"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

sexta-feira, maio 14, 2010

O mais elevado ensinamento


John Sherman


A chave para a sua vida é descobrir, por si mesmo, a natureza de seu ser, de uma maneira direta, imediata e impossível de se negar. Quem você é de verdade? Esta é a chave para você exalar seu último suspiro satisfeito. Ao invés de continuar avidamente buscando mais uma chance, mais uma coisa, mais uma idéia. Como isso pode ser difícil? Como pode ser difícil desviar sua atenção de todas as produções da mente, de todas as idéias da mente, de todos os conceitos, de todas as opiniões, de todas as práticas? Retirar sua atenção de todas essas coisas e voltá-la para dentro, para si mesmo. Não para o seu "eu superior", não para o seu "verdadeiro eu". Não há dois "eus", um em busca do outro. Há apenas você mesmo. A sensação cotidiana/mundana de "mim mesmo". Isso que é permanente, ao contrário de tudo mais. Isso que jamais se moveu, nunca mudou nem um milésimo, em toda a sua vida. Como pode ser difícil descobrir o que é permanente?

Tudo, toda experiência pode ser previamente eliminada. A experiência do corpo, do pensamento, da emoção, as experiências de enlevo, de pesar, de raiva, em suma, tudo que é impermanente. A experiência da consciência oceânica, de bem-aventurança, de consciência divina, de paz, nada disso é o que você está procurando.

O que você busca é o que é permanente, o que nunca mudou, o nunca se moveu, o que é absolutamente inevitável. Acordado, adormecido, você está presente. Sempre o mesmo.

Ramana Maharshi roubou este ensinamento. Este é o ensinamento mais elevado, que foi sempre mantido em segredo para todos, exceto para aqueles que tivessem vencido os estágios do caminho na tradição em que se encontravam, e que tivessem feito tudo que tinham que fazer. Somente então era-lhes revelado que a única coisa que precisavam fazer era descobrir quem eram.

Ramana Maharshi diz que esta investigação consiste em usar toda a energia de sua vida para descobrir a verdade do seu ser, em vez de desperdiçá-la em todos os outros objetos nos os quais desperdiçamos nossa atenção. Esta investigação em si mesma não é um meio para um fim. Não há nada que se possa atingir ao se embarcar nela. Ramana Maharshi nos diz que a própria investigação é a auto-realização. É a consciência atenta, alerta e ciente de si mesma como ser eterno.

Não se pode alcançar a realização. Você é realização. Você não pode alcançá-la, nem perdê-la. Ninguém pode lhe dar a realização, nem tirá-la de você. Para você cumprir o objetivo de sua vida, é necessário apenas manter a sua atenção incessantemente voltada para dentro, para "eu". Voltada para esse sentido de "mim mesmo" que esteve com você a sua vida inteira. Este sentido de "mim mesmo" que você chama de "eu" ou pelo seu próprio nome. Esta sensação de "mim mesmo", que é inevitável e inatingível, e que é exatamente a mesmo para todos. Para todos.

Há duas maneiras de se abordar isto e elas são idênticas. Uma maneira é render-se, que significa neste instante, agora mesmo, neste momento, parar de pensar. Abandonar todo sentido de si mesmo como um indivíduo. Mas quem é que consegue fazer isso?

A outra maneira é descobrir quem você é. Buscar incessantemente somente a si mesmo. Nada mais, apenas a si mesmo. Se parar de pensar, se abandonar todo sentido de si mesmo como um indivíduo, você descobrirá a si mesmo, tal como você é. Se concentrar toda a sua energia, todo o seu talento e intelecto no objetivo de descobrir, direta e imediatamente, a verdade de sua natureza, você desaparecerá como indivíduo. De uma maneira ou de outra. Na verdade, você não desaparece, porque "você" nunca existiu. É isso que torna tudo tão fácil.


quarta-feira, maio 12, 2010

Abandonando sua história


Gangaji


Você se conta histórias? São histórias sobre o que você tem ou não tem, sobre o que você precisa ou não precisa? São histórias sobre a sua liberdade, seu aprisionamento, suas carências, sua generosidade, suas mágoas, suas alegrias? São histórias sobre quem você é, sobre o que é alguma outra pessoa? São histórias sobre o que precisa mudar, sobre o que precisa permanecer como é, ou sobre o que está certo ou errado?

Será que você está disposto a parar de contar sua história pessoal? Está disposto a contar a verdade sobre se você está mesmo disposto ou não?

Seja lá o que for que você se conte, por mais horrível ou grandioso, não passa de uma história. Como história, como uma destilação da experiência, poderá ser a verdade relativa, mas não é a verdade final. Histórias aparecem, mudam e desaparecem. Quer a sua história trate de quanto você é bom ou mau, mesmo assim ela aparece e desaparece. A verdade final nada tem a ver com emoções, bioquímica ou mudanças de circunstâncias. Ela é imutável e incondicional.

Você pode parar de contar a sua história em menos de um instante. Nem que seja uma história boa, pare de se esbaldar em contá-la, e a verdade poderá ser imediatamente vivenciada. Você não poderá vivenciar a verdade, se continuar a contar a sua história, e não poderá continuar a contar a sua história, se estiver vivenciando a verdade. É óbvio, não é?

Pare de contar a sua história agora mesmo! Não depois, quando a história melhorar ou piorar, mas agorinha mesmo. Quando você pára de contar a sua história agora mesmo, você pára de adiar a constatação da verdade que está além da história. Todo esforço, toda dificuldade e todo sofrimento contínuo estão em resistência ao "parar". Essa resistência nutre-se da esperança de que a história vá lhe dar o que você tanto almeja, a esperança de que, se você puder consertar a história e fazer as mudanças necessárias, você obterá o que quer.

Quando você parar de contar a história sobre mim, sobre ele, ela, eles, nós, poderá conhecer em menos de um segundo as verdadeiras profundezas do que significa ser o que você é. Então, qualquer história que apareça ou desapareça não atingirá quem você é.

Quando você sonha à noite, o seu sonho tem um início, um meio e um fim. Parece real naquele momento, mas, quando se acorda, você sabe que era evidentemente um sonho. Da mesma forma, você pode acordar do sonho da sua vida. Pode acordar antes de terminar a história sobre você, já que todas as histórias por fim terminam. Acordar dentro da história é o que se chama de “sonho lúcido” ou “sonho vívido”.

Normalmente, você acorda de manhã e retoma a história sobre quem você é. Você pode até fazer alguma prática de meditação, mas a prática real é a história corrente sobre quem você é. A energia e a emoção geradas pela história dão origem a infinitas variações de frustração, deleite, dor ou prazer, todas a orbitar em torno desta prática da história sobre “mim”.

Contar a sua história pessoal é a religião primária da maioria das pessoas no planeta. A história pessoal localiza-se num corpo, numa tribo, numa nação, numa religião, em “nós”. É por isso que o planeta está em guerra constante e você está em guerra constante consigo mesmo. Se puder reconhecer qual é a sua história, então a história será consciente e não mais inconsciente. Você poderá ver qual é a história, e poderá decidir parar de segui-la como se ela fosse realidade.

A possibilidade é reconhecermos que todas as nossas histórias, por mais complexas e estratificadas que sejam, por mais profundamente implantadas em nossa estrutura genética, são apenas histórias. A verdade sobre quem você é não é uma história. A vastidão e a proximidade desta verdade precede a todas as histórias. Quando você ignora a verdade sobre quem você é por fidelidade a alguma história, você perde uma oportunidade preciosa de auto-reconhecimento.

Como um meio de expor a sua própria história particular, você pode se perguntar honesta e diretamente: Qual é a minha história? Expor a história não tem o propósito de livrar-se dela ou segui-la. O propósito é ver quais histórias você está contando sobre quem você pensa que é ou quem você acha que deveria ser.

