"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

quarta-feira, maio 08, 2019

A Arte da Meditação - 16


A ARTE DA MEDITAÇÃO
(Joel S. Goldsmith)

Capítulo 16 -  MEDITAÇÃO: OS FRUTOS DO ESPÍRITO 

Na vida de todo buscador de Deus, chega o momento em que ele sente a Presença, e de um modo ou de outro adquire a certeza dessa Presença e desse Poder. 

Não podemos prever de que modo essa experiência acontecerá conosco, já que para cada um ela reveste de forma diversa. 

Um fato é indiscutível, quando ela acontece e a Presença do Senhor se realiza “surge a liberdade”, uma imunidade, uma libertação dos pensamentos e coisas deste mundo, de seus temores, dúvidas, cuidados e problemas. 

No momento exato em que o Espírito do Senhor toca uma pessoa, ela se transforma; passa a compreender o profundo significado do “renascimento”, do “nascer de novo”. Ela própria observa grande diferença dentro de si mesma, entre o que “ela é e o que era”. 

Essa transformação pode não ser logo percebida externamente, mas pouco a pouco, evidencia-se. 

Às vezes, logo no início, pode evidenciar-se de forma negativa: a perda precede o ganho. “Aquele que quiser perder sua vida ganhá-la-á”. 

A concepção habitual da vida deve ser sacrificada para que a concepção espiritual se firme. 
Antes que a plena realização dessa nova vida se instale, a ruptura dos antigos modos de viver deve manifestar-se com relação aos mais variados problemas: sociais, econômicos, físicos. Sobrevém impressão de perda, doação, sacrifício de alguma coisa. 

Realmente, isso é verdade; a partir do momento em que o Espírito do Senhor tocou uma pessoa, esta não se impressiona mais com aparências externas, nem se perturba, reconhecendo as facticidades como participantes de uma experiência transitória. 

Os primeiros mártires cristãos que se converteram dos deuses pagãos para o Único Deus, não pensavam mais de acordo com os padrões humanos. A perseguição de que foram vítimas, nada era, comparada com a excelcitude de sua missão espiritual. 

Ao expectador vulgar parece contra-senso, homens dignos serem apedrejados, lançados às feras, queimados em fogueiras. 

Do ponto de vista humano, assim é, mas quando o Espírito do Senhor toca uma pessoa, passa esta a compreender que, em verdade, nada está sendo desperdiçado, perdido ou sacrificado. 

O “martírio” só existe para aqueles que não compreendem. Para os espiritualmente iluminados ele é o cumprimento de sua experiência, de seu destino espiritual e o que eles recebem sobrepuja a perda aparente. Hoje a atitude do homem profano é semelhante à daqueles pagãos de 19 séculos atrás; considera ele, com assombro e desconfiança, aqueles que, deliberadamente, dedicam seu tempo e dinheiro ao aperfeiçoamento de sua natureza espiritual, em vez de correr atrás do prazer, da fama, de fortuna, de bens materiais. 

Tal escolha, aos olhos profanos, se compara ao sacrifício dos mártires cristãos; mas para aquele que vislumbrou a realidade da senda espiritual, sobretudo aquele que teve experiência Crística, sabe que a plenitude interior, o que ele ganhou em qualidade está acima de qualquer perda quantitativa. 

Neste mundo só há montanhas e baixadas. Algumas vezes contemplamos o mundo do alto de uma colina e ele se nos afigura tranqüilo e bom. Há outros dias em que nos encontramos abalados, desencorajados e até desesperados. Esses períodos não têm significado particular, nem real importância, eles fazem parte do ciclo rítmico da vida humana. 

Há sempre um vale entre duas serras; não é possível escalar a montanha anexa sem passar através do vale existente entre elas; as experiências do vale são simples preparação para as experiências do monte. 

Em termos bíblicos “nenhum homem pode ganhar a sua vida sem antes perdê-la”. É no vale que ele lança de si a carga do ego humano, com seus anseios, necessidades e desejos. Assim descarregado, está livre para escalar a montanha mais próxima. 

Prosseguindo a jornada, serão mais longas as experiências na montanha e mais curtas no vale. Isso acontecerá ano após ano, até que seja alcançado um ponto de transição em que as alturas passarão a ser o seu habitat natural. 

Hoje, pode ser esse dia de transição para nós. Daqui a um ano, seremos forçados a admitir a transformação progressiva operada em nossa vida, se decidirmos esquecer “aquelas coisas que ficaram para trás e alcançar as que estão à frente, galardão do chamamento de Deus em Cristo Jesus”. 

Nunca mais nos deixaremos impressionar pela concepção humana da vida. Não mais seremos capazes de amar ou de odiar intensamente como antes. Não mais ficaremos pesarosos ou jubilosos com a mesma intensidade ou emoção humana. 

A profundidade de nossa vida continuará a fornecer luz espiritual cada vez mais resplandecente, mais sábia orientação, de modo que cada dia seja de maior discernimento, de vida mais intensa do que o dia precedente, na atmosfera divina. 

Esse trabalho servirá como alicerce no qual será erigido o templo de nossa experiência individual, o templo que não foi feito por mãos humanas, mas eterno, nos céus. Anos e anos ouvimos falar na beleza do Cristo, do Poder do Cristo, da influência curadora do Cristo – “o Espírito de Deus dentro de nós” e muitos de nós têm sido abençoados através de pessoas que alcançaram o Espírito de Deus. 

Chegou o tempo em que já devemos depender de ensinamentos ou de iluminação de outros; devemos mesmos, adquirir a experiência que nos faculta estar neste mundo sem pertencermos a ele, cruzá-lo ante discórdias e desarmonias, bem como diante de prazeres e desprazeres, mantendo sempre nossa integridade espiritual. 

Abandonamos a antiga concepção de querer fazer algo; saber algo, de compreender algo; adotamos uma atitude de descontração no tocante à responsabilidade pessoal e aí permanecemos tranqüilos, quietos, na compreensão de que “onde está o Espírito do Senhor, está a libertação”. 

Tornamo-nos espectadores, contemplando Deus a operar em Seu universo, reconhecendo o Ser Transcendente na execução do Seu trabalho através de nossa consciência. 

Algumas pessoas chegaram a ter experiência de Deus sem aparentar sinais externos, por ignorarem o que ela representava, viveram apenas com sua lembrança, desconhecendo como foi ela alcançada e, sobretudo como mantê-la. 

Um adepto, porém, que devotou sua vida ao estudo da Sabedoria Espiritual e à prática da meditação, quando acontece a experiência de Deus, ele a recebe sem surpresa, pois compreende seu significado. 

Ainda que ele a aceite, jubilosamente, como evidência da Graça, sabe que foi alcançada após muito esforço. Não vive pois, com a simples lembrança porque sabe que aumentando a receptividade pela meditação constante, a repetição dessa experiência será freqüente, até chegar o tempo em que ela é alcançada pela vontade. 

Essa Presença Espiritual, esse Poder, esse Cristo que executa por nós as funções de nossa vida, é Invisível, mas nem por isso é menos real. Ele se encarrega das funções do nosso corpo, de modo a tornar para nós desnecessário preocuparmo-nos com suas atividades. 

O Cristo interno faz tudo o que nos compete fazer, inclusive ao nosso corpo. Gradualmente, à proporção que o Cristo passa a viver nossa vida, vai se diluindo a concepção de um corpo físico ou de atividades corporais. 

Se fosse necessário cuidar diretamente da circulação do sangue ou da função digestiva, estaríamos vivendo através de meios humanos e não pela palavra que procede da Boca de Deus (Fonte de energia Infinita). 

Não, o funcionamento do corpo sem auxílio de qualquer espécie, sem conhecimento ou interferência direta sobre o aparelho digestivo ou a circulação do sangue, é uma comprovação evidente da atividade do Cristo. 

A saúde é de Deus, assim, não existe “minha saúde”. “tua saúde”. Se aceitares esse conceito literalmente, veremos acontecer milagres. 

Deus não é pessoal, não obstante pode ser saúde e riqueza. Falar de “minha saúde”, “tua saúde”, é admitir que há graus de saúde, boa ou má. No modo espiritual de viver isso não acontece, pois só há uma saúde e essa é Deus. 

Uma vez que aprendemos o sentido de posse pessoal indicado pelas palavras “eu, meu, minha”, teremos encontrado o verdadeiro sentido da vida espiritual, universal, impessoal, harmoniosa. 

Deus expressa Sua harmonia através do nosso ser e essa harmonia pode ser bondade, saúde e nada mais é do que uma atividade, uma Lei de Deus. Reconhecendo-O como a Essência de todo o bem, tornamo-nos instrumentos para a manifestação da concepção universal do bem. 

A saúde não depende da digestão, eliminação ou atividade de qualquer órgão do corpo; é uma qualidade divina, depende de Deus. 

Lembremo-nos disso: o alimento que eu ingiro não tem valor nutritivo, substância ou poder de sustentar ou manter a vida, mas EU, a ALMA, minha consciência, comunica ao alimento a substância vital, seu valor, seu sustento. 

Se nos tornarmos conscientes disso, verificaremos que em nossos corpos os alimentos passarão a exercer efeito diverso daquele que até então produziram. “Ele faz o que foi dado fazer”, em conseqüência, a atividade do corpo é desempenhada por AQUELE que está dentro de nós. 

Por isso não nos preocupemos. Ele executa e aperfeiçoa aquilo que a nós concerne. Contemplemos Deus manifestando-se como nossa saúde, riqueza, força e vida. Assim acontece todas as fases de nossa experiência humana. 

