"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

quinta-feira, junho 02, 2016

Não julgue e obtenha domínio


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CONCEITOS OU VERDADE?

Se eu tivesse que perguntar a você o que pensa da Bíblia, sua opinião provavelmente seria bastante diferente de qualquer outra pessoa que tivesse lido esse livro. Parece haver muito pouco entendimento sobre o assunto da Bíblia. Mas não importa o que você ou qualquer outra pessoa pensa, pois ela é o que é e o que ela é ninguém realmente sabe. Se há um ano tivesse lhe perguntado sobre ela e então hoje novamente e daí a um ano a partir de agora, provavelmente nenhuma das três respostas estaria de acordo, porque seu conceito da Bíblia muda com o desenvolvimento de sua consciência.

Assim, também, tudo o que você possa estar pensando de uma pessoa é errado. Eu não me preocupo com o que você está pensando. O que quer que seja está errado, porque o que você está pensando representa seu conceito da pessoa no momento, e esse conceito muda de momento em momento e de ano para ano.

Você deve aprender a não odiar ou temer seu conceito de vida, seja ele um conceito de humanidade, de pecado ou de doença, porque é apenas um conceito. Não há poder real nos conceitos. O que você está considerando como pessoa não é pessoa: é um conceito de pessoa. Mas esse conceito não tem poder. Todo poder está em Deus. Por exemplo, qualquer que seja o seu conceito de mim, não há poder nele que possa tocar-me. Se você pensar que eu sou bom, isso não faz diferença para mim. Se você pensar que eu sou mau, também não faz diferença. Seu pensamento não tem poder sobre mim. Deus me mantém e me assiste e eu não estou sujeito a nada senão a Deus. Não há vida em seu conceito sobre mim. A vida está em mim, não em seu conceito sobre mim.

Também ocorre o mesmo com tudo que você vê, ouve, toca, saboreia ou cheira: você realmente nunca sabe o que é. Um diamante pode ser bonito e de muito valor. Qualquer beleza e valor, que houver, estão no diamante, não em sua opinião sobre ele. Você pode pensar que, no entanto, seja uma imitação, mas o que você pensa não altera o valor do diamante. Você não mudou seu valor, nem sua qualidade. Você pode pensar que é perfeito e ele pode ser imperfeito. Você pode pensar que é imperfeito quando ele é perfeito. Mas, ele é o que é e o valor está nele, não em seu conceito sobre ele. Lá fora pode fazer sol ou chuva. Tudo o que você pensa sobre o sol ou a chuva não surte efeito sobre nenhum deles.

A utilização dessa verdade para a obra da cura é importante. Você não sabe o que um pecado ou enfermidade são. Você apenas faz um conceito deles e não há poder verdadeiro nesse conceito. Além disso, você não conhece a pessoa que está se dirigindo a você para ajudá-la. Você apenas tem uma concepção dela. Não há poder real em seu conceito; o poder está dentro de você mesmo e é o poder de Deus, porque não há outro.

Recorde a afirmação do Mestre para Pilatos: “Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado” (João 19:11). Agora, vamos encarar os fatos. Pilatos era o governador, dotado de autoridade total conferida pelo César. Ele era tanto o juiz quanto os jurados. Isso era a aparência. Assim, o Mestre negou que Pilatos tivesse qualquer poder, exceto o que veio do Pai. Isso é exatamente o que estou dizendo aqui. O homem não tem poder para ser justo ou injusto, bom ou mau, pecador ou puro, doente ou são, porque todo poder está em Deus e se exterioriza, a partir de dentro do Pai.

No momento em que você começa a perceber esse fato, começa a retirar poder dos conceitos de formas, pessoas e condições. Você faz isso conscientemente. Não há poder fora de você que possa substituí-lo. É você, você mesmo, que deve aprender a olhar para uma pessoa como o Mestre olhou para Pilatos e reconheceu: “Oh, não, vejo agora que o que estou vendo como você é um conceito, uma imagem, um efeito, mas o poder está em Deus, que o criou. Mesmo seus pensamentos não têm poder. Deus, que elabora seus pensamentos, é que tem poder. Você não tem poder. Todo poder está em Deus”.

