"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

quinta-feira, maio 15, 2008

A Vida é preciosa!

Seicho-No-Ie



Algumas pessoas se surpreendem quando afirmo que 'doença não existe' e retrucam: “É claro que a doença existe, como todos podem constatar”. Elas estão confundindo o existir com o estar manifestado. De fato, a doença é um estado que está manifestado, mas ela não existe de verdade. Tudo o que está manifestado desaparece, mas o que existe de verdade jamais desaparece.

Diante da pergunta: “Então, o que existe realmente?”, as pessoas poderão responder: Deus, a verdade, o belo, o bem ou até mesmo o ser humano. Mas o ser humano, no tocante à existência física, é fadado a morrer e virar cinzas (ou voltar ao pó). Portanto, também é uma manifestação (fenômeno). O Sol, a lua e outros corpos celestes, visíveis aos olhos físicos, também são manifestações, pois consta que, no fim, se transformarão em poeiras do espaço. Entretanto, por trás do aspecto fenomênico existe a Imagem Verdadeira. Por exemplo, por trás do Sol visível aos olhos físicos, existe a “essência espiritual do Sol” que é eterna.

Precisamos, porém, cuidar bem também das manifestações. É um equívoco não dar importância ao corpo carnal e às coisas materiais, pois não são mera matéria, e sim imagens simbólicas que expressam a Vida de Deus.

A fotografia, por exemplo, é um objeto material; mas, quando se trata do retrato de uma pessoa querida, certamente lhe atribuiremos uma importância muito maior que o seu valor material e cuidaremos dele com todo o carinho. O mesmo se pode dizer do ser humano manifestado como corpo carnal. Quando compreendemos que é manifestação do ser eterno, do homem, filho de Deus, passamos a nos empenhar realmente em cuidar bem do nosso corpo. Somente o que é eterno possui valor supremo. É evidente que Deus e o filho de Deus, que são eternos, possuem valor infinitamente maior que as manifestações transitórias, como, por exemplo, o “homem carnal”. Entretanto, no corpo carnal se expressa a Vida do filho de Deus e, por isso, precisamos preservá-lo com zelo. Quando amamos e respeitamos alguém, cuidamos com carinho do retrato dele. Mas se perguntarem qual das duas – a própria pessoa ou a sua fotografia – é mais valiosa, é óbvio respondermos que a pessoa é muito mais valiosa que a fotografia.

De modo análogo, embora o “homem carnal” tenha a sua importância, é evidente que o homem, filho de Deus é infinitamente mais valioso. Pois saiba que o homem, filho de Deus é a essência do seu ser, é a sua Vida. Quando todos compreenderem o verdadeiro valor da Vida, este mundo se tornará realmente pacífico, pois as pessoas respeitarão umas às outras e viverão repletas de gratidão e alegria.

(Masaharu Taniguchi)

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terça-feira, maio 13, 2008

Abandonando o “princípio da insuficiência”



Na província de Kochi, no Japão, mora um farmacêutico de nome Shizuo Dodo. Sendo químico, ele estava habituado às coisas com base na química. Tendo lido o livro Mistérios do Universo escrito pelo grande filósofo alemão, Haeckel, adotara a opinião de que também o homem é uma simples massa feita de matéria. Acreditava, portanto, que o fato de a sua esposa não conceber devia-se a alguma insuficiência de ordem material. Depois de fazer inúmeras experiências no campo da Química, finalmente pensou ter descoberto o princípio fundamental segundo o qual todas as coisas deste mundo se movem é o “princípio da insuficiência”. Insuficiência quer dizer “falta”. Portanto, todas as coisas se movem devido ao princípio da “falta de algo”. As pessoas trabalham porque lhes faltam dinheiro; comem porque lhes faltam alimento e elementos nutritivos em seu organismo; o homem deseja a mulher porque ela lhe faz falta; e a mulher, por sua vez, deseja o homem porque este lhe faz falta; o hidrogênio e o oxigênio se combinam, porque ao oxigênio falta hidrogênio e ao hidrogênio falta o oxigênio. Tudo se move devido ao princípio da “insuficiência”. Foi essa a conclusão a que chegou o Sr. Shizuo Dodo. “Este é um princípio incontestável. Eu descobri a verdade sobre o universo”, assim pensou ele. Mas, certo dia, ele conheceu minha filosofia do Jisso (Jisso = mundo perfeito e absoluto de Deus), segundo a qual “o homem se move segundo o princípio da suficiência”.

Este ponto de vista é completamente oposto ao do Sr. Shizuo. Como já dissemos, a sua teoria era a de que tudo, tanto o homem como as coisas, movimentam-se devido à falta de algo. Mas, segundo a filosofia do Jisso, todas as coisas e todos os homens se movimentam para manifestar o seu aspecto original, que já é completo. Expliquemos: Entre os leitores, deve haver muitas pessoas que gostam de fumar. Quem tem vontade de fumar são certamente aqueles que possuem no seu interior (na sua mente) o gosto do fumo, pois uma pessoa que não conhece o gosto do fumo não sente o desejo de fumar. Portanto, é válido pensarmos que o fato de desejarmos uma determinada coisa significa que nós já possuímos essa coisa. Em outras palavras, nós sentimos o desejo de obtê-la porque ainda não se manifestou diante de nós o que é nosso originariamente. Por exemplo, a mulher deseja o homem e o homem deseja a mulher, porque ambos sabem, intuitivamente, que a sua “outra metade” existe em algum lugar. O objeto do nosso desejo já existe, e é por isso que nós o buscamos.

Buscamos o caminho da salvação e de Deus através da religião. Sentimos o desejo de nos religarmos com Deus justamente porque no âmago do nosso ser temos a consciência de que “originariamente somos divinos”.

Um eminente sacerdote budista chamado Kobo escreveu em sua obra Sokushin-Jôbutsu-Gui: “Todas as criaturas já se acham no estado de Buda; contudo não se apercebem disso”. Com isso ele quer dizer que todos os seres, apesar de serem originariamente filhos de Deus perfeitos, ignoram essa verdade. Simplesmente não percebem. Basta que eles percebam o seguinte: “Eu já sou um ser búdico, já sou perfeito. A ilusão já não existe, o pecado já não existe; já sou perfeito e completo; já sou filho de Deus, filho de Buda”.

Pode-se dizer Deus ou Buda, pois a essência é a mesma. Buda significa “libertação”. Na sutra do NIRVANA está escrito: “No libertar-se consiste o estado de Buda”. Libertar-se significa soltar as amarras, isto é, tornar-se livres de todas as restrições. Quando o homem se liberta de todas as restrições e desaparecem todos os “nós” que o amarravam, manifesta-se uma situação de total desembaraço, como se tivesse sido aberto o embrulho que encobria o diamante. Esse estado de total liberdade é o estado de Buda.

O homem, apesar de ser originariamente “Filho de Deus” e totalmente livre, sente-se preso. O que o prende, porém, não é uma força externa; se ele está preso, é por causa de suas próprias algemas, isto é, ele mesmo se amarra. Isso se parece a um pesadelo. Sonhamos, por exemplo, que um ente diabólico está sobre o nosso peito, oprimindo-nos com força terrível, sentimo-nos sufocados e tentamos desesperadamente afastá-lo de nós, mas não o conseguimos. Quando chegamos ao ponto de não suportarmos mais o seu peso, nós acordamos. Percebemos, então, que não há diabo algum e que aquilo que apertava nosso peito era apenas nossos braços. Nós próprios estávamos comprimindo nosso peito, com toda força. O mesmo acontece com o homem, que se auto-limita. Apesar de ter, originariamente, dentro de si, a Vida de Deus Todo Poderoso, o homem a mantém encoberta porque não percebe a sua própria natureza divina e se considera simples massa feita de matéria, um ser fraco e insignificante, sujeito a doenças. Com esse pensamento, ele está sufocando a Vida de Deus que há em seu interior. O que mantém preso o homem não é o “diabo”, mas sim seus próprios “braços”, os “braços da mente”.

A força que aqui foi comparada ao “diabo” do pesadelo não é uma força externa; é a força que existe dentro do próprio homem. Quando o homem dirige essa força para fora e aplica-a livremente no mundo exterior, ele é capaz de realizar qualquer obra. Prendendo a si próprio com tal força, ele diminui a sua própria capacidade. A isso chamamos “ilusão”. Esse emprego negativo da mente é que prende a vida do homem. Isso é também chamado de “tsumi” (pecado). A palavra tsumi originou-se de “tsutsumu” (encobrir). Na verdade, não existe uma ‘coisa’ chamada pecado. Acontece apenas que o homem encobre o seu Jisso, o seu Aspecto Real, e não o manifesta. O homem sendo originariamente Filho de Deus, é completamente livre; ele não é um corpo carnal, não é uma insignificante massa feita de matéria, atacada por micróbios ou atingida por calamidades. Contudo, se esquece disso e, pensando ser real o aspecto visto pelos olhos da carne, julga-se massa feita de matéria, um mero corpo carnal. Ao pensar assim, ele está encobrindo e prendendo a si mesmo. Isto é “tsumi” (pecado).

