"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

domingo, junho 08, 2008

A Base da Cura Espiritual - 01


Joel S. Goldsmith



A cura espiritual é conseguida através da realização do Cristo na consciência individual. Deus, a Consciência individual deste universo, é a consciência única e exclusiva. Todavia, já que Deus é a consciência de mim e já que Deus é a consciência de ti, e porque há somente uma única consciência, a verdade se torna efetiva na consciência de qualquer pessoa que sintonize com ela. Portanto, qualquer verdade que se revele dentro de nossa consciência revela-se instantaneamente à pessoa que aparece como nossa paciente.

Algumas vezes, pessoas que não estão ligadas a nós de algum modo, como amigos, parentes, estudantes ou pacientes -- alguém que esteja num hospital, numa prisão ou numa ilha deserta, alguém que esteja buscando este conceito mais alto de Deus -- podem ser curadas ainda que não nos conheçam e nós não as conheçamos; ou, ainda que elas nos conheçam, podem não saber que estamos nesta trilha e, por isso, não saberiam que foram curadas.

Há somente uma Vida, uma Consciência, uma Alma; mas Esta é a sua consciência, é a minha consciência. É por isso que não termos de tentar alcançar pessoa alguma. Quando estamos nessa união consciente, tanto nos tornamos uma parte do outro que o que um está pensando à respeito da Verdade, ou de Deus, o outro está ouvindo; mas não há transferência de pensamento e isso não deve ser interpretado dessa maneira. Nós não somos únicos em nossa humanidade: nós somos únicos no Cristo, e tudo o que está sendo proporcionado é a idéia divina que flui na consciência.

Por esta razão, aqueles que não estão conscientes do princípio do poder único jamais precisam preocupar-se em suportar os pensamentos de outra pessoa. Todo o sofrimento da Terra, não importando sua forma ou natureza, é um produto da crença universal em dois poderes; portanto, a harmonia universal só será restaurada quando Deus for revelado como Onipotência. Há apenas uma mente e esta é o instrumento de Deus, jamais se eleva mais alto do que a pessoa em cuja mente ele está ocorrendo.

Por exemplo, se alguém estivesse sentado aqui repetindo "duas vezes dois, cinco", nosso senso matemático nos protegeria e não aceitaríamos essa afirmação incorreta. Ele poderia dizer: "Você está morto!", mas o nosso senso de vida seria uma proteção e não nos perturbaríamos por causa desse pensamento errôneo.

Em certas formas de prática mental, têm sido feitos experimentos provando que um indivíduo não pode ser induzido a fazer alguma coisa que violente sua própria integridade, salvo se for por sua própria escolha consciente. Nenhum pensamento humano conscientemente dirigido a uma pessoa pode jamais fazer com que alguém violente sua própria integridade; e, em consequência, quando alguém comete um erro, é porque essa pessoa está conscientemente violentando seu próprio senso do que é certo. Tudo isso é inerente ao próprio ser.


LIBERDADE ESPIRITUAL


Os discípulos pouco entenderam a missão de Jesus. Nos três anos que estiveram com Jesus, apesar de terem contato quase diário com ele e com seu pensamento e trabalho, poucos foram os que evidenciaram estar profundamente tocados por sua mensagem. Ele não conseguiu provocar muita espiritualidade em Judas e não teve grande sucesso com Pedro, e menos ainda com a maioria dos demais discípulos. João, naturalmente, captou a mensagem plena e completa.

A chegada do Messias havia sido profetizada há séculos, mas os hebreus não tinham o conceito do Messias como um ensinamento ou uma idéia divina. Pensavam que o Messias, quando chegasse, seria um homem que os conduziria à liberdade. Liberdade do que? Liberdade da servidão a César, de serem escravos de César; liberdade provavelmente de algumas das práticas impostas por sua religião, porque os povos da época de jesus estava procurando uma liberdade física, uma liberdade temporal, e provavelmente pensavam que o Messias poderia vir como um rei para dar-lhes essa liberdade. Nisso ficaram desapontados. Não compreendiam que a missão de Jesus não era deste mundo.

Jesus veio com a idéia divina da liberdade espiritual. Esperava que, colocando os povos de sua época livres em sua consciência -- livres da escravidão a pessoas e coisas -- eles estariam de fato livres. Mas os hebreus estavam procurando um emancipador humano, que os tornaria livres de consdições intoleráveis, e não conseguiriam compreender a missão do Cristo. Por esta razão, pouco deles captaram a visão e se beneficiaram com ela.

Que ninguém cometa hoje o mesmo engano a respeito da missão do Caminho Infinito. Seu propósito é a compreensão e a revelação do ser espiritual, a manifestação harmoniosa e eterna de Deus, do Bem. Ela não procura mudar, corrigir ou reformar pessoa alguma. Por isso, o nosso trabalho está dentro do nosso próprio ser e consiste em alcançar aquela consciência espiritual em que não há tentação para aceitar o universo e o ser individual como outro que não Deus aparecendo como o universo e como ser individual.

No sentido comumente aceito pela prática metafísica de cura, a saúde é habitualmente procurada como o oposto ou como a ausência de doença; a bondade e a moralidade como oposto ou a ausência de maudade e imoralidade; porém, nesta exposição, não tentamos curar o corpo, eliminar a doença ou reformar os pecadores. Não procuramos saúde no que Jesus chamou "este mundo" porque o "Meu reino não é deste mundo", isto é, o trabalho de Cristo não está no reino dos conceitos humanos. Entendemos que a saúde é a qualidade e a atividade da Alma, sempre expressa como um corpo perfeito e imortal. Até mesmo um corpo humano harmonioso não expressa necessariamente a saúde, porque esta é mais do que a ausência de doença: É uma disposição eterna do ser espiritual. Além disso, a bondade humana não é senão o oposto da maldade humana, e não é a disposição espiritual do ser que precisamos compreender e conseguir em nossa abordagem à vida.

Conquanto esta mensagem não diga respeito à saúde ou à doença humana, à riqueza material ou à pobreza, à bondade ou à maldade pessoal, mesmo assim a consecução da consciência de Deus que aparece como um ser individual resulta naquilo que ao sentido humano aparece como saúde, riqueza e bondade. Estas coisas, entretanto, representam os conceitos finitos daquela harmonia espiritual que a realidade está sempre presente.

Quando não estivermos mais sujeitos à crença de que somos escravos de alguma pessoa ou circunstância, e quando não formos mais escravos de contas a pagar, estaremos verdadeiramente livres para sempre. Então, não nos fará diferença que espécie de sistema político ou econômico existe em nosso mundo. Seremos abundantemente providos por qualquer que seja a forma de suprimento necessário, seja qual for a forma de governo em que estejamos vivendo. E se estivéssemos na prisão, ainda assim estaríamos livres. Seríamos como aquelas pessoas de outrora que diziam: "Aprisionar-me você não pode! Meu corpo você pode pôr na prisão -- mas não a mim!".

A mente, ou a consciência, não pode ser confinada a uma sala ou cadeira. A mente pode vagar à vontade por aí e ser treinada de modo a elevar-se acima do sentido corpóreo, como o de estar realmente fora deste mundo com a sensação de estar livre do corpo, sem que deixemos o corpo. Não é possível deixar nosso corpo porque somos uma só coisa, mas podemos deixar o sentido corpóreo dele e ficar tão livres espiritualmente que não seremos limitados nem pelo tempo nem pelo espaço. É o que acontece quando conquistamos nossa liberdade espiritual.

Nessa liberdade espiritual, sobrepujamos todo o sentido de limitação. Por exemplo, não cessamos de usar o dinheiro, mas não nos preocupamos com ele. O dinheiro virá, e ainda que continuemos a usá-lo, não estaremos mais limitados ou aprisionados ao conceito de que dinheiro é um suprimento.

