"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

sexta-feira, março 27, 2015

A Verdade é totalmente aqui e agora (Osho)

- OSHO -


Toda a ignorância da mente consiste em não estar no presente. A mente está sempre em movimento: indo para o futuro ou para o passado. A mente nunca está no aqui e agora. Ela não pode estar. A própria natureza da mente é tal que  ela não pode ficar no presente, porque a mente tem de pensar, e no momento presente não há possibilidade de pensar. Você tem que ser, você tem que ouvir, você tem que estar presente, mas  você não pode pensar.

O momento presente é tão estreito que não há espaço para pensar. Você pode estar nele, mas os pensamentos não podem. Como você pode pensar? Se você pensar, isso significa que já é passado, o momento já passou. Ou você pode pensar se não chegou ainda, se está no futuro.

Para pensar, é preciso espaço, porque o pensamento é como uma caminhada – um passeio da mente, uma viagem. É preciso espaço. Você pode caminhar para o futuro, você pode caminhar para o passado, mas como andar no presente? O presente está tão perto... na verdade não está nem perto – o presente é você. Passado e futuro são partes do tempo, o presente é você, que não faz parte do tempo. Não é um tempo: não é de modo algum parte do tempo, não pertence ao tempo. O presente é você, o passado e o futuro estão fora de você.

A mente não pode existir no presente. Se você conseguir estar aqui, totalmente presente, a mente desaparecerá. A mente pode desejar, pode sonhar, sonhar mil e um pensamentos. Ela pode mover-se para o fim do mundo, e pode mover-se para o próprio começo do mundo, mas não pode estar no aqui e agora – isso é impossível para ela. Toda a ignorância consiste em não saber disso. E então você se preocupa com o passado, o qual não existe mais – isso é absolutamente estúpido. Você não pode fazer nada quanto ao passado. Como você pode fazer alguma coisa quanto ao passado que não existe mais? Nada pode ser feito, já passou; mas você se preocupa com isso, e ao se preocupar você desperdiça a si mesmo.

Ou você pensa no futuro, e sonha e deseja. Ele não pode chegar. Tudo o que chega é sempre o presente, e o presente é absolutamente diferente dos seus desejos, dos seus sonhos. É por isso que tudo o que você deseja, sonha, imagina, planeja e se preocupa, nunca acontece. Mas desgasta você. Você continua se deteriorando. Você continua morrendo. Suas energias continuam andando num deserto, não atingindo nenhum objetivo, simplesmente se dissipando. E então a morte bate à sua porta. E lembre-se: a morte nunca bate no passado, e a morte nunca bate no futuro, a morte bate no momento presente.

Você não pode dizer para a morte: "Amanha!". A morte bate no presente. A vida também bate no presente. Deus também bate no presente. Tudo o que existe sempre bate no presente, e tudo o que não existe sempre bate no passado ou no futuro. 

Sua mente é uma entidade falsa, pois nunca bate no presente. Que esse seja o critério para a realidade: tudo o que existe está sempre aqui e agora, e tudo o que não existe nunca faz parte do presente. Largue tudo o que nunca bate no agora. E se você se mover no agora, uma nova dimensão se abre: a dimensão da eternidade.

Passado e futuro movem-se numa linha horizontal. Assim como A se move para B, B para C, C para D, numa linha. A eternidade move-se verticalmente: A move-se mais profundamente em A, mais alto em A, não se move para B; A continua se movendo mais profundamente e para cima, em ambos os sentidos. É vertical. O momento presente move-se verticalmente, o tempo se move horizontalmente. O tempo e o presente nunca se encontram. E você é o presente – todo o seu ser move-se verticalmente. A profundidade está aberta para você, a altura está em aberto, mas você está se movendo horizontalmente com a mente. É assim que você perde Deus.

As pessoas vêm a mim e perguntam como encontrar Deus, como ver, como perceber. Isso não é o que importa. A questão é: como você o está perdendo? Porque ele está aqui e agora batendo à sua porta. Não pode ser de outra forma! Se ele é real, ele tem que estar aqui e agora. Apenas a irrealidade não está aqui e agora. Deus já está na sua porta, mas você não está presente. Você nunca está em casa. Você continua vagando em milhões de palavras, mas você nunca está em casa. Lá você nunca é encontrado, e Deus vai ao seu encontro lá, a realidade rodeia você lá. A verdadeira questão não é como você deveria encontrar com Deus, a verdadeira questão é que você deveria estar em casa, de modo que, quando Deus batesse ele encontrasse você lá. Não é uma questão de você encontrá-lo, é uma questão de ele encontrar você.