Quaisquer que sejam as suas respostas, será que você consegue considerar a possibilidade de que tudo é apenas uma história? Não está certa, não está errada, não é real. Experimente a possibilidade da irrealidade dela. Deixe a sua consciência cair de volta naquele espaço onde não há história, onde não há pensamento. Se surgir um pensamento, veja que ele está simplesmente passando. Não é certo nem errado. É apenas um pensamento, que nada tem a ver com a verdade essencial sobre quem você é.


segunda-feira, maio 10, 2010

Reconheça sua natureza

Mooji



“Este ‘eu’ pessoal, o “me”, é como um dedo quebrado: em qualquer lugar que for, ele causará problemas; tudo que ele toca, dói. Este quem está identificado com este ‘eu’ pensa que qualquer coisa que aconteça em sua vida é causado pelo meio que o cerca, incluindo as pessoas ao redor. Ele dirá: ‘Os outros me causaram dor’, ‘minha circunstância de vida são responsáveis’. É interminável. Outros poucos vêem isso como uma oportunidade, ou se interessam por encontrar a fonte de todos os problemas, de todo o seu sofrimento.

‘Eu’ é a causa dos seus problemas. Justamente por você ter feito um ninho dentro do sentimento pessoal do ‘eu’ que você está apegado é por que você está sofrendo. Não conserte sua vida. Encontre este ‘eu’ e veja o que acontece.

(...)

Por que você diz ‘eu quero ser livre?’ Eu compreendo esta contenda e este sentimento que profundamente o tocou. Então, vamos averiguar e ver se nós podemos determinar qual é realmente o problema. O que nós iremos remover é a convicção de que tudo não está bem. E quando nós vamos verificar para descobrir o por quê, nós iremos compreender que você está identificado com a morte. Você está se identificando com algo que não dura, que não tem longevidade. Você se apaixonou pelo tempo. Você se apaixonou pelos objetos, pelas ideias que estão em transição. É assim que todo o problema começa. E como a confusão entra no Ser.”

(...)

“Quem está por detrás de toda manifestação? Olhe, e você descobrirá que tudo acontece por si mesmo! Quando você vê isso, então sua consciência se torna desocupada. Até então, o seu Ser está ocupado com um sentimento de ‘Fazedor’ (realizador), ‘eu preciso fazer alguma coisa, eu preciso entender’.

Esforço é requisitado para tornar-se, mas que esforço é requisitado a ser? Então, deixe tudo como deve ser deixado; testemunhe a Existência espontânea. Isto não é caótico. Seja o que acontecer, aconteça, e isso faz muito bem. O suposto patrão – a mente – está causando um monte de problemas. E não, nós não somente demitimos o patrão, como também desistimos da firma!

Veja se o Universo não pára.

Muitos de vocês não estão aproveitando o creme da vida, porque vocês têm comprado a versão da mente de como as coisas deveriam ser. A idéia cortou seu vínculo com a Fonte do seu Eu Real, e não mais flui. O resultado é desarmonia e sofrimento. Você é o Eu Real, o Absoluto, expressando-se espontaneamente, mas você não sabe disso. Você não precisa nem acreditar nisso! Você pensa: ‘O que irá acontecer se eu desistir do controle? Meu mundo desabará a meus pés!’

(...)

Quem você realmente é não é previsível. A mente é previsível na tentativa de controlar o que é espontâneo. Ao ter medo do novo, a mente simultaneamente surge do Desconhecido, provendo espaço para mente agir como o desconhecido e o conhecido aparente. Este jogo não é da sua conta.

Não se preocupe com nada. Seja como uma criança no colo de Deus. Nem policie seus pensamentos, nem faça parte do departamento de imigração dos sentimentos-vistos que são requeridos. Você pode relaxar. Sim. Relaxe.”

(...)

“Permaneça como o Eu Real! (...) Está sendo cansativo porque você está tentando firmemente com sua mente. (...) Primeiro, a maior das pessoas pensam que observar a mente significa sempre prestar atenção a diversas atividades aparecendo na mente. Isto é um modo que pode ser interpretado. Mas o conselho é permanecer desapegado em estado de testemunha sem se tornar envolvido com os movimentos da mente.

Não simplesmente olhe estas atividades; ao invés disso, observe a reação interna a estas atividades. Isto é mais íntimo que simplesmente olhar o jogo da mente. Estas reações mostram o envolvimento pessoal que tem sido cultivado; aonde houver identificação e ‘ruído’. Quando eu digo ‘ruído’, quero dizer a turbulência interna – resistência e excitação – que perturba a paz. Tão logo estas tendências sejam reconhecidas, o próximo passo é perguntar, quem, o que, onde está este quem está identificado? Pode uma face ser colocada nisso? Existe uma entidade real e tangível residindo como ‘eu’? Descubra! Para responder a estas questões, a atenção precisa ser introvertida – fixa na fonte de toda a atividade incessante.”

(...)

“O estado natural da mente é ficar em silêncio, vazio, aberto. Não existe nenhuma intenção! Se você pensa que precisa praticar silêncio, encontrar silêncio, manter silêncio, então você tem mal entendido. Tudo isto, o Universo inteiro, está acontecendo em Silêncio!

Não é nada sobre sair correndo para achar algum silêncio. É reconhecer o Silêncio que não pode ser perturbado aonde você se encontrar, independente da circunstância, da altura do ruído.

(...)

Toda esta conversa é somente para revelar o seu próprio Silêncio. E não leva tempo! Quando você estiver na frente de um espelho, ele não diz: ‘Olhe, estou ocupado neste exato instante, por favor, retorne em meia hora’. Tão poderoso é o espelho da inquirição que imediatamente você é visto! E então você saberá o Indescritível, o Sem Forma diretamente. Talvez você não consiga se expressar sobre, mas seu sofrimento termina. Seus medos acabam. Você conquistou a morte deles mesmos!

Muitos de vocês estão tão próximos da descoberta, mas criam desculpas e fogem, com medo de queimarem o último apego do ‘eu’. A oportunidade é encará-la, senti-la e ver que você é o Intocável.”

(...)

“Condicionamentos ocorre na área onde o condicionamento pode ocorrer. Mas há um lugar onde o condicionamento não pode ocorrer: de cuja presença do condicionamento, o efeito do condicionamento, e o jogo do condicionamento é observado. Você é Aquele que Vê. Você é aquele que Testemunha passivamente. Você não é a parte ativa. O que você realmente é não está interessado em condicionamentos. De fato, finalmente, você sequer sabe qualquer coisa sobre condicionamento!”

(...)

“Sentir travado, parado, estagnado é simplesmente um pensamento em que se acredita nele.
Remova a crença e a estagnação desaparece.
Se um espaço for mantido na escuridão por milhares de anos,
Quando a janela se abrir –
Levará milhares de anos para a escuridão desaparecer?
Da mesma forma, em um instante, a Luz da Verdade expele a escuridão da ignorância.”

(...)

“Talvez você experimente um vislumbre, um tremor, mas isso não irá estabilizar, porque você mantém conceitos de quem você pensa que é e acredita ser na sua mente. Meu sentimento é, retorne ao seu país livre. Seja o que você trouxer aqui com você, deixe. O fogo sagrado de Arunachala é um bom lugar para queimar tudo. Volte para casa vazio. Este será o melhor presente para sua nação, sua família, seus amigos. Leve seu passaporte, mas você, se mantém vazio.”

(...)

“Você está imaginando que tem estudado e
o que está dentro de sua cabeça é o que você sabe.
Mas é somente o que você pensa.
Apenas o que é confirmado dentro do seu Coração
É o real Conhecimento,
E o mais alto conhecimento e experiência é:
‘Eu Sou nada’.”

(...)

“Caminhe pela luz do seu Coração.
O fluxo de cada rio é único.
Eu estou além do rio e do fluxo.
Eu sou a Consciência Livre (Sem Fronteiras).”




