"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

sexta-feira, junho 21, 2019

Preleções Nucleares: A Unidade Essencial - 3/4

- Gustavo -


Continuando a explanação da tabela sinótica:




10 – A Consciência é dotada de percepção, a mente é dotada de sentimento. Isso significa que "Quem percebe" é o Eu Real, e não o eu fictício, o eu do personagem. O personagem tem apenas sentimentos, mas não tem a verdadeira percepção. O senso de "eu sou"  do personagem não é verdadeiro, mas o personagem sente que é. Trata-se de um sentido falso de "eu sou", pois o eu sou do personagem apresenta o sentido de "eu existo como entidade específica, separada e isolada". No personagem, a percepção está dividida, fragmentada; consequentemente  "eu sou" aparentará  estar isolado, dividido, fragmentado. A natureza da percepção é ser inteira, total. Uma percepção fragmentada é uma percepção distorcida, ilusória, irreal. Portanto, a mente do personagem não é a detentora da percepção.

A percepção é dividida ou fragmentada quando nossa atenção está voltada para o exterior, mas não está em si mesma. Com percepção fragmentada, a pessoa percebe o mundo a sua volta, percebe as pessoas que estão em volta, mas não percebe a si mesma. A pessoa percebe até o próprio corpo, mas não olha para a si mesma. Parece que somente o mundo, as pessoas e o corpo são fenômenos dignos de atenção. Mas a percepção – a própria percepção em si – também é um fenômeno que está acontecendo. E esse fenômeno é a fonte, a origem de tudo. Mas ninguém está alerta para ele. Ao invés de dirigirmos a atenção para a própria atenção e o mundo ao mesmo tempo (considerando a dignidade de ambos, ao invés de apenas um), nossa atenção observa apenas o mundo. Esse é o mecanismo da mente do personagem: encaminhar o fluxo de atenção para o mundo exterior e evitar que o mesmo fluxo dirija-se para a atenção em si.  É então que a atenção/percepção torna-se dividida, fragmentada, não integrada.

No Ser a percepção está inteira, não fragmentada, total, una, integrada. A percepção está imersa em si mesma, em contato consigo mesma. Como uma gota que caiu no mar, a percepção caiu e dissolveu-se e perdeu-se completamente em si mesma. A percepção se integrou à percepção, tornou-se absoluta. Ela não está mais voltada somente para os fenômenos externos. O fenômeno interno, central, nuclear, foi encontrado. Quando a atenção está assim inteira, o senso "Eu sou" da Consciência do Ser emerge e o indivíduo percebe que ele – a parte, a gota – é na verdade a Totalidade, o Oceano inteiro.


11 – A percepção consciencial revela a unidade, o Eu que somos. “Eu” vive no universo consciencial infinito. “Eu”, que é infinito, é UM com seu o próprio universo consciencial infinito. O Infinito só pode ser o UM em Si mesmo. Portanto, a Unidade é a realidade da Consciência do Ser. 

Na unidade tudo já é. Tudo está imediatamente ao alcance, disponível, manifestado. Na Unidade não existe separação em absoluto. Todavia isso é constatado somente mediante a percepção consciencial. A percepção mental concebe a dualidade, ou seja, o senso de divisão, separação, isolamento. A mente divide todas as coisas. Para a mente, não é apenas o senso de “eu” que existe separado de tudo o mais – todas as coisas parecem estar separadas de todas as coisas. Ela cinde a realidade em “passado”, “presente” e “futuro”. A mente concebe uma divisão/separação absoluta.

Na dimensão da Consciência do Ser, “Eu” está em unidade com todas as coisas, com todos os seres, com o universo inteiro. Isso é assim porque Deus é tudo o que existe, e tudo o que existe existe em Deus. É como um mecanismo perfeito, completo, fechado em si mesmo. Deus é o Ser individual que somos. O Ser individual (a Parte) contém o Todo dentro de si; em decorrência disso, a Parte também encerra todas as outras Partes dentro de si. Deus é uma Unidade perfeita sendo –  o Universo Infinito funciona assim. Somos a plenitude, o próprio Universo Infinito. O Reino de Deus inteiro está dentro de nós. Tudo o que é do Pai, é também nosso, e nisso somos glorificados.

Tendo compreendido isso, podemos dar um passo adiante e compreender que se estamos em Unidade com Deus consequentemente somos unos com a paz, a sabedoria, a bem-aventurança, tudo já existe dentro de nós. Esse é um outro segredo: A nossa unidade com Deus garante a nossa unicidade com todas as coisas. 

Jesus, em uma de suas parábolas, enfatiza essa verdade valendo-se da imagem da Videira e dos ramos. Ele diz:

“Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo o ramo que em Mim não der fruto, Ele o cortará; e todo o que der fruto, Ele o limpará para que dê ainda mais. Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado. Estai em Mim como Eu em vós; como o ramo de si mesmo não pode dar fruto se não estiver na videira, assim também vós não podereis se não estiverdes em Mim. Eu sou a videira, vós os ramos; quem está em Mim, e Eu nele, esse dá muito fruto; porque sem Mim nada podeis fazer. Se alguém não estiver em Mim, será lançado fora, como o ramo, e secará. Se vós estiverdes em Mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito. Nisto é glorificado meu Pai: para que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos.” (João 15:1-8)

Jesus está revelando a Unidade ao dizer que Ele é a videira e todos os personagens são ramos ou galhos da videira. Ao afirmar “eu sou a videira”, Ele não está fazendo menção ao seu personagem, mas está se referindo ao Cristo para o qual ele despertou. O personagem Jesus também é um ramo da videira.

A fim de compreender melhor as implicações desta analogia, visualize em sua mente um tronco de árvore do qual crescem muitos ramos. Remova, agora, o tronco. Tudo o que sobrou são muitos ramos soltos e pendentes no espaço, desligados uns dos outros e de qualquer coisa. Estando soltos no ar, desligados da videira, como os galhos manter-se-ão suspensos no ar? De onde eles retirarão os nutrientes ou substâncias necessárias para o seu sustento? Em pouco tempo cada um destes galhos terá consumido a pouca vida que estava em si e caído. Um galho sozinho não consegue suprir a própria vida. Agora restaure em sua mente o tronco da árvore e note o que aconteceu aos ramos. Todos eles estão ligados à Árvore, que está enraizada e fundada na Terra, retirando para si todos os nutrientes necessários ao crescimento e desenvolvimento e fluí-las aos ramos. Os ramos não precisam se preocupar e lutar por seu sustento. A Árvore, o tronco principal (o Ser individual, o Cristo, o Filho de Deus, o Atman) retira da Terra (O Ser universal, o Pai Eterno, Paramatman) todo o bem necessário a fim de abastecer a vida dos ramos.

E Jesus afirma claramente que nós somos ramos ligados à videira. Podemos então compreender que a nossa vida não depende de nosso próprio poder, força ou sabedoria pessoais. O Cristo em nós é "Quem faz", é Ele quem providencia para todas as nossas necessidades. Por causa desta videira (Cristo), não há necessidade de lutarmos por nossas vidas, de vivermos afastados uns dos outros, ou de lutarmos uns contra os outros. Este Cristo invisível, o tronco invisível da árvore enraizada em Deus, recebe todo o bem para Si e o lança para nós. O nosso suprimento não depende de nós, assim como o suprimento do ramo não depende de si mesmo. Estamos unidos na videira, somos um em Cristo! A plenitude do ramo depende unicamente do seu CONTATO (a percepção consciente de sua unidade) com a Videira. A menos que reconheçamos a nossa unicidade consciente com Deus, seremos como galhos desligados da Videira, cairemos e secaremos.
A chave para fazer manifestar no mundo da representação as riquezas existentes no Universo Infinito da Consciência é a oração ou meditação na qual conscientizamos o nosso bem como já manifestado. Orações ou meditações que utilizam a mentalização também são meios eficientes de trazer ao mundo visível tudo o que já existe no Universo da Consciência do Ser. Todos esses ensinamentos possuem como base o princípio de que tudo o que existe é UM.

Essas palavras não são apenas para serem lidas mentalmente. Neste momento, aproveite a própria leitura para exercitar a percepção consciencial – agora! Tudo o que está sendo aqui exposto não é conhecimento para ficar na teoria, é para ser treinado, praticado. Portanto, comece a treinar a sua percepção durante a própria leitura deste texto. E não é apenas com o texto – isso vale para tudo, esteja sempre alerta. Neste instante, volte-se inteiramente para o momento presente e perceba Quem está fazendo aparecer este texto diante de você. Perceba Quem está aparecendo como aquele que escreve; perceba Quem está aparecendo como a mensagem que está sendo lida; e perceba Quem está aparecendo como aquele que está lendo. Mais do que isso, perceba Quem está movendo a sua mão, perceba Quem está aparecendo como a sua visão, perceba Quem está enxergando com os seus olhos; perceba Quem está sendo por inteiro o seu personagem. Por fim, perceba Quem está percebendo em você. Tudo está acontecendo simultaneamente na Consciência do Ser e ninguém da representação está fazendo coisa alguma. Se estiver percebendo consciencialmente, verá que estas palavras emergem de Mim, emergem de Quem Sou e se destinam a Você, que é Quem Sou, pois, em realidade, só há UM de nós. Se tudo isso for apenas lido e não praticado, essa teoria servirá só de conhecimento para a mente e não será de nenhum valor real.


12 – O Silêncio pode ser compreendido como o estado de máxima atenção e receptividade ao Ser. Ele pertence à sublime dimensão espiritual. Ele é o solo, o ambiente no qual a Realidade Divina floresce. No Silêncio tudo está acontecendo. Significa que o Infinito inteiro está acontecendo de uma única vez, num só lance – tudo está dentro! Na representação as coisas não ocorrem assim, tudo o que existe nela não pode ocorrer ao mesmo tempo. Não há "espaço" para todas – enquanto algumas delas acontecem outras devem esperar lá fora. O Silêncio é o meio para percebermos o universo consciencial.

