"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

quinta-feira, junho 05, 2014

Universo perfeito x Universo imperfeito

- Gugu -


Existe aqui mesmo um universo espiritual de plenitude e perfeição. Em oposição ao universo espiritual pleno e perfeito, há o universo físico que não é pleno e nem perfeito. O universo físico é um lugar de imperfeição. Tudo o que existe no universo espiritual é completo, inteiro, imutável e eterno. Por sua vez, tudo o que existe no universo físico é incompleto, não-inteiro, mutável, e evanescente. Todavia, existe uma relação entre ambos universos.

A fim de bem explicitar e comparar esses universos, iremos nos valer de um pensamento e linguagem da matemática. Todos aqui já estudaram e compreendem o que é uma dízima matemática, correto? Uma dízima matemática é um número quebrado, não-inteiro, que vai aumentando cada vez mais, porém nunca alcança o número seguinte. Tomemos como exemplo o número 0,9. Por mais que aumentemos esse número, jamais ele alcançará a posição de ser um número inteiro. Jamais ele chegará a ser 1. Certamente sua numeração poderá aumentar imensamente, infinitamente. Ele pode progredir para 0,91... 0,92... 0,93... 0,94... 0,95... 0,96..., 0,97... 0,98... 0,99... 0,991... 0,992... 0,993... 0,994... 0,995... 0,996... 0,997... 0,998... 0,999... 0,9991... e assim por diante, infinitamente. Por mais que essa sequência progrida, jamais atingirá o número 1. Uma dízima matemática será sempre uma dízima, por mais que avance em sua numeração.

O mesmo ocorre com o nosso universo físico. Por sua própria natureza, ele é um universo de imperfeição, que está sempre evoluindo/progredindo rumo à perfeição. Porém, por mais que avance ou melhore, ele nunca chegará a ser um universo pleno e de perfeição. Sempre haverá algum lugar melhor para onde evoluir ou se desenvolver. O universo progride e se eleva cada vez mais num caminho que é infinito. Isso significa que este universo pode progredir e se elevar infinitamente. Todavia, este mesmo fato assegura que ele sempre será um universo incompleto no exato ponto onde se encontra. A própria "lacuna" que permite o universo avançar para uma posição mais elevada faz com que, no exato ponto onde ele se encontra (ou seja, a todo instante), haja um senso de "falta", "escassez" e "incompletude". Eis, portanto, o paradoxo ou contradição do universo material.

Por sua vez, o universo espiritual já é inteiro, completo, pleno e perfeito. Ele não existe da mesma maneira como existe o universo material. De fato, é dito que se o universo físico atingisse o aspecto da perfeição, ele deixaria de existir da maneira como se apresenta, e imediatamente desapareceria. 

O simples fato de se estar vivendo neste mundo faz com que o indivíduo experimente a miséria, a dor, a insatisfação, o sofrimento, a incompletude. O universo imprime na vida os aspectos, características e qualidades que lhe são peculiares, e a vida deve experienciá-los, sofrê-los, senti-los. É inevitável que o ser humano experimente o sofrimento neste mundo. E, em regra, neste mundo, as experiências de sofrimento são muito mais frequentes do que as de contentamento ou felicidade.

Em razão disso, os ensinamentos espirituais orientam os seres humanos a saber que, acima deste universo físico de imperfeição, existe um universo espiritual de plenitude e perfeição. Quando, por meio da oração ou meditação, a pessoa faz contato com o universo espiritual, o universo espiritual imprime na vida as características de completude, inteireza e perfeição que lhe são inerentes, e a vida da pessoa passa a melhorar/evoluir nos aspectos abrangidos e assimilados no contato. A vida tem a característica de ser impressionada pelo universo com o qual está em contato. Por isso, uma das práticas espirituais recomendadas pelos ensinamentos é a contemplação do universo espiritual ou divino

Ao contemplar e contactar o Universo Espiritual (que já é inteiro, completo, perfeito), a vida absorve a inteireza, a completude e a perfeição e, como resultado desse "contato", a vida no mundo físico é melhorada e aperfeiçoada em seus aspectos. Por exemplo: suponhamos que em sua vida fenomênica você esteja expressando "saúde" em proporção ou grau equivalente a 0,995 (dízima matemática). Mas você não está satisfeito com a condição de sua saúde e deseja elevar esse número a fim de que se torne mais saudável. Então você medita, faz contato, e absorve a atmosfera do número inteiro, perfeito e integral: 1. Ao absorver a atmosfera de inteireza e perfeição do número "1", você se torna magnetizado, preenchido, energizado, abençoado; e, ao retornar sua atenção ao universo físico, sua atmosfera energizada será "descarregada" no mundo, elevando a expressão de sua saúde de 0,995 para um número maior (ex: 0,99998). É assim que funciona. E o mesmo vale para todos os outros aspectos de nossa vida.

