"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

sábado, fevereiro 24, 2018

Descortinando a nossa Natureza Divina - 7/11

- Masaharu Taniguchi - 


A ESSÊNCIA DA FILOSIFIA DO JISSO

A Filosofia da Seicho-No-Ie

Pergunta - Segundo me consta, a filosofia da Seicho-No-Ie é espiritualista, mas é considerada assim porque prega que o mundo objetivo é produto da mente?

Resposta - Se dividisse a filosofia em duas grandes correntes, a materialista e a espiritualista, a Seicho-No-Ie pertenceria à corrente espiritualista, porém, a rigor, seria mais correto dizer que é a filosofia Yuishin-Jisso-ron.

Pergunta - Na história da filosofia não há nenhuma referência à respeito dessa filosofia.

Resposta - Sem dúvida, pois a filosofia Yuishin-Jisso-ron não foi baseada em nenhuma filosofia existente até hoje. É uma filosofia que a Seicho-No-Ie passou a preconizar pela primeira vez.

Pergunta - E como é essa filosofia? Gostaria que nos explicasse de modo simples e compreensível.


Resposta - Tudo que existe é expressão de Deus, da Vida, do Amor e da Sabedoria divinos e, sendo Deus o Bem absoluto, só existe o Bem. Essa filosofia, portanto, afirma que essa é a Imagem Verdadeira de tudo que existe. É uma filosofia positivista. Quando passamos a viver segundo esse conceito de vida, a perfeição da Imagem Verdadeira (Jisso) se projeta no mundo fenomênico e se manifesta aqui um mundo feliz.

Pergunta - Então, por que razão existe o mal? Ou seja, a guerra, a epidemia, a morte, a pobreza, etc.?

Resposta - A filosofia Yuishin-Jisso-ron prega que esses fenômenos maléficos não existem originalmente, que são meras ilusões. Diz que existem apenas Deus e os fenômenos benéficos, que são expressões de Deus.

Pergunta - Então, como se explica o fato de sentirmos que existem esses fenômenos maléficos originalmente inexistentes?

Resposta - Os fenômenos originalmente inexistentes aparecem de acordo com a lei da concretização do pensamento, ou seja, quando a nossa mente pensa nos fenômenos maléficos, eles se manifestam.

Pergunta - Quer dizer que existem fenômenos maléficos porque a nossa mente pensa nisso. Falando de modo concreto, que seria isso?

Resposta - Por exemplo, pensamos na guerra. A União Soviética procura se equipar com armas nucleares, pensando que um dia poderá ser invadida pelos Estados Unidos, porque eles são uma nação imperialista dotada de enormes recursos materiais e armas científicas. E os Estados Unidos pensam que devem reforçar seu armamento nuclear e desenvolver mísseis para impedir que a União Soviética domine o mundo através do comunismo. Esses pensamentos se concretizam (manifestam-se em forma) e são criados armamentos assustadores. A fabricação de tantas armas faz com que a mente humana fique tentada a utilizá-las. E acabam deflagrando guerras. Em conclusão, o pensamento da Unesco – a guerra se inicia na mente – é igual ao nosso.

Pergunta - Mesmo considerando que a guerra se inicia na mente, uma guerra que está sendo travada existe de fato, não é?

Resposta - Ela existe como uma manifestação ou projeção da nossa mente. Entretanto, não é uma Realidade. Considera-se Realidade aquilo que existe verdadeiramente, aquilo que foi criado por Deus, o que existe de modo firme e inabalável, que não desaparece ou se manifesta conforme os pensamentos do homem. As guerras, porém, desaparecerão a qualquer momento se os homens deixarem de alimentar ódio contra os semelhantes, de ter apegos materiais e, assim, decidirem parar de guerrear. Aquilo que pode ser modificado com a atuação da mente humana é projeção da mente, e não a Realidade. Nada mais é que fenômeno.


Realidade e existência

Pergunta - Apesar de o fenômeno ser projeção da mente humana, ele existe, não?

Resposta - Tanto pode existir quanto inexistir, dependendo do modo de definir a palavra existir.

Pergunta - Creio que não há outro modo de comprovar a existência a não ser sentindo-a com os nossos sentidos. O que a nossa vida apreende através dos sentidos existe.

