"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

quarta-feira, junho 25, 2008

Só existe Um, Só existe Deus!

ADVAITA


Só há uma alma
Só há um Deus
Só há um espírito
Só há um amor
Só há um momento: AQUI-AGORA
Só há um mestre: Consciência

Na ilusão da mente
O UM parece ser MUITOS
É como uma sala cheia de espelhos
Todos refletem você!
Lembre-se disso e investigue em sua vida.
Tenha muita reverência por cada pessoa
que passa por você.
Cada pessoa é um Mestre.
Porque você é um Mestre.
E porque o Mestre é apenas UM.
Você é Deus manifesto como corpo e mente.
Mas sua essência é puro silêncio e paz.
Aprenda a sentir este silêncio!
Meditação é abrir os olhos para esta verdade suprema.

DEUS É TUDO QUE HÁ !

(Swami Sambodh Naseeb)

segunda-feira, junho 23, 2008

Encobrimento da Natureza Divina do Homem (fim)

Masaharu Taniguchi


O PECADO CONCRETIZA-SE

Algumas pessoas afirmam "Pecado nem sempre é punido. Castigo de Deus é coisa que não existe", e citam exemplos dos que prosperaram apesar de serem iníquos. A Seicho-No-Ie também não reconhece a existência do castigo de Deus. Não é Deus quem castiga. O que nos parece castigo é a consequência do fato de o próprio pecado (o aspecto em que a Imagem Verdadeira perfeita está encoberta) revelar sua imperfeição sob forma concreta no "espelho" do mundo exterior. Também nos tempo bíblicos houve pessoas que perguntaram a Jesus acerca da relação entre o pecado e a ocorrência de infelicidades, doenças, etc. A resposta de Jesus Cristo foi a seguinte: "Pensais que esses galileus eram mais pecadores que todos os outros galileus, por terem padecido estas cousas? Não eram, eu vo-lo afirmo; se, porém, não vos arrependeres, todos igualmente perecereis. Ou cuidais daqueles dezoito, sobre os quais desabou a torre em Siloé e os matou, era mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém? Não eram, eu vo-lo afirmo; mas, se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis" (Lucas 13,2-5).

O pecado acaba sempre se manifestando concretamente. Mesmo que as consequências do pecado não estejam manifestadas em vocês agora, devem arrepender-ser, pois, caso contrário, o pecado -- "o aspecto imperfeito" -- fatalmente acabará por se manifestar concretamente e chegará a hora de vocês sofrerem as consequências infelizes. Este foi o ensinamento de Jesus Cristo.

Nos primeiros trechos do capítulo 9 do Evangelho Segundo João, consta que os discípulos de Jesus, vendo um homem cego de nascença, perguntaram "Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?", ao que Jesus respondeu: "Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifeste nele a glória de Deus". Subentende-se, aqui, que nem sempre a causa da doença está relacionada com o pecado. Em princípio, o pecado tem relação com a infelicidade, pois, sendo ele o aspecto em que a Imagem Verdadeira está encoberta, reflete-se no mundo externo sob a forma de estado imperfeito (infelicidade). E isso ocorre sob uma condição, que é: "Se não nos arrependermos". Se não nos arrependermos, cumprir-se-á a lei da concretização dos pensamentos, e a incontável quantidade de pensamentos iníquos que temos tido no passado, e que formam um carma negativo latente, passarão a se materializar no mundo real, não se extinguindo enquanto não punirmos a nós mesmos.


O MEIO PARA EXTINGUIR OS PECADOS

Por que o pecado se manifesta concretamente como infelicidade no mundo fenomênico? Não é para que ele próprio possa comprovar a sua existência.

Para melhor compreensão da explicação que darei a seguir, peço ao leitor que interprete o pecado como um "papel de embrulho" -- já que o pecado é "aquilo que encobre a Imagem Verdadeira e impede a sua revelação". Se um embrulho é dado a alguém, é para que ele remova o invólucro e receba com gratidão o presente que está dentro dele, e não para ficar olhando o embrulho em si. Se ele deixar o embrulho escondido numa prateleira, sem o abrir, a "Imagem Verdadeira" (isto é, o conteúdo) desse embrulho não se revelará. Quando o embrulho for trazido para um lugar claro e o invólucro for retirado, revelar-se-á o seu conteúdo. O mesmo acontece com o homem: somente quando ele for exposto à Luz da Verdade e for desfeito o "invólucro" do pecado, é que surgirá a Imagem Verdadeira de filho de Deus.

Assim sendo, mesmo que alguém seja cego, não é para mostrar o seu pecado que ele sofre de cegueira. Pelo contrário, pode-se dizer que ele expõe sua cegueira para revelar a sua Imagem Verdadeira de filho de Deus, ou, em outras palavras, para manifestar a glória de Deus. Se o pecado se concretiza em forma de infelicidade, é para que, com essa manifestação, ocorra sua "auto-desintegração". Se um pacote vem embrulhado, é para que o embrulho seja desfeito. Se a doença manifesta sintomas, é para que, através deles, se processe a cura. A sensação desagradável de formigamento nos pés ocorre quando o entorpecimento está começando a passar. Assim também é o pecado. Não é para comprovar sua existência que o pecado se manifesta no mundo fenomênico em forma de infelicidade. Podemos dizer que ele se manifesta para que, através de sua desintegração, se revele a Imagem Verdadeira perfeita criada por Deus, isto é, a glória de Deus.

Portanto, se "nos arrependermos", isto é, se a nossa mente se voltar completamente para a nossa Imagem Verdadeira, ou, em outras palavras, se apreendermos na prática a nossa Imagem Verdadeira de filho de Deus e o Paraíso da Imagem Verdadeira criado por Deus, todos os pecados se extinguirão imediatamente. O "embrulho" será desfeito num instante e o seu conteúdo se revelará imediatamente; então, o invólucro não terá mais importância, qualquer que seja a aparência dele, e será removido e jogado fora.


O PECADO CONTRA O PRÓXIMO

Pecar é deixar de manifestar a Imagem Verdadeira, mantendo-a encoberta. Peca contra Deus aquele que não conscientiza a verdadeira relação entre Deus e si mesmo, e não manifesta plenamente a sua Imagem Verdadeira de filho de Deus. Foi por isso que Jesus admoestou o povo, dizendo: "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu espírito. este é o máximo e o primeiro mandamento". Com essas palavras, Jesus quis dizer que nós, seres humanos, devemos despertar para a nossa Imagem Verdadeira, a qual é originariamente um com Deus. Amar a Deus acima de todas as coisas constitui a base da doutrina de Cristo. E quando conseguimos cumprir esse primeiro mandamento, virá por si mesmo o cumprimento dos demais mandamentos.

Mas vejamos qual é o segundo mandamento citado por Jesus: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo". O pecado contra o próximo consiste em não cumprir este mandamento. Mas porque é pecado "não amar o próximo como a nós mesmos"? É que o "próximo" é parte de nós. Em outras palavras, nós e o outro somos, na verdade, uma só vida. Quando compreendemos a Verdade Primeira e Suprema, ou seja, que "somos um com Deus", chegamos à natural conclusão de que "nós e o outro somos originariamente um". Se A é um com Deus, B é um com Deus, C é um com Deus e eu também sou um com Deus, é claro que A, B, C e eu somos um com Deus. Se uma pessoa não ama o seu próximo, é porque ela não vê a Imagem Verdadeira, em cujo plano ela e os outros são uma só Vida. Vendo a nós próprios e aos outros unicamente com os nossos olhos carnais, será inevitável a conclusão de que nós e os outros somos indivíduos separados, cada qual com sua própria cabeça, seus próprios braços e pernas, etc. A idéia de que "cada indivíduo é um ser isolado dos outros" é fruto da mente presa à ilusão dos cinco sentidos. Quando afastamos os cinco sentidos, ou em outros termos, quando contemplamos o mundo além dos cinco sentidos carnais, compreendemos que nós e os outros somos, na verdade, uma só Vida.

Sei que existem pessoas que parecem apreciar a solidão. Aliás, eu próprio fui um menino que procurava evitar as pessoas e, sempre que possível, ficava sozinho no quarto, lendo ou escrevendo. Mas acho que, no fundo, eu não gostava da solidão, pois costumava enviar pequenos artigos para revistas juvenis e ficava exultante quando os via sendo publicados. A verdade é que todo ser humano, mesmo aquele que diz gostar da solidão, procura de alguma forma ligar-se a outras pessoas, e fica contente quando consegue concretizar a Imagem Verdadeira, em que ele e os outros são um. Existem diversas espécies de amor: o amor entre homem e mulher, o amor entre amigos, o amor entre os irmãos, o amor que une os compatriotas, o amor que une os componentes de um grupo literário ou de um partido político, o amor que une as pessoas que possuem um mesmo ideal, etc. Cada tipo de amor é uma manifestação parcial da Imagem Verdadeia, em cujo plano todos os seres constituem essencialmente uma só Vida.


