"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)
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quarta-feira, julho 08, 2020

Palestra: O Deus que Você É!


Dárcio Dezolt -
Nesta palestra, Dárcio Dezolt explicita de forma simples e eficiente as revelações da Metafísica Absoluta, revelações transcendentais, incapazes de serem percebidas ou compreendidas pela mente cerebral humana que funciona apenas com base nos 5 sentidos.

Pela prática da Meditação, podemos nos abrir às verdades divinas, que só podem ser experienciadas quando sintonizamos com a Mente Divina - a única capaz de perceber e experienciar as revelações divinas legadas por Jesus, Buda, Krishna e todos os avatares e seres divinos que já andaram nesta Terra.

Nesta preleção, as palavras de Dárcio Dezolt nos proporcionam compreender, de forma intuitiva e contemplativa, o Ser Divino Supremo e Único, isto é, o Pai que se faz UNIDADE com cada um de nós (Filhos de Deus).
 
(A palestra tem início aos 4min e 20s) 
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sexta-feira, junho 19, 2020

Ensinamento "Homem Filho de Deus" (Núcleo)

 - Núcleo - 


Filhos de Deus,

É necessário termos a convicção de que o homem é Filho de Deus. Essa é a mais sublime revelação da Verdade e tem origem na Realidade Divina.

Dizer que somos Filhos de Deus significa que somos expressões vivas do Jissô! E nossa realidade é o Jissô.

Deus e seu universo é a única Realidade e o Mestre Masaharu Taniguchi traduziu a Realidade, que Percebeu, como Jissô.

O Mestre Percebeu o Jissô por estar no Jissô! 

Permitam-me esclarecer esse ponto, pois Quem apreende essa revelação Vive em Unidade com o Mestre!

Assim como agora mesmo o nosso corpo e a nossa alma vivem na dimensão física (carnal, terrena, fenomênica), da mesma forma agora mesmo nosso Espírito vive na dimensão divina (Céu). Nossa vida verdadeira já é eterna agora mesmo, pois, somos seres divinos vivendo no Céu, a eterna Realidade. Porém apenas nosso Espírito Percebe essa realidade! Nosso corpo e nossa alma vivem na dimensão fenomênica, que abrange a dimensão física e também a espiritual. O mundo dos seres humanos encarnados, mundo físico, e o mundo dos seres humanos desencarnados ou espíritos (mundo espiritual) são ambos o mundo do fenômeno. Quando o Mestre revela que somos "seres Diamantinos, eternos e indestrutíveis" não se refere ao nossos corpos físico ou espiritual. E enquanto estivermos nos identificando com nosso corpo, físico ou espiritual, como sendo Quem somos, não despertamos para nossa real identidade de Filhos de Deus.

É simples assim! 

O fato de nos identificarmos com algo nos leva a dimensão na qual aparenta existir esse algo! 

Atentem bem! 

O ensinamento de que o homem é Filho de Deus tem um propósito sublime e muito além do que podemos imaginar! Esse ensinamento nos posiciona onde nossa real identidade Vive agora! 

Esse ensinamento é uma Percepção; é a Percepção de Quem realmente somos!

Enquanto nos mantivermos na mente carnal, na visão da mente carnal, que é a visão de quem estamos parecendo ser, projetaremos essa dimensão como se fosse real. Isso acontece porque somos seres divinos projetando uma realidade aparente na qual criamos personagens que acreditam estar vivendo no mundo de nossa própria projeção! 

Sim, nesse mundo, que é uma projeção, nós estamos criando a realidade em que vivemos. E fazemos isso com nossos pensamentos! Pensamos que somos seres individuais, separados de Deus, e assim nos vivenciamos! Simbolicamente a projeção é o resultado de comermos o "fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal". Essa árvore está no Céu e seu fruto nos possibilita vivenciar o que não somos (seres separados de Deus), mas de uma forma divinamente realística, que nos faz vivenciar como se tudo neste mundo de projeção fosse real, de tal forma que nos identificamos com nossos personagens como sendo nós mesmos! Contudo, continuamos no Céu, onde estamos vivendo agora! O fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal produz esse "efeito alucinógeno"

Por isso, na Bíblia, há a advertência de que, se o homem, que é originariamente Filho de Deus, comer do fruto da árvore do conhecimento, certamente morrerá! O antídoto ao efeito do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, que é a visão dual, que produz a separatividade, é a Percepção da Verdade

O pensamento de que o homem não é Filho de Deus deve ser substituído pelo pensamento de que o homem é Filho de Deus! O pensamento de que "não somos filhos de Deus" é o efeito alucinógeno do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Ele surge quando "assumimos nosso personagem" como sendo Quem somos. Essa é a visão do personagem! A Realidade é que somos Filhos de Deus e estamos agora mesmo no Céu, porém num "estado alterado de consciência", causado por havemos comido o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Porém, se tomarmos o antídoto (Percepção), o efeito alucinógeno cessará e voltaremos a Perceber a verdade sobre nossa real identidade de Filhos de Deus e que agora mesmo estamos Vivos e no Céu!

