"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

segunda-feira, março 24, 2014

A Verdade da Budificação do Homem - 5/7

Masaharu Taniguchi


Além disso, assume as figuras de divindade Vajradhara, de bodisatva Samantabhadra, de bodisatva Padmapani e dentre outros, e as manifesta em todo o Universo, pregando palavras da Verdade e frases puras da Verdade. (Sutra do Grande Sol)

Comentei anteriormente que os diversos bodisatvas constituem o assento leonino de Buda e que este está manifestado nos bodisatvas. Mas as divindades tais como Vajradhara – que é uma espécie de anjo que protege as leis búdicas, tendo na mão a espada diamantina da sabedoria – também são manifestações da unidade e da igualdade dos três mistérios, isto é, das ações corporais, verbais e mentais de Buda. Este não tem opositores. Tudo e todos são manifestações da grande Vida do próprio Buda. É o mundo monista de Buda (ou seja, tudo é Buda e tudo é manifestação de Buda). Buda não tem oposição. Oposição é falsa aparência. Buda envolve dentro de si as confrontações. Olhando do ângulo do absoluto, a confrontação não existe. É como se olhássemos os dedos da mão. Do ponto de vista dos dedos, há confrontação. O polegar e o indicador se confrontam. Porém, visto pela Vida do homem, o polegar, o indicador, o dedo médio e os demais dedos constituem Ela própria (a própria Vida do homem), e portanto, não há confronto. Cada um da humanidade é como cada um dos dedos. Os dedos se confrontam entre si, assim como os seres humanos. Mas cada um de nossos dedos é autoexpressão, autorrealização e meio de atuação de nossa própria Vida. Do mesmo modo, visto por Buda, cada uma das pessoas da humanidade é autorrealização, autoexpressão e meio da atuação do próprio Buda. Buda vive aqui, agora, em nós. A vida presente em nós é Buda. É Buda que vive aqui. Conscientizar esse fato é o despertar. Fechar os olhos para esse fato, ignorá-lo e pensar em outras coisas constitui ilusão.

Todas as ações corporais, todas as ações verbais e todas as ações mentais estão pregando palavras da Verdade e frases sobre o Caminho, em todos os lugares e em todos os tempos, no mundo dos seres sensíveis. (Sutra do Grande Sol)

Como se vê, as ações corporais (vibrações que o corpo manifesta), as ações verbais (vibrações verbais) e as ações mentais (vibrações mentais) de Vairocana, que é a Grande Vida do Universo, estão vibrando em todos os lugares, em todas as mentes e em todos os seres sensíveis (todos os seres viventes). A esse fato de estarem vibrando, a referida sutra diz "estão pregando". Como diz o trecho da sutra, é a vibração de palavras da Verdade e "frases sobre o Caminho". Resumindo, significa que as ações, as leis e as palavras da Vida de Buda estão vibrando e repercutindo em todos os lugares, em todos os momentos e no interior de todos os seres viventes.

Conscientizar Buda que se aloja dentro de nós, isto é, Buda que vive aqui, neste corpo, no estado presente – conduzir a esta conscientização é a função do budismo esotérico Shingon, e isso se assemelha muito à fé em "Cristo que se aloja em nós" que o Dr. Harvey Hardman pregou em suas Teologia e Psicologia, a qual apresentei aqui, no Japão. A fé nesse esoterismo traz benefícios ao mundo atual, e vi perfeita identificação entre o budismo esotérico e o cristianismo de Hardman.

A substância da Grande Vida do Universo (Buda) "assume as figuras de divindades Vajradhara, de bodisatva Fugen (Samantabdhara), de bodisatva Rengeshu (Padmapani) e outras e as manifesta em todo o Universo, pregando palavras da Verdade e frases sobre o Caminho" (Sutra do Grande Sol).

Sobre Vajradhara, já expliquei antes. Quando ao bodisatva Fugen (Samantabdhara), é um erro pensar que ele seja um bodisatva com aspecto humano. No primeiro volume do Dainichi-Kyôsho, está escrito: "Fu significa onipresente. Gen significa o bem supremo. Seus votos e suas práticas para alcançar o despertar, e também seu corpo, sua palavra e seu pensamento são todos iguais e estão presentes em todos os lugares. Fugen é o bem supremo e puro e é plenamente dotado de virtudes". Em outras palavras, Fugen é a expressão personificada das virtudes maravilhosas de Buda-Vairocana que preenchem todos os lugares.