A PURIFICAÇÃO DO AMOR

A formação de pequenos e imperfeitos grupos de pessoas ligadas por uma determinada espécie de amor é a manifestação parcial, e não total, da Imagem Verdadeira, da Verdade de que todos os seres humanos são uma só Vida. Ao se ligarem através de uma ou outra forma de amor, as pessoas estão manifestando até certo ponto a Imagem Verdadeira. E, na medida em que exteriorizam a Imagem Verdadeira, elas estão contribuindo para o progresso da humanidade. Quando um homem e uma mulher se amam, eles sentem, do fundo do coração, que são um. Mas, como esse sentimento de unidade fica restrito aos dois apaixonados, estes tendem a se isolar dos demais e a agir egoísticamente. Eis porque às vezes ocorrem casos de pessoas apaixonadas que entram em choque com a família e com a sociedade, ameaçando a tranquilidade do lar e prejudicando a ordem social estabelecida. Todavia, quando os apaixonados procuram harmonizar a "pequena unidade de apenas duas pessoas" com a "unidade maior" formada pelo círculo familiar, sociedade, nação, etc., através dos esforços para integrar essa unidade maior, eles conseguem progredir espiritualmente. A esse esforço para integrar a pequena unidade em uma unidade maior, dá-se o nome de purificação do amor.

Não só o amor entre um homem e uma mulher, como também os sentimentos que unem os amigos, os compatriotas, os integrantes de um grupo literário fechado, os membros de um partido político, etc., são na verdade sentimentos de unidade restritos a um determinado âmbito (às vezes pequeno, outras vezes maior, porém sempre limitado). Mas, à medida que seus limitados sentimentos de unidade forem evoluindo para um sentimento de unidade mais grandioso e elevado, essas pessoas irão abandonando o egoísmo e passarão a contribuir mais para o bem de toda a humanidade. E, na medida em que elas contribuírem para isso, irá se purificando o seu sentimento de amor. Em suma, a purificação do amor consiste em elevar o sentimento de unidade restrito a um círculo para um sentimento de unidade de maior alcance.


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*www.sni.org.br

sábado, junho 21, 2008

Encobrimento da Natureza Divina do Homem - 03

Masaharu Taniguchi



A SALVAÇÃO PROVÉM DA CONSCIENTIZAÇÃO DA IMAGEM VERDADEIRA

Aquele que crê no homem verdadeiro (Imagem Verdadeira) como ser eterno alcançará a vida eterna, mesmo sem a mediação de um ser manifestado fisicamente (como Jesus Cristo ou Buda) -- esta é a Verdade descoberta pela Seicho-No-Ie.

Todos os seres humanos são manifestação do ser eterno. Não importa se é bom ou ruim o seu aspecto no mundo fenomênico, isso é como a boa ou a má qualidade de uma imagem fotográfica, e o homem verdadeiro (isto é, a Imagem Verdadeira) jamais se perverte. Por desconhecer esta Verdade, o homem tende a desprezar a si mesmo. Muitas pessoas pensam "Sou imprestável mesmo", e com isso cometem o "encobrimento de sua natureza divina" (pecado). Encobrindo a natureza divina, é impossível que essa natureza perfeita se revele no mundo fenomênico. Experimente fotografar alguém coberto com um véu: é claro que a imagem perfeita dessa pessoa não aparecerá na fotografia. Do mesmo modo, encobrindo a nossa natureza divina e projetando o filme no mundo fenomênico através da "lente mental" distorcida pelos pensamentos tais como "Eu não presto mesmo", será impossível surgir no mundo fenomênico o nosso aspecto perfeito. Assim, a idéia de que "somos pecadores" é a matriz de onde se originam todos os males do mundo fenomênico, ao passo que a convicção de sermos filhos de Deus é a matriz geradora de um bom mundo fenomênico.


EXPLICAÇÕES DO PECADO E DE SUAS CONSEQUÊNCIAS

Depois que uma pessoa comete um pecado, surge-lhe o desejo de auto-punição, do mesmo modo que, quando se lançam poeira e lixos na fogueira, levanta-se fumaça. A esse desejo de auto-punição damos o nome de "tormento da consciência". Judas Iscariotes, depois de ter vendido Jesus por trinta moedas de prata, foi acometido por um violento tormento da consciência e acabou cometendo suicídio.

Mesmo aqueles que não cometeram um pecado tão grave quando Judas Iscariotes, sentem remorsos pelos pecados cometidos. O remorço é a "fumaça" que se levanta no processo em que o "fogo" da natureza divina do ser humano busca reativar-se, rompendo a "manta do pecado" que o cobre. Lendo a biografia de São Francisco de Assis, de Honen (um santo busdista) e de Shinra (idem), e outras literaturas sobre eles, percebemos que neles também era acentuado o sentimento de auto-recriminação. Aliás, podemos dizer que, justamente por serem eles homens de grande virtude, mais forte era seu desejo de auto-punição quando julgavam ter cometido algum pecado.

Analisando oa inquietação que acompanha a consciência de pecado (a inquietação, em si, é uma forma de auto-punição do homem), podemos concluir que ela resulta da dissonância que ocorre no interior da alma. Quando cometemos um pecado, ocorre uma dissonância no interior de nossa alma, e por isso sentimos um desconforto mental e somos torturados pelo remorço. Mas, por que ocorre a dissonância mental no interior de nossa alma quando cometemos pecado? É porque sentimos que algo incompatível com nossa natureza divina está em contato conosco. Quando nossa pele está em contato com uma superfície lisa e macia, compatível com ela, temos uma sensação agradável; mas quando a nossa pele fica em contato com uma superfície áspera e dura, incompatível com ela, temos uma sensação desagradável. Se, por exemplo, esfregarmos uma lixa no rosto, certamente teremos uma sensação muito desagradável.

O pecado -- tanto em pensamentos como em atos -- causa a sensação desagradável à nossa alma porque não é compatível com nossa natureza divina. Se nossa natureza verdadeira não fosse divina, nossa consciência não se sentiria incompatível com o pecado. A consciência é a manifestação da natureza divina, que constitui a nossa essência.

No princípio, a dissonância sentida pela consciência ocorre apenas no nível psicológico; mas, pela lei mental segundo a qual "as vibrações da mente sempre acabam por se manifestar concretamente", pouco a pouco ela passa a se manifestar objetivamente, tomando aspecto visível e perceptível aos cinco sentidos, e assim começa a surgir na vida concreta sob a forma de doença, infelicidade, etc.

A Seicho-No-Ie exprime isso com a frase: "Tanto o corpo carnal como o ambiente que nos cerca são reflexo de nossa própria mente". A consequência de nossos pensamentos aparece objetivamente em nossa vida, tal como a sentença de um julgamento. Portanto, podemos dizer que nosso estado físico e nosso meio ambiente são "sentenças" ditadas por nossa própria mente.

Se a história de vida de um indivíduo é a história das sentenças ditadas por sua própria mente, podemos dizer que a história do mundo é a história das sentenças ditadas pela mente da própria humanidade. O despeito, a inveja, o medo, a inquietação, a ira, o ódio, etc., que pairam sobre o mundo inteiro vão tomando forma concreta a cada momento, constituindo sentenças tais como de guerras, saques, boicotes, greves, repreensões, revelando-se assim o conteúdo mental da maioria da humanidade. Se nenhuma pessoa deste mundo tivesse conteúdo mental negativo tais como o despeito, a inveja, o medo, a inquietação, a ira e o ódio, jamais surgiriam neste mundo cenas de guerras e conflitos.

Assim, os sofrimentos da humanidade são sempre o reflexo das ilusões da humanidade, isto é, do "pecado de encobrir a Imagem Verdadeira"; e os sofrimentos de um indivíduo são sempre o reflexo das ilusões da sua mente individual, isto é, do "pecado de encobrir a Imagem Verdadeira". Portanto, a história de um indivíduo é o reflexo de sua mente individual; e a história do mundo é o reflexo da mente da humanidade.


quarta-feira, junho 18, 2008

Encobrimento da Natureza Divina do Homem - 02

Masaharu Taniguchi


A ORIGEM DA FALTA DE LIBERDADE E DAS DISCÓRDIAS DO SER HUMANO

Quando o ser humano começa a se apegar, por pouco que seja, aos aspectos materiais, ele tolhe com sua própria mente a liberdade que lhe é inerente, e passa a sofrer a falta de liberdade. A discórdia também é uma faceta da falta de liberdade. Isto é, quando a liberdade intrínseca do todo é tolhida, surgem discórdias. Isso é comparável ao que ocorre com as engrenagens de um relógio: se não acontecer nenhum impedimento no movimento do mecanismo do relógio, não acontecerá de as engrenagens entrarem em atrito entre si; mas se ocorrer algum impedimento, as engrenagens não poderão se mover harmonicamente, atritam-se, e o relógio pára. O atrito resultante da perda de movimento livre e harmônico é que constitui a discórdia.

Atritos ocorrem também entre as entidades religiosas, havendo muitas se criticando e repelindo umas às outras. E, assim, as próprias entidades religiosas, cuja missão é pregar a paz, harmonia e união entre os homens, frequentemente estão agindo de maneira oposta a suas doutrinas. Isso acontece porque os seus seguidores estão presos ao erro chamado "primeiro encobrimento da natureza divina", tendo como objeto de adoração a imagem material de Cristo, de Buda, etc., e não a natureza divina eterna dEles.

Como já foi dito, o "pecado original cometido por Adão" é o primeiro encobrimento da natureza divina do homem, que consiste em considerar o homem um mero corpo carnal, em vez de reconhecer sua natureza espiritual de fiho de Deus.

