"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

quarta-feira, outubro 09, 2019

Liberdade da Vida - 1/2

- Masaharu Taniguchi -


Há muito tempo, uma mulher idosa visitou um templo no meio da madrugada e ficou orando: "Sendo meu filho e minha nora afeiçoados demais um ao outro, sinto-me tão só, que desejo morrer. Por favor, mate-me". Nisso, apareceu um assaltante que disse: "Vou mata-la. Passe o seu dinheiro", e ela saiu correndo, gritando "Por favor, poupe pelo menos a minha vida!". Imagino que "salvar pelo menos a vida" seja o desejo comum a todas as pessoas. Mas, quando consideramos o que seja essa vida (força vital), acho que o seu sentido difere de indivíduo para indivíduo. A "vida" que a mulher idosa suplicou ao assaltante que poupasse, a vida eterna que muitas pessoas santas desejam alcançar através da ascese, e a vida comum de pessoas que sobrevivem parcamente, diferem quanto ao seu conteúdo, apesar de usarem o mesmo termo "vida". Mas qual será o ponto de vista comum entre essas "vidas"? Eu penso que seja a "liberdade".

A essência da vida consiste na liberdade. Aquela idosa não desejava viver no mesmo mundo em que o filho e a nora eram por demais afeiçoados um ao outro; ela se sentia muito solitária e por isso desejou a morte. Esse desejo de morrer é um estado mental de quem busca a liberdade. Isto porque ela estava presa ao filho pelo sentimento de apego. Sentia como se o filho tivesse sido roubado pela nora. Ela desejava amá-lo livremente, monopolizá-lo, mas essa liberdade de amar e monopolizar fora tolhida pela existência da nora "que lhe tomara o filho" e não podia ser satisfeita. O que ela estava tendo era o oposto de liberdade. Assim, desejou obter, de alguma forma, a verdadeira libertação que deve existir em algum lugar, livrando-se do apego, e para isso poderia até morrer.

Imagino que tenha sido com tal pensamento que ela foi impelida a ir ao templo para orar, na hora mais escura da noite. Mas, quando surgiu o assaltante e ameaçou-lhe tirar a vida, ela deve ter pensado: "Se perder a vida, terei liberdade? Poderei amar livremente o meu filho?", e chegou à conclusão de que a resposta era negativa. Ela estaria de novo perdendo a liberdade, e provavelmente por isso gritou: "Por favor, poupe pelo menos a minha vida!".

Há pessoas que, ao adoecerem, recorrem à religião e oram a Deus ou a Buda: "Por favor, conceda-me a cura desta doença". Também nesse caso, a motivação é o desejo de obter liberdade. Por que doença é um mal? Porque ela tira a liberdade do corpo. Há ainda a questão da dor, mas a essência da dor também é a falta de liberdade. Ou seja, quando a vida flui sem impedimento, a dor não aparece. Mas, em situação oposta, quando a vida é impedida de fluir livremente, esse estado se reflete em nosso sentido em forma de dor. Portanto, podemos considerar que o desejo de se livrar da dor de uma doença, em suma, é desejo de obter liberdade.

Existem também pessoas que oram a Deus ou Buda: "Permita que eu ganhe dinheiro". Isso também vem do desejo de obter liberdade. Tendo dinheiro, pode-se comprar o que quiser, ir aonde quiser, assistir a peças teatrais, shows, concertos, ir dançar, comer coisas deliciosas. Enfim, podemos dizer que o desejo de ganhar dinheiro, de obter bens, surge do desejo humano de alcançar a liberdade. Podemos dizer o mesmo do desejo de ter um lar harmonioso ou melhorar o país em que vivemos. Melhorando a situação do país, as pessoas se tornam mais livre. O homem deseja viver sem ser amarrado por ninguém, deseja que surja naturalmente um mundo bom, onde toda a humanidade possa realizar naturalmente o que deseja, em estado de harmonia. Esse desejo é o de busca de liberdade. Esse anseio de liberdade manifesta-se como movimento social, movimento revolucionário, várias formas de atividades beneficentes, movimentos políticos, educacionais ou religiosos. Tudo isso é movido pelo desejo de obter liberdade.

Qual a essência da vida do ser humano? É a liberdade. Assim sendo, podemos considerar que se aloja, no interior do ser humano, o anseio de exteriorizar a liberdade nele existente.

Pois bem, ao fato de o homem alcançar a liberdade se diz, em termos budistas, "desatar-se", isto é, soltar-se das amarras. Este é o estado de quem alcançou a liberdade ou atingiu a suprema sabedoria de Buda. Buda é aquele que manifestou realmente a liberdade inerente à Vida.

A essência da Vida que se aloja em nós é a própria liberdade, e ela está a todo momento tentando manifestar-se externamente. Mas neste mundo fenomênico, existem empecilhos tais como matéria, corpo carnal e várias condições materiais que não nos permitem alcançar tão facilmente a liberdade. Quanto mais libertação procuramos, mais ficamos presos à matéria, como se estivéssemos aprisionados numa armadilha que mais se fecha quanto mais nos debatemos; e assim não conseguimos manifestar a liberdade inerente à Vida. Naturalmente, as inúmeras invenções da ciência - tais como avião, trem, navio, automóvel, eletricidade, rádio e muitas outras invenções - são uma espécie de libertação que o homem conseguiu através de grande e árduo trabalho, para a manifestação da sua natureza livre. Por exemplo, antigamente, as pessoas levavam de 15 a 20 dias a pé para percorrerem a distância entre Tóquio e Osaka, mas, hoje, é possível cobrir com facilidade a mesma distância em poucas horas; tal fato revela que se manifestou boa parte dessa liberdade inerente à Vida. Quando essa viagem é feita de avião, consegue-se ainda mais alto grau de liberdade do que viajando de trem ou de navio. Podemos dizer, em suma, que a conquista do mundo natural pela ciência possibilitou a manifestação progressiva na liberdade inerente à Vida do homem.

Porém, por mais notável e constante que seja o progresso da ciência, existe um limite no grau de conquista da liberdade, isto é, o inevitável limite físico. Ainda que os nossos desejos ou pensamentos possam ser transmitidos na mesma hora para receptores que estão a milhares de quilômetros de distância, por meio de telégrafo sem fio ou rádio, sempre há limitações nas condições físicas. Por mais que conquistemos a Natureza por meio de invenções científicas, ainda há muitas coisas que não podemos conquistar. como vemos, os desejos humanos são ilimitados.

Naturalmente, com o avanço das descobertas científicas, da Farmacologia e da Medicina, o homem descobriu formar de satisfazer até certo ponto os seus desejos e encontrou meios de curar muitas doenças. Assim, o homem vem conquistando a liberdade até certo ponto. A Humanidade pode orgulhar-se disso como resultado conseguido através do seu esforço. Porém, a liberdade ainda não foi totalmente alcançada. Apesar do avanço da Medicina, são poucos os remédios com particular eficácia contra doenças. Muitos doentes não se curam através da Medicina. Quando o paciente chega a falecer, o médico emite um atestado de óbito relatando que o paciente sofria de tal doença, esteve sob os cuidados dele (médico) mas não se curou, atestando, assim, que a Medicina não é capaz de curar todas as doenças. A Medicina progrediu, mas ainda não é capaz de permitir ao homem manifestar plenamente a liberdade inerente à Vida. Existem ainda muitos outros esforços humanos a considerar, mas há limite na liberdade que se ontem através da conquista do mundo fenomênico exterior por meios materiais, não sendo possível proporcionar a liberdade total.