Para compreendermos o que é o Silêncio, vamos, por um momento, entende-lo como vazio. Silêncio é o vazio. E vazio é sinônimo de espaço. Existem diferentes categorias de vazio ou espaço. Algumas delas são mais utilitárias que outras. Por exemplo: o vazio (espaço) que existe entre os planetas do sistema solar é diferente do espaço vazio que existe aqui dentro do nosso planeta Terra. O vazio do espaço cósmico é mais aéreo, abstraído, aberto, espaçoso. Graças a isso, a sua utilidade é maior, ele é capaz de comportar maiores conteúdos. Por sua vez, o vazio que existe aqui em nosso planeta (por exemplo, o espaço vazio de nosso quarto) não é tão vazio, aéreo ou abstraído como é o vácuo espacial. O vazio aqui da Terra está cheio de ar. Porém, mesmo estando cheio de ar e não sendo tão vazio (útil) quanto o espaço cósmico, é possível utilizá-lo para colocarmos os nossos móveis lá dentro. Assim, podemos perceber que o "vazio do universo" é mais vazio (útil) do que o "vazio terrestre". Da mesma forma, o Silêncio é mais vazio do que o espaço (vazio) onde existe a representação. Graças a isso, um universo grandioso pode acontecer ali. O Universo consciencial é um fenômeno grande demais para caber dentro de um vazio tão pequeno. Seria muito desconfortável para o Divino se manifestar no espaço (vazio) onde ocorre a representação. O Universo Divino sente-se a vontade para acontecer no Silêncio, porque esse é o ambiente ideal para ele.

Outra forma de conceber o Silêncio poderia ser esta: a Realidade Divina é como um programa de computador de alta tecnologia que, para poder funcionar, necessita utilizar configurações de altíssima resolução e bastante pesadas. Não é qualquer máquina que aguentaria rodar um programa de porte tão alto. Seria necessário ter o equipamento adequado. O Silêncio é esse equipamento de alto nível que permite rodar o superior programa de computador.

Vibração [palavra]. As escrituras védicas revelam que OM (Verbo) é o som ou vibração primordial que colocou em movimento as energias latentes do cosmo e fez surgir o universo da representação. Tudo o que existe no universo do personagem é resultante de vibração ou palavra. A palavra é força criadora. Neste universo  tudo é energia, e as energias variam segundo a frequência (faixas) de vibração ou aceleração. A luz é energia acelerada (faixa de alta frequência vibratória); e a matéria em seu estado bruto é energia condensada (faixa de baixa frequência vibratória).  O corpo é energia e a mente também é energia. São a mesma energia – corpo e mente são um. O corpo é o aspecto "denso" e "grosseiro" da mente; enquanto que a mente é o aspecto "sutil" e "refinado" do corpo. Em razão dessa unidade, tudo o que existe na mente manifesta-se também no corpo e na matéria. Esse é o princípio ensinado pela ciência mental.

A ciência mental diz que tudo o que for pensado na mente tende a se manifestar no corpo concreto e também no mundo físico. O pensamento é energia, vibração, palavra.  E palavra é emissão de comando para o universo. O universo está sempre respondendo "sim" aos nossos comandos. O termo "palavra", aqui, deve ser compreendido em seu sentido amplo. As palavras que saem de nossa boca são todas vibração/palavra/comando. Nossos comportamentos e ações são "palavra". Nossos sentimentos também são palavra, energia. Até mesmo a postura corporal ou expressão fisionômica que assumimos constitui força ou palavra. Cara feia e fechada é palavra negativa; e uma cara descontraída, sorridente, feliz e alegre é palavra positiva. Tudo isso é energia (força, vibração, palavra!) que emitimos para o universo. E em nossa vida atraímos de volta tudo o que emitimos. Ao emitirmos palavras positivas de saúde, otimismo e alegria, a mente universal capta e recebe essa energia (comando) e os devolve à fonte emissora com intensidade aumentada. O mesmo vale quando emitimos palavras negativas: cedo ou tarde deveremos colher o fruto dessas palavras. Nossas palavras criam a nossa realidade. É importante notar é que o universo não responde ao que queremos, ele responde às forças (palavras) que brotam e existem em nós. O universo responde ao que somos. Se o nosso ser (pensamentos, sentimentos, palavras, condutas e atos) não está alinhado com o que estamos pedindo, dificilmente teremos os nossos desejos atendidos.

Tudo aquilo que desejamos ou pensamos, para nós ou para outrem, retorna para nós. O universo inteiro funciona como um espelho. Aquilo que oferecemos reflete no espelho único do universo e retorna para nós infalivelmente. Uma das leis ou regras que regem o universo da representação é a lei do "dá e receberás". Aquilo que damos, recebemos. Com essa lei, o universo tem uma mensagem para nos dizer. Eles está nos dando a dica de que na realidade (mesmo no universo da representação) existe um único "eu". Foi em razão disso que Jesus recomendou que deveríamos fazer ao nosso próximo somente aquilo que gostaríamos que fosse feito para nós. Deus permitiu que essa lei regesse o universo da representação a fim de que cedo ou tarde, pela lei da evolução, descobríssemos que na realidade o outro não existe. Há unicamente um "eu".


13 – O Universo da Consciência do Ser é pleno, absoluto, completo em si mesmo. Está pronto, consumado; nele, tudo já é. O universo do personagem não é absoluto e não apresenta a mesma plenitude, não está consumado. O Ser não carece de coisa alguma. Devido a isso, a palavra "Conhecimento" que está inserida na coluna do Eu Real refere-se ao conhecimento absoluto. É diferente do conhecimento relativo o qual está relacionado à mente do personagem. Em geral, os personagens acreditam ser necessário adquirirem um prévio conhecimento espiritual para poderem perceber a Consciência; primeiro eles acumulam  muitas informações para somente depois passarem à prática. Esse pode constituir um caminho, mas não é realmente necessário ser assim. Os conhecimentos relativos não atuam como condições obrigatórias para perceber a Consciência do Ser. Não é necessário ler pilhas e pilhas de livros. Há um caminho direto que consiste em compreender que: Deus é um ser completo. O Conhecimento necessário para perceber o Ser já existe no próprio Ser. O Ser que somos contém si tudo o que é necessário. Por isso os conhecimentos relativos podem ser dispensados. Se compreendermos realmente que o Ser não depende de "conhecimentos" para perceber-Se ou conhecer-Se, a própria compreensão provoca a transformação, a alquimia, a mágica: subitamente percebemos que é o Ser quem percebe em nós. A percepção mental dá lugar a percepção consciencial.

Da mesma forma – por ser completa – a Consciência do Ser dispensa a necessidade da experiência. Seria incorreto afirmar que o Universo do Ser "existe" ou que ele "não existe", e entrar em debates acerca de sua existência ou inexistência. Isso porque o Universo Consciencial não carece da experiência da existência ou inexistência. Ele está acima disso. Ele está completo! O Ser simplesmente é. A experiência de "existir" ou "não existir" é para o personagem e seu universo. Nós não devemos tentar compreender o Universo Consciencial com base nas características conhecidas assumidas pelo universo da representação. A Consciência do Ser existe ao seu próprio modo – ela é!

O universo da representação é como uma peça de teatro: as coisas que nele estão sendo encenadas são ficções, irrealidades. Um ator não necessita representar ou encenar a sua vida real – ele a vive. O personagem teatral não surge enquanto não entrar a irrealidade. A realidade nunca é encenada, mas é diretamente vivida. No teatro é encenado somente aquilo que "não é". Com isso em mente, consideremos o seguinte: Amor é o que Deus é, ao passo que o medo é aquilo que Deus não é. Unidade é o que Deus é, ao passo que a dualidade/separação é aquilo que Deus não é. Eternidade/Atemporalidade é o que Deus é, ao passo que  morte/temporalidade é aquilo que Deus não é. Como não é da natureza de Deus ser "separação", "medo", "temporalidade", Ele irá encená-los: é então que surge a experiência do universo da representação. Assim, a luz, o amor, a sabedoria, a vida, a alegria, a bem-aventurança, a harmonia e a paz existem como existências verdadeiras, enquanto que as trevas, o medo, o mal, o sofrimento, as infelicidades e a morte existem como representações. O universo da representação existe com a finalidade de permitir a experiência daquilo que "não é". Apesar disso, em razão de uma unidade essencial que existe entre personagem e Ser (também entre o Universo da Consciência e a representação), Deus se expressa na representação.

Continua...

segunda-feira, junho 17, 2019

Preleções Nucleares: A Unidade Essencial - 2/4

- Gustavo -


Na postagem anterior foi explanada a base de todo o ensinamento do Núcleo. Apresentando um resumo do texto anterior, destacamos os seguintes pontos: a) somos Consciência, Atenção ou Percepção; b) valemo-nos da metáfora do Ator e da representação divina para entender a Verdade espiritual profunda; b) Deus – a Consciência do Ser – é tudo o que existe. Ele é a Verdade Suprema; c) a nossa identidade real é a Consciência do Ser, é Quem somos; d) o universo da dualidade é uma representação divina; e) podemos perceber nossa identidade como sendo a Consciência do Ser (Quem somos) ou como sendo um personagem (quem estamos sendo); f) há em cada um de nós duas percepções: a percepção consciencial e a percepção mental; g) identificados com o Ser, percebemos com a Consciência do Ser; ao passo que quando estamos identificados com o personagem, percebemos com a mente do personagem; h) a percepção consciencial revela a percepção que o Ser tem da realidade; e a percepção mental revela a percepção limitada concebida pela mente do personagem.

Com essas lembranças em mente, consideremos a seguinte tabela sinótica apresentada num esquema de duas colunas:




Esse quadro comparativo permite ver num só lance as diversas facetas, características e atributos que inerem ao "Eu" e ao "eu".