Você aprende a fazer o mesmo com a enfermidade, com o pecado ou com a necessidade. Você não fecha apenas seus olhos e diz: “Não existe tal coisa” ou “Não há realidade nela”. Isso é fazer como o avestruz que enterra sua cabeça na areia. Ignorando um fato, você não pode mudar a si mesmo ou uma coisa. Você tem que estar disposto para olhar de frente qualquer tipo de erro – olhe qualquer forma, não importa sua aparência horrorosa e torpe. Olhe bem para ela com a convicção: “Você não tem poder. O poder está em Deus que o governa, que o move, que é sua mente, sua Alma, seu Espírito, que lhe deu a vida, que lhe deu a alma”. Desse modo, você depara com uma situação e pergunta: “De onde você veio? Você é um efeito; você não é uma causa. Alguma coisa o gerou. Quem quer que o tenha gerado é o poder. E o que poderia ter gerado você, se Deus fez tudo que foi feito e nada foi feito, exceto o que Deus fez?”


SÓ DEUS É PODER

Como pode haver um Deus infinito, bom, e uma enfermidade? Tudo é feito à imagem e semelhança de Deus; assim, mesmo quando você está olhando para aquilo que o mundo chama enfermidade, você não está olhando para ela mais do que está olhando para a água, quando você a vê no deserto: você está vendo uma imagem, uma miragem, uma ilusão, uma aparência que não tem poder. É nessa percepção que a cura se realiza – não a negando, desviando-se dela ou tentando se elevar acima dela, mas olhando-a bem e dizendo: “Deus fez tudo que foi feito e tudo que Deus fez é bom. Alguma coisa que Deus não fez não foi feita. Assim, quem quer que você seja não tem poder.”

Nos capítulos segundo e terceiro do Gênese está o relato do conceito do homem sobre a criação, não a criação de Deus. O homem olha para a criação com sua visão limitada e dota-a de qualidades de acordo com seu conceito dela. Ele diz: “Você é uma serpente e eu a temo”. Daí para a frente, vive com medo de uma serpente. Mas algumas raras pessoas no mundo se lembram de que Deus deve ter feito a serpente também. A serpente nunca é envenenada por seu próprio veneno. Ela está cheia dele, mas nunca é envenenada por ele; desse modo, evidentemente, é veneno apenas quando aceitamos o conceito dele como veneno. De fato, o veneno da serpente é extraído e utilizado para propósitos medicinais. É um mundo estranho: tememos uma picada de cobra, mas o médico toma a substância considerada venenosa, injeta-a em uma pessoa e ajuda ou cura certas doenças físicas.

Tudo é uma questão de conceito. O que você vê, saboreia, toca, ouve e cheira não é criação de Deus, é um conceito sobre a criação de Deus. Não há poder nele, exceto o poder que a crença lhe confere. Na realidade, não há poder em nada sobre o que você possa pensar, ver, ouvir, saborear, tocar ou cheirar. Todo poder está em Deus. À medida que você persiste nisso, como uma atividade da consciência todos os dias, torna-se um assunto de convicção.


O JULGAMENTO CORRETO

O Mestre ensinou seus discípulos a evitar o julgamento de pessoas e coisas quando disse: “Por que me chamas bom? Não há bom senão um só que é Deus.” (Mateus 19:17). Se você não deve chamar Jesus de bom, então não chame de boa nenhuma pessoa ou coisa. Não chame a saúde de boa, nem a riqueza, nem a felicidade. Chame apenas Deus de bom. Nunca chame de bom qualquer efeito, porque o bom está na causa.

É também falso olhar para alguma coisa e chamá-la má. Ela não é boa nem má. Não tem poder positivo nem poder negativo, porque todo poder está em Deus. No momento em que você puder tirar poder positivo e poder negativo de um efeito, você obedeceu ao ensinamento de Jesus em dois pontos. Você não está chamando de boa uma pessoa, mas está chamando bom a Deus. E não está temendo o mal de Pilatos, porque está reconhecendo Deus como o único poder. Assim, você afastou o bem e o mal do efeito e agora tem todo poder em Deus.

