quinta-feira, setembro 01, 2011

"Ética de Valor Eterno" da Imagem Verdadeira - 1/3


Masaharu Taniguchi


Dentre todas as questões que fazem vibrar a alma humana, a mais importante é a seguinte:" Qual é o objetivo da nossa vida?" Naturalmente, existem muitas pessoas que não se importam com isso. Tais pessoas vivem exclusivamente no mundo dos sentidos e pensam, vagamente: "O ser humano é corpo carnal; portanto, para ser feliz, basta conseguir prazeres materiais". Porém, quando percebem que o fim de sua existência neste mundo está próximo e vêem-se prestes a ser despojadas do corpo carnal, elas volvem seus pensamentos ao passado, e deixam escapar um longo suspiro de tristeza, pensando: "Para quê serviu minha existência? Que fiz em toda a minha vida? Nada! Nada que tivesse valor real e eterno!" Diante do iminente desaparecimento do elemento material chamado corpo carnal, é natural que elas busquem a continuação de alguma coisa que não seja matéria e que tenha valor eterno. Mas, como elas passaram a vida inteira perseguindo apenas os prazeres do mundo da matéria e dos sentidos, não criaram, em toda a sua existência, coisa alguma de real valor, "que transcendesse a matéria e permanecesse para sempre". Portanto, essas pessoas que nada criaram durante toda a sua existência, só poderão esperar um futuro vazio e sombrio. Creio que entre os leitores não há quem queira que seu futuro seja vazio e sombrio como o dessas pessoas.

Em síntese, a verdadeira finalidade do ser humano nesta vida consiste em manifestar neste mundo a Vida de Deus, ou seja, em viver de modo a manifestar Deus neste mundo. A música é manifestação concreta da Vida eterna que palpita no músico. Da mesma forma, nosso modo de vida deve ser a manifestação concreta da Vida eterna de Deus. O homem tem de ser um "ser divino", no verdadeiro sentido, e, como tal, viver uma "vida divina".

Essa vida tem valor eterno somente quando a vivemos em plena harmonia com o "Ser de Valor Eterno", que é Deus. A "Ética da Seicho-No-Ie" é, em suma, um "princípio de orientação para se viver uma vida de de Valor Eterno". Ela nos ensina o que devemos fazer para manifestarmos a Vida de Deus neste mundo, isto é, como devemos viver para "projetar" corretamente em nossa vida o Ser de Valor Eterno.


A COSMOVISÃO MATERIALISTA E A COSMOVISÃO ESPIRITUALISTA

Desde a Antiguidade, sempre existiram dois modos de ver o mundo: a visão materialista e a visão espiritualista. Segundo a visão materialista, este mundo é formado pelo agrupamento causal de diversos elementos materiais sem nenhuma conexão entre si, e não um mundo criado com um objetivo claro e definido, e coordenado por uma inteligência superior. Portanto, aquele que têm a visão materialista de mundo, pensam que nós, seres humanos, surgimos casualmente, passamos por muitas vicissitudes, sofremos, afligimo-nos, e morremos, também casualmente. As pessoas que pensam assim chegam inevitavelmente à conclusão de que "esta vida não tem sentido, não existe uma vida de 'Valor Eterno'". Então, elas passam a encarar a vida com pessimismo e perdem o ânimo de viver. Passam a levar uma vida vazia, sem nenhum objetivo, como se caminhassem tateando no escuro. Começa assim o comportamento autodestrutivo e decadente.