*Texto extraído do site: http://www.metamorficus.blogspot.com/2010/04/mooji-reconheca-sua-natureza.html

quinta-feira, maio 06, 2010

Sonhos

“Somos feitos da mesma coisa que os sonhos e nossa curta vida é rodeada por um sono.” (Shakespeare)





Shakespeare realmente sabia sobre o que estava falando e isto não era somente efervescência poética. Maharishi costumava dizer exatamente a mesma coisa.

Suponho que eu tenha questionado Bhagavan sobre esse assunto com mais freqüência do que outros, apesar de algumas dúvidas sempre permanecerem para mim. Ele sempre avisou que assim que uma dúvida fosse esclarecida, outra surgiria no lugar da primeira, num processo sem fim.

“Mas Baghavan”, eu repetia, “sonhos são desconexos, enquanto que o estar acordado continua de onde havia parado e é tido por todos como algo contínuo”.

“Você diz isso nos seus sonhos?” Bhagavan perguntava. “Eles pareciam perfeitamente consistentes e reais enquanto aconteciam. Somente agora, enquanto acordado, é que você questiona a realidade da experiência. Isto não tem lógica.”

Bhagavan se recusava a ver a menor diferença entre os dois estados, e nisso ele concordava com todos os grandes Videntes Advaitas. Alguns questionaram se Shankara não teria traçado uma linha de diferença entre estes dois estados, mas Bhagavan persistentemente negava isto. “Shankara só fez esta divisão aparente para o propósito de uma exposição mais clara”, Maharishi explicava.

Mesmo que eu tentasse alterar meu modo de perguntar, a resposta que eu recebia era sempre a mesma: “Coloque suas dúvidas dentro do próprio sonho. Você não questiona o estar acordado quando você está acordado, você o aceita. E o aceita da mesma maneira que você aceita os seus sonhos. Vá além desses dois estados, e do terceiro – o sono profundo. Estude-os a partir daquele ponto de vista. Você está estudando uma limitação do ponto de vista de outra limitação. Poderia algo ser mais absurdo? Vá além de todas as limitações, e então volte com suas dúvidas.”

Apesar disso, as dúvidas ainda permaneciam. De algum jeito, eu sentia, enquanto sonhava, que havia algo de irreal nos sonhos; não era sempre, mas alguns lampejos vez ou outra.

“Isso também não vive acontecendo com você enquanto você está acordado?” Bhagavan perguntava. “Às vezes você não sente que o mundo em que você vive e as coisas que estão acontecendo não são reais?”

Mais uma vez, apesar de tudo isso, a dúvida persistia. Porém, em uma manhã, me aproximei do Bhagavan e, para seu encantamento, entreguei-lhe um papel, onde estava escrito o seguinte:

“Bhagavan se lembra que eu expressei minhas dúvidas sobre a semelhança entre o sonhar e o estar acordado. Na manhã de hoje, a maior parte dessas dúvidas foram esclarecidas pelo seguinte sonho, que me pareceu particularmente objetivo e real:

Eu estava discutindo filosofia com alguém e pontuei que todas as experiências eram subjetivas, e que não havia nada além da mente. A outra pessoa negava, mostrando o quão sólido as coisas eram e quão reais as experiências pareciam, e que isso não poderia ser somente imaginação.

Eu respondia: 'Não, nada é mais do que um sonho. Sonhar e estar acordado são exatamente a mesma coisa.'

‘Você diz isso agora’, ele respondeu, ‘mas você nunca diria uma coisa dessas no seu sonho.’

E então, eu acordei.”


Livro-fonte: “Call Divine”.

segunda-feira, maio 03, 2010

Conhece-te a ti mesmo


Nisargadatta Maharaj



Pergunta: Qual é o seu estado no momento presente?

Maharaj: Um estado de não-experiência. Nele, todas as experiências estão incluídas.

P: Você pode entrar na mente e no coração de outro homem e partilhar das experiências dele?

M: Não. Essas coisas requerem treinamento especial. Eu sou como um negociante de trigo. Sei pouco sobre pães e bolos. Mesmo o gosto de um mingau de trigo eu não conheço. Mas sobre o grão de trigo eu sei tudo e conheço muito bem. Eu conheço a fonte de toda a experiência. Mas as inúmeras formas particulares que a experiência pode assumir eu não conheço. Nem preciso conhecer. De momento a momento o pouco que preciso saber para viver a minha vida, de alguma forma eu venho a saber.

P: Sua existência particular e a minha existência particular existem na mente de Brahma?

M: O universal não tem conhecimento do particular. A existência como uma pessoa é uma questão pessoal. Uma pessoa existe no tempo e no espaço, tem nome e forma, começo e fim, o universal inclui todas as pessoas e o absoluto é a raiz de tudo e está além de tudo.

P: Eu não estou preocupado com a totalidade. Minha consciência pessoal e a sua consciência pessoal - qual é o elo entre as duas?

M: Qual pode ser o elo entre dois sonhadores?

P: Eles podem sonhar um com o outro.

M: Isso é o que as pessoas estão fazendo. Todo mundo imagina os “outros” e buscam uma ligação com eles. O buscador é o elo, não há nenhum outro.

P: Certamente deve haver algo em comum entre os muitos pontos de consciência que nós somos.

M: Onde estão os muitos pontos? Em sua mente. Você insiste que seu mundo é independente da sua mente. Como pode ser? Seu desejo de conhecer a mente das outras pessoas é devido a você não conhecer sua própria mente. Primeiro conheça sua própria mente e você verá que a questão das outras mentes não surgirá de modo algum, pois não há outras pessoas. Você é o fator comum, a única ligação entre as mentes. Existência é consciência, o "eu sou" se aplica a todos.

P: A Realidade Suprema (Parabrahman) pode estar presente em todos nós. Mas de que ela serve para nós?

M: Você é como um homem que diz: "Eu preciso de um lugar onde guardar minhas coisas, mas de que serve o espaço para mim?" ou “Eu preciso de leite, chá, café ou refrigerante, mas de água eu não tenho nenhuma necessidade”. Você não vê que a Suprema Realidade é o que torna tudo possível? Mas se você perguntar de que ela serve para você, eu devo responder: 'De nada'. Em questões da vida diária o conhecedor do real não tem nenhuma vantagem: ao invés disso ele talvez tenha desvantagem, estando livre da ganância e do medo - ele não se protege. A própria idéia de lucrar é estranha para ele, ele abomina acréscimos, sua vida é um constante despojar-se, compartilhar, doar.

P: Se não há nenhuma vantagem em ganhar o Supremo, então por que se preocupar com isso?

M: Há um problema apenas quando você se agarra a alguma coisa. Quando você não se prende a nada, nenhum problema surge. O abandono do menor significa a obtenção do maior. Abandone tudo e você ganha tudo. Então a vida torna-se o que ela deveria ser: a radiação pura de uma fonte inesgotável. Nessa luz o mundo parece vago como um sonho.

P: Se meu mundo é apenas um sonho e você é uma parte dele, o que você pode fazer por mim? Se o sonho não é real, não tendo existência, como a realidade pode afetá-lo?

M: Enquanto dura, o sonho tem existência temporária. É o seu desejo de mantê-lo que cria o problema. Deixe-o ir. Pare de imaginar que o sonho é seu.

P: Você parece tomar por garantido que pode haver um sonho sem um sonhador e que eu me identifico com o sonho criado por minha própria doce vontade. Mas eu sou o sonhador e o sonho também. Quem é que vai parar de sonhar?

M: Deixe o sonho desenrolar-se até o fim. Você não pode evitá-lo. Mas você pode olhar para o sonho como um sonho, recusar-lhe o carimbo da realidade.

P: Aqui estou eu, sentado diante de você. Eu estou sonhando e você está me assistindo falar em meu sonho. Qual é o elo entre nós?