Não há meios de se fazer julgamento justo pelas aparências. Não olhe para o que parece ser uma boa condição, julgando-a boa – porque não é. Sua única bondade está em Deus. Não olhe para qualquer mal, chamando-o de mal, porque isso é julgar pelas aparências. Você não tem conhecimento do que jaz atrás das aparências, de modo que é uma questão de exercitar-se a si mesmo, ser capaz de olhar para as aparências humanas tanto do bem como do mal e dizer: “Nem eu o julgo. Nem declaro que você é bom ou mau. Direi que você deve ser espiritual, porque Deus criou tudo que existe e Deus é Espírito”. Este último ponto é muito importante, porque a cura do Caminho Infinito é praticada nessa base.

É possível alguém ser aprovado em um exame médico para efeito de seguro e morrer do coração na semana seguinte. O médico tinha julgado pelas aparências. De acordo com todos os testes, houve funcionamento normal e nenhum dos instrumentos detectou qualquer problema. Os médicos dizem para muitas pessoas que elas vão morrer logo, apesar disso, elas continuam vivas e o médico já está morto. Um diagnóstico do médico pode dizer que uma pessoa tem apenas mais uma semana ou um mês de vida, mas o médico não sabe o que se passa na consciência do paciente que está funcionando para derrotar seu diagnóstico. Há forças em ação sobre as quais os médicos nada sabem a respeito. Há forças em ação que eu e você nada ou muito pouco sabemos a respeito. Assim, é inútil julgar pelas aparências.

Uma pessoa pode estar morrendo de determinada doença hoje e ter uma vida inteira pela frente amanhã. Não se trata da conclusão a que eu e você chegamos, quando só julgamos pelas aparências. Se quisermos julgar com justiça, eis a verdade: Deus é a vida e a vida é eterna. Eis a verdade. Mas se hoje eu fosse dizer a você que está bem ou mal de saúde, que tem integridade ou não, eu estaria julgando pelas aparências. Eu não conheço a realidade sobre você; conheço apenas a aparência que você está apresentando.

Recusando o julgamento, nem condenando nem julgando-o, percebo que nada conheço sobre você, exceto que você é Deus que aparece como um ser individual. Eu não sei se você é bom ou mau, se está doente ou com saúde, mas que você é Deus aparecendo, e nisso eu insisto. Tudo que Deus é, você é. Tudo que Deus possui, você possui. Deus constitui seu ser. Eu não posso ver isso com meus olhos. Com meus olhos, posso apenas julgar pelas aparências. Eu podia até julgar que idade você tem e há quantos anos você deixou de caminhar sobre a terra, mas eu podia fazer isso apenas com meu julgamento humano. Depois você poderia voltar e zombar de mim.

Não é possível fazer um julgamento correto, olhando apenas as aparências, porque você é o que é e o que você é está manifesto em Deus, expresso em Deus, é o ser divino, messiânico. Você é Espírito, mas eu não sei o que o Espírito é, de modo que não estou empenhado em qualquer julgamento. Eu estou apenas declarando o que é.

Eu não sei o que o Espírito é; assim, ainda não tenho opinião do que você é. Você também não sabe o que o Espírito é. Você não sabe o que a alma é; não sabe o que a Consciência é. Assim, na hora em que eu digo: “Você é alma”, estou dizendo que você é o que é e eu não sei o que é, mesmo que a aparência expresse que você é bom ou mau, que está doente ou são, que é alto ou baixo. Eu só sei que você é Alma, Espírito e Vida. Isso não é condenar, criticar, julgar, elogiar ou adular. É apenas estabelecer a verdade. No momento em que qualifico isso e digo que você é bom, mau, rico, pobre, saudável, doente, jovem ou velho, estou no reino do julgamento, dos conceitos e das aparências e assim não farei progressos.

Não tente compreender o que Deus é com a mente, porque não há nenhuma maneira de se fazer isso. Uma vez que você chegar àquele lugar silencioso, no centro de seu ser, Deus se revelará; mas você nunca poderá transformá-Lo em palavras, mesmo depois de O receber. Assim, é inútil tentar pensar n’Ele com a mente. Não tente pensar no que o homem é, porque você também nunca conseguirá imaginá-lo. O homem é o filho de Deus e você não sabe o que o filho de Deus é. O homem em sua verdadeira identidade é o Cristo e você não sabe o que o Cristo é, porque a filiação espiritual do homem nunca se revela para a identidade do homem.


