"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

quarta-feira, outubro 10, 2012

Diálogos conscienciais: Meditar, perceber e Amar!



Núcleo


De que forma o Amor está relacionado à meditação?

A resposta pode ser obtida através do compartilhamento a seguir de um diálogo entre a "mente" e a "Consciência", entre o "homem" e "Deus", entre o "personagem" e o "Ser”.

Personagem: O que é meditação?
Ser: Meditação é percepção.

Personagem: Como faço para aprender a meditar?
Ser: Meditação é percepção. Você já está percebendo…

Personagem: O que estou percebendo é que sou um ser humano que quer aprender a meditar.
Ser: Quem medita percebe que não é um ser humano…

Personagem: Se já estou percebendo, mas eu não percebo que não sou um ser humano, quem é o eu que está percebendo?
Ser: É seu Eu verdadeiro; é Quem já está percebendo…

Personagem: Se não percebo meu Eu verdadeiro, que é Quem já está percebendo, como posso percebê-lo?
Ser: Meditando…

Personagem: Mas o que é meditar?
Ser: Meditar é perceber…

Personagem: Parece que voltamos ao início! Meditar é perceber… Espere um momento… perceber o que?
Ser: É apenas perceber…

Personagem: De fato já estou percebendo algo!
Ser: Sim, foi o que Eu disse, você já está percebendo…

Personagem: Mas estou percebendo apenas o meu mundo, o que todos percebem com os cinco sentidos de percepção.
Ser: É o que você já está percebendo…

Personagem: Mas eu quero perceber a Realidade Divina, não a realidade humana, que os iluminados dizem que não é real. Como posso perceber a Realidade Divina?
Ser: Há apenas uma realidade, que é percebida meditando…

Personagem: Eu me rendo! Não consigo sair disso. Sei que não vai adiantar eu perguntar novamente o que é meditar…
Ser: Não é preciso se render, apenas siga a direção correta…

Personagem: Mas minhas perguntas acabam sempre voltando ao mesmo ponto…
Ser: Mesmo no nível das perguntas, no nível da mente, faça a pergunta correta! Não desista!

Personagem: Está bem. Vamos lá… O que é meditação?
Ser: Já dei esta resposta. Meditação é percepção.

Personagem: Perguntei como faço para aprender a meditar?
Ser: Já dei esta resposta também. Quer que a repita?

Personagem: Não. Quero saber qual a pergunta correta aqui?
Ser: Quando disse que meditar é perceber… já dei a deixa… abri todas as possibilidades a você.

Personagem: Por que em vez de “dar a deixa” você não me diz logo qual o caminho a seguir para eu poder meditar?
Ser: Porque é você que escolhe o caminho que quer seguir… Suas escolhas definem a realidade de quem você está sendo. Escolhas não alteram a possibilidade de meditar e perceber. A possibilidade de meditar e perceber estará sempre a sua disposição!

Personagem: Você disse que meditar é apenas perceber…
Ser: Sim, é apenas perceber…

Personagem: Se é apenas perceber… e não é perceber algo, o que você percebe?
Ser: Percebo apenas a Mim mesmo!

Personagem: Mas você está me percebendo, já que estamos tendo um diálogo!
Ser: Sim, estou te percebendo em Mim mesmo…

Personagem: Como assim, me percebendo em você mesmo? Não estamos separados? Não tenho realidade fora de você?
Ser: Não estamos separados, percebo apenas a Mim mesmo! E somos Um só!

Personagem: Já sou você e estamos vivendo a mesma Vida? Se é assim, porque não estamos vivendo a mesma realidade?
Ser: Só há uma Vida, Eu sou essa Vida e estamos vivendo esta Vida. Mas a realidade que você vê vem de um tipo de percepção e a realidade que vejo vem de outro…

Personagem: Então refaço a pergunta sobre a percepção! Você disse que meditar é perceber e então perguntei: Perceber o que? Refaço a pergunta: Que tipo de percepção?
Ser: A percepção que resulta em uma ação consciente.

Personagem: Que ação consciente? O que devo fazer?
Ser: De início perceba que perguntas e respostas estão na percepção da mente… Não se detenha nesse nível. A percepção que se expressa numa ação consciente pode ser expandida ao infinito. Saiba: Estou sempre meditando, sempre percebendo a Mim mesmo e a Minha Realidade, que é a nossa, a única. Somos Um, por isso você pode Me perceber, ou seja, você pode perceber-Se. Quando você imerge em Mim e Me percebe, percebe que em realidade Sou Eu Quem está Se percebendo… Neste sentido, nunca há alguém além de Mim que Me percebe… Sou sempre Aquele que medita, Aquele que percebe! Por isso disse que: “Quem medita percebe que não é um ser humano”.

