domingo, fevereiro 28, 2010

Explanações sobre o Caminho Infinito - (fim)

Pergunta:

"Uma das mais libertadoras experiências que podem ocorrer a uma pessoa é quando ela apreende o sentido de: "ao Senhor pertence a terra e tudo o que nela se contém." (Salmos 24;1). O conhecimento dessa verdade eliminará o equívoco generalizado a respeito da questão de dízimos..." (Joel S. Goldsmith)

"Só alguns nascem com o instinto espiritual de desejar dar e, como dar não ocorre naturalmente à maioria das pessoas, deve-se ensinar a toda criança não apenas os Dez Mandamentos, mas também que é mais abençoado dar do que receber. Ser obediente aos dez mandamentos não é, porém, de maneira alguma viver a vida espiritual. A retidão do estudante espiritual deve ultrapassar a lei e ser uma realização interior..." (Joel S. Goldsmith)

Questiono sobre o dízimo, aqui. Afinal, como surgiu a imposição do dízimo?! À luz da realização interior, o que vem a ser o dízimo?





Resposta:

A questão do dízimo está relacionada com a lei do "dar e receberás". É uma lei mental que rege não só o mundo fenomênico, mas todo o Universo. Não apenas o Joel Goldsmith, como também os outros grandes instrutores espirituais do mundo, recomenda que vivamos mais pela ação de doar/de dar do que receber. Deus é o Grande doador do Universo, Ele nada quer para si, senão doar completamente o próprio Ser que ele é. Se não fosse assim, não seria válida a verdade pregada pelo Caminho Infinito de que "o nosso ser é Deus", que "Tudo o que é do Pai, é nosso". Isso só é possível porque Deus é o eterno Doador. Somos a "Imagem e semelhança de Deus", por isso, quando alcançamos o verdadeiro modo de viver, passamos a despreocupar mais com relação a nós, e começamos a cuidar mais do "outro". Passamos a amar! Os espiritualmente iluminados sabem que não precisam preocupar-se em cuidarem de si mesmos. Lao-Tsé escreve no Tao Te Ching: "O Sábio não se preocupa com a sua salvação, e por isso a encontra". Ao conhecermos verdadeiramente a Deus, passamos a saber que somos seus filhos, e que somos amados pelo Pai, infinitamente, em todos os sentidos. Não precisamos preocuparmo-nos em cuidar de nós. O Pai se encarregará de fazê-lo. Não precisamos nos preocupar em "receber", "obter" ou "conquistar"... a sabedoria espiritual revela que temos dentro de nós o infinito. "Todas as coisas do Pai são nossas". Podemos viver doando, compartilhando, levando sempre mais e mais o outro em consideração, de modo a vivificá-lo cada vez mais. Isso é viver o amor. Viver o amor significa "abdicar de si mesmo em prol/em benefício do outro". Mas o estranho é que, quanto mais abdicamos de nós mesmos em favor do outro, quanto mais nos doamos - e quanto mais vivificamos o outro -, mais recebemos, mais somos vivificados e maior é a nossa vida. Quando "abrimos mão" de nossa vida, mais vida recebemos! Essa é a lei do "dar e receberás". Não é só uma lei mental. A lei do "Dar", porque diz respeito ao amor, atua em todos os âmbitos: material, mental e espiritual.

