CRISTO que SOMOS, e revelado em Colossenses 3-11.


Merton: Eu vejo muita literatura pseudo-mística girando em torno de certos trechos específicos da Bíblia, sempre usados fora do seu real contexto, numa tentativa de justificar idéias panteístas. Pegam-se sempre as mesmas passagens, como aquela em que Jesus diz que "Quem crê em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas..." - Mas esses autores nunca citam a continuação desta mesma frase: "...porque eu vou para o Pai, e farei o que pedirdes em meu nome". Ou seja, ele não está dizendo que podemos fazer as mesmas coisas porque somos iguais a ele ou iguais a Deus, mas sim que, se pedirmos, ELE fará! São coisas muito diferentes!

Dárcio: QUEM crê em MIM (no EU SOU), já está FAZENDO AS OBRAS! É DEUS em cada um! Mas, infelizmente, a visão materialista da "mente carnal" pensa que estas "obras" são as que Jesus realizou na matéria! Lastimável crença falsa! As OBRAS DE DEUS são permanentes! As da matéria sempre são ILUSÃO! Por isso, não achamos, em todo o planeta, o Lázaro ressuscitado, o paralítico curado, nem a adúltera perdoada! AS OBRAS não eram estas! AS OBRAS eram as VISTAS POR JESUS: A REALIDADE PERMANENTE!


Merton: Esse mesmo Evangelho, que é o mais místico de todos (o segundo João), ele continua:

"Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como o ramo, de si mesmo, não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim. Eu sou a videira, vós os ramos; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Se alguém não estiver em mim, será lançado fora, como um ramo, e secará; tais ramos são recolhidos, lançados no fogo e queimados. Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito." (João, 15)


Dárcio: Acima já expliquei o que é "MIM". Aquele que permanece em MIM é aquele que renuncia ao ego ou à mente carnal" para se identificar com o CRISTO em si mesmo.


Merton: Mais claro do que isso seria impossível! Existem muitas e muitas outras passagens nesse sentido, nos Evangelhos. Jesus deixa muito claro, o tempo todo, que os seres humanos são como o sal (falei no meu blog): por ele mesmo não tem valor; mas se misturado e usado na medida certa, se torna a própria essência da vida...

Dárcio: CRISTO É CRISTO e ego é ego. Jamais se misturam ou se usam "em medida certa". Jamais o ego se torna Cristo nem jamais joio se torna trigo. O que se requer é o DESPERTAR!

"Desperta, TU QUE DORMES, e a Luz de Cristo (sempre sendo VC) te alumiará".


Merton: Então, o erro que eu vejo no raciocínio dessa postagem, é querer associar essa idéia panteísta de que "tudo é Deus" com a mensagem de Jesus. Nada mais distante da verdade! Jesus nunca disse nada que nem de longe lembrasse essa idéia.

Dárcio: O erro está em ler a postagem com a "mente carnal". Um texto da Verdade absoluta é revelado da Consciência e não escrito pela mente carnal. Para "sentir" a veracidade, é preciso estar sem ego e em comunhão com o lido. Sem "mente carnal", o panteísmo seria desconhecido, a Verdade seria discernida (DEUS É TUDO)...e, com a VERDADE conhecida, também a liberdade estaria evidenciada.


Merton: Veja, cada um de nós tem a perfeita liberdade de acreditar no que quiser, de escolher o que seguir e o que rejeitar. Mas desvirtuar as palavras de um mestre, qualquer que seja ele, para adequá-las ao seu ponto de vista, como fazem tantos autores como esse, isso não é honesto, não é coerente; não é a postura de um estudante autêntico. Essa postura é pérfida, é maliciosa, interesseira, contaminada...

Dárcio: No estudo da Verdade Absoluta, a postura real do "estudante" é uma só: SUMIR! O ser estará livre em Deus, e Deus livre nele! "Quando Cristo, que é a NOSSA VIDA, se manifestar, também nos manifestaremos com ele em glória" (Colossenses 3-4). Assim descreve Paulo este DESPERTAR GLORIOSO!


Merton: O buscador tem que ser puro, investigar com um coração aberto, livre de idéias pré-concebidas, pronto para aceitar a Verdade seja ela qual for. Muitos se esforçam não para encontrar e entender a Verdade, mas sim para confirmar os seus pontos de vista individuais, para se manterem numa certa zona de conforto pessoal. - A partir daí, passam a adaptar tudo o que encontram para justificar as suas crenças. Nesse caminho, distorcer o que disse Jesus é uma prática muito comum... Diria que é a favorita de 10 entre 10 pseudo-místicos e panteístas. E, bem, pra quem estudou realmente a fundo o que Jesus diz nos Evangelhos, certas afirmações são simplesmente ridículas.

Dárcio: "Estudar Jesus a fundo" é mera pretensaõ ILUSÓRIA do ego. É por isso que Jesus disse: "O Pai oculta estas coisas a sábios e entendidos, para destiná-las aos pequeninos(sem ego)". Somente por REVELAÇÃO a Verdade é conhecida e Jesus é entendido a fundo! E foi o que ele disse: "Se eu não for (se não me tirarem de vista), o CONSOLADOR não virá a vós (o DESPERTAR para o próprio Cristo).


Merton: Veja, o problema do panteísmo não é afirmar que "somos Deus e Deus somos nós", porque isso, num certo sentido, é verdade. O problema é dizer que Deus é SÓ isso. Essa é apenas uma forma elegante e poética de ateísmo, se você pensar bem. Eles não dizem que “Deus não existe”, mas dizem que não existe Deus a não ser a natureza: eu, você, as nuvens, os cães, os pássaros. – A mesma coisa dita de um modo diferente. - Ora, se eu sou Deus e se não há outro Deus além de mim mesmo, para que serve a oração? Por que Jesus ensinou a orar? Para quem vou orar? Para que serve a meditação, e por que me preocuparia em buscar aperfeiçoamento? Pra que vigiar e orar? Para que servem as práticas espirituais, para que buscar o Amor?? Eu sou Deus, ora, eu me basto!..

Dárcio: O panteísmo não tem fundamento algum! É mera crença ilusória! Não existe matéria! Tudo é ESPÍRITO! Mas, como já foi dito, este discernimento somente se dá por REVELAÇÃO. Pode ser aceito a priori pela FÉ; isso até abre campo à REVELAÇÃO, mas, enquanto não houver a "descida do Espirito Santo", ou seja, a AUTO-REVELAÇÃO, a Verdade não será conhecida.


Merton: Deus é imanente, mas é também (e principalmente, eu diria) transcendente. E quando leio afirmações como as dessa postagem, sinto a responsabilidade de deixar o meu testemunho pessoal: em todas as minhas experiências místicas, - e eu tive experiências MUITO intensas MESMO, - eu experimentei a Energia Infinita que fluía de fora para dentro de mim, e que daí expandia e passava a extravasar o meu próprio ser, de dentro para fora. A experiência e o sentido de uma Força Infinita, incompreensível e EXTERNA, que entra em COMUNHHÃO com o meu interior finito, é inquestionável. E foi somente nesse momento que eu senti o meu próprio eu chegando mais próximo do Infinito, do Cósmico, do Universal.

Dárcio: Nem Deus nem experiência em Deus podem ser explicadas pela mente humana ou por palavras deste mundo. Quem tem a experiência absoluta SABE que TUDO É DEUS, e sabe que algo além de Deus é NADA! Se, após a experiência, a pessoa continuar acreditando NESTE PLANO, em INTELECTO, é indicado a ela que RENUNCIE AO EU QUE DISSE TER TIDO A EXPERIÊNCIA! Muito fenômeno psíquico é confundido com a Experiência em Deus; sabemos se é, ou não, se realmente tivermos VENCIDO O MUNDO devido a ela. "Todo aquele nascido de Deus vence o mundo", diz a Bíblia .


Merton: Há uma centelha divina em cada um de nós. Até poderíamos dizer que somos como "deuses", cada um de nós, num sentido metafísico. Mas afirmar que nós é que somos o único Deus, e que não há outro Deus senão nós mesmos, continua sendo a mesma coisa que sempre foi: blasfêmia e viagem na maionese...

Dárcio: Sem "vencer o mundo" não somos nem deuses e nem nada! Por outro lado, por REVELAÇÃO, é-nos revelada a Verdade Absoluta: "QUEM ME VÊ, VÊ O PAI.". Não foi por acaso que Jesus disse: BUSCAI O REINO EM PRIMEIRO LUGAR! Sabia, e sabe, que "deste mundo", nesta referência falsa e vazia do ego humano, só conheceremos ILUSÃO.


Merton: Mas isso não resume tudo. A questão complicada, aí, é que a percepção trazida pela postagem NÃO está completamente errada. Há alguma verdade nela, e é por isso que existe tanta confusão nesses assuntos. - Sim, somos infinitos, somos divinos, o Reino dos Céus está dentro de nós e a nossa fé pode mover montanhas... Todas essas afirmações são verdadeiras e preciosas!

Mas a confusão começa quando o buscador, deslumbrado com essas percepções, descarta Deus! Ele começa a acreditar que, por ser divino, possuidor de um espírito infinito e glorioso, não precisa mais de Deus, e que Deus só pode ser ele mesmo... Não pode ser mais do que isso!
Esse é o erro primordial, que até “grandes mestres” deste mundo cometeram.

Tudo que estou sugerindo é que se considere o que eu falei aí atrás, e que o buscador se esvazie e peça pela luz do Infinito antes de buscar por orientação. Tem muita gente por aí ensinando a “esvaziar a xícara”, o que é um conselho maravilhoso, mas com a sua própria xícara cheia de idéias pré-concebidas, até a boca. Muitas vezes, no caminho do buscador da Verdade, exatamente o que parece ser, não é, e o que não parece, é.