Personagem: Um mestre deu a entender num poema que sou fruto da Sua imaginação… Eu sou fruto da Sua imaginação?
Ser: Que mestre deu a entender isso?

Personagem: Você não sabe que mestre?! Como é possível você não saber se somos Um; se estou em você?
Ser: Quem disse que não sei? Apenas perguntei que mestre deu a entender isso, porque sei que outros lerão este nosso diálogo e eles saberão a quem e ao que você está se referindo. Assim poderão acompanhar melhor este diálogo.

Personagem: Percebo… Bem, o mestre a que me referi é Meher Baba em seu poema "O amante e o Amado", onde ele escreve:

Deus é amor. E o amor deve amar. E para se amar deve haver um amado. Mas como Deus é Existência infinita e eterna, não há ninguém para Ele amar além Dele mesmo. E para poder amar a Si mesmo ele deve imaginar-se como o amado a quem Ele como o amante imagina amar. A relação amado e amante implica separação. E a separação cria anseio e o anseio resulta em procura. E quanto mais ampla e intensa é a procura maior será a separação e mais terrível será o anseio. Quando o anseio é o mais intenso a separação está completa e a finalidade da separação, que tinha a finalidade de permitir que o amor pudesse experimentar a si mesmo como o amante e o amado, é cumprida; e a União é o que resulta. E quando a União é atingida, o Amante vem a saber que o tempo todo ele próprio era o Amado a quem ele amou e com quem desejou a União e que todas as situações impossíveis que Ele superou eram obstáculos que Ele mesmo colocou no caminho para Si mesmo. Atingir a União é tão incrivelmente difícil porque é impossível tornar-se o que você já é! A união não é nada além do conhecimento de si mesmo como o Sujeito Único.

Eu me refiro ao trecho em que ele escreveu: “E para poder amar a Si mesmo ele deve imaginar-se como o amado a quem Ele como o amante imagina amar”Por isso fiz a pergunta se sou fruto da Sua imaginação?

Ser: Estamos falando da ação consciente que resulta da percepção. Como disse, estou sempre meditando, sempre percebendo a Mim mesmo. A Minha Realidade resulta deste tipo de percepção que produz sempre uma ação consciente e muito amorosa. O Amor é a Minha Realidade e você é a expressão do Amor!

Personagem: Sou expressão do Amor de Deus! Então, o que alguém deve fazer para “ver” em sua realidade esse Amor?
Ser: Aceita uma resposta breve?

Personagem: Sim, claro!
Ser: Deve Amar!

Personagem: Nossa, resposta muito breve! O que é Amar?
Ser: Amar é o Verbo que expressa a ação de alguém que percebe Quem somos.

Personagem: Está dizendo que nós somos Um e devemos perceber isso para amar?
Ser: Não. Eu já percebo isso por todos nós e estou compartilhando o que percebo. Você deve amar para “ver o amor”, perceber o que percebo; e para viver a Minha realidade!

Personagem: Por onde começar a amar?
Ser: Comece se harmonizando com “o céu e a terra”! Ou seja, harmonize-se com todos os seres, com tudo que percebe em sua realidade!

Personagem: Efetivamente como fazer isso?
Ser: Note que o tipo de percepção de que estamos falando não implica necessariamente em fazer algo. Você pode estar fazendo algo ou não e mesmo assim “amando o que faz” e “interagindo comigo”. É agindo assim, ou seja, amando que se ativa esta percepção! A chave é: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como ama a você mesmo.

Personagem: Sim, eu sei, sei do que trata este diálogo sobre amor e a percepção… Sei que podemos interagir como estamos interagindo e ter a percepção de “Quem” Sou. Nesta percepção instantaneamente Eu Me “percebo” e todas as perguntas e respostas cessam. A bem-aventurança advém desta percepção oceânica na qual tudo Se revela como o Ser Real que tudo É…
Ser: Então você Se percebe…

Personagem: Não. Percebo que não sou eu…; ao menos não esse eu que pergunta… Ocorre exatamente o que você disse! Você Se percebe!
Ser: Sim, percebo que somos Um!