Portanto, é uma meditação real. Um homem de entendimento não se preocupa com Deus ou com esse tipo de assunto, porque ele não é um filósofo. Ele simplesmente se empenha em ficar em casa, ele para de preocupar-se em pensar no passado e no futuro, e se estabelece firmemente no aqui e agora, e não sai deste momento. Quando você fica neste momento, a porte se abre. Este momento é a porta!

As pessoas estão realmente dormindo, em todo o planeta, em todos os lugares. Essa é a natureza do sono: você nunca está no aqui e agora, porque, se estiver no aqui e agora, você vai ficar acordado! O sono significa que você está no passado, significa que você está no futuro. A mente é o sono, a mente é uma hipnose profunda – porque qualquer coisa feita durante o sono não vai ser de muita ajuda, pois qualquer coisa feita no sono faz parte do próprio sonho. Sua mente, como ela é, está dormindo. Mas você não consegue sentir como ela está dormindo porque você parece bem acordado, com os olhos abertos. Mas você já viu alguma coisa? Você parece acordado e com ouvidos abertos, mas você já ouviu alguma coisa?

Você está me ouvindo e você diz: "Sim!". Mas você está me ouvindo ou está ouvindo a sua mente aí dentro? A sua mente está sempre comentando. Eu estou aqui, falando com você, mas você não está me ouvindo. Sua mente comenta o tempo todo. Ela diz: "Sim, ele está certo, eu concordo", ou diz "eu não concordo, isso é absolutamente falso"; sua mente está lá, sempre comentando. Através desse comentário, desse nevoeiro mental, eu não posso entrar em sintonia com você. O entendimento vem quando você não está interpretando, quando você simplesmente ouve.

Numa pequena escola, a professora percebeu que um menino não estava escutando. Ele era muito preguiçoso e irrequieto, inquieto. Então ela perguntou: "Por que? Você está com alguma dificuldade? Não está conseguindo me ouvir?"

O menino disse: "A audição está boa, escutar é que é o problema".

Ele fez uma distinção muito sutil. Ele disse: "A audição está boa, eu estou ouvindo você, mas escutar é que é o problema", porque escutar é mais do que ouvir. Escutar é ouvir com plena consciência. Só ouvir é bom, os sons estão todos em torno de você; você ouve, mas não está escutando. Você tem que ouvi-los porque os sons vão continuar batendo no seu tímpano, você tem que ouvir. Mas você não está lá para escutar, porque escutar significa uma atenção profunda – não um comentário interior constante. Não é dizer "sim" ou "não", não é concordar ou discordar; porque se você estiver concordando e discordando, estará realmente me escutando neste momento?

No momento em que você estiver concordando, aquilo que eu disse terá se tornado passado; quando você discorda, o momento já passou. E no momento em que você acenar com a cabeça interiormente, dizendo não ou sim, você estará deixando escapar – isso é uma coisa constante dentro de você.

Você não consegue escutar. E quanto mais conhecimento você tiver, mais difícil fica escutar. Ouvir significa atenção inocente, você simplesmente escuta. Não há necessidade de estar em concordância ou discordância. Não estou em busca da sua concordância ou discordância. Eu não estou tentando de forma alguma convencê-lo.

O que você faz quando um pássaro começa a gritar numa árvore? Você comenta, interpreta? Sim, então você também diz: "Que incômodo!". Você não consegue ouvir nem mesmo um pássaro. Quando o vento está soprando através das árvores e há o farfalhar, você escuta? Às vezes, talvez, quando você é pego de surpresa. Mas então você também comenta: "Sim, lindo!";

Agora observe: sempre que você comenta, você adormece. A mente interferiu, e com a mente o passado e o futuro entraram em cena. A linha vertical é perdida – e você se torna horizontal. No momento em que a mente interfere, você se torna horizontal. Você perde a eternidade.

Simplesmente escute. Não há necessidade de dizer sim ou não. Não há necessidade de se convencer ou não. Simplesmente escute, e a verdade será revelada a você – ou a inverdade! Se alguém está falando bobagem, e você simplesmente escutar, o absurdo será revelado a você – sem qualquer comentário da mente. Se alguém estiver falando a verdade, ela será revelada a você. A verdade ou a inverdade não é um acordo ou desacordo da sua mente, é um sentimento. Quando você está em harmonia total, você sente, e você simplesmente sente que é verdade ou não é verdade – e a coisa termina aí! Sem você ter que se preocupar mais com isso, sem pensar sobre isso. O que o pensar pode fazer?

