"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)
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sexta-feira, agosto 07, 2020

Unidade Divina que somos!

chakra healing
- Dárcio Dezolt -


Apesar de a literatura espiritual de todos os tempos conter a Verdade, suas colocações, muitas vezes dualistas, acabaram por comprometer suas revelações. Isto devido ao referencial ilusório que deixam transparecer! Desde os antigos Vedas que a Unidade é ensinada; entretanto, que “somos NÓS” esta Unidade Divina, que é a Verdade Absoluta, não ficou tão marcado como deveria.

A Bíblia, por exemplo, revela: “Os meus pensamentos não são os teus pensamentos, diz o Senhor”. Mas quando isto era lido, cada leitor ficava entendendo que os pensamentos de Deus não eram os dele! E, desse modo, a “ilusão” ficava ainda mais reforçada! E assim se deu com o entendimento de todas as Escrituras! Sempre o referencial pregado era o das “aparências ilusórias”.

Os ensinamentos absolutistas têm por objetivo a eliminação desta visão errônea das revelações espirituais. Busca fazer a inversão da aceitação. Por isso, prega que DEUS É TUDO, INCLUSIVE VOCÊ, e ensina que esta “aceitação iluminada” precisa ser adotada como “ponto de partida”. Como DEUS É TUDO, no exemplo bíblico citado, o que deve ser entendido é que “OS NOSSOS PENSAMENTOS” não são os da mente humana”; antes, pela totalidade de Deus, “OS NOSSOS PENSAMENTOS SÃO OS DE DEUS”.

Enquanto a dualidade não for extinta de nossa aceitação, as Verdades reveladas falarão de um Deus que, apesar de perfeito, é OUTRO que não QUEM SOMOS! E desta “ilusão” decorre toda a prática dualista errônea, em que um “mortal” ou “humano” passa a vida toda lutando para  se divinizar, evoluir, sair da “ilusão”, se iluminar, etc..

A dualidade tem de ser varrida de imediato, caso desejemos “SER O QUE SOMOS”, ou seja, praticar em nós mesmos as revelações que anulam as mentiras sobre o nosso Ser. Não há sentido algum em permanecermos no “referencial da mentira”,  numa dualidade que é ilusória, e sempre postergando a experiência única e real que já é nossa: a experiência de “SER DEUS!”.


segunda-feira, agosto 03, 2020

Você é Deus unicamente porque Deus é Você

- Dárcio Dezolt -


“Sem o Verbo – Deus – nada do que foi feito se fez” (João 1: 3). Esta revelação de João repete a do Gênesis, quando revela que “o homem é um ser à imagem e semelhança de Deus”. QUEM É ESTE SER ASSIM REVELADO? O CRISTO!  VOCÊ! SUA REAL IDENTIDADE! SUA ATUAL IDENTIDADE! SUA ÚNICA IDENTIDADE! JAMAIS ALGUÉM FOI “FEITO DE BARRO”, uma alegoria que simboliza a ILUSÃO!

Quando partimos da Verdade Absoluta de que DEUS É TUDO, partimos do CRISTO QUE SOMOS, AQUI E AGORA, que é DEUS EVIDENCIADO COMO SER INDIVIDUAL. “CRISTO É TUDO EM TODOS” (Col. 3: 11).

O Universo INTEIRO manifesta as “OBRAS ESPIRITUAIS E PERMANENTES DE DEUS”.  SÓ PODERIA ESTAR SENDO ASSIM, UMA VEZ QUE DEUS SÓ DISPÕE DE SI MESMO, DE SEU PRÓPRIO ESPÍRITO,  PARA EMANAR AS FORMAS EXISTENCIAIS.

Por isso é sempre lembrado, nos escritos sobre a Verdade, que A MATÉRIA NÃO EXISTE! NÃO EXISTE NEM PODERIA EXISTIR, POIS DEUS É ESPÍRITO, SUAS OBRAS SÃO ESPÍRITO, VOCÊ É ESPÍRITO, E A “UNIDADE PERFEITA” É ESPÍRITO!

Quando frases bíblicas são aqui citadas, muitos dizem o seguinte: “Você escolhe partes da Bíblia para endossar os textos, e  não cita jamais outras partes dela”! Ocorre o seguinte: as supostas “partes escolhidas” sempre serão aquelas condizentes com o que me foi revelado, e não meramente para endossar textos! O QUE EU VI, O QUE ME FOI REVELADO, É DEUS SENDO LUZ INFINITA ONIPRESENTE, E QUE SOMOS ESTA LUZ! Desse modo, se a Bíblia disser que “SOMOS LUZ”, a citação aqui será lembrada! MAS SE DISSER QUE “SOMOS PECADORES”, ESTA MENTIRA SERÁ REPUDIADA, MESMO QUE ESTIVESSE PRESENTE EM TODAS AS PÁGINAS DA BÍBLIA!

Vários são os casos em que discípulos, com a intenção de pregar a Verdade, disseram coisas contrárias à própria Verdade, marcando-as mais do que deveriam. Paulo, por exemplo,  disse o seguinte: “Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro.” (Filipenses 1.21). PELA PRIMEIRA VEZ ESTA CITAÇÃO APARECE NOS ARTIGOS! E APARECE PARA SER EXTINTA PELA VERDADE ABSOLUTA:  DEUS É TUDO!

De fato, “O VIVER É CRISTO”, pois O CRISTO É TUDO EM TODOS! A outra parte, “O MORRER É LUCRO”, é totalmente sem sentido espiritual! “Ah! Ele fala da morte do ego!”.  MAS O UNIVERSO INFINITO ESTÁ PREENCHIDO PELA VIDA PERFEITA DE DEUS! NÃO HÁ “MORTE” DE ESPÉCIE ALGUMA! Se existisse, por uma fração de segundo, o chamado "ego", Deus não seria permanentemente TUDO!

Paulo costumava falar em “morrer diário”, com a intenção“ de explicar que O CRISTO QUE SOMOS deve “surgir” em decorrência de nosso “despojamento do  suposto eu nascido”. Assim, em vez de se prender ao REFERENCIAL DA VERDADE, revelando que TODOS, SEM EXCEÇÃO, AQUI E AGORA, SÃO DEUS NA FORMA DO CRISTO, FORMANDO A UNIDADE PERFEITA, empregou o “REFERENCIAL DA ILUSÃO”! NÃO EXISTE VIDA NA ILUSÃO! NÃO EXISTE MORTE NA ILUSÃO! NÃO EXISTE ILUSÃO! DEUS É TUDO!

Foi citado este exemplo,  do “morrer diário”, para que leitores das Escrituras não engulam  cegamente tudo que ali encontrem,  sem avaliar se é ou não Verdade Absoluta! Se não for, deve ser rejeitado!

VOCÊ, E TODOS, SOMOS AQUI E AGORA O CRISTO VIVO!  SOMOS “FEITOS”  DO VERBO DIVINO, ÚNICA “MATÉRIA-PRIMA” UNIVERSAL! É POR ISSO QUE JESUS DECLAROU NÃO “JULGAR PELA CARNE”! ILUSÃO E NADA ERAM SINÔNIMOS PARA ELE! E IGUALMENTE, DEVEM SER SINÔNIMOS PARA NÓS!

DEUS É TUDO, E VOCÊ É DEUS UNICAMENTE PORQUE DEUS, POR SER TUDO, É  TAMBÉM VOCÊ!


quinta-feira, julho 30, 2020

Vida nova pela Graça (Goldsmith)

- Joel S. Goldsmith - 


"Este é o dia que o SENHOR fez; nós nos regozijaremos, e nos alegraremos nele." (Salmos 118: 24)
   
"...Vos alegrareis em tudo o que puserdes a mão, vós e as vossas famílias..." (Deuteronômio 12: 7)

Deus está se derramando e se expressando como um Ser harmonioso e como um Universo harmonioso. 

O mundo, no entanto, não está desfrutando da harmonia desse Universo ou da harmonia do Ser de Deus, mas isso não ocorre porque Deus está retendo essa harmonia de alguém. Não há nenhum Deus que possa ser induzido a fazer algo especialmente por você ou por mim, nenhum Deus que saia de Sua órbita para fazer algo por qualquer pessoa que não esteja fazendo por todos neste exato momento, quer todos os corpos se aproveitem ou não do que Deus está lhes dando tão livremente.    

Enquanto você lê isso, reveja em sua mente estas perguntas: 1) você acredita que Deus está escondendo alguma coisa de você? 2) Você acredita que existe um Deus que pode lhe dar algo, mas neste momento em particular não está dando a você? Você acredita nisso? 3) Há alguma coisa que a mão de Deus está retendo de você? 4) Existe alguma maneira de você chegar a Deus para fazer Deus perder algo que você gostaria de ter, e dá-lo a você?     

A maioria dos ensinamentos religiosos do mundo são baseados na crença de que existe uma maneira de influenciar Deus e assim persuadi-Lo a agir em nosso favor. E agora eu lhe pergunto, você acredita nisso? Você acredita que pode encontrar uma maneira de coagir Deus, influenciá-lo ou suborná-lo com dinheiro, orações, penitências, sacrifícios, dízimos, ou com promessas de ser bom? Você acredita que isto influencia Deus em seu favor? Você acredita que existe uma maneira de abrir a mão de Deus e libertá-la das bênçãos que você acha que Ele está lhe negando?      

Liberte-se da crença de que há um Deus retendo qualquer coisa de qualquer pessoa, em qualquer lugar, por qualquer razão. Deus não está dando algo a uma raça e retendo-o de outra ou a uma igreja e retendo-o de outra. Não há verdade maior em toda a escritura do que essa: "Sua chuva cai igualmente sobre os justos e os injustos" (Mateus 5:44,45). Uma vez que você começa a perceber que Deus não faz acepção de pessoas, a libertação interior que vem de tal reconhecimento dissolve qualquer forma de preconceito ou intolerância racial, preconceito religioso, prejuízo econômico ou social que você possa ter entretido. Você já sabe que o sol nasce e se põe num horário que pode ser marcado com centenas de anos de antecedência. As marés sobem e descem em um horário definido; as estações vêm e vão num horário definido; sol, lua e estrelas se movem em suas órbitas em um horário definido, sem que ninguém ore a Deus para que isso aconteça, sem que ninguém tente influenciar Deus. Você sabe quanto sucesso alguém teria se orasse a Deus para interferir com a regularidade desses fenômenos naturais? Ele não teria peso algum com Deus, e tudo o que poderia fazer no final seria destruir-se a si mesmo por suas vãs imaginações.    

