"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

quinta-feira, abril 11, 2019

A Arte da Meditação - 10


A ARTE DA MEDITAÇÃO
(Joel S. Goldsmith)

Capítulo 10 - O LUGAR EM QUE ESTÁS

“O lugar em que estás é uma terra santa” (Êxodos 3:5)

“Nunca ninguém ouviu, nenhum ouvido percebeu, nenhum olho viu, exceto Tu, ó Deus, o que tens preparado para os que Te esperam”. (Isaías, 64: 4)

“Indicar-me-ás as sendas da vida, a plenitude junto de Ti, as delícias à Tua direita eternamente”.  (Salmos 16:11)


Onde quer que estejas neste momento estás em lugar sagrado. Ciente disso - poderás descansar e deixar que o Pai te revele o Seu plano; Deus, o Pai é infinito e essa infinitude se manifesta através de nós como nossa atividade, seja como pastor, médico, advogado, enfermeiro, professor, curador, dona de casa, mecânico, etc... 

Talvez não seja de nossa preferência o lugar que nos foi destinado, mas se ao invés de dar murros em faca de ponta considerarmos que Deus está executando Seu plano na terra e que aqui estamos exclusivamente para expressar Sua Glória, nada haverá limitado, confinado ou finito sobre nossa vida ou nossa atividade. Sendo Infinito, o Pai se manifesta infinitamente. 

Não temos o direito de interferir no plano divino; é nossa responsabilidade começar onde nos achamos, compenetrados de que é sagrado o lugar em que estamos: prisão, hospital ou elevada posição. Aí, permanecemos até que Deus nos remova. Interferimos no plano divino quando permitimos que o “pequeno eu” (ego) decida como deve fazer, em vez de deixar que o Cristo determine nossa atividade. Nada trará tão copioso senso de vida como a compreensão de nossa própria integração em Deus, não em Jane, Jim ou Joel. Essa integração se manifesta como harmonia e abundância de Jane, Jim ou Joel, sem façanha pessoal deles. 

A sabedoria do Pai se expressa através de toda pessoa que lhe permita operar em sua experiência pelo reconhecimento de sua unidade com o Pai. Não é tão difícil tornar-se o que o mundo chama de “cavador”, alcançando posição de importância e influência e desse modo, magnificar, glorificar o senso pessoal do “eu” (ego). 

Muito mais difícil é aguardar que o mundo venha a nós, mas, se compreendermos que o Cristo é a Mente real do nosso ser, a verdadeira alma, a verdadeira sabedoria, o verdadeiro amor, verificamos que tudo e todos gravitarão em torno daquele Cristo e nossa atividade será exposta à luz. 

Se, contudo, em nosso egoísmo, acreditamos que nosso sucesso depende ou resulta de nossas qualidades e esforços pessoais, verificaremos quão efêmero e vão ele é. Aguardávamos tanto e veio tão pouco, porque contamos com nosso próprio intelecto, nossa sabedoria, nossa espiritualidade, em vez de contarmos com Deus – o Infinito Invisível, origem e Fonte de nosso ser. 

Interiorizando-nos não nos dirigimos à nossa própria espiritualidade, bondade, força ou conhecimento; interiorizando-nos no Infinito Invisível observamos que a única indestrutibilidade flui através da natureza espiritual do nosso Ser e da capacidade de deixá-Lo manifestar-se e exprimir-Se em qualquer caminho que Ele siga. 

Nessa tranqüilidade, ante a visão de nossa unidade com o Pai, Deus derrama seus bens através de nós. Observaremos que, sem esforço, sem cansaço, as folhas se estenderão, germinarão as sementes e que dedicando-nos tranqüilamente ativos ao trabalho cotidiano que nos foi confiado, fatalmente a frutificação sobrevirá. 

Cada um de nós tem uma modalidade de trabalho a executar hoje; se hoje a executarmos sem nos preocuparmos com o amanhã, conscientes de que Deus através do Cristo invisível de nosso ser está sempre fluindo em nós Sua essência, Sua substância, Sua bondade; no dia seguinte algo mais nos será dado fazer. 

Amanhã poderá haver outra atividade, outro trabalho para nós; ninguém poderá cumprir por nós nossa tarefa. Com a realização do Cristo, sua atividade jamais poderá ser impedida, retardada ou ocultada. 

Deus tem o meio de superar todas as obstruções, nada pode evitar que a frutificação surja em nossa vida quando o tempo é chegado. Então, a força de Deus se exprimirá tão inexoravelmente como acontece com o nascituro expelido do útero, chegada a hora de entrar em cena. 

Quando auscultamos aquele Eu profundo dentro de nosso ser, deixamo-nos levar pelo Espírito, então contemplamos a mão dadivosa de Deus, ao nosso alcance, manifestando-Se e depositando Sua Glória em nossa experiência como se fosse atividade nossa. Testemunhamos a presença de Deus ofertando-nos Seus bens que fluem, não de fora, mas do Reino que está dentro de nós. 

Passo a passo, o Cristo nos guia de uma atividade a outra. Pode levar-nos do mundo dos negócios ao mundo da música ou do mundo dos deveres de família ao ministério da pregação e da cura. O Cristo pode fazer de nós o que lhe aprouver; Ele não tem ocupação favorita, já que nenhum encargo é mais espiritual do que outro quando ambos são de natureza construtiva. 

Todos são iguais aos olhos de Deus. A vida pela Graça é vivida segundo o conhecimento de que o amanhã não nos concerne, concerne a Deus. 

A Graça de Deus não presenteia sucesso ou felicidade parcial, nem exige o que não pode ser cumprido. Deus nos encarrega do trabalho; Sua Graça provê a compreensão, a força e a sabedoria para executá-lo. 

Tudo o que se torne preciso para o cumprimento da tarefa, seja transporte, dinheiro, livros, pessoas, mestres ou ensinamentos, aparece. O que surge pela Graça tem de ser cumprido. 

E porque temos mais, mais de nós é exigido; podemos atender a todos os pedidos que nos são feitos, se nos compenetrarmos de que o pedido não é feito a nós, mas “Àquele que nos enviou”, “De mim mesmo nada posso fazer, mas o Pai dentro de mim é solícito a todas as demandas”. 

A Graça divina capacita-nos a executar tudo que é necessário e no devido tempo, inclusive livrar-nos da carga para que Deus a ponha sobre os seus ombros. Quando Deus assume um encargo, Ele o faz definitivamente, de modo que não haja recorrência. 

Deixemos que os dons do nosso Espírito fluam sobre as multidões, jamais as procuremos. Não devemos andar pelas estradas tentando encontrar alguém, mesmo que pertença a nossa família, a fim de transmitir a força desse Dom, porque se o transmitirmos a indivíduos não receptivos nós mesmos ficaremos decepcionados. 

Esperemos que as multidões venham a nós ainda que elas consistam em uma única pessoa. 

Sentemo-nos quietamente em nossa casa ou em nosso escritório, com o dedo nos lábios, mantendo nosso “tesouro” oculto ao mundo. 

Os que forem receptivos perceberão a luz em nossos olhos, o sorriso em nossos lábios. 

Quando vierem, um por um, recebamo-los como se fosse a multidão; ofereçamos o que eles estão procurando, suavemente, gradualmente, com amor, com alegria, com o poder da autoridade. Podemos buscar no Infinito do nosso ser e algo brotará; palavras de verdade, de compaixão, de proteção, de amor, de camaradagem, tudo isso fluirá do Cristo dentro de nós. Renasçamos na consciência espiritual da natureza infinita de nosso ser. Seja essa a nossa oração: Eu vos agradeço Pai; EU SOU. Eu Sou aquilo que andei buscando. Tudo está latente dentro de meu ser; basta-me deixar que flua e se manifeste. Nada me pode ser acrescentado, nada me pode ser tirado. Eu tudo posso fazer através do Cristo que me fortalece... Eu vivo; não Eu: é realmente Deus que vive em mim... Deus executa os trabalhos que me foram atribuídos; Eu sou aquele canal através do qual Deus faz fluir para o universo Seus Infinitos bens, valendo-se de mim como instrumento, como veículo. 

Meu único propósito na vida é ser testemunha da Glória, da Grandeza, da Infinitude de Deus; manifestar a Obra Divina. Deus é Pai, meu ambiente, meu patrimônio. O Eu que Eu sou não é limitado por senso algum de consciência, subconsciência ou superconsciência: é limitado apenas pelas limitações impostas por Deus, mas Ele é Infinito, elas não existem. Tudo o que a consciência cósmica é, ecoa dentro de mim para este vasto mundo. “Eu vim para que a palavra fosse cumprida”, vou preparar um lugar para vós. Aquele Eu do meu ser, o divino eu prepara o caminho. 

Meu Pai celestial sabe que eu necessito dessas coisas e prazerosamente as concede; não é preciso que eu peça, me esforce, lute, litigue para obtê-las. É direito meu por herança divina. Desperto pela manhã, confiante, jubiloso, ante qualquer trabalho que me seja dado executar. 

Seja qual for eu faço, não para ganhar o sustento ou cumprir um dever oneroso; faço-o com alegria e contentamento, deixando que ele se desdobre como atividade de Deus, a expressão através de mim. E o fluxo não estancará, enquanto considerarmos o Cristo como fonte, origem de todo o bem. Enquanto depositarmos nossa inteira confiança na Presença Divina dentro de nós, tornamo-nos aquele ponto através do qual Deus resplandece para o mundo; e voluntariamente aceitamos nosso papel de canal pelo qual o bem encontra passagem para o mundo em vez de olharmos para o mundo esperando que dele flua o bem para nós. 

A natureza divina derrama-se dentro de nós e de nós para aqueles que nada sabem sobre a unidade de Deus. O homem espiritual descansa em sua união com Deus e permite que se manifeste a infinitude de Seus bens; jamais deve buscar, desejar ou querer algo para ser servido. 

Quanto mais procuramos assemelhar-nos ao Cristo, tanto mais nos tornaremos servos; servimos como um canal através do qual Deus alimenta seu rebanho. Tornamo-nos a estrada, o canal pelo qual, em expressão visível, o Bem Espiritual Infinito se difunde.


segunda-feira, abril 08, 2019

A Arte da Meditação - 9


A ARTE DA MEDITAÇÃO
(Joel S. Goldsmith)

Capítulo 9 - A PRATA É MINHA 

“Minha é a prata, meu é o ouro, diz o Senhor dos Exércitos”. 