Se você foi criado de uma certa forma, se você é cristão, ou hindu ou muçulmano, e eu estiver dizendo algo que por acaso esteja de acordo com a sua educação/cultura, você vai concordar dizendo "sim". Se por acaso não estiver, você vai dizer que "não". Você está aqui, ou é apenas a sua cultura? E sua educação é apenas acidental.

A mente não consegue encontrar o que é verdadeiro, a mente não consegue encontrar o que é inverdade. A mente pode raciocinar sobre isso, mas todo o raciocínio é baseado no condicionamento. Se você é hindu, você raciocina de uma maneira; se você é muçulmano, raciocina de uma maneira diferente. E todo tipo de condicionamento é passível de ser racionalizado. Não se trata de fato de raciocínio, mas de racionalização.

O Mulá Nasrudin ficou muito idoso; ele fez 100 anos. Um repórter foi vê-lo porque ele era o cidadão mais velho daquela região. O repórter disse: "Nasrudin, há algumas perguntas que eu gostaria de fazer. Uma delas é: você acha que vai conseguir viver mais 100 anos?"

Nasrudin disse: "Claro, porque cem anos atrás eu não era tão forte quanto sou agora". Cem anos antes ele era uma criança recém-nascida, por isso ele disse: "Cem anos atrás eu não era tão forte quanto sou agora, e se aquela criancinha indefesa, fraca, conseguiu sobreviver durante cem anos, por que eu não conseguirei?"

Isso é a racionalização. Parece lógico, mas falta alguma coisa. É a realização de um desejo. Você gostaria de sobreviver por mais tempo, então você cria uma lógica em torno disso: você acredita na imortalidade da alma. Você foi criado numa cultura que diz que a alma é eterna. Se alguém diz: "Sim, a alma é eterna", você concorda, e diz: "Sim, isso está certo". Mas isso não está certo – ou errado. Você diz "sim" porque é um condicionamento arraigado em você. Esteja aberto à verdade e descubra por si mesmo, sem depender da educação que lhe foi incutida pela sociedade. Então você realmente saberá. Há outros: metade do mundo – hindus, budistas, jainistas – acredita que a alma é eterna, e também que existem muitos renascimentos. E metade do mundo – cristãos, muçulmanos, judeus – acreditam que a alma não é eterna e não existem renascimentos, apenas uma vida e depois a alma se dissolve no final.

Metade do mundo acredita nisso, a outra metade acredita naquilo, e todos têm seus próprio argumentos, todos têm as suas próprias racionalizações. Tudo em que você quiser acreditar, você vai acreditar; mas no fundo seu desejo será a causa da sua crença, não a razão. A mente parece racional, mas não é. É um processo de racionalização: tudo o que você quiser acreditar, a mente dirá que "sim". E de onde vem esse querer? Ele vem da sua educação.

Escutar é um assunto totalmente diferente, que tem uma qualidade totalmente diferente. Quando você escuta, você não pode ser hindu, nem muçulmano, nem jainista, nem cristão. Quando você escuta, você não pode ser teísta ou ateu. Quando você escuta, você não pode fazê-lo através da pele dos seus "ismos" ou escrituras – você tem que colocar todos eles de lado, você tem simplesmente que ouvir.

Eu não estou pedindo para você concordar, não tenha medo! Basta escutar sem se incomodar em demonstrar concordância ou discordância, e então o correto raciocínio acontece.

Se a verdade está ali, de repente você é atraído – todo o seu ser é puxado como que por um ímã. Você derrete e se funde, e seu coração sente "Isso é verdade" sem nenhuma razão, sem nenhum argumento, sem nenhuma lógica. É por isso que as religiões dizem que a razão não é o caminho para o divino. Elas dizem que é a fé, dizem que é a confiança.

E o que é confiança? É uma crença? Não, porque a crença pertence à mente. Confiar é um rapport. Você simplesmente coloca de lado todas as suas medidas de defesa, sua armadura, você se torna vulnerável. Você escuta algo, e você escuta tão totalmente que o sentimento surge em você dizendo se é verdade ou não. Se não é verdade, você sente isso. Por que isso acontece? Se é verdade, você sente isso. Por que isso acontece?