A Graça de Deus opera por causa de Deus, não por causa do homem. Muitas pessoas chegaram aos últimos anos de sua vida, frustradas, derrotadas e amarguradas porque oraram por anos, oraram por coisas que não aconteceram. Em vez disso, cada pessoa deve se libertar por prática consciente e persistente de qualquer crença em um Deus retentor: "Aqui e agora, eu desisto de qualquer tentativa de influenciar Deus em meu nome, ou em nome de outro. Aqui e agora, eu liberto a mim mesmo e liberto Deus. Percebendo que a Graça de Deus é Onipotente, Onipresente e Onisciente, eu não olho mais para Deus por alguma coisa ou por alguém. A função de Deus é cumprir a si mesmo, e, como nada está sendo retido, nada pode ser dado a mim. A Graça de Deus é a minha suficiência em todas as coisas. A Graça de Deus não tem que ser ganha, conquistada ou merecida. A Graça de Deus está fluindo tão livremente na experiência deste mundo quanto no nascer e pôr do sol, no refluxo e fluxo das marés e no movimento ordenado dos planetas. A Graça de Deus é livre e presente em toda parte. O lugar onde eu estou é solo sagrado porque a Graça de Deus está aqui, e a Graça de Deus estaria aqui mesmo se eu fosse o maior pecador do mundo."

Minha compreensão desta verdade começaria imediatamente a limpar qualquer pecado e as penalidades por tal pecado, nenhum dos quais Deus trouxe sobre mim, mas todos os quais eu trouxe sobre mim mesmo, vivendo uma vida à parte deste reconhecimento da Graça de Deus.

Eu relaxo e descanso na sempre presente Graça de Deus.

Uma pessoa no mais profundo dos pecados, uma pessoa às portas da morte com alguma doença, ou até mesmo uma pessoa condenada à prisão perpétua pode encontrar a sua liberdade, primeiro liberando dentro de si qualquer desejo de que Deus faça qualquer coisa por ele, liberando Deus de qualquer responsabilidade de fazer qualquer coisa por ele e, depois pela sua aceitação do fato de que a Graça de Deus opera por causa de Deus, não por causa dele.

segunda-feira, julho 13, 2020

A Existência é Substância; a vida é sombra


- Meher Baba -


A Existência é eterna, enquanto que a vida é perecível. Comparativamente, a Existência é o que seu corpo é para o homem e a vida é como a roupa que cobre o corpo. O mesmo corpo muda de roupa de acordo com as estações, com o tempo e as circunstâncias, da mesma forma que a Existência eterna e una sempre está lá através de todos os inúmeros aspectos variados da vida.

Envolta além do reconhecimento pelo manto da vida com suas dobras e cores variadas está a Existência imutável. É o traje da vida com seus véus - o véu da mente, da energia e das formas grosseiras que "encobrem" e se sobrepõe sobre a Existência, apresentando a Existência eterna, indivisível e imutável como transiente, diversificada e em constante mudança.

A Existência é onipresente e é a essência fundamental que sublinha todas as coisas animadas ou inanimadas, reais ou irreais, variadas em espécie ou uniforme em formas, coletivas ou individuais, abstratas ou substanciais.

Na eternidade da Existência não existe o tempo. Não há passado nem futuro, apenas o presente eterno. Na eternidade nada jamais aconteceu e nada jamais acontecerá. Tudo está acontecendo no interminável AGORA.

A Existência é Deus, enquanto que a vida é ilusão.
A Existência é Realidade, enquanto que a vida é imaginação.
A Existência é eterna, enquanto que a vida é efêmera.
A Existência é imutável, enquanto que a vida está sempre mudando.
A Existência é liberdade, enquanto que a vida é um aprisionador.
Existência é indivisível, enquanto que a vida é múltipla.
Existência é imperceptível, enquanto que a vida é enganosa.
A Existência é independente, enquanto que a vida é dependente da mente, da energia e das formas brutas.
A Existência é, enquanto que a vida parece ser.
A Existência, portanto, não é a vida.

O nascimento e a morte não marcam o início ou o fim da vida. Considerando que as diversas fases e estados da vida que constituem os chamados nascimentos e mortes são regidos pelas leis da evolução e da reencarnação, a vida vem a existir uma única vez, com o advento dos primeiros raios pálidos da consciência limitada, e sucumbe à morte apenas uma vez ao alcançar a Consciência Plena da Existência Infinita.

A Existência, onisciente, onipotente, Deus onipresente, está além de causa e efeito, além do tempo e do espaço, além de todas as ações.

A Existência toca a tudo, todas as coisas e todas as sombras. Nada jamais pode tocar a Existência. Mesmo o próprio fato de seu ser não tocar a Existência.

Para perceber a Existência é preciso despreender-se da vida. É a vida que dá limitações ao Ser ilimitado. A vida do ser limitado é sustentada pela mente que cria impressões, pela energia que alimenta o impulso para acumular e dissipar essas impressões através de expressões, e por formas grosseiras e corpos que funcionam como instrumentos através dos quais essas impressões são gastas, reforçadas e, eventualmente, exauridas através de ações.

A vida está densamente associada às ações. A vida é vivida através de ações. A vida é valorizada através de ações. A sobrevivência da vida depende de ações. As ações são o que faz a vida ser conhecida - ações opostas em natureza, ações afirmativas e negativas, ações construtivas e destrutivas. Portanto, para deixar a vida sucumbir até sua morte definitiva é deixar todas as ações terminarem. Quando as ações terminam completamente, a vida do ser limitado espontaneamente experimenta-se como a Existência do Ser ilimitado.

A Existência ao ser realizada (percebida e atingida), a evolução e a involução da consciência estão completas, a ilusão desaparece e a lei da reencarnação não pode mais aprisionar.

Simplesmente desistir de cometer ações nunca colocará um fim nas ações. Seria simplesmente significar pôr em ação uma outra ação - a da inatividade.

Escapar das ações não é o remédio para a erradicação das ações. Pelo contrário, isso daria margem para o ser limitado ficar mais envolvido no próprio ato de escapar, criando assim mais ações.

As ações, tanto as boas quanto as ruins, são como nós no emaranhado da linha da vida. Quanto mais persistentes os esforços para desatar os nós da ação, mais firmes tornam-se os nós e maior o emaranhamento.

Somente ações podem anular ações, da mesma maneira que o veneno pode neutralizar os efeitos do veneno. Um espinho profundamente enraizado pode ser extraído ao usarmos um outro espinho ou qualquer objeto pontiagudo semelhante a um espinho, como uma agulha, utilizada com habilidade e precaução. Da mesma forma, as ações são totalmente arrancadas por outras ações, quando são cometidas por algum agente de ativação que não seja o 'ser'.

Karma yoga, dnyan yoga, raj yoga e bhakti yoga servem o propósito de serem sinais importantes no caminho da Verdade, orientando o buscador para a meta da Existência eterna. Mas a vida alimentada por ações, segura tão apertado o aspirante que mesmo com a ajuda desses sinais inspiradores, ele falha em ser guiado na direção certa. Enquanto o Ser é vinculado por ações, o aspirante ou mesmo o peregrino no caminho da Verdade, certamente irá se extraviar pelo auto-engano.

Ao longo de todas as eras, sadhus e buscadores, sábios e santos, Munis e monges, tapasavis e Sanyasis, yogis, Sufis e talibs têm lutado durante suas vidas inteiras, passando por dificuldades incalculáveis em seus esforços para se desembaraçarem do emaranhado de ações e perceberem a Existência eterna ao sobrepujarem a vida.

Eles falham em suas tentativas porque quanto mais lutam com seu 'ser', mais firmemente seu ser é agarrado pela vida, por meio de ações intensificadas pelas austeridades e penitências, reclusões e peregrinações, meditação e concentração, declarações assertivas e contemplação silenciosa, por uma intensa atividade e inatividade, pelo silêncio e pela verbosidade, por japas e tapas, e por todos os tipos de yogas e chillas.

A emancipação das garras da vida e a liberdade dos labirintos das ações são possíveis para todos e alcançadas por poucos, quando um Mestre Perfeito, Sadguru ou Qutub é abordado e sua graça e orientação são invocadas. O conselho invariável do Mestre Perfeito é a rendição completa a ele. Os poucos que se entregam por completo - mente, corpo, bens, de modo que com sua entrega total eles entregem também conscientemente seu próprio "ser" ao Mestre Perfeito - ainda mantêm seu próprio ser que permanece consciente para cometer ações que são agora ativadas apenas pelos ditames do Mestre.

Tais ações, após a entrega do 'ser', não são mais ações da própria pessoa. Assim, essas ações são capazes de arrancar todas as outras ações que alimentam e sustentam a vida. A vida torna-se então gradualmente sem vida e, eventualmente, sucumbe pela graça do Mestre Perfeito, à sua morte final. A vida, que uma vez impediu o aspirante perseverante de realizar a Existência perpétua, já não pode operar seu próprio engano.

Eu enfatizei no passado, eu lhes digo agora e repetirei era após era para todo o sempre: para vocês deixarem cair seu manto da vida e perceberem a Existência que é eternamente sua.

Para realizar esta verdade da Existência imutável, indivisível, que tudo permeia, a maneira mais simples é se entregar a mim completamente, tão completamente que você nem sequer fique consciente de sua rendição, consciente apenas de me obedecer e agir como e quando eu lhe ordenar.

Se você busca viver eternamente, então implore pela morte de seu ser enganoso nas mãos da entrega total a mim. Esse yoga é a essência de todos os Yogas em um.


quarta-feira, julho 08, 2020

Palestra: O Deus que Você É!


Dárcio Dezolt -
Nesta palestra, Dárcio Dezolt explicita de forma simples e eficiente as revelações da Metafísica Absoluta, revelações transcendentais, incapazes de serem percebidas ou compreendidas pela mente cerebral humana que funciona apenas com base nos 5 sentidos.

Pela prática da Meditação, podemos nos abrir às verdades divinas, que só podem ser experienciadas quando sintonizamos com a Mente Divina - a única capaz de perceber e experienciar as revelações divinas legadas por Jesus, Buda, Krishna e todos os avatares e seres divinos que já andaram nesta Terra.

