"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

terça-feira, junho 20, 2017

Advaita: A sabedoria da Não-Dualidade



A SABEDORIA DA NÃO-DUALIDADE

I. O que é? Princípios Essenciais.

O Advaita Vedanta é uma “filosofia”, por assim dizer, que surgiu há muitos séculos na Índia, tendo a sua origem nos Vedas, as escrituras mais antigas e sagradas do Hinduísmo. Advaita literalmente significa “não-dualidade”, e Vedanta significa “a parte final (ou conclusão) dos Vedas”.

A doutrina principal do Advaita postula que apenas o Absoluto (Brahman) é Real e que o mundo (toda a criação) é irreal, sendo que toda e qualquer modificação, dualidade, pluralidade – seja objetiva ou subjetiva – é apenas uma superimposição, uma imagem que é sobreposta ao Absoluto através do poder da ilusão (Maya). 

Como o Absoluto é imutável e sem atributos, a criação é negada, uma vez que o absoluto não pode criar, devido a sua própria “infinitude”, digamos assim, e também porque não pode haver nada “fora” ou “diferente” dele. O Absoluto é o oceano de Ser-Consciência-Beatitude (sat-chit-ananda), sendo Real, enquanto que tudo o que nele surge e desaparece é transitório, limitado e, portanto, irreal. Nas palavras de Shankara, o ensinamento Advaita central é que “o absoluto é real, o universo é ilusório, e a alma individual não é diferente do absoluto“. Embora a alma individual (Jiva) seja vista como parte do mundo ilusório, e portanto irreal, a “testemunha” que há por trás dela (a Consciência), ou Eu Real, é idêntico ao Absoluto.

Para o Advaita a ilusão, ou ignorância espiritual, não é real, mas apenas uma falsa-percepção. Os Upanishads explicam que Maya (ilusão cósmica) causa o surgimento do universo e que avidya (ignorância individual) é responsável por o Absoluto Ser parecer ser uma multidão de almas individuais (jivas). Assim, através da ação inexplicável da ignorância, o Absoluto ou Eu Real (Brahman ou Atman), cuja natureza é Ser-Consciência-Beatitude, encontra-se preso em um complexo corpo-mente, acreditando-se e vivendo como se fosse um ser limitado e individual, enquanto que na verdade é apenas existência impessoal e eterna. A metáfora mais utilizada pelas escrituras é a situação de um homem que abre a porta de um quarto escuro e, naquele momento, uma corda que estava em uma prateleira cai no chão, e o homem, devido à pouca luz existente no recinto, acredita ter visto uma cobra, enchendo-se de medo. De igual maneira, ensinam os mestres, nós acreditamos ser um ser individual, limitado a um corpo-mente, vivendo em um mundo exterior, objetivo, substancial e real, enquanto que tudo isso não passa de um sonho, um engano, uma miragem. Nós somos, agora e sempre, apenas o Eu Real ou Self.

O obstáculo principal à liberação da alma (Moksha ou Mukti) é a falsa identificação do eu com o corpo-mente – em outras palavras, a ilusão de que o corpo-mente é “eu” ou “meu”, que estamos circunscritos a ele. Assim, os textos de Shankara (e os demais textos Advaita supervenientes) recomendam que a remoção dessa ilusão seja obtida pelo processo inverso de “des-superimposição”. Para isso o aspirante à iluminação deve desenvolver as seguintes características:

1 -  Discernimento espiritual (viveka): saber separar o Real do irreal, o eterno do transitório, e ter a convicção de que apenas o Absoluto é real e tudo o resto é ilusão;

2 - Desapego: (vairagya): não desejar nada, nem neste mundo nem em vindouros. Não buscar a felicidade em nada que não seja o Eu Real;

3 - Seis virtudes: serenidade, autocontrole, cessação das atividades, equanimidade, concentração mental, e confiança (nos ensinamentos e no Guru);

4 - Desejo forte pela libertação (mumukshutva): desejar apenas iluminação, com a exclusão de todo o resto.

E quando afinal a alma individual (Jiva) alcança a liberação (Mukti), ela se torna um Jivamukta (Aquele é está liberado mesmo enquanto vive na condição humana).

Para tanto, o buscador deve aproximar-se de um Guru que seja um mestre espiritual iluminado e ouvir a verdade de que “eu sou Brahman” (shravana), refletir sobre ela até convencer-se completamente do seu conteúdo (manana) e meditar sobre ela (nididhyasana) até que a ilusão de ser um corpo-mente desapareça (samadhi).