No Núcleo, a percepção consciencial é a percepção que provém da Consciência do Ser, ou seja, do Ser Real, que é Deus. Aqui, a Consciência do Ser é representada pela palavra "Eu", com "E" maiúsculo. O Eu divino é escrito com "E" maiúsculo. Por sua vez, a percepção mental é a percepção que provém da mente do personagem, e o eu-personagem está representado pela palavra "eu" com "E" minúsculo. Há, portanto, duas identidades que podem ser percebidas por nós: o Eu Real (O Ser Divino, o Cristo, o Buda em todos nós) e o eu fenomênico (o personagem, irreal).

A fim de poder entender ainda melhor o que são essas duas percepções, vamos agora adentrar e explorar cada um dos 18 pontos comparativos da tabela:


1 – Na primeira coluna está revelado Quem somos (Eu). Somos a Consciência do Ser, o Eu todo-abrangente, impessoal, universal, infinito, eterno, imutável, pleno, único. A percepção consciencial nos revela que somos Aquilo que Deus é. Deus é Quem somos.

Na segunda coluna está revelado quem estamos sendo (eu), ou seja, estamos sendo um personagem que tem a característica de ser: específico, pessoal, mutável, efêmero e finito. Um personagem surge, dura pouco tempo e morre. Por isso, não se pode dizer que o personagem "é". Quem é, é sempre – eternamente. Uma vez que o personagem surge e desaparece, ele não é – está temporariamente sendo. Os personagens não são existências reais.

Assim, há uma grande diferença entre "Quem somos" e "quem estamos sendo". Nós somos o Eu Real. E, na representação divina, estamos sendo os nossos personagens.


2 – O Eu "é", ao passo que o eu está apenas sendo. "Quem somos" existia antes do surgimento da representação e continuará a existir após o desaparecimento da representação. O nosso Eu real existe desde "antes que Abraão existisse". "Quem somos" Se revela também na representação. Mas jamais Ele desaparecerá, mesmo que na representação passe completamente a eternidade dos tempos. Ele está situado acima e fora de todo o tempo. A eternidade do Eu não se compõe da eternidade dos tempos que na representação podem passar infinitamente. Eternidade não significa "tempo infinito"; eternidade significa "fora da dimensão do tempo". Eu é eterno em Sua própria dimensão de existência – a dimensão absoluta e real da existência, constante, perene, que sempre É. Somente assim é possível afirmar "Eu sou".

Ao contrário do Eu, o personagem "não é". Um personagem não pode dizer "eu sou", mas ele pode dizer que: "eu estou sendo". Isso é mais exato. Dizer que o personagem "é" é incorrer em erro – pois o personagem é transitório, efêmero. Portanto, palavra que melhor se aplica ao Eu é sou, enquanto que a palavra que melhor se aplica ao personagem é o termo estou.

Não somos quem estamos sendo, somos Quem somos.


3 –  É correto afirmar que Deus é o Ser. E é também correto afirmar que Deus está sendo o personagem. Há uma unidade essencial entre o Ser que somos e o personagem que estamos sendo. Essa unidade essencial existe, e só pode ser percebida pela Consciência do Ser em nós – a mente do personagem jamais percebe essa unidade. É necessário, portanto, despertar para o fato de que a percepção consciencial é uma percepção real e efetiva, que pode ser desfrutada por todos. Jesus, por exemplo, detinha essa percepção consciencial. Quando falava pela percepção mental, chamava a si mesmo de "filho do homem". Porém, quando falava a partir da percepção consciencial, chamava a si mesmo de "filho de Deus". Assim como o personagem Jesus, os nossos personagens também participam de uma Unidade essencial que há entre eles e Deus. Todos nós podemos representar o papel de nossos personagens e ao mesmo tempo permanecer conscientes de Quem somos. Quando estamos de posse dessas duas percepções, estabelece-se uma conexão entre personagem e Ser, então o personagem pode interagir consciencialmente com o Ser que em realidade somos.


4 – O Ser percebe com a Consciência, ao passo que o personagem percebe com a mente. O Ser só pode ser percebido pela própria Consciência do Ser. É a própria Consciência que percebe a Consciência. Tentar perceber Deus ou a Consciência com as faculdades da mente revelará ser um esforço vão e infrutífero. A mente somente pode perceber coisas mentais. Ninguém, com a visão dos cinco sentidos, com a visão mental, jamais viu a Deus. E Deus nunca será visto por essa forma. Somente o próprio Ser, pela “Consciência do Ser”, pode transcender a percepção da mente e perceber-Se! Devemos perceber Deus com a própria visão de Deus – com a visão de Deus em nós. As escrituras sagradas dizem que o que é espiritual só pode ser discernido espiritualmente, de Espírito para Espírito. Do mesmo modo, a nossa visão de Deus e o nosso encontro e interação com Deus dar-se-ão somente pela via da Consciência para a Consciência.


5 – O Ser está sempre em seu estado constante e permanente de Bem-Aventurança. A mente do personagem, por sua vez, ora está feliz, ora está infeliz. A mente existe no âmbito na dualidade, e na dualidade tudo o que existe é relativo, instável e passível de oscilação. A felicidade somente pode existir se houver o contraste com a infelicidade, ou seja, o seu oposto polar. Na dualidade as polaridades existem sempre juntas e ao mesmo tempo. Elas são como os dois lados de uma moeda – se um lado for retirado o outro não pode ser mantido. Felicidade e infelicidade, vida e morte, bem e mal, amor e medo, luz e sombra, são todos relativos e caminham juntos. Assim, devido à dualidade o estado mental deverá oscilar e flutuar constantemente entre essas duas polaridades.

O mesmo não ocorre no âmbito da Consciência do Ser. A dimensão de existência do Ser está situada fora da dualidade; o Ser existe na dimensão da Unicidade. Nessa dimensão existe o Bem absoluto, que não deve ser confundido com o bem relativo da dualidade que somente pode existir em contraposição ao mal. Da mesma forma, o estado de Bem-Aventurança do Ser é um estado absoluto que existe sem a necessidade de contraposição a um estado oposto. O Ser vive em estado imutável e constante de Bem-aventurança.


6 – O Atman está relacionado à Consciência do Ser. O que é o Atman? É o Ser Divino universal que Se manifestou como o Ser Divino individual. A Consciência do Ser é uma existência absoluta, suprema, universal, infinita e toda abrangente, é a Totalidade de todas as coisas. Quando essa Consciência Universal resolve Se manifestar como o Ser individual, nesse momento surge o Atman. Ao Ser Universal todo abrangente os ensinamentos védicos utilizam o termo Paramatman. E, quando Paramatman Se manifesta na forma individual, Ele passa a ser denominado Atman. Paramatman e Atman são Um em todos os seus aspectos! Eles são o mesmo Ser supremo e absoluto.

No ensinamento cristão, Deus enquanto Ser Universal (Paramatman) é designado como "Pai". Ao passo que, enquanto Ser Individual (Atman), Deus é chamado de "Filho". Deus é tudo! E Deus é o único Criador. Tudo o que foi criado por Deus é Deus! Porque não há, em absoluto, separação alguma entre Deus e Sua criação ou entre Deus e o homem. A única diferença que há entre Deus e o homem é a seguinte: o homem é a manifestação de Deus individualizada, enquanto Deus – a Consciência – é a imagem do próprio Ser infinito. Cada ser individual é uma expressão distinta, genuína e autêntica do Ser Divino. Cada ser individualizado é um "filho de Deus", é o próprio Todo manifestado como o indivíduo (parte). E a parte é tão infinita e vasta como o é o próprio Todo. Em qualquer situação, o Infinito continua sendo o Infinito.

É importante ter em mente que o homem ao qual nos referimos não é aquele que existe no âmbito da representação. O homem que existe na representação não é o homem verdadeiro (Atman), é apenas um personagem do Ser (Jiva). Quando falamos sobre o Atman, o Filho de Deus, estamos nos referindo ao homem verdadeiro que existe fora da representação. O homem verdadeiro que existe fora da representação não é um ser da representação. Ele vive na Realidade Divina sendo, portanto, um ser consciencial. Todos os seres conscienciais vivem na Realidade Divina e sabem Quem são, porque se percebem consciencialmente, e por isso se percebem como o Ser único. A realidade divina se expressa na representação, mas está fora da representação. O Atman existe em Paramatman. O Filho de Deus tem a sua vida e  existência em Deus. Pai e Filho são um.

A percepção consciencial é a percepção da Consciência do Ser, Deus. Quando acessamos a percepção consciencial e vemos com a visão de Deus, percebemos que a parte é o Todo e o Todo é a parte. Conhecer a "parte" significa conhecer a Totalidade, porque em se tratando de Deus, a parte não é "parte" em absoluto, mas é a própria Totalidade. Conheça a "parte", e você terá conhecido a Totalidade. Conheça o seu Ser Individual, e você terá conhecido o Ser Universal. Conheça o Filho, e você também terá conhecido o Pai. Jesus, que sabia ser o Filho de Deus, nos confirmou isso, dizendo: "Ninguém vai ao Pai senão por Mim.". Este "Mim" é o Filho de Deus.


7 – O Ser é atemporal. Ele habita a dimensão da Eternidade. Ele está fora do tempo, e está fora da representação. Nascimento e morte não O envolvem, são fenômenos que pertencem ao universo da representação. O personagem existe na representação, é temporal e está sujeito a nascimentos e mortes.

A Eternidade é o Presente atemporal. A partir de sua posição atemporal, que está acima da representação, o Ser contém em Si todos os tempos. Passado, presente e futuro existem todos ao mesmo tempo, de uma única vez, num só lance. Do ponto de vista do Ser, o passado não vem antes do presente, e o presente não vem antes do futuro. Na representação, o passado necessariamente ocorre antes do presente, e o presente ocorre antes do futuro. Para o Ser, passado, presente e futuro são imediatos, existem todos ao mesmo tempo. Em decorrência deste princípio, podemos afirmar que o Ser transcende o tempo, fazendo-Se presente (e acessível) em todas as épocas. Passado, presente e futuro da representação estão todos no Presente eterno atemporal que existe na dimensão da Consciência do Ser.