Samantabdhara Sutra diz que o bodisatva Fugen está sentado no assento feito de citámani colocado no dorso do elefante branco de seis marfins, e isso simboliza o fato de que ele é um bodisatva dotado de seis poderes paranormais (clarividência, clariaudiência, leitura de pensamento, profecia, bilocação e poder de eliminar paixões mundanais) e capaz de fazer acontecer tudo, conforme sua vontade. Objetivamente, ele é um corpo-expediente com que Buda protege a humanidade, mas, como ele é onipresente, está presente inclusive dentro de nós, como Deus interior e transcendente. Por conseguinte, cada um de nós é bodisatva Fugen. Este é o significado arcano (secreto, misterioso) do esoterismo. Para experienciarmos o fato de que somos Buda assim mesmo como somos, precisamos visualizar introspectivamente que nós próprios somos bodisatva Fugen. A Sutra do Lótus prega que a duração da vida de Buda é eterna, e que a vida do ser humano também não difere da de Buda. E, para realizar essa Imagem Verdadeira, recomenda a seguinte prece meditativa: "Visualize o bodisatva Fugen a todo momento, dia e noite".

A mente que contempla uma flor torna-se ela própria uma flor. A mente que contempla o bodisatva Fugen torna-se bodisatva Fugen. A mente humana, se visualizar o mortal, torna-se mortal. Se visualizar Buda, torna-se Buda. Se visualizar os pecados alheios, ela própria se torna pecadora. Se ficar olhando apenas o mundo dos mortais, realizar-se-á um mundo cheio de problemas e conflitos. Por isso, não se deve visualizar o mundo humano cheio de conflitos. É necessária a mudança de visão. Se Sudhana (Zenzai Dôji) entrou repentinamente no mirante cujo portão se abriu com o estalido dos dedos de Maitreya, foi devido ao poder da visão.

Quando a bodisatva Padmapani, trata-se de Avalokitésvara (Kanzeon Bosatsu) que segura um botão de lótus em sua mão direita. Enquanto Fugen-bosatsu (bodisatva Samantabdhara) é expressão da virtude racional de Buda-Vairocana, Padmapani é expressão da virtude da misericórdia de Buda. A Sutra do Grande Sol aborda primeiramente três santos do budismo, a saber: Vajradhara (Shukongô), Samantabdhara (Fugen-bosatsu) e Avalokitésvara (Kanzeon bosatsu). Isso porque todas as virtudes de Buda-Vairocana estão representadas por esses três santos.

As virtudes maravilhosas da Imagem Verdadeira são representadas por Fugen-bosatsu; a força de sabedoria para dominar as ilusões é representada por Shukongô; e a virtude da misericórdia para eliminar sofrimentos é representada por Kanzeon Bosatsu. Eles se manifestam com seu respectivo corpo-expediente, de forma adequada para salvar a humanidade, de modo a melhorar o seu caráter e seus desejos. Porém, na verdade, eles estão dentro de nós, como Deus interior e transcendente. Logo, tanto Shukongô, quanto Fugen-bosatsu e também Kanzeon bosatsu estão no interior da mente do ser humano. Nós próprios somos Shukongô bosatsu, Fugen-bosatsu e Kanzeon bosatsu. Mas, para quem não consegue acreditar nisso, eles aparecem com aspectos de terceiros, como expediente.

Entre os Shujongô (existem vários graus de Shukongô), o mais elevado é o Himitsushu (o senhor dos segredos).

Nesse momento, o Shukongô-Himitsushu, durante a reunião, posta-se diante de Buda e lhe pergunta: "Por que Vairocana obtém a sabedoria de todas as sabedorias?". A resposta: "Ele obtém a sabedoria de todas as sabedorias para divulga-la amplamente, pelo bem de uma infinidade de pessoas da humanidade; propaga-a utilizando diversos expedientes, de acordo com as diversas tendências e os diversos desejos carnais das pessoas". (Sutra do Grande Sol)

"Sabedoria de todas as sabedorias" é tradução do sânscrito sarvajuána e significa a sabedoria mais elevada entre todas as sabedorias. É a sabedoria que permite conhecer cabalmente todas as existências e, ao mesmo tempo, é a sabedoria da Imagem Verdadeira com que Buda desperta a si próprio. "Todas as existências" englobam todos os fenômenos experienciais, todas as coisas e todos os fatos do mundo fenomênico, ideias e conceitos.

Bem, iniciou-se um diálogo entre Himitsushu e Buda, mas é um diálogo fictício. Na verdade, Himitsushu disseca e esclarece com sua espada da sabedoria a Verdade secreta de Buda. Desse ponto de vista, podemos dizer que a Sutra do Grande Sol é uma criação. De fato, não existe nenhum registro de anotação do suposto diálogo entre Buda e Himitsushu. O mestre Kobo, referindo-se à Sutra do Grande Sol, em que baseia a teoria de budificação do homem, e à Sutra Vajrasekhara, explica em sua obra Interpretação das Sutras Principais que as duas sutras acima referidas são a base dos ensinamentos secretos de Buda, extraídos pelo bodisatva Nagarjuna de dentro da Torre de Ferro de Nanten (céu do sul)".