Mesmo entre as religiões ocorrem discórdias quando as pessoas vêem numa forma material o seu objeto de adoração. Portanto, é evidente que, quando os homens buscam sua vida individual dentro de uma forma material chamada corpo carnal em vez de buscá-la na Vida Infinita, passem a surgir males de todas as espécies, decorrentes do pecado original (o primeiro encobrimento da natureza divina), que consiste em apegar-se à matéria em vez de reverenciar à Vida.

Lamentavelmente, nos dias atuais, muitas pessoas que se dizem cristãs estão cometendo o mesmo pecado cometido por Adão. Quão grande é o número de cristãos que só conseguem apreender como Cristo o Jesus carnal, e não o Cristo eterno (natureza divina) ao qual ele próprio se referiu ao dizer "Antes que Abraão existisse, Eu Sou", e vivem a pregar que a humanidade só poderá ser salva através do Jesus carnal! Eles estão confundindo o "corpo carnal" com a "natureza divina", a "ilusão" com a "Imagem Verdadeira". Alcançamos a salvação somente quando buscamos através da natureza divina eterna, à qual o próprio Jesus se referiu dizendo "Antes que Abraão existisse, Eu Sou". Na verdade, a salvação já está ao nosso alcance, dentro de nós próprios, pois a mesma natureza divina eterna de Jesus Cristo existe também em nós, ou, melhor dizendo, essa natureza divina eterna é que é o nosso verdadeiro ser. Portanto, é uma tolice acreditar que o homem só poderá ser salvo através do Cristo que está fora do nosso ser -- ou seja, através do Jesus carnal.

O cristianismo repudia e despreza o culto às formas, rotulando-o de idolatria. Mas muitos cristãos, ao afirmarem que o homem só alcançará a salvação através do Jesus carnal nascido na Judéia há cerca de 2.000 anos, e reverenciarem sua imagem carnal em vez de sua natureza divina eterna, estão cometendo a idolatria que eles próprios tanto condenam. Renegar assim a natureza divina eterna (consequentemente, renegar o próprio Deus) e adorar um determinado corpo carnal equivale a ignorar a natureza verdadeira de Deus. É um pecado grave que consiste em esconder o Deus verdadeiro com a ilusão da mente.


AS DESAVENÇAS RELIGIOSAS TÊM ORIGEM NA ADORAÇÃO DE IMAGENS

As coisas materiais, que possuem forma, são limitadas. Por isso, quando os homens transformam as coisas materiais em objeto de sua adoração, surgem disputas, cada qual procurando defender seus domínios. Mesmo em se tratando de religião, cuja missão principal é estabelecer a paz entre os homens, se os seus seguidores estiverem presos à imagem material de Cristo (ou de Buda, pois tal fato também ocorre em algumas ramificações do Budismo) manifestada em forma de ser humano, será inevitável o surgimento de desavenças entre eles, já que as imagens manifestadas variam conforme o lugar e a época. Podemos saber o quanto uma religião tende à adoração de imagens, verificando o quanto ela repele outras religiões. Em última análise, os germes de toda e qualquer discórdia surgem devido à adoração de coisas materiais, que têm forma -- no caso da religião, devido à adoração de imagens. Se alguém nos perguntar "qual é o maior de todos os pecados", responderemos "É a idolatria", de acordo com a doutrina da Seicho-No-Ie.

Quando todos os cristãos deixarem de ver o Cristo apenas como imagem física chamado "Jesus carnal" e passarem a vê-lo como natureza divina eterna, ou seja, como um ser espiritual, referido na frase "Antes que Abraão fosse, Eu Sou"; quando todos os budistas deixarem de adorar o Sakyamuni carnal e descobrirem o Buda eterno ao qual ele próprio se referiu assim numa resposta ao discípulo Ananda: "Todos os budas do passado foram meus discípulos"; e quando se compreender que a Seicho-No-Ie (Lar do Progredir Infinito) não é a casa do homem carnal chamado Masaharu Taniguchi, mas sim o Eterno Lar do Progredir Infinito referido na frase: "Todos os ensinamentos fluem para dentro de mim e vivificam-se"; aí então, as religiões não precisarão mais disputar entre si para ampliar seus domínios.


CRISTO E NICODEMOS

Na Bíblia, há uma passagem onde se diz que, chegando Jesus à Jerusalém, foi procurado por um homem chamado Nicodemos, que era fariseu e membro do Sinédrio. Este foi ter com Jesus depis do anoitecer, e lhe disse: "Rabi, sabemos que és mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele" (João 3, 2). Jesus percebeu que Nicodemos acreditava em Deus, não por ter compreendido a natureza divina, mas por ter visto os milagres revelados no plano material. Por ter percebido esse equívoco de Nicodemos é que Jesus lhe respondeu: "Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus" (João 3, 3). Com isso ele quis dizer: Não pense que viu o Reino de Deus simplesmente por ter presenciado milagres no plano material. Mas Nicodemos interpretou literalmente as palavras de Jesus e pensou que "nascer de novo" era retornar ao útero materno e nascer outra vez. Por isso, perguntou a Jesus: "Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer uma segunda vez? (João 3, 4). Ao que Jesus respondeu: "... o que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do espírito é espírito. Não te admires de eu te dizer: Importa-vos nascer de novo. O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem pra onde vai; assim acontece com aquele que nasceu do Espírito" (João 3, 5-8).

Certas doutrinas espiritistas pregam que "a vida carnal é o período de preparação para ingressar no Reino de Deus". Assim, muitas pessoas pensam que o seu ingresso no Reino de Deus, depois desta vida, depende dos resultados dos empenhos do seu corpo carnal. Gostaria que essas pessoas refletissem acerca daquelas palarvas de Jesus Cristo: "O que é nascido da carne é carne...". Não é após o nascimento e renascimento através da carne que o homem pode, finalmente, alcançar o Reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, não importa quantas vezes o seu corpo torne a nascer. O que é nascido do ser fenomênico é sempre ser fenomênico. Não é depois de encerrar a sua vida fenomênica que o homem finalmente pode passar para o Mundo da Imagem Verdadeira, assim como não é depois de se revelar o filme e aparecer a imagem na fotografia que a pessoa fotografada passa a existir. Desde o princípio, existe irrefutavelmente a pessoa real, e fotografando sua imagem é que se obtém seus retratos em diversas poses. Por mais que se reproduzam cópias, a pessoa real jamais se introduz na fotografia. O mesmo se pode dizer do homem verdadeiro (Imagem Verdadeira) e relação ao homem fenomênico: desde o princípio existimos como homem verdadeiro (ser espiritual), e neste mundo revelamo-nos como homem fenomênico.

Dependendo do tipo da "lente", pode-se obter diferentes "imagens": ora perfeitas, ora distorcidas. Mas o homem verdadeiro (Imagem Verdadeira) é aquele que, independentemente de estar ou não distorcida a sua imagem fenomênica, mantém sua original perfeição. Ele não é um ser que passa de um estado fenomênico para outro, como, por exemplo, do mundo fenomênico dos vivos para o mundo fenomênico após a morte. Tanto o mundo presente como o mundo após a morte são mundos fenomênicos. Podemos ter melhor compreensão disso, se os considerarmos como diferentes imagens reveladas pelas diferentes "lentes" com que se capta o Mundo da Imagem Verdadeira.

Explicando de forma objetiva e clara, a Verdade que Jesus Cristo transmitiu a Nicodemos foi a seguinte: "Ainda que a imagem tenha distorção, não pense que a pessoa real também seja distorcida. Ainda que o homem fenomênico esteja doente, não pense que o homem verdadeiro (Imagem Verdadeira) também o esteja. A Imagem Verdadeira é invisível aos olhos carnais. Você pode, por acaso, ver de onde vem o vento, e para onde ele vai? Certamente, não. Você não pode ver com os olhos da carne a Imagem verdadeira, assim como você não pode ver o vento. Nascer de novo significa volver para a Imagem Verdadeira os olhos da mente que estão voltados para o homem fenomênico".

Mas, como foi dito mais acima, Nicodemos não entendeu o significado das palavras de Jesus, e por isso redarguiu: "Como pode suceder isto?" E Jesus respondeu: "Tu és mestre em Israel, e não compreende estas cousas? Em verdade, em verdade te digo que nós dizemos o que sabemos e testificamos o que temos visto, contudo não aceitais o nosso testemunho. Se tratando de cousas terrenas não me credes (se não me compreendes apesar de eu ter lhe explicado usando a alegoria do vento do mundo fenomênico), como crereis, se vos falar das cousas celestiais (das coisas do Mundo da Imagem Verdadeira)?Ora, ninguém subiu ao céu (Mundo da Imagem Verdadeira), senão aquele que de lá desceu, a saber o filho do homem, que está no céu (poderá entrar no Mundo da Imagem Verdadeira somente aquele que nasceu do Mundo da Imagem Verdadeira, a saber, o homem verdadeiro). E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o filho do homem seja levantado, para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna (Importa que o filho do homem -- Jesus -- morra na cruz, para que aqueles que nele crêem compreedam que o homem verdadeiro é um ser eterno, um ser espiritual, que jamais morrerá, mesmo que o corpo carnal seja destruído)" (João 3, 10-15, com a interpretação feita entre parênteses).