A Consciência do Ser é onipresente. Tudo o que o Ser foi no passado, Ele é no presente e será no futuro. Tudo o que foi válido para o Ser no passado, é também válido hoje e será válido em qualquer época no futuro – porque Deus não muda, Ele é sempre o mesmo. E nesse fato encontramos um outro segredo: toda a verdade afirmada pelos iluminados, avatares e santos do passado é também a verdade sobre nós próprios. Tudo o que eles declararam ser válido para eles, é também válido para nós (que estamos no presente) e para todos aqueles que estão vivos no futuro.

Na Bíblia (Lucas 4: 16-21), encontramos um exemplo perfeito dessa verdade. Num dia de sábado, Jesus compareceu à frente de toda a sinagoga para que lesse, diante de todos, a sagrada escritura. Jesus recebeu em mãos o livro do antigo profeta Isaías e, quando abriu o livro, encontrou o lugar em que estava escrito: "O Espírito do Senhor está sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a apregoar a liberdade aos cativos, dar vista aos cegos, pôr em liberdade os oprimidos, a anunciar o ano aceitável do Senhor". Após ler tais palavras proferidas por Isaías, Jesus, cerrando o livro, disse a todos os que estavam ouvindo: "Hoje se cumpriu esta escritura em vossos ouvidos".

Este acontecimento comporta um fundamento ou princípio espiritual de grande importância. Em geral, as pessoas pensam que essa passagem bíblica foi escrita meramente para informar ou narrar um fato a mais do dia-a-dia de Jesus, e por isso aproveitam muito pouco do que está ali contido. O significado espiritual dessa passagem está oculto em cada ação e atitude tomadas por Jesus, que não por acaso foram ali registradas. Se pudermos compreender cada uma de suas atitudes, teremos condição de nos colocar na posição de fazer o mesmo que ele, ou seja: acessar a mesma Presença ou Consciência com a Qual ele se identificava.

O que Jesus fez foi tomar como válidas para si mesmo as palavras ditas pelo profeta Isaías. Isaías foi um profeta que viveu no tempo do Antigo Testamento, em época muito anterior à de Jesus. Quando Isaías proferiu as palavras "O Espírito do Senhor está sobre mim, e me ungiu...", ele não estava profetizando, não estava se referindo a um Messias que viria no futuro, ele estava falando a respeito de si mesmo. Mas Jesus tomou as palavras de Isaías como válidas para si mesmo. Jesus compreendeu/reconheceu que a Verdade a respeito de Isaías era também a Verdade sobre de si mesmo, o que permitiu a ele dizer diante de todos: "hoje se cumpriu esta escritura em vossos ouvidos."

Ao reconhecer que a Verdade válida para Isaías era também a verdade para si próprio, Jesus acessou a percepção adimensional e atemporal (sem tempo ou espaço) da Unidade, onde ele e Isaías estavam integrados, não-separados. Em tal dimensão, o Universo não faz distinção de lugares ou seres; Ele é ao mesmo tempo todos os lugares e todos os seres, impessoalmente. Todos os "seres" e "lugares" são o Universo.

É muito importante notar que em sua vida Jesus jamais se encontrou com Isaías, não o conheceu, e nunca teve algum contato com ele. Muito pelo contrário: Isaías viveu na terra centenas de anos antes de Jesus. Apesar da atuação da poderosa força separativa de Maya (tempo e  espaço), Jesus identificou a verdade proferida por Isaías (centenas de anos atrás) como válida para si mesmo (hoje).

E a condição de separação que existia entre Jesus e Isaías é a mesma que há entre Jesus e cada um de nós. Olhando a partir de onde Jesus se encontrava, Isaías estava longe, no passado; olhando a partir daqui onde estamos, Jesus aparenta estar distante há 2000 anos. E hoje nós podemos abrir o livro da Bíblia e ali encontrar palavras/afirmações tremendas da verdade ditas por Jesus: "Eu e o Pai somos um", "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida", "Quem me vê a mim, vê Aquele que me enviou". Através do exemplo e atitude que demonstrou diante de todos os que estavam na sinagoga, Jesus ofereceu-nos a oportunidade de "segui-lo", mostrando que também podemos nos identificar com as palavras e as revelações divinas e sagradas, exatamente como ele fez. A unção que estava com Isaías e Jesus está também com cada um de nós que hoje tomamos o conhecimento dessas  palavras.
  
O que Jesus disse de si mesmo é válido para a humanidade inteira, hoje. O que Buda disse de si mesmo também é válido para a humanidade toda, hoje. O que Krishna afirmou sobre si mesmo também é a verdade sobre todos, hoje. É a Unidade do Todo que nos outorga autoridade para afirmar tais verdades sobre nós mesmos.

Essa verdade é assim devido ao fato (ou princípio) de o Ser ocupar a posição de viver no Presente atemporal e, consequentemente, fazer-Se presente em todos os tempos e eras.


8 – Em contraposição ao Presente atemporal (que existe fora da representação, portanto, fora do tempo), tem-se o presente temporal. O presente temporal existe na representação juntamente com o passado e o futuro. Contudo, mesmo na representação, passado e futuro são irreais – apenas o presente temporal é real.  No universo da representação, o presente temporal espelha o Presente atemporal que existe na dimensão da Consciência do Ser. Assim, o presente temporal é a porta de entrada para o Presente atemporal. A mente do personagem tem à sua disposição o passado, o presente e o futuro. Porém ela evita a todo custo permanecer no momento presente, porque ele é a porta escapatória para a Consciência. Se a mente vier para o momento presente, ela começa a desaparecer e a Consciência passa a se evidenciar. Então, a fim de não perder o seu território para a Consciência, a mente tende a se agarrar ao passado (lembranças) e ao futuro (imaginação).

Estar alerta para o aqui-agora é a maneira de começar a acessar o Silêncio. Desfrutar inteiramente o momento presente é a chave para colocar a mente em estado contemplativo e, assim, desfocar a atenção/percepção da mente para o campo da Consciência. Quando a mente está com demasiada atenção no passado ou no futuro, o Silêncio fica obscurecido pelo ruído mental. E o Silêncio é o lugar onde que tudo acontece.


9 – A mente pensa e a Consciência medita. Pensar é atividade da mente do personagem – e o pensar sempre envolve passado e futuro. Meditar é atividade da Consciência do Ser – e diz respeito ao momento presente. O personagem não pode meditar jamais, por mais que ele queira ou tente. Isso é assim porque o personagem existe na representação enquanto que a meditação é um fenômeno pertencente a fora da representação. A meditação, portanto, está além da capacidade ou alcance do personagem. Se uma meditação ocorre em razão da capacidade ou esforços do personagem, não se trata da verdadeira meditação. A meditação verdadeira é uma atividade da Consciência do ser.

Antes de a meditação ter início é necessário estabelecer um estado de contemplação. A mente é incapaz de meditar, contudo ela pode colocar-se em estado contemplativo a fim de propiciar a ambiência necessária para que a meditação se dê. A mente do personagem só é capaz de chegar ao estágio da contemplação, a partir daí  atua a Consciência – a Consciência assume o comando e a meditação acontece.

Assim, a parte que cabe ao personagem é a de colocar sua mente em estado contemplativo, voltando-se para o momento presente e desfrutando-o por inteiro, até ter o vislumbre de que tudo o que existe (ou seja, tudo o que está acontecendo em seu momento presente, incluindo a própria existência do personagem que ele está representando) está simplesmente acontecendo sem esforço algum da parte de ninguém. Ninguém está fazendo nada, as coisas estão simplesmente acontecendo (a impressão é de que acontecem sozinhas, por si mesmas) sem dependerem de qualquer força ou agente da representação – como se houvesse "Alguém mais" encarregado de realizar todo o trabalho. É então que o indivíduo começa a perceber que há uma Inteligência fazendo tudo, dando andamento a tudo. Nesse ponto que a pessoa começa a perceber "Quem faz" todas as coisas. E somente a partir desse ponto é que emerge a verdadeira meditação, porque "Quem faz" realiza tudo – incluindo a atividade de meditar. Meditar significa perceber "Quem faz".

A meditação é sempre atividade da Consciência do ser.

Continua...


 

quarta-feira, junho 12, 2019

Preleções Nucleares: A Unidade Essencial - 1/4

- Gustavo -


I - INTRODUÇÃO

O objetivo deste texto é facilitar a compreensão que temos da Verdade. Para isso, vou me valer das explicações didáticas ensinadas no Núcleo. O Núcleo é uma instituição (ainda não oficial) que visa difundir ao mundo ensinamentos espirituais profundos, percepções conscienciais, iluminadas. São ensinamentos de grande porte, tal como os de muitos mestres iluminados já tão amplamente conhecidos. Não se trata de algum ensinamento novo, apenas de uma nova e eficiente forma de expor a mesma Verdade conhecida há milênios e expressada pelas diversas grandes religiões e filosofias. A metodologia de ensino do Núcleo tem a característica especial de ser ao mesmo tempo simples e profunda e também prática. Devido a isso, ela tem o poder de facilitar sobremaneira a compreensão (percepção) da Verdade Eterna em contraposição às verdades temporais e efêmeras.

A compreensão da Verdade a que me refiro não é uma compreensão intelectual, da mente; é, isto sim, uma compreensão mais profunda, uma compreensão intuitiva. Em geral, é assim que ocorre o processo de aprendizado: inicia-se com o entendimento intelectual e, quando este é bem colocado, as portas para uma compreensão mais profunda (compreensão intuitiva, além do intelecto) se abrem. E a compreensão intuitiva, por sua vez, pode nos levar à percepção da Verdade intuída. A realização da Verdade ocorre somente quando alcançamos a percepção da Verdade, não bastando uma simples compreensão intelectual. Uma palestra ou livro podem ser elaborados contendo explicações muito bonitas, inteligentes e com uma lógica muito bem construída; contudo, por mais que eles contenham todas essas coisas, ainda não poderão nos proporcionar a percepção da Verdade a que se referem. Por isso o ensinamento nuclear, acima de todas as coisas, leva em conta a percepção. Você estará sempre se deparando com o termo "percepção", a fim de que a sua percepção seja direcionada e encontre o seu centro, a sua fonte, a essência, o Núcleo.

