"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

domingo, agosto 30, 2009

Em que estágio obteremos completa satisfação?


Sripad Vana Maharaj


No mundo material vemos que muitas pessoas possuem casas, esposa, marido, filhos e riqueza, mas ainda assim, a mente está insatisfeita e vaga daqui para lá. Muitas pessoas agem contra as regras da sociedade e cometem atividades pecaminosas. A causa deste comportamento é a falta de satisfação da mente. Uma pessoa pode ter vasta riqueza, mas ainda assim sua mente pode permanecer agitada e tal pessoa pode se engajar em muitas atividades pecaminosas. Vemos também que há pessoas piedosas que ouvem discursos espirituais, mas elas também sofrem de muitos tipos de insatisfação. O Sastra declara que para se obter completa satisfação, o coração deve estar limpo e claro. Assim, a pessoa automaticamente exercerá um bom comportamento e naturalmente será capaz de ajudar os outros a irem além dessa existência material.

Você pode perguntar, “Em que estágio obteremos verdadeira satisfação?”. Como podemos obter isso? A ciência material explica que no cérebro humano há quatro tipos de onda: alfa, beta, teta e delta. Com a velocidade de 0.5 a 4 ciclos por segundo, elas são a causa para a paz, agitação e satisfação. De acordo com a ciência material, no lado direito do cérebro estão as ondas delta, enquanto do lado esquerdo residem as outras três ondas.

É por esta razão que sentimos falta de paz. Mas se transferirmos as ondas delta para o lado esquerdo do cérebro, a satisfação será obtida. Isso é chamado “estado de inércia”, de acordo com a linguagem científica. Quando um átomo não está completamente estável devido à falta de elétrons, ele começa a revolver-se, e algumas vezes é atraído ou repelido por outros átomos. Mas quando este átomo está completamente estável, então, de acordo com as regras da camada de valência 2n (n= número de órbitas), se ele obtiver o número máximo de elétrons, torna-se completamente inerte.

De acordo com a ciência material, Hélio, Criptônio, Argônio, Neônio, etc., são gases inertes (gases nobres) que nunca se misturam a átomos. Da mesma forma, as ondas delta nunca se juntam com as ondas alfa, beta e teta. Você pode perguntar se é possível então que as ondas delta possam vir para o lado esquerdo do cérebro. O Yoga sastra explica que há três tipos de nervos: ingla, pingla, e susumna. Quando o susumna está ativo, as ondas delta são ativadas em nosso cérebro. No yoga-sastra é explicado que há muitas formas para ativar o nervo susumna através de muitos tipos de processos yóguicos, como por exemplo, asanas, pranayama, dhyana (posturas, controle de respiração, meditação), etc. Essas coisas são explicadas para Arjuna por Krishna no Bhagavad Gita 6.13-15




"saman kayo-siro-grivam
dharayann acalam sthirah
samprekesya nasikagram svam"


“Mantendo o corpo, pescoço e cabeça eretos, a pessoa deve fixar sua visão apenas na ponta no nariz. Assim, seguindo celibato estrito, tornando-se destemido, pacífico e controlando a mente, deve-se praticar yoga ao meditar em Mim com atenção unidirecionada, permanecendo sempre devotado a Mim.”


"disas canavalokayam
prasantatma vigata-bhir
brahmacari-vrate sthitah
manah samyamya mac-citto
yukta asita mat-parah"



“Ademais, constantemente mantendo a mente absorta em Mim através do yoga ao seguir o processo, um yogi cuja mente está controlada, pode situar-se em Minha svarupa (Nirvisesh Brahma) e obter shanti na forma de completa emancipação.”


yunjann evam sadatmanam
yogi piyata-manasah
santim nirvana-paramam
mat-smstham adhigacchati



“Assim, praticando o controle do corpo, mente e palavras, o místico transcendentalista obtém o reino de Deus [a morada de Krishna] através da cessação da existência material.” (Bg. 6,13-15)

Portanto, o yogi concentra sua mente na meta e então seu pran-vayu (inspiração) e apan-vayu (expiração) entram em equilíbrio. Sem tal equilíbrio, o nervo susumna não é ativado. Deste modo, os yogis executam o pranayama (controle da respiraçãol) para abrir essa porta, e ao cantarem o mantra OM tornam-se liberados das coisas materiais, e obtém sua meta.

