"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

sexta-feira, março 06, 2020

O Universo da Verdade se move como Você!

- Dárcio Dezolt -


Apesar das “aparências”, o que de fato está acontecendo, é unicamente de o Universo da Verdade estar Se movendo como VOCÊ, ou seja, como a SUA Consciência iluminada! Não há “aparências” se manifestando em lugar algum! Se houvesse, não seriam “aparências”. Falsidades jamais se manifestam!

Atente para “si mesmo”, e então, perceba o Infinito Se expressando livre e espontaneamente! O Universo infinito é a Consciência Onipresente sendo! Já está “acontecendo”, e de forma perfeita e permanente! “Não ter outro ao lado de Mim”, é simplesmente não aceitar a dualidade! Quem conhece as obras de Joel S. Goldsmith deve ter se cansado de tanto ler que a ilusão é a “crença em dois poderes”. E esta crença falsa está retratada na Bíblia como “a árvore do conhecimento do bem e do mal”, produtora do “fruto proibido”. Observe-se como UNIDADE! Observe-se como Consciência ÚNICA! Dê testemunho do Universo da Verdade Se movendo como VOCÊ!

“Contemplar a Verdade” equivale a “passar a rasteira” na “mentira”, que, indo ao chão, ainda tem a pretensão de “aparentar” ter algo relacionado conosco! Jamais diga que “meditou e as coisas pioraram”; você medita para VER O QUE DEUS VÊ! 

Não tenha “olhos para aparências”, principalmente após meditar e expulsar de aceitação a existência de “algo além de Mim” – seu Eu eterno único, perfeito, absoluto e onipresente! Não lute com os “quadros ilusórios”, encare-os como “miragens” que se esvaem!  Dê “adeus” a elas! Nunca existiram! Não existem agora, e jamais existirão! Eram “miragens”. “Naquele dia conhecereis, eu estou no Pai, vós em mim, e eu em vós”, disse Jesus, sobre o AGORA da Eternidade! O que é Realidade é o Universo da Verdade Se movendo como VOCÊ! Nada mais!

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terça-feira, março 03, 2020

Acredite e confie no que a Palavra de Deus diz sobre você

Sempre que Deus tem algo a dizer, o que Ele diz? Quando Deus olha para alguém de nós, ou para alguma situação específica de nossa vida, o que Ele vê? O que Ele diz? Ele vê sofrimento, miséria ou doença? Ele diz que estamos tristes, pobres ou doentes? Qual é a Palavra que Deus profere acerca de mim e de você? Se conhecermos verdadeiramente a natureza de Deus, saberemos também o que Deus tem a dizer sobre tudo/todos onde pousa o Seu olhar. "E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que achou tudo muito bom" (Gênesis 1: 31). A nossa vida deve ser procurar somente aquilo que Deus diz acerca de cada um de nós. 

 
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"Deus é Amor perfeito. Deus não cria nada que é mal. O mundo de Deus é perfeito e harmonioso. Quando Deus observa o mundo, nele jamais vê o mal. O mundo que Deus vê é extremamente belo e bom, mas é impuro o mundo visto pelo homem carnal. Se alguém acha que existem pessoas que sofrem, não significa que Deus não as salvou. Isso nada mais é que reflexo do pensamento desse alguém que acha que as pessoas sofrem. O homem pode enxergar uma sociedade imperfeita, mas a sociedade vista pelos olhos amorosos de Deus já é perfeita. Isto porque Deus é perfeito e é o todo de tudo. O Amor dEle é completo."   (Masaharu Taniguchi)


"O Amor de Deus flui livremente para o justo e o injusto, para o merecedor e o indigno, para o santo e o pecador, igualmente. O Amor de Deus entra neste universo dando vida à semente, força às plantas em crescimento e proteção à vida animal, vegetal e mineral.O Amor de Deus é a influência que anima e dá suporte a toda a criação, porque toda a criação é Amor, ela mesma fluindo livremente. Tudo o que é, está em Deus e é de Deus. Não há exceções. Não deve haver rótulos de crítica, de julgamento ou condenação. Acima de tudo, devemos não julgar pelo testemunho dos olhos ou dos ouvidos. Deus é puro demais para ver iniquidade, e quando reconhecemos nossa verdadeira identidade como Deus em expressão, nós devemos ver como Deus vê. Enquanto nós observamos a nós mesmos como dotados espiritualmente, tornamo-nos contempladores de Deus aparecendo em tudo e através de todos. Mas nós só podemos fazer isso quando abandonamos esses julgamentos que chegam até nós pela visão do olho e a audição do ouvido. Sua compreensão infinita torna-se a nossa compreensão. Seu Amor infinito torna-se o nosso amor. As bênçãos de Deus não são nossas porque você é você ou eu sou eu, mas são as bênçãos de Deus para Deus, as bênçãos de Deus fluindo para o seu próprio Eu como o Filho, o Pai dando tudo o que é seu ao Filho. É o Pai dando e o Filho recebendo, mas eles são Um, apenas Um, Pai e Filho. Na Unidade, na União Consciente com Deus está a nossa força; na União Consciente com Deus está o nosso sustento; na União Consciente com Deus está a nossa paz, alegria, poder, domínio e toda nossa bênção."   (Joel Goldsmith)


quinta-feira, fevereiro 27, 2020

A Consciência da Divindade

É vontade de Deus que sejamos participantes da natureza divina. Deus já nos concedeu a Sua divindade, para sermos Aquilo que Ele É, para termos aquilo que Ele tem. O Amor de Deus vai ao ponto de compartilhar universalmente todo o Seu Ser. Eis a origem da nossa divindade: quando aceitamos e verdadeiramente recebemos a Cristo (o Filho de Deus) como o Senhor do nosso ser - como a Vida, a Lei e a Verdade do nosso ser - recebemos de Cristo a natureza divina para dela sermos participantes. A palavra de Deus se refere a isso como "nascer de novo": tornamo-nos conscientes de que nossas vidas são regidas pelas mesmas leis que regem a natureza de Deus.



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quinta-feira, fevereiro 20, 2020

Cristo vive em Ti

Porque Cristo vive em nós, somos abençoados como Deus abençoa o próprio Filho de Deus. A nossa realidade está estabelecida em Deus. E tudo quanto Deus tem, também temos por herança divina. Aqui e Agora. Por isso não existe sofrimento, pobreza, doença ou morte para nós. Essa Verdade é vista/experienciada por aquele que se torna desperto para a consciência de que Cristo vive em nós. Para quem vive desperto em Deus, Cristo é a única Realidade presente.
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quarta-feira, fevereiro 19, 2020

Somos Participantes da Natureza Divina

Reverências!
Quem ainda não conhece este Apóstolo de Cristo, eu apenas digo: conheçam!
Mensagem de Jesus Cristo pregada de maneira simples e no mais alto nível! 
Verdadeira, profunda, tocante e poderosa! 
Como um ensinamento espiritual realmente deve ser.
Ele tem a Consciência / Iluminação de um Avatar.
E realiza, nos dias de hoje, as mesmas obras que os discípulos de Jesus faziam na época quando Ele estava na Terra.
A partir de hoje, esse Apóstolo (Onório Cutane) é adotado como um dos mestres iluminados deste blog.
Namastê!


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sexta-feira, fevereiro 14, 2020

Somente o Mundo de Deus é existência verdadeira!

Esta é uma das melhores palestras que já ouvi sobre o que é o Ensinamento da Seicho-No-Ie.
Compartilho com vocês, caros leitores.
E se gostarem do conteúdo, indico a vocês assistirem a outros vídeos deste preletor da Seicho-No-Ie - que é um dos melhores do Brasil, tenho certeza.
Parabéns ao Preletor João Ricardo!

Reverências a cada um de Vocês (Jissô)!


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segunda-feira, fevereiro 10, 2020

Cristicidade

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- Joel S. Goldsmith -


Examinando a história do povo hebreu, desde seus inícios, tal como é reatada na Bíblia, destacamos um tema central: a revelação do Cristo. Todos os profetas hebreus, maiores e menores, conforme sua medida, demonstraram a onipresença do bem em meio à escuridão, desespero, carência, limitação, miséria e perigo, protegeram seu povo contra poderes físicos que lhe eram superiores; venceram dificuldades, a fim de que o povo pudesse receber, dentro de seu entendimento, educação e independência política.

Ainda que nenhum ponto da literatura hebraica (com a qual estou familiarizado) pareça reconhecer que na atuação de cada um desses profetas se revelava a atividade e presença do Cristo, isto é claríssimo. Todas as grandes demonstrações de suprimento, de proteção, de harmonia, que vemos nos livros do Antigo Testamento, não foram passes de mágica que fazem surgir algo do nada. Não! Eram reais demonstrações da presença do Cristo, sempre que a circunstância ou uma condição adversa o exigiam.