Dárcio: SE for DEUS, é! Se não for, não É!


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Mais coisas foram faladas, além desse diálogo, houve réplicas e tréplicas. Para ler o restante dos debates, vá até o espaço de comentários do blogger, clicando aqui.

domingo, outubro 19, 2008

Revelação ou doutrinas?

Dárcio Dezolt

A Revelação de Jesus Cristo é transcendental, ou seja, fala do Reino de Deus e da real natureza de todos nós como filhos de Deus, idênticos a Ele. Eis por que sua oração (João 17; 11) é no sentido de que “sejamos todos um”. Ciente de nossa real identidade, disse: “Sede perfeitos, como vosso Pai celestial é perfeito.” (Mateus 5; 48).

Que fizeram muitas religiões e doutrinas? Criaram um Jesus Cristo separado, em vez de uno conosco! Se, de um lado, pregam a “comunhão”, de outro, enfatizam a separatividade, considerando-o diferente e superior a todos nós, julgando-nos “pela carne”, materialmente! Uma contradição absurda! E que atua hipnoticamente como crença coletiva há séculos!

Uma gota de água pode entrar “em comunhão com outra”, pois ambas são idênticas em qualidade ou natureza! Óleo e água já são coisas distintas! Você somente “entra em comunhão” com o Pai e com Jesus Cristo ao se contemplar como já sendo de IDÊNTICA NATUREZA, EM UNIDADE!

Observe o que diz a Revelação encontrada em I João 1; 1.

“O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da Vida. (Porque a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testificamos dela, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai e nos foi manifestada.). O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco, e a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo. Estas coisas vos escrevemos, para que o vosso gozo se cumpra.”

A Verdade ensinada por Cristo é a de que temos um Pai comum: DEUS!. Se você se dispuser a deixar de lado as religiões e doutrinas apagadas, trocando-as pela Revelação, fechará os olhos para o “mundo da matéria” e se verá espiritualmente em Deus, igualzinho a Jesus! Perceberá internamente sua “comunhão real com o Pai”, numa proporção sem limites! Comunhão é comunhão! UNIDADE! Não há meios-termos! Ou VOCÊ é, JÁ, da mesma natureza que Jesus Cristo, e, de Deus, e, portanto, JÁ ESTÁ em “comunhão”, ou está se avaliando “pelas aparências”, negando toda a Revelação iluminada, e se vendo como mortal, mero “filho pródigo” nesta ilusão de mundo!

A Revelação o coloca em “comunhão eterna”, dando-lhe o discernimento da Onipresença! Pai e Filho são a “unidade harmoniosa”. Doutrinas mil complicaram tudo! Que, em nome da Verdade, sejam abandonadas! Cristo não o saturou de “doutrinas”, mas da Revelação de sua Unidade, da Essência Una, da prática do perdão incondicional e do Amor a Deus e ao próximo! E, principalmente, incentivou-o a “buscar o Reino de Deus” em você mesmo, e em “primeiro lugar”. Detenha-se nestes pontos!

“MAS EM VÃO ME ADORAM, ENSINANDO DOUTRINAS QUE SÃO PRECEITOS DOS HOMENS.” (Mateus 15; 9)

quinta-feira, outubro 16, 2008

Tudo o que você vê é você mesmo


Seu ser não é algo novo. Não é uma nova explosão de discernimento, clareza e revelação mística. Não há absolutamente nada de novo em relação ao seu ser. Ele é você mesmo. Não é o seu "verdadeiro eu", não é o seu "eu superior". Não é o seu "eu divino", nem o seu Eu com maiúscula. Simplesmente você mesmo. O objetivo da investigação oferecida por Ramana Maharshi é essa presença constante que é tão ubíqua, imóvel e permanente que passa despercebida pela mente, a qual é atraída pelo movimento de objetos brilhantes como pensamentos, emoções, idéias e estados emocionais (bons e ruins). Todos vão e vêm, vivem, mudam e existem em você, que é esta simples presença. A simples presença da qual não se pode escapar, a qual não se pode descartar, a qual não vai e vem, e que é precisamente isto que você chama de eu.

Ramana nos aconselha a manter a nossa atenção no eu e não nos preocuparmos com todas as histórias a respeito disso. Não nos preocuparmos com todos os sutras, mantras, Upanixades, expressões, poesia, hinos e tudo mais. Ele nos aconselha a não desperdiçar este tempo precioso prestando atenção em todos os pensamentos sobre nosso ser e, ao invés disso, manter nossa atenção somente em nosso ser. A coisa notável sobre o convite de Ramana é que o ser no qual ele sugere que mantenhamos a nossa atenção não é algo superior. O ser no qual ele nos instrui a concentrar a nossa atenção é precisamente o que chamamos de ego. Ele é a totalidade da presença que é você. É exatamente a isso que se refere a palavra "eu".

"Ego" é uma palavra latina que significa "eu". É só isso que ela significa: "eu". Esta palavra foi incutida pela fascinação peculiarmente americana pela psicanálise e psiquiatria em geral. Ela foi maculada por uma espécie de essência mística. Mas significa apenas "eu". Exatamente o que você é. É tudo que você é. E este "eu", que é você, é a presença na qual a minha voz aparece e desaparece, na qual estados de despertar, realização, êxtase e consciência oceânica vão e vêm. A presença na qual estados de confusão, depressão, remorso, melancolia, horror e terror vão e vêm. Esta presença que nunca mudou, que está sempre presente, da qual não se pode escapar. Todos os nossos esforços para manter a nossa atenção fixa neste monte de lixo que é a mente são realmente esforços para escapar dessa presença.

A sugestão de Ramana é que você mantenha a sua atenção em seu ser, em você mesmo, e esqueça tudo que sabe sobre coisas espirituais. Este é o primeiro pré-requisito. Você tem que esquecer tudo; tem que jogar tudo fora. Tudo. Em seguida, você tem que voltar a sua atenção para dentro, e provar esta sensação de "mim mesmo"que está inescapavelmente presente. O objetivo disto é romper com o transe da identificação equivocada. O objetivo disto é experimentar conscientemente o sabor que você tem. Quando você entender, quando você perceber, quando você tiver a experiência consciente, por um segundo que seja, do que é o seu ser, você saberá, final e irreversivelmente, que tudo que você vê é você mesmo.

segunda-feira, outubro 13, 2008

Por que existe vida? (OSHO)

Osho,

Eu nunca fui capaz de encontrar resposta para uma pergunta. É uma pergunta estúpida, mas mesmo assim eu queria muito saber a resposta. Você poderia nos dizer qual é o propósito da criação? Por que a vida existe? Por que todas as coisas existem? Eu não acredito em acidentes.


Prem Patrick,

A pergunta é certamente estúpida... Você está absolutamente certo a respeito disso. E a pergunta não é respondível. Qualquer pessoa que respondê-la irá somente criar alguns questionamentos a mais em você. Você não foi capaz de encontrar qualquer resposta porque não existe resposta. A vida é um mistério, por isso essa pergunta não pode ser respondida. Você não pode perguntar o porquê. Se o porquê for respondido, a vida deixa de ser um mistério.

Esse é todo o esforço da ciência: destruir o mistério da vida. E a maneira é encontrar respostas para todos os porquês. E a ciência acredita, naturalmente com arrogância e ignorância, que um dia ela será capaz de responder a todos os porquês. Isso não é possível. Mesmo se nós respondermos a todos os porquês, o último dos porquês permanecerá: por que a vida existe, afinal? Qual o significado da existência? Qual é o propósito de tudo isso? Essa pergunta é a última e ela não pode ser respondida.

Se alguém lhe der uma resposta, ela simplesmente irá criar um novo questionamento. E respostas já têm sido dadas... Algumas pessoas acreditam que Deus criou o mundo porque queria ajudar a humanidade. Agora, que tipo de resposta é essa? Ele criou a humanidade para ajudar a humanidade. Qual era a necessidade de criar? Alguns outros dizem que Deus criou o mundo porque ele estava se sentindo muito solitário. Se Deus estava se sentindo mal muito só, então não existe qualquer possibilidade de alguém se tornar um Buda. E se Deus de repente começou a se sentir solitário, então o que ele estava fazendo antes de criar o mundo? Por toda a eternidade ele tem estado só... então de repente , num dia, numa manhã, ele ficou enlouquecido, ou o que? De repente ele começou a se sentir solitário depois do almoço. E qual era a necessidade de criar todo o mundo? Apenas uma mulher já teria sido o suficiente! E agora, como ele está se sentindo hoje? Muito cheio de gente? Gente em demasia pelas ruas? Deve estar planejando destruir o mundo em breve. Sobre que tipo de Deus você está falando? O seu Deus é uma pessoa que pode se sentir solitário?

Todas essas são respostas tolas para perguntas tolas.

Então existem pessoas que dirão: isso é um jogo de Deus, a sua brincadeira. Ele não poderia ter ficado sentado em silêncio? Que espécie de jogo é esse? Adolf Hitler e Mussolini e Joseph Stalin e Mao-Tse-Tung, Gengis Khan, Tamurlaine, Nadir Shah... Brincadeira de Deus? Seis milhões de judeus assassinados por Adolf Hitler, e Deus está brincando com um jogo? Por que ele não vai jogar golfe? ou xadrês? Por que torturar pessoas? Tanta miséria no mundo e esses tolos seguem dizendo que isso é brincadeira de Deus? Crianças que nascem paralíticas, cegas, surdas, mudas... Brincadeira de Deus? Que espécie de Deus é esse? Ou ele não é Deus, ou pelo menos ele não é divino. Ele deve ser muito mau.