M: A minha intenção de acordar você é o elo. Meu coração quer que você acorde. Eu vejo você sofrer em seu sonho e sei que você deve acordar para acabar com sua tristeza. Quando você vê seu sonho como sonho, você acorda. Mas em seu sonho propriamente dito, não estou interessado. Basta para mim saber que você precisa acordar. Você não precisa trazer o seu sonho a uma conclusão definida, ou torná-lo nobre, ou feliz, ou bonito. Tudo que você precisa é perceber que você está sonhando. Pare de imaginar, pare de acreditar. Veja as contradições, as incongruências, a falsidade e a tristeza do estado humano, a necessidade de ir além. Dentro da imensidão do espaço flutua um minúsculo átomo de consciência e nele o universo inteiro está contido.

P: Existem afeições no sonho que parecem reais e permanentes. Elas desaparecem ao acordarmos?

M: No sonho você ama uns e não outros. Ao acordar você descobre que você é o próprio amor, abrangendo o todos. O amor pessoal, não importa o quão intenso e genuíno, invariavelmente limita, o amor na liberdade é o amor a todos.

P: As pessoas vêm e vão. Amamos a quem encontramos, não podemos amar a todos.

M: Quando você é o próprio amor, você está além do tempo e dos números. Ao amar um você ama todos, ao amar todos, você ama cada um. Um e todos não são exclusivos.

P: Você diz que você está em um estado atemporal. Isso significa que o passado e o futuro estão abertos para você? Você conheceu Vashishta Muni, o Guru de Rama?

M: A questão está no tempo e refere-se ao tempo. Mais uma vez você está me perguntando sobre o conteúdo de um sonho. A atemporalidade está além da ilusão do tempo, ela não é uma extensão no tempo. Aquele que chamava-se Vashishta conhecia Vashishta. Estou além de todos os nomes e formas. Vashishta é um sonho em seu sonho. Como posso conhecê-lo? Você está muito preocupado com o passado e o futuro. É tudo devido ao seu desejo de continuar, é para proteger-se contra a extinção. E como você deseja continuar, você quer que os outros lhe façam companhia, daí a sua preocupação com a sobrevivência deles. Mas o que você chama de sobrevivência é apenas a sobrevivência de um sonho. A morte é preferível do que isso. Há uma chance de acordar.

P: Você está ciente da eternidade, portanto não está preocupado com a sobrevivência.

M: É o contrário. Liberdade de todos os desejos é a eternidade. Todos os apegos implicam o medo, pois todas as coisas são passageiras e o medo torna a pessoa uma escrava. Essa liberdade do apego não vem com prática, ela é natural quando a pessoa conhece seu verdadeiro ser. O amor não se apega; apego não é amor.

P: Então não há maneira de obter o desapego?

M: Não há nada a ser obtido. Nem mesmo o desapego. Abandone todas as fantasias e conheça a si mesmo como você é. O auto-conhecimento é desapego. Todo desejo é devido a uma sensação de insuficiência. Quando você sabe que não lhe falta nada, que tudo o que existe é você e é seu, os desejos cessam.

P: Para me conhecer devo praticar a consciência?

M: Não há nada para praticar. Para conhecer a si mesmo, seja você mesmo. Para ser você mesmo, pare de imaginar-se ser isto ou aquilo. Apenas seja. Deixe a sua verdadeira natureza emergir. Não perturbe a sua mente com procuras.

P: Vai levar muito tempo se eu apenas esperar pela auto-realização.

M: Pelo quê você tem que esperar quando isso já está aqui e agora? Você só tem que olhar e ver. Olhe para você mesmo, em seu próprio ser. Você sabe que você é e você gosta disso. Abandone toda imaginação, isso é tudo. Não confie no tempo. Tempo é morte. Quem espera - morre. A vida é agora apenas. Não fale comigo sobre o passado e o futuro, eles existem apenas na sua mente.

P: Você também morrerá.

M: Eu já estou morto. A morte física não fará nenhuma diferença no meu caso. Eu sou o ser atemporal. Eu estou livre de desejo ou medo, porque eu não me lembro do passado ou imagino o futuro. Onde não há nomes e formas, como pode haver desejo e medo? Com a ausência de desejo vem atemporalidade. Estou seguro porque o que não é, não pode tocar o que é. Você se sente inseguro porque você imagina o perigo. Naturalmente, o seu corpo, como tal, é complexo e vulnerável e precisa de proteção. Mas você não. Quando você realizar o seu próprio ser inatacável, você estará em paz.

P: Como posso encontrar paz quando o mundo sofre?

M: O mundo sofre por razões muito válidas. Se você quiser ajudar o mundo, você deve estar além da necessidade de ajuda. Então, toda as suas ações, bem como as não-ações irão ajudar o mundo da forma mais eficaz.

P: Como pode a não-ação ser útil, quando as ações são necessárias?

M: Sempre que é necessário agir, a ação acontece. O homem não é o ator. Sua ação é estar ciente do que está acontecendo. Sua própria presença é ação. A janela é a "ausência de parede" e ela dá o ar e a luz porque ela é vazia. Esteja vazio de todo o conteúdo mental, de toda imaginação e esforço, e a própria ausência de obstáculos fará a realidade invadir. Se você realmente quiser ajudar uma pessoa, mantenha-se afastado. Se você está emocionalmente comprometido em ajudar, vai falhar em ajudar. Você pode estar muito ocupado e muito feliz com o seu caráter caridoso, mas não será feito muito. Um homem é realmente ajudado quando ele não está mais necessitando de ajuda. Todo o resto é apenas futilidade.

P: Não há tempo suficiente para sentar e esperar que a ajuda aconteça. É preciso fazer alguma coisa.

M: De todo jeito - faça. Mas o que você pode fazer é limitado, apenas o Ser é ilimitado. Dê ilimitadamente - de si mesmo. Tudo o mais você pode dar em pequenas medidas apenas. Somente você é imensurável. Ajudar é a sua própria natureza. Mesmo quando você come e bebe você ajuda seu corpo. Para si mesmo, você não precisa de nada. Você é puro doar, sem começo, sem fim, inesgotável. Quando você vê tristeza e sofrimento, fique com eles. Não se apresse em agir. Nem a aprendizagem nem a ação podem realmente ajudar. Fique com a tristeza e revele as suas raízes - ajudar a entender é a verdadeira ajuda.

P: Minha morte está se aproximando.

M: O seu corpo é que tem um tempo curto, não você. O tempo e o espaço estão apenas na mente. Você não é limitado. Apenas compreenda a si mesmo, isso em si é a eternidade.

(*Fonte: extraído do site "Portal do conhecimento divino")

sexta-feira, abril 30, 2010

A SIMPLICIDADE DA REVELAÇÃO


Dárcio Dezolt


A Verdade revelada é a coisa mais simples que há: diz que DEUS É TUDO, E FORA DE DEUS NADA EXISTE! Chegando à mente humana, começam as divagações intelectuais e as complicações: "Como pode ser? E os problemas? Você ficou maluco? Não está vendo as coisas horrorosas de hoje em dia?" A simplicidade da revelação continua: DEUS É TUDO, E FORA DE DEUS NADA EXISTE... Mas, a mente continua: "Tem certeza? E esta Verdade me ajudará? Acabará com meus problemas? Serei beneficiado por ela? Não será puro escapismo? Como 'eu farei' para conscientizar isso? Existe alguma 'fórmula'?" E a simplicidade permanece: DEUS É TUDO, E FORA DE DEUS NADA EXISTE...


DEUS É TUDO; FORA DE DEUS NADA EXISTE! SIMPLES! REVELADO! FALTA O QUÊ? O CORAÇÃO DE CRIANÇA! AQUELE CORAÇÃO QUE VÊ A IRREALIDADE DO SONHO, QUE VÊ A REALIDADE SUPERIOR AO MELHOR DOS SONHOS, O CORAÇÃO QUE SIMPLESMENTE VÊ!