O PODER DE DEUS INDIVIDUALIZADO 

Ressaltemos bem, não se trata do poder de um Deus manifestado de fora, mas de um divino poder que um indivíduo pode demonstrar. A demonstração individual do poder divino é uma evidência tangível da atividade do Cristo na consciência humana. Deus é UM, e Deus é Poder. A demonstração individual desse poder é o Cristo manifestado, o Verbo feito carne. Com esta compreensão, ao ler os registros dos vários profetas hebreus, notamos que eles estavam conscientes da onipresença do poder de Deus neles mesmos. Sabiam que estavam demonstrando individualmente, dentro de sua medida, esse poder.

O Novo Testamento é a continuação da história do povo hebreu, porém agora dirigido a um povo de mais alta dimensão de vida. Através um de seus rabinos – Jesus, o Cristo – foi ensinada uma nova forma de vida que não havia sido revelada nas Escrituras hebraicas. Por isso, fez-se necessária uma nova escritura, um Novo Testamento, para legar às gerações futuras uma mais alta revelação do poder de Deus individualizado na consciência humana.

Deste modo, surgiu uma segunda revelação. Deus não é um poder acima dos outros poderes. Algo muito grande a pairar sobre alguém. Deus não guerreia as nações vizinhas. Agora começamos a compreender que esses poderes que o grande Deus Jeová combatia não eram poderes reais, senão algo que o povo aceitava como poder. Deus não é algo que vai destruir poderes inimigos ou proteger-nos de forças adversárias. O Novo Testamento revela que eles não são poderes inimigos.

Em o Novo testamento fala-se pouco do poder de um Deus fora de nós. A ênfase, agora, é posta sobre o poder de Deus demonstrado pelo homem Jesus ou através de João, o discípulo bem-amado e, posteriormente, por meio de Paulo. Ali aprendemos que Deus é uno mas também nos é ensinado que este Deus uno está dentro de nós: Seu reino e reinado estão igualmente em nosso íntimo.

Antes de Jesus, de vez em quando se fala de um Deus poderoso no homem, mas o ensinamento mosaico não considerou Deus como poder individualizado, tal como o Cristo ensina em o Novo testamento, onde é claramente revelado que “o Reino de Deus está dentro de nós”. No Novo Testamento Deus desce à filiação individual, à Cristicidade: a totalidade do Pai manifestando-Se como o Filho, na consciência individual. É o mesmo poder, mas agora dentro de cada um de nós.

Isso nos traz ao tema central da Cristicidade, que significa Deus manifestado no indivíduo. Toda demonstração do Deus-poder é uma revelação do Cristo, porque é Consciência individualizada, manifestando a Presença, o Poder e Ação de Deus. Se isso não fosse verdade, restar-nos-ia um Deus meramente transcendente, sentado lá em cima, enquanto nós ficaríamos cá em baixo, sentados, esperando que Seu Poder se exercesse sobre nós.

A atividade de Deus é exercida dentro da consciência individual. Homens tais como Abraão, Jacó, Moisés, Josué, Elias, Eliseu, Isaías, Jesus, João e Paulo (para não alongar a citação), manifestaram esse Poder para que o mundo visse como Deus-Poder é individualmente expresso. Isto esclarece o depoimento bíblico de que o Pai e o Filho são Um. Deus é o infinito Ser universal e a Cristicidade é a demonstração da Deidade. Sem a demonstração de Deus na experiência individual, atuando em tudo que nos concerne, não haveria a imanência tantas vezes testemunhada pelos iluminados.


A ATIVIDADE DA VERDADE NA CONSCIÊNCIA INDIVIDUAL REVELA O CRISTO

A atividade do Cristo é possível a você e a mim, na medida em que podemos captá-la e vivenciá-la, mas só é proveitosa àquele que, no mundo, está decidido a devotar tempo, esforço, pensamento e dinheiro a esta Meta. São necessários todos estes requisitos. Exige-se a consagração, porque a Consciência Crística não é apenas uma conquista de conhecimento, senão o desabrochar de um estado de consciência.

A compreensão da Verdade é a única base para o desenvolvimento dessa consciência. Embora fosse possível reduzir esse ensinamento a mais ou menos doze princípios, o mero conhecimento deles nada resolveria, porque também conhecemos outras setenta e cinco coisas que absorvemos da vida e às quais damos crédito, concedendo-lhes poder de influenciar-nos. Por isso é necessário um período de autodisciplina e treinamento, para chegar ao ponto em que não apenas conheçamos tais princípios reais, senão que também rejeitemos os falsos. Temos de alijar de nossa consciência todas as crenças e superstições relacionadas com poderes físicos e mentais. É preciso superá-los para chegar-se a este alto nível de consciência. Ainda que seja verdade que o poder de Deus seja manifestado como consciência individual – como o Filho – também é certo que, para manifestar-se, é preciso que Ele seja primeiramente concebido em nossa consciência.

Esta revelação do Cristo, o Filho e o Pai feitos UM, foi dada a todos os povos, através do mundo inteiro. Com a propagação da doutrina cristã a todas as terras e raças, o mundo deverá chegar a um ponto em que a revelação do Cristo não mais se confinará a nenhuma denominação ou seita. Ela não mais será rotulada e nem apresentará qualquer sentido sectário, admitindo, pois, todas as pessoas que aceitem a ideia da integralidade, ou seja, Deus expresso individualmente em cada indivíduo.

O que conta é a aceitação do poder espiritual na consciência individual. E essa consciência é o Cristo. E o que é esse poder espiritual? Será um poder acima de outros poderes? Não: é o reconhecimento de um só poder! A menos que reconheçamos Deus como Poder único, estaremos continuamente combatendo germes, aqui, carência e resfriados, ali. O ser impregnado da Cristo-Consciência não se debate nas lutas com o mundo. Simplesmente deixa que a Luz nele brilhe, de tal modo que, aquele que a perceber e se aproximar e pedir um pouco dela, irá recebê-la.

A Bíblia é uma revelação do Cristo; uma revelação da natureza infinita de Deus. Individualmente demonstrada. Essa demonstração individual depende apenas de ativar-se a verdade na consciência individual, para que ela, latente que era, se torne dinâmica e possa expressar-se em nossa experiência. Então compreendemos que Deus não está sentado lá em cima, no céu, e o homem aqui em baixo, esperando que mande paz à Terra. A paz na Terra advirá como consequência da atividade da verdade e do amor na consciência. Começa na consciência de um indivíduo que a espalha num grupo de pessoas. Esse grupo a espalha a uma comunidade e esta, por sua vez, a espalha ao mundo.

Quando as pessoas superam as desinteligências nas relações humanas (não só porque acham os outros bons ou incapazes de prejudicar os demais, mas porque compreendem e aceitam-lhes a parte humana, realizando também que o Cristo é o verdadeiro ser individual), a paz é estabelecida. Sim, só quando os indivíduos, em escala mais ampla, começam a reconhecer Deus como a Fonte de todos os seres, é que podem estabelecer a paz em sua consciência. Então poderão exteriorizá-la, tornando-a realidade numa sala cheia de pessoas. Deste modo, em progressão geométrica, esta paz se espalhará, para que o mundo inteiro a expresse.


A DEMONSTRAÇÃO DA CRISTICIDADE

Quando a totalidade de Deus se faz evidente, tangível e visível como Ser individual, o Pai continua sendo Ele mesmo, pois pode ser imanente e transcendente ao mesmo tempo. “Eu e o Pai somos um”, “Aquele que vê a Mim, vê ao Pai que me enviou… mas o Pai é maior que eu”. A plenitude do Pai revela-se como a consciência do Filho. Assim, a consciência do Filho é tão eterna e imortal quanto a do Pai. Em nenhuma outra fonte encontramos essa revelação, exceto na doutrina da Cristicidade: a plenitude do Pai, tornada manifesta como Filho. Todo o Poder do Pai, manifestado como Deus dando ao Filho o Seu domínio. Não que Deus legue ao Filho o Seu Poder, senão que Ele é domínio expresso como Filho, pois o Pai e o Filho são Um.

Assim nós, como seres individuais, achamos nossa plenitude em Deus. Somente quando encontramos a harmonia do ser, a cura, a prosperidade, EM DEUS, reconhecendo-as como a harmonia, a saúde, a abundância de Deus expressas em nós, é que encontramos realmente nossa própria harmonia, saúde, prosperidade como dons imortais, eternos e infinitos.