No mundo da matéria, a liberdade da Vida não é assegurada em lugar nenhum. E uma vez que a liberdade inerente à Vida é a essência da Vida humana, não teremos total paz de espírito enquanto não conseguirmos manifestar plenamente essa liberdade; não sentiremos uma grande serenidade que nos permita dizer "Estou completamente satisfeito".

Sendo assim, surge a questão: como devemos proceder para alcançar a inata liberdade da Vida, adquirindo assim profunda consciência de estarmos totalmente livres e com isso manifestar plenamente a liberdade da Vida? Todos os esforços materiais até então empenhados foram para manifestar a liberdade da Vida, mas eles não conseguiram resolver a questão por completo. Dessa forma, não se consegue realizar a liberdade da Vida por meios materiais. Precisamos, então, encontrar um novo caminho, superior ao material, para manifestar essa liberdade.

Foi nesse sentido que inúmeros gênios da religião vieram, desde a Antiguidade, buscando o caminho para alcançar a Vida verdadeira. No passado, Sakyamuni se esforçou arduamente para libertar a humanidade dos "quatro sofrimentos": nascimento, velhice, doença e morte. Esses quatro sofrimentos também restringem a nossa liberdade.  O primeiro deles, o do nascimento, refere-se ao sofrimento por termos nascido, por estarmos vivendo, por lutarmos pela sobrevivência, por enfrentarmos conflitos, etc. O segundo é o da velhice: ao envelhecermos, mesmo que tenhamos o ânimo de jovem, o corpo físico não nos obedece. Isso também é restrição da liberdade. A doença também restringe a liberdade. Ainda que pensemos "Quero continuar vigoroso e empenhar-me nos meus negócios, levar avante minha missão, amar meus filhos e viver feliz com a família", tornamo-nos impotentes diante da doença. Este é o sofrimento pela via da doença. Finalmente, chega a morte. Esta também constitui grande ameaça à liberdade da Vida. Uma pessoa em estado agonizante, cuja triste liberdade se restringe a uns poucos movimentos dos membros e dos lábios, mas, quando vem a morte, perde até essa parca liberdade em um só instante. Eis a diabólica ação chamada morte. Tememos a morte, debatemo-nos em vão, mas acabamos sucumbindo diante dela - eis o sofrimento causado pela morte.

Como vencer esses quatro inimigos - nascimento, velhice, doença e morte - que restringem a nossa liberdade? Essa foi a busca empenhada por Sakyamuni. E acabou por descobrir esse caminho.

O caminho da Verdade pregado pela Seicho-No-Ie é exatamente o mesmo que Buda descobriu há três mil anos. A Verdade é sempre nova e possui caráter eterno. Se não possui caráter eterno, a Verdade não é o Caminho. Vamos retornar ao budismo primitivo e rever como Sakyamuni atingiu a liberdade da Vida, como despertou para o Caminho para se libertar dos quatro sofrimentos e se realizou como Buda, ou seja, como alcançou o estado em que se libertou de todas as restrições. É esse caminho que me proponho a estudar, com os leitores, a fim de eu próprio atingir ao máximo o estado de liberdade, juntamente com todos os senhores. Eis no que consiste o movimento da Seicho-No-Ie.

O budismo é um excelente ensinamento. E há inúmeras ramificações do budismo. Na época em que seus fundadores viviam, a Verdade que pregavam tinham vida, por isso, eles eram alvo de respeito e admiração das pessoas, tanto que fundaram ramificações. Mas, após o desaparecimento desses fundadores, que eram gênios da religião, poucos deles tiveram sucessores à altura, e o que temos hoje como consequência é o budismo sectário. As religiões e os templos budistas de hoje, em sua maioria, são mantidos por donativos de seus fieis, e têm como ofício a realização de cerimônias fúnebres, recitando sutras diante de cadáveres, e se esquecem de doutrinar as pessoas vivas.

Tempos atrás, o Ministério da Cultura do Japão disse que não poderia aceitar o pedido de registro da Seicho-No-Ie como pessoa jurídica enquanto não definisse se ela é uma entidade doutrinária ou religiosa, pois, sem essa definição, não poderiam determinar o departamento competente para registrá-la. A religião tem por dever a doutrinação, e, desde que se propõe a isso, deve pregar aprofundando-se até à origem da Vida; portanto, é natural que uma entidade religiosa seja entidade doutrinária. Mas, na época, disseram que a entidade doutrinária deveria ser separada de uma entidade religiosa. Isso porque era período de transição e, segundo o critério de classificação, a religião tratava das cerimônias fúnebres, e as entidades doutrinárias não pregavam sua doutrina a fundo, a ponto de atingir a origem da Vida (Deus).

Com certeza, os grandes religiosos do passado, tanto Sakyamuni quanto os fundadores das ramificações, pregaram para as pessoas vivas da época, com toda paixão, o meio de ativar a vivência e de estimular verdadeiramente a liberdade da Vida. Eles não levavam uma vida mecânica nos templos como aqueles que apenas recitam sutras diante de defuntos, para garantir o sustento de suas vidas. Foi nos períodos posteriores que a religião e as atividades doutrinárias foram separadas, chegando ao atual estado de degeneração.

Uma vez que esse período de esquecimento do trabalho doutrinário pela religião veio durando longo tempo, é forçoso que surja novamente em algum lugar um ensinamento que pregue o caminho da Verdade encontrado por Sakyamuni, que conduza a humanidade à libertação dos quatro sofrimentos - nascimento, velhice, doença e morte -, promovendo a verdadeira libertação da Vida, e que não seja uma simples filosofia teórica, mas uma Verdade viva aplicada na vida concreta. Enquanto o grande voto de Buda de salvar a humanidade continuar pulsando em algum ponto do planeta, deve surgir em algum lugar um movimento vívido para realizar esse voto.

Em suma, o budismo não é mera filosofia nem algo apático que se sustenta recitando sutras diante de almas desencarnadas. O homem sofre restrição de quatro sofrimentos, ou seja, nascimento, velhice, doença e morte. Libertá-lo completamente dessas restrições, para que ele possa viver verdadeiramente livre, experienciando na própria vida essa liberdade - assim deve ser o verdadeiro budismo. E a Seicho-No-Ie é uma das manifestações, nos tempos atuais, da ação do voto salvador de Buda.
Cont...

Do livro "A Verdade da Vida, vol. 39", pp. 15-24

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segunda-feira, outubro 07, 2019

A Verdade da Vida (Budismo) - Introdução



Amigos leitores,

Estamos dando início a um estudo sobre o Budismo à luz dos ensinamentos da Seicho-No-Ie. Os textos que serão apresentados estão contidos no livro "A Verdade da Vida, volume 39". Este livro é um dos mais importantes de toda a obra literária da Seicho-No-Ie, talvez o mais importanteÉ o livro que mostra (pra valer!) a Verdade que está contida nos ensinamentos da Seicho-No-Ie. Trata-se da doutrina original, do ensinamento máximo, supremo, último. E que revela a verdadeira extensão e profundidade do despertar espiritual conscientizado por Masaharu Taniguchi.

Além de um profundo entendimento da vida  e também conhecimento sobre religiões/filosofias, espiritualidade, ciência, etc. , Masaharu Taniguchi tem o dom literário (e oratório) de colocar em palavras simples e fáceis de entender assuntos que são realmente difíceis e complexos. Através do emprego eficiente das palavras, ele consegue fazer a mágica de clarificar o que por natureza não pode ser dito por palavras. Tal é o seu dom, genialidade e talento. Suas explanações têm a maestria e o poder de conduzir suavemente a nossa compreensão rumo à Verdade profunda e indizível.