Essas perguntas não ajudam. Elas criam mais perguntas. Patrick, o máximo que eu posso dizer é que a vida não tem propósito algum, ela não pode ter qualquer propósito. Todos os propósitos estão no meio da vida. Sim, um carro tem um propósito: ele pode levá-lo de um lugar ao outro. O alimento tem um propósito: ele pode nutri-lo, ele pode mantê-lo vivo. Uma casa tem um propósito: ela pode lhe dar abrigo quando está chovendo e quando está quente. As roupas têm propósito... Todos os propósitos estão dentro da vida, mas a vida em si mesma não pode ter qualquer propósito porque ela não é um meio para algum fim. Um carro é um meio, a casa é um meio. A vida não tem qualquer objetivo, a vida não está indo para lugar algum. A vida está simplesmente aqui! Ela nunca foi criada. Esqueça essa idéia de criação. Isso cria muitas perguntas estúpidas na mente. Ela nunca foi criada, ela sempre esteve aqui e ela sempre estará aqui. Com formas diferentes, de maneiras diferentes, a dança continuará. Ela é eterna. Ais dhammo sanantano - assim é a lei última.

Não há qualquer propósito e essa é a beleza da vida. Se houvesse alguns propósitos, então a vida não seria tão bonita, então haveria uma motivação, então ela seria como um negócio, então ela seria muito séria. Olhe para as rosas, para as flores de lótus, para os lírios. Qual o propósito? O lótus de manhã cedo, o sol nascendo, o cuco começando a cantar...Qual o propósito? Isso não é intrinsecamente lindo? Todas as coisas precisam de propósitos fora de si mesmas?

A vida é intrinsecamente linda. Ela não tem qualquer propósito extrínseco. Ela não é propositada. Ela é exatamente como uma canção de um pássaro na escuridão da noite, ou o som da água, ou o som do vento passando através dos pinheiros...

O homem é voltado para objetivos. E porque a sua mente é voltada para objetivos, ela cria perguntas como esta: "Qual o objetivo da vida? Deve haver algum objetivo." Mas se alguém disser, "esse é o objetivo da vida", então você irá perguntar: "Qual o objetivo desse objetivo? Por que nós devemos alcançá-lo? A que propósito ele irá servir?" E se alguma outra pessoa disser "Esse é o objetivo desse objetivo", as mesmas perguntas irão surgir novamente e você vai voltar ao mesmo ponto, ad infinitum.

Você me pergunta: "Você poderia nos dizer qual é o propósito da criação?"

O mundo nunca foi criado. A palavra "criação" não é correta. O mundo sempre esteve aqui, ele é eterno. Não existe criador. Deus não é o criador do mundo. Deus é a própria energia criativa da existência. É mais criatividade do que um criador. Ele não é o poeta, mas sim a poesia; não o dançarino, mas a dança; não a flor, mas a fragrância.

Você me pergunta: "Por que a vida existe?"

Essas perguntas parecem muito filosóficas, e podem torturá-lo muito, mas elas são absurdas. É como perguntar "Qual o sabor da cor verde?" Isso é irrelevante. A cor verde não tem qualquer sabor. Cor e sabor não estão relacionados absolutamente. "Por que a vida existe?" Veja que as palavras "vida" e "existência" significam a mesma coisa. Isso é tautologia. Você está perguntando: "Por que a vida é vida?" Assim fica mais claro para você. Mas quando você pergunta "Por que a vida existe?", as palavras enganam você.

Você está perguntando "Por que a vida é vida?". Você está perguntando "Por que uma rosa é uma rosa?" Você ficaria satisfeito se uma rosa fosse uma margarida? Então você poderia perguntar "Por que uma margarida é uma margarida?" De que maneira você fica mais satisfeito?

Se a vida não existir, você ficará mais satisfeito? Simplesmente imagine você mesmo sem o corpo, sem a mente, um fantasma perguntando "Por que a vida não existe? O que aconteceu com a vida? Por que ela desapareceu?". Essas perguntas sempre irão persistir e perseguir você.

A vida é um mistério. Não existe qualquer porquê, qualquer propósito, qualquer razão. Ela está simplesmente aqui. Aproveite-a ou abandone-a, mas ela está simplesmente aqui. E estando ela aqui, por que não aproveitá-la? Por que desperdiçar seu tempo filosofando? Por que não dançar, cantar, amar e meditar? Por que não se aprofundar mais e mais nessa coisa chamada "vida"? Talvez no centro mais profundo você irá saber a resposta. Mas a resposta vem de uma tal maneira que ela não pode ser expressada. É como um homem mudo que experimenta açúcar. É doce, ele sabe que é doce, mas ele não consegue falar.

Os Budas sabem, mas eles não conseguem dizer. E os idiotas não sabem e seguem falando, seguem dando respostas a você. Os idiotas são muito espertos nesse sentido de encontrar, de fabricar, de manufaturar respostas. Faça qualquer pergunta e eles terão uma resposta para você.

Quando Gautama Buda costumava viajar por este país de um lugar a outro, alguns poucos discípulos iam à frente e anunciavam na cidade: "Buda está chegando, mas por favor não façam aquelas onze perguntas". E uma daquelas onze perguntas era "Por que a vida existe?". Uma outra era "Quem criou o mundo?" Naquelas onze perguntas, toda a filosofia estava contida. Na verdade, se você abandonar aquelas onze perguntas, nada sobra para ser perguntado. Buda costumava dizer que essas eram perguntas inúteis. Elas não eram respondíveis, não porque ninguém soubesse a resposta. Elas eram irrespondíveis pela própria natureza das coisas.

Um grande filósofo, Maulingaputta, veio até Buda e começou a fazer algumas perguntas... Perguntas após perguntas. Buda ouviu silenciosamente por meia hora. Maulingaputta começou a se sentir um pouco embaraçado porque Buda não estava respondendo, ele estava simplesmente sentado ali, sorrindo, como se nada tivesse acontecido, e ele havia formulado perguntas tão importantes, tão significativas.

Finalmente Buda disse: "Você realmente quer saber a resposta?"

Maulingaputta disse: "Se eu não quisesse, por que eu teria vindo até você? Eu viajei pelo menos mil milhas para vê-lo"..."Por que eu teria vindo de tão longe? Foi um longo sofrimento. Parece que eu estive viajando por toda a minha vida! E você está perguntando se eu realmente quero saber a resposta?"

Buda disse: "Eu estou perguntando de novo: você realmente quer a resposta? Diga sim ou não, porque irá depender muito disso".

Maulingaputta disse "Sim!"

Então Buda disse: "Por dois anos sente-se silenciosamente ao meu lado, não pergunte, não questione, não converse, simplesmente sente-se silenciosamente por dois anos ao meu lado. E após dois anos você poderá perguntar o que você quiser e eu prometo que irei respondê-lo."

Um discípulo, um grande discípulo de Buda, Manjusri, que estava sentado na sombra de uma outra árvore, começou a rir muito alto e começou a rolar pelo chão. Maulingaputta disse: "O que aconteceu com esse homem? Você está falando comigo, você não dirigiu uma simples palavra a ele, ninguém disse nada para ele... Estará ele contando piadas para si mesmo?"

Buda disse: "Vá lá e pergunte a ele".

Ele perguntou a Manjusri. Manjusri disse"Senhor, se você quiser realmente fazer a pergunta, faça-a agora. Essa é a maneira dele enganar as pessoas. Ele me enganou. Eu costumava ser um filósofo tolo, exatamente como você. A resposta dele foi a mesma quando eu cheguei. Você viajou mil milhas e eu havia viajado duas mil milhas."

Manjusri era certamente o maior filósofo, o mais conhecido do país. Ele tinha milhares de discípulos. Quando ele chegou, com ele vieram mil discípulos. Um grande filósofo chegando com seus seguidores.

E Buda disse, "Sente-se silenciosamente por dois anos." E eu me sentei silenciosamente por dois anos, mas então eu não podia fazer uma pergunta sequer. Aqueles dias de silêncio... Devagar, devagar, todas as perguntas foram se desfazendo. E uma coisa eu vou dizer a você: ele manteve sua promessa, ele é um homem de palavra. Após os exatos dois anos, eu tinha me esquecido completamente, eu tinha perdido a noção do tempo, por que quem vai se preocupar em lembrar? Na medida em que o silêncio ficou mais profundo, eu perdi toda a noção de tempo."

"Quando os dois anos se passaram, eu nem estava me dando conta disso. Eu estava curtindo o silêncio e a presença dele. Eu estava bebendo a presença dele. E isso foi tão incrível. Na verdade, no fundo do meu coração eu não queria nunca que aqueles dois anos fossem concluídos, porque uma vez que eles se concluíssem, ele iria dizer: "Agora ceda o lugar para alguma outra pessoa sentar ao meu lado, e você afaste-se um pouco. Agora você já é capaz de estar só, você não precisa tanto de mim. Exatamente como uma mãe afasta a criança quando ela pode comer e digerir por si mesma e não precisa mais se alimentar do peito materno. Assim, Manjusri disse, eu estava esperando que ele se esquecesse de toda essa história a respeito dos dois anos, mas ele se lembrou. Exatamente após os dois anos, ele me disse: "Manjusri, agora você pode formular as suas perguntas". Eu olhei para dentro de mim e não havia nenhuma pergunta, nem ninguém para formular perguntas, era um silêncio total. Eu ri, ele riu, ele deu um tapinha nas minhas costas e disse, "Agora, afaste-se um pouco."