Nesta preleção, as palavras de Dárcio Dezolt nos proporcionam compreender, de forma intuitiva e contemplativa, o Ser Divino Supremo e Único, isto é, o Pai que se faz UNIDADE com cada um de nós (Filhos de Deus).
 
(A palestra tem início aos 4min e 20s) 
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segunda-feira, julho 06, 2020

Pense Deus



Pense Deus!

Pense só em Deus!

Pense em Deus sendo o Universo único!

Pense em como Você vive em Deus!

Pense em como Deus vive em Você!

Pense com a Mente que Deus é!

Pense na Mente de Deus sendo a sua!

Pense em sua Mente sendo a de Deus!

Pense em Deus pensando em Você!

Pense em Você pensando em Deus!

Pense em Deus neste agora!

Pense neste agora sendo Deus!

Pense em Deus sendo Tudo!

Pense em Deus sendo Você!


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terça-feira, junho 30, 2020

Deus é tudo! (Núcleo)

- Núcleo - 


Meu divino Amigo, o post anterior revela que Deus é tudo!

Em um comentário seu, na postagem "Pense Deus", você escreveu: “Que, neste Agora - e através da Mente que Deus é -, todos possam perceber Quem são!”

O ponto é este: Somente através da "Mente que Deus é" é possível perceber que Deus é tudo!

Sobre este ponto permita-me compartilhar o que segue.

Essa “Mente que Deus É” é a única Mente, a verdadeira! Na linguagem do Núcleo, a Mente de Deus é chamada Consciência do Ser por ser ela a Consciência do Ser Único e Real. Este Ser é o Eu Verdadeiro, a nossa real identidade.

No texto, este Ser Real é a própria Vida que subjaz a tudo o que está no papel, que é a representação divina. O texto concluiu afirmando que: "Toda forma representa o Espírito, Deus; e, à medida que o nosso discernimento de Deus como Tudo se torna mais iluminado e mais transparente, veremos, aqui e agora, seres tão glorificados, perfeitos e imortais, livres de nascimento e morte, como são eternamente agora, mantidos na Toda-Presença, no Deus que é Tudo."

Para fins meramente didáticos, para que o nosso discernimento de Deus como Tudo se torne mais iluminado e mais transparente: em contraposição à “Consciência do Ser”, que é a “Mente de Deus”, há a “mente humana”, que na linguagem do Núcleo é chamada de “mente do personagem”.

Enquanto imersos na “Representação”, ou seja, na “realidade dos personagens”, na realidade aparente, não percebemos a Realidade, o Universo Verdadeiro; o Universo da Consciência, o Universo de Deus, porque a mente dos personagens - que não é de fato nossa “Mente” - tem uma percepção própria, que na linguagem do Núcleo é chamada de “percepção mental”, que percebe conforme sua própria natureza, que é irreal. Assim, não sendo a nossa Mente, a mente do personagem, não sendo real, não percebe o real. É algo como a percepção que temos em sonho que durante o sonho percebe a realidade do sonho e não percebe que a realidade do sonho não tem substância, ou seja, não percebe que o sonho não é de fato a realidade. Mas, mesmo durante o sonho, em todo o tempo a Mente Verdadeira está presente. No instante em que o sonhador se desperta reassume a identidade de Quem ele é.

E também entre os seres humanos há os que, mesmo durante o período de sonho, estão conscientes de que estão sonhando! Eles continuam “desfrutando o sonho” sabendo que é apenas um sonho. Os que são conscientes de que a “realidade dos personagens”, a “Representação”, não é a Realidade do Ser, a realidade de Quem Somos, na linguagem do Núcleo são chamados de “personagens despertos”. Eles são personagens que se identificam com “Quem realmente São”, se identificam com o Ser Real, com o Eu Verdadeiro, e não com “quem estão sendo”, com quem estão representando, não se identificam com a “identidade de seus personagens”.

Este é o motivo de Jesus, que é exemplo de um personagem desperto, ter dito: “Eu e o Pai somos Um.” E também: “Quem vê a mim vê Aquele que me enviou”. Pelo mesmo motivo Sakyamuni, que é outro exemplo de personagem desperto, disse: “Eu sou Buda”, cujo significa é “Eu sou Desperto”!

Na representação, a fim de que os personagens possam ter parâmetros nos quais se referenciar, há sempre “personagens despertos”. Por vezes esses personagens são bastante evidentes, mas na maior parte das vezes eles não são tão evidentes. Eles existem, sempre existiram e sempre existirão; estão dispersos no cenário mas nem sempre são notados. É assim para que a representação possa seguir o seu curso sem interferências em relação aos divinos personagens que não querem se despertar.

Por outro lado para os que querem se despertar e perceber o Real há sempre um personagem desperto que compartilha sua percepção da Realidade e revela o caminho para a percepção do real. Neste texto Frances T. Seal evidencia ser um destes personagens. Mas certamente não é o único instrumento pelo qual a divindade está Se evidenciando. Os que compartilham suas percepções também são. Basta notar o que ocorreu a Aquele que na representação aparece como o divino personagem Gustavo, idealizador deste blog, ao compartilhar a percepção de que: "Lembrei que, na Bíblia, Eu já disse que: 'Os Meus pensamentos não são os teus pensamentos; os Meus pensamentos são mais altos do que os teus pensamentos'."

Esta aparente “lembrança” é em si uma grande chave de compreensão que remete ao texto sobre dois outros personagens: “Unicidade nos ensinamentos de Cristo e Buda”. Um relevante comentário a este texto trata da relação entre “Percepção e Ação” e em certo ponto é exposto que: 

“Na Bíblia Deus diz que os seus pensamentos não são os Meus pensamentos e os seus caminhos não são os Meus caminhos…". Isto evidencia que há pensamentos que são mais elevados do que os pensamentos que são gerados na mente e que há uma percepção que é mais elevada que a percepção mental.

O referido comentário começa expondo da forma como segue: "No Núcleo dizemos que 'não há percepção sem ação." Mas, há dois tipos de percepção: A percepção mental e a percepção consciencial.

Devemos notar que a percepção mental, por ser a percepção da mente do personagem, tem a mesma natureza do próprio personagem, ou seja, existe apenas na representação. Assim, com a percepção mental, que é uma representação e, portanto, irreal, é impossível perceber o universo consciencial, que é real. O irreal não pode perceber o real.

A percepção real é da Consciência do Ser. A percepção a que se refere a frase acima é, portanto, a percepção consciencial! O sentido daquela frase é então: “Não há percepção consciencial sem ação.”

Mas, há também dois tipos de ação: A ação por interesse, que é motivada pelos frutos da própria ação; e a ação correta, que é desinteressada.

Percepção consciencial e ação correta estão sempre juntas. A manifestação de uma acompanha a manifestação da outra! Na “cosmologia do Núcleo” foi exposto que Deus concebeu em Sua própria Consciência um Universo repleto de “Seres”, e que todos são conscientes de que são o Ser Único, o próprio Deus. O Universo consciencial e os seres que nele existem são reais! Notem que o Universo Consciencial, o universo gerado por Deus em sua Consciência, é a manifestação da “percepção da Consciência do Ser” que Deus É em ação; é manifestação da percepção consciencial. A realidade do Universo consciencial e dos seres conscienciais e a unicidade com Deus só é percebida consciencialmente. Só aquele que se percebe como um Ser Consciencial sabe que é “Um com Deus”, o único Ser real. Da mesma forma como Deus partiu da percepção consciencial e agiu, também é possível partir da ação correta e perceber!

Com base neste princípio da reciprocidade, entre percepção consciencial e ação correta, é que os Mestres embasam Seus ensinamentos. Observem que os Mestres dirigem Seus ensinamentos para o “reto agir”, para a forma correta de se viver. É a prática desta ação correta o que desperta em nós a percepção consciencial. É agindo como “Quem somos” o que nos torna conscientes de que somos “o Ser Real, o Ser consciencial, o Ser que não é material, que não é da “representação”. Cristo declarou: “Aquele que me enviou está comigo, não me deixou só, porque eu faço sempre o que Lhe agrada.” E disse ainda: “Quem é de Deus ouve as palavras de Deus.”. 

A ação correta está relacionada aos pensamentos elevados e aos sentimentos nobres que, quando vivenciados, geram uma expansão dos limites da percepção do personagem e despertam a percepção da Presença do Ser.

Em outro trecho do comentário exposto, escreve Masaharu Taniguchi:

“Não é através do fenômeno que se conhece a Essência. Esta somente pode ser conhecida pela Essência da própria pessoa. No budismo se diz que “somente Buda pode conhecer Buda”. Em termos cristãos, diríamos que “ninguém conhece o Pai, senão o Filho” (Mt. 11;27) ou “ninguém vai ao Pai senão pelo Cristo interior”. Por mais que analisemos o fenômeno, não conheceremos a Essência. Por mais que dissequemos o homem carnal, não encontraremos o homem-Essência. Somente alcançamos a iluminação quando a nossa Essência e a Essência do Universo se tocam diretamente, isto é, por meio da percepção direta, por meio do sentido da Essência.”

Perfeita explanação! Esta “percepção direta” ou “sentido da Essência” é a própria “percepção consciencial”, ou seja, é a percepção da essência do ser humano, de sua real natureza de ser consciencial, que é a percepção real; que percebe que toda forma representa divinamente o Espírito, Deus, e que de fato: Tudo é Deus!.

A íntegra do referido texto e comentário pode ser acessado no seguinte endereço: http://nucleu.com/2012/09/06/unicidade-nos-ensinamentos-de-cristo-e-buda/

Namastê!


quinta-feira, junho 25, 2020

DEUS É TUDO!


 - Frances T. Seal -


UMA EXPERIÊNCIA

Deus é tudo o que existe. Deus está sempre presente. Deus preenche todo o espaço. Nada há, senão Deus. Quantos de nós vêm repetidamente dizendo estas palavras em momentos de aparente necessidade para, em seguida, perceber as nuvens se dissiparem e a luz amanhecer novamente em nossa experiência! Entretanto, quantos não existem e que ainda precisam captar o sentido básico oculto em sentenças tão estupendas! São estas afirmações, aparentemente simples, que, compreendidas e praticadas, fazem com que as invenções chamadas pecado, tristeza e morte desapareçam, e que a Glória de Deus seja vista, compreendida e sentida "assim na terra como nos céus".