E o que é a Torre de Ferro de Nanten? O mestre Kobo diz: "Essa torre não é feita por força humana; é feita pelo divino poder de Buda". Pelo visto, a Torre de Ferro de Nanten não é uma existência objetiva fora de nossa mente, e sim uma existência interna da mente de quem a compreendeu, isto é, uma torre intramental. Por isso, o fato de bodisatva Nagarjuna ter aberto a Torre de Ferro e transmitido as referidas sutras significa que o próprio Nagarjuna-bodisatva abriu a Torre de Ferro intramental de Buda Vairocana (Grande Vida do Universo), isto é, abriu o indestrutível mundo da Imagem Verdadeira. Isso tem o mesmo significado de Nagarjuna ter entrado no Palácio do Reino do Mar e trazido de lá a Avatamsaka Sutra. A Torre de Ferro de Nanten e o Palácio do Fundo do Mar são, ambos, o mesmo mundo da Imagem Verdadeira. Ao fato de intuir o verbo da Imagem Verdadeira e expressá-lo, diz-se obtê-lo na Torre de Ferro de Nanten ou buscá-lo no Palácio do Reino do Mar.

Bodisatva Nagarjuna nasceu setecentos anos após o desencarne de Sakyamuni, e é dito que na época ainda não existia na face da Terra nenhuma sutra do budismo mahayana. Por essa razão, pode-se dizer que o budismo mahayana é criação de Nagarjuna-bodisatva. Porém, Sakyamuni, Nagarjuna e todos os outros grande bodisatvas são corpos-expecientes pelos quais se manifesta Buda Vairocana. Assim sendo, mahayana e hinayana devem ser englobados sob a denominação de budismo. Mesmo que a investigação histórica não possa confirmar que Sakyamuni físico pregou o budismo mahayana, não há necessidade de apregoar a teoria de que mahayana não foi pregada por Sakyamuni.

Se compreendermos a Verdade antes explicada – de que todo ser humano, na sua Imagem Verdadeira, é manifestação de Buda Vairocana –, poderemos abrir a porta da Torre de Ferro ou do Palácio do Reino do Mar imanente na nossa Imagem Verdadeira e compreender a Imagem Verdadeira de nós mesmos e que estamos no mundo indestrutível do paraíso secreto. Compreenderemos que, na Imagem Verdadeira, nós próprios somos Shukongô, somos Fugen-bosatsu e somos Kanzeon Bosatsu. O mundo da Imagem Verdadeira é chamado de "Mundo secreto" porque é um mundo majestoso e misterioso, oculto aos cinco sentidos. E o ensinamento que desvendou esse mundo secreto é esoterismo.

Concluindo, o diálogo entre Buda Vairocana e Himitsushu citado nas sutras Kongô-chô-kyô e Dainichi-Kyô que Nagarjuna trouxe da Torre de Ferro de Nanten – esse diálogo é a expressão da Verdade que o próprio bodisatva Nagarjuna compreendeu internamente e expressou em forma de diálogo.

Buda, para salvar a humanidade, manifesta ora o corpo de Buda, ora o de srávaka (aquele que ouve os ensinamentos), ora do de pratyekabudha (aquele que compreendeu a verdade de causa e efeito), ora o de bodisatva, ora o de brahma (uma das divindades do Bramanismo), ora o de narayana (divindade que combate o mal e protege o bem), ora o de vaisravana (divindade protetora dos mundos do norte), ora o de demônio, de humano, de desumano (ser inferior ao humano) etc., de acordo com o som verbal de cada um. (Dainichi-kyô)

Este texto mostra a visão religiosa de Nagarjuna, segundo a qual todas as religiões têm a mesma origem, afirmando que Buda Vairocana assume a forma de diferentes bodisatvas e líderes religiosos para pregar a Verdade e mostrando que todas as religiões são expedientes doutrinários de Buda Vairocana (Deus).

Se um fundador de religião (seja ele Sakyamuni ou Jesus) prega o seu ensinamento e quem o ouve alcança a salvação, como isso é possível? É porque a essência da Vida das pessoas e a essência da Vida de Deus (ou de Buda) é um coisa só. Se a budificação do homem é possível, é unicamente porque o homem e Buda são um só corpo.

