"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

segunda-feira, novembro 11, 2013

A Linguagem Divina do Silêncio

- OSHO -

“O propósito de uma armadilha para peixes é pegar peixes.
E quando são capturados, a armadilha é esquecida.
O propósito das palavras é transmitir ideias.
Quando as ideias são compreendidas, as palavras são esquecidas.
Onde posso encontrar um homem que se esqueceu das palavras?
É com ele que eu gostaria de conversar.”  (Chuang Tzu)

É difícil esquecer as palavras. Elas se agarram à mente. É difícil jogar fora a rede, porque não só os peixes são capturados, mas o pescador também. Esse é um dos maiores problemas. Trabalhar com palavras é brincar com fogo, porque as palavras tornam-se tão importantes que o significado perde o significado. O símbolo se torna tão pesado que o conteúdo é completamente perdido; a superfície hipnotiza e você esquece o centro.

Isso aconteceu em todo o mundo. Cristo é o conteúdo, o cristianismo é apenas uma palavra; Buda é o conteúdo, o dhammapada é apenas uma palavra; Krishna é o conteúdo, o Gita não é nada além de uma armadilha. Mas o Gita é lembrado e Krishna é esquecido. Se você falar de Cristo, é por causa das igrejas, da teologia, da bíblia, das palavras. As pessoas carregam a rede por muitas vidas, sem perceber que aquilo é apenas uma rede, uma armadilha, como se a pessoa vivesse carregando uma escada.

Buda costumava contar:

Alguns homens estava atravessando um rio. O rio era perigoso, ele estava na cheia – devia ser a estação das chuvas – e o barco salvou suas vidas. Então eles pensaram – eles deviam ser muito, muito inteligentes – eles pensaram: “Este barco nos salvou, como podemos deixa-lo agora? Este é o nosso salvador e será ingratidão deixa-lo aqui!”. Então, eles levaram o barco na cabeça para a cidade.

Alguém lhes perguntou: “O que vocês estão fazendo? Nunca vimos ninguém carregando um barco.”

Eles disseram: “Agora vamos ter de levar este barco por toda a nossa vida, porque ele nos salvou, e não podemos ser ingratos.”

Essas pessoas de aparência inteligente deviam ser estúpidas. Agradeça ao barco, mas deixe-o lá. Não o carregue. Você tem carregado vários tipos de barcos na cabeça. Olhe para dentro. As escadas, os barcos, caminhos, palavras – este é o conteúdo da sua cabeça, da sua mente.

O recipiente se torna importante demais, o veículo se torna importante demais, o corpo se torna importante demais. O veículo era só para lhe transmitir a mensagem – receba a mensagem e esqueça o veículo. Agradeça-lhe, mas não o leve em sua cabeça.

Maomé insistiu muito, quase todos os dias de sua vida: “Eu sou apenas um mensageiro. Não me adorem, eu apenas trago uma mensagem do divino. Não olhem para mim, olhem para o divino, que enviou a mensagem a vocês.” Mas os maometanos parecem ter esquecido a fonte. Maomé se tornou importante, o veículo.

Onde você empreende a sua busca – nas palavras, nas escrituras? Se sua mente está muito sobrecarregada com palavras, teorias, escrituras, então o seu caminho para a existência está fechado, nada real pode lhe acontecer. Nada real poderá penetrar em você, nem o amor, nem a meditação, nem a existência. E tudo o que é belo aconteceu num processo de interiorização. Quando você está em silêncio, sem qualquer apoio das palavras, quando você está esperando... Nesse momento de espera, a beleza acontece, o amor acontece, a devoção acontece, a divindade acontece. Mas, se um homem é muito viciado em palavras, ele vai perder tudo. No final, ele terá uma longa coleção de palavras e teorias, lógica, tudo – mas nada vale a penas porque está faltando o conteúdo.

Você tem a rede, a armadilha, mas não há nenhum peixe lá. Se você tivesse realmente capturado o peixe, você teria jogado fora a rede imediatamente. Quem se importa com a rede? Se você já usou o barco, pode esquecê-lo. Quem pensa no barco? Você transcendeu, ele foi usado.

Assim, sempre que um homem realmente passa a saber, o conhecimento é esquecido. Isso é o que chamamos de sabedoria. Um homem sábio é aquele que foi capaz de desaprender o conhecimento. 

Mas por que esse vício pelas palavras? Porque o símbolo parece ser o real. Você acha que a palavra é a realidade. E, se ela se repete muito, a repetição faz com que você se auto-hipnotize. Repita uma coisa, e aos poucos você vai esquecer que você não sabe. A repetição vai lhe dar a sensação de que você sabe.

Se você vai ao templo pela primeira vez, vai na ignorância. Você não sabe se esse templo realmente contém alguma coisa, se Deus está lá ou não. Mas vá todos os dias e viva repetindo o ritual, as orações; e faça tudo conforme lhe for dito, sempre, todas as vezes, dia após dia, ano após ano. Você vai se esquecer do estado de espírito que havia no começo. Com repetições contínuas a coisa vai para dentro da mente e você começa a sentir que esse é o templo, que Deus vive aqui, que essa é a morada de Deus. 

Você me procura, o problema é o seguinte: na base há palavras e agora você está tentando meditar e ficar em silêncio – a base está sempre lá. Sempre que você começa a ficar em silêncio a base começa a funcionar. Então, você se torna consciente do que pensa quando medita – ainda mais do que normalmente. Por que? O que está acontecendo? Quando você está em silêncio você vai para dentro de si e se torna mais sensível ao absurdo interior que existe ali. Quando você está em meditação você fica voltado para fora, fica extrovertido, envolvido com o mundo e você não pode ouvir o barulho interior que ocorre dentro de você. Sua mente não está lá.

O ruído é contínuo dentro de você, mas você não pode ouvi-lo, você está ocupado. Mas sempre que fecha os olhos e olha para dentro, o hospício se abre. Você pode ver e sentir e ouvir, e então fica com medo e assustado. O que está acontecendo? E você estava pensando que a meditação ia deixá-lo mais silencioso. E está acontecendo isso, exatamente o oposto.

No começo é inevitável que isso aconteça, porque uma base errada foi dada a você. Toda a sociedade, seus pais, seus professores, suas universidades, sua cultura, deram-lhe uma base errada. Sua fonte está envenenada. Esse é o problema – como desintoxicar você. Leva tempo, e uma das coisas mais difíceis é se livrar de tudo o que você conheceu, desaprender.

A repetição contínua de uma palavra cria a realidade, mas essa realidade é falsa. É ilusão, e você só pode voltar para a realidade se todas as palavras desaparecerem da sua mente. Mesmo uma única palavra pode criar a ilusão. As palavras são grandes forças. Se ainda houver uma única palavra na sua mente, ela não está vazia. Tudo o que você está vendo, sentindo, é criado através da palavra, e essa palavra vai mudar a realidade.

Você tem que ficar completamente sem palavras, sem pensamentos. Você tem que ser apenas consciência. Quando você é apenas consciência, a realidade é revelada a você. Só então o real aparece, é revelado. Agora o sutra:

“O propósito de uma armadilha para peixes é pegar peixes.
E quando são capturados, a armadilha é esquecida."

Você se esqueceu completamente do propósito. Você acumulou tantas armadilhas para peixes, vive tão preocupado com essas armadilhas que se esqueceu completamente do peixe.

Se você não consegue esquecer a armadilha, isso significa que o peixe ainda não foi capturado. Lembre-se, se você está continuamente obcecado com a armadilha, isso mostra que os peixes ainda não foram pegos.

"O propósito das palavras é transmitir ideias.
Quando as ideias são compreendidas, as palavras são esquecidas."

Se você realmente me entender, não será capaz de se lembrar do que eu disse. Você vai pegar o peixe, mas irá jogar fora a armadilha. Você vai ser o que eu disse, mas não vai se lembrar das palavras que eu disse. Você vai ser transformado por elas, mas não vai se tornar um homem mais instruído por causa delas. Você estará mais vazio por causa delas, menos cheio; você vai se afastar de mim revigorado, não sobrecarregado.

Não tente acumular o que eu digo, porque tudo o que você acumular será errado. O acúmulo está errado: não acumule, não preencha o seu baú com as minhas palavras. Jogue-as fora, então o significado vai estar lá, e o significado não precisa ser lembrado. Ele nunca se torna parte da memória, torna-se parte da sua totalidade. Você só precisa se lembrar de uma coisa quando ela faz parte da memória, do intelecto. Isso que lhe digo não faz parte da memória, do intelecto. Você nunca precisa se lembrar de uma coisa real, pois se a coisa acontece a você, ela está lá – qual a necessidade de lembrar? Não repita, porque a repetição vai lhe dar uma falsa noção.

Ouça, mas não as palavras – bem ao lado das palavras o que não tem palavras está sendo transmitido a você. Não fique focado demais nas palavras, basta olhar um pouco de lado, porque a coisa real está sendo transmitida ali. Não ouça o que eu digo, ouça-me! Eu também estou aqui, não apenas as palavras. E se você me ouvir, então todas as palavras serão esquecidas.

Foi o que aconteceu... Buda morreu, e os discípulos ficaram muito perturbados, porque nenhuma de suas frases foram registradas enquanto ele estava vivo. Eles haviam se esquecido completamente. Os discípulos iluminados de Buda foram abordados – Mahakashyapa, Sariputta, Moggalyan –, e todos esses que se tornaram iluminados encolheram os ombros: “É difícil, ele disse tantas coisas, mas não nos lembramos.” E esses foram os discípulos que tinham alcançado a iluminação!

Então Ananda foi abordado. Ele não se tornou iluminado enquanto Buda estava vivo, ele tornou-se iluminado depois que Buda morreu. Ele se lembrava de tudo. Ele acompanhou Buda por quarenta anos, e ele ditou tudo, palavra por palavra – um homem que não foi iluminado! Parece paradoxal. Aqueles que tinham alcançado a iluminação deveriam se lembrar, não esse homem que ainda não havia atingido a outra margem. Mas quando a outra margem é atingida, esta margem é esquecida e, se a própria pessoa se tornou um buda, quem se importa em lembrar o que Buda disse?

“O propósito de uma armadilha para peixes é pegar peixes.
E quando são capturados, a armadilha é esquecida."

As palavras de Buda eram armadilhas, Mahakashyapa capturou o peixe. Quem se preocupa com a armadilha agora? Quem se importa em saber para onde o barco foi? Ele cruzou o rio. Claro que vai ser assim. Se Mahakashyapa tornou-se ele próprio um buda, como eles podem estar separados? Os dois não são dois. Contudo Ananda disse: “Eu vou relatar suas palavras”, e ele relatou de modo muito autêntico. A humanidade tem uma grande dívida para com este Ananda, que ainda era ignorante. Ele não havia capturado o peixe, por isso ele se lembrava da armadilha. Ele ainda estava pensando em pegar o peixe, por isso tinha que carregar a armadilha.