O processo aqui explicitado foi magistral e detalhadamente descrito por Masaharu Taniguchi na postagem "Imagem Verdadeira - Ideia Suprema - Ser Humano". Ele diz:

"No âmago do ser humano existe a Ideia Suprema – a Imagem infinitamente perfeita – e essa Ideia Suprema é Deus. A conscientização de nossa natureza verdadeira (Eu verdadeiro) constitui a base para avaliarmos o nosso estado manifestado no plano fenomênico. Assim, é lógico que quanto maior o grau de conscientização da nossa natureza verdadeira (Eu verdadeiro), mais imperfeito parecerá o nosso atual aspecto fenomênico.

A Seicho-No-Ie afirma que Deus está em nós e define esse Deus interior como "perfeição suprema que constitui a essência de todo ser humano". Temos dentro de nós as virtudes mais preciosas – a bondade, o amor, a generosidade, a beleza – em proporções ilimitadas. Quando conseguimos manifestar um pouco dessas virtudes infinitas, nosso coração se enche de alegria, e desejamos exteriorizá-las em grau cada vez maior.

Existe em nós o anseio pelo infinito. Ilustremos esse fato com um exemplo fácil de entender: suponhamos que uma pessoa queira ganhar 100 ienes e consiga essa quantia. Ela não se contenta com esse ganho e passa a querer 200 ienes; uma vez obtidos os 200 ienes, passa a querer mil ienes. De posse de mil ienes, passa a desejar dez mil ienes; tendo ganho 10 mil ienes, passa a sonhar com 1 milhão de ienes. A sua pretensão vai aumentando cada vez mais, de 1 milhão de ienes para 10 milhões de ienes, de 10 milhões para 100 milhões de ienes, e assim por diante. Existe dentro de nós o desejo de buscar o infinito. Por quê? Porque o infinito está dentro de nós

Dá-se o nome de ideal a um padrão de beleza, de qualidade, etc., que nosso Eu verdadeiro indica através da "lente mental", para orientar nossa consciência e nossos conceitos. Assim sendo, ideal é algo que existe no ser humano e o impulsiona a melhorar. Por exemplo, um artista plástico, no início de sua carreira – quando sua ideia do belo ainda não é suficientemente desenvolvida – almeja poder pintar tão bem quanto seu mestre. Porém, quando consegue melhorar bastante, o seu ideal estará um pouco mais elevado, fazendo-o sentir que ainda não progrediu o suficiente. Então, ele passa a ansiar por produzir obras ainda melhores. Desse modo, os ideais no nível fenomênico vão sendo concretizados um após outro, substituídos, cada vez, por um ideal mais elevado que surge do interior. Isto significa que o ideal é dirigido e aprimorado constantemente pela "Mente Primordial" que transcende o fenômeno. Essa Mente – que nos faz estabelecer metas, padrões, visando ao aprimoramento – é Deus que está presente em nós, constituindo nossa natureza divina. Como a nossa natureza divina é perfeita, por maior aprimoramento que alcancemos no mundo fenomênico, ele nunca será a manifestação plena e cabal da Mente Divina. Assim, quando satisfazemos no nível fenomênico o ideal que nos impulsionava, o nosso Eu verdadeiro compara essa realização com a perfeição da Mente Divina e constata que o aspecto fenomênico ainda é muito imperfeito. Então, sentimo-nos insatisfeitos com o aspecto manifestado e passamos a ter um ideal mais elevado.

Podemos definir esse processo mental como ação reflexa, em que a Mente Divina ilumina a mente fenomênica, indicando um ideal, e a mente fenomênica, por sua vez, procura se guiar por aquela. Quando refletimos a respeito da Imagem Verdadeira, levando em consideração essa sutil ação reflexa, compreendemos a natureza divina latente em nós."

