"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

quinta-feira, março 04, 2010

"Antes que clamem, eu responderei"

Dárcio Dezolt


Há séculos que o mundo vem orando a Deus como se Ele fosse um ser influenciável por choro, petição ou fé. A compreensão equivocada do sentido de que “a fé remove montanhas” deu origem a uma infinidade de preces repetitivas, imbuídas nitidamente da intenção de comover a Deus, para que Ele as atendesse.

A fé remove "montanhas", que são crenças falsas referentes a Deus e Seu Universo. Entretanto, Deus não é influenciado por lamentações, petições repetitivas nem por nada deste mundo. Através da fé, pessoas do mundo reformulam seus conceitos a respeito de algo ou alguém, e conseguem, muitas vezes, os resultados que almejam. Entretanto, nem sempre aquilo ocorre. Por quê? Precisamos entender que a fé correta é aquela em que a intenção de se querer influenciar a Deus é nula. A Perfeição já está estabelecida desde o princípio, e é permanente e imutável. Seja qual for a aparência de desarmonia à nossa frente, ela não passa de ficção. A convicção de que o Amor divino é onipresente é fundamental para que percebamos esta Verdade.

Em Isaías 65:24, podemos ler: “E será que antes que clamem, eu responderei; estando eles ainda falando, eu os ouvirei”. Toda condição de perfeição já está presente e manifesta! A ilusão de que Deus aguarda uma oração humana para corrigir uma imperfeição qualquer precisa ser desmascarada! Ela veio perdurando porque o mundo deu crédito às aparências. Os “resultados favoráveis”, muitas vezes obtidos por pessoas em cega oração, são meras mudanças de aparências. Podemos dizer que “aparência” é uma crença “visível”. Mas ela não se encontra realmente manifesta exteriormente, como crê a maioria. A “crença visível”, como um sonho, nunca sai do âmbito da mente ilusória. O olho humano não está em nosso Corpo real manifesto. Que é o “olho humano”? Um pensamento da mente ilusória! Se a mente humana for anulada, pela percepção de que Deus é a Mente única, o chamado olho humano deixará de parecer existir, pois jamais teve realidade. Em seu lugar, a presença do “Olho Crístico” será reconhecida, e esta Visão absoluta, por estar sempre enxergando a Realidade eterna e perfeita, nada verá que justifique a necessidade de alguma oração.

Sempre que este tema é exposto, invariavelmente surge uma dúvida: “Então ninguém precisa orar?” O conceito errôneo de oração é crença arraigada na suposta mentalidade humana. “Antes que clamem, EU responderei”, diz a citação de Isaías. Ela nos revela a VIDA PELA GRAÇA. O ser humano, incapacitado de discernir a realidade divina já presente, clama a Deus, faz “mentalizações” e dá “tratamentos espirituais”, sem se dar conta de que tais procedimentos, indo além do que podem lhe servir como apoio inicial e momentâneo, acabam acobertando a ilusão de que “aparências” sejam existências verdadeiras. Estes expedientes são úteis como preparação, para que a suposta mente humana fique serena; porém, o que nos basta é a “Graça divina”, ou seja, se não houver um passo além desta tranquilização mental, que é a percepção de que a Mente divina é ÚNICA, não teremos transcendido por completo este ilusório mundo de aparências fraudulentas.

O enfoque absoluto difere por completo do ensino tradicional da Verdade, em que “mestres humanos” são vistos como pessoas escolhidas, iluminadas, etc. Neste estudo, cada um que espontaneamente “sente” a veracidade dos princípios revelados, começa a vivê-los na prática. Toda a sua atenção se focaliza num único ponto: reconhecer que o Absoluto, em Sua totalidade, está MANIFESTO como a sua própria Presença, como o seu próprio EU. Em vista disso, as contemplações da Realidade se tornam o principal e o mais importante do estudo.

Através da “Prática do Silêncio”, habilita-se a erradicar o dualismo. Não existem dois mundos, espiritual e material: há unicamente a Realidade espiritual. “Antes que clamem, Eu responderei”, ou seja, quando se percebe quão absurda é a aceitação de uma mentalidade humana coexistindo com a Mente divina infinita, e que, portanto, é ridícula a ideia de que tal mente finita teria de clamar a Deus para que algo perfeito se manifestasse, tão logo estas crenças sejam desmanteladas, ocorre a automática anulação da suposta “mente humana”. “Eu responderei”, isto é, a Perfeição manifesta fica naturalmente discernida. Este é o mecanismo da oração neste estudo.

