"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

terça-feira, março 23, 2010

História verídica dos que transcenderam a morte - 01

Masaharu Taniguchi


*Obs: Assuntos abordados na mesa-redonda realizada em 20/11/1932

Kono – A professora Kamimura estava ansiosa para participar desta reunião, mas telefonou comunicando que não poderá vir devido a um imprevisto de última hora. Ela tem um problema com o marido e já falaram até em divórcio. Ela queria a orientação do senhor, mas achou que não deveria tomar o seu tempo tão precioso e decidiu resolver sozinha o problema. Ela não se contenta em se dedicar apenas aos afazeres de dona de casa. “Para se viver como ser humano e sentir a alegria de viver”, diz ela, “é preciso amar o próximo”. Assim, ela trabalha ativamente como membro da diretoria da entidade assistencial Kibo-sha, do sr. Seiko Goto. O marido considera errado a mulher deixar o lar para se dedicar a uma obra social, e pede que ela seja uma boa dona de casa. Ela o conheceu quando ele ainda sofria com a separação da primeira mulher e, compadecida, casou-se com ele, pensando salvar uma criatura.

Taniguchi – Muitos falam em “salvar o próximo” como se estivessem fazendo uma caridade a um coitado. Com tal atitude mental não se salva ninguém. Essa mentalidade reflete o orgulho de quem se considera superior e despreza o outro, dizendo-lhe em pensamento: “Você é uma pobre criatura que não consegue viver sem a minha ajuda”. Enquanto tiver esse orgulho e esse desprezo, a pessoa não conseguirá salvar o próximo. Na verdade, salvar alguém não é dar-lhe algo, desprezando-o. Salvar alguém é reconhecer a sua natureza divina, respeitá-lo, orar para que se manifeste a natureza divina que está oculta no interior dele e fazer com que desperte nele o seu “verdadeiro Eu” forte e maravilhoso. Esta é a verdadeira salvação.

Segundo a carta que recebi da sra. Katsumi Sato, da Regional de Iwate, reuniram-se no dia 25 de outubro, na residência da sra. Toshiko Sato, em Tóquio, dezoito pessoas da Seicho-No-Ie, entre as quais a sra. Haruki (da Regional de Tóquio), a sra. Sawada (da Regional de Kumamoto) e a sra. Suzuki ( da Regional de Xangai). Nessa reunião, a sra. Suzuki disse que procurava ser “uma pessoa normal e agradável”. Essas palavras calaram fundo no coração da sra. Katsumi Sato e abriram-lhe os olhos, conforme diz na carta. Por que ela se sentiu tocada pelas palavras “uma pessoa normal e agradável”?

Se alguém pensa que precisa fazer algo acima do normal para se valorizar, é porque lhe falta conscientizar a natureza divina do ser humano. O ser humano é valioso porque é filho de Deus por natureza, sem acrescentar nada, sem fazer nada de especial, fora do comum, para se diferenciar dos outros e chamar a atenção. Se alguém não se sente valorizado e não se acalma, é porque não conscientizou que é valioso por natureza, sem precisar acrescentar nada; é porque lhe falta a conscientização de que, sendo filho de Deus e valioso por natureza, não necessita acrescentar artifícios externos. Por isso, pensa impacientemente que precisa fazer algo mais. Pensa que não tem valor se não exibir seu amor mais do que os outros, esquecendo-se, no entanto, de amar as pessoas da sua própria família. Sente grande satisfação, por exemplo, em enviar donativos e víveres a vítimas de calamidades em locais distantes, desprezando as pessoas que estão próximas. E quando não consegue fazê-lo, sente-se desvalorizado. Entretanto, mesmo que não consiga fazer nada de especial, a pessoa deve compreender que o seu valor está na sua natureza divina, que não diminui nem se desgasta. Isto é o mais importante. Mas isso não significa que a pessoa nada deva fazer para salvar o próximo. O que quero dizer é que, se ela não compreende o seu valor, ela própria ainda não está salva. Nas Palavras de Sabedoria da Seicho-No-Ie, existe a frase: “Sê bondoso para contigo mesmo”. Se a própria pessoa não sabe como se salvar, não saberá salvar os outros. Se não souber o que é salvar, não poderá conduzir os outros ao verdadeiro estado de salvação. Um cego que conduz outro cego, com a intenção de salvá-lo, poderá arrastá-lo para o fundo de um rio.