“A glória desta última casa será maior do que a primeira, diz o Senhor dos Exércitos”. (Ageu 2:8, 9)

“Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam”. (Salmos, 127:1)

“A menos que o Senhor construa a casa”, a menos que Deus seja considerado a Fonte que nos abastece, não haverá abastecimento permanente. Essa é nossa consciência individual que permanece infecunda enquanto subsistir como consciência humana, obscurecida. Falta-lhe, então, a substância espiritual, da qual o abastecimento flui. “Muito semeastes, porém, pouco colhestes; comeis, mas, não vos saciais; bebeis, mas, continuais a ter sede; vós vos vestistes e não vos aquecestes, e o que ganha o salário ganha-o para pô-lo em uma bolsa furada. “Isso tudo é verdadeiro para vós, de consciência sem luz”. 

Como seres humanos, todos nós semeamos muito e colhemos pouco; trabalhamos arduamente e nada cumprimos, ganhamos muito e, comumente pouco guardamos, porque tudo proveio de uma consciência empobrecida, estéril, infecunda. 

Ao que parece depende da consciência humana apenas, tudo que for construído, os resultados não serão duradouros. Comemos e de novo temos fome, bebemos e outra vez temos sede; imiscuímo-nos em todas as atividades da vida humana, porém nada perdura. 

Em vão, levantamo-nos cedo, deitamo-nos tarde, para amontoar provisões... Assim disse o Senhor dos Exércitos: “Contemplai vossos caminhos”, a água da vida, o pão da vida, substância e sustento material, estamos construindo para cada um uma ciência espiritual, uma consciência da verdade. 

Reconheçamos agora que a prata, o ouro, a terra e toda a sua abundância são do Senhor, o EU dentro de nós se abastece dos recursos invisíveis do Espírito, não tirando algo de outrem, não repartindo o que já existe no mundo, nem drenando recursos visíveis da terra. 

Agora o fornecimento é extraído de dentro de nós, do depósito invisível em nosso ser. Nossa consciência individual é a mina do desdobramento espiritual infinito; no momento em que começamos a drenar esse depósito inexaurível, que jamais considera o que ocorreu no mundo visível, cessamos de nos preocupar com o muito ou com o pouco que temos ou se é de prosperidade ou depressão a corrente econômica do mundo. Concedemos Deus infinita liberdade, ilimitada em sua manifestação, quando nos compenetramos de que a terra, a prata, o ouro são do Senhor. 

É somente, quando procuramos participar dos bens do mundo acreditando que a terra, a prata, o ouro são posses pessoais, pertencentes aos seres humanos, que nós nos limitamos. Insinua-se um senso de finitude e, não obstante, o número, a quantidade de bens adquiridos, comumente, deles nada sobra. Compreendendo que “a prata e o ouro não são nossos”, abastecemo-nos em uma Fonte Inesgotável em que tanto mais sobra quanto mais nela nos absorvemos, estando em Deus estaremos com infinitude do abastecimento. 

Sentimos carência ou somos supridos, segundo o estado de nossa consciência, o que quer que surja em nossa vida, deve surgir “em conseqüência da força da Verdade em nossa consciência”. 

Se mantivermos “amanhã” o mesmo estado de consciência que “hoje” temos, não podemos aguardar resultados diferentes. 

Para gozar “amanhã” uma experiência mais satisfatória, é mister que a Verdade expanda “hoje” sua atividade em nossa consciência. 

Começando a compreender que Deus é nossa consciência individual e que Deus é Infinito, percebemos a verdadeira natureza do suprimento como algo invisível; já não julgamos pelas aparências, segundo a quantidade do que possuímos nem jamais estaremos em situação de falta do necessário. 

Durante guerras ou depressões súbitas, ou durante um período de esforço ou tensão, poderá haver ausência temporária das formas de abastecimento, como aconteceu aos hebreus durante sua jornada do Egito à Terra da Promissão. 

Mas, com a noção de que o suprimento vem do Infinito Invisível aparecendo como forma “os anos de escassez”, pronto se restaurarão e Ele aparecerá, onipresente, abundante. 

Podemos drenar tudo de nossa cristificação, de acordo com o grau de compreensão dessa Verdade. Pode uma multidão clamar por alimentos e não haver armazém ou depósito que os forneça uns poucos pães e uns poucos peixes. Como poderão ser supridos? Como seres humanos a alternativa é a inanição; como seres em Cristo, dirigimo-nos ao Pai em nós e extraímos das profundezas da infinitude de nosso próprio Ser o suprimento que seja necessário. 

De nosso messianismo, a natureza infinita de nosso ser, podem brotar milhões de palavras, milhões de idéias e por que não, milhões de dólares? Qual a diferença? A Fonte é a mesma, a Essência é a mesma; no princípio era Deus e Deus era o Espírito, tudo o que surge provém do Pai, do Espírito. 

A plenitude infinita plenifica o espaço. Tudo o que é necessário a meu aperfeiçoamento é exatamente que o significado desse conhecimento se fixe em minha consciência. 

Não mais dependerei de quem quer que seja; não mais estarei à mercê de minha própria capacidade ou de meus próprios recursos. 

Existe ALGO além da minha sabedoria, de meu poder; é um Sustentáculo sobre o qual posso descansar, inteiramente confiante, Dele recebendo todo o necessário à minha realização. 

A presença desse Espírito em mim se manifesta como água quando dela necessito, ou como pão; esse Espírito é a essência, a substância de tudo o que precisa manifestar-se; é uma lei, não escrita, operando fatalmente como lei de atração. 

Em repouso, confiante, seguro, em um pilar do Cristo. A prata é minha, meu é o ouro (do Deus em mim); Deus é o depósito eterno de todos os bens; eu me dirijo internamente àquele Depósito Infinito e observo os bens de Deus que fluem e se manifestam. 

Não se preocupa a forma que eles fluem, nem me cabe dirigir-lhe o fluxo, pois meu Pai Celestial sabe das coisas que eu necessito, antes que lhe peça eu extraio meu fornecimento do depósito invisível, dentro de meu próprio ser; Eu, dentro de mim, exteriorizo os invisíveis recursos do Espírito. 

Deus é o Ser Infinito, a Fonte Inesgotável, expressando-se, fluindo através de mim, através dos canais finitos. O Bem está aqui e agora, onde eu estou; eu não vivo do maná que cai ontem, a falta ou abundância do maná de ontem, não determina a quantidade de meu abastecimento hoje. 

Também, não devo viver preocupado com o maná de amanhã. 

Na consciência da Onipresença de Deus não há amanhã, não há espaço, não há tempo. Há apenas o eterno agora e o solo sagrado da Infinitude de Deus; neste momento e neste lugar, o maná cai, abundantemente. 

Todo bem flui do centro do meu ser, satisfazendo todas as minhas necessidades, purificando-me com “água viva”, o pão da vida e o alimento que não se deteriora. É necessário comer e beber dessa verdade, digeri-la, assimilá-la, torná-la parte de vosso ser, até que um dia, uma semana, um mês, um ano, possais apreciar sua frutificação, no desvanecimento da dúvida, na firmeza interior. 

A vida se torna inteiramente diversa, uma vez aprendida a visão da grande verdade que “a Palavra que procede da Boca de Deus é a essência de nossa vida, nossa água, nosso vinho, nosso pão, nosso alimento” - então passamos a compreender que o aparente, o tangível, nada mais é que efeito do que é invisível. 

Jamais volveremos a avaliar nossa provisão pelos dólares que possuímos, mas “por quanto de Deus realizamos”. “A prata é minha e meu é o ouro...” Em Tua Presença, há plenitude de vida, por isso volvemos para dentro de nós, atentos à consciência daquela Presença...


quinta-feira, abril 04, 2019

A Arte da Meditação - 8


A ARTE DA MEDITAÇÃO
(Joel S. Goldsmith)

Capítulo 8 - VÓS SOIS O TEMPLO 

“Não sabeis que sois o templo de Deus... que vosso corpo é o templo... do Deus Vivo?” (1 Coríntios, 6:19)

O corpo é o templo do Deus vivo, não feito com mãos, não mortalmente concebido, mas eterno nos céus; eterno em tempo e espaço, em vida e em espírito, em alma, em substância. 

Deus fez tudo o que foi feito e tudo o que Deus fez participa de Sua natureza que é eternidade, imortalidade, perfeição. Deus fez o corpo a Sua própria imagem e semelhança. Deus é Vida. Sua atividade operando em uma semente produz criança com todas as potencialidades do adulto contidas em uma delicada formazinha, não mero segmento da matéria, mas, uma inteligência e uma alma acompanhando aquele corpo. 

O Espírito de Deus executa; o homem, porém em sua vaidade, arrogou-se o papel de creador. Homens e mulheres assumiram a atitude de que são eles que o produzem. Pelo fato de serem pais e mães; em vez de reconhecerem que nada mais são do que instrumentos através dos quais Deus age para se expressar, não para perpetuar a ti ou a mim, a teus filhos ou a meus filhos. Deus opera com o amor em nossa consciência para produzir Sua própria imagem e semelhança. 

Essa expressão de Deus nós chamamos “meu filho”, “teu filho”, esquecidos de que é filho de Deus, não nossa creação ou posse pessoal. Rogamos a Deus para que mantenha e dê suprimento a nossos filhos, eles, porém não são nossos filhos, são filhos de Deus; não é necessário pedir-lhe que os mantenha. É prerrogativa divina crear, manter e suprir a Sua própria imagem e semelhança. Creador de tudo o que existe, Deus é creador do corpo humano, “não sabes que teu corpo é o templo de Deus vivo?” Nós o chamamos “meu corpo”, mas ele não é nosso, é corpo de Deus. Formado por Ele para Seu prazer, feito à Sua imagem e semelhança, governado por Sua Lei, creado para atestar Sua Glória. 

Em nossas árvores de Natal existem lâmpadas multicoloridas, vermelhas, azuis e púrpuras. 

A eletricidade transmite sua luz através dessas lâmpadas de todas as formas e tamanhos; as lâmpadas não são a fonte da luz, são apenas o instrumento através do qual a luz brilha. 