O Ser que somos é Consciência/Percepção/Atenção silenciosa, inteligente, indivisa e una. Todavia, para a visão mental, ela parece estar dividida ou fragmentada – porque é assim que a mente percebe. E se estamos identificados com a mente, a percepção nos parecerá estar dividida ou fragmentada. Por isso, a sua percepção deverá ser empurrada de volta para a percepção. A sua atenção deverá voltar-se para a própria atenção, fundir-se nela, e estabelecer-se ali completamente. Não somos corpos físicos e tampouco somos mente. Somos, isto sim, uma Existência misteriosa e insondável, que também pode ser denominada Inteligência, Silêncio, Consciência, Atenção ou Percepção.


II - O UNIVERSO REAL E A REPRESENTAÇÃO DIVINA

A fim de propiciar um fácil entendimento das verdades profundas, o Núcleo adota a metáfora do ator e da representação. Essa mesma metáfora está implícita nos ensinamentos utilizados por Krishna, na escritura sagrada do Bhagavad Gita, para revelar a verdade a Arjuna.

Quando uma peça de teatro está sendo encenada, um ator irá atuar no palco representando o papel de um personagem. Quanto melhor ele representar o personagem, melhor ator ele é. Um ator deve saber tudo a respeito de seu personagem, deve conhecer detalhes, adquirir grande intimidade com o personagem que irá representar; e quanto mais identificado ele estiver, mais fácil para ele será atuar como aquele personagem. Existem inclusive atores tão bons e eficientes que, ao atuarem, mergulham no papel de seus personagens tão profundamente ao ponto de esquecerem completamente de si mesmos. Nos momentos em que a peça teatral está sendo encenada, a história e o universo do personagem são tudo o que existe, e a realidade da vida do ator fica encoberta/esquecida em função de seu profundo envolvimento com a representação. A representação ganha extrema realidade para ele; se na representação ele for insultado, ele vai reagir ao insulto e ficar bravo. Ou, se na representação ele encontrar um ente querido que não via há muito tempo, ele vai ficar muito feliz. Quando o ator está mergulhado na representação, ele passa a agir em função dela; a representação torna-se real para ele.

O que Krishna revelou a Arjuna, no Bhagavad Gita, é que Deus é como um Ator e todo este universo é uma representação divina. Toda a história e todos os personagens que aqui existem estão sendo encenados por Deus. Deus é perfeito em tudo, até no ato de representar!

Neste mundo existem atores que, ao representarem o papel de um personagem, esquecem-se por completo da sua realidade como atores e tornam-se muito identificados com os personagens que estão representando. Eles são excelentes atores, a representação deles é perfeita! Se uma deles se envolver demasiadamente com a trama de uma peça,  a representação de repente poderá cair como um peso para ele. O que se passa numa representação não possui consistência ou peso algum, mas para aquele ator um peso irreal subitamente pode passar a ser real, e sua irritação ou aflição pode extrapolar os limites da realidade teatral. Até mesmo é possível o ator começar a chorar compulsivamente em razão do que está se desenrolando na trama. Nesse caso, basta que um companheiro mais consciente da realidade dê uma cutucada em seu colega ator e diga: "Calma, amigo! Não vê que o que está acontecendo é apenas uma representação? Por que tanta reação ou aflição excessiva? Você parece pensar que é o personagem que está representando, mas o seu personagem é apenas um personagem. Você é o ator, lembra?".

Também há aqueles atores que, enquanto estão representando o papel de seus personagens, mantém-se conscientes/alertas para o fato de que na realidade eles são atores e não o personagem que estão representando. Para eles a representação jamais cai como um peso, eles levam a representação com grande leveza e desenvoltura. Estes são os personagens despertos – eles permanecem conscientes de quem são, mesmo estando em meio à representação; eles em nada são afetados, pois sabem que a representação é apenas uma representação.

Um ser iluminado é aquele que conheceu a sua realidade como sendo Deus – a Consciência iluminada, o Ser Supremo – e manteve-se consciente disto. Ele está ciente de que é o Ator e pode perfeitamente prosseguir representando o papel de seu personagem no palco onde está ocorrendo a representação divina. Seres como Jesus, Buda, Krishna, Lao-Tsé, Yogananda (e toda sua linhagem de mestres), Ramana Maharshi, Nisargadatta Maharaj (e demais mestres da linhagem Advaita), Osho, Krishnamurti, Ramakrishna, Joel Goldsmith, Masaharu Taniguchi, Sri AmmaBhagavan e inúmeros outros... todos eles identificaram-se como sendo o Eu Real e mantiveram suas luzes acessas no mundo da representação, e cutucando aqueles colegas atores que estavam desempenhando uma perfeita representação de seus personagens, dizendo: "Amigo, não vê que tudo isso não passa de uma representação? Você é o Ator! Basta ficar consciente disso e tudo se resolve! Desperte!".

Se não estamos conscientes de nossa realidade divina, é porque ainda estamos demasiadamente identificados com os personagens que estamos representando.  Pensamos ser o Fulano, o Beltrano ou o Sicrano... o nosso senso de "eu sou" está atrelado a um personagem específico. Nesse sentido, "eu sou" não existe de verdade. Se em meditação nós o investigarmos e o perseguirmos até a sua origem (da mesma forma como seguimos uma correnteza de águas rio acima a fim de encontrar a nascente), veremos que no final ele desaparecerá. Se seguirmos o pensamento "eu sou" (que está atrelado ao corpo-mente) rio acima, descobriremos que não existe origem alguma para ele, e então ele desaparece. O senso "Eu sou" somente é real quando há a identificação do indivíduo com a Totalidade de tudo o que existe – então ele é permanente, nunca desaparece.

Não há nada de errado em estarmos inconscientes de Quem somos. "Quem somos" é um Ser perfeito, e Ele é perfeito até quando está representando. Se estamos identificados unicamente com os nossos personagens, isso apenas significa que somos grandes atores, a nossa representação está divina. Não há o julgamento de que "isso não deveria ser assim" ou de que "o ator não deveria estar tão identificado com o personagem". Mesmo nos teatros ou sets de filmagens não há nada de errado nisso. Os atores podem estar sempre à vontade para fazer o que quiserem. É apenas que a situação poderia ser outra – e bem melhor: se a pessoa estiver com a consciência de que é o ator e não o personagem, a qualidade da representação muda totalmente, adquire um sentido de universalidade, totalidade, leveza, abundância, completude. Quando na representação você se mantém consciente de Quem é, o desfrute da representação passa a ser pleno, de pura bem-aventurança, ao invés de ora bom ora ruim. E quem não iria querer algo assim?

Quando finalmente despertarmos, lembraremos de que somos o Ator que existe por detrás de nossos personagens; perceberemos o universo da dualidade como sendo uma representação divina. A Realidade Divina não é o mesmo que representação divina – elas são distintas. Teremos o nosso sentido de "eu sou" transportado para uma dimensão muito mais ampla, abrangente, universal, ilimitada e livre – a dimensão da Consciência do Ser.  No tempo certo, virá para cada um o momento em que a pessoa despertará e se lembrará de sua realidade como Ator, ao invés do personagem com o qual se identificou e representou tão perfeitamente.


III - CONSCIÊNCIA DO SER vs. MENTE DO PERSONAGEM

Começamos fazendo a distinção entre o que é a Consciência e a mente. A Consciência é Deus. Ela é infinita. A Fonte e a Origem, o Pai e a Mãe de tudo o que existe. Ela é atemporal, está completamente fora do tempo: passado, presente e futuro estão contidos nela. É um estado de potencialidade infinita, na qual todas as coisas já existem. Na Consciência do Ser tudo está consumado, terminado, pronto. É o Ser onipresente, onipotente e onisciente. A Consciência existe como tudo e ao mesmo tempo está além de tudo. Devido a isso, é impossível descrever definitivamente o que é a Consciência – porque ela sempre será isso, mas será muito mais. Em algumas tentativas de dizer algo sobre ela, os ensinamentos utilizam as qualificações: Amor, Sabedoria, Luz, Força, Paz, Bem-Aventurança, Vida, Harmonia, Alegria, Liberdade, Plenitude. Todas essas são qualidades divinas que o indivíduo experimenta em si mesmo (e expressa!) ao entrar em contato com Deus.

A Consciência é Universal, impessoal, toda-abrangente. No universo inteiro existe apenas uma única Consciência, e essa Consciência é a consciência de cada ser existente. Pedras, vegetais, animais, homens – são todos detentores da mesma consciência. Tudo está vivo e todos eles são a Consciência se expressando de maneiras distintas. Em um determinado lugar, a Consciência deseja Se manifestar e conhecer a experiência de ser uma pedra. Em outro momento, a Consciência Se manifesta como planta ou árvore a fim de saber o que é ser uma árvore. Depois, a Consciência decide Se expressar como animal porque deseja saber o que é ter essa experiência. E, por fim, manifesta-se também como o indivíduo, homem ou mulher, a fim de experienciar o que é ser homem ou mulher. Todas as coisas são a Consciência aparecendo como – aparecendo como a pedra, o vegetal, o animal, a humanidade. É com esse entendimento sagrado que determinadas religiões reconhecem, louvam e reverenciam tudo como sendo o divino. Toda a existência é divina. "Eu apareço como...".

Não há nada na existência que esteja "acima" ou "além" da Consciência. Ela ocupa a maior posição hierárquica, o grau máximo. A Consciência é suprema. Quando a mente surge, ela é um fenômeno menor. A mente ocupa o papel de ser um instrumento da Consciência do Ser.