Alguns pensam que salvar o semelhante é arrecadar dinheiro, mantimentos e roupas para os necessitados ou construir sanatórios. Isso também é uma forma de salvar, e muitas vezes é louvável, porém não constitui a verdadeira salvação. Há os que, recebendo ajuda material, sentem o amor das pessoas e se salvam, mas há também os que, justamente por receberem auxílio material, aumentam seu espírito de dependência, tornam-se ociosos e acabam degenerando. Um enorme sanatório que traz na fachada do edifício dizeres atemorizantes, espalha ao seu redor a idéia de doença, o que poderá resultar na multiplicação de doentes em quantidade dezenas de vezes maior que a daqueles que estão tentando curar. Ao invés de salvar por meios materiais, estariam prejudicando-os. A tentativa de salvar por meios materiais tem suas conveniências e inconveniências. Quem vê apenas as conveniências ressalta-as e pensa que está salvando o mundo. Mas a salvação por meios materiais não é salvação eterna. A salvação apenas material está fadada a ter um fim, pois a matéria não se eterniza. Não se pode dizer que uma pessoa foi salva verdadeiramente, se ela não alcançar a salvação que independe da matéria, isto é, a salvação que se baseia na conscientização de que a essência do homem é Deus e, portanto, ele já está salvo sem precisar acrescentar-lhe nada, mesmo que nada possua materialmente.

Talvez alguém possa fazer a seguinte pergunta: “Será que, proporcionando aos que estão passando fome a salvação baseada nessa conscientização, poderemos deixar de alimentá-los materialmente?”. Na verdade, ao compreendermos que “já estamos salvos ainda que não possuamos coisa alguma, porque nossa essência é Deus”, alcançamos o estado espiritual de total liberdade e desprendimento em relação à matéria, e por isso conseguimos doar, sem apego e relutância, bens materiais aos nossos semelhantes; conseguimos natural e espontaneamente, oferecer ajuda aos que dela necessitam, da mesma forma como a água flui livre e naturalmente da parte mais alta para a mais baixa. A Vida é amor e, ao mesmo tempo, força que vivifica. Logo, nós, que na essência somos Vida, passamos a realizar espontaneamente atos de amor, atos que vivifiquem o todo; passamos a produzir bens materiais e a salvar nossos semelhantes, sem nos prendermos à matéria. Em vez de construir um sanatório que espalha a idéia de doença e infunde temor na mente das pessoas, como faz certa entidade religiosa, podemos criar meios que libertem efetivamente as pessoas.

Ao contrário do que se pensa, quando se abandona a preocupação em obter recursos materiais é que estes se tornam abundantes. Justamente por se preocuparem só com coisas materiais é que tanto os indivíduos como os países tornam-se exclusivistas e isolados, e não conseguem se suprir mutuamente, resultando numa situação em que, embora exista produção excedente, a humanidade vive na pobreza, como está acontecendo atualmente. Se o homem abandonar o seu interesse excessivo pelas coisas materiais e passar a valorizar a Vida, a viver como Deus vive, a trabalhar como Deus trabalha e a manifestar a Vida alojada em si e nos outros, os bens materiais aumentarão ao invés de diminuir. Quando se esquece a parte material, esta melhora. Uma mesa, por exemplo: enquanto estivermos com o pensamento e os olhos pregados na mesa, ela não estará cumprindo a sua função; mas, quando estivermos lendo ou escrevendo sobre ela, esquecidos da sua existência, ela estará cumprindo plenamente a sua função. De modo análogo, quando se esquece o lucro egoístico surge a riqueza verdadeira. Obviamente, é errado desprezar a economia e fazer gastos descontrolados que não tenda ao propósito de vivificar e amar o próximo. Entretanto, quando se transcende os lucros e as vantagens, sem obstruir o fluxo natural da Vida (a ação de amar), as posses materiais, paradoxalmente, tornam-se abundantes. O mesmo se dá com o corpo carnal: quando se esquece o corpo é que vem a saúde e aumenta o vigor. Compreendendo-se claramente que se alcança a salvação sem mesmo possuir coisas materiais, consegue-se até auxiliar materialmente os necessitados, pois torna-se possível repartir o que se produz, sem apego, com total desprendimento.

