"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

terça-feira, março 01, 2016

Quando o "eu" desaparece, Quem sou eu?

- Sri  Bhagavan - 


QUESTÃO: Se o "eu" é uma ilusão, quem sou eu? Qual é minha real existência?

BHAGAVAN: "Você não existe. Essa é a verdade. Essa sensação de "eu e você", a sensação de separação é uma ilusão. Ela realmente não existe. 

Por exemplo: quando você me vê, você não está me ouvindo; e quando você me ouve, não me vê. Mas isso acontece tão rapidamente que você tem essa ilusão de que você está vendo e ouvindo ao mesmo tempo. Os seus sentidos estão sendo coordenados como num filme. A menos que você tenha um conjunto de imagens se movimentando por segundo, você não verá o movimento da mão na sala de cinema. Se o projetor é desacelerado, ele se torna um único slide. Da mesma forma aqui os sentidos estão coordenados a uma velocidade tão grande que você sente que está vendo, ouvindo, tocando... como se todas estas coisas estivessem acontecendo ao mesmo tempo. É essa ilusão que cria o (falso) sentido de "MEU" e "EU". Se isso é desacelerado, todos vocês simplesmente desaparecem! 

Então, agora você está lá.

Se eu acalmar seus sentidos, se você me der permissão, você simplesmente desaparecerá.

Você voltará para casa! Mas você ainda será muito funcional, será de fato muito eficiente. A sensação de separação desapareceria completamente. O que permaneceria é a Vida, ou podemos chamar de pura consciência - o material a partir do qual todo este Universo é feito.

O que está lá por último é a consciência, que deve apenas ser experienciada.

Como você poderia ver a si mesmo? Não há nenhuma maneira de ver a consciência, porque você é isso.

Sua verdadeira natureza é Ananda e Amor. É um amor sem causa.

O que você chama de amor não é realmente amor. Ou você implora amor, pede amor a alguém, ou se você dá amor, é para alguém grande ou famoso ou rico ou você tem algo a ganhar com isso. Você ama sua esposa ou marido porque ele ou ela significa algo para você. Você possui alguém, você está apegado a alguém. Esse não é o amor do qual estamos falando.

O amor a que me refiro é um amor sem causa. Está lá. Isso só acontece para você quando o "eu" desaparece.

É uma coisa muito simples: os sentidos são abrandados um pouco... e eis que "você" não está lá! O que há é Vida. Você vai sentir que é um com o Universo, completamente um

Não se trata de uma experiência mística. Uma experiência mística acontece quando a kundalini sobe pelos chakras. Mas quando a energia volta para baixo a experiência cessa. Nós não estamos falando sobre isso. Estamos falando de um estado muito intenso de 24 horas de consciência irreversível.

Mas você está completamente fora desse estado.

Para atingir este estado você deve se qualificar. A qualificação é: ajustar seus relacionamentos.

Demora apenas 7 minutos para que eu lhe dê esse estado onde você percebe tudo sem o "eu".

Por exemplo: quando eu olho para vocês, não sinto que estão fora de mim. É como se todos vocês estivessem dentro da minha barriga, eu nunca vejo nada como separado. É um fato e realidade para mim, e é assim que todas estas 320 pessoas que estão nesse estado estão experienciando. Você pode experienciá-lo. O outro não está fora de você. Estranhamente as fronteiras do corpo cessam. Você não mais vê como sua mão ou seu corpo, isso desaparece. A coisa toda se torna seu corpo, é uma parte de você.

É então que você encontra esse amor verdadeiro, porque é uma parte de você. Não há uma causa, e não há dúvida da mente voltando ou se preocupando com o passado ou se projetando ou pensando no futuro. Ele vive no momento. Cada momento que esse amor vive, você começa realmente a viver.

Agora, o que acontece é que você está apenas existindo.

Você vive porque tem medo de morrer. Caso contrário, não vê razão para continuar com sua vida medíocre.

Você se levanta de manhã, vai ao banheiro, escova os dentes, toma café, arruma seu almoço, vai para o trabalho ou faz algum negócio, volta, discute com sua esposa, com o seu filho... novamente volta a assistir sua TV... dia após dia... essa rotina medíocre, sem sentido, sem propósito.

Você naturalmente cria algum significado.

Você diz: - "Estou fazendo um trabalho social... ajudando o ser humano...", e todos os tipos de coisas que você precisa inventar.

Não há sentido algum porque, no fundo, só há tristeza dentro de você. Você não sabe o que fazer com sua vida. Você está nessa armadilha mecânica criada por você mesmo, pelo "eu".

Assim, você criou várias válvulas de escape, mecanismos, e continua com este tipo de vida, e a única razão pela qual você não está doente é porque, provavelmente, você tem medo de morrer. 

Vocês não tiveram momentos de êxtase ou felicidade ou alegria. Isso é vida.

Você certamente se perdeu em tudo isso.

Então, às vezes eu fico maravilhado com as pessoas que são capazes de viver. Isso realmente me deixa perplexo.

Para mim, conceder o despertar ou a Iluminação a alguém não é um problema. Para mim, o problema é que eu me pergunto como as pessoas continuam a viver, quantas válvulas de escape podem criar! Elas têm TV, computadores, paraquedas, e tantas coisas mais.... de alguma forma vocês devem gerenciar suas vidas.

Vocês estão gerindo seu sofrimento, escapando da tristeza, fazendo todas essas coisas, mas, fundamentalmente, a dor está aí dentro. Aquela dor, o que é isso? Qual é o sentido da vida? Para onde estamos indo? Estamos envelhecendo e parece que não alcançamos nada e qual é o propósito de tudo isso?

Esse é o significado da palavra "DUKHA".

Não há tradução para ela em Inglês. Utilizamos a palavra “sofrimento”, que não é o verdadeiro significado de "dukha". É uma dor muito abstrata e não claramente definida que você tem, a dor que Buda tinha.

Buda tinha tudo na vida e ainda assim a dor estava lá, aquela sensação de "o que é tudo isso?". Isso é o que queremos dizer com “dukha”.

Então, isso tem que sumir.

Essa é a razão para o Mukthi Yagna (a concessão da iluminação pelo Avatar). Mas primeiro você deve sentir a dor. Essa é a primeira qualificação.

Se você não sentir a dor e disser "Ok, prefiro administrar o meu sofrimento, estou feliz assim", então eu não tenho negócios com você. Só posso ajudá-lo se isso for realmente um problema para você.

A segunda coisa: seus relacionamentos. Isso é muito importante.

Então você está pronto para receber a minha Graça - Mukti.

Só então você saberá o que é o verdadeiro amor, o que é compaixão, o que é compartilhar sua vida com os outros, o que toda essa conversa de Unidade é. Todas as escrituras começam a se revelar para você. Ninguém precisa lhe ensinar. Você é seu próprio guru, você mesmo pode VER.

Libertação do trabalho é Libertação da Sociedade, que é Libertação da Civilização, que é Libertação do Conhecimento, Libertação da mente, Libertação do "eu", Libertação dos sentidos, e a Libertação da Vida é ILUMINAÇÃO."


2 comentários:

Jaime Pires disse...

Jesus nunca viu Deus! Nem Sidharta, nem Krishna, nem Ramana, nem Eckhart, nem Mooji, nem ninguém!
Se você olhar por uma fresta, quem estará vendo nunca será a fresta!
Só Deus vê Deus! O mais são apenas frestas!

Luz e paz!

Gustavo disse...

Palavras inspiradoras, Jaime!
Grato por compartilhá-las!
A maneira de conhecer/perceber Deus é interiormente em intimidade com Ele.

Namastê!