Recentemente, ocorreu-me uma bela experiência, reveladora de muitas coisas. Certa noite, notei que um de meus canarinhos estava indisposto. Pneumonia seria o nome a ser dado ao problema. Na manhã seguinte, ao me aproximar da gaiola cumprimentando os passarinhos, este pequenino lutava enormemente consigo mesmo e parecia estar à morte. Abri a gaiola e o tomei em minha mão. Ele caiu para o lado e fechou os olhos. Suavemente, coloquei-o no piso da gaiola e me afastei. Os seguintes pensamentos me vieram: quão frágeis e delicados são os canários; quão inúteis nos sentimos diante de um passarinho agonizando! De repente, bem rápido, veio-me a voz da Verdade, com sua força e poder: "É possível Deus ser tudo, e este canário estar existindo ao lado desse tudo?"

Bem, isso me parecia original e novo, como se nunca anteriormente houvesse considerado estas verdades. Mas, claro, Deus é tudo, e não poderia haver nada além de Deus. Deus é tudo – não há nada mais, e isto pôs fim à questão ali mesmo. Imediatamente o canário foi esquecido. A responsabilidade de curar, destruir a morte e demonstrar a vida, desapareceu. Nada mais havia, além da gloriosa consciência: DEUS É TUDO O QUE EXISTE. A voz continuou: "Se Deus é tudo o que há, então Deus está exatamente aqui, e Deus não pode morrer". Isto foi visto, sentido e compreendido, e eis que o canário voou para o alto de seu puleiro passando a gorgear em poucos minutos. Pouco depois, cantava a plena voz.


COMPREENDENDO O PRINCÍPIO

Como o botão fechado de uma rosa contém a rosa completa, assim esta percepção tem sido um botão de Luz Gloriosa, de onde provém uma grande iluminação. Foi percebido que Deus é tudo o que poderia estar presente, e a partir desta visão, o canário se apresentou vivo e passando bem. Por que a eliminação do canarinho do pensamento, pela renúncia em aceitá-lo como estando doente ou saudável, morto ou vivo, e apenas com este esquecimento pleno do pássaro, ele pôde ser restaurado à vida, à saúde e à harmonia?

Para ilustrar isto, visualize, no topo desta página (*nota: o texto original foi escrito em papel), uma foto de ovelhas pastando numa planície verdejante e, por perto, um pastor com o seu cachorro. E eu pergunto: que faz com que o pastor, as ovelhas e o cachorro sejam semelhantes? Para serem todos o mesmo, que coisa será esta, comum a todos eles ? Qual a substância deles? Eis a resposta: eles todos são papel. Sim, o papel é tudo o que eles são. As ovelhas que você vê, o pastor e o cachorro, todos são semelhantes, todos são a mesma substância. Não há nada ali, a não ser o papel! O cachorro não está ali como algo diferente do papel, mas o papel e o cachorro são um e o mesmo. Mas, apenas por diversão, pela alegria do quadro ou de sua forma, um é chamado de cachorro, o outro de pastor, o terceiro de ovelha, e assim por diante. Entretanto, por todo tempo, estaremos internamente conscientes de que o que existe é unicamente a presença do papel.


A UNIDADE

Chegamos agora a Deus e ao homem. Aliás, alguma vez lhe ocorreu que essa é uma afirmação ambígua? "Deus e homem?" Não seria melhor dizer de uma vez "o Tudo e algo mais?" Nós já lemos, ouvimos e falamos de Deus e idéia, de Deus e manifestação, de Deus e homem, mas temos de nos certificar que não podemos aceitar Deus como tudo e a existência de algo mais: se tivermos de ter o homem, a única forma coerente de fazermos isto é considerarmos Deus e homem sendo a mesma coisa, sendo o mesmo ser. Olhamos ao redor e vemos homens, mulheres, crianças, animais, pássaros e planetas. Qual é a substância de todos? Bem, a substância de uma coisa é aquilo de que a coisa consiste, aquilo que é essencial, vital. A substância de um tapete pode ser lã. A substância de uma cadeira pode ser madeira. A questão é: "Qual é a substância de todos os seres viventes?" Resposta: "É a Vida". Uma vez que Deus é a Vida, e Deus é tudo, a Substância de tudo é Deus, a Vida. A Substância do homem é sua Vida – é Deus.

Tudo que há de vital para o homem que seja real, imortal, imutável, é a sua Vida, sua Alma, seu Espírito. E isto, que é a sua Vida, sua Alma, seu Ser, é Deus, pois Deus é toda a Vida, Alma, Ser e Espírito em existência, agora e eternamente. Mantendo isso em vista, continuamos e deduzimos: se a Vida do homem é Deus, não poderíamos por um momento penetrar a forma chamada homem, mulher, criança, e perceber a Vida, a Alma, o Ser e dizer: "Isso é Deus – Deus é tudo o que existe?" Agora podemos facilmente olhar a foto com o homem, o cachorro e as ovelhas, e dizer: "Estas formas não estão separadas nem distanciadas do papel: aqui está o papel, e aqui estão as formas; o papel e as formas são um."

Então, após ver que o papel é a substância da forma, e que a forma não é nada separada ou afastada do papel – nada em si mesma –, podemos prosseguir: isto é um cão, isto é uma ovelha, este outro é um homem. Nós os chamamos por nomes diferentes; no entanto, em todo o tempo, sabemos que nada são por eles mesmos, mas que cada um é aquilo que o papel é. Isto não elucida a experiência com o canário? A revelação tinha sido esta: Tudo o que há para o canário é a sua própria vida; então, a Vida não é o canário, a Vida é Deus. E Deus não pode morrer. Para manter a visão na totalidade de Deus, eu teria de incluir incluir o pássaro, pois ele não existiria fora de Deus. Assim, à medida que espiritualmente fui percebendo que a Vida toda é Deus, e que Deus é a Vida toda em existência, o canarinho foi visto em sua condição correta de saúde e harmonia.

Aqui está outra lição maravilhosa. Se extrairmos o cachorro, o homem e a ovelha do papel, e percebermos a totalidade do papel, poderemos depois trazê-los-los de volta e compreendê-los. De forma que, quando eliminamos aquilo que é chamado de canário, homem, animal, e percebemos que a Vida que é Deus é tudo o que há para eles serem, podemos tê-los, compreendê-los e neles nos regozijarmos. E quando for percebido espiritualmente que Deus é tudo que há para qualquer vida e ser, não teremos mais mortos, e isto será demonstrado aqui mesmo, neste mundo.

Não profetizou Jesus: "Quem perder a vida – achá-la-á?" (Mateus 10-39). Aquele que perde o seu conceito de vida como homem, e percebe, com alegria indescritível, que sua Vida é Deus, encontra o verdadeiro Ser.

A Vida do seu Ser, a Alma do seu Ser, o Espírito do seu Ser, o Deus do seu Ser, é tudo o que há para você estar sendo. Assim, esqueça um pouco que você possa ser um homem, ou uma mulher, e pense em Deus como sendo tudo o que há – DEUS É TUDO.


A ILUMINAÇÃO NA PRÁTICA

Este é o significado da "renúncia". Você renuncia à noção de que haja Deus e algo mais. Você reconhece Deus como Tudo-em-Tudo. Olhe para a árvore em frente à sua janela. Elimine a forma dessa árvore e veja a Vida que está lá. Olhe para a criança, o homem, a mulher e veja a Alma deles, o Espírito deles, a Substância deles, o Deus deles. Que Universo maravilhoso do Espírito você tem!

Agora, não lhe será inato e natural saber que Deus não pode estar doente? Que Deus não pode estar enfermo, que Deus não pode ser pobre nem estar morto? Você sabe disso imediatamente, com todo o fervor do seu ser. Quando um homem olha para o outro, qual é a notícia que ele ouve? "Eu sou pobre, estou doente, sou ignorante". Mas, quando Deus olha para Deus, qual é a parte deles que é noticiada? "Este é o meu filho amado, em quem me comprazo". Qual das duas visões você prefere? Quais são as palavras que você adora dizer e ouvir?

Certa mulher veio a uma praticista para solicitar ajuda, afirmando que havia tentado, sem nunca ter conseguido, superar suas fortes dores de cabeça. Ela foi compelida a admitir que Deus não poderia ter uma dor de cabeça, e que Deus é tudo o que existe. Foi então que se tornou capaz de dar o alegre testemunho que chegou de Deus: "Tudo está bem". Outra mulher disse que seu lar e o seu marido eram um grande fracasso. Ele bebia muito, além de ser um pai e marido cruel. A ela foi dito que parasse de olhá-lo como seu marido, pois, Deus é que era realmente o marido dela. "Deixe que a forma chamada homem seja apagada de sua visão e veja, em seu lugar, aquilo que realmente está diante de você, a Alma dele, o ser dele, que é Deus, incapaz de pecar, e que é totalmente bondoso, terno, amável e compassivo. Saiba que Deus só pode expressar aquilo que Deus é". A resposta lhe veio no momento devido: "O nosso lar está maravilhoso! Meu marido é um novo homem. Ele é tão gentil e silencioso para comigo e as crianças, que nem sabemos como expressar tanta alegria e felicidade".

Jesus reservou seus ensinamentos mais profundos aos seus discípulos, àqueles que somente têm o amor de Deus em seus corações, dispostos a nascer de novo e dispostos a deixar de lado o sentido pessoal do ego. Dizer que Deus é tudo, sem conhecer esta luz e iluminação interior, é exaltar o ego, é colocar a glória e o poder onde não estão. Foi sussurrado a Jesus, que discernia profundamente as coisas, que se ele apenas reivindicasse esse poder para ele próprio, seria Rei de toda a terra, poderia marchar pelas ruas e soldados e escravos lutariam por ele e o adorariam. Mas não; ele lançou fora a noção tola do ego, e exaltou o Eu que é Deus.

Muitos não conseguem entender que todos os dizeres de Jesus se fundem num sentido único. Por exemplo, ele disse: "Todo o poder me é dado"; disse também: "Nada faço de mim mesmo"; disse ainda, "Aquele que vê a mim, vê o Pai", e "Eu sou o filho de Deus". Seria como se, na foto que você imaginou na folha de papel branco, uma das ovelhas pudesse dizer: "Quando você me vir, verá o papel, pois, eu e o papel somos um". Perceba que, separada do papel, a ovelha não tem existência alguma. Assim também é verdade que separado de Deus, não existe Ser algum. Não é este um fato glorioso? Uma rocha sobre a qual se apoiar para se antever?