“Eu sou o Senhor, e não haverá outro: fora de MIM não há Deus: Eu te cingi a espada, e tu não me conheceste.”
(ISAÍAS 45:5)

quarta-feira, abril 28, 2010

Universo holográfico - A inexistência da matéria - III (final)




O filme do 'universo holográfico' explicita de modo bastante claro que a matéria não é existência real. Em determinado momento, porém, após afirmar que toda a matéria é inexistente, diz que Deus, o único Ser que existe realmente, cria, a partir de Sua onipotência - e no âmbito da irrealidade! -, este mundo fenomênico/material, ou seja: diz que Deus estabelece Sua criação num âmbito ilusório. Este é o único equívoco a poder ser encontrado nas explanações do vídeo. Podemos perceber a presença de uma pitada de sectarismo religioso no filme, fazendo alusão a Alah, nome que o islamismo dá para Deus. O vídeo apresentado possui uma parte científica e uma parte religiosa-espiritual. Em sua parte científica, o vídeo discorre brilhantemente sobre a inexistência da matéria, proporcionando-nos o entendimento de que só o Espírito é real; mas ao chegar na última parte, de cunho religioso, e dizer que "a criação material é obra de Deus" e que "Deus cria a matéria", toda parte científica é sacrificada em nome de uma exortação religiosa.

Primeiramente o vídeo explica e prova que só o Espírito é existência verdadeira e, posteriormente, cai na contradição de dizer que o Espírito (que existe e é real) cria a matéria (que inexiste e é irreal). O irreal nunca advém do real. Nada irreal pode ter origem na realidade. Deus não cria ilusões. Em sua parte final, o filme procura misturar a ciência (que veio aprimorando o seu entendimento acerca da natureza da matéria ao longo dos anos) com sua fé/entendimento religioso ortodoxo, e assim negou tudo o que havia afirmado, admitiu a ilusão como realidade. A explicação final do vídeo serviu para desfazer/desconsiderar tudo o que foi considerado desde o início. De quê forma essa desconsideração foi feita?

A explanação dada ao longo de quase todo o vídeo incita o homem a desacreditar na matéria e em tudo que é captado pelos sentidos. Somente assim, somente desconsiderando a matéria por completo, é que a mente do homem fica desocupada do trabalho de ver a matéria como existência real e torna-se receptiva para ocupar-se com o Espírito. O mundo precisa ceder lugar a Deus se quisermos conhecê-Lo. Mas, ao afirmar que "a matéria não existe" e, após isso, dizer que "a matéria apesar de ser irreal, é uma criação feita por Deus", o vídeo dá a entender que está tudo bem continuar acreditando na existência deste mundo material - que vivemos nossas vidas nele! -, sob a justificativa de que "este mundo foi criado por Deus".

Aqui está o equívoco do filme: Dizer que o mundo material é irreal, como se houvesse uma Verdade profunda e revolucionária a ser conhecida e, no final, desfazer toda a necessidade de se compreender essa Verdade, uma vez que "este mundo material é criado por Deus". Logo, não precisamos nos preocupar em entender se a matéria é inexistente ou não, podemos continuar vivendo nossas vidinhas normalmente neste mundo assim mesmo como ele é. Desse jeito, nenhuma Verdade é conhecida; nada muda. O vídeo apresenta a explanação da inexistência da matéria como se essa verdade não tivesse nenhuma relação conosco - apenas o mundo é ilusório, consequentemente, nós somos ilusórios também, vivemos e viveremos toda nossa vida nesta ilusão. Somos seres ilusórios criado por Deus. E, da mesma forma que Deus cria um planeta Terra ilusório, um dia Ele irá criar um céu e um inferno (também ilusórios!) e enviar seres ilusórios para um ou para outro, dependendo de seus comportamentos (conforme o entendimento que eles têm de sua Escritura). Será que Deus não tem nada melhor pra fazer do que ocupar-se com inexistências, com ilusões? A compreensão espiritual da inexistência da matéria é uma Verdade que possui relação direta e total com o ser que somos e com nossas vidas - é a Verdade sobre nós.

A Verdade da inexistência da matéria não é uma verdade inútil ou desnecessária, o homem necessita conhecê-la porque está apegado e identificado com algo que não é existência verdadeira. Tal é seu apego, tal é sua identificação com o fenômeno que, quando o mundo fenomênico forma seus filmes/quadros (irreais) mostrando aparências de limitações, doenças, sofrimentos e pecados, o homem considera essas cenas como realmente existentes, apegando-se com todo o seu ser. Ao considerar essas coisas como existentes, o filme continua sendo perpetuado/projetado pela mente/crenças humanas. Se conhecer Verdade e compreender que a matéria e o fenômeno são vazios, que são meras "imagens", "símbolos", "efeitos", "sombras", "idéias", "representações" externas (sem essência, sem vida, e sem presença!) do pensamento interno, essa compreensão causa um imediato distanciamento e desapego, e o homem deixa de preocupar-se ou temer o mundo. Essa Verdade revela que a Vida não está no mundo, mas no Espírito, no Invisível que transcende o mundo. Ao entender a revelação de que o mundo, com todos os quadros hipnóticos e ilusórios, é nada, e que também ilusório e vazio é todo o sentido de pecado, doença e morte que pertencem ao mundo, o homem pode liberta-se pelo poder da compreensão (despertar espiritual). Pecado, doença e morte são concepções da mente humana, sendo que o homem é quem cria tais coisas, sabendo disto ou não. Quando compreende a natureza de tais erros, entende que não há necessidade de temer o mundo, pois conhece a causa e a origem deste, o qual é apenas um efeito sem vida e sem atividade, mero símbolo sem presença real. Não é necessário temer "efeitos" quando se está consciente do reino da "causa". E justamente por soltar da mente as imagens do fênomeno ao qual se apegava, tais imagens mudam, porque tudo neste mundo fenomênico tem natureza efêmera e transitória; aqui nada dura para sempre.

Portanto, essa é a ressalva que deve ser feita quanto ao conteúdo apresentado no filme. Se Deus é tudo o que existe, por mais que haja um mundo material que nos esteja sendo informado pelos sentidos, tal mundo é irreal. Mesmo que pareça ser real, não é! Mesmo que pareça ter vida, não tem! Mesmo que pareça estar presente, não está. O que existe, estando permanentemente presente onde a matéria parece estar? Essa resposta requer um despertar espiritual para que se possa obtê-la. Você compreende e então a obtém. Quando se solta da mente a (aparente) realidade, vida e presença da matéria, a mente compreende a Verdade automaticamente, porque ao ser negada a matéria, sobra apenas o Espírito, e este penetra na mente, que desocupou-se do trabalho de tomar a matéria como existência verdadeira. Continuaremos o blog com posts de textos que, de uma forma ou de outra, negam a realidade da matéria, versam sobre a mesma (a única!) Verdade, e buscam despertar o leitor para a realidade única do Espírito.

segunda-feira, abril 26, 2010

Universo holográfico - A inexistência da matéria - II




O post anterior, do vídeo tratando sobre a inexistência da matéria, pode ser de fundamental importância para ajudar as pessoas a superarem seus paradigmas. Se numa conversa casual com um parente ou um amigo alguém de repente começar a falar sobre a inexistência da matéria, que este mundo não existe, que ele é pura ilusão, rapidamente esta pessoa seria vista como um 'louco', um excêntrico e logo cairia em descrédito com seus parentes e amigos. Por que isso? Porque essas pessoas estão rigidamente enraizadas nos padrões de seus condicionamentos. Desde que nasceram, foram ensinadas a acreditar no que elas vêem, ouvem, sentem, cheiram, tocam, experimentam... A maior parte das pessoas no mundo são assim, seguem apenas o mundo, seguem-no como um líder. O mundo não pode estar errado. Para pessoas assim, que se deixam reger por crenças coletivas, é o mundo quem dita as regras. O mundo define como as coisas são, por meio de sua avaliação, seus experimentos, sua ciência (todos eles limitados!) e a palavra do mundo é absoluta, é a única palavra que pode amolecer o coração da pessoa e fazê-la mudar. A mudança se dá através da aceitação. Em se tratando do mundo, as pessoas aceitam as coisas com "o coração de criança", porque elas o seguem. Daí a importância de destacar artigos e filmes científicos que falam sobre a inexistência da matéria: é o mundo falando para elas.

