"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

sexta-feira, julho 25, 2014

Comentando o capítulo 8

- Gustavo -

A Verdade e a ilusão possuem um ponto em comum: ambas são impessoais e universais. A Verdade deve ser impessoal e universal porque diz respeito a todos, ou seja, uma verdade só é verdade se for válida universalmente, sem exceção. Um pedaço do universo não pode conter mais verdade do que outro pedaço. Assim, a verdade que se manifestou na consciência de Jesus é a mesma Verdade que foi revelada para Buda, e para todos os outros iluminados. Quando um ser descobre a Verdade sobre si mesmo, descobre, simultaneamente, a Verdade sobre o universo inteiro. Por isso Buda disse: "Seres animados, seres inanimados – todos sem exceção são dotados de natureza búdica".

Por sua vez, a ilusão também tem a característica de ser impessoal e universal porque diz respeito a ninguém. Todo erro, pecado e culpa são provenientes de uma crença universal, que nada mais é do que um pensamento de separação de Deus, o qual está sendo pensado por ninguém – somente a ilusão é que está "pensando". Por isso se diz que a crença universal é como uma "nuvem" pairando no ar, em meio ao simples nada. Ela (parece que) está lá, mas ninguém a colocou lá, senão a própria ilusão. É em razão disso que os erros, pecados e culpas devem ser "impersonalizados" e depois "nadificados".

A crença coletiva é derivada de um pensamento universal ilusório que diz que "o homem se separou de Deus". Esse pensamento universal ilusório gera a crença de que "se o homem se separou da perfeição, então ele é um ser imperfeito passível de erros, pecados, culpas; e uma vez que seja pecador ou culpado deve ser punido a fim de que sua transgressão seja apagada e ele recupere sua perfeição". Todavia, quem diz isso é a ilusão. A ilusão quer fazer o homem "pagar" por seus erros/culpas. Porém, uma vez que a ilusão tem sua origem em um pensamento de separação, por mais que o homem pague pelos seus (supostos) pecados, nunca retorna realmente à sua condição de pureza ou perfeição. A ilusão engana o homem dizendo que se o indivíduo for punido por suas culpas poderá expiar os pecados e recuperar sua inocência; todavia, devido à sua natureza, a ilusão não tem o poder de conceder ao homem o seu estado íntegro e puro, porque a perfeição, a integridade e a pureza são pensamentos da Verdade. O homem não é perdoado de seus pecados por sofrer ou por realizar penitências ou práticas ascéticas, não realmente. O perdão verdadeiro ocorre quando se reconhece desde o princípio que o pecado não existe – desde o princípio! É por isso que os ensinamentos ensinam que o praticista deve meditar partindo da Verdade de que o pecado não existe, ao invés de tentar alcançar um "estado de consciência" onde o pecado não exista. Quem parte do princípio de que "o pecado existe" e de que "o homem é um ser imperfeito e culpado que precisa se elevar ao estado de perfeição", caiu na armadilha/labirinto da ilusão desde o primeiro momento, e se perdeu.

Todavia, pode ser que o praticante tenha dificuldades de meditar partindo da Verdade desde o princípio. Para ajudar com isso, Goldsmith elaborou dois passos didáticos e práticos ensinados no Caminho Infinito: os passos da "impersonalização" e da "nadificação". O homem deve ser isolado das crenças coletivas (passo da impersonalização) para que se possa constatar a Verdade impessoal e universal acerca de todos os seres (ou seja, todos são o Cristo, o Filho de Deus, perfeitos, puros, inocentes, isentos de pecado e culpa). Ao fazer a separação do que a Verdade e a ilusão dizem sobre o homem, o passo seguinte é nadificar a ilusão e tudo o que ela insiste em dizer. Quando o praticante realiza com sucesso esses dois passos, ele se vê no estado de consciência para o qual "o pecado não existe" e "o homem é inocente" (e é aqui que a meditação tem o seu real início). A partir desse estado de consciência, o praticante apenas permanece visualizando/constatando/contemplando/percebendo a existência do homem como um ser perfeito, puro, imaculado, proveniente de Deus, e já dotado de todas as bênçãos e plenitude de Deus. Essa contemplação ou visualização tem a natureza de "constatar uma realidade que já existe, que já está acontecendo". É uma visualização de natureza espiritual, consciencial (pois é a percepção de algo que já é). Não é visualização de natureza mental (a qual tem o intuito de fazer "criar" ou "manifestar" realidades que ainda não existem).