A contrário destas, as pessoas que têm visão espiritualista do mundo reconhecem, de um modo ou de outro, que o Universo está em movimento porque há alguma razão e finalidade para isso. Reconhecem que este mundo não é um agrupamento causal e desordenado de matérias que se atraem ou se repelem, mas sim um Universo regido por um força superior (ou forças superiores, segundo alguns). Cabe, aqui, esclarecer que existem diversas espécies de "visão espiritualista do mundo": (1) O "espiritualismo pluralista", segundo o qual este mundo é regido por várias forças; (2) o "espiritualismo dualista", que reconhece a existência de duas forças antagônicas - a "Força do Bem", que pertence a Deus, e a "força do mal", que pertence a Satanás; (3) o "espiritualismo monista" como aquele preconizado por Schopenhauer, segundo o qual este mundo é dirigido por uma força cega, isto é, pela cega vontade de viver; e (4) o "espiritualismo monista da Seicho-No-Ie", que admite a existência única de Deus e do Mundo da Imagem Verdadeira, o qual será explicado mais adiante.

A vida de cada pessoa poder ser feliz ou infeliz, dependendo da sua visão de mundo.


O ESPIRITUALISMO PLURALISTA

A visão do mundo baseado no "espiritualismo pluralista" é aquela em que a pessoa admite a existência de mais de um Deus governando o Universo. Segundo essa visão de mundo, haveria diversos Deuses governando isoladamente seus respectivos domínios neste mundo, cada qual à sua maneira e com seu próprio objetivo. É essa visão do mundo a principal responsável pelas rivalidades entre as religiões. Muitas pessoas, em vez de reconhecerem que Deus é um só, pensam que existem diversos Deuses, tais como: as divindades do budismo, os Deuses do Oriente, os Deuses do Ocidente, o Deus do Cristianismo, o Deus do Maometismo, o Deus da seita Tenri, o Deus da seita Oomoto, o Deus da seita Kurosumi, o Deus da seita Fusô, etc. Por exemplo, se são xintoístas, pensam assim: "Reverenciar o Deus do cristanismo seria pecar contra o 'nosso' Deus"; se são adeptos da seita Tenri, pensam: "Reverenciar o Deus da seita Konko seria pecar contra o 'nosso' Deus", e assim por diante. Estão, pois, em constante rivalidade, cada qual defendendo o território do "seu" Deus. As pessoas que têm essa visão do mundo pensam que um adepto a mais na sua religião é um palmo a mais que alarga os domínios de "seu" Deus. Por isso, empenham-se seriamente em coisas fúteis como disputar adeptos, ou seja, "trazer para seu rebanho as ovelhas de outras pastagens".

Essas pessoas não compreendem, ou melhor, ainda não alcançaram a compreensão de que "o pinheiro está vivendo à sua maneira, a Vida de Deus; assim como a cerejeira está vivendo, à sua maneira, a Vida do mesmo Deus." Do mesmo modo, o cristianismo está vivendo, à sua maneira, a Vida de Deus, assim como a seita Tenri (ou qualquer outra religião) está vivendo, à sua maneira, a Vida do mesmo Deus. Não compreendem isso, e pensam que somente numa determinada religião (ou seja, naquela à qual elas pertencem) está presente o Deus verdadeiro. E isso é como pensar que somente uma determinada árvore - o pinheiro, por exemplo -, seja uma árvore realmente viva. Da mesma forma que existe vida tanto no pinheiro como na cerejeira ou em qualquer outra planta, a Verdade e a Vida estão presentes tanto no cristianismo como no budismo, no xintoísmo e noutras religiões.

Todavia, assim como existem árvores vivas e árvores mortas, também existem religiões vivas e religiões mortas. Dependendo de cada pessoa, a sua religião (seja cristã, budista, xintoísta, etc.) poderá ser uma religião viva, que trás dentro de si a Fonte da Vida, ou uma religião morta, que não possui conteúdo (a Fonte da Vida) e mantém apenas a forma externa, tal como uma árvore morta. Da mesma forma que há pinheiros mortos, cerejeiras mortas, etc., também há religiões cristãs, budistas, etc., mortas. Ser uma árvore viva ou morta é algo que diz respeito a cada árvore; a designação geral da espécie (pinheiro, por exemplo) nada tem a ver com isso. Do mesmo modo, ter uma religião viva (uma religião viva que traz em si a Fonte da Vida) ou uma religião morta, depende da atitude espiritual de cada pessoa, e não do nome da religião em que se acredita.