A Ciência acreditou durante um longo tempo na matéria como algo de existência objetiva, ou seja, como se s matéria estivesse lá indepentente de "quem está vendo", o observador. Recentemente a Ciência tem tido experiências com a matéria que fizeram-na ficar confusa. Numa delas, os átomos começaram a desobedecer o padrão até então estabelecido como certo/absoluto/garantido pelo conhecimento científico e passaram a se comportar como se tivessem "vida própria", "vontade própria". A cada vez que uma experiência era realizada, a matéria, que todas as vezes deveria obedecer a um padrão constante e culminar sempre nos mesmos resultados, passou a se comportar de forma inesperada, fazendo com que os cientistas obtivessem, a cada tentativa, resultados diferentes. Logo foi descoberto que as variações na reação dos átomos aconteciam conforme mudava a pessoa que observava a experiência. A conclusão: o comportamento da matéria variava porque variava também o observador, aquele que estava conduzindo o experimento com a matéria. Se a matéria fosse uma existência objetiva, real, ela deveria apresentar sempre o mesmo resultado, independente de quem a estivesse observando.

Conhecimentos assim, mais profundos, sobre a realidade não são assim tão recentes. Eles foram descobertos fazem já algumas décadas. O antigo modelo atômico de que que o "o átomo é composto de núcleo, prótons e neutrons" foi superado, e o modelo atualmente adotado admite a existência de outra estrutura, composta de: partículas e elementos antipartículas, fótons, spins, grávitons, "quarks" (que se dividem em "quark up" e "quark down"), "gluons" e uma série de outros subcomponentes. O novo modelo atômico, muito mais complexo, permite à Ciência um entendimento mais específico e detalhado da matéria, o que permitiu-lhe contribuir para a descoberta da "teoria das cordas". A Ciência mudou muito o seu modo de pensar, mas as pessoas do mundo não. Esses novos modelos não são ensinados nas escolas. Essas descobertas foram feitas há muitas décadas, e no Brasil (e especulo que em quase todos os outros países sejam assim também) ainda hoje ensina-se o modelo atômico baseado na estrutura de prótons, neutrôns e elétrons. Esse modelo há muito tempo já foi descartado pela Ciência, não possuindo mais serventia alguma para a ciência ou à humanidade, entretanto isso é o que está sendo ensinado nas escolas. Para que se possa ter o conhecimento dos verdadeiros conceitos e daquilo com que a Ciência realmente trabalha, o indivíduo precisa fazer um curso superior e tornar-se um especialista. Deveria ser feita uma reforma nos ensinos escolares, porque essa forma de proceder está errada. Quanto mais a Ciência avança em sua compreensão da realidade que nos cerca, mais o mundo todo deveria ser informado e incetivado a pensar igual.

Outro vídeo/documentário científico, também bastante conhecido, chamado "Quem somos nós", apresenta o estudo das descobertas recentes da física quântica. Esse filme apresenta bem o conceito de que "a matéria não existe". Diz que o mundo fenomênico existe conforme a mente ou a percepção do observador, e que a matéria embora pareça ter consistência em ser visível e sólida, não o é. Por exemplo: se olharmos para uma parede, ela parecerá ser uma substância cheia de matéria, tão cheia de matéria que é impossível ela ser transpassada por outro corpo material. Mas, então, se a analisarmos com um microscópio com potência suficiente para atingir (e observar) o grau mínimo da matéria (ou seja, o átomo), veríamos que a parede é um imenso aglomerado de átomos que, em conjunto, formam a substância que aos olhos físicos se apresenta como "parede". Analisando mais detalhadamente a parede, veríamos somente átomos formando a sua composição, perceberíamos que as distâncias (os espaços vazios) que separam os átomos são maiores do que as substâncias materiais (átomos) que ela separa, e conluiríamos que a "parede" é um corpo expressivelmente mais "vazio" do que "cheio". Assim, a parede só é visível e sólida para os sentidos da visão e do tato. Entretanto, é mais verdadeira a afirmação de que "a parede não está lá" do que a afirmação que diz "a parede está lá".

Quem se deixa levar pela percepção dos sentidos está sendo iludido pelo que não existe. O Universo em que vivemos não é substância real, não é presença real, é apenas um holograma. Parece ser físico, parece ser real, mas não existe. O que existe no lugar daquilo que não existe, mas apenas parece existir? Isso é o que deve ser compreendido. Primeiro vem a compreensão da mente intelectual, que não é a compreensão verdadeira, mas que ajuda muito porque permite ao indivíduo parar de oferecer resistência à uma Verdade que antes ele não era capaz de aceitar. Tendo, por fim, este ponto sido atingido, a pessoa pode começar a aprofundar sua compreensão até atingir o nível da compreensão verdadeira - que transcende/põe totalmente de lado a mente intelectual, indo mais além dela. A verdadeira compreensão não é mental, é espiritual. Você compreende a Verdade não com a mente racional, mas igualmente com todo o seu ser. A compreensão é tão profunda que você a sente com seu sangue, seus ossos e sua medula. O espiritual só é discernido por outra coisa que seja espiritual, ou seja: somente o espiritual discerne o espiritual. A matéria e a mente só percebem o que é material e mental. Este princípio, muito importante, é a base, e deve ser sempre lembrado.

A inexistência da matéria é um ensinamento que há milênios é pregada pelos sábios e mestres espirituais de todos os tempos. Mas o mundo os olha e os rejeita. O mundo diz: "O que? Você está dizendo que tudo o que eu toco, ouço, vejo e sinto - tudo isso que está diante de mim, portanto, obviamente, existe! - são coisas inexistentes? Você deve estar louco." E como o mundo quase todo pensa assim, todos se deixam levar pelo mesmo pensamento. A existência da matéria é sustentada pelo pensamento coletivo de que "a matéria existe". Consequentemente, todo ser humano vê sua identidade como sendo um corpo material, e essa crença errônea retira do homem (um ser espiritual, perfeito e livre) toda liberdade que lhe é natural e aprisiona-o dentro de seus próprios conceitos que nutre da vida e de si mesmo, e essa é a origem de todas as limitações e sofrimentos. De vez em quando ocorre de um homem aqui ou ali sair dessa corrente de crenças coletivas e despertar para o que realmente é existência verdadeira. Portanto, este é o valor de se apresentar vídeos mostrando o verdadeiro pensamento da Ciência: amolecer o coração do homem, fazê-lo aceitar a Verdade com "coração de criança", porque a aceitação é a principal barreira que impede o homem de se libertar de seus próprios conceitos. O homem tomou para a si a existência da matéria como algo verdadeiro por meio de sua aceitação, e é também por meio de sua aceitação que ele desfará dela. Mas ele precisa fazê-lo sem objeções, sem resistência, com "coração de criança", exatamente da forma como quando ele aceitou, pela primeira vez, a matéria como sendo existência verdadeira.