Enquanto pensarmos no dinheiro como suprimento, não demonstraremos liberdade espiritual no que se relaciona com o suprimento. Mesmo que nossa renda fosse dobrada, não nos regozijaríamos por ter feito uma demonstração, se ainda acreditarmos que dinheiro é suprimento! Dinheiro não é suprimento. Eu sou suprimento: a Consciência é supriemento. Esta Essência indefinível, chamada Espírito, que somos, é suprimento, e é onipresente, onipotente e onisciente.

quinta-feira, junho 05, 2008

Compreendendo a Oração Pelos Outros

Allen White

Quando orar por um filho, um ente querido doente, ou alguém que possa aparentar estar com problema, o FATO essencial é conscientizar que OS OUTROS NÃO EXISTEM. HÁ SOMENTE DEUS. Somente o que Deus É, é... Nada mais é ocorrência. Inexiste outra presença, poder, identidade ou manifestação.

Como você já tem percebido, não podemos continuar a dizer: "Deus é a única Presença e o único Poder", e acreditar que exista algo ou alguém com problema -- inclusive que haja alguém que necessite de nossa ajuda em oração.

O que você e eu temos considerado ser orar pelos outros, é realmente deixar nítido e claro que tudo quanto existe (exatamente agora) para ser visto, ouvido e sentido é a PERFEIÇÃO IMUTÁVEL DE DEUS. Quando você está com clareza neste FATO, não sente mais que algo exterior necessita de ajuda ou de cura. Quando você está com clareza neste fato, o que você conhece se mostra.

Sua dúvida é quanto aos outros , os doentes, se eles têm necessidade de conhecer também esta Verdade? Não, OS OUTROS NÃO EXISTEM. Existe somente Deus, e Deus conhece a Si próprio como imutável Perfeição Absoluta.

segunda-feira, junho 02, 2008

Pescadores de homens (Joel S. Goldsmith)

Joel S. Goldsmith


Nas escrituras e literatura espiritual, muitas referências lhe indicam que você deverá modificar algo em seu modo de vida, ou fazer alguma coisa para receber a Graça de Deus. Lembre-se do que agora lhe digo: a responsabilidade não lhe pesa sobre os ombros ou sobre os ombros de alguém. Assim, peço-lhe que se abstenha de criticar ou julgar as pessoas e, especificamente, deixe de julgar, criticar, condenar ou menosprezar a si mesmo e sua própria compreensão, pois a responsabilidade pelo seu aprimoramento não recai sobre seus ombros: recai sobre os ombros do Cristo.

Relaxe mais na conscientização de que o Cristo é quem o está conduzindo, guiando e dirigindo. Nunca creia que os santos, sábios e profetas do mundo, por alguma grandiosa ação de vontade própria, chegaram àquela posição, pois não é verdade. Mesmo atualmente, constatamos a existência de suficiente número de amadas luzes espirituais, mestres, líderes e praticistas, para sabermos que jamais alguém abandonou o conceito pessoal de vida para se tornar esse mestre ou líder espiritual conhecido: saíram do mundo dos negócios ou dos afazeres caseiros pela Graça de Deus, que os tornou "pescadores de homens".

O Mestre andava pela encosta e, ao escolher seus discípulos, prometeu-lhes: "Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens". Você poderia pensar que eles fossem homens de elevada compreensão, pela obediência que demonstraram. Mas não, eles não possuíam poder algum para deixar de obedecer. Não possuíam maior poder para resistir ao chamado do Mestre do que o poder que temos, você ou eu, para fazer isto. Quando o Mestre disser: "Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens", você irá obedecê-Lo. Você já vinha fazendo isso, pelo sacrifício de tempo, dinheiro, esforço, e pelos seus estudos e meditações. Já pôde demonstrar ser incapaz de resistir à atividade do Cristo em sua consciência, mesmo que tivesse esse desejo ou vontade, o que certamente não é o caso. Mas, se fosse, e se lhe faltasse compreensão, sabedoria, coragem ou determinação, mesmo assim nenhuma diferença faria, pois há algo em você superior a qualquer idéia humana de rebelião ou de anseio por conforto material.

Realmente, o ser humano tem o desejo normal e natural de querer ficar no conforto, e são pouquíssimos os que despendem tempo, esforço e dinheiro para ampliar seus conhecimentos sobre Deus como você vem fazendo. Ah, não! O ser humano tem casamentos para comparecer, funerais, necessita de retirar jumentos caídos na vala. O ser humano dispõe de muitas coisas que ocupam seu tempo — teatro, reuniões, atividades esportivas --, e deixa de atender à atividade do Cristo. Mas, uma vez tocado e chamado pelo Dedo divino, esteja certo de uma coisa: ele irá atender a esse chamado.

Após serem escolhidos, teriam os discípulos alguma responsabilidade por suas carreiras? Não! O Mestre os enviou. Foram mandados sem bolsa e sem alforje; seguiram o caminho determinado, e sobreviveram. Noutra ocasião, seguiram com bolsa e alforje, e também sobreviveram. O Mestre levou alguns ao topo da montanha – ele os levou. Teriam ido por conta própria? Não! Ele os levou. Tiveram poder para resistir? Não! Também você e eu não temos esse poder. Isto constitui a vida pela Graça. Tudo que hoje transpira em sua vida, e tudo que irá transpirar a partir de agora até a eternidade, são e continuarão a ser uma atividade da Graça.

Ah, eu sei que alguns, e talvez até eu mesmo esteja aí incluído, tentarão resistir por certo tempo. Vez ou outra tentarão ficar de lado, retornando a algum senso, vontade ou ambição de cunho pessoal; mas, serão forçados a voltar, pois nenhuma condição para resistir ao Cristo lhes será concedida. Quando ocorre o chamado, somos incapazes de rejeitá-lo ou de refutá-lo. É verdade que poderemos negar o Mestre até mesmo "por três vezes"; poderemos ser acusados de traição, de estar dormindo no Jardim de Getsêmane. Que importa? Não nos deixemos ficar perturbados ou alarmados por causa disso. Que não haja autocondenação por estas nossas faltas! Percebamos que aquilo foi a parte da ilusão que não pudemos evitar; mas que, devido à Graça divina, o ultimato da salvação nos será ainda mais inevitável.

Foi bem mais inevitável que Pedro curasse aquele homem à porta do templo Formosa, do que ele negasse o Cristo. Sua negação do Cristo foi mero incidente, daqueles pequenos exemplos em que um ser humano cai à beira do caminho, para assegurar popularidade junto às massas, ou por temer algum castigo. Não sejamos tão severos nesses julgamentos. Talvez cada um de nós fizesse o mesmo! Talvez! Neste mundo, há pessoas que, por este ou aquele motivo, renunciam temporariamente à dedicação plena ao seu seguimento ao Cristo. Sejamos bondosos, justos e compassivos com elas. São apenas traços de humanidade ainda presentes, que pouco diferem da cena em que os discípulos caíram no sono, quando estavam no jardim. Não há nenhum dano real nisso tudo! Trata-se apenas de um lapso temporário.

O que era inevitável, portanto, era ocorrer o despertar dos discípulos para o Pentecostes, com a descida do Espírito Santo sobre eles, apesar de todas aquelas experiências. Passaram a ouvir em sua própria língua a linguagem do Espírito; e, a partir de então, foram cuidar "dos negócios do Pai". Ainda assim, ainda erraram em achar que poderiam distribuir seus recursos e viver satisfeitos por dividi-los entre os membros do grupo. Concluíram, porém, que todos deveriam viver segundo o próprio estado de consciência; que deveriam demonstrar sua maior ou menor entrada de recursos; que deveriam demonstrar seu grau de conforto e de harmonia na vida, não pela força ou poder, não pela divisão daquilo que está neste mundo, não às custas de outra pessoa, mas pelo próprio grau de conscientização do Cristo em si mesmos.