Na Bhakti-Yoga, entretanto, nós entoamos:


"Hare Krishna Hare Krishna,
Krishna Krishna Hare Hare,
Hare Rama Hare Rama,
Rama Rama Hare Hare..."



E obtemos nossa meta final, que é Krsna-prema (amor divino pelo Senhor Supremo). Então nos tornamos completamente satisfeitos.

5 comentários:

Gugu disse...

Esse post é um texto hare krishna. Ele ensina como podemos alcançar a satisfação interior, por meio das práticas feitas pelos devotos. Nesse sentido, o post traz um texto mais voltado para quem já é conhecedor da fiosofia. Para quem nunca ouviu falar ou conhece pouco, o texto pode parecer um tanto estranho. Por isso, gostaria de esclarecer alguns pontos.
O texto começa dizendo que as coisas materiais não são capazes de nos proporcionar paz e satisfação plenas - a paz que desejamos encontrar e que procuramos todos os dias de nossas vidas. Muitas vezes nós nem sabemos que estamos procurando por ela, então as pessoas começam a tentar se preencherem com coisas mundanas: comida, companhia, status, poder, consumir tudo o que ver pela frente... as pessoas correm de um lado para o outro no mundo buscando alcançar essa satisfação. Se elas vagam para lá e para cá, é porque também suas mentes estão perdidas, vagando para lá e para cá. Assim uma pessoa pode ser rica, famosa, ter poder para fazer tudo o que desejar, e ser infeliz. O homem não consegue parar de se mover enquanto não encontrar o que deseja. Mas segue conseguindo tudo, realizando todos os seus desejos, então se aquieta - porque fica satisfeito durante algum tempo -, mas logo começa a correr novamente. Se isso acontce, é porque aquilo que se conseguiu só foi capaz de prenchê-lo momentaneamente. Por ser falso, aquela falsa sensação de alegria adquirida, foi logo perdida. Se fosse verdadeiro, ela não teria desaparecido, pois o que é verdadeiro não pode ser perdido nunca. Na verdade, o que é verdadeiro não pode surgir nem desaparecer, não pode ser adquirido e tampouco perdido. Se algo é verdadeiro, ele sempre está, esteve e estará aí. Mas tudo o que as pessoas buscam, tudo o que elas fazem... nada é capaz de satisfazê-las. As pessoas movem-se no mundo, na dimensão material. Buscam tudo ali e não conseguem se preencher nunca. Se isso acontece, é porque o homem não é um ser material. O homem é um ser espiritual e se, ao buscar algo material não conseguiu ficar satisfeito, é porque não houve um encontro. Um ser espiritual busca o seu sentido, a sua realização nas coisas materiais. As duas coisas não se tocam - permanecem sempre tão distante quanto o céu e a terra. E é por esse motivo que coisas mundanas não podem oferecer ao homem aquilo que ele realmente necessita e busca.

As práticas espirituais possibilitam o homem a entrar no caminho correto, caminho que levará o homem a aquietar-se. Nenhuma pessoa consegue parar ou se aquietar enquanto houver um desejo não satisfeito em sua mente. Quando ela compreende que a própria natureza das coisas mundanas não consegue proporcionar ao homem o que ele tanto deseja conseguir - quando ele consegue ver isso - então ele consegue/pode abandonar os seus desejos. E se aquieta. Nessa quietude, ele começa a perceber sua autorrealização, sua própria natureza. A natureza do homem e da matéria são totalmnte diferentes, como a água e o óleo. Não se misturam, são heterogêneas. Se alguem consegue ver e aceitar isso, fica fácil abandonar a mente com todos os seus desejos.