Notem que não há necessidade de que nada mude no mundo visto pelos cinco sentidos, que é o mundo da projeção, o mundo dos nossos personagens. Uma simples volta ao foco da Percepção de nossa real identidade e tudo assume um outro sentido. A própria representação, que é o mundo da projeção, se revela ser algo flexível, sensível aos pensamentos.

E aqui vai um ensinamento de Jesus muito útil. Jesus não pede a Deus que nos tire do mundo mas que nos livre do mal! Uau! Que pedido divino!

Reflitam a respeito! O que isto significa?

Significa que nosso propósito original ao entrarmos nesse mundo, da projeção, foi o de vivenciarmos Quem Somos, somos Filhos de Deus, em todos os mundos! Significa que num mundo dual podemos mesmo assim amar a Deus sobre todas as coisas e ao nosso próximo (aparente) como a nós mesmos porque de fato somos Um Ser Único nos vivenciando de infinitas formas! Por isto Jesus não pede que nos tire do mundo mas que nos livre da visão de mal que há nesse mundo e que nos impede de vivenciarmos Quem Somos, mesmo estando nesse mundo! 

Esse pedido a Deus, está na  oração de Jesus como sacerdote, no capítulo 17 do evangelho de João, e contém outros níveis de profundidade, assim:

15. Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal.

16. Não são do mundo, como eu do mundo não sou.

17. Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade.

18. Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo.

19. E por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade.

20. E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela tua palavra hão de crer em mim;

21. Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.

Agora notem isso: 

Jesus ora dizendo: "como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti..."

Nessa oração Jesus revela que manteve a Percepção de que o Pai permanece nele, mesmo ele estando no mundo, como Jesus.

É essa a consciência que podemos ter! Essa consciência de que somos Filhos de Deus, mesmo estando nesse mundo!

Por isto foi dito no início:  "É necessário termos a convicção de que o homem é Filho de Deus." Todos os seguidores do ensinamento Daquele que apareceu como o Mestre Masaharu Taniguchi tem essa possibilidade. E na condição de verdadeiros seguidores, tem esse dever!

E como revelou o Mestre: "o homem é originariamente isento de pecado". Este é o homem verdadeiro, tal como criado à imagem de Deus. Contudo, na mente do homem fenomênico há uma carga de "incompletitudes", das quais ele deve se purificar. Essas "incompletitudes" são geradas por pensamentos contrários à Verdade. Estes pensamentos geram ações que vão formando uma visão distante e distorcida da Verdade até que em certo ponto o homem sente o desejo de retornar a sua origem, seu verdadeiro lar. Este desejo é o chamado de sua natureza verdadeira. Algo dentro do homem o conclama a voltar pra casa! Então o homem tenta domar o cavalo arisco chamado mente humana e aí erra, por desconhecer que a saída não é domar o cavalo, mas simplesmente desmontar-lhe! 

Não devemos negar os pensamentos da mente. Esse não é o caminho de vikta. Além do que isso só faz com que a mente se torne algo mais realístico. A volta se inicia com a conscientização de que em nós há, por assim dizer, "uma segunda mente", que é a "mente do espírito" ou "consciência". Essa é a própria mente verdadeira, a mente de Quem realmente somos! É através dela que percebemos o real subjacente a aparência do mundo visto pela mente dos cinco sentidos. Essa Mente não nega a outra mente assim como a luz não nega a escuridão. Da mesma forma que a presença da luz revela a inexistência da escuridão a Consciência, que é a Mente de Deus em nós, revela a irrealidade da outra mente. Por isso não devemos nos empenhar em dominar qualquer outra mente. O que devemos fazer é simplesmente nos conscientizarmos da Verdade. Assim fazendo percebemos que não há nada que se contrapõe à Verdade, nada que seja real o bastante que precise ser eliminado, pois nada é real além da Verdade, que é Deus! Por Isso há a revelação de Cristo que disse: "Conheça a Verdade e a Verdade vos libertará". E não há outra Verdade além do que Deus É

Por isso Deus revela: "Eu sou Deus e não há nenhum outro além de mim". Este que nos revela "Eu Sou" é real e é o único caminho de volta à auto-consciência ou à Percepção de Si mesmo. Este aparece como um mestre no mundo dos cinco sentidos, mas em realidade é o Mestre em nós, a Verdade, nos chamando! Quando percebemos que o Mestre a quem seguimos é verdadeiro, algo em nós o está revelando a nós! Isto que nos faz perceber a Realidade do Mestre é a voz de Deus em nós, é a Consciência revelando a Sua Percepção! Por isso quando Pedro respondeu à pergunta de Jesus sobre quem diziam ser o filho do homem, respondendo que ele era o filho do Deus Vivo, imediatamente Jesus disse: "Isso quem te revelou não foi carne e sangue, mas meu Pai, que está no Céu."

O Pai é a verdadeira identidade do Filho, e onde está (Céu) é sua Realidade. 

Jesus nos deu uma visão transcendente deste mundo, que são os pensamentos de Deus. Estes pensamentos estão em nós, na nossa consciência, que é Divina, é a Mente de Cristo. Os pensamentos que estão nessa Mente, que é a única mente real, nos reconduzem à Verdade de que somos Filhos de Deus. Devemos conhecer os ensinamentos do Mestre sabendo que são pensamentos de Deus. 