"Para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna" -- este é o versículo em que os cristãos têm se fundamentado para afirmarem que o homem não poderá alcançar a vida eterna a não ser através de Jesus Cristo. Mas, por que será que o próprio Cristo disse "para que todo aquele que nEle crê tenha vida eterna", em vez de dizer "para que todo aquele que em Mim crê tenha a vida eterna"? Podemos constatar que, no referido trecho da Bíblia, Jesus usa as expressões "filho do homem" e "ele", em vez de "eu". E, quando se refere a "aquele que do céu desceu", acrescenta a explicação: "a saber, o filho do homem". Ao dizer isso, ele estava se referindo à Imagem Verdadeira de todo ser humano. Jesus não disse "Crê em mim" e sim "Crê no filho do homem; crê no homem verdadeiro (Imagem Verdadeira); eu sou um exemplo. Aquele que crê no homem verdadeiro como um ser eterno/espiritual, terá a vida eterna ainda que o seu corpo carnal pereça".


domingo, junho 15, 2008

Encobrimento da Natureza Divina do Homem

Masaharu Taniguchi


O homem verdadeiro, criado por Deus, à imagem e semelhança do Pai, traz em si a vida de Deus; ele simboliza a perfeição de Deus, sente alegria em viver como extensão do próprio Deus, e só se sente feliz quando ama a Deus, e a seus semelhantes -- que também são filhos de Deus -- e trabalha junto com eles, unindo forças. É contra sua natureza repudiar seus semelhantes ou conquistar a vitória somente para si mesmo, prejudicando os outros.

Por que, então, os seres humanos que habitam este mundo fenomênico não desfrutam da mesma vida perfeita do Paraíso da Imagem Verdadeira, e estão sempre em conflito uns com os outros? Na Sutra do Lótus consta: "O Paraíso permanece indestrutível. Mas a humanidade parece ser consumida pelo fogo, e este mundo se afigura cheio de tristeza, medo e sofrimento". No capítulo 1 do Gênesis está descrita a Imagem Verdadeira deste mundo, conforme foi criado por Deus: frutas e vegetais abundam nos campos e nas florestas, e o homem, criado à Imagem de Deus, ali vive repleto de felicidade. No entanto, no capítulo 2 do Gênesis, afirma-se que, quando a terra foi criada não havia nenhuma planta, nem havia homem para lavrar o solo, e que o homem foi criado do pó da terra, sendo posteriormente enganado pela astúcia da serpente, expulso do Jardim do Éden e condenado a obter o sustento com muito trabalho, "até que volte novamente a ser o pó da tera, de que foi criado". Isso é o que significa a queda do homem, do estado perfeito da Imagem Verdadeira para o estado imperfeito do aspecto fenomênico; do estado de homem autêntico para o estado de falso homem.

Então pergunta-se: Por que ocorreu essa queda? A verdade, porém, é que o homem verdadeiro (Imagem Verdadeira) jamais sofreu tal queda, embora assim pareça. Ele é imortal, indestrutível, jamais sofreu queda alguma, e continua vivendo tranquilo e feliz no Paraíso da Imagem Verdadeira, trabalhando na gratificante obra da criação. Porém, devido às ilusões da mente, a humanidade vê o ser humano como um ser material, um ser humano formado a partir do pó da terra.

Essencialmente, na Sutra do Lótus e no Gênesis é contada a mesma vedade: o homem verdadeiro (Imagem Verdadeira), ou seja, o "homem enquanto ser espiritual", é imortal e indestrutível; mas em vez de ver esse aspecto perfeito, a humanidade vê o homem material e o considera existência real. Essa é a primeira ilusão que constitui o primeiro "invólucro" (pecado) que encobre a Imagem Verdadeira. O primeiro e fundamental pecado é não ver o homem espiritual e real, mas apenas o homem material, acreditando ser real esse homem fenomênico e material.

O Reino de Deus -- o Mundo da Imagem Verdadeira, a criação autêntica de Deus -- não é algo incerto que existe ou deixa de existir ao sabor das ilusões da mente humana, isto é, não é algo que passa a existir se acreditarmos que ele "existe". O Paraíso da Imagem Verdadeira não é um mundo que esteja sujeito a surgir ou desaparecer, dependendo de acreditarmos ou não em sua existência. Ele continua a existir sempre, quer acreditemos ou não em sua existência.

Já as coisas do mundo fenomênico surgem se acreditarmos que elas "existem", e desaparecem se acreditarmos que elas "não existem". Por exemplo: acreditando que a doença existe, ela se manifesta; e, acreditando que ela não existe, isso a faz se extinguir. Acreditanto que "o homem está sujeito à pobreza" surge-nos a situação de pobreza; e, acreditando que "o homem é originariamente imune à pobreza", desaparece a situação de pobreza. Tais fatos tem sido muito vivenciado por muitos adeptos da Seicho-No-Ie. Como podemos perceber, as coisas do mundo fenomênico surgem ou se extinguem de acordo com nossa mente; vemos as situações e aspectos que nossa própria mente projetou e "coloriu".

Portanto, conforme está escrito na Sutra do Lótus, mesmo quando o mundo fenomênico parece "consumido pelo fogo e repleto de tristeza, medo e sofrimento", o Mundo da Imagem Verdadeira, de perene felicidade, mantém-se indestrutível. Se o mundo da Imagem Verdadeira continua intacto e perfeito, é impossível que exista como parte dele o mundo fenomênico repleto de sofrimentos. Na verdade, o mundo fenomênico repleto de sofrimentos não existe. O mundo da matéria não existe.

Então, o mundo fenomênico repleto de sofrimentos é um mundo ilusório, totalmente alheio ao Mundo da Imagem Verdadeira de perene felicidade? Também não é assim. O mundo fenomênico é o mundo que se nos apresenta através da "lente embaçada" de ilusões que cobrem o Mundo da Imagem Verdadeira. Na verdade, somente o Mundo da Imagem Verdadeira existe realmente. O mundo fenomênico não reflete o aspecto real do Mundo da Imagem Verdadeira, sendo apenas um mundo aparente que vemos através da "lente" embaçada pelas nossas ilusões. O mundo fenomênico que vemos através dessa "lente" é mutável e nele se alternam sofrimentos e alegrias; mas, não obstante esse aspecto do mundo fenomênico, e independente de o homem fenomênico extinguir-se ou não, o Mundo da Imagem Verdadeira de perene felicidade continua a existir intacta e indestrutivelmente. Assim mesmo como somos, aqui e agora, estamos vivendo dentro do Mundo da Imagem Verdadeira; não é que o mundo fenomênico exista numa "área" delimitada dentro do Mundo Imagem Verdadeira e que o homem se transfira para a área pura do Mundo da Imagem Verdadeira após a morte do corpo carnal. Isso não ocorre.

O primeiro capítulo do Gênesis refere-se à Imagem Verdadeira perfeita do homem-espírito. Já o segundo capítulo vê o homem como uma criatura imperfeita, formada do pó da terra. Isto constitui a primeira ilusão da humanidade, o primeiro pecado. É ilusão pelo fato de não se enxergar o Aspecto Verdadeiro; é pecado pelo fato de se ocultar a Imagem Verdadeira com o "invólucro" chamado "ilusão" (Em japonês, pecado é tsumi, termo derivado da palavra tsutsumi que significa invólucro ou envoltório).

O primeiro pecado consiste, pois, em encobrir e ocultar a natureza espiritual do homem e vê-lo como um ser material; consiste em encobrir e ocultar a Imagem Verdadeira do homem-espírito e vê-lo como homem-matéria; consiste em acreditar que o Reino de Deus é um mundo que se alcança somente depois que se deixa este mundo, e em acreditar que o homem não poderá "nascer no reino de Deus" a não ser quando sua existência física chegar ao fim. Em outras palavras, consiste na não-conscientização de que o Reino de Deus é um mundo eterno e ilimitado que já existe aqui e agora, e na não-conscientização de que o homem é filho de Deus e, portanto, um ser eterno. Dito na linguagem do cristianismo, esse primeiro pecado constitui o "pecado original cometido por Adão".

Devido ao pecado original (o primeiro encobrimento da natureza divina do homem), a humanidade passou a considerar o ser humano "pó da terra" -- um mero corpo material --, e a considerar o mundo um aglomerado de elementos materiais. Fisicamente, cada indivíduo é separado dos outros; por isso, enquanto o homem considerar a si próprio como um ser material, sempre surgirá o egoísmo. Todos os elementos materiais são limitados; por isso, enquanto o homem encarar o mundo como um aglomerado de elementos materiais, ele se empenhará em lutas, saques e disputas, defendendo a posse de coisas materiais, movido pela idéia de que "as coisas se diminuem se forem compartilhadas com os outros". Eis porque apesar de o homem verdadeiro -- que é filho de Deus -- jamais se empenhar em lutas, saques e disputas, o homem fenomênico vive se envolvendo em lutas, saques e disputas.


quinta-feira, junho 12, 2008

A Base da Cura Espiritual (Fim)

Joel S. Goldsmith


A CONDUTA DE UM MÉTODO DE CURA

Desenvolvendo o seu método de cura, tenha o cuidado de não repetir presunçosamente declarações da verdade a seus pacientes, de não lhes dar bonitas citações da Escritura nem de escritos metafísicos, salvo se você próprio teve uma dimensão consciente dessa verdade. Lembre-se: é muito melhor não dizer coisa alguma a seus pacientes além de "Deixe isso comigo" ou "Eu o ajudarei", ou "Eu estarei com você" ou "Chame outra vez pela manhã" -- é muito melhor não lhes transmitir qualquer declaração da verdade, mas apenas a sua garantia de que, com o seu entendimento da presença de Deus, você está conscientemente com eles em prece e realização.