Resposta - Exatamente. Porém, essa existência não é Realidade. Realidade é chamada de Reality ou Being em inglês, mas parece que está sendo traduzida como existenceExistence não é existência verdadeira, não é Realidade. Apenas se apresenta como tal quando a sentimos por intermédio dos sentidos. Pode ser comparada aos personagens de um filme. A filosofia Yuishin-Jisso-ron não diz que existe aquilo que percebemos por intermédio dos nossos sentidos. Diz que está manifestado em decorrência de alguma relatividade. A Realidade, isto é, aquilo que existe verdadeiramente, está além dos cinco sentidos.

Pergunta - Como se conscientiza a existência de algo que não pode ser sentido através dos órgãos sensoriais? Será que é pelo sexto sentido?

Resposta - Na Sutra Sagrada Chuva de Néctar da Verdade consta "O Deus da Criação transcende os cinco sentidos e também o sexto sentido". Deus e a Realidade criada por Ele transcendem os cinco sentidos e também o sexto sentido.

Pergunta - Os cinco sentidos e os cinco órgãos sensoriais são iguais?

Resposta - Os cinco órgãos sensoriais são os órgãos da visão, da audição, do olfato, da gustação e do tato. Aquilo que se percebe por intermédio desses cinco órgãos chama-se cinco sentidos. Deus e as existências criadas por Ele, ou seja, a Realidade, não podem ser captados pelos cinco sentidos que são as funções dos órgãos sensoriais.

Pergunta -  Se não pode ser captada pelos cinco sentidos, através do que apreenderemos a Realidade?

Resposta - Não é através de algo. Apreendemos a Realidade sem intermediário algum. Isso é extremamente importante. Aquilo que pode ser captado por intermédio dos órgãos sensoriais não é a coisa como ela é. Nada mais é que reconhecimento relativo que assim aparece quando percebido por meio desse órgão sensorial. Se captado por meio de outro órgão sensorial, pode aparecer de outro modo.

Por hipótese, está aqui uma bela senhora. Se seu marido não for um cego, percebe que sua mulher é bela por meio do órgão da visão. Entretanto, se ele for um deficiente visual, apalpará com as mãos os rosto da esposa e tirará conclusões acerca da sua beleza ou feiura através do tato. O rosto que um marido cego sente tem uma representação totalmente diferente do rosto que é visto por quem enxerga. E se esse marido tiver perdido os dois braços e a visão na guerra, não conseguirá ver nem tatear com as mãos o rosto da esposa. Se, assim, apenas puder ouvir a voz dela, a esposa será uma voz para ele. O rosto, porém, não é uma existência com saliências sentida pelo cego, nem a voz. O rosto que um marido normal vê com os olhos parece ser a esposa, mas não passa de representação manifestada no âmbito dos sentidos. O rosto captado pelo órgão da visão não é a esposa em si, assim como as saliências e a voz sentida pelo cego. Desse modo, os cinco sentidos não conseguem ver a esposa em si.

Para que possamos ver a Imagem Verdadeira daquilo que existe, ou seja, da Realidade, temos de tirar os "óculos" chamados órgãos sensoriais, retirar os cristalinos dos olhos, o globo ocular, os nervos ópticos, assim nos despirmos de tudo, tornando-nos apenas Vida, e fazer com que a nossa Vida entre em contato direto com a Vida da Realidade. Denominamos esse processo de "reconhecimento da Realidade absoluta". Não buscamos reconhecê-la por intermédio dos cinco órgãos sensoriais.


Através de que conheceremos a Realidade?

Pergunta - Se reconhecemos essa Realidade absoluta, não seria através de algum sentido, que não seja os cinco sentidos?

Resposta - Poderemos chamar esse sentido de sentido da Imagem Verdadeira. É uma apreensão direta através do contato entre a Imagem Verdadeira da nossa Vida e a Imagem Verdadeira daquilo que existe...

Pergunta - Não consigo compreender bem isso. O que é captado pelos cinco sentidos é simples projeção da mente e, pelas mudanças da mente que o capta, muda o aspecto captado pelos sentidos porque é projeção da mente. A mesma mulher é para certa pessoa uma voz, para outra saliências sentidas pelo tato, e ainda, para outra,  uma simples representação do órgão visual. Até aqui consigo acompanhar o raciocínio, mas, através de que conseguiremos saber que existe a "Imagem Verdadeira, perfeita e harmoniosa, que não adoece, não envelhece nem é ferida", além das coisas normais de percepção sensorial?

Resposta - Não há outro meio senão pela experiência. Se um nativo de uma ilha tropical perguntasse como é a neve, qual resposta você daria?