Se adotarmos uma nova concepção a respeito da retitude da vida, se as palavras corretas forem proferidas no devido tempo, se os nossos atos externos corresponderem a uma atitude interna de retidão, teremos uma vivência harmoniosa e então sentiremos que cada fase de nossa experiência é o resultado direto da atividade do Cristo. 

Não precisamos nos preocupar, Ele, o Cristo, faz tudo antes mesmo que tenhamos alguma consciência do que está acontecendo. Ele, o Cristo, é a atividade do corpo, da bolsa, das relações com nossos semelhantes. A Presença vai à nossa frente para endireitar os caminhos tortuosos e preparar um lugar para nós. 

A Presença faz tudo por nós e nesse plano de existência passamos a viver como testemunhas contemplativas. Há inúmeras passagens bíblicas que revelam a importância de confiar no Senhor, de ser um contemplador da vida. Isso não significa sentar-se negligentemente e nada fazer. 

Ao contrário, quanto mais alguém confia no Senhor, tanto mais ele contempla Deus operando nele, através dele e como ele, tanto mais ativo se torna. 

Como contempladores executamos as tarefas que requerem nossa atenção e que estão ao alcance das nossas mãos. 

Se tivermos uma causa a cuidar, cuidemos dela; se nos for entregue a direção de um negócio, dirijamo-lo; se tivermos direitos a reclamar, reclamemos; porém, mergulharemos em nossas atividades com a seguinte atitude: “Confio no Senhor, observo o que o Pai me dá para fazer”. 

Mantemo-nos assim em tal estado de receptividade que, a qualquer momento, estaremos prontos para alterar os planos que propomos executar e seguir o plano divino. 

Há deveres a serem executados, obrigações a serem cumpridas em todos os dias de nossa vida. 

O que nos for dado fazer, deve ser feito. Sendo um “contemplador”, descobriremos que há uma orientação divina, um poder divino que nos guia. Esse é o estado de consciência atingido por Paulo “Não sou eu que vivo, é o Cristo que vive em mim”. 

É como se Paulo, o homem, se afastasse para um lado dizendo: “Cristo está em mim, está aqui, está atuando em mim, através de mim, como eu mesmo, ele vive minha vida por mim”. 

Essa é a atitude que mantemos como contemplador, quase como se disséssemos: “Na realidade, não estou vivendo minha vida. Observo o Pai a viver Sua vida através de mim”. 

Esse é o modo ideal de viver a senda espiritual da vida, senda na qual encontramos o mínimo de obstáculos, de dificuldades, de incompreensões. 

Há sempre uma Presença, o Infinito Invisível que vai a nossa frente endireitando os caminhos tortuosos, todas as minúcias de nossas experiências. 

É somente quando “eu penso, eu digo, eu faço coisas” que o resultado pode ser prejudicial. Nossa relutância em aguardar o tempo necessário, longo que seja, para que Ele tome conta de nós é o motivo de nossa frustração. 

Muitos não têm paciência de esperar até o momento em que a decisão se impõe. Insistem em saber a resposta adiantadamente, um dia, uma semana, um mês antes. 

Querem saber o que acontece em todos os lugares, querem saber hoje, o que vai acontecer na próxima semana, no mês próximo, que decisão tomar para o próximo ano, em vez de aguardar o momento em que a decisão é exigida e deixar que “Deus ponha a Palavra em sua boca e lhe revele a atitude a tomar”. Um dia, o maná cai, dia a dia para cada um deles, sabedoria, guia, orientação nos são conferidos. Nem sempre Deus nos adverte uma semana antes, a orientação é recebida quando dela necessitamos. 

Adquirimos o hábito da impaciência e em conseqüência, em vez de esperarmos que se manifeste a decisão de Deus, nós nos intrometemos e temerosos de efeitos possivelmente desafortunados, precipitamo-nos e agimos baseados em nosso melhor julgamento humano. 

No viver espiritual não dependemos da correta avaliação humana das situações. Por melhor que pareça o nosso ponto de vista, desviemo-nos dele e dirijamo-nos ao Pai: “Pai, mostra-nos como proceder, aponta-me o próximo degrau e diz-me como e quando deverei transpô-lo”. 

Com paciência e prática, aperfeiçoamos a consciência contemplativa de confiar no Senhor que nos conduz ao milagre da vida em que não somente descobrimos que há um Deus, como também que Ele se tornou o governante de nossa vida. Temos impedido a atividade de Deus em nossos negócios por não saber esperar, por não sermos contemplativos, por não nos sentarmos serenamente ao lado de nós mesmos, até sentirmos que o Pai está tomando conta de nós. 

Se fizéssemos isso apenas, atestaríamos o milagre da Presença Divina, indo a nossa frente para renovar todas as coisas. Quando “nós” tomamos uma decisão, encontramos, muitas vezes, obstáculos insuperáveis no caminho, mas, quando é Deus que decide, Ele vai adiante de nós e remove todos os obstáculos e providencia tudo o que é necessário para facilitar o empreendimento. Uma pequena prática diária para ser contemplador: “Pai, este é Teu dia, o dia que Tu fizeste. Nele me satisfaço e me rejubilo. Revela-me o trabalho neste dia; aponta-me, não as minhas, mas as Tuas decisões. Que unicamente Tua vontade seja a Razão e o princípio ativo de minha vida”. 

Disponhamo-nos a esperar o preciso momento em que uma decisão deva ser tomada; sejamos pacientes, muito pacientes. Ele virá e, uma vez obtida essa experiência, teremos testemunhado o milagre de observar Deus operando em nossos negócios. 

Quando essa crença se tornar experiência, não mais saberemos o que é ficar sem o governo de Deus, pois teremos descoberto que Deus responde, que Deus se encarrega... 

No salmo 23, lê-se que devemos habitar na mansão do Senhor todos os dias de nossa vida, todos os dias habitarei na Presença da Sabedoria de Deus, por Cristo, impelidos a agir por Ele, jamais tomaremos qualquer decisão sem o concurso da orientação espiritual. 

Muitas pessoas que alcançaram êxito na vida testificam a importância de estabelecer períodos de quietude a fim de obter recursos internos para inspiração e orientação. 

Descobriram que ordenando o trabalho do dia de modo a permitir mais freqüentes períodos de silêncio, longe dos cuidados mundanos, libertam-se de uma sensação opressiva, reabastecendo seus reservatórios íntimos de modo a torná-los dispostos com renovado vigor e interesse. 

Há um limite para o que, no espaço de 24 horas, pode executar o corpo e a mente humana. Porém desconhece limitações aquele que na senda espiritual aprendeu a entregar-se à atividade do Cristo, que não é medida em termos de capacidade humana. Ele opera através de Sua capacidade, sendo nós mesmos meros instrumentos. Nada existe que não possa ser extraído das profundezas de nosso ser, pois Deus é a mente do homem individual. Dispõe cada um de plena capacidade da natureza divina e segundo a tranqüilidade, e serenidade e quietude da mente “o Infinito se expressa”. 

Tanto a mente como o corpo são instrumentos de Deus; exatamente como usamos o braço e a mão para escrever, Deus emprega nossas mentes e corpos para tornar-se visível, tangível na experiência humana. 

Toda inspiração recebida de Deus traz consigo seu cumprimento. Por exemplo, se um inventor compreende que seu trabalho é atividade de Deus, tudo o que for necessário para a concretização da idéia será conseguido, seja propaganda, financiamento, compra ou venda. 

Isso é verdade para toda idéia creada em Deus, a fonte de sua inspiração é a mesma atividade que conduz à plena execução. 

Ninguém pode seguir, por determinado tempo, as instruções sobre meditação expostas neste livro, sem notar uma mudança na sua natureza espiritual. 

Desde o momento em que haja um afastamento dos liames materiais para outra modalidade de vida Invisível, antes desconhecido, é inevitável que essa alteração ocorra. “O fruto do Espírito é amor, alegria, paz, resignação, tolerância, bondade, fé, brandura, modéstia, humildade”. Tal fruto não vem para aquele que ainda não aprendeu a apreciar o Cristo, Sua Presença, Poder e Jurisdição. 

Antes da consagração e devoção em que alguém abandonou tudo pelo Cristo, deve proceder à colheita desse fruto. Mas, quando chegar o tempo, não mais se sentirá só, não mais temerá. 

Poderá caminhar no Vale da Sombra e da Morte e mesmo assim, a Presença estará com ele, repousando no centro do seu ser, ainda que sobre a sua cabeça desabe a tempestade. 

É Deus realizando-se como ser individual, então ele O vê como Ele é e Deus aparece como suprimento, abundância, harmonia, paz, alegria em sua experiência.


segunda-feira, maio 06, 2019

A Arte da Meditação - 15


A ARTE DA MEDITAÇÃO
(Joel S. Goldsmith)


Capítulo 15 - A BELEZA DA SACRALIDADE 

- “Tributai ao Senhor a glória devida a seu nome. Prostrai-vos ante o Senhor com sagrados ornamentos...” (Salmos 96:8, 9) 

- “Bem vês que o céu é do Senhor teu Deus, o céu dos céus, a Terra e tudo o que nela há”. (Deuteronômio 10: 14) 

- “Cantam os céus a glória de Deus, e proclama o firmamento a obra de Suas mãos”. (Salmos 19:1) 

A Meditação em si mesma não é o fim. O que buscamos é a realização consciente da Presença de Deus. Antes da experiência da plena iluminação pode haver “dois”: Deus e eu. Não desejamos Deus e eu, mas somente Deus. É o passo final da senda espiritual. Deus é desconhecido e incognoscível aos sentidos humanos. 