Lembre-se disso como uma lei básica da vida: o que é superficial, periférico (e palavras são superficiais, periféricas) parece tão significativo porque você não está consciente do essencial, do centro. Esse mundo parece tão significativo porque você não está consciente de Deus. Quando Deus é conhecido, o mundo é esquecido, nunca o contrário. 

As pessoas tentaram esquecer o mundo para que pudessem conhecer Deus – isso nunca aconteceu e nunca acontecerá. Você pode continuar tentando esquecer o mundo, mas você não vai conseguir. Todos os seus esforços para esquecer o mundo se tornarão uma lembrança contínua. Somente quando Deus é conhecido o mundo é esquecido. Somente quando a outra margem é atingida, esta margem desaparece.  Você pode continuar lutando para abandonar o pensar, mas você não pode abandonar o pensamento enquanto não alcançar a consciência. O pensar é um substituto – como você pode abandonar a armadilha enquanto o peixe ainda não está capturado? A mente dirá: “Não seja tolo, onde está o peixe?”

Como você pode abandonar as palavras se ainda não percebeu o significado? Não tente lutar com as palavras, tentar alcançar o significado. Não tente lutar com os pensamentos. É por isso que eu insisto mais uma vez em dizer que, se os pensamentos o perturbarem, não lute contra eles, não os combata. Se eles vierem, deixe-os vir. Se eles se forem, deixe-os ir. Não faça nada, apenas fique indiferente, seja apenas um observador, um espectador, não se preocupe. Isso é tudo o que você pode fazer agora – ser indiferente.

Não diga: “Não venham.” Não convide, não rejeite, não condene e não aprecie. Basta ficar indiferente. Olhe para eles, eles vêm como nuvens, e depois vão, como as nuvens desaparecem. Deixe-os ir e vir, não fique no caminho, não preste atenção neles. Porque, se você ficar contra eles, você começará a prestar atenção, e logo estará perturbado: “Minha meditação está perdida”. Nada está perdido. A meditação é a sua natureza intrínseca. Nada está perdido. O céu está perdido quando há nuvens? Nada está perdido.

Seja indiferente, não se sinta incomodado pelos pensamentos, desta ou daquela maneira. E, mais cedo ou mais tarde, você vai sentir e perceber que esse ir e vir dos pensamentos se tornou mais lento. Cedo ou tarde você vai ver que agora eles vêm, mas não tanto; às vezes o trânsito para, a estrada fica vazia. Um pensamento passou, outro ainda não chegou; há um intervalo. Nesse intervalo você vai conhecer o seu céu interior em sua glória absoluta. Mas se entrar um pensamento, deixe-o entrar, não fique perturbado.

Se você conseguir, faça isso, pois somente isso pode ser feito; nada mais é possível. Seja desatento, indiferente, sem se importar. Apenas permaneça como uma testemunha, observando, não interferindo, e a mente irá passar, porque nada poderá ser retido no seu interior, se você ficar indiferente.

A indiferença é o corte das raízes, as próprias raízes. Não se sinta antagônico porque assim você também estará alimentando. Se você tem que se lembrar dos amigos, você tem que se lembrar dos inimigos também, até mais. Os amigos você pode esquecer, como pode esquecer os inimigos? Você terá que lembrar constantemente deles, porque você tem medo.

As pessoas ficam perturbadas com os pensamentos. Mas através da luta você presta atenção – e a atenção é o alimento. Tudo cresce se você prestar atenção; cresce rápido, torna-se mais vital. Seja apenas indiferente. 

Uma história:

Foi o que aconteceu... Um homem estava acostumado a ir à pista de corrida todo ano no dia do seu aniversário. O ano inteiro ele acumulava o dinheiro apenas para um aposta em seu aniversário. E ele estava perdendo há muitos anos, mas a esperança sempre o reanimava. Toda vez ele decidia não ir novamente, mas um ano é muito tempo. Por alguns dias, ele se lembrava, mas depois novamente a esperança voltava: "Quem sabe?" Esta ano eu posso ficar rico, então porque não fazer um esforço a mais?"

Quando seu aniversário chegou, ele estava novamente pronto a ir para a pista de corria. E era seu quinquagésimo aniversário, assim ele pensou: "Eu deveria tentar pra valer."

Então ele vendeu todas as suas posses, reuniu uma pequena fortuna, tudo o que ele havia ganhado em toda a sua vida, tudo o que tinha, e disse: "Agora eu tenho que decidir. Ou eu me torno um mendigo ou um imperador, não vou mais ficar no meio, chega!"

Ele foi até o guichê e olhou para o nome dos cavalos: "Há esse cavalo, Adolf Hitler, ele vai se dar bem. Um grande homem, um homem vitorioso. Ele ameaçou o mundo inteiro. Esse cavalo deve ser feroz e forte." Assim, ele apostou tudo – e perdeu. Como todos que apostaram em Hitler, ele perdeu. Agora ele não tinha para onde ir, pois tinha perdido inclusive a própria casa. Então o que fazer? Não havia nada a fazer senão se suicidar.

Ele então se encaminhou para a beira de um precipício, só para pular e acabar com a própria vida. Quando ele estava prestes a saltar, de repente ouviu uma voz, e não a reconheceu; não sabia se ela vinha do exterior ou do interior. Ele ouviu: "Pare! Da próxima vez vou lhe dar o nome do cavalo vencedor – tente mais uma vez. Não se mate."

A esperança reviveu, ele voltou. Ele trabalhou duro naquele ano, porque ia ser a vitória pela qual estivera esperando a vida inteira. O sonho tinha que se realizar. Ele trabalhou duro dia e noite, ganhou muito. Então, no ano seguinte, com o coração trêmulo ele foi até o guichê e esperou. A voz disse: "Ok, escolha este cavalo, Churchill." Sem discutir, sem pensar, sem deixar a mente interferir, ele apostou tudo e venceu. Churchill ficou em primeiro lugar.

Ele voltou novamente ao guichê e esperou. A voz disse: "Agora aposte em Stálin". Ele apostou tudo. Stálin ficou em primeiro lugar. Agora ele tinha uma grande fortuna.

Na terceira vez ele esperou, e a voz disse: "Chega."

Mas ele disse: "Fique quieta, eu estou ganhando, estou com sorte e ninguém pode me derrotar agora." Então, ele escolheu Nixon e Nixon ficou em último.

Toda a fortuna foi perdida e ele se tornou novamente um mendigo. Ali, parado, ele murmurou para si mesmo: "E agora, o que fazer?"

Disse a voz interior: "Agora você pode ir para o precipício e pular!"

No momento em que você vai morrer, a mente para, porque não há nada pelo qual trabalhar. A mente faz parte da vida, não faz parte da morte. Quando não há vida pela frente, a mente para, não há trabalho, ela fica imediatamente desempregada. E quando a mente para, a voz suave interior vem lá de dentro. Ela está sempre lá, mas há tanto barulho que uma voz mansa e suave não pode ser ouvida.

A voz não vinha de fora, não há ninguém fora de nós, tudo está dentro. Deus não está no céu, está em você. Aquele homem ia morrer – a última decisão tomada pela mente. Mas então a mente se aposentou, não havia mais trabalho, e de repente ele ouviu a voz. Essa voz veio de seu núcleo mais profundo, e a voz que vem do âmago mais profundo está sempre certa.

Então o que aconteceu? Duas vezes a voz se fez ouvir, mas a mente interferiu novamente e disse: "Não dê ouvidos a tal absurdo, estamos com sorte e estamos vencendo."

Lembre-se: sempre que você ganha, você ganha por causa da voz interior. Mas a mente sempre vem e toma conta. Sempre que você sente felicidade, ela vem de dentro. Então a mente salta imediatamente à frente e assume o controle, e diz: "É por minha causa." Quando você está apaixonado, isso é como a morte, a mente para - você se sente feliz. Imediatamente vem a mente e diz: "Ok, esta sou eu, isso é por minha causa."

Sempre que você medita, há vislumbres. Então a mente entra e diz: "Seja feliz! Olhe, eu fiz isso!" E imediatamente o contato é perdido.

Lembre-se: com a mente você será sempre um perdedor. Mesmo que você seja vitorioso, suas vitórias serão apenas derrotas. Com a mente não há vitória, com a não-mente não há derrota.

Você tem que mudar toda a sua consciência da mente para a não-mente. Depois que a não-mente estiver presente, tudo é vitorioso. Depois que a não-mente estiver presente, nada dará errado, nada pode dar errado. Com a não-mente, tudo é absolutamente como deveria ser. A pessoa tem contentamento, não resta nem um único fragmento de descontentamento; ela está absolutamente à vontade. Você é um estranho por causa da mente.

Essa mudança só é possível se você se tornar indiferente; caso contrário, essa mudança nunca será possível. Mesmo se você tiver lampejos, esses lampejos serão perdidos. Você já teve lampejos antes – não é só na oração e na meditação que os vislumbres acontecem. Os vislumbres acontecem na vida cotidiana também. Ao fazer amor com uma mulher, a mente para. É por isso que o sexo é tão atraente, é um êxtase natural. Por um momento único, de repente a mente não está lá; você se sente feliz e contente, mas apenas por um único momento. Imediatamente a mente entra e começa a funcionar – como conseguir mais, como ficar mais tempo? Surge o planejamento, o controle, a manipulação, e você se perdeu.

Às vezes, sem mais aquela, você está andando na rua, debaixo das árvores e de repente um raio de sol vem e cai em você, uma brisa toca o seu rosto. De repente é como se o mundo inteiro mudasse, por um único momento você está em êxtase. O que aconteceu? Você estava andando, despreocupado, indo a lugar nenhum, só fazendo a caminhada, numa manhã ou tarde. Naquele momento de descontração, de repente, sem o seu conhecimento, a consciência deslocou-se da mente para a não-mente. Imediatamente há beatitude. Mas a mente vem e diz: "Quero ter mais momentos como este." Então você pode ficar lá durante anos, durante vidas, mas isso nunca vai acontecer de novo – por causa da mente.

Na vida comum, no dia a dia, não só nos templos, mas em lojas e escritórios também, os momentos vêm – a consciência muda e vai da periferia para o centro. Mas a mente assume de novo o controle imediatamente. A mente é o grande controlador. Você pode ser o mestre, mas ela é o gerente, e o gerente absorveu tanto controle e poder que pensa que é o mestre. E o mestre fica completamente esquecido.

Seja indiferente à mente. Sempre que ela interferir, em momentos sem palavras, silenciosos, não a ajude, não coopere com ela. Basta olhar. Deixe-a dizer o que quiser, não preste muita atenção. Ela vai se retirar.

Na meditação, isso acontece a você todos os dias. Muitos me procuram e dizem: "Aconteceu no primeiro dia, mas desde então não aconteceu mais."

Por que aconteceu no primeiro dia? Você está mais preparado agora, no primeiro dia você não estava tão preparado. Aconteceu no primeiro dia porque o gerente não tinha conhecimento do que ia acontecer. Não poderia planejar. No dia seguinte, o gerente sabia muito bem o que ia ser feito. Agora, o gerente sabe, e o gerente faz. Então isso não vai acontecer de novo, porque o gerente tomou a frente.