A demonstração de cura ou de suprimento não é propriamente o vigor físico ou capacidade humana de ganhar dinheiro. A real demonstração, em qualquer área, é de Cristicidade: a atividade do Cristo, por nós testemunhada. Quando Moisés suscitou uma coluna de fumo durante o dia, e uma coluna de fogo durante a noite, para guiar seu povo; quando fez brotar água da rocha; quando abriu o Mar Vermelho; ou quando fez cair maná do céu – não se limitou a suprimento e proteção, senão que demonstrou Cristicidade, que atende perfeitamente a tudo.

Hoje, a todo momento abrir-nos à cura de um resfriado, de uma dor de cabeça, indigestão, consunção ou câncer, mas, por favor, não nos esqueçamos de que estes vislumbres serão demonstrações da Cristicidade. Isto ocorre cada vez que identificamos o Cristo em nossos pacientes e estudantes. Se eles são responsivos, demonstram o poder e a presença de Deus como consciência individual – o Reino de Deus na Terra.

Toda demonstração do poder sanador e redentor de Deus é evidência de que o Pai é o Filho: a glória do Pai manifestada como imortalidade, saúde, harmonia, plenitude e integralidade do Filho. Tal é a demonstração da Cristicidade.


AS ASAS DO ALTÍSSIMO COBRI-LO-ÃO

O místico, no pináculo de sua iluminação espiritual, transpõe o visível e contempla a Presença ou o Poder oculto em ação. Com essa compreensão mais profunda de cada pessoa e objeto visível, ele pode testemunhar a Atividade do Espírito aparecendo como forma. Toda pessoa que alcança a comunhão consciente com Deus é agraciada com vislumbres do Infinito Invisível, que está continuamente produzindo e renovando o universo externo.

Algo parecido ocorre na experiência de um praticista de cura espiritual: num certo ponto do tratamento ou meditação, a atividade mental cessa e ele alcança um lampejo do homem real, aquela invisível parte de si mesmo, chamada Filho de Deus, que é o Cristo do ser individual. Cada um de nós tem uma invisível Seidade da qual da qual nosso aspecto visível é uma simples forma externa. Isto você pode provar por si mesmo, fechando os olhos e realizando que o Ser real, o você verdadeiro, está por trás de seus olhos, mas não é visível à consciência humana, quando você se olha no espelho. Aquilo que você vê não é você mesmo, senão a forma externa do Eu real, que é invisível, eterno e imortal, porque é a Presença de Deus em você. Quando tem este vislumbre, como Moisés no monte, você está pisando um solo santo, onde quer que você esteja, e terá outra visão, porque a real Presença de Deus estará olhando o mundo através de seus olhos.

Com meu intelecto não posso ver você e nem posso conhecê-lo pelo processo mental. Nem mesmo sua mãe, marido, esposa ou irmão pode conhecê-lo(a) realmente, porque seu Eu real é desconhecido a qualquer um deste mundo, exceto a você mesmo, quando iluminado; exceto pelas almas iluminadas pela consciente união com Deus, ou ainda daqueles praticistas espiritualmente esclarecidos que atingiram nível suficiente de iluminação para perceber sua essência espiritual.

Esta é a visão que resulta em cura ou solução de qualquer problema. Quando o praticista vislumbra, ainda que momentaneamente, o Cristo em você, Aquele que lhe transcende o sentido físico e mental do ser, naquele instante ocorre a Imaculada Concepção. Então o praticista concebe sua identidade espiritual. E esta verdadeira identidade faz depois sua demonstração espiritual, manifestando-se visivelmente.

“E o anjo, respondendo-lhe, disse: “O Espírito Santo te cobrirá com Suas asas, pois aquele santo Algo que nascerá de ti, será chamado Filho de Deus”.

Esta experiência ocorre a todo praticista espiritual dedicado. Quando ele está meditando, o Espírito Santo desce sobre ele; o poder do Altíssimo o cobre com Suas asas e então, naquela fração de segundo de concepção, o Cristo lhe é revelado: o Filho de Deus nasce nele.

Esta experiência não remove os efeitos da doença ou privação, para devolver-lhe a saúde e a abundância. Ela sana sua condição humana e restaura sua identidade espiritual. O praticista mental meramente transforma uma crença em doença numa crença em saúde, mas o praticista espiritual, que experiencia a unidade com Deus, vive somente para um propósito: para que o Espírito Santo desça e permaneça com ele, cobrindo-o com Suas asas.

Sempre que ele alcança esse estado, acontece a Imaculada Concepção: o Cristo é nele concebido – sendo depois formado, com a continuação do esforço, até que nasça nele. Mas só pode nascer quando morre a ilusão do erro de sua parte humana e a sua Seidade espiritual faça Sua demonstração tangível em sua experiência.


A DESCIDA DO ESPÍRITO SANTO

A descida do Espírito Santo, com essa experiência (de o Poder do Altíssimo cobri-lo com Suas Asas), ocorre somente quando você conquista alguma medida da realização de Deus como um único poder; quando tenha renunciado a todas as tentativas de lutar contra o erro, ou de usar a Verdade para vencer o mal; quando você cessar de resistir e de lutar, sabendo que “a batalha não é sua, mas de Deus” (“não por força nem por poder, mas pelo Espírito”). Quando você descansa nesta certeza e sabe que não é preciso combater nenhuma condição ou pessoa; que não adianta força física nem poder mental, porque tudo vem do Espírito (o Pai em você), então você repousa armas contra as chamadas forças e poderes deste mundo. Aí é que você chega à consciência da verdade de que só há um Poder: Deus. Então você sente a descida do Espírito Santo e o Poder do Altíssimo a cobri-lo com Suas asas. Só nessa condição é que sua consciência pode emanar, de você e através de você, a todos aqueles com quem você entra em contato, a força que lhe vem do Alto e de dentro.

No momento da concepção e do nascimento do Cristo em seu íntimo, você deixa de viver na parte humana para viver na Alma. A mente retoma sua própria função como instrumento dócil e fiel e seu corpo será utilizado como veículo de expressão e atividade do Cristo. Quando você realizar essa transição conscientemente, não perderá nunca mais seu corpo: mesmo que deixe esse plano, levará seu corpo com você. Entretanto ele continuamente surgirá para aperfeiçoar-se, de acordo com o seu conceito gradualmente mais perfeito do corpo. Você nunca mais deixará de ter um corpo e nem será privado da mente, senão que, agora, ambos, corpo e mente, tornar-se-ão veículos de expressão da Alma, pois esta se comunicará à parte humana através da mente, para que o corpo execute as funções do Ser. Cada fase de sua vida será, então, vivida diretamente pelo Espírito, que emanará do fundo de você.

Esta é a significação da Imaculada Concepção – a concepção do Cristo em sua consciência. Mas, repito, esse nascimento só ocorre numa vida transformada. Ele nasce em sua experiência pessoal quando você transcende o viver mental para um viver através da Alma. Então, você não é mais um ser humano. Você é um Cristo de Deus!

terça-feira, fevereiro 04, 2020

"O lugar onde estás é solo sagrado" (Núcleo)


"Retira dos teus pés as tuas sandálias, pois o lugar em que estás é solo santo."

(Êxodo 3:5)

"Estar no mundo e não ser do mundo": Esse é o ponto! É a percepção que se deve ter; é o que dever ser "percebido": Estamos no mundo, mas, deste mundo não somos, porque quanto ao "Eu" que realmente somos, "Meu" reino não é deste mundo. Isso é estar com a percepção de que não somos o corpo e nem a mente, ou seja, não somos a "persona", a máscara, o personagem, (a pessoa que estamos sendo), somos o Ser. A Consciência está no Ser, em nossa identidade real; a mente está no personagem. Quando nos colocamos como "observadores", ou seja, quando colocamos o foco de nossa percepção na Consciência, o mundo é claramente visto como um teatro divino onde os "divinos personagens" tem existência e atuação. A maior parte destes personagens "percebe" o mundo apenas com suas mentes, ou seja, estão "inconscientes do Ser" e assim se sentem separados do Todo; não percebem o que realmente são, não percebem sua "unidade com o Ser", sua conexão com a Fonte. O texto do Goldsmith revela o que deve ser feito para que essa "conexão com a Fonte" seja reestabelecida: Sentar-se em silêncio, aquietar-se!

Segue-se um comentário (feito entre parênteses, escrito com fonte de cor preta) sobre a carta de Goldsmith com a ênfase nos pontos sobre a mensagem que ela contém, que em síntese é a mesma verdade que temos ressaltado no Núcleo.

Eis o trecho da carta de Joel S. Goldsmith, considerado o místico do século, ao seu filho Sammy, quando este se ausentou do lar, do Hawai, para cursar a universidade na América.