Um meio de transpor a distância imensa entre materialidade e espiritualidade é afugentar as preocupações e problemas do mundo e concentrar-se na obra de Deus. Em todos os arredores há sempre algum motivo de beleza, um quadro, uma peça escultural, uma planta, um lago, uma montanha ou uma árvore. 

Concentremo-nos em alguns desses objetos na meditação, considerando a idéia de Deus, como o Invisível a expressar-se através da natureza ou da mente de um artista ou artesão. 

A presença e o poder do Invisível é aquilo que, a nós, se apresenta como visível, sendo um inseparável do outro. Mesmo que tenhamos uma compreensão mínima de Deus, esta nos capacita a discernir a presença da vida de Deus, do amor e da alegria presentes no homem e no universo. 

Essa compreensão faz expandir a nossa vida; o nosso amor se torna mais puro, jubiloso, livre, conduzindo-nos a uma dimensão mais elevada da vida. Passamos a viver, não tanto no mundo dos efeitos, mas no mundo da causa, descobrindo que nosso bem reside na Causa de tudo que existe e não no efeito, nas pessoas, coisas ou lugares. 

Quanto mais nos compenetramos dessa Causa-Deus, tanto maior será nosso gozo ante aqueles efeitos. Somente ao penetrar o Reino Invisível, a Quarta dimensão da vida, passamos a perceber a lei do amor em ação, as forças invisíveis da natureza operando para manifestar-se sob a forma de uma planta ou de uma flor. Isso não pode ser captado por intermédio dos sentidos físicos. Com os olhos semicerrados, contemplai a planta: vede seus brotos, suas folhas, flores e frutos. Que extraordinário milagre de atividade invisível transformou em flor uma semente seca, um punhado de terra e uma porção de água. 

A Vida impalpável atuando através da umidade do solo tocou a semente, partiu-a e pequenos brotos se enraizaram. Essa mesma força invisível carreia os elementos da terra, o sustento necessário para que essas raízes se sistematizem e apontem para fora da planta. 

Que maravilha, que assombro, que milagre é esse que se desenrola ante nossos olhos, nunca visto, inexplicável, desconhecido! Somente Deus, o Infinito, o Invisível poderia produzir tal beleza e tal graça. 

Tudo que aparece é forma e atividade Daquilo que é invisível. O visível nada mais é do que a conscientização do que o causou e lhe deu forma, vida e beleza. Já que a forma é inseparável, indissociável de sua Fonte. 

A forma também é eterna. Reconhecer, compreender a Fonte dos símbolos externos da Creação é amá-los e gozá-los mais sutilmente. A atividade da natureza não é algo dissociado da planta; a vida invisível da planta se expressa como forma, cor, graça e beleza. Similarmente, a alma, a mente, a perícia de um artista integra-se em um bloco de pedra ou de mármore para crear trabalho artístico de modo que as qualidades do creador são inseparáveis da figura creada. 

Na mesa à nossa frente encontra-se uma figura de Budha em delicado marfim. Esforçamo-nos por representar o artista sentado ante essa peça, por ele cuidadosamente selecionado, considerando a beleza e a pureza da cor. Podemos imaginar quão amorosamente manuseou ele essa massa inerte dando-lhe forma ainda em sua mente? Podemos ver além do homem e vislumbrar a beleza da Alma, a pureza da Mente, a divina Inteligência que guiou seus dedos hábeis. 

Lembre-vos, ele não esculpia apenas uma imagem de um homem porque Budha significa iluminação, estado de consciência divina que no ocidente chama “Espírito de Deus no homem”, o Cristo ou filho Espiritual. Na mente do artista reside o desejo de levar aos outros sua concepção desse “Espírito de Deus no homem”. 

A compreensão, o enlevo do escultor expressos em seu trabalho desperta em nós interesse pelo assunto porque o artista soube consubstanciar na figura a profundeza de sua arte. 

Assim como o artista se exteriorizou nessa bela figura, a Natureza se manifesta na beleza de uma flor, também devemos nós expressar a Graça daquela Presença Invisível que está sempre fluindo através de toda Creação. 

Nessa forma de meditação, não só nos deleitamos com a beleza dos poentes, das elevadas montanhas, dos céus estrelados, como também iremos além, captando o amor, a perícia, a integridade Invisível manifestando-se como obra de Deus. 

A atividade incessante do amor divino garante a continuidade dessa maravilhosa creação chamada homem e universo. 

A meditação sobre a atividade de Deus, patenteando-nos os fenômenos naturais ou qualquer forma de beleza, habitua-nos a descobrir no homem sua origem divina, pouco nos importando seus fracassos ou êxitos. 

Deus se expressa pela inteligência, vida, amor e alegria. Isso não é facilmente percebido na observação ligeira de uma pessoa, como também não o é pelos sentidos a Causa Invisível de uma planta ou o trabalho do artista. 

Se contemplando o Invisível, através da aparência, pode a Essência ser discernida; à luz dessa percepção todo indivíduo pode ser considerado manifestação do Infinito Ser Divino. 

Então, condenação e crítica transformam-se em intenso amor pelo universo e seu povo, seguido de compaixão por aqueles que desconhecem sua verdadeira identidade, exatamente aqueles que antes considerávamos mulheres e homens maus do mundo. 

Somente conscientizando a natureza de Deus, poderemos compreender a natureza individual. Pensando sobre nós mesmos ou os outros podemos vislumbrar interiormente a atividade de Deus, como Princípio Creador, expressando-se através de cada um. Deus encarnou como mente, alma, substância e vida de nosso ser individual. O verbo se fez carne como “tu” e como “eu”. 

Na meditação devemos sentir Deus como sujeito e objeto e devemos elevar-nos acima da concepção tridimensional da vida, o visível, para a Quarta dimensão – o Invisível. Os que vivem no mundo tridimensional vivem, apenas, no mundo do peso, comprimento e profundidade; em outras palavras, vivem em um mundo de forma, inteiramente separados da essência. 

Na Quarta dimensão, onde Deus é Causa, Substância e Realidade da Vida, todo efeito seja homem ou coisa, se revela como expressão do Ser Infinito. Todo ser individual, toda forma individual, mineral, vegetal ou animal, é Deus Invisível manifestando-se, exprimindo Suas qualidades Infinitas, Seu Sinete, Sua Natureza. Deus aparecendo como Universo e como homem, Imortal, Eterno. Como poderemos separar-nos de Deus? “Tu me vês, tu vês o Pai que me enviou”. Poderá, por acaso, o amor do artista dissociar-se da obra por ele creada? Contemplamos a planta e a força vital divina que a formou, são uma só coisa, inseparável, indivisível. 

No mundo quadrimensional, causa e efeito, sujeito e objeto são um. Gradualmente nos aprofundamos até nos encontrarmos imersos em Deus. Já não pensamos, as idéias estão sendo cristalizadas através de nós, os pensamentos meditados em nossa consciência tornam-se revelações da Alma. 

Então, encontramos Deus manifestando-se, pronunciando a Palavra viva, penetrante, mais poderosa do que uma espada de dois gumes, aquela Palavra de Deus que separa o Mar Vermelho quando é preciso, que produz os milagres de nossa consciência. 

Essa meditação é uma revelação do Infinito Invisível, afirmando-se dentro do nosso próprio ser. 

Meditação é a arte divina que nos ensina a avaliar corretamente o homem, seus feitos e o Universo. Intensifica o esclarecimento das coisas externas, pois a meditação infunde a compreensão do Amor Divino que produziu a forma. Compreendendo a mente, a alma que gerou uma forma que expresse o bem, apreciamos o próprio bem. 

É o que acontece quando conhecemos o autor de um livro, o compositor de uma peça musical. O livro se torna mais desfrutável e a peça mais sugestiva. 

Se pudéssemos tocar “uma gota de Deus” a creação surgiria para nós em toda sua maravilhosa glória. 

A meditação desenvolve o discernimento que nos leva do objeto a seu princípio creador e ante essa nova visão, o mundo se apresenta como ele realmente é. 

Pela meditação uma nova dimensão da vida se manifesta, já não ficamos limitados a tempo e espaço, comprimento, largura, peso e profundidade, pois de modo instantâneo, a mente se eleva da forma tridimensional para a quarta dimensão que é a origem, sua fonte, sua causa. 

Nessa esfera, não dependemos daquilo que aparece, pessoas, lugares ou coisas, não os amamos desmedidamente, não os odiamos, não os tememos. Contemplando-nos através deles, percebemos a todo o momento que sua Fonte é Deus. 

Quando ouvimos as palavras “jamais te abandonarei”, lembremo-nos da pequena figura de marfim. O amor, a perícia, a leveza, a devoção do artista que a produziu, dela não poderão ser removidas; assim sucede conosco. Aquilo que nos formou jamais nos deixará, sua essência é nosso ser. 

A meditação sobre a obra de Deus é um meio de expressar ativamente, as faculdades da alma e de compreender a mais elevada sabedoria. Devemos habituar-nos a contemplar poentes, jardins, flores e qualquer manifestação da beleza, vislumbrando além delas a Fonte, a causa de sua expressão. 

Passaremos a perceber, então, formas permanentes da beleza, formas permanentes de harmonia, ao vislumbrar a perfeita Essência Divina, expressando-se indefinidamente. 

O sentido material vê a forma e a aprecia; o sentido espiritual descobre a substância fundamental e a realidade da forma, perfeita, completa, integral. 

O objetivo de nosso trabalho é elevar-nos àquela concepção da contemplação de Deus em toda sua divina glória, não a glória do homem, mas a glória de Deus como glória de homem, patenteando a perfeição Infinita de Sua obra. 

Galgamos um grau de iluminação em que somos capazes de contemplar o mundo de Deus perfeito, harmonioso, completo – Deus manifestando-se em toda a Sua Glória. 

