"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

quinta-feira, abril 25, 2019

A Arte da Meditação - 12


A ARTE DA MEDITAÇÃO
(Joel S. Goldsmith)

Capítulo 12 - POIS ELE É A TUA VIDA 

- “Porque eu não quero a morte do que morre, diz o Senhor Deus; convertei-vos e vivei”. (Ezequiel, 18-32). ... - pois, disto depende a tua vida e a tua longevidade... Deuteronômio 30:20 

- “Na casa de meu Pai há muitas moradas; se assim não fosse eu vo-lo teria dito...” (João 14:2)

- “O que crê em Mim terá vida eterna”. (João 6:47)

- “E a vontade de meu Pai que me enviou é esta: Que todo o que vê o Filho e crê nele, tenha vida eterna”. (João, 6:40) 

Imortalidade é a realização de nossa verdadeira identidade como ser divino, identidade sem começo nem fim, perpétua e eterna. É o reconhecimento de Deus como Pai e Deus como Filho. Esta não é idéia nova para os que palmilham a senda espiritual; é a pedra fundamental sobre a qual se firma todo o ensinamento espiritual ministrado ao homem. 

A essência desse ensinamento ficou sepultada no conceito de imortalidade, como bem-aventurança eterna após a morte, baseada na falsa premissa de que a morte é parte da creação de Deus contrariando a afirmação do Mestre: “A Morte é o último inimigo a ser debelado”. 

E verdade, cedo ou tarde passaremos todos; cada um a seu tempo deixará este plano de consciência. Os que não têm conhecimento de Deus nem se relacionaram com Ele, podem abandonar seus corpos pela doença, por acidente ou velhice; os que têm correta compreensão de Deus, fá-lo-ão sem esforço, sem dor ou enfermidade. “Na casa de meu Pai há muitas moradas”. 

Passamos da primeira para a segunda infância, desta para a adolescência e da adolescência à maturidade; diversos estados de consciência, uma das muitas moradas de Deus. Aqueles que aceitam a transição de uma para outro estado como atividade de Deus e não olham para trás, na vã tentativa de apegar-se a estados de consciência já superados, não experimentarão as deficiências da velhice. 

A resistência aos anos que se vão somando como se fossem algo a temer; acarreta muitas das desarmonias associadas à idade. A aceitação normal, natural da mudança que acompanha a transição de um estado de vida para outro, capacita-nos a olhar para diante com alegria e confiança e não com medo e horror. 

Não há diferença no fluxo de Deus agora, neste momento ou daqui a cem anos. 

A Vida de Deus jamais se modifica ou acaba. Ele determinou a cada um de nós um trabalho espiritual e nos conferiu Sua habilidade que nos torna aptos a executá-lo. Enquanto nos restar trabalho para fazer neste plano de existência, Deus nos manterá com vitalidade fortes, moços, sadios, íntegros. Com tal segurança, não confundiremos longevidade e imortalidade; aquela é mera continuação do presente senso físico de existência. 

Não devemos preocupar-nos com o breve espaço de tempo com que transcorrem nossos anos na Terra, mas na expressão de nossa individualidade eterna para sempre a serviço do Pai. Toda transição ocorre para Glória e desenvolvimento de nossa alma individual. 

Aqueles que se aproximam da meia idade ou a ultrapassam, devem insistir em perguntar ao Pai: Que tendes Vós para mim agora? Então, assim como a planta floresce, fenece e torna a florescer, também as velhas experiências dão lugar às novas. Passamos por muitas experiências que operam mudanças, mas a morte não faz parte de nenhuma delas. Cedo ou tarde, na senda espiritual, cada um alcança, em seu desenvolvimento, um ponto no qual compreende que, no percurso do nascimento até a morte, um estado de consciência é substituído por outro; assim, a experiência que chamamos morte é mera transição no decurso da vida. 

Morte, como a entendemos, é interpretação nossa do que testemunhamos, mas os que obtiveram o primeiro e sutil vislumbre de Deus compreendem que DEUS é vida eterna, sem começo nem fim, “que Ele é tua vida e a continuação de teus dias”. Essa visão surge apenas para aqueles que se elevaram acima do desejo egoísta que é manter-se e manter outros em servidão a uma forma familiar de pensamento. 

A lagarta deve emergir de seu casulo para tornar-se borboleta. Tudo e todos atravessam estados transitórios; na evolução e aperfeiçoamento espiritual, cada um por fim se encontrará sentado aos pés do Trono de Deus, de volta ao Lar Paterno. Isso não significa imortalidade da alma e a morte do corpo como usualmente é entendida. Deve o corpo morrer diariamente; as unhas e os cabelos são cortados e voltam a crescer, células do corpo mudam constantemente, e a despeito dessa alteração, a consciência, nossa verdadeira identidade permanece. 

O velho hábito mantido desde a infância incutiu em nós a idéia de que o corpo que nós vemos no espelho ou de que temos consciência, é o EU. E identificamos o corpo com nosso verdadeiro Eu, ao invés de saber que ele nada mais é do que o instrumento para nosso uso, assim como o automóvel é um veículo que nos transporta de um lugar a outro. 

Em hipótese alguma nos identificamos com ele, sentimo-nos separados, à parte do automóvel que utilizamos exclusivamente como meio de locomoção. Assim como o automóvel, o corpo também não é o EU real. Em uma fase ou outra de nossa experiência, abandonamos o conceito de corpo como soma total de nosso ser e aceitamos a verdade de nossa identidade espiritual como Consciência. E a hora vai chegar em que cessaremos de viver como seres humanos; isso não significa que será necessário morrer para alcançar nossa elevação espiritual. 

Não é a morte do corpo que importa, mas a transição que se processa na consciência, referida por Paulo como “morte todos os dias”, para renascimento pelo Espírito. 

“Eu morro diariamente (ego Interior); já não sou eu que vivo, é o Cristo (EU Superior) que vive em mim”. 

Todos os dias devemos conscientemente apartar-nos das leis que governam a experiência humana e reconhecer a Graça de Deus na realização consciente de nossa vida, no Invisível, com o Invisível, pelo Invisível. Nessa firme confiança no Invisível, morremos espontaneamente todos os dias e um dia morreremos compulsoriamente e renasceremos pelo espírito. 

A partir de então, a vida será vivida em uma nova dimensão, inteiramente diversa, deixaremos de permanecer sujeitos às leis da física, viveremos pela GRAÇA. A transição não é substancialmente física, é um ato de consciência. 

Na metamorfose da lagarta o verme se transforma em borboleta, o estado de lagarta evolveu para o estado de borboleta; a transformação se opera na consciência, exteriorizando-se como forma. Ao começarmos a penetrar nessa nova e espantosa idéia perceberemos que esse EU SOU é permanente e eterno. 

No princípio DEUS; a natureza de Deus é a eterna essência que se manifesta como “tu” e “eu”. Deus mantém a continuidade de sua própria existência em sua forma individual, infinita para sempre. Todos os que existiram no princípio existem agora, e os que existem agora, existirão para sempre. 

O corpo é o templo da Vida, assim como o cérebro é o canal através do qual a inteligência se expressa, o corpo é o veículo através do qual se manifesta a vida. Pode a vida separar-se do seu templo? Vida é a substância de que o corpo é formado; portanto é o corpo tão indestrutível como a própria vida. 

Em mim está a força espiritual que funciona de dentro para fora. Eu não tenho força vital; Eu sou a força vital. Ela constitui o meu verdadeiro ser e flui de forma Harmoniosa, Infinita. Consciência é a lei e a atividade de meu corpo. 

Nada poderá jamais deter o Ser que eu sou, pois eu existo independentemente do que o mundo chama de “matéria”. 

Eternidade é a natureza do meu Ser. A atividade invisível da verdade operando em minha consciência renova-me física, moral e financeiramente. Dia a dia, o EU, meu ser invisível manufatura tudo o que é necessário ao cumprimento de minha experiência terrena. Observo o meu corpo que passa da infância à mocidade, dessa à maturidade e da maturidade à velhice. 

Ante essas sucessivas mudanças do corpo EU permaneço o observador impenetrável, inviolável, intato, intocável. Aos nove, dezenove ou aos noventa anos, eu estarei observando todas as alterações do corpo, todas as modificações de sua expressão, sem jamais poder abandonar ou “renunciar a mim”. 

O Eu sempre me governará e protegerá. Este minuto é o único instante que eu posso conhecer; o que passou já não tem existência e o que vai passar ainda não tem. 

Para mim o passado, presente e futuro são “agora”, este “agora” em que estou vivendo. É “agora” que eu tenho vivido sempre e é agora que sempre viverei. Não tem propósito olhar para uma vida daqui a cem anos ou duzentos; “agora” é o único tempo em que eu posso viver.

É “agora”, neste exato momento, que Deus, a vida Única Se expressa. Eu não expresso a Vida; Ela se manifesta como ser individual, indestrutível. A morte não é aniquilação, nada mais é que uma sombra.


segunda-feira, abril 22, 2019

A Arte da Meditação - 11


A ARTE DA MEDITAÇÃO
(Joel S. Goldsmith)

Capítulo 11 - PORQUE O AMOR É DEUS 

O segredo de como viver com os outros é vivermos e mover-nos sintonizados com a Consciência Cósmica. Qual é o segredo de nosso relacionamento com as pessoas, como conseguir que esse relacionamento seja harmonioso? Do ponto de vista humano, relações satisfatórias entre pessoas humanas ou grupos de pessoas, dependem da qualidade da comunicação. Freqüentemente resultam em incompreensão, devido a crença de que há muitas mentes com interesses diferentes, de que podemos tirar algo de alguém ou de que podem tirar algo de nós. 

O Caminho Infinito, contudo, considera esse problema sob luz inteiramente diversa. 

O segredo reside em reconhecer que não somos seres separados uns dos outros, mas que nossa unidade com Deus nos liga a todos os seres. Deus é a Mente individual; a Mente de Deus em mim reverencia a Mente de Deus em vós. 