No mundo quadridimensional, você vive pela Graça — "não pela força ou pelo poder, mas pelo Meu Espírito". Cada um é responsável pela própria integridade; cada um é responsável pelo seu próprio desenvolvimento; porém, se for julgar pelo mundo das aparências, durante sua "jornada de 40 anos pelo deserto", é possível que encontre alguns escorregando, escorregando, escorregando, por longa distância no sentido contrário ao Caminho. Talvez chegue a ficar chocado com certas coisas que conhecerá daqueles que aparentemente tinham já avançado boa distância da jornada. Seja caridoso: lembre-se de que tudo não passa de pequena fraqueza humana, e esteja certo de que o Cristo a dissolverá, uma vez que a atividade do Cristo é a dissolução da humanidade de alguém, de suas fraquezas e de suas ilusões.

Paciência! Paciência! Você dispõe de uma eternidade para trabalhar em sua salvação. Paciência! Seja paciente com os demais, e também consigo próprio. Perdoe a si mesmo, e com a freqüência que chegar a cair, levante-se novamente. Não haverá escolha! Inevitavelmente, a Voz fará soar em seus ouvidos: "Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens."

Ficará então ciente de que é o "Eu" que o estará chamando. Saberá que não será sua vontade própria agindo, e isto o impossibilitará de ser bem-sucedido ou mal-sucedido. Lembre-se: você não poderá ter sucesso nem fracasso. Por quê? Porque Eu o chamei para fazer de você "pescador de homens". Assim, haverá de ser o Meu sucesso operando em você e através de você, e isso para que se cumpra o Meu objetivo. Dessa forma, você passará a ser simplesmente um instrumento.

Em momentos de insucesso temporário, faça-se recordar que também aquilo faz parte do plano. Talvez seja a parte dele que irá ensiná-lo que você, de você mesmo, não pode ter sucesso nem fracasso, pois o Eu, que o chamou, é o único sucesso.

"Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens." Eu farei isto. Que é este Eu? Onde está este Eu? Este Eu do nosso ser não é Deus? Que seria mais poderoso? Eu ou um remédio material? Eu ou o dinheiro no Banco? "Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens." Siga este Eu, que está dentro de você, o Pai interior.

Siga este Cristo, este Princípio, este Espírito que se aloja no interior de seu próprio ser, e verifique que, por se abdicar das dependências materiais da vida, terá o desenvolver de uma vida espiritual mais elevada, apurada e jubilosa, manifestada como saúde melhorada e suprimento mais abundante.

Será capaz de abrir mão de todas as dependências materiais? Será capaz de abandonar a dependência à sua família, com relação ao amor, justiça e compaixão, esperando que tudo venha do Pai? Será capaz de transferir sua expectativa de justiça de um júri ou juiz para o Pai, no interior de seu próprio ser? Ou de transferir sua expectativa de gratidão, recompensa, reconhecimento ou apreciação por parte de patrão, funcionários, membros de sua família, unicamente para o Pai dentro de você? Será capaz de seguir somente o Espírito interior, e não o senso pessoal exterior?

Onde está você, agora, em consciência? Naquele que diz ao Mestre: "Não, aguarde um pouco mais. Devo pescar para sustentar minha família... siga em frente, enquanto aqui ficarei confiando em seres humanos para receber recompensa, reconhecimento, cooperação, gratidão."? Ou terá alcançado aquele ponto de consciência dos discípulos, que sem questionamentos deixaram suas redes?

O Mestre não pediu àquelas pessoas que seguissem um homem de nome Jesus. Pediu-lhes que seguissem o ensinamento de que o Eu interior é o Messias. E hoje, ninguém lhe está pedindo que siga um homem ou um livro, mas que sigam a Mim, o Eu, o Espírito, no âmago de seu próprio ser.

Deixem suas "redes", e sigam o Eu. Deixem seus meios e costumes materiais, e sigam o Eu, o Espírito dentro de vocês, o divino Cristo, depositando nEle maior confiança do que em algo ou alguém do reino exterior.

Ao menos alguns, dentre vocês, chegaram a ponto de desenvolvimento espiritual para serem chamados, hoje, a escolher a quem irão servir. Alguns não tinham ainda deixado suas "redes"; alguns não tinham ainda abandonado sua dependência ou confiança em meios materiais ou em seres humanos; alguns não tinham ainda aprendido a confiar inteiramente no Pai interior. Mas, agora, vocês estão sendo chamados para deixar as suas "redes".



sexta-feira, maio 30, 2008

Ver apenas o Cristo!


AMO O BEM, QUE É
O CRISTO PRESENTE EM
TUDO E EM TODOS
(Unidade)


Às vezes, deparamos com situações e pessoas em que parece haver ausência total do bem. No entanto, o bem lá está, porque Deus é onipresente! Se nos erguermos em fé, aguçaremos a visão apreciativa e traremos à tona o bem que não parece existir nelas. Desse modo suscitaremos esse bem na coisa, situação ou pessoa, ajudando-a, em vez de sobrecarregá-las com a nossa visão negativa.

Com o tempo, iremos além da prática de ver o bem, para contemplar e amar o Cristo em tudo e em todos. Essa transformação deve ocorrer em nós, para que possamos afetar favoravelmente os outros. É um autotratamento que nos revelará o bom mundo de Deus. Essa era a vivência de S. Francisco. Essa foi a experiência de Daniel na cova dos leões. Essa é a prova da inofensividade inatacável que muitas vezes demonstraram.

Comecemos conosco mesmos:

"Vejo-me cheio de erros e defeitos? Isto me ajuda? Por que não busco e evidencio o que tenho de positivo? E isto mesmo devo fazer com meus entes queridos e amigos.

Sou filho de Deus: é-me mais fácil amar!"

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E viu Deus tudo quanto
tinha feito e eis que era muito bom.
Gênesis 1:31.

quarta-feira, maio 28, 2008

Como Viver a Vida Cristã (Joel S. Goldsmith)

Joel S. Goldsmith


Esta verdade não serve para tornar sadias as pessoas doentes nem ricas as pessoas pobres, mas para despertar as pessoas, mesmo as saudáveis e ricas, para uma confiança no poder espiritual, na segurança espiritual e na liberdade espiritual, que não dependem do sucesso da pesquisa médica, nem de qualquer ideologia política, nem do sistema econômico sob o qual estamos vivendo.

Esta é a espécie de liberdade que Jesus procurou dar aos hebreus, em contraposição à liberdade da servidão física, que Moisés havia proporcionado ao seu povo. Todos ainda permancem sob a lei de Moisés, porém no sentido de que eles estão agarrados à segurança econômica e política, e na medida em que ainda não tenham encontrado a segurança espiritual que os manteria seguros, sem importar sob que forma de governo ou onde estejam vivendo.

Ser um cristão significa mais do que a filiação a uma organização cristã ou à cidadania de um país cristão. Significa viver o princípio de Cristo, que quer dizer literalmente orar por nossos inimigos, orar por aqueles que nos perseguem ou que maldosamente nos usam; isso implica fazer um esforço sincero para perdoar nossos devedores até setenta vezes sete e dar amor em troca de ódio. A vida de Cristo nos obriga a "embainhar a espada" e, por isso, a não usar a força humana mesmo em nossa própria defesa.

A vida cristã, no entanto, é individual e nunca se sobrepõe a qualquer outra. Não ditamos nosso desejo ao nosso vizinho; "damos a César o que é de César"; e se nosso país nos convocar em tempo de guerra para o serviço militar ou com o objetivo de comandar na guerra, cumprimos cada exigência que nos é feita, embora sem maldade, ódio ou medo, e sem a convicção de que a força é um poder real.

São cristãos todos os que aceitam a lei e a realidade do poder espiritual, quer pertençam ou não a uma igreja. Os verdadeiros cristãos não têm por que confiar nos meios e métodos humanos, já que têm a Presença interior para guiar, dirigir, governar, curar, manter e proteger. Eles têm "comida para comer, que vós não conheceis" (João 4:32), isto é, uma substância, força e poder não visíveis para o mundo -- uma confiança interior.