Não podemos julgar a atitude da sra. Kamimura sem conhecermos a complexidade de sua situação e seus motivos. Porém, falando de modo genérico, não é natural alguém pensar que encontra razão de viver apenas salvando grande número de pessoas ou somente atuando nas obras sociais. Sem dúvida, é importante salvar muitas pessoas ou realizar trabalhos de assistência social, porém é igualmente importante salvar um só indivíduo. E mesmo para salvar um único indivíduo, se a pessoa se apegar ao seu “eu”, dizendo “Eu vou salvar Fulano”, colocando o “eu” em evidência, irá humilhar e rebaixar o outro, que então poderá retrucar: “Se faz tanta questão de exibir o favor que faz, não preciso que me salve”. Por isso, a pessoa deve compreender que quem salva não é o “eu” que pensa “Eu sou salvá-lo”, mas sim as grandiosas mãos salvadora de Deus que agem através dela, e sentir-se grata por isso. Do contrário, longe de salvar os outros, não salva nem a si própria, pois, pensando que o outro não está reconhecendo a caridade que ela lhe está prestando, irrita-se e fica com a mente agitada, e esse estado impede a sua própria salvação. Por isso, o “eu que pretende salvar os outros” precisa deixar-se envolver pelas grandiosas mãos salvadoras e dissolver-se nelas. Do contrário, a pessoa se torturará por não conseguir superar o próprio conflito interno, ou seja, por não conseguir a sua própria salvação, embora esteja trabalhando para salvar os outros. Se o amor não for desprendido, não poderá haver salvação verdadeira. O amor-apego não leva à salvação verdadeira. E o “amor-apego” não se refere apenas ao sentimento de alguém que se apega a uma pessoa; é “amor-apego” também o amor daquele que se apega a muitas pessoas, a questão de uma comunidade ou de uma classe social. Quando a pessoa anular o seu “pequeno eu”, fundir-se com a grandiosa força salvadora de Deus e passar a agir naturalmente, sem nada forçar, então conseguirá a sua salvação e, a partir de então, poderá salvar os outros em grande número. Se surgem tormentos, é porque a pessoa “força” o pensamento: “Eu vou salvar muitas pessoas”. Se, após compreender que é Deus que salva, a pessoa se sentir impelida pela força de Deus a trabalhar em obras sociais fora de casa, poderá fazê-lo e salvar muitas pessoas. Quando não puder fazê-lo por desígnio divino, deverá compreender que Deus não age unicamente através dela e que existem inúmeras outras pessoas que trabalham como mãos de Deus, as quais se encarregarão dos trabalhos de âmbito social para salvar em massa os necessitados.

Tendo esta compreensão, uma mulher poderá ficar tranqüila, mesmo que por alguma razão não possa atuar socialmente; o fato de ficar em casa e iluminar seu lar tornar-se-á motivo para se alegrar e agradecer. Salvar muitas pessoas é importante, mas salvar uma pessoa também o é. Tanto nas escrituras budistas como na Bíblia lemos que a salvação de um filho pródigo causa a Deus mais alegria do que muitos filhos exemplares que estão a salvo. Iluminar o lar e fazer dele um modelo de lar verdadeiramente feliz é uma obra maior do que desenvolver, brigando com o marido, trabalhos para o bem da coletividade. Tais obras são louváveis, mas a pessoa precisa ter os pés firmes no chão para vivificar ao mesmo tempo o lar e a coletividade.