"Assim, Maulingaputta, é por isso que eu comecei a rir, porque agora ele está de novo aplicando o mesmo golpe. E esse pobre Maulingaputta vai se sentar por dois anos silenciosamente e vai se perder para sempre, nunca mais será capaz de formular uma pergunta sequer. Por isso, Maulingaputta, eu insisto: se você quer realmente perguntar, pergunte agora!"

Mas, Buda disse: "Minhas condições têm que ser atendidas."

Então, Patrick, a minha resposta para você é a mesma: atenda às minhas condições, medite, sente-se silenciosamente, simplesmente esteja aqui e todas as perguntas irão desaparecer. Eu não estou interessado em respondê-lo. Eu estou interessado em dissolver as suas perguntas. E quando todas as perguntas desaparecerem, aquele que pergunta também desaparecerá, ele não pode existir sem as perguntas. Quando nenhuma pergunta mais existir, nem aquele que pergunta... quantas bênçãos, quanto êxtase! Neste exato momento, você nem pode imaginar, você nem pode sonhar, você nem pode compreender. Então, todo o mistério da vida se abrirá, mistérios e mais mistérios... e isso não tem fim.

OSHO - The Book of the Books - Discourse n. 10 - 2nd question

sexta-feira, outubro 10, 2008

A oração

Joel S. Goldsmith

“Vós pedis, e nada recebeis, pois pedis mal” disse o Apóstolo Tiago. Já se deram conta que, por algum tempo oraram e não obtiveram respostas às suas orações? “Pedis errado”. Esta é a razão.

A oração, baseada na crença que há uma necessidade ou um desejo insatisfeitos, nunca será consoante com a verdadeira oração científica. Uma oração para que Deus faça alguma coisa, mande ou forneça algo, ou cure alguém, não tem nenhum poder. Cremos, por vezes, que Deus precise de um canal através do qual venha a satisfazer nossos pedidos, e isso nos leva a procurar as respostas fora de nós mesmos. Podemos pensar que o suprimento possa vir até nós e, por isso, ficamos aguardando por uma pessoa ou por uma condição através da qual isso aconteça; ou podemos depender de um curador, ou de um mestre, como canal de cura. “Pedis mal”.

Qualquer idéia de que aquilo que buscamos esteja em algum lugar que não denrto de nós, dentro de nossa própria consciência, é a barreira que nos separa da nossa harmonia.

A oração verdadeira nunca é dirigida a um Ser fora de nós mesmos, e tampouco espera por algo vindo de fora de nosso ser. “O reino de Deus está dentro de vós”, e todo o bem deve ser procurado alí. Se reconhecemos que Deus é a realidade do nosso ser, entendemos que todo o bem é inerente a esse Ser, o seu e o meu ser. Deus é a substância do nosso ser e, por isso, nós somos eternos e harmoniosos. Deus é a Vida, e esta Vida é auto-sustentada. Ele é a nossa Alma, e nós somos puros e imortais. Deus é a consciência do indivíduo, e isto constitui a inteligência do nosso ser.

Para sermos precisos, não há Deus e você, embora Deus sempre se manifeste como você, e esta é a unidade qua nos assegura o bem infinito. Deus é a vida, a mente, o corpo e a substância do ser individual; por isso, nada pode ser acrescentado ao indivíduo, e a oração verdadeira é o reconhecimento constante desta verdade.

A conscientização do nosso verdadeiro ser – da natureza e caráter infinitos do nosso próprio ser – também é oração. Nesse estado de consciência, em vez de buscar, pedir e esperar algo da prece, voltamos nosso pensamento para dentro e ouvimos a “pequena voz silenciosa” que nos assegura que, mesmo antes que pedíssemos, nosso Pai conhecia e preenchia nossa necessidade. E aí está o grande segredo da oração: Deus é a Totalidade e é sempre manifesto. Não há pois um bem ou Deus imanifestos. O que cogitamos estar buscando, está sempre presente dentro de nós, já manifesto, e nós temos que ter em mente essa verdade. Todo o bem já é, e é para ser manifesto. O reconhecimento desta verdade é a oração atendida.

Nossa saúde, prosperidade, emprego, lar e harmonia não são pois dependentes de algum Deus longínquo; nunca dependem de um canal, pessoa ou lugar, mas estão continuamente à mão, onipresentes, dentro de nossa própria consciência; e o reconhecimento desse fato é a oração atendida. “Eu e o Pai somos um”, e isto é causa da perfeição do ser individual.

Para sermos precisos, não há Deus e tu. É impossível orar corretamente sem ter compreendido esta verdade; e, sem conhecermos nossa relação com a Divindade, nossa oração seria apenas fé cega ou crença, e não compreensão. É a nossa conscientização da unidade do Ser – a unidade da Vida, da Verdade e do Amor – que redunda em oração atendida. É o reconhecimento constante de nossa vida, nossa mente, nossa substância e ação como manifestações do ser divino que constitui a verdadeira oração. Identificando este Ser divino como única realidade de nosso ser individual, podemos compreender a nós mesmos como uma realização de Deus, como arremate e perfeição do ser que tudo abrange, divino e imortal. O reconhecimento da divindade de nosso ser individual é a verdadeira prece, que é sempre ouvida. A retiicação da falsa crença que sejamos separados e distantes do nosso bem é a essência da prece verdadeira. Aquilo que eu busco, eu sou. Qualquer bem que eu possa ter acreditado ser separado de mim, é de fato uma parte constituinte do meu ser.

Eu incluo, personifico e envolvo dentro da minha própria consciência profunda, a realidade de Deus, que constitui a infinitude da saúde, da prosperidade e da harmonia do meu ser. A conscientização desta verdade é a verdadeira prece.

Apesar desta totalidade de Deus, expressa como seres individuais perfeitos, aparecem constantemente na vida humana aqueles males que solicitam nossa compreensão da prece. Qual é a natureza do erro, do pecado, da doença? Como pode haver tais coisas, sendo Deus a totalidade? Tais coisas não podem ser, e de fato não são, apesar das aparências de dor, de discórdia e de sofrimento.

A Bíblia nos revela a verdade básica do ser, ou seja, que “Deus viu tudo o que tinha feito, e viu que era muito bom”. Nesta perfeição que Deus criou, não há “profanação”… ou algo que seja mentira; e não há outro Princípio criador. Torna-se assim claro que aquilo que tem a aparência do erro, de pecado, doença, dor e discórdia não passa de ilusão, de miragem, nada. Lembremos então, na nossa prece, que Deus criou tudo o que foi feito, e nesse universo de Deus existe apenas a Presença Total, o Poder Total de Deus, o Amor divino e, por isso, aquilo que agora nos parece erro é uma falsa representação da realidade.

O tempo virá, em nossa vida, em que a inspiração espiritual revele à consciência individual um estado de ser livre das crenças e condições mortais. Não mais então viveremos uma existência baseada em afirmações ou negações mentais e, no lugar disso, receberemos de nossa Consciência um constante desdobramento da verdade. Por vezes isso nos vem do canal de nosso próprio pensamento. Pode nos vir através de um livro, uma leitura ou um serviço solicitado pela divina Consciência, que se revela à consciência individual.

Na medida em que nos tornamos mais e mais conscientes de nossa unidade com o Universo, com o Cristo cósmico, qualquer desejo ou necessidade que se nos apresente, traz consigo o seu preenchimento de pensamentos e desejos justos. E não está pois claro que nossa unidade com a Consciência, tendo sido estabelecida desde o “começo” pela eterna relação entre Deus e Seu ser manifesto, não custou nenhum esforço consciente para existir e ser mantida? A percepção desta verdade é o elo que nos liga à divina Consciência.

Para muitos, orar significa pedir e suplicar a um Deus que mora em um lugar chamado céu. O fato, porém, deste tipo de oração resultar em fracasso universal na obtenção de seus fins, prova que isso não é uma prece verdadeira, e que o Deus a quem suplicam não está lá para ouvir. A reflexão dos homens percebeu eventualmente a falta de resposta para tais orações, e se voltou para a busca do Deus verdadeiro e da idéia correta de prece. Isso levou à revelação da verdade como praticada e compreendida por Cristo Jesus e muitos reveladores antigos.

Neste ponto entendemos que “o reino de Deus está dentro de vós” e, por isso, a prece deve ser dirigida para dentro, para o ponto de consciência em que a Vida universal, Deus, se individualizou como você e eu. Aprendemos que Deus criou (originou) o mundo no princípio e que isso “era bom”.

Sendo “bom”, o universo deve ser inevitavelmente completo, harmonioso e perfeito; assim, nossa prece, no lugar de suplicar por algum bem, se torna a percepção da onipresença do bem, e esse conceito mais elevado faz da oração a afirmação do bem e a negação da existência do erro como realidade.

Quando a prece, mesmo afirmativa, resulta do uso de fórmulas, há a tendência a voltar para o velho modelo de reza de fé, e com isso a prece perde a sua força. Quando, contudo, a prece consiste de uma sincera e espontânea afirmação da infinitude de Deus, e de harmonia e perfeição de Sua manifestação, está de fato próxima da oração absoluta, que é a comunhão com Deus.