Gratidão pela oportunidade de poder compartilhar aqui essa Percepção.




sábado, dezembro 17, 2011

Esclarecimentos profundos sobre a Verdade - 2/2


Masaharu Taniguchi


PERGUNTA

Sassaki -
Concordo plenamente com o senhor, no tocante à visão de que o bem está intrinsecamente ligado à felicidade, e o mal, ao sofrimento. Os conceitos morais até hoje conhecidos tendem a enaltecer os sofrimentos, o que eu considero um grande erro. Costumo referir-me à moralidade como sendo "o caminho feliz". Penso que o modo de viver da Seicho-no-ie é expansão desse caminho feliz. Estou plenamente de acordo também com o modo de viver da Seicho-no-ie, que consiste em viver segundo a Verdade, cuidando da vida cotidiana com a mente alegre. Acredito sinceramente que considerar rotineiro ou sem sentido o trabalho ou a própria existência é um artifício da mente. Por isso, quando algo que faço me parece sem sentido, reflito que isso é devido à falha de minha própria mente e empenho-me em corrigí-la. Tenho certeza de que Deus criou todas as coisas de modo que trabalhássemos com alegria e reverência. Portanto, faço o possível para afastar o pensamento de que o meio em que vivo e o meu trabalho sao aborrecidos.

A "realidade tal como é", de que estou falando, não é, em absoluto, aquilo que é apreensível aos sentidos como a pedra, a água, etc. Minha crença fundamental é a de que tudo neste mundo surge com o "colorido" que nossa mente em ilusão lhes atribui (à água, à pedra, etc.). A realidade pura, que está além dos coloridos atribuidos pela nossa mente subjetiva, não pode, em absoluto, ser conhecida através do "eu" constituído de cinco sentidos. Nós, seres humanos, vivemos alegres ou tristes vendo o que nós mesmos pintamos. Portanto, penso que a verdadeira salvação consiste em "apagar" o quadro pintado pela nossa própria mente.

A realidade que só se revela quando eliminamos o colorido atribuído pela mente - ou seja, os artifícios da mente -, essa é que é a "realidade tal como é", a que estou me referindo. É a realidade que só podemos conhecer no estado de total comunhão do mundo interior com o exterior, no estado em que não há o confronto entre "aquele que apreende" e "aquilo que é apreendido". Em última análise, o que apreendemos como realidade não é a "realidade tal como é". A "realidade tal como é" a que me refiro é anterior à percepção por parte da mente humana. penso, pois, que tudo aquilo que ora se apresenta aos nossos olhos, isto é, que é apreendido por nossos sentidos, não passa de imagem resultante do colorido que nossa própria mente atribuiu à realidade propriamente dita. será que é a essa imagem que o senhor se refere como sendo "projeção distorcida do Jissô"? Essa é a questão. A "realidade tal como é" (o Jissô), a que me refiro, não é realidade distinta e separada dos fatos concretos a que estamos presenciando, mas também não é a própria realidade percebida pela nossa mente. Penso que, quando penetramos no Jissô através do despertar, simplesmente passamos a reverenciar todos os seres e todas as coisas do universo, e isso é feito natural e espontaneamente. Creio que a negação de tudo quanto é apreensível aos sentidos, pregada pela Seicho-no-ie, identifica-se com a minha negação da realidade aparente, como sendo resultado do colorido atribuído pela mente. O Jissô de que falo persiste em nós, seja nas dores ou na alegria; se ele não é percebido, é apenas porque está oculto sob a capa da dor ou da alegria. A maioria das pessoas, face a um sofrimento, vê apenas a realidade da dor. Mas eu acredito que uma mesma realidade da dor encerra duas realidades: a realidade pura que transcende as dores e a realidade aparente que se apresenta a nível dos sentidos. Por isso,meus esforços de auto-aprimoramento têm-se concentrado em superar a realidade aparente - ou, em outras palavras, apagar o colorido atribuído pela mente.

Segundo o meu conceito de Jissô (realidade pura), mesmo estando-s doente, é possível superar a doença, ainda que não ocorra a cura. Chamo isso de "felicidade fundamental". O mesmo se aplica às vicissitudes da vida em geral. Superando-se o fato tal como ele se apresenta, ocorre a cura da doença ou a melhora da situação, e chamo isso de "felicidade secundária". A "felicidade secundária" vem gradativamente. Assim, superando-se primeiramente a doença pela conscientização da verdadeira natureza humana isenta de doença e morte, começa, depois, a ocorrer gradativamente a cura da doença, e consegue-se a longevidade. A "felicidade fundamental" é algo que pode ser alcançado mesmo estando-se no meio de adversidades. Mas, ocorrendo tal conscientização, essas adversidades também desaparecem naturalmente. Eu faço questão de traçar clara distinção entre a "felicidade fundamental" e a "felicidade secundária". A primeira pode ser alcançada igualmente por todas as pessoas, mas quanto à segunda há diferença de pessoa para pessoa.