Quando sua consciência está imbuída no espírito da verdade -- não apenas na letra da verdade, mas do espírito da verdade -- ocorrerá a cura. Então você pode explicar a seus pacientes o que é a verdade, transmitindo-lhes declarações da verdade que você provou ou demonstrou, e que se tornaram parte de sua consciência. Eles, então, não apenas ficarão contentes por ouvir essas declarações, como também sentirão a sua verdade. Fazer a seus pacientes ou estudantes citações e declarações da verdade das quais você próprio não tem consciência, é como dar-lhes pedra quando eles pedem pão. Preferivelmente, faça-lhes uma declaração simples, uma que você já tenha demonstrado repetidamente e que, portanto, sabe que é verdadeira. A menos que você possa fazer isso, dê-lhes o silêncio que cura. Nada diga, mas sinta dentro de seu ser esse Cristo que cura.

Lembre-se disto: você não é chamado para curar uma pessoa; você não é chamado para eliminar uma moléstia terrível; você não é chamado para mudar a atividade de um corpo humano. Tudo o que você é chamado a fazer é compreender a natureza espiritual do Deus onipotente e a criação perfeita de Deus. Você é chamado para sentir uma presença vivente, para sentir esta Presença vivente no centro do seu ser.

Em cada caso para o qual você é chamado, o verdadeiro chamado é para a sua compreensão de Deus como a vida do homem, Deus como a mente, a alma, a lei, a substância e a causa. Declarar estas coisas, no entanto, não constitui uma cura espiritual. Você tem de sentí-las; trata-se de uma verdadeira percepção espiritual dentro do seu próprio ser.

Não tente alcançar o seu paciente. Não tente transmitir o seu pensamento a um paciente. Esteja apenas certo de que dentro de seu próprio ser você sente a verdade, você sente a exatidão, você percebe o sentido espiritual de ser. Então o seu paciente correnponderá. Não leve o paciente para o seu pensamento -- não tome nota de seu nome, nem da natureza de sua moléstia, nem de qual é a sua aparência -- e, acima de tudo, jamais pense que você tem de transmitir ou de transferir algum pensamento para ele.

Não importa qual seja a alegação ou o problema. Quando o Cristo de você toca o Cristo do seu paciente, acontece a cura. Não tente curar humanamente pessoa alguma, seja mental ou fisicamente. Procure ficar calado no centro de seu ser e sinta o Cristo, sabendo que tudo isso está ocorrendo no Coração único, no coração de Deus, que é o seu coração. Você tem de sentir uma unidade consciente com Deus. Deus inclui tudo e, já que é assim, você e eu precisamos estar incluídos nesse ser-Deus, de modo que quando você é um com Deus, você é um comigo. "Minha união consciente com Deus constitui a minha unidade com você, e com cada ser espiritual, e com cada atividade de Deus que está incluída na minha vida". Todas estas são idéias divinas, cuja forma traduzimos em termos de nossas necessidades humanas.

Assim, como o seu corpo é um corpo espiritual em Deus, nem masculino, nem feminino, quando você está em contato com o seu Cristo, no centro do seu ser, que é o Cristo de cada indivíduo... quando ocorre o contato com o Cristo, há somente amor puro, Espírito puro. Entretanto, por causa do sentimento humano, as qualidades de Deus são interpretadas como masculinas e femininas, indiferentemente.

Da mesma maneira, a idéia de transporte pode ser traduzida num jumento, num avião, num bonde, ou num automóvel. Estes representam somente os conceitos humanos da idéia divina de transporte. A verdade sobre transportes é encontrada em uma palavra: instantaneidade -- Eu estou em todos os lugares -- aqui, lá, e em todos os lugares! Esta é a verdade a respeito do transporte espiritual. É por isso que é tão fácil a um clínico de São Francisco curar alguém na China como curar alguém que esteja fisicamente presente.




A PERCEPÇÃO DE DEUS É NECESSÁRIA

No livro "O Caminho Infinito" há um capítulo sobre 'Meditação' que delineia um curso sobre o que poderia ser chamado de preparação espiritual. A primeira parte dessa preparação é a prática de despertar pela manhã na compreensão consciente de sua unidade com Deus. "Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam". Se você não trouxer conscientemente Deus para sua experiência em seu primeiro momento de vigília, você pode ter perdido a oportunidade de ter Deus com você em cada ocasisão durante todo o dia.

Talvez, à medida que você lê isto, possa pensar: "Ó, Deus é onipresente; Deus está sempre comigo!". Não acredite nisso, porque não é absolutamente verdade! Este é um daqueles lugares-comuns, uma daquelas citações!

É verdade que Deus é onipresente. É verdade que Deus está exatamente onde você está. Mas se é verdade que Deus é onipresente, então deve ter estado presente quando todos os rapazes foram mortos na frente de batalha, ou quando os antigos cristãos foram atirados aos leões, ou quando nas últimas décadas milhares de pessoas inocentes foram massacradas em campos de concentração. O que Deus estava fazendo enquanto aconteciam esses horrores? Ele estava lá? Então, por que Ele não estava ajudando? Certamente Deus estava lá, mas Deus não é uma pessoa e Deus não pode olhar você aqui embaixo e dizer que sente o sofrimento que você está suportando. Deus está onipresente nos hospitais, nas prisões, na frente de batalha. Deus é onipresente! Mas de que isso serve para alguém? De que serve isso para você? Somente isto: Deus está disponível em cada caso, na medida da sua percepção consciente da presença de Deus.

Deus está presente! Sem dúvida. A eletricidade estava presente através das eras quando as pessoas estavam usando óleo de baleia e querosene. Mas que benefício a eletricidade representava para elas? Nenhum, porque não havia compreensão consciente da presença da eletricidade.

Jesus também poderia estar viajando ao redor da Terra Santa em um aeroplano. E o que dizer dos hebreus em sua longa caminhada cruzando os areais? Hoje isso leva quarenta minutos! As leis da aerodinâmica estavam presentes e a seu dispor, mas não havia percepção consciente delas, embora essas leis pudessem ter sido implementadas se houvesse qualquer conhecimento de sua existência.

A eletricidade está presente hoje como sempre esteve, mas agora, por causa de uma percepção consciente de suas leis, ela nos dá calor, luz e força. Deus está presente aqui e agora, mas é preciso haver uma percepção e compreensão conscientes -- na realidade, mais do que isso; um sentimento consciente da presença de Deus para que você possa recorrer a essa Presença e Poder. Conversa lisojeira, citações e lugares-comuns metafísicos não devem ser confundidos com essa percepção e compreensão conscientes, através das quais Deus se torna uma realidade vivente para você. Concordar com os lugares-comuns metafísicos é tão inútil quanto seria para alguém que, vivendo nos tempos antigos, dissesse: "Você sabe, a eletricidade está disponível". Sim, é claro que estava -- se soubessem como fazer uso dela.

Essa conversa a respeito de Deus tem acontecido há milhares de anos, e ainda há muitas pessoas religiosas nas igrejas que estão falando sobre Deus e mesmo assim estão passando por todas as vicissitudes da experiência humana. Não é a conversa, no entanto, mas a compreensão consciente da presença de Deus que é o segredo do viver espiritual.

A respeito do desenvolvimento desse estado de consciência, há certas práticas que constituem passos ao longo do caminho. A mais importante delas é treinar a fim de realizar um esforço consciente para compreender a presença de Deus ao despertar pela manhã. Se você não pode sentir imediatamente a presença de Deus, pode pelo menos aprender a reconhecer a onipresença, a onipotência e a consciência de Deus; você pode, pelo menos, tentar compreender: "Assim como a onda é uma com o oceano, do mesmo modo eu sou um com Deus. Assim como o raio de sol é um com o Sol, do mesmo modo eu sou um com Deus."

Se você tomar um, dois ou três minutos para fazer isto perceberá, ao sair da cama e colocar os pés no chão, que está com uma disposição mental bem diferente. Quando você aprender a não sair da cama enquanto não estiver estabelecido sua unidade consciente com Deus, seu dia começará bem.

Quando acordo pela manhã, tenho o hábito de estabelecer esta compreensão consciente da presença de Deus. Considero essa a parte mais importante do meu trabalho diário, porque depois que fiz isso, não tenho muito a fazer durante o resto do dia, a não ser olhar sobre meus ombros e ver Deus trabalhando.

Por exemplo, quando você sai de casa de manhã, não passe pela porta sem compreender conscientemente que a Presença foi à sua frente e que a Presença permanece atrás de você para abençoar os que passam por aquele caminho. Não saia sem fazer isso conscientemente, porque o esforço consciente determina a sua revelação.

Da mesma maneira, quando você senta-se à mesa, não coma até que tenha pelo menos piscado seus olhos e dito silenciosamenta: "Obrigado, Pai!". Isto não é dito em qualquer sentido ortodoxo de ação de graças. É um reconhecimento de Deus como a fonte do seu suprimento, um reconhecimento de que não foi o seu próprio esforço humano que lhe trouxe o alimento, e que por si só você nada pode fazer; o Pai dentro de você colocou esse alimento à sua frente.