Mas o fato é que a maioria dos cristãos é mais hebraica do que cristã. Eles acreditam nos ensinamentos judaicos e, habitualmente, têm mais conhecimento e fé no que está no Velho Testamento do que no que está no Novo. Quando se diz a um cristão que não ouse dirigir uma ofensa contra seu vizinho, não importando qual tenha sido a agressão que sofreu, ele considera isso transcendental, em vez de considerá-lo um ensinamento real de Jesus Cristo.

Quando alguns cristãos são lembrados de orar por seus inimigos, eles não parecem saber que isso está na Bíblia e que os que aceitam o ensinamento de Cristo devem agir de acordo com essas leis. Os cristãos nem sempre são cristãos. Eles lêem a história do Bom Samaritano e, no entanto, frequentemente recusam-se, por razões pessoais, a ajudar alguém -- talvez porque a pessoa seja alemã, japonesa, russa, negra, católica, judia, ou por a pessoa pertencer a alguma outra filosofia ou religião. Mas como quer que seja, eles não estão cumprindo o ensinamento do Mestre, Cristo Jesus. Seus ensinamentos desvelam e revelam o ser espiritual, a identidade espiritual e a existência espiritual.

O que você espera e o que você quer do seu Messias? Lembre-se de que o seu Messias é o Cristo do seu próprio ser. A questão é se você chegou ou não àquele ponto em que pode rejeitar a tentação de manifestar pessoas e coisas e voltar-se para o Cristo, para o Reino interior, conquistando sua liberdade espiritual. Ao passar para a vida espiritual, você está procurando esse Reino interior, esse Cristo que está dentro de você, essa Presença divina, uma liberdade espiritual que significa liberdade das leis materiais, da atividade material, das forças materiais, quer a força seja de infecção ou contágio, quer a força seja dos astros ou de qualquer coisa que alegue ter poder.

Há uma razão pela qual você está nesse caminho. Alguma coisa o atraiu para esse caminho, para esse ensinamento; alguma coisa o atraiu para o estudo deste texto. Você não foi atraído por seu conhecimento ou amizade comigo, nem por causa da grande reputação que eu tenho como escritor. Não, não foi por nenhuma dessas razões. Foi porque alguma coisa indefinível, uma comunhão invisível, uniu leitor e escritor no nível interior e espiritual.

É o que o Mestre, Cristo Jesus, mencionou quando disse: "As minhas ovelhas ouvem a minha voz" (João 10:27). É o que o místico hindu quer dizer quando olha uma pessoa com este reconhecimento "Você é meu discípulo", e o discípulo replica "Eu o tenho procurado há anos!".

É isso o que ocorre! Alguma vez você pensou que o Cântico de Salomão e outras mensagens espirituais são escritas na linguagem do amor porque todo o relacionamento entre mestre e discípulo é um relacionamento de amor? Esse relacionamento sagrado não pode e não vem através da mente que raciocina. Quando você encontra o mestre ou o ensinamento que é realmente seu, você o reconhece imediatamente, talvez por causa da sua comunhão interior. De qualquer forma, trata-se de um reconhecimento -- quase como se você encontrasse uma pessoa pela primeira vez, a olhasse nos olhos e dissesse: "Creio que iremos ser amigos para sempre". É uma comunhão em um nível interior.

Em outras palavras, todos os dias da semana você encontrará essas pessoas, circunstâncias e lugares que são levados até você e sem os quais você não poderia prosseguir, nem eles sem você. Você se sentirá atraído para esses lugares onde poderá ser muito útil e exatamente no momento certo. Você está em sintonia com um sistema infinito de telefonia espiritual e é a Central que está enviando ou fazendo os contatos para você. Você não os faz; a Central os envia e os faz para você. Quando você está vivendo essa vida, sempre constata que esse Escritório Central, Deus, a sua Consciência interior, é a influência realmente dominante em sua vida. E já não há pensamento que vise a querer ou merecer alguma coisa. De fato, você não se preocupa com nada; você apenas segue as direções que lhe são dadas e entra em contato com as pessoas necessárias para o seu desenvolvimento.

Este é, verdadeiramente, o primeiro passo da vida espiritual. Você deu o primeiro passo ao ser levado a ler este texto. Daqui por diante, verá as pessoas que são levadas a você e que você é levado às outras pessoas. Você se verá sendo conduzido a lugares e lugares, levando você até as pessoas. E dirá: "Essa é justamente a coisa que eu gostaria de ter -- se tivesse pensado sobre isso". Mas é sempre alguma coisa maior do que você poderia ter pensado por si mesmo.

Nosso objetivo não é apenas obter um pouco de conhecimento para poder curar algumas dores ou alterar as datas de algumas lápides tumulares. O que queremos é aprender como viver a vida que Jesus veio nos mostrar. Ele não veio apenas para curar as pessoas doentes ou para ressuscitar os mortos. Isso foi somente a prova de que sua mensagem era verdadeira. A importância de sua mensagem foi que no reino espiritual somos "co-herdeiros com Cristo" em Deus, nós fazemos parte da casa de Deus, somos cidadãos conterrâneos dos santos.

Em outras palavras, trata-se de uma vida totalmente diferente da que vivemos no plano interior -- uma vida jubilosa. Na verdade, somos parte do mundo exterior, mas temos uma atividade interior. Não importa onde possamos estar, no meio de qualquer multidão, grande ou pequena, se nos encontrássemos haveríamos de trocar um pequeno sorriso. Temos alguns pequenos segredos; aprendemos algumas coisas sobre o mundo e sobre nós; e, por isso, não importa onde nos encontremos -- dois ou vinte de nós -- haverá apenas esse pequeno sorriso, querendo dizer: "Nós sabemos alguma coisa, não sabemos?"

Sim, realmente sabemos alguma coisa! Sabemos um pouco mais a respeito do Cristo; sabemos um pouco mais a respeito da vida interior; sabemos um pouco mais a respeito daquele Reino que não é deste mundo; e sabemos muito mais sobre como vencer o mundo. Sabemos que, vencendo o mundo, estamos vencendo as crenças que este mundo apresenta, crenças em infecção e contágio, discórdia, pobreza e em coisas que estão fora e à parte do nosso próprio ser.

Estamos aprendendo mais do que isso. Estamos aprendendo que o Cristo não era um homem. O Cristo é o sentido do amor divino que flui entre nós e, se o mundo O permitir, Ele deve fluir de homem para homem e de mulher para mulher, inundando a Terra. Então nunca haveria um homem desejando a propriedade do outro ou a sua esposa; nunca haveria um país desejando dominar o outro, ou a sua mão-de-obra, ou seus recursos naturais.

Os que fazem parte da morada de Deus jamais iniciam demandas pessoais uns contra os outros, ou solicitam sacrifícios pessoais. A única demanda que existe é espiritual:

"O Pai está em mim, e Eu estou no Pai, e você está em mim e Eu estou em você. Eu tenho uma força interior que nunca vacila. Eu tenho vida eterna -- Eu sou vida eterna. Eu sou a própria Presença de Deus e estou abençoando o mundo através de minha compreensão de que isto é verdadeiro, não somente quanto a mim, mas em relação a cada indivíduo no mundo; e se ele despertou ou não para esta verdade, esta é a verdade do seu ser."

Uma vez que você tenha atingido a condição de Cristo, terá alcançado a sua liberdade espiritual. Você então estará livre de toda queixa de mortalidade -- pecado, doença, carência e limitação.


domingo, maio 25, 2008

Fortalecidos pelas dificuldades

Masaharu Taniguchi


"Quando pressionado por muitos deveres, obrigações e tarefas, o ser humano consegue extrair a verdadeira força que traz dentro de si.

Ao empinarmos papagaio (pipa), este sobe pelo so­pro do vento. Contudo, se não fosse a ação da linha, que o impede de subir desgovernado, ele seria levado à mercê do vento e acabaria se rasgando. A pessoa que fica demasiadamente eufórica di­ante de uma ótima situação financeira é como o papagaio que está bem alto mas que de repente é arrastado para lon­ge e fica estraçalhado. Às ve­zes, justamente por existir al­gum obstáculo para a ascen­são (assim como no papagaio existe a linha que o puxa para baixo) o homem conse­gue ascender de forma verda­deiramente correta. Quando pressionado por muitos deve­res, obrigações e tarefas, o ser humano consegue extra­ir a verdadeira força que traz dentro de si.