Mas quando despertamos para a consciência de que o homem não é matéria nem corpo carnal, mas sim um ser espiritual inteiramente livre, diz-se que chegamos à compreensão da Verdade. Em outras palavras, quando ocorre esse despertar, desfaz-se o envoltório que encobria o nosso Jisso. A palavra “desfazer” ou “desatar-se”, em japonês, é “hodokeru”, de onde vem a palavra “hotoke” (Buda). Assim, quando se desfaz o “embrulho” ou “envoltório”, nós alcançamos o estado búdico, isto é, tornamo-nos completamente livres. Todavia, mesmo que se desfizesse o envoltório, se o seu conteúdo fosse um monte de quinquilharias, apareceriam apenas quinquilharias. Mas quando o homem desperta espiritualmente e desfaz o seu “envoltório”, ele passa a apresentar o estado de Buda, torna-se totalmente livre. Isto quer dizer que sob o “envoltório” está originariamente o seu Jisso, o seu aspecto real, a Vida de Deus.

Voltemos àquele exemplo do pesadelo mencionado antes, no qual o “diabo” procura nos esmagar. Despertando sobressaltados, vemos que eram os nossos próprios braços que apertavam nosso peito. Podemos comparar esses “braços” ao envoltório que encobre o Jisso. Quando abrimos os olhos do espírito e retiramos os “braços” que nos mantinham presos, começa a emanar uma grande força que há originariamente dentro de nós. Então, nada mais poderá nos prender. Ocorrendo o despertar, o homem descobre que é perfeito desde o princípio e que nada lhe falta. Tudo isto o Sr. Shizuo Dodo ficou sabendo através da leitura A Verdade da Vida (uma coleção espiritual de livros publicados pelo fundador da Seicho-no-Ie).

Transformando-se a mente, transformam-se também o corpo e o meio ambiente. Assim, a esposa do Sr. Shizuo, que até então não concebia apesar dos vários tratamentos feitos, concebeu e deu à luz uma linda criança. Também mudou sua atitude em relação ao dinheiro. Até então, por mais dinheiro que o Sr. Shizuo ganhasse, ela reclamava dizendo que era insuficiente. Mas depois que o Sr. Shizuo leu o livro A Verdade da Vida, sua esposa deixou de reclamar. O casal passou a ter a vida de abundância quando obteve satisfação espiritual através da filosofia que afirma: “Todas as coisas que o homem busca, na verdade já lhe estão dadas”. O nosso estado físico, o ambiente que nos cerca, as circunstâncias nas quais vivemos, as nossas condições financeiras, enfim, tudo é reflexo de nossa mente. Quando a nossa mente enriquece, também os nossos bens materiais se tornam abundantes. No seu Jisso (Aspecto Real), todas as coisas estão completas e são suficientes desde o princípio.

É exatamente por isso que sentimos o desejo de obter isto ou aquilo, para manifestar esse Jisso suficiente também no aspecto fenomênico. Como já foi dito, se queremos uma coisa, é porque essa coisa já existe. O Sr. Shizuo chegou à compreensão dessa verdade.

Vocês são filhos de Deus e já possuem dentro de si todas as coisas. Basta que vocês as exteriorizem, e isto equivale a “dar, em primeiro lugar”. Quando as pessoas exteriorizam o que já possuem dentro de si, tudo passa a mover-se favoravelmente: Nasce o filho tão esperado, aumentam as riquezas, e tudo se harmoniza.


(Masaharu Taniguchi)

sábado, maio 10, 2008

LEI DE SUPRIMENTO (Joel S. Goldsmith)

Joel S. Goldsmith



Por nenhum momento iríamos pensar em construir uma casa sem termos compreendido: As leis de projeto, escavação, edificação, etc., bem como as leis locais de zoneamento e de saúde. Não tentaríamos ganhar uma causa no tribunal, a menos que conhecêssemos a lei que a regula; e, tampouco iríamos tentar navegar sem o conhecimento das leis de navegação. Entretanto, tentamos resolver nossos problemas de suprimento individual; tentamos demonstrar a disponibilidade e abundância de suprimento sem o devido reconhecimento das leis que o governam.

Muitos ignoram a existência dessas leis e crêem que uma cega fé em algum Deus ou Poder é suficiente para manifestar a operação do bem na experiência individual. No plano do Absoluto não há nenhuma necessidade de se resolver o problema do suprimento. Nele nada é requerido, pois a substância espiritual é onipresente e inexistem tempo e espaço em que o suprimento esteja ausente. Enquanto não atingirmos esta Consciência, a Consciência crística, teremos de preparar o nosso destino em conformidade com a lei das escrituras, encontrada nos textos sagrados de todos os povos. Nosso primeiro passo é o reconhecimento de nosso ser verdadeiro-nosso relacionamento com Deus.

Compreendendo Deus como a Consciência divina única universal, e o homem como a expressão individual desta Consciência, descobrimos que TUDO QUE É DO PAI É MEU, isto é, tudo o que está incorporado a Consciência universal está incorporado à consciência individual, por elas serem uma. Assim, quaisquer coisas ou idéias de que necessitemos já são partes integrantes de nossa consciência, e se desdobrarão à percepção humana tão logo nos familiarizemos com a lei e passemos a aplicá-la. "Conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará" desta ilusão de que o que você busca encontra-se separado e apartado de você. Deverá haver o entendimento de que o universo inteiro está incorporado à Mente divina; e, em vista de esta ser a nossa única mente, todas as coisas já estão dentro de nós. Em conseqüência, jamais somos dependentes de alguma pessoa, lugar ou condição para coisa alguma! Portanto, nosso passo seguinte é abandonar toda dependência a pessoas, posições ou investimentos para o nosso suprimento.

A princípio, isto parece ser um disparate, já que as coisas do Espírito são loucuras para os homens. "Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus porque lhe parece loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente." ( I Cor. 2:14. ).

Um negócio ou uma posição podem parecer constituir o presente canal de nosso suprimento. Nossos alunos ou pacientes podem aparentar ser nossos únicos canais. Donas-de-casa podem acreditar que seus maridos ou filhos sejam seus canais de suprimento. MAS NADA DISSO É VERDADEIRO. Como Deus, a Consciência divina, é a FONTE, então esta exata Consciência é o canal de suprimento; e, de fato, é o SUPRIMENTO em si. Procure sempre se afastar de suas noções pré-concebidas sobre este assunto, Reconheça que todas as coisas estão incorporadas à infinita Consciência eterna; e então, SAIBA QUE ESTA CONSCIÊNCIA É A SUA!

Tendo se libertado de toda dependência a fontes e recursos materiais e humanos, você perceberá o bem continuamente se desdobrando em sua experiência humana, na forma de bem que a cada momento lhe estiver sendo requerido. Enquanto caminha rumo a esta Consciência superior, obedeça a duas recomendações importantes dadas pelas Escrituras: "Levarás à casa do Senhor, teu Deus, as primícias dos frutos da tua terra." ( Exodus 23:19.) A forma disso ser feito deverá ser como nos ensinou o Profeta Hebreu: "E esta pedra, que erigi em padrão, será chamada casa de Deus; e de todas as coisas que me deres te oferecerei ( ó Senhor ) o dízimo." ( Gen. 28:22.) Após reconhecermos que tudo que existe pertence a Deus, a Mente universal, pomos de lado uma pequena mas definida parte de tudo recebido individualmente, recirculando-a no Universal, ou seja, fazemos uso desta parcela sem a vincularmos com as despesas usuais ou pessoais. Podemos doá-la a alguma causa comunitária ou de caridade, podemos exprimir gratidão a um instrutor ou praticista espiritual, mas, seja como for, esta parcela deverá ser dedicada a serviço de Deus, o bem, independente da manutenção própria ou familiar. E ela deverá se constituir das "primícias" dos frutos-e não uma parte daquilo que sobrou de nossa receita. Deverá ser tirada da mesma tão logo a recebamos, de modo que possamos, nós mesmos, fazer o equilíbrio e confiar que "Deus dará o aumento".