Não há maneira de saltar do ser humano para ser um ente espiritual, mas pouco a pouco precisamos começar a espiritualizar nosso pensamento até que nos encontremos no reino do céu. Precisamos aprender que, não importa o que estejamos fazendo durante o dia, é somente por causa da presença de Deus que o estamos fazendo. Jesus disse: "Não posso por mim mesmo fazer coisa alguma... O Pai que está em mim é quem faz as obras" E Paulo disse: "Já não sou eu quem vivo, mas Cristo vive em mim".

Você precisa ver que cada pedacinho de bem que você faz ou vivencia é o Cristo atuando dentro e através de você; é o Espírito de Deus ativando você. A atividade de cura é a atividade da Consciência divina, a atividade do Cristo do seu próprio ser, que ocorre dentro de você.

terça-feira, junho 10, 2008

A Base da Cura Espiritual - 02


Joel S. Goldsmith


ENTENDIMENTO DA NATUREZA DE DEUS

Toda a nossa vida espiritual depende de nossa capacidade de compreender Deus e, a menos que compreendamos a onipresença e onipotência de Deus, não progrediremos nesta tarefa.

Através dos tempos, muitos nomes foram dados a Deus: Abraão conheceu Deus como Amigo. Nas antigas escrituras dos hindus, que remontam a milhares de anos e abrangem um pouco mais da primitiva literatura dada ao mundo sobre o assunto de Deus, este é mencionado como "Mãe" e às vezes como "Pai". O grande místico hindu moderno, Ramakrishna, conheceu Deus como a "Mãe Kali"; mas, freqüentemente, alguns termos como "Mestre", "Princípio", "Alma", "Luz", "Espírito", "Amor" e outros sinônimos bem-conhecidos de Deus também serão encontrados nas escrituras hindu. Entretanto, porque era da natureza dos hindus primitivos, assim como dos hebreus primitivos, personalizar, eles trouxeram Deus para mais perto de si da maneira que melhor entendiam -- como uma Mãe amorosa e, ocasionalmente, como um Pai.

No século XIX, as pessoas versadas em sânsccrito traduziram muitos dos grandes clássicos hindus para o alemão e o inglês, de modo que pela primeira vez o ocidente teve a oportunidade de familiarizar-se com a terminologia hindú. O resultado foi que muitos dos seus conceitos à respeito de Deus se infiltraram na literatura do século XIX. O Termo "Pai-Mãe", como sinônimo de Deus, obteve ampla aceitação por sua incorporação ao ensino da Ciência Cristã de Mary Baker Eddy. Com a utilização do termo na literatura da Ciência Cristã, ele mais tarde foi incorporado em muitos outros ensinamentos metafísicos. E, assim, Deus tem sido conhecido como Mãe, algumas vezes como Pai e, também, como Pai-Mãe. Nenhum desses termos procurou indicar um gênero, nem significar que Deus era masculino ou feminino. Em vez disso, esses termos carinhosos conotam as qualidades suaves, amorosas e protetoras de uma mãe, e as qualidades severas, legisladoras, de proteção, de apoio e de defesa de um pai.

Por isso, quando Deus vem à sua consciência individual, Ele chega de uma maneira tão suave que você pode ainda usar o termo "Pai" ou "Mãe". Cada vez mais, no entanto, as pessoas estão começando a pensar em Deus como Luz e Vida; e, quando Deus é compreendido na consciência individual como Vida ou como Luz, não há sentido de masculino ou feminino, apenas um sentido de Deus como a vida universal que permeia a forma que você tem -- a vida que permeia a forma da árvore, do animal, da flor... uma vida impessoal mas, mesmo assim, vida.

Deus é Espírito, e Espírito é a substância e a essência da qual todas as coisas são formadas -- tudo o que está na Terra e no Céu, no ar, e na água. A criação espiritual é formada dessa indestrutível e indivisível Substância, ou Espírito, denominado Deus.


A CONSCIÊNCIA ESPIRITUAL REVELA A REALIDADE

Você pode, então, questionar: porque há coisas como árvores apodrecendo e vulcões entrando em erupção? Eles também são essência de Deus? Não; eles representam o nosso conceito daquilo que realmente está lá. No reino de Deus não há jamais uma árvore apodrecendo, nem existem forças destrutivas ou arrasadoras em ação. O místico alemão Jacob Boheme via a realidade através das árvores e da relva. Para todos os místicos é como se o mundo se abrisse e eles vissem o mundo como Deus o fez.

Deus é a substância e a realidade subjacentes a toda forma; mas o que vemos, ouvimos, degustamos, tocamos ou cheiramos é o produto da mente humana, do sentido mortal, material, finito. A soma total dos seres humanos no mundo, sob o que se chama lei material -- médica, teológica ou econômica -- estabeleceu esse sentido finito do universo que eles vêem, ouvem, degustam, tocam ou cheiram.

Nada é aquilo que parece ser. Todos nós poderíamos olhar para o mesmo objeto e cada um de nós poderia vê-lo diferentemente. Por que? Porque cada um de nós o interpreta à luz da educação, do ambiente e dos antecedentes de nossa experiência individual. Compreender que aquilo que vemos representa apenas o nosso conceito do que na realidade existe é importante, porque sobre este ponto criamos ou perdemos nossa consciência curativa. Deus criou tudo o que foi criado e tudo o que Ele criou é bom. Por isso, todo este mundo, quer visto como seres humanos, ou como animais e plantas, é Deus manifesto. Mas quando o vemos, não o vemos como é: vemos somente nosso conceito finito dele.

Isto é muito importante porque é nessa premissa que se baseia toda cura espiritual, e a falta de recohecimento deste ponto responde por noventa e cinco por cento das falhas na cura espiritual. Muitos metafísicos estão procurando curar o corpo físico, e este não pode ser curado porque nada existe que um metafísico possa fazer a um corpo físico; mas quando ele muda seu conceito de corpo, este passa a corresponder àquele conceito mais elevado. Então o paciente diz: "Fui curado!". Ele não foi curado: ele era perfeito no começo. O que estava errado não se achava no corpo, mas em seu falso conceito de si mesmo e de seu corpo.

Se você compreender esta idéia, isto poderá poupá-lo de cometer o engano fatal na tentativa de curar alguém ou o corpo de alguém. Quando vejo o seu corpo através do sentido espiritual, considero você como Deus o fez, e você declarará que foi curado. A criação de Deus está intacta; está perfeita e harmoniosa, e essa criação perfeita e harmoniosa está bem aqui e agora. Porém, isso não pode ser visto com os olhos do corpo. Somente pode ser discernido através da visão espiritual, do sentido espiritual -- através da consciência espiritual, ou do que é chamado de consciência de Cristo.

Não tente reformar o mundo exterior. Quando você encontra roubalheira, embriaguez, ou qualquer outra forma de degradação, não olhe para essas coisas, mas através delas. Feche os olhos, ou então vire-se de costas. Olhe através do indivíduo, considerando com o seu sentido espiritual a realidade do ser dele, e você proporcionará o que o mundo chama de cura. Com o seu sentido espiritual interior, dado por Deus, olhe dentro do coração de cada homem e veja o Cristo, e lá você encontrará a mais maravilhosa força curativa que existe no mundo. Depois, deixe que o seu sentimento o guie. Procure obter o sentimento ou a sensação do Cristo presente bem no centro de cada ser, e quando você alcançar esse Cristo terá uma cura instantânea.

Para conseguir uma cura de pecado ou moléstia não se preocupe com o ser ou com o corpo humano. Recolha-se no silêncio interior: sinta a presença de Deus, o sentimento divino/interior, e então você não será tentado a pensar em pessoa alguma. Não é necessário pensar no nome da pessoa que recorreu a você em busca de auxílio, nem em sua forma nem em sua moléstia. A Inteligência onisciente sabe e, por isso, quando você percebe um sentimento de Alma que a empolga, terá testemunhado uma cura.


domingo, junho 08, 2008

A Base da Cura Espiritual - 01


Joel S. Goldsmith



A cura espiritual é conseguida através da realização do Cristo na consciência individual. Deus, a Consciência individual deste universo, é a consciência única e exclusiva. Todavia, já que Deus é a consciência de mim e já que Deus é a consciência de ti, e porque há somente uma única consciência, a verdade se torna efetiva na consciência de qualquer pessoa que sintonize com ela. Portanto, qualquer verdade que se revele dentro de nossa consciência revela-se instantaneamente à pessoa que aparece como nossa paciente.

Algumas vezes, pessoas que não estão ligadas a nós de algum modo, como amigos, parentes, estudantes ou pacientes -- alguém que esteja num hospital, numa prisão ou numa ilha deserta, alguém que esteja buscando este conceito mais alto de Deus -- podem ser curadas ainda que não nos conheçam e nós não as conheçamos; ou, ainda que elas nos conheçam, podem não saber que estamos nesta trilha e, por isso, não saberiam que foram curadas.

Há somente uma Vida, uma Consciência, uma Alma; mas Esta é a sua consciência, é a minha consciência. É por isso que não termos de tentar alcançar pessoa alguma. Quando estamos nessa união consciente, tanto nos tornamos uma parte do outro que o que um está pensando à respeito da Verdade, ou de Deus, o outro está ouvindo; mas não há transferência de pensamento e isso não deve ser interpretado dessa maneira. Nós não somos únicos em nossa humanidade: nós somos únicos no Cristo, e tudo o que está sendo proporcionado é a idéia divina que flui na consciência.