O DOMÍNIO DE SEUS CONCEITOS PESSOAIS

Deus deu autoridade ao homem no primeiro capítulo do Gênese. Ele foi feito à sua imagem e semelhança. Nunca foi dada autoridade a um ser humano, mas o homem feito à imagem e semelhança de Deus é o homem que você é, quando deixa de aceitar as aparências. Você é a imagem e semelhança de Deus apenas quando deixa de ter conceitos, quando deixa de ter opiniões ou crenças sobre este universo, em lugar de ouvir a comunicação espiritual. Então, sua mente fica inteiramente livre de quaisquer opiniões ou julgamentos e você é o filho de Deus. Tudo o que o Pai tem flui através de você.

Deus não se concede aos seres humanos. Se o fizesse não haveria um doente ou um pecador, não haveria um acidente, não haveria guerra. A humanidade é algo separada e afastada de Deus ou não estaria em dificuldades. Ao aparecer como homem, Deus não está em dificuldades, não está morrendo, não é pobre nem está num campo de batalha. Você é esse homem espiritual só quando tiver deixado de pensar em termos de bem e de mal. Ou seja, quando você for o próprio Deus em expressão. Quando não estiver rotulando ninguém e nenhuma condição como o bem e o mal, você é o filho de Deus e tem domínio sobre todas as coisas.

Tudo é conceito. Tudo que existe sobre a terra é um conceito. Porque você realmente é Deus que aparece como ser individual, não tenho nenhum controle sobre você. Se eu estiver acolhendo um conceito humano sobre você, como sendo jovem ou velho, rico ou pobre, doente ou saudável, eu o estarei julgando, mas eu posso dominar esse conceito de você. E, no momento em que eu tiver alcançado o controle do meu conceito sobre você, eu o observo como você é e fico satisfeito com essa semelhança. Você nunca mudou - porque era o filho de Deus o tempo todo. Tudo o que mudou foi o meu conceito sobre você e é isso o que constitui a cura.

Espiritualmente, nenhuma pessoa tem domínio sobre qualquer outra. Deus nunca deu a uma pessoa poder sobre outra, mesmo para o bem. Fazer um julgamento justo dá a você domínio sobre seus conceitos. O julgamento justo é a compreensão de que Deus é a realidade do ser individual. Sabendo disso, você não se tornou um indivíduo. Você mudou seu conceito do indivíduo; você se absteve de julgamento. Agora você sabe quem é o indivíduo: Cristo, o filho de Deus. Isso é ter domínio sobre seu conceito.

O conceito de doença é que mesmo os males insignificantes podem se tornar sérios ou fatais. O conceito de vírus é que eles são os portadores de infecção ou contágio. Agora exercite seu domínio e diga: “Espere um momento! Vamos olhar para todos estes pequenos companheiros. Quem os criou? Se vocês, de qualquer modo, foram criados, Deus os criou. Se vocês têm, de qualquer modo, uma vida, é a vida de Deus. Se vocês, de qualquer modo, têm qualquer forma de inteligência, é a inteligência de Deus. Vocês não têm poder, vocês são um efeito, vocês são um conceito. Eu não vou julgar pelas aparências. Eu vou fazer o julgamento justo. E o que é o julgamento justo? Todo o poder está em Deus.”

Você não fez nada para o vírus. Você exercitou seu controle sobre o seu conceito de vírus. Esse vírus prossegue alegremente, mas não causa dano a ninguém. Todos aqueles que fizeram o trabalho de cura testemunharam a eliminação de infecções e de doenças contagiosas. Alguns ajudaram mesmo a deter o surto de infecção e contágio durante as epidemias e provaram que a ideia de infecção ou contágio é apenas um conceito.


O PODER ESTÁ NA CAUSA, NÃO NO EFEITO

Não julgue, nem condene. “Julgai segundo a reta justiça” (João 7:24). Examine a situação: “Bem, aqui está você, efeito. Isso fixa bem esse ponto. Se você é um efeito, você não pode ser uma causa. E se você é um efeito, não pode ter poder”.

Seu corpo é um efeito. Sabendo disso, você deixará de acreditar que seu corpo pode ficar doente ou envelhecer. Por iniciativa própria, ele tem que permanecer como é para sempre. Não pode mover-se, não tem inteligência, não tem vontade de ir para a direita, esquerda, para cima ou para baixo. Permanece onde está eternamente até que você o mova.