Ao contrário da Consciência, a mente não é universal, não é impessoal e não é todo-abrangente. A mente tem a característica de estreitar as coisas. Ela restringe o senso de "Eu Sou" a uma parte (corpo) específico. Com a mente, Eu sou deixa de Se perceber como o Todo-Universal para Se perceber como sendo uma "parte" específica. Também, ao contrário da Consciência, a mente é sempre pessoal. Cada personagem tem uma história pessoal, vivenciou experiências pessoais, e foi construindo a sua visão pessoal (condicionamento) sobre a vida e o mundo. Ninguém jamais vivenciou exatamente as mesmas experiências. Mesmo aqueles que nasceram gêmeos siameses tiveram a sua visão ou interpretação de mundo construída de forma diferente, eles possuem mentes distintas. Neste mundo existem mais de 6 bilhões de pessoas, portanto mais de 6 bilhões de mentes, e cada uma delas pode declarar: "esta é a minha mente", mas ninguém pode afirmar que "esta é a minha consciência", porque a Consciência é uma só e não pertence a uma pessoa específica. A Consciência pertence a todos, ou a ninguém, dá no mesmo.

Sabendo tudo isso, chegamos à consagração de um princípio espiritual: A Consciência é do Ser; a mente é sempre do personagem. O Ser percebe com a Consciência; o personagem percebe com a mente.

Há em nós duas percepções: a percepção da Consciência do Ser (a percepção real) e a percepção da mente de nossos personagens. Em verdade, há apenas uma percepção que é sempre total, completa, una, integrada. A percepção é sempre a mesma. Quando a percepção está focada na mente, ela se adequa e percebe em conformidade com a mente. A mente é apenas um instrumento, ela é como uma lente de percepção, assim como um óculos. Se vestirmos um óculos com a lente azulada, ao olharmos para a paisagem lá fora, nós veremos tudo azulado, embora o que exista lá não seja necessariamente da cor azul. Olhando através desses óculos, a árvore marrom e verde será vista/percebida como azulada. A mente é esse óculos que limita e distorce a realidade. É importante compreender que a percepção que enxerga com os óculos é a mesma percepção que enxerga sem os óculos. Quando a percepção desloca o seu foco/atenção da mente para a Consciência, passamos a perceber do modo como a Consciência percebe.

Assim, podemos perceber a realidade através da percepção da Consciência do Ser ou através da percepção da mente do personagem. O modo como o Ser percebe a realidade é diferente do modo como a mente do personagem concebe (interpreta) a realidade. A mente enxerga muitos onde há apenas Um. E a Consciência enxerga um onde há apenas um – porque essa é de fato a Verdade. Deus, o Universo, é UM.

Devido a tudo o que foi explanado até agora, as percepções provenientes da Consciência do Ser foram chamadas pelo Núcleo de "percepções conscienciais". E as percepções oriundas da mente do personagem foram denominadas "percepções mentais."

A seguir abordaremos um quadro comparativo contrapondo as características da percepção consciencial e da percepção mental.

Continua...


quinta-feira, junho 06, 2019

O Agora é Luz; O Presente é Sombra

- Dárcio Dezolt - 


Os princípios da Verdade são claros e precisos, mas precisam ser treinados, para que os condicionamentos ilusórios aceitos pela humanidade  sejam quebrados. A humanidade não enxerga o Universo em que estamos, que é Luz e Perfeição do AGORA; em vista disso, somente vê o que lhe mostram os sentidos mortais, que é uma sombra  mutável chamada “momento presente”!

Durante as “contemplações”, o suposto “mundo temporal” é descartado por completo, para que fiquemos abertos à percepção única e iluminada de Deus sendo TUDO!

DEUS É TUDO NO AGORA PLENO EM QUE O SEU UNIVERSO BRILHA COMPLETO. Por outro lado, se perdermos de vista este AGORA, voltando a atenção ao referencial dos sentidos mortais, estaremos de volta às CRENÇAS COLETIVAS, onde se desdobram as ilusórias “imagens hipnóticas” que se fingem de “mundo material”.

Assim como alguém correndo não produz sombra de alguém parado, alguém na “plenitude da Oniação” não produz “aparência” de carência. Isto porque o suposto “mundo fenomênico” não é real, sendo meramente uma “sombra” em mutação.

O “AGORA” É LUZ; O PRESENTE É “SOMBRA”! Quanto mais a pessoa se dedicar a se ver na LUZ e não na SOMBRA, mais estará sendo conscientemente o CRISTO que verdadeiramente É, e mais verá a APARÊNCIA se ajustando à forma harmônica! Por isso Jesus disse: “Aquele que PERMANECER EM MIM dará frutos!”

“Permanecer em MIM” significa “PERMANECER NA ONIAÇÃO”, ou “PERMANECER NO AGORA”! Para isso, é importante fazermos pausas, em nosso dia a dia, para reconhecermos:

“EU SOU transcendente a estas imagens visíveis! Deus é invisível, EU SOU invisível! DEUS vive no AGORA IMUTÁVEL, EU VIVO NO AGORA IMUTÁVEL!”

Formando este hábito de com estas pausas de reconhecimento cortarmos a ILUSÃO de que “vivemos em mundo material”, mais e mais ficaremos “em MIM”, conscientemente na  Oniação, e vivenciando a Verdade.

A Seicho-no-ie assim diz: “A matéria é apenas sombra da mente; ver a sombra e considerá-la Realidade é ilusão. Cuidai para que não vos apegueis à ilusão”.

Quem estuda a Verdade não pode viver como ateus! É preciso que VIVA “EM MIM”! NA PRESENÇA GLORIOSA E ILUMINADA DO “CRISTO QUE JÁ É”! E onde os ateus caminham, enxergando matéria, é preciso que RECONHEÇA ESTAR EM  “SOLO SAGRADO”!

A “Mente de Cristo” nos é mais próxima do que a suposta “mente humana”. Puxe sua atenção da “sombra fenomênica” para a Mente de Cristo que é, EM SI MESMA, a Substância do Universo real em que estamos! Desse modo, o que é REAL poderá ser discernido, enquanto a “sombra temporal”  ficará fora de percepção.

Lembre-se: UNICAMENTE DEUS É REALIDADE! “NELE VIVEMOS, NOS MOVEMOS E EXISTIMOS!”.


segunda-feira, junho 03, 2019

Viva Convicto De Que “A Verdade É Verdadeira Já!"

- Dárcio Dezolt -


A Verdade,  quando revelada, já estava vigorando “desde o princípio”, sem jamais ser “algo” estando ainda “por acontecer”, seja por meio de “mentalizações”, “orações”, “contemplações”, ou por quaisquer outros meios! Todas estas “práticas espirituais” precisam ser entendidas como “expedientes” empregados unicamente para nos acharmos CONVICTOS de que “TUDO JÁ É ILUMINADO E PERFEITO”, AQUI E AGORA!

Quando Jesus disse que “com agrado, o Pai nos deu o Seu Reino”, não estava dizendo que, em algum instante, estivéramos FORA DELE! Revelava a VERDADE ETERNA E IMUTÁVEL, esperando que o povo a aceitasse e se visse liberto da CRENÇA NO “MUNDO DO PAI DA MENTIRA”!

Certa vez, caminhando pelo centro da cidade, percebi várias filas de pessoas indo em direção a algumas tendas ali montadas. Atravessei a rua para ver do que se tratava, e então eu vi várias faixas assim escritas: “Dê um sorriso e ganhe um livro de presente”. Tratava-se de uma campanha que estimulava na população o hábito de leitura. Assim era fenomenicamente entendida aquela “aparência”, uma vez que, na verdade, o FATO REAL, predominante,  era que, subjacente àquelas “aparências”, havia o “solo sagrado” em que TODOS, realmente, estávamos! Em seu desdobramento à visibilidade, como “bens acrescentados”, eram vistas as “aparências” com a distribuição gratuita de livros.

Suponhamos que, deixando o local, alguém distante daquela feira me perguntasse: “Você está vindo de lá? Viu o que está acontecendo, e o motivo de haver tantas pessoas em filas?”. Caso eu explicasse outra coisa, como, por exemplo: “Aquelas filas  ali se formaram porque um milionário está distribuindo notas de cem reais, a cada um que nelas entrar”,  e tirando do bolso uma daquelas notas, dizendo tê-la ganho dessa forma, certamente a mentira viraria “convicção” na mente daquela pessoa, e ela só iria se livrar dela indo ao local e descobrindo a verdade!

Esta analogia revela o motivo pelo qual Jesus chamou “este mundo” de “mundo do pai da mentira”! DEUS ESTÁ SENDO TUDO, A PERFEIÇÃO ESTÁ SENDO TUDO, NÓS JÁ SOMOS PERFEITOS, E VIVENDO NO REINO PERFEITO; PORÉM, ESTES FATOS REAIS NÃO SÃO RECONHECIDO, POR ESTAR A HUMANIDADE DANDO CRÉDITO ÀS MENTIRAS INTERMINÁVEIS  DA “MENTE CARNAL”! TAIS MENTIRAS SE TORNARAM “CONVICÇÃO ERRÔNEA DE MASSA”,   ENQUANTO  OS FATOS REAIS, QUE SÃO AS PRESENÇAS PERFEITAS DOS FILHOS DE DEUS NO REINO DE DEUS, SEQUER ENTRAM EM COGITAÇÃO!