Lembre-se: sempre que um momento de bem-aventurança acontecer, não peça por ele novamente. Não peça que seja repetido, porque toda a repetição diz respeito à mente. Não peça por ele novamente. Se você pedir, então a mente vai dizer: "Eu sei o truque. Vou fazer isso por você."

Quando esses momento acontecerem, sinta-se feliz e grato e esqueça. O peixe foi pego, esqueça a armadilha. O significado foi capturado, esqueça a palavra.

E a última coisa: sempre que a meditação está completa, você se esquece dela. E só então, quando você se esquece da meditação, ela chega à plenitude, o clímax é atingido. Agora você fica meditativo durante 24 horas por dia. Não há nada a ser feito; ela está ali, é você, é o seu ser.

Se você puder fazer isso, então a meditação torna-se um fluxo contínuo, não um esforço da sua parte – porque todo esforço é da mente.

Se a meditação se torna a sua vida natural, a sua vida espontânea, o Tao, então eu lhe digo, algum dia Chuang Tzu vai encontrar você. Porque ele pergunta:

"Onde posso encontrar um homem que se esqueceu das palavras? É com ele que eu gostaria de conversar."

Ele está procurando. Eu já o vi muitas vezes aqui perambulando em torno de você, apenas esperando, esperando. Se você se esquecer das palavras, ele vai falar com você. E não só Chuang Tzu – Krishna, Cristo, Lao Tsé, Buda, todos eles estão em busca de você; todas as pessoas esclarecidas estão em busca dos ignorantes. Mas elas não podem falar porque conhecem a linguagem do silêncio, e você conhece a linguagem da loucura. Isso não vai levar a lugar nenhum. Eles estão em busca. Todos os budas que já existiram estão em busca. Sempre que estiver em silêncio, você vai sentir que eles sempre estiveram ao seu redor.

Dizem que sempre que o discípulo está pronto o mestre aparece. Sempre que você está pronto a verdade é entregue à você. Não há um intervalo nem mesmo de um instante. Sempre que você está pronto, acontece imediatamente. Lembre-se de Chuang Tzu. A qualquer momento ele pode começar a falar com você, mas antes que ele comece, você precisa parar de falar.

Basta por hoje.

 

sábado, novembro 09, 2013

Quem Eu sou?


 
 
A primeira coisa a se fazer é iniciar com a pergunta: “Quem sou eu?”. E prossiga indagando. Não pare de investigar. "Quem sou eu?" não é realmente uma pergunta porque não há uma resposta para ela, ela é irrespondível. É um estratagema, não uma pergunta. Ela é usada como um mantra. Quando você pergunta constantemente dentro de você: "Quem sou eu? Quem sou eu?", você não está esperando por uma resposta. Sua mente lhe dará muitas respostas, todas elas devem ser rejeitadas. Muitas respostas virão, a mente dirá: “Você é um corpo! Que absurdo! Não há necessidade de perguntar, você já sabe disso”, ou até mesmo “Você é a alma, o espírito, a consciência suprema”... Lembre-se, você deve parar apenas quando nenhuma resposta estiver vindo, jamais antes. Enquanto vir alguma resposta dizendo “você é isso, você é aquilo”, saiba bem que a mente o está suprindo com respostas.  Todas essas respostas têm que ser rejeitadas: neti neti — a pessoa tem que continuar dizendo: "Nem isto, nem aquilo".
 
Quando você chegar ao ponto de indagar “Quem sou eu?” e nenhuma resposta estiver vindo de qualquer lugar, então há silêncio absoluto. A sua pergunta ressoa em si mesmo: “Quem sou eu?”, e há um silêncio e nenhuma resposta surge de lugar algum. Você está absolutamente presente, absolutamente silencioso, e não há sequer uma única vibração. “Quem sou Eu?” – e apenas o silêncio. Então um milagre acontece: de repente você não pode sequer formular a pergunta. A pergunta final tornou-se absurda. As respostas  tornaram-se absurdas e por isso as perguntas também se tornam absurdas. Primeiro desaparecem as respostas e depois desaparecem as perguntas – porque uma somente pode existir ao mesmo tempo que a outra. Elas são como os dois lados de uma moeda – se um lado for retirado o outro não pode ser mantido. Primeiro as respostas desaparecem, depois desaparecem as perguntas. E com o desaparecimento da pergunta e da resposta, você chega à realização: você é transcendental!
 
Então você sabe, e no entanto você não pode dizer; você sabe, mas não consegue articular sobre isso. A partir de seu próprio ser você sabe Quem você é, mas isso não pode ser verbalizado. E esse conhecimento é vívido, existencial; não se trata de um conhecimento emprestado retirado das escrituras. É um conhecimento seu, e não dos outros. É o mistério definitivo, inexprimível, indefinível. Ele surgiu em você.

E com esse surgimento, você é um Buda. Então você começa a rir, porque você veio a saber que você tem sido um Buda desde o princípio de todos os tempos; você apenas não tinha notado esse fato tão profundamente. Você esteve correndo em voltas, para lá e para cá, do lado de fora de seu ser. Mas agora você está em casa. 
– OSHO
 
 

terça-feira, novembro 05, 2013

O novo Horizonte (Núcleo)

- Joel S. Goldsmith -
 
 
O sentido que nos apresenta quadros de discórdia, desarmonia, doenças ou morte é o sono hipnótico universal que gera todo o sonho da existência humana. Temos de entender que não há mais realidade numa existência humana harmoniosa do que em condições desarmônicas. Devemos entender que todo o cenário humano não passa de sugestão hipnótica, e nós temos de nos colocar acima dos desejos, mesmo de boas condições humanas. Compreendamos por completo que a sugestão, a crença ou a hipnose são a substância ou o tecido de todo o universo mortal e que as condições humanas, quer boas quer más, são quadros de sonho, sem qualquer realidade ou permanência. Estejamos prontos a aceitar que as condições, harmoniosas ou não, da existência mortal desapareçam de nossa vida, para que a Realidade possa ser conhecida, usufruída e vivida.

Acima desta vida dos sentidos, há o Universo do Espírito governado pelo Amor, povoado pelos filhos de Deus que vivem na casa ou no templo da Verdade. Este mundo é real e permanente; sua substância é a eterna Consciência. Nele não se percebe desarmonia nem bens efêmeros e materiais.

O primeiro lampejo da Realidade — do Reino da Alma — nos chega com a percepção e o reconhecimento do fato de que todas as condições e experiências temporais são produto de auto-hipnose (a matéria é o nada, e não existe!). Com a conscientização de que todo o cenário humano — quer seja o bem, quer seja o mal — é ilusório, temos a primeira visão do mundo da criação de Deus e dos filhos de Deus que habitam o reino espiritual.

Agora, neste momento de elevação de consciência, conseguimos ver, embora difusamente, a nós mesmos livres das leis mortais, materiais, humanas e legais. Vemos-nos separados e afastados da escravidão dos sentidos, e vislumbramos em parte as ilimitadas fronteiras da Vida eterna e da infinita Consciência. Os grilhões da existência finita começam a cair; os rótulos começam a desaparecer.

Nosso pensamento não mais se delonga na felicidade ou na prosperidade humanas, nem resta qualquer preocupação quanto à saúde ou à moradia. A maior e mais ampla visão está agora em foco. A liberdade do ser divino tornou-se agora visível.

A experiência, no início, é como se observássemos o mundo desaparecer no horizonte e desvanecer diante de nós. Não há apego para com este mundo, não há desejo de nele nos manter — provavelmente devido em grande parte ao fato de que tal experiência não ocorre até que tenha sido superado o desejo pelas "coisas deste mundo". Há um sentimento do tipo "Não me toques; eu ainda não 'subi para meu pai' — estou ainda entre dois mundos; não me toques nem me faça falar sobre isso, pois isso poderia me arrastar para trás. Deixe-me livre para a ascensão; quando então estiver completamente livre da hipnose e de suas miragens, eu contarei muitas coisas que os olhos nunca viram e os ouvidos nunca ouviram".

Uma ilusão universal ata-nos à terra, às condições temporais. Perceba, compreenda isso, pois apenas através dessa compreensão podemos começar a soltar de nós suas amarras. Quanto mais fascinados estivermos com as boas condições humanas e quanto maior for o nosso desejo das coisas boas da "carne", mais intensa é a ilusão. À medida que nosso pensamento se focaliza em Deus, nas coisas do Espírito, maior é a liberdade que obtemos das limitações. Não pensemos nem nas discórdias nem nas harmonias deste mundo. Não temamos o mal nem amemos o bem da existência humana. Na medida em que conseguimos isso, diminui a influência mesmérica sobre nossa vida. Começam a se desfazer os laços terrenos; as cadeias da limitação caem; as condições de erro cedem lugar à harmonia espiritual; a morte dá lugar à vida eterna.

A primeira visão do céu do aqui e agora é o começo de nossa ascensão. Esta ascensão é agora entendida como um subir para além das condições e experiências "deste mundo", e nós contemplamos as "muitas moradas" preparadas para nós na Consciência espiritual — na conscientização da Realidade.

Já não estamos presos à evidência dos sentidos físicos nem limitados ao suprimento visível; não estamos circunscritos a vínculos ou prisões; não estamos atados por laços visíveis de tempo e espaço. Nosso bem flui do reino invisível e infinito do Espírito, da Alma, para nossa imediata compreensão. Não julguemos nosso bem pela chamada evidência dos sentidos. A compreensão instantânea de tudo o que podemos usar para ter uma vida abundante, surge dos inesgotáveis recursos de nossa Alma. Nenhuma das coisas boas nos é negada quando olhamos acima das evidências físicas, para o grande Invisível. Olhe para o alto, para o alto! O reino dos céus está próximo!

Eu destruo em ti o sentido de limitação como uma evidência de Minha presença e de Minha influência sobre tua vida. Euo teu Euestou bem no meio de ti e revelo a harmonia e infinitude da existência espiritual. Euo teu Eu — nunca um sentido pessoal de eu — nunca uma pessoa, mas o teu Eu — estou sempre contigo. Ergue os olhos!
 
 
 
*Comentário (Núcleo):

O texto “o novo horizonte”, acima publicado, refere-se ao “universo consciencial”, assim chamado por ser o “universo da consciência”, o universo da Consciência do Ser, Real e Único. É talvez o único dos escritos de Goldsmith a falar sobre isso.
 
Esse universo é real e está presente aqui e agora, não “em outra dimensão da realidade”, mas numa dimensão diferente de percepção. Ele não é perceptível enquanto não nos elevamos em consciência ou espiritualmente. Na Bíblia há vários relatos dessa visão do universo consciencial, que são precedidos por expressões que revelam essa elevação em espírito, tais como quando Moisés “sobe a montanha”, vê Deus e ouve de Deus os dez mandamentos; quando João “se achou em espírito” e narrou os fatos no livro do Apocalipse. Há outras expressões como “ser arrebatado em espírito”, “ser levado por um anjo do Senhor”, etc., todas expressando que a visão e a experiência nesse universo consciencial são reais, mas para um elevado estado de percepção.
 