Nossa obediência a estes princípios nos dará condição de provar que "quando todas as fontes materiais estão secas, Tua plenitude permanece a mesma." Quando relaxamos a mente consciente das tensões e lutas, e permitimos que o bem flua através de nossa consciência espiritual, descobrimos que não precisamos temer o que o homem mortal possa nos dar ou sonegar. Repousamos na firme convicção de que "Do Senhor é a terra e a sua plenitude", e de que TUDO que é do Pai é MEU; tudo o que existe no Universal está se desdobrando para o individual. Chegamos agora àquela que talvez seja a suprema lei espiritual da Bíblia, a nós revelada por Jesus Cristo. Na Oração do Senhor, podemos ler: "E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores." Eis o ponto em que você pode pôr suas próprias limitações em suas demonstrações do bem. Na proporção em que você perdoa, receberá as bênçãos do Infinito. Podemos perdoar aos que nos devem somas de dinheiro, e àqueles que têm para conosco dívidas de amor, gratidão, reconhecimento, ou mesmo dívidas de cortesia de família ou amigos. Mas devemos perdoar. Devemos viver num constante estado de bênçãos. Este é o perdão verdadeiro que nos liberta das obrigações mortais e materiais.

Há algum tempo, fui procurado por um homem muito necessitado de dinheiro, sem emprego e sem fonte de renda Contou-me que um de seus amigos lhe devia uma soma de dinheiro que o tiraria da dificuldade, e perguntou-me: "Como fará para que eu possa receber esta dívida?" Disse-lhe que perdoasse tanto o homem como a dívida. Não que lhe escrevesse cancelando a dívida, já que esta era problema de seu amigo, mas que o perdoasse mentalmente, e caso ela nunca fosse paga, que não pensasse mais nela, nem pensasse maldosamente a respeito do chamado devedor. "Tire-o de seu pensamento como se ele não existisse, e deixe o Princípio divino abrir seus canais de suprimento." Ele percebeu o ponto e se voltou deste único canal visível possível de suprimento para o Não-visto infinito. Exatamente na semana seguinte, ele recebeu dinheiro suficiente para mantê-lo por duas semanas, e, ao término da segunda semana, foi novamente chamado ao seu próprio emprego, de que havia sido desligado por vários anos.


quarta-feira, maio 07, 2008

A Origem da Idéia de Pecado (Seicho-No-Ie)

Masaharu Taniguchi


Desde que Adão cometeu o pecado original (que constitui o “primeiro encobrimento da natureza divina do homem”), a idéia de pecado está arraigada nas camadas profundas da mente de todo homem carnal. Dos primórdios da humanidade até os dias atuais, existiram somente duas pessoas que tiveram, desde o princípio, a consciência de serem isentos de pecado. Um deles foi Sakyamuni (Buda), que, segundo as escrituras budistas, tão logo nasceu declarou “No céu e na terra, sou o ser supremo!”, e imediatamente caminhou sete passos. O outro foi Jesus Cristo, que chamou a si mesmo de “filho Unigênito de Deus”.

Mas, agora, também conscientizei que sou isento de pecado e que a “humanidade toda é isenta de pecado”, e estou convicto de que transmitir essa Verdade para toda a humanidade é o único caminho correto para conduzi-la à salvação.

Por que ocorre a idéia de pecado no ser humano, que é originariamente isento de pecado e impurezas? A idéia de pecado ocorre justamente porque nós, seres humanos, sabemos que originariamente somos isentos de pecado. Um cego de nascença, que nunca em sua vida viu a luz, não tem noção da treva, mesmo estando na treva. Um sapo que nasceu e cresceu num poço estreito e nunca conheceu a liberdade não sentirá a falta de liberdade mesmo que permaneça naquele espaço exíguo.

Numa história de terror intitulado O Monstro da Ilha, o escritor japonês Edogawa Rampo narra a vida de dois seres humanos que, tendo sido levados a uma ilha deserta quando eram ainda bebês e submetidos a uma operação que consistiu em unir toda a extensão das costas de ambos e torná-los um “monstro de duas cabeças, quatro braços e quatro pernas”, ali cresceram e viveram confinados. Como nunca tiveram contato com outras pessoas, eles pensavam que esse corpo incômodo de “duas cabeças, quatro braços e quatro pernas” fosse o aspecto normal de todo ser humano. Mas um dia, tendo visto o aspecto livre de seres humanos normais, com uma cabeça dois braços e duas pernas, compreenderam pela primeira vez que seu aspecto grotesco não era o verdadeiro aspecto do ser humano, e passaram a sentir profundo sofrimento.

Assim é a idéia de pecado. A conscientização de não estar manifestando o aspecto original perfeito é que constitui a consciência de pecado. Podemos dizer que a consciência de pecado é o gemido da alma do ser humano que busca, sofregamente, exprimir o seu aspecto original perfeito e livre.

Comparemos nosso aspecto original à brasa: cobrindo-se as brasas com poeira, lixo etc., levanta-se fumaça. Essa fumaça é comparável à consciência de pecado do ser humano. Não havendo brasa no braseiro, não se forma fumaça; e mesmo havendo brasa, se ela não for coberta por elementos tais como poeira, lixo etc., não se forma fumaça. Todavia, a brasa em si não constitui a fumaça, e também os elementos como poeira ou lixo, em si, não constituem a fumaça. O que forma a fumaça é o processo em que a brasa procura avivar-se, queimando os elementos indesejáveis que a cobrem. O mesmo ocorre conosco. Nossa Imagem Verdadeira, em si, é isenta de pecados e ilusões. Portanto, a consciência de pecado não existe no nosso verdadeiro “eu”, do mesmo modo que a fumaça não existe na brasa em si. Contudo, quando a nossa Imagem Verdadeira fica encoberta por ilusões, surge em nós a consciência de pecado para que essas ilusões sejam extinguidas. A fumaça é uma forma de manifestação do poder calorífico da brasa, ou seja, é o processo em que a brasa procura queimar os elementos indesejáveis que a cobrem. Se o poder calorífico da brasa for muito fraco, não se formará fumaça, mesmo que a brasa esteja coberta de poeira.

Analogamente, se a Imagem Verdadeira de nossa Vida estiver profundamente adormecida, não surgirá em nós a consciência de pecado. Se o poder calorífico da brasa for muito grande, o lixo que estiver em torno dela queimar-se-á num instante, sem que ocorra a formação de fumaça. Do mesmo modo, se a Imagem Verdadeira de nossa vida estiver completamente desperta, as eventuais ilusões serão instantaneamente extinguidas, sem que surja em nós a consciência de pecado, e nossa vida se iluminará completamente.

A religião tem a finalidade de avivar a força latente da Imagem Verdadeira da Vida, que é como o poder calorífico da brasa. Quando o poder calorífico da brasa se intensifica, a poeira, o lixo etc., que estão ao redor dela, queimam-se provocando muita fumaça. É compreensível que muitas religiões procurem avivar nas pessoas a consciência de pecado, no intuito de conduzi-las à salvação. Mas, como foi explicado acima, a consciência de pecado é como fumaça, e provocar a formação de fumaça sem se importar com a brasa em si é inverter a ordem das coisas. A fumaça, o dióxido de carbono etc. são uma espécie de gás tóxico. E, quando eles se formam em grande quantidade num ambiente fechado, podem apagar a brasa. O mesmo se pode dizer acerca da consciência de pecado do ser humano.

Muitos religiosos pregam que o ser humano é uma criatura insignificante, um pecador, um ser cheio de perversidade e pecados, por pensarem que, provocando nas pessoas a consciência de pecado – que corresponde à fumaça –, estão ajudando-as a avivarem suas “chamas da Vida”. Para avivar a “chama da Vida” não precisamos provocar o surgimento da fumaça chamada consciência de pecado. Se fizermos com que todos os lixos e poeiras da mente se queimem de uma só vez, a “chama da Vida” passará, imediatamente, a arder com grande intensidade.

Para fazer com que as poeiras e os lixos da mente – as ilusões – queimem-se de uma só vez e a “chama da Vida” passe a brilhar intensamente, é imprescindível procedermos a um eficiente arejamento da mente. Que significa arejar a mente? Significa expulsar de nossa mente todos os gases nocivos e, em troca, absorver oxigênio. Quando aumenta dentro da mente a fumaça chamada consciência de pecado, a “chama da Vida” poderá ou transformar-se numa chama intensa ou acabar sufocada. Se a oxigenação da mente não for eficiente, a fumaça se tornará densa, sufocando a “chama da Vida”; mas, se o arejamento da mente for eficiente, todas as poeiras e lixos da mente se queimarão rapidamente, transformando-se em chama ardente que alumia o mundo.