A Inteligência Infinita está agindo através de vós. Uma Inteligência fala, uma Inteligência ouve; nós somos UM. Estamos de acordo, não porque vós concordais comigo, mas porque Deus concorda com Ele mesmo. Deus é o Espírito Único, portanto em nossa mente única não pode haver incompreensão. Deus fala a Deus, Vida se revela em Vida, a alma se comunica com a alma. Nada mais sou do que um instrumento através do qual a Inteligência Infinita e o Amor divino estão sendo revelados à Inteligência Infinita e ao Divino Amor daqueles que entram no âmbito de minha consciência. No fluxo do amor que transborda de mim para vós e de vós para mim, não há separação. 

As pressões do mundo não só nos separam de Deus como também separam o homem do homem, o homem da mulher, o pai do filho e vice-versa; amigo do amigo, empregado do empregador, etc... O mundo nos fez inimigos naturais uns dos outros e “o grande animal-homem saqueia todos os outros animais”. O caminho do mundo é a separação, o Caminho do Cristo é a Unidade. 

Isaias aprendeu esse sentido de unidade quando disse: “O lobo habitará com o cordeiro e o leopardo com o cabrito; permanecerão juntos o corvo e o leão..., não se ferirão, não se destruirão em todo meu solo sagrado”. 

Amor é o ingrediente essencial em todas as relações satisfatórias. Nosso amor a Deus se manifesta em nosso amor aos homens. Somos Um com Deus e Um com todos os Seus filhos, com nossas famílias e parentes, com os membros de nossa igreja, com os associados de nossos empreendimentos, com nossos amigos. Quando reconhecemos Deus como nosso vizinho, tornamo-nos membros do Lar Divino, santos no Reino Espiritual; há uma completa rendição de si mesmo ao Mar Infinito do Espírito. Os bens de Deus fluem para nós, através de todos os que fazem parte de nosso universo.

Aos que vivem em comunhão com Deus, servindo-O através do próximo, a promessa é literalmente cumprida: “Tudo que Eu tenho é teu”. Desvanece o desejo por algo ou alguém; pessoas e coisas tornam-se parte do nosso ser. O que abdicamos, temos; o que abarcamos com a garra da posse, perdemos. Atraímos aquilo que renunciamos, conservamos aquilo que perdemos, tudo o que deixamos livre liga-se a nós, para sempre. Não devemos manter ninguém em servidão por dívida de amor, ódio, temor ou dúvida. Não devemos reclamar amor de ninguém, devemos, ao contrário, convencer-nos de que ninguém nos deve. Somente quando nos considerarmos devedores de uma obrigação, sem mantermos quem quer que seja como nosso devedor, somente então poderemos considerarmo-nos livres, deixando o mundo que nos cerca, livre. 

O transbordamento dessa experiência alcançará outros que são também instrutores de Deus e estes permutarão conosco vibrações superiores auridas na mesma Fonte Infinita. Se reclamarmos amor de alguém, essa atitude de exigência obstruirá; limitando o fluxo de amor para nós. Mantendo nossa União consciente com Deus, pela compreensão de que “Eu e o Pai somos UM”, desobstruiremos o canal, através do qual a Atividade de Deus flui para nós, por meio de todos os que são receptivos e respondem ao impulso divino. 

Nosso contato com Deus determina nosso contato com todas as pessoas ou lugares, do modo que possam desempenhar um papel no desdobramento de nossa experiência diária. 

Todo o Universo – e somente pessoas e lugares que nos cercam – são veículos que nos conduzem a essa visão de Unidade. No mundo, onde quer que haja um bem ele encontrará um caminho para derramar-se sobre nós. O bem que nos invade vem da Graça que fluirá indefinidamente “se não interferimos no planejamento, segundo o qual ela deverá manifestar-se”. 

Compreendendo que Deus é o Doador Único de todos os bens, devemos ater-nos a aceitar apenas aquelas coisas que são nossas, por direito humano; se tivermos de arrostar algumas ações pelos tribunais de justiça, naturalmente tomaremos os cuidados humanos necessários para conduzir a demanda e apresentar nosso caso da melhor maneira possível. 

No entanto, nossa fé e confiança não devem repousar no tecnicismo dos processos legais, mas em Deus, Fonte de toda justiça. Juiz, jurados, advogados, testemunhas serão considerados meros instrumentos para exprimirem a Justiça de Deus. 

A atitude dos outros para conosco é problema deles, agindo de acordo com o bem ou contrariamente a ele, a colheita lhes pertence. Os outros só têm possibilidade de fazer-nos algum mal, se interesseiramente estivermos esperando deles algum bem. 

Desde que nos tenhamos submetido ao governo, isto é, ao controle de Deus, ninguém poderá fazer-nos mal. 

Contemplando sempre o Pai dentro de nós, os pensamentos e obras dos homens não conseguirão atingir-nos. 

Somos responsáveis exclusivamente por “aquilo que fazemos” aos outros; nesse particular, nossa conduta deve sintonizar com o grande mandamento: “Ama a teu próximo como a ti mesmo; ama a teus inimigos, perdoa a setenta vezes sete”. Ora por aqueles que maliciosamente se aproveitam de ti, jamais temas ou desprezes os que agem contrariamente à Divina Lei; rejubila-te com aqueles que permitem a Deus empregá-los como instrumentos do bem. Estamos em contato com uma humanidade de muitos níveis; elementos bons, elementos maus, alguns mesmos intoleráveis. 

Assim, diversos são, no gênero humano os estados de consciência. Viver meramente com recursos próprios, potenciais, ocultos, inconscientes da verdadeira identidade, torna a vida uma luta sem tréguas e sem esperança, contra adversidades insuperáveis; má saúde, poucas rendas, elevados tributos. 

Para encobrir seus insucessos, muitos assumem atitudes jactanciosas, a fim de mascarar seus desapontamentos e frustrações. Essas pessoas têm fome de amor. E como desejam ser amadas? Antes de tudo, sendo compreendidas; muitos de nós estamos convictos de que ninguém nos compreende. Se nossos amigos e parentes realmente nos compreendessem, eles nos perdoariam mais. Cada vez que nos pomos em contato com pessoas de diferentes níveis, a nossa atitude deve assemelhar-se a do Mestre: “Pai, perdoa-os, pois não sabem o que fazem”, não despertaram para sua Cristificação. 

Não obstante as aparências, Deus é seu verdadeiro ser, a única Lei que os governa e suas qualidades são de Deus, Há somente UM, exclusivamente UM SER Infinito. Assim como há somente uma vida, a Vida de Deus permeando nosso jardim, expressando-se de vários e diversos modos. Ainda que nossos amigos e conhecidos possam contar-se às centenas, há uma só Vida Única a manifestar-se, individualmente, lembrando-nos que nosso ser é Um com Deus nada temos a temer; nessa Unidade não pode haver discórdia, desarmonia e injustiça. 

Nosso senso de benevolência resulta da compreensão de que ninguém nos pode causar dano por causa da graça de Deus que mantém e sustenta nosso parentesco com o Pai em toda e qualquer circunstância. 

Há um fio invisível unindo-nos todos uns aos outros; esse fio é o Cristo. Se estivermos atados por laços materiais de qualquer natureza, cedo eles se tornarão frágeis sejam eles de sangue, casamento, membro de organização ou qualquer forma de obrigação humana. Se forem de natureza estritamente material, causarão tédio. Somente quando o Amor por trás de todos esses laços for suficientemente puro a ponto de esvaziar-se de todo desejo egoísta, somente então as relações serão satisfatórias, permanentes, reciprocamente benéficas. Não há amor verdadeiro, duradouro, em qualquer forma de parentesco no qual Deus não entre. Não há milagre de amor em nenhum casamento em que Deus não seja a pedra fundamental. Se conhecermos o amor de Deus, conheceremos o amor do homem. 

O amor por Deus é rendição completa na união mística entre Pai e Filho. “Deus, tudo o que eu tenho é Teu, assim como o que Tu tens é meu, meu tempo, minhas mãos, minha vida estão a Teu serviço”. Se as pessoas experimentassem essa completa rendição a Deus tornando-se UM com Ele, ao sobrevir a época do casamento humano ambos passariam a manter uma genuína modalidade de relacionamento e as palavras da cerimônia nupcial tornar-se-iam realidade: os dois formariam UM. 

O Lar é a expressão da consciência dos indivíduos que o habitam; é formado na atmosfera da consciência daqueles que o estabelecem. Há casa em que não há amor, nem ódio, pecado ou pureza, doença, nem saúde. 

Se, porém os membros dessa casa permitem que suas consciências sejam invadidas por pensamentos de pecado, moléstias, limitações, carências, desconfianças ou temores, então a discórdia, a desarmonia, o empobrecimento nela reinarão. Por outro lado, se a consciência dos que a compõem exprimir amor, compreensão, tolerância, fé, esperança, esse lar se tornará santuário. Nele se edificará a visão da Nova Jerusalém; uma cidade sagrada, governada pelo amor. Verdade é que muitos podem levar todo o lar para o Reino doa Céus. 

Pode acontece que sejamos bem sucedidos em converter nossa casa naquela “cidade sagrada”; podemos, contudo manter-nos resolutos na via da Cristificação de todas as pessoas que convivem, não exteriormente pregando com uma infinidade de palavras insignificantes, porém mantendo o “silêncio” de nossa integridade espiritual, e contribuindo para que nossa vida constitua um testemunho vivo da Verdade. 

O Mestre assim procedeu com seus seguidores, abismando-se no silêncio do Seu próprio Ser e não hesitou em afastar-se das multidões que O oprimiam, para buscar Deus na solidão dos seus retiros. Nós também podemos fazer esses silenciosos períodos de renovação cedo, pela manhã, à tarde, à noite, de madrugada ou a intervalos durante o dia; estabelecendo breves pausas nas exigências da vida familiar e mundana. 

Nossa realização da Verdade se exterioriza em harmonia e paz. Em nosso lar; o Verbo se fez carne. Se nesses períodos de silêncio, Deus não entrar em nossas relações com a família, todos os nossos esforços, todo o nosso trabalho para edificar o lar podem frustrar-se. A água material, o pão ou o vinho que passamos a dar aos membros da família, o serviço, não satisfazem; logo voltarão de novo a sentir fome e sede. 