Certa ocasião, conversando com as líderes da Tomo-no-Kai (Associação de Amigas) de Tóquio que esteve aqui, soube que a sra. Motoko Hani, também líder daquela entidade, declarou guerra contra o velho costume de mulheres japonesas viverem trancadas dentro de casa, muitas delas ociosas, desperdiçando o tempo sem fazer nada além de ler revistas e romances. Parece que é um movimento para racionalizar a vida, destinando essas horas vagas para estudos culturais e atividades de assistência social. É uma idéia com a qual a Seicho-No-Ie também está de pleno acordo. Convém lembrar, no entanto, que existem muitas donas de casa tão atarefadas com os fazeres domésticos que não lhes sobra nenhum tempo vago. Por mais que tentem racionalizar a vida no lar, elas não têm possibilidade de se dedicar a outras atividades. Por isso, pessoas como a sra. Mumeo Oku comentam que tais atividades são desenvolvidas por senhoras da classe mais favorecida, que têm tempo disponível, e o resultado disso não vai beneficiar o povo em geral. De qualquer modo, no caso de senhoras de classe menos favorecida que abandonam os afazeres do lar, que são muitos, para se dedicarem exclusivamente a atividades sociais, é compreensível a reação de seus maridos, que clamam pela volta da mulher ao lar.

Conheço uma senhora cristã que vive atarefada com trabalhos ora da igreja, ora de uma associação feminina, ora de uma associação de caridade, e não dá atenção aos próprios filhos. Às vezes, os filhos voltam da escola e precisam aguardá-la por horas e horas em frente ao portão trancado de sua casa. Este é um caso extremo. Porém, se uma mulher acha que sua vida não tem sentido caso não realize obras sociais ou que não tem graça viver como dona de casa, e não sente razão de viver a não ser através de uma atividade extraordinária que atraia a atenção dos outros, devemos dizer que ela está perseguindo a glória aparente e que sua vida não é algo natural que brota da consciência de que o ser humano é valioso por natureza por ser filho de Deus. É preciso compreender que uma vida singela como a do orvalho, que durante a noite vem despercebidamente umedecer as plantas e desaparece quando chega o dia, é tão valiosa quanto a realização de obras vistosas. O importante é a mulher viver com profundidade e autenticidade, esteja ela dentro ou fora de casa. O que não está correto é viver superficialmente, mantendo apenas as aparências. É incorreto viver ociosamente dentro de casa, como também é incorreto atuar irrefletidamente fora de casa, desprezando o lar, achando que “as atividades externas, voltadas para obras sociais, são mais atraentes e interessantes e satisfazem facilmente o desejo de agir como altruístas”.

Seja para se expandir profissionalmente, seja para permanecer no lar, a mulher precisa viver com profundidade e autenticidade, dando cada passo com firmeza. Este é o modo de viver da Seicho-No-Ie, totalmente livre, que não se prende às formas nem cria um padrão único para todas as pessoas. Não é um modo de vida incômodo em que a pessoa se sinta mal caso não se enquadre num molde fixado por ela. É fácil o antigo conceito (molde) de que a mulher só deve cuidar do filho, como também é falso dizer que só se encontra a razão de viver nas atividades fora de casa.