Assim acontece quando observamos a vida humana, animal ou vegetal, erradamente consideramos a forma visível como a Vida, mas, na realidade, é aquilo que anima, é a substância da forma. Deus é a Vida e a Essência de todas as formas. É a Sabedoria, a Integridade, a Pureza da alma do homem. Deus é a fortaleza do homem. Não nos deixemos iludir nem mesmo pela boa aparência. Não chamemos uma pessoa “forte”, e outra “fraca” ou “bela”; por trás da aparência devemos considerar a Vida Invisível que possibilita a beleza dessa forma. Podemos então, deleitar-nos com todos os aspectos da creação, seja corpo humano, espécie animal ou planta. São formas de Vida, mas se não atentarmos para a Vida que os anima, poderão parecer-nos boas ou más, jovens ou velhas, doentes ou sadias, ricas ou pobres. 

O conceito humano de vida é limitado e se radica em valores mutáveis que aparecem em forma de Vida, ao contrário, deleita-se com a forma, reconhecendo, contudo, o Infinito Invisível como sua essência. 

Se desviarmos o olhar da forma o suficiente para contemplar além dela o Invisível, descobriremos Deus como o Princípio de toda a vida e passaremos a compreender a diferença do viver espiritual. 

A Verdade conscientizada é a Lei da Vida, da harmonia, da ressurreição. “Deus fez esta forma, minha forma divina, infinita, para ressaltar minha verdadeira identidade. 

Meu corpo é a manifestação, a imagem do Eu que EU SOU”. É uma expressão da vida realçando tudo que eu sou, pois meu corpo é o EU de que sou formado, espiritual, imortal, eterno. Eu sou a perfeita identidade e meu corpo é o templo, instrumento de minha atividade de meu viver. Existe um reverso dessa forma espiritual que é aquela que eu olho no espelho: existem As expressões da natureza: árvores, flores, vegetais, frutos, conceitos humanamente concebidos da forma, do corpo. 

Se me vejo no espelho, posso notar que estou moço ou velho, doente ou sadio, gordo ou magro; mas, Eu não estou me vendo integralmente; estou vendo meu corpo. Eu sou invisível, mesmo esse corpo que eu vejo com meus olhos é um conceito do corpo finito, limitado. 

Na realidade o corpo não muda, muda o conceito que eu tenho sobre suas alterações. Que sou eu? Onde estou? Consideremos nossos pés, “esses são eu ou meus? Estou eu nos pés ou possuo esses pés? Essas pernas, estou nelas ou são minhas? Se elas se traumatizam, não existe um Eu, uma entidade que não é as pernas? Subamos à cintura, ao peito, à cabeça. Eu estou em alguma dessas partes Ou são elas partes do meu corpo? Não há um eu que possui um corpo? O corpo é um instrumento para minha locomoção, Como acontece com meu automóvel. Estou nesse corpo, sou Esse corpo ou esse corpo é meu? Não é um templo, um instrumento A mim concedido para meu uso? Minhas mãos - podem elas, por elas mesmas dar ou retirar? Ou devo eu dar ou retirar usando-as como instrumento? Podem minhas mãos ser generosas ou mesquinhas? Gozam elas do poder de dar ou tirar? Ou esse poder reside em mim? É o coração que me permite viver? Ou é a vida que anima o coração? Se minhas mãos não podem dar ou tirar, como pode o coração, fígado, pulmões, rins, agirem por si mesmos se as mãos não podem? Como órgãos materiais podem meus olhos ver e meus ouvidos podem ouvir? Podem os órgãos do corpo agir a seu talante? Não existe algo chamado EU que funciona através das pernas ou por meio delas? Um Eu que age através dos instrumentos desse corpo? Eu sou o ser: meu ser não depende de meu corpo, meu corpo é que depende de meu ser. O Eu que Eu sou governa meu corpo; De si mesmo meu corpo não tem vontade, inteligência, ação. Ele me atende, é governado por mim. Meu corpo é minha imagem É semelhança, é minha manifestação, expressão do Eu que eu sou. Há um espírito em mim: o Sopro do Todo Poderoso me transmite Vida. 

Em mim a atividade de Deus governa as funções corporais, órgãos e músculos. Um espírito invisível age sobre cada órgão e cada função de meu corpo para mantê-lo e sustentá-lo eternamente. De fora, nada que o corrompa pode penetrar esse templo de Deus vivo; Tudo o que é de Deus, Deus mantém e sustenta. 

Todo poder reside em Deus agir como a Lei do meu corpo; é Deus A única Lei e o único Legislador. A Lei espiritual não despreza nem anula a Lei material; a Lei espiritual revela que é o substrato da lei material. 

“Tranqüiliza-te e contempla a salvação do Senhor... Não pela força, nem pelo poder, mas por meu espírito”. Eu não preciso lutar, não preciso procurar a cura. O combate Não é meu. É de Deus: aliás, não é um combate, mas uma revelação de que este corpo é templo de Deus vivo, governado por Lei Espiritual. 

O conceito material, mortal, que outrora entretive sobre o corpo se diluiu no reconhecimento de que meu corpo é templo de Deus vivo. Forte, perene, infinito, imortal. Deus é o tema central, a substância, a força do meu corpo. “Tudo eu posso fazer através do Cristo que me fortalece”. O Senhor é minha força e minha canção e meu poder; É a força de minha vida que aplaina meu caminho. Que devo fazer? Se eu busco força em meu corpo, encontro doença, fraqueza, morte. 

Mas, se reconheço que Cristo é minha força, que minha filiação Divina é minha força, que a Palavra de Deus dentro de mim é meu poder, minha mocidade, minha vitalidade, é tudo em mim, então eu encontro Vida eterna. (Eu vivo de toda energia que sai da Fonte do Infinito). “Eu SOU o pão da vida: aquele que me seguir jamais terá fome; e jamais terá sede o que crê em MIM. Se ME pedires, EU te darei a água que jorra para a vida eterna”. Eu não vivo somente de pão. Toda palavra de Deus que atinge minha consciência é pão, vinho, água, alimento para minha alma, meu espírito, meu ser e meu corpo. 

Toda palavra da Verdade que eu pronuncio e plenifica minha consciência é o alimento que o mundo não conhece; é um manancial de água, jorrando para a vida imortal. Sem a Palavra de Deus, sinto-me vazio de apoio; o mais apetecível alimento assemelha-se à serragem – mero volume em meu organismo a menos que a Palavra de Deus o acompanhe para agir pela lei da digestão, da assimilação e da eliminação. Eu sou o vinho, a inspiração, a sabedoria espiritual; é Deus que ilumina, enaltece, inspira, tudo que eu posso saber, através do Cristo – Filho de Deus em mim – que é minha sabedoria. 

A Palavra de Deus em mim é pão, vinho, água. O mundo não sabe disso, que eu conservo oculto dentro de mim essa Palavra poderosa, revelando o perfeito templo de Deus, meu corpo; não o corpo feito com as mãos, mas o eterno, feito nos céus”. 

Nesse tipo de meditação, desprendemo-nos de toda a forma e vislumbramos o Invisível que mantém o visível. 

Devemos viver, mover-nos e ter o nosso ser na consciência divina, viver e habitar o lugar secreto do mais alto.

Então, veremos como realmente ele é, “contempla o Tabernáculo de Deus em cada ser humano; aí Ele habita... e nele nada deverá entrar que o profane”.


segunda-feira, abril 01, 2019

A Arte da Meditação - 7


A ARTE DA MEDITAÇÃO
(Joel S. Goldsmith)

Capítulo 7 - DEUS AMOU O MUNDO DE TAL MANEIRA

O segredo da beleza e a glória da sacralidade são a manifestação de Deus pela Encarnação. Tanto amou o mundo que a ele Se deu, surgindo visível como Filho de Deus, o que, segundo Sua promessa Eu sou e Tu és. 

Deus é meu ser e teu ser, é essa nossa verdadeira identidade. Compreendida espiritualmente, a terra e o Céu; Céu e Terra são um, pois Deus As manifestou na terra. É emanação Sua este universo feito de estrelas, de sol, lua e planetas, esse escabelo a que chamamos Terra. Tudo isso emanou Dele e para a Sua Glória, e em Sua Glória máxima manifestou-se como Ser individual. Não somos separados, apartados de Deus, somos Sua própria essência desdobrada, revelada como ser individual. 

Todas as coisas da Terra e o do Céu nos foram dadas devido a essa divina filiação; tudo o que existe, existe para nossos propósitos. Co-herdeiros, com Cristo, nossa é a Terra. 

Deus promulgou a Lei que governa Sua união com Seu amado filho, provendo-o de tudo que pertence ao Pai, transmitindo-lhe tudo o que foi estabelecido desde o princípio do mundo: “Eu vim para que eles tivessem vida e tivessem mais abundantemente. Eu vim para que tivessem Vida, minha vida, tua vida individual que não conhece idade, não deteriora, não muda de seu estado divino. Tu deves viver e mover-te com a consciência de nossa unidade. 

Nunca te deixarei, nunca te abandonarei; habita em Minha Palavra e deixa que Minha Palavra habite em ti. Tu deves confiar em Mim e salvar-te”. Há uma glória do Pai preparada para o Filho. Há uma paz, Minha Paz que ultrapassa a compreensão. Essa paz está contida na alma do homem independente de qualquer condição externa, bem viva como dom de Deus no centro do nosso ser. 

A nossa ilusão tem sido buscar a paz fora de nós, acreditando que outros têm o poder de transmiti-la ou tomá-la, de pensar que necessitamos de intermediários de fora para a obtenção da nossa harmonia. A procura de pessoas ou circunstâncias externas para obtenção da paz tem sido a causa do nosso fracasso e do fracasso do mundo. Somente em Deus a paz pode ser encontrada e ele doou a cada um de nós a Sua Paz Infinita e o seu amor compassivo. Não nos deu Ele o espírito do medo, mas o do Poder, do amor, de uma mente sã, pois Deus é a própria mente do nosso ser. 

Nossa ignorância, temor, insanidade surgem como conseqüência da ilusão de possuirmos uma mente separada de Deus, capaz de pecar. (Pecado é a ilusão de uma mente separada de Deus, disse Ramana Maharishi). “Eu e o Pai somos UM... Aquele que me vê, vê aquele que me enviou... eu estou no Pai e o Pai está em mim...” 

O discernimento espiritual revela Deus como Pai e Deus como Filho; o Ser Divino é o ser individual que, visto sob a luz espiritual apresenta exclusivamente as qualidades e a natureza de Deus. 