Os Upanishads aconselham a prática de mentalmente rejeitar tudo, rejeitar a atenção a qualquer coisa que não seja o Eu Real, através da prática neti-neti, que literalmente significa “não isto, não isto”. Também, através da repetição das chamadas “grandes frases” (mahavakyas), eliminar a falsa impressão de que somos uma personalidade ou individualidade e descobrir nosso verdadeiro ser. Tais frases são:

- Eu sou Brahman (Aham Brahmasmi)
- Você é Aquilo (Tat vam asi)
- Tudo é Brahman (Sarvam khalvidam Brahman)
- A Consciência é Brahman (Prajnam Brahman)
- Eu sou Ele (So Ham)

Em síntese, tais são os princípios do Advaita Vedanta clássico e as práticas por ele aconselhadas. 

Retirado do site: www.advaita.com.br

5 comentários:

Jaime Pires disse...

Boa noite Gustavo,

Que coisa mais engraçada, li a sua postagem da Advaita - A SABEDORIA DA NÃO-DUALIDADE, gostei muito, inclusive das sugestões das grandes frases, que na verdade nem sei pronunciar.
Em seguida, fui ao fachodeluz e li a postagem de Dárcio. Fiquei abismado com a sincronicidade! É exatamente a mesma coisa com linguagem completamente diferente! acho que dá até para comparar parágrafo a parágrafo. Até pensei em fazê-lo, mas estou enrolado com uns trabalhos de um curso que estou fazendo no Bombeiro.
Muito interessante! dá uma olhada e veja se tem a mesma impressão.
Abraçáo,
Jaime

Segue o texto:


A “ilusão de massa” aparece como “sugestões mentais agressivas” e como “imagens fraudulentas”, que buscam nos convencer, com seus sensacionismos, que DEUS NÃO É A ÚNICA PRESENÇA E O ÚNICO PODER! Se acreditarmos, iremos endossar as mentiras da “mente carnal” e ficarmos desejosos de usar esta “mente inexistente” contra os ilusórios “males” sugeridos por ela própria. Em vez disso, OUÇA A VOZ DE DEUS, VOLVENDO-SE SERENAMENTE A “MIM”! À Consciência onipresente e onipotente que desconhece a ilusão!

De início, poderá parecer “não estar adiantando nada”, pois as “sugestões” se mostram insistentes. Não esmoreça! INSISTA NA CONTEMPLAÇÃO DE QUE DEUS É A ÚNICA PRESENÇA E O ÚNICO PODER, DEIXANDO DE SE IDENTIFICAR COM A “MENTE CARNAL” E SE IDENTIFICANDO COM A “MENTE DE CRISTO”.

Marie S. Watts, em certa ocasião, vendo-se aparentemente acuada pelo “hipnotismo de massa”, após muita meditação, sem ver resultado, assim se dirigiu a Deus: “Deus, Tu estás, de fato, aqui?”. Imediatamente ouviu a resposta: “Se EU não estivesse, VOCÊ não estaria!”. Para Deus, sendo a própria Consciência dela, DEUS E ELA ERAM UM, enquanto ao “lutar contra a ilusão” significava se admitir ser OUTRA PRESENÇA, SENÃO DEUS!

O “hipnotismo de massa” busca atrair a nossa atenção para um suposto “eu nascido”, separado ou apartado de Deus! Cientes de seus truques, unicamente NOS IDENTIFICAMOS COM DEUS, até que as “crenças” se mostrem rendidas diante da Verdade.

A prática da Verdade, em que nos identificamos com Deus, com o Cristo e com a Mente de Cristo, precisa ser feita com assiduidade, para que estejamos treinados a nos VOLVER A MIM, sempre que nos for necessário.

Quem se acomoda às “ aparências agradáveis”, sem entendê-las como também ILUSÓRIAS, à menor alteração dos “quadros visíveis” para “aparências desagradáveis”, facilmente se permitirá enredar por elas!

Dedique-se a contemplar a Presença de Deus sendo a SUA PRESENÇA, a Mente de Deus sendo a SUA MENTE, sempre reconhecendo que “o mundo do pai da mentira” é um EMBUSTE DA MENTE CARNAL, OU SEJA, É UMA ILUSÃO, SEJAM, SEUS QUADROS PÉSSIMOS OU ÓTIMOS!