Por esta razão, aqueles que não estão conscientes do princípio do poder único jamais precisam preocupar-se em suportar os pensamentos de outra pessoa. Todo o sofrimento da Terra, não importando sua forma ou natureza, é um produto da crença universal em dois poderes; portanto, a harmonia universal só será restaurada quando Deus for revelado como Onipotência. Há apenas uma mente e esta é o instrumento de Deus, jamais se eleva mais alto do que a pessoa em cuja mente ele está ocorrendo.

Por exemplo, se alguém estivesse sentado aqui repetindo "duas vezes dois, cinco", nosso senso matemático nos protegeria e não aceitaríamos essa afirmação incorreta. Ele poderia dizer: "Você está morto!", mas o nosso senso de vida seria uma proteção e não nos perturbaríamos por causa desse pensamento errôneo.

Em certas formas de prática mental, têm sido feitos experimentos provando que um indivíduo não pode ser induzido a fazer alguma coisa que violente sua própria integridade, salvo se for por sua própria escolha consciente. Nenhum pensamento humano conscientemente dirigido a uma pessoa pode jamais fazer com que alguém violente sua própria integridade; e, em consequência, quando alguém comete um erro, é porque essa pessoa está conscientemente violentando seu próprio senso do que é certo. Tudo isso é inerente ao próprio ser.


LIBERDADE ESPIRITUAL


Os discípulos pouco entenderam a missão de Jesus. Nos três anos que estiveram com Jesus, apesar de terem contato quase diário com ele e com seu pensamento e trabalho, poucos foram os que evidenciaram estar profundamente tocados por sua mensagem. Ele não conseguiu provocar muita espiritualidade em Judas e não teve grande sucesso com Pedro, e menos ainda com a maioria dos demais discípulos. João, naturalmente, captou a mensagem plena e completa.

A chegada do Messias havia sido profetizada há séculos, mas os hebreus não tinham o conceito do Messias como um ensinamento ou uma idéia divina. Pensavam que o Messias, quando chegasse, seria um homem que os conduziria à liberdade. Liberdade do que? Liberdade da servidão a César, de serem escravos de César; liberdade provavelmente de algumas das práticas impostas por sua religião, porque os povos da época de jesus estava procurando uma liberdade física, uma liberdade temporal, e provavelmente pensavam que o Messias poderia vir como um rei para dar-lhes essa liberdade. Nisso ficaram desapontados. Não compreendiam que a missão de Jesus não era deste mundo.

Jesus veio com a idéia divina da liberdade espiritual. Esperava que, colocando os povos de sua época livres em sua consciência -- livres da escravidão a pessoas e coisas -- eles estariam de fato livres. Mas os hebreus estavam procurando um emancipador humano, que os tornaria livres de consdições intoleráveis, e não conseguiriam compreender a missão do Cristo. Por esta razão, pouco deles captaram a visão e se beneficiaram com ela.

Que ninguém cometa hoje o mesmo engano a respeito da missão do Caminho Infinito. Seu propósito é a compreensão e a revelação do ser espiritual, a manifestação harmoniosa e eterna de Deus, do Bem. Ela não procura mudar, corrigir ou reformar pessoa alguma. Por isso, o nosso trabalho está dentro do nosso próprio ser e consiste em alcançar aquela consciência espiritual em que não há tentação para aceitar o universo e o ser individual como outro que não Deus aparecendo como o universo e como ser individual.

No sentido comumente aceito pela prática metafísica de cura, a saúde é habitualmente procurada como o oposto ou como a ausência de doença; a bondade e a moralidade como oposto ou a ausência de maudade e imoralidade; porém, nesta exposição, não tentamos curar o corpo, eliminar a doença ou reformar os pecadores. Não procuramos saúde no que Jesus chamou "este mundo" porque o "Meu reino não é deste mundo", isto é, o trabalho de Cristo não está no reino dos conceitos humanos. Entendemos que a saúde é a qualidade e a atividade da Alma, sempre expressa como um corpo perfeito e imortal. Até mesmo um corpo humano harmonioso não expressa necessariamente a saúde, porque esta é mais do que a ausência de doença: É uma disposição eterna do ser espiritual. Além disso, a bondade humana não é senão o oposto da maldade humana, e não é a disposição espiritual do ser que precisamos compreender e conseguir em nossa abordagem à vida.

Conquanto esta mensagem não diga respeito à saúde ou à doença humana, à riqueza material ou à pobreza, à bondade ou à maldade pessoal, mesmo assim a consecução da consciência de Deus que aparece como um ser individual resulta naquilo que ao sentido humano aparece como saúde, riqueza e bondade. Estas coisas, entretanto, representam os conceitos finitos daquela harmonia espiritual que a realidade está sempre presente.

Quando não estivermos mais sujeitos à crença de que somos escravos de alguma pessoa ou circunstância, e quando não formos mais escravos de contas a pagar, estaremos verdadeiramente livres para sempre. Então, não nos fará diferença que espécie de sistema político ou econômico existe em nosso mundo. Seremos abundantemente providos por qualquer que seja a forma de suprimento necessário, seja qual for a forma de governo em que estejamos vivendo. E se estivéssemos na prisão, ainda assim estaríamos livres. Seríamos como aquelas pessoas de outrora que diziam: "Aprisionar-me você não pode! Meu corpo você pode pôr na prisão -- mas não a mim!".

A mente, ou a consciência, não pode ser confinada a uma sala ou cadeira. A mente pode vagar à vontade por aí e ser treinada de modo a elevar-se acima do sentido corpóreo, como o de estar realmente fora deste mundo com a sensação de estar livre do corpo, sem que deixemos o corpo. Não é possível deixar nosso corpo porque somos uma só coisa, mas podemos deixar o sentido corpóreo dele e ficar tão livres espiritualmente que não seremos limitados nem pelo tempo nem pelo espaço. É o que acontece quando conquistamos nossa liberdade espiritual.

Nessa liberdade espiritual, sobrepujamos todo o sentido de limitação. Por exemplo, não cessamos de usar o dinheiro, mas não nos preocupamos com ele. O dinheiro virá, e ainda que continuemos a usá-lo, não estaremos mais limitados ou aprisionados ao conceito de que dinheiro é um suprimento.

Enquanto pensarmos no dinheiro como suprimento, não demonstraremos liberdade espiritual no que se relaciona com o suprimento. Mesmo que nossa renda fosse dobrada, não nos regozijaríamos por ter feito uma demonstração, se ainda acreditarmos que dinheiro é suprimento! Dinheiro não é suprimento. Eu sou suprimento: a Consciência é supriemento. Esta Essência indefinível, chamada Espírito, que somos, é suprimento, e é onipresente, onipotente e onisciente.

quinta-feira, junho 05, 2008

Compreendendo a Oração Pelos Outros

Allen White

Quando orar por um filho, um ente querido doente, ou alguém que possa aparentar estar com problema, o FATO essencial é conscientizar que OS OUTROS NÃO EXISTEM. HÁ SOMENTE DEUS. Somente o que Deus É, é... Nada mais é ocorrência. Inexiste outra presença, poder, identidade ou manifestação.

Como você já tem percebido, não podemos continuar a dizer: "Deus é a única Presença e o único Poder", e acreditar que exista algo ou alguém com problema -- inclusive que haja alguém que necessite de nossa ajuda em oração.

O que você e eu temos considerado ser orar pelos outros, é realmente deixar nítido e claro que tudo quanto existe (exatamente agora) para ser visto, ouvido e sentido é a PERFEIÇÃO IMUTÁVEL DE DEUS. Quando você está com clareza neste FATO, não sente mais que algo exterior necessita de ajuda ou de cura. Quando você está com clareza neste fato, o que você conhece se mostra.

Sua dúvida é quanto aos outros , os doentes, se eles têm necessidade de conhecer também esta Verdade? Não, OS OUTROS NÃO EXISTEM. Existe somente Deus, e Deus conhece a Si próprio como imutável Perfeição Absoluta.

segunda-feira, junho 02, 2008

Pescadores de homens (Joel S. Goldsmith)

Joel S. Goldsmith


Nas escrituras e literatura espiritual, muitas referências lhe indicam que você deverá modificar algo em seu modo de vida, ou fazer alguma coisa para receber a Graça de Deus. Lembre-se do que agora lhe digo: a responsabilidade não lhe pesa sobre os ombros ou sobre os ombros de alguém. Assim, peço-lhe que se abstenha de criticar ou julgar as pessoas e, especificamente, deixe de julgar, criticar, condenar ou menosprezar a si mesmo e sua própria compreensão, pois a responsabilidade pelo seu aprimoramento não recai sobre seus ombros: recai sobre os ombros do Cristo.

Relaxe mais na conscientização de que o Cristo é quem o está conduzindo, guiando e dirigindo. Nunca creia que os santos, sábios e profetas do mundo, por alguma grandiosa ação de vontade própria, chegaram àquela posição, pois não é verdade. Mesmo atualmente, constatamos a existência de suficiente número de amadas luzes espirituais, mestres, líderes e praticistas, para sabermos que jamais alguém abandonou o conceito pessoal de vida para se tornar esse mestre ou líder espiritual conhecido: saíram do mundo dos negócios ou dos afazeres caseiros pela Graça de Deus, que os tornou "pescadores de homens".