O conhecimento e a compreensão do Universo Espiritual perfeito possibilita fazer com que a "terra" se torne semelhante ao "céu". Por meio do estudo de ensinamentos de Masaharu Taniguchi e Joel Goldsmith (ambos apresentados neste blog), podemos aprender a entrar em contato com o universo divino, e nos beneficiar dessa conquista espiritual. Esse é o valor deste ensinamento.


4 comentários:

Silvano disse...

Inicialmente agradeço pelo texto dAquele que "aparece como" Gugu, o autor do texto, que é também Aquele que "aparece como" Joel Goldsmith; e que é tb Aquele que "aparece como" Masaharu Taniguchi; e que é tb Aquele que "aparece como" você, leitor! Mas aparece onde? Aparece na "Representação” Divina, aquilo que no texto é chamado de "Universo Imperfeito". E pode sê-lo! O que se deve atentar é que enquanto "Representação" ela é perfeita! Ou seja, aquilo que é perfeito [o Universo Perfeito] está sendo percebido como algo diferente do que realmente É, ou seja, está sendo percebido como o Universo Imperfeito. Mas é justamente esta “percepção distorcida” que possibilita a “Representação” e isso só reafirma a perfeição!
Assim, o que é real [o Universo Perfeito] permanece sendo o que É, algo real; O que não é real [o Universo Imperfeito] permanece sendo o que não é real, ou seja, uma “Representação”, mas que enquanto “Representação” é possível como manifestação da própria Realidade...
O chamado “Universo Imperfeito” não está dissociado do chamado “Universo Perfeito”, pois, a única “Realidade” é o Universo Perfeito! Não há nenhum outro lugar fora do Universo Perfeito. O chamado “Universo Perfeito” além de perfeito é também omniabrangente, ou seja, engloba tudo e não comporta limites. Assim, o chamado “Universo Imperfeito” é uma “Representação” perfeita, ou seja, é uma manifestação perfeita, enquanto “representação”, que ocorre dentro do próprio “Universo Perfeito”.
Por isso, os que tiveram a visão do Real, a visão da Realidade Divina, descreveram essa visão como se eles mesmos fossem o Universo! e que como se tudo estivesse dentro de si mesmos!
Os que acompanham os posts do nucleu.com confrontem essa afirmação com a experiência do Sr. Sawada [adepto da Seicho-No-Ie] e de Sandy Nat [devoto de Sai Baba], só para citar alguns.
Tal como você, caro leitor, o meu personagem é também o mesmo e único Ser Real, ou seja, é Aquele que “aparece como” um personagem na “Representação” e compartilha a percepção de que somos todos manifestações dAquele Ser único, que é o Ator divino, atuando em Seu Universo Perfeito! Isto implica afirmar que nós não existimos em um “Universo Imperfeito”... Nós nos movemos e temos nossa vida real em Deus, ou seja, no “Universo Perfeito” e Divino!
Contudo, a visão da mente do personagem que estamos representando é bastante realística! Isto significa que ela nos fará acreditar que existe um “Universo Imperfeito” no qual vivemos...
É por isso que o ensinamento que meu personagem compartilha no Núcleo [vide nucleu.com] enfatiza que além da visão da “mente do personagem” [que é a percepção do personagem] há em nós a visão da “Consciência do Ser” [que é a percepção do Ser Real; nossa real identidade].
Por isso Cristo disse: “Esteja no mundo [esteja na Representação], mas não seja do mundo...”
E disse também: “Eu desse mundo não sou, vós também não sois...”
E disse: “Quem vê a mim [o Ator divino] vê Aquele que me enviou...”
Mas para ver Jesus é o Cristo, ou seja, para perceber que personagem Jesus é de fato o Cristo, para perceber que ele é o Ator, o Ser Real divino por traz do personagem, e não quem ele está “aparecendo como” é preciso ter a visão do próprio Ator! É preciso transcender em nós a visão da mente e acessar a visão do próprio Ator, que é a visão ou percepção da Consciência.

Silvano disse...