DEUS É A ÚNICA PRESENÇA E O ÚNICO PODER! VIVA FIRMADO NESTA VERDADE!
Dárcio Dezolt

Gustavo disse...

Olá, grande Jaime!

Sim, tive essa mesma impressão que você também sentiu.
Os textos coincidiram (embora essa não fosse a minha intenção, pois o este texto do Advaita que publiquei, eu o fiz como uma espécie de "introdução" para o texto que viria a seguir, que é o texto de "como age a verdadeira Seicho-No-Ie".
A ênfase que eu quis trazer é a possibilidade de o ser humano viver em Moksha (liberação/iluminação) mesmo enquanto ainda se encontra neste mundo na condição humana (Jiva). O objetivo era fazer uma ponte entre o ensinamento Advaita e a Seicho-no-Ie.

Mas como você mesmo percebeu, acabou que houve essa sincronicidade com o texto publicado pelo Dárcio.

Por trás de tudo está Deus agindo e sincronizando tudo, não acha?

Grande Abraço!
Namastê!

Jaime Pires disse...

Olá Gustavo,

Sim, só há a oniação na qual estamos inclusos como diz o próprio Dárcio.

Namastê!

Sanderson Moreira disse...

Olá Gustavo!

Sim a Grande Vida do Universo está agindo e sincronizando tudo, em todos os momentos. Talvez ainda devido alguns véus de ilusão (apesar de que muitos já caíram ) não é percebido.
Fiquei maravilhado pois da mesma forma que o amigo Jaime teve essa compressão em relação aos texto compartilhados, aqui houve uma boa gargalhada, normalmente quando há o dar-se conta de que a sabedoria do universo está atuando e manifestando o seu grande amor aqui e agora.

A grande maioria do ocidente, no caso aqui no Brasil também não é diferente no primeiro momento nos encontramos com ensinamento de cristo ou talvez a distorção deste ensinamento, passada por alguns religiosos. Aqui também foi assim.
Pela graça o Bem Amado Cósmico me trouxe aos ensinamentos da Seicho-no-Ie e também para este blog que realmente é um templo, até que ha quase um ano estou aprofundando no Advaita Vedanta.

Nesse tempo quase não tive contato com os ensinamentos do Mestre Masaharu porém sempre querendo fazer essa ponte entre os dois ensinamentos que na verdade é só um. E que recentemente você está nos proporcionando. Muito obrigado A Grande Vida, com amor.

Sanderson

ps: Não sei se há clareza no que foi dito pode parecer um pouco confuso. De qualquer forma eternamente grato.

Gustavo disse...


Entendi, sim, o seu texto, Sanderson. Ficou bastante claro.

Parabéns pelas percepções, e também pela curiosidade e dedicação em estudar e conhecer as diversas vertentes/linhas da Verdade UNA. Com o tempo uma grande claridade acabará por vir, e você se sentirá à vontade com qualquer linguagem na qual a Divindade está sendo expressada. Todos os ensinamentos são maravilhosos. E tem aqueles com os quais mais nos identificamos, que é onde acabamos por aprofundar nossas percepções. No tempo certo você deverá encontrar o ensinamento mais eficiente para você. Apenas nunca perca a vontade ardente de conhecer a Deus, ela é um grande poder de conexão com o Superior. Enquanto você a tiver, você estará sendo guiado pela força Dele. E as coincidências/sincronicidades passarão a ser cada vez mais constantes em sua vida.

Desejo sinceramente que a Luz da Verdade brilhe sobre você, em cada aspecto de sua vida, a fim de que você realize Deus e se torne um iluminado.

Essa é a realização mais grandiosa possível de se conseguir aqui nesta Terra. É o maior feito que um ser humano pode alcançar. E quando é alcançado, toda a vida se torna abençoada, maravilhosa, divina, tudo expressa a divindade.

Sri Ramakrishna disse: "Nasce em vão aquele que, tendo alcançado o nascimento humano - tão difícil de obter -, não tenta realizar Deus nesta vida."

A maioria das pessoas não têm nem ideia do que estão perdendo, por não buscarem alcançar a realização de sua unidade com Deus (ou por não terem conhecimento de que isso existe e é possível).

Espero que você busque e encontre.

Grande abraço!
Namastê!