A menos que “sejamos elevados em espírito e em verdade”, esse universo de Deus não será percebido. A imagem verdadeira é real mas não é perceptível mentalmente. Porém, quando nos elevamos ao nível da percepção consciencial ele se torna perceptível e se revela não como algo projetado e existente “fora” ou “separado” de nós, como a mente faz parecer ser o universo que ela “percebe” ou “concebe”, mas sim, como algo do Ser Real, a realidade do Eu, o Ser que Eu Sou. Nesse nível de percepção não há dualidade, a realidade consciencial não se expressa como havendo o Criador e a criatura; o Pai e o filho ou o Ser e algo além de Si mesmo. Deus é a Consciência; o que está na Consciência do Ser é o próprio Ser. O que está na Consciência do Ser é Vida e Deus é a própria Vida!
 
Bem e mal são conceitos mentais. Quando diz que "as coisas andam nada bem" apenas perceba que sua mente é quem está afirmando isso. Ela está "percebendo" (interpretando) assim. Mas você pode se posicionar fora dos pares de opostos, sem se apegar ao bem do mundo, sem temer o mal. O "Cristo" que está em você é capaz disso, eleve-se até Ele e perceberá que Ele é sua identidade real. Nesse estado de percepção há paz e liberdade. Como se elevar a esse Cristo? Permitindo que Ele venha até você. Enquanto pensa está ativando a "mente que pensa" e isso inibe a emergência (a vinda, a manifestação) do Cristo em você. Quando apenas contempla a vida sem rotulá-la você prepara as condições para o encontro com o Cristo. Quando você permite que sua identidade humana seja deixada de lado, você imerge num estado de percepção onde tudo o que há é apenas o Universo do Ser. Há inúmeras manifestações neste "universo do Ser", e todas elas são as expressões do Ser, de Sua magnificência, Sua Glória e Bem-aventurança. Este é o universo consciencial, que pode ser visto pela natureza do Cristo que está no Ser que você É.
 
Este blog destaca a seguinte mensagem. Leia com atenção:
 
“E então me invocareis, e ireis, e passareis a orar a mim, e eu vos ouvirei. Buscar-me-eis, e me encontrareis quando me buscardes de todo o vosso coração. Serei achado de vós, diz o SENHOR, e farei mudar a vossa sorte." (Jr. 29: 12-14)
 
Perceba então que, o “Senhor foi achado de vós” e você, “achado do Senhor”. O mesmo é com todos. O ciclo se completa quando ocorre a percepção. Perceba isso assim como eu o percebo. A aparente diferença entre nós humanos está no grau de percepção deste fato. O que se aplica ao Goldsmith também se aplica a mim, a você, e a todos os que se identificaram com esta revelação divina. Somos os “mensageiros de Deus”, canais ou instrumentos pelos quais a Verdade, a realidade de Deus, torna-se conhecida neste mundo. Cada qual cumpre sua parte na difusão e todos são necessários.
 
Ao se aproximar de Mim, esteja Eu aparecendo como uma pessoa ou como livros, ou insights, que te elevem em espírito e em verdade, o que está havendo é que está sendo chamado a cumprir o Meu propósito. O primeiro deles é que a Minha mensagem seja real para você, que a Verdade seja percebida e experimentada até que seja Nossa Verdade, sem necessidade de que ela seja crida. Ter Fé em Mim é Me perceber como realidade, assim como você percebe como real aquele pelo qual este e-mail é enviado. Mas, a Verdade não está no instrumento, está no Ser.
 
Nas nossas reuniões todos são orientados a perceber a Verdade em si mesmos e por si mesmos, não como ensinamentos da mente de uma pessoa que a recebe e a transmite à mente de outra pessoa. Isso seria transmissão de conhecimentos ou doutrinação. A Verdade não é algo a ser crido, mas, algo a ser percebido pela própria pessoa. Ela é uma percepção DE algo, não uma crença EM algo (algo que está na Consciência do Ser e é percebido pela mente, revela-se como a Verdade). (Algo que está no mundo e é percebido pela mente, crê-se como sendo verdade).
 
Por estar no Ser e como evidência de que a Verdade não é pessoal, seguem-se trechos percebidos por outro dos Meus instrumentos, registrados na página 90 de “A União Consciente com Deus”:

“Deixe esta Vida esta Mente estarem em você como estavam em Cristo Jesus. Seja receptivo”; “Existem aqueles entre vocês que foram chamados para o trabalho de Deus. Será transmitido a você o que fazer e quando. Eu coloquei o Meu Espírito em você. Esse Espírito será visto e sentido pelos homens. Não será você, mas o Espírito que eles discernirão, embora pensem Nele como você”. "Meu Espírito trabalhará por você e através de você e como você. Ele trabalhará para realizar o Meu propósito. Você será a Minha presença na Terra. Eu não deixarei você, nem o abandonarei. Sob qualquer aparência, Eu ainda estarei com você. Não tema nada deste mundo. Meu Espírito orientador está sempre com você."
 
Por fim, deve-se observar que a mera leitura do que acima está escrito e mesmo a concordância integral com cada palavra não faz com que se seja a verdade, pois a leitura é mental e a concordância também o é. A Verdade é a percepção de que essa revelação provém do Ser Real, de Mim e que estou “movendo o universo” para que você a perceba! Estou dentro e fora de você, somos Um só e apareço como pessoas que enviam e-mails, pessoas que escrevem livros, pessoas que se reúnem, e como animais, coisas e situações. Quando a visão mental de tudo isso é transcendida revela-se consciencialmente Quem é, Onde está o verdadeiro Ator.
 
Percebe-se que é apenas o Ser aparecendo na Consciência, de formas múltiplas.
 
Há uma bela, profunda citação bíblica a esse respeito: “Desperta vós que dormes, ergue-te do leito e Cristo vos dará a luz.”
 
No instante em que Cristo emerge em nós e dá a "luz" revela-se o novo horizonte! Que estejam todos conscientes da real Presença, e a ela se tornem receptivos.

Saudações a todos!
 

sábado, novembro 02, 2013

Aquele que "vence o mundo"

- Núcleo -

 
Disse Jesus:

“Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo: eu venci o mundo.” (João 16:33)

O Espírito de Deus em nós é Quem “vence o mundo”!

Por isso Jesus disse: “Eu venci o mundo.”

É preciso conscientizar que o “Eu” é Quem “vence o mundo”…

Não há nesse “Eu” um sentido pessoal porque Jesus não se referiu a sua identidade humana, mas sim, a sua real identidade, sua identidade divina, a qual ele revelou quando lhe disseram os judeus: “Ainda não tens cinqüenta anos, e viste Abraão? Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, Eu Sou." (João 8:57-58)

A percepção do “eu” da nossa identidade humana, “mental”, não é a que “vence o mundo”. A percepção do “Eu” da nossa identidade divina, “consciencial”, é a que “vence o mundo”!

Assim, Jesus disse: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.”

Há aqui duas expressões a serem esclarecidas: “nascer de novo” e “ver o reino de Deus”.

Por isso Nicodemos pergunta a Jesus: “Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer?"

Jesus responde: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo.” (João 3: 3-7)

“Nascer de novo” significa perceber de forma elevada; nascer do Espírito é ter a percepção do próprio Espírito.

Para compreender o significado do nascimento espiritual e da expressão usada por Jesus é preciso ver que “carne” tem o significado de “mundo material”, que na simbologia antiga era representado pela combinação dos cinco elementos: Terra, Água, Ar, Fogo e Éter.

Destes elementos o mais denso é a “terra”, que significa o próprio universo fenomênico, a “representação” em contraposição a “céu”, que significa o universo divino, a “Realidade”, o Jisso, o Nirvana, o Paraíso.

Na representação, o caminho de ascensão, de refinamento da percepção, vai do elemento mais denso (Terra) ao menos denso (Éter), ou seja, vai da Terra ao Éter, nesta sequência: Da Terra à Água, ao Ar, ao Fogo e por fim ao Éter.

Ao dizer: “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é Espírito”, Jesus está revelando algo essencial, está nos fazendo perceber que conforme a nossa própria visão ou percepção assim será o mundo que estaremos vendo e vivenciando!

De forma mais explícita, este ensinamento revela nosso próprio nível de percepção assim:

“O que é nascido da carne é carne”.
Significa que: “a percepção que nasce da mente percebe a realidade da própria mente”;

“O que é nascido do espírito é espírito”,
Significa que: “a percepção que nasce do espírito percebe a realidade do próprio espírito”.

Usando os termos da simbologia antiga, um filósofo poderia ter assim expresso:

“O que é nascido da terra é terra”, significando que: “a percepção que nasce da terra percebe a realidade da terra”;
“O que é nascido da água é água”, significando que: “a percepção de água é água”;
“O que é nascido do ar é ar”, significando que: “a percepção de ar é ar”;
“O que é nascido do fogo é fogo”, significando que: “a percepção de fogo é fogo”;
“O que é nascido do eter é eter”, significando que: “a percepção do eter é eter”;

Sintetizando, em termos da linguagem do Núcleo:

“A percepção da mente vê a realidade da mente, a “representação”.
“A percepção da Consciência vê a realidade da Consciência, a “Realidade” divina.

Vejamos agora o que nos revela a expressão de Jesus: “ver o reino de Deus”.

Ao dizer: “aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus”, Jesus revela todos os passos no caminho de ascensão espiritual, desde a percepção mais densa (Terra) à menos densa (Éter). Partindo da percepção de “Terra” Jesus indica que os próximos níveis de percepção são “Água” e finalmente “Espírito”, que na simbologia antiga seriam os níveis de percepção “Água, Ar, Fogo e Éter”. Ao dizer: “aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”, Jesus está explicando que aquele que não perceber da forma mais elevada possível, que é a percepção espiritual, não poderá ver a Realidade, a Realidade divina, a Realidade da Consciência do Ser, que ele chama de ”reino de Deus”.

Enfim, a percepção do Espírito de Deus é Quem “vence o mundo”, conforme está escrito: “Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé (fé a percepção de Quem faz; Quem percebe em nós; Quem revela a presença do Espírito de Deus em nós senão o próprio Espírito de Deus que vive em nós!).

Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus? [Aquele que percebe, que sabe, que Jesus é o Filho de Deus, a Porta de entrada do reino de Deus que está dentro de nós, é o Consolador, o Espírito de Deus; o “Eu Sou”!]  (1João 5:4-5)

Observação:

Disse Jesus a Tomé: "Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." João 14:6

O que foi dito sobre o Eu de “Eu venci o mundo” se aplica nesta revelação, porque não há nesse “Eu” de “Eu Sou o caminho...” um sentido pessoal, da mesma forma que não há no “Eu”, quando Jesus disse: “Eu Sou a Porta”. Em todas essas revelações Jesus não se referiu a sua identidade humana, mas sim, vale frisar, a sua real identidade, sua identidade divina, a qual ele revelou quando lhe disseram os judeus: “Ainda não tens cinqüenta anos, e viste Abraão? Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, Eu Sou." (João 8:57-58)

O “eu” da identidade humana de Jesus não é o “Eu” de “Eu Sou o caminho”;  O “Eu” da real identidade de Jesus é o “Eu” de “Eu Sou”, tal como ele revelou ser; que é o mesmo “Eu” de “Eu Sou a Porta”, que é o mesmo “Eu” pelo qual se “vem ao Pai”. Este “Eu” é o “Eu” Verdadeiro de que fala Masaharu Taniguchi ao citar Sakyamuni e o ensinamento de Buda; é o “Eu” da “Consciência do Ser” a que se refere o Núcleo; não se trata do “eu” da “mente de um personagem”; É o “Eu” real; É o “Eu” da identidade verdadeira; É o “Eu” divino, atemporal, único. É o "Eu" não sujeito a nascimentos e mortes. É o “Eu” de Quem “Eu Sou”! É o “Eu” de Quem todos somos!