Mas em que consiste esse arejamento da mente que nos possibilita expulsar a fumaça chamada consciência de pecado? Consiste na conscientização da Imagem Verdadeira da Vida; consiste em compreender que o nosso verdadeiro Eu não é tenebroso como uma fumaça negra, como imaginávamos; consiste em compreender que o pecado não constitui o nosso verdadeiro eu, do mesmo modo que a fumaça não é o fogo em si, e deixar que a fumaça chamada consciência de pecado dissipe por si mesma. Se até agora a fumaça chamada consciência de pecado não se dissipava e continuava a nos envolver, era porque nós próprios a mantínhamos conosco, criando uma cortina mental que prendia a idéia de que o pecado faz parte de nós. Essa cortina impedia que a consciência de pecado se dissipasse da nossa mente. Ao despertarmos para a Verdade de que o homem é originariamente Deus, desfaz-se a cortina mental que nos mantinha envoltos no pecado. Então, volvendo-nos exclusivamente para a nossa Imagem Verdadeira, que é Deus, passamos a ter a mente sempre positiva, alegre e bem arejada. Nossa alma, que estava voltada para o lado do pecado e das ilusões, dá meia-volta e passa a contemplar a Imagem Verdadeira da Vida, que é Deus – a isso se chama de conversão da alma.

Porém, para volvermos a mente para a Imagem Verdadeira da nossa vida, que é Deus, é necessário que tenhamos aversão ao pecado. Aquele que confunde o seu aspecto pecador com a sua Imagem Verdadeira, que confunde o defeito com a virtude e que concede a si mesmo um leviano autoperdão, pensando “Tenho pecados, mas não faz mal”, está confundindo o seu verdadeiro Eu com o seu falso eu. Se surge fumaça de um lugar, é sinal de que ali há fogo; todavia, não devemos confundir a fumaça com o fogo. Não devemos pensar que a fumaça é o fogo em si. Da mesma forma, não devemos ter a presunção de que nosso aspecto pecador é o nosso aspecto original de filho de Deus. Para avivar o fogo, é preciso expulsar a fumaça. As pessoas não suportam a fumaça. Por isso, quando a fogueira faz muita fumaça, trazem um abano e agitam-no para expulsá-la. Então, a chama se aviva e passa a arder intensamente. O mesmo acontece com o ser humano, quando se intensifica a consciência de pecado.

Se por um lado existem pessoas que são dominadas pela consciência de pecado e não conseguem reagir, por outro lado existem aquelas que possuem acesa na alma a consciência de filho de Deus, e, no caso dessas pessoas, quando a aversão ao pecado chega ao auge, desencadeia-se a conversão e sua alma começa a arder repentina e intensamente, produzindo uma grande chama religiosa. Por que uns sucumbem à consciência de pecado, outros, pelo contrário, reagem a ela e fazem arder em suas almas a imensa chama de fé e alegria? As pessoas que mantêm em seu íntimo, como se fosse uma brasa inextinguível, a firme convicção de que sua Imagem Verdadeira é filha de Deus conseguem reagir à consciência de pecado e fazer arder uma grande chama em sua alma. Mas aquelas cuja convicção de filha de Deus é fraca como uma brasa prestes a se apagar são dominadas pela fumaça chamada consciência de pecado, têm a chama de sua Vida sufocada por essa fumaça e, em desespero, acabam sucumbindo. Portanto, os religiosos, cuja missão é salvar as almas humanas, precisam agir com sabedoria ao lidarem com a consciência de pecado das pessoas.

(Do livro 'A Verdade da Vida', vol. 13 - págs. 96 a 102)



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segunda-feira, maio 05, 2008

Carta De Joel S. Goldsmith a Seu Filho Sammy

Segue um trecho da carta de Joel S. Goldsmith, considerado o místico do século, ao seu filho Sammy, quando este se ausentou do lar, do Hawai, para cursar a universidade na América...




"Ofereço-te aqui, Sammy, uma lição importante, não só para um dia, mas suficiente para toda tua existência, se a praticares fielmente -- ainda que não recebesses nenhuma outra de mim ou de qualquer instrutor espiritual. Se a gravares no íntimo, ainda que ficasses só num deserto ou num barquinho, no meio do oceano, sem qualquer pessoa ou livro por perto, poderias sobreviver, encontrando salvação e segurança, alimento e vestuário, paz e tudo o mais que te fosse necessário. Quero revelar-te o segredo de minha felicidade, alegria, êxito, prosperidade e capacidade de servir a crianças e adultos ao redor do mundo inteiro, como sabes.

Desejo que conheças este segredo, para que possas agir como eu. Em primeiro lugar, quando defrontares algum problema, seja de saúde, estudos, desentendimentos com os colegas ou mestres, retira-te a um lugar tranqüilo, senta-te com os pés no chão e mãos descansando nas coxas, fecha os olhos e lembra-te de que Deus está mais perto do que tua respiração: mais próximo do que teus pés e mãos. Ele está exatamente onde estiveres. Aquieta-te por um momento e Deus resolverá teu problema.Pode parecer estranho que não tenhas, pelo menos mentalmente, de expor teu caso a Deus, de não pedir-Lhe nada e nem fazeres qualquer afirmação. No entanto, basta fechar os olhos, aquietar-te por um momento e saber que Deus está bem perto de ti: no centro de teu ser.

Depois, sem ansiedade ou pressa, espera alguns minutos. O Espírito, Ele mesmo, se incumbirá de tudo. Se for um problema ou fórmula que não entendes, Ele te esclarecerá, como sucedeu uma vez aqui em casa, em que pediste ajuda em matemática: sentamo-nos e meditamos e quando voltaste ao livro, encontraste a resposta plena, como se a tivessem escrito ali para ti. Sempre que tiveres alguma dificuldade, pára o que estavas fazendo e conscientiza Deus exatamente ali onde estás, em teu íntimo. Espera alguns minutos e verás que Ele é a Inteligência de teu ser e sabe porque O estás procurando.

Não receies: de bom grado Ele sempre te responderá, se estiveres "ligado". Se Lhe perderes a sintonia, não poderás receber ajuda. Isto é compreensível. Digamos que estivesses aqui perto de mim, recebendo instrução espiritual. Se te distraísses, pensando em outra coisa ou saísses a passear, como poderia receber a lição que eu tinha a oferecer-te gostosamente? Como pai humano, bem gostaria de oferecer-te cada segredo espiritual que possuo, como dou dinheiro quando dele necessitas. Mas não lhos poderei dar, se não estiveres receptivo e atento.

A mesma coisa se dá em nossa relação com Deus: temos que dar-Lhe plena atenção, amor, obediência e gratidão. Não é propriamente amar um Deus que não vês, senão amá-Lo nos colegas e professores com quem convives. Ainda que Deus esteja em teu íntimo, só Lhe podes receber a graça se tiveres amor, júbilo e respeito, em tua mente, em teu coração e em tua alma. Cada pessoa é responsável por si mesma. Não há um Deus sentado no céu a olhar e julgar os que estão aqui em baixo. A Consciência divina está em nosso íntimo e sabe tudo o que pensamos, sentimos, falamos e fazemos, atraindo imediatamente de fora tudo o que mandamos para lá. Portanto, o amor e respeito que exprimes aos outros, logo os recebes de volta.

Mas, tudo isto ainda é pouco. Mesmo que sejas humanamente bom em todos os sentidos, estás simplesmente cumprindo os Dez Mandamentos. Agora te estou instruindo a cumprir o Sermão da Montanha, pois o Caminho espiritual é uma revelação mais alta: diz que não precisas de falar com Deus, senão apenas reservar pequenos períodos, durante o dia e à noite, para ouvi-Lo dentro de ti.

Mesmo que não ouças literalmente uma voz, ao abrir os ouvidos a Deus e silenciar por um minuto ou dois, permitir-me-ás encher o vácuo que formaste internamente. Atenta bem para o que deves fazer, para formar este vazio expectante: logo ao acordar senta-te confortavelmente, pés no chão, braços apoiados relaxadamente nas coxas, olhos fechados, sintonizando o Cristo interno em silêncio, escutando o íntimo por alguns minutos. Em seguida, lembra-te de que o dia que se estende diante de ti será governado e protegido por Deus. Serás então mantido e inspirado por Ele, porque abriste, anelante e conscientemente, tua consciência à Presença e Direção de Deus.