O Mestre andava pela encosta e, ao escolher seus discípulos, prometeu-lhes: "Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens". Você poderia pensar que eles fossem homens de elevada compreensão, pela obediência que demonstraram. Mas não, eles não possuíam poder algum para deixar de obedecer. Não possuíam maior poder para resistir ao chamado do Mestre do que o poder que temos, você ou eu, para fazer isto. Quando o Mestre disser: "Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens", você irá obedecê-Lo. Você já vinha fazendo isso, pelo sacrifício de tempo, dinheiro, esforço, e pelos seus estudos e meditações. Já pôde demonstrar ser incapaz de resistir à atividade do Cristo em sua consciência, mesmo que tivesse esse desejo ou vontade, o que certamente não é o caso. Mas, se fosse, e se lhe faltasse compreensão, sabedoria, coragem ou determinação, mesmo assim nenhuma diferença faria, pois há algo em você superior a qualquer idéia humana de rebelião ou de anseio por conforto material.

Realmente, o ser humano tem o desejo normal e natural de querer ficar no conforto, e são pouquíssimos os que despendem tempo, esforço e dinheiro para ampliar seus conhecimentos sobre Deus como você vem fazendo. Ah, não! O ser humano tem casamentos para comparecer, funerais, necessita de retirar jumentos caídos na vala. O ser humano dispõe de muitas coisas que ocupam seu tempo — teatro, reuniões, atividades esportivas --, e deixa de atender à atividade do Cristo. Mas, uma vez tocado e chamado pelo Dedo divino, esteja certo de uma coisa: ele irá atender a esse chamado.

Após serem escolhidos, teriam os discípulos alguma responsabilidade por suas carreiras? Não! O Mestre os enviou. Foram mandados sem bolsa e sem alforje; seguiram o caminho determinado, e sobreviveram. Noutra ocasião, seguiram com bolsa e alforje, e também sobreviveram. O Mestre levou alguns ao topo da montanha – ele os levou. Teriam ido por conta própria? Não! Ele os levou. Tiveram poder para resistir? Não! Também você e eu não temos esse poder. Isto constitui a vida pela Graça. Tudo que hoje transpira em sua vida, e tudo que irá transpirar a partir de agora até a eternidade, são e continuarão a ser uma atividade da Graça.

Ah, eu sei que alguns, e talvez até eu mesmo esteja aí incluído, tentarão resistir por certo tempo. Vez ou outra tentarão ficar de lado, retornando a algum senso, vontade ou ambição de cunho pessoal; mas, serão forçados a voltar, pois nenhuma condição para resistir ao Cristo lhes será concedida. Quando ocorre o chamado, somos incapazes de rejeitá-lo ou de refutá-lo. É verdade que poderemos negar o Mestre até mesmo "por três vezes"; poderemos ser acusados de traição, de estar dormindo no Jardim de Getsêmane. Que importa? Não nos deixemos ficar perturbados ou alarmados por causa disso. Que não haja autocondenação por estas nossas faltas! Percebamos que aquilo foi a parte da ilusão que não pudemos evitar; mas que, devido à Graça divina, o ultimato da salvação nos será ainda mais inevitável.

Foi bem mais inevitável que Pedro curasse aquele homem à porta do templo Formosa, do que ele negasse o Cristo. Sua negação do Cristo foi mero incidente, daqueles pequenos exemplos em que um ser humano cai à beira do caminho, para assegurar popularidade junto às massas, ou por temer algum castigo. Não sejamos tão severos nesses julgamentos. Talvez cada um de nós fizesse o mesmo! Talvez! Neste mundo, há pessoas que, por este ou aquele motivo, renunciam temporariamente à dedicação plena ao seu seguimento ao Cristo. Sejamos bondosos, justos e compassivos com elas. São apenas traços de humanidade ainda presentes, que pouco diferem da cena em que os discípulos caíram no sono, quando estavam no jardim. Não há nenhum dano real nisso tudo! Trata-se apenas de um lapso temporário.

O que era inevitável, portanto, era ocorrer o despertar dos discípulos para o Pentecostes, com a descida do Espírito Santo sobre eles, apesar de todas aquelas experiências. Passaram a ouvir em sua própria língua a linguagem do Espírito; e, a partir de então, foram cuidar "dos negócios do Pai". Ainda assim, ainda erraram em achar que poderiam distribuir seus recursos e viver satisfeitos por dividi-los entre os membros do grupo. Concluíram, porém, que todos deveriam viver segundo o próprio estado de consciência; que deveriam demonstrar sua maior ou menor entrada de recursos; que deveriam demonstrar seu grau de conforto e de harmonia na vida, não pela força ou poder, não pela divisão daquilo que está neste mundo, não às custas de outra pessoa, mas pelo próprio grau de conscientização do Cristo em si mesmos.

No mundo quadridimensional, você vive pela Graça — "não pela força ou pelo poder, mas pelo Meu Espírito". Cada um é responsável pela própria integridade; cada um é responsável pelo seu próprio desenvolvimento; porém, se for julgar pelo mundo das aparências, durante sua "jornada de 40 anos pelo deserto", é possível que encontre alguns escorregando, escorregando, escorregando, por longa distância no sentido contrário ao Caminho. Talvez chegue a ficar chocado com certas coisas que conhecerá daqueles que aparentemente tinham já avançado boa distância da jornada. Seja caridoso: lembre-se de que tudo não passa de pequena fraqueza humana, e esteja certo de que o Cristo a dissolverá, uma vez que a atividade do Cristo é a dissolução da humanidade de alguém, de suas fraquezas e de suas ilusões.

Paciência! Paciência! Você dispõe de uma eternidade para trabalhar em sua salvação. Paciência! Seja paciente com os demais, e também consigo próprio. Perdoe a si mesmo, e com a freqüência que chegar a cair, levante-se novamente. Não haverá escolha! Inevitavelmente, a Voz fará soar em seus ouvidos: "Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens."

Ficará então ciente de que é o "Eu" que o estará chamando. Saberá que não será sua vontade própria agindo, e isto o impossibilitará de ser bem-sucedido ou mal-sucedido. Lembre-se: você não poderá ter sucesso nem fracasso. Por quê? Porque Eu o chamei para fazer de você "pescador de homens". Assim, haverá de ser o Meu sucesso operando em você e através de você, e isso para que se cumpra o Meu objetivo. Dessa forma, você passará a ser simplesmente um instrumento.

Em momentos de insucesso temporário, faça-se recordar que também aquilo faz parte do plano. Talvez seja a parte dele que irá ensiná-lo que você, de você mesmo, não pode ter sucesso nem fracasso, pois o Eu, que o chamou, é o único sucesso.

"Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens." Eu farei isto. Que é este Eu? Onde está este Eu? Este Eu do nosso ser não é Deus? Que seria mais poderoso? Eu ou um remédio material? Eu ou o dinheiro no Banco? "Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens." Siga este Eu, que está dentro de você, o Pai interior.

Siga este Cristo, este Princípio, este Espírito que se aloja no interior de seu próprio ser, e verifique que, por se abdicar das dependências materiais da vida, terá o desenvolver de uma vida espiritual mais elevada, apurada e jubilosa, manifestada como saúde melhorada e suprimento mais abundante.

Será capaz de abrir mão de todas as dependências materiais? Será capaz de abandonar a dependência à sua família, com relação ao amor, justiça e compaixão, esperando que tudo venha do Pai? Será capaz de transferir sua expectativa de justiça de um júri ou juiz para o Pai, no interior de seu próprio ser? Ou de transferir sua expectativa de gratidão, recompensa, reconhecimento ou apreciação por parte de patrão, funcionários, membros de sua família, unicamente para o Pai dentro de você? Será capaz de seguir somente o Espírito interior, e não o senso pessoal exterior?

Onde está você, agora, em consciência? Naquele que diz ao Mestre: "Não, aguarde um pouco mais. Devo pescar para sustentar minha família... siga em frente, enquanto aqui ficarei confiando em seres humanos para receber recompensa, reconhecimento, cooperação, gratidão."? Ou terá alcançado aquele ponto de consciência dos discípulos, que sem questionamentos deixaram suas redes?

O Mestre não pediu àquelas pessoas que seguissem um homem de nome Jesus. Pediu-lhes que seguissem o ensinamento de que o Eu interior é o Messias. E hoje, ninguém lhe está pedindo que siga um homem ou um livro, mas que sigam a Mim, o Eu, o Espírito, no âmago de seu próprio ser.

Deixem suas "redes", e sigam o Eu. Deixem seus meios e costumes materiais, e sigam o Eu, o Espírito dentro de vocês, o divino Cristo, depositando nEle maior confiança do que em algo ou alguém do reino exterior.

Ao menos alguns, dentre vocês, chegaram a ponto de desenvolvimento espiritual para serem chamados, hoje, a escolher a quem irão servir. Alguns não tinham ainda deixado suas "redes"; alguns não tinham ainda abandonado sua dependência ou confiança em meios materiais ou em seres humanos; alguns não tinham ainda aprendido a confiar inteiramente no Pai interior. Mas, agora, vocês estão sendo chamados para deixar as suas "redes".