Namastê!
 
 

quinta-feira, outubro 31, 2013

Amor e Suprimento Espiritual

Joel S. Goldsmith
 
 
"Eu e o Pai somos um". Na percepção desse relacionamento, deixo o Infinito Invisível trazer-me dos céus, das núvens, do ar, da terra, de toda parte do universo, tudo o que for necessário ao meu desenvolvimento. Mas, este não seria o "seu" suprimento, ou o "meu", pois isto denotaria limitação. O simples uso de "seu" e "meu" encerraria uma limitação. Podemos usar a palavra "meu" de início; mas, pela expansão da consciência, perceberemos que a Verdade, por ser universal, faz com que a Autocompleteza seja válida igualmente para todos os homens.

Quando falamos do sol ou da lua, não dizemos "meu" sol ou "minha" lua, "seu" sol ou "sua" lua. Falamos do sol como luz universal a brilhar para o santo ou pecador, para o branco ou negro, oriental ou ocidental, judeu ou gentio. Por fim, passamos a encarar o suprimento sob este enfoque, sem o rotularmos de "meu" ou "seu", pois, se o considerarmos como pessoal, estaremos tornando-o finito, transformando-o em conceito material, em vez de entendê-lo como verdade espiritual. Se quisermos falar verdadeiramente sobre suprimento, deveremos abandonar todo e qualquer senso pessoal de posse; deveremos eliminar todo conceito de limitação, deixando de alegar que isto ou aquilo seja "meu" ou "seu".

"Do Senhor é a terrra, e tudo que ela encerra"..."Filho, tu estás sempre comigo, e tudo que é meu é teu". Não devo ser egoísta ao extremo de acreditar que estas palavras sejam dirigidas apenas a Joel. Devo entender que estão endereçadas aos filhos de Deus. Se personalizá-las de algum modo, acreditando que Deus as está dirigindo somente a mim, que estarei fazendo de você? E, se excluísse um de vocês, mesmo o maior pecador, estaria excluindo a mim próprio, pois existe somente o infinito Eu divino, sendo este EU Automantido, além de englobar a totalidade da Existência. O conceito material de suprimento o personaliza! Ao falarmos em suprimento como "seu" ou "meu", ele estará sendo visto como limitado; porém, ao pensarmos na totalidade do suprimento como pertencente o Pai, ele será infinito!

Porque há tantas pessoas limitadas? A resposta é única: o mundo retém um conceito pessoal de suprimento. Enquanto esta ideia perdurar, haverá limitação. De fato, inexiste carência e inexiste abundância. Existe somente esta ou aquela pessoa experienciando individualmente a carência ou a abundância.

Suprimento é espiritual; portanto, é infinito! Se nos abrirmos à Graça de Deus, todo suprimento necessário nos será acrescentado. Mesmo quem não tiver sido ensinado a viver espiritualmente, se abrir a consciência para expressar o amor humano, deixando a concha em que vinha vivendo, terá abundância, desde que parta para a doação, aprendendo a compartilhar, a servir e a ser mais amigos. Nunca duvide do seguinte: quem está sem receber o suprimento está, de algum modo, barrando-o ele próprio. E esta ação difere de pessoa para pessoa.

Certas pessoas adoram se vangloriar, o que é tremendo contra-senso! Outras jamais entenderam o sentido real da gratidão, desconhecendo o que é dar, compartilhar, amar. Não falo de doação feita a filhos e familiares, mas da doação impessoal. Tais pessoas estão barrando o fluxo do suprimento, pois, embora ele esteja encostado rente à porta, é incapacitado de ultrapassá-la, a não ser que a pessoa abra a própria consciência. De uma maneira ou de outra, aqueles que estão carentes de suprimento, eles próprios se colocaram nessa condição, por terem fechado a porta à consciência infinita. Esta atitude não é tomada premeditadamente, mas sempre ignorantemente.

Muitos casos chegaram ao meu conhecimento de pessoas que concluíram serem elas próprias que estavam barrando seu suprimento por jamais darem ou compartilharem coisa alguma; assim, passaram a praticar o dízimo e mudaram completamente de situação, mesmo sem terem atingido o nível mais elevado de realização espiritual, mas apenas à nível de ajudar e dividir com o próximo. Não existe uma forma única de se experienciar abundância: há provisão em todo nível de consciência. A demonstração máxima, entretanto, é a conscientização da presença de Deus. Isto é que atende a todas as tuas necessidades.

No nível místico de consciência, jamais devemos permitir que a mente se prenda ao suprimento como sendo ele algo a ser buscado, conquistado ou merecido. Suprimento é a conscientização de que o Eu, em vosso interior, "veio para que tivéssemos vida, e vida em abundância".
 

Começaram a notar a diferença entre os dois mundos? O mundo exterior, em que parece que vivemos em coisas que são externas, e o mundo interior, em que mesmo as coisas que parecem vir de fora são, realmente, expressadas pelo Espírito que está dentro de nós? Permaneçamos na Verdade de que a nossa vida invisível é que nos atrai do exterior o que for necessário à nossa experiência individual.

Seja qual for o segmento da vida que estivermos considerando, jamais deveremos esquecer o grande princípio da IMPERSONALIZAÇÃO. Não é certo que cada confusão em que temos entrado se foi causada por termos personalizando Deus ou o erro? Agora, deveremos dar outro passo e impersonalizar o suprimento, de tal forma que desapareça a ideia de "meu" ou "seu" suprimento: existe a Autocompleteza, Autodesdobramento, Autocorporificação da totalidade.

Na percepção de nosso relacionamento de unicidade, são encontradas completeza e totalidade. Esta unicidade com o Pai é minha plenitude, minha completeza, mas não implica que seja algum "meu" separado do "seu". Você possui a mesma plenitude, a mesma completeza, a mesma perfeição. Apenas terá de despertar para ela, e assim faremos em proporção à nossa capacidade de impersonalizar Deus, impersonalizar o erro, impersonalizar o suprimento e impersonalizar o amor.

A forma única de impersonalizarmos o amor e expressarmos divino amor está em sabermos que não temos poder nem para dar nem para reter qualquer coisa. Podemos meramente ser instrumentos pelos quais a coisa acontece. Apesar de tudo que conhecemos, humanamente seremos tentados a dar ou a deixar de dar amor em função de preferências pessoais. A dar mais "aqui" do que "ali". Tudo isso torna-se barreira à demonstração da real harmonia em nossas vidas. Cada um precisa reservar um período ao dia para ser uma transparência à ação do Espírito, para que Ele possa abençoar nosso lar, negócio, nação, sem qualquer influência de preferência pessoal.

Humanamente, talvez sintamos mais afeição por uns do que por outros. Mas são os outros os responsáveis pela diferenciação. Eu não poderia dar mais afeição humana àqueles não a dão nem a compartilham, pois seriam eles que estariam deixando de chamá-la para si. Quem expressa afeição em grau máximo é o que a recebe em maior medida. Sob o ponto de vista humano, a verdade é esta e tenho que admiti-lo.

Este fato, entretanto, não me impede de, ao menos uma vez ao dia, buscar minha quietude interna para perceber que não posso dar amor a alguém ou represá-lo. Estarei sendo a transparência pela qual a Graça de Deus envolve todas as pessoas de todos os lugares. A receptividade delas lhes trará a vida abundante, e a falta dessa receptividade as excluirá. Serei responsável somente por "deixar a Luz brilhar". Abrir a porta da consciência para recebê-la será função de cada um.

Nossa maior contribuição ao mundo está não em prestarmos serviços pessoais a familiares. Nosso maior valor é a medida com que nos sentamos, em quietude, para sermos uma clara transparência para o Amor de Deus fluir em nosso ambiente, negócio e nação. Isto é impersonalizar o amor, e é esse tipo de amor impessoal que atende às necessidades individuais e coletivas.

Em alguns níveis de vida humana, uma pessoa deverá ser humanamente mais amorosa, caridosa, benevolente, pois será este seu único acesso à paz e à harmonia. À medida que der, receberá. Aquilo que semear, ceifará -- não, porém, em nível espiritual, onde a experiência máxima é amor divino, e este ninguém é capaz de dar ou de reter. Antes, é Algo que flui através de nós, e atua fora do nível humano.

O Suprimento é infinito; porém, é preciso haver receptividade. Qualquer um diria: "Ora, eu receberei todo suprimento que você me der". Mas não é assim que a coisa funciona! Podemos ter todo suprimento que dermos. Mas a barreira encontra-se aqui: o não desejo de doação. Eis a causa da carência ou da limitação.

O povo faminto do mundo é culpado pela falta de alimento? Não, não mais que nós mesmos, quando desconhecíamos esta verdade, ou quando nos culpávamos por não estar desfrutando de maior harmonia. Os que sofrem carência estão barrando o suprimento com a ignorância espiritual. Alguns se permitiram se tornar desamorosos; e, onde inexiste amor, inexiste abundância. Permitiram-se parar de desenvolver, separados e apartados de seus irmãos humanos. Criaram uma mentalidade de "receber" e não de "dar", inclusive o de receber em troca de nada! Esse tipo de ignorância, porém, não é falha deles. Estão hipnotizados! E este hipnotismo durará até que haja um despertar interior que os direcione a algo superior ao sentido material, rompendo de vez com esse hipnotismo universal.

Adquira o hábito de, diariamente, sentar-se quietamente, sem dar amor humano a ninguém, e, por outro lado, sem conservar qualquer emoção negativa como ódio, inveja, ciúme, malícia, vingança ou indiferença. Abandone tudo isso, inclusive o desejo de amar alguém. Sente-se quietamente, por um momento, e deixe que o Espírito de Deus, o Amor divino, flua através da sua consciência para a seu lar, família, vizinhos, cidade, estado, comunidade, nação e, finalmente, o mundo.

"Tua Graça é a suficiência deste mundo. Deixo Tua Graça estar sobre o mundo e ser realizada em toda consciência humana. Deixo Tua Graça ser estabelecida assim na terra como o é no céu".

Depois, permaneça silencioso por alguns momentos, enquanto há o fluxo do Espírito. Você não terá dado amor algum; não terá retido amor algum; não terá sido desamoroso: terá simplesmente permanecido quieto, permitindo à "suave e pequenina Voz" ser ouvida por toda consciência humana a Ela receptiva.
 