Os grandes poetas Home­ro e Milton eram cegos. Dante Alighieri também, na velhice, tornou-se praticamente cego. Quando algo nos é tirado, alguma outra força, que esta­va adormecida, repentinamente desperta e vibra. Na situação de cegueira, a pessoa deixa de ver coisas e fatos ba­nais do mundo exterior que dispersam a atenção e, devido a isso, uma espantosa força que estava oculta no seu inte­rior desperta e entra em ação.

Levar uma vida por demais confortável, sem dificul­dades, é como tentar polir uma espada com um chuma­ço de algodão; do mesmo mo­do que a espada não adquire assim o verdadeiro corte, a pessoa que leva uma vida fácil demais também não conse­guirá manifestar sua verda­deira capacidade.

Por vezes, aqueles que se mostram nossos amigos não enxergam os nossos defeitos, ou, tentando nos favorecer ou agradar, ressaltam somente as nossas qualidades. Então, descuidamo-nos, deixamos de conhecer os nossos defeitos e, por conseguinte, não os sa­namos.

Às vezes, aqueles que se apresentam como nossos ad­versários é que são os verda­deiros amigos. Como eles apontam defeitos que não ha­víamos percebido, podemos corrigir as nossas falhas. Mes­mo no jogo de xadrez, conse­guimos progresso quando en­frentamos adversários fortes, e isso ocorre porque eles ata­cam os nossos pontos fracos, os que ainda não havíamos percebido, e temos de nos esforçar muito para enfrentá-los. O essencial é não ficarmos acomodados, deixando-nos iludir pelas bajulações.

"A vida não é como argila. Ela é como o aço, que deve forjado" – assim dizia Emerson. Não se deve subestimar a vida. Por mais habilmente que uma pessoa consiga interpretar textos, seus conhecimentos serão inúteis se não passarem de meras teorias, pois ao ser lançada na correnteza da vida ela poderá acabar naufragando.

O monge Takuan assimilou verdadeiramente o zen quando atingiu o estado espiritual em que o caminho da espada e o do zen se tornaram um só e ele conseguiu vencer o exímio espadachim Yagyu Tajima. A vida não deve ser temida, tampouco subestimada. Dizem que, quando um professor de técnica de comércio se envolve em atividade comercial, em geral ele acaba fracassando. No caso de professor de religião, se ele fracassa ao se dedicar a um empreendimento é porque sua fé ainda não é verdadeira. Certa pessoa disse: "Se um empresário abraçar uma religião, seus empreendimentos crescerão; mas, se um religioso se dedicar a um empreendimento, nem sempre conseguirá êxito". Essa afirmação contém uma advertência sobre a qual os religiosos devem refletir.

Quem despreza a força do inimigo será por ele derrotado. Subestimar a vida é o mesmo que menosprezar a capacidade do adversário. A vida não deve ser subestimada, mas não estou dizendo que devemos temê-la. O que eu quero dizer é que o homem precisa conhecer a si próprio, o adversário, a hora e o lugar. Aquele que não conhece a adequação pessoa, lugar e hora será fatalmente derro­tado. Conhecer a pessoa, isto é, o ser humano, significa re­conhecer a capacidade e o temperamento próprios e também os do outro. Conhe­cer o lugar significa discernir se o lugar é adequado ou não para concretizar determina­da ação. Conhecer a hora sig­nifica saber se o momento é apropriado para agir ou não; uma diferença de dez minu­tos pode acarretar grande lucro ou grande perda numa transação comercial.Conhecer a adequação pessoa, lugar e hora – isso é ter sabedoria.

O amor não é compaixão. Ter compaixão é ressaltar a dificuldade do outro e ofere­cer piedade com senti­mento de apego. Se a pessoa passar a enfatizar os seus problemas e ficar com o pensamento fixo na dificulda­de, não mais conseguirá sair da situação lastimável, devi­do à força do pensamento.

A dificuldade jamais cons­titui infelicidade para a alma. Os maiores inimigos da alma são a preguiça e a covardia. Tendo vários caminhos para trilhar na vida, a maioria opta pelo caminho mais fácil, mas, na verdade, o caminho mais difícil é que conduz ao apri­moramento da alma. Um ca­minho plano e fácil, que não requer esforço ou sacrifício para trilhar, não contribui para forjar a alma da pessoa.

Aceitar uma tarefa mais difícil do que a atual é o me­lhor meio para forjarmos a nossa alma. Da mesma forma que o nosso físico aumenta o vigor quando o treinamos com exercícios adequados, a nossa alma adquire maior força quanto mais enfrentamos questões difíceis. So­mente através desse procedi­mento o ser humano pode manifestar a força infinita de Deus com a qual já nascemos nes­te mundo.

A felicidade dos jovens não deve consistir em sim­plesmente desfrutar as bên­çãos recebidas e levar uma vida cômoda em que nada de novo acontece. É preciso que os jovens, enfrentando e ven­cendo diversos problemas, desenvolvam a força infinita recebida de Deus que está latente neles. Logo, não de­vem fugir das dificuldades, mas também não precisam de­sejá-las, pois isso já seria cul­tuar o sofrimento. O que eles devem fazer é enfrentar as dificuldades corajosamente, considerando-as como pele­jas esportivas. Assim, mani­festar-se-á a força infinita do seu interior.

Ao deparar com uma difi­culdade, você não deve pen­sar que aconteceu uma tragé­dia e considerar-se vítima. Julgando-se protagonista de uma tragédia e deixando-se levar pela autocomiseração, você acabará criando uma si­tuação ainda mais trágica. Se surgir uma dificuldade, ima­gine-se como membro de uma expedição que está se embre­nhando corajosamente numa densa floresta à procura de novas terras. Quanto mais densa e emaranhada a flores­ta, maior será a emoção da aventura. E será especial­mente grande a alegria ao sair da floresta para o campo. Dessa forma, você cultivará uma grande força, e deixará de sentir as dificuldades co­mo tais.

Aquele que só almeja uma vida cômoda, que pensa estar manifestando a Imagem Ver­dadeira apenas porque está vivendo confortavelmente e deixa adormecida em seu interior a "força capaz de dominar as dificuldades" será tragado pelas ondas do mundo feno­mênico quando vier uma "tempestade", pois não terá forças para enfrentá-la.

Você não precisa desejar as dificuldades, mas também não deve fugir delas. Saiba que toda e qualquer tarefa ou responsabilidade atribuída a você é um meio que Deus lhe destinou para que a sua força interior se desenvolva. Portanto, o melhor meio para o aperfeiçoamento e engran­decimento pessoal consiste em enfrentar a tarefa e a res­ponsabilidade sem temor, com força total, agradecendo a elas.

O surgimento de proble­mas significa surgimento de oportunidades de progresso. Se não houvesse problemas no mundo, ninguém se esfor­çaria para melhorar; assim os assalariados de baixa ren­da continuariam indefinida­mente nessa situação, lavado­res de pratos jamais deixari­am de ser lavadores de pra­tos. Se os homens do passado não tivessem mente sonhado­ra e espírito de aventura, a humanidade não teria alcan­çado o nível atual de progres­so.

Avante, jovem! Acalente um grande sonho e encete uma jornada corajosa em busca de uma grande aventu­ra!"


Da Revista Mundo Ideal ANO II Nº 20
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segunda-feira, maio 19, 2008

Amor: O Caminho, a Verdade e a Vida



Aprender a amar e a perdoar é o mais importante ensinamento espiritual. Pode parecer que “amar” e “perdoar” sejam coisas diferentes, mas não são; esses dois ensinamentos, assim como outros, são manifestações naturais decorrentes do homem que conscientiza sua verdadeira natureza. O amor, o perdão, o sentimento de gratidão, a prática do bem – tudo isso passa a se manifestar naturalmente quando a pessoa descobre quem ela é realmente. Porque a verdadeira condição do ser humano é Amor.