sábado, abril 24, 2010

Universo holográfico - A inexistência da matéria

A seguir, um vídeo (bastante conhecido!) explicitando que este universo em que vivemos é holográfico, ilusório, imaterial. As explicações nele contidas embasam-se no que a Ciência já sabe hoje, e foram feitas de tal forma que nos proporciona fácil compreensão. O vídeo todo está dividido em seis partes, cada uma com 4 ou cinco minutos no máximo, totalizando 24 minutos. Valerá a pena assistí-lo com atenção, apreender o que está sendo ensinado, porque este assunto que está contido no vídeo estará servindo como uma base/introdução para os temas que serão discutidos nos posts futuros. Compreender que "a matéria não existe" é um ato fundamental a ser realizado em nossa jornada para o despertar espiritual, a iluminação.























quarta-feira, abril 21, 2010

O dedo de Gutei (Masaharu Taniguchi) - Fim

Masaharu Taniguchi


Recentemente, uma pessoa que veio fazer treinamento espiritual disse-me: “Uma vez que todas as coisas do Universo, inclusive remédios, são criações de Deus, creio que não há problema algum em tomar remédios, não é mesmo?”. Respondi: “Como o homem é filho de Deus, não há problema algum em tomar o que quer que seja. Nada que tomemos nos poderá causar mal. Na verdade, mesmo que tomemos um produto tóxico, este não poderá fazer mal à nossa Vida, e muito menos um remédio. Jamais a nossa Vida será afetada só porque tomamos um remédio. O que pode causar mal à nossa Vida é a nossa própria mente. Por exemplo, tomar remédios com espírito de dependência à matéria é o mesmo que andar de muletas, e isso dificulta a exteriorização da natureza divina perfeita, harmoniosa. O senhor diz que o remédio é criação de Deus, mas ele não foi criado por Deus. O remédio foi criado pela ‘ilusão’ que consiste em acreditar que a doença existe. Como Deus não criou doença, não tem necessidade de criar remédios para curá-la. Foi a ‘ilusão’ quem criou a doença; logo, é a ‘ilusão’ quem se preocupa em curar a doença e foi ela quem criou os remédios. Procurar combater a ilusão com a ilusão ou tentar neutralizar o veneno com veneno é o método do tratamento medicamentoso. Para os que ainda não despertaram para a Verdade de que o homem é filho de Deus e, portanto um ser espiritual, e pensam que o homem é uma existência material chamada corpo carnal, os remédios produzem efeito temporário. Para os que acreditam que o homem é filho de Deus, de natureza espiritual, os remédios tornam-se desnecessários. Mas também torna-se desnecessária a insistência em recusar os remédios, pois ele compreende que o remédio nada pode acrescentar à Imagem Verdadeira da Vida do homem, nem diminuir-lhe coisa alguma”.

Conforme consta no capítulo intitulado “O Gênesis visto através da Seicho-No-Ie”, do volume 11 da coleção A Verdade da Vida, em todas as coisas deste mundo visível aos olhos carnais existem “dia” e “noite”. Este mundo é um lugar onde se entrelaçam a luz e a treva, a imagem projetada pela Verdade e a imagem projetada pela ilusão. Portanto, é equivocada a idéia de que o remédio seja criação de Deus só porque ele parece existir neste mundo visível, assim como é equivocada a idéia de que a doença seja criação de Deus só porque ela parece existir neste mundo visível. No mundo da Imagem Verdadeira, criado por Deus, não existem doenças; por conseguinte, também não existem remédios para curá-las. Portanto, também no mundo fenomênico, no qual esteja projetado corretamente o mundo da Imagem Verdadeira, não existem doenças nem remédios. Tanto o fato de parecer que a doença existe quanto o fato de parecer que existem os remédios para curar as doenças, que na verdade inexistem, ambos são projeções da mente em ilusão que não despertou para a Imagem Verdadeira.

Após negar assim todos os artifícios humanos, que irá restar? Restará unicamente a Vida original, que é filho de Deus totalmente livre. A Verdade que a Seicho-No-Ie prega é uma Verdade rigorosa. É o caminho que consiste em abrir mão de tudo e, no final, conseguirmos tudo. Mesmo que uma pessoa consiga abandonar os remédios, se não despertar para a Imagem Verdadeira da Vida e ficar com a mente apegada a outras coisas, terá um resultado contrário ao esperado. Existem também pessoas que sofrem por estar com a mente apegada à idéia de “abandonar os remédios” e entra em conflito com os familiares que com ele não concordam. Tais pessoas, na verdade, ainda não abandonaram tudo. Abandonando até mesmo a “idéia de abandonar” é que se alcança a liberdade total.

No livro Mumonkan, do zen-budismo, na oitava questão para meditação, consta que o bonzo Getsuan formulou a um sacerdote a seguinte questão: “Um homem chamado Keichu confeccionou uma carreta, mas retirou as rodas e arrancou o eixo. Que pretendia ele esclarecer com isso?”. Segundo o livro, a resposta é: “Quando se retiram todos os aspectos formais, a mente compreende a Verdade com a rapidez de um relâmpago”. Quando existem os trilhos, a locomotiva, as rodas e os eixos, pode-se viajar de trem e considerá-lo realmente um cômodo meio de transporte. Esse pensamento é idêntico ao da pessoa que considera o remédio um cômodo meio de combater a doença. Mas o que fará tal pessoa se deparar com um obstáculo chamado “falta de dinheiro para comprar remédio”? Como poderá evitar que se choque com esse obstáculo? Se um trem não consegue evitar o choque com algum obstáculo, é porque sua liberdade é tolhida pelos trilhos, pelas rodas e pelos eixos. Se retirarmos os trilhos, as rodas e os eixos e colocarmos o vagão sobre uma “carreta mágica” chamada “compreensão da Verdade”, seremos totalmente livres. Este é o estado de liberdade alcançado por aquele que despertou para a Imagem Verdadeira da Vida e não precisa mais de remédios. Se nos sentimos desorientados, é porque nossa mente se apega aos “trilhos” e às “rodas” da existência e pensamos que precisamos rodas necessariamente sobre esses trilhos. Se eliminarmos os “trilhos” e as “rodas” limitadores, conseguiremos conscientizar que, no tocante à Imagem Verdadeira da Vida, somos filhos de Deus livres de todas as restrições, e alcançaremos o estado de total liberdade em todos os sentidos. Entretanto, mesmo que retiremos e destruamos os “trilho” e as “rodas” da vida, se não nos colocarmos sobre a “carreta mágica” chamada “compreensão da Verdade”, ficaremos em situação ainda mais incômoda.

Na Seita Ittoen, por exemplo, mandam abandonar de vez todos os bens para se conseguir a liberdade econômica. A finalidade disso não é o simples abandono dos bens, mas a conscientização da Vida interior, exatamente como no caso do jovem monge cujo dedo foi decepado pelo bonzo Gutei. Quando abandonamos o que é sujeito à limitação, recuperamos toda a liberdade econômica. Ao abandonarmos totalmente as posses do “pequeno eu” ou da ilusão, nos são dadas de modo natural todas as coisas necessárias. No exemplo da Ittoen, não existem posses que pertençam ao “pequeno eu”, mas em seu vasto terreno denominado Koserin ergue-se um magnífico santuário.

A Seicho-No-Ie ensina que, para obtermos a liberdade da Vida, devemos abandonar todos os métodos materiais nos quais nos apoiávamos como se fossem muletas de nossa Vida, e ordenar: “Ó Vida, levante-se com a sua própria força!”. Quando abandonamos todas as coisas materiais em que nos apoiávamos, manifesta-se em nós a Vida infinita do filho de Deus que somos; quando abandonamos todas as posses do nosso “pequeno eu”, tudo no Universo torna-se nossa propriedade; e quando abandonamos todos os “remédios da ilusão”, a Vida infinita do Universo torna-se nossa.