Mas se não fizeres cada manhã, fielmente, teu contato com Deus, o teu encontro com o mundo será como de um ser humano comum, sujeito a todas as surpresas e desencontros da vida, sem a assistência divina. Em tua idade atual, com o preparo que já recebeste aqui, estás apto a quatro pequenos exercícios diários: de manhã cedo, ao meio-dia, ao anoitecer e antes de dormir. Sentado, relaxado e quieto, podes dedicar dois minutos de cada vez a Deus. Inicialmente, para facilitar, podes mentalmente dizer: "Aqui estou, Pai. Fala que teu filho escuta. Desejo fazer a Tua vontade". Em seguida, aquieta-te.

Se fores fiel nesta prática, garanto que tua vida na universidade e de modo geral, será um sucesso e ainda mais do que isso: uma bênção. Estarás preparando os fundamentos para uma vida inteiramente governada por Deus.Procure estar em harmonia com teus colegas em tudo que seja bom. Se te convidarem a cerimônias religiosas, sugiro que os acompanhes. Entra em cada templo com a mente aberta, agradecendo à oportunidade de aquietar e ouvir a "pequenina e silenciosa voz". Não te esqueças de que a sintonia com Deus é mais importante que o ritual. A união com os colegas no que seja construtivo suscita o bem, embora o verdadeiro bem te venha porque reconheces a graça e a glória de Deus em tudo e em todos.

A coisa mais importante que desejo sublinhar-te é que, em qualquer instante do dia ou da noite, Deus é instantaneamente acessível. Basta que O sintonizes e ouças. Enfatizo este ponto para que compreendas que não precisas falar, de fazer afirmações ou lembrar a Deus tuas necessidades. O segredo que recebi é que Deus, como Inteligência infinita, já conhece tuas necessidades, antes mesmo de Lhas pedires. Ele vê nosso íntimo quando Lho abrimos em atitude receptiva e confiante. Não é por nosso falar ou pensar, pois o Mestre ensinou: "não vos preocupeis por vossa vida, pelo que tendes de comer: nem por vosso corpo, pelo que tendes de vestir. Vosso Pai sabe que necessitais destas coisas. É do bom agrado dEle dar-vos todas elas". Compreendes, Sammy? É do agrado do Pai dar-te o Reino!

Deus não te castiga quando te arrependes sinceramente do erro ou pecado que acaso cometas. No instante em que reconheces que não agiste bem, estás perdoado. Não carregarás a penalidade quando em teu coração vibra o reconhecimento do mal que fizeste e te arrependeres. Mas deves compreender que ao reconhecer as falhas, não deves repeti-las. Caso contrário, perderás a sintonia com a graça divina. Tu mesmo é que te cortas dela. Quando isto acontecer, procura reatar com a graça, reconhecendo verdadeiramente: "Sei que errei!" Ou talvez: "Não sei se agi erradamente, mas se o fiz, ajuda-me a compreender e limpa isto de mim, Pai. Não tive má intenção. Não quero fazer o mal. Ao contrário, desejo fazer aos outros o que gostaria que me fizessem". Dessa maneira te purificas.

Tenho-me curado de diversas enfermidades, pedindo simplesmente a Deus perdão por meus pecados. É claro que meus pecados não são graves. Conheces nosso modo de viver. Mas sempre que cedemos à crítica e condenação, não estamos amando e perdoando suficientemente. Assim, é recomendável que nos voltemos de vez em quando e digamos: "Reconheço, Pai, que não estou agindo perfeitamente. Perdoa meus pecados. Limpa as minhas transgressões, para eu começar tudo de novo". Grava bem, Sammy, a mais importante lição que me foi dada: "que o lugar em que estás é solo santo", ou seja, Deus está exatamente onde estás, disponível, no instante em que páras de pensar, de falar e de te identificar com as coisas externas, e te voltas ao íntimo, reconhecendo-Lhe o Poder e a graça. Conscientiza o Espírito de Deus em ti e, em seguida, relaxa-te por um ou dois minutos, deixando que Ele Se manifeste. Isto é tudo.

Todo o nosso propósito é de levar as pessoas à realização da onipresença de Deus e sua constante disponibilidade; de nos dirigir a Ele sem pensamento nem palavras: basta a humildade de sentar-nos (ou mesmo em pé ou deitado), fechar os olhos e reconhecer: "Eu, de mim mesmo, nada posso. O Pai, em mim, é Quem faz as obras. Fala, Senhor, que teu filho escuta". Em seguida, aguardar um ou dois minutos em silêncio expectante, antes de levantar e prosseguir as tarefas. Se aprenderes a praticar corretamente este exercício quatro vezes ao dia, como lhe estou sugerindo, não demorará muito para que o faças mais vezes ao dia, para teu inteiro benefício."


quarta-feira, abril 30, 2008

A Elevação da Consciência (Fim)

Joel S. Goldsmith



A MENSAGEM DA VERDADE

Embora as declarações da verdade não sejam de tão grande valia, torna-se importante, porém, que haja um correto conhecimento da letra da verdade. Tudo que é preciso ser sabido, em termos da mensagem da verdade, e que é também necessário, para que você utilize no tratamento, pode se resumir nos parágrafos seguintes:

1. DEUS: Nós sempre iniciamos com Deus. Qual é a natureza e a característica de Deus? Deus é infinita inteligência. Deus é vida, e a vida é imortal e eterna. Deus é Espírito, incorpóreo, e portanto o universo todo é incorpóreo e espiritual, formado da divina substância do ser. Deus é princípio ou lei; portanto, tudo que existe no mundo está sujeito à lei divina e sob o governo da lei divina. Deus é a vida do indivíduo, a mente e a Alma do indivíduo, o princípio ou lei do indivíduo, e Deus é a substância do indivíduo. Deus é inclusive a substância do corpo do indivíduo, uma vez que "o corpo é o templo do Deus Vivo" (I Cor. 3;16).

2. A NATUREZA DO SER INDIVIDUAL: Tudo que Deus é, o ser individual é, seja eu, você, ou qualquer outro indivíduo. Tudo que Deus possui, eu possuo. "Filho, todas as minhas coisas são tuas" (Lucas 15; 31). Você não é um pedacinho de Deus: toda a inteligência de Deus é a sua inteligência individual; toda a vida eterna e imortal de Deus é seu ser e vida eterna e imortal. Todo o Espírito e substância de Deus é a substância espiritual de seu corpo, seu negócio e seu lar. Tudo que Deus é, você é. Tudo que Deus tem, você tem. Como "eu e o Pai somos um", e não dois, este "um" inclui Deus e eu -- Deus e você. Tudo se acha incluso neste "um". E, nessa "unidade", tudo que Deus é -- tudo que Deus tem -- está manifestado neste "um", que eu sou e que você é.

3. A NATUREZA DA ILUSÃO: A ilusão não passa de uma sugestão universal vinda ao seu pensamento. É a crença do mundo numa egoidade apartada de Deus. É uma sugestão mesmérica, uma sugestão tão freqüentemente repetida, que age hipnoticamente em sua consciência, fazendo com que creia existir alguém ou alguma condição apartada de Deus. Isso é tudo sobre a ilusão, mesmo que apareça na forma de pecado, doença, morte, ou de pessoa. Tudo que constitui a ilusão é uma crença mesmérica, poderosa, universal, impelindo a si mesma -- impondo a si mesma -- sobre a sua consciência. Se ela conseguir que sua consciência diga: "Estou passando mal", ela ganha o dia e você se mostrará doente. Se, em vez disso, você instantaneamente reconhecer: "Nenhuma destas sugestões pode atingir-me. Não aceito nenhuma delas em minha consciência como poder; portanto, eu não tenho de expulsá-las", você terá dado um "tratamento".

Se você incluir estes três fatores em seu tratamento -- a) a natureza de Deus, b) a natureza do ser individual como Deus manifestado , e c) a natureza da ilusão como sugestão -- isto será tudo a fazer com qualquer discórdia que lhe possa aparecer. Estes três pontos constituem o todo da mensagem da verdade, embora ela possa ser estabelecida de várias maneiras diferentes. Mas, é tudo que você tem a incluir em seu tratamento.

Se apenas a mensagem correta da verdade fosse todo o necessário para curar o mundo, poderíamos dispensar todos os livros e escritos de natureza metafísica, pois, nos poucos parágrafos anteriores, estabelecemos breve e completamente toda a verdade do ser, não sendo necessário mais nada a esse respeito. Porém, uma coisa mais é necessária! E esta coisa a mais é a sua convicção da verdade -- não a sua declaração, mas a sua convicção dela, sua resposta interior a ela, sua consciência real dela.


