sexta-feira, janeiro 22, 2010

Não tente saber sobre Deus


Osho


P: Eu gostaria de poder saber mais a respeito de Deus. Você pode me ajudar, Bhagwan?

Osho: Não há jeito de se saber mais a respeito de Deus. Você pode conhecer Deus, mas você não pode saber mais a respeito de Deus. Saber mais a respeito de Deus não é conhecê-Lo. Saber mais é informação; conhecer Deus é uma dimensão totalmente diferente. Saber a respeito é informação – você pode continuar, sabendo mais e mais a respeito, mas nunca chegará a Deus. Conhecer Deus é totalmente diferente de saber a respeito de Deus.

Você pode saber muito sobre o amor sem conhecer absolutamente o amor. Você pode ir às livrarias, consultar as enciclopédias e coletar toda a informação possível sobre o amor – mas se o amor não aconteceu a você, você não saberá o que é o amor. Você pode coletar todas as histórias sobre o amor – Laila e Majanu, Shiri e Farahad -, pode coletar histórias sobre todos os amantes do mundo; isso também não ajudará. O amor tem que acontecer a você; você tem que se apaixonar. Você tem que se arriscar, tem que jogar tudo – só então você saberá.

Você diz: “Eu gostaria de poder saber mais a respeito de Deus.” Primeira coisa: saber mais não será de muita ajuda. Assim que uma pessoa se torna um estudioso, um pândita – bem-informada. Não estou aqui para ajudá-lo a tornar-se mais bem-informado; você já tem muitas informações. Eu estou aqui para destruir o seu conhecimento, tírá-lo de você. Você tem que aprender como desaprender.

Você diz, ‘que “Eu gostaria”. “Gostaria” é uma coisa muito fraca, que não faz com que ninguém chegue até Deus. Mais insistência, um desejo mais profundo é necessário … um desejo que se torne uma chama em você. Uma fome é necessária; “gostaria” não ajudará. Uma sede é necessária … como se você estivesse perdido no deserto do Saara, e por milhas à sua volta, apenas areia, areia, areia, e um sol ardente, nenhuma gota de água com você, e não se avista nenhum verde, e você está com sede, todo o seu ser está por um fio – a qualquer momento você pode morrer – e a sede aumenta, e você se torna uma chama … nessa sede Deus é possível.

Torne-se sedento. “Gostaria” não é o suficiente; é muito fraco.

Ouvi contar …

Um mendigo faminto parou numa casa de campo e pediu alguma comida. A dona da casa trouxe-lhe alguma coisa, e ele sentou-se na porta dos fundos, deliciando-se com a comida.

Logo que ele sentou, uma pequena galinha ruiva passou correndo, fugindo de um galo que vinha em seu alcanço. O mendigo jogou um pedaço de seu pão para o galo, que parou instantaneamente sua perseguição, e avidamente engoliu o pedaço de pão. “Nossa!” exclamou o mendigo. “Espero que eu nunca fique com tanta fome assim!”

Você tem que estar tremendamente faminto. Não pode ser apenas uma curiosidade. Deus não pode ser um objeto de curiosidade; Deus não pode ser um objeto de seu pequeno desejo. Deus não é a satisfação de uma vontade, não é um sonho seu. Deus tem que ser como uma chama em suas entranhas. Quando você começar a sentir que nada mais importa, quando Deus é a prioridade máxima e você está pronto a sacrificar tudo, quando Deus se torna um desejo tão urgente, absorvente, que até mesmo a vida não tem mais sentido sem Deus – só então você chegará a Ele. E aí, não há necessidade de ninguém que o ajude; seu desejo fará o trabalho.

Nessa sede premente, nessa intensidade, tudo o que é escuro em você desaparece. Nessa chama, tudo o que é inútil é consumido. Você se torna ouro puro.

Deus é a sua realidade, assim como é a minha realidade. Deus é a sua realidade assim como era a de Jesus Cristo ou de Gautama Buda. A diferença é que você ainda não é capaz de separar o joio do trigo; o trigo está em você, mas há muito joio misturado. Num tremendo desejo de conhecer, de ser, o joio é exterminado – e não há outra maneira.

Quando você vai a um Mestre, ele, na verdade, não o ajuda a chegar a Deus: ele o ajuda a se tornar cada vez mais sedento. Ele o ajuda a se tornar cada vez mais intensamente faminto. Ele lhe dá sede e fome; ele lhe dá uma paixão louca pelo impossível.