Se, contudo, você aceitar a crença de que seu corpo está sujeito ao seu controle – seus caprichos ou desejos pessoais – você terá, às vezes, um corpo puro e, outras vezes, um corpo cheio de pecados; às vezes terá saúde, outras vezes estará doente; às vezes será jovem e, outras vezes, velho. Mas se você reconhecer que todo poder é poder divino em ação na sua consciência, seu corpo apenas estará sujeito a Deus, inteligência divina, e será governado e mantido por Deus.

Lembre-se de seu coração. Ele não pode parar ou funcionar por si mesmo. Há Algo que age sobre ele e o faz funcionar. Esse Algo nós chamamos Deus. No momento em que você acreditar que tem poder para fazer seu coração funcionar ou parar, seu coração oscilará de acordo com seus desejos de qualquer momento dado. Em vez de acreditar nisso, devolva seu coração a Deus e faça a mesma coisa com o resto de seus órgãos e funções de seu corpo. Compreenda que Deus o criou à Sua imagem e semelhança e que seu corpo é o templo do Deus vivo. É governado e controlado por Deus.

Você pode conseguir curas por meio de um médium ou mestre, mas chegará finalmente o dia de você assumir a responsabilidade de manter uma percepção consciente do governo de Deus. O único meio de você fazer isso é ver que tudo que existe, como forma visível, existe do ponto de vista do efeito. Tudo mais é Deus, que é invisível. Qualquer coisa visível – se você puder vê-la, prová-la, ouvi-la, tocá-la ou cheirá-la – existe como efeito e não há poder no efeito. Todo poder está na Causa. Não odeie o efeito, não o tema e não o ame sem razão. Se ele for alguma coisa em seu nível de bondade, deleite-se com ele. Não o ame, mas lembre-se que a parte que você está desfrutando é de Deus.

Nunca se alegre demais com a cura física ou com o indício do suprimento. Alegre-se com a percepção do Espírito que se manifesta como cura ou suprimento. Conserve sua alegria em Deus e não no efeito. Do contrário, você será como o milionário excêntrico, que possuía três milhões de dólares e tinha medo de gastar quinze centavos no almoço. É isso o que ocorre quando depositamos poder no efeito. A vida está em Deus; o amor está em Deus; a satisfação está em Deus; a paz está em Deus; a felicidade está em Deus; o suprimento está em Deus. É somente quando saímos e tentamos descobrir essas coisas nas pessoas, nos dólares ou nas mansões, que elas perdem seu verdadeiro caminho.


NÃO TENTE TORNAR-SE LIVRE DE PESSOAS OU CONDIÇÕES 

A cura está toda baseada em não julgar pelas aparências, não estabelecer falsos conceitos, mas conceber cada caso: “Você é um efeito e não tem poder”. Nunca tente livrar-se de alguém ou de alguma coisa. Nenhuma pessoa, na verdade, tem qualquer forma de poder e esta verdade será sua liberdade. Você não estará livre de alguma coisa ou de alguém, mas estará livre no momento exato em que souber que nunca houve poder em uma condição, em uma circunstância ou em uma pessoa. Então, você se achará tão livre quanto está livre da água no deserto, uma vez que você saiba que não é água, mas apenas miragem.

Quando você estiver livre da miragem no deserto, você não estará livre da água, porque não havia água lá. Assim é quando você descobrir que está livre de uma pessoa ou condição, não é realmente verdade porque nunca houve uma ameaçadora ou perigosa pessoa ou condição ali. Agora você está livre da miragem, da crença de que há um poder, uma pessoa ou uma presença fora de Deus. Toda pessoa é a presença de Deus, porque Deus está presente como pessoa, como você e eu na qualidade de indivíduos.

Você não está separado e afastado de Deus e, através deste trabalho, está voltando a Deus. Através deste trabalho, você está despertando do sonho de que poder haver qualquer separação. Se você está sonhando que está se afogando no oceano, o ato de despertar não desvia a água de você e não o resgata do oceano. Revela-lhe que você está na cama. Assim, este trabalho nunca o tira do pecado, nunca o livra da doença ou da necessidade. Ele o desperta e depois você olha em redor e compreende que está nos céus. Você esteve lá o tempo todo, sonhando que estava no inferno.