VIVER A VERDADE

Como você poderá ter a consciência de que Deus é amor, estando em dissenção ou com ódio de alguém? Você não poderá ter desarmonias familiares e, ao mesmo tempo, ter uma consciência de cura, pois isso seria demonstrar na própria vida que você não acredita que Deus é amor ou que você é o amor expresso. Do mesmo modo, você não poderá crer que Deus é o suprimento infinito, enquanto permanecer desonesto em seus negócios. Se sua vida não estiver em harmonia com as declarações que você faz, não espere delas qualquer resultado espiritual. Você não poderá dizer: "Deus é verdade, e toda a verdade que Deus é, eu sou", e viver uma vida de desonestidade. O seu pensamento de que Deus é a verdade não fará com que se torne assim. Somente quando você estiver convencido de que Deus é seu suprimento, é que Deus realmente se tornará a atividade onipotente de sua renda e de sua segurança. Não mais agiremos na maldade nem na desonestidade a partir do momento em que assimilarmos a idéia de que Deus é amor e que "tudo que Deus é, eu sou".

Precisamos obter a consciência destas declarações. Lembre-se do que lhe tenho dito: "Não empregue em demasia a palavra Deus, até que saiba realmente do que está falando". Às vezes, a maneira com que as palavras Deus e Cristo são empregadas, é profana. Uma delas seria quan
do ouvimos certas pessoas blasfemarem, pois, de uma consciência como a delas, poderíamos talvez esperar um pouco mais. Muitos que saem falando sobre Deus, ou Cristo, nunca O viram ou sentiram, e não sabem do que estão falando. Certamente, eles não O vivem. É um pecado apresentar a sua consciência como a veste do Cristo, e não vivê-la. De fato, tal pecado destrói o seu poder de cura.

Certifiquemo-nos de que não estamos usando a Verdade, mas que estamos vivendo a Verdade. Jesus não tinha que dar um tratamento. As pessoas vinham à sua consciência, tocavam sua Veste, e eram curadas. Por quê? Não havia hostilidade no estado de consciência que Jesus possuía, embora houvesse, algumas vezes, indignação com relação às pessoas que se diziam espirituais, mas que viviam uma mentira.

Sua consciência será uma consciência curadora quando houver concordância entre o fato de que Deus é amor, que o amor é seu próprio ser, e que Deus é a verdade, e a verdade da natureza de vida que você está vivendo.

Convença-se de sua identidade como vida eterna, e a doença e morte desaparecerão em seu próprio nada. Evite os esforços para modificar o quadro exterior. Faça melhor, dirigindo seus esforços no sentido de realizar a verdade, o amor e a vida como sendo a natureza própria do seu ser.

A Elevação da Consciência - 02

Joel S. Goldsmith



O TRATAMENTO É UM AUTOTRATAMENTO

Nosso objetivo é nos tornarmos um com a lei de Deus, não reconhecendo nem mesmo um corpo físico saudável, mas somente um corpo puramente espiritual. Anteriormente, se uma pessoa nos ligasse, dizendo: "Eu estou com dor de cabeça", ou "Eu estou doente", nós nos sentávamos imediatamente para realizar algum trabalho para corrigir aquilo; mas agora, nesta nova consciência que estamos operando, em absoluto agimos daquela forma. Simplesmente permanecemos sentados, sentindo conscientemente a presença de Deus, comungando com o Infinito, e deixando a harmonia espiritual se manifestar.

Como se pode observar, neste novo e moderno método de tratamento, o curador resolve o caso de seu paciente dando a si mesmo o tratamento.

O curador diz: "Espere um pouco! Que tipo de sugestão é esta que me chega, de uma egoidade apartada de Deus, de um ser humano com dor, em pecado ou com doença? Não posso aceitar isso! Não permitirei que minha mente seja manipulada por tal crença! Conheço a verdade de que Deus é a realidade, a substância e a lei de todo o ser". O curador dá a si mesmo esse tratamento, até que se sinta capaz de dizer: "Estou convencido!" Ele não toca nem atinge o pensamento do paciente. Mas, graças à unidade, o paciente sente o tratamento. Ele sente a verdade fluindo por ele, a mesma verdade presente na consciência do curador. Ele sente a Verdade em Si, tocando a sua consciência, e responde a ela.

Quando eu o vejo com meus olhos, não estarei, de fato, vendo você; estarei vendo o meu conceito sobre você, e o conceito universal sobre você; estou vendo um conceito sobre você, ou um senso finito. Tentar consertar o que vejo, seria como tirar uma foto sua e esparramar um pouco de tinta aqui e ali. Aquilo somente poderia melhorar a foto, mas nunca iria tocá-lo nem modificá-lo.

De nada adiantaria ficarmos falando a respeito deste conceito referente a você, pois, ele nada tem a ver com você, que é invisível à mente humana. Você está oculto atrás de seus olhos, e ninguém consegue vê-lo. A única coisa sobre você, e que pode ser vista, é o conceito construído pelo mundo a seu respeito, e este não é você. Você é consciência espiritual e jamais foi visto. Você não pode ser visto nem tocado. Você é pura consciência.

Entretanto, você pode ser discernido em momentos de iluminação espiritual, naquele santuário que é o "templo de Deus", que Eu Sou. Nele, fico face a face com Deus, e posso conhecê-lo como você é. E disto resulta a cura, uma cura através do discernimento espiritual, mas nunca através dos cinco sentidos físicos.

Não há função em declararmos: "Não existe guerra, depressão ou acidente", numa tentativa de afastar estes males, ou ficar na vã esperança de eliminá-los. Nosso esforço está no sentido de atingir uma unidade consciente com Deus, e deixar que esta realização nos conduza através de toda guerra, depressão ou acidente que possam aparecer no mundo da ilusão. No ponto em que nos tornamos "um com Deus", em que ficamos em sintonia com este Poder infinito, torna-se possível, à totalidade dessa presença e poder de Deus, Se estender sobre uma comunidade ou nação, e eliminar algumas das condições errôneas.


"CONCILIA-TE COM TEU ADVERSÁRIO"

Não permita, contudo, que seu pensamento saia numa tentativa de curar o mundo. Isto seria apenas tentar mudar o quadro de um sonho, pois, a guerra, a depressão e os acidentes não são realidades. Não empregue sua mente, seu pensamento ou seus poderes espirituais para tentar corrigir uma ilusão. Torne-se um com Deus; e então, permaneça neste patamar da consciência. Faça isso quantas vezes puder, durante o dia, e quantas vezes puder, durante a noite. Consiga a percepção da presença de Deus. Logo a ilusão se dissipará. Deixe esta compreensão revelar a natureza ilusória daquilo que aparece como guerra, depressão ou acidente. Pare de olhar a ilusão para tentar acabar mentalmente com a sua "existência"! Absorva o significado de "Concilia-te com teu adversário"(Mateus;5; 25). Conciliar-se com seu adversário significa não lutar nem tentar mudar o quadro mortal. Significa assimilar, imediatamente, que ele não é realidade. Isto é a sua conciliação.

Jesus não negou a crucificação e nem afirmou audivelmente: "Eu não temo Pilatos". Ele não reteve a ilusão da crucificação nem tampouco "afirmou a liberdade". Deixou de lado a crucificação e a liberdade, e declarou ser Deus o único poder atuante na consciência do homem, até mesmo na de Pilatos. "Nenhum poder terias contra mim, se de cima te não fosse dado" (João 19; 11).

Jesus não pediu a Deus para "protegê-lo" do poder de Pilatos. Concordou que Pilatos tinha poder, mas, que era o poder de Deus dado a ele. Você pode ver a diferença? Temos, aqui, um novo e mais elevado conceito de tratamento e de vida. Jesus não negou que Judas fosse traí-lo. Ele provou, na verdade, que a traição não era um poder ou uma realidade. Ele não negou falta e limitação quando, para alimentar cinco mil pessoas, dispunha somente de alguns pães e peixes. Ergueu sua consciência acima daquele cenário e reconheceu a presença de Deus, a presença da Totalidade, e Ela alimentou a multidão. Jesus olhou para o alto e agradeceu ao Pai, pois, aquilo significava a presença de Deus. Como Deus é ser infinito, ele agradecia a Deus pela infinidade de pães e de peixes.