Na compreensão dessa unidade reside nossa inteireza; não pode haver paz, segurança, alegria à parte de Deus. Inerentes em Deus tornam-se naturais em nós, através da realização de Deus como nosso próprio ser. 

O grande mistério da Escritura é: No princípio era Deus, agora e sempre tudo o que é, é Deus surgindo como Infinitude, Glória, Força de Seu próprio Ser. Ele não é teu ser nem meu ser, mas é o Seu Infinito SER que se expressa como o teu e o meu ser. Eu Nele e Ele em mim, o ser Espiritual, Infinito, Harmonioso, Total, Completo. Reconhecemos Sua Alegria, Sua Saúde, Sua Paz, Sua Harmonia, Sua Pureza e Sua Inteligência. 

Renunciemos ao “meu isto e meu aquilo”, ou “teu isto e teu aquilo”; Seu Ser a expressar-se em Graça e em plenitude em todas as coisas. Sua Graça, Sua Presença, Sua Alegria, Seu Amor, Sua Totalidade é nossa suficiência. Seu amor flui como nosso amor, não consideremos “meu ou teu amor”, Ele flui como o sol brilha livremente sobre tudo. 

O sol brilha sem favoritismo, jamais indagando se são meritórios ou dignos os receptores de sua luz e de seu calor. O sol brilha, Deus ama. O amor de Deus brilha livremente para os justos e injustos, para aquele que merece e para aquele que não merece, para o santo e para o pecador. 

O amor de Deus se espalha no Universo dando vida à semente, força às plantas em crescimento, proteção à vida animal, vegetal e mineral. É o sustentáculo, a influência que anima toda a creação, pois toda a creação é Amor a fluir incessantemente. Tudo o que existe, sem exceção, está em Deus e é de Deus. Acima de tudo, não devemos julgar segundo o testemunho dos olhos ou dos ouvidos. 

Deus é infinitamente puro para ver as iniquidades e ao reconhecermos nossa verdadeira identidade como expressão divina, nos veremos como Deus vê. Contemplando-nos espiritualmente, tornamo-nos espectadores, percebendo Deus em tudo e através de tudo. 

Porém só poderemos agir desse modo quando abandonarmos os velhos conceitos, captados pelos sentidos da visão e da audição. 

Se Deus é a natureza infinita do nosso ser, por que ser invejoso, ciumento, ambicioso, quando sabemos que Deus é a Fonte de nossa satisfação interior, por que almejar algo externo, fora do nosso próprio ser? Na consciência de Sua Presença as bênçãos de Deus fluem como nossa experiência. Nosso Pai divertiu-se conosco. 

Compreendendo nossa verdadeira identidade participamos integralmente do corpo de Deus. “Eu tenho manjar que vós não conheceis. Eu posso dar-vos vida, águas que jorram para a vida eterna, as águas invisíveis, o vinho invisível, o manjar invisível”. Isso é compartilhar do Deus Vivo, do Verbo Vivo, do Deus que fez carne e habita em nós.


quinta-feira, março 28, 2019

A Arte da Meditação - 6


A ARTE DA MEDITAÇÃO
(Joel S. Goldsmith)

Capítulo 6 - A TERRA É DO SENHOR

“Do Senhor é a terra e tudo o que ela encerra, a redondeza da terra e os que nela habitam”. (Salmos 24:1)

“Quando contemplo os Teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que Tu creaste, exclamo: Que é o homem para Te lembrares dele? Tu o fizeste pouco inferior aos anjos e o coroaste de glória e de honra”. (Salmos 8:3-6)

Na contemplação do universo a mente centraliza-se em Deus; testemunhamos Sua Glória, quando serenamente observamos Sua atividade na terra. 

A prática dessa forma de meditação, dia após dia, conduz-nos a um estado de consciência em que o pensamento se dilui e finalmente cessa. 

Num desses dias, enquanto estivermos nessa observação da Atividade de Deus, ocorrerá um segundo silêncio, sem pensamento de qualquer natureza.

Neste curto período, a Atividade ou Presença se tornará conhecida por nós, a partir de então, verificaremos que “Deus está mais perto do que a respiração e que o Reino de Deus está dentro de nós”. 

Consoante a tranqüilidade de nossa consciência, o Espírito de Deus passará a agir também, constantemente, na creação do nosso mundo de formas, circunjacentes. Vim a esta hora sossegada para contemplar Deus e as coisas de Deus. 

Toda bênção vertida sobre a terra é emanação, expressão de Deus ou de Sua lei. 

O sol que nos aquece, a chuva que alimenta as plantas, as árvores, as estrelas, as marés e a lua que desempenham funções e surgem para o homem como bênçãos divinas. 

Não é casualmente que o sol fica suspenso nos céus milhões de milhas distante da terra, distância necessária para, equilibradamente, fornecer-nos calor e frio. Realmente é Deus a Inteligência deste Universo, uma Inteligência plena de amor e sabedoria. 

O sol, a lua e as estrelas movem-se em suas respectivas órbitas, de acordo com o plano divino que torna a lua e as estrelas visíveis à noite e durante o dia nos proporciona a luz do sol. 

Deus é a fonte de tudo que existe. Seu amor se evidencia no fato de que, antes de o homem aparecer na terra, já aqui existia o necessário para o seu crescimento, desenvolvimento e bem estar. 

Mesmo os minerais foram destinados a serem aproveitados pelo homem – os métodos naturais que formaram o ferro, o petróleo, o ouro, o urânio, são métodos de Deus. 

Milhões de anos antes, Ele sabia que esses minerais seriam indispensáveis na época presente de industrialização, por isso durante milênios foram tomando forma no solo. Há milhões de anos, Deus deve ter previsto os bilhões de habitantes que a terra abrigaria: por isso creou solos férteis em que crescessem Árvores, arbustos, flores, frutos e outros vegetais. 

E Deus disse: “Produza a terra erva verde e que dê semente e árvores frutíferas que dêem fruto segundo sua espécie e que a semente esteja nelas mesmas, sobre a terra”. 

Deus encheu os mares de alimentos ainda não extraídos que, um dia, poderão sustentar nações. E disse também: “Produzam as águas em abundância, animais viventes”, e os abençoou dizendo: “Crescei e multiplicai e enchei as águas do mar”. Tudo isso são dádivas de Deus ao homem. 

Contemplo Deus em todas as coisas, especialmente em Sua Lei e em Seu amor. Deus ama os peixes do mar e cuida deles, ama os pássaros no ar e provê seu alimento e propagação; Deus produz as brisas suaves e refrigerantes. Deus me ama e provou esse amor, encarnado como “EU”, Seu próprio Ser, Sua própria Vida, Sua própria Sabedoria. 

Preciso apenas obedecer a Lei de um Poder Único e a Lei do Amor e o resto será dado de acréscimo. São presentes invaliáveis de Deus. As coisas de Deus são minhas, doadas livremente, na proporção do meu reconhecimento de Deus como Sua Fonte.

Ele é o grande Doador do Universo, conferindo a tudo o Seu amor, Sua inteligência, Sua sabedoria, Sua orientação e Sua Força. 

Contemplando as maravilhas de Deus, já existentes, estamos testemunhando e reconhecendo Sua Graça que providenciou todos esses bens sem que nós os pedíssemos. Somos testemunha de Sua Atividade na terra. 

À noite, olhando o céu estrelado, ninguém se preocupa com o nascimento do sol, nenhum de nós se angustia a rezar para que ele desponte na manhã seguinte. 

Amanhã à noite, a lua e as estrelas continuarão a mover-se em suas órbitas e duas vezes, nas vinte e quatro horas, as marés terão enchentes e vazantes. 

Deus não solicita informações, sugestões ou súplicas no que respeita ao governo de Seu Universo. Preces, petições, súplicas, não alterarão Sua Lei. Seu trabalho está feito, Sua Lei está em exercício. 

Contemplando as maravilhas do Universo de Deus, transcendemos o desejo de pedir-lhe algo; tal contemplação nos leva à altura da visão do salmista: “a Terra é do Senhor com toda sua abundância”. 

Captamos essa visão num passeio sossegado, na solidão de um parque, de uma praça, lago ou rio. Levantamos os olhos para as colinas, as montanhas e contemplamos somente o que Deus contempla, e conhecemos o que Deus conhece. 

Tudo o que exalta nossa consciência acima do clangor dos sentidos e dos tumultos deste mundo, leva-nos à presença de Deus; nós a encontramos quando atingimos as altitudes divinas da inspiração. DEUS É PROFUNDO SILÊNCIO, A SUPREMA QUIETUDE DE TUDO QUE É HUMANO. 

Quando pela visão espiritual superamos as aparências, tudo o que contemplamos neste mundo atesta a Glória, a Atividade, a Lei, o Amor de Deus por seus filhos. Céus e terra para nós foram feitos, sobre eles nos foi dado domínio: “Tu o fizeste para dominar o trabalho de Tuas mãos; puseste todas as coisas debaixo de Teus pés...” somos a mais excelsa creação de Deus; DEUS a ALMA deste universo se manifesta em expressão individual como “eu” e como “tu”.


sábado, março 23, 2019

A Arte da Meditação - 5


A ARTE DA MEDITAÇÃO
(Joel S. Goldsmith)

Capítulo 5 - AS DIFICULDADES 

Praticando sinceramente as meditações precedentes, sem dúvida surgirão muitas perguntas referentes a certos aspectos, como: “Que fazer com os pensamentos estranhos que vagueiam na mente? Devemos aguardar a manifestação de visões? Há tempo determinado para cada meditação? Quanta compreensão é necessária? A dieta exerce alguma influência sobre a eficácia da meditação? É indispensável alguma posição definida?”. Consideremos primeiro este último aspecto. 

A meditação é praticada com maior facilidade quando não temos consciência do corpo: sentado em uma cadeira reta, pés completamente dispostos no chão, coluna reta, ambas as mãos repousando sobre as coxas: essa posição normal, natural, pode ser mantida cinco, dez, vinte minutos, sem que nos preocupemos com o corpo. 

Não há mistério no que tange à posição: no Oriente, poucas pessoas sentam-se em cadeiras, sendo para elas confortável, sentarem-se no chão com as pernas cruzadas, posição que para nós do Ocidente não é fácil de ser conseguida e difícil de ser mantida. 