No zen-budismo, o alimento é considerado remédio. O alimento é concretização da vibração espiritual do Amor de Deus. O alimento certo constitui o verdadeiro remédio. Até as substâncias tóxicas têm sua utilidade: o arsênico e o ácido cianídrico, por exemplo, são indispensáveis para fins industriais. Quando atua a Sabedoria de Deus, que utiliza as substâncias em lugares certos e em doses adequadas, nada existe que faça mal; todo medicamento artificial e inadequado à Vida é, para ela, um elemento estranho. A eficaz penicilina é uma bactéria de fungos, os quais podemos considerar um alimento novo, até então desconhecido. O alimento foi criado por Deus, conforme escrito também no Gênesis. Esse alimento (graça divina) criado por Deus no mundo da Imagem Verdadeira é que se projeta no mundo fenomênico como alimento material. No mundo da Imagem Verdadeira estamos alimentando-nos da graça divina, e a projeção disso é ingerirmos alimentos fenomênicos.

Mas, conforme afirmei antes, uma vez que Deus não cria a doença, também não cria remédios para curá-la. A doença, em suma, é um sinal de que se transgrediu a ordem estabelecida por Deus e se utilizou da matéria de modo inadequado. Se corrigirmos a inadequações, a doença será curada. O que criou a doença foi a ilusão, o pensamento errôneo de considerar o inadequado como adequado. Por isso, se abandonarmos essa ilusão, a doença desaparecerá. Se ficarmos perseguindo uma ilusão (doença) com outra ilusão (pensamento errôneo), a ilusão não terá fim, aumentando, consequentemente, cada vez mais o número de remédios e a procura de medicamentos e hospitais. Por isso, a Seicho-No-Ie ensina que, em vez de nos preocuparmos com remédios, devemos conscientizar que a Imagem Verdadeira da Vida é perfeita, livre de doenças.

Houve certa vez um médico que, lendo superficialmente o livro A Verdade da Vida, escreveu um artigo de protesto do seguinte teor: “Um paciente que estava internado no meu hospital abandonou totalmente os remédios, arrumou as malas e voltou para casa; não quis mais médico nem remédios, passeou de livre vontade, sofreu uma violenta hemoptise e acabou morrendo”. Lendo apenas a opinião desse médico, parece que o paciente sofreu hemoptise “porque saiu do hospital e abandonou os remédios”, e que não teria tido essa crise se não tivesse deixado o hospital e os remédios. No entanto, há um outro paciente internado no mesmo hospital que, mesmo tomando remédios, teve hemoptise, e por isso enviou telegrama à Seicho-No-Ie pedindo a mentalização à distância para a cura. Sendo assim, a hemoptise pode ocorrer independentemente de o paciente estar ou não internado e tomando ou não remédios. Não se pode afirmar que o paciente sofreu hemoptise porque deixou o hospital ou porque dispensou os remédios.

Tenho recebido muitas cartas de agradecimento de pessoas que se restabeleceram deixando o hospital e os remédios. Portanto, não posso relacionar a piora do estado do paciente, no caso relatado pelo citado médico, com abandono do hospital e dos medicamentos. É preciso buscar a causa em outro lugar. Raciocinemos bem: ainda que a doença de alguém se agrave após deixar o hospital e os remédios, e ainda que sucedam inúmeros casos idênticos, tal fato não constitui fundamento para se concluir que a dispensa do hospital e dos remédios seja a causa do agravamento. Se tal argumento fosse válido, poderíamos concluir também que o homem morre em conseqüência dos tratamentos médicos e da ingestão de remédios, pois milhões de pessoas no mundo inteiro têm morrido após se submeterem aos cuidados médicos e tomarem remédios. No entanto, os médicos não admitem tal conclusão. Eles alegam que os pacientes morrem porque chegou a hora deles, e não por intervenção médica. Eu também digo o mesmo, obviamente. Não sou tolo a ponto de afirmar que o fato A deve necessariamente ser a causa do fato B, só porque este ocorreu depois daquele. Digo que a medicina moderna é uma “crença de que a matéria domina a Vida”, pois restringe a causa a um ou a alguns fatores favoráveis à sua tese e ignora outros fatores desconhecidos ou desfavoráveis. Se a doença for curada após ministrar remédios, o mérito é apenas dos remédios e da medicina; mas, se o paciente morrer após tomar remédios, diz-se que morreu por si mesmo, excluindo a responsabilidade médica. No caso citado, em que o paciente sofreu hemoptise após sair do hospital, o médico deve analisar a causa psicológica dessa hemoptise. A meu ver, já que a palavra é semente, deve-se levar em consideração as palavras que o médico proferiu ao paciente que estava deixando o hospital. Em se tratando de médico capaz de protestar numa revista contra a saída de um paciente de seu hospital, pode ter dito categoricamente: “É muito arriscado deixar o hospital!”. Se foram ditas palavras semelhantes a estas, podemos concluir o seguinte: Mesmo que o doente não tenha dado atenção a tais palavras naquele momento, elas foram semeadas no fundo do subconsciente dele e depois germinaram.

Quando um portador de moléstia para a qual ainda não há remédio específico toma a grande decisão de abandonar os remédios, esse instante corresponde ao importante momento em que o bonzo Gutei cortou o dedo do jovem monge. Naquele momento, o bonzo Gutei mostrou ao jovem a Verdade de que o homem real é um ser espiritual e não um ser material e que, portanto, mesmo não tendo mais o dedo, pode levantá-lo. Graças a essa lição, o jovem monge pôde despertar para a Imagem Verdadeira de sua Vida e alcançou a verdadeira salvação. Mas a questão não se restringe a apenas um dedo: o homem precisa compreender que ele é um ser indestrutível, ainda que lhe cortem o corpo todo. Do contrário, não será salvo verdadeiramente. Se naquele momento o bonzo tivesse dito que o homem é uma existência material e que sem o dedo físico nada pode fazer, o jovem monge só teria sentido dor na sua mão sangrenta e não teria despertado para a Verdade, nem teria alcançado a iluminação. Também o médico, ao se dirigir a um paciente que dispensou decididamente os recursos medicinais, deve tomar a mesma atitude do bonzo em relação ao jovem monge. Quando, ao contrário, o médico tem a infeliz idéia de dizer “Se você dispensar os remédios materiais não será curado, porque o homem é feito de matéria”, poderá matar o paciente, não apenas fisicamente, mas também espiritualmente.

Segundo escreveu certo médico numa revista, um tuberculoso convalescente tomava banho de sol. Achando desaconselhável tomar muito sol, advertiu-o: “Você não pode tomar tanto sol”. Como foi uma advertência, é evidente que o tom de suas palavras sugeria perigo. Nessa mesma noite, o paciente teve hemoptise grave e morreu. Esse médico escreve vangloriando-se de seu diagnóstico “acertado”, baseado em seus conhecimentos terapêuticos. Mas, a meu ver, podemos afirmar, ou pelo menos supor, que as palavras proferidas por ele ao paciente foram a causa da hemoptise, porque não era a primeira vez que o paciente tomava banho de sol; mas foi justamente no dia em que foi sugestionado pelo médico sobre o perigo do sol que vomitou muito sangue e morreu. Como essa pessoa morreu sugestionada pela idéia de que a Vida do homem é algo frágil que pode ser destruída pelo sol ou pela hemoptise, a sua alma não será salva facilmente após desencarnar, e isso é realmente lamentável. O médico, sendo uma pessoa que cuida da Vida do homem, tem a obrigação de saber, pelo menos, que suas palavras possuem grande poder de influência no paciente, sugestionando-o. Nesse sentido, o médico deve ser também um psicólogo. Considerando que a Vida do homem é eterna e que, geralmente, o médico é o único que assiste o homem nos derradeiros momentos que antecedem o abandono do corpo carnal, pode-se dizer que o médico deve ser também um religioso; deve ser um mestre e orientador capaz de ensinar o caminho para viver sem depender da matéria.


(Do livro “A Verdade da Vida, vol. 04", pgs. 45 à 55)