À medida que a consciência do praticante permanece centrada na visualização/contemplação da Verdade, a crença universal vai sendo dissipada da aceitação do praticante, até deixar de existir, e no lugar dela a Verdade é acolhida. Quando a Verdade é acolhida no lugar da crença universal, o praticista sente em seu interior uma espécie de "bem estar" em relação ao problema, uma "alegria", um "alívio", uma "leveza", um "ajuste", um "click". Ocorre um sinal de que "algo aconteceu", "algo mudou", "está feito!", "assim é!". Esse é o momento em que a cura espiritual foi realizada. O praticista deve, portanto, permanecer em meditação até sentir essa confirmação interna. Então o universo aparente passará a expressar uma realidade condizente com a Verdade conscientizada pelo praticista.

Em sua obra "O Caminho Infinito", Goldsmith diz: "O Universo espiritual, feito da Substância do Espírito, formado pela Consciência e mantido pela Lei espiritual, está exatamente AQUI. Neste Universo espiritual não existe doença, não existe falta ou limitação, não existe infelicidade ou discórdia, nem tampouco ser algum para ser curado ou modificado. Há somente o Reino da Divina Harmonia e Paz, que a tudo permeia, sem distúrbio de qualquer natureza. Aceitemos ou não, o fato é que estamos neste Universo espiritual neste instante. Não temos de ir a algum lugar para encontrá-Lo. Ele está exatamente aqui, onde nós estamos. Portanto, assim deve ser a nossa oração: “Pai, que meus olhos sejam abertos, permitindo-me ver e contemplar este Universo espiritual! Revele-me a Sua Glória, aqui e agora. Não permita que eu tente modificar este Universo! Deixe-me somente contemplá-Lo”. 

Por fim, outro ponto que vale enfatizar: Joel Goldsmith afirma que a ilusão (pensamento mortal) irá sempre rejeitar e crucificar a Verdade. Ele diz que "a Verdade nunca foi nem nunca será aceita pelo pensamento mortal". Isso é assim devido ao fato de a ilusão ser o produto/resultado de um pensamento universal de separação. Quando a Verdade (que é a criação de um pensamento absolutamente unido) tenta se expressar no universo da separação, a própria crença universal reage à manifestação da Verdade. A Verdade ameaça a (suposta) existência da ilusão. A crucificação de Jesus simboliza o fato de que o mundo irá sempre querer crucificar o Cristo, toda vez que Ele surgir para manifestar sua luz e revelar a Verdade. É nesse sentido que encontramos na Bíblia algumas passagens, tais como:

* "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado; antes, aquele que nasceu de Deus o guarda e o maligno não lhe toca. Sabemos que somos de Deus, e que o mundo inteiro jaz no maligno" (1 João 5: 18-19);

* "A luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz" (João 3:19);

* "A inclinação para a carne é morte, mas a inclinação para o Espírito é vida e paz" (Romanos 8:6);

* "Disse-lhes, pois, Jesus: se Deus fosse o vosso Pai, certamente me [Cristo] amaríeis, pois que eu saí, e vim de Deus. Não vim de mim mesmo, mas Ele me enviou. Por que não entendeis a minha linguagem? Por não poderdes ouvir a minha palavra. Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer o desejo de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira. Mas, porque vos digo a verdade, não me credes. Quem dentre vós me convence de pecado? E, se vos digo a verdade, por que não me credes? Quem é de Deus escuta as palavras de Deus..." (João 8: 41-47);

* "Vós não sois do mundo, como eu do mundo não sou" (João 17:16);

* "Maior é o que está em vós do que o que está no mundo" (1 João 4:4).

Namastê!

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8 comentários:

Silvano disse...