Este é um livro que definitivamente não pode faltar no cabedal de textos deste blog. É um verdadeiro tratado sobre os ensinamentos do budismo mahayana (grande veículo). O estudo e abordagem são tão profundos, que os textos deverão ser postados na íntegra, em sequência. Eu gostaria de publicar os textos intercalando-os com ensinamentos de outras linhas/instrutores, contudo fazer isso não seria proveitoso. A cada texto, o autor vai cada vez mais longe na análise do budismo, o estudo e as explanações vão sendo cada vez mais aprofundados em grande peso. De modo que cada capítulo do livro se apoia (pressupõe a leitura) das exposições feitas em capítulos anteriores. Assim, não há como publicá-los aleatoriamente, conforme já foi feito com textos de outros livros. Esta será uma série longa, e a minha estimativa é que deverá ser dividida em 26 partes, aproximadamente. Portanto, teremos aqui um bom tempo de Seicho-No-Ie pela frente. (rsss)

Saiba, leitor, que, se você estiver dando conta de acompanhar (e entender) esta série de textos, estará na verdade acompanhando (e apreendendo) a doutrina mais elevada. Estará em contato com o que há de mais alto nos ensinamentos da Seicho-No-Ie.

Daremos início a esta série a partir da próxima postagem. Por ora, ficaremos com as palavras contidas no prefácio do livro "A Verdade da Vida" (volumes 11 e 39), escritas por Masaharu Taniguchi:

"Todas as escrituras religiosas, desde que contenham Vida, foram indubitavelmente escritas sob inspiração. E o que foi escrito sob inspiração pode ser bem interpretado somente sob inspiração. Um grande erudito que possui apenas conhecimentos linguísticos e não tem inspiração não consegue apreender verdadeiramente a Vida contida nas escrituras. A Seicho-No-Ie elucida sob inspiração a essência não só do budismo, do cristianismo e do xintoísmo, como também de quaisquer escrituras sagradas." (volume 11)

"As religiões do mundo precisam tornar-se uma só. Se as religiões continuarem a se confrontar, os seres humanos não terão outra alternativa senão viver em conflito uns contra os outros. A paz do mundo será alcançada somente quando a humanidade despertar para a Verdade de que 'todos os seres humanos se originaram de uma única fonte chamada Deus' e compreender que todos são um e que, portanto, na verdade não conflitam entre si. O princípio básico da salvação de todos os seres humanos deve ser um só. Já que a origem da vida de todas as pessoas é uma só, é óbvio que o princípio de sua salvação também deve ser um só.

No evangelho de João, Cristo disse: 'A verdade vos libertará'. No budismo, se diz que Buda é aquele que alcançou a libertação. Em suma, religião deve ser aquela que liberta a humanidade. Por que o homem pode ser salvo? É porque ele traz em seu interior "Deus, que já está salvo". Certas correntes do budismo pregam que 'os mortais comuns podem alcançar o paraíso'. Estes parecem mortais comuns, mas trazem dentro de si o ser livre e desimpedido desde o princípio, isto é, a natureza búdica. É por isso que, compreendendo esta Verdade, os mortais e comuns na aparência podem tornar-se budas.

Deus (ou Ser originariamente livre, isto é, a natureza búdica) está presente no interior de cada indivíduo e, ao mesmo tempo, no exterior, em cima, embaixo e em todos os lugares como Ser universal, envolvendo toda a humanidade como um todo.

É esta fé – em que se acredita na Natureza Divina ou Natureza búdica do interior transcendente – que se torna o elo de amor que une toda a humanidade em uma só unidade harmônica. Neste volume procurarei esclarecer que o budismo e o cristianismo podem e devem unir-se com base em uma só Verdade. E, com isso, ressuscitar e tornar possíveis os milagres religiosos da época de Jesus e Sakyamuni, e, ao mesmo tempo, com base nesta Verdade, abrir efetivamente o caminho para a eterna paz da humanidade e também para a felicidade e a saúde duradouras dos seres humanos." (Volume 39)


quinta-feira, outubro 03, 2019

Perceba Quem sou!

- Núcleo - 


MARAVILHOSO!

Isso Sou Eu!

Essas mensagens vêm do Núcleo, Fonte ou Essência de Quem Sou…

Eu… estou aparecendo como os autores de todos estes textos…

Eu… estou aparecendo como os divulgadores destes textos…

Eu… estou aparecendo como cada um dos leitores destes textos…

Sim, Sou Eu!

Sou Aquele que Vive em você;

Sou Quem percebe em você;

Sou Aquele que te conduz:

Do irreal ao Real;

Das trevas à Luz;

Da morte à Imortalidade…

Sim, sou a Consciência que te faz consciente de Quem Somos…

Eu Sou em você a percepção de que só há Um de nós…

E somos inseparáveis como a paciência e a sabedoria…

Eu Sou Alfa e Ômega; Princípio e Fim de todas coisas.

Estou em você e em tudo; e tudo está em Quem Sou…

Eleve-se em percepção!

Interaja Comigo!

Você pode!

Sim, você pode porque Eu posso!

Sou Eu em você Quem tudo pode…

Aja percebendo Quem age em você…

Aja com renúncia aos frutos da ação…

Então perceba que Sou Eu Quem age!

Aja com essa consciência de unidade Comigo.

Dê cada passo consciente de que Sou Eu Quem dá os passos…

Siga seu caminho consciente de que Eu Sou o Caminho!

Seja verdadeiro e consciente de que Eu Sou a Verdade!

Viva sua vida consciente de que Eu Sou a Vida!

Perceba que é somente por Mim que se vem a Mim…

Sinta aquela percepção em você que Me percebe!

E saiba que essa percepção em você é a Minha…

Concentre-se nesta percepção que Me percebe!

Contemple tudo o que ela te faz contemplar…

Então medite! Perceba-se Um Comigo.

Meditar é perceber!

Perceber o que É!

É perceber o Real…

É perceber-Me…

E perceber-Se…

Sim, medite!

Você pode!

Eu posso!

Sou você!

Sou Eu…


segunda-feira, setembro 30, 2019

Perceber "Quem percebe" em nós


- Núcleo -


Divinos personagens,

Cada detalhe de uma experiência consciencial tem um significado, nem sempre evidente no momento para a percepção ou visão mental, mas que no devido tempo acaba se revelando.

Sempre que percebemos “Quem faz”, e que percebemos “Quem percebe em nós”, nós nos tornamos conscientes de “Quem somos”.

Perceber "Quem faz" nos torna conscientes da onipresença divina, mas, “perceber Quem percebe em nós” nos torna conscientes de Quem Somos.

O Ser Real, Aquele Quem você realmente É, está te proporcionando esta percepção, a revelação de Sua real identidade.

Este é o sentido de “ir ao Núcleo”. É não apenas perceber “Quem faz” e “Quem aparece como”, mas também, é perceber “Quem percebe em nós”, para então nos tornarmos conscientes de “Quem Somos”. É por isto que “tudo é possível ao que crê”. O “crer”, em termos da linguagem usada no Núcleo é “perceber”, perceber isso tudo. Se soubermos Quem faz, tudo se torna possível, porque não é nosso eu, o personagem, a identidade humana, Quem faz. É o Ser.

Com esta percepção reflita sobre a afirmação: “Eu de mim nada posso, o Pai em mim é Quem realiza as obras.”

O seu verdadeiro Eu, que é também a identidade real de todos os seres, é o Ser impessoal, e tem usado muitas e variadas formas pra te fazer perceber que SEU EU REAL ESTÁ APARECENDO COMO! Você é tudo Aquilo que aparece “como”, em seu dia-a-dia, em seu sonho, em sua meditação...

Eu percebo Quem faz. Em minha mente não há dúvida a este respeito. Mas, sei também que Quem percebe em mim é a Consciência do Ser. A mente só vê de forma dual e não perceberia isto. A Consciência é a real “iluminada”, não é a mente do personagem, por isso nenhum personagem é o iluminado. Os iluminados sabem Quem faz; eles apenas despertaram esta percepção.