Somos felizes quando sabemos quem somos! Porque, quando descobrimos quem somos, descobrimos que somos amor. E aqui encontramos um ponto muito delicado, é preciso compreender o que significa “amor”, é muito importante ter a compreensão desta palavra porque conhecê-la nos levará para um ponto mais próximo de conhecermos a nós mesmos.

O amor é doação de si mesmo. Doa não porque ele tenha interesse em doar, mas porque isso é inevitável, essa é a sua natureza. O que é amor não necessita fazer mais nada para si mesmo – tudo já foi feito. Não precisa mais existir com finalidade para si mesmo, porque tudo por ele já foi alcançado. O Amor sempre foi Amor: nunca teve um começo e nunca terá um fim, porque ele É. O Amor é Deus: “Aquele que É”.

Mas, apenas para fins de proporcionar uma melhor compreensão do que é o amor, vamos trabalhar com a proposição – uma história ou parábola -- de que o amor nem sempre foi amor, de que houve um tempo no qual ele existia como alguma outra coisa e que, mais tarde, ele viria a ser o que ele é hoje: amor.

“O amor, antes de ser amor, buscava viver somente para si mesmo. Naquele tempo, o amor era um vazio, um vazio miserável; havia algo que faltava nele e ele não se sentia completo, preenchido, realizado. Por isso ele buscava preencher o seu ser através de tudo; ele passou por todas as experiências existentes possíveis e, depois de vivenciar tudo o que havia para ser vivenciado, ele chegou a um ponto onde não havia mais nada a fazer, nenhum lugar aonde ir. Depois disso, depois de atingir tudo quanto havia para ser atingido, não houve mais nada o que restasse. O amor viu-se vazio novamente. Mas desta vez, esse vazio não era um vazio miserável, a qualidade dele era totalmente diferente do vazio que um dia ele fora. O amor havia chegado a um vazio novamente, mas desta vez ele estava completamente cheio. Encheu-se todo, até que o seu ser começou a transbordar. Foi a partir desse instante que o amor mudou completamente a sua natureza, transformando-se, assim, no amor que ele é hoje.”

Esse conto, na verdade, não é a história da vida de Deus (Deus não possui uma história – Deus É!), esta é a história de cada ser humano nascido nesta vida. Após ler esta história, olhe agora em volta de você e veja do que toda essa existência que está a sua volta é feita. Se a vida existe, é porque há algo sendo doado para fazer surgir e manter tudo isto que existe. Quem está doando? Deus está doando. Esta vida que existe é Deus transbordando, é Deus tornado visível, é o Verbo que se fez carne. O amor é a essência de tudo, é a verdade sobre a vida e a natureza de cada ser humano.

Uma pessoa que ainda não conscientizou sua perfeição ainda está se movendo, ainda está tentando ir a algum lugar, tentando viver alguma experiência, buscando atingir alguma coisa -- ela está vivendo para si, e está tentando se preencher. Mas a pessoa que conscientiza a sua verdadeira natureza não está preocupada em viver para si; ela entrega a sua vida de volta a Deus.

Somos felizes quando compreendemos que somos amor! Descobrimos que não existimos, que somos vazios, nada. Ou também poderíamos dizer que já somos tudo. Já chegamos a todos os lugares, já passamos por todas as experiências e, assim, descobrimos que não precisamos de mais nada. O que nos sobra, então? O que é que nos deixa tão felizes, quando descobrimos quem somos, já que não há mais nada para ser feito, nenhum lugar a mais aonde se ir? É aqui que está o segredo do porquê a felicidade surge quando descobrimos quem realmente somos. É porque, já que não sobrou nada para nós, nossa natureza se transforma e somos forçados a mudar de direção. O nosso ser transborda e a nossa vida deixa de ser vivida para nós mesmos, e passamos a viver a nossa vida para o outro. Esse transbordamento faz com que o nosso ser seja um presente para tudo aquilo que não somos nós – pessoas, coisas, fatos, a existência inteira! E aí está a felicidade.

De graça recebemos do Universo o nosso ser, o Universo nos deu a nossa vida de presente e, quando retribuímos isso a ele, o fluxo faz o movimento contrário, o amor flui de um lado para o outro, o ciclo se completa. O homem passa a corresponder a relação: ele doa de volta o seu ser para tudo aquilo que não é ele mesmo: o universo inteiro. Toda a vida do homem transforma-se em doação. Cada gesto, ato, palavra, pensamento que vêm ao mundo por meio dele é para corresponder à Vida de Deus -- é dedicado a Deus, à Grande Vida, ao Universo. E desse processo surge a verdadeira felicidade e a paz que todo ser humano está buscando.

Basta descobrir isso: o nosso ser é Amor. Tudo que é necessário para sermos felizes é "conhecermos a nós mesmos". O nosso ser já é perfeito aqui e agora. Nenhum de nós necessita que nosso ser viva para si mesmo. Nós já temos tudo, de modo que não precisamos de mais nada. Temos alegria, felicidade, tranqüilidade, paz, sucesso, harmonia em todas as coisas da nossa vida. É a graça de Deus – a Graça inerente à natureza do Amor – que nos proporciona todas essas coisas. Que mais nos resta, então, a não ser viver para o outro? Este é o critério pelo qual se pode avaliar o quão evoluído espiritualmente uma pessoa é. Você poderá ter a certeza de estar diante de alguém inteiramente desperto apenas observando se ele ama e doa sua vida à humanidade.

O amor e o perdão são a culminância de todos os ensinamentos espirituais. Não há nenhum que seja mais elevado, porque o homem que desperta para a sua iluminação espiritual vive conforme as leis do amor e do perdão. Não há nada que seja capaz de afetar o homem que compreendeu a Verdade, porque ele possui a compreensão de que nada lhe pode ser retirado ou acrescentado – a Graça de Deus faz com que ele já possua todas as coisas dentro de si. Quem compreende isso verdadeiramente não pode jamais ser prejudicado por qualquer coisa. Mesmo se a pessoa for traída, enganada, fraudada, maltratada, etc... ela não dará importância devido ao conhecimento da Verdade que possui. Mesmo que ela perca todos os seus bens, sua casa, seus amigos – ela pode perdoar, porque compreende que nada lhe foi subtraído. Ela pode perdoar! Ela não vive segundo a vida deste mundo, pois “o Meu reino não é deste mundo”. Ela vive a vida pela Graça. Vivendo a vida pela Graça, o homem é capaz de amar, perdoar, agradecer a todas as coisas do céu e da terra, praticar sempre o bem, fazer o outro alegre, proferir palavras de elogios -- ele vivifica a todas as pessoas, coisas e fatos, a todas as coisas do céu e da terra.

A vida do homem filho de Deus (que é o homem verdadeiro) é uma doação inteira de si mesma. Ele não se preocupa com a sua vida, ele preocupa-se com os outros. Sua preocupação é zelar pela Vida com sentimento de amor e gratidão, porque essa mesma Vida zela por ele. É um relacionamento mútuo de amor, uma relação ‘do homem com Deus’ e ‘de Deus com o homem’.

- Lao-Tsé diz: “O sábio não se preocupa com a sua salvação e por isso a encontra.”

- Jesus diz: “Aquele que quiser ganhar a vida, perdê-la-á; mas aquele que quiser perdê-la, ganhá-la-á.”

A Verdade é um paradoxo. O homem que vive pela Verdade parece desperdiçar a sua vida, mas ele é quem mais é aproveitado com a vida que tem. Ele parece apenas doar, mas ele é o que mais recebe. Ele não cuida de sua própria felicidade, mas ele é o mais feliz dentre todos. Porque sua felicidade provém de Deus, ela é sustentada pelo Cristo; ela não é obtida por meio de esforços humanos. Jesus e Lao-Tsé estão dizendo: "amem! doem-se!". Tudo na vida daquele que vive pela Verdade é provido pelo Cristo, e o Cristo provê tudo com abundância! Assim, não há necessidade de se preocupar. A única necessidade que existe é a de amar, de manifestar sempre cada vez mais o amor. O amor é o Caminho, a Verdade e a Vida, é a justiça de Deus e, quando ele é buscado em primeiro lugar, as outras coisas nos são dadas por acréscimo. Essa é a promessa de Deus para nossas vidas.