É somente em proporção do reconhecimento de nossa Cristificação, da nossa verdadeira identidade que membros do nosso lar serão capazes de receber “as águas vivas”. “Jamais terá sede aquele que beber da água que eu lhe der”. 

Cumprindo nossa parte Deus cumpre a Sua, infundindo paz às consciências. Estando conscientemente certos de nossa união com Deus, dirigindo-nos ao “Pai em nós” como Fonte de todo o bem, nossas relações com os outros serão puras, completamente livres de qualquer coisa que eles tenham. Uma relação espiritual se manifesta como participação, cooperação, doação. É como presentear nossos filhos, irmãos ou amigos sem nenhum interesse de retorno, sem nenhuma razão; não porque eles mereçam, mas pela alegria de expressar amor. 

Quando nossas relações se basearem, não no que ganhamos dos outros, mas no que jaz em nossos corações, para dar ou compartilhar com os outros, não somente dinheiro, mas todos bens da vida – cooperação, compreensão, confiança, perdão, ajuda – então e só então, aquelas relações serão permanentes, puro Espírito, verdadeiro oferecimento de nós mesmos. “Porque o Amor é Deus”.


quinta-feira, abril 11, 2019

A Arte da Meditação - 10


A ARTE DA MEDITAÇÃO
(Joel S. Goldsmith)

Capítulo 10 - O LUGAR EM QUE ESTÁS

“O lugar em que estás é uma terra santa” (Êxodos 3:5)

“Nunca ninguém ouviu, nenhum ouvido percebeu, nenhum olho viu, exceto Tu, ó Deus, o que tens preparado para os que Te esperam”. (Isaías, 64: 4)

“Indicar-me-ás as sendas da vida, a plenitude junto de Ti, as delícias à Tua direita eternamente”.  (Salmos 16:11)


Onde quer que estejas neste momento estás em lugar sagrado. Ciente disso - poderás descansar e deixar que o Pai te revele o Seu plano; Deus, o Pai é infinito e essa infinitude se manifesta através de nós como nossa atividade, seja como pastor, médico, advogado, enfermeiro, professor, curador, dona de casa, mecânico, etc... 

Talvez não seja de nossa preferência o lugar que nos foi destinado, mas se ao invés de dar murros em faca de ponta considerarmos que Deus está executando Seu plano na terra e que aqui estamos exclusivamente para expressar Sua Glória, nada haverá limitado, confinado ou finito sobre nossa vida ou nossa atividade. Sendo Infinito, o Pai se manifesta infinitamente. 

Não temos o direito de interferir no plano divino; é nossa responsabilidade começar onde nos achamos, compenetrados de que é sagrado o lugar em que estamos: prisão, hospital ou elevada posição. Aí, permanecemos até que Deus nos remova. Interferimos no plano divino quando permitimos que o “pequeno eu” (ego) decida como deve fazer, em vez de deixar que o Cristo determine nossa atividade. Nada trará tão copioso senso de vida como a compreensão de nossa própria integração em Deus, não em Jane, Jim ou Joel. Essa integração se manifesta como harmonia e abundância de Jane, Jim ou Joel, sem façanha pessoal deles. 

A sabedoria do Pai se expressa através de toda pessoa que lhe permita operar em sua experiência pelo reconhecimento de sua unidade com o Pai. Não é tão difícil tornar-se o que o mundo chama de “cavador”, alcançando posição de importância e influência e desse modo, magnificar, glorificar o senso pessoal do “eu” (ego). 

Muito mais difícil é aguardar que o mundo venha a nós, mas, se compreendermos que o Cristo é a Mente real do nosso ser, a verdadeira alma, a verdadeira sabedoria, o verdadeiro amor, verificamos que tudo e todos gravitarão em torno daquele Cristo e nossa atividade será exposta à luz. 

Se, contudo, em nosso egoísmo, acreditamos que nosso sucesso depende ou resulta de nossas qualidades e esforços pessoais, verificaremos quão efêmero e vão ele é. Aguardávamos tanto e veio tão pouco, porque contamos com nosso próprio intelecto, nossa sabedoria, nossa espiritualidade, em vez de contarmos com Deus – o Infinito Invisível, origem e Fonte de nosso ser. 

Interiorizando-nos não nos dirigimos à nossa própria espiritualidade, bondade, força ou conhecimento; interiorizando-nos no Infinito Invisível observamos que a única indestrutibilidade flui através da natureza espiritual do nosso Ser e da capacidade de deixá-Lo manifestar-se e exprimir-Se em qualquer caminho que Ele siga. 

Nessa tranqüilidade, ante a visão de nossa unidade com o Pai, Deus derrama seus bens através de nós. Observaremos que, sem esforço, sem cansaço, as folhas se estenderão, germinarão as sementes e que dedicando-nos tranqüilamente ativos ao trabalho cotidiano que nos foi confiado, fatalmente a frutificação sobrevirá. 

Cada um de nós tem uma modalidade de trabalho a executar hoje; se hoje a executarmos sem nos preocuparmos com o amanhã, conscientes de que Deus através do Cristo invisível de nosso ser está sempre fluindo em nós Sua essência, Sua substância, Sua bondade; no dia seguinte algo mais nos será dado fazer. 

Amanhã poderá haver outra atividade, outro trabalho para nós; ninguém poderá cumprir por nós nossa tarefa. Com a realização do Cristo, sua atividade jamais poderá ser impedida, retardada ou ocultada. 

Deus tem o meio de superar todas as obstruções, nada pode evitar que a frutificação surja em nossa vida quando o tempo é chegado. Então, a força de Deus se exprimirá tão inexoravelmente como acontece com o nascituro expelido do útero, chegada a hora de entrar em cena. 

Quando auscultamos aquele Eu profundo dentro de nosso ser, deixamo-nos levar pelo Espírito, então contemplamos a mão dadivosa de Deus, ao nosso alcance, manifestando-Se e depositando Sua Glória em nossa experiência como se fosse atividade nossa. Testemunhamos a presença de Deus ofertando-nos Seus bens que fluem, não de fora, mas do Reino que está dentro de nós. 

Passo a passo, o Cristo nos guia de uma atividade a outra. Pode levar-nos do mundo dos negócios ao mundo da música ou do mundo dos deveres de família ao ministério da pregação e da cura. O Cristo pode fazer de nós o que lhe aprouver; Ele não tem ocupação favorita, já que nenhum encargo é mais espiritual do que outro quando ambos são de natureza construtiva. 

Todos são iguais aos olhos de Deus. A vida pela Graça é vivida segundo o conhecimento de que o amanhã não nos concerne, concerne a Deus. 

A Graça de Deus não presenteia sucesso ou felicidade parcial, nem exige o que não pode ser cumprido. Deus nos encarrega do trabalho; Sua Graça provê a compreensão, a força e a sabedoria para executá-lo. 

Tudo o que se torne preciso para o cumprimento da tarefa, seja transporte, dinheiro, livros, pessoas, mestres ou ensinamentos, aparece. O que surge pela Graça tem de ser cumprido. 

E porque temos mais, mais de nós é exigido; podemos atender a todos os pedidos que nos são feitos, se nos compenetrarmos de que o pedido não é feito a nós, mas “Àquele que nos enviou”, “De mim mesmo nada posso fazer, mas o Pai dentro de mim é solícito a todas as demandas”. 

A Graça divina capacita-nos a executar tudo que é necessário e no devido tempo, inclusive livrar-nos da carga para que Deus a ponha sobre os seus ombros. Quando Deus assume um encargo, Ele o faz definitivamente, de modo que não haja recorrência. 

Deixemos que os dons do nosso Espírito fluam sobre as multidões, jamais as procuremos. Não devemos andar pelas estradas tentando encontrar alguém, mesmo que pertença a nossa família, a fim de transmitir a força desse Dom, porque se o transmitirmos a indivíduos não receptivos nós mesmos ficaremos decepcionados. 

Esperemos que as multidões venham a nós ainda que elas consistam em uma única pessoa. 

Sentemo-nos quietamente em nossa casa ou em nosso escritório, com o dedo nos lábios, mantendo nosso “tesouro” oculto ao mundo. 

Os que forem receptivos perceberão a luz em nossos olhos, o sorriso em nossos lábios. 

Quando vierem, um por um, recebamo-los como se fosse a multidão; ofereçamos o que eles estão procurando, suavemente, gradualmente, com amor, com alegria, com o poder da autoridade. Podemos buscar no Infinito do nosso ser e algo brotará; palavras de verdade, de compaixão, de proteção, de amor, de camaradagem, tudo isso fluirá do Cristo dentro de nós. Renasçamos na consciência espiritual da natureza infinita de nosso ser. Seja essa a nossa oração: Eu vos agradeço Pai; EU SOU. Eu Sou aquilo que andei buscando. Tudo está latente dentro de meu ser; basta-me deixar que flua e se manifeste. Nada me pode ser acrescentado, nada me pode ser tirado. Eu tudo posso fazer através do Cristo que me fortalece... Eu vivo; não Eu: é realmente Deus que vive em mim... Deus executa os trabalhos que me foram atribuídos; Eu sou aquele canal através do qual Deus faz fluir para o universo Seus Infinitos bens, valendo-se de mim como instrumento, como veículo. 

Meu único propósito na vida é ser testemunha da Glória, da Grandeza, da Infinitude de Deus; manifestar a Obra Divina. Deus é Pai, meu ambiente, meu patrimônio. O Eu que Eu sou não é limitado por senso algum de consciência, subconsciência ou superconsciência: é limitado apenas pelas limitações impostas por Deus, mas Ele é Infinito, elas não existem. Tudo o que a consciência cósmica é, ecoa dentro de mim para este vasto mundo. “Eu vim para que a palavra fosse cumprida”, vou preparar um lugar para vós. Aquele Eu do meu ser, o divino eu prepara o caminho. 

Meu Pai celestial sabe que eu necessito dessas coisas e prazerosamente as concede; não é preciso que eu peça, me esforce, lute, litigue para obtê-las. É direito meu por herança divina. Desperto pela manhã, confiante, jubiloso, ante qualquer trabalho que me seja dado executar. 