“O céu proclama a Glória de Deus” e a terra mostra a Sua obra. Então “minha meditação é serena e eu me contento no Senhor”.


quinta-feira, maio 02, 2019

A Arte da Meditação - 14


A ARTE DA MEDITAÇÃO
(Joel S. Goldsmith)

Capítulo 14 - O TABERNÁCULO DO SENHOR

- “Como é amável Vossa morada Senhor dos exércitos, suspira e desfalece minha alma pelos átrios do Senhor; Exultem meu coração e minha carne pelo Deus vivo!” (Salmos 84:1-2) 

- “Só uma coisa peço ao Senhor, esta, ardentemente a solicito, morar na casa de Deus todos os dias de minha vida, para fruir as delícias do Senhor e contemplar Seu Templo”. (Salmos 20:4) 

- “Senhor, quem há de morar em vosso tabernáculo, quem há de residir em vossa montanha sagrada? O que tem as mãos inocentes e o coração puro...”. (Salmos 15: 1-2) 

Povos de todas as crenças têm tido seu lugar sagrado de adoração, templo, mesquita ou igreja, onde o devoto possa dirigir-se a seu Deus. 

Dentro do santuário, com estrutura e objetos de devoção próprios para que a alma se volte para Deus. 

Na realidade, porém, o encontro com Deus face a face não depende de adoração em lugar determinado nem de adesão a qualquer cerimonial prescrito. 

Os ritos praticados são apenas símbolos externos de uma busca íntima de Deus e nesse sentido cada símbolo tem profundo significado e elevado alcance. 

Uma ilustração dessa busca de Deus repleta de simbologia é a adoração no tabernáculo do Senhor, minuciosamente descrita no Velho Testamento. 

O Templo hebreu tinha a forma de um paralelogramo de lados norte e sul e extremidades este e oeste. 

Compunham-no três partes: paço, lugar sagrado e santuário. O paço era franqueado a todos para adoração; aí, na parte da entrada se localizava um braseiro ardente, um grande altar bronzeado, em que eram queimadas oferendas voluntariamente trazidas pelo povo. 

Entre o braseiro e a porta de entrada do templo, situava-se um lavatório construído em mármore, onde os sacerdotes lavavam as mãos e pés antes de ofertar os sacrifícios ou de entrar no templo. 

O lugar sagrado era acessível apenas aos sacerdotes. Em uma mesa de madeira localizada na face norte, ficavam expostas doze fatias de pão ázimo divididas em duas pilhas. Esse pão significava abundância de Deus e da Graça e semanalmente era substituído. 

Alguns intérpretes da Bíblia chamavam-lhe “Pão da Presença”, símbolo da Presença de Deus. 

O lado oposto do templo, em sentido transversal à mesa sustinha um candelabro de ouro com três ramos de cada lado de onde pendiam saliências amendoadas que formavam receptáculos para sete lâmpadas, nestes, o óleo queimava constantemente. 

Junto à entrada do sacrário havia um altar dourado de feitio semelhante ao colocado no paço, no qual ardia incenso posto pelo Sumo Sacerdote, pela manhã e à tarde. 

No Tabernáculo, o lugar mais santo era o Sacrário, disposto além do lugar sagrado. 

Nesse recinto eram depositados símbolos do maior significado para o ritual e apenas uma vez por ano, tinham os sacerdotes permissão para atravessar os sagrados limites. Aí repousava a Arca da Aliança, uma caixa de madeira coberta de ouro, onde, segundo a crença, a Presença de Deus podia ser notada; mas apenas “os de mãos limpas e “coração puro” podiam encontrar o Caminho da Presença. 

Agora, através da Meditação, tentamos alcançar o significado espiritual do simbolismo desse templo de adoração. Comecemos pelo paço: no altar bronzeado, onde eram acolhidos todos os que entravam, os adoradores consumavam o sacrifício que consistia em entregar às chamas algum objeto material de valor intrínseco, como prova de sinceridade e vontade de a tudo renunciar na tentativa de alcançar Deus. Tinha o devoto de despojar-se de tudo o que constituísse barreira à sua comunhão com Deus, pronto a lançar no fogo purificador todas as coisas que se tornassem empecilho ao seu progresso. Essa prática simbolizava o sacrifício do senso da personalidade, já que ninguém pode aproximar-se da Presença de Deus, sem antes abandonar sua fé e confiança nas dependências humanas. Muitos de nós nunca entram num templo, igreja ou lugar sagrado, contudo, se verdadeiramente desejamos alcançar Deus, um sacrifício terá de ser feito. 

Qual será ele neste mundo moderno, se estivermos dispostos a alcançar o Sacrário? Qual a barreira que obstrui nosso progresso? Não será a velha prática de adorarmos tantos ídolos esquecendo o primeiro mandamento: “Não adorarás outros deuses ante mim?” Os deuses que adoramos hoje não são imagens esculpidas como outrora. Em seu lugar são idolatradas fama, posição, fortuna. Estamos continuamente à procura de alguém ou de alguma coisa para nossa satisfação e esperamos das pessoas amor e gratidão, ao invés de considerar Deus como Fonte ou mantermo-nos na crença de que nosso suprimento e segurança dependem de empregos, investimentos e contas bancárias. Não podemos nos aproximar da Presença de Deus oprimidos pelo peso de nossas cargas, mesmo que seja o desejo de que Deus interfira em nossos negócios mundanos. Lembrai-vos da Arca da Aliança: Deus está no recesso do Templo e antes de ser atingido, todas as barreiras devem ser removidas. Assim iniciamos a cerimônia do sacrifício, lançando figuradamente ao braseiro todas as nossas dependências humanas. Devemos renunciar nossa concepção material de riqueza e saúde, sem renunciar a elas. Ao contrário, como esses conceitos humanos são relegados a uma completa dependência de Deus, podem eles permanecer em abundância e harmonia crescentes. Portanto compreendamos, não é exigido lançar fora nossas posses pessoais, o que deve ser sacrifício é a crença de que a riqueza material constitui nossa garantia. A menos que essa crença seja rejeitada, não podemos realizar nossa integração em Deus. 

A carência e limitação são experimentadas na proporção em que aceitamos a concepção materialista de que “dinheiro” é sinônimo de fonte de suprimento. 

A recíproca é verdadeira, o abastecimento é feito na fonte, mas a Fonte é a substância de que o dinheiro é formado, que é a consciência da Verdade, a consciência de nossa ligação com Deus. 

Conscientizando a certeza dessa identidade, não sofreremos mais carência ou limitação, pois essa compreensão é a substância produtora de suprimento. 

O mesmo princípio de sabedoria ocorre com a saúde. Comumente a idéia de saúde refere-se a um coração que pulsa novamente, um fígado que segrega a quantidade adequada de bile, pulmões que inalam e exalam ritmicamente, de trato digestivo que assimila e elimina satisfatoriamente e de outros vários órgãos e partes do corpo que executam suas funções naturais. Deve ser abandonado o conceito de que órgãos e funções sadias constituem saúde. Saúde é a concepção de que Deus é a Fonte de toda atividade e substância de toda forma, Deus é a Lei em sua creação e essa sabedoria espiritual manifesta-se como saúde. Os conceitos citados, de riqueza e saúde, são dois entre muitos outros que devem ser eliminados. Comecemos onde, neste momento, nos encontramos em nível de consciência. 

No íntimo de nossas mentes e corações verificamos que abrigamos um conceito de natureza mortal, material, limitada, finita, seja sobre riqueza, saúde, família, amigos, posição social, fama, etc. 

Renunciemos aos conceitos humanos para aceitar em troca uma noção espiritual mais elevada do ser. 

Sacrifiquemos o desprezível para receber o que é divinamente real. Erram o caminho os que buscam Deus no intuito de obter satisfações pessoais. 

Deus só pode ser encontrado após a completa renúncia a todo desejo, exceto o desejo de se entregar ao Seu Amor e a Sua Graça. Nesta meditação iniciamos o sacrifício. Eu renuncio: eu renuncio a todo impedimento, a todo estorvo material e humano, a tudo o que possa se interpor entre mim e Deus. 

Em Tua Presença reside a plenitude da vida. Eu renuncio a todo desejo que acalentei a não ser um: “Tu és tudo que busco”. Deixa-me ficar em Tua Presença. Tua Graça me basta, apenas Tua Graça. Eu renuncio ao desejo de alguém, de lugar, de coisa, de circunstância. Eu renuncio até a minha esperança de um céu. Renuncio a todo desejo de reconhecimento, recompensa, gratidão, amor e compreensão. Estou satisfeito com Tua Graça. Se puderes sentar-se aqui e segurar Tua mão, nada mais reclamaria; jejuaria mesmo o resto dos meus dias. Permite que eu segure Tua Mão e jamais terei fome, jamais terei sede. Deixa-me apenas segurar Tua Mão, permanecer em Tua Presença. Havendo-nos despojado de todas as dependências humanas e materiais, lançando-as no braseiro ardente, estaremos prontos para o próximo passo. 

Á curta distância, para além do braseiro fumegante está o grande receptáculo cheio d’água. É o lavatório em que se realiza o rito da purificação. Este já não é simples operação física como foi o lançamento de nosso sacrifício ao fogo; aí, tem o adorador a oportunidade de purificar-se, tanto externa como internamente. Ninguém precisa ser informado ou informar à própria mente sobre as coisas das quais deveria se purificar, pois cada um conhece o próprio íntimo. 

O sacrifício e a purificação das concepções humanas sobre os valores nos preparam para o ingresso no lugar sagrado. Aí permanecemos frente à mesa do pão, mantido sempre fresco e abundante, não com o propósito de nos banquetear, mas como sinal evidente da onipresença de todos os bens. 