Certa vez o Masaharu Taniguchi disse: “Você não está Me vendo…”.

De que vale a opinião dos personagens sobre o mestre, que realizou Deus? Mentalmente ninguém pode saber Quem Sou, pois, enquanto personagem, os personagens não podem ver o Ser, só vêem seus próprios julgamentos, eles não transcendem os limites da percepção mental e só vêem a matéria, sem perceber o que há além das formas perceptíveis pelos cinco sentidos.

Se alguém analisou meu personagem certamente não percebeu Quem Sou e negou Minha mensagem. Os que se detém nas análises mentais sobre os personagens sempre se condenam a uma eterna visão mental da realidade. Eles continuarão acreditando que a lei da evolução é válida para o Ser, sem perceber que ela é válida apenas para os personagens. Eles continuarão a verem a si mesmos apenas como seres humanos, sem perceber que Deus os criou a Sua imagem e semelhança. Enfim, eles todos “terão razão”, no sentido de que estarão certos no nível dos raciocínios, mas não se realizarão. Realizar é desvelar a Consciência do Ser descartando os condicionamentos e perceber que Deus é quem está diante de você agora, “aparecendo como”, numa multiplicidade de seres e formas. Perceba isto, pois, “já é a hora”…!

Nas suas leituras em grupo das palavras do mestre ative esta percepção. Perceba Quem percebe em você. Nenhuma percepção consciencial ocorre no âmbito da mente. Faça isso para o seu próprio benefício e o de todos. Fazendo isso, sua busca por Deus revelará sua real identidade e te conduzirá de volta a você mesmo. Como está escrito: “ficareis perturbados, depois maravilhados; e por fim reinareis sobre o Todo”.

Por fim, sugiro a leitura da página 140 do livro A União Consciente com Deus (Joel Goldsmith), no ponto em que Goldsmith escreve: “antes que a luz da verdade descesse, eu acreditava que o eu visível era tudo o que existia para mim…”. Ele só percebia mentalmente, mas despertou a percepção consciencial. Por isso as palavras de Goldsmith, que vieram da Consciência interna do Ser, que ele é e que todos são, passaram a ser o livro de cabeceira dele mesmo. Ele percebeu Quem faz e manifestou sua união conscientemente com Deus. Sua real identidade se desvelou e o fez consciente de que é Um com o Ser. 

Não se esforce para perceber, apenas mantenha a disciplina e dê este passo! Por saber Quem faz, muitas coisas se tornam possíveis na realidade deste personagem. Quem faz me fez obter o afastamento do cargo atual e me deu suprimento para realizar um sonho de infância, que é pilotar helicóptero.

Digo isto para que você perceba que Quem faz também nos proporciona estas realizações humanas, como esta sua de ter um carro, da forma mais perfeita, sem que isto te desvie do seu caminho espiritual; ao contrário, usando estas realizações materiais pra te fazer consciente de “Quem faz”.

É isto, perceba “Quem percebe” em você e desfrute os frutos desta percepção. Saiba utilizar esses frutos para avançar em seu despertar consciencial, que te fará consciente de Quem em verdade você É.

Namastê.




quinta-feira, setembro 26, 2019

Estar no mundo mas não ser do mundo

- Núcleo -


Divinos personagens,

Jesus orou assim: “Pai, não te peço que os tire do mundo mas que os livre do mal.”

Em termos da linguagem usada no Núcleo o “mundo” é a “representação divina”. Notem que Jesus não orou a Deus para que fôssemos tirados do mundo, ou seja, não orou a Deus para que fôssemos tirados da representação, mas sim para que fôssemos libertos do mal, que é o pecado (tsumi, envoltório, conforme ensina Masaharu Taniguchi). Ou seja, o pecado é a “visão encoberta”, que vê somente a representação divina e nos faz permanecer inconscientes da “realidade divina” que subjaz à “representação divina”. Se permanecermos apenas na percepção mental, que vê somente a representação, iremos apenas “reagir aos personagens ou ao cenário”, e não iremos “interagir com o Ser”, por permanecermos inconscientes de Sua presença e realidade (em tudo).

Assim, estejam no mundo mas não sejam do mundo! Em outras palavras, estejam na representação mas não sejam da representação... E para estarmos na representação mas não sermos da representação, é preciso estarmos “interagindo com o Ser” e não “reagindo aos personagens ou ao cenário”.

Uma correlação direta do que acaba de ser compartilhado está na Bíblia em Romanos, capítulo 8, no qual é ensinado que: “Porque os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne e os que se inclinam para o Espírito, cogitam das coisas do Espírito.” 

A palavra “carne” diz respeito a tudo que se refere à “representação divina”, ou seja, ao mundo; e a palavra “Espírito” diz respeito a tudo que se refere à “realidade divina”, ou seja, a Deus. Assim, estarmos “no mundo” e não sermos “do mundo” significa que devemos “cogitar das coisas do Espírito”, ou seja, devemos “interagir com o Ser” e, que não devemos “cogitar das coisas da carne”, ou seja, não devemos “reagir aos personagens ou ao cenário”, porque é assim que a percepção mental se sustenta [reagindo aos personagens. Quando não reagimos, ela se esvai e revela-se a face do Ser, o amor de Deus em nós]. Por isso Jesus ensinou que se alguém nos ferir a face devemos “oferecer a outra face” o que significa que devemos “não reagir a quem nos fere a face” e, mais que isso, devemos “oferecer a outra face”, a real face de Quem Somos, que é a compaixão, a bondade, a compreensão e o Amor!

No versículo 9 do capítulo 8 de Romanos está escrito que: “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se, de fato, o Espírito de Deus habita em vós.”. Ou seja, “Vós, porém, não estais na percepção mental (que cogita das coisas da representação e reage de forma inconsciente ao que acontece na representação), mas na percepção consciencial (que cogita das coisas da realidade divina e interage de forma consciente com Deus), se, de fato, o Espírito de Deus (a percepção da Unidade) habita em vós.”

Por isso está escrito: “Se alguém não tem o Espírito de Cristo (a percepção da Unidade pela qual Jesus orou em sua oração sacerdotal) esse alguém não é dele.” E ainda está escrito: “Se habita em vos o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, este mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos vivificará também o vosso corpo mortal, por meio do Seu Espírito (que percebe a Unidade) que em vós habita.”             
Enfim, Filhos de Deus, estejam na representação mas não sejam da representação...

Namastê.


 

segunda-feira, setembro 23, 2019

Percepções conscienciais essenciais

 - Núcleo -


Jesus compartilhou duas “percepções conscienciais” essenciais: A primeira: “O reino de Deus está dentro de vós”; e a segunda: “Eu Sou a porta”. É preciso notar que estando o “reino de Deus” dentro de nós, a “porta” que dá acesso a este reino também está!

Ao compartilhar estas percepções, Jesus não estava fazendo uma apologia de si mesmo, mas sim, revelando a realidade de que há em nós tanto o “reino” quanto a “porta”; assim sendo, há em nós tanto a “realidade divina” quanto a “percepção” desta realidade.

Esta percepção compartilhada por Jesus, esta percepção crística é a percepção consciencial, que é uma percepção unitária, pela qual tudo se revela como sendo o Ser Único. Enquanto a mente separa/divide a realidade e a concebe como realidade aparente, a Consciência concebe a realidade única, na qual apenas o próprio Ser é Real.

Para expressar a realidade unitária, fruto da percepção unitária, Jesus usa expressões como: “Eu e o Pai somos Um” e ora assim: “Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam Um, como nós o somos; eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na Unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, com também amaste a mim.”