Seja qual for eu faço, não para ganhar o sustento ou cumprir um dever oneroso; faço-o com alegria e contentamento, deixando que ele se desdobre como atividade de Deus, a expressão através de mim. E o fluxo não estancará, enquanto considerarmos o Cristo como fonte, origem de todo o bem. Enquanto depositarmos nossa inteira confiança na Presença Divina dentro de nós, tornamo-nos aquele ponto através do qual Deus resplandece para o mundo; e voluntariamente aceitamos nosso papel de canal pelo qual o bem encontra passagem para o mundo em vez de olharmos para o mundo esperando que dele flua o bem para nós. 

A natureza divina derrama-se dentro de nós e de nós para aqueles que nada sabem sobre a unidade de Deus. O homem espiritual descansa em sua união com Deus e permite que se manifeste a infinitude de Seus bens; jamais deve buscar, desejar ou querer algo para ser servido. 

Quanto mais procuramos assemelhar-nos ao Cristo, tanto mais nos tornaremos servos; servimos como um canal através do qual Deus alimenta seu rebanho. Tornamo-nos a estrada, o canal pelo qual, em expressão visível, o Bem Espiritual Infinito se difunde.


segunda-feira, abril 08, 2019

A Arte da Meditação - 9


A ARTE DA MEDITAÇÃO
(Joel S. Goldsmith)

Capítulo 9 - A PRATA É MINHA 

“Minha é a prata, meu é o ouro, diz o Senhor dos Exércitos”. 

“A glória desta última casa será maior do que a primeira, diz o Senhor dos Exércitos”. (Ageu 2:8, 9)

“Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam”. (Salmos, 127:1)

“A menos que o Senhor construa a casa”, a menos que Deus seja considerado a Fonte que nos abastece, não haverá abastecimento permanente. Essa é nossa consciência individual que permanece infecunda enquanto subsistir como consciência humana, obscurecida. Falta-lhe, então, a substância espiritual, da qual o abastecimento flui. “Muito semeastes, porém, pouco colhestes; comeis, mas, não vos saciais; bebeis, mas, continuais a ter sede; vós vos vestistes e não vos aquecestes, e o que ganha o salário ganha-o para pô-lo em uma bolsa furada. “Isso tudo é verdadeiro para vós, de consciência sem luz”. 

Como seres humanos, todos nós semeamos muito e colhemos pouco; trabalhamos arduamente e nada cumprimos, ganhamos muito e, comumente pouco guardamos, porque tudo proveio de uma consciência empobrecida, estéril, infecunda. 

Ao que parece depende da consciência humana apenas, tudo que for construído, os resultados não serão duradouros. Comemos e de novo temos fome, bebemos e outra vez temos sede; imiscuímo-nos em todas as atividades da vida humana, porém nada perdura. 

Em vão, levantamo-nos cedo, deitamo-nos tarde, para amontoar provisões... Assim disse o Senhor dos Exércitos: “Contemplai vossos caminhos”, a água da vida, o pão da vida, substância e sustento material, estamos construindo para cada um uma ciência espiritual, uma consciência da verdade. 

Reconheçamos agora que a prata, o ouro, a terra e toda a sua abundância são do Senhor, o EU dentro de nós se abastece dos recursos invisíveis do Espírito, não tirando algo de outrem, não repartindo o que já existe no mundo, nem drenando recursos visíveis da terra. 

Agora o fornecimento é extraído de dentro de nós, do depósito invisível em nosso ser. Nossa consciência individual é a mina do desdobramento espiritual infinito; no momento em que começamos a drenar esse depósito inexaurível, que jamais considera o que ocorreu no mundo visível, cessamos de nos preocupar com o muito ou com o pouco que temos ou se é de prosperidade ou depressão a corrente econômica do mundo. Concedemos Deus infinita liberdade, ilimitada em sua manifestação, quando nos compenetramos de que a terra, a prata, o ouro são do Senhor. 

É somente, quando procuramos participar dos bens do mundo acreditando que a terra, a prata, o ouro são posses pessoais, pertencentes aos seres humanos, que nós nos limitamos. Insinua-se um senso de finitude e, não obstante, o número, a quantidade de bens adquiridos, comumente, deles nada sobra. Compreendendo que “a prata e o ouro não são nossos”, abastecemo-nos em uma Fonte Inesgotável em que tanto mais sobra quanto mais nela nos absorvemos, estando em Deus estaremos com infinitude do abastecimento. 

Sentimos carência ou somos supridos, segundo o estado de nossa consciência, o que quer que surja em nossa vida, deve surgir “em conseqüência da força da Verdade em nossa consciência”. 

Se mantivermos “amanhã” o mesmo estado de consciência que “hoje” temos, não podemos aguardar resultados diferentes. 

Para gozar “amanhã” uma experiência mais satisfatória, é mister que a Verdade expanda “hoje” sua atividade em nossa consciência. 

Começando a compreender que Deus é nossa consciência individual e que Deus é Infinito, percebemos a verdadeira natureza do suprimento como algo invisível; já não julgamos pelas aparências, segundo a quantidade do que possuímos nem jamais estaremos em situação de falta do necessário. 

Durante guerras ou depressões súbitas, ou durante um período de esforço ou tensão, poderá haver ausência temporária das formas de abastecimento, como aconteceu aos hebreus durante sua jornada do Egito à Terra da Promissão. 

Mas, com a noção de que o suprimento vem do Infinito Invisível aparecendo como forma “os anos de escassez”, pronto se restaurarão e Ele aparecerá, onipresente, abundante. 

Podemos drenar tudo de nossa cristificação, de acordo com o grau de compreensão dessa Verdade. Pode uma multidão clamar por alimentos e não haver armazém ou depósito que os forneça uns poucos pães e uns poucos peixes. Como poderão ser supridos? Como seres humanos a alternativa é a inanição; como seres em Cristo, dirigimo-nos ao Pai em nós e extraímos das profundezas da infinitude de nosso próprio Ser o suprimento que seja necessário. 

De nosso messianismo, a natureza infinita de nosso ser, podem brotar milhões de palavras, milhões de idéias e por que não, milhões de dólares? Qual a diferença? A Fonte é a mesma, a Essência é a mesma; no princípio era Deus e Deus era o Espírito, tudo o que surge provém do Pai, do Espírito. 

A plenitude infinita plenifica o espaço. Tudo o que é necessário a meu aperfeiçoamento é exatamente que o significado desse conhecimento se fixe em minha consciência. 

Não mais dependerei de quem quer que seja; não mais estarei à mercê de minha própria capacidade ou de meus próprios recursos. 

Existe ALGO além da minha sabedoria, de meu poder; é um Sustentáculo sobre o qual posso descansar, inteiramente confiante, Dele recebendo todo o necessário à minha realização. 

A presença desse Espírito em mim se manifesta como água quando dela necessito, ou como pão; esse Espírito é a essência, a substância de tudo o que precisa manifestar-se; é uma lei, não escrita, operando fatalmente como lei de atração. 

Em repouso, confiante, seguro, em um pilar do Cristo. A prata é minha, meu é o ouro (do Deus em mim); Deus é o depósito eterno de todos os bens; eu me dirijo internamente àquele Depósito Infinito e observo os bens de Deus que fluem e se manifestam. 

Não se preocupa a forma que eles fluem, nem me cabe dirigir-lhe o fluxo, pois meu Pai Celestial sabe das coisas que eu necessito, antes que lhe peça eu extraio meu fornecimento do depósito invisível, dentro de meu próprio ser; Eu, dentro de mim, exteriorizo os invisíveis recursos do Espírito. 

Deus é o Ser Infinito, a Fonte Inesgotável, expressando-se, fluindo através de mim, através dos canais finitos. O Bem está aqui e agora, onde eu estou; eu não vivo do maná que cai ontem, a falta ou abundância do maná de ontem, não determina a quantidade de meu abastecimento hoje. 

Também, não devo viver preocupado com o maná de amanhã. 

Na consciência da Onipresença de Deus não há amanhã, não há espaço, não há tempo. Há apenas o eterno agora e o solo sagrado da Infinitude de Deus; neste momento e neste lugar, o maná cai, abundantemente. 

Todo bem flui do centro do meu ser, satisfazendo todas as minhas necessidades, purificando-me com “água viva”, o pão da vida e o alimento que não se deteriora. É necessário comer e beber dessa verdade, digeri-la, assimilá-la, torná-la parte de vosso ser, até que um dia, uma semana, um mês, um ano, possais apreciar sua frutificação, no desvanecimento da dúvida, na firmeza interior. 

A vida se torna inteiramente diversa, uma vez aprendida a visão da grande verdade que “a Palavra que procede da Boca de Deus é a essência de nossa vida, nossa água, nosso vinho, nosso pão, nosso alimento” - então passamos a compreender que o aparente, o tangível, nada mais é que efeito do que é invisível. 

Jamais volveremos a avaliar nossa provisão pelos dólares que possuímos, mas “por quanto de Deus realizamos”. “A prata é minha e meu é o ouro...” Em Tua Presença, há plenitude de vida, por isso volvemos para dentro de nós, atentos à consciência daquela Presença...


quinta-feira, abril 04, 2019

A Arte da Meditação - 8


A ARTE DA MEDITAÇÃO
(Joel S. Goldsmith)

Capítulo 8 - VÓS SOIS O TEMPLO 

“Não sabeis que sois o templo de Deus... que vosso corpo é o templo... do Deus Vivo?” (1 Coríntios, 6:19)

O corpo é o templo do Deus vivo, não feito com mãos, não mortalmente concebido, mas eterno nos céus; eterno em tempo e espaço, em vida e em espírito, em alma, em substância. 

Deus fez tudo o que foi feito e tudo o que Deus fez participa de Sua natureza que é eternidade, imortalidade, perfeição. Deus fez o corpo a Sua própria imagem e semelhança. Deus é Vida. Sua atividade operando em uma semente produz criança com todas as potencialidades do adulto contidas em uma delicada formazinha, não mero segmento da matéria, mas, uma inteligência e uma alma acompanhando aquele corpo. 