"Aquele que exalta a si mesmo, será humilhado", pois sabe que, antes mesmo que possa sussurrar o significado de tais gloriosas palavras como, por exemplo, "Deus é Tudo", precisará receber Iluminação interior que lhe revele que ele, o conceito pessoal ou ego, nunca é Deus, pois somente Deus é Deus.

Olhamos ao nosso redor e vemos as formas chamadas homem, mulher e criança. Eliminando estas delineações, estas formas, que irá restar? A Vida! Isto já está ilustrado pelo fato de que, se você retirar a delineação da ovelha na foto, você terá como sobra o papel. Bem, poderia esta Vida – o Ser que é Deus, que é ilimitado – ter pneumonia, estar morto, ser cego, ou aleijado? Poderia esta Vida, que é livre, que é indefinível, que é incorruptível, imutável, imortal, ser condicionada, ignorante ou contaminada? Milhares de vezes, não! Coloque sua visão nesta Vida que você é, neste Deus que você é. Creia e tenha fé de que toda doença, tristeza, pobreza e morte são impossíveis e contrários à razão.

Poderia, por acaso, aquela ovelha da foto ter alguma coisa que não estivesse no papel? Tampouco poderia você possuir algo que não estivesse em Deus, e que não viesse de Deus. Seu Deus não pode ter febre, sarampo, ossos fraturados, doença, preocupação, medo; portanto, tais fatores não existem e você não os pode ter, tendo em vista que Deus é tudo e não há outro além dEle.


"Eu sou Deus, e além de mim não há outro".


Uma vez firmemente estabelecido nesta rocha, que poderia haver contra você? Suponha que a crença seja de surdez: poderia Deus ficar surdo? Aquele que instalou a audição poderia, Ele próprio, ficar sem ouvir? Você, de si mesmo, não possui audição. Deus é o único ouvinte.

Desde que não haja surdez de maneira alguma, por não haver nada além de Deus, saiba que "o Deus em mim" escuta perfeitamente, e que não há nada capaz de interferir com a perfeição de Deus. Deus é tudo o que existe, aqui e agora: o imutável, o perfeito, o absoluto e incondicionado, o Tudo-em-tudo.

Suponha que a crença seja de uma doença, dor, ou enfermidade. Saiba, com toda a sua força, coração e ser, que Deus não pode estar doente, enfermo ou em dor. Não há nada mais, além de Deus. Deus é harmonia, Deus é alegria, Deus é glória, Deus é Amor. Deus é saúde e inteireza, inevitáveis, irrevogáveis, aqui, agora, de todas as formas e para sempre. Nada há, senão Deus. A vida do corpo é Deus. A saúde do corpo é Deus. A ação do corpo é Deus. Isto não deixa Deus bem mais perto de você? É impossível que a vida esteja enferma, cega, surda, aleijada – impossível! A sua própria substância é a sua própria vida e ser, a própria saúde e força, não é verdade? O homem não está separado de Deus.

Não negamos a ideia da forma chamada homem; antes, nós a enaltecemos. Percebemos que a forma da individualização não é nada de si mesma, mas que sua realidade é o Espírito, é Deus, a Substância única em existência. O universo do Espírito está, portanto, povoado de seres espirituais, cujas identidades e individualidades são para sempre sustentadas e preservadas

Deus e homem são um, e este um é Deus. E poderíamos dizer, naquela foto que você visualizou, que a ovelha e o papel são um. Este "um" é papel. A Vida e suas formações são um, e esse "um" é Vida. Entretanto, esta unidade é tríplice, ou seja, uma trindade. A compreensão da trindade, Deus, constitui-se numa explanação do Pai, Filho e Espírito Santo, a qual é clara e extensivamente dada no livro-texto da Ciência Cristã. Toda forma representa o Espírito, Deus; e, à medida que o nosso discernimento de Deus como Tudo se torna mais iluminado e mais transparente, veremos, aqui e agora, seres tão glorificados, perfeitos e imortais, livres de nascimento e morte, como são eternamente agora, mantidos na Toda-Presença, no Deus que é Tudo.


sexta-feira, junho 19, 2020

Ensinamento "Homem Filho de Deus" (Núcleo)

 - Núcleo - 


Filhos de Deus,

É necessário termos a convicção de que o homem é Filho de Deus. Essa é a mais sublime revelação da Verdade e tem origem na Realidade Divina.

Dizer que somos Filhos de Deus significa que somos expressões vivas do Jissô! E nossa realidade é o Jissô.

Deus e seu universo é a única Realidade e o Mestre Masaharu Taniguchi traduziu a Realidade, que Percebeu, como Jissô.

O Mestre Percebeu o Jissô por estar no Jissô! 

Permitam-me esclarecer esse ponto, pois Quem apreende essa revelação Vive em Unidade com o Mestre!

Assim como agora mesmo o nosso corpo e a nossa alma vivem na dimensão física (carnal, terrena, fenomênica), da mesma forma agora mesmo nosso Espírito vive na dimensão divina (Céu). Nossa vida verdadeira já é eterna agora mesmo, pois, somos seres divinos vivendo no Céu, a eterna Realidade. Porém apenas nosso Espírito Percebe essa realidade! Nosso corpo e nossa alma vivem na dimensão fenomênica, que abrange a dimensão física e também a espiritual. O mundo dos seres humanos encarnados, mundo físico, e o mundo dos seres humanos desencarnados ou espíritos (mundo espiritual) são ambos o mundo do fenômeno. Quando o Mestre revela que somos "seres Diamantinos, eternos e indestrutíveis" não se refere ao nossos corpos físico ou espiritual. E enquanto estivermos nos identificando com nosso corpo, físico ou espiritual, como sendo Quem somos, não despertamos para nossa real identidade de Filhos de Deus.

É simples assim! 

O fato de nos identificarmos com algo nos leva a dimensão na qual aparenta existir esse algo! 

Atentem bem! 

O ensinamento de que o homem é Filho de Deus tem um propósito sublime e muito além do que podemos imaginar! Esse ensinamento nos posiciona onde nossa real identidade Vive agora! 

Esse ensinamento é uma Percepção; é a Percepção de Quem realmente somos!

Enquanto nos mantivermos na mente carnal, na visão da mente carnal, que é a visão de quem estamos parecendo ser, projetaremos essa dimensão como se fosse real. Isso acontece porque somos seres divinos projetando uma realidade aparente na qual criamos personagens que acreditam estar vivendo no mundo de nossa própria projeção! 

Sim, nesse mundo, que é uma projeção, nós estamos criando a realidade em que vivemos. E fazemos isso com nossos pensamentos! Pensamos que somos seres individuais, separados de Deus, e assim nos vivenciamos! Simbolicamente a projeção é o resultado de comermos o "fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal". Essa árvore está no Céu e seu fruto nos possibilita vivenciar o que não somos (seres separados de Deus), mas de uma forma divinamente realística, que nos faz vivenciar como se tudo neste mundo de projeção fosse real, de tal forma que nos identificamos com nossos personagens como sendo nós mesmos! Contudo, continuamos no Céu, onde estamos vivendo agora! O fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal produz esse "efeito alucinógeno"

Por isso, na Bíblia, há a advertência de que, se o homem, que é originariamente Filho de Deus, comer do fruto da árvore do conhecimento, certamente morrerá! O antídoto ao efeito do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, que é a visão dual, que produz a separatividade, é a Percepção da Verdade

O pensamento de que o homem não é Filho de Deus deve ser substituído pelo pensamento de que o homem é Filho de Deus! O pensamento de que "não somos filhos de Deus" é o efeito alucinógeno do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Ele surge quando "assumimos nosso personagem" como sendo Quem somos. Essa é a visão do personagem! A Realidade é que somos Filhos de Deus e estamos agora mesmo no Céu, porém num "estado alterado de consciência", causado por havemos comido o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Porém, se tomarmos o antídoto (Percepção), o efeito alucinógeno cessará e voltaremos a Perceber a verdade sobre nossa real identidade de Filhos de Deus e que agora mesmo estamos Vivos e no Céu!

Notem que não há necessidade de que nada mude no mundo visto pelos cinco sentidos, que é o mundo da projeção, o mundo dos nossos personagens. Uma simples volta ao foco da Percepção de nossa real identidade e tudo assume um outro sentido. A própria representação, que é o mundo da projeção, se revela ser algo flexível, sensível aos pensamentos.

E aqui vai um ensinamento de Jesus muito útil. Jesus não pede a Deus que nos tire do mundo mas que nos livre do mal! Uau! Que pedido divino!

Reflitam a respeito! O que isto significa?

Significa que nosso propósito original ao entrarmos nesse mundo, da projeção, foi o de vivenciarmos Quem Somos, somos Filhos de Deus, em todos os mundos! Significa que num mundo dual podemos mesmo assim amar a Deus sobre todas as coisas e ao nosso próximo (aparente) como a nós mesmos porque de fato somos Um Ser Único nos vivenciando de infinitas formas! Por isto Jesus não pede que nos tire do mundo mas que nos livre da visão de mal que há nesse mundo e que nos impede de vivenciarmos Quem Somos, mesmo estando nesse mundo! 

Esse pedido a Deus, está na  oração de Jesus como sacerdote, no capítulo 17 do evangelho de João, e contém outros níveis de profundidade, assim:

15. Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal.

16. Não são do mundo, como eu do mundo não sou.

17. Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade.

18. Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo.

19. E por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade.

20. E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela tua palavra hão de crer em mim;

21. Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.

Agora notem isso: 

Jesus ora dizendo: "como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti..."

Nessa oração Jesus revela que manteve a Percepção de que o Pai permanece nele, mesmo ele estando no mundo, como Jesus.

É essa a consciência que podemos ter! Essa consciência de que somos Filhos de Deus, mesmo estando nesse mundo!

Por isto foi dito no início:  "É necessário termos a convicção de que o homem é Filho de Deus." Todos os seguidores do ensinamento Daquele que apareceu como o Mestre Masaharu Taniguchi tem essa possibilidade. E na condição de verdadeiros seguidores, tem esse dever!