A religião de uma pessoa que alcançou a compreensão da Imagem Verdadeira é uma religião viva, seja qual for a sua denominação. Por isso dizemos que uma mesma religião pode ser considerada "viva" ou "morta", dependendo de cada adepto.

Segundo o espiritualismo pluralista, existem diversos Deuses, das mais variadas seitas, assim como existem diversas espécies de árvores, tais como pinheiros, cerejeiras, etc., e esses Deuses antagonizam-se uns com os outros, cada qual procurando ampliar seu poder. Como vemos, o espiritualismo pluralista admite uma Vida disputando o poder com outras Vidas, uma religião disputando o poder com outras religiões, isto é, admite que este mundo é regido por numerosos dirigentes espirituais, divididos e isolados uns dos outros.

Mas eis que, dentre outras, surge a Seicho-No-Ie, que aceita imparcialmente tanto as religiões cristãs, como as budistas, xintoístas e outras, ensinando que a essência de todas elas é uma só: a Grande Vida, fonte de todas as coisas, a qual vivifica e unifica todas as religiões. Querer forçar os cristãos ou os budistas a se converterem ao xintoísmo, por exemplo, é o mesmo que pretender que os pinheiros e as cerejeiras se transformem em ameixeiras. Isto é decorrente da mente em ilusão, que quer impor uma "igualdade falsa e formal" a todas as coisas. É preciso compreender que qualquer religião é viva e verdadeira quando se atinge a essência da sua doutrina que provém da verdadeira fonte da Vida, assim como qualquer árvore, seja de que espécie for, é uma árvore viva quando nela está presente a Grande Vida, origem de todas as coisas.

Portanto, para encontrar a Verdade, as pessoas não precisam se converter a uma determinada religião. Por isso digo que, para seguir os ensinamentos da Seicho-No-Ie, as pessoas não precisam abandonar sua própria religião, mas sim aprofundar cada vez mais o estudo de sua religião, até chegar à sua essência, que é a verdadeira fonte da Vida. Então, compreenderão que não existe nada que justifique o antagonismo entre as religiões. O que elas encontrarão na essência é a mesma Verdade pregada pela Seicho-No-Ie.

Como vimos, o espiritualismo pluralista consiste em admitir que este mundo é governado por diversas "forças". Mas, o próprio espiritualismo pluralista acaba se tornando espiritualismo monista, quando se reconhece que, embora existam muitas "forças espirituais" controlando o mundo, todas elas se originam de uma única e verdadeira Força que governa o Universo. Um exemplo disso é a visão do mundo do xintoísmo, que acredita na existência de muitos "Deuses", mas admite que eles se originaram de um único Deus.


O ESPIRITUALISMO DUALISTA

O "espiritualismo dualista" admite que este mundo seja governado por duas grandes forças antagônicas - o Bem, representado por Deus, e o mal, representado por Satanás. Acredito que essa visão dualista não seja própria do verdadeiro cristianismo, mas atualmente parece que é a característica de muitos dos cristãos, que pensam mais ou menos assim: "O homem deve lutar constantemente contra o mal e vencê-lo pouco a pouco, pois até mesmo Deus luta contra Satanás. O homem precisa sofrer, pois somente através dos sofrimentos ele consegue o desenvolvimento espiritual. Sofrer é o destino do ser humano". Essa ideia errônea dá origem a uma visão distorcida da vida, que leva a comportamentos negativos como, por exemplo, a auto-destruição. Pode até mesmo criar nas pessoas uma tendência masoquista, de sentir prazer em criar sofrimentos e doenças para si mesmas. Neste mundo, existem pessoas que levam uma vida de constantes sofrimentos, apesar de possuírem profunda fé religiosa. Geralmente, essas pessoas abrigam em seu subconsciente o pensamento de acolher os sofrimentos. Embora sem se dar conta disso, elas estão fazendo surgir infelicidades em suas vidas, pela força do subconsciente. Essa visão do mundo e da vida não é, de modo algum, uma visão positiva e saudável.