Se existe unidade até entre as pessoas e Buda, não é possível que não haja unidade entre os fundadores de religião ou líderes religiosos. É uma tolice muito grande os fundadores ou líderes religiosos incitarem conflitos religiosos, considerando-se um alheio ao outro.

Se o paraíso é o estado conscientizado na mente de Buda, o ser humano também conscientizando a sua essência, deverá concretizar o paraíso. Se isso não ocorre, é porque ele não a vê. Basta mudar a visão, que ele despertará para a Verdade de que o ser humano e Buda constituem um só corpo. em outras palavras, compreenderá que ele já é Buda, assim mesmo como é. Por isso a sutra Dainichi-kyô diz:

Além disso, o caminho de todas as sabedorias é um só, o da libertação por Buda.

O primeiro volume do Dainichi-kyô, interpretando a citação acima, diz: "A sutra diz que o caminho de todas as sabedorias é um só, o da libertação por Buda. A razão disso é que a Imagem Verdadeira de toda a humanidade é, desde o princípio, a sabedoria imparcial (a suprema sabedoria segundo a qual todos, imparcialmente, sem distinção, possuem natureza búdica) de Vairocana. Buda, com seu espírito imparcial, desenvolveu a grande mandala (um desenho que simboliza o estado do despertar de Buda, contendo figuras de budas, bodisatvas e divindades) infinitamente majestosa na mente imparcial da humanidade". Isso quer dizer que Vairocana manifesta os budas imanentes dentro dele em forma de majestosa e grande mandala do mundo diamantino (Mundo diamantino é a manifestação as sabedoria de Vairocana, em contraposição ao mundo uterino, que é a manifestação da misericórdia de Vairocana) e, invertendo-a utiliza-a para desenvolver a semente de Buda (Imagem Verdadeira) da humanidade.

Explicando melhor, isso significa que os budas do mundo diamantino se alojam dentro de nós como budas do mundo uterino (mundo já explicado acima), para promover a germinação e crescimento de nossa semente búdica. A imagem do mundo diamantino concebido por Vairocana e a do mundo uterino dos budas imanentes na humanidade – mandala – são uma coisa só e indivisíveis. Por isso, da mesma forma como nossa imagem fica clara diante de um espelho, o Buda interior – Imagem Verdadeira – da humanidade fica evidente diante da luz de Vairocana, e dessa forma o homem se realiza como Buda "assim mesmo como ele é".

Então, o que fazer, na prática, para o homem se realizar como Buda assim mesmo como é? Como já disse várias vezes, se não se manifesta a Imagem Verdadeira na qual o homem já é Buda, é porque ele não a visualiza, não a mentaliza. Ver (visualizar) é manifestar. Mentalizar é criar forma. Mesmo que, na realidade, o indivíduo esteja dormindo num colchão de ouro, se a sua mente, não vê essa realidade e, sonhando pensa que é um mendigo maltrapilho perambulando pelas ruas, só poderá experienciar a vida de mendigo maltrapilho durante o sonho.

Se nós, seres humanos, perambulamos na vida como seres carnais sujeitos à pobreza, à doença, à velhice e à morte, é porque perambulamos em ilusão no sonho chamado cinco sentidos. Mas, quando despertamos do sonho e vemos o nosso corpo da Imagem Verdadeira, percebemos que este corpo, neste mesmo estado, é Buda Vairocana, é bodisatva Fugen.

Cont...

Do livro "A Verdade da Vida, vol. 39", pp. 206-217

5 comentários:

Silvano disse...

Foi dito: "visto por Buda, cada uma das pessoas da humanidade é autorrealização, autoexpressão e meio da atuação do próprio Buda. Buda vive aqui, agora, em nós. A vida presente em nós é Buda. É Buda que vive aqui. Conscientizar esse fato é o despertar. Fechar os olhos para esse fato, ignorá-lo e pensar em outras coisas constitui ilusão."
Nesse ponto se revela claramente a unidade entre o ensinamento de Buda, conforme os esclarecimentos de Masaharu Taniguchi aqui expostos e o ensinamento do Núcleo de que "Eu apareço como", ou "Quem Eu Sou aparece como" ou "Quem Buda É aparece como". E o mais importante: É a percepção de Buda quem percebe Buda em tudo, pois, é Buda Quem vive em nós!

Silvano disse...