Ofereço-te aqui, Sammy, uma lição importante, não só para um dia, mas suficiente para toda tua existência, se a praticares fielmente ainda que não recebesses nenhuma outra de mim ou de qualquer instrutor espiritual. Se a gravares no íntimo, ainda que ficasses só num deserto ou num barquinho, no meio do oceano, sem qualquer pessoa ou livro por perto, poderias sobreviver, encontrando salvação e segurança, alimento e vestuário, paz e tudo o mais que te fosse necessário. Quero revelar-te o segredo de minha felicidade, alegria, êxito, prosperidade e capacidade de servir a crianças e adultos ao redor do mundo inteiro, como sabes.

(Goldsmith revela "o segredo")

Desejo que conheças este segredo, para que possas agir como eu. Em primeiro lugar, quando defrontares algum problema, seja de saúde, estudos, desentendimentos com os colegas ou mestres, retira-te a um lugar tranquilo, senta-te com os pés no chão e mãos descansando nas coxas, fecha os olhos e lembra-te de que Deus está mais perto do que tua respiração: mais próximo do que teus pés e mãos. Ele está exatamente onde estiveres. Aquieta-te por um momento e Deus resolverá teu problema. Pode parecer estranho que não tenhas, pelo menos mentalmente, de expor teu caso a Deus, de não pedir-Lhe nada e nem fazeres qualquer afirmação.

No entanto, basta fechar os olhos, aquietar-te por um momento e saber que Deus está bem perto de ti: no centro de teu ser.

(A carta poderia terminar aqui! Pois "o segredo" é que Deus está no centro do teu ser, ou seja, está no "Núcleo". O Núcleo não é um lugar, mas uma dimensão, na qual devemos posicionar, quero dizer, "focar" nossa percepção, na Consciência do Ser, que realmente somos. Essa é a razão do nosso slogam: "Vá para o Núcleo" ou: "Esteja no Núcleo".)

Depois, sem ansiedade ou pressa, espera alguns minutos. O Espírito, Ele mesmo, se incumbirá de tudo. Se for um problema ou fórmula que não entendes, Ele te esclarecerá como sucedeu uma vez aqui em casa, em que pediste ajuda em matemática: sentamo-nos e meditamos e quando voltaste ao livro, encontraste a resposta plena, como se a tivessem escrito ali para ti.

(É sempre o "Eu oceânico" quem realiza as obras, não o "eu personal". Jesus disse: “eu de mim mesmo nada posso fazer, o Pai em mim é Quem realiza as obras.”)

Sempre que tiveres alguma dificuldade, para o que estavas fazendo e conscientiza Deus exatamente ali onde Ele está, em teu íntimo. Espera alguns minutos e verás que Ele é a Inteligência de teu ser e sabe porque O estás procurando. Não receies: de bom grado Ele sempre te responderá, se estiveres "ligado". Se Lhe perderes a sintonia, não poderás receber ajuda. Isto é compreensível. Digamos que estivesses aqui perto de mim, recebendo instrução espiritual. Se te distraísses, pensando em outra coisa ou saísses a passear, como poderia receber a lição que eu tinha a oferecer-te gostosamente? Como pai humano, bem gostaria de oferecer-te cada segredo espiritual que possuo, como dou dinheiro quando dele necessitas. Mas não lhos poderei dar, se não estiveres receptivo e atento.

(Essa é a razão pela qual o meu personagem humano mantém nossas reuniões do Núcleo centradas na percepção que deve ser ativada. De que adiantaria uma reunião para compartilharmos as coisas da mente dos personagens? Seria apenas uma reunião social, enquanto sabemos que pode ser "mais que isso" quando ativamos a percepção consciencial)

A mesma coisa se dá em nossa relação com Deus: temos que dar-Lhe plena atenção, amor, obediência e gratidão. Não é propriamente amar um Deus que não vês, senão amá-Lo nos colegas e professores com quem convives. Ainda que Deus esteja em teu íntimo, só Lhe podes receber a graça se tiveres amor, júbilo e respeito, em tua mente, em teu coração e em tua alma.

(Quem percebe consciencialmente percebe a onipresença, percebe Deus presente em tudo e em todos. Ainda que os personagens estejam agindo inconscientes de sua real identidade, ou seja, apenas como personagens, a vida que os anima é o próprio Deus Se manifestando; Se não julgar os personagens – ou seja, se não agires mentalmente - perceberá como a reação desses mesmos personagens mudará em relação a você. "Algo" – uma percepção ainda incipiente neles – os fará perceber "algo" em você.)

Cada pessoa é responsável por si mesma. Não há um Deus sentado no céu a olhar e julgar os que estão aqui em baixo. A Consciência divina está em nosso íntimo (enfatize-se isso) e sabe tudo o que pensamos, sentimos, falamos ou fazemos, atraindo imediatamente de fora tudo o que mandamos para lá. Portanto, o amor e respeito que exprimes aos outros, logo os recebes de volta. 

Mas, tudo isto ainda é pouco. Mesmo que sejas humanamente bom em todos os sentidos, estás simplesmente cumprindo os Dez Mandamentos.

Agora te estou instruindo a cumprir o Sermão da Montanha, pois o Caminho espiritual é uma revelação mais alta.

(Notem com que clareza Goldsmith elucida este ponto – está revelando algo além de apenas vivermos como bons personagens humanos, pois estes ainda se identificam como sendo os "bons personagens" num universo de pares de opostos.)

Continuando, o texto diz que:

Não precisas de falar com Deus, senão apenas reservar pequenos períodos, durante o dia e à noite, para ouvi-Lo dentro de ti.

(Como se trata de uma "percepção" não é necessariamente um diálogo, pois nesta percepção o personagem imerge e se funde com o Ser Real. Há uma revelação: não no sentido de que algo esteja sendo revelado ao personagem, mas sim, de algo que está sendo "desvelado" – literalmente com esse significado de que os véus se esvaem – não nos identificamos como o personagem que estamos sendo, mas como o Ser que já somos. Nesse sentido dizemos que "estamos no mundo", como personagens, mas que "não somos deste mundo", porque somos o Ser Real, a Fonte da existência da vida e do cenário de onde vêm todos os personagens.)

Continuando o texto:

Mesmo que não ouças literalmente uma voz, ao abrir os ouvidos a Deus e silenciar por um minuto ou dois, permitir-me-ás encher o vácuo que formaste internamente.

Atenta bem para o que deves fazer, para formar este vazio expectante: logo ao acordar senta-te confortavelmente, pés no chão, braços apoiados relaxadamente nas coxas, olhos fechados, sintonizando o Cristo interno em silêncio, escutando o íntimo por alguns minutos. Em seguida, lembra-te de que o dia que se estende diante de ti será governado e protegido por Deus. Serás então mantido e inspirado por Ele, porque abriste, anelante e conscientemente, tua consciência à Presença e Direção de Deus. Mas se não fizeres cada manhã, fielmente, teu contato com Deus, o teu encontro com o mundo será como de um ser humano comum, sujeito a todas as surpresas e desencontros da vida, sem a assistência divina.

(Em outras palavras: Se não ativarmos, da forma acima, nossa percepção consciencial, estaremos apenas percebendo tudo mentalmente durante o dia; estaremos inconscientes da Presença, reagindo aos acontecimentos como seres humanos. Contudo, somos mais que isso: Somos Filhos de Deus!)

Em tua idade atual, com o preparo que já recebeste aqui, estás apto a quatro pequenos exercícios diários: de manhã cedo, ao meio-dia, ao anoitecer e antes de dormir. Sentado, relaxado e quieto, podes dedicar dois minutos de cada vez a Deus. Inicialmente, para facilitar, podes mentalmente dizer: "Aqui estou, Pai. Fala que teu filho escuta. Desejo fazer a Tua vontade". Em seguida, aquieta-te. Se fores fiel nesta prática, garanto que tua vida na universidade e de modo geral, será um sucesso e ainda mais do que isso: uma bênção. Estarás preparando os fundamentos para uma vida inteiramente governada por Deus. (Governada pela Consciência, desperta, de que somos Filhos de Deus).

Procure estar em harmonia com teus colegas em tudo que seja bom. Se te convidarem a cerimônias religiosas, sugiro que os acompanhes. Entra em cada templo com a mente aberta, agradecendo à oportunidade de aquietar e ouvir a "pequenina e silenciosa voz".

Não te esqueças de que a sintonia com Deus é mais importante que o ritual.