Pergunta - Será que ele compreenderia se eu dissesse que a neve é gelada como o sorvete e tem a aparência de um pó branco semelhante ao sal?

Resposta - Se der essa explicação, o nativo tirará uma conclusão bem diferente da neve em si, pois não saberá se é doce ou salgada e achará que é um misto de sorvete e sal. Se quiser sentir o que é a neve, ele deverá ir a um país onde neva e tocá-la. De modo similar, só poderemos conhecer a perfeição da Imagem Verdadeira quando tocamos diretamente a própria Imagem Verdadeira da Vida.

Poderemos dizer que estamos vestindo inúmeras "roupas" denominadas órgãos sensoriais. Despindo-as uma por uma, a Vida vai se manifestando e aproximamos da Imagem Verdadeira. Por isso, está escrito na Sutra da Sabedoria (Prajña Paramita Sutra) que alcançaremos o despertar da Imagem Verdadeira da Vida, quando a Vida em si ficar totalmente desnudada, despindo-se das cinco vestimentas – matéria, cinco sentidos, pensamento, ação efetuada pela vontade, reconhecimento das funções mentais – considerando-as nada, livrando-se dos sentidos da visão, da audição, do olfato, da gustação, do tato e até da consciência. Consta ainda que todos os budas do passado, do presente e do futuro compreendem que a Imagem Verdadeira do homem é perfeita e harmoniosa quando a Vida se conecta diretamente com a Vida, despida de todos os órgãos sensoriais.

Pergunta - Assim é o reconhecimento da Realidade absoluta? Mas como é que se sabe que Deus, a Realidade absoluta, é perfeito?

Resposta - O que é imperfeito desintegra-se e desaparece. Uma vez que Deus existe, só pode ser perfeito. Uma vez que existe o Mundo da Imagem Verdadeira, tem de ser perfeito.

Pergunta - E como é que se sabe que existe esse mundo perfeito da Imagem Verdadeira?

Resposta - Despindo-se das "roupas" denominadas cinco sentidos. Para isso pratica-se a Meditação Shinsokan, a meditação zen, a recitação do nome de Buda. Desse modo, manifesta-se um mundo desconhecido pelos cinco sentidos.

Pergunta - Tal mundo desconhecido pelos cinco sentidos, um mundo que na realidade não existe, não seria uma criação da nossa imaginação? Há alguma prova de que não é um mundo inventado pela imaginação?

Resposta - Se, ao ouvir a explicação sobre a neve, o nativo da ilha tropical contestar "Não é possível que exista a neve. É apenas uma invenção da sua imaginação", será impossível fazê-lo conhecer a neve. A neve derreterá se você a levar para uma ilha tropical. Levando-a numa geleira, ficará solidificada e perderá todo o aspecto de neve. É impossível transportar uma neve natural para o mundo onde vivem os nativos das ilhas tropicais. Do mesmo modo, o mundo da Imagem Verdadeira não pode ser transportado para o local onde estão as pessoas que vivem apenas no mundo dos sentidos, nem fazê-las compreender. Assim como é um erro dizer que a neve não existe, também é errado dizer categoricamente que não existe o mundo da Imagem Verdadeira perfeito e harmonioso.

Pergunta - Então, os nativos das ilhas tropicais não conheceriam jamais a neve?

Resposta - Não, eles podem conhecê-la, a não ser que não saiam um passo para fora da ilha onde moram. De modo similar, enquanto o homem não sair um passo sequer para fora do mundo dos sentido físicos, não poderá ver o perfeito mundo da Imagem Verdadeira. As palavras de Jesus constantes no capítulo 3 de Evangelho Segundo João, "Não pode ver o reino de Deus, senão aquele que nascer de novo", têm esse significado. Nós nascemos de novo ao escaparmos do mundo dos cinco sentidos.

É possível mostrar a neve aos nativos das ilhas tropicais. Basta fazê-los sair dessas ilhas e levá-los a um país onde existe neve. As ilhas tropicais seriam o mundo dos cinco sentidos. Por esse motivo, mentalizamos "Neste momento, deixo o mundo dos cinco sentidos e entro no mundo da Imagem Verdadeira" e, atingindo o estado mental de dissipação dos cinco sentidos, procuramos entrar em contato direto com o mundo da Imagem Verdadeira.

Pergunta - Então, conclui-se que não há outro meio de conhecermos o mundo da Imagem Verdadeira senão praticando seriamente a Meditação Shinsokan?

Resposta - Sim, pratiquem a Meditação Shinsokan com seriedade.


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