 

segunda-feira, outubro 28, 2013

LEI DE SUPRIMENTO

 Joel S. Goldsmith
 

Por nenhum momento iríamos pensar em construir uma casa sem termos compreendido: As leis de projeto, escavação, edificação, etc., bem como as leis locais de zoneamento e de saúde. Não tentaríamos ganhar uma causa no tribunal, a menos que conhecêssemos a lei que a regula; e, tampouco iríamos tentar navegar sem o conhecimento das leis de navegação. Entretanto, tentamos resolver nossos problemas de suprimento individual; tentamos demonstrar a disponibilidade e abundância de suprimento sem o devido reconhecimento das leis que o governam.

Muitos ignoram a existência dessas leis e creem que uma cega fé em algum Deus ou Poder é suficiente para manifestar a operação do bem na experiência individual. No plano do Absoluto não há nenhuma necessidade de se resolver o problema do suprimento. Nele nada é requerido, pois a substância espiritual é onipresente e inexistem tempo e espaço em que o suprimento esteja ausente. Enquanto não atingirmos esta Consciência, a Consciência crística, teremos de preparar o nosso destino em conformidade com a lei das escrituras, encontrada nos textos sagrados de todos os povos. Nosso primeiro passo é o reconhecimento de nosso ser verdadeiro-nosso relacionamento com Deus.

Compreendendo Deus como a Consciência divina única universal, e o homem como a expressão individual desta Consciência, descobrimos que TUDO QUE É DO PAI É MEU, isto é, tudo o que está incorporado a Consciência universal está incorporado à consciência individual, por elas serem uma. Assim, quaisquer coisas ou ideias de que necessitemos já são partes integrantes de nossa consciência, e se desdobrarão à percepção humana tão logo nos familiarizemos com a lei e passemos a aplicá-la. "Conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará" desta ilusão de que o que você busca encontra-se separado e apartado de você. Deverá haver o entendimento de que o universo inteiro está incorporado à Mente divina; e, em vista de esta ser a nossa única mente, todas as coisas já estão dentro de nós. Em consequência, jamais somos dependentes de alguma pessoa, lugar ou condição para coisa alguma! Portanto, nosso passo seguinte é abandonar toda dependência a pessoas, posições ou investimentos para o nosso suprimento.

A princípio, isto parece ser um disparate, já que as coisas do Espírito são loucuras para os homens. "Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus porque lhe parece loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente." (I Cor. 2:14).

Um negócio ou uma posição podem parecer constituir o presente canal de nosso suprimento. Nossos alunos ou pacientes podem aparentar ser nossos únicos canais. Donas-de-casa podem acreditar que seus maridos ou filhos sejam seus canais de suprimento. MAS NADA DISSO É VERDADEIRO. Como Deus, a Consciência divina, é a FONTE, então esta exata Consciência é o canal de suprimento; e, de fato, é o SUPRIMENTO em si. Procure sempre se afastar de suas noções pré-concebidas sobre este assunto, Reconheça que todas as coisas estão incorporadas à infinita Consciência eterna; e então, SAIBA QUE ESTA CONSCIÊNCIA É A SUA!

Tendo se libertado de toda dependência a fontes e recursos materiais e humanos, você perceberá o bem continuamente se desdobrando em sua experiência humana, na forma de bem que a cada momento lhe estiver sendo requerido. Enquanto caminha rumo a esta Consciência superior, obedeça a duas recomendações importantes dadas pelas Escrituras: "Levarás à casa do Senhor, teu Deus, as primícias dos frutos da tua terra." (Exodus 23:19). A forma disso ser feito deverá ser como nos ensinou o Profeta Hebreu: "E esta pedra, que erigi em padrão, será chamada casa de Deus; e de todas as coisas que me deres te oferecerei ( ó Senhor ) o dízimo." (Gen. 28:22) Após reconhecermos que tudo que existe pertence a Deus, a Mente universal, pomos de lado uma pequena mas definida parte de tudo recebido individualmente, recirculando-a no Universal, ou seja, fazemos uso desta parcela sem a vincularmos com as despesas usuais ou pessoais. Podemos doá-la a alguma causa comunitária ou de caridade, podemos exprimir gratidão a um instrutor ou praticista espiritual, mas, seja como for, esta parcela deverá ser dedicada a serviço de Deus, o bem, independente da manutenção própria ou familiar. E ela deverá se constituir das "primícias" dos frutos - e não uma parte daquilo que sobrou de nossa receita. Deverá ser tirada da mesma tão logo a recebamos, de modo que possamos, nós mesmos, fazer o equilíbrio e confiar que "Deus dará o aumento".

Nossa obediência a estes princípios nos dará condição de provar que "quando todas as fontes materiais estão secas, Tua plenitude permanece a mesma." Quando relaxamos a mente consciente das tensões e lutas, e permitimos que o bem flua através de nossa consciência espiritual, descobrimos que não precisamos temer o que o homem mortal possa nos dar ou sonegar. Repousamos na firme convicção de que "Do Senhor é a terra e a sua plenitude", e de que TUDO que é do Pai é MEU; tudo o que existe no Universal está se desdobrando para o individual. Chegamos agora àquela que talvez seja a suprema lei espiritual da Bíblia, a nós revelada por Jesus Cristo. Na Oração do Senhor, podemos ler: "E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores." Eis o ponto em que você pode pôr suas próprias limitações em suas demonstrações do bem. Na proporção em que você perdoa, receberá as bênçãos do Infinito. Podemos perdoar aos que nos devem somas de dinheiro, e àqueles que têm para conosco dívidas de amor, gratidão, reconhecimento, ou mesmo dívidas de cortesia de família ou amigos. Mas devemos perdoar. Devemos viver num constante estado de bênçãos. Este é o perdão verdadeiro que nos liberta das obrigações mortais e materiais.

Há algum tempo, fui procurado por um homem muito necessitado de dinheiro, sem emprego e sem fonte de renda. Contou-me que um de seus amigos lhe devia uma soma de dinheiro que o tiraria da dificuldade, e perguntou-me: "Como fará para que eu possa receber esta dívida?" Disse-lhe que perdoasse tanto o homem como a dívida. Não que lhe escrevesse cancelando a dívida, já que esta era problema de seu amigo, mas que o perdoasse mentalmente, e caso ela nunca fosse paga, que não pensasse mais nela, nem pensasse maldosamente a respeito do chamado devedor. "Tire-o de seu pensamento como se ele não existisse, e deixe o Princípio divino abrir seus canais de suprimento." Ele percebeu o ponto e se voltou deste único canal visível possível de suprimento para o Não-Visto Infinito. Exatamente na semana seguinte, ele recebeu dinheiro suficiente para mantê-lo por duas semanas, e, ao término da segunda semana, foi novamente chamado ao seu próprio emprego, de que havia sido desligado por vários anos.

 

sábado, outubro 26, 2013

O Suprimento - Parte II

Joel S. Goldsmith
 
 
Em certo momento dizemos que não devemos nos preocupar quanto ao nosso suprimento ou a nossa saúde e, no momento seguinte, dizemos que precisamos "orar sem cessar" e "conhecereis a verdade e a verdade-vos libertará". Embora isso pareça contraditório, ambas as afirmações estão corretas, mas elas têm de ser compreendidas.

Há sempre uma crença de "bem humano" em operação — uma lei de estatísticas, e dela nós extraímos nosso benefício material. Nas vendas de porta em porta, há geralmente uma média de uma venda a cada vinte visitas; nas propagandas de mala-direta, há um retorno médio de dois por cento; no dirigir veículos, é dito que a regra estipula uma certa porcentagem de acidentes; as companhias de seguro de vida possuem uma tabela de expectativa de vida, e, baseando-se nessas médias, elas podem lhe informar a cada instante quantos anos de vida ainda lhe restam.

Viver humanamente, isto é, seguir ao longo do dia-a-dia permitindo que estas médias nos afetem, permitindo que crenças humanas operem sobre nós, não é um modo de vida científico. Isso tudo faz parte da crença em existência humana, e, a menos que façamos algo especificamente a esse respeito, ficaremos expostos a estas chamadas leis de saúde ou econômicas.

Estas sugestões, que realmente não passam de crenças, são tão universais que agem de modo hipnótico, e tendem a produzir efeito sobre os menos avisados, trazendo-lhes limitações.

O que nós podemos fazer para nos manter livres de tais sugestões e vivermos acima delas? Em primeiro lugar temos de viver em um plano de consciência mais elevado. Tanto quanto possível, temos de nos exercitar no conhecimento de que qualquer coisa que exista no campo do efeito, não é uma causa, não é criativo, e não tem poder sobre nós. E isso nos leva ao importante ponto da sabedoria espiritual: eu sou a lei, eu sou a verdade, eu sou a vida eterna. Ora, uma vez que eu sou consciência infinita e a lei, nada do mundo exterior pode agir sobre mim e se tornar uma lei para mim. Não há nada que nos possa infligir sofrimento, a não ser a aceitação da ilusão como realidade. As coisas chamadas pecado e a doença não são coisas pelas quais temos de sofrer: são formas assumidas pelo erro. Independentemente do nome que lhe dermos, elas são só hipnotismo, sugestões, ilusões se apresentando como pessoas, lugares ou coisas — se mostrando como pecado, doença, necessidade ou limitação.

Não devemos viver como se fôssemos "efeito", com alguma coisa operando sobre nós. Lembremos de viver como a Lei, como o Princípio do nosso ser. Podemos assumir os nossos negócios só na medida de nossa percepção consciente de que estes são efeitos de nossa própria consciência, a imagem e semelhança de nosso próprio ser, a manifestação ou expressão do nosso Eu divino — e só então seremos a lei que os governa.

Temos de começar nosso dia com uma reflexão sobre nossa verdadeira identidade. Temos de nos identificar como Espírito, como Princípio, como a Lei que atua em nossas coisas. É coisa muito necessária relembrar que não temos necessidades: somos consciência espiritual, individual, mas infinita, corporificando dentro de nós mesmos a infinitude do bem; por isso, somos o centro, o ponto da Consciência divina que pode alimentar cinco mil pessoas a cada dia, não usando nossa conta bancária, e sim a infinitude do bem que jorra através de nós, assim como o fazia através de Jesus.

Não vamos de encontro às pessoas pensando no que podemos delas obter ou no que elas possam fazer por nós — apenas vamos para a vida como para a presença de Deus.

Ao longo do dia, quer estejamos fazendo trabalho doméstico, dirigindo o carro, comprando ou vendendo, temos sempre de nos conscientizar que nós somos a lei do nosso universo, o que significa sermos a lei do amor para com todos que fazem contato conosco. Devemos lembrar conscientemente de que todos os que entram na esfera de nosso pensamento e atividade devem ser abençoados por este contato, pois nós somos a lei do amor; somos a luz do mundo. Lembremos de que não precisamos de coisa nenhuma, pois que somos a lei do suprimento em ação — podemos alimentar "cinco mil" daqueles que ainda não sabem de sua verdadeira identidade.