(Por isso no Núcleo não temos pauta nem rituais, é apenas um preparo, uma celebração da consciência de nossa união com Deus, para que essa conscientização se expanda em nossa relação com o mundo. Dessa conscientização seremos naturalmente "bons personagens humanos" – não porque ansiemos ser assim, nem para nos vangloriarmos e nos sentirmos pessoas melhores em relação às demais. Cientes de que todos são "personagens da divindade", não há personagem mais divino ou menos divino que qualquer outro. Há os que estão conscientes de sua real identidade e os que ainda não estão. Os que estão agem seguindo esta "consciência interna", e os que ainda não estão agem seguindo a mente do personagem que estão representando. Por isso é importante "ir para o Núcleo", transcender a percepção mental e ativar a percepção consciencial. Goldsmith expõem neste texto como fazer isso.)

A união com os colegas no que seja construtivo suscita o bem, embora o verdadeiro bem te venha porque reconheces a graça e a glória de Deus em tudo e em todos. A coisa mais importante que desejo sublinhar-te é que, em qualquer instante do dia ou da noite, Deus é instantaneamente acessível. Basta que O sintonizes e ouças. Enfatizo este ponto para que compreendas que não precisas falar, de fazer afirmações ou lembrar a Deus tuas necessidades. 

(Basta nos elevarmos em consciência, nos tornando receptivos e atentos Àquele que habita o Núcleo do nosso Ser, ou, em termos bíblicos, "o esconderijo secreto do Altíssimo"...)

O segredo que recebi é que Deus, como Inteligência infinita, já conhece tuas necessidades, antes mesmo de Lhas pedires. Ele vê nosso íntimo quando Lho abrimos em atitude receptiva e confiante. Não é por nosso falar ou pensar, pois o Mestre ensinou: "não vos preocupeis por vossa vida, pelo que tendes de comer: nem por vosso corpo, pelo que tendes de vestir. Vosso Pai sabe que necessitais destas coisas. É do bom agrado dEle dar-vos todas elas". Compreendes, Sammy? É do agrado do Pai dar-te o Reino! Deus não te castiga quando te arrependes sinceramente do erro ou pecado que acaso cometas. No instante em que reconheces que não agiste bem, estás perdoado. Não carregarás a penalidade quando em teu coração vibra o reconhecimento do mal que fizeste e te arrependeres. Mas deves compreender que ao reconhecer as falhas, não deves repeti-las. (Esta é a real conscientização, que nos torna naturalmente seres humanos melhores) Caso contrário, perderás a sintonia com a graça divina. Tu mesmo é que te cortas dela. Quando isto acontecer, procura reatar com a graça, reconhecendo verdadeiramente: "Sei que errei!" Ou talvez: "Não sei se agi erradamente, mas se o fiz, ajuda-me a compreender e limpa isto de mim, Pai. Não tive má intenção. Não quero fazer o mal. Ao contrário, desejo fazer aos outros o que gostaria que me fizessem".

Dessa maneira te purificas. Tenho-me curado de diversas enfermidades, pedindo simplesmente a Deus perdão por meus pecados. É claro que meus pecados não são graves. Conheces nosso modo de viver. Mas sempre que cedemos à crítica e condenação, não estamos amando e perdoando suficientemente. Assim, é recomendável que nos voltemos de vez em quando e digamos: "Reconheço, Pai, que não estou agindo perfeitamente. Perdoa meus pecados. Limpa as minhas transgressões, para eu começar tudo de novo". Grava bem, Sammy, a mais importante lição que me foi dada: "que o lugar em que estás é solo santo", ou seja, Deus está exatamente onde estás, disponível, no instante em que paras de pensar, de falar e de te identificar com as coisas externas (ou seja, que para de agir mentalmente), e te voltas ao íntimo, reconhecendo-Lhe o Poder e a graça.

Conscientiza o Espírito de Deus em ti e, em seguida, relaxa-te por um ou dois minutos, deixando que Ele Se manifeste. Isto é tudo. (É a síntese de nossas reuniões do Núcleo – quantos milagres, quantas manifestações do Ser temos presenciado!) Todo o nosso propósito é de levar as pessoas à realização da onipresença de Deus e sua constante disponibilidade; de nos dirigir a Ele sem pensamento nem palavras: basta a humildade de sentar-nos (ou mesmo em pé ou deitado), fechar os olhos e reconhecer: "Eu, de mim mesmo, nada posso. O Pai, em mim, é Quem faz as obras. Fala Senhor, que teu filho escuta".

(Importante observar aqui que essa "consciência de Quem faz", expressada na frase: "eu, de mim mesmo, nada posso. O Pai, em mim, é Quem faz as obras", deve estar atrelada ao "estado de receptividade", expressa aqui pela frase: "Fala Senhor, que teu filho escuta". Isto porque não estamos nos sintonizando com um Deus surdo... A Consciência do Ser é viva e ativa! Deus age segundo as "nossas preces", nosso estado de sintonização e de receptividade.)

Em seguida, aguardar um ou dois minutos em silêncio expectante, antes de levantar e prosseguir as tarefas. Se aprenderes a praticar corretamente este exercício quatro vezes ao dia, como lhe estou sugerindo, não demorará muito para que o faças mais vezes ao dia, para teu inteiro benefício.
Bela carta, excelente lição para a vida!

O resumo desta lição poderia ser: “Em todo momento do dia e da noite, clama a Deus e o Senhor o ouvirá!”

Lembro por fim aqui a passagem que diz:

"Então, Me invocareis, passareis a orar a Mim, e Eu vos ouvirei. Buscar-Me-eis e Me achareis quando Me buscardes de todo o vosso coração. Serei achado de vós, diz o Senhor, e farei mudar a vossa sorte." (Jeremias 29, 12-14)

Saudações a todos.

"Eu Sou Aquele que Sou"

terça-feira, janeiro 07, 2020

A Verdade da Budificação do Homem - 7/7

- Masaharu Taniguchi -


Entretanto, compreender que "eu, assim mesmo, sou Buda" é compreender a essência da liberdade absoluta; e, se transmitirmos isso a quem não está preparado, este poderá abusar dessa liberdade em seu estágio intermediário de aprimoramento. É por isso que as práticas secretas do esoterismo não são transmitidas facilmente a qualquer um, e recomenda-se que o interessado as aprenda diretamente dos mestres do esoterismo. Quanto à prática da Meditação Shinsokan da Seicho-No-Ie, quem a aprende e pratica, no começo consegue concretizar tudo o que deseja, e, então, certas pessoas passam a se aproveitar dela para satisfazer seus desejos egoísticos. Tais pessoas logo perdem o poder de suas práticas e caem em desgraça. Por isso, o esoterismo Shingon não ensina facilmente o seu segredo a pessoas comuns.

Pensando bem, o esoterismo constitui coração de Vairocana e cérebro de Shukôngo-Himitsushu. Se você o transmitir aos que não estão preparados, estará cometendo pecado de sangrar o corpo do senhor do esoterismo. A respeito disso, Vairocana disse outrora a Himitsushu: "Não deves transmitir a quem não esteja preparado. Se o fizeres, estará comentendo o pecado de sangrar o corpo de Buda". E Himitsushu disse a Nargajuna: "Respeitosamente digo que Buda Vairocana prega o esoterismo pelo bem da humanidade. Todos os seres vivos recebem a sua graça. Entretanto, essa Verdade é como a parábola do nyoi-hôju. Ouvimos falar em nyoi-hôju, mas ele não se mostra. Porém, ele origina mil e um tesouros e beneficia todos os seres. Ele está oculto no Ryugu (palácio do dragão), no fígado do rei dos dragões, mas não se mostra. Assim também é o ensinamento mais precioso do esoterismo. Por isso, julgando-te bom conhecedor da Verdade, não transmitas levianamente o segredo do esoterismo aos que não estejam preparados. Se encontrares alguém com excelente dom para o despertar, transmite-lhe apenas os ensinamentos notáveis e observa-lhe a evolução espiritual. Após isso, transmite-lhe uma parte da grande Verdade esotérica." (da obra póstuma de Kobo-Daishi)

Pelo que acabamos de ver, não posso escrever claramente sobre os métodos secretos do esoterismo Shingon, mesmo porque eu próprio não os aprendi diretamente de um ajari (mestre habilitado para transmitir o esoterismo).

Mas será que o esoterismo é algo tão difícil de entender? Aprendê-lo formalmente é muito complicado, pois é necessário estudar a forma de entrelaçar os dedos das mãos, o modo de recitar o mantra, o modo de purificar o corpo, o modo de queimar o incenso, etc. Isso não é possível ser descrito em palavras. Não há outro meio senão aprender diretamente de um ajari e, mesmo que alguém pretenda aprendê-lo, não o ensinam para quem não tem dom para isso. Porém, não será difícil se o tentarmos pela introspecção, pois "o coração de Buda Vairocana e o cérebro de Shukôngo Himitshushu" estão dentro de nós mesmos. Se Buda Vairocana está dentro de nós, a sua Imagem Verdadeira também está dentro de nós, assim como o seu espírito do despertar, obviamente. A questão é "Como manifestar isso?". Será que isso consiste em formalidades físicas e rituais complicados?