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*Este post é dedicado especialmente ao meu amigo Thiago ("Mizi")

Tua vida é perfeita!



"Você precisa acreditar na perfeição da tua Vida.
Precisas lembrar-te que tudo quanto Deus fizera viu que era bom.
Você precisa saber que já é perfeito.

Todas as coisas já existem dentro de ti, nada existe que esteja separado de você.
Tu não necessitas buscar nada que esteja fora de ti.
Porque tudo já está dentro, não há nada separado da Vida que tu já és.
Todas as coisas foram-te concedidas desde o início.
Quem tenta obter de fora tudo quanto necessita, não compreendeu que sua Vida está sempre em Deus, e que Deus é tudo.
Tu não precisas ser alegre -- porque tu já és!
Tu não necessitas ter satisfação -- porque ela já está inteiramente aí presente, em ti.
Tu tens tudo! E tens tanto, tanto, mas tanto...
Que tudo o que te resta a fazer é doar tudo quanto tens para os outros.
É assim que é o teu ser.

Você é filho de Deus e todas as coisas já te foram concedidas.
Tua vida já é perfeição, e perfeição significa que não há mais nenhum lugar aonde ir -- porque todos os lugares que tinham para serem idos, já foram!
Tua vida já é perfeição, e perfeição significa que não há nada mais a ser experienciado pelo Ser que você é -- porque tudo o que havia para ser experimentado, já o foi!
Tua vida já é perfeição, e perfeição significa que nada mais resta a se obter para si -- porque tudo o que havia para ser obtido, já foi conseguido.

Que fazer, então?
Para aonde ir, então?
Teu ser divino, que é filho de Deus, não pode mais ir a lugar algum -- pelo menos em se tratando de viver para si mesmo.
O cálice de teu ser está tão cheio, que nem uma única gota pode ser adicionada a ti.
Tu já és completo!

Muda de direção!
Volve teus olhos de ti para o teu próximo!
Ama o próximo, ama a todas as coisas do céu e da terra.
Vivifica o teu próximo e a todas as coisas do céu e da terra.
Faz alegre o teu semelhante.
Queima a chama de tua vida até consumir-se completamente em prol de todas as coisas do céu e da tera.

Tudo o que vem ao mundo por meio de teu ser é 'doação da tua vida a teu próximo'.
Nada há que precises fazer para ti.
Nada há que precises obter para ti.
Para ti, que és filho de Deus, não há sequer a necessidade de existires para ti mesmo.

Tu és o Ser Divino... o puro amor de Deus.
És o amor de Deus derramado na Terra.
Recebeste de Deus tudo quanto Ele possui.
Portanto, tendo recebido de Deus tudo quanto Ele possui, que mais poderia querer, senão compartilhar a tua vida com o mundo?
Fazer feliz o outro -- nisso consiste a vida do filho de Deus.
Tua vida existe para vivificar a todas as pessoas, coisas e fatos.

Desperta tu que dormes!
Acorda e vê que tu és o filho de Deus."
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( Todo o meu carinho, amor e gratidão à Seicho-No-Ie)

quinta-feira, maio 15, 2008

A Vida é preciosa!

Seicho-No-Ie



Algumas pessoas se surpreendem quando afirmo que 'doença não existe' e retrucam: “É claro que a doença existe, como todos podem constatar”. Elas estão confundindo o existir com o estar manifestado. De fato, a doença é um estado que está manifestado, mas ela não existe de verdade. Tudo o que está manifestado desaparece, mas o que existe de verdade jamais desaparece.

Diante da pergunta: “Então, o que existe realmente?”, as pessoas poderão responder: Deus, a verdade, o belo, o bem ou até mesmo o ser humano. Mas o ser humano, no tocante à existência física, é fadado a morrer e virar cinzas (ou voltar ao pó). Portanto, também é uma manifestação (fenômeno). O Sol, a lua e outros corpos celestes, visíveis aos olhos físicos, também são manifestações, pois consta que, no fim, se transformarão em poeiras do espaço. Entretanto, por trás do aspecto fenomênico existe a Imagem Verdadeira. Por exemplo, por trás do Sol visível aos olhos físicos, existe a “essência espiritual do Sol” que é eterna.

Precisamos, porém, cuidar bem também das manifestações. É um equívoco não dar importância ao corpo carnal e às coisas materiais, pois não são mera matéria, e sim imagens simbólicas que expressam a Vida de Deus.

A fotografia, por exemplo, é um objeto material; mas, quando se trata do retrato de uma pessoa querida, certamente lhe atribuiremos uma importância muito maior que o seu valor material e cuidaremos dele com todo o carinho. O mesmo se pode dizer do ser humano manifestado como corpo carnal. Quando compreendemos que é manifestação do ser eterno, do homem, filho de Deus, passamos a nos empenhar realmente em cuidar bem do nosso corpo. Somente o que é eterno possui valor supremo. É evidente que Deus e o filho de Deus, que são eternos, possuem valor infinitamente maior que as manifestações transitórias, como, por exemplo, o “homem carnal”. Entretanto, no corpo carnal se expressa a Vida do filho de Deus e, por isso, precisamos preservá-lo com zelo. Quando amamos e respeitamos alguém, cuidamos com carinho do retrato dele. Mas se perguntarem qual das duas – a própria pessoa ou a sua fotografia – é mais valiosa, é óbvio respondermos que a pessoa é muito mais valiosa que a fotografia.

De modo análogo, embora o “homem carnal” tenha a sua importância, é evidente que o homem, filho de Deus é infinitamente mais valioso. Pois saiba que o homem, filho de Deus é a essência do seu ser, é a sua Vida. Quando todos compreenderem o verdadeiro valor da Vida, este mundo se tornará realmente pacífico, pois as pessoas respeitarão umas às outras e viverão repletas de gratidão e alegria.

(Masaharu Taniguchi)

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terça-feira, maio 13, 2008

Abandonando o “princípio da insuficiência”



Na província de Kochi, no Japão, mora um farmacêutico de nome Shizuo Dodo. Sendo químico, ele estava habituado às coisas com base na química. Tendo lido o livro Mistérios do Universo escrito pelo grande filósofo alemão, Haeckel, adotara a opinião de que também o homem é uma simples massa feita de matéria. Acreditava, portanto, que o fato de a sua esposa não conceber devia-se a alguma insuficiência de ordem material. Depois de fazer inúmeras experiências no campo da Química, finalmente pensou ter descoberto o princípio fundamental segundo o qual todas as coisas deste mundo se movem é o “princípio da insuficiência”. Insuficiência quer dizer “falta”. Portanto, todas as coisas se movem devido ao princípio da “falta de algo”. As pessoas trabalham porque lhes faltam dinheiro; comem porque lhes faltam alimento e elementos nutritivos em seu organismo; o homem deseja a mulher porque ela lhe faz falta; e a mulher, por sua vez, deseja o homem porque este lhe faz falta; o hidrogênio e o oxigênio se combinam, porque ao oxigênio falta hidrogênio e ao hidrogênio falta o oxigênio. Tudo se move devido ao princípio da “insuficiência”. Foi essa a conclusão a que chegou o Sr. Shizuo Dodo. “Este é um princípio incontestável. Eu descobri a verdade sobre o universo”, assim pensou ele. Mas, certo dia, ele conheceu minha filosofia do Jisso (Jisso = mundo perfeito e absoluto de Deus), segundo a qual “o homem se move segundo o princípio da suficiência”.