Antes que recebêssemos o clarão da verdade, orávamos por coisas ou pessoas; noutras palavras, lutávamos por atingir algum fim pessoal. Em sua grande visão, R. W. Emerson escreveu: “A oração que anseia por uma vantagem particular, algo menor que o bem total, é viciosa”. E então, esse homem sábio deixa-nos a definição: “A oração é a contemplação das coisas da vida do mais alto ponto de vista. É o solilóquio da alma contemplativa e jubilosa. É o Espírito de Deus proclamando alto Seu trabalho… Tão logo o homem seja um com Deus, ele nada pedirá”. A prece não deve ser entendida como um voltar-se para Deus para alguma coisa, pois como completa Emerson, “A prece como meio de atingir fins particulares é sem significado, é um roubo”.

Agora sabemos o que a prece não é, e tivemos um vislumbre de que a prece é a união do nosso Eu, da Alma individual, com Deus, a Alma universal. Na verdade, a alma individual e a Alma universal não são duas, mas uma só, e a conscientização desta verdade constitui a união ou unidade, que é a verdadeira prece.

Jesus disse “Meu reino não é deste mundo”, e temos que lembrar disso quando oramos. Voltarmo-nos para Deus levando algum pedido ou desejo deste mundo, será infrutífero. Quando adentramos no nosso santuário do Espírito, temos de deixar de fora todos os desejos, as necessidades e carências terrenas. Temos que deixar “esse mundo” e nos encaminhar para Deus com apenas uma idéia – a comunhão com Deus, a união, a unidade com Deus. Não devemos orar para obter qualquer coisa, ou para mudar ou corrigir algo.

A oração, que é união consciente com Deus, sempre redunda em harmonia, paz, contentamento e sucesso. Estas são as coisas “dadas de acréscimo”. Não é que o Espírito produza, corrija ou cure a matéria ou o universo físico, mas ocorre que nós nos elevamos para um grau de consciência mais alto, onde há menos matéria e, por isso, menos discórdia, menos desarmonia, doença ou carência.

A comunhão com Deus é a verdadeira oração. É o desenvolvimento, na consciência individual, de Sua presença e poder, e isto nos torna “todos completos”. A comunhão com Deus é na realidade ouvir a “pequena voz silenciosa”. Nesta comunhão, ou oração, não proferimos palavras para Deus, mas a conscientização da presença de Deus é uma comunicação da verdade e do amor que vem de Deus até nós. É um estado de ser abençoado, que jamais nos deixa no ponto em que nos encontrou.


terça-feira, outubro 07, 2008

ONIPRESENÇA



"Deus é Onipresença." Esta mensagem é curta para que você pare de ler logo, feche os olhos e reconheça o fato eterno: DEUS É TUDO E TODOS, JÁ!


Contemple esta Verdade! Contemple a Unidade iluminada sendo a totalidade do Universo e de seu ser. Pense, de início, o seguinte:

“Pai, torna-me consciente da Tua Onipresença! Torna-me consciente de que Tua Onipresença inclui a totalidade do meu ser.”

Em seguida, “deixe” a Consciência Iluminada ser a SUA!

sábado, outubro 04, 2008

Verdade

Marie S. Watts


Que é a Verdade? Há cerca de dois mil anos, Pôncio Pilatos fez a Jesus esta importante pergunta. Não temos nenhum registro de que Jesus a tenha respondido a Pilatos. Por que não o fez? Provavelmente por saber que a sua resposta não seria compreendida nem seria digna de crédito. E a busca por essa resposta continuou existindo, perdurando até os dias atuais. Entretanto, Jesus deu a resposta. Clara e simplesmente ele declarou: "Eu sou a Verdade". Mas por que ela não foi compreendida? Tão simples! Ele poderia também ter dito a Pilatos: "Você é a Verdade, se ao menos o soubesse".

Uma percepção clara dos ensinamentos do Mestre nos revela que jamais ele alegava possuir o privilégio ou o direito exclusivo de ser a Verdade. Tampouco limitava esta prerrogativa aos seus discípulos imediatos. Em João 14:12, podemos ler: "Aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas." O certo é que Jesus não falava de si mesmo como pessoa. Pois, já não havia se referido a si próprio como sendo a Vida, a Verdade e o Caminho, mas de forma impessoal? Na prece que vamos citar, uma das mais maravilhosas já registradas, encontramos Jesus orando para que todos nós pudéssemos reconhecer a Verdade, o único Deus, como o "Eu" de cada um de nós. "Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti, que também eles sejam um em nós, para que eles sejam perfeitos em unidade" (João 17: 21, 22,23). A prova de que esta prece inclui a todos está no seguinte versículo: "E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim" (João 17; 20). Isto soa como se Jesus falasse de si mesmo como a Verdade, com a exclusão de todos os demais? Que seria, ou quem seria o "Eu" citado nestas passagens? Quem seria este "Mim", em quem somos convidados a crer? Há somente um "Eu", o "Eu" existente como a sua "Identidade", como a minha e como a de todos nós. E é neste "Eu", neste "Mim", que somos exortados a acreditar. Sim, amados, somos exortados a aceitar e reconhecer o "Eu" que é a Verdade impessoal, o "Eu" que EU SOU, como a "Identidade" de cada um de nós.

Seguidamente temos tido garantias de que, “se conhecêssemos a Verdade, estaríamos livres”. Porém, de que forma poderíamos conhecer algo, senão pelo discernimento da natureza do objeto de nosso estudo? Quando conhecemos algo, um conhecimento realmente efetivo de algo, aquilo permanece conosco para sempre, em e como nossa própria Consciência, ou Mente. E descobrimos que realmente contemos e somos aquilo que conhecemos.

Em outras palavras, é impossível conhecer totalmente a Verdade sem que, antes, conscientizemos que somos a própria Verdade que estivermos conhecendo.

Repetindo a pergunta, QUE É A VERDADE? A Verdade relativa a algo é o fato estabelecido daquilo que constitui a sua existência. O dicionário A define incluindo a seguinte interpretação: “Aquilo que é verdadeiro; um estado real de coisas; fato; realidade”. Sim, a Verdade é o Fato daquilo que existe como o Universo, como o Mundo, e como Você e Eu. A Verdade é eterna, sem começo, sem mudança e sem fim. Sendo infinita e eterna, a Verdade é harmoniosa e perfeita para todo o sempre.

A percepção da natureza exata da Verdade é de vital importância para todos nós. Por quê? Porque a Verdade é o Fato estabelecido, a Realidade de tudo que existe. Conhecer a Verdade é estar consciente da Perfeição imutável que constitui a totalidade do Universo, e esta totalidade inclui a mim, a você e a todos. Quando conhecermos a Verdade com convicção idêntica àquela que possuímos, de que um mais um é igual a dois, sem maiores esforços, realmente estaremos conhecendo a Verdade. Com freqüência vínhamos pensando que conhecíamos a Verdade, quando, o que fazíamos, era nos entregar aos pensamentos de querer algo. Conhecer realmente alguma coisa significa estar consciente de sua existência estabelecida e imutável; incluir em tal grau em nossa Consciência, aquele conhecimento, que permanecêssemos impossibilitados de aceitar que a coisa conhecida fosse diferente daquilo que ela realmente é.

O fato estabelecido, de que um mais um é igual a dois, não inclui nenhuma condição ou Verdade parcial. De igual modo, a Verdade básica de que o todo imutável, eterno e perfeito Deus único abrange a totalidade da existência, jamais poderia incluir uma parcela, uma condição ou uma oposição.

Freqüentemente, temos conhecido a Verdade de uma forma que Ela se opusesse a algo, como se existissem certas forças contrárias à Verdade que estávamos a conhecer. O caminho das afirmações e negações nos leva a esse engano. Se pudesse haver algo que se contrapusesse à Verdade, isto indicaria que a Verdade não seria o Fato total e completo da Realidade, ou daquilo que possui existência. Uma negação do erro jamais revela a Verdade. Tampouco faz com que a Verdade Se torne mais verdadeira do que Ela já é, neste exato instante. Nós jamais nos preocupamos com o que não é verdadeiro, pois, trata-se de algo não-existente. Para quê nos atermos àquilo que é nada? Pelo contrário, nós contemplamos o Fato básico da existência: a Totalidade, a Unicidade, a Presença onipresente, onipotente, inabalável e ininterrupta da Perfeição que existe.

Amado leitor, parece-lhe que nos alongamos demais nesta questão da Verdade? Nesse caso, tenha um pouco de paciência, pois, agora irá descobrir que VOCÊ é a própria Verdade que está sendo apresentada aqui, e, é este mesmo Auto-reconhecimento que está agora se passando com VOCÊ.

Talvez esteja pensando: “Mas isso tudo é tão impalpável! Como posso ser eu esta Verdade?” Não se lembra daquilo que estabelecemos logo no início desta mensagem? Que o universo em que você vive, se move e tem o seu ser é o universo real, o único universo? VOCÊ, este você que está existindo aqui e agora, é o VOCÊ real, o único VOCÊ em existência. Deus é a Inteireza, o Todo do Universo; e esta Inteireza, esta Totalidade, inclui VOCÊ. Aquilo que for verdadeiro para Deus, como o Universo, é verdadeiro para VOCÊ, pois, VOCÊ se encontra incluso nesta Totalidade ou Unicidade de Deus. O Fato básico, ou a Verdade da PERFEIÇÃO ONIPOTENTE E ONIPRESENTE, É A VERDADE ESTABELECIDA DE SUA PERFEIÇÃO. Pôde, agora, perceber a vital importância de possuirmos um conceito bem definido de TUDO quanto compreenda a Verdade?