Basicamente, a visão do mundo baseada no espiritualismo pluralista e a visão do mundo baseada no espiritualismo dualista (confronto entre Deus e Satanás, o Bem e o mal) consistem em admitir que existem mais de uma força superior governando o mundo, e que essas forças não coexistem em harmonia.

Assim sendo, aqueles que têm uma visão do mundo baseada no espiritualismo dualista ou no espiritualismo pluralista, supõem ser inevitáveis a divergência e o conflito entre a sua própria vontade e a vontade dos outros. Consequentemente, imaginam que terão que passar por muitos sofrimentos e dificuldades para superar tais desacordos e conflitos. E, de acordo com a "lei mental", segundo a qual "Tudo aquilo que se desenha na mente acaba acontecendo", os sofrimentos e dificuldades começam a se manifestar concretamente na vida dessas pessoas. Há pessoas que pensam assim: "Preocupar-se com coisas como 'visão de mundo' ou 'visão de vida' é um passatempo de pessoas desocupadas como os filósofos, por exemplo. Pessoas atarefadas como nós não têm tempo a perder com tais assuntos". Mas isso é um grande engano. A vida de uma pessoa não se torna feliz só pelo fato de trabalhar freneticamente. Se ela não tiver uma visão correta do mundo e da vida, o seu modo de trabalhar poderá estar atraindo sofrimentos, em vez de felicidade. Há pessoas que obtêm resultados negativos (infelicidades) em todas as coisas que fazem. A causa fundamental disso é sempre o fato de elas não possuírem a correta visão do mundo. Portanto, essas pessoas precisam, antes de mais nada, modificar a sua visão de mundo e depois começar a trabalhar com uma nova atitude mental perante a vida. Assim, os seus trabalhos resultarão na concretização da felicidade em suas vidas. Por mais que corramos, não atingiremos a meta se estivermos correndo na direção oposta. Da mesma forma, por mais que trabalhemos, não alcançaremos o objetivo se nossa visão de mundo estiver focalizando o rumo errado. Por isso, corrigir a visão errônea da vida e do mundo é uma providência importantíssima e urgente.

Quando abandonamos tanto a visão pluralista como a dualista e passamos a ter a visão do mundo baseada no espiritualismo monista, alcançamos finalmente a compreensão de que não existem várias forças lutando entre si, mas apenas uma única e grandiosa força governando o mundo todo. Porém, mesmo que uma pessoa admita que o mundo seja governado por uma única força, a sua visão do mundo continuará distorcida se ela acreditar (como Schopenhauer) que essa força é uma "vontade cega". Nesse caso, a pessoa estará admitindo que este mundo é um "mundo malfeito" governado por uma "inteligência caótica e inferior"; ela terá na mente a imagem de um mundo imperfeito, e sua visão do mundo será pessimista, como a de Schopenhauer. Então, conforme a "lei da concretização dos pensamentos", concretizar-se-ão as doenças, as adversidades, a miséria, etc., e sua vida será muito infeliz.

Por isso, admitir apenas que "este mundo é governado por uma única força" nem sempre significa ter a correta visão do mundo. Enquanto não se tem a cosmovisão teísta da Seicho-No-Ie, que se baseia na compreensão de que essa Força Única é Deus, de Infinita Sabedoria, Infinito Amor, Infinita Capacidade e Infinita Harmonia, e que não podem haver imperfeições neste mundo governado e dirigido por Deus "infinitamente" perfeito, não se pode dizer que se tem a correta visão de mundo.

Cont...

(Do livro "A Verdade da Vida, vol. 13", pgs. 65-75)

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