Se salientarmos que na meditação, nossa atenção deve focalizar-se em Deus e nas coisas de Deus, compreenderemos porque é necessária uma posição confortável e natural a fim de que o pensamento ou a atenção não se disperse. O motivo único é poder concentrar-se facilmente, focalizando Deus e aumentando a receptividade a Seu Poder Infinito. 

Na meditação observa-se uma alteração no organismo: espinha reta, peito ereto, respiração mais tranquila, diminuindo de pensamentos até a completa cessação. 

Meditação é uma experiência consciente; como foi sugerido, é favorável iniciá-la com uma pergunta ou pensamento ou ideia especial sobre a qual desejamos iluminar-nos. Começamos com a ideia de receber uma revelação de Deus, se compreendermos que a 

Meditação é uma atividade consciente de nossa alma, não haverá perigo de ficarmos entorpecidos. Dois ou três minutos de Meditação bastam para eliminar a fadiga de um dia inteiro de trabalho. Os que adormecem durante a Meditação, falham nessa experiência consciente. 

Em um certo período da Meditação pode o sono sobrevir, mas, tal sono não é uma queda para a inconsciência; durante este, a atividade da consciência se mantém. 

Meditar não é simplesmente sentar-se e dizer: “Bem, Deus, podeis prosseguir”, é uma vigilância ativa e, contudo “uma paz transbordante”. 

Certifiquemo-nos que a paz sobreveio, não vamos tomar o Reino de Deus pela força, pelo poder físico ou mental. 

Quando a Meditação se tornar um esforço suspendamo-la ou contrariaremos nosso propósito. Não há necessidade de meditar um período especial de tempo, se ela foi apenas de um minuto de duração, fiquemos satisfeitos. 

Teremos movimentado o fluxo durante esse tempo ou menos ainda, se mantivermos nossa mente repousada em Deus. 

Meditar é uma arte difícil de ser dominada; se não fora assim, há muito, a técnica estaria em poder de todo o mundo. 

Segundo minha própria experiência foram necessários oito meses de 5 a 10 meditações diárias para que me fosse dado perceber a Presença dentro de mim, oito meses de meditações freqüentes. Também eu não tinha conhecimento da possibilidade de um contato com Deus ou o que dele resultaria, uma vez conseguido. 

Contudo, profundamente, dentro de mim, existia a convicção inabalável de que era possível atingir algo maior do que eu mesmo e submergir num Poder superior. 

Ninguém que eu conhecesse palmilhava antes esse caminho, ninguém me apontara a estrada a percorrer. Subsistia, no entanto, aquela firme convicção de que se eu pudesse colocar-me em contato com Deus, no centro do meu Ser, Ele tomaria conta de minha vida, do meu trabalho, de minha prática, de meus clientes. 

No fim de oito meses estava apto a conseguir um segundo de realização, talvez ainda menos que um segundo, não sei como avaliar o tempo, quando ele é medido em frações de segundos, mas seguramente foi o tempo que durou. 

Passou-se uma semana antes da segunda experiência, também rápida e muitos dias se escoaram antes da terceira e assim sucessivamente. 

Finalmente chegou a época em que a conscientização parecia durar uma eternidade e essa eternidade, creio, era mais curta do que um minuto. 

Nessa época, tive a intuição de que se me levantasse às 4 da manhã, daí até as 8 horas, vez ou outra, sentiria aquela vibração – a certeza da PRESENÇA. 

Em alguns dias Ela se manifestou em menos de cinco minutos e outras vezes escoaram 4 horas, antes dela surgir; mas desde então, nunca mais fui para meu consultório sem antes ter tido a experiência da PRESENÇA. 

Agora, das 24 horas, nove ou dez são dedicadas à Meditação, não em período contínuo, mas intercalado, ora dez, vinte ou trinta minutos. Não há nada regular; às vezes deito-me às 8 horas da noite, levanto-me as 10 e meia e medito até as três. Volto então ao leito até quatro e meia, novamente de pé, volto a meditar até a aurora. Além disso, quando alguém me procura, depois de rápida conversa, meditamos. Introspecção constante, constante meditação é o meio de manter vivo o impulso interior. 

Devemos prosseguir nesse ritmo, todavia, se favorecermos a supressão desses períodos de contemplação devido a negócios ou encargos, malograremos. 

O Mestre afastava-se da multidão para comungar sozinho nos desertos e nos cumes dos montes. Nós também devemos afastar-nos de nossas famílias, de nossos amigos, de nossas obrigações humanas, para aqueles períodos de comunhão, necessários ao nosso aperfeiçoamento íntimo. Uma hora ou duas de meditação, sem nenhum desejo de coisa alguma é o meio que nos faculta alcançar uma profunda experiência de Deus. 

Freqüentemente, aflora a questão da dieta no que se refere à Meditação. Existe alguma dieta que favoreça o aumento de capacidade espiritual? É necessário evitar tais e tais alimentos? Deve ser abolido o uso da carne? 

Nos diversos estágios de nosso desenvolvimento somos tentados a crer que aquilo que fazemos ou pensamos pode favorecer nosso aperfeiçoamento espiritual. 

É um conceito falso; ao contrário, é o próprio desenvolvimento espiritual que atua sobre nossos hábitos e sobre nosso viver quotidiano. Progredindo na senda espiritual, o aspirante poderá notar essas modificações, contudo, não pretendemos ver nisso virtude ou aumento de capacidade espiritual, por qualquer sacrifício material. 

A espiritualidade se desenvolve pela leitura edificante, pela auscultação, pela companhia de pessoas que palmilham a mesma estrada e, sobretudo, pela Meditação. 

O Reino de Deus é encontrado na Auto-Realização; fruto da Graça interior e pela renúncia às coisas do mundo externo. 

Outro tema suscitado se refere às visões psíquicas. São tais manifestações parte necessária na experiência da Meditação? Tais visões podem ter alguma relevância em nossa vida, em nossa experiência humana, mas, devemos lembrar que elas se situam inteiramente na esfera psíquica ou no reino mental da consciência. Na literatura espiritual, essas visões jamais são consideradas experiências espirituais, elas não têm relação alguma com o mundo do espírito. Portanto, não nos detenhamos na zona do psiquismo, elevemo-nos à pura atmosfera do Espírito. Muitas vezes, na Meditação alcançamos uma sensação de paz ou harmonia – a realização da Presença do Cristo; são experiências inspiradoras, porém, devemos estar prontos para abandonar mesmo essa profunda paz e ir em busca de um nível de consciência mais elevado no qual o alcance daquela paz perde o significado ou importância. Havendo realizado a Presença do Cristo será, por acaso, necessário sentir alguma forma de reação emocional? Não é necessário; o que importa é compreender que a Atividade do Espírito é eterna e que ela está conosco. Um dos maiores estorvos à meditação é o receio de não compreendermos suficientemente como iniciar essa prática. Devemos lembrarmo-nos que é a Sua compreensão, não a nossa que importa. 

Na quietude, voltemo-nos para dentro a fim de permitir que a Verdade se revele. Não há limite para a compreensão se nos tornarmos dependentes da compreensão de Deus e não da nossa. 

O salmista desembaraça-se facilmente, para sempre, de tal medo e tal dúvida, no Salmo 147, em que seu coração e seus lábios entoam louvores a Deus. “Grande é o Senhor, grande é Seu Poder, Infinita Sua Compreensão”. 

Não há nenhum leitor desse livro tão destituído de compreensão que não possa iniciar a prática da Meditação e através dela penetrar no Reino de Deus. Pela Graça, mesmo o ladrão na cruz penetrou no Paraíso naquele dia, e pela Graça nós também podemos a qualquer momento franquear os portões dos céus. 

O maior empecilho da Meditação é a incapacidade de manter o pensamento em uma direção. Não é minha falta nem vossa; é, em boa parte, conseqüência da vida vertiginosa dos tempos modernos. Dá-se um brinquedo a uma criança que é logo substituído por outro; da infância a adolescência e a adultez, sua atenção é sempre atraída para as pessoas e coisas, de modo que se ela encontrar só, será dominada pelo espanto. Muitas pessoas jamais aprenderam como se sentar e permanecer quietas, nossa cultura, de tal forma centralizou nossa atenção nas coisas do mundo que perdemos a capacidade de nos aquietarmos para a contemplação e auscultação das grandes idéias. 

Quando fechamos os olhos e tentamos meditar, toda sorte de pensamentos invade nossa mente; somos como antenas sintonizando todas as estações do mundo. Não nos preocupemos com elas; se desprezarmos esses pensamentos mundanos, em poucos dias ou semanas eles fenecerão por falta de alimento a eles fornecido. 

Nosso objetivo é alcançar quietude e receptividade: no entanto, não devemos tentar anular nossos pensamentos. 

Quando começamos a meditar, pensamentos desenfreados povoam nossa mente, devemos nos manter calmos e observá-los impessoalmente até que eles cessem e nos deixem em paz, assim, voltamos para a meditação. Tempos virão em que nenhum pensamento estranho atingirá nossa consciência; eles desaparecerão vítimas de nossa indiferença, enfraquecidos por nossa omissão, por não tê-los combatido tornando-nos invulneráveis a eles que assim, não voltarão a nos importunar. 

Na Meditação devemos ser pacientes, tentando sempre dominar qualquer resquício de inquietação. Nenhuma verdade nos é revelada de fora, mas, a luz projetada naquela verdade, dentro de nossa própria alma, torna-se perceptível em nossa experiência. Verdade que vem de fora é mero simulacro de verdade; é a Verdade revelada dentro de nossa própria consciência que se torna “luz do Mundo”. 

A Meditação nos conduz ao ponto em que é possível captar a Verdade e seu profundo significado. 

O ritmo do universo toma conta de nós, não nos movemos, não pensamos mais, percebemos que estamos em sintonia, que há um ritmo da vida, que há harmonia. Isso é mais do que a paz da mente, é a paz espiritual que ultrapassa toda a compreensão humana. 

Para alcançar essa esfera mística é necessário adquirir a capacidade de permanecer em silêncio, sem pensamentos, é a prática mais difícil da vida espiritual. Não significa uma repressão para cessação do pensamento ou mesmo um esforço nesse sentido; ao contrário, tão profunda é a comunhão com Deus que, de si mesmo, o pensamento cessa. 

Nesse momento de silêncio, começamos a compreender que a Mente Divina ou Consciência Cósmica é a INTELIGÊNCIA INFINITA repleta de amor e que Ela funciona como nosso ser quando o pensamento se tranquiliza. 