E como revelou o Mestre: "o homem é originariamente isento de pecado". Este é o homem verdadeiro, tal como criado à imagem de Deus. Contudo, na mente do homem fenomênico há uma carga de "incompletitudes", das quais ele deve se purificar. Essas "incompletitudes" são geradas por pensamentos contrários à Verdade. Estes pensamentos geram ações que vão formando uma visão distante e distorcida da Verdade até que em certo ponto o homem sente o desejo de retornar a sua origem, seu verdadeiro lar. Este desejo é o chamado de sua natureza verdadeira. Algo dentro do homem o conclama a voltar pra casa! Então o homem tenta domar o cavalo arisco chamado mente humana e aí erra, por desconhecer que a saída não é domar o cavalo, mas simplesmente desmontar-lhe! 

Não devemos negar os pensamentos da mente. Esse não é o caminho de vikta. Além do que isso só faz com que a mente se torne algo mais realístico. A volta se inicia com a conscientização de que em nós há, por assim dizer, "uma segunda mente", que é a "mente do espírito" ou "consciência". Essa é a própria mente verdadeira, a mente de Quem realmente somos! É através dela que percebemos o real subjacente a aparência do mundo visto pela mente dos cinco sentidos. Essa Mente não nega a outra mente assim como a luz não nega a escuridão. Da mesma forma que a presença da luz revela a inexistência da escuridão a Consciência, que é a Mente de Deus em nós, revela a irrealidade da outra mente. Por isso não devemos nos empenhar em dominar qualquer outra mente. O que devemos fazer é simplesmente nos conscientizarmos da Verdade. Assim fazendo percebemos que não há nada que se contrapõe à Verdade, nada que seja real o bastante que precise ser eliminado, pois nada é real além da Verdade, que é Deus! Por Isso há a revelação de Cristo que disse: "Conheça a Verdade e a Verdade vos libertará". E não há outra Verdade além do que Deus É

Por isso Deus revela: "Eu sou Deus e não há nenhum outro além de mim". Este que nos revela "Eu Sou" é real e é o único caminho de volta à auto-consciência ou à Percepção de Si mesmo. Este aparece como um mestre no mundo dos cinco sentidos, mas em realidade é o Mestre em nós, a Verdade, nos chamando! Quando percebemos que o Mestre a quem seguimos é verdadeiro, algo em nós o está revelando a nós! Isto que nos faz perceber a Realidade do Mestre é a voz de Deus em nós, é a Consciência revelando a Sua Percepção! Por isso quando Pedro respondeu à pergunta de Jesus sobre quem diziam ser o filho do homem, respondendo que ele era o filho do Deus Vivo, imediatamente Jesus disse: "Isso quem te revelou não foi carne e sangue, mas meu Pai, que está no Céu."

O Pai é a verdadeira identidade do Filho, e onde está (Céu) é sua Realidade. 

Jesus nos deu uma visão transcendente deste mundo, que são os pensamentos de Deus. Estes pensamentos estão em nós, na nossa consciência, que é Divina, é a Mente de Cristo. Os pensamentos que estão nessa Mente, que é a única mente real, nos reconduzem à Verdade de que somos Filhos de Deus. Devemos conhecer os ensinamentos do Mestre sabendo que são pensamentos de Deus. 

Gratidão pela oportunidade de poder compartilhar aqui essa Percepção.




segunda-feira, maio 11, 2020

CURA: CONHECER A DEUS CORRETAMENTE


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- Joel S. Goldsmith -


Quando você entende a causa da doença ou a causa do pecado, você tem a resposta para a Cura Espiritual. Deus não contempla doenças em ninguém, e isso você sabe. Deus não faz com que alguém seja um pecador, e nem a qualquer momento, ou por qualquer razão, causa a morte. Não, não. O segredo do pecado e da doença foi revelado desde Adão e Eva. O mundo se recusou a aceitá-lo, mas nós o fazemos.

Quando você aceita a crença em dois poderes, o poder do bem e o poder do mal, você está sujeito a essa crença. Certamente, a mente universal do homem aceitou dois poderes, e tentou usar Deus para destruir os poderes do mal - mas, é claro, sabemos que isso não funcionou e não pode funcionar. Na medida em que você pode aceitar, dentro de si mesmo, e só pela Graça Divina, que a Onipotência de Deus torna o mal uma impossibilidade, e você pode olhar para qualquer condição de uma natureza errônea e saber que não é de Deus e, portanto, não tem poder, então o que acontece? As imagens na mente universal, de dois poderes, evaporam. Para ilustrar isso, contei a história dos dois homens que estavam sentados em um bar e bebendo muito. Um finalmente olhou para o outro e disse: “Você precisa parar de beber, seu rosto está ficando embaçado”. Certamente. Mas lembre-se de que até a beleza está nos olhos de quem vê, não em qualquer pessoa ou coisa.

Você sabe de tudo o que você testemunhou, que as curas espirituais ocorrem na proporção em que seu praticante ou ministro pode dizer: “Graças a Deus, isso não é ordenado por Deus. É apenas o braço de carne ou nada. Existe apenas porque a mente universal do homem é composta de dois poderes”. Realmente não existem dois poderes, e quando o Reino de Deus chega à sua experiência individual, você descobre que as coisas ou pessoas que você temia como sendo tão poderosas perderam seu poder. Então você está nesse estado de Consciência onde “o cordeiro se deitará com o leão” (Isaías 11:6). Um com Deus é maioria.

A Consciência de Deus não pode ser antagônica a Si Mesma em qualquer instância, mas você está suficientemente ciente desta Verdade? Certamente Deus constitui sua Consciência, mas Deus também constitui a Consciência do inimigo, do animal, da besta. Só pode haver uma Consciência, da qual este universo evoluiu. “No princípio, era Deus” (Gênesis 1:1). Não havia mais nada. Portanto, tudo o que existe evoluiu da Consciência de Deus, e é a Consciência de Deus em vários estados ou níveis. Sim, Deus é a Consciência Universal da qual o mundo evoluiu. O que causa dificuldade é que você pensa que é diferente do que eu sou. Toda experiência humana é baseada em uma lei - a autopreservação, que é a primeira lei da natureza - e essa lei é universalmente reconhecida. Você vê que nada disso poderia acontecer, se fosse aceito que Deus é a Consciência ou Alma deste mundo; e, portanto, a Consciência que é minha é a Consciência que é sua. Então poderíamos dizer com o Mestre: “Visto que fizestes ao menor destes meus irmãos, tendes feito isso a mim. Visto que não o fizestes ao menor destes meus irmãos, não o fizestes comigo”. Por quê? Porque você é eu, e eu sou você. Há apenas Um.

Por que o Amor é o maior fator na vida religiosa? Porque o Amor é Deus, e Deus é Amor. Não amor humano - não, não. O amor humano permite que você dê ao seu filho uma educação e ignore a criança ao lado. Não, o Amor que é Deus quebra a barreira entre “eu e você” e diz: “O que eu faço a você, eu faço a mim, porque o Eu de mim é você mesmo”. Você vê como, nessa Consciência, podemos aceitar o ensinamento do Mestre de “perdoar setenta vezes sete” e “orar por seus inimigos”. Os humanos não podem fazer isso. É muito difícil; mas não é difícil para qualquer indivíduo que tenha sido tocado por Deus, pela vida religiosa, porque ele ou ela pode então ver que os erros são cometidos por meio da ignorância. Então ele ou ela pode dizer: “Perdoa-lhes, Pai, eles não sabem o que fazem”.

Quando confrontado com qualquer forma de pecado, doença, falta ou limitação, sua primeira reação deve ser: "esta é uma aparência e eu sei disso - mas não é de Deus, e eu também sei disso". Nesta confiança, você pode se libertar e se estabelecer em uma Paz Interior. Você está aprendendo a “não julgar pelas aparências”, e literalmente você se vê como “o cordeiro que está deitado ao lado do leão”. Humanamente, somos treinados e somos condicionados a reagir às aparências, a temer algumas aparências. Assim, mesmo quando chegamos a este modo de vida e acreditamos que estamos no caminho, ainda temos tremores, quando nos deparamos com aparências. Até mesmo o Mestre era um rabino e uma Luz Espiritual, e ainda assim teve a experiência das três tentações.

Do ponto de vista humano, é natural reagir às aparências, e ninguém superou totalmente isso. Quando as tentações chegarem a você e o levarem a temer as aparências, não tente se afirmar a partir disso. Em vez disso, olhe diretamente para isso, e depois reconheça para si mesmo que está sendo tentado por uma aparência exterior, da mente carnal. Deus nunca teve um inimigo, em nenhum momento. Podemos temer que tenhamos inimigos, podemos temer as imagens da mente carnal, mas lembre-se de que Deus é Onipotência Absoluta, Onipresença, Onisciência, ao lado do qual não há nada.


segunda-feira, agosto 06, 2012

A Existência é Substância; a vida é sombra


- Meher Baba -


A Existência é eterna, enquanto que a vida é perecível. Comparativamente, a Existência é o que seu corpo é para o homem e a vida é como a roupa que cobre o corpo. O mesmo corpo muda de roupa de acordo com as estações, com o tempo e as circunstâncias, da mesma forma que a Existência eterna e una sempre está lá através de todos os inúmeros aspectos variados da vida.

Envolta além do reconhecimento pelo manto da vida com suas dobras e cores variadas está a Existência imutável. É o traje da vida com seus véus - o véu da mente, da energia e das formas grosseiras que "encobrem" e se sobrepõe sobre a Existência, apresentando a Existência eterna, indivisível e imutável como transiente, diversificada e em constante mudança.

A Existência é onipresente e é a essência fundamental que sublinha todas as coisas animadas ou inanimadas, reais ou irreais, variadas em espécie ou uniforme em formas, coletivas ou individuais, abstratas ou substanciais.

Na eternidade da Existência não existe o tempo. Não há passado nem futuro, apenas o presente eterno. Na eternidade nada jamais aconteceu e nada jamais acontecerá. Tudo está acontecendo no interminável AGORA.

A Existência é Deus, enquanto que a vida é ilusão.
A Existência é Realidade, enquanto que a vida é imaginação.
A Existência é eterna, enquanto que a vida é efêmera.
A Existência é imutável, enquanto que a vida está sempre mudando.
A Existência é liberdade, enquanto que a vida é um aprisionador.
Existência é indivisível, enquanto que a vida é múltipla.
Existência é imperceptível, enquanto que a vida é enganosa.
A Existência é independente, enquanto que a vida é dependente da mente, da energia e das formas brutas.
A Existência é, enquanto que a vida parece ser.
A Existência, portanto, não é a vida.