Nunca use a sua compreensão voltada para mudar, alterar, corrigir, melhorar ou curar o cenário humano. Conscientize a totalidade de Deus e dê testemunho desta Totalidade Se manifestando como plenitude. Como conscientizar esta Totalidade? No momento em que você elevar o seu pensamento a Deus, você o terá elevado à Infinidade. Não existe tal coisa como limitação, uma vez que tenha erguido o seu pensamento à Consciência que é Deus. Tampouco existirá a matéria, o pecado, a doença ou a discórdia. Somente à medida de sua capacidade de olhar e contemplar a face de Deus, é que você verá que é tudo emanado de Deus é bem: vida eterna, Espírito imortal, realidade divina, paz, alegria, poder e domínio.

terça-feira, abril 29, 2008

A Elevação da Consciência - 01

Joel S. Goldsmith


Somente um conhecimento das palavras desta mensagem, não terá valor. O real valor está na realização espiritual, acompanhada de cura. "Pelos frutos os conhecereis". Ser capaz de decorar e falar sobre O Caminho Infinito, sem que se consiga realizar um razoável grau de trabalho de cura, atende a um objetivo muito pequeno. Já há muitos livros escritos e impressos, e, conforme as Escrituras, existe muita conversa sobre a verdade. Os que permanecem neste trabalho devem ser quem tenha demonstrado alguma medida de realização, que não tenha receio, quando solicitados a prestar auxílio, e que possa fazer manifestar as curas.

O mundo não precisa de mais ensinamentos: precisa de mais curas. O nosso ministério continuará sendo um ministério de cura, desde que os seus integrantes assimilem o suficiente da verdade que promove a cura. Algum dia, as pessoas poderão ler livros de O Caminho Infinito, fazer pregações ou falar deles, e, ao serem interrogadas sobre a cura, responder: "Ah, aquilo ocorria quando o Joel Goldsmith estava aqui!" Isto é o que quero evitar. Desejo que cada um desenvolva uma visão espiritual que lhe permita prosseguir e fazer o mesmo.

Já há tanta leitura espiritual em sua Bíblia, que nenhuma palavra minha seria necessária. O Evangelho de João é o bastante. Nenhum outro livro é necessário. Se puder assimilar a visão espiritual ali contida, não irá precisar de nenhum livro de metafísica. É o texto mais espiritual do conhecimento humano. A verdade nele revelada é o suficiente para todos os ministérios de cura que possam surgir frente às necessidades humanas. Porém, os artigos modernos, por virem numa linguagem de nossos dias, ajudam a esclarecer aqueles textos antigos. Por esse motivo, nosso estudo e prática são facilitados pela utilização de interpretações mais recentes.

Quando cito somente aqueles que se tornam ativos neste trabalho, aqueles desejosos de serem chamados para curar, estou querendo dizer que nossa intenção é sermos realizadores, e não simplesmente uma geração de pregadores a mais. Ninguém deve empurrar o trabalho de cura para outro colega. Cada um precisa aceitar a responsabilidade pela cura. O trabalho de cura não é reservado a praticistas. A cura é para toda e qualquer pessoa realizar: "Fareis as obras que faço, e as fareis maiores do que estas". Todo aquele que se devotar a este ensinamento, receberá uma resposta espiritual de seu interior. E logo descobrirá que o desenvolvimento do trabalho de cura se dará em escala maior quando ele, ao ser chamado, rapidamente disser: "Sim!", sem que pare a fim de pensar. Por quê? É que isto será um indicativo de sua compreensão de que não é o ser humano, ou o entendimento humano, quem cura, e sim o "Eu", a identidade espiritual, que pode curar e irá fazê-lo.

No instante em que você disser não ter lido ou estudado o bastante para curar, estará assumindo ou alegando que a cura é feita por um ser humano. Naturalmente, como ser humano, você é incapaz de curar, mesmo que, de memória, soubesse recitar todos os livros de cura já escritos. Mas, se a sua ajuda for solicitada, e você rapidamente responder com: "Certamente!", esta atitude já será o seu reconhecimento de que a ilusão é nada, e que você não tem de curá-la.

Qual é todo o segredo do trabalho de cura? Possuir um poder sobre a ilusão? Ou seria saber que a doença não é um poder? Este não é um ensinamento que nos diz sermos capazes de dominar o pecado, a doença e a morte por meio de algum milagre que nos é concedido. É um ensinamento que não reconhece realidade alguma em pecado, doença e morte. Estes são ilusões que nos vêm enganando por termos acreditado serem reais.

Permitimo-nos ficar atemorizados frente à morte causada por micróbios, infecção e contágio, apesar de nossos mais de setenta anos de metafísica, que nos provaram não haver nenhuma verdade ou poder em tais coisas. Nossos praticistas vão a casas em que estes males estão presentes, e raramente, muito raramente, eles são curados.

Nosso ensinamento não possui um método secreto de combate ao "grande poder" chamado "ilusão". Antes, possui uma compreensão de que aquilo é puro nada! O grau dessa nossa compreensão é que irá determinar o grau de nosso temor à doença. Quando alguém solicitar a sua ajuda, não tema em dizer: "Certamente! Irei ajudá-lo!". A única compreensão requerida para tal resposta é a compreensão da irrealidade daquilo que se mostra como pecado, doença, morte, escassez ou limitação.


CONVERTA-SE, E VIVA

Estamos modificando todo o nosso conceito sobre o objetivo de nosso estudo e de nossa vida na verdade. Não estamos empregando nossa compreensão da verdade para mudar o quadro humano à nossa idéia de como achamos que ele deveria ser. Não estamos olhando para alguém para decidir se ele deveria ser mais saudável, mais rico, ou se deveria estar ou não empregado. Quando um problema nos é trazido, nosso método ou forma de trabalhar não é tentar demonstrar algo segundo aquilo que o paciente julga que devêssemos fazer, o que, aliás, aconteceria, às vezes, de somente lhe acarretar sofrimentos e arrependimento.

Nós não julgamos pelas aparências. "Julgamos segundo a reta justiça". Assim, se olhamos o mundo humano e vemos nele preparativos para a guerra, não faz parte de nosso trabalho ficar orando para que guerra alguma aconteça. "Aquilo que o homem semear, isto também colherá". As escrituras orientais dão a isto o nome de lei do carma. Significa que as suas ações de hoje, isto é, sua conduta e seu modo de pensar de hoje, resultarão em certo estado de fatos do amanhã. Em filosofia, isso é chamado de causa e efeito. Nas antigas escrituras hebraicas, era dito do seguinte modo: "Antes tenho visto que os que praticam a iniqüidade, e semeiam dores, estas é que segam".

Pense agora num local repleto de pessoas, que se reunem e se consagram à verdade, ao amor e à paz. E então, se puder, tente imaginar um conflito -- uma guerra -- entre elas. Seria possível ao ódio, à inveja, ao medo, progredir onde as pessoas estivessem reunidas em "Meu nome"? Não, não seria. Existiria muito mais amor, muito mais do Cristo, muito mais paz no coração, Alma e consciência de tais pessoas, o que tornaria o conflito algo impossível e inimaginável.

Invertamos o quadro: suponhamos que a discussão prosseguisse, e uma pessoa quisesse o trabalho da outra, alguém mais desejasse o dinheiro do outro, e uma terceira pretendesse ocupar a posição social de alguém. Se eu fosse uma testemunha daquilo, diga-me: que tipo de prece deveria fazer para livrá-los de tal insensatez? Haveria alguma prece que pudesse ser feita? É isto o que vem ocorrendo nos assuntos do mundo. "Aquilo que o homem semear, isso também colherá".

Mas existe um modo de escaparmos desta lei "como você semear", e este modo é o seguinte: "Convertei-vos a mim de todo o vosso coração". Esta maneira está em reedificar; prevê uma mudança de consciência. Não faz diferença alguma que tipo de pecador você esteve sendo há um mês, ou de quais tipos de pecados de omissão ou de comissão você seja culpado, desde que você tenha abandonado tudo aquilo e esteja, agora, deixando que somente a paz, o amor e a divina Consciência permaneçam ativos. Seu passado foi abandonado, e não há nenhuma conseqüência dele. "Converta-se, e viva" (Ezequiel 33; 11).

Analogamente, se todas as nações dissessem: "Temos feito as coisas erradamente; devemos parar com toda trapaça e passar às ações justas, decentes e honestas"; assim, todos os pecados do passado se dissipariam. As pessoas venceriam todos os pecados de que fossem culpadas. Derrotariam o antigo padrão, e suas vidas seriam vividas em conformidade com as mudanças do coração. Iriam, então, receber o efeito de uma nova causa que estariam pondo em ação, a qual estaria reformulada, enquanto a antiga ficaria verdadeiramente eliminada.