Em nossa vida cotidiana podemos ter um plano e a Mente Cósmica, outro; não conhecemos jamais os Seus planos, enquanto permanecermos ocupados constantemente em pensar, esquematizar, reagir às atividades e distrações do mundo. 

Para receber a Divina Graça da Mente Cósmica é necessário que a mente humana se aquiete. 

O indivíduo que é Senhor de seu destino precisa alcançar o estado de consciência em que nada neste mundo importa para ele, valor é somente aquilo que acontece a partir do momento que ele se eleva acima do mar do pensamento. 

Nessa altura, o Pensamento Divino, a Atividade Divina da consciência se revela. Quer seja durante o dia ou durante a noite, não deverá haver outro desejo senão o jubiloso desejo de comunhão co Deus. É nessa completa tranqüilidade, nesse descanso do pensamento que o Pai se manifesta em nossa experiência. 

Antes de entrar na zona da vida mística, o hábito de continuamente pensar e falar deve ser substituído pelo de, continuamente, saber ouvir. Nosso Mestre despendeu muito do seu tempo em meditação silenciosa e podemos estar certos de que Ele não pedia mediação de Deus para as coisas materiais. Ele não falava, ouvia; ouvia as instruções, a diretriz, o amparo de Deus. 

É no desenvolvimento dessa capacidade de auscultar, de receber, que a mente humana se aquieta, se tranquiliza a tal ponto que se torna um canal, um instrumento através do qual Deus expressa, se manifesta. 

A mente humana pensante tem seu lugar, não deve ser eliminada, destruída, ela é a fonte de consciência, uma avenida através da qual recebemos o conhecimento. Pensar é um degrau inicial que conduz à meditação. 

Suponhamos não estarmos ainda avançados a ponto de vivermos em estado de constante receptividade; na verdade, Deus está sempre a nos falar, porém raramente O ouvimos. 

O pensamento pode ser empregado como auxiliar para nos levar àquele estado de exaltação – o de ouvir a Consciência Cósmica. Todavia, na Meditação, nenhum pensamento deve ser utilizado no sentido de afirmar ou negar. Continuemos a supor: desejamos meditar, porém, a mente se encontra em tal torvelinho que não nos reconhecemos em estado de quietude e paz; em vez de esvaziar a mente ou eclipsar os pensamentos perturbadores, devemos conduzi-los a algum trecho da Escritura ou outro livro inspirado. 

Vejamos como isso se dá empregando uma citação como: “Tranquiliza-te e sabe que EU SOU DEUS”, repetir continuamente até alcançar um estado de semi-hipnose e então se sentir sereno. É simples terapia sugestiva, não é poder espiritual. Alguns, através dessa afirmação, de tal forma se impressionam, que passam a crer que, como seres humanos, são Deus. 

Consideremos agora essa mesma manifestação, porém em vez de aplicá-la como tal, procuremos pela meditação descobrir seu real significado. “Tranquiliza-te e sabe que EU SOU DEUS” - Que significa isso?Sem dúvida tu sabes Joel, que não és Deus. Está dito que “EU SOU DEUS” – não que Joel é Deus, o que é muito diferente. Deus no centro de mim é Poderoso... “Eu e o Pai somos UM. Onde EU estou Deus está” - mais perto do que as mãos e os pés. Tranquiliza-te Joel, porque o EU em ti é Deus. 

Não tens motivo de procurar proteção, auxílio, cura em algum lugar: EU estou contigo. Tranquiliza-te e sabe que EU SOU tua proteção, tua salvação, tua segurança. O nome Joel, do autor, pode ser substituído pelo do leitor. 

Na apreciação da passagem da Escritura, a paz nos invade e nos sentimos repousados, divinamente tranquilos. Na senda espiritual poucos alcançam esta serenidade, rápida e facilmente; para a maioria o caminho é longo e difícil. Não devemos regozijar-nos com a rapidez do nosso progresso ou descrer ante sua possível lentidão. A nós cabe palmilhar o caminho. 

Muitos têm períodos de progresso rápido seguido ou pontilhado por intervalos de desânimo em que se sentem extraviados a vagar em um labirinto de conflitos e contradições. Muitas vezes, após esses decessos avançamos para novas alturas onde panoramas insuspeitos se desenrolam à nossa frente. Há alguns indivíduos dotados, devido a experiências anteriores, para os quais o percurso parece fácil. 

A pureza da consciência desenvolvida torna sua ascensão à consciência espiritual, uma jornada harmoniosa, com poucos problemas. Para muitos de nós o Caminho é de altos e baixos, mas no fim de algum tempo, poderemos perceber que já nos encontramos bem adiante do ponto de partida. 

O pré-requisito para a auscultação da Voz Inaudível, para atualizar a experiência do Cristo é pelo estudo, pela Meditação, pelo convívio com pessoas que palmilham também a senda espiritual. Auscultando freqüentemente a Voz Inaudível dentro de nós, iremos receber a Graça de Deus, sinal de que atingimos o propósito da Meditação. Nada nos deve satisfazer fora da experiência do próprio Deus; é a pérola de grande preço. A cada um cabe decidir quanto tempo e esforço deve devotar à Meditação, como organizar sua vida para reservar períodos mais ou menos prolongados e ininterruptos de quietude, durante os quais se ponha em contato com a Presença, com o Poder Interior. 

Os anos dedicados ao estudo e prática da Meditação não serão estéreis ao aspirante; ao contrário, são períodos de preparação cuja finalidade é alcançar o verdadeiro alvo da vida. Isso requer paciência, tenacidade, determinação; mas se a realização de Deus (auto-realização) é a força motora de nossas vidas, aquilo que o mundo chama sacrifício de tempo e esforço, não é sacrifício – é a mais intensa das alegrias. 


A MEDITAÇÃO DE MEU CORAÇÃO 

“Acolherei as palavras de meus lábios e a meditação de meu coração na Vossa Presença, Senhor, Minha rocha é meu Redentor.” (Salmos 19:14)

Meditação é uma experiência individual que não pode ser confinada dentro dos limites de algum padrão predeterminado. Meditai, orai, frequentai o secreto esconderijo do MAIS ALTO, em quietude e paz; descobrireis que a Verdade que andais buscando já habita em vós. Cristo, a Luz de dentro de vós, é o curador, o multiplicador de pães e peixes, é Ele que nos mantém e dá suprimento. Jamais encontrareis saúde e outros bens, procurando-os, eles estão contidos em vós mesmos e se desdobrarão de vosso íntimo ser quando aprenderdes a comungar com o PAI. Cristo é a vossa verdadeira identidade e Nele vos completais integralmente. Vossa Cristificação fluirá, na proporção do vosso conhecimento e experiência da Verdade. 

Na senda para integração de Deus, só por uma coisa devemos orar, pela iluminação espiritual, dom do espírito, e então se revelará. 

Em momentos de consciência exaltada, as meditações que se seguem fluem de dentro, revelando os dons do Espírito; não seguem plano estabelecido, cada uma é a expressão do impulso espiritual, em forma de escrita. Não são para serem repetidas ao pé da letra, nem para servirem de padrão; seu propósito único é servir de inspiração para que possais vislumbrar a beleza e a alegria dessa experiência, encorajando-vos a submeter-vos à disciplina requerida para descobrir as profundezas inexploradas do vosso interior e assim procedendo, lançar-vos a experiências cada vez maiores. 

Meditação é um canto permanente de gratidão a Deus, aqui e agora. É repouso no seio de Deus, segurando-lhe a Mão, sentindo Sua Divina Presença e Paz na contemplação do Seu Amor. Podereis então dizer: “Eu me contentarei no Senhor


segunda-feira, março 18, 2019

A Arte da Meditação - 4



A ARTE DA MEDITAÇÃO
(Joel S. Goldsmith)

Capítulo 4 - A UNIÃO INDISSOLÚVEL 

Na senda espiritual, pouco, pouquíssimo progresso pode ser feito enquanto não tivermos certa noção do que Deus é, do nosso relacionamento com Ele e o que representa Sua atividade em nossa vida. 

Essa experiência tem que ser individual, obtida de maneira inesperada sem a intervenção de qualquer outra autoridade a não ser a Revelação interior. 

Investigando incessantemente, meditando com freqüência sobre a presença de Deus dentro de nós, seremos levados a nos aprofundar sobre o Seu significado, Sua Onipresença, Sua atividade em nossas vidas. 

Quantas pessoas terão tido experiência direta de Deus? Quantas sentiram o fluxo do espírito em nossas mentes, quem sabe, milhares em cada geração, no entanto, Deus é facilmente reconhecível por qualquer homem, mulher ou criança. Deus exige nosso total amor e devoção; devemos dar-nos a Ele de modo que Ele possa revelar-nos Sua doação eterna. Devemos amá-Lo sobre todas, com todo nosso coração, nossa alma e nossa mente. Amá-lo tanto que a nossa oração seja esta: Desejo sentir Deus, permitir que Ele ocupe minha alma, meu coração, minha mente, todo o meu ser. Referimo-nos a Deus como Inteligência. Mente, Princípio Impessoal, mas Deus também é pessoal. 

As relações do indivíduo e Deus podem ser mais estreitas do que o relacionamento com a nossa própria mãe. 

A consciência da Sua presença dá-nos tranqüilidade, serenidade, em sua quietude sentimos alegria e paz. Uma vez que tenhamos a experiência de Deus, a benevolência, a paz, o fervor evidenciam-se envolvendo-nos num manto de ternura para tudo e para todos. 

Comumente é Deus considerado algo separado, afastado de nós, que possui todos os bens e, no entanto nos sonega. Em geral oramos a Deus tentando obter alguma coisa: saúde, suprimento, oportunidades, companheirismo. 

Às vezes, quando a resposta não é imediata, passamos a fazer promessas que na realidade não temos a intenção de cumprir, no intuito fútil de transacionar com Deus. 

Com esforço, tentamos conciliar um suposto Deus amoroso com um outro Deus que se mantém surdo às nossas súplicas, muitas vezes nos censuramos pensando que algum ato mau por omissão ou comissão determinou essa recusa de Deus em atender-nos. 

Acreditam alguns médicos que muitos males do mundo, físicos e mentais, são resultados de complexos de culpa. Grande número de pessoas se consome em autocondenações, oprimidas por sentimentos de culpa. 