A Vida deve ser livre: o velho molde de dona de casa deve ser rompido, mas a pessoa não deve colocar-se dentro de um novo molde, ou estará de novo aprisionada. Quando se encaixa num molde, a Vida começa a se sufocar, resultando em sofrimento. Sendo a criatividade um atributo da Vida, basta que cada pessoa viva com profundidade e autenticidade, de acordo com a situação. Quando a mulher revelar sua criatividade no lar como excelente dona de casa, ela não será uma dona de casa estereotipada. E quando ela revelar sua criatividade nos trabalhos profissionais, não será uma “profissional estereotipada”. Não será nem dona de casa, nem profissional; será apenas um ser humano que vive com profundidade e autenticidade, seja no lar, seja na coletividade. Ter uma vida significativa, vivendo naturalmente como ser humano – este é o modo de viver da Seicho-No-Ie. Quando se coloca em prática este modo de viver, deixa de existir conflito entre a vida doméstica e a vida comunitária.

Na vida doméstica de até agora, a mulher se prendia muito a um só lar, o dela, razão pela qual ou precisava afastar-se do lar para servir à sociedade, ou, para cuidar do lar, precisava afastar-se da sociedade. Mas o lar da nova era deve fazer parte da sociedade como uma de suas células, de tal forma que a melhora de um lar sirva para a melhora global da sociedade, e que o desenvolvimento desta alivie o lar ao invés de sacrificá-lo.

Recentemente, recebi a visita da sra. Tsuneko Matsumoto, também líder da Tomo-no-Kai (Associação de Amigas) de Tóquio. Ela está planejando criar uma espécie de jardim-escola, onde pretende cuidar de crianças e educá-las dentro dos princípios da Tomo-no-Kai e da Seicho-No-Ie. E já até existe uma pessoa disposta a doar o terreno e o prédio. “Na maioria dos lares, a mãe fica o dia inteiro cuidando de uma ou duas crianças, e não sobra tempo para fazer os serviços domésticos a contento, nem para cuidar de seu aprimoramento espiritual, nem para auxiliar o marido. Se essas crianças fossem reunidas num jardim-escola sob os cuidados das mães que se revezariam na função de educá-las segundo um elevado princípio moral, as mães não escaladas terão algumas horas livres. Com isso, elas poderão realizar melhor as tarefas domésticas, aplicar-se em seu aprimoramento espiritual, estudar puericultura, auxiliar o marido, etc. As mães que até agora cuidavam aleatoriamente de seus filhos, desperdiçando muito tempo inclusive na educação deles, poderão criá-los melhor, despendendo menos tempo. As crianças, vivendo em grupo desde a tenra idade, desenvolvem a cooperatividade, o sentido de equipe, a harmonização com o todo, diminuindo a tendência individualista e egoísta”. Assim explicou ela o seu plano.

Uma obra social dessa natureza é diferente de um movimento em que as mulheres procuram se expandir somente fora do lar, menosprezando suas ocupações domésticas. É uma obra através da qual os lares, até então isolados, se desenvolvem e se comunicam socialmente, e o fato de a mulher atuar socialmente não irá tirar a alegria do lar; pelo contrário, eliminará alguns afazeres e o desperdício de tempo, e aumentará as horas para a família conviver com mais alegria e conforto. Assim, o marido já não terá motivo para condenar as atividades da esposa fora de casa.

Quanto aos trabalhos dos grupos femininos de assistência social, o ideal seria que as senhoras atuassem, não no sentido de disputar emprego com os profissionais da área, mas no sentido de reduzir a quantidade e melhorar a qualidade dos trabalhos domésticos, e que, com esse tempo economizado, tornasse automaticamente possível a elas atuarem como voluntárias nas obras sociais.

Uma senhora consome muito tempo, por exemplo, levando frequentemente seus filhos ao médico. Logo, conhecer a Verdade que a Seicho-No-Ie prega e fazer com que ninguém na família adoeça é o fator mais importante para racionalizar o tempo das donas de casa.

Kono – Muito instrutiva a sua explicação.
Cont...


(Do livro “A Verdade da Vida, vol. 04"; pgs. 183 à 196)


Um comentário:

Gugu disse...