Meu Amigo Gugu,
Excelentes os textos e comentários desta série!
Permita-me compartilhar o que segue sobre uma citação bíblica postada.
Os comentários estão entre colchetes [...]
"Disse-lhes, pois, Jesus: se Deus fosse o vosso Pai, certamente me [Cristo] amaríeis, pois que eu saí, e vim de Deus [a Realidade, que a Consciência sabe ser algo real]. Não vim de mim mesmo, mas Ele [o Ser Real] me enviou. Por que não entendeis a minha linguagem? Por não poderdes ouvir a minha palavra. Vós tendes por pai ao diabo [a Representação, que a mente acredita ser algo real. Mas por ser apenas uma "Representação" não é algo real. Tudo o que se origina da "Representação" tem a natureza da própria "Representação", ou seja, é também irreal], e quereis satisfazer o desejo de vosso pai [o termo "pai" aqui se refere à "fonte de onde provém", ou seja, "aquilo que dá origem" à Representação. Ele tem a mesma natureza da Representação. Portanto, sendo a Representação algo irreal sua fonte é também irreal. Nos ensinamentos do Caminho Infinito o mais sutil a ser percebido é que só há uma Realidade, e Joel Goldsmith compartilha essa percepção ensinando e enfatizando que "só há um Poder"! Essa é a base de todo ensinamento espiritual. A contraposição entre bem e mal é uma criação puramente mental, vez que nada há de real que se contraponha ao Real, à Realidade. A Realidade é o que É. A Representação não se contrapõe à Realidade, pois suas naturezas são totalmente distintas. A Realidade É; é real. Representação não É; é irreal. Há uma prece védica que diz: "Oh Senhor; Do irreal nos conduza ao Real; Das trevas nos conduza à Luz; E da morte nos conduza à Imortalidade." Trevas e morte pertencem ao irreal, ou seja, pertencem à Representação; Luz e Imortalidade pertencem ao Real, ou seja, pertencem à Realidade. Neste ensinamento Jesus revela que veio do Ser Real, da Realidade que é Deus; e não de si mesmo, ou seja, não veio da Representação na qual ele aparece como um "personagem" ou "ser humano". Em outra passagem quando os judeus argumentam que: "Ainda não tens 50 anos e conheceu nosso pai Abraão? Jesus responde revelando que: "Antes que Abraão existisse Eu Sou." Isto porque os "personagens" tem origem e existência na Representação, mas o Ser Real tem origem e existência na Realidade. Jesus, na referida passagem dá a conhecer sua real identidade, de que é o Ser Real, atemporal, que É e sempre É, por isso declarou: "Eu Sou". É de tal forma distinta a natureza da Realidade em relação à natureza da Representação que aqueles que são da Representação, ou seja, os personagens, não entendem a linguagem e nem sequer conseguem ouvir a palavra daquele que é da Realidade. Por isso Jesus adverte dizendo: "Por que não entendeis a minha linguagem? Por não poderdes ouvir a minha palavra."

Silvano disse...

Nesse ponto é oportuno transcrever a percepção compartilhada por aquele que aparece como o divino personagem Gugu como sendo um comentário, mas que é de fato uma percepção consciencial, a qual expressa: "A crença coletiva é derivada de um pensamento universal ilusório que diz que "o homem se separou de Deus". Esse pensamento universal ilusório gera a crença de que "se o homem se separou da perfeição, então ele é um ser imperfeito passível de erros, pecados, culpas; e uma vez que seja pecador ou culpado deve ser punido a fim de que sua transgressão seja apagada e ele recupere sua perfeição". Todavia, quem diz isso é a ilusão. A ilusão quer fazer o homem "pagar" por seus erros/culpas. Porém, uma vez que a ilusão tem sua origem em um pensamento de separação, por mais que o homem pague pelos seus (supostos) pecados, nunca retorna realmente à sua condição de pureza ou perfeição. A ilusão engana o homem dizendo que se o indivíduo for punido por suas culpas poderá expiar os pecados e recuperar sua inocência; todavia, devido à sua natureza, a ilusão não tem o poder de conceder ao homem o seu estado íntegro e puro, porque a perfeição, a integridade e a pureza são pensamentos ["pensamentos elevados" ou "percepções conscienciais"] da Verdade. O homem não é perdoado de seus pecados por sofrer ou por realizar penitências ou práticas ascéticas, não realmente. O perdão verdadeiro ocorre quando se reconhece desde o princípio que o pecado não existe – desde o princípio!"

Silvano disse...

