"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

quinta-feira, março 17, 2016

Quem é você? O que é?


Osho


Você me pergunta quem sou eu. Eu lhe digo: "Eu não sou". Estou sempre dizendo aos que buscam que perguntem a si mesmos "Quem sou eu?", não para que venham a saber quem são, mas para que chegue um momento em que a pergunta seja feita tão intensamente que o perguntador não esteja mais presente e só a pergunta permaneça. A pergunta não é feita para se obter uma resposta, mas sim para se transcender a própria questão.(...)

Para mim a questão "Quem é você?" não tem nenhum sentido. "O que é?" é a única pergunta relevante. Não quem, mas o que pode ser algo total, pode se referir à totalidade, a tudo o que existe.

A pergunta " O que é?" é existencial. Não tem dicotomias, não divide. Mas a questão quem já divide no próprio momento em que é proposta. Ela aceita a dualidade, a multiplicidade de seres.

Só há ser, não seres. Digo que há apenas ser, que há apenas o existir. Um não pode estar separado do outro. Se não há o outro, então dizer que um existe não tem sentido. Assim, o ser não existe, só o existir. (...)

Quando você pergunta: "Quem é você?" isso para mim significa: "O que é?".

"O que é" não é "eu", mas o próprio ser, a própria existência. Quando se mergulha fundo em uma única gota, encontra-se o oceano. Só na superfície a gota é apenas uma gota. Ela é a própria existência. Assim, a natureza última de uma simples gota de água é a mesma do oceano. É oceânica. Somente na ignorância alguém é uma gota de água. A partir do momento em que alguém sabe, sabe que é o próprio oceano.

O que é que existe? Há muitas camadas. Se alguém percebe apenas na superfície, aí existe a matéria. Matéria é a superfície. Tempos atrás, a ciência só investigava a superfície: acreditava-se que só a matéria era real, e nada mais. Agora, porém, a ciência deu mais um passo à frente. Ela afirma que não há matéria, só energia. Energia é a segunda camada. É mais profunda do que a matéria. Penetrando fundo na matéria não achamos matéria, sim energia. Mas também isso não é tudo, pois existe a consciência além da energia. Assim ao perguntar " Quem é você?" eu digo "Eu sou consciência" e essa resposta abrange tudo. Tudo é consciência: eu respondo tão somente como representante de tudo. (...)

A consciência existe, e quando digo que algo existe isso tem um significado particular: que isso nunca se tornará inexistente. Se algo pode cair na não-existência, isso significa que nunca existiu realmente. Era apenas um fenômeno; só aparentava existir.

Tudo o que muda é fenomenal; não é realmente existencial. Tudo o que muda está na superfície. O mais interno, o âmago supremo nunca muda. É, e está sempre presente. Nunca se pode dizer que era, nem se pode dizer que será. Uma vez que é, é. Só o presente se aplica a ele. (...)

Quando digo que a consciência existe, não me refiro a algo ligado ao passado ou ao futuro, mas a algo eterno, não interminável, porque a palavra interminável carrega um sentido de tempo. Quando digo que a consciência sempre existe no presente, quero dizer que ela é não temporal. Está além do tempo, e simultaneamente além do espaço, porque tudo o que está no espaço torna-se inexistente, assim como tudo o que está no espaço também se torna inexistente.

Tempo e espaço não são duas coisas: por isso os relaciono. São um só. O tempo é apenas uma dimensão do espaço. O "movimento no espaço" é tempo, e "tempo imóvel" é espaço. A existência é não-temporal, não-espacial.

Penso que agora você será capaz de entender quando eu digo que sou não-temporal e não-espacial. Mas o meu "eu" abrange tudo. Você está incluído nele, o questionador está incluído. Nada está excluído do meu "eu". Agora será mais fácil responder a sua pergunta."


4 comentários:

SERgio disse...

O "que é Que É"? O Que É, além do existir e inexistir? Isto!

Além de "eu" e "não eu"? ISTO!

ISTO que não é "algo"(que poderia vir a existir e des-existir).

"Algo",para existir, requer a simultaniedade fenomenal de tempo-espaço. (corpo-espaço-tempo...).

"O que É" (usando da ousadia da descrição em palavras) seria como que o "pano de fundo", ou "tela" subjacente ao fenomênico.

Claro, estes termos subentendem "algo", pois a linguagem sempre, ou quase sempre, refere-se a algo.

Foi só uma tentativa didática com vistas à compreensão intuitiva.

A pergunta "quem sou eu", dá mesmo um sentido de "pessoa", quando inquirimos a Verdade, que é "Universal", e assim sendo, abrange aquilo que entendemos (ou não) como sendo "nós"("eu").

Porém, em outro contexto, quando caso queiramos questionar o "eu" que pensamos que somos, pode ser válida a pergunta "quem é este eu", com possibilidade de remeter à Fonte...

Namastê!

Gustavo disse...

Um Curso em Milagres diz que o mundo físico que enxergamos vem a ser um símbolo daquilo que realmente é. O fato de ser um símbolo já o afasta da Realidade. E diz que a linguagem (palavras) são símbolos de símbolos, já que possuem a finalidade de expressar o mundo físico. Portanto, o Curso em Milagres define as palavras como sendo algo bastante limitado, pois são "duplamente afastadas da realidade". Isso faz com que qualquer tentativa de expressar a realidade em palavras seja algo bastante complicado e desafiador. E isso também é reconhecido por todos aqueles que foram além da dualidade.

Mas, apesar de toda a dificuldade da linguagem, todos eles continuaram a empregá-la, pois de que outro modo poderiam tentar transmitir/compartilhar a luz que encontraram? Existe o compartilhar silencioso (Darshan/Satsang/Menju/Upadesa), que é quando o iluminado transmite por intermédio de sua Presença a sabedoria em um plano sutil, além da mente. Mas é raro encontrar oportunidade para estar com esses seres. Então nosso avanço na espiritualidade depende mesmo de estudos dos ensinamentos em livros, palestras e, claro, práticas meditativas. Ou seja, na maioria das vezes o nosso crescimento depende do que conseguimos apreender através da linguagem. É por isso que a capacidade intuitiva vem a ser extremamente importante no processo de nosso aprendizado. Através da intuição podemos fazer a "tradução" daquilo que a linguagem consegue transmitir (limitação) para aquilo que realmente é (e que está além da limitação da linguagem).

Excelentes foram as suas ponderações, SERgio!
Obrigado e obrigado!
Namastê!

Cristiane Lucchetti disse...

"Quem eu sou", "o que eu sou", "quem é este eu", " o que é este eu"...nenhuma pergunta obterá A VERDADE sem a intuição. bjsss

Gustavo disse...

_/\_