Uma observação importante quanto a este post:


Este texto do Masaharu Taniguchi mostra e explica como é possível aplicar o conhecimento Absoluto (Jisso) na nossa vida prática. A compreensão espiritual do Jisso é de um nível tão transcendental, tão elevado, que essa Realidade Espiritual não pode ser categorizada em questão de "níveis". O Jisso é uma existência Absolutamente livre, por isso não está confinado somente dentro de uma suposta (e fantasiosa!) elevada realidade espiritual. O Jisso não existe só nos planos mais altos da existência. Se assim fosse, ele não seria uma existência absolutamente livre. O Jisso também está aqui e pode ser aplicado nas coisas comuns do nosso cotidiano, se pudermos percebê-lo. Com Ele, vivemos em alturas mais elevadas do que apenas "neste mundo", mas Ele também nos ajuda a viver (e bem!) neste mundo do fenômeno.

Percebam o truque, percebam o que Masaharu Taniguchi deseja nos ensinar - aquilo que o tempo todo, no texto, ele nos chama a atenção: Devemos nos manter livres! O estado de liberdade é a nossa verdadeira condição. Quando o homem não se prende, ele é fluído, é flexível e, por não ser duro/rígido, não pode ser "quebrado" ou "destruído". Ninguém consegue destruir a água, ela é invencível. Essa compreensão é também muito frisada no Taoísmo.

A nossa vida cotidiana não necesita que a tornemos uma espécie de vida "extraordinária". Se vivermos nossa vida simples compreendendo e aplicando a compreensão desse estado de liberdade frisado pela Seicho-No-Ie, essa mesma vida simples passa a ser extraordinária. E mesmo uma pessoa que tenha uma vida extraordinária, se ele a vive com demasiados apegos e prendimentos (agarrando-se às coisas de sua vida extraordinária e tolhendo o seu natural estado de total liberdade), essa "vida extraordinária" será vazia de desfrutes e bem aventurança, será uma vida limitada e, possivelmente, de sofrimentos. Não há como categorizar uma vida "ordinária" ou "extraordinária". Não há como comparar. Para Deus isso não tem diferença. O grande e o pequeno são iguais. Em se tratando de sabedoria espiritual, o importante é vivermos cientes da presença do Jisso e aplicando-o em nossa própria vida (que somos!) para que possamos nos manter livres/distanciados de qualquer circunstância - boa ou ruim. Essa liberdade, esse desapego, esse distanciamento cria uma clareza na mente, uma despreocupação e uma sagacidade. Consequentemente nossos pensamentos são menos agitados, mais mais esclarecidos/afiados e nossas ações são desempenhadas com mais exatidão.

Quando nos despreocupamos com alguma coisa é que este algo passa a funcionar ou desempenhar melhor sua função. Mas para criar esse desapego e esse distanciamento, é preciso compreender a presença do Jisso aqui e agora - e isso imediatamente solta-o num estado espiritual de absoluta e perfeita liberdade que é inerente/natural ao seu próprio Ser.

Não categorizemos o Jisso (a Realidade transcendental perfeita e absoluta) como pertencente a um "outro mundo" ou espécie de lugar altamente elevado. A realidade de Deus se faz presente aqui, também. O "outro mundo" mais elevado é também este mesmo mundo que consideramos "menos elevado". A compreensão e percepção consciente mostra-nos isso. Este mundo é o outro mundo - não há dois, a visão espiritual revela a unidade entre tudo o que existe. Só existe o Universo espiritual e, se tivermos "olhos para ver", este mundo está incluso no Universo do Espírito. Não existe espírito e matéria, somente o Espírito é existencia verdadeira. Este mundo já é o outro mundo. Nisso, podemos citar aquele ensinamento destaque do budismo que diz: "This very body, the Buddha. This very land, the paradise of Lothus". (Este próprio corpo já é o Buda; Esta terra, o paraíso de Lótus).

Grande Abraço a todos.