Este ponto de vista é completamente oposto ao do Sr. Shizuo. Como já dissemos, a sua teoria era a de que tudo, tanto o homem como as coisas, movimentam-se devido à falta de algo. Mas, segundo a filosofia do Jisso, todas as coisas e todos os homens se movimentam para manifestar o seu aspecto original, que já é completo. Expliquemos: Entre os leitores, deve haver muitas pessoas que gostam de fumar. Quem tem vontade de fumar são certamente aqueles que possuem no seu interior (na sua mente) o gosto do fumo, pois uma pessoa que não conhece o gosto do fumo não sente o desejo de fumar. Portanto, é válido pensarmos que o fato de desejarmos uma determinada coisa significa que nós já possuímos essa coisa. Em outras palavras, nós sentimos o desejo de obtê-la porque ainda não se manifestou diante de nós o que é nosso originariamente. Por exemplo, a mulher deseja o homem e o homem deseja a mulher, porque ambos sabem, intuitivamente, que a sua “outra metade” existe em algum lugar. O objeto do nosso desejo já existe, e é por isso que nós o buscamos.

Buscamos o caminho da salvação e de Deus através da religião. Sentimos o desejo de nos religarmos com Deus justamente porque no âmago do nosso ser temos a consciência de que “originariamente somos divinos”.

Um eminente sacerdote budista chamado Kobo escreveu em sua obra Sokushin-Jôbutsu-Gui: “Todas as criaturas já se acham no estado de Buda; contudo não se apercebem disso”. Com isso ele quer dizer que todos os seres, apesar de serem originariamente filhos de Deus perfeitos, ignoram essa verdade. Simplesmente não percebem. Basta que eles percebam o seguinte: “Eu já sou um ser búdico, já sou perfeito. A ilusão já não existe, o pecado já não existe; já sou perfeito e completo; já sou filho de Deus, filho de Buda”.

Pode-se dizer Deus ou Buda, pois a essência é a mesma. Buda significa “libertação”. Na sutra do NIRVANA está escrito: “No libertar-se consiste o estado de Buda”. Libertar-se significa soltar as amarras, isto é, tornar-se livres de todas as restrições. Quando o homem se liberta de todas as restrições e desaparecem todos os “nós” que o amarravam, manifesta-se uma situação de total desembaraço, como se tivesse sido aberto o embrulho que encobria o diamante. Esse estado de total liberdade é o estado de Buda.

O homem, apesar de ser originariamente “Filho de Deus” e totalmente livre, sente-se preso. O que o prende, porém, não é uma força externa; se ele está preso, é por causa de suas próprias algemas, isto é, ele mesmo se amarra. Isso se parece a um pesadelo. Sonhamos, por exemplo, que um ente diabólico está sobre o nosso peito, oprimindo-nos com força terrível, sentimo-nos sufocados e tentamos desesperadamente afastá-lo de nós, mas não o conseguimos. Quando chegamos ao ponto de não suportarmos mais o seu peso, nós acordamos. Percebemos, então, que não há diabo algum e que aquilo que apertava nosso peito era apenas nossos braços. Nós próprios estávamos comprimindo nosso peito, com toda força. O mesmo acontece com o homem, que se auto-limita. Apesar de ter, originariamente, dentro de si, a Vida de Deus Todo Poderoso, o homem a mantém encoberta porque não percebe a sua própria natureza divina e se considera simples massa feita de matéria, um ser fraco e insignificante, sujeito a doenças. Com esse pensamento, ele está sufocando a Vida de Deus que há em seu interior. O que mantém preso o homem não é o “diabo”, mas sim seus próprios “braços”, os “braços da mente”.

A força que aqui foi comparada ao “diabo” do pesadelo não é uma força externa; é a força que existe dentro do próprio homem. Quando o homem dirige essa força para fora e aplica-a livremente no mundo exterior, ele é capaz de realizar qualquer obra. Prendendo a si próprio com tal força, ele diminui a sua própria capacidade. A isso chamamos “ilusão”. Esse emprego negativo da mente é que prende a vida do homem. Isso é também chamado de “tsumi” (pecado). A palavra tsumi originou-se de “tsutsumu” (encobrir). Na verdade, não existe uma ‘coisa’ chamada pecado. Acontece apenas que o homem encobre o seu Jisso, o seu Aspecto Real, e não o manifesta. O homem sendo originariamente Filho de Deus, é completamente livre; ele não é um corpo carnal, não é uma insignificante massa feita de matéria, atacada por micróbios ou atingida por calamidades. Contudo, se esquece disso e, pensando ser real o aspecto visto pelos olhos da carne, julga-se massa feita de matéria, um mero corpo carnal. Ao pensar assim, ele está encobrindo e prendendo a si mesmo. Isto é “tsumi” (pecado).

Mas quando despertamos para a consciência de que o homem não é matéria nem corpo carnal, mas sim um ser espiritual inteiramente livre, diz-se que chegamos à compreensão da Verdade. Em outras palavras, quando ocorre esse despertar, desfaz-se o envoltório que encobria o nosso Jisso. A palavra “desfazer” ou “desatar-se”, em japonês, é “hodokeru”, de onde vem a palavra “hotoke” (Buda). Assim, quando se desfaz o “embrulho” ou “envoltório”, nós alcançamos o estado búdico, isto é, tornamo-nos completamente livres. Todavia, mesmo que se desfizesse o envoltório, se o seu conteúdo fosse um monte de quinquilharias, apareceriam apenas quinquilharias. Mas quando o homem desperta espiritualmente e desfaz o seu “envoltório”, ele passa a apresentar o estado de Buda, torna-se totalmente livre. Isto quer dizer que sob o “envoltório” está originariamente o seu Jisso, o seu aspecto real, a Vida de Deus.

Voltemos àquele exemplo do pesadelo mencionado antes, no qual o “diabo” procura nos esmagar. Despertando sobressaltados, vemos que eram os nossos próprios braços que apertavam nosso peito. Podemos comparar esses “braços” ao envoltório que encobre o Jisso. Quando abrimos os olhos do espírito e retiramos os “braços” que nos mantinham presos, começa a emanar uma grande força que há originariamente dentro de nós. Então, nada mais poderá nos prender. Ocorrendo o despertar, o homem descobre que é perfeito desde o princípio e que nada lhe falta. Tudo isto o Sr. Shizuo Dodo ficou sabendo através da leitura A Verdade da Vida (uma coleção espiritual de livros publicados pelo fundador da Seicho-no-Ie).

Transformando-se a mente, transformam-se também o corpo e o meio ambiente. Assim, a esposa do Sr. Shizuo, que até então não concebia apesar dos vários tratamentos feitos, concebeu e deu à luz uma linda criança. Também mudou sua atitude em relação ao dinheiro. Até então, por mais dinheiro que o Sr. Shizuo ganhasse, ela reclamava dizendo que era insuficiente. Mas depois que o Sr. Shizuo leu o livro A Verdade da Vida, sua esposa deixou de reclamar. O casal passou a ter a vida de abundância quando obteve satisfação espiritual através da filosofia que afirma: “Todas as coisas que o homem busca, na verdade já lhe estão dadas”. O nosso estado físico, o ambiente que nos cerca, as circunstâncias nas quais vivemos, as nossas condições financeiras, enfim, tudo é reflexo de nossa mente. Quando a nossa mente enriquece, também os nossos bens materiais se tornam abundantes. No seu Jisso (Aspecto Real), todas as coisas estão completas e são suficientes desde o princípio.

É exatamente por isso que sentimos o desejo de obter isto ou aquilo, para manifestar esse Jisso suficiente também no aspecto fenomênico. Como já foi dito, se queremos uma coisa, é porque essa coisa já existe. O Sr. Shizuo chegou à compreensão dessa verdade.

Vocês são filhos de Deus e já possuem dentro de si todas as coisas. Basta que vocês as exteriorizem, e isto equivale a “dar, em primeiro lugar”. Quando as pessoas exteriorizam o que já possuem dentro de si, tudo passa a mover-se favoravelmente: Nasce o filho tão esperado, aumentam as riquezas, e tudo se harmoniza.


(Masaharu Taniguchi)