Tendo lido A Verdade da Vida e tendo ouvido agora há pouco as explanações suas, constatei muita identidade entre o modo de viver preconizdo pela Seicho-no-ie e o meu próprio modo de viver, e isso me deixou bastante entusiasmado. Porém, há um ponto com o qual não posso concordar plenamente. O senhor tem afirmado, com demasiada ênfase, que a felicidade surge imediatamente na vida real com consequência do repentino despertar espiritual, mas eu acho que isso tende a suscitar a ideia de que a felicidade neste mundo seja algo absoluto. Se é que simultaneamente ao despertar espiritual manifesta-se a total felicidade neste mundo, obviamente a pessoa nunca mais haveria de ficar doente nem sofreria a morte física. Eu penso que a inexistência absoluta da doença e da morte só se verfica a nível da conscientização do Jissô. Obviamente, essa conscientização influencia o corpo humano e age sobre a matéria, e a felicidade vai se concretizando naturalmente, tornando-se possível que a pessoa fique relativamente livre de doenças e que sua vida alcance relativa longevidade. Mas isso é sempre relativo. Quando sentimos a felicidade íntima proveniente da conscientização de nossa essência eterna e perfeita, deixamos de dar exagerada importância às agruras e alegrias desta vida, e justamente por isso os altos e baixos da maré da vida vai se amainando naturalmente. Meu desejo é levar uma vida de serena alegria, baseada na conscientização de nossa essência eterna e perfeita, sem me preocupar nem mesmo em amainar os altos e baixos da maré da vida.

No meu presente estado espiritual, prefiro apreender o Jissô, penetrando fundo no sofrimento, em vez de descartar o sofrimento como sombra da mente. Quero crer que "Deus estpa presente também no meio das dificuldades". Em outras palavras, sei que existem dois caminhos, um que consiste em descartar os sofrimentos considerando-os ilusões, e outro que consiste em mergulhar fundo neles, para depois superá-los e alcançar a alegria eterna, e, pelo menos por enquanto, eu prefiro este último caminho.


RESPOSTA:

Taniguchi -
Os ensinamentos da Seicho-no-ie são fáceis e difíceis, ao mesmo tempo. Isto é, são aparentemente fáceis, mas, na verdade encerram pensamentos muito profundos. Assim sendo, entre os simpatizantes da Seicho-no-ie, há os que concordam com a doutrina, tendo-a compreendido apenas superficialmente, e outros que, tendo-a apreendido em maior profundidade, fazem perguntas para esclarecer eventuais dúvidas. O senhor, sr. Sassaki, pertence a este último grupo.

Alegra-me muito que o senhor esteja de acordo com os ensinamentos da Seicho-no-ie, no tocante a seus pontos essenciais, difíceis de compreender. talvez nos divirjamos quanto à maneira de explicar, pois o senhor fala em "superar o sofrimento admitindo-o tal como ele está manifestado", o que é mais um modo de dizer que é preciso superar o sofrimento depois de admitir a sua existência, ao passo que eu digo que o sofrimento não existe verdadeiramente porque é apenas ilusão ("um aspecto resultante do colorido atribuído pela mente", conforme o senhor disse), e afirmo que não é preciso nem se pode superar o sofrimento, porque ele não existe. Ao fato de alguém estar doente e não se prender a doença diz-se "transcender a doença". Todavia, se a doença não existe, não há necessidade de transcendê-la. somos originariamente isentos de doença. Mesmo que a doença pareça existir, ela não passa de ilusão (falso aspecto) resultante do colorido atribuído pela mente. Pode-se dizer que o próprio fato de admitir o confronto entre o Jissô (existência verdadeira) e o falso aspecto é ilógico, pois existe unicamente o Jissô.

Algumas pessoas, admitindo a doença e o sofrimento como existências verdadeiras, acreditam haver um sentido neles e concluem: "A doença e o sofrimento são realidades, nas quais Deus está presente e, portanto, são bênçãos; a mente que não os aceita como bênçãos é a mente em ilusão". Quem pensa assim faz com que seu subconsciente crie afinidade com doença, sofrimento, pobreza, etc., e passa a ter uma atitude mental negativa como a de atrair por si mesmo a doença e sentir uma espécie de prazer no ato de ficar doente. Nos casos extremos, a pessoa pode tornar-se tal qual São Francisco de Assis, que apesar de ter sido um santo de extraordinárias virtudes, deixou-se dominar pela ideia de aceitar prazerosamente os sofrimentos, passou a orar para que fosse permitido experimentar as mesmas dores que Jesus Cristo suportou, e finalmente passou a apresentar em seu corpo as marcas das cinco chagas de Cristo. As pessoas relgiosas que buscam sua realização pessoal nos sofrimentos e nas doenças passam a sentir prazer em contrair doenças, em vez de manifestar em seu corpo o aspecto perfeito do seu eu verdadeiro originariamente isento de sofrimentos, doenças e iniquidades. Assim, passam a procurar atrair, intencionalmente, a doença e a miséria, que as pessoas comuns abominam. Na verdade, tanto aquelas pessoas como estas últimas estão presas à matéria, de uma ou de outra forma. Se despertarem para a Verdade de que "o corpo carnal é apenas uma sombra projetada pela mente e, portanto, não é existência real", compreenderão que a doença e todos os demais sofrimentos referentes ao corpo carnal também não existem realmente. E, já que não tem sentido acreditar naquilo que não existe, não mais sentirão necessidade de fugir dos sofrimentos, nem de enaltecê-los e desejar que eles venham. Então, terã transcendido realmente os sofrimentos.