O nascimento e a morte não marcam o início ou o fim da vida. Considerando que as diversas fases e estados da vida que constituem os chamados nascimentos e mortes são regidos pelas leis da evolução e da reencarnação, a vida vem a existir uma única vez, com o advento dos primeiros raios pálidos da consciência limitada, e sucumbe à morte apenas uma vez ao alcançar a Consciência Plena da Existência Infinita.

A Existência, onisciente, onipotente, Deus onipresente, está além de causa e efeito, além do tempo e do espaço, além de todas as ações.

A Existência toca a tudo, todas as coisas e todas as sombras. Nada jamais pode tocar a Existência. Mesmo o próprio fato de seu ser não tocar a Existência.

Para perceber a Existência é preciso despreender-se da vida. É a vida que dá limitações ao Ser ilimitado. A vida do ser limitado é sustentada pela mente que cria impressões, pela energia que alimenta o impulso para acumular e dissipar essas impressões através de expressões, e por formas grosseiras e corpos que funcionam como instrumentos através dos quais essas impressões são gastas, reforçadas e, eventualmente, exauridas através de ações.

A vida está densamente associada às ações. A vida é vivida através de ações. A vida é valorizada através de ações. A sobrevivência da vida depende de ações. As ações são o que faz a vida ser conhecida - ações opostas em natureza, ações afirmativas e negativas, ações construtivas e destrutivas. Portanto, para deixar a vida sucumbir até sua morte definitiva é deixar todas as ações terminarem. Quando as ações terminam completamente, a vida do ser limitado espontaneamente experimenta-se como a Existência do Ser ilimitado.

A Existência ao ser realizada (percebida e atingida), a evolução e a involução da consciência estão completas, a ilusão desaparece e a lei da reencarnação não pode mais aprisionar.

Simplesmente desistir de cometer ações nunca colocará um fim nas ações. Seria simplesmente significar pôr em ação uma outra ação - a da inatividade.

Escapar das ações não é o remédio para a erradicação das ações. Pelo contrário, isso daria margem para o ser limitado ficar mais envolvido no próprio ato de escapar, criando assim mais ações.

As ações, tanto as boas quanto as ruins, são como nós no emaranhado da linha da vida. Quanto mais persistentes os esforços para desatar os nós da ação, mais firmes tornam-se os nós e maior o emaranhamento.

Somente ações podem anular ações, da mesma maneira que o veneno pode neutralizar os efeitos do veneno. Um espinho profundamente enraizado pode ser extraído ao usarmos um outro espinho ou qualquer objeto pontiagudo semelhante a um espinho, como uma agulha, utilizada com habilidade e precaução. Da mesma forma, as ações são totalmente arrancadas por outras ações, quando são cometidas por algum agente de ativação que não seja o 'ser'.

Karma yoga, dnyan yoga, raj yoga e bhakti yoga servem o propósito de serem sinais importantes no caminho da Verdade, orientando o buscador para a meta da Existência eterna. Mas a vida alimentada por ações, segura tão apertado o aspirante que mesmo com a ajuda desses sinais inspiradores, ele falha em ser guiado na direção certa. Enquanto o Ser é vinculado por ações, o aspirante ou mesmo o peregrino no caminho da Verdade, certamente irá se extraviar pelo auto-engano.

Ao longo de todas as eras, sadhus e buscadores, sábios e santos, Munis e monges, tapasavis e Sanyasis, yogis, Sufis e talibs têm lutado durante suas vidas inteiras, passando por dificuldades incalculáveis em seus esforços para se desembaraçarem do emaranhado de ações e perceberem a Existência eterna ao sobrepujarem a vida.

Eles falham em suas tentativas porque quanto mais lutam com seu 'ser', mais firmemente seu ser é agarrado pela vida, por meio de ações intensificadas pelas austeridades e penitências, reclusões e peregrinações, meditação e concentração, declarações assertivas e contemplação silenciosa, por uma intensa atividade e inatividade, pelo silêncio e pela verbosidade, por japas e tapas, e por todos os tipos de yogas e chillas.

A emancipação das garras da vida e a liberdade dos labirintos das ações são possíveis para todos e alcançadas por poucos, quando um Mestre Perfeito, Sadguru ou Qutub é abordado e sua graça e orientação são invocadas. O conselho invariável do Mestre Perfeito é a rendição completa a ele. Os poucos que se entregam por completo - mente, corpo, bens, de modo que com sua entrega total eles entregem também conscientemente seu próprio "ser" ao Mestre Perfeito - ainda mantêm seu próprio ser que permanece consciente para cometer ações que são agora ativadas apenas pelos ditames do Mestre.

Tais ações, após a entrega do 'ser', não são mais ações da própria pessoa. Assim, essas ações são capazes de arrancar todas as outras ações que alimentam e sustentam a vida. A vida torna-se então gradualmente sem vida e, eventualmente, sucumbe pela graça do Mestre Perfeito, à sua morte final. A vida, que uma vez impediu o aspirante perseverante de realizar a Existência perpétua, já não pode operar seu próprio engano.

Eu enfatizei no passado, eu lhes digo agora e repetirei era após era para todo o sempre: para vocês deixarem cair seu manto da vida e perceberem a Existência que é eternamente sua.

Para realizar esta verdade da Existência imutável, indivisível, que tudo permeia, a maneira mais simples é se entregar a mim completamente, tão completamente que você nem sequer fique consciente de sua rendição, consciente apenas de me obedecer e agir como e quando eu lhe ordenar.

Se você busca viver eternamente, então implore pela morte de seu ser enganoso nas mãos da entrega total a mim. Esse yoga é a essência de todos os Yogas em um.


sábado, dezembro 17, 2011

Esclarecimentos profundos sobre a Verdade - 2/2


Masaharu Taniguchi


PERGUNTA

Sassaki -
Concordo plenamente com o senhor, no tocante à visão de que o bem está intrinsecamente ligado à felicidade, e o mal, ao sofrimento. Os conceitos morais até hoje conhecidos tendem a enaltecer os sofrimentos, o que eu considero um grande erro. Costumo referir-me à moralidade como sendo "o caminho feliz". Penso que o modo de viver da Seicho-no-ie é expansão desse caminho feliz. Estou plenamente de acordo também com o modo de viver da Seicho-no-ie, que consiste em viver segundo a Verdade, cuidando da vida cotidiana com a mente alegre. Acredito sinceramente que considerar rotineiro ou sem sentido o trabalho ou a própria existência é um artifício da mente. Por isso, quando algo que faço me parece sem sentido, reflito que isso é devido à falha de minha própria mente e empenho-me em corrigí-la. Tenho certeza de que Deus criou todas as coisas de modo que trabalhássemos com alegria e reverência. Portanto, faço o possível para afastar o pensamento de que o meio em que vivo e o meu trabalho sao aborrecidos.

A "realidade tal como é", de que estou falando, não é, em absoluto, aquilo que é apreensível aos sentidos como a pedra, a água, etc. Minha crença fundamental é a de que tudo neste mundo surge com o "colorido" que nossa mente em ilusão lhes atribui (à água, à pedra, etc.). A realidade pura, que está além dos coloridos atribuidos pela nossa mente subjetiva, não pode, em absoluto, ser conhecida através do "eu" constituído de cinco sentidos. Nós, seres humanos, vivemos alegres ou tristes vendo o que nós mesmos pintamos. Portanto, penso que a verdadeira salvação consiste em "apagar" o quadro pintado pela nossa própria mente.

A realidade que só se revela quando eliminamos o colorido atribuído pela mente - ou seja, os artifícios da mente -, essa é que é a "realidade tal como é", a que estou me referindo. É a realidade que só podemos conhecer no estado de total comunhão do mundo interior com o exterior, no estado em que não há o confronto entre "aquele que apreende" e "aquilo que é apreendido". Em última análise, o que apreendemos como realidade não é a "realidade tal como é". A "realidade tal como é" a que me refiro é anterior à percepção por parte da mente humana. penso, pois, que tudo aquilo que ora se apresenta aos nossos olhos, isto é, que é apreendido por nossos sentidos, não passa de imagem resultante do colorido que nossa própria mente atribuiu à realidade propriamente dita. será que é a essa imagem que o senhor se refere como sendo "projeção distorcida do Jissô"? Essa é a questão. A "realidade tal como é" (o Jissô), a que me refiro, não é realidade distinta e separada dos fatos concretos a que estamos presenciando, mas também não é a própria realidade percebida pela nossa mente. Penso que, quando penetramos no Jissô através do despertar, simplesmente passamos a reverenciar todos os seres e todas as coisas do universo, e isso é feito natural e espontaneamente. Creio que a negação de tudo quanto é apreensível aos sentidos, pregada pela Seicho-no-ie, identifica-se com a minha negação da realidade aparente, como sendo resultado do colorido atribuído pela mente. O Jissô de que falo persiste em nós, seja nas dores ou na alegria; se ele não é percebido, é apenas porque está oculto sob a capa da dor ou da alegria. A maioria das pessoas, face a um sofrimento, vê apenas a realidade da dor. Mas eu acredito que uma mesma realidade da dor encerra duas realidades: a realidade pura que transcende as dores e a realidade aparente que se apresenta a nível dos sentidos. Por isso,meus esforços de auto-aprimoramento têm-se concentrado em superar a realidade aparente - ou, em outras palavras, apagar o colorido atribuído pela mente.

Segundo o meu conceito de Jissô (realidade pura), mesmo estando-s doente, é possível superar a doença, ainda que não ocorra a cura. Chamo isso de "felicidade fundamental". O mesmo se aplica às vicissitudes da vida em geral. Superando-se o fato tal como ele se apresenta, ocorre a cura da doença ou a melhora da situação, e chamo isso de "felicidade secundária". A "felicidade secundária" vem gradativamente. Assim, superando-se primeiramente a doença pela conscientização da verdadeira natureza humana isenta de doença e morte, começa, depois, a ocorrer gradativamente a cura da doença, e consegue-se a longevidade. A "felicidade fundamental" é algo que pode ser alcançado mesmo estando-se no meio de adversidades. Mas, ocorrendo tal conscientização, essas adversidades também desaparecem naturalmente. Eu faço questão de traçar clara distinção entre a "felicidade fundamental" e a "felicidade secundária". A primeira pode ser alcançada igualmente por todas as pessoas, mas quanto à segunda há diferença de pessoa para pessoa.