Isso acontece porque a verdade reside em você. Quando você está totalmente no "não pensamento", a sua verdade interior sempre pode sentir a verdade – isso porque o igual sempre sente o igual: ele se encaixa. De repente, tudo se encaixa, tudo cai num padrão e o caos se torna um cosmos. As palavras caem em linha... e uma poesia surge. Então tudo simplesmente se encaixa.

Se você está em rapport, e a verdade surge, seu ser interior simplesmente concorda com ela, mas não é uma concordância da mente que te leva embora para o passado (ou futuro). Você sente uma sintonização, você se torna uno. Isso é confiar. Se algo está errado, isso simplesmente se esvai de você: você nem pensa outra vez, você nunca olha para isso uma segunda vez – não há sentido nisso. Você nunca diz: "Isto não é verdade", aquilo simplesmente não se encaixa – você segue em frente! Se se encaixa, torna-se a sua casa. Se não se encaixa, você segue adiante.

Por meio do escutar vem a confiança. Mas, para escutar é preciso ouvir com mais atenção. E você está dormindo – como você pode estar atento? Mas, mesmo dormindo, um fragmento de atenção permanece flutuando em você. Você pode estar numa prisão, mas as possibilidades sempre existem – você pode sair. Pode haver dificuldades, mas não é impossível, porque se sabe que prisioneiros têm escapado de lá. Um Buda escapa, um Mahavira, um Jesus escapa – eles também estavam presos como você. Prisioneiros escaparam antes. Resta em algum lugar uma porta, uma possibilidade, você simplesmente tem que procurá-la.

Se não for possível, se não houver nenhuma possibilidade, então não há nenhum problema. O problema surge porque a possibilidade existe – você está um pouco alerta. Se você estivesse absolutamente adormecido, então não haveria nenhum problema. Se você estivesse em coma, então não haveria nenhum problema. Mas você não está em coma, você está dormindo, mas não totalmente. Uma lacuna, uma brecha existe. Você tem que encontrar dentro de si mesmo essa possibilidade de ficar atento.

Às vezes você fica atento. Se alguém vem bater em você, a atenção vem. Se você estiver em perigo, passando por uma floresta à noite e estiver escuro, você anda com uma qualidade diferente de atenção. Você está acordado, o pensar não está presente. Você está em plena harmonia com a situação, com tudo o que está acontecendo. Se uma folha faz barulho, você fica totalmente alerta. Você é exatamente como uma lebre ou um cervo – que está sempre acordado. Sua audição está maior, seus olhos estão bem abertos, você está sentindo o que está acontecendo ao seu redor, porque o perigo existe. Em perigo o seu sono é menor, a sua consciência é maior. Se alguém encosta um punhal no seu coração e está prestes a cravá-lo, nesse momento não há pensamento. O passado desaparece, o futuro desaparece, você está no aqui e agora.

Então lembre-se: encontre a atenção, deixe que ela se torne uma continuidade em você 24 horas por dia, em tudo o que você faz. Coma, mas tente ficar atento: coma com consciência. Caminhe, mas caminhe com consciência. Ame, mas ame plenamente consciente. Experimente!

Aqui, me ouvindo, fique alerta. Sempre que você sentir que caiu novamente no sono, traga-se de volta: basta se sacudir um pouco e se trazer de volta. Ao andar na rua, se você sentir que está andando dormindo, agite-se um pouco, leve um pouco de vibração a todo o seu corpo. Fique alerta. Esse estado de alerta permanecerá por alguns instantes, e mais uma vez você irá perdê-lo, porque você tem vivido dormindo há tanto tempo que se tornou um hábito.

Isso não vai se tornar total em apenas um dia, mas, mesmo se um raio for pego, você vai sentir uma satisfação profunda – porque a qualidade é a mesma se você atingir um raio ou a totalidade do sol. Se você provar uma gota d'água do oceano ou todo o oceano, o gosto salgado é o mesmo – e o gosto se torna o seu satori, o seu vislumbre. Então você provará da verdade, e finalmente você saberá.


6 comentários:

Anônimo disse...

Grata sempre!
Namastê

Gustavo disse...

Namastê! _/\_

SERgio disse...

Grato,também, por esta "pérola"!

Reverências!

Gustavo disse...

Muito obrigado!

Agradeço a presença de vocês!

Reverências!

Subconsciência Brasil disse...

obrigado pelo texto. queria voce fizesse gentileza informa o livro onde coletou essas preciosidadades, ate mesmo para eu aprofundar

Gustavo disse...

Este texto foi retirado do livro "O Sublime Vazio"!

Namastê!