Outro aspecto da Verdade é o fato dela nunca ter tido começo, mudança ou fim. Às vezes, adiamos nossa aceitação da perfeição atual por nos esforçarmos para que algo se torne verdadeiro. A Verdade jamais se torna verdadeira. E também a falsidade, jamais se torna falsa. A Verdade tem sido sempre verdadeira, e a falsidade tem sido sempre falsa, não-existente. Isto é assim tão simples! O habitar na Onipresença da Perfeição, constitui a própria realização desta Perfeição. É este o modo pelo qual a Verdade verdadeira sobre você se torna evidente como a Verdade que é verdadeira COMO VOCÊ. É desse modo que obtemos a Autopercepção, ou Autoconsciência. Existe somente Um Eu, e este Eu único é Deus, o Eu que abrange tudo. Não importa a quantidade numérica de Identidades distintas que este Eu inclui: o fato de que Deus é a totalidade de cada identidade é permanente. Deve ter ficado claro ser impossível que haja algo verdadeiro, ou fato real a seu respeito, e que não esteja incluso na Verdade que Deus é.

Realmente, Deus é Tudo eternamente, e é incondicionalmente perfeito. Um Fato incondicionado é completo como sua própria Verdade. VOCÊ É A VERDADE. O UM ETERNAMENTE PERFEITO, INCONDICIONADO, IDENTIFICADO COMO VOCÊ. Esta declaração é o Ultimato Absoluto da Verdade de sua inteira Existência, inclusive de sua Vida, Mente, Corpo e Ser. Esta Verdade, como você, transcende todo tipo de qualificação, oposição ou condição. Você não é dual; não há dois de “você”. Não existe algo como um Você, que é esta Verdade, ao lado de “outro você” caminhando em direção oposta ao UM PERFEITO, que sempre você tem sido, e que sempre VOCÊ será.

Talvez você pergunte: “E quanto a este corpo? Como poderei conciliar esta Verdade da Perfeição com este corpo sujeito a sofrimento, doença e senilidade?” Não poderá fazê-lo! E não o fará! Jamais conseguirá conciliar a Verdade com a mentira. Todavia, esteja certo do seguinte: você possui um corpo. Não é seu corpo que o está levando a um falso juízo, mas sim o tipo de corpo que você vem encarando, erroneamente, como sendo o seu corpo. Este assunto do “corpo” é de tremenda importância, e será tratado com profundidade numa outra ocasião. Por ora, basta-lhe o seguinte conhecimento: como Você inclui o seu corpo, toda Verdade, ou Fato, descoberto a seu respeito, constitui também a Verdade estabelecida em relação ao seu corpo.

O mundo, assim como aparenta ser, encontra-se permanentemente sofrendo mudanças. Tudo e todos, aparentemente, se encontram numa condição temporária. Uma não-existência é supostamente transformada em existência, a Vida; por outro lado, a Existência, ou Vida, é supostamente transformada em não-existência, a morte. Até mesmo as substâncias da terra parecem estar constantemente se transformando em algo diferente do que vinham sendo. A falsa evidência consiste de uma constante aceitação de criação, transformação, desenvolvimento, dissolução, deterioração e destruição. No universo da aparência, nada se estabelece como eterno. Há uma constante ação de se atingir alguma condição, ou de se conseguir sair dela. Realmente, neste falso conceito de universo, somente uma coisa parece ser permanente: a transformação.

A própria natureza da transformação, nesta visão falsa da Realidade, é prova de não ser ela verdadeira. O motivo é o seguinte: A Verdade não se modifica. Deus é a Verdade, e Deus é eternamente imutável. Algo que possa parecer ter começo, mudança ou fim, não é a Verdade, e, portanto, não é um Fato estabelecido. Nascimento, desenvolvimento, mudança e morte são, todos, aspectos desta ilusória distorção DAQUILO QUE REALMENTE EXISTE.

Repetindo, a Verdade permanece estabelecida assim como Ela é, e sempre tem sido. Você já notou que, quando alguma condição errônea do corpo parece ser curada, o corpo permanece? Tudo que desaparece é o quadro desarmônico. Qual o sentido disto? Somente este: algo na natureza da desarmonia, que se acrescente ou se modifique, é falsidade. Se unicamente conscientizássemos a total importância desta Verdade, estaríamos cônscios da eternidade do Corpo, e também da Mente, da Vida e do Espírito.

Sim, o que é Verdade, o que é Realidade - e irrealidade alguma existe –, é o Fato imutável daquilo que existe. A Verdade nunca começa a ser verdadeira. A Verdade nunca deixa de ser a Verdade. Jamais algo Lhe é acrescentado nem subtraído. A Verdade nunca se coloca numa posição de “se tornar algo”, ou num estado de desaparecimento. Ela é eterna, é Fato imutável, uma Existência eterna.

Com qual Mente você conhece a Verdade? Deus é a Mente única; logo, qual Mente poderia desconhecer a Verdade? Deus, Mente, é eternamente consciente da natureza de Sua Existência como sendo sem começo, sem mudança e sem fim. Você não pode ter nenhuma outra Mente, além da Mente de Deus, pois, não existe nenhuma outra. A Mente que está consciente de ser para sempre imutavelmente perfeita, identificada como Você, é a sua Mente. Não há interrupções nem vazios no conhecimento, na percepção consciente desta Mente. Deus, Mente, sendo consciente da Verdade de Sua perfeição eterna, está neste momento identificado como a sua Mente sendo consciente de sua perfeição imutável. Em outras palavras, Você é a CONSCIENTE PERFEIÇÃO ESTANDO CONSCIENTEMENTE PERFEITO.


Esta é a Verdade sobre Você. Esta é a Verdade como Você. E foi o que Jesus quis dizer, quando declarou: “Eu sou a Verdade”. Uma declaração verdadeira da imutável e permanentemente contínua natureza perfeita de todo o seu Ser, e de todo mundo que existe.

De que forma você percebe ser isto verdadeiro a seu respeito? Do seguinte modo: aceite-o; reconheça-o; proclame que sua Identidade é a Verdade. Saiba que a Verdade que o torna livre é a Verdade de que VOCÊ É LIVRE. Calmamente, e persistentemente, contemple a Verdade estabelecida de seu Ser. Assim, já agora, estará descobrindo que esta Verdade está estabelecida como o seu Ser. É ESTE O CAMINHO. “TRILHAI-O”.

quarta-feira, outubro 01, 2008

DEIXE QUE O ESPÍRITO DÊ TESTEMUNHO

Joel S. Goldsmith


Ao entrar em contato com o Espírito de Deus em seu íntimo, você estará manifestando o Poder e a Presença em sua experiência. A obra de "O Caminho Infinito" consiste em fazer com que se atinja uma percepção consciente desta Presença. Quando você conscientiza que Deus está “mais próximo...que o fôlego”, cessam suas buscas por Ele no céu ou nas montanhas sagradas, e você passa a ficar repousado. Neste repouso, estará sendo aberto o caminho para que o Espírito Se anuncie e realize a Sua atividade.

O ministério do Mestre não tinha este objetivo? A cura do doente, a ressurreição do morto, a alimentação do faminto, o perdão ao pecador, e a superação de quaisquer discórdias e desarmonias da vida? O ministério do Cristo não tem por objetivo primário que vençamos o que o Mestre chamou de “este mundo”, apareça ele na forma de pecado, tentação, falso desejo, carência ou limitação?

A maioria das pessoas encontra facilidade para reconhecer a existência de um Cristo interno; mas, para prová-Lo, manifestá-Lo ou evidenciá-Lo, sente dificuldade. Para conseguir este intento, uma condição será necessária: sempre que elas lerem ou ouvirem algo a respeito dessa Presença interior do Cristo, terão de sentir, no próprio íntimo, algo que lhes diga “sim”. Foi exatamente esta percepção e convicção da Presença que possibilitou ao Mestre a realização de suas miraculosas façanhas, conforme podemos ler hoje nas Escrituras.

As pessoas envolvidas com a cura espiritual sabem que as curas somente ocorrem quando, ao fim do tratamento ou prece, surge uma sensação de libertação interior, um sentimento do tipo: “Está feito!”, ou, “Deus assumiu o comando”. A prece ou tratamento que se restringe ao uso de palavras e pensamentos, por mais sinceros e sublimes que possam ser, não será eficaz: estará faltando ali a resposta divina à questão. Apenas a prece ou tratamento que transcender as palavras e os pensamentos, atingindo um contato real com o Espírito, irá mostrar os seus frutos.

Não desejo afirmar que preces ou tratamentos devam ser realizados sem palavras e pensamentos. Imagine! Pois são exatamente as ferramentas de que dispomos para nos erguermos acima delas próprias! Seja qual for o tipo de prece ou tratamento empregado, sua finalidade única é a de nos conduzir a uma condição de consciência em que as palavras e pensamentos cessem por si, dando ao Espírito todo o comando.

Se a prece apenas de palavras e pensamentos fosse poder, não teríamos, no mundo atual, coisas como “busca pelo caminho espiritual”, ou “busca de um meio de se trazer à terra o poder espiritual”, uma vez que sabemos existir, em todas as religiões, denominações e seitas, uma quantidade de preces e tratamentos capaz de inundar o mundo de bem-aventuranças. No entanto, após permitir que seu tratamento incorpore toda a verdade possível de lhe vir à lembrança, se ao seu término fizer uma pausa, à espera de que o Espírito esteja sobre você, terá então encontrado o verdadeiro sentido da prece, e descoberto a origem e o segredo da cura espiritual.


“FICAI NA CIDADE”

Na versão revista da Bíblia, uma extraordinária passagem acompanha o versículo final do Evangelho de Lucas. "Estando para deixar seus discípulos, o Mestre lhes disse: “Ficai na cidade!”. Não saiam a proselitar; não saiam a pregar; não saiam! “Ficai na cidade”."