Quanto mais você estiver vendo uma pessoa ou uma condição, como tendo poder, e estiver julgando o bem e o mal, mais mergulhado estará no sonho. No momento em que puder afastar seu julgamento e perceber: “você não é bom nem mau; você não está morto nem vivo; você não é rico nem pobre: você é Espírito”, você estará despertando, saindo do sonho, para a consciência mística da identidade. Isso é algo que deve ser feito individualmente e também coletivamente.

Esta verdade que estou lhe fornecendo tem sido revelada em todos os tempos, muitas vezes e de modos diversos, e é uma verdade que tornará os homens livres. Podemos nos libertar dos pecados, das doenças, das guerras, das necessidades e limitações agora mesmo, se pudermos ser moldados para aceitar esta verdade.

As coisas da terra sobre as quais temos domínio são conceitos e nós não temos domínio aqui fora. Não tente fazer chover ou com que o sol brilhe aqui fora (neste mundo); não tente fazer o bem a alguém aqui fora; não tente manter o emprego de alguém aqui fora. Tudo que acontecer deve acontecer dentro de seu próprio ser e esta mudança é realizada pelo fato de você ter domínio sobre seus conceitos. No momento em que você tiver um conceito e, em algum lugar dele, você encontrar algo bom ou mau, você deve agir para chegar a um ponto no qual você se afaste dos seus conceitos de bem e de mal.

Não tente mudar o mal em bem, porque assim você estará tendo apenas um conceito diferente.; e amanhã, na semana ou no mês seguinte, ele voltará sobre o lado mau novamente. Não fique feliz com uma boa aparência, porque algum dia ela o enganará e mudará para uma má aparência. Se você olhar para um objeto e considerá-lo como mau, sua reação natural é querer vê-lo como bom. O que você deve fazer é olhar para ele e não vê-lo como bom, mas vê-lo como Espírito: nem bom, nem mau.

Ninguém sabe o que é o Espírito. O que quer que você pense que sabe, não é verdade e, quanto mais cedo você começar a compreender isso, em melhor situação estará. Você não compreende e nunca compreenderá. É Deus que tem compreensão infinita; volte-se para dentro de si e deixe a compreensão divina revelar-se a você. Satisfaça-se com isso e, acima de tudo, aprenda que é simplesmente errôneo rotular uma coisa como boa ou como má.


DEIXANDO O QUE EXISTE REVELAR-SE

Seria um assunto muito simples para mim julgar o que você é em termos humanos, quem você é ou como você é. Mas isso seria errado, porque seria o meu conceito sobre você e ainda não seria você. Isso tudo começou a se revelar a mim quando eu estava tomando o café da manhã com um aluno. Nós estávamos discutindo o fato de não se pedir a Deus, porque não há meio de se obter algo de Deus, nem de se conseguir que Deus altere alguma coisa, assim, pedir a Deus alguma coisa é muito fútil. Neste ponto, eu vi uma pequena vasilha de melado e disse: “O que é isso?”

Sua resposta foi: “melado”.

- “Como você sabe?”

- “É uma associação de idéias. Eles servem bolos quentes e por isso sempre tem melado junto.”

Pela sua resposta, era claro que ele estava julgando que era melado. Eu disse: “Essa é sua opinião. É seu conceito. Mas vamos supor que nós a abrimos e descobrimos que não era melado, mas alguma outra calda qualquer. Talvez não seja mesmo melado. O que acha disso?”

-“Bem, isso pode ser verdade também. Eu estava apenas julgando pelo fato de que isso é o que você esperaria que fosse.”

Continuei: “agora, que tal retirarmos nossa opinião sobre o fato de ser melado ou mesmo se se trata de alguma coisa boa ou má e declararmos que apenas é, não o que é, mas que apenas existe? Algo existe, isso é evidente. Alguma coisa está lá, mas eu não sei se é boa ou má. Eu posso julgar pelas aparências e dizer que é melado e que, portanto, é bom; mas alguém mais poderia dizer que é melado e que não gosta dele. Assim para ele seria ainda melado, mas do lado mal. Por outro lado, quando você o provasse, poderia não ser absolutamente melado. Assim, poderíamos estar errados em todo resultado. Uma coisa podemos dizer com certeza: existe. Algo está lá.”