Existe a crença da separação entre nós e Deus — nosso bem — e nós a corrigimos quando reconhecemos que "Eu e o Pai somos um; tudo o que o Pai tem é meu; o lugar onde eu estou é solo sagrado". No reconhecimento da infinitude do nosso ser, percebemos as verdades da Bíblia, percebemos a verdade de suas promessas. Já não se trata de citações, mas de afirmações de fatos, e isto nos traz até a linha demarcatória entre "conhecer a verdade" e "não nos preocupar".

Percebemos agora a verdade como algo assentado em nossa própria consciência — a realidade do nosso ser. Não nos preocupamos em atrair algum bem; não estamos nos dando algum tratamento para que nos aconteça algo, mas percebemos a verdade, a realidade de nossa identidade, de nossa unidade com o Infinito, com nossas infinitas possibilidades. A razão para perceber e conhecermos esta verdade é que através dos tempos sempre nos reconhecemos apenas como homens — como algo diferente de ser divino — e a menos que, diária e conscientemente, lembremos da verdadeira natureza do nosso ser, recairemos sob a crença geral de que somos algo separado e longe de Deus.

Existe uma crença de que estamos separados das pessoas, que na realidade são parte de nosso ser como um todo; ou a idéia de que sejamos separados e distantes de certas idéias espirituais necessárias à nossa auto-realização, idéias que se apresentam como pessoas, textos, lar, amizades ou oportunidades. Esta crença de separação nós corrigimos com a percepção de que nossa unidade com Deus constitui nossa unidade com cada uma das idéias. Temos um bom exemplo com o telefone. Através do meu telefone eu posso fazer contato com qualquer outro telefone ou lugar do mundo, mas não posso falar nem ao meu vizinho pelo telefone sem que a ligação passe pela central. Se então eu estabelecer meu contato com a central, serei um com todos os telefones. Pelo conhecimento de nossa unidade com Deus, o Princípio infinito, o Amor, encontramos e manifestamos nossa unidade com todas as idéias necessárias à expansão de nossa "completeza".

Nunca esqueçamos de que não podemos viver cientificamente como homens ou como idéia, mas que devemos perceber que somos Vida, Verdade e Amor. Devemos aceitar a revelação de Jesus sobre o "Eu sou" até que se torne realizada em nós.

Paremos de tentar aplicar a Verdade: tal tentativa de aplicar a Verdade nada mais é que uma ação do pensamento humano. A Verdade é infinita e, por isso, não há nada a que possamos aplicá-la. Ela é a realidade do ser, e não há nada exterior ou interior sobre o que ela possa agir: a Verdade age e trabalha por si própria, ou seja, é auto-operante.

Estamos todos envolvidos em atividades que aparentemente fazem o suprimento vir até nós. Independentemente de se tratar de um negócio, uma profissão ou uma arte, o que está em atividade é Consciência. Vista desse modo, nossa atividade é amorosa e inteligentemente dirigida e amparada. E mesmo mais do que isso: como uma emanação da Consciência, é a Consciência em Si mesma manifestando individualmente o próprio ser, natureza e caráter. A direção está a Seu cargo, e só a Consciência é responsável. Aprendemos a não nos envolver e a deixar que Deus, a Consciência, assuma Suas responsabilidades.

Lemos na Bíblia sobre os esforços e atribulações de Elias. Se o acompanharmos pelo capítulo dezoito de I Reis, compreenderemos que apenas a consciência da presença de Deus, do Espírito dentro dele, poderia ter feito aquelas grandes coisas. Nenhum poder humano poderia tê-lo conseguido.

No capítulo dezenove encontramos o desânimo despontar naquilo que aparece como o fracasso do ministério de Elias. Na realidade, esta foi uma oportunidade dada a Elias para que comprovasse que o poder não era de um ser humano, mas que era de fato o poder de Deus se manifestando como em homem, Deus se mostrando como ser individual.
 
 

quinta-feira, outubro 24, 2013

O Suprimento - Parte I

Joel S. Goldsmith

 
O segredo do suprimento encontra-se no capítulo décimo segundo de Lucas:

E ele disse aos seus discípulos: "Portanto eu vos digo, não vos preocupeis com a vossa vida, com o que haveis de comer; nem com o vosso corpo, com o que o cobrireis. A vida é mais que o alimento, e o corpo é mais que a vestimenta.
 
Considerai os corvos: eles não semeiam nem colhem; eles não têm dispensa nem celeiro; e Deus os alimenta: quanto mais vaieis vós que as aves?
 
E qual de vocês, com toda solicitude, pode acrescentar um cúbito à sua estatura? E se, pois, não sois capazes de fazer estas pequenas coisas, por que vos preocupais com as outras?
 
Considerai os lírios, como eles crescem: eles não fiam nem tecem; e na verdade vos digo que nem Salomão, em toda sua glória, jamais se vestiu como um deles. E se Deus veste assim a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada ao forno, quanto mais vestirá a vós, homens de pouca fé? Não pergunteis pois o que haveis de comer, ou o que haveis de beber, nem andeis na dúvida. Pois todas as gentes das nações do mundo buscam estas coisas: e vosso Pai sabe que delas haveis mister. Buscai antes o reino de Deus, e todas estas coisas vos serão dadas de acréscimo.
 
Não temais, pequeno rebanho, pois é do agrado do vosso Pai dar-vos o reino.”

Surge agora a questão: Como é possível "não nos preocupar" com o dinheiro quando as prementes obrigações devem ser satisfeitas? Como podemos confiar em Deus se ano após ano tais problemas financeiros nos afligem, geralmente não por falha nossa? Vimos na passagem de Lucas que o modo de resolver nossas dificuldades está em não nos preocuparmos com o suprimento, quer seja dinheiro, alimento, roupa ou qualquer outra forma. E o motivo pelo qual não precisamos estar ansiosos quanto a isso é que "é do agrado do vosso Pai dar-vos o reino", uma vez que Ele "sabe que delas haveis mister".

Para podermos entrar completamente no espírito de confiança desta passagem inspirada das Escrituras, temos de compreender que dinheiro não é suprimento, e sim o resultado ou efeito do suprimento. Não existe tal coisa como suprimento de dinheiro, de roupas, de casa, de automóvel ou alimento. Tudo isso constitui o efeito do suprimento, e se este suprimento infinito não estivesse presente dentro de nós, nunca haveria as "coisas dadas de acréscimo" em nossa vida. As coisas de acréscimo, naturalmente, são estas coisas práticas como dinheiro, alimento e roupas, que são tão necessárias neste estágio da existência.

E se dinheiro não é suprimento, que é este então? Façamos uma pequena divagação e observemos uma laranjeira carregada de frutos. Sabemos que as laranjas não constituem o suprimento, pois quando estas tiverem sido comidas, vendidas ou dadas, uma nova safra começará a brotar. As laranjas se foram, mas o suprimento continua, pois dentro da laranjeira existe uma lei em operação. Chame-a de lei de Deus, ou lei da natureza — o nome não é tão importante, mas o que importa é o reconhecimento da lei que atua na, através e como laranjeira. E esta lei opera internamente — através das raízes vêm os elementos minerais, nutrientes, água, elementos do ar; e mais a luz solar, que são então transformados em seiva. Esta, por sua vez, caminha tronco acima, é distribuída pelos ramos e finalmente toma expressão como flor. A seu tempo, esta lei transforma as flores em bolotas verdes e estas se tornam laranjas maduras. As laranjas são pois o resultado, ou o efeito da ação da lei na, através e como laranjeira. Enquanto esta lei estiver presente, teremos laranjas. A laranja, por si, não pode produzir outra laranja. E assim compreendemos que a lei é o suprimento e as laranjas seus frutos, os resultados, os efeitos da lei.

Dentro de mim e de você há também uma lei em operação — a lei da Vida — e a conscientização da presença desta lei é o nosso suprimento. O dinheiro e as coisas necessárias à vida diária são os efeitos da conscientização da atividade da lei interior. Esta compreensão nos permite desligar o pensamento do mundo exterior para habitarmos na consciência da lei.

Que é esta lei, que é nosso suprimento? A Consciência divina ou universal, a sua consciência individual — isto é a lei. E ela é de fato a nossa consciência. Assim, nossa consciência se torna a lei do suprimento para nós, produzindo a sua imagem e semelhança na forma de coisas necessárias ao nosso bem-estar. E assim como não há limites para a nossa consciência, tampouco há limites para a percepção consciente da ação da lei e, por isso, não há limites para o nosso suprimento em todas as suas formas.

A Consciência divina ou universal, nossa consciência individual, é espiritual. A atividade desta lei interior é também espiritual e, por isso, nosso suprimento, em todas as suas formas, é espiritual, infinito, sempre presente. Aquilo que vemos como dinheiro, alimento, vestimenta, carros ou casas representa a nossa interpretação dessa idéia. Nossos conceitos são tão infinitos como nossa mente.

Convenhamos que, assim como não precisamos nos preocupar com as laranjas, enquanto tivermos a fonte ou suprimento que produz continuamente os frutos para nós, também não precisamos mais nos preocupar com o dinheiro. Aprendamos a olhar para o dinheiro como olhamos para as folhas ou para as laranjas, como um resultado natural e inevitável da lei que age interiormente. Não há, de fato, razão para nos preocuparmos, mesmo quando a árvore nos pareça desfolhada, enquanto mantivermos a consciência da verdade de que a lei continua assim operando internamente, para nos dar os frutos de sua própria espécie. Independentemente do estado de nossas finanças em dado momento, não fiquemos preocupados ou aborrecidos, pois agora sabemos que a lei atua dentro de nós, através e como nossa consciência e trabalha, quer estejamos dormindo ou despertos, para nos prover das coisas "de acréscimo".

Aprendamos a olhar para os lírios e a nos regozijar com a prova da presença do amor de Deus por Sua criação. Observemos as andorinhas, quão completamente confiam na lei.

Regozijemo-nos ao ver as flores na primavera e no verão, que nos confirmam a divina Presença. Assim como aprendemos a nos alegrar com as belezas e generosidade da natureza sem o desejo de nos apoderar de qualquer coisa, sem o medo de que seu suprimento não seja infinito, assim também aprendamos a nos alegrar com o desfrute de nosso suprimento infinito — resultado do infinito repositório em nosso interior — sem nenhum medo de que alguma carência venha a nos perturbar.

Gozemos dessas coisas do mundo exterior sem, contudo, considerá-las como suprimento. Nossa conscientização da presença e da atividade da lei é nossa consciência de suprimento, e as coisas exteriores são as formas sob as quais nossa consciência se expressa. O suprimento interno se manifesta como as coisas externas de que necessitamos.