Contemplando essa mesa eleva-se de nós uma confissão silenciosa de que assim como o pão está sempre presente no Sacrário, assim também, neste momento, o pão da vida e tudo que representa plenitude aqui se encontra. E onde é aqui? – Onde eu estou. Exatamente onde eu estou, aí está a Onipresença da substância da vida, a insígnia da vida, a harmonia e o bem, porque tudo isso é dom de Deus. Essa dádiva é onipresente e infinita por constituir essência infinita da Vida. Sacrifício, purificação e contemplação da abundância de bens servem de preliminar para a expansão da consciência. 

A presença permanente da luz espiritual é representada pelo candelabro de sete braços, localizado no lado esquerdo do Sacrário. 

Os sacerdotes do templo usavam 7 lâmpadas porque “sete” exprime totalidade. 

Ante este símbolo de luz espiritual a Luz inextinguível do Cristo começa a interpenetrar a consciência, a invadir nosso ser e gradualmente ou subitamente a consciência desperta para a verdade de que precisamente no lugar onde estamos meditando, está a Onipresença, a totalidade da Sabedoria, da compreensão, da Vida Espiritual. 

À Luz de Deus, a plena iluminação espiritual se completa dentro de nós nesse momento; permanecendo em meditação, diante desse candelabro sete vezes iluminado, sentimos a convicção de nossa integração em Deus, e permitimos que essa Luz flua e se manifeste visivelmente. Passo a passo, caminhamos para o Santuário, para a Presença de Deus; cada ato da consagração nos aproxima do alvo. Algo mais é exigido, uma prova final de devoção. Dirigimo-nos em ação de graças ao sítio de adoração, simbolizado pelo incenso fumegante e aí ofertamos nosso louvor e gratidão a Deus pelas inúmeras bênçãos recebidas. 

Neste lugar sagrado, frente ao Santuário, rememoramos nosso progresso desde a entrada no paço. 

Cada rito de consagração representa um papel peculiar no aperfeiçoamento espiritual: o sacrifício lançado no braseiro ardente, a autopurificação no lavatório, a contemplação nos bens de Deus ante o altar dourado. Executando fielmente cada um desses ritos, encontramo-nos atrás do altar do incenso, ante um véu de neblina que finalmente se rompe revelando o Arco da Aliança. 

Se nossa meditação foi serena, tranqüila elevando-nos à realização de nosso ser divino de modo que nossos olhos se abram para a realidade espiritual, então, contemplamos o grande mistério, a névoa se desvanece, a cortina se descerra e nos encontramos na Presença de Deus que se anuncia e nos lembra: “Estou sempre Contigo. Contigo estava quando iniciaste tua busca, mas a névoa ante teus olhos nublava tua visão e tu não podias ver-Me. Tua consciência se achava adormecida por conceitos materialistas. A Névoa não podia dissipar-se enquanto os motivos que a determinavam não fossem removidos. Então e só então pudesses encontrar-Me, ouvir Minha voz, sentir Minha Presença”. 

Seja qual for o estado de consciência em que se encontre o buscador, sacerdote ou neófito, existe para ele um caminho, um caminho que finalmente o levará à Presença de Deus. Pode esse caminho ser singular ao indivíduo ou se assemelhar a qualquer forma estabelecida de adoração religiosa: jornadear do paço externo até o Santuário no templo hebreu; depositar uma flor aos pés da estátua de Budha; peregrinar à Meca; banhar-se no Ganges sagrado ou ajoelhar-se na Catedral em santa comunhão, beber o vinho simbólico e comer o pão sagrado. Seja qual for a simbologia empregada, será infrutífera enquanto não for discernido o significado da forma. 

A meditação em que nos empenhamos veste o símbolo da Realidade da Vida. O ato de sacrifício, purificação e devoção devem ser executados por todo aspirante, não como cerimonial exigido por regulamento, mas como ditame do coração. Poderemos chegar à Presença de Deus somente quando o coração clamar e a alma O reverenciar. 

Ninguém pode atingi-la a não ser em estado de sacralidade. Outrora, somente os sacerdotes eram considerados dignos de ser admitidos no Santuário; hoje, porém, com nosso esclarecimento, qualquer homem ou mulher que tenha compreensão de sua verdadeira identidade é um sacerdote e poderá encontrar o Caminho do Santuário interior. 

É sacerdote todo aquele que alcança determinado nível de consciência de Deus, tal pessoa serve a Deus e é por Ele mantido. O divino pão da vida o alimenta, tornando-o “Luz do Mundo”, canal através do qual sabedoria, amor, vida e a verdade espiritual fluem para aqueles que ignoram a Fonte de seus bens.


segunda-feira, abril 29, 2019

A Arte da Meditação - 13


A ARTE DA MEDITAÇÃO
(Joel S. Goldsmith)

Capítulo 13 - NÃO TEMAS 

“Não temas porque eu estou contigo; não te desencaminharão porque Eu Sou teu Deus. Eu te confortarei e auxiliarei e a destra do meu justo te ampara”. (Isaías 41:10)

Nesse estado de quietude o poder da Graça nos permeia e a Presença de Deus flui em expressão imediata como nossa experiência. Recebemos a dádiva de Deus sem trabalho, sem esforço, sem afetação. 

Confiantes, tranqüilos, permitamos que Deus Se revele, Se exprima. Permitamos que Deus viva nossas vidas, que não haja mais “Eu” e “vós” separados do Pai. 

Em união consciente com Deus a mente repousa. Já não se preocupa com os problemas do “hoje” e do “amanhã”, porque a união da alma com Deus, a conscientização de Deus, revela-o como satisfação de toda necessidade, mesmo antes que essa apareça. Preocupações, receio e dúvida desvanecem e resplandece o verdadeiro significado das palavras “Não temas”. 

Em união consciente com Deus, a Mente Divina funciona como nossa mente, nossa experiência, nossa vida. Então, a mente humana sossega e executa suas funções como veículo do Saber. 

Esse estado de repouso é a mente interior jamais atingida no mundo das facticidades. Mesmo um pensamento, um conceito, sobre a verdade é uma facticidade, motivo por que muitas vezes não conduz à paz, dedicar a mente à repetição de julgamentos estereotipados sobre Deus é uma atitude vã porque Deus é o princípio Creador e só pode ser conhecido quando a mente humana está em silêncio. Não são os pensamentos sobre Deus que resultam em graças. 

Deus é a consciência do ser individual e o Infinito é a medida desse Ser. Nada vos pode ser acrescentado, nada vos pode ser tirado, nenhum bem pode vir a vós, nenhum mal pode alcançar-vos. 

Toda a infinitude do bem está dentro do próprio ser. “Filho, estás sempre comigo; tudo o que tenho é Teu”. Tudo o que Deus é já está confirmado dentro de ti; és aquele ponto na Consciência, através do qual se revela a natureza infinita de Deus. 

Contudo, o bem não pode fluir para ti. Ele se expressa de dentro e flui sobre os que se apercebem de tua consciente certeza da verdade. 

É necessário apenas refrear o pensamento, abandonar toda idéia de angústia e temor; é necessário ficar tranqüilo. Tranqüiliza-te e sabe, na quietude e na confiança está tua força, tua paz, firmeza e segurança; não nos abrigos contra bombas nem nas contas bancárias, mas em Teu Reino, em Tua Paz. 

Nessa quietude, nessa confiança, residem repouso, proteção, cooperação, cuidado e segurança. “Não temas. Eu estou contigo e ficarei até o fim do mundo. Deixa tua carga aos meus pés, solta teu fardo na certeza de que todo o bem está incorporado, abrangente dentro de teu próprio ser. Jamais te deixarei, nunca te abandonarei. Se instalares teu lar no inferno, lá estarei contigo; se vagares pelo vale da sombra e da morte estarei contigo; apenas vagueia sem buscar, quieto, confiante, seguro. Não há paz, não há descanso para os que buscam fora do teu próprio ser. O Reino de Deus está dentro de ti; aceita meu Reino e tranqüiliza-te. Ouve minha promessa: Agora, não amanhã, és filho de Deus; és meu herdeiro juntamente com o Cristo de todas as riquezas celestiais; agora, não amanhã, não ontem. Nada existe para ser conseguido, nem há pesar pelo “ontem”. Há somente esta vivência agora, este instante de repouso em Mim, de confiança em Mim”. 

Todo poder está instituído dentro de vós; não depositeis vossa fé, não tenhais confiança em príncipes, potentosos que sejam. Não temais o que for creado; confiai no Creador. Acaso a creação significará para vós, mais que o Creador? Temeis o que Deus creou? Há outro creador além de Deus e outra creação separada Dele? Não temais o que o homem possa pensar, dizer, fazer, não vos atemorizeis com os inventos da mente humana. 

Os pensamentos dos homens não são Meus pensamentos, disse o Senhor. Não espereis bênçãos, nem temais maldição de pensamentos humanos; o mal que os homens praticam não se eleva além deles mesmos, pois todo mal é autodestruidor. Destrói aquele que o engendra, jamais aquele para quem foi planejado. 

O mal somente é poder para aqueles que lhe conferem poder; de si mesmo não tem mais poder do que a sombra em uma parede. 

Se acreditardes que outros podem ofender-vos e que podeis ofender os outros, sofrereis; não pelo que vos fizeram, nem pelo que parte de vossa própria consciência. O dano sobrevém não dos outros, mas de vós mesmos, pois vós vos extraviastes da Verdade. Abandonai a crença de que o bem ou o mal podem acontecer-vos. Não temais pensamentos ou atos dirigidos contra vós ou contra alguém; não temais quem quer que seja, sobretudo não vos melindreis, não odieis ninguém, pois terríveis são as cadeias do ódio. Deveis compenetrar-vos de que o mal atinge somente a quem o perpetra, que vossa resposta seja sempre compaixão. 