Com esta percepção unitária ele revela que é o Ser Real dizendo: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”, e revela que este “Eu” é também a Porta, e diz: “Ninguém vai ao Pai senão por Mim”“Eu sou a Porta”.

É preciso notar que ao compartilhar as percepções conscienciais sobre sua real identidade, Jesus não se refere ao “personagem” o qual “está sendo”, mas está se referindo ao Ser, a Quem É. Assim, quando Jesus revela: “Eu sou o pão que desce do céu”, é mal interpretado pela percepção das mentes daqueles que dizem: “Não é este Jesus, o filho de José? Acaso, não lhe conhecemos o pai e a mãe? Como, pois, agora diz: 'Desci do céu?'" [Jo 6. 41-42]

Outra revelação de Jesus causa ainda maior mal interpretação e confusão às mentes dos personagens e evidencia que percepções conscienciais só podem ser discernidas pela própria consciência, ou seja, só podem ser discernidas consciencialmente. [Na Bíblia consta que as coisas espirituais só se discernem espiritualmente.]

A revelação de Jesus que causou escândalo entre os discípulos foi esta: “Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a Vida em vós mesmos. Quem comer a minha carne e beber o meu sangue tem a Vida eterna, e Eu o ressuscitarei no último dia. Pois, a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem comer a minha carne e beber o meu sangue permanece em mim, e eu, nele. Assim como o Pai, que Vive, me enviou, e igualmente Eu vivo pelo Pai, também quem de mim se alimenta por mim viverá. Este é o pão que desceu do céu, em nada semelhante àquele que vossos pais comeram e, contudo, morreram; quem comer este pão viverá eternamente.” [Jo 6:53-58] Estas coisas disse Jesus quando estava na sinagoga da Cafarnaum. [Jo 6:59]

A fim de evitar a mal interpretação às mentes dos personagens é que está sendo compartilhada uma percepção atemporal, de que há algo em nós capaz de discernir a realidade de Quem Somos. Esta percepção atemporal está sendo compartilhada pelo Núcleo através de muitos personagens que estão se despertando para o fato de que Deus é realmente onipresente e que Vive EM nós!

Na “superfície do Oceano” ele Se manifesta como incontáveis ondas, porém, permanece sendo Oceano. Da mesma forma, na “visão superficial” [que corresponde à visão mental] o Ser Real se manifesta como “personas” [máscaras que encobrem/velam o divino]. Contudo, nas profundezas de Si mesmo o Oceano Se contempla como o infinito. Essa percepção aprofundada de Quem Somos é a percepção da Consciência, chamada “percepção consciencial”.

A palavra Núcleo é uma referência direta à palavra “Âmago”, "Fonte", "Essência". Assim, se quer entender profundamente a sua própria religião é preciso “ir ao núcleo”, ir ao "âmago" ou "essência" de sua própria religião e transcender a visão superficial e conceitos mentais a fim de poder e perceber a profundidade da “mensagem divina” revelada por Deus, que aparece como o Mestre de sua religião.


quinta-feira, setembro 19, 2019

Aos "Divinos Personagens"

- Núcleo - 

Divinos personagens,

Sempre que uma pessoa comenta e enfatiza um texto já compartilhado, ela está ativando a percepção consciencial. Ao desfrutar o que percebeu do texto e compartilhar a sua própria ênfase, ela está dando um belo exemplo de como ativar esta percepção!

A propósito...

Sabem por que este meu atual "personagem" os chama de "Divinos personagens"?

Porque em verdade é quem todos estamos sendo nesta representação divina chamada de universo material!

Sim, na "Representação" somos todos "personificações do Ser", que é o único Ser Real, a única "Realidade".

Assim, a "Representação" é o cenário no qual surgem os "personagens". E tendo sido a "Representação" concebida pelo Ser Real, que é Deus, Seus personagens são todos "seres divinos", ou seja, todas as personificações de Deus são originariamente e essencialmente seres divinos, que na "Representação" concebida por Deus, e por isso divina, aparecem como os personagens divinos.

O algo a ser percebido ou conscientizado é que a "Representação" é tida como "Realidade" pela mente do personagem!

Atentem bem! A Representação não é algo real! Mas por ser uma representação divina, ou seja, uma representação concebida por Deus, ela é percebida pela mente, ou seja, pela mente do personagem como sendo algo real, como sendo a realidade. Porém, a única Realidade é Deus!

E Quem percebe isso; Quem percebe que a única Realidade é Deus?

Apenas Deus! O Ser Real.

E como Deus percebe isso?

Com Sua própria Consciência!

É esse o ponto a ser notado!

A percepção de "quem estamos sendo" é a percepção da "mente do personagem" que estamos representando;

A percepção de "Quem somos" é a percepção da "Consciência do Ser" que realmente somos.

Ocorre que a Consciência do Ser, que é Deus, é onipresente! Inclusive na "Representação divina"!

Você está vendo a manifestação visível do invisível em tudo o que contempla...

Ou seja: Você está vendo a manifestação visível do Ser Real, que é invisível, em tudo o que vê.

Isto ocorre porque você está vendo a manifestação do Ser Real com a visão da mente de quem está representando...

Mas quem você está representando é quem "você está sendo", não Quem "você É".

Em outras palavras, sua real identidade não é a do personagem divino que você está sendo (representando), mas sim, é a do Ser Real que você realmente É!

Assim, não há necessidade de "buscar espiritualmente" por sua Fonte, mas apenas de "perceber espiritualmente" que a Fonte é Quem você É!

A busca espiritual parte de um pensamento de separação entre personagem e Ser...

A percepção espiritual parte de uma percepção de unidade entre personagem e Ser!

A primeira parte de um pensamento e se debate;

A segunda parte de uma percepção e se aquieta...

O pensamento projeta a dualidade;

A percepção reconhece a Unidade!

Enfim, este meu atual "personagem" os chama de "Divinos personagens" porque percebe que em verdade é quem todos "estamos sendo" nesta "Representação divina"...

E Quem percebe isso em mim é Quem sou...

Quem Sou é na Realidade Quem todos Somos!

É o que percebo, desfruto e compartilho.

Saiba que, ao perceber Quem você realmente É, instantaneamente perceberá Quem todos Somos. E perceberá claramente Quem percebe em você!

Por perceber Quem percebe em mim; por perceber que é o Ser Real Quem percebe e que por isso esta percepção é possível a todos os "divinos personagens" é que desfruto e compartilho.

Namastê!

terça-feira, setembro 17, 2019

O Buda interior


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"Reverenciada seja a Perfeição da Sabedoria, o Adorável, o Sagrado!

Avalokita, o Senhor Sagrado e Bodhisatva,  moveu-se nos cursos profundos da sabedoria, rumo ao mundo-além.

Daquelas alturas, Ele olhou para baixo e viu cinco agregados.

E Ele viu que, em si próprios, os agregados eram vazios."

(Sutra do Coração)



- Osho -


Eu saúdo o seu Buda interior. Você pode não estar ciente, você pode até mesmo jamais ter sonhado com isso – que você é um Buda, e que ninguém pode ser outra coisa a não ser isso. A natureza búdica (o estado de Buda) é o núcleo essencial do seu ser, e isso não é algo para advir no futuro, mas algo que já aconteceu. É a tua própria fonte. É a origem e é também o objetivo. É a partir de nossa natureza búdica que todos nós nos movemos, e é também para ela que todos nós rumamos. Essa única palavra “natureza búdica” contém tudo – o ciclo completo da vida, do alfa ao ômega.