A visão da mente é sempre um julgamento, fruto dos nossos condicionamentos, e por isso não é possível ver o Real [não é possível perceber a Realidade subjacente à Representação] com esta visão mental condicionada e superficial. A visão condicionada sempre resultará em ver algo de forma condicionada. Assim, os que viram Jesus com esta visão condicionada só o viram como um personagem humano, e não o viram como aquele Ser que desceu do céu...
Murmuravam, pois, dele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu.
E diziam: Não é este Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como, pois, diz ele: Desci do céu?
João 6:41-42
54 ... E diziam: De onde veio a este a sabedoria, e estas maravilhas?
55 Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, e José, e Simão, e Judas?
56 E não estão entre nós todas as suas irmãs? De onde lhe veio, pois, tudo isto? [Mateus 13]

Assim também se “a visão do Espírito Deus” estiver em nós, ou seja, se estivermos percebendo como o Ser percebe, também nos veremos e a todos os demais seres como Aquele mesmo Ser Divino que desce do céu... Nós nos veremos como Aquele Ser que “desce do céu”, ou seja, que aparentemente deixa a condição de Quem É, tal como É na Realidade [no chamado “Universo Perfeito”] para atuar na Representação na condição de “personagem” [para assumir um papel na “Representação Divina”, no chamado “Universo Imperfeito”].
Por isso ao perceber Quem em realidade Somos imediatamente percebemos Quem todos São!
Assim, quando se perguntarem:
“De onde veio a este a sabedoria, e estas maravilhas?
De onde lhe veio, pois, tudo isto?”

A resposta é simples: Veio de onde tudo provem: Da Realidade Divina!
Veio da Fonte, quer seja ela chamada de “Céu” ou de “Universo Perfeito”...
Por isso um divino personagem compartilhou na Bíblia a percepção de que:
“Nós vivemos, nos movemos e temos a nossa existência em Deus” {que é a Realidade}.
É que percebo, desfruto e compartilho.
Namastê!

Gugu disse...

Muito grato pelo comentário! Agradeço Aquele que aparece como Silvano por compartilhar suas palavras.

De fato, o "universo imperfeito" é uma representação divina. Quando olhamos para ele a partir de uma percepção iluminada/divina, o divino acaba por impregnar a representação com seus atributos divinos, e a representação é vista como representação divina. Mas para aqueles que somente conseguem olhar para a representação com a percepção mental (da própria representação), o universo não se revela assim tão perfeito. E para essas pessoas que ainda não estão de posse da percepção, o mecanismo de contemplação (explanado no post) é bastante útil para fazer com que a representação se ajuste ao universo perfeito, e se manifeste de forma mais condizente a ele.

Aquele que está em posse da percepção divina "está no mundo, mas não é do mundo". Quem não está em posse da percepção divina é "apenas do muno", e padece de dor, sofrimento, escassez, incompletude.

O ideal é "estarmos no mundo, mas não sermos do mundo".

Muito grato!

Namastê!

Silvano disse...

Meu Amigo e divino personagem!

Seu comentário é relevante e esclarecedor. Está perfeitamente conforme o complemento ao meu comentário inicial revisado e publicado no nucleu.com que compartilho aqui, como segue:

Complementando, a “Realidade” única é o chamado “Universo Perfeito”.

O chamado “Universo Imperfeito” é uma manifestação perfeita, enquanto “Representação”.

O conteúdo da “Representação”, ou seja, aquilo que se passa no chamado “Universo Imperfeito”, pode parecer não ser perfeito para a “mente dos personagens” que estão na Representação. Mas a Representação em si é uma manifestação perfeita!

Os divinos personagens que em vez de julgar de forma condicionada o que veem contemplam o que veem… percebem a perfeição!

Portanto, se você, leitor e divino personagem do Ser Real, quiser perceber a perfeição que subjaz à Representação você terá que não pensar sobre o que vê [parar de julgar], mas apenas passar a contemplar o que vê… Então sobrevirá a você a meditação, que é uma percepção não mental, não condicionada, uma visão elevada, profunda, que está no “núcleo”, no âmago de seu próprio ser!

Então perceberá o que pode ser percebido; desfrutará o que pode ser desfrutado; e irá compartilhar a percepção que desfrutará…

Disse que "irá compartilhar a percepção que desfrutará" porque, como compreendeu o Sr. Sawada, "o despertar espiritual só é verdadeiro quando ele se estende aos outros", conforme destacado por você, meu Amigo, na nova série que está sendo agora publicada, que contém na íntegra a citada experiência do Sr. Sawada.

Sugiro que todos acompanhem a nova série de "ensinamentos essenciais da Seicho-No-Ie", pois, realmente o são!

Namaste!