Contudo, observandoo mundo fenomênico, constatamos a manifestação de sofrimentos, doenças, etc., e isso é um fato que não podemos negar. No estado subsequente ao "despertar repentino" a que o senhor se refere, a pessoa passa a viver, durante algum tempo, num mundo dualístico em que, de um lado, se reconhece a perfeição do seu eu verdadeiro e, do outro, se vê a doença (aspecto aparente). E, no processo em que o aspecto aparente vai cedendo lugar à perfeição do eu verdadeiro, a pessoa vai vencendo passo a passo as imperfeições fenomênicas e aproximando-se gradativamente da original perfeição do Jissô (eu verdadeiro) conforme o senhor mesmo disse. Completando-se esse processo, o homem atinge, finalmente, o estado em que "seu corpo tal como é, torna-se imortal". Nesse momento, seu corpo deixa de ser um simples corpo carnal e se transforma num corpo espiritual que supera as limitações físicas.

Na verdade, o corpo carnal, atualmente cheio de limitações e imperfeições, é produto da mente e é sustentado pela mente. Logo, com a transformação da mente que o sustenta, transformam-se também a natureza e o estado do corpo. Se alguém supõe que o corpo carnal em si seja imortal, é porque não sabe que o corpo carnal é projeção da mente. Se compreendesse que o corpo carnal é projeção da mente, compreenderia que o corpo está morrendo e nascendo a todo instante, isto é, transformando-se constantemente conforme a mudança da mente. Se a pessoa libertar sua mente da ilusão e conseguir apreender realmente a sua Essência, ocorrerá uma grande transformação também no corpo, que então se tornará um corpo espiritual e sublime. E quando tal corpo deixa este mundo, causa-nos a impressão de que morreu, mas isso não é morte; é evolução da natureza do corpo. Quando uma pessoa que alcançou o despertar liberta-se do corpo incômodo e passa para um estado espiritual e livre (nota: o autor não está se referindo a morte no sentido concebidos pelo espiritismo), diz-se que atingiu o nirvana. Isso difere totalmente do fato de alguém morrer doente, sem despertar, com a mente apegada ao corpo carnal por considerá-lo existência verdadeira. Aparentemente, os dois fatos parecem a mesma coisa, mas há grande diferença no seu conteúdo - a diferença é intrínseca. No primeiro caso, a pessoa, devido ao seu despertar, alcança um estado de total liberdade, enquanto que, no segundo, a pessoa permanece no estado de auto-prisão mental e continuará a sofrer reencarnando várias vezes, enquanto não despertar.

A parapsicologia está provando que, após o desencarne, o espírito continua possuindo um corpo imaterial, cujo grau de liberdade varia conforme o grau de despertar. A maioria dos espíritos que aparecem nas fotografias e sessões mediúnicas são os que ainda não alcançaram o estado de verdadeira liberdade, mas são uma prova de que existe corpo espiritual, que é bem mais livre do que o corpo carnal.

Bem, retomando o tema principal, devo esclarecer que o modus vivendi da Seicho-no-ie baseia-se na compreensão de que este mundo visível é mundo da projeção da mente e que, justamente por ser uma imagem projetada, melhora quando se aperfeiçoa a mente, que é o filme. Obviamente, o aperfeiçoamento do mundo projetado é secundário, e não o consideramos mais importante que a apreensão do mundo do Jissô (mundo verdadeiro e absoluto), que é fundamental. Entretanto, a maioria das pessoas está interessada no aperfeiçoamento do mundo fenomênico e pouco lhe interessa um apelo como "Não se apegue ao mundo fenomênico porque ele não é existência verdadeira", pois este soa como algo despropositado e alheio à vida real do cotidiano. Por esse meio, é difícil conduzir as pessoas à compreensão da Verdade. Então a Seicho-no-ie diz: "Se você prentende aperfeiçoar sua vida neste mundo fenomênico, deve ajustar o 'filme' mental porque este mundo é projeção da mente". Assim, as pessoas, ajustando a mente e vendo sua situação material melhorar de fato, convencem-se: "Realmente, este mundo é mera projeção da mente".

Até agora, a maioria das seitas budistas aconselhava: "Rejeite o mundo fenomênico porque ele é mera imagem projetada". Mas eu digo que não é preciso rejeitá-lo, justamente porque é mera imagem projetada. A Seicho-no-ie permite aperfeiçoar o mundo da projeção e por esse meio conduz as pessoas à compreensão do mundo verdadeiro, o Jissô.