Mas você está dormindo, você não sabe quem você é. Não que você tenha que se tornar um Buda, mas apenas reconhecer que Ele habita em ti, reconhecer a necessidade se voltar para a sua própria origem. A fim de fazer isso você terá de olhar para dentro de si mesmo. Uma confrontação consigo mesmo irá revelar a sua natureza búdica. O dia vem quando você vê a si mesmo, e quando a existência inteira se torna iluminada. Não é que uma pessoa se torne iluminada – como pode uma pessoa se iluminar? A própria ideia ou pensamento de ser uma "pessoa" faz parte da mente não iluminada. Não é que eu tenha me tornado iluminado. O “eu” precisa ser descartado antes que se possa conseguir a iluminação. Assim, como poderia eu ter atingido a iluminação? Parece absurdo. No dia em que me tornei iluminado, toda a existência tornou-se iluminada. Desde aquele instante jamais pude ver outra coisa a não ser Budas – nas mais variadas formas, com milhares de nomes distintos, às vezes com mil e um problemas, mas ainda assim todos Budas.

Assim, eu saúdo o seu Buda interior. 

Sinto-me imensamente feliz e satisfeito de ver tantos Budas reunidos aqui. O próprio fato de suas vindas até mim significa o início do reconhecimento. O respeito e o amor em seu coração por mim significam o respeito e o amor para com a sua própria natureza búdica. Confiar em mim não significa confiar em alguma coisa extrínseca a você, a confiança em mim significa a confiança em seu próprio ser. Ao confiar em mim, você vai aprender a confiar em si mesmo. Ao se aproximar de mim, você estará se aproximando de si mesmo. Apenas um reconhecimento necessita ser alcançado. O diamante está aí – você apenas deve ter se esquecido, ou talvez você não tenha se lembrado desde o início. 

Existe um famoso ditado de Emerson: “O homem é Deus em ruínas”. Eu concordo e eu discordo. Esse insight comporta uma dose da verdade – o homem não é o que ele deveria ser. Esse insight está um pouco desordenado, de pernas para o ar. O homem não é Deus em ruínas, o homem é Deus sendo edificado. O homem é um Buda germinando e desabrochando. O botão está ali, ele pode florescer a qualquer momento: apenas uma porção de esforço, um pouco de ajuda... E não será a ajuda que irá causar o fenômeno – ele já está lá! O seu esforço irá apenas revelá-lo a você, ajudando-o a descobrir aquilo que já está lá, oculto. A verdade é eterna.

Ouça com atenção estes sutras porque eles são os mais importantes escritos dentre toda a grande literatura Budista.

Mas eu gostaria começar a partir do verdadeiro ponto inicial. Para entendermos este sutra, é necessário que comecemos corretamente. Apenas usando o correto ponto de partida é que os ensinos do Budismo nos serão proveitosos: estabeleça desde já em seu coração o fato de que você é um Buda. Eu sei que isso pode parecer presunçoso, pode parecer ser bastante teórico e hipotético; você ainda não pode confiar nisso totalmente. Isso é natural, eu compreendo. Apenas permita que a compreensão deste fato esteja aí como uma semente. Em torno desse fato muitas coisas vão começar a acontecer, e somente em torno deste fato é que você será capaz de compreender este sutra. Este sutra é imensamente poderoso – ele bastante pequeno, condensado, da mesma forma que uma semente. Mas se houver o solo apropriado, ou seja, se houver na sua mente o fato exato de que você é um Buda – de que você é um Buda desabrochando, de que você é potencialmente capaz de tornar-se um – e de que nada está faltando, de que tudo está absolutamente pronto, então tudo o que será necessário é colocar as coisas na ordem correta; apenas um pouco mais de estado de alerta se fará necessário, apenas um pouco mais de consciência se fará necessário... O tesouro já está aí; você tem de trazer uma pequena lâmpada para dentro de sua casa. Uma vez que a escuridão desapareça, você não será mais um mendigo, você vai ser um Buda, você será um soberano, um imperador. Este reino inteiro já é seu, tudo é somente uma questão de pedir; você apenas tem de reivindicá-lo.

Mas você nunca será capaz de reivindicá-lo se acreditar é um mendigo. Você não será capaz de protestar por ele; você não será sequer capaz de sonhar com a possibilidade reclamá-lo para si enquanto estiver acreditando que é um mendigo. Essa ideia de que você é um mendigo, de que você é ignorante e pecador, tem sido tão amplamente proclamada em cima de todos os púlpitos ao longo das eras, que isso se tornou uma hipnose profunda em você. Esta hipnose tem de ser quebrada. Para quebrá-la eu começo com: Eu saúdo o Buda em seu interior.

Para mim todos vocês são Budas. Todos os seus esforços a fim de se iluminarem serão ridículos se vocês não forem capazes de aceitar esse fato básico. Isso tem de estar o tempo todo subentendido, é necessário que se torne um entendimento implícito – que você é um Buda!  Esse é o ponto de partida correto a ser adotado, do contrário você se extraviará. Esse é o começo certo! Parta dessa visão e não fique preocupado que isso possa criar algum tipo de ego – o de que “eu sou um Buda”. Não se preocupe, porque todo o processo do Sutra do Coração vai deixar claro para você que o ego é a única coisa que não existe – a única coisa que não existe! Tudo o mais é real. 

Neste mundo existiram sábios que disseram que o mundo é ilusório e que a alma é existencial – o “eu” é verdadeiro ao passo que todo o restante é ilusório, maya. Buda diz exatamente o adverso: ele diz que apenas o “eu” é irreal, tudo o mais é real. E eu concordo com Buda mais do que com qualquer outro ponto de vista. A percepção de Buda é muito penetrante, é a mais aguda e intensa. Ninguém jamais penetrou esses reinos, profundidades e alturas da realidade.

Mas parta dessa visão, comece com essa ideia e ela criará um clima em torno de você. Deixe-a ser declarada a todas as células de seu corpo e a cada pensamento de sua mente; deixe que isso seja declarado em todos os cantos e recantos de sua existência: “EU SOU UM BUDA!”. E não se preocupe com o “eu”. Nós daremos conta dele.

O estado de buda e o “eu” não podem existir ao mesmo tempo. Quando o estado de buda se revela o “eu” desaparece, assim como a escuridão desaparece quando você se aproxima com a luz.

(...)

Este sutra pode ocasionar uma revolução em você.

A primeira coisa a se fazer é iniciar com a pergunta: “Quem sou eu?”. E prossiga indagando. Não pare de investigar. Muitas respostas virão, a mente dirá: “Você é um corpo! Que absurdo! Não há necessidade de perguntar, você já sabe disso”, ou até mesmo “você é a alma, o espírito, a consciência suprema”... Lembre-se, você deve parar apenas quando nenhuma resposta estiver vindo, jamais antes. Enquanto vir alguma resposta dizendo “você é isso, você é aquilo”, saiba bem que a mente o está suprindo com respostas. Quando você chegar ao ponto de indagar “Quem sou eu?” e nenhuma resposta estiver vindo de qualquer lugar, então há silêncio absoluto. A sua pergunta ressoa em si mesmo: “Quem sou eu?”, e há um silêncio e nenhuma resposta surge de lugar algum. Você está absolutamente presente, absolutamente silencioso, e não há sequer uma única vibração. “Quem sou Eu?” – e apenas o silêncio. Então um milagre acontece: de repente você não pode sequer formular a pergunta. A pergunta final tornou-se absurda. As respostas  tornaram-se absurdas e por isso as perguntas também se tornam absurdas. Primeiro desaparecem as respostas e depois desaparecem as perguntas – porque uma somente pode existir ao mesmo tempo que a outra. Elas são como os dois lados de uma moeda – se um lado for retirado o outro não pode ser mantido. Primeiro as respostas desaparecem, depois desaparecem as perguntas. E com o desaparecimento da pergunta e da resposta, você chega à realização: você é transcendental! Então você sabe, e no entanto você não pode dizer; você sabe, mas não consegue articular sobre isso. A partir de seu próprio ser você sabe Quem você é, mas isso não pode ser verbalizado. E esse conhecimento é vívido, existencial; não se trata de um conhecimento emprestado retirado das escrituras. É um conhecimento seu, e não dos outros. Ele surgiu em você.

