"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

sexta-feira, fevereiro 13, 2015

A Quarta Dimensão

- Joel S. Goldsmith -


Quando Jesus Cristo disse: “Eu, de mim mesmo, nada posso; o Pai em Mim é quem faz as obras”; e Paulo afirmou: “Não mais eu quem vive, mas o Cristo vive em mim” – revelaram a quarta dimensão da vida, na qual “não só de pão vive o homem” e nem por sua vontade, esforços ou sabedoria pessoais.

Chega um momento, em nossa experiência, em que já não somos unicamente nós (aspecto humano), senão que alargamos nossa consciência para a percepção de uma Presença interna. Este momento de transição ocorre quando esta Presença se-nos torna real e assume a direção de nossa vida. A partir desta experiência, não mais ficamos “cuidadosos com a nossa vida”, porque sentiremos sempre a proximidade desse Algo – que é o Cristo ou Presença divina – que harmoniza nossa experiência diária.

Nesta experiência de transição, deixamos de ser meramente seres humanos (que elaboram os próprios pensamentos, planejam as próprias vidas e resolvem seus assuntos particulares) para atingir um nível de consciência em que sentimos realmente esta Presença interior. Vivemos, então, como se nos houvéssemos separado um pouco de nós mesmos – digamos, uns dois ou três centímetros – passando a observar, como simples espectadores, o modo como estamos vivendo.

Se neste momento estamos na esfera profissional, veremos que nos chegam outros negócios dos quais não somos responsáveis – ou seja: sobre cuja realização não fizemos esforços pessoais. Se formos escritores, músicos, etc., receberemos idéias e temas com os quais jamais havíamos sonhado e que inspiradamente nos chegam do íntimo. Saberemos, então, que não os estamos gerando, mas que são dados por uma Graça interna.

Se estamos empenhados num Trabalho Espiritual, de cura ou pregação, veremos que os pacientes e estudantes nos serão encaminhados, mas será o Espírito que os sanará e ensinará. Compreenderemos, então: “Vivo – mas não eu, senão que o Cristo é Quem vive minha vida. Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.”

Em tal estado, convertemo-nos no instrumento consciente de ação da Consciência divina. Então compreendemos a citação do Mestre: “Não sou eu quem faz as obras, mas o Pai que mora em mim é Quem as faz”. Jesus queria significar que de seu próprio conhecimento ou esforço ele nada podia fazer, senão que era a atividade da Verdade, em sua Consciência, que tornava possíveis os milagres de cura, de conforto ou de alimentar multidões.

Vimos a ser, pois, o veículo através do qual a vida vive a si mesma ou o mensageiro levando a divina Mensagem. Saberemos que já não estamos vivendo a própria vida, senão que a Presença e o Poder a estão vivendo, fazendo de nossa instrumentação humana o seu modo de expressão ou meio de atividade. Esta vivência nos permitirá entender claramente porque o Mestre disse: “Eu e o Pai somos um, mas o Pai é maior que eu”. Não que isto sugira dualidade ou separação, pois seria um retorno à crença passada de um Deus separado do homem. Já aprendemos que Deus Se manifesta individualmente como Eu e Tu, o que vem mostrar que Eu Sou, Deus, embora sendo um Princípio infinito, universal, divino, da vida, aparece como eu e tu individual, de modo que em verdade “Eu e o Pai somos um”: o Ser interno a exprimir-Se como o indivíduo externo.

Não obstante, tudo isto são meras declarações da verdade, até o momento mesmo de nossa transição, em que a experiência interna converte estas idéias em verdade viva, em realidade palpável. Aí estas declarações da Verdade cederão lugar à Presença interna, que se torna uma experiência real.

Ao alçar-nos a este lugar na Consciência, em que o Cristo vive as nossas vidas, constatamos ao mesmo tempo, que o Cristo mantém e provê nossa existência inteira, suprindo-nos vitalidade, iniciativa, inteligência, amor, persistência, valor e saúde, necessários ao atingimento de nossas metas. Ele também nos subministra recursos materiais bastantes, reconhecimento e prestígio, já que, havendo tomado o leme de nossas vidas, poderá manejar todas as coisas devidamente, na amplitude de nosso nível, promovendo a realização total de nossa vida. Ele irá adiante de nós, proporcionando transportes, hospedagem, oportunidades e êxito em tudo que empreendermos.

Aqueles que se ocupam do Ministério Espiritual logo verão que este Infinito invisível supre tudo o que é preciso para a completa manifestação da mensagem, posto que “o meu ensino não é meu, e sim dAquele que me enviou”. Tudo o que seja necessário à expressão da Mensagem e, quem quer que seja o inspirado ou Mensageiro, tenhamos a certeza de que será apoiado, sustido e suprido por Aquele que é a Fonte e a Inspiração da Mensagem.