(Do livro "A Verdade da Vida, vol. 12", pgs. 33-41)


quinta-feira, dezembro 15, 2011

Esclarecimentos profundos sobre a Verdade - 1/2

Masaharu Taniguchi


PERGUNTA:

Sassaki -
Lendo os primeiros volumes de A Verdade da Vida, senti alegria e também um grande assombro. Isto porque esse livro, ao mesmo tempo que fala do caminho da Verdade que tenho procurado trilhar, prova ser possível alcançar um estado que considero ideal mas que ainda não consegui alcançar. Eu acredito que a salvação se concretiza quando apreendemos a "realidade tal como ela é". Considero as alegrias e os sofrimentos desta vida meras tonalidades da mente que dão colorido a realidade pura e simples. Por isso, tenho me esforçado em abandonar as preocupações e contemplar a Essência Perfeita (Jissô) da Vida. Acredito que é este o caminho que levará, finalmente, ao estágio que torna possível ao indivíduo superar não só os sofrimentos espirituais mas até mesmo os sofrimentos físicos, e com essa crença venho encetando a jornada da vida. Mas, na prática, é muito difícil atingir essa meta.

Por isso, ultimamente andava cheio de dúvidas. Principalmente no que se refere às dores físicas, vinha me questionando: Já que as dores físicas se fazem sentir ainda que não pensemos nelas, não será inútil tentar superá-las enquanto levarmos esta vida terrena como seres humanos sujeitos a sensações físicas? Tenho perguntado a diversos estudiosos do assunto se é realmente possível superar as dores físicas, mas nenhum deles soube me esclarecer satisfatoriamente, apresentando provas evidentes. Eu próprio pesquisei o assunto, fazendo incursões na História da antiguidade, mas não encontrei evidências de que o ser humano consegue transcender as dores físicas. Li a história de um mestre budista hindu do século III que, ferido gravemente pela espada de um herege, morreu sorrindo; a história de São Francisco de Assis que, certa vez, vendo o fogo começar a queimar a roupa do corpo, exclamou alegremente: "Oh, fogo, tu também és meu irmão!" e deixou que o fogo se espalhasse; ou a história do sacerdote Kaicen, que, no incêndio que destruiu o Templo Erin, permaneceu em seu interior juntamente com outros sacerdotes e, mesmo quando o fogo se alastrou em suas vestes, manteve-se imóvel e morreu sentado. Não podia, porém, deixar de pensar que mesmo essas pessoas não transcenderam realmente a dor física, tendo-a apenas suportado estoicamente. Por isso, encontrar na época atual alguém que possua prova da superação da dor constituía ultimamente o meu maior interesse. Claro que também na época atual existem pessoas que praticam excentricidades como, por exemplo, pôr a mão no fogo, usando forças paranormais. Mas isso não é a prova que eu procurava.

Empregar forças paranormais é praticamente o mesmo que usar apetrechos; a única diferença é que as forças paranormais são invisíveis. O que eu buscava não era um meio de chegar a um estado de insensibilidade à dor, usando faculdades paranormais, mas sim o caminho para transcender a dor, pura e simplesmente. E ao ler o livro escrito pelo senhor, constatei, maravilhado, que ali estava o caminho que eu buscava. Decidi que, doravante, empenhar-me-ei no estudo e na prática do caminho pregado pelo senhor. Peço-lhe que me oriente sempre.

Recentemente um jovem de Etigo escreveu-me, dizendo que se encontrava à beira da loucura devido aos sofrimentos físicos e mentais insuportáveis e pedindo-me que o socorresse. Sem saber como ajudá-lo pessoalmente, informei-o a respeito do senhor e enviei-lhe um exemplar de seu livro. Estou certo de que isso trará resultados positivos.

Não sei se é de seu conhecimento, mas o dramaturgo Hyakuzo Kurata compartilha minhas dúvidas quanto à libertação do homem das dores físicas. Será que ele já falou com o senhor sobre esse assunto? Gostaria de fzer-lhe algumas perguntas.

Essa libertação significa que a realidade da dor deixa de existir? Ou significa que, apesar da realidade da dor continuar existindo, a pessoa se liberta dela? Naturalmente, eu também admito que as doenças do corpo melhoram ou saram quando a pessoa consegue transcendê-las. Mas penso que a melhora e a cura são efeitos secundários, e acredito que a questão principal deve ser a eliminação do sofrimento mesmo que a realidade da dor permaneça tal como é. Eu considero a realidade da dor e a sensação de sofrimento dois fatos distintos. Acredito que a realidade em si, a realidade tal como ela é, não pode ser modificada, mas que as sensações humanas, como sofrimentos, alegrias, etc., são produtos da ilusão e podem ser modificadas. Que acha do meu ponto de vista? Penso que o fundamental é atingir o estado em que se é possível sorrir mesmo estando em plena realidade da enferma dor, e considero efeito sencundário o fato de isso conduzir à cura em si. Tenho aqui um papel, em que anotei rapidamente os meus pensamentos, a fim de submetê-los ao julgamento de meus professores e amigos. Peço lincença para lê-lo diante do senhor e dos demais.