E o dízimo está ligado a questão do "dá e receberás". Oferecer o dízimo a Deus não significa ter que tratar com dinheiro. Quem não tem dinheiro, pode oferecer o dízimo a Deus de outras formas, inúmeras - doar uma palavra, um pouco de atenção, ou mesmo um sorriso... tudo isso constitui formas de amar, de doar, de "contribuir" com os nossos "10%". E o que importa não são os atos que praticamos, e sim nossa disposição/vontade/intenção de praticá-los. Quem sorri a uma pessoa apenas superficialmente (com a boca), não está praticando o dízimo. O sorriso deve ser feito com uma intenção sincera. Essa intenção sincera é o que conta. Ela é aquilo que nós estamos oferecendo a Deus. Não estamos oferecendo a Deus dinheiro, um sorriso, uma palavra ou qualquer outra coisa. Estamos oferencendo a Ele o nosso amor, a nossa "intenção sincera de amar". Essa "intenção sincera de amar" é a alma de tudo o que fazemos, e por isso pode assumir a forma de uma caridade, de uma atenção ou de um gesto. Quando essas coisas são praticadas sem a alma, elas se tornam atividades "vazias", então mesmo que você doe grande soma de dinheiro, não terá praticado o dízimo. Como Deus é Amor, Ele vive Sua Vida para "os outros". Se atingirmos o estado de consciência no qual somos "filhos de Deus", feitos à Imagem e semelhança do Pai", nossa vida será vivida da mesma forma que Deus vive a Sua vida. Não precisamos de nada, já temos tudo - só o que nos resta a fazer, então, é fazer o amor circular: distribuindo, compartilhando, amando. Deus ama a tudo e a todos, porque tudo e todos são UM com Ele. Deus vive para todos os seus filhos, porque Ele é a vida de cada um dos filhos que ele tem. Por isso, Deus se doa por inteiro, doa todo o Ser que ele é. Por isso, tudo o que Deus é, nós somos. Por isso, tudo o que Deus tem, nós temos. Porque somos UM. Se Deus é Deus, nós também somos, porque nesse instante recebemos de Deus todo o Ser que Ele próprio é. Não há maior dizimista do que o Pai, que tudo nos doa.

Para finalizar, transcrevo as palavras de Joel Goldsmith acerca do dízimo, nas quais ele explica que o dízimo visa transcender nossas tendências egoístas e egóicas e estabelecer um relacionamento entre nós e o Todo, um relacionamento impessoal, imparcial e universal:

"Depois de algum tempo, em nosso caminho espiritual, devemos começar com uma quantia de cinco ou dez por cento de nossa renda e aprender a gastá-la num sentido universal; aprender a gastá-la em algo que não traga benefício para nós mesmos ou para nossa família - algo que seja universal: para a educação ou para a religião, ou para os filhos daqueles que não podem dar o que eles precisam, ou para os órfãos ou para os idosos. Deve ser por alguma razão impessoal e imparcial. Mais cedo ou mais tarde, ao fazermos isto com cinco ou dez por cento de nossa renda, nos encontraremos fazendo isso com quinze ou vinte por cento. Há pessoas que estão dando oitenta por cento de sua renda para algum propósito impessoal e universal, e ainda estão encontrando o suficiente para eles mesmos e suas famílias.

O amor humano nos instigaria a pegar tudo o que temos e a gastar com as pessoas que amamos. O amor universal nos permite começar, pelo menos num grau pequeno, a ser impessoais e imparciais com o nosso dinheiro. Assim, dizemos que esta riqueza não é nossa, que ela é de Deus e, porque é de Deus, pertence ao mundo, pertence ao mundo dos filhos de Deus.

O amor espiritual nos mostra como ser impessoal e imparcial em nosso amor. Ele nos mostra como a chuva de Deus cai sobre o justo e o injusto. Ele nos mostra como a impessoalidade da palavra de Deus é expressa. Ele nos mostra por que podemos curar os pecadores tão bem como os santos, e que, às vezes, é mais fácil curar pecadores do que santos, porque o santo, via de regra, representa um alto grau de egoísmo. O amor espiritual é muito diferente do amor humano. O amor espiritual transcende o amor humano; todavia, o amor espiritual se manifesta no amor humano. É um mistério e um paradoxo (...)"


"Deus não concede ao homem o Espírito por medida. O Pai ama o Filho, e todas as coisas entregou nas suas mãos." (João 4;34-35)

Um comentário:

  1. "Não há maior dizimista do que o Pai, que tudo nos doa."

    Gostei muito disso. Além de todo o resto. Muito bom esse texto.

    Abraços!

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