O Espírito de Deus executa; o homem, porém em sua vaidade, arrogou-se o papel de creador. Homens e mulheres assumiram a atitude de que são eles que o produzem. Pelo fato de serem pais e mães; em vez de reconhecerem que nada mais são do que instrumentos através dos quais Deus age para se expressar, não para perpetuar a ti ou a mim, a teus filhos ou a meus filhos. Deus opera com o amor em nossa consciência para produzir Sua própria imagem e semelhança. 

Essa expressão de Deus nós chamamos “meu filho”, “teu filho”, esquecidos de que é filho de Deus, não nossa creação ou posse pessoal. Rogamos a Deus para que mantenha e dê suprimento a nossos filhos, eles, porém não são nossos filhos, são filhos de Deus; não é necessário pedir-lhe que os mantenha. É prerrogativa divina crear, manter e suprir a Sua própria imagem e semelhança. Creador de tudo o que existe, Deus é creador do corpo humano, “não sabes que teu corpo é o templo de Deus vivo?” Nós o chamamos “meu corpo”, mas ele não é nosso, é corpo de Deus. Formado por Ele para Seu prazer, feito à Sua imagem e semelhança, governado por Sua Lei, creado para atestar Sua Glória. 

Em nossas árvores de Natal existem lâmpadas multicoloridas, vermelhas, azuis e púrpuras. 

A eletricidade transmite sua luz através dessas lâmpadas de todas as formas e tamanhos; as lâmpadas não são a fonte da luz, são apenas o instrumento através do qual a luz brilha. 

Assim acontece quando observamos a vida humana, animal ou vegetal, erradamente consideramos a forma visível como a Vida, mas, na realidade, é aquilo que anima, é a substância da forma. Deus é a Vida e a Essência de todas as formas. É a Sabedoria, a Integridade, a Pureza da alma do homem. Deus é a fortaleza do homem. Não nos deixemos iludir nem mesmo pela boa aparência. Não chamemos uma pessoa “forte”, e outra “fraca” ou “bela”; por trás da aparência devemos considerar a Vida Invisível que possibilita a beleza dessa forma. Podemos então, deleitar-nos com todos os aspectos da creação, seja corpo humano, espécie animal ou planta. São formas de Vida, mas se não atentarmos para a Vida que os anima, poderão parecer-nos boas ou más, jovens ou velhas, doentes ou sadias, ricas ou pobres. 

O conceito humano de vida é limitado e se radica em valores mutáveis que aparecem em forma de Vida, ao contrário, deleita-se com a forma, reconhecendo, contudo, o Infinito Invisível como sua essência. 

Se desviarmos o olhar da forma o suficiente para contemplar além dela o Invisível, descobriremos Deus como o Princípio de toda a vida e passaremos a compreender a diferença do viver espiritual. 

A Verdade conscientizada é a Lei da Vida, da harmonia, da ressurreição. “Deus fez esta forma, minha forma divina, infinita, para ressaltar minha verdadeira identidade. 

Meu corpo é a manifestação, a imagem do Eu que EU SOU”. É uma expressão da vida realçando tudo que eu sou, pois meu corpo é o EU de que sou formado, espiritual, imortal, eterno. Eu sou a perfeita identidade e meu corpo é o templo, instrumento de minha atividade de meu viver. Existe um reverso dessa forma espiritual que é aquela que eu olho no espelho: existem As expressões da natureza: árvores, flores, vegetais, frutos, conceitos humanamente concebidos da forma, do corpo. 

Se me vejo no espelho, posso notar que estou moço ou velho, doente ou sadio, gordo ou magro; mas, Eu não estou me vendo integralmente; estou vendo meu corpo. Eu sou invisível, mesmo esse corpo que eu vejo com meus olhos é um conceito do corpo finito, limitado. 

Na realidade o corpo não muda, muda o conceito que eu tenho sobre suas alterações. Que sou eu? Onde estou? Consideremos nossos pés, “esses são eu ou meus? Estou eu nos pés ou possuo esses pés? Essas pernas, estou nelas ou são minhas? Se elas se traumatizam, não existe um Eu, uma entidade que não é as pernas? Subamos à cintura, ao peito, à cabeça. Eu estou em alguma dessas partes Ou são elas partes do meu corpo? Não há um eu que possui um corpo? O corpo é um instrumento para minha locomoção, Como acontece com meu automóvel. Estou nesse corpo, sou Esse corpo ou esse corpo é meu? Não é um templo, um instrumento A mim concedido para meu uso? Minhas mãos - podem elas, por elas mesmas dar ou retirar? Ou devo eu dar ou retirar usando-as como instrumento? Podem minhas mãos ser generosas ou mesquinhas? Gozam elas do poder de dar ou tirar? Ou esse poder reside em mim? É o coração que me permite viver? Ou é a vida que anima o coração? Se minhas mãos não podem dar ou tirar, como pode o coração, fígado, pulmões, rins, agirem por si mesmos se as mãos não podem? Como órgãos materiais podem meus olhos ver e meus ouvidos podem ouvir? Podem os órgãos do corpo agir a seu talante? Não existe algo chamado EU que funciona através das pernas ou por meio delas? Um Eu que age através dos instrumentos desse corpo? Eu sou o ser: meu ser não depende de meu corpo, meu corpo é que depende de meu ser. O Eu que Eu sou governa meu corpo; De si mesmo meu corpo não tem vontade, inteligência, ação. Ele me atende, é governado por mim. Meu corpo é minha imagem É semelhança, é minha manifestação, expressão do Eu que eu sou. Há um espírito em mim: o Sopro do Todo Poderoso me transmite Vida. 

Em mim a atividade de Deus governa as funções corporais, órgãos e músculos. Um espírito invisível age sobre cada órgão e cada função de meu corpo para mantê-lo e sustentá-lo eternamente. De fora, nada que o corrompa pode penetrar esse templo de Deus vivo; Tudo o que é de Deus, Deus mantém e sustenta. 

Todo poder reside em Deus agir como a Lei do meu corpo; é Deus A única Lei e o único Legislador. A Lei espiritual não despreza nem anula a Lei material; a Lei espiritual revela que é o substrato da lei material. 

“Tranqüiliza-te e contempla a salvação do Senhor... Não pela força, nem pelo poder, mas por meu espírito”. Eu não preciso lutar, não preciso procurar a cura. O combate Não é meu. É de Deus: aliás, não é um combate, mas uma revelação de que este corpo é templo de Deus vivo, governado por Lei Espiritual. 

O conceito material, mortal, que outrora entretive sobre o corpo se diluiu no reconhecimento de que meu corpo é templo de Deus vivo. Forte, perene, infinito, imortal. Deus é o tema central, a substância, a força do meu corpo. “Tudo eu posso fazer através do Cristo que me fortalece”. O Senhor é minha força e minha canção e meu poder; É a força de minha vida que aplaina meu caminho. Que devo fazer? Se eu busco força em meu corpo, encontro doença, fraqueza, morte. 

Mas, se reconheço que Cristo é minha força, que minha filiação Divina é minha força, que a Palavra de Deus dentro de mim é meu poder, minha mocidade, minha vitalidade, é tudo em mim, então eu encontro Vida eterna. (Eu vivo de toda energia que sai da Fonte do Infinito). “Eu SOU o pão da vida: aquele que me seguir jamais terá fome; e jamais terá sede o que crê em MIM. Se ME pedires, EU te darei a água que jorra para a vida eterna”. Eu não vivo somente de pão. Toda palavra de Deus que atinge minha consciência é pão, vinho, água, alimento para minha alma, meu espírito, meu ser e meu corpo. 

Toda palavra da Verdade que eu pronuncio e plenifica minha consciência é o alimento que o mundo não conhece; é um manancial de água, jorrando para a vida imortal. Sem a Palavra de Deus, sinto-me vazio de apoio; o mais apetecível alimento assemelha-se à serragem – mero volume em meu organismo a menos que a Palavra de Deus o acompanhe para agir pela lei da digestão, da assimilação e da eliminação. Eu sou o vinho, a inspiração, a sabedoria espiritual; é Deus que ilumina, enaltece, inspira, tudo que eu posso saber, através do Cristo – Filho de Deus em mim – que é minha sabedoria. 

A Palavra de Deus em mim é pão, vinho, água. O mundo não sabe disso, que eu conservo oculto dentro de mim essa Palavra poderosa, revelando o perfeito templo de Deus, meu corpo; não o corpo feito com as mãos, mas o eterno, feito nos céus”. 

Nesse tipo de meditação, desprendemo-nos de toda a forma e vislumbramos o Invisível que mantém o visível. 

Devemos viver, mover-nos e ter o nosso ser na consciência divina, viver e habitar o lugar secreto do mais alto.

Então, veremos como realmente ele é, “contempla o Tabernáculo de Deus em cada ser humano; aí Ele habita... e nele nada deverá entrar que o profane”.


segunda-feira, abril 01, 2019

A Arte da Meditação - 7


A ARTE DA MEDITAÇÃO
(Joel S. Goldsmith)

Capítulo 7 - DEUS AMOU O MUNDO DE TAL MANEIRA

O segredo da beleza e a glória da sacralidade são a manifestação de Deus pela Encarnação. Tanto amou o mundo que a ele Se deu, surgindo visível como Filho de Deus, o que, segundo Sua promessa Eu sou e Tu és. 

Deus é meu ser e teu ser, é essa nossa verdadeira identidade. Compreendida espiritualmente, a terra e o Céu; Céu e Terra são um, pois Deus As manifestou na terra. É emanação Sua este universo feito de estrelas, de sol, lua e planetas, esse escabelo a que chamamos Terra. Tudo isso emanou Dele e para a Sua Glória, e em Sua Glória máxima manifestou-se como Ser individual. Não somos separados, apartados de Deus, somos Sua própria essência desdobrada, revelada como ser individual. 

Todas as coisas da Terra e o do Céu nos foram dadas devido a essa divina filiação; tudo o que existe, existe para nossos propósitos. Co-herdeiros, com Cristo, nossa é a Terra. 

