"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

domingo, maio 04, 2014

Aqui! Agora! Totalmente!



Amado Osho,

Outro dia, eu o ouvi dizer  que intuição e iluminação não são diferentes. É assim porque ambas são não-mente? E isso quer dizer que, quando a intuição está agindo de dentro de nós, nós estamos tendo uma pequena prova da iluminação?

Osho: Maneesha, na sua simples pergunta, você levantou muitas questões. Primeira: a "outra noite" jamais aconteceu! O passado é o passado. Quantas vezes eu tenho de lembrar-lhe? Não houve nenhuma outra noite além desta e não haverá nenhuma outra noite além desta! Em vez de estar aqui, você está preocupada com ter-me ouvido dizer que "intuição e iluminação não são diferentes. É assim porque ambas são não-mente?"

Quero que todos vocês, não somente Maneesha, compreendam que esta não é uma assembleia de indagações filosóficas... teológicas. Este é um encontro dos budas. No que concerne ao seu ser mais profundo, você pode dar-lhe qualquer nome... Intuição... O que essa palavra significa? Significa "conhecer a partir de dentro". Intuição é aquilo que surge dentro de você, é o seu próprio ser. Você pode chama-la de iluminação. Pode dar-lhe qualquer nome - os nomes não importam neste mundo da existência verdadeira.

E então, finalmente, você está perguntando: "E isso quer dizer que, quando a intuição está agindo dentro de nós...?"

Não, Maneesha, a intuição nunca está agindo; ela está simplesmente aí. O que está agindo é sempre a mente: o que está sempre em repouso, não agindo, é você. O seu centro está além do agir ou do não agir; ele simplesmente é - é uma língua diferente a ser compreendida -, não faz nada. Assim, quando você pensa que a sua intuição está agindo, você está sendo iludida pela sua mente. Não seja iludida por sua mente. Lembre-se que a intuição é: ela não age; ela é uma presença uma consciência. Eis porque eu disse que são dois nomes para uma só experiência; intuição, iluminação, despertar, estado búdico - simplesmente nomes de um centro imóvel.

Você não pode, Maneesha, ter apenas uma prova dele. Ou você o tem todo, ou você não o tem. Ele é indivisível. Não pode ser dividido. Se não pode ser dividido, você não pode ter uma prova dele. Você terá de tê-lo, ou decidir permanecer na ignorância. Mas você não pode dizer: "eu consegui um pouquinho de iluminação". Desse modo não funciona. Você não pode dizer: "eu estou parcialmente iluminada".

Seja! Totalmente! E... que nome você dá a esta totalidade do seu ser é problema seu. No momento, eu escolho a palavra "iluminação", porque ela tem a qualidade de dispersar toda a escuridão, a miséria, a angústia, a negatividade; ela conduz ao seu ser positivo, conduz ao seu verdadeiro coração, dizendo "Sim", com cada pulsação do universo circundante.

Mas não é possível, Maneesha, ter uma experiência parcial. Olhe para isso deste modo: você pode dizer a alguém "estou parcialmente apaixonada por você, só trinta por cento. Tentarei um pouco mais, mas, por enquanto, só estou com um terço do meu ser apaixonado por você"? Se você disser isso para alguém,  ele ou ela pensará que alguém fugiu do hospício. Nem mesmo o amor pode ser dividido - eis porque o amor tem sempre sido tomado como um exemplo de iluminação. Amor e iluminação, ambos são indivisíveis.

Mas nós estamos todos vivendo vidas parciais. Parcialmente, nós amamos: obviamente, uma ilusão - muito pseudo, muito superficial, muito irreal e falso - e nada mais. Estamos meditando parcialmente. Mas nada acontece desse modo. A natureza não permite essas grandes experiências parcialmente.

Qualquer coisa parcial vai ser uma embromação. Totalidade é a língua a ser aprendida aqui. Para traze-los para este momento, tento todos os artifícios, porque este momento é a sua não-mente.


3 comentários:

SERgio disse...

Aqui! Agora! Totalmente!

Ninguém (quem?) pode ter uma prova
dIsto!

Aqui/Agora (na não-temporalidade/não-espacialidade) não pode haver ninguém.
Agora/Aqui só (é) Aquilo que É o "todo", além do qual,claro, nada existe...

Observemos: Onde está aquele que pensamos que somos, Agora? Silencio!...

Pelo referencial do Agora, não há
aquela entidade que possamos acreditar que sejamos.
Para aquela ideia que temos (do ponto de vista ilusório) de quem somos, poder existir, precisa de tempo.

Iluminação (Agora) é fim desse equívoco de identidade.
Ah, já Sou o Que queriria alcançar


Grato,Gustavo, por estes postes de "apontes" do Osho, bem como os comentários enriquecedores, seus e do Silvano... dESTE que é Aqui/Agora, aparecendo como vocês"


Reverências!

Gugu disse...

Meu Amigo SERgio,

Excelente participação!

Quando a "parte" cede lugar ao "todo", a visão de cada "parte" também some para dar lugar à visão central/abrangente do Todo. É dito nos ensinamentos que se o homem quiser conhecer Deus, ele deve desocupar o trono onde está sentado par que Deus nele se assente. Como Deus pode ocupar um lugar que já está sendo utilizado. Assim, o ego deve sumir (desaparecer, não ser) a fim de que Deus apareça/seja.

Há um bela metáfora exemplificando isto. A semente e a árvore. A semente vive dizendo para si que "um dia, vou crescer e me elevar até me tornar uma árvore". A semente deseja estar lá para ver a árvore. Mas a semente não pode estar lá junto com a árvore. Quandoa árvore estiver, a semente já terá "morrido". "Morrer como semente" é uma condição para que a árvore desbaroche.

Apesar de a semente não poder estar presente para se ver como "árvore", podemos perceber que a árvore é justamente aquela semente desabrochada!

Grato por sua contribuição!

Grande Abraço!

SERgio disse...

Bela metáfora!

Assim É aos olhos de dEUs.

Ao 'encosto' : vade retro! Haha