É exatamente isso o que eu faço com o trabalho de cura. Você se apresenta e apresenta sua condição a mim e, francamente, eu nada sei sobre você ou sobre ela. Tenho certeza de que sei menos sobre anatomia do que quase todos no mundo e certamente sei menos a respeito de todas aquelas coisas que compõem o que o mundo chama seus males. Mas você se apresenta para mim com seu problema e me volto para dentro de mim e tudo o que sei é EXISTE. “Alguma coisa está aqui. Agora, Pai, Você a define.”

Geralmente ocorre um estado de consciência, que é como se se dissesse: “ ‘Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo’ (Mateus 3:17). Não cuide mal dele.” No momento em que tiver a convicção interior de que você é o filho de Deus, que não há nada presente aqui senão a presença de Deus, e que não há poder aqui senão o poder de Deus, a cura se realizará.

A cura espiritual consiste em ser capaz de encarar o mundo sem uma opinião do bem ou do mal, retraindo-se para dentro de nós mesmos e indagando: “Pai, o que é isso?” Então o Pai pode fazer lembrá-lo: “Este é o meu filho amado, em quem me comprazo.” Ou o Pai dirá: “Esta é a presença de Deus”; “este é o poder de Deus”; ou “isto não é nada separado e afastado de Deus”. Nem sempre vem palavras assim, mas vem na percepção da onipresença de Deus e só de Deus.

Você encontra as pessoas de quem gosta. Não há troca de palavras; você não diz: “eu gosto de você” ou “você gosta de mim”. Você apenas tem consciência da reciprocidade. Raramente alguém exprime tais pensamentos, mas há reciprocidade e compreensão sem quaisquer palavras. Assim é no estado de cura. Deus pode ocasionalmente falar com você em voz audível, mas é raro. A maior parte do tempo, ele vem como uma convicção e você permanece na convicção de que tudo está bem. Isso acontece com sua capacidade de não rotular, de não julgar tanto o bem quanto o mal. Você não pode fazer o julgamento correto porque ele vem de Deus e pode vir apenas na medida em que você estiver ouvindo. No seu silêncio interior, você deve estar ouvindo a Deus e escutará claramente, sentirá, compreenderá ou ficará ciente de Deus e isso é tudo o que é necessário.

Apenas tome cuidado para não prejulgar alguma coisa como mal e depois voltar-se para Deus em busca de ajuda. Deus é onipresente; assim é inútil ir à presença d’Ele para pedir-lhe que esteja presente. É inútil ir a Deus para obter o Seu poder, porque Deus está bem aqui com todo o seu poder. Deus está presente onde você estiver. Deus é o onipresente poder do bem. A graça de Deus é suficiente; não é algo que você possa obter; é algo que existe. Deus governa este universo pela graça, não pela lei, pelo desejo ou pela vontade, mas pela graça. A graça divina está onipresente em sua consciência.

Um princípio básico do Caminho Infinito é encontrado na palavra existe. Deus existe, a vida existe, o amor, a paz, a alegria, o poder existem. O domínio existe porque Deus existe. Deus é infinito, onipresente, onipotente e onisciente. Não se dirija a Deus para nada. Fique calmo e deixe Deus revelar-se dentro de você, porque Deus já está esperando impacientemente para revelar-Se. É inútil buscar a Deus. Tudo que você tem a fazer é recebê-Lo. Você não trabalha para Ele, você não O merece, você não dá o suor de seu rosto para Ele. Deus já existe. Deus já é realização. Deus já é perfeição. Por que você desejaria algo mais?


A CARÊNCIA DA CURA ESPIRITUAL

Surpreenderia todo mundo que mais líderes religiosos não estão fazendo o trabalho de cura espiritual, pois não pode haver dúvida de que, na sua grande maioria, são honestos e amantes sinceros de Deus, os que buscam a Deus, que passam a vida próximos de Deus, pelo menos tão pertos de Deus quanto a compreensão deles permita, o que, na maior parte dos casos, tem grande extensão. Se Deus, como geralmente é compreendido, fosse um curador de doenças, porque nestas centenas de anos desde que a Bíblia existe, esses dedicados líderes religiosos não obtiveram o monopólio da cura espiritual? A vida deles é dedicada ao serviço de Deus e do homem. Eles são severos, honestos e sinceros. Eles não estão realizando mais trabalho de cura espiritual, porque, a despeito do reconhecimento da onipotência de Deus, o poder ainda está sendo atribuído ao pecado, à enfermidade, à morte, à necessidade e à limitação. Eles creem que a doença é permanente e real e aceitam a premissa de que podem suplicar a Deus para afastá-la.