MINHA ATITUDE PERANTE A VIDA

- Sigo em frente, tendo como meta tornar-me uma pessoa capaz de sentir-se satisfeita com todas as coisas tais como elas são, e de realizar qualquer coisa com alegria.

- Creio que sofrimento e alegria, simpatia e ódio, etc., são produtos da ilusão e que, portanto, é possível libertar-se deles escancarado a "realidade tal como é".

- Considerando todos os sofrimentos como punição contra a ilusão, procuro aceitá-los docilmente em vez de tentar escapar deles, e esforço-me para apreender a essência de tudo.

- Creio que tanto a hesitação face às circunstâncias, como o fato de agir ora corretamente e ora erroneamente, são produtos da ilusão, e que, portanto, apreendendo a essência de tudo e todos, poderei agir sempre de modo absolutamente correto.

- Esforço-me para nunca dexar de apreender a "realidade tal como ela é", antes de passar para a ação.


O ESTADO NATURAL E VERDADEIRO

O estado natural e verdadeiro não pode ser outro senão o "estado real, tal como é", anterior a qualquer artifícios da mente. No entanto, nós, seres humanos, classificamos tudo e todos com critérios de nossa própria mente, estabelecemo-lhes limites com palavras, e ainda por cima atribuímo-lhes os mais variados "coloridos" com nossos sentimentos e emoções, e assim interpretamos, nós mesmos, a tragicomédia da vida. Acho que assím, é, em síntese, a vida mundanal.

Por conseguinte, para libertarmo-nos realmente dos sofrimentos, é imprescindível eliminar totalmente os artifícios da mente e voltar ao "estado real, tal como é". Penso que as doutrinas pregadas pelos santos da antiguidade também visavam isso.

No "estado real, tal como é" não há interferência da ação da mente. Portanto, quando a ele retornamos, todos os seres e todas as coisas deixam de se apresentar com distinções, limites e valores que nossa mente lhes havia atribuído, e revelam-se tal como são, com suas características e seus valores autênticos. Assim, torna-se possível reverenciar neles o infinito, que transcende todo e qualquer valor atribuído pela mente, e surge-nos espontaneamente o amor e respeito para com eles. Ademais, não havendo interferência das ações da mente, obviamente não seremos dirigidos nem pelo raciocínio nem pela vontade, e podemos apreender os fatos exatamente como eles são, o que nos permite, em quaisquer circunstâncias, agir livre e desembaraçadamente, sem hesitações e sem a necessidade de nos apoiar em algo. Alcançando tal estado espiritual, é lógico que podemos resolver todos os problemas deste mundo.

Como podemos, então, alcançar tal estado? É decidirmo-nos a seguir docilmente, com espírito isento, a "ordem" proveniente da "realidade tal como é", que pode ser assim traduzida: "Nada há que fazer. Está bem assim como é". Essa obediência deve ser imediata, sem a interferência de nenhuma intenção da mente. Quando nos habituamos a ouvir a "ordem" provinda da "realidade tal como é", passamos a ter espírito verdadeiramente isento, e então percebemos que a própria realidade se manifesta, revelando por si a resposta. A própria realidade, emitindo ordens e revelando por si mesma as respostas, vai eliminando as ilusões e manifestando eternamente o mundo da harmonia. considero esse processo a manifestação da vontade de Buda.

(O sr. Sassaki termina a leitura).


RESPOSTA:

Taniguchi -
Os termos de suas declarações por escrito, intituladas "Minha atitude perante a vida" e "O estado natural e verdadeiro", que o senhor acabou de ler, parecem-me bastante parecidos com o que a Seicho-no-ie ensina. Todavia, a questão está na expressão "a realidade tal como é", usada pelo senhor. Se o significado dela é o mesmo da expressão "Essência da Vida" por mim usada, então podemos dizer que a sua filosofia coincide com a da Seicho-no-ie. Porém, se o senhor entende que aceitar a "realidade tal como é" significa aceitar docilmente a realidade do mundo perceptível aos cinco sentidos (por exemplo, a realidade da doença), considerando que "assim como é, está bem", e se essa é a sua atitude perante a vida, não podemos dizer que sua filosofia é a mesma da Seicho-no-ie.

A filosofia da Seicho-no-ie parte da negação de tudo quanto pode ser captado pelos sentidos. Em vez de ensinar que devemos aceitar docilmente a "realidade do mundo apreensível aos sentidos, tal como ela é", ensina que o mundo captado pelos sentidos não é realidade. A "realidade tal como é" existe no mundo verdadeiro (mundo do Jissô) e é a realidade da perfeição, da bondade e beleza supremas, na qual não há lugar para sofrimentos e tristezas. Em outras palavras, a Seicho-no-ie admite, não a realidade do mundo visível tal como ela é, mas sim a realidade do mundo que transcende os sentidos, o qual pode ser apreendido naturalmente após a negação total do universo visível aos olhos carnais.