Tendo lido A Verdade da Vida e tendo ouvido agora há pouco as explanações suas, constatei muita identidade entre o modo de viver preconizdo pela Seicho-no-ie e o meu próprio modo de viver, e isso me deixou bastante entusiasmado. Porém, há um ponto com o qual não posso concordar plenamente. O senhor tem afirmado, com demasiada ênfase, que a felicidade surge imediatamente na vida real com consequência do repentino despertar espiritual, mas eu acho que isso tende a suscitar a ideia de que a felicidade neste mundo seja algo absoluto. Se é que simultaneamente ao despertar espiritual manifesta-se a total felicidade neste mundo, obviamente a pessoa nunca mais haveria de ficar doente nem sofreria a morte física. Eu penso que a inexistência absoluta da doença e da morte só se verfica a nível da conscientização do Jissô. Obviamente, essa conscientização influencia o corpo humano e age sobre a matéria, e a felicidade vai se concretizando naturalmente, tornando-se possível que a pessoa fique relativamente livre de doenças e que sua vida alcance relativa longevidade. Mas isso é sempre relativo. Quando sentimos a felicidade íntima proveniente da conscientização de nossa essência eterna e perfeita, deixamos de dar exagerada importância às agruras e alegrias desta vida, e justamente por isso os altos e baixos da maré da vida vai se amainando naturalmente. Meu desejo é levar uma vida de serena alegria, baseada na conscientização de nossa essência eterna e perfeita, sem me preocupar nem mesmo em amainar os altos e baixos da maré da vida.

No meu presente estado espiritual, prefiro apreender o Jissô, penetrando fundo no sofrimento, em vez de descartar o sofrimento como sombra da mente. Quero crer que "Deus estpa presente também no meio das dificuldades". Em outras palavras, sei que existem dois caminhos, um que consiste em descartar os sofrimentos considerando-os ilusões, e outro que consiste em mergulhar fundo neles, para depois superá-los e alcançar a alegria eterna, e, pelo menos por enquanto, eu prefiro este último caminho.


RESPOSTA:

Taniguchi -
Os ensinamentos da Seicho-no-ie são fáceis e difíceis, ao mesmo tempo. Isto é, são aparentemente fáceis, mas, na verdade encerram pensamentos muito profundos. Assim sendo, entre os simpatizantes da Seicho-no-ie, há os que concordam com a doutrina, tendo-a compreendido apenas superficialmente, e outros que, tendo-a apreendido em maior profundidade, fazem perguntas para esclarecer eventuais dúvidas. O senhor, sr. Sassaki, pertence a este último grupo.

Alegra-me muito que o senhor esteja de acordo com os ensinamentos da Seicho-no-ie, no tocante a seus pontos essenciais, difíceis de compreender. talvez nos divirjamos quanto à maneira de explicar, pois o senhor fala em "superar o sofrimento admitindo-o tal como ele está manifestado", o que é mais um modo de dizer que é preciso superar o sofrimento depois de admitir a sua existência, ao passo que eu digo que o sofrimento não existe verdadeiramente porque é apenas ilusão ("um aspecto resultante do colorido atribuído pela mente", conforme o senhor disse), e afirmo que não é preciso nem se pode superar o sofrimento, porque ele não existe. Ao fato de alguém estar doente e não se prender a doença diz-se "transcender a doença". Todavia, se a doença não existe, não há necessidade de transcendê-la. somos originariamente isentos de doença. Mesmo que a doença pareça existir, ela não passa de ilusão (falso aspecto) resultante do colorido atribuído pela mente. Pode-se dizer que o próprio fato de admitir o confronto entre o Jissô (existência verdadeira) e o falso aspecto é ilógico, pois existe unicamente o Jissô.

Algumas pessoas, admitindo a doença e o sofrimento como existências verdadeiras, acreditam haver um sentido neles e concluem: "A doença e o sofrimento são realidades, nas quais Deus está presente e, portanto, são bênçãos; a mente que não os aceita como bênçãos é a mente em ilusão". Quem pensa assim faz com que seu subconsciente crie afinidade com doença, sofrimento, pobreza, etc., e passa a ter uma atitude mental negativa como a de atrair por si mesmo a doença e sentir uma espécie de prazer no ato de ficar doente. Nos casos extremos, a pessoa pode tornar-se tal qual São Francisco de Assis, que apesar de ter sido um santo de extraordinárias virtudes, deixou-se dominar pela ideia de aceitar prazerosamente os sofrimentos, passou a orar para que fosse permitido experimentar as mesmas dores que Jesus Cristo suportou, e finalmente passou a apresentar em seu corpo as marcas das cinco chagas de Cristo. As pessoas relgiosas que buscam sua realização pessoal nos sofrimentos e nas doenças passam a sentir prazer em contrair doenças, em vez de manifestar em seu corpo o aspecto perfeito do seu eu verdadeiro originariamente isento de sofrimentos, doenças e iniquidades. Assim, passam a procurar atrair, intencionalmente, a doença e a miséria, que as pessoas comuns abominam. Na verdade, tanto aquelas pessoas como estas últimas estão presas à matéria, de uma ou de outra forma. Se despertarem para a Verdade de que "o corpo carnal é apenas uma sombra projetada pela mente e, portanto, não é existência real", compreenderão que a doença e todos os demais sofrimentos referentes ao corpo carnal também não existem realmente. E, já que não tem sentido acreditar naquilo que não existe, não mais sentirão necessidade de fugir dos sofrimentos, nem de enaltecê-los e desejar que eles venham. Então, terã transcendido realmente os sofrimentos.

Contudo, observandoo mundo fenomênico, constatamos a manifestação de sofrimentos, doenças, etc., e isso é um fato que não podemos negar. No estado subsequente ao "despertar repentino" a que o senhor se refere, a pessoa passa a viver, durante algum tempo, num mundo dualístico em que, de um lado, se reconhece a perfeição do seu eu verdadeiro e, do outro, se vê a doença (aspecto aparente). E, no processo em que o aspecto aparente vai cedendo lugar à perfeição do eu verdadeiro, a pessoa vai vencendo passo a passo as imperfeições fenomênicas e aproximando-se gradativamente da original perfeição do Jissô (eu verdadeiro) conforme o senhor mesmo disse. Completando-se esse processo, o homem atinge, finalmente, o estado em que "seu corpo tal como é, torna-se imortal". Nesse momento, seu corpo deixa de ser um simples corpo carnal e se transforma num corpo espiritual que supera as limitações físicas.

Na verdade, o corpo carnal, atualmente cheio de limitações e imperfeições, é produto da mente e é sustentado pela mente. Logo, com a transformação da mente que o sustenta, transformam-se também a natureza e o estado do corpo. Se alguém supõe que o corpo carnal em si seja imortal, é porque não sabe que o corpo carnal é projeção da mente. Se compreendesse que o corpo carnal é projeção da mente, compreenderia que o corpo está morrendo e nascendo a todo instante, isto é, transformando-se constantemente conforme a mudança da mente. Se a pessoa libertar sua mente da ilusão e conseguir apreender realmente a sua Essência, ocorrerá uma grande transformação também no corpo, que então se tornará um corpo espiritual e sublime. E quando tal corpo deixa este mundo, causa-nos a impressão de que morreu, mas isso não é morte; é evolução da natureza do corpo. Quando uma pessoa que alcançou o despertar liberta-se do corpo incômodo e passa para um estado espiritual e livre (nota: o autor não está se referindo a morte no sentido concebidos pelo espiritismo), diz-se que atingiu o nirvana. Isso difere totalmente do fato de alguém morrer doente, sem despertar, com a mente apegada ao corpo carnal por considerá-lo existência verdadeira. Aparentemente, os dois fatos parecem a mesma coisa, mas há grande diferença no seu conteúdo - a diferença é intrínseca. No primeiro caso, a pessoa, devido ao seu despertar, alcança um estado de total liberdade, enquanto que, no segundo, a pessoa permanece no estado de auto-prisão mental e continuará a sofrer reencarnando várias vezes, enquanto não despertar.

A parapsicologia está provando que, após o desencarne, o espírito continua possuindo um corpo imaterial, cujo grau de liberdade varia conforme o grau de despertar. A maioria dos espíritos que aparecem nas fotografias e sessões mediúnicas são os que ainda não alcançaram o estado de verdadeira liberdade, mas são uma prova de que existe corpo espiritual, que é bem mais livre do que o corpo carnal.

Bem, retomando o tema principal, devo esclarecer que o modus vivendi da Seicho-no-ie baseia-se na compreensão de que este mundo visível é mundo da projeção da mente e que, justamente por ser uma imagem projetada, melhora quando se aperfeiçoa a mente, que é o filme. Obviamente, o aperfeiçoamento do mundo projetado é secundário, e não o consideramos mais importante que a apreensão do mundo do Jissô (mundo verdadeiro e absoluto), que é fundamental. Entretanto, a maioria das pessoas está interessada no aperfeiçoamento do mundo fenomênico e pouco lhe interessa um apelo como "Não se apegue ao mundo fenomênico porque ele não é existência verdadeira", pois este soa como algo despropositado e alheio à vida real do cotidiano. Por esse meio, é difícil conduzir as pessoas à compreensão da Verdade. Então a Seicho-no-ie diz: "Se você prentende aperfeiçoar sua vida neste mundo fenomênico, deve ajustar o 'filme' mental porque este mundo é projeção da mente". Assim, as pessoas, ajustando a mente e vendo sua situação material melhorar de fato, convencem-se: "Realmente, este mundo é mera projeção da mente".

Até agora, a maioria das seitas budistas aconselhava: "Rejeite o mundo fenomênico porque ele é mera imagem projetada". Mas eu digo que não é preciso rejeitá-lo, justamente porque é mera imagem projetada. A Seicho-no-ie permite aperfeiçoar o mundo da projeção e por esse meio conduz as pessoas à compreensão do mundo verdadeiro, o Jissô.

(Do livro "A Verdade da Vida, vol. 12", pgs. 33-41)