Gugu disse...

Quem deseja é sempre o homem, o ego, o pequeno e falso "eu, nunca Deus. O que haveria para Deus desejar? Deus já é um ser autorrealizado. Portanto, assim que o homem abandona os seus desejos, ele começa a sintonizar com Deus, vai se moldando, se adequando até ficar no mesmo estado em que Deus se encontra. Sintonizando com Deus, ele O vê! Essa é a realização. Esse processo acontece através das práticas espirituais de tods as filosofias e religiões. O texto mostra como esse processo acontece dentro dos ensinamentos da filosofia hare krishna. O devoto medita, em total estado de confiança e entrega, cantando o nome de Deus: "Hare Krishna, Krishna Hare, Hare Hare, Rama, Rama...". É um mantra. Muitas religiões utilizam-se da entoação de mantras como meio de prática espiritual. Se o devoto acreditar, ele realmente poderá ter experiências espirituais a partir de sua prática. Você pode acreditar no nome de Jesus, de Buda ou de Krishna - tanto faz, todos eles são diferentes nomes para o mesmo Deus. Assim como os Hare Krishna pronunciam "Hare Krishna" em suas práticas, os budistas pronunciam o nome de Buda, chamando por "Namu Amida Butsu". O que salva não é a repetição das palavras, pois elas em si mesmas nada são. Elas são apenas meios, intrumento, ferramentas para fazer a mente do devoto concentrar-se em Deus e manter-se firmemente voltada para Ele. Não é a repetição do mantra que irá salvar a pessoa. Tanto não é que, através das práticas, algumas atingem a iluminação, enquanto outras não. Por que isso acontece? Se a repetição do mantra fosse uma prática espiritual absoluta, ela salvaria a todos indistintamente, o fenômeno ocorreria de modo objetivo. Se o mantra tivesse real poder para salvar as pessoas, ele seria como uma fórmula matemática: funcionaria para todos, indistintamente, incondicionalmente. No entanto, alguns conseguem e alguns não. Isso se deve por causa da compreensão, do desenvolvimento espiritual do devoto. Depende do quão ele é capaz de se entregar, de se render, depende do quão comprometido com Deus ele é, do quanto ele O ama. Se a entrega for total, não é preciso sequer chamar pelo nome de Deus - Ele vem automaticamente.

Gugu disse...

A verdadeira prática espiritual de "entoação e repetição de mantra" é feita quando o devoto anula o seu pequeno e falso eu (ego) e deixa que Deus mesmo entoe seu próprio nome. No budismo, isso é chamado de a "Grande prática". Há no budismo, a pequena e a grande prática espiritual. A pequena prática é feita pela própria pessoa, pelo ego. Por exemplo: o ego quer alcançar Deus, quer realizar-se, quer tornar-se um iluminado (um ego iluminado), e então ele começa a repetir incessantemente o nome de Deus: "Namu Amida Butsu, Namu Amida Butsu"... Essa é a pequena prática. Os homens mais iludidos, os homens mais imersos e envolvidos com maya, são os que, por ignorância ainda praticam essa forma espiritual. Eles estão no caminho, ainda começando, possuem uma longa jornada pela frente até compreenderem que não são eles quem realizam suas obras, mas Deus. Quando atingem determinada compreensão, o homem passa a ser mais humilde, mais devoto, mais receptivo, aberto. Então ele compreende que não é ele quem faz. Ele ora: "Senhor, venha! Que seja vós mesmo a fazer esta oração". Ele se anula, e começa a praticar: "Namu Amida Butsu, Namu Amida Butsu...", só que desta vez a prática tem uma qualidade completamente diferente. É Deus quem está ali repetindo seu próprio nome. Quanto mais o homem compreende que não possui forças paa alcançar a Deus, mas que é Deus quem o alcança (se ele assim permitir), mais entende também que Deus é que faz tudo. Até mesmo nossas práticas espirituais. Quando um homem se ilumina... não está certo dizer que ele "se ilumina". A maneira correta de se dizer é "se torna iluminado" porque é Deus quem o abre à sua iluminação. Homem algum consegue erguer-se às alturas de Deus. Se o homem estiver livre, desimpedido, desobstruído, se o ego não estiver sendo um obstáculo no meio do caminho, Deus vem.