Quer esteja no exercício de atividades comerciais, quer nas artes, numa profissão liberal ou nos deveres do lar, a pessoa inspirada sente-se, de imediato, livre de toda responsabilidade pessoal, na medida em que o Infinito Invisível se converte na Alma e atividade de seu ser.

Compreendamos, agora, que quando Jesus fala do Pai que está nEle, refere-se ao Poder e à Presença divina que lhe animaram o ser e que constituía o poder curativo, o poder que multiplicou pães e peixes, o poder que apaziguou a tempestade, o poder que ressuscitou Lázaro dentre os mortos. Da mesma forma, compreendemos o que disse Paulo, quando fala que tudo podia através de Cristo, aludindo ao Poder divino que chamamos o Infinito Invisível. Foi esse Poder que possibilitou ao “Apóstolo dos gentios” cumprir sua missão de levar a mensagem cristã ao mundo de sua época. Ele recebia, dessa Presença interna, a força, a inspiração, a coragem e todo sustento.

“O Pai que mora em mim é Quem faz as obras” (de Jesus) e o “Cristo que me fortalece” (de Paulo) são um e o mesmo Espírito interno, a mesma Consciência da Verdade, que supria o povo prometido com o maná, e o guiava “como nuvem durante o dia e coluna de fogo durante a noite”, através da realização de Moisés; que aparecia como tortas assadas sobre a rocha, como corvo trazendo alimento ou como uma viúva oferecendo alimento, através da realização de Elias; na forma de cura maravilhosa, à porta do Templo, chamada Formosa, pela realização de Pedro e João. “O mesmo Espírito que ressuscitou Jesus dentre os mortos, dará também a vida a vossos corpos mortais”.

Isto tudo é muito claro: existe um Espírito em nós, uma Chispa divina que denominamos o Cristo, que nos eleva à Quarta Dimensão da vida – a um estado de Consciência em que não mais vivemos pelos esforços pessoais, pela sabedoria, pelo poder ou pela saúde pessoais – no qual somos investidos de um Poder que nos vem de dentro do Reino de nosso próprio ser.

Novamente repito: há um nível que atingimos neste mundo, em que já não vivemos a própria vida, senão que o Infinito Invisível a vive por nós, precedendo-nos no Caminho e solucionando tudo. Ele nos acompanha como a Fonte e a atividade de nossa vida diária, revelando-Se como água, maná, alimento, proteção, segurança e saúde. E ainda que o templo de nosso corpo ou o nosso lar fossem destruídos e nossos negócios desfeitos, esse Infinito Invisível os reconstruiria rapidamente, “restituindo os anos que foram consumidos pelo gafanhoto”.

Mesmo que defrontemos dificuldades, temores e discórdias – servirão para mostrar ao mundo que dentro de nós há um poder que supera as vicissitudes e tentações: “Maior é Aquele que está em mim, do que o que está no mundo”.

Pois bem, neste exaltado estado de Consciência Crística, avançamos sem barreira material, sem impedimentos físicos, emocionais, mentais ou financeiros. Em tal estado de Consciência divina, que é o Céu, as realidades do mundo de Deus se nos tornam tão reais quanto o plano sensorial, porque as limitações dos sentidos se desvaneceram.

Aos poucos, vamos entendendo que esta Presença e Poder são atemporais, pois, independentemente de quando se revelem à nossa Consciência, em verdade sempre existiram dentro de nós, sem que o soubéssemos. Em outras palavras, embora este Infinito Invisível esteja conosco agora, só chegará a ser marcantemente real e poderoso em nossa experiência – como o foi para os profetas hebreus e aos cristãos iluminados de outras épocas – através do desenvolvimento da Verdade em nossa Consciência; através da conscientização da Verdade em nossa Consciência; através da atividade da Verdade em nossa Consciência.

Agora dediquemos um momento à natureza ou função deste Poder que chamamos o Cristo. O Cristo é a atividade, a substância e a lei invisível de tudo quanto aparece como efeito. É por isso que não devemos deixar-nos hipnotizar pelas aparências. Com isso quero dizer que, se humanamente temos saúde ou riqueza, isso não significa havermos alcançado a imortalidade, a segurança. Mesmo que tenhamos um refúgio antiatômico na montanha, não pensemos haver encontrado segurança. Não ponhamos nossa fé ou dependência em nada, em nenhum efeito, em nenhuma pessoa. Doutra parte, não tenhamos temor ao pecado, à enfermidade ou à carência. Eles não têm poder nenhum. “Ainda que eu tenha de atravessar o vale das sombras da morte, não receio mal algum, porque Tu estás comigo”.