Como já disse anteriormente, a budificação do homem não consiste em ele tornar-se Buda no futuro. O homem já é Buda, e o que já é Buda torna-se realidade por meio de contemplação (visualização) e mentalização. Todas as formalidades, os cerimoniais e rituais não passam de meios para ajustar a visão e a mentalização. Não são os cerimoniais e os rituais que levam à budificação. A Imagem Verdadeira do homem já é Buda desde o princípio. Mas, se a nossa mente for perturbada pela interferência de pensamentos mundanos e ilusórios, não poderemos enxergar a Imagem Verdadeira perfeita, harmônica e pura, muito menos manifestá-la nas atividades do dia a dia. Então, precisamos recorrer a algum meio para afastar essas interferências de pensamentos ilusórios. Esse meio consiste nas diversas práticas secretas do budismo Shingon.

Não são os meios ou as práticas em si que promovem a budificação; aquele que já é Buda é que se manifesta quando, por meio dessas práticas, se eliminam as impurezas que o encobrem. Se não houvesse outro modo para eliminar essa cobertura a não ser pela orientação direta de um ajari, não haveria salvação (manifestação de Buda – Imagem Verdadeira) para os que não têm chance de aprender as práticas secretas diretamente de algum ajari. Assim, a grande maioria das pessoas não poderia ser salva. Será que isso é vontade de Buda-Vairocana? Devo responder que não é. Se o homem não pode ser salvo a não ser submetendo-se a tais rituais complicados, a maioria das pessoas comuns não terá meio de salvação.

Surgiu, então, um grande mestre chamado Shinran (fundador da seita Shin, uma ramificação do budismo) para resolver essa situação. Ele pregou que basta recitar "Namu Amida-Butsu" para ser salvo. Assim, ele inventou uma religião que elimina, por um método tão simples, a ideia ilusória que diz "não posso ser salvo". Referindo-se a difíceis práticas e rituais preconizados pelo budismo de até então, ele os qualificou como "práticas e rituais inúteis" ou "caminho difícil de entender e seguir". Considerando-os como práticas inadequadas a pessoas comuns, ele abriu um outro caminho, o caminho de fácil prática.

Naturalmente, o ensinamento de Shinran não diz que a recitação "Namu Amida-Butsu" seja para eliminar a atuação de pensamentos ilusórios. Diz que o homem é salvo pelo infinito poder de Buda, por maior que seja a interferência dos pensamentos ilusórios. Isso é semelhante à sugestão inversa aplicada no hipnotismo. Quando o hipnotizador sugestiona o paciente dizendo "Afaste as preocupações e se concentre para poder entrar em estado de hipnose", o paciente pode pensar "Como afastar as preocupações? Como vou conseguir me concentrar? Será que vou conseguir entrar em transe?", e essas preocupações agitam a mente e impedem a hipnotização. Nesses casos, o hipnotizador diz "Pode se preocupar o quanto quiser. Quanto mais você ficar preocupado, torna-se mais suscetível à sugestão. Quanto mais você resistir, mais facilmente será hipnotizado. Quanto mais se agitar a sua mente, mais aumenta o meu poder de adormecê-lo. Viu, você ficou com sono!" (um exemplo de método para hipnotizar os resistentes).

Sugestionando desse modo, desaparece da mente do paciente a preocupação de afastar a preocupação, a mente se concentra, e o paciente entra rapidamente em transe. Da mesma forma, eliminando a ideia "não posso ser salvo" com a sugestão "Vairocana tem um poder tão grande que nem dá pra imaginar (igual à sugestão: 'O hipnotizador tem infinito poder de hipnotizar'); você será salvo, mesmo que tenha muitos pecados, mesmo que esteja perturbado por muitos pensamentos ilusórios (equivalente à seguinte sugestão do hipnotizador: 'Por mais que você tenha preocupações, não importa, pois vai ficar com sono'); se até os bons vão para o céu, com muito mais razão os maus (semelhante à sugestão hipnótica: 'Quanto mais preocupações tiver, mais facilmente entrará em transe'). Desta forma, a salvação pela força alheia pregada pela Shinsu consiste em budificar o homem eliminando a ideia ilusória que diz "não posso ser salvo". Por que o homem se realiza como Buda quando se elimina a ideia de que "não pode ser salvo"? É porque ele é originariamente Buda.

"Toda a humanidade é satva (bodhi) por toda a vida, mas, por estar dominada por avareza, ira e ignorância, os misericordiosos budas pregam sabiamente a concentração mental altamente secreta, ensinando os praticantes a visualizar e contemplar com sua mente o Sol ou a Lua. (...) Todas as pessoas encerram dentro de si a mente do Fugen-bosatsu." (trecho já citado: Hotsu-bodai-shin-ron, de autoria de Nargajuna)

A obra Ichigodaiyô-Himitsushu, de autoria de Kobo Saishi, também diz:

Todos os seres que possuem mente são dotados de cento e oito sabedoria dos cinco sábios, que são Dainichi-Nyorai, Ashuku-Nyorai, Hôsho-Nyorai, Mida-Nyorai e Fuku-Nyorai, e também de uma infinidade de budas sábios e budas racionais, e, portanto, não existe nenhum ser humano que não se realize como Buda; deves conduzi-los todos ao despertar.

A sutra Kan-fugen-busatsu-gyohô-kyô, que é uma das três partes que compõem a Sutra do Lótus, ensina a contemplar (visualizar) Fugen-bosatsu, e o esoterismo Shingon ensina a visualizar a lua cheia e contemplar a letra A (अ) dentro da lua cheia. Cada religião tem o seu ritual secreto que é transmitido diretamente do mestre para o discípulo, mas "todas as pessoas encerram dentro de si a mente de Fugen-bosatsu" e "toda a humanidade é Buda realizado na sua Imagem Verdadeira. E a Imagem Verdadeira, que é existência verdadeira, é mais poderosa do que qualquer força da falsa aparência (a nuvem, por mais poderosa que seja, não pode apagar a Lua; apenas a encobre). Basta então, acalmar a mente presa à falsa aparência, que aparecerá a perfeita e harmoniosa Imagem Verdadeira.

Mentalizar simplesmente o mantra "Namu Amida-Butsu" é um método para eliminar a mente que se prende à falsa imagem; visualizar a imagem de Fugen-bosatsu para serenar a mente e contemplar a mente de Fugen que existe dentro de nós é também uma forma; outra forma é aquela do esoterismo Shingon, que consiste em representar externamente a imagem de Buda por meio de zaho (postura específica com que se senta) e inkei (entrelaçamento de dedos das mãos - carma corporal), recitando Shingon (palavras de Buda - carma verbal), e, ainda, visualizando a lua cheia, contemplar a letra A (अ) que se mostra dentro do círculo lunar (carma mental). Além disso, existem complicados rituais e mantras praticados por ascetas esotéricos, tais como dharani (um tipo de mantra), kiai (emissão de voz), gomá (queima de incenso) e diversas práticas tão difíceis que pessoas comuns não conseguem praticar e nem dá pra descrever.

Porém, partindo do princípio básico de que o homem "já é Buda realizado" e "bodhi por toda a vida", acredito que pronunciar simplesmente "Namu Amida-Butsu" ou praticar o Shikan-taza (praticar concentradamente a meditação zen) ou contemplar Fugen-bosatsu, ou ainda praticar os rituais do esoterismo Shingon, todos eles são bons meios para eliminar "avareza e ignorância" (tipos de pensamento ilusório) e permitir a manifestação do estado natural (Imagem Verdadeira).

Bem, diante do que foi exposto até aqui, podemos compreender que o caminho para tornar o homem Buda também no mundo fenomênico, que já é Buda na sua Imagem Verdadeira, basta que seu estado mental se torne natural. Porém, se o tentarmos por meios formais e externos, será muito difícil e complicado, pois cada religião tem o seu método peculiar, esconde-o dizendo que é secreto, que somente pessoas com dom especial conseguem aprendê-lo, ou que não pode transmitir o seu segredo a não ser para quem faça um donativo vultoso. Desse modo, é muito difícil que todas as pessoas sejam salvas. Uma religião democrática precisa se tornar mais universal. Se o zen é praticado por quaisquer pessoas e se o "Namu Amida-Butsu" é recitado por quaisquer pessoas, é porque são simples. Acredito que, compreendendo o princípio básico, qualquer pessoa poderá aprender mais facilmente as praticas secretas do esoterismo Shingon e alcançar a salvação.