Um homem veio até Buda e perguntou: “Se eu o seguir, serei capaz de conhecer a verdade?” Buda disse: “Isso não é certo; não posso garanti-lo. Posso garantir apenas uma coisa: eu o tornarei cada vez mais sedento. Então, tudo o mais dependerá de você. Posso transferir minha sede para você, se você estiver pronto para permitir tamanha sede … pois é doloroso. A jornada é dolorosa; todo crescimento é doloroso. Se você permitir que eu crie essa dor em você, a própria dor o purificará. A dor é um processo de purificação.”

Por isso nunca diga que você gostaria de saber a respeito de Deus, nem que gostaria de saber mais. Ou Deus é conhecido ou não é – mais ou menos seria absurdo. Você não pode dividir Deus assim: “Eu sei um pouquinho, alguém sabe um pouco mais, alguém sabe quase a metade e alguém sabe cem por cento.” Deus não pode ser dividido; ou você sabe ou não sabe. E o conhecimento de Deus não é como qualquer outro conhecimento. Não é como o conhecimento científico, que você vai aumentando cada vez mais, como uma progressão que continua e nunca termina. Não é um conhecimento a partir do exterior. O conhecimento de Deus não é bem um conhecimento, é mais como o amor. Você desaparece em seu amado – essa é a única maneira de conhecer. E quanto mais você desaparece em seu amado, mais você sabe que não sabe.

Os maiores conhecedores de Deus sempre dizem que não sabem. Eles são como gotas no oceano: elas caem no oceano e desaparecem, e o oceano cai nelas e desaparece. Então, quem é o conhecedor e quem é o conhecido?

Kabir disse: “Eu estava procurando e procurando e procurando, e então eu me perdi; aí aconteceu o milagre dos milagres. Quando eu não estava mais lá, você estava, bem em frente a mim. E quando eu estava lá, procurando e procurando, você estava tão distante – nem mesmo um vestígio. E agora, olhe… Eu desapareci. Procurando, eu me perdi completamente; toda a minha busca me absorveu, me destruiu completamente. Agora eu não estou mais… e meu Senhor, você está aqui bem à minha frente.”

Kabir disse que aquele que procura nunca alcança o procurado. O homem nunca se defronta com Deus – porque, a menos que você desapareça, ele não pode aparecer; assim, não há ponto de encontro. Quando você está, ele não está; quando ele está, você não está – assim, como você pode afirmar que sabe? Quando você não está – só então ele está. Quando o conhecedor desaparece, o conhecimento aparece; não pode ser apenas a satisfação de uma vontade.

Posso ajudá-lo a se tornar uma chama – sedenta, faminta, ardente; posso dar-lhe a dor. Então todo o resto depende de você – o quanto você entra nessa dor, nesse fogo. Você pode dar um salto, e Deus pode acontecer num momento repentino. Não há necessidade de esperar, nem de adiar. Neste exato momento pode acontecer… se você estiver pronto para entrar totalmente nessa dor.

7 comentários:

  1. Amado Osho...

    Tuas palavras aqui, me tornaram mais sedento, mas desejoso... você jogou lenhas sobre as chamas já acesas de meu interior.

    Sim, hoje estou disposto a tudo para vivenciar Deus, porque ele é a água do meu deserto, ele é a luz para curar minha cegueira e quero saciar a minha sede e quero encontrar a luz que ilumine, que traga a graça, que transforme a vida em bem-aventurança!

    Este blog é uma dádiva, o que posso dizer?

    Muito obrigado, muito obrigado e muito obrigado!

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  2. Mizi...

    O Amor é a essência de nossos seres, porque o amor é a essência Dele. Deus é Amor. (não digo isto por conhecimento próprio ainda).

    Para conhecermos o amor e a Deus, precisamos sim desobstruir todas os bloqueio que nos impedem de sentirmos a presença do amor de Deus...

    Como um ser divido pode amar? Se parte do ser dele condena, odeia, julga e outra parte diz amar? que força terá este amor num ser fragmentado?

    Desta forma o Amor que é algo maior irá fluir através de nós, com toda a sua graça, com todo o seus esplendor...

    Você dizer para alguém, para conhecer Deus, ame é ser muito simplista...

    Eu diria como Osho, primeiro Seja...

    Para amar verdadeiramente você precisa primeiro Ser... Porque na essência do próprio Ser está o amor...