As revelações da Verdade JÁ SÃO A VERDADE, e assim são percebidas no exato instante em forem cem por cento reconhecidas! Se alguém, aparentemente, estiver num hospital, debaixo de avaliações médicas atestando sua aparente “precária saúde”, este seria um exemplo de MENTIRA DO PAI DA MENTIRA, porque a VERDADE é o FATO PERMANENTE de estar ele em SOLO SAGRADO, sendo o CRISTO DE SAÚDE PLENA E RESPLANDECENTE, sem precisar de “nada deste mundo”, nem de “orações” e nem de “terapias de cura”! UNICAMENTE É REQUERIDO O RECONHECIMENTO  TOTAL E RADICAL DA VERDADE DE QUE “DEUS É TUDO”, DENTRO DA COMPREENSÃO DE QUE “A MENTIRA É AUSÊNCIA”, E NUNCA ” PRESENÇA TEMPORAL” A SER  PRIMEIRO ACEITA, PARA DEPOIS, SER MELHORADA OU CURADA!

Havia “milionário doando dinheiro”, na analogia empregada? NÃO! O CENÁRIO INTEIRO, MESMO PARECENDO SER REAL, ÀQUELE OUVINTE DA MINHA MENTIRA, ERA TOTAL “AUSÊNCIA”! O “NADA” APARENTANDO SER “REALIDADE”!

Enquanto não houver esta DEDICAÇÃO FERRENHA ao RECONHECIMENTO DA VERDADE, a humanidade aparentará estar sob o JUGO DAS MENTIRAS DA MENTE CARNAL! E ELAS SOMENTE DESAPARECERÃO QUANDO FOREM RECONHECIDAS COMO “AUSÊNCIAS”,  PELO RECONHECIMENTO DE QUE DEUS É ONIPRESENÇA!


sexta-feira, maio 31, 2019

"De que adianta se dizer Filho de Deus, e ter de viver no mundo?"


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Após eu ter dito a uma pessoa que “não existe mundo material nenhum”, uma vez que DEUS É ESPÍRITO - REALIDADE ESPIRITUAL PERFEITA, ETERNA E ONIPRESENTE - E NÃO MATÉRIA, ela me respondeu: “De que adianta viver afirmando isso, se você, do mesmo jeito que os demais, que nada sabem disso, vive do mesmo jeito que eles, tendo de encarar a vida material?”

Explicar a DIFERENÇA requereria explicar toda a Metafísica Absoluta à pessoa; porém, em geral, quando surge indagação dessa natureza, não há, de momento, interesse real da pessoa pela Verdade, e sim interesse em continuar vivendo “materialmente”, ou seja, acreditando ser real a suposta “vida terrena”. 

Em casos assim, é comum eu passar a ela apenas uma ideia central básica, para que a leve como semente! Por exemplo, eu lhe digo: “Se você orar e reconhecer "estar espiritualmente em Deus", o seu dia a dia se desdobrará diferente do que ele seria, caso você, em vez de fazer este reconhecimento, saísse de casa “carnalmente”, preocupado, ansioso, temeroso, acreditando “estar na matéria”. Isto porque o seu dia não existe predeterminado, sendo uma “sombra” da Vida em Deus, sombra que se mostrará estando mais ou menos “distorcida” em função do seu maior ou menor reconhecimento/envolvimento com a Verdade”.

O que a maioria desconhece, é isto: SOMENTE DEUS - A REALIDADE ESPIRITUAL PERFEITA ETERNA E ONIPRESENTE - EXISTE! 

Quando alguém se dedica a reconhecer esta Verdade, a Consciência divina é contemplada, a Sua atividade pura e perfeita atua sobre as falsas “crenças coletivas”, ou sobre a suposta “mente humana”, e, sendo a “crença” alterada, o suposto “dia terreno” igualmente se mostrará alterado, por ser, “este mundo”, uma manifestação ilusória do "estado mental" da pessoa.

Se alguém acreditar ter “CORPO DE LUZ, MANTIDO PERFEITO POR DEUS”, e o seu vizinho, por exemplo, acreditar ter “CORPO MATERIAL PASSÍVEL DE ADOECER”, mesmo que os DOIS sejam vistos por terceiros como “CORPOS CARNAIS”, a probabilidade de o vizinho “se mostrar com corpo doente” será muito maior do que o mesmo acontecer àquele que saiu convicto de “não ser carnal”, mas sim, “Filho espiritual de Deus”. E a razão é a seguinte: Quem emana a “onda da crença coletiva” também a atrai, e quem emana “onda divina”, atrai também ondas semelhantes. Esta é a chamada “Lei da Atração”. 

Portanto, dizer que “tanto faz” alguém acreditar na Verdade ou não acreditar, que do mesmo jeito terá de encarar “vida material”, é desconhecer completamente o processo todo!

A mesma coisa se dá, quanto a alguém que segue um tipo ou outro de doutrina. Cada uma traz em si o seu enfoque; e este, sendo abraçado pelos adeptos, faz com que eles emanem ou irradiem mentalmente suas crenças; e o mundo lhes responderá “na mesma moeda”. 

Jesus sabia disso! Por isso sua pregação partia do Alto e não de baixo! Partia da Verdade de que “somos deuses”, “luz do mundo”, “sal da terra”, e de que “somos um com o Pai como ele”. 

Infelizmente, as pessoas adotaram crenças religiosas autodepreciativas, baseadas no “juízo pela carne”, em que são consideradas como “pecadoras”, “espíritos ignorantes” em evolução, ou “míseras criaturas”; assim, irradiando mentalmente estas limitações e negatividades, vivem recebendo de volta suas próprias semeaduras. E então, ao se depararem com as situações negativas que mentalmente geraram, dão-lhes o nome de “provações de Deus”, que nunca teve nada a ver com aquilo!

“A lei foi dada por Moisés e a graça por Jesus Cristo”, diz a Bíblia. Explica que VOCÊ pode e deve “estar no mundo sem pertencer-lhe”, colocando bem no alto a SUA PRÓPRIA LUZ, E VIVENDO, DE FATO, A VIDA PELA GRAÇA! A VIDA QUE É DEUS RECONHECIDO COMO O CRISTO QUE VOCÊ É! 

CONTEMPLE:

CONTEMPLO A VERDADE DE QUE DEUS É ESPÍRITO, E É TUDO! 

CONTEMPLO A VERDADE DE QUE O CRISTO, O PAI EM MIM, É ESPÍRITO, E É TUDO! 

CONTEMPLO A MENTE DE DEUS COMO MENTE ÚNICA, PERFEITA E MANIFESTA, AQUI E AGORA, COMO A MENTE QUE EU SOU! 

IRRADIO AO UNIVERSO AS ELEVADAS ONDAS ESPIRITUAIS DE MINHA MENTE CRÍSTICA! COMO O UNIVERSO E EU SOMOS UM, IGUALMENTE “RECEBO” DO UNIVERSO UNICAMENTE O QUE VEM DE DEUS!


Divine Man : God Energy

quarta-feira, maio 29, 2019

O “AGORA DIVINO”, RECONHECIDO, ALTERA CADA “MOMENTO PRESENTE”!

- Dárcio Dezolt - 


Quando as mensagens realçam a importância do RECONHECIMENTO de estarmos VIVENDO NO “AGORA ABSOLUTO”,  que é REALIDADE,  sem nos permitirmos iludir pelas aparências, que são todas IRREALIDADES, há quem desconheça que as "imagens ilusórias" são sombras alteráveis, que se mostram "ora melhoradas", "ora pioradas", dependendo de as ORAÇÕES ABSOLUTAS estarem sendo praticadas ou não! Em outras palavras, o “momento presente”, que cada um aparentemente vê como seu dia a dia, NÃO SE PROJETA DE MODO FIXO, tenha a pessoa feito ou não sua orações de reconhecimento do AGORA ABSOLUTO!

“O QUE SE VÊ  PROCEDE DO QUE NÃO SE VÊ”, disse Paulo. Explicava que o cenário visível, para se projetar como "momento presente" de alguém, só lhe é possível como "sombra" da Oniação, ou seja, UNICAMENTE DEUS É REALIDADE ATIVA, enquanto o suposto "mundo fenomênico" não passa de um reflexo finito e alterável da Realidade Divina! Assemelha-se a um "mundo refletido num espelho", em que não haja nada nem ninguém em suas "imagens refletidas"!

“ORAI E VIGIAI SEM CESSAR”, diz a Bíblia. Por que Jesus orava tanto? Para reconhecer "ESTAR EM DEUS", e nunca em "aparências visíveis"; para saber estar sendo o "CRISTO EM ONIAÇÃO DO AGORA", e não estar sendo um "carnal gestado por Maria"; e para reconhecer que "NINGÚEM" existe vivo em supostas "imagens fenomênicas", por serem todas elas puras "miragens", sem história e sem vida, "sombras mortas" com que a "mente carnal" ilude a humanidade, convencendo-a de que o chamado "mundo do pai da mentira" seja algo verdadeiramente existente.

Orar é necessário, porém, o motivo que nos leva às orações e contemplações absolutas é de igual importância! A oração correta nos tira a atenção do "momento presente", rumando-a ao "AGORA PERMANENTE", em que "TUDO ESTÁ FEITO"! Cada reconhecimento desta Verdade revela que "SOMOS UM COM DEUS": ESPÍRITO, AMOR, PERFEIÇÃO E LUZ!

Feitas as preces e contemplações neste ENTENDIMENTO, o suposto “mundo de aparências” não mais será tomado como REALIDADE! E é quando se cumpre o que disse Paulo: "O que passamos a ver,  – como “MOMENTO PRESENTE” – procede do AGORA visto como o AGORA QUE DEUS VÊ". É desse modo que as aparências se ajustam à Realidade Divina, dando-nos a impressão de terem sido "melhoradas"!

Quanto menos orarmos, MENOS VEREMOS AS APARÊNCIAS SEREM “AJUSTADAS”. Por que? PORQUE, SEM A ORAÇÃO, ELAS ESTARÃO SENDO PROJETADAS COM AS INFLUÊNCIAS DUALISTAS DA SUPOSTA “MENTE CARNAL”. 