Os ensinamentos espirituais são muito profundos. O próximo post será uma melhor explicação do Yoga, para esclarecer como funciona o caminho do Bhakti (da devoção).

Abraços a todos.

Washington de A. Vieira disse...

Acredito que é realmente muito interessante aproximar a ciência moderna às antigas filosofias e religiões, isto reforça a fé por intermédio da razão e possibilita um avanço para um diálogo ecumênico e nos permite vislumbrar a possibilidade de uma grande síntese.

No entanto é válido lembrar que a ciência observa a realidade sempre de forma isolada e procura explicar por meio de recortes da realidade a realidade e por intermédio de simbolos e ícones arbitrários (palavras, números, fórmulas, etc) a verdade.

A verdade, no entanto é ilimitada não pode ser expressa por meio de meios limitados ou reduzida a símbolos, tentar explicar a verdade é dar uma pálida idéia ao um homem cego no que consistiria a existência das cores.

É por este motivo que a espiritualidade genuína aponta setas em direção ao próprio ser, porque a verdade é e, portanto só poderemos ser alcançados por ela; sendo.

Não se trata de ter a verdade, mas de sê-la.

Neste sentido creio que a ciência é quem precisaria da espiritualidade para entender o princípio de sua incerteza inerente as suas teorias e até mesmo aos seus dogmas, dogmas científicos possuem valores materiais práticos e por isso são inquestionáveis como todo e qualquer dogma.

O grande desafio do homem lógico e de cultura ocidental como eu é abrir mão dos seus condicionamentos, da sua tentativa de "controlar a realidade" e da fixação na questão do método e abrir-se para a experiência do insight, da intuição, da devoção que faz com que o observador e observado desapareçam para tornar-se uma só realidade e desta forma abrir-se para o Ilimitado, o Eterno, o Ser permanente por de trás de todas os movimentos periféricos observados pela percepção equivocada dos olhos humanos.

Creio realmente que a paz é o meio (lá vai a mente fixada na questão do método falar de meios) para tornar a mente humana receptiva para uma realidade mais profunda e sutil.

A mente torna-se muito mais dinâmica quando ela está em repouso.

Um forte e afetuoso abraço a todos!

Aprecio muito este blog, agradeço muito ao idealizador por compartilhar aqui a sua jornada e a jornada daqueles que "buscar o despertar".

Gugu disse...

Olá Washington, obrigado por sua participação.

Acredito que a ciência já está cumprindo o que você falou. A Ciência Quântica está desmoronando os paradigmas materialistas dos cientistas. Pelo menos, agora, os cientistas mais renomados e mais entendidos do assunto (ou seja, os melhores cientistas) não conseguem mais crer na existência da matéria de moso objetivo. E reconhecem que a ciência materialista, sozinha, é incapaz de alcançar qualquer resultado. Os maiores físicos do mundo já aceitam a espiritualidade como parte integrante de suas investigações, porque descobriram/sabem que precisam dela. Tudo o que se vê, se constata e se experiencia não pode nunca ser separado do obsrvador. Sem o observador, elas simplesmente não existem. O observador é a base, a fundação que mantém a casa "em pé". Como você bem disse, nada pode esta separado do ser.


Grande Abraço.

É uma alegria poder compartilhar este blog com as pessoas. E saber que consegue fazer alguma diferença.

Que a Paz de Deus seja conosco.