Se crermos que estamos sendo punidos por um Deus vingativo, estamos redondamente enganados. Deus não se debruça na contemplação de nossas iniqüidades, não anota nossas fraquezas, Deus não castiga os pecadores; estes são punidos por seus próprios pecados. 

Mesmo o mais renitente pecador sabe que certas leis de Deus não devem ser violadas, pois a punição é fatal. O que ele ignora é que essa punição não é aplicada por Deus, ela é imposta pelo próprio pecador. Deus é amor; Ele não recusa nem castiga. Que Deus seria esse, caprichoso e cruel, que contasse conosco para ser bom, que esperasse de nós palavras que o aplacassem, que se preocupasse para que praticássemos meditação, métodos de meditação agradáveis aos seus olhos, para só então derramar sobre nós as bênçãos? 

Deus jamais nos dará além daquilo que já nos está dando. Deus é Vida e Amor e está eternamente expressando Sua Vida e Seu Amor. João afirma: “Pediste e não recebeste porque pediste erradamente”. 

Agimos erradamente toda vez que nos dirigimos a Deus na esperança de obter alguma coisa. Ninguém precisa pedir-Lhe que torne verdes os vales ou vermelhas as rosas, ninguém precisa falar-Lhe sobre a mudança das estrelas ou das marés. Teremos então a presunção de dizer-Lhe que algo nos está faltando? Deus é a inteligência Infinita deste universo; se Ele sabe fazer para que a ostra produza uma pérola e a terra petróleo, se Ele sabe como orientar os pássaros nos seus vôos, como cobrir a terra com suas maravilhas, não será essa mesma Inteligência Infinita suficiente para influir em nossa experiência, como Guia, sem que se torne necessária qualquer advertência, informação ou sugestão? 

A base de toda meditação, de toda oração é a conscientização da presença de Deus em nós e do nosso relacionamento com Ele. Deus é Vida eterna, Inteligência Infinita, Amor Divino – Eu e o Pai somos UM, repousamos nessa afirmação passaremos a viver harmoniosa, jubilosa e abundantemente. 

No momento em que nos dirigimos a Deus com a idéia de desejar, pedir ou esperar algo, impedimos que Ele atue em nossa experiência, pois estaremos formulando conceitos e pontos de vista finitos que interceptam o fluxo divino. 

Deixando de interferir dobre a Vontade Divina e nos conservando na Sua Presença, puros de coração, sem vontade finita, sem desejos pessoais, sem ambição, então poderemos dizer com as mãos limpas: “Tua Vontade seja feita na terra assim como está sendo feita nos céus. Eu sou Teu, Tu és meu, eu estou em Ti, Tu estás em mim. Que a Tua vontade se cumpra em mim”. 

No mundo muitos duvidam do amor de Deus, já que despendem muito tempo rogando pelas messes divinas. 

Se realmente acreditassem em Deus, que é Inteligência e Amor, não envidariam esforços para adverti-Lo ou influenciá-Lo. DEUS É. Que maior oração existe do que estas duas palavras? Nada melhor do que elas para conduzir-nos ao interior do reino do nosso próprio ser. A meditação satisfatória é a que se baseia na firme convicção de que DEUS É. De que Ele é Inteligência e Amor, de que não há poder distinto de Deus e nem poder que se oponha a Ele. Nada há que possa interferir na expressão do Amor de Deus para com seus filhos. “Tua Graça me basta para as coisas”. 

É o reconhecimento da Presença, Sabedoria, Amor e Poder de Deus em nossa experiência. Observei o que acontece quando começamos a aceitar essa concepção de Deus, quando abandonamos nossa busca infrutífera fora de nós mesmos e permanecemos tranquilos afirmando: DEUS É. Deus é um modo de Ser, um estado de Inteligência Infinita e do Amor Eterno. 

A vida não muda, é um estado do Ser do que se pode pensar, nada do que se pode ler sobre Deus é a Verdade, todos os conceitos são apenas meras opiniões humanas sobre Deus. 

Para João, Deus revelou-se como o Amor, não podemos aceitar o Amor como a Verdade por ignorarmos o sentido em que João compreendeu e empregou esse termo. 

Para Jesus, Deus era o Pai, palavra de profundo significado para sua consciência. 

A conscientização da presença de Deus acontece a cada aspirante como desdobramento individual na vida daquele que decidiu palmilhar a senda do aperfeiçoamento espiritual. 

Durante os anos do meu próprio desdobramento, foi preciso abandonar um por um, todos os sinônimos de Deus comumente aceitos por não ser possível saber que significado continham esses termos para aqueles que os revelaram. 

Quando todos os conceitos foram varridos fiquei com um: “Infinito Invisível”, por quê? Porque o Infinito Invisível não significava algo que eu pudesse entender, nem tu nem eu podemos entender o Infinito, nem tu nem eu podemos ver o Invisível. Infinito Invisível sugere algo que minha mente não pode abarcar e isso me satisfaz. Se me fosse possível captar o sentido do Infinito Invisível, só poderia ser dentro da gama de minha compreensão humana e eu não desejo essa espécie de Deus. Deus não pode ser conhecido pela mente humana, mas Ele se revela se nós O auscultarmos no silêncio. Ele está lá onde nós estamos. “Onde poderei fugir de Tua presença? Se eu estender meu leito no inferno, Tu ali estarás...” Deus está presente em nossa consciência, não precisamos buscá-Lo fora ou procurá-Lo como se estivesse afastado ou fosse difícil de ser alcançado. Muitos ao abandonarem sua frenética busca de Deus, ao aprenderem a ficar tranquilos e deixar de repetir como papagaios, palavras e frases sem sentido, um dia despertarão e descobrirão que Deus sempre esteve ao seu lado murmurando: Por que não paras e não Me deixas dizer alguma coisa”? Como falaria com eles em um momento de desamparo, sem meios de conseguir auxílio humano, abandonados, perdido no deserto? Se O auscultarmos ouviremos Sua Voz: O lugar onde estás é sagrado. Onde poderei ocultar-me de teu Espírito? “Mesmo que caminhe no vale da sombra e da morte, nada temo, porque Tu estás comigo”. Ainda que me sinta só, não estou só; Ainda que me pareça desvalido não estou desamparado. O auxílio Divino está onde eu estou; Ele não precisa procurar-me nem eu buscá-Lo. O Reino de Deus está dentro de mim, porque eu e o Pai somos Um. Deus não está perdido e eu estou certo de que Ele não me perdeu. Se estou aqui, Deus está comigo. Esta é uma meditação poderosa, nada indagamos, nada pedimos, nada pleiteamos. Reconhecemos a Verdade proclamada por Jesus, João, Paulo, Moisés, Elias – a Verdade que eles revelaram – Onde eu estou Deus está. É um ensinamento universal, professado através dos tempos por todos os mestres espirituais, ensinamento que se transformou na adoração de um Deus longínquo e na crença de que Deus e seu amado filho são seres separados. 

Nessa meditação percebemos Deus como Realidade dentro de nós, porém não confinado dentro dos limites da nossa mente. Nenhum cirurgião poderá operar e encontrar Deus porque Ele habita na consciência de cada um, mais perto do que o próprio alento da vida. Se nos encontramos em um lugar de discórdia não nos esqueçamos de que Deus é a nossa salvação e que ele está mais próximo do que o ar que respiramos, pois, “Eu e o Pai somos um”. Analise essa frase: “Eu e o Pai somos um”, visualize uma figura na qual está contida a Unidade: Pai, Filho, e Espírito Santo. Essa unidade é Deus, o Princípio Creador Invisível, o Filho e o Invisível Espírito Santo que mantém e apresenta o Filho manifesto por toda a eternidade. Esse UM jamais será dois ou menos porque ALGO a Ele inerente mantém a Unidade. Todos somos UM com Deus. Essa Unidade inclui: Deus-Pai, Filho – a identidade individual e o Espírito Santo que é a atividade de Deus mantendo e sustentando essa Unidade. 

A identidade individual chama-se Rute, Roberto, Joel ou outro nome qualquer, não importa o nome, o que importa é que a atividade de Deus mantém a identidade individual por toda a eternidade, ela suporta, alimenta, derramando Sua Graça. Permaneçamos tranquilos e sejamos alimentados, supridos e guiados por essa Força Invisível que tem por função ser o Messias. 

O propósito da meditação é alcançar o real significado da Unidade, o sentido profundo do enunciado: “Eu e o Pai somos Um”. Pode às vezes parecer difícil permanecermos concentrados, por algum tempo, na conscientização desse pensamento: “Eu e o Pai somos Um”, mas se conseguirmos, poderemos voltar sempre a ele. Como a onda está ligada ao oceano, assim sou eu um com Deus; assim como o raio solar é a emanação do próprio sol, assim sou eu com Deus. 

Portanto, jamais poderei perder-me, jamais poderei ser só. A presença de Deus está onde estou, aqui e agora e para sempre, mesmo que esse lugar seja chamado de inferno ou de vale da sombra e da morte, nada tenho a temer, pois Deus está comigo. Eu nunca te abandonarei, nunca te deixarei. Antes que Abraão fosse, EU SOU; Eu estava contigo, estarei até o fim do mundo. Eu no centro de ti sou poderoso; Eu em ti, tu em Mim somos Um. Onde quer que vás, Eu irei contigo: norte, sul, leste, oeste; nos mares, nos ares, aonde fores eu te seguirei. Se cruzares as águas não te afogarás, se atravessares uma fornalha, as chamas não te queimarão, pois eu estou contigo”. Deus é a natureza do meu Eu. Tranquila e humildemente considere aquele EU que pensas ser tu, que acreditas que tem problemas, aquele EU é Deus. Como podes, pois, tu, aquele EU ter problemas ou conhecer limitações? Se acreditares que aquele Deus é teu Pai e que Aquele Pai está em ti, como será possível que te sintas sem guia, sem proteção, sem auxílio? Desde que compreendas que a natureza de Deus é teu próprio Eu, então não terás problemas. Não é possível que algum de nós se defronte com a situação pouco comum de ficar perdido em um deserto; não duvidemos, porém, que uma vez ou outra, na vida, nos encontremos num deserto de solidão que nos fará descobrir a presença de Deus como maná caindo do céu, como água vertendo da rocha ou o caminho aberto no mar. 