O bem que acaso façais pode ser mal compreendido, considerado fraqueza; que isso não vos preocupe. Não tendes obrigação de provar, nem tendes mesmo o que provar. Deixai que o mundo mantenha seus próprios conceitos sobre Deus, sobre o homem, a religião e a oração. 

“Abençoai os que vos maldizem, fazei o bem aos que vos odeiam, orai por aqueles que maldosamente vos maltratam e vos perseguem”. Orai para que lhes advenha o despertar; nunca os temais, nem manifesteis ressentimento. Nenhum bem vos pode advir, pois já estais nele estabelecido; nenhum mal vos pode perturbar, pois Deus é a medida do vosso bem, a Infinitude de vossa consciência, a pureza de vossa alma. Nada existe fora de vossa própria consciência, se nela não houver mal, não haverá mal operando no mundo. Como podereis determinar se o mal opera em vossa consciência? Aceitais ou reconheceis a presença de um poder à parte de Deus? No caso positivo, o mal existe em vós. Tendes algo a odiar, temer ou por que vos melindrar? Então, estais vendo uma imagem creada dentro de vós mesmos. Ódio, ressentimentos, medos, são apenas invenções do pensamento, resultado de imagens creadas, desprovidas de poder, presença, realidade. Deus é o Creador, Substância e Lei de vossa consciência; o mal nada mais é do que sugestão ou tentação de aceitar outro Creador separado de Deus. Essa sugestão ou tentação deve ser por vós dirigida, até alcançares aquele ponto de quietude em que o Mundo de Deus habite em vós e vós habiteis na consciência da verdade. 

Firmai-vos na convicção de que Deus é o Poder único e verificareis que todas as bênçãos emanam dessa verdade mantida em vossa consciência. Habitai no Reino de Deus estabelecido na Terra; habitai na verdade de que o vosso nome está escrito nos Céus, que sois filhos de Deus, imagem e semelhança do Seu Divino Ser, manifestação de Sua Glória. 

“Eu vim para que eles tivessem vida e a tivessem mais abundante”. Que vossa oração não seja ansiosa, que seja isenta de palavras, pensamentos ou desejos. 

O Espírito da Verdade, o Confortador, jamais vos abandonará, ainda que obstrua todo canal do bem, o Confortador é uma atividade de Deus dentro de vossa própria consciência; como tal integra vosso ser, na proporção de vossa integridade, lealdade, fidelidade. Ele está dentro de vós. “Paz, tranqüiliza-te”, em todas as tempestades de fora, em todos os distúrbios de dentro. Abri a porta de vossa consciência e deixai-O falar; permiti que o Confortador seja vossa própria segurança, vossa provisão, vossa saúde, a harmonia de vosso lar, a paz de vossa vida interior. Viver uma vida espiritual significa habitar na atmosfera do absoluto destemor, indiferente às circunstâncias, “Sede fortes, corajosos, não temais, pois Deus vosso Senhor está convosco. Não vos deixará, não vos abandonará... Ele é o nosso Eu, não temais”. 

Essa é a maior verdade curativa revelada na consciência humana. Para os discípulos, uma tempestade acarretará desastre e morte, mas o Mestre viu somente a oportunidade de serená-los com estas palavras confortadoras: “SOU EU, não temais”. 

Essa mesma confiança permitiu Jesus, frente a Pilatos, dizer: “Não terias poder algum sobre mim, se não te fosse dado do alto”. Foi esse mesmo Poder em José que o fez dizer aos irmãos: “Não fostes vós que me mandastes para aqui, foi Deus... Deus mandou-me antes de vós para preservar-nos a vida”. 

As circunstâncias que vos cercam podem parecer-vos atordoadoras e iminente o desastre, mas Cristo diz: “Sou Eu, não temais”. Tem Deus estranhos caminhos para atrair-vos a Ele; às vezes o que surge como desastre e dissolução de tudo o que parecia mais precioso é o estímulo de vosso despertar para a vida espiritual. 

Jamais considereis uma contrariedade temporária como malogro, falta de demonstração ou compreensão espiritual. Não foi falta de visão espiritual que impeliu Moisés e os hebreus para a experiência do deserto, foi Deus, conduzindo-os a uma compreensão mais elevada do bem. Não foi falta de visão que lançou Elias à solidão, onde faminto, foi servido por corvos que lhe trouxeram alimentos. Era Deus demonstrando a Elias que restaram sete mil que não dobraram seus joelhos ante Baal e que mesmo no ermo “estou Eu contigo apto a armar uma mesa a tua frente, na presença de seus inimigos”. Não foi malogro que impeliu Jesus aos píncaros de um monte para ali ser tentado pelo “diabo”, ou que o levou ao deserto sem alimentos. Foi um meio divino de revelar que não deve o homem estar à cata de provas, nem viver pelo pão somente, mas por toda palavra que procede da boca de Deus (toda energia que sai da Fonte do Infinito – Rohden). Não foi por insucesso que o Mestre foi pregado na cruz, que Pedro e Silas foram encarcerados, que uma víbora subiu na mão de Paulo. Não, foram oportunidades provocadas por Deus para provar a nulidade de tudo o que o mundo chama poder mortífero do mal. 

Jamais considereis as discórdias do vosso lar como aspectos resultantes da falta de compreensão, considereis antes como oportunidades ou circunstâncias que desaparecerão quando já não forem necessárias. Como estímulo para vosso aperfeiçoamento espiritual. Examinai corajosamente toda pessoa ou circunstância que lhes parecer danosa ou destrutiva; em silêncio enfrentai destemidamente a situação e descobrireis que, uma e outra, nada mais são do que imagens de vosso próprio pensamento. 

Reconhecei Deus como a Alma de todas as pessoas e a Atividade em todas as situações. 

Não temais aquilo que o pensamento mortal possa elocubrar ou fazer, uma vez que o pensamento mortal é autodestruidor. Sois o templo do Deus vivo e Deus está em Seu templo sagrado agora. Vossa vida, vossa alma, vossa mente, é habitação da Verdade e se habitais nessa Verdade e permitis que ela habite em vós, nenhum mal acontecerá em vossa habitação. Não temas, mantém a confiança no Reino de Deus. Jamais te deixarei, nunca te abandonarei. Por que toda essa luta? Estou no centro de ti, mais próximo que a respiração, mais perto do que as mãos e os pés. Por que lutar como se tivesses de procurar-Me e buscar-Me? Jamais te deixarei, jamais te abandonarei. Eu te darei água; não te agites, não lutes. Simplesmente, tranqüiliza-te e deixa-Me alimentar-te. Não tentes viver pelo pão, vive por toda palavra, toda promessa da Escritura que se cumpre em ti. Assim como Eu estava em Moisés, estarei também em ti. Tem fé e te darei o maná oculto, invisível ao mundo, incomparável com o senso comum, indefinível ao entendimento humano, oculto nas profundezas do teu próprio ser. Eu tenho o alimento que o mundo desconhece; se Me pedires eu te darei. Renuncia a tua dependência e confiança em pessoas, circunstâncias e Condições. Abisma-te dentro de ti; lá está um alimento que o mundo ignora, lá estão ocultos mananciais de água e maná, tudo incorporado ao teu próprio ser. Elimina o medo, aniquila a dúvida, descansa em Meu Seio, em Meus Braços, em Meu Amor. Acredita, confia em Mim. Não temas.


quinta-feira, abril 25, 2019

A Arte da Meditação - 12


A ARTE DA MEDITAÇÃO
(Joel S. Goldsmith)

Capítulo 12 - POIS ELE É A TUA VIDA 

- “Porque eu não quero a morte do que morre, diz o Senhor Deus; convertei-vos e vivei”. (Ezequiel, 18-32). ... - pois, disto depende a tua vida e a tua longevidade... Deuteronômio 30:20 

- “Na casa de meu Pai há muitas moradas; se assim não fosse eu vo-lo teria dito...” (João 14:2)

- “O que crê em Mim terá vida eterna”. (João 6:47)

- “E a vontade de meu Pai que me enviou é esta: Que todo o que vê o Filho e crê nele, tenha vida eterna”. (João, 6:40) 

Imortalidade é a realização de nossa verdadeira identidade como ser divino, identidade sem começo nem fim, perpétua e eterna. É o reconhecimento de Deus como Pai e Deus como Filho. Esta não é idéia nova para os que palmilham a senda espiritual; é a pedra fundamental sobre a qual se firma todo o ensinamento espiritual ministrado ao homem. 

A essência desse ensinamento ficou sepultada no conceito de imortalidade, como bem-aventurança eterna após a morte, baseada na falsa premissa de que a morte é parte da creação de Deus contrariando a afirmação do Mestre: “A Morte é o último inimigo a ser debelado”. 

E verdade, cedo ou tarde passaremos todos; cada um a seu tempo deixará este plano de consciência. Os que não têm conhecimento de Deus nem se relacionaram com Ele, podem abandonar seus corpos pela doença, por acidente ou velhice; os que têm correta compreensão de Deus, fá-lo-ão sem esforço, sem dor ou enfermidade. “Na casa de meu Pai há muitas moradas”. 

Passamos da primeira para a segunda infância, desta para a adolescência e da adolescência à maturidade; diversos estados de consciência, uma das muitas moradas de Deus. Aqueles que aceitam a transição de uma para outro estado como atividade de Deus e não olham para trás, na vã tentativa de apegar-se a estados de consciência já superados, não experimentarão as deficiências da velhice. 