Foi dito: "Então, o que fazer, na prática, para o homem se realizar como Buda assim mesmo como é? Como já disse várias vezes, se não se manifesta a Imagem Verdadeira na qual o homem já é Buda, é porque ele não a visualiza, não a mentaliza. Ver (visualizar) é manifestar. Mentalizar é criar forma."
No Núcleo é dito que: "Não há percepção sem ação." Ou seja, não há percepção de nossa real identidade como ser consciencial, como Buda Vairocana, se não agimos conforme nossa natureza búdica imanente. A "percepção da mente" de quem estamos sendo(da mente de nossos personagens) vela a percepção de Quem somos... Isso é o sonho, a encenação divina! Assim se cria a realidade onírica em que vivem os que dormem... Por isso está escrito: "Desperta tu que dormes! Ergue-te do leito dos mortos e Cristo te dará a Luz."

Silvano disse...

Foi dito: "Concluindo, o diálogo entre Buda Vairocana e Himitshushu citado nas sutras Kongô-chô-kyô e Dainichi-Kyô que Nagarjuna trouxe da Torre de Ferro de Nanten – esse diálogo é a expressão da Verdade que o próprio bodisatva Nagarjuna compreendeu internamente e expressou em forma de diálogo."

Esta é a "compreensão interna" [ou percepção consciencial] a que chegam todos os que conheceram a Verdade, a Realidade do Ser. A "Torre de Ferro de Nanten" é outro nome para o "Núcleo" do próprio Ser, que é o âmago de Quem somos.
Nagarjuna teve essa percepção e a expressou em forma de um diálogo fictício.

Gugu disse...

Caros amigos,

Na onipresença de Buda, somente existe Buda. E, tudo o que existe em Buda, é o próprio Buda.

A presença de Buda, é Buda. O corpo de Buda, é Buda. A mente de Buda, é Buda. A percepção de Buda, é Buda. O olhar de Buda, é Buda. A Vida de Buda, é Buda. Em Buda, tudo (presença, corpo, mente, percepção, olhar, vida) é Buda.

Por isso, Masaharu Taniguchi se vale de uma explicação muito simples para mostrar o que o homem deve fazer para se "realizar como Buda". Ele diz: "Se não se manifesta a Imagem Verdadeira (Buda), é porque o homem não a visualiza, não a mentaliza. Ver (visualizar) é manifestar."

"Ver é manifestar". Esse ensinamento que está sendo compartilhado é muito profundo. Mentalmente, ver não é o mesmo que manifestar. Isso porque, no âmbito mental, a visão obrigatoriamente precede a manifestação.

Porém, consciencialmente, ver é o mesmo que manifestar. "Ver" surge concomitantemente com "manifestar".

Se em Buda tudo é Buda, então a própria visão (visualização ou olhar de Buda) já é Buda. Não é necessário haver (e não existe) uma espécie de "visão prévia" ou "mente prévia" que possa estar lá para ver Buda. Essa "mente" ou "visão" separada não existe, e Buda jamais será visto por intermédio dela. Buda se manifesta juntamente com a visão. A própria visão com que se vê Buda já é Buda. É por isso que diz: "Ver é manifestar".

Quando Masaharu Taniguchi recomenda a prática contemplativa (visualizativa) da Meditação Shinsokan, ele incita o indivíduo a praticar esse tipo específico de visualização. A Meditação Shinsokan não se trata, portanto, de mero exercício ou visualização mental. Nessa Meditação, a pessoa deve "mentalizar" (visualizar, ver) com a própria "mente" de Buda, e não com a mente cerebral/humana.

A Meditação Shinsokan não é prática de visualização mental, e sim visualização consciencial.

Namastê!

Silvano disse...

Excelente comentário, meu Amigo!

No item 6/7 desta série está escrito: "Não há quem alcance o despertar, nem há despertar a ser alcançado. Da mesma forma, não há aquele que pratica, nem há prática a ser praticada. Por isso, no Dainichi kyoshô está escrito: "Praticar sem a prática, e atingir sem atingir; não há quem entre, nem local para se entrar; por isso se diz igualdade". Praticar sem a prática significa ser assim mesmo como é. Assim mesmo, somos Vairocana, somos Fugen e somos Kanzeon. Não é após a prática que somos Vairocana; já somos Buda. Nós simplesmente perdemos o "assim mesmo como somos". Para recuperar o "assim mesmo como se é", na Tendai (ramificação do budismo, no Japão) se pratica o Shinkan (meditação que consiste em afastar a mente ilusória e se identificar com a sabedoria superior); no esoterismo Shingon se pratica Ajikan (contemplação da letra A do sânscrito: अ); e na Seicho-No-Ie se pratica a Meditação Shinsokan. Todos eles são formas de concentração mental. É necessário não só entender com o cérebro a verdade da fusão de este corpo com Buda, mas assimilá-la."
A meditação do Núcleo é ShinShin, pois, é a Consciência do Ser [Shin] quem percebe o Ser [Shin].