    Primeiro é necessário encontrar o centro deste Ser, porque aí existe paz, e uma paz profunda, capaz de fazer com que a mente silêncie...


    Sim, uma paz que supere toda a compreensão, uma paz que não é deste mundo... Se o Reino dos Céus está dentro de nós, Deus está dentro de nós...

    Então para amar é necessário primeiro Ser...

    Para amar é necessário antes alcançar a paz profunda...

    Aí então o Amor de Deus fluirá para o nosso interior, brotará do nosso interior, teremos amor em abundância...

    E quando o amor for abundante no Ser, quando for abundante em nós, aí vc poderá dizer, ame!

    E como se vc disesse para um mendigo compre uma casa, roupas novas, um carro... quer encontrar uma solução para sua vida, compre!

    Mas como pode um mendigo comprar? comprar realmente seria uma solução eficaz para os seus problemas, mas como poderá ele comprar algo?

    É o mesmo que você dizer para alguém, quer conhecer Deus? Ame!

    Primeiro Seja, primeiro encontre a Paz, neste encontro com o Ser e com a profunda paz o individuo conhecerá o Amor, e ao conhecer o Amor conhecerá a Deus...

    O individuo que já conhece o amor, já conhece a Deus, você está chamando a chave e a porta pelo mesmo nome.

    É esta a compreensão que tenho das palavras do Osho.

    Que a paz esteja convosco!

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  3. Deus é simples. Mas se palavras são necessárias, então direi algumas:

    Não existe amor imperfeito. Ou o Amor é verdadeiro, ou não é amor ainda.

    Amar e Ser é a mesma coisa, porque o Amor é a Suprema Essência. A chave e a porta têm o mesmo nome sim, porque a porta nunca esteve trancada. Se você procurar primeiro ser, então você estará procurando amar. Não há como ser sem antes amar, nem como amar sem antes ser. Não existe um primeiro e um último, porque a verdade é Uma só.

    Quem encontrar um deles, encontrará o outro (e encontrará a plenitude).

    É simplista, mas é a verdade (porque a Verdade é simples).

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  4. Mas eu peço desculpas se pareci um pouco simples demais. Minha intenção não foi desrespeitar ninguém. Só simplifiquei o que o próprio Osho já disse. Essa verdade já nos foi revelada há milênios. Deus sempre esteve presente, e os homens, desde então, já sabem como conhecê-lo (se quiserem se jogar no fogo).


    "Você pode saber muito sobre o amor sem conhecer absolutamente o amor. Você pode ir às livrarias, consultar as enciclopédias e coletar toda a informação possível sobre o amor – mas se o amor não aconteceu a você, você não saberá o que é o amor. Você pode coletar todas as histórias sobre o amor – Laila e Majanu, Shiri e Farahad -, pode coletar histórias sobre todos os amantes do mundo; isso também não ajudará. O amor tem que acontecer a você; você tem que se apaixonar. Você tem que se arriscar, tem que jogar tudo – só então você saberá."


    "Por isso nunca diga que você gostaria de saber a respeito de Deus, nem que gostaria de saber mais. Ou Deus é conhecido ou não é – mais ou menos seria absurdo. Você não pode dividir Deus assim: “Eu sei um pouquinho, alguém sabe um pouco mais, alguém sabe quase a metade e alguém sabe cem por cento.” Deus não pode ser dividido; ou você sabe ou não sabe. E o conhecimento de Deus não é como qualquer outro conhecimento. Não é como o conhecimento científico, que você vai aumentando cada vez mais, como uma progressão que continua e nunca termina. Não é um conhecimento a partir do exterior. O conhecimento de Deus não é bem um conhecimento, é mais como o amor. Você desaparece em seu amado – essa é a única maneira de conhecer. E quanto mais você desaparece em seu amado, mais você sabe que não sabe."


    "Posso ajudá-lo a se tornar uma chama – sedenta, faminta, ardente; posso dar-lhe a dor. Então todo o resto depende de você – o quanto você entra nessa dor, nesse fogo. Você pode dar um salto, e Deus pode acontecer num momento repentino. Não há necessidade de esperar, nem de adiar. Neste exato momento pode acontecer… se você estiver pronto para entrar totalmente nessa dor."


    Mas, sim, eu poderia ter dito igualmente: "quer conhecer Deus? Seja..." Eu teria dito a mesma coisa. Porém, além de simplista eu teria sido obviamente redundante, pois Deus é o Ser.