Assim, o nosso trabalho não consiste em permanecermos sentados, em prece, desejando a não vinda da guerra. Em primeiro lugar, preces desse tipo se baseiam na crença de que os acontecimentos do universo humano são reais, o que não é verdade. Tanto faz a aparência ser de guerra ou de paz, ela é uma ilusão. O mesmo ocorre ao vermos um ser humano com o corpo saudável, enquanto um outro se apresenta com o corpo doentio. Em ambos os casos, trata-se de uma ilusão.

terça-feira, abril 15, 2008

Sabedorias do Caminho Infinito (fim)

Joel S. Goldsmith


*Para um estudante adiantado: "Tu já chegaste ao lugar de onde se conhece toda a verdade que pode ser conhecida, compreendida ou humanamente aceita. Deves agora atingir um ponto mais alto para que a Verdade te se revele pelos meios espirituais -- sem os meios de comunicação humanos".

*Por que Almas avançadas, e mesmo praticantes e mestres, experimentam ainda doenças e outros problemas? A consciência mortal ou material que ainda reste neles, em qualquer nível, se manifesta. Não há consciência sem expressão, e mesmo o menor resquício de consciência humana que restar se expressará como a humana dicotomia de bem e mal. Esta é a lei. Ambos ficam ali, lado a lado, e, à medida que se desenvolve a consciência espiritual, cada vez mais é desarraigado o sentido material. Mesmo a Ressureição nos traz um sentido material de corpo, com todas as marcas do erro humano. A pura espiritualidade é revelada na Ascensão.

*Pelo caminho espiritual, muitos chegam a lugares áridos -- desertos, inóspitos -- e crêem que foram abandonados por Deus. e, com frequência, parece mesmo que o Cristo os abandonou. E é nesse momento que o buscador espiritual deve se lembrar daquilo que ainda não alcançou, que aquilo que pensava ser a plena realização da Verdade, o Cristo ou Deus, não era ainda a plenitude do Espírito. Esta experiência do deserto revela que ele deve continuar no seu esforço, pois que a Luz, quando se mostrar em sua plenitude, lhe dirá "nunca te dexarei, nem te abandonarei". Lembremos de que tais discórdias e desarmonias são aparentes, só tem sentido humano. A visão espiritual vê através -- vê a Realidade.

*A fé não diz respeito ao passado ou ao futuro. A fé é uma atividade que ocorre no presente -- agora, só agora!

*A fé é uma atividade da consciência, assim como a integridade. A fé está sempre presente em nós, mesmo que, como a integridade, possa estar adormecida. O conhecimento e a aceitação da onipresença da fé como atividade da consciência individual, permite o início de seu fluxo rumo aos efeitos visíveis.

*A fé é uma qualidade de Deus, não do homem; mas, como qualidade divina, está presente em toda sua plenitude.

*Não espere que o poder de Deus atue no sonho, mas, antes, que desfaça o sonho.

*Não busque contato com Deus para que Ele ajuste, mude ou sane o sonho. A conscientização ou compreensão de Deus desfaz o sonho.

*Perceber que estamos agindo em sonho é o começo do despertar.

*A verdadeira não resistência é a capacidade de não esperar que Deus atue no sonho. Isto não significa que devamos viver sem Deus mas, ao contrário, que tenhamos nossa vida eternamente em Deus.

*Se abster de procurar a ajuda de Deus é viver na realidade.

*Não mais buscar a Deus, nem mais procurar Sua ajuda é acordar do sonho para a realidade.

*Sempre que houver um sentido de necessidade de Deus, estaremos agindo em sonho.

*Deus não é um poder no sentido de poder sobre o mal, sobre o pecado, a doença e a morte. Deus não é poder em qualquer sentido que envolva luta, isto é, superação e destruição.

*Deus é vida. Deus é amor. Deus É. Nada, fora disso, é. Só Deus É.

*Não esteja preocupado com seu relacionamento com as pessoas. Mantenha, conscientemente, sua relação com Deus, e isso cuidará de tudo o mais.

*Mantenha a percepção de sua relação com Deus sagrada e secreta. Esta relação, mantida no segredo e no silêncio, aparece externamente como relacionamentos humanos harmoniosos.

*Deus é a ligação entre você e seus irmãos e irmãs das famílias humana, animal, vegetal e mineral.

*Quando o pensamento divaga sobre pessoas, lugares ou coisas, estamos agindo em sonho.

*Quando nosso pensamento converge para a contemplação espiritual, cada pessoa, lugar ou coissa se torna deleite espiritual.

*Os dois grandes Mandamentos são lei cósmica: não terás outro Deus ou outro Poder; amarás o teu próximo como a ti mesmo. Lança o teu pão às águas.

*"Pois pela força homem nenhum prevalecerá... O Senhor se vingará de seus adversários."

*As coisas que percebemos com os cinco sentidos são objetos da mente, não têm relação com a Verdade.

*Todas as aparências são objetos dos sentidos - não de Deus, ou da Verdade.

*Tudo o que é testemunhado objetivamente deve ser entendido como imagem mental ou como projeção da mente -- nunca como realidade espiritual.

*A realidade é imanente à formação de idéias pelos sentidos, mas só é percebida pela consciência espiritual.

*O mundo dos sentidos -- e a experiência humana -- ocorre no tempo e no espaço, e isso em si já exclui que seja de natureza espiritual.

*O universo do Espírito, da Verdade, de Deus, é uma atividade na eternidade. Assim entendido, nascimento, doença, ou morte nunca ocorreram. Em qualquer caso, quando defrontados com aparência de vida humana -- mesmo bons seres humanos ou condições --, lembremos de que isto não é a verdade, mas uma imagem mental no pensamento, sem realidade, lei, substância, causa ou efeito. "Olhemos", pois, mais profundamente dentro da consciência e observemos aquilo que é -- eternidade --, mesmo naquilo que se mostra como passado, presente ou futuro.

*Se algo ocorre no tempo e no espaço, não aceite pelo valor da aparência, mas busque mais profundamente no reino da Alma.




Sabedorias do Caminho Infinito - 04

Joel S. Goldsmith



*Aqui chegaste à grande experiência: a compreensão e a obtenção da Minha paz, do Meu vinho, do Meu pão - a Substância invisível e infinita, Lei e Causa.

*Ó minha criança! A bênção lhe pertence como a Minha paz desce sobre você te envolve e te sustenta!

*Sabemos agora o significado das palavras "Nunca te deixarei, nem te abandonarei". Sabemos agora que o repouso é encontrado no Espírito -- e repouso que as harmonias "deste mundo" são incapazes de nos dar. "Paz, paz, esteja tranquilo."

*Papai Noel Deus! O motivo de todo desejo ser pecado é que o desejo se fundamenta no conceito de um Deus que dá ou que retém. O desejo também se baseia na aceitação da idéia de que algo, alguém ou algum lugar não possa ser Deus.

*Uma vez que só Deus É, e é onipresença, a oração, a verdadeira prece, é um estado de consciência, uma comunhão consciente em união.

*Estive imerso em desgosto -- tão profundo que por dentro me senti despedaçado -- e, estupefato, perguntei: "Por que, Senhor, por que?". Da profundeza da minha dor veio a resposta: é a incapacidade do mundo de receber e seguir o Cristo; é Sua rejeição por parte daqueles que esperávamos tivessem o dom da visão; é a escuridão e a crassa ignorância do pensamento humano. E tudo isso -- esta rejeição e esta opacidade -- recai sobre mim. Dai-me a Graça de elevar-me acima deste sofrimento.

*A Luz brilha. A Palavra revela que, quando as pedras de tropeço já não são necessárias, elas são removidas. Nós não precisamos removê-las, mudá-las ou empurrá-las -- elas serão removidas quando não forem mais necessárias.

*Obrigado, Pai, pelo Amor.

*A verdade, como é entendida e descrita, não é a Verdade, exceto "em Deus". Quando alcançamos a conscientização da vida em Deus, aí somos de fato divinos, espirituais e governados por Deus.

*A verdade espiritual não é válida para o que é humano, mas para o Espírito e para seu universo. O estado humano é como uma hipnose, e só quando esta ilusão se desfaz é que temos a vida em Deus.

*Só podemos alcançar a compreensão da perfeição, da totalidade, e da unidade "em Deus".

*Só atingimos o nosso alvo quando abandonamos todos os conceitos de Verdade, e isso só se dá com a Graça.

*Despindo todos os conceitos sobre Vida, Verdade e Amor, estaremos em Deus".

*A vida além do túmulo não tem relação alguma com a imortalidade; seria apenas a sobrevivência da personalidade. E esta personalidade morre - ela deve morrer, quer deste como do outro lado do túmulo - para que a imortalidade possa ser atingida. O Eu imortal é sempre presente, mesmo que esteja revestido pela personalidade, e é revelado e vivido só na proporção em que a personalidade, ou o ego humano, desaparece.