A seguir, vou extrair da Ichigo-daiyô-himitsushu, de autoria do mestre Kobo, a explicação da letra अ (A, em sânscrito) e expor o método para contemplar o círculo lunar e, com a mente serenada, conscientizar a Mente da Imagem Verdadeira, perfeita e pura.

Pergunta: Como é o método para contemplar isso corretamente?

Resposta: Desenhe a letra अ ou a Lua. Pinte-a de branco-pérola, de modo a torna-la sublime e bela, e afixe-a num lugar limpo. Sente-se diante dela, a uma distância de 4 pés (aproximadamente 122cm). Ao abrir os olhos, olhe-a gradualmente de baixo para cima. Ao fechar os olhos, olhe-a gradualmente de cima para baixo. Olhe-a e contemple-a acompanhando a respiração. Inspirando lentamente, vá abrindo os olhos, vendo a imagem da lua cheia de baixo para cima. Expirando lentamente, veja a imagem de cima para baixo. Controlando a respiração e serenando a mente, repita isso várias vezes, para entrar no estado de concentração. No início, essa prática pode ser difícil, mas, com o passar dos dias, ela se torna fácil. Mesmo com os olhos fechados e sem olhar para a imagem, esta passa aparecer na visão mental. Se isso acontecer, não olhe mais para a gravura. Serene a mente apenas por meio da sensação dos olhos cerrados.

É simplesmente isso. A explicação é longa, mas a prática é simples. Desenha-se uma lua cheia de uns 60 centímetros de diâmetro, pairando acima de uma flor de lótus, e contempla-se essa imagem. Quanto a mim, como não tenho disposição para desenhar uma lua cheia, tomo a postura de Meditação Shinsokan, com os olhos fechados e mãos postas, e, por trás das pálpebras, visualizo uma flor de lótus branca e, acima dela, pairando uma lua cheia de uma 60 centímetros de diâmetro. Fito-a, vejo-a, se aproximar de mim lentamente até envolver todo o meu ser, visualizo a aura emanada do meu ser como uma lua cheia límpida e, quando sinto que minha mente está praticamente concentrada, pronuncio ou mentalizo "A minha aura é como a lua cheia límpida e, a minha imagem é a de lua cheia límpida". Dessa forma, dissolvo-me na imagem em que estou identificado com a lua cheia límpida e serena.

Quando, assim, entro em estado de concentração mental, visualizo em forma de letra अ (A, em sânscrito) o meu corpo assentado dentro da luz cheia. Este método é conforme a explicação da contemplação da letra अ feita pelo mestre Kobo: "Na flor de lótus branca com oito pétalas de cinquenta centímetros, a letra अ emite claramente a luz de cor branca". Em seguida, mentalizo: "A letra अ é o corpo espiritual de Buda Grande Sol". E finalizo mentalizando e visualizando "Sou a letra अ, sou o corpo espiritual de Buda Grande Sol: a aura serena da lua cheia me envolve; assim como a lua cheia é perfeita, eu também sou perfeito, sou dotado de todas as virtudes, sou plenificado da sabedoria de Buda".

A contemplação da letra अ praticada na Seicho-No-Ie pode ser um tanto diferente do método secreto do esoterismo Shingon, mas será suficiente se a praticarmos com base na Verdade de que a Imagem Verdadeira do homem é Buda realizado. Se nos prendermos a um método complicado, nossa mente ficará apenas confusa. O importante é praticá-la todos os dias e acumular experiência. Algumas pessoas podem duvidar que se possa alcançar o despertar com meditação contemplativa como essa, mas o mestre Kobo, na sua obra retro criada, responde à pergunta "Que devo contemplar para alcançar o despertar?"

Resposta: Se deseja alcançar o supremo despertar (despertar de Buda), contemple com profunda fé o corpo espiritual de Buda.

Contemplar a letra अ é contemplar o corpo espiritual de Buda. Contemplar (ver) é manifestar, é o fato de a mente se transformar naquilo que está contemplando.

Pergunta: Quem treina a concentração mental levará quanto tempo para alcançar o despertar?
Resposta: Se treinar continuamente, conseguirá resultados materiais em menos de doze anos, e obterá também resultado imateriais em seguida.
Pergunta: Conseguirei realizar-me como Buda somente com essa contemplação?
Resposta: sim, somente com essa contemplação, e não precisará de mais nenhum outro tipo de treinamento. Até preguiçosos e menos dotados conseguirão alcançar o paraíso. Os esforçados e mais dotados conseguirão a budificação do corpo e resultados maravilhosos.

Como vimos, o mestre Kobo afirma categoricamente que por esse método se consegue a budificação, sem sombra de dúvida. Porém, diante da necessidade dessa prática por doze anos, o leitor poderá pensar que os jovens tem tempo pra isso e duvidará que os idosos moribundos alcancem a budificação.

Mas o leitor pode ficar tranquilo, pois já é Buda realizado. A ilusão, que é falsa existência, parece existir, mas não existe verdadeiramente, e não é possível levar doze anos para eliminar o que não existe. Mentalize agora, já, o seguinte: "Eu sou a letra अ, sou o corpo espiritual de Buda Vairocana; a serena aura de lua cheia me envolve. Assim como a Lua é perfeita e harmônica, minha mente é perfeita, é dotada de todas as virtudes e da suprema sabedoria de Buda" – e contemple essa imagem (contemplação da perfeição da luz mental). Nesse momento, você já está realizado como Buda. Isso porque o tempo não existe na Imagem Verdadeira.

Do livro: "A Verdade da Vida, vol. 39", pp. 225-237

sexta-feira, janeiro 03, 2020

A Verdade da Budificação do Homem - 6/7

- Masaharu Taniguchi -


Então, o que fazer, na prática, para o homem se realizar como Buda assim mesmo como é? Como já disse várias vezes, se não se manifesta a Imagem Verdadeira na qual o homem já é Buda, é porque ele não a visualiza, não a mentaliza. Ver (visualizar) é manifestar. Mentalizar é criar forma. Mesmo que, na realidade, o indivíduo esteja dormindo num colchão de ouro, se a sua mente, não vê essa realidade e, sonhando pensa que é um mendigo maltrapilho perambulando pelas ruas, só poderá experienciar a vida de mendigo maltrapilho durante o sonho.

Se nós, seres humanos, perambulamos na vida como seres carnais sujeitos à pobreza, à doença, à velhice e à morte, é porque perambulamos em ilusão no sonho chamado cinco sentidos. Mas, quando despertamos do sonho e vemos o nosso corpo da Imagem Verdadeira, percebemos que este corpo, neste mesmo estado, é Buda Vairocana, é bodisatva Fugen.

Por isso, o mestre Kobo cita o seguinte trecho da Sutra do Grande Sol:

Se desejas nesta vida entrar no siddhi, mentaliza-o conforme sua adequação. Recebendo o ensinamento diretamente do venerável, observando-o e adequando-te a ele, conseguirás realiza-lo.

Citando esse trecho em sua obra Sokushin Jôbutsu-gi, o mestre Kobo prega a necessidade da mentalização e da visualização. Ele diz que o siddhi se realizará se a visualização e a mentalização forem adequadas à Imagem Verdadeira. Siddhi é um termo sânscrito e significa "realização sumamente maravilhosa". Para realizar o Buda Original, que é a Imagem Verdadeira sumamente maravilhosa, são necessárias mentalização e visualização (contemplação). A Sutra do Grande Sol fala em "entrar no siddhi e realiza-lo", mas nela não existe a expressão "realização deste corpo como Buda assim mesmo como é". Esta expressão aparece somente na obra Bodaishin-ron, do bodisatva Nagarjuna.

Bodaishin-ron, do bodisatva Nagarjuna, prega que este corpo se realiza como Buda somente dentro da lei do mantra, e por isso recomenda a lei da concentração mental. Isso não está escrito em nenhuma outra sutra (Sokushin-Jôbutsu-gi)

Então, como é a "budificação do corpo assim mesmo como é" pregada pelo esoterismo Shingon? Normalmente, pensa-se que este corpo carnal se torna Buda. Mas, como é possível o homem se tornar Buda? A única resposta é o fato de que o homem é Buda na sua essência. Budificação não é o fato de o homem se tornar Buda de agora em diante; ele já é Buda. A budificação já consumada se manifesta por meio da visualização (contemplação) e da mentalização.

Tradicionalmente, existem três versões para o significado da budificação do homem, a saber:

1ª – "O corpo já é Buda, assim mesmo como é";
2ª – "O homem se torna Buda juntamente com o corpo"; e
3ª – "O corpo se torna buda prontamente".