O mundo perceptível aos sentidos é projeção imperfeita do mundo do Jissô (mundo verdadeiro). Assim sendo, quando afirmamos o mundo verdadeiro após havermos negado a "sombra projetada" (o mundo apreensível aos sentidos) e apagado todas as ilusões - do mesmo modo que traçamos a figura correta de algo no quadro-negro, após apagar o desenho mal feito -, o aspecto perfeito do mundo verdadeiro projeta-se corretamente neste mundo material. E então encontramos a salvação também neste mundo dos cinco sentidos. De fato, muitos são os adeptos que conseguiram a cura da doença ou a solução dos problemas financeiros.

A projeção da perfeição do mundo verdadeiro não significa tornarmo-nos capazes de permanecer no meio do fogo sem sentir a dor da queimadura, mas sim surgir naturalmente ordem e harmonia na nossa vida de modo que nunca acontecerá de ficarmos cercados pelo fogo. A conscientização da nossa essência eterna e perfeita não nos leva a atos insensatos como o de permanecer no meio do fogo e saudar com sorriso as chamas que queimam as nossas vestes, mas sim estabelece a harmonia entre nós e o fogo, fazendo com que ele seja sempre o nosso aliado, fornecedor de calor para aquecer o corpo, cozinhar alimentos, etc., e nunca um agressor que queima nossas roupas ou o nosso corpo. A conscientização da nossa essência eterna e perfeita não nos torna insensíveis à dor do ferimento causado por um projétil, mas faz com que nunca sejamos atingidos, como foi o caso do sr. Guizô Kubota, de Xangai. Em suma, a conscientização de nossa essência eterna e perfeita não nos confere a capacidade de realizar proezas fantásticas, mas sim, faz com que nós, vivendo conforme as leis da natureza, possamos manifestar neste mundo apreensível aos sentidos a harmonia do mundo verdadeiro.

O senhor disse, há pouco, que "a realidade em si, a realidade tal como ela é, não pode ser modificada". Se o senhor se referiu à realidade do mundo apreensível aos sentidos, então devo dizer que sua ideia difere consideravelmente da filosofia da Seicho-no-ie. Nós, seguidores dessa filosofia, não consideramos a dor física como um fato real; sabemos que a dor é mera "sombra da ilusão", e conseguimos transcender a dor através dessa conscientização. Sabemos que o sofrimento atual é reflexo dos carmas do passado, é mera "sombra" projetada e não um elemento real, e temos a convicção de que, contanto que mentalizemos a perfeição do Jissô (ser verdadeiro) e não nos deixemos prender aos fatos aparentes nem tornemos a criar carmas que venham a projetar aspectos negativos, o mundo concreto (mundo da projeção) que surgirá em seguida será bem melhor que antes. E temos tido provas reais disso.

Quanto ao sr. Hyakuzô Kurata, de que o senhor falou há pouco, só tive algum contato na época em que ele era editor da revista literária Seikatsu-sha. Ouvi dizer que, no últimos tempos, ele vem se dedicando ao aprimoramento espiritual junto à seita Oomoto e também no templo de Narita-Fudô. Portanto, não sei dizer até que ponto nossas ideias coincidem, hoje em dia.
Cont...


(Do livro "A Verdade da Vida, vol. 12", pgs. 24-33)

sexta-feira, dezembro 09, 2011

Oração para reconciliar com todas as coisas

Por alguns instantes, vamos concentrar a nossa mente nas ideias apresentadas neste vídeo. A concentração mental, principalmente quando imbuída de convicção, é oração que possui o poder de concretizar no mundo fenomênico as ideias contempladas.

sábado, novembro 19, 2011

O monge Zen e o mestre da esgrima


Masaharu Taniguchi


Certa vez, o monge zen Takuan e Yagyu Tajimanokami (mestre da esgrima) conversaram sobre o segredo do zen e da esgrima, quando de repente começou a chover forte.

Nessa hora o monge Takuan disse a Yagyu Tajimanokami:

- Você conseguiria caminhar neste jardim sem se molhar nesta chuva torrencial, usando sua habilidade no manejo da espada?

- Creio que conseguiria.

Dizendo isso, Tajimanokami se levantou, arregaçou as barras do hakama, prendeu as mangas do quimono com o cordão da espada e lançou-se na chuva torrencial brandindo a espada.

Tajimanokami deu uma volta no amplo jardim, manejando rapidamente a espada para dispersar a água da chuva, retornou sem se molhar.

-Como se vê, a espada consegue até dispersar uma chuva torrencial - disse orgulhoso, olhando o quimono que não se molhara.

O monge Takuan examinou o quimono de Tajimanokami de cima para baixo, de baixo para cima e, achando uma gota na extremidade da manga, disse:

-Tajimanokami, aqui está molhado. Mas agora vou andar neste jardim sem me molhar.

Quando Takuan saiu para fora, a chuva estava mais forte ainda. O monge sentou-se numa grande rocha no jardim e ficou a meditar com o semblante sereno e olhos fechados. Parecia dizer que os olhos da mente não enxergavam a chuva.

Permaneceu meditando por uns momentos, levantou-se e retornou molhado da cabeça aos pés. Do seu quimono gotejava água sem parar, mas, mesmo assim, disse calmamente:

-Veja, (EU) não estou nem um pouco molhado.


(Do livro "A Verdade, vol.3", p.256)