GRAVE BEM:

O MUNDO DE APARÊNCIAS É IRREALIDADE, QUE SE MOSTRA AJUSTADO À VONTADE DE DEUS, QUANDO NOS IDENTIFICAMOS COM DEUS; E SE MOSTRA DESAJUSTADO, QUANDO NOS DESCUIDAMOS E DEIXAMOS DE RECONHECER QUE VIVEMOS NO AGORA DIVINO.

SE NÃO ORARMOS DEVIDAMENTE, A MENTE CARNAL ENVIARÁ AS SUAS SUGESTÕES PARA NOS ILUDIR COM A MENTIRA DE QUE “SOMOS ALGUÉM DO MUNDO”!

É por esse motivo que, seguidamente, repetimos a revelação de Paulo: “EM DEUS VIVEMOS, NOS MOVEMOS E TEMOS O NOSSO SER” (Atos 17: 28).


segunda-feira, maio 27, 2019

COMENTÁRIOS AO TEXTO: "DE 'MENOS INFINITO' A 'MAIS INFINITO'”

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- Dárcio Dezolt - 


Nesta postagem, serão salientados alguns pontos essenciais às “contemplações absolutas”, sugeridos pela analogia do artigo aqui publicado, intitulado: De "Menos Infinito" a "Mais Infinito".

1. Não há a dualidade "reta" e “segmento de reta”. O “segmento” busca apenas representar a RETA ÚNICA, por ser ela impossível de ser mostrada tal como é, numa lousa do mundo.

2. A representação mostra um “segmento de reta” tendo “começo e fim”. Mas a “RETA REAL”, em pauta, sendo infinita, é sem começo e sem fim.

3. A Reta, que é REAL no UNIVERSO REAL e INFINITO, ao ser representada como “segmento finito”, não pode ser considerada como “aparenta” se mostrar numa lousa finita.

4. O professor, ao riscar na lousa a RETA como “segmento”, sabe que a RETA REAL e ÚNICA jamais poderia “estar na lousa”. E, caso alguém julgasse “ver a reta”, olhando para a lousa, estaria somente sendo “iludido” pelo “segmento” riscado pelo professor.

5.   Após a aula, o “segmento” seria “apagado” pela mesma  “mente falsa” que o riscou. E em momento algum a Reta teria passado pelo “tempo”,  e ter tido a aparente “duração temporal da aula”.

6.   A Reta Real e infinita é concepção de Deus, e somente tem existência no Agora Divino, em que tudo é perfeito e permanente.

7.   Caso a reta riscada como “segmento de reta” apresente alguma distorção ou defeito, percebido na lousa, jamais a Reta Real terá exibido qualquer imperfeição.

8.   A Reta Real jamais será “o segmento” que passou a existir quando o professor o riscou. Sempre a RETA esteve, está e estará presente,  mas no Universo tão infinito quanto ela própria.

9.   A Mente Real do professor é a que reconhece a Reta Real e Infinita, enquanto a’ “mente finita e ilusória” dele enxerga o “segmento” que aparentemente  teve começo pelas suas mãos.

10.  Deus é tudo, e Deus é espírito, razão pela qual tanto o professor como seus feitos jamais existiram, como jamais existiram o próprio “segmento de reta”, a lousa e o mundo em que pareceram existir. No caso,  estaria presente unicamente Deus se evidenciando como o Cristo e como a reta infinita levada em consideração.

Estes são os pontos principais a serem “contemplados”, para que “professor e segmento de reta” sejam descartados como “o velho homem e seus feitos”, enquanto o Deus Infinito – e suas Obras Perfeitas e Eternas – seja reconhecido como “o Reino chegado de Deus”, eternamente habitado por todos nós, pelo Cristo que somos, infinito como Deus, sem jamais ter pisado em suposto “mundo do pai da mentira”!


quinta-feira, maio 23, 2019

De "menos infinito" a "Mais Infinito"





- Dárcio Dezolt - 

Numa aula de Matemática, o professor desenhou na lousa um segmento de reta com cerca de um metro de comprimento, dizendo: “Este segmento representa na lousa a reta real, que vem de “menos infinito” e vai a “mais infinito”. Como sabia ele que a reta vinha de “menos infinito” e que ia até “mais infinito? Porque sendo assim considerada nos cálculos matemáticos, os resultados sempre deram certo. Portanto, os “princípios aceitos”, mesmo não podendo ser demonstrados, são empregados dessa forma: como axiomas ou princípios! Acolhidos com “coração de criança” pelos cientistas e matemáticos!

Quando o estudo da Verdade afirma que DEUS É TUDO, que DEUS é INFINITO, e que O HOMEM, SENDO INFINITO, É TUDO AQUILO QUE DEUS É, expressa os FATOS REAIS ESPIRITUAIS como princípios ou axiomas, possíveis de serem comprovados ao serem aceitos e postos na prática!

Os axiomas, assim como a reta declarada pelos matemáticos como “infinita”, sendo representada numa lousa como “segmento de reta”, INSINUA, com sua representação minúscula e finita, a verdade de que “a reta é infinita”, e sem poder caber, na lousa, em sua real natureza. PORTANTO, OLHAR O SEGMENTO DE RETA DE UM METRO, E ACREDITAR ESTAR “VENDO A RETA”, É ILUSÃO!

O matemático, apontando o “segmento riscado na lousa”, diz aos alunos: “Em nossa exposição, vamos empregar a reta que está na lousa!". Só que, para ele, a reta "vinha de MENOS INFINITO" e seguia até "MAIS INFINITO"! Ele bem sabe que A RETA EXISTE INTEIRA E QUE ESTÁ FORA DA LOUSA!

A “lousa” que nos mostra somente ILUSÃO se chama “mente carnal”. Não consegue mostrar nem Quem somos nem onde é que vivemos! Assim como a lousa do matemático não consegue nos mostrar a "reta verdadeira".

Quando Jesus confirmou que somos deuses, que SOMOS A LUZ DO MUNDO, via-nos sem ser com a "mente carnal"! E via-nos em Deus, na Realidade, e não "nascidos na lousa", a que chamou de "mundo do pai da mentira"!

O Matemático pode até "riscar na lousa" o segmento de reta com "começo" e com "fim". Por quê? Por ser mera REPRESENTAÇÃO FINITA, INCOMPLETA E, PORTANTO, ILUSÓRIA da RETA REAL, que é infinita, permanente, sem começo e sem fim!

Quando VOCÊ transpuser esta ANALOGIA para descartar a ILUSÃO e parar de se identificar com um "segmento de reta" – o suposto "corpo carnal" –, e passar a reconhecer que você é a "RETA INFINITA" – O PRÓPRIO DEUS VIVO –, então estará "sendo a Verdade" e não a "ilusão". E estará entendendo o que diz a Metafísica: "As aparências apenas insinuam a presença da Verdade subjacente a elas"!

E então fácil lhe ficará "descartar" os "segmentos de reta", todos limitados e finitos, por agora achar-se identificado com a "RETA INTEIRA E INFINITA", que é DEUS!

Esta é a compreensão DEMONSTRADA POR JESUS, ao declarar: “AQUELE QUE ME VÊ A MIM, VÊ O PAI”!

terça-feira, maio 21, 2019

O ABSOLUTO, VIVENDO, É QUEM VOCÊ AGORA É!

- Dárcio Dezolt


As revelações absolutas, constantes nas Escrituras, além de falarem em DEUS, falam ao mesmo tempo EM VOCÊ! Isto porque DEUS É TUDO, TUDO É DEUS, e a onipresença do Verbo Divino constitui a Identidade Crística Eterna que vive agora como a sua vida!

O suposto “mundo fenomênico”, como disse Buda, é uma ilusão de massa! E, como disse Jesus, é um “MUNDO DO PAI DA MENTIRA”, atuando hipnoticamente como uma  espécie de “véu”, a encobrir e nublar a Realidade Perfeita, que é o Absoluto vivendo!

“Antes que clamem, responderei”, disse Isaías; “Vosso Pai conhece as vossas necessidades antes de Lho pedirdes”, disse Jesus! Esta revelações, que são coincidentes, deixam bem claro que TUDO JÁ ESTÁ CONSUMADO, e, portanto, “ATENDIDO”, desde que a ilusória “mente que clama” desapareça de cena com sua cegueira, mediante nosso RECONHECIMENTO dessa Verdade.

“Antes que esta mente clame”, seus  corretos anseios já estavam todos atendidos! “Antes que esta mente peça”, suas reais necessidades já eram conhecidas e atendidas! Por quê? Porque unicamente o Absoluto Onisciente é realidade autossuprida universalmente e de modo perfeito!

Não existem “carências” nem “pedintes” no Universo do Absoluto! É por esse motivo que os “sinais” ou “milagres” são trazidos à “visibilidade fenomênica”, QUANDO A FÉ É GRANDIOSA!

A “FÉ” É A CERTEZA DAS “COISAS NÃO VISTAS”!

A “Fé” é  grandiosa quando INTUÍMOS a Verdade de que “NO ABSOLUTO VIVEMOS, NOS MOVEMOS E EXISTIMOS”!

Em O Caminho Infinito, Joel Goldsmith diz o seguinte: “Minha UNIÃO CONSCIENTE com Deus UNIFICA-ME COM TODO SER E IDEIA ESPIRITUAIS”. Comenta ele que, se esta frase tivesse sido escrita em sânscrito, com certeza receberia dos leitores a atenção devida, tal a importância de seu conteúdo! De fato, muitos se mostram como “devoradores de livros”, sem VIVER os princípios essenciais expostos neles!

QUEM MEDITA E CONTEMPLA SUA UNIÃO CONSCIENTE COM DEUS ESTÁ RECONHECENDO “SER O ABSOLUTO VIVENDO”, SER UM COM O TODO QUE O ABSOLUTO É! E SEM SER “CARNAL ALGUM” DO ILUSÓRIO “MUNDO DO PAI DA MENTIRA!

Portanto, PONHA EM PRÁTICA esta Verdade:

O ABSOLUTO, VIVENDO, É QUEM EU SOU – EXATAMENTE  AQUI E AGORA!