Este ensinamento nos diz para permanecermos em prece até recebermos o poder que emana do Alto. O Mestre fez a citação de Isaías: “O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu”.

Mesmo sendo conhecedor das Escrituras, ou de toda a verdade contida num livro, jamais acredite que isso possa ser unção divina. Você estará ungido por Deus somente quando puder sentir-Lhe a Presença.

A não ser que haja algum tipo de certeza interna, de que existe aquele Algo além de você simplesmente, a sua prece não será eficaz. Quando descer sobre você uma íntima sensação de paz, de libertação do problema, uma certeza de que Eu nunca o abandonarei, que Eu estou com você, sua prece específica estará terminada. E então, todas as coisas que pedir serão realizadas. Além disso, por virtude daquele Espírito, você terá conhecimento suficiente para jamais pedir por bem material ou coisas materiais.

Precisamos orar para a obtenção de quê? De nada! Estamos acreditando que Deus nos está retendo o quê em Suas mãos? Nada! Ora, nesse caso, para quê cerramos os olhos em oração? Para quê? Senão para recebermos a graça de Deus e para que Seu Espírito seja sobre nós para sermos curados física, mental, moral e financeiramente, sob todo ponto de vista? Não teríamos nenhum outro motivo, além desse, para orarmos.

Tão logo fecharmos os olhos em prece, Deus já sabe que isso tem por finalidade fazer-nos um instrumento pelo qual a Sua graça nos atinja a consciência. E, estando em quietude, permitamos que a Sua Voz nos chegue à consciência, ora como se fosse um trovão, ora como uma voz suave e pacífica, pois a Consciência onisciente sabe que estamos em prece para recebermos a divina Graça.

Eis-me aqui, no silêncio, à espera de Tua paz, do Teu reino, da Tua graça...

Permaneça habitando nessa quietude, silêncio e paz, e aguarde a “descida do Espírito”; sinta intimamente a libertação do problema, do medo e da ansiedade. E assim, a seu devido tempo, a graça de Deus estará assumindo uma forma de cura, de soerguimento, de suprimento, ou de um relacionamento humano mais feliz – algo bastante tangível.

A prece é a habilidade de entrar no silêncio sem nenhum problema, apenas pela alegria de estar em comunhão com Deus, pela experiência de conhecê-Lo corretamente. A prece é uma atitude de auto-submissão e uma elevação de consciência que ultrapassa todo querer, desejar ou buscar, e que se torna uma comunhão com a Fonte da Vida. Quando ocorre esta comunhão, com a vinda de uma resposta interior, a bênção do Senhor é recebida.

Milagre não é simplesmente a dissolução de alguma dor, o desaparecimento de uma doença. Ou uma mera troca da infelicidade pela felicidade; trata-se de algo muito além de tudo isso. O mundo fica vencido. A origem do mal é eliminada. A prática constante da meditação, que resulta nessa comunhão interna, gradualmente culminará com a dissolução dos problemas, não apenas de um, mas de um após o outro, às vezes de dois em dois, até que haja o desaparecimento total dos problemas que constituem o mundo.


“RUMANDO O MACHADO À RAIZ”

Um problema só pode existir no âmbito da chamada mente humana universal, e se expressa através do indivíduo. Se, de sua parte, houver uma recusa no sentido de permitir que o problema flua por você, ele será um problema morto. Os problemas nada mais são que a crença universal em dois poderes. Quando você reconhece esse fato, aceitando a Deus como Onipotência, o problema é destruído no local único de sua existência: na mente humana universal.

Na antigüidade, deu-se à origem do mal o nome de “diabo”. O diabo não é nem nunca foi uma pessoa. O diabo, ou o mal, é algo de natureza impessoal. É possível que ele apareça como pecado, delinqüência juvenil, falso desejo, doença incurável, pobreza, ou morte. Entretanto, seja qual for o nome ou natureza, aquilo que se põe à sua frente é um mal único. Empregamos para ele a designação “mente carnal”, dada por Paulo, ou algum outro termo, como “aparência”, por exemplo. A discórdia não é uma entidade ou identidade física; ela é uma “aparência”, um produto da mente carnal: a crença em dois poderes.

Em vez de se preocupar com a natureza específica de algum problema, instantaneamente conscientize: “Ah, eis aqui o meu velho amigo Satanás, mente carnal, aparência.” Partindo disso, reconheça que, pelo fato de ser Poder somente aquilo que é de Deus, esta aparência ou sugestão não possui nenhum poder, lei, continuidade, enfim, nada que a possa apoiar.

Quando você puder aceitar a Deus como Onipotência, simplesmente dará suas costas à ilusão, em todas as suas fases, e seguirá adiante. Porém, a maioria não é capaz de agir assim. Pelo contrário, argumenta com o erro, enfrenta-o, e até faz oração levando em consideração a sua existência. Mas, uma vez reconhecido que Deus é Onipotência, não sobrará nada para você considerar em suas preces. Elas serão, a partir daí, constituídas de uma comunhão com Deus, de uma alegria no Espírito. Serão preces de reconhecimento, de encontro com Deus, sem aquela atitude de pedir-Lhe algo, ou de tentar usar Deus como um poder.

Quando compreender a Deus como Onipotência, estará habilitado a se livrar do mal sob todas as formas, mediante as seguintes palavras: “Nenhum poder terás sobre mim, a não ser que tu venhas de Deus. Ao lado de Deus não há nenhum outro poder; e o Poder divino é presente tanto no céu como exatamente aqui onde eu estou.”

Ao se deparar com algo de aparência maligna, para abordá-lo sob o ângulo espiritual, parta do princípio de que o mal não é poder. Além disso, compreenda também que sua intenção não será a de tentar transformar mal humano em bem humano. Não quererá substituir uma condição humana por outra também humana. Certifique-se disto! Ao defrontar-se com a doença, não tentará mudá-la para saúde. Ao defrontar-se com a morte, não tentará transformá-la em vida. Ao defrontar-se com alguma perda, não tentará mudá-la para ganho.

Bem, se nada daquilo deverá ser feito, que fará você? Será preciso que conscientize que tanto a perda humana quanto o ganho humano não têm qualquer importância. Se você desfrutasse da melhor saúde do mundo num minuto, nada impediria que, no minuto seguinte, você pudesse cair morto. Quando encarar uma aparência do mal, jamais tente mudá-la para o bem. Conscientize o não-poder e a natureza ilusória de ambos: do mal humano e do bem humano; assim, sua prece poderá ser: “Deixai-me testemunhar a verdade espiritual, a harmonia espiritual, e o bem espiritual”. Isto significa se elevar acima do par de opostos.

Você não poderá retornar ao Jardim do Éden enquanto não se elevar acima do bem e do mal. Enquanto ficar insistindo em simplesmente trocar o mal pelo bem, ou transformar o mal em bem, você não estará no paraíso, pois, apesar da obtenção de certa parcela de bem, novamente ele poderá voltar à sua condição de mal anterior. Não sabemos de pessoas que se esforçaram, conseguiram acumular fortunas, e que posteriormente acabaram na miséria? Ou de algum atleta, ou mesmo um inovador de métodos de boa saúde, que conseguiu formar um físico perfeito, após intenso esforço, mas que no fim voltou a apresentar uma deplorável condição física? Não vimos pessoas que lutaram em busca da própria integridade moral, mas que se deixaram posteriormente ser levadas pela corrupção, se autodestruindo física, mental, moral ou financeiramente, apesar de toda retidão por elas apregoada?

O mal não pode ser vencido pela força ou pelo poder. Não existe essa coisa chamada “vitória sobre o mal”, a não ser quando nos preparamos para “a vinda daquele a quem pertence o juízo”. Assim que aprendermos a encarar a doença sem lutar ou tentar dominá-la, permanecendo sentados ao seu lado, em silêncio, à espera de que o Espírito em nosso interior dê Seu testemunho, teremos estabelecido a saúde de natureza permanente, que não precisa ser obtida repetidas e repetidas vezes. Do mesmo modo, quando os falsos desejos são dominados pela força de vontade, lutando contra eles, em muitos casos o resultado conseguido não é duradouro; porém, quando são suplantados espiritualmente, o efeito se evidencia como uma permanente bênção.

Ao nível da humanidade, assumir a atitude de “não resistais ao maligno” não passa de se conceder ao adversário uma vantagem sobre nós. No caminho espiritual, contudo, isto não é verdadeiro. Ao nos depararmos com problemas de saúde, morais, financeiros, ou com alguma outra forma de mal –injustiça, desigualdade--, se conseguirmos resistir à vontade de querer transformar esse mal em bem, complementando com o desejo de sermos testemunhas da Presença e Poder espirituais, por certo constataremos a manifestação da harmonia.


O BEM NOS CHEGA EM TERMOS DE NOSSOS CONDICIONAMENTOS

A harmonia espiritual vem como infinita perfeição, mas o grau em que alguém irá desfrutá-la é proporcional ao seu condicionamento mental. Todas as pessoas recebem algum tipo de condicionamento, trazido pelos ascendentes, pela nacionalidade, religião, mais ainda pela educação, e finalmente pelas suas experiências pessoais na vida. Portanto, quando alguém se volta ao Espírito, é muito provável que a graça de Deus lhe chegue através de algum modelo condicionado pelo seu estado de consciência.