Se Deus pudesse afastar a doença, ninguém teria que orar para pedir a cura. A cura não se baseia na premissa de que há uma doença, um Deus que pode curá-la, e um determinado homem ou mulher para fazer este pedido a Deus. No reino de Deus não há enfermidade. Deus sustenta e conserva Seu reino intacto, harmonioso, saudável, completo, perfeito, espiritual e integral.

Jesus Cristo e outros como Ele foram instrumentos de Deus ao revelarem para o mundo que a doença, o pecado e a morte não fazem parte do reino de Deus, não são reais e não podem permanecer em virtude dessa compreensão. Quando você tocar nas bordas do manto espiritual, você compreenderá que em todo o reino de Deus não há um pecador ou uma pessoa enferma.

A cura tem a ver com seu estado individual de consciência, um estado de consciência que apreende a ideia de Deus como Espírito infinito e, portanto, de um universo – incluindo o homem – infinita e eternamente espiritual. O que aparece para este mundo como pecado, doença, necessidade e limitação não compartilha da natureza do real e não tem lei, causa, efeito, substância ou realidade. Então, com seus pensamentos concentrados em Deus e na Realidade, ouvindo e estando sempre alerta aos Impulsos divinos, que lhe asseguram que Deus está no campo de luta, as curas se realizarão.

Houve muitos místicos na história do mundo e, ainda que alguns deles alcançassem a percepção da verdade de que o que denominamos existência material, representa apenas a ilusão dos cinco sentidos, a crença no bem e no mal foi profundamente enraizada na maior parte deles. Quando foi revelado a Gautama, o Buda, que “este mundo” é maya, ou ilusão, sua iluminação espiritual foi tão grande, que ele imediatamente soube que há uma criação espiritual divina aqui e agora, mas que o conceito universal dela é ilusório. Com esta compreensão, ele realizou um grande trabalho de cura.

Finalmente, a revelação de Buda foi corrompida e a palavra maya passou a significar o oposto de Deus. Seus últimos prosélitos foram deixados mais uma vez com dois poderes: o poder da Realidade para vencer o poder da ilusão. Mas a ilusão não pode ser vencida. Quando você compreender que uma coisa é ilusão, você termina com ela. Ela não tem mais existência. Ela tinha existência apenas enquanto você pensava que ela existia, mas quando você a viu como ilusão, foi o fim dela.

Hoje, o termo “espírito mortal” ou “espírito carnal” é usado para significar a inutilidade deste mundo de aparências. Mas outra vez veio a ser estabelecido como um poder oposto a Deus e a luta continuou. Você não pode realizar o trabalho de cura, se você acreditar que há entidades com as quais Deus tem que se bater, lutar ou dominar. Isso é estabelecido como um poder separado de Deus. É necessário receber de volta a revelação original dos grandes místicos de que há apenas um poder e que tudo englobado pelo termo ilusão é uma inutilidade. Quando você perceber isso, você terá uma consciência regeneradora.

A crença no bem e no mal é o que mantém a humanidade. Contudo, na medida em que você deixa de julgar, na medida em que você perde sua crença no bem e no mal, você já não é humano: você é espiritual. Isso acontece quando você tem uma consciência saudável. Então, você não está sujeito aos erros humanos ou às limitações da vida, como você esteve, enquanto estava preocupado tanto com o bem quanto com o mal. Em certa medida, você se tornou imune aos clamores do mundo, mas não cem por cento. Quando você alcança esses cem por cento, você já não pode se misturar com os outros e a vida se torna um fardo pesado demais para carregar. É então que os místicos, que alcançaram a percepção verdadeira e completa de que não há bem nem mal, retiram-se do mundo. Eles já não querem ser uma parte dele.


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