"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

domingo, abril 08, 2007

Hsin-Hsin-Ming

Agora vou deixar aqui um texto muito antigo e preciosíssimo, decorrente da sabedoria Zen. 'Hsin-hsin-ming' é um texto antigo, escrito na China antiga, quando o Zen ainda era chamado 'Chan" (A palavra japonesa "Zen" é uma adaptação da palavra chinesa "Chan"). Ele é uma das mais fortes demonstrações da ligação do Pensamento Zen com a filosofia Taoísta.

O termo "Hsin" significa coração, mas o seu sentido é o de Mente -- uma mente pura, essencial e profunda... que nada tem a ver com o intelecto. É uma sabedoria que é transmitida diretamente ao coração. A compreensão dessa sabedoria não decorre das limitações do intelecto, mas transcende a ele. Hsin-hsin-ming é uma revelação que brota espontaneamente do interior de toda vida... diretamente de Deus.



Hsin-hsin-ming (Canção do Coração)

"Não é difícil descobrir tua Mente Búdica.
Simplemesnte deixe de procurá-la.
Deixe de aceitar e rejeitar possíveis lugares
Onde pensas que ela possa estar.
E ela aparecerá diante de ti.

Cuidado! O menor sinal de preferência
Abrirá um abismo largo e profundo como o espaço entre o céu e a terra.

Se queres encontrar tua Mente Búdica
Não tenha opiniões sobre nada.
Opiniões produzem argumento
E a disputa é uma doença da mente.

Submerge nas profundezas.
A quietude é profunda. Não há nada profundo em águas razas.
A Mente Búdica é perfeita e engloba o universo.
Não tem carência de nada e nada tem em excesso.
Se pensas que podes escolher entre as suas partes,
Perderás de vista a sua verdadeira essência.

Não te apegues às aparências, às coisas opostas,
às coisas que existem como relativas.
Aceite-as com imparcialidade...
E não terás que perder tempo com escolhas sem sentido.

Os julgamentos e discriminações bloqueiam o fluxo e trazem as paixões.
Irritam a mente, que precisa de quietude e paz.
Se vais de encontro de isto a aquilo,
ou a quaisquer dos inumeráveis opostos,
Perderás de vista o todo, o Uno.
Seguindo um oposto estarás te extraviando,
para longe do centro de equilíbrio.
Como esperas alcançar o Uno?

Decidir o que é, é determinar o que não é.
Mas determinar o que não é pode te ocupar tanto,
que acaba se convertendo no que é.
Quanto mais falas e pensas, mais longe te encontras.
Deixa de falar e de pensar, e o encontrarás em todas as partes.

Se deixares todas as coisas voltarem à sua origem, está bem.
Mas se tu páras para pensar que esta é tua meta
E que é disto de que o teu sucesso depende,
E lutas e lutas, ao invés de simplesmente deixar ir,
Tu te perdes no Caminho, e não estarás praticando Zen.
No momento em que começas a discriminar e a preferir perdes o Caminho.
Buscar o real também é um falso ponto de vista
que deveria ser IGUALMENTE abandonado.
DEIXA PASSAR! Deixa de buscar e de escolher.
As decisões dão lugar às confusões,
e aonde pode chegar uma mente confusa?

Todos os pares de opostos vêm da Única Grande Mente Búdica.
Aceita os opostos com dócil resignação.
A Mente Búdica permanece calma e quieta,
Mantenha sua mente nela e nada poderá te perturbar.
O inofensivo e o danoso deixam de existir.
Os sujeitos, quando liberados de seus objetos, desaparecem
Tão certamente quanto os objetos,quando liberados de seus sujeitos, desaparecem também.
Cada um depende da existência do outro.
Entenda esta dualidade e verás que ambos provêm do Vazio do Absoluto.

A base de todo Ser contém os opostos.
Todas as coisas se originam do Uno.
Que perda de tempo escolher entre grosso e fino.
Já que a Grande Mente faz nascer todas as coisas,
Abrace-as todas e deixe morrer teus preconceitos.

Para realizar a Grande Mente não sejas vacilante nem ansioso.
Se tentar pegá-la, agarrarás o ar e cairás no caminho dos heréticos.
Onde está o Grande Tao?
Podes simplesmente deixar de querer possuí-lo?
E podes deixá-lo LIVRE e apenas confiar nEle?
Ele permanecerá ou se irá?
Ele está em toda a parte esperando por você...
Para unir a tua natureza com a Dele
E, assim, tu possas ficar livre de problemas, como Ele é.

Não canse tua mente te preocupando em saber o que é real e o que não é,
Sobre o que aceitar ou o que rejeitar.
Se queres conhecer o Uno,
deixe teus sentidos experimentarem o que vier.
Mas não seja influenciado e nem te envolvas no que vier.
O sábio age sem emoção e parece nem estar agindo.
O ignorante permite que suas emoções o envolvam.
O sábio compreende que todas as coisas são parte do Uno.
O ignorante vê diferencas em toda parte.