Ao encarar as condições humanas do bem e do mal aparentes, lembremo-nos sempre de tomar consciência de que todo efeito espiritual, harmonioso, é produzido pela atividade do Cristo. A atividade do Cristo manterá e sustentará todos os acontecimentos e experiências felizes e harmoniosas. Ainda que estes sejam momentaneamente perturbados ou destruídos, não nos deixemos alarmar. Não nos preocupemos com os órgãos ou funções de nosso corpo, nem pela situação econômica ou política, posto que a atividade do Cristo é a lei de Ressurreição de tudo isso.

O propósito de nosso Ministério Espiritual é o de nos elevar à Quarta Dimensão, onde não mais vivemos de efeitos, nem só de pão, ou vitaminas ou sais minerais; onde vivemos mercê da atividade do Cristo, do Infinito Invisível. Nesta Quarta Dimensão da vida, que é Consciência Espiritual, todo efeito que surgir em nossa experiência, será na medida de nossa necessidade, para suprir-nos abundantemente.

Recordemos, sem lugar a dúvidas, que o Cristo é o fundamento, a lei ou o desabrochar de nossa experiência.

A Quarta Dimensão é esse estado de consciência em que toda a nossa confiança, fé, dependência e compreensão estão firmadas no Infinito Invisível, no Qual aprendemos a usufruir as conquistas do Espírito e as harmonias de viver diariamente na Graça.

Ainda que não O contemplemos com nossos olhos, sem dúvida alguma, na câmara secreta, interna, de nosso ser, descobriremos espiritualmente, em nossa meditação, a atividade do Cristo em nossa vida!


5 comentários:

Silvano disse...

Personificações da divindade.
Permitam-me compartilhar percepções advindas deste maravilhoso texto!
Neste texto Joel Goldsmith fala da “experiência de transição”.
Trata-se de uma transição para o que ele chama de “quarta dimensão”.
O que é a “a experiência de transição” Joel Goldsmith expõe no texto “Dois Pactos”, também publicado neste blog em:
http://busca-espiritual.blogspot.com.br/2011/01/os-dois-pactos.html
Tenham em consideração os dois textos para acompanhar as percepções aqui compartilhadas.
De início atentem que “O Caminho Infinito” [o grande ensinamento espiritual de Joel Goldsmith compartilhado com a humanidade] é uma unidade. Assim, todos os seus textos devem ser vistos como uma unidade, ainda que os temas sejam tratados em textos diversos.
O tema da experiência de transição é tratado com profundidade nestes dois textos citados.
A profundidade está no fato de que nestes dois textos Goldsmith expõe o que é a experiência de transição, quem a vivencia, de que forma é vivenciada, qual o motivo de ser vivenciada, quando e quais as conseqüências desta experiência!
Assim, no texto Dois Pactos Goldsmith é enfático ao afirmar que: “virá um dia, na consciência de cada um de nós - para alguns agora mesmo e para outros daqui a diversas existências -, quando pela Graça interior seremos capazes e desejosos não só de nos livrar dos desgostos da carne, mas também de seus proveitos e prazeres; desejaremos nos familiarizar com nossa identidade espiritual, ou seidade, com essa nova criatura, outra que não a antiga, saudável e honrada, uma criatura nova nascida do Espírito. Essa é a experiência de transição.”
Para compreendermos a essência desta grande revelação compartilhada por Goldsmith devemos atentar que há um “fio condutor” que a desvela para nós.
Este “fio condutor” aparece neste texto! Este “fio condutor” é essencialmente nossa identidade espiritual ou o que Goldsmith muito inspiradamente denomina de “seidade”!

Silvano disse...