A doutrina budista diz o seguinte: “É difícil conhecer o mundo como ele é verdadeiramente, pois, embora pareça real, ele não o é, e embora pareça falso, ele não o é. Os néscios não podem conhecer a Verdade a respeito do mundo”. Nunca é demais repetir que a Verdade não é para o intelecto do suposto ser humano. A mente humana vê matéria onde existe unicamente Espírito; portanto, precisa ser deixada de lado. A Realidade é espiritual, e Ela já é Perfeição Absoluta!

A aceitação errônea de que o mundo humano coexiste com o reino divino deu margem à crença de que o homem tem o livre-arbítrio para fazer acertos ou erros. “Os néscios não podem conhecer a Verdade a respeito do mundo”, podendo, no máximo, apresentar ideias e teorias infundadas, movidos pela ânsia em se considerarem “conhecedores da Verdade”.

A mente humana não tem condições para entender a Sabedoria que compreende este Universo. Por conseguinte, se existissem mestres humanos da Verdade, estes seriam aqueles que estariam admitindo total desconhecimento da natureza real de Deus. Preferimos a colocação baseada na Realidade de que somente existe Deus, ou a Mente divina onisciente, sendo tudo e sendo todos. A humildade verdadeira está em se abrir mão do suposto “conhecimento pessoal” da Verdade, que é teórico, para que haja o reconhecimento de que a onisciência é onipresente. “Eu sou a Onisciência Onipresente” – esta é a maneira de anularmos o chamado ego humano que acredita ser conhecedor parcial ou ignorante total da Verdade. Em termos práticos, a aceitação incondicional de que “Eu sou a Onisciência Onipresente” permite que tenhamos a sabedoria que a cada “agora” nos for requerida. “Antes que clamem, Eu responderei”, ou seja, o tempo não existe. Como sempre está sendo AGORA, é AGORA que a Mente divina está “respondendo” COMO cada um de nós. Os que clamam a Deus creem que o “tempo” existe e passam a usá-lo em súplicas e petições. Assim, ocupam o AGORA com esta ILUSÃO e deixam de perceber o desdobrar contínuo da Harmonia divina como a única Realidade da própria Consciência de cada um.

A segunda parte da citação de Isaías diz: “Estando eles ainda falando, Eu os ouvirei”. O Novo Testamento contém várias passagens em que Jesus também afirma ser sempre “ouvido pelo Pai”. Entretanto, precisamos entender o sentido verdadeiro dessa frase, se não quisermos incorrer em prática de preces ineficazes e destituídas de fundamente espiritual legítimo. A garantia de que Deus sempre nos ouve, para aqueles que aparentemente estão sob o jugo das aparências deste mundo, funciona como um bálsamo. Seu real sentido, porém, é que a Perfeição Absoluta já está manifesta. “Olhos, ouvidos, nariz, língua, corpo e mente (conceitos humanos) são o NADA”, revela o Budismo. Em outras palavras, as aparências só existem como “aparências”, sem que possuam realidade nenhuma! O estudo da Verdade é o reconhecimento de que DEUS É TUDO, e que o Universo já é espiritual e perfeito. Tudo que o ser humano percebe com "olhos, ouvidos, nariz, língua, corpo e mente”, já é NADA. “O que é já foi, e o que há de ser, também já foi; Deus fará renovar-se o que se passou” (Eclesiastes 3: 15).

A “VIDA PELA GRAÇA” é a que traduz uma total confiança em Deus; é a convicção de que estamos acordados no “âmago de um sonho”, sonho este denominado “Existência humana”.

2 comentários:

Possebon disse...

Hoje, 01 de abril de 2010, aprendi o que Deus é capaz.
Após uma hemorragia interna de natureza grave acometer minha filha, à princípio, desesperei-me e, lógo após, busquei conscientizar-me de que ela é Filha de Deus, Perfeita, Maravilhosa e Saldável.
Ela foi abençoada e está em plena recuperação.
Agradeço a Deus pela suas bençãos.
Agradeço aos médicos pela sabedoria emprestada por Deus.
Agradeço a meus antepassados por haverem ficado ao lado dela neste momento difícil.
Agradeço ao Mestre M. Taniguchi por haver transmitido tal ensinamento e, neste momento, serenado meu coração e minha mente.
Obrigado meu Deus por havê-la curado.

Muito Obrigado
Muito Obrigado
Muito Obrigado

Gugu disse...

Que maravilha, Possebon.

A compreensõ viva e profunda de que "o homem é filho de Deus" revela a Realidade, fazendo desaparecer a doença, que não existe.

Felicidades a você, sua filha, sua família.

Abraço.