Todas as coisas são iguais em sua essência.
Assim, apegar-se a algumas e abandonar outras é viver no engano.
A mente não é juiz equânime de si mesma.
Tem preconceitos a favor ou contra si mesma.
E não pode ver nada objetivamente.

Bodhi (a Essência) está além de toda noção de bem e mal,
além dos pares de opostos.
Os devaneios são ilusões e as flores nunca florecem no céu.
São invenções da imaginação e não merecem ser considerados.
Ganho e perda, certo e errado, grosso e fino.
Deixa todos irem! Permanece atento.
Mantém abertos teus olhos.
Teus devaneios desaparecerão.
Se não fizeres julgamentos,
tudo será exatamente como deve ser.

Profunda é a sabedoria do Tathagata, Excelsa e além de todas as ilusões.
Este é o Uno a que todas as coisas retornam
desde que tu não as separe,
Mantendo algumas e afastando outras.
De qualquer modo, onde as deixaria?
Todas estão dentro do Uno. Não há fora.

O Supremo não tem modelo, dualidade, e nunca é parcial.
Confia nisto. Mantém viva a tua fé.
Quando abandonas todas as distinções nada sobra,
Exceto a Mente que é agora pura... que irradia sabedoria,e nunca se cansa.

Quando a Mente abandona as discriminações,
Os pensamentos e os sentimentos não podem sondar suas profundezas.
O estado é absoluto e livre. Não há nem eu, nem o outro.
Apenas te darás conta de que és parte do Uno.
Tudo está dentro e nada está fora.

Os sábios do mundo todo compreendem isto.
Este conhecimento está além do tempo, seja longo ou curto,
Este conhecimento é eterno. Nem é, e nem não o é.
O todo é aqui.
E o menor é igual ao maior.
O espaço nada pode confinar.
O maior é igual ao menor.
Não há limites, nem dentro nem fora.
O que é e o que não é são a mesma coisa,
Porque o que NÃO É é igual ao que É.
Se não despertares para esta verdade, não se preocupe.
Apenas creia que tua Mente Búdica não é dividida,
Que ela aceita tudo sem julgamento.
Não preste atenção a palavras, discursos, ou métodos bonitos.
O eterno não tem presente, passado ou futuro."

6 comentários:

Andre Whittick Nasser disse...

GUGU,

Este texto Hsin Hsin Ming é um dos mais fantásticos e concisos textos do Zen.

Eu só consigo comparar ele com o Tao Te Ching ou com o Sermão da Montanha de Jesus.

Um abarção !

André

Cris disse...

Gugu!
Lindo texto.
Uma forma muito bonita de sintetizar uma ideía que, para mim, ainda é confusa.
Vou reler com atenção.
Abraço!

Mizi disse...

"(...) O sábio age sem emoção e parece nem estar agindo.
O ignorante permite que suas emoções o envolvam.
O sábio compreende que todas as coisas são parte do Uno.
O ignorante vê diferencas em toda parte.

Todas as coisas são iguais em sua essência.
Assim, apegar-se a algumas e abandonar outras é viver no engano.
A mente não é juiz equânime de si mesma.
Tem preconceitos a favor ou contra si mesma.
E não pode ver nada objetivamente.
(...)"



Devo comentar que a emoção de que trata o texto são aquelas pulsões biológicas energéticas oriundas da simples "ação-reação" a que a mente está sujeita, ou seja, o instinto primitivo do homem. E não a emoção no sentido espiritual, ou seja, a quietude, a serenidade e o amor...

O que mais posso dizer?? Esses dois parágrafos resumem todo o texto. Escolheste muito bem o texto. Escolha sábia, mas... é preciso também tentar colocar em prática o que pensas ser verdade. Será que dará certo? será que não são apenas mais outras palavras? O próprio texto te alerta sobre a confiança em palavras... Coloque em prática, gugu... experimente... sinta se realmente te traz a felicidade que tanto busca. Caso contrário, não passarão de mais outras, dentre tantas, palavras ao vento (e que o vento haverá de levar embora, pois nada fica).



Fica em paz, meu irmãozinho... Um abraço e até a próxima!!!

mizi disse...

GUGU,

Shin shin Ming = Poema do verdadeiro coração.

ou

Shin shin Ming = Poema da sinceridade do coração.

ou

Shin shin ming = Poema da razão (coração verdadeiro ou sincero = razão).

ou

Shin shin Ming = confiando na razão (essa é bem exdrúxula, mas existe... hehehe).

ou

Shin shin Ming = canção (no sentido de composição) do verdadeiro sentimento (razão)

Shin shin ming = canção da razão.


e por aih vai... Chinês eh uma lingua estranha... hehuihaui...

mizi disse...

mais um:

Shin shin Ming = A fé da Razão

ou

canção da fé pura.

=D

Mizizizizizizizizizzzz.... disse...

NHÁÁ´... ATUALIZAA... \O/ HEHEHE... to com saudade dos seus próprios textos. abraços!