Sobre a identidade espiritual Goldsmith expõe que:
“A individualidade humana é sempre limitada, sempre finita, consistindo, na sua maior parte, daquilo que aprendemos através da educação, da experiência pessoal, do ambiente e das influências hereditárias. Oculto atrás deste eu pessoal, contudo, está nosso Eu Verdadeiro. Há um outro Ser, Algo além da pessoa física e mental. Paulo denominou esse Algo de Cristo, que realmente quer dizer o filho de Deus, a identidade espiritual de nosso ser, a nossa realidade.”
Dito de outra forma esta nossa identidade espiritual é a própria “seidade”, que é um termo que se refere diretamente ao Ser, e é usado para evidenciar o “Ser” que realmente somos; para expressar a realidade de Quem Somos; em outras palavras, para desvelar o Ser que Eu Sou.
A experiência de transição refere-se à transição de nossa vida enquanto identificados com a limitada “individualidade humana”, com o “eu pessoal”, para nossa vida então identificados com nosso “Eu Verdadeiro”, que é aquele “Algo além da pessoa física e mental”; “o Cristo, filho de Deus, a identidade espiritual de nosso ser, a nossa realidade.”
A essa nossa real identidade, divina, em outros textos Goldsmith a expressa como sendo Lei, Causa, Princípio, que é a realidade de Quem Somos, Deus.
Há neste ponto um detalhe sutil que pode confundir e causar enorme equívoco nos autênticos buscadores espirituais, e até mesmo desviá-los do caminho!
A sutileza é a seguinte: Mesmo sendo verdadeira a percepção: “Eu Sou Deus”, a pessoa não deve partir da afirmação [mental] de que: “eu sou Deus”. Isso só iria insuflar o ego e afastar ainda mais o buscador da experiência de transição.
“Eu Sou Deus” trata-se de uma “percepção” [não mental] de Quem Somos!
Enfatize-se que “Eu Sou Deus” é uma percepção [consciencial] daquela nossa “Seidade”, de nossa unidade com o Ser, com o Eu. De forma alguma deve ser confundida com uma afirmação [mental] de que “eu sou Deus”.
Na Bíblia está escrito: Aquieta-te e saiba: Eu Sou Deus.
Ou seja:
Aquieta a tua mente [faça completo silêncio, não faça afirmações sobre nada], E apenas saiba [perceba que]: Eu Sou.
Enquanto as afirmações partem de nossa “mente condicionada” as percepções nos sobrevêm “do alto”, da Consciência do Ser que Somos, de Deus, e sempre como revelações do Eu que Eu Sou.

Silvano disse...

Joel Goldsmith compartilhou a percepção de que há um Ser Real, que é Deus. E que esse Ser é a Lei, Causa, Princípio que rege nossa experiência humana.
Embora Deus seja a única realidade o Caminho Infinito não reduz a experiência humana a algo sem importância ou nada. Esse elevado ensinamento espiritual dá em muitos textos lições práticas de como o ser humano pode levar sua vida a ser regida pelo Cristo de seu próprio Ser, partindo da correta identificação!
Em outro texto Joel Goldsmith ensina que:
“Quanto mais você aprende a se identificar com o Eu que Eu sou, em vez de se identificar com o corpo e com a experiência humana, mais qualidades espirituais se manifestarão em sua experiência. Se eu tivesse que tentar ser um ser humano muito bom, fracassaria. Mas, se tentar esquecer meu aspecto humano e residir no Eu que Eu sou e perceber que o Eu é Deus, então, Ele Se manifestará no corpo, nos pensamentos e nas ações que se originarem.”
Partindo da correta identificação em outro texto Goldsmith fala da percepção, que ele chama de “percepção mística” da unidade e onipresença divina, assim:
“Deus, a Consciência divina, que é sua consciência individual, está onde você se encontra. Porque Ele é onipotente, Ele tem todo o poder para fazer por você. Porque Ele é amor divino, é Seu grande prazer dar a você o reino. Você precisa apenas permanecer na compreensão da presença de Deus, entendê-LO como aqui e agora. Então você terá a percepção mística de que nunca pode estar em qualquer lugar onde Deus não está.
Sempre soubemos que Deus é a essência de tudo o que aparece. Sempre soubemos que Deus é a fonte de toda provisão. Então, onde este ensinamento difere de outros ensinamentos? Em parte nisto: Deus é a sua consciência, em vez de algo aqui fora ou lá em cima. Este é o verdadeiro âmago da Mensagem do “Caminho Infinito”.


Sua revelação mais importante [do Caminho Infinito] é a de que Deus não é algo muito distante (Marcos, 1-14, 15), mas a de que Deus é a sua verdadeira consciência.

Quando você compreender isto, você terá descoberto o segredo da vida. A partir daí tudo se manifesta, se demonstra e se revela. Sua própria consciência aparece como o seu Eu, como a sua alegria, a sua prosperidade e o seu sucesso, como a sua felicidade, o seu lar e como todos os seus relacionamentos – sociais, financeiros e comerciais.”

Silvano disse...

Enfim, como o expressou Goldsmith:

“Chega um momento, em nossa experiência, em que já não somos unicamente nós (aspecto humano), senão que alargamos nossa consciência para a percepção de uma Presença interna. Este momento de transição ocorre quando esta Presença se-nos torna real e assume a direção de nossa vida. A partir desta experiência, não mais ficamos “cuidadosos com a nossa vida”, porque sentiremos sempre a proximidade desse Algo – que é o Cristo ou Presença divina – que harmoniza nossa experiência diária.”

Assim seja esta Presença Interna perceptível para todos, pois, assim É!
Que todos percebam este Infinito Invisível;
Que percebendo, o desfrutem em sua experiência diária;
E que o desfrutando, o compartilhem generosamente.

Namastê.

Gugu disse...

Gratidão, divino Amigo, por sempre compartilhar conosco suas percepções tão generosamente!

Namastê! _/\_