Personagem: Posso compartilhar este diálogo com todos eles?
Ser: Com todos eles? Por enquanto compartilhe apenas comigo…

Personagem: Mas agora estou te percebendo em todos eles…
Ser: Então compartilhe com todos eles!

Assim sendo, por estar harmonizado com “o céu e a terra”;
Por perceber o que estou percebendo [ Deus em cada um ];
Por desfrutar o que estou desfrutando [a percepção divina],
Compartilho esse diálogo com a divindade, com o Mestre…
Com Aquele que apareceu como leitor!
Com Aquele que pode ainda aparecer como vários outros…
Percebo o Mestre em todos!
E a todos agradeço!


Namastê!

6 comentários:

Anônimo disse...

Meu Amigo Gustavo!

Pode parecer que este seja um diálogo apenas simbólico, mas ele efetivamente ocorreu! E ocorre, em nós, e sempre nos transcende. É o que quero compartilhar nesse comentário.

No momento em que o Ser disse: “sei que outros lerão este nosso diálogo e eles saberão a quem e ao que você está se referindo”, percebi que não se tratava de um diálogo pessoal, e soube imediatamente que algo extraordinário iria acontecer!

Quando vi que você o publicou no Templo dos Iluminados, percebi o Ser “aparecendo como” você... e O vi “agindo”...
Sei que através de você o Ser está Se revelando a muitos!

Jesus disse que seu testemunho era duplo, seu e de Seu Pai. Sendo assim, agradeço a você, Gustavo e ao Ser que você É, por compartilhar este diálogo com o mundo!

Talvez a maioria de seus leitores não saibam que você já teve uma Revelação Divina, uma experiência de União com Deus, pois ainda não a vi publicada no blog, e que sabe que esse diálogo não é meramente simbólico e que todas as pessoas podem e devem tê-lo!

Mas aqui vale a advertência feita por você ou através de você sobre as explicações: “As explicações do texto são boas, mas estão todas no âmbito do intelecto. Apesar de pertinentes, não seria razoável apegar-se a elas e tomá-las como sendo a verdade. A Verdade está acima inclusive destas explicações, completamente insondável. Ela é compreendida melhor na quietude e no silêncio. Por isso, o que o texto está oferecendo com uma mão, está retirando com a outra. Se o leitor entender isso, é possível ele se ver no estado de quietude e silêncio necessários para se discernir a Verdade.

Vale frisar o: “se ver no estado de quietude e silêncio”, pois, esse é o tipo de “percepção” [ nesse caso uma ação do tipo “não fazer” ] que gera a ambiência para um diálogo consciencial.

No texto http://nucleu.com/2012/08/22/revelacao-divina-i/
Está escrito que: “Não devemos tentar iluminar a mente humana, devemos apenas torná-la transparente e receptiva à percepção da Verdade. Há em nós uma presença a ser percebida. Esta presença é Deus, a Verdade.”

Mais que explicações o que vale é a percepção, Gugu, e você a teve! Por isso “algo em você” [Quem você É] te fez compartilhar este texto com “todos”... por perceber que são o mesmo, o único!
E por perceber o mesmo que percebo, que todos são o “Ser” único, o Eu verdadeiro, compartilhou.

Muito obrigado!
Eu... disse que “apareceria como” muitos outros!...
Sei que sim, eu O percebo em você!

Espero ver os "outros" Se revelando neste Templo!

Namastê
Silvano

Gugu disse...

Pois é, Silvano....

Na mesma hora em que vi esse diálogo, imediatamente eu soube que ele viraria um post. As ideias contidas neste texto carregam um potencial muito grande de propiciar que as pessoas "percebam". Dos muitos que já leram e gostaram, apenas um veio relatar palavras de agradecimento, dizendo: "Sou a gratidão em pessoa. Muito obrigado pela luz compartilhada através destas linhas. Incrível! Aqui morri e aqui renasci."

A pessoa que escreveu isso foi um dos beneficiados. Mas nem todos que se beneficiam necessariamente deixam mensagens relatando o que sentiram, perceberam, etc. Mas, como podemos ver, publicar este texto valeu a pena.

Quando percebo luz, como em textos iguais a este, eu não tenho escolha senão trazê-los para cá. heheh

Agradeço ao Ser e ao personagem que conjuntamente possibilitaram o surgimento deste diálogo.

De fato, isso sou Eu.

Reverências...
Namastê!