A resistência aos anos que se vão somando como se fossem algo a temer; acarreta muitas das desarmonias associadas à idade. A aceitação normal, natural da mudança que acompanha a transição de um estado de vida para outro, capacita-nos a olhar para diante com alegria e confiança e não com medo e horror. 

Não há diferença no fluxo de Deus agora, neste momento ou daqui a cem anos. 

A Vida de Deus jamais se modifica ou acaba. Ele determinou a cada um de nós um trabalho espiritual e nos conferiu Sua habilidade que nos torna aptos a executá-lo. Enquanto nos restar trabalho para fazer neste plano de existência, Deus nos manterá com vitalidade fortes, moços, sadios, íntegros. Com tal segurança, não confundiremos longevidade e imortalidade; aquela é mera continuação do presente senso físico de existência. 

Não devemos preocupar-nos com o breve espaço de tempo com que transcorrem nossos anos na Terra, mas na expressão de nossa individualidade eterna para sempre a serviço do Pai. Toda transição ocorre para Glória e desenvolvimento de nossa alma individual. 

Aqueles que se aproximam da meia idade ou a ultrapassam, devem insistir em perguntar ao Pai: Que tendes Vós para mim agora? Então, assim como a planta floresce, fenece e torna a florescer, também as velhas experiências dão lugar às novas. Passamos por muitas experiências que operam mudanças, mas a morte não faz parte de nenhuma delas. Cedo ou tarde, na senda espiritual, cada um alcança, em seu desenvolvimento, um ponto no qual compreende que, no percurso do nascimento até a morte, um estado de consciência é substituído por outro; assim, a experiência que chamamos morte é mera transição no decurso da vida. 

Morte, como a entendemos, é interpretação nossa do que testemunhamos, mas os que obtiveram o primeiro e sutil vislumbre de Deus compreendem que DEUS é vida eterna, sem começo nem fim, “que Ele é tua vida e a continuação de teus dias”. Essa visão surge apenas para aqueles que se elevaram acima do desejo egoísta que é manter-se e manter outros em servidão a uma forma familiar de pensamento. 

A lagarta deve emergir de seu casulo para tornar-se borboleta. Tudo e todos atravessam estados transitórios; na evolução e aperfeiçoamento espiritual, cada um por fim se encontrará sentado aos pés do Trono de Deus, de volta ao Lar Paterno. Isso não significa imortalidade da alma e a morte do corpo como usualmente é entendida. Deve o corpo morrer diariamente; as unhas e os cabelos são cortados e voltam a crescer, células do corpo mudam constantemente, e a despeito dessa alteração, a consciência, nossa verdadeira identidade permanece. 

O velho hábito mantido desde a infância incutiu em nós a idéia de que o corpo que nós vemos no espelho ou de que temos consciência, é o EU. E identificamos o corpo com nosso verdadeiro Eu, ao invés de saber que ele nada mais é do que o instrumento para nosso uso, assim como o automóvel é um veículo que nos transporta de um lugar a outro. 

Em hipótese alguma nos identificamos com ele, sentimo-nos separados, à parte do automóvel que utilizamos exclusivamente como meio de locomoção. Assim como o automóvel, o corpo também não é o EU real. Em uma fase ou outra de nossa experiência, abandonamos o conceito de corpo como soma total de nosso ser e aceitamos a verdade de nossa identidade espiritual como Consciência. E a hora vai chegar em que cessaremos de viver como seres humanos; isso não significa que será necessário morrer para alcançar nossa elevação espiritual. 

Não é a morte do corpo que importa, mas a transição que se processa na consciência, referida por Paulo como “morte todos os dias”, para renascimento pelo Espírito. 

“Eu morro diariamente (ego Interior); já não sou eu que vivo, é o Cristo (EU Superior) que vive em mim”. 

Todos os dias devemos conscientemente apartar-nos das leis que governam a experiência humana e reconhecer a Graça de Deus na realização consciente de nossa vida, no Invisível, com o Invisível, pelo Invisível. Nessa firme confiança no Invisível, morremos espontaneamente todos os dias e um dia morreremos compulsoriamente e renasceremos pelo espírito. 

A partir de então, a vida será vivida em uma nova dimensão, inteiramente diversa, deixaremos de permanecer sujeitos às leis da física, viveremos pela GRAÇA. A transição não é substancialmente física, é um ato de consciência. 

Na metamorfose da lagarta o verme se transforma em borboleta, o estado de lagarta evolveu para o estado de borboleta; a transformação se opera na consciência, exteriorizando-se como forma. Ao começarmos a penetrar nessa nova e espantosa idéia perceberemos que esse EU SOU é permanente e eterno. 

No princípio DEUS; a natureza de Deus é a eterna essência que se manifesta como “tu” e “eu”. Deus mantém a continuidade de sua própria existência em sua forma individual, infinita para sempre. Todos os que existiram no princípio existem agora, e os que existem agora, existirão para sempre. 

O corpo é o templo da Vida, assim como o cérebro é o canal através do qual a inteligência se expressa, o corpo é o veículo através do qual se manifesta a vida. Pode a vida separar-se do seu templo? Vida é a substância de que o corpo é formado; portanto é o corpo tão indestrutível como a própria vida. 

Em mim está a força espiritual que funciona de dentro para fora. Eu não tenho força vital; Eu sou a força vital. Ela constitui o meu verdadeiro ser e flui de forma Harmoniosa, Infinita. Consciência é a lei e a atividade de meu corpo. 

Nada poderá jamais deter o Ser que eu sou, pois eu existo independentemente do que o mundo chama de “matéria”. 

Eternidade é a natureza do meu Ser. A atividade invisível da verdade operando em minha consciência renova-me física, moral e financeiramente. Dia a dia, o EU, meu ser invisível manufatura tudo o que é necessário ao cumprimento de minha experiência terrena. Observo o meu corpo que passa da infância à mocidade, dessa à maturidade e da maturidade à velhice. 

Ante essas sucessivas mudanças do corpo EU permaneço o observador impenetrável, inviolável, intato, intocável. Aos nove, dezenove ou aos noventa anos, eu estarei observando todas as alterações do corpo, todas as modificações de sua expressão, sem jamais poder abandonar ou “renunciar a mim”. 

O Eu sempre me governará e protegerá. Este minuto é o único instante que eu posso conhecer; o que passou já não tem existência e o que vai passar ainda não tem. 

Para mim o passado, presente e futuro são “agora”, este “agora” em que estou vivendo. É “agora” que eu tenho vivido sempre e é agora que sempre viverei. Não tem propósito olhar para uma vida daqui a cem anos ou duzentos; “agora” é o único tempo em que eu posso viver.

É “agora”, neste exato momento, que Deus, a vida Única Se expressa. Eu não expresso a Vida; Ela se manifesta como ser individual, indestrutível. A morte não é aniquilação, nada mais é que uma sombra.


segunda-feira, abril 22, 2019

A Arte da Meditação - 11


A ARTE DA MEDITAÇÃO
(Joel S. Goldsmith)

Capítulo 11 - PORQUE O AMOR É DEUS 

O segredo de como viver com os outros é vivermos e mover-nos sintonizados com a Consciência Cósmica. Qual é o segredo de nosso relacionamento com as pessoas, como conseguir que esse relacionamento seja harmonioso? Do ponto de vista humano, relações satisfatórias entre pessoas humanas ou grupos de pessoas, dependem da qualidade da comunicação. Freqüentemente resultam em incompreensão, devido a crença de que há muitas mentes com interesses diferentes, de que podemos tirar algo de alguém ou de que podem tirar algo de nós. 

O Caminho Infinito, contudo, considera esse problema sob luz inteiramente diversa. 

O segredo reside em reconhecer que não somos seres separados uns dos outros, mas que nossa unidade com Deus nos liga a todos os seres. Deus é a Mente individual; a Mente de Deus em mim reverencia a Mente de Deus em vós. 

A Inteligência Infinita está agindo através de vós. Uma Inteligência fala, uma Inteligência ouve; nós somos UM. Estamos de acordo, não porque vós concordais comigo, mas porque Deus concorda com Ele mesmo. Deus é o Espírito Único, portanto em nossa mente única não pode haver incompreensão. Deus fala a Deus, Vida se revela em Vida, a alma se comunica com a alma. Nada mais sou do que um instrumento através do qual a Inteligência Infinita e o Amor divino estão sendo revelados à Inteligência Infinita e ao Divino Amor daqueles que entram no âmbito de minha consciência. No fluxo do amor que transborda de mim para vós e de vós para mim, não há separação. 

As pressões do mundo não só nos separam de Deus como também separam o homem do homem, o homem da mulher, o pai do filho e vice-versa; amigo do amigo, empregado do empregador, etc... O mundo nos fez inimigos naturais uns dos outros e “o grande animal-homem saqueia todos os outros animais”. O caminho do mundo é a separação, o Caminho do Cristo é a Unidade. 

Isaias aprendeu esse sentido de unidade quando disse: “O lobo habitará com o cordeiro e o leopardo com o cabrito; permanecerão juntos o corvo e o leão..., não se ferirão, não se destruirão em todo meu solo sagrado”. 

Amor é o ingrediente essencial em todas as relações satisfatórias. Nosso amor a Deus se manifesta em nosso amor aos homens. Somos Um com Deus e Um com todos os Seus filhos, com nossas famílias e parentes, com os membros de nossa igreja, com os associados de nossos empreendimentos, com nossos amigos. Quando reconhecemos Deus como nosso vizinho, tornamo-nos membros do Lar Divino, santos no Reino Espiritual; há uma completa rendição de si mesmo ao Mar Infinito do Espírito. Os bens de Deus fluem para nós, através de todos os que fazem parte de nosso universo.