    E se eu tivesse dito simplesmente "seja...", iriam me interpelar: "Mas o que é a essência?". Ao que eu responderia: "é o Amor".

    Portanto, adiantei a resposta e disse: "Quer conhecer Deus: Ame...", sem deixar de dizer a mesma coisa e sem ser prolixo e redundante.

    Quanto à lógica de precisar ter algo primeiro para depois dispor, não posso concordar que isso se aplique ao Amor. Pode se aplicar ao dinheiro e ao comprar. Mas você foi feito à imagem e semelhança do Amor. Você não precisa ter algo que você já é. Você só precisa encontrá-lo (ou seja, encontrar-se).

    Além disso, a matemática do Amor é diferente: "quanto mais se dá, mais se tem". Isso porque aquele que ama acaba descobrindo cada vez mais o quanto é conhecido. A cada vez que ama, descobre uma parte de si mesmo até então não revelada. E vc se queda em admiração: "eu sou assim e não sabia?"

    Com disse Osho, não tente ter primeiro, nem buscar saber primeiro... não tente nada primeiro. Apenas se jogue no fogo, sem medo. Apenas ame. Então você descobrirá que é amor, sempre foi amado, e que é totalmente capaz de amar (expressar o seu ser).

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  5. Mizi...

    Nunca há desrespeito entre dois seres que de coração sincero buscam a Deus.

    E te agradeço profundamente pelas palavras...

    Sei que somos irmãos... sei que a luz que te ilumina e te dá vida é a mesma que está presente aqui neste momento se expressando através de mim, como se expressa através de ti.

    Tua resposta agora... foi mais completa... nossas mentes realmente, se perdem com definições simples, isto porque são complicadas em seus mecanismos...

    Mas ainda acho que para conhecer o Amor é necessário em primeiro lugar ser... e ser talvez seja motivado por libertação, por busca de paz, decorrente até mesmo de grandes sofrimentos, sendo portanto o seu impulso inicial, não seria motivado pelo amor.

    E outra... se não conhecemos o amor como amar?

    Outra... como amar quando nossos seres já são na essência amor? Creio que a vida em sí já é amor, que existimos através da própria extensão do amor de Deus... Portanto o amor é a única realidade que há... nada há além do amor de Deus...

    Portanto para sentirmos o amor por Deus, pela natureza, por todos os seres, para que o amor possa fluir através de nós... precisamos tão somente desobstruir nossos canais internos... precisamos somente abrir mão da ilusões...

    Há um livro chamado Um Curso em Milagres, que diz essas palavras em sua introdução: "...O curso não tem por objetivo ensinar o significado do amor, pois isso está além do que pode ser ensinado. Ele objetiva, contudo, remover os bloqueios à consciência da presença do amor, que a tua herança natural".

    Portanto, creio que o caminho para conhecer Deus está em remover os bloqueios à consciência da presença do amor...

    O que vc acha disso? Não creio que este impulso logo a princípio seja amor, pode ser desejo de sentir o amor, mas não que seja amor...

    Muito bom poder compartilhar contigo assunto de tão alta relevância para mim... Deus é a razão do meu existir! e Falar sobre Deus é me apaixonar ainda mais... antes não era nenhuma paixão e hoje é uma paixão que busca conhecer o Amor... rs rs rs

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  6. "O que vc acha disso? Não creio que este impulso logo a princípio seja amor, pode ser desejo de sentir o amor, mas não que seja amor..."


    Washington,

    eu acho que o seu jeito de pensar é um ponto de vista interessantíssimo. E deve fazer muito sentido para você. Eu particularmente, acho que amor e amar e ser é a mesma coisa. Mas no fim, não há diferenças. Lá no fim, onde todas as coisas se tornam um, só o amor restará. Por isso, nossos pontos de vista crescem juntos e se fortalecem mutuamente, oferecendo base um ao outro. Um dia compreenderemos que lá no fim, onde todas as coisas se tornam um, só o amor restará.

    E é mesmo muito bom compartilhar diferentes pontos de vista e poder discutir sobre o amor e coisas tão boas. Melhor do que falar sobre política e futebol... HAHAHA. ^-^ Muito obrigado por isso.

    Uma frase que gostei:

    "uma paixão que busca conhecer o Amor".

    Você foi fundo, rapaz. Não sei se você percebeu a pronfundidade dessa declaração, mas espero que você possa viver com intensidade esse seu caminho. Muito legal!

    No mais, um super abraço! E muito obrigado.

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