E com esse surgimento, você é um Buda. Então você começa a rir, porque você veio a saber que você tem sido um Buda desde o princípio de todos os tempos; você apenas não tinha notado esse fato tão profundamente. Você esteve correndo em voltas, para lá e para cá, do lado de fora de seu ser. Mas agora você está em casa.

(...)

Reverenciada seja a Perfeição da Sabedoria, O Adorável, o Sagrado!
Avalokita, o Senhor Sagrado e Bodhisatva, moveu-se nos cursos profundos da sabedoria, para o mundo-além.
Daquelas alturas, Ele olhou para baixo e viu cinco agregados.
E Ele viu que em si próprios, os agregados eram vazios.

Quando você olha daquelas alturas, a partir daquele referencial... Por exemplo, eu disse que estava saudando o seu Buda interior. Essa visão ocorre daquele referencial: essa de que eu vejo todos vocês como Budas. E a outra visão é a de que vocês são apenas cascos vazios. 

Aquilo que você pensa que é nada mais é do que uma couraça vazia. Uma pessoa pensa que é um homem, isso nada mais é do que uma ideia vazia. A Consciência não é masculina nem feminina. Outra pessoa pensa ter um corpo extremamente belo, ela é bonita, forte, isso e aquilo – tudo isso são ideias vazias, todas elas são o ego te enganando. Uma pessoa pensa que conhece/sabe o bastante – algo totalmente insignificante. O  mecanismo dela apenas tem acumulado memória e ela está sendo enganada por suas próprias memórias. Todas essas coisas são vazias.

Assim, quando vejo do ponto de vista transcendental, vejo todos vocês como Budas; por outro lado, eu os vejo como couraças vazias.

Buda disse que a existência do homem consiste na acumulação de cinco elementos, de cinco skandhas (amontoados/agregados), todos eles vazios. E devido à combinação dos cinco, surge um subproduto chamado ego, o self. É exatamente como o funcionamento de um relógio-tique-taque. Você sabe que o tique-taque está vindo dali. Você pode abrir o relógio e separar todas as partes na tentativa de descobrir de onde exatamente está vindo o ruído. Mas você não conseguirá encontrá-lo em lugar algum. O som do tique-taque é um subproduto que surge da combinação de algumas peças. Umas poucas peças funcionando juntas estavam produzindo o ruído.

O seu “eu” nada mais é que isso: cinco elementos combinados e funcionando juntos, produzindo o ruído chamado “eu”. Mas esse “eu” é vazio, não existe nada nele. Tente encontrar ali qualquer coisa substancial e você não conseguirá. 

Essa é uma das percepções mais profundas de Buda: que a vida é vazia – esta vida como a conhecemos é vazia. Mas a vida é plena também, mas nós não sabemos nada sobre isso. A partir deste vazio você tem de se mover em direção a uma plenitude, mas essa plenitude é inconcebível para você neste momento – porque do atual referencial em que você se encontra, essa plenitude parecerá ser vazia. A partir de onde você está olhando, a plenitude parece ser um vazio – um rei parecerá ser um mendigo, um homem de conhecimento e sabedoria parecerá ser tolo e ignorante. 

Uma pequena história:

Certa vez um homem santo aceitou um discípulo, e disse-lhe: “Seria muito bom se você pudesse escrever registrando tudo o que você entende sobre a vida religiosa e sobre o que trouxe você à ela.”

O discípulo foi embora e começou a escrever. Um ano depois ele voltou ao mestre e disse: “Eu trabalhei muito duro nisso, e aqui estão as principais razões da minha busca.”

O mestre leu os registros, que comportavam milhares de palavras, e então disse ao jovem aluno: “seu trabalho está admiravelmente embasado e fundamentado, mas está um pouco longo demais. Tente diminuir um pouco.” Assim, o novato foi embora e depois de cinco anos voltou com apenas cem páginas.

O mestre sorriu e, depois de ter lido os papeis, disse: “Agora você está realmente se aproximando do centro da questão. Seus pensamentos têm clareza e força, mas ainda está um pouco longo... tente reduzir mais.”

O novato foi embora triste, pois ele tinha trabalhado duro para alcançar a essência. Mas depois de dez anos ele voltou e, curvando-se perante o mestre, ofereceu-lhe apenas cinco páginas, e disse: “Esse é o núcleo da minha fé, o âmago da minha vida, e peço sua bênçãos por ter me conduzido até ele.”

O mestre leu bem devagar e com cuidado: “É realmente maravilhoso”, disse ele, “toda essa simplicidade e beleza... mas ainda não está perfeito. Tente chegar a uma clarificação final." 

E quando o mestre tinha chegado aos seus últimos tempos e estava se preparando para o seu fim, seu aluno veio a ele novamente e, de joelhos dobrados diante dele para receber suas bênçãos, entregou-lhe uma folha de papel em que nada estava escrito.

Em seguida o mestre colocou as mãos sobre a cabeça de seu amigo e disse: “Agora... agora você entendeu.”

Se você está imerso no referencial mundano, ao tentar compreender o transcendental, ele terá uma aparência de NADA para você. E se você estiver imerso no referencial transcendental, ao olhar para o mundano, ele também terá a MESMA aparência de nada para você. Olhando daqui onde estou, tudo o que você tem é vazio; e olhando a partir do lugar onde você está, o que eu tenho é vazio, nada.

Buda parece vazio – apenas o puro nada – para você. Por causa de suas ideias, por causa de seus apegos, por causa de sua possessividade sobre as coisas, Buda parece vazio. Buda é pleno, completo: você é vazio. E a visão dele é absoluta, e sua visão é apenas relativa. 

O Sutra diz:

Reverenciada seja a Perfeição da Sabedoria, O Adorável, o Sagrado!
Avalokita, o Senhor Sagrado e Bodhisatva, moveu-se nos cursos profundos da sabedoria, para o mundo-além.
Daquelas alturas, Ele olhou para baixo e viu cinco agregados.
E Ele viu que em si próprios, os agregados eram vazios.

O vazio é a chave do Budismo – shunyata. Medite sobre este sutra – medite com amor, com simpatia, não com a lógica e a razão. Se você lidar com este sutra com a lógica e a razão, acabará por matar o seu espírito.  Não raciocine, e não tente dissecá-lo. Tente compreender os sutras como eles são, e não traga a sua mente – sua mente será uma interferência.

Se você puder lidar com este sutra sem a interferência da mente, uma grande claridade ocorrerá a você.

Osho - The Heart Sutra


sexta-feira, setembro 13, 2019

Praticando a Percepção

- Núcleo - 


Meus Divinos Amigos,

Em complemento à postagem anterior, “a natureza impessoal da Percepção”, permitam-me compartilhar agora um aspecto importante sobre a Percepção, cuja natureza, enfatize-se, é impessoal.

O aspecto a ser enfocado é a prática! Por ser impessoal, a Percepção não está no nível da mente [da mente do personagem], ou seja, não está na Representação; não sendo assim o personagem QUEM PERCEBE! [Notem a elucidação dada por Jesus a Simão observando que: “Isso Quem te revelou não foi ‘carne e sangue’, mas meu Pai, que está no Céu.” [Céu é a Realidade; a Realidade Divina subjacente à Representação].