Deus promulgou a Lei que governa Sua união com Seu amado filho, provendo-o de tudo que pertence ao Pai, transmitindo-lhe tudo o que foi estabelecido desde o princípio do mundo: “Eu vim para que eles tivessem vida e tivessem mais abundantemente. Eu vim para que tivessem Vida, minha vida, tua vida individual que não conhece idade, não deteriora, não muda de seu estado divino. Tu deves viver e mover-te com a consciência de nossa unidade. 

Nunca te deixarei, nunca te abandonarei; habita em Minha Palavra e deixa que Minha Palavra habite em ti. Tu deves confiar em Mim e salvar-te”. Há uma glória do Pai preparada para o Filho. Há uma paz, Minha Paz que ultrapassa a compreensão. Essa paz está contida na alma do homem independente de qualquer condição externa, bem viva como dom de Deus no centro do nosso ser. 

A nossa ilusão tem sido buscar a paz fora de nós, acreditando que outros têm o poder de transmiti-la ou tomá-la, de pensar que necessitamos de intermediários de fora para a obtenção da nossa harmonia. A procura de pessoas ou circunstâncias externas para obtenção da paz tem sido a causa do nosso fracasso e do fracasso do mundo. Somente em Deus a paz pode ser encontrada e ele doou a cada um de nós a Sua Paz Infinita e o seu amor compassivo. Não nos deu Ele o espírito do medo, mas o do Poder, do amor, de uma mente sã, pois Deus é a própria mente do nosso ser. 

Nossa ignorância, temor, insanidade surgem como conseqüência da ilusão de possuirmos uma mente separada de Deus, capaz de pecar. (Pecado é a ilusão de uma mente separada de Deus, disse Ramana Maharishi). “Eu e o Pai somos UM... Aquele que me vê, vê aquele que me enviou... eu estou no Pai e o Pai está em mim...” 

O discernimento espiritual revela Deus como Pai e Deus como Filho; o Ser Divino é o ser individual que, visto sob a luz espiritual apresenta exclusivamente as qualidades e a natureza de Deus. 

Na compreensão dessa unidade reside nossa inteireza; não pode haver paz, segurança, alegria à parte de Deus. Inerentes em Deus tornam-se naturais em nós, através da realização de Deus como nosso próprio ser. 

O grande mistério da Escritura é: No princípio era Deus, agora e sempre tudo o que é, é Deus surgindo como Infinitude, Glória, Força de Seu próprio Ser. Ele não é teu ser nem meu ser, mas é o Seu Infinito SER que se expressa como o teu e o meu ser. Eu Nele e Ele em mim, o ser Espiritual, Infinito, Harmonioso, Total, Completo. Reconhecemos Sua Alegria, Sua Saúde, Sua Paz, Sua Harmonia, Sua Pureza e Sua Inteligência. 

Renunciemos ao “meu isto e meu aquilo”, ou “teu isto e teu aquilo”; Seu Ser a expressar-se em Graça e em plenitude em todas as coisas. Sua Graça, Sua Presença, Sua Alegria, Seu Amor, Sua Totalidade é nossa suficiência. Seu amor flui como nosso amor, não consideremos “meu ou teu amor”, Ele flui como o sol brilha livremente sobre tudo. 

O sol brilha sem favoritismo, jamais indagando se são meritórios ou dignos os receptores de sua luz e de seu calor. O sol brilha, Deus ama. O amor de Deus brilha livremente para os justos e injustos, para aquele que merece e para aquele que não merece, para o santo e para o pecador. 

O amor de Deus se espalha no Universo dando vida à semente, força às plantas em crescimento, proteção à vida animal, vegetal e mineral. É o sustentáculo, a influência que anima toda a creação, pois toda a creação é Amor a fluir incessantemente. Tudo o que existe, sem exceção, está em Deus e é de Deus. Acima de tudo, não devemos julgar segundo o testemunho dos olhos ou dos ouvidos. 

Deus é infinitamente puro para ver as iniquidades e ao reconhecermos nossa verdadeira identidade como expressão divina, nos veremos como Deus vê. Contemplando-nos espiritualmente, tornamo-nos espectadores, percebendo Deus em tudo e através de tudo. 

Porém só poderemos agir desse modo quando abandonarmos os velhos conceitos, captados pelos sentidos da visão e da audição. 

Se Deus é a natureza infinita do nosso ser, por que ser invejoso, ciumento, ambicioso, quando sabemos que Deus é a Fonte de nossa satisfação interior, por que almejar algo externo, fora do nosso próprio ser? Na consciência de Sua Presença as bênçãos de Deus fluem como nossa experiência. Nosso Pai divertiu-se conosco. 

Compreendendo nossa verdadeira identidade participamos integralmente do corpo de Deus. “Eu tenho manjar que vós não conheceis. Eu posso dar-vos vida, águas que jorram para a vida eterna, as águas invisíveis, o vinho invisível, o manjar invisível”. Isso é compartilhar do Deus Vivo, do Verbo Vivo, do Deus que fez carne e habita em nós.


quinta-feira, março 28, 2019

A Arte da Meditação - 6


A ARTE DA MEDITAÇÃO
(Joel S. Goldsmith)

Capítulo 6 - A TERRA É DO SENHOR

“Do Senhor é a terra e tudo o que ela encerra, a redondeza da terra e os que nela habitam”. (Salmos 24:1)

“Quando contemplo os Teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que Tu creaste, exclamo: Que é o homem para Te lembrares dele? Tu o fizeste pouco inferior aos anjos e o coroaste de glória e de honra”. (Salmos 8:3-6)

Na contemplação do universo a mente centraliza-se em Deus; testemunhamos Sua Glória, quando serenamente observamos Sua atividade na terra. 

A prática dessa forma de meditação, dia após dia, conduz-nos a um estado de consciência em que o pensamento se dilui e finalmente cessa. 

Num desses dias, enquanto estivermos nessa observação da Atividade de Deus, ocorrerá um segundo silêncio, sem pensamento de qualquer natureza.

Neste curto período, a Atividade ou Presença se tornará conhecida por nós, a partir de então, verificaremos que “Deus está mais perto do que a respiração e que o Reino de Deus está dentro de nós”. 

Consoante a tranqüilidade de nossa consciência, o Espírito de Deus passará a agir também, constantemente, na creação do nosso mundo de formas, circunjacentes. Vim a esta hora sossegada para contemplar Deus e as coisas de Deus. 

Toda bênção vertida sobre a terra é emanação, expressão de Deus ou de Sua lei. 

O sol que nos aquece, a chuva que alimenta as plantas, as árvores, as estrelas, as marés e a lua que desempenham funções e surgem para o homem como bênçãos divinas. 

Não é casualmente que o sol fica suspenso nos céus milhões de milhas distante da terra, distância necessária para, equilibradamente, fornecer-nos calor e frio. Realmente é Deus a Inteligência deste Universo, uma Inteligência plena de amor e sabedoria. 

O sol, a lua e as estrelas movem-se em suas respectivas órbitas, de acordo com o plano divino que torna a lua e as estrelas visíveis à noite e durante o dia nos proporciona a luz do sol. 

Deus é a fonte de tudo que existe. Seu amor se evidencia no fato de que, antes de o homem aparecer na terra, já aqui existia o necessário para o seu crescimento, desenvolvimento e bem estar. 

Mesmo os minerais foram destinados a serem aproveitados pelo homem – os métodos naturais que formaram o ferro, o petróleo, o ouro, o urânio, são métodos de Deus. 

Milhões de anos antes, Ele sabia que esses minerais seriam indispensáveis na época presente de industrialização, por isso durante milênios foram tomando forma no solo. Há milhões de anos, Deus deve ter previsto os bilhões de habitantes que a terra abrigaria: por isso creou solos férteis em que crescessem Árvores, arbustos, flores, frutos e outros vegetais. 

E Deus disse: “Produza a terra erva verde e que dê semente e árvores frutíferas que dêem fruto segundo sua espécie e que a semente esteja nelas mesmas, sobre a terra”. 

Deus encheu os mares de alimentos ainda não extraídos que, um dia, poderão sustentar nações. E disse também: “Produzam as águas em abundância, animais viventes”, e os abençoou dizendo: “Crescei e multiplicai e enchei as águas do mar”. Tudo isso são dádivas de Deus ao homem. 

Contemplo Deus em todas as coisas, especialmente em Sua Lei e em Seu amor. Deus ama os peixes do mar e cuida deles, ama os pássaros no ar e provê seu alimento e propagação; Deus produz as brisas suaves e refrigerantes. Deus me ama e provou esse amor, encarnado como “EU”, Seu próprio Ser, Sua própria Vida, Sua própria Sabedoria. 

Preciso apenas obedecer a Lei de um Poder Único e a Lei do Amor e o resto será dado de acréscimo. São presentes invaliáveis de Deus. As coisas de Deus são minhas, doadas livremente, na proporção do meu reconhecimento de Deus como Sua Fonte.

Ele é o grande Doador do Universo, conferindo a tudo o Seu amor, Sua inteligência, Sua sabedoria, Sua orientação e Sua Força. 

Contemplando as maravilhas de Deus, já existentes, estamos testemunhando e reconhecendo Sua Graça que providenciou todos esses bens sem que nós os pedíssemos. Somos testemunha de Sua Atividade na terra. 

À noite, olhando o céu estrelado, ninguém se preocupa com o nascimento do sol, nenhum de nós se angustia a rezar para que ele desponte na manhã seguinte. 

Amanhã à noite, a lua e as estrelas continuarão a mover-se em suas órbitas e duas vezes, nas vinte e quatro horas, as marés terão enchentes e vazantes. 

Deus não solicita informações, sugestões ou súplicas no que respeita ao governo de Seu Universo. Preces, petições, súplicas, não alterarão Sua Lei. Seu trabalho está feito, Sua Lei está em exercício. 

Contemplando as maravilhas do Universo de Deus, transcendemos o desejo de pedir-lhe algo; tal contemplação nos leva à altura da visão do salmista: “a Terra é do Senhor com toda sua abundância”. 

Captamos essa visão num passeio sossegado, na solidão de um parque, de uma praça, lago ou rio. Levantamos os olhos para as colinas, as montanhas e contemplamos somente o que Deus contempla, e conhecemos o que Deus conhece. 