Anônimo disse...

Meu Amigo Gustavo.

O diálogo continua! Percebo Quem dá continuidade... Acabo de receber um email... Como você disse: “quando percebo luz, como em textos iguais a este, eu não tenho escolha senão trazê-los para cá.” Da mesma forma, digo que, percebendo luz neste texto, não tive escolha senão trazê-lo para cá...

Vejam a percepção compartilhada pelo SER-gio [ autor do texto ].

Eis o email que o SER... enviou:

eu não sou, por isso Eu Sou.

- Quem (ou o que) sou eu?
- Sou o que sou - e não sou "algo".
- Onde estou?
- Aqui.
- Onde é aqui?
- Lugar nenhum. Todos os lugares estão em Mim. Aqui é infinito...
- De onde vim, e para onde vou?
- Não vim, nem vou para lugar nenhum. Como o Infinito viria ou iria?
- Sou desde quando?
- "Desde" Agora atemporal...
Ah! ISTO!
SER....gio

Belo texto! Tem tudo a ver!
Agradeço ao SER por estar aparecendo como SER-gio!

De fato, Gugu, nossa escolha cessa quando a percepção que temos se eleva do nível da mente, das meras explicações... e compartilhamos!

Foi o que aconteceu com este que expressou “gratidão”, numas das declarações mais contundentes e belas que alguém pode manifestar! Afinal, gratidão é um bom exemplo da “ação consciente” e amorosa que advém do tipo de "percepção" de que trata este diálogo consciencial.

Ao ler “Aqui morri e aqui renasci" me veio “O reino espiritual”, texto de Joel Goldsmith, publicado neste blog em:

http://busca-espiritual.blogspot.com.br/2008/07/o-reino-espiritual.html

Nele, Joel Goldsmith esclarece que: “A vida espiritual não se ganha deixando de fumar, ou de beber ou de comer carne, ou por estudar por uns poucos anos, ou por ir à igreja ou ter aulas. Ah, se fosse tão fácil! O Reino é alcançado por um processo de "morrer diariamente"...

No comentário a este texto de Joel Goldsmith há algo que pode elucidar muito do que estamos compartilhando neste nosso diálogo consciencial.

O que segue é o final deste texto com comentários entre parênteses:

"Não existe um Deus lá fora no espaço. O Deus que existe está escondido dentro de nós, esperando que cada um de nós o descubra por si mesmo" (essa “descoberta” não advém de um processo mental. O pensamento, o raciocínio e o uso da lógica são processos mentais. A “descoberta” advém de uma percepção que é imediata, resulta da meditação. A atividade própria da mente é pensar, enquanto da Consciência é meditar. Por isso essa descoberta se faz desativando a percepção mental e ativando a percepção consciencial; deixando de racionalizar e julgar, apenas percebendo e contemplando o cenário). "Nós não temos que ir a nenhum lugar no tempo e no espaço" (tempo e espaço são concepções mentais. Na dimensão consciencial tudo é aqui e sempre é agora). "A jornada espiritual, a maior das aventuras, não acontece no tempo e no espaço. É uma jornada na consciência - e essa jornada ninguém pode fazer por nós."

Namastê,
Silvano

JoaoWillian disse...

Arigatô Gozaimasu!

Gugu disse...

Saudações, Silvano!

"Morrer diariamente" faz parte da nossa caminhada, já que um dia tomamos a decisão de assim caminhar. É a nossa responsabilidade "morrer diariamente" para que dessa forma possamos nos manter no reto caminho, e não permitirmos os desvios.

Um breve comentário voltado para a linha zen sobre os versos do Ser_gio:

O texto do Sérgio é muito bom, mesmo. Lembrou-me do livro do Osho que tem um título exatamente igual, "Ah! Isto!". Como o Real não pode ser efetivamente expressado, definido ou apontado por palavras e símbolos, o Zen usa o termo "isto" para definir de forma simples Aquilo que se encontra velado e ao mesmo tempo desvelado. O que é o zen? É simples, o zen é apenas Isto. Enfatizando para que as pessoas percebam, o zen diz: "Isto, isto, mil vezes isto!"

"Isto" não é um objeto que possa ser constatado, é o sujeito que sobra quando se eliminam todos os objetos. Por isso "Sou o que sou", sendo incorreto dizer "sou algo". O que permanece, então, é apenas Isto!

Namastê!

Gugu disse...

Arigatô Gozaimasu!