Certas pessoas acreditam que este corpo fenomênico se torna Buda e se espiritualiza, sem deixar o seu cadáver, tal como Jesus ou o profeta Elias, manifestando imediatamente poder sobrenatural igual ao de Buda. É dito que o mestre Kobo desencarnou quando meditava no seu retiro subterrâneo sem deixar o cadáver, e que, até hoje, ele percorre todo o Japão salvando as pessoas. E, na ocasião da troca de suas vestes uma vez por ano, a roupa do ano anterior está desgastada e esfarrapada devido à sua peregrinação. Os pequenos pedaços dessas vestes velhas são distribuídos aos fiéis, sob o nome de okoromo (veste sagrada), e acreditam que quem ingere um fragmento do okoromo se cura da dor de barriga. Eu desconheço a veracidade disso. Porém, se a budificação do corpo significasse desintegração e espiritualização do cadáver e sua transformação em Buda, seria muito estranho, pois, que eu saiba, nenhum dos eminentes monges do esoterismo Shingon conseguiu a budificação, excetuando o mestre Kobo. Que dizer, então, dos adeptos comuns do Shingon? Devo dizer que é impossível eles conseguirem a budificação do corpo. O mestre Kobo não iria pregar um ensinamento impossível de praticar. É evidente que não é o corpo carnal que se torna Buda. Então, como interpretar a seguinte frase do mestre Kobo?

Se alguém buscar a sabedoria de Buda e atingir o bodaishin (mente que transcende as paixões mundanais e atinge a Verdade que transcende o nascer e o morrer), comprovará o despertar de Buda em seu corpo nascido de pai e mãe.

Na Sutra do Grande Sol, encontramos o seguinte diálogo entre Buda Vairocana e Kongôshu Himitsushu:

Ó Himitsushu, o que é atingir o bodaishin? Resposta: conhecer verdadeiramente a mente própria.

Aqui diz que atingir o bodaishin consiste em "conhecer verdadeiramente a mente própria". Essa "mente própria" não se refere à ação mental produzida pelo cérebro. Ela se refere à mente verdadeira ou à Imagem Verdadeira, que é a fonte da mente cerebral e que a transcende. A ação mental originada do cérebro é inconstante, mudando sempre conforme as circunstâncias, razão pela qual tal mente não pode conhecer a mente verdadeira ou a Imagem Verdadeira, que é serena e perfeita. É preciso serenar a ação mental fenomênica por algum tempo e contemplar unicamente a Imagem Verdadeira e perfeita, visualizando-a. Na obra Hotsu-bodaishin-ron, traduzida por Fuku-Sanzô, está escrito:

Toda a humanidade é satva (bodhi) por toda a vida, mas, por estar dominada por avareza, ira e ignorância, os budas misericordiosos pregam sabiamente a concentração mental altamente secreta, ensinando os praticantes a visualizar e contemplar com sua mente o Sol ou a Luz. Por meio dessa concentração, a mente verdadeira se manifesta de modo profundamente calmo e puro como a luz da lua cheia que clareia o firmamento. Ela se chama incógnita ou mundo puro da Verdade, ou ainda mar da sabedoria do despertar da Imagem Verdadeira. Ela contem ilimitados tesouros raros de estados de concentração, tal como a lua cheia pura e clara. Isso porque todas as pessoas, encerram dentro de si a mente de Fugen bosatsu. (Hotsu-bodaishin-ron, de autoria de Nargajuna bodisatva)

O texto diz que, para controlar a mente cerebral agitada e acalmá-la, pode-se contemplar a imagem redonda e perfeita do Sol ou da Lua. Continuando essa contemplação, a mente cerebral fenomênica se acalma, e manifesta-se, de dentro, a mente verdadeira tal como a lua cheia que desponta, e a pessoa conscientiza que a sua imagem não é a de um corpo limitado como a do corpo carnal, mas sim uma imagem sem forma que preenche o firmamento.

Então Buda Vairocana explica o estado do seu despertar a Himitsushu como segue:

Caro Himitsushu, este anuttara samyak sambodhih é algo que não pode ser captado absolutamente como existência. Por que razão? Porque bodhi é como o firmamento; não existe quem o entenda, nem existe quem o compreenda. Por que razão? Porque bodhi não tem forma. (Dainichi-kyô)

Anuttara samyak sambodhih – esta expressão (em sânscrito) pode ser abreviada e chamada bodhi, e vulgarmente é dito despertar de Buda; em chinês, é traduzida como "suprema sabedoria correta e universal"; mas ela se refere à convicção "eu sou Buda". Mesmo que alguém pergunte "como é esse despertar de Buda? Mostre-me!", não há como mostra-lo. Como diz a sutra Dainichi-kyô, "não pode ser captado nenhum pouco". Não há como captá-lo e mostra-lo, dizendo "isso é assim". Não há como mostra-lo porque não tem forma, tal como o firmamento. Aliás, ele não pode ser captado não simplesmente porque não tem forma, pois, para se captar algo, é necessário que haja confronto entre o captar e o objeto captado. Para se compreender algo, é necessário haver confronto entre quem compreende e o objeto a ser compreendido. É preciso haver confronto entre quem alcança o despertar e o despertar a ser alcançado. Tal confronto é função da mente cerebral, que está sempre sujeita a abalos e agitações. Quando se aniquila essa mente, aniquila-se simultaneamente o confronto, e é então que a mente verdadeira se manifesta. A Imagem Verdadeira se manifesta e se clareia, assim como o céu se clareia quando a lua cheia desponta e sobe. Isso é que é sem forma.

A mente que desperta e o despertar a ser alcançado se anulam, o relativo se anula, e fica o absoluto. O absoluto é sem forma. A "budificação do corpo assim mesmo como é" consiste em despertar para a Verdade de que "o corpo nascido dos pais é corpo sem forma"; não consiste no desaparecimento do "corpo nascido dos pais" após o desencarne. Consiste em compreender que o corpo, ao mesmo tempo em que apresenta o corpo carnal com forma, é sem forma tal como o firmamento. Consiste em compreender que o "corpo com forma" é, assim mesmo como é, "sem forma"; que o corpo limitado, assim mesmo, é ilimitado como o firmamento, preenchendo o Universo, e um com Buda Vairocana. Em outras palavras, consiste em compreender verdadeiramente (não apenas com a inteligência cerebral) que este corpo, assim mesmo como é, está fundido com a Vida do Universo todo, e é ilimitado ao mesmo tempo que é limitado, e limitado ao mesmo tempo que é ilimitado.

O nosso corpo, aqui, agora, assim mesmo como é, é corpo de Buda Vairocana e, ao mesmo tempo, é corpo de Fugen-bosatsu, é corpo de Kanzeon Bosatsu, que são (ambos) corpos protetores, manifestações, respectivamente, de sabedoria e amor de Vairocana. Conscientizar isso constitui a "budificação do corpo assim mesmo como é". Nesta conscientização, já se eliminou completamente a ideia dualista de "alojar-se", ou "dentro" e "fora", que se vê em expressões tal como "Buda se aloja dentro de mim". Mesmo manifestando o corpo carnal, este já não existe (como não existe, não há necessidade de negá-lo), e se conscientiza verdadeiramente o corpo sem forma e infinito que preenche todo o Universo. Já não existe nem o sujeito que alcança o despertar, nem o despertar a ser alcançado, e se entra no estado de despertar absoluto. Isso não consiste apenas em compreender teoricamente o pensamento de desapego citado na Avatamsaka Sutra. Ele consiste em conscientizar esse estado como experiência da Vida por meio de exercitação da contemplação (visualização), mentalização e palavra – este é o procedimento do esoterismo.

Não há quem alcance o despertar, nem há despertar a ser alcançado. Da mesma forma, não há aquele que pratica, nem há prática a ser praticada. Por isso, no Dainichi kyoshô está escrito: "Praticar sem a prática, e atingir sem atingir; não há quem entre, nem local para se entrar; por isso se diz igualdade". Praticar sem a prática significa ser assim mesmo como é. Assim mesmo, somos Vairocana, somos Fugen e somos Kanzeon. Não é após a prática que somos Vairocana; já somos Buda. Nós simplesmente perdemos o "assim mesmo como somos". Para recurerar o "assim mesmo como se é", na Tendai (ramificação do budismo, no Japão) se pratica o Shinkan (meditação que consiste em afastar a mente ilusória e se identificar com a sabedoria superior); no esoterismo Shingon se pratica Ajikan (contemplação da letra A do sânscrito: अ); e na Seicho-No-Ie se pratica a Meditação Shinsokan. Todos eles são formas de concentração mental. É necessário não só entender com o cérebro a verdade da fusão de este corpo com Buda,  mas assimilá-la.

Cont...

Do livro "A Verdade da Vida, vol. 39", pp. 217-225