 

terça-feira, outubro 22, 2013

Pratique a caridade todos os dias - 3/3

Masaharu Taniguchi
 
 
O conto que vou narrar a seguir é também extraído de um livro estrangeiro, e serve para corroborar essa lei da mente:

Era uma vez um senhor próspero. Certo dia, viu um homem sujo e maltrapilho pedindo esmola na rua. Ficou com muita pena e levou-o para sua casa. Deu-lhe de comer, forneceu-lhe roupa e estimulou-o dizendo:

- O homem foi feito para fazer coisas muito mais importantes do que ficar pedindo esmolas. Pelo que vejo, você é robusto e tem fisionomia inteligente. Pare de aviltar a si mesmo. Veja a si próprio como um ser superior. É realmente lastimável que uma pessoa como você viva pedindo esmola. Olhe, tome esse dinheiro. Empregue essa quantia como capital, e passe a viver como "gente".

Assim, o próspero cavalheiro deu ao mendigo uma quantia em dinheiro, acompanhada de palavras que louvam e enobrecem o homem.

Logo esse senhor esqueceu a caridade que praticou. Passado vários anos, ele fracassou num negócio e viu-se numa grande dificuldade financeira. Não dispunha nem mesmo de quinhentos dólares para fazer face à emergência. Ele procurou arranjar esse dinheiro, visitando vários conhecidos; mas, talvez porque seu empreendimento já tivesse perdido a credibilidade, ninguém quis emprestar-lhe essa quantia.

Foi então que recebeu a visita de um desconhecido, o qual foi logo dizendo que estava disposto a emprestar-lhe qualquer quantia que necessitasse.

O cavalheiro ficou muito surpreso. Por que esse desconhecido se oferecia para emprestar-lhe "qualquer quantia que precisasse", quando até mesmo as pessoas que ele considerava amigos se recusaram a emprestar-lhe apenas quinhentos dólares? Perplexo, fez essa pergunta ao desconhecido, e este, olhando-o fixamente, disse:

- O senhor não se lembra de mim? Eu era um mendigo há alguns anos. E certa noite, o senhor me salvou. O senhor recebeu-me em sua casa como a um irmão. Ensinou-me a respeitar a mim mesmo como ser humano. Até aquele dia, eu desprezava a mim mesmo, pensando que não valia coisa alguma, que só servia pra pedir esmolas. Mas a sua bondade e suas palavras de estímulo mudaram completamente o meu modo de pensar. Comecei a ter confiança em mim mesmo. A partir daquele momento, tudo começou a melhorar e finalmente alcancei êxito nos negócios. Devo meu sucesso atual ao senhor. De certo modo, pode-se dizer que, todos os meus bens pertencem ao senhor. Portanto, use o dinheiro que precisar.

Havia sinceridade no rosto do visitante. E assim, o empreendimento livrou-se da falência, graças ao surgimento desse inesperado salvador.

Caro leitor, não pense que não vale a pena praticar atos discretos de bondade. Saiba que isso equivale a acumular tesouros no Céu. Quem tem tesouros acumulados no Céu sempre terá quem o ajude, quando se encontrar em dificuldade.

Todavia, não pratique atos de bondade com a intenção de ser socorrido nos momento difíceis. Isso seria manter um modo de pensar negativista. Pensar que "talvez venha a passar por momentos difíceis" é "atrair momentos difíceis". Na hora de dar algo aos outros, dê-o apenas pela alegria de dar. Dê-o com a consciência de que você é a "Vida" que, quanto mais dá, mais cresce. Dê-o com a certeza de que nada se perde pelo fato de dar. Esse é o segredo do verdadeiro crescimento espiritual.

Quem é rico pode ajudar os outros dando dinheiro. Porém, ajudar os outros não é só dar dinheiro ou outros bens materiais. O "modo de viver da Seicho-no-Ie" é um modo de viver que pode ser adotado por toda e qualquer pessoa. Não se trata de um modo de viver estreito e preceituoso que impõe condições como: é preciso abandonar todos os bens; em se reformular o sistema; há necessidade de ser rico ou pobre; é obrigatório pertencer a uma determinada seita religiosa, etc., etc. O modo de viver da Seicho-no-Ie pode ser colocado em prática por todas as pessoas (tanto os ricos como os pobres) e em quaisquer circunstâncias, e proporciona alegrias cada vez maiores a quem o pratica.

Procure praticar sempre atos que proporcionem alegria às pessoas com quem tem contato. Se alguém estiver precisando de um lenço, ofereça o seu; se estiverem necessitando de um pedaço de barbante, arranje-lhe um; sevir alguém surpreendido pela chuva repentina, partilhe com ele o seu guarda-chuva; se encontrar alguém sofrendo, anime-o, dirigindo-lhe palavras enconrajadoras. Procure iluminar os corações de todas as pessoas com quem você tem contato. Para os que estão desiludidos, dirija palavras que lhes infundam esperança. Espalhe simpatia e bondade por onde for. Espelhe sempre sorriso de simpatia e expressão de bondade. Louve as qualidades dos outros com o coração alegre e sincero. Com isso você fará feliz não só o próximo, mas também a si próprio.

Não aponte os pontos fracos dos outros, nem procure seus defeitos. Não revele o segredo que eles querem manter. Não dirija palavras sarcásticas ou irônicas. Não critique duramente. Não diga palavras que possam desesperar os que sofrem. Não mostre fisionomia sombria. Não veja os outros com desconfiança. Não rejeite nem despreze os outros. Tudo isto constitui o "modo de viver da Seicho-no-Ie" que qualquer pessoa pode colocar em prática.

Existem muitas pessoas que tem fome de alimento, mas maior é o número de pessoas que tem fome de "amor e bondade". No presídio, os presos têm o que comer. Mas, mesmo sabendo disso, as pessoas não querem ir para lá, porque no presídio elas não encontram "amor e bondade". Nos lares abastados, jamais falta o que comer. Não obstante, ocorrem suicídios de esposas ou filhos de milionários. Isto é provocado pela "fome" de amor e bondade. Quando essa carência é muito grande, o ser humano se sente tão desesperadamente só, a ponto de não suportar mais continuar vivendo neste mundo. Para quem se encontra nesse estado, o dinheiro e sua existência comparados com o amor e a bondade, valem tanto quanto uma telha furada.

Vamos aniquilar as tristezas da humanidade, oferecendo-lhe todo o nosso amor e bondade, e assim façamos com que se manifeste aqui mesmo na face da Terra o Mundo da Luz! Eis o nosso objetivo.

Quem estiver de acordo com este objetivo, una-se a nós e venha ajudar-nos a difundir o "Movimento de Iluminação da Humanidade" da Seicho-no-Ie. A união faz a força: se uma pessoa reunir dez simpatizantes e divulgar-lhes o modo de viver baseado na prática da bondade, essas pessoas, adotando esse modo de viver, divulgá-lo-ão cada uma a dez ou mais pessoas, e assim, multiplicaremos cada vez mais o número de adeptos do "modo de viver baseado na prática da bondade". Então, desaparecerão, pouco a pouco, as pessoas que falam mal dos outros, as fisionomias sombrias e amargas, as insinuações maldosas, as práticas de maldade, etc. Que alegria nos proporciona aguardar o dia em que isso se concretizará!
 

(Do livro "A Verdade da Vida, vol.7" - pp. 95 à 100)
 

segunda-feira, outubro 21, 2013

Pratique a caridade todos os dias - 2/3

Masaharu Taniguchi
 

Mesmo em relação aos empreendimentos, são poucos os que alcançam êxito brilhante, realmente digno de um Filho de Deus. Isto porque a maioria das pessoas pensa que sua própria capacidade é limitada. Elas ainda não tomaram consciência da sua Vida que pode crescer infinitamente quanto mais se dedicarem aos outros. Nós precisamos aprender que somos capazes de nos dedicar muito mais ainda aos outros, com o coração generoso.

Dê mais bondade a seus semelhantes.
Dê-lhes mais palavras de louvor,
dê-lhes muito mais de sua própria Vida.

Aquele que muito dá, muito poderá colher. Essa colheita vem do Céu. Quando o "dar" é frequente, amplia-se a via por meio da qual chegam as dádivas do Céu. Pessoas que não obtêm ajuda nos momentos difíceis são pessoas que não ajudaram verdadeiramente os outros.

Certa vez, li num livro estrangeiro, o seguinte conto:

Um homem maltrapilho bateu à porta dos fundos de uma residência e pediu à dona da casa que lhes desse um par de sapatos velhos, pois o que ele estava usando já estavam completamente rotos. A mulher entrou, e voltou com um par de sapatos ainda novos, que estendeu ao pobre homem, dizendo:

- Fique com estes sapatos.

O homem, um tanto supreso, disse:

- Oh! Mas esses sapatos ainda estão novos. São bons demais pra mim. Eu me satisfaria com um par velho...

- Ora, não faça cerimônia - disse a senhora, desinteressadamente - Leve esses sapatos. Se acontecer de você passar por aqui num dia de neve, poderá fazer o favor de limpar a neve da calçada para facilitar o trânsito dos pedestres. Isso seria, para mim, a melhor retribuição.

O homem aceitou os sapatos, agradeceu várias vezes e foi embora. Passados alguns dias, a mulher foi acordada pelo ruído de alguém limpando a neve da calçada. Olhou pela janela e viu que havia nevado bastante durante a noite. "Mas quem será que está limpando a neve, tão cedo?" - pensou ela, e foi verificar. Era aquele homem a quem ela dera um par de sapatos novos. Lá estava ele trabalhando diligentemente, limpando a neve com uma pá. Como que sentindo o olhar da dona da casa, o homem virou-se para a janela e, vendo-a, tirou o chapéu e cumprimentou-a, parecendo querer agradecer novamente pelo donativo de outro dia. Depois, recomeçou a trabalhar. A senhora pensou: "Vou agradecer-lhe e convidá-lo para tomar a refeição matinal". Arrumou-se rapidamente e saiu. Mas o homem já tinha ido embora, e a neve da calçada havia sido totalmente removida. E durante todo aquele ano, o homem apareceu para limpar aquela calçada, sempre que nevava bastante.

Não é falsa a afirmação da Seicho-no-Ie de que, mesmo as mais pobres e maltrapilhas pessoas, passam a exteriorizar a sua Natureza Divina quando as tratamos com bondade. No conto narrado, podemos perceber a Natureza Divina brilhando na imagem do andarilho que, surgindo de manhã bem cedo, sem ser notado por ninguém, trabalhou diligentemente na remoção da neve da calçada. Não terá sido esse homem a pessoa que mais feliz se sentiu naquela manhã? Ele, que às escondidas limpou a neve da calçada para retribuir a bondade daquela senhora? A alegria de dar é contagiante. A pessoa que recebeu, tornou-se, por sua vez, conhecedora da alegria de dar. Nós, da Seicho-no-Ie, acreditamos que, "contagiando" as pessoas mais e mais com a alegria de dar, este mundo se tornará iluminado e alcançará a paz e a felicidade, sem que haja revoluções sangrentas. Nós acreditamos na Natureza Divina que existe no homem, acreditamos na bondade que existe dentro de cada ser humano. Todavia, a Natureza Divina existente no homem não pode ser exteriorizada através da coação, e sim através da reverência, da bondade, do respeito e do amor para com ele. O amor atrai o amor, e o ódio atrai o ódio -- essa é a lei da mente.
 
Continua...

(Do livro "A Verdade da Vida, vol. 7" -- págs. 93 à 95)