Para podermos nos aprofundar neste tema e enfatizar sua importância, permitam-me aqui traçar um paralelo entre os ensinamentos de Jesus e de Masaharu Taniguchi. 

Masaharu Taniguchi deu ênfase à revelação divina de que: “O Homem é Filho de Deus”!

Esse ensinamento de Masaharu Taniguchi é em si uma Percepção, que foi por ele sempre compartilhada. O algo aqui a ser enfatizado é que, sendo uma Percepção, isso não está na mente de nenhum personagem – isso advém do próprio Ator subjacente ao personagem! Notem que a Verdade “Homem Filho de Deus” procede do Real e é uma revelação divina!

Os personagens que não se dão conta deste fato, de que a Verdade “Homem Filho de Deus” é uma revelação divina, tendem a “passar batido” por esse importante ponto do ensinamento! 

Essa é uma revelação sobre a real identidade do personagem e que deve ser simplesmente aceita pelo personagem “com o coração de criança”, como diria Jesus, ou seja, sem dúvida, sem quaisquer questionamentos da mente do personagem a esse respeito! Pois, trata-se da Verdade, que é a própria Realidade, ou seja, que não está na Representação, e sendo assim não é acessível pela mente do personagem. O que não significa que não esteja acessível. Em verdade isto está “à mão”, bastando que o personagem não interponha suas considerações mentais sobre esta revelação!

O segredo para se desfrutar as Revelações divinas, as Percepções, é simplesmente aceitá-las e praticá-las! Por isso, outro grande ensinamento espiritual, conhecido como O Caminho Infinito, de Joel Goldsmith, revela que devemos semear, plantar em nossas mentes, uma passagem das Sagradas Escrituras e simplesmente permitir que elas floresçam em nós. Esse é o segredo!

Uma citação bíblica como: “O Senhor é meu pastor e nada me faltará” é uma revelação divina, que veio a algum personagem bíblico como uma Percepção e que foi então registrada para ser desfrutada e compartilhada por todos os “Filhos de Deus”. 

E quem são os “Filhos de Deus”? 

São os que se conduzem pelo “Espírito de Deus” já presente em nós, que é em nós quem Percebe as coisas de Deus. Não são pois os que se conduzem pela “carne”, pela mente dos personagens.

Por isso devemos meditar [semear em nossas mentes] o que está escrito em Romanos 8:13-15:

“Porque, se viverdes de acordo com a carne [de acordo com os ditames da mente], certamente morrereis; no entanto, se pelo Espírito fizerdes morrer os atos do corpo, vivereis. Porquanto, todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Pois vós não recebestes um espírito que vos escravize para andardes, uma vez mais, atemorizados, mas recebestes o Espírito que os adota como filhos, por intermédio do qual podemos clamar: “Abba, Pai!”

Assim, sobre esse tema,“a natureza impessoal da Percepção”, todos os ensinamentos dos iluminados convergem para a necessidade da prática das revelações advertindo que devemos “descalçar as sandálias dos pés” [descartar os conceitos da mente dos nossos personagens que nos prendem à Representação, ao Irreal] e nos conduzirmos pelas Revelações, as Percepções!

O ensinamento aqui compartilhado não está inovando, pois a Verdade permanece a mesma; está apenas ressaltando que as Revelações Divinas são Percepções, cuja natureza é impessoal. Por isso foram válidas para Joel Goldsmith, para Masaharu Taniguchi, para Jesus, e para todos os outros santos e iluminados de quaisquer tradições, que as desfrutaram e compartilharam!

Enfim, para que as Percepções possam ser desfrutadas devem ser aceitas sem questionamentos mentais. Essa é a Revelação mais explícita sobre isso: “Descalça as sandálias dos pés porque o solo onde estás é solo sagrado!” 

Partam das Percepções, elas têm natureza impessoal!
Percebam, desfrutem e compartilhem.

Namastê.


terça-feira, setembro 10, 2019

A natureza impessoal da Percepção

- Núcleo - 


Sobre a realidade e presença do Ser Real em nós [a Realidade do Ator subjacente ao personagem] e sobre a percepção de “Quem faz” [Quem em nós efetivamente age] observem estes esclarecimentos essenciais de Jesus e de Masaharu Taniguchi:

Disse Jesus: 

1) “ Não credes que estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que vos digo não as digo de mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, é que realiza as suas próprias obras.” (João 14:10). 

Aqui Jesus compartilha Sua Percepção da Presença do Ser Real em Si.

2) “Em verdade, em verdade vos asseguro, que o Filho nada pode fazer de si mesmo, mas somente pode fazer o que vê o Pai fazer, pois o que este fizer, o Filho semelhantemente o faz.” (João 5:19). 

Aqui Jesus compartilha Sua Percepção de “Quem faz”.

3) “Eu sou o que testifico de mim mesmo, e de mim testifica também o Pai que me enviou.” (João 8:18). 

Aqui Jesus compartilha a percepção do Filho de Deus, o “personagem desperto”, em unidade com a Percepção do Pai, o Ser Real, que é sua real identidade . 

Disse Masaharu Taniguchi: 

"Quando compreendemos que nada podemos fazer com a nossa própria força, começa a agir em nós a força de Deus. A conscientização não será verdadeira enquanto insistirmos em utilizar a nossa própria força, opondo-nos a Deus. Jesus, após tomar a consciência: 'Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma', compreendeu: 'O Pai, que está em mim, esse é que faz as obras'. O mestre budista Shinran, após se sentir o pior dos pecadores – sentimento expresso na frase 'Meu corpo não possui nem o mínimo de sentimento de caridade; meu coração é abominável como o de serpente' –, tomou consciência da unidade com Buda. A fé não acompanhada da anulação total do eu falso pode fazer com que a pessoa se torne prepotente."

O “falso eu” é, na metáfora usada no Núcleo, o personagem, cuja percepção [percepção da mente do personagem] é incapaz inclusive de perceber o Real [o Ator em nós]. É a percepção do próprio Ser Real [a percepção do Ator em nós] que Se percebe!

Não há uma evolução da percepção do personagem para a percepção do Ator! Embora muitos buscadores espirituais [muito personagens] acreditem que a prática espiritual os fará evoluir até atingirem a iluminação isso não acontece! A iluminação, que é a Percepção de Quem Somos, é uma não-identificação com a identidade de nossos personagens. Enquanto a pessoa [ a persona] acredita que irá evoluir até se tornar iluminada, o real iluminado [o Ator subjacente ao personagem] já está presente!

Aquilo que é irreal, o personagem, não se torna real, não se torna o Ator. O Ator sempre está presente. O que acontece na Representação é que o personagem iluminado passa da condição de personagem indesperto para a condição de personagem desperto. O personagem desperto está consciente da realidade do Ator subjacente a Si, então age com esta consciência. Por isso Jesus esclareceu que: o Filho nada pode fazer de si mesmo, mas somente pode fazer o que vê o Pai fazer, pois o que este fizer, o Filho semelhantemente o faz.

E por isso Jesus disse: "Crede-me: estou no Pai, e o Pai em mim. Crede-o ao menos por causa destas obras." (João 14, 11)

O mais incrível nisso tudo é que essa obra de conscientização sobre nossa real identidade continua sendo realizada, aqui mesmo, neste momento!

Compartilho a percepção que se segue de forma totalmente impessoal, que é a forma como devem ser compartilhadas todas as percepções, pois, elas têm validade impessoal. Essa é a própria natureza das Percepções! 

"Não credes que estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que vos digo não as digo de mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, é que realiza as suas próprias obras."  (João 14, 10)

É o que percebo, desfruto e compartilho. 

Namastê!