Aos que vivem em comunhão com Deus, servindo-O através do próximo, a promessa é literalmente cumprida: “Tudo que Eu tenho é teu”. Desvanece o desejo por algo ou alguém; pessoas e coisas tornam-se parte do nosso ser. O que abdicamos, temos; o que abarcamos com a garra da posse, perdemos. Atraímos aquilo que renunciamos, conservamos aquilo que perdemos, tudo o que deixamos livre liga-se a nós, para sempre. Não devemos manter ninguém em servidão por dívida de amor, ódio, temor ou dúvida. Não devemos reclamar amor de ninguém, devemos, ao contrário, convencer-nos de que ninguém nos deve. Somente quando nos considerarmos devedores de uma obrigação, sem mantermos quem quer que seja como nosso devedor, somente então poderemos considerarmo-nos livres, deixando o mundo que nos cerca, livre. 

O transbordamento dessa experiência alcançará outros que são também instrutores de Deus e estes permutarão conosco vibrações superiores auridas na mesma Fonte Infinita. Se reclamarmos amor de alguém, essa atitude de exigência obstruirá; limitando o fluxo de amor para nós. Mantendo nossa União consciente com Deus, pela compreensão de que “Eu e o Pai somos UM”, desobstruiremos o canal, através do qual a Atividade de Deus flui para nós, por meio de todos os que são receptivos e respondem ao impulso divino. 

Nosso contato com Deus determina nosso contato com todas as pessoas ou lugares, do modo que possam desempenhar um papel no desdobramento de nossa experiência diária. 

Todo o Universo – e somente pessoas e lugares que nos cercam – são veículos que nos conduzem a essa visão de Unidade. No mundo, onde quer que haja um bem ele encontrará um caminho para derramar-se sobre nós. O bem que nos invade vem da Graça que fluirá indefinidamente “se não interferimos no planejamento, segundo o qual ela deverá manifestar-se”. 

Compreendendo que Deus é o Doador Único de todos os bens, devemos ater-nos a aceitar apenas aquelas coisas que são nossas, por direito humano; se tivermos de arrostar algumas ações pelos tribunais de justiça, naturalmente tomaremos os cuidados humanos necessários para conduzir a demanda e apresentar nosso caso da melhor maneira possível. 

No entanto, nossa fé e confiança não devem repousar no tecnicismo dos processos legais, mas em Deus, Fonte de toda justiça. Juiz, jurados, advogados, testemunhas serão considerados meros instrumentos para exprimirem a Justiça de Deus. 

A atitude dos outros para conosco é problema deles, agindo de acordo com o bem ou contrariamente a ele, a colheita lhes pertence. Os outros só têm possibilidade de fazer-nos algum mal, se interesseiramente estivermos esperando deles algum bem. 

Desde que nos tenhamos submetido ao governo, isto é, ao controle de Deus, ninguém poderá fazer-nos mal. 

Contemplando sempre o Pai dentro de nós, os pensamentos e obras dos homens não conseguirão atingir-nos. 

Somos responsáveis exclusivamente por “aquilo que fazemos” aos outros; nesse particular, nossa conduta deve sintonizar com o grande mandamento: “Ama a teu próximo como a ti mesmo; ama a teus inimigos, perdoa a setenta vezes sete”. Ora por aqueles que maliciosamente se aproveitam de ti, jamais temas ou desprezes os que agem contrariamente à Divina Lei; rejubila-te com aqueles que permitem a Deus empregá-los como instrumentos do bem. Estamos em contato com uma humanidade de muitos níveis; elementos bons, elementos maus, alguns mesmos intoleráveis. 

Assim, diversos são, no gênero humano os estados de consciência. Viver meramente com recursos próprios, potenciais, ocultos, inconscientes da verdadeira identidade, torna a vida uma luta sem tréguas e sem esperança, contra adversidades insuperáveis; má saúde, poucas rendas, elevados tributos. 

Para encobrir seus insucessos, muitos assumem atitudes jactanciosas, a fim de mascarar seus desapontamentos e frustrações. Essas pessoas têm fome de amor. E como desejam ser amadas? Antes de tudo, sendo compreendidas; muitos de nós estamos convictos de que ninguém nos compreende. Se nossos amigos e parentes realmente nos compreendessem, eles nos perdoariam mais. Cada vez que nos pomos em contato com pessoas de diferentes níveis, a nossa atitude deve assemelhar-se a do Mestre: “Pai, perdoa-os, pois não sabem o que fazem”, não despertaram para sua Cristificação. 

Não obstante as aparências, Deus é seu verdadeiro ser, a única Lei que os governa e suas qualidades são de Deus, Há somente UM, exclusivamente UM SER Infinito. Assim como há somente uma vida, a Vida de Deus permeando nosso jardim, expressando-se de vários e diversos modos. Ainda que nossos amigos e conhecidos possam contar-se às centenas, há uma só Vida Única a manifestar-se, individualmente, lembrando-nos que nosso ser é Um com Deus nada temos a temer; nessa Unidade não pode haver discórdia, desarmonia e injustiça. 

Nosso senso de benevolência resulta da compreensão de que ninguém nos pode causar dano por causa da graça de Deus que mantém e sustenta nosso parentesco com o Pai em toda e qualquer circunstância. 

Há um fio invisível unindo-nos todos uns aos outros; esse fio é o Cristo. Se estivermos atados por laços materiais de qualquer natureza, cedo eles se tornarão frágeis sejam eles de sangue, casamento, membro de organização ou qualquer forma de obrigação humana. Se forem de natureza estritamente material, causarão tédio. Somente quando o Amor por trás de todos esses laços for suficientemente puro a ponto de esvaziar-se de todo desejo egoísta, somente então as relações serão satisfatórias, permanentes, reciprocamente benéficas. Não há amor verdadeiro, duradouro, em qualquer forma de parentesco no qual Deus não entre. Não há milagre de amor em nenhum casamento em que Deus não seja a pedra fundamental. Se conhecermos o amor de Deus, conheceremos o amor do homem. 

O amor por Deus é rendição completa na união mística entre Pai e Filho. “Deus, tudo o que eu tenho é Teu, assim como o que Tu tens é meu, meu tempo, minhas mãos, minha vida estão a Teu serviço”. Se as pessoas experimentassem essa completa rendição a Deus tornando-se UM com Ele, ao sobrevir a época do casamento humano ambos passariam a manter uma genuína modalidade de relacionamento e as palavras da cerimônia nupcial tornar-se-iam realidade: os dois formariam UM. 

O Lar é a expressão da consciência dos indivíduos que o habitam; é formado na atmosfera da consciência daqueles que o estabelecem. Há casa em que não há amor, nem ódio, pecado ou pureza, doença, nem saúde. 

Se, porém os membros dessa casa permitem que suas consciências sejam invadidas por pensamentos de pecado, moléstias, limitações, carências, desconfianças ou temores, então a discórdia, a desarmonia, o empobrecimento nela reinarão. Por outro lado, se a consciência dos que a compõem exprimir amor, compreensão, tolerância, fé, esperança, esse lar se tornará santuário. Nele se edificará a visão da Nova Jerusalém; uma cidade sagrada, governada pelo amor. Verdade é que muitos podem levar todo o lar para o Reino doa Céus. 

Pode acontece que sejamos bem sucedidos em converter nossa casa naquela “cidade sagrada”; podemos, contudo manter-nos resolutos na via da Cristificação de todas as pessoas que convivem, não exteriormente pregando com uma infinidade de palavras insignificantes, porém mantendo o “silêncio” de nossa integridade espiritual, e contribuindo para que nossa vida constitua um testemunho vivo da Verdade. 

O Mestre assim procedeu com seus seguidores, abismando-se no silêncio do Seu próprio Ser e não hesitou em afastar-se das multidões que O oprimiam, para buscar Deus na solidão dos seus retiros. Nós também podemos fazer esses silenciosos períodos de renovação cedo, pela manhã, à tarde, à noite, de madrugada ou a intervalos durante o dia; estabelecendo breves pausas nas exigências da vida familiar e mundana. 

Nossa realização da Verdade se exterioriza em harmonia e paz. Em nosso lar; o Verbo se fez carne. Se nesses períodos de silêncio, Deus não entrar em nossas relações com a família, todos os nossos esforços, todo o nosso trabalho para edificar o lar podem frustrar-se. A água material, o pão ou o vinho que passamos a dar aos membros da família, o serviço, não satisfazem; logo voltarão de novo a sentir fome e sede. 

É somente em proporção do reconhecimento de nossa Cristificação, da nossa verdadeira identidade que membros do nosso lar serão capazes de receber “as águas vivas”. “Jamais terá sede aquele que beber da água que eu lhe der”. 

Cumprindo nossa parte Deus cumpre a Sua, infundindo paz às consciências. Estando conscientemente certos de nossa união com Deus, dirigindo-nos ao “Pai em nós” como Fonte de todo o bem, nossas relações com os outros serão puras, completamente livres de qualquer coisa que eles tenham. Uma relação espiritual se manifesta como participação, cooperação, doação. É como presentear nossos filhos, irmãos ou amigos sem nenhum interesse de retorno, sem nenhuma razão; não porque eles mereçam, mas pela alegria de expressar amor. 

Quando nossas relações se basearem, não no que ganhamos dos outros, mas no que jaz em nossos corações, para dar ou compartilhar com os outros, não somente dinheiro, mas todos bens da vida – cooperação, compreensão, confiança, perdão, ajuda – então e só então, aquelas relações serão permanentes, puro Espírito, verdadeiro oferecimento de nós mesmos. “Porque o Amor é Deus”.