E aqui está a chave de compreensão! "Reconhecer desde o princípio que o pecado não existe" significa "perceber" este fato! Significa "perceber consciencialmente" este fato, o que difere de "acreditar" (mentalmente) que o pecado não existe... Acreditar [ou não acreditar em algo] é próprio da mente do personagem, e continua sendo algo que está na Representação, na visão da mente dos próprios personagens. Outra coisa é "perceber", ou seja, "perceber consciencialmente" a Realidade, que significa "conhecer a Verdade". Jesus não disse: "Acreditem na verdade - e ela os libertará." Isto porque "o acreditar" é uma forma de "percepção mental", algo que não liberta da visão da Representação. Jesus disse: "Conheça a Verdade - e ela os libertará". É a visão que transcende a Representação o que liberta da visão da Representação; não é o acreditar, não é a crença, numa Realidade transcendente à Representação o que liberta da visão da Representação. E aqui vai outra chave para apreensão dos ensinamentos espirituais: "Perceber" é algo imediato; diferentemente de "acreditar", que é um processo, que depende de raciocínio ou de associações com fatos e experiências passadas, e não é imediato. Para "perceber" é necessário estar em estado de silêncio e receptividade interior. Perceber é ouvir, não é falar... É "perceber-Se"; é "perceber-se em Unidade com o Ser Real". Na Bíblia é revelado: "Aquieta-te e saiba: Eu Sou Deus." [Saber tem aqui o sentido de perceber. Ou seja: Aquieta-te e perceba: Eu Sou. Perceba a real identidade!]Ao dizer que: "O perdão verdadeiro ocorre quando se reconhece desde o princípio que o pecado não existe", isto, o reconhecimento de que o pecado não existe, desde sempre, desde o princípio, exemplifica uma "percepção". Outro exemplo de percepção foi a compartilhada por Masaharu Taniguchi que disse: "O homem é filho de Deus." Esses são exemplos de percepções conscienciais que têm sido compartilhadas pelos que percebem, mas que só têm efeito quando assimiladas da mesma forma como o foram compartilhadas! Essas percepções conscienciais compartilhadas têm que ser percebidas e não apenas acreditadas como sendo revelações divinas. Isto porque não se assimilam percepções conscienciais a não ser consciencialmente. Em termos bíblicos é revelado que "as coisas espirituais se discernem espiritualmente." Por isso disse Jesus: E, se vos digo a verdade, por que não me credes? ["crer" aqui não significa apenas acreditar, mas sim, significa "perceber", ou seja, "ter fé", "ter a percepção", "a certeza das coisas que não se veem"] pois... "Quem é de Deus escuta as palavras de Deus..." (João 8: 41-47). E quem são os de Deus? Eis outra percepção compartilhada, que é a chave de compreensão desta revelação divina: "Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus esses são filhos de Deus." Romanos 8: 14
Namastê

SERgio disse...

Maravilha: Capítulos,comentários,
e este comentário aos comentários!

Essas mensagens do verdadeiro (científico)Cristianismo",já constam, se fosse contado,a partir
do surgimento de o "Caminho Infinito", -sem citar outras fontes-,de mais de meio século, e ao que parece, outros ensinamentos do ponto de vista do "Só humano",
é que continuam a ser entendidos/aceitos pela maioria, devido à "visão" que nada vê!...

Anônimo disse...

Existe algum projeto para a publicação desse livro em formato pdf? Alguem já manifestou interesse em publica-lo?

Gugu disse...

Meu Amigo, que na representação aparece como Silvano.

Obrigado pelos esclarecimentos destas verdades à luz do Núcleo. Seus comentários foram bastante pertinentes (como sempre) e são sempre bem vindos. E foram completos, não deixou nada de fora. De fato, acredito que ao fazer a tradução da maneira como Goldsmith ensina (que já é bastante clara) para a linguagem utilizada pelo Núcleo, a mensagem pode se tornar mais clara! Isso, devido o linguajar do Núcleo ser extremamente simples e poderoso. É uma linguagem universal, passível de ser adaptada a qualquer ensinamento espiritual.

Realmente, Goldsmith afirma que o mero conhecimento do ensinamento que ele apresenta não traz nenhuma transformação à vida dos estudantes. A mensagem só se tornará viva quando estiver sendo percebida, e, para isso, muito importante é que as pessoas dediquem-se a meditar e perceber. Sem haver percepção, a mensagem não é viva. Temos na Bíblia uma outra passagem que diz: "a letra é morta, mas o Espírito a vivifica."

Mais uma vez, muito obrigado!
Namastê!

Gugu disse...

Obrigado, SERgio.

A Verdade é sempre a mesma e vem de "fora" da ilusão. Por estar fora da ilusão é que é atemporal. Então o verdadeiro Cristianismo existiu desde quando a Verdade veio ao mundo, ou seja, há muito mais de 2000 anos.

Grande Abraço!

Gugu disse...

Anônimo,

Não existe ainda este projeto. Mas, como este livro não existe em português, eu estive pensando em entrar em contato com alguma editora pra ver se eles teriam interesse de publicar o livro. Mas a ideia, por enquanto, está apenas no plano dos pensamentos. Assim que terminar esta série, vou procurar saber mais a respeito.

Se você tiver interesse em publicá-lo, ou conhecer alguém que tenha, entre em contato, e vamos nos falando.

Namastê!