Tudo o que exalta nossa consciência acima do clangor dos sentidos e dos tumultos deste mundo, leva-nos à presença de Deus; nós a encontramos quando atingimos as altitudes divinas da inspiração. DEUS É PROFUNDO SILÊNCIO, A SUPREMA QUIETUDE DE TUDO QUE É HUMANO. 

Quando pela visão espiritual superamos as aparências, tudo o que contemplamos neste mundo atesta a Glória, a Atividade, a Lei, o Amor de Deus por seus filhos. Céus e terra para nós foram feitos, sobre eles nos foi dado domínio: “Tu o fizeste para dominar o trabalho de Tuas mãos; puseste todas as coisas debaixo de Teus pés...” somos a mais excelsa creação de Deus; DEUS a ALMA deste universo se manifesta em expressão individual como “eu” e como “tu”.


sábado, março 23, 2019

A Arte da Meditação - 5


A ARTE DA MEDITAÇÃO
(Joel S. Goldsmith)

Capítulo 5 - AS DIFICULDADES 

Praticando sinceramente as meditações precedentes, sem dúvida surgirão muitas perguntas referentes a certos aspectos, como: “Que fazer com os pensamentos estranhos que vagueiam na mente? Devemos aguardar a manifestação de visões? Há tempo determinado para cada meditação? Quanta compreensão é necessária? A dieta exerce alguma influência sobre a eficácia da meditação? É indispensável alguma posição definida?”. Consideremos primeiro este último aspecto. 

A meditação é praticada com maior facilidade quando não temos consciência do corpo: sentado em uma cadeira reta, pés completamente dispostos no chão, coluna reta, ambas as mãos repousando sobre as coxas: essa posição normal, natural, pode ser mantida cinco, dez, vinte minutos, sem que nos preocupemos com o corpo. 

Não há mistério no que tange à posição: no Oriente, poucas pessoas sentam-se em cadeiras, sendo para elas confortável, sentarem-se no chão com as pernas cruzadas, posição que para nós do Ocidente não é fácil de ser conseguida e difícil de ser mantida. 

Se salientarmos que na meditação, nossa atenção deve focalizar-se em Deus e nas coisas de Deus, compreenderemos porque é necessária uma posição confortável e natural a fim de que o pensamento ou a atenção não se disperse. O motivo único é poder concentrar-se facilmente, focalizando Deus e aumentando a receptividade a Seu Poder Infinito. 

Na meditação observa-se uma alteração no organismo: espinha reta, peito ereto, respiração mais tranquila, diminuindo de pensamentos até a completa cessação. 

Meditação é uma experiência consciente; como foi sugerido, é favorável iniciá-la com uma pergunta ou pensamento ou ideia especial sobre a qual desejamos iluminar-nos. Começamos com a ideia de receber uma revelação de Deus, se compreendermos que a 

Meditação é uma atividade consciente de nossa alma, não haverá perigo de ficarmos entorpecidos. Dois ou três minutos de Meditação bastam para eliminar a fadiga de um dia inteiro de trabalho. Os que adormecem durante a Meditação, falham nessa experiência consciente. 

Em um certo período da Meditação pode o sono sobrevir, mas, tal sono não é uma queda para a inconsciência; durante este, a atividade da consciência se mantém. 

Meditar não é simplesmente sentar-se e dizer: “Bem, Deus, podeis prosseguir”, é uma vigilância ativa e, contudo “uma paz transbordante”. 

Certifiquemo-nos que a paz sobreveio, não vamos tomar o Reino de Deus pela força, pelo poder físico ou mental. 

Quando a Meditação se tornar um esforço suspendamo-la ou contrariaremos nosso propósito. Não há necessidade de meditar um período especial de tempo, se ela foi apenas de um minuto de duração, fiquemos satisfeitos. 

Teremos movimentado o fluxo durante esse tempo ou menos ainda, se mantivermos nossa mente repousada em Deus. 

Meditar é uma arte difícil de ser dominada; se não fora assim, há muito, a técnica estaria em poder de todo o mundo. 

Segundo minha própria experiência foram necessários oito meses de 5 a 10 meditações diárias para que me fosse dado perceber a Presença dentro de mim, oito meses de meditações freqüentes. Também eu não tinha conhecimento da possibilidade de um contato com Deus ou o que dele resultaria, uma vez conseguido. 

Contudo, profundamente, dentro de mim, existia a convicção inabalável de que era possível atingir algo maior do que eu mesmo e submergir num Poder superior. 

Ninguém que eu conhecesse palmilhava antes esse caminho, ninguém me apontara a estrada a percorrer. Subsistia, no entanto, aquela firme convicção de que se eu pudesse colocar-me em contato com Deus, no centro do meu Ser, Ele tomaria conta de minha vida, do meu trabalho, de minha prática, de meus clientes. 

No fim de oito meses estava apto a conseguir um segundo de realização, talvez ainda menos que um segundo, não sei como avaliar o tempo, quando ele é medido em frações de segundos, mas seguramente foi o tempo que durou. 

Passou-se uma semana antes da segunda experiência, também rápida e muitos dias se escoaram antes da terceira e assim sucessivamente. 

Finalmente chegou a época em que a conscientização parecia durar uma eternidade e essa eternidade, creio, era mais curta do que um minuto. 

Nessa época, tive a intuição de que se me levantasse às 4 da manhã, daí até as 8 horas, vez ou outra, sentiria aquela vibração – a certeza da PRESENÇA. 

Em alguns dias Ela se manifestou em menos de cinco minutos e outras vezes escoaram 4 horas, antes dela surgir; mas desde então, nunca mais fui para meu consultório sem antes ter tido a experiência da PRESENÇA. 

Agora, das 24 horas, nove ou dez são dedicadas à Meditação, não em período contínuo, mas intercalado, ora dez, vinte ou trinta minutos. Não há nada regular; às vezes deito-me às 8 horas da noite, levanto-me as 10 e meia e medito até as três. Volto então ao leito até quatro e meia, novamente de pé, volto a meditar até a aurora. Além disso, quando alguém me procura, depois de rápida conversa, meditamos. Introspecção constante, constante meditação é o meio de manter vivo o impulso interior. 

Devemos prosseguir nesse ritmo, todavia, se favorecermos a supressão desses períodos de contemplação devido a negócios ou encargos, malograremos. 

O Mestre afastava-se da multidão para comungar sozinho nos desertos e nos cumes dos montes. Nós também devemos afastar-nos de nossas famílias, de nossos amigos, de nossas obrigações humanas, para aqueles períodos de comunhão, necessários ao nosso aperfeiçoamento íntimo. Uma hora ou duas de meditação, sem nenhum desejo de coisa alguma é o meio que nos faculta alcançar uma profunda experiência de Deus. 

Freqüentemente, aflora a questão da dieta no que se refere à Meditação. Existe alguma dieta que favoreça o aumento de capacidade espiritual? É necessário evitar tais e tais alimentos? Deve ser abolido o uso da carne? 

Nos diversos estágios de nosso desenvolvimento somos tentados a crer que aquilo que fazemos ou pensamos pode favorecer nosso aperfeiçoamento espiritual. 

É um conceito falso; ao contrário, é o próprio desenvolvimento espiritual que atua sobre nossos hábitos e sobre nosso viver quotidiano. Progredindo na senda espiritual, o aspirante poderá notar essas modificações, contudo, não pretendemos ver nisso virtude ou aumento de capacidade espiritual, por qualquer sacrifício material. 

A espiritualidade se desenvolve pela leitura edificante, pela auscultação, pela companhia de pessoas que palmilham a mesma estrada e, sobretudo, pela Meditação. 

O Reino de Deus é encontrado na Auto-Realização; fruto da Graça interior e pela renúncia às coisas do mundo externo. 

Outro tema suscitado se refere às visões psíquicas. São tais manifestações parte necessária na experiência da Meditação? Tais visões podem ter alguma relevância em nossa vida, em nossa experiência humana, mas, devemos lembrar que elas se situam inteiramente na esfera psíquica ou no reino mental da consciência. Na literatura espiritual, essas visões jamais são consideradas experiências espirituais, elas não têm relação alguma com o mundo do espírito. Portanto, não nos detenhamos na zona do psiquismo, elevemo-nos à pura atmosfera do Espírito. Muitas vezes, na Meditação alcançamos uma sensação de paz ou harmonia – a realização da Presença do Cristo; são experiências inspiradoras, porém, devemos estar prontos para abandonar mesmo essa profunda paz e ir em busca de um nível de consciência mais elevado no qual o alcance daquela paz perde o significado ou importância. Havendo realizado a Presença do Cristo será, por acaso, necessário sentir alguma forma de reação emocional? Não é necessário; o que importa é compreender que a Atividade do Espírito é eterna e que ela está conosco. Um dos maiores estorvos à meditação é o receio de não compreendermos suficientemente como iniciar essa prática. Devemos lembrarmo-nos que é a Sua compreensão, não a nossa que importa. 

Na quietude, voltemo-nos para dentro a fim de permitir que a Verdade se revele. Não há limite para a compreensão se nos tornarmos dependentes da compreensão de Deus e não da nossa. 

O salmista desembaraça-se facilmente, para sempre, de tal medo e tal dúvida, no Salmo 147, em que seu coração e seus lábios entoam louvores a Deus. “Grande é o Senhor, grande é Seu Poder, Infinita Sua Compreensão”. 

Não há nenhum leitor desse livro tão destituído de compreensão que não possa iniciar a prática da Meditação e através dela penetrar no Reino de Deus. Pela Graça, mesmo o ladrão na cruz penetrou no Paraíso naquele dia, e pela Graça nós também podemos a qualquer momento franquear os portões dos céus. 

O maior empecilho da Meditação é a incapacidade de manter o pensamento em uma direção. Não é minha falta nem vossa; é, em boa parte, conseqüência da vida vertiginosa dos tempos modernos. Dá-se um brinquedo a uma criança que é logo substituído por outro; da infância a adolescência e a adultez, sua atenção é sempre atraída para as pessoas e coisas, de modo que se ela encontrar só, será dominada pelo espanto. Muitas pessoas jamais aprenderam como se sentar e permanecer quietas, nossa cultura, de tal forma centralizou nossa atenção nas coisas do mundo que perdemos a capacidade de nos aquietarmos para a contemplação e auscultação das grandes idéias. 