Do Gênesis ao Apocalipse (revelação) é a Bíblia a própria história da minha vida e da tua vida. Em certo grau o que aconteceu a Moisés acontecerá a nós; aquilo que experimentou Jesus, Elias, João, Paulo, de certa forma, também fará parte de nossa consciência. Pode ser que tenhamos ocasião de sentirmo-nos isolados em um ermo, para então descobrirmos que “Deus está onde nós estamos” e que “o lugar onde estamos é sagrado”. 

A voz de Deus nos guiará sobre o caminho a seguir. Não poderemos auscultá- la se permanecermos na suposição de que ouvir Deus era privilégio de apenas Jesus, Isaías, Elias ou Moisés, dois ou três mil anos atrás. Estaremos aptos a ouvi-la somente se aceitarmos a verdade da Unidade – Deus o Pai universal e Deus o filho. Toda meditação sobre Deus será infrutífera se não compreendermos que o que é verdade sobre Ele é verdade sobre nós, como seres individuais, finitos. Somente quando compreendermos que a natureza Infinita de Deus (essência) é a mesma natureza do ser individual, só então haverá harmonia em nossa experiência. O Eu é a natureza de Deus, aquele EU que habita no centro do nosso Ser. Esse Eu não é o corpo que vemos com nossos olhos físicos, não é o eu egoístico que acredita no supremo poder do ser humano. É o sutil EU SOU que nos contempla do centro do nosso ser. O eu pessoal, humano, deve “morrer diariamente”, para que possa o EU divino, a nossa natureza divina revelar-se. Deus é o SER individualizado, é teu ser, é meu ser, é o SER, a essência de todas as formas de vida: humana, animal, vegetal, mineral. Deus é o Ser, é a Lei, a Alma, a Substância do ser individual, portanto, tudo o que Deus é “Eu Sou”, tudo o que o Pai tem é meu. Este é o belo princípio da Vida, mas praticamente sem valor se não for aplicado em nossa vivência. Deus é o meu ser individual; é a vida, a alma de meu ser. É o Espírito. Deus é toda a substância de que é formado meu corpo, é a única Lei que me governa. Não há leis do credo médico ou teológico; Deus é a única Lei da imortalidade, de eternidade, de perfeição, mantida por si mesma. Tentação é supor que somos separados de Deus, às vezes essa tentação sobrevém de uma ou de outra forma como sugestão de cura. A resposta imediata deverá ser: “Eu não tenho compreensão suficiente”. 

Se, no entanto, estivermos vigilantes para a percepção da Verdade de que Deus é o nosso Ser individual, diremos: Sem dúvida não tenho suficiente compreensão e jamais terei bastante para curar alguém. 

A saúde não vem através de minha compreensão, ela é uma atividade do Cristo e independe do que eu conheço. Eu sou um instrumento espontâneo. Pai, estou pronto para permanecer tranqüilo, estou pronto para deixar que a atividade do Teu Ser se torne meu ser e Tua Graça a qualidade necessária nessa situação. Eu o Filho sou apenas instrumento do Eu o Pai, de mim nada posso. Somente Deus é a Fonte de tudo que existe, de todo o suprimento, de toda saúde, de todas as conexões. Se empregarmos nosso dinheiro como se ele fosse extraído do nosso próprio depósito verificaremos que ele não tem mais do que seu justo valor (o valor do dinheiro é apenas convencional, não é valor real, mas aparente, sujeito a desaparecer como apareceu). É que toda provisão está em Deus, esse dinheiro não nos pertence, pertence a Deus “Senhor da terra e de toda sua Plenitude”. 

Portanto, quando gastarmos, façamo-lo como se estivéssemos usufruindo, não de nosso depósito, mas da abundância de Deus; perceberemos então que não ficamos com menos, mas que restaram ainda doze cestos cheios... este foi o princípio ilustrado pelo Mestre quando multiplicou os pães e os peixes. Ensina a Bíblia que “a terra e sua plenitude são de Deus”, apesar de repetirmos essas palavras, muitos consideram a abundância algo separado, à parte de si mesmos e quando recebem algo é como se tivesse havido uma transferência, passando a ser nosso aquilo que pertencia a Deus. Isso é tão ridículo como a suposição de que são nossas as belas flores que desabrocham no jardim, tal ideia provocaria riso na natureza. 

Deus é a fonte de tudo; que diferença faz que a plenitude do Senhor se manifeste como uma flor ou como um dólar? Não há transferência daquilo que existe em Deus para o que existe em nós; ao contrário, tudo o que está em Deus, está em nós, agora mesmo, porque “Eu e o Pai somos Um”. Deus, o Pai, Princípio Creador Invisível; Deus o Filho visível e Deus Espírito Santo, a Fonte Mantenedora. Esse é o ensinamento do Mestre: “Nega-te a ti mesmo ou morre todos os dias”. É o ensinamento de Paulo: permitir que se desfaça a mortalidade, que nos adornemos de imortalidade e que Deus seja revelado em toda a Sua Glória como ser individual. Enquanto houver um eu pessoal (ego) esforçando-se para executar algo, para cumprir ou conseguir alguma coisa, haverá uma luta egoísta para se manter separado de Deus. 

Mas é possível morrer todos os dias, com a negação de que “por mim mesmo não posso ser ou ter algo”, de que “por mim mesmo não posso ser bom, espiritual, rico, sadio ou dono de poderes espirituais”. Morrer diariamente quer dizer abandonar a tentativa de querer ganhar alguma coisa para si mesmo. 

A lição é fácil: não desejemos juntar peixes e mais peixes em nossas redes, abandonemos o erro de pensar que temos alguma necessidade de peixe porque todo peixe pertence a Deus e tudo aquilo que pertence a Deus também nos pertence. 

Renegando o eu-personalidade (ego), glorificamos o Eu divino que realmente somos, nosso verdadeiro ser, cuja medida é o Infinito. Reconhecendo Deus como Ser individual, estaremos reconhecendo o Infinito como centro do nosso próprio ser – O Infinito que pode transbordar do nosso ser para o mundo. Contudo, no momento em que o pensamento de obter, adquirir, fazer alguma coisa nos possua, nesse exato momento, bloqueamos, impedimos o transbordamento do Infinito em nós. Reconhecendo que nada mais somos além de meros instrumentos de Sua entrada na consciência humana, então conduzimos conosco a atmosfera espiritual, sagrada da Plenitude de Deus dentro do nosso ser. Sem traço de egoísmo, sem desejo algum de glória ou proveito pessoal, perceberemos que qualquer pessoa, em qualquer lugar, que sinceramente venha a nós, poderá receber a Graça de Deus. 

A Graça de Deus é condição, não o nosso conhecimento pessoal ou nossas posses. 

Então, em paz e quietude, o fluxo começa a transbordar de dentro de nós como entusiasmo, renúncia e alegria. 

Ser capaz de ficar tranqüilo e saber que nosso Eu é Deus, que Deus é nosso Ser individual, natureza íntima. Caráter, qualidade e que tudo que Deus é em nós exprime-se e manifesta-se visivelmente, é uma atitude que automaticamente nos liberta. Estabelecido nessa relação com Deus, podemos atravessar o mundo sem bolsa e sem dinheiro; podemos começar cada dia e todos os dias sem nada e verificar que, prontamente, todas as nossas necessidades vão sendo satisfeitas. Humanamente não é possível conseguir isso, mas podemos viver o princípio: Deus é o meu Ser individual; tudo o que o Pai é Eu Sou.Tudo o que o Pai tem está contido em minha consciência. Sou apenas instrumento através do qual a plenitude flui para aqueles que ainda desconhecem essa grande verdade de seu relacionamento com Deus. Desde que Deus é consciência individual, com fidelidade, persistência e perseverança poderemos alcançar o Reino de Deus dentro de nós mesmos, induzi-lo a tomar parte em nossa experiência, a tomar conta em nossa própria vida. 

A consciência de Deus irá se manifestando na proporção em que formos anulando o senso pessoal do eu. Buscar Deus sem qualquer desejo de algo significa a eliminação do eu pessoal (ego), pois somente o ego tem anseios, desejos, exigências. Sintonizamos com Deus para receber uma bênção espiritual e ninguém pode saber em que essa bênção consiste. 

Quando a Graça de Deus nos toca podemos adotar uma vida completamente diversa da que tínhamos antes, se é isso o que Ele nos destina. Há uma espécie de destino para cada um de nós, pois, a cada um de nós é destinada uma espécie de atividade. Há diversidade de dons, porém o Espírito é o mesmo e há diversidade de labores, mas é o mesmo Deus que em todos, tudo opera... A um é dado pelo Espírito a palavra do conhecimento; a outro o dom da profecia; a outro a capacidade de operar milagres; a outro a interpretação de línguas. Tudo obra do mesmo Espírito, dividindo pelos homens segundo sua vontade. Pois, assim como o corpo é um, mas tem muitos membros e todos esses sendo muitos são um só corpo, assim é o Cristo. 

Deus opera como os construtores de pontes, mineiros de carvão, negociantes, advogados, artistas, ministros; e é Deus a inteligência Infinita, no centro de nosso corpo que determina nossa forma particular de exprimir. 

Para saber o que esse destino significa para nós é mister que nos ponhamos em contato com o Centro Divino dentro de nosso Ser pela Meditação. O grau de conscientização experimentado é proporcional ao grau de aperfeiçoamento de nossa consciência. Onde quer que estejamos nesse momento, expressamos o grau de vida divina consciente e podemos ampliar, aumentar para recebimento de maior fluxo. 

Os que pela Meditação se entregam a Deus tornam-se UM com o Infinito Invisível. Deus usa a nossa alma, mente e corpo como instrumento para expressar Sua Atividade e Sua Graça, fazendo fluir Sua Bênção para o mundo. “A ti basta a minha Graça”. Tua Graça não é somente meu suprimento; é o suprimento de tudo na ordem dos meus pensamentos. Pai, eu sou um instrumento através do qual essa bênção invisível pode fluir, aparecer no mundo àqueles que Te buscam. 

O Reino de Deus está dentro de mim. Tua graça é um benefício para todos os que estão no mundo. Regozijo-me porque essa Bênção, essa Graça pode derramar-se indistintamente para amigos ou adversários próximos ou distantes, seja qual for a nacionalidade, raça ou credo daqueles que elevam a Deus seus corações.Rejubilo-me pela certeza de que todos os que elevam a Deus seus pensamentos ou sua voz receberão essa Bênção por Tua Graça que flui através de mim.