Deus nada sabe de doença; Deus nada sabe de um coração que devesse bater a um ritmo determinado. Esteja certo de que, tivesse Deus conhecimento de tais coisas, o coração bateria corretamente o tempo todo. Nada existe que esteja fora do poder de Deus. Mas se você estiver condicionado à idéia de quão rápida ou lentamente o coração deva bater, quando Deus ditar a harmonia do corpo, para você o natural será interpretá-la segundo aquele padrão de ritmo cardíaco, ou algum determinado grau de temperatura.

Há pessoas que não conseguem dormir, ou que não dormem o suficiente, e que, ao se voltarem para o Espírito, dão-se conta de que posteriormente passaram a dormir durante oito ou nove horas seguidas. Suponho que elas atribuam este período de horas de sono à vontade de Deus. Porém, compreenda claramente este ponto: no que se refere a Deus, a necessidade de sono não existe! Deus jamais cochila ou dorme, e o mesmo é verdadeiro para a Sua “imagem e semelhança”. Portanto, se após voltar-se a Deus, você constatar que a insônia deu lugar às oito ou nove horas de sono, este resultado se deve ao seu condicionamento mental de considerar aquilo como dose normal. O mundo conhece um grande número de pessoas, autoras de grandes realizações, que costumavam dormir bem menos. Se a vontade de Deus fosse a de que elas dormissem durante oito horas, certamente elas teriam que proceder daquela forma. No entanto, sabendo da possibilidade que tinham de trabalhar com um período reduzido de sono, elas assim fizeram, condicionando a si mesmas neste sentido.

Quando o bem se manifesta, é curioso notar que uma pessoa o recebe na forma de um luxuoso carro, outra o recebe como um moderno iate, e uma terceira o recebe na forma de um valioso diamante, ou uma bela mansão. Porém, se Deus concede a Sua graça a todas aquelas pessoas, não seria natural que todas igualmente recebessem as belas mansões? Não, pois cada uma condiciona o bem recebido em função de algo que traz latente em sua consciência. O impossível não existe, pois a nossa natureza verdadeira é a mente não-condicionada, Espírito ou Alma isenta de condicionamentos. Na realidade, todas as pessoas são consciência não-condicionada, mas o condicionamento que posteriormente recebem seria para elas um estado de limitação. Quando chegam ao caminho espiritual, elas precisam se desfazer desse condicionamento. Não é tarefa fácil! Diante de cada problema, terão de se retirar interiormente para conscientizar: “Deus é. Deus é onipresente exatamente aqui onde eu estou; Deus é infinito, e é bondade infinita”.

Cada vez que estiver frente a uma doença, lembre-se conscientemente de que a doença não faz parte da vontade de Deus; logo, não possui qualquer poder. Somente o que é ordenado por Deus é poder; o que constitui poder é somente aquilo a que Deus outorga poder. Será preciso que você realize um autotratamento para se libertar daquilo que seus pais, sua igreja e suas escolas lhe vieram ensinando, até que possa chegar à convicção absoluta de que Deus é o todo, e que o poder de Deus é exclusivamente de bem.

Todas as alterações fisiológicas que ocorrem com o passar dos anos deveriam se mostrar sem quaisquer dores, discórdias e desarmonias. A idade em nada se relaciona com o corpo ou com o calendário. Ela tem a ver com o fato de você acreditar ou não na existência de um processo regenerativo capaz de restaurá-lo muito mais rapidamente do que o tempo o possa desgastar. De que forma poderia envelhecer uma pessoa que convictamente reconhece que “Eu nunca o abandonarei, mesmo que você atinja cento e vinte anos de idade. Eu sou a saúde estampada em seu semblante”?

Você não poderá ficar sem nenhum alimento material, mas se acreditar que estará sendo sustentado apenas pelo alimento, estará permitindo que as rugas se formem, o que logo ficará evidenciado. Você poderá se manter com muito menos alimento, ficando ainda melhor nutrido, se parte de sua alimentação for espiritual.

Na realização consciente da Presença encontra-se a sua plena salvação. No momento em que houver uma convicção numa bênção ou Graça interior, a Presença irá à sua frente “tornando os caminhos tortos retos.” A Presença caminha junto e atrás de você. A Presença perdoa os seus pecados, cura suas enfermidades, e livra-o de suas carências e limitações. Contudo, cabe-lhe recordar sempre que somente palavras, ou a mera repetição das mesmas, não fará com que se realize tudo aquilo. Deverá ocorrer um real alcance da Presença, quando então você estará dotado do Alto.


domingo, setembro 28, 2008

O poço e a pedra




Um monge peregrino caminhava por uma estrada quando, do meio da relva alta, surgiu um homem jovem de grande estatura e com olhos muito tristes. Assustado com aquele aparecimento inesperado, o monge parou e perguntou se poderia fazer algo por ele. O homem abaixou os olhos e murmurou envergonhado:

- "Sou um criminoso, um ladrão. Perdi o afeto dos meus pais e dos meus amigos. Como quem afunda na lama, tenho praticado crime após crime. Tenho medo do futuro e não sinto sossego por nenhum instante. Vejo que o senhor é um monge, livre-me então desse sofrimento, dessa angústia!" - pediu ajoelhando-se.

O monge, que ouvira tudo em silêncio, fitou os olhos daquele homem e alguns instantes depois disse:

- "Estou com muita sede. Há alguma fonte por aqui?"

Com expressão de surpresa pela repentina pergunta, o jovem respondeu:

- "Sim, há um poço logo ali, porém nele não há roldana, nem balde. Tenho aqui, no entanto, uma corda que posso amarrar na sua cintura e descê-lo para dentro do poço. O senhor poderá tomar água até se saciar. Quando estiver satisfeito, avise-me que eu o puxarei para cima."

O monge sorrindo aceitou a ideia e logo em seguida encontrava-se dentro do poço. Pouco depois, veio a voz do monge: "pode puxar!"

O homem deu um puxão na corda empregando grande força, mas nada do monge subir. Era estranho, pois parecia que a corda estava mais pesada agora do que no início.

Depois de inúteis tentativas para fazer com que o monge subisse, o homem esticou o pescoço pela borda, observou a semi-escuridão do interior do poço para ver o que se passava lá no fundo. Qual não foi sua surpresa ao ver o monge firmemente agarrado a uma grande pedra que havia na lateral. Por um momento ficou mudo de espanto, para logo em seguida gritar zangado:

- "Ei, que é isso? O que faz o senhor aí? Pare já com essa brincadeira! Está escurecendo, logo será noite. Vamos, largue essa rocha para que eu possa içá-lo".

De lá de dentro o monge pediu calma ao rapaz, explicando:

- "Você é grande e forte, mas mesmo com toda essa força não consegue me puxar se eu ficar assim agarrado a esta pedra. É exatamente isso que está acontecendo consigo. Você se considera um criminoso, um ladrão, uma pessoa que não merece o amor e o afeto de ninguém. Encontra-se firmemente agarrado a essas ideias. Desse jeito, mesmo que eu ou qualquer outra pessoa faça grande esforço para reerguê-lo, não vai adiantar nada".

Tudo depende de você. Somente você pode resolver se vai continuar agarrado ou se vai se soltar. Se quer realmente mudar, é necessário que se desprenda dessas ideias negativas que o vêm mantendo no fundo do poço. Desprenda-se e liberte-se.

terça-feira, setembro 23, 2008

Meditação com Masaharu Taniguchi

SEICHO-NO-IE



Após o vídeo, medite e contemple:

Somos a expressão da Vida de Deus. Quem souber olhar de modo correto para essa verdade, poderá constatar mudanças dentro de sua própria vida fenomênica. Tudo o que reconhecemos através da mente projeta-se aqui no mundo das formas, o mundo fenomênico onde nossos cinco sentidos nos mostra que vivemos. O segredo de saber governar a vida está na mente. Contudo, é importante não se deixar levar-se demais pela mente humana. Ela é boa somente até certo ponto. Para além da mente humana existe a Mente Divina, e esta é a Mente Perfeita de Deus. Aquele que souber utilizar-se de sua mente humana para ser conduzido até a percepção da Mente Divina alcançou a comunhão com Deus; estabeleceu o contato consciente com Deus. Neste ponto, o homem morre para sua natureza humana e renasce como um ser inteiramente espiritual e divino. O homem é Espírito, tal como Deus é Espírito. O homem é Amor, tal como Deus é Amor. O homem é Sabedoria, porque Deus é Sabedoria. No homem real não há pecado, nem doença, nem morte. A Mente Divina não vê coisas inexistentes, só vê o que existe. Portanto, quem abre os olhos da mente e, com a Mente Divina, vê pessoas, coisas e fatos, dissipa todas as ilusões projetadas pela crença no pecado, na doença e na morte. Tal Mente Divina já existe em ti, agora! E já se encontra inteiramente desperta, percebendo toda a criação divina e perfeita de Deus. Permita que essa Mente se revele. Para que isso ocorra, sua única tarefa deverá ser a de ceder mentalmente a essa verdade. A Mente Divina não se mostra até que a mente humana esteja inteiramente aquietada. Sendo assim, aquieta tua mente e deixa a Mente de Deus que existe em você revelar-Se a ti. "É do agrado do Pai dar-vos o Reino". De posse dessa percepção, o homem é capaz de afirmar, tal como Paulo afirmou, as palavras: "Já não sou eu quem vive, é a Vida de Deus que aqui vive", bem como as palavras ditas por Jesus: "Eu e o Pai somos um"..."quem me vê a mim, vê ao Pai". A maravilhosa verdade do Evangelho traz a 'boa nova' de que somente Deus existe. Deus é a única ocorrência; Deus é o todo de tudo. Deus É!