Quando fechamos os olhos e tentamos meditar, toda sorte de pensamentos invade nossa mente; somos como antenas sintonizando todas as estações do mundo. Não nos preocupemos com elas; se desprezarmos esses pensamentos mundanos, em poucos dias ou semanas eles fenecerão por falta de alimento a eles fornecido. 

Nosso objetivo é alcançar quietude e receptividade: no entanto, não devemos tentar anular nossos pensamentos. 

Quando começamos a meditar, pensamentos desenfreados povoam nossa mente, devemos nos manter calmos e observá-los impessoalmente até que eles cessem e nos deixem em paz, assim, voltamos para a meditação. Tempos virão em que nenhum pensamento estranho atingirá nossa consciência; eles desaparecerão vítimas de nossa indiferença, enfraquecidos por nossa omissão, por não tê-los combatido tornando-nos invulneráveis a eles que assim, não voltarão a nos importunar. 

Na Meditação devemos ser pacientes, tentando sempre dominar qualquer resquício de inquietação. Nenhuma verdade nos é revelada de fora, mas, a luz projetada naquela verdade, dentro de nossa própria alma, torna-se perceptível em nossa experiência. Verdade que vem de fora é mero simulacro de verdade; é a Verdade revelada dentro de nossa própria consciência que se torna “luz do Mundo”. 

A Meditação nos conduz ao ponto em que é possível captar a Verdade e seu profundo significado. 

O ritmo do universo toma conta de nós, não nos movemos, não pensamos mais, percebemos que estamos em sintonia, que há um ritmo da vida, que há harmonia. Isso é mais do que a paz da mente, é a paz espiritual que ultrapassa toda a compreensão humana. 

Para alcançar essa esfera mística é necessário adquirir a capacidade de permanecer em silêncio, sem pensamentos, é a prática mais difícil da vida espiritual. Não significa uma repressão para cessação do pensamento ou mesmo um esforço nesse sentido; ao contrário, tão profunda é a comunhão com Deus que, de si mesmo, o pensamento cessa. 

Nesse momento de silêncio, começamos a compreender que a Mente Divina ou Consciência Cósmica é a INTELIGÊNCIA INFINITA repleta de amor e que Ela funciona como nosso ser quando o pensamento se tranquiliza. 

Em nossa vida cotidiana podemos ter um plano e a Mente Cósmica, outro; não conhecemos jamais os Seus planos, enquanto permanecermos ocupados constantemente em pensar, esquematizar, reagir às atividades e distrações do mundo. 

Para receber a Divina Graça da Mente Cósmica é necessário que a mente humana se aquiete. 

O indivíduo que é Senhor de seu destino precisa alcançar o estado de consciência em que nada neste mundo importa para ele, valor é somente aquilo que acontece a partir do momento que ele se eleva acima do mar do pensamento. 

Nessa altura, o Pensamento Divino, a Atividade Divina da consciência se revela. Quer seja durante o dia ou durante a noite, não deverá haver outro desejo senão o jubiloso desejo de comunhão co Deus. É nessa completa tranqüilidade, nesse descanso do pensamento que o Pai se manifesta em nossa experiência. 

Antes de entrar na zona da vida mística, o hábito de continuamente pensar e falar deve ser substituído pelo de, continuamente, saber ouvir. Nosso Mestre despendeu muito do seu tempo em meditação silenciosa e podemos estar certos de que Ele não pedia mediação de Deus para as coisas materiais. Ele não falava, ouvia; ouvia as instruções, a diretriz, o amparo de Deus. 

É no desenvolvimento dessa capacidade de auscultar, de receber, que a mente humana se aquieta, se tranquiliza a tal ponto que se torna um canal, um instrumento através do qual Deus expressa, se manifesta. 

A mente humana pensante tem seu lugar, não deve ser eliminada, destruída, ela é a fonte de consciência, uma avenida através da qual recebemos o conhecimento. Pensar é um degrau inicial que conduz à meditação. 

Suponhamos não estarmos ainda avançados a ponto de vivermos em estado de constante receptividade; na verdade, Deus está sempre a nos falar, porém raramente O ouvimos. 

O pensamento pode ser empregado como auxiliar para nos levar àquele estado de exaltação – o de ouvir a Consciência Cósmica. Todavia, na Meditação, nenhum pensamento deve ser utilizado no sentido de afirmar ou negar. Continuemos a supor: desejamos meditar, porém, a mente se encontra em tal torvelinho que não nos reconhecemos em estado de quietude e paz; em vez de esvaziar a mente ou eclipsar os pensamentos perturbadores, devemos conduzi-los a algum trecho da Escritura ou outro livro inspirado. 

Vejamos como isso se dá empregando uma citação como: “Tranquiliza-te e sabe que EU SOU DEUS”, repetir continuamente até alcançar um estado de semi-hipnose e então se sentir sereno. É simples terapia sugestiva, não é poder espiritual. Alguns, através dessa afirmação, de tal forma se impressionam, que passam a crer que, como seres humanos, são Deus. 

Consideremos agora essa mesma manifestação, porém em vez de aplicá-la como tal, procuremos pela meditação descobrir seu real significado. “Tranquiliza-te e sabe que EU SOU DEUS” - Que significa isso?Sem dúvida tu sabes Joel, que não és Deus. Está dito que “EU SOU DEUS” – não que Joel é Deus, o que é muito diferente. Deus no centro de mim é Poderoso... “Eu e o Pai somos UM. Onde EU estou Deus está” - mais perto do que as mãos e os pés. Tranquiliza-te Joel, porque o EU em ti é Deus. 

Não tens motivo de procurar proteção, auxílio, cura em algum lugar: EU estou contigo. Tranquiliza-te e sabe que EU SOU tua proteção, tua salvação, tua segurança. O nome Joel, do autor, pode ser substituído pelo do leitor. 

Na apreciação da passagem da Escritura, a paz nos invade e nos sentimos repousados, divinamente tranquilos. Na senda espiritual poucos alcançam esta serenidade, rápida e facilmente; para a maioria o caminho é longo e difícil. Não devemos regozijar-nos com a rapidez do nosso progresso ou descrer ante sua possível lentidão. A nós cabe palmilhar o caminho. 

Muitos têm períodos de progresso rápido seguido ou pontilhado por intervalos de desânimo em que se sentem extraviados a vagar em um labirinto de conflitos e contradições. Muitas vezes, após esses decessos avançamos para novas alturas onde panoramas insuspeitos se desenrolam à nossa frente. Há alguns indivíduos dotados, devido a experiências anteriores, para os quais o percurso parece fácil. 

A pureza da consciência desenvolvida torna sua ascensão à consciência espiritual, uma jornada harmoniosa, com poucos problemas. Para muitos de nós o Caminho é de altos e baixos, mas no fim de algum tempo, poderemos perceber que já nos encontramos bem adiante do ponto de partida. 

O pré-requisito para a auscultação da Voz Inaudível, para atualizar a experiência do Cristo é pelo estudo, pela Meditação, pelo convívio com pessoas que palmilham também a senda espiritual. Auscultando freqüentemente a Voz Inaudível dentro de nós, iremos receber a Graça de Deus, sinal de que atingimos o propósito da Meditação. Nada nos deve satisfazer fora da experiência do próprio Deus; é a pérola de grande preço. A cada um cabe decidir quanto tempo e esforço deve devotar à Meditação, como organizar sua vida para reservar períodos mais ou menos prolongados e ininterruptos de quietude, durante os quais se ponha em contato com a Presença, com o Poder Interior. 

Os anos dedicados ao estudo e prática da Meditação não serão estéreis ao aspirante; ao contrário, são períodos de preparação cuja finalidade é alcançar o verdadeiro alvo da vida. Isso requer paciência, tenacidade, determinação; mas se a realização de Deus (auto-realização) é a força motora de nossas vidas, aquilo que o mundo chama sacrifício de tempo e esforço, não é sacrifício – é a mais intensa das alegrias. 


A MEDITAÇÃO DE MEU CORAÇÃO 

“Acolherei as palavras de meus lábios e a meditação de meu coração na Vossa Presença, Senhor, Minha rocha é meu Redentor.” (Salmos 19:14)

Meditação é uma experiência individual que não pode ser confinada dentro dos limites de algum padrão predeterminado. Meditai, orai, frequentai o secreto esconderijo do MAIS ALTO, em quietude e paz; descobrireis que a Verdade que andais buscando já habita em vós. Cristo, a Luz de dentro de vós, é o curador, o multiplicador de pães e peixes, é Ele que nos mantém e dá suprimento. Jamais encontrareis saúde e outros bens, procurando-os, eles estão contidos em vós mesmos e se desdobrarão de vosso íntimo ser quando aprenderdes a comungar com o PAI. Cristo é a vossa verdadeira identidade e Nele vos completais integralmente. Vossa Cristificação fluirá, na proporção do vosso conhecimento e experiência da Verdade. 

Na senda para integração de Deus, só por uma coisa devemos orar, pela iluminação espiritual, dom do espírito, e então se revelará. 

Em momentos de consciência exaltada, as meditações que se seguem fluem de dentro, revelando os dons do Espírito; não seguem plano estabelecido, cada uma é a expressão do impulso espiritual, em forma de escrita. Não são para serem repetidas ao pé da letra, nem para servirem de padrão; seu propósito único é servir de inspiração para que possais vislumbrar a beleza e a alegria dessa experiência, encorajando-vos a submeter-vos à disciplina requerida para descobrir as profundezas inexploradas do vosso interior e assim procedendo, lançar-vos a experiências cada vez maiores. 

Meditação é um canto permanente de gratidão a Deus, aqui e agora. É repouso no seio de Deus, segurando-lhe a Mão, sentindo Sua Divina Presença e Paz na contemplação do Seu Amor. Podereis então dizer: “Eu me contentarei no Senhor