"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

sexta-feira, março 15, 2019

A Arte da Meditação - 3



A ARTE DA MEDITAÇÃO
(Joel S. Goldsmith) 

Capítulo 3 - A PRÁTICA

Há muitas formas de meditação. Métodos que conduzem à meta, isto é, ao despertamento do Cristo interno. Cada um deve seguir o próprio caminho. 

A mesma trilha não serve para todos. Assim, cada um deve buscar o meio que lhe pareça mais adequado para sintonização de sua consciência. Esse estado de consciência profundo não tem fronteiras, ele nos transmite a certeza de uma realidade que jaz além de nosso limitado conhecimento imediato meramente humano. É ilimitado e nos confere sabedoria infinita. Sagrada moradia dentro de nosso ser onde não penetra o tumulto incessante do mundo exterior. 

Se tivermos fidelidade e constância na prática da meditação contemplativa, ela nos conduzirá a formas mais elevadas de meditação até atingirmos a experiência de auscultar a voz suave que, do grande além de dentro nos transmitirá a orientação segura, conduzindo-nos em linha reta por entre os atalhos do caminho. 

Comecemos por nos sentar em posição confortável; preferem alguns uma cadeira reta, dura, para facilitar a posição correta; os pés estendidos no soalho, corpo ereto, mãos repousando entre tronco e as pernas com as palmas voltadas para cima. Nesta posição natural de relaxamento, mas alerta, inicia-se a meditação, fixando-se o pensamento em alguma passagem do Evangelho ou na leitura antecipada de um curto trecho da Bíblia ou de qualquer livro edificante. A leitura de um parágrafo ou de várias páginas torna-se necessária, até que a nossa atenção seja atraída por algum pensamento particular, então, fecha-se o livro, focaliza-se a atenção nesse pensamento, repetindo-o e perguntando: por que essa citação veio a mim? Terá algum significado particular? Qual é o significado dela? Continuando a meditar, pode ser que surja outro pensamento, então consideremos: há entre eles alguma relação ou ocorrência? Por que o segundo pensamento seguiu o primeiro? 

Provavelmente a terceira e quarta ideia podem apresentar-se, todas originadas fora da consciência. Esse curto espaço de tempo, talvez apenas um minuto, seja suficiente para abrir-nos as portas da consciência espiritual, despertando o amor e a inteligência divina. A visão da Verdade surge das profundezas do nosso ser, dando-nos uma sensação de segurança e bem-estar. 

Então, a quietude e a paz descem sobre nós. Praticando fielmente essa forma de meditação, verificamos o despertar da nossa consciência, permitimos a atividade de Deus através de nós e o Cristo passa a viver a nossa vida. É necessário, porém, que tornemos sempre à meditação, pela manhã, ao meio dia e à noite. Esses períodos de silêncio, reflexão, introspecção, meditação e finalmente de comunhão, preparam-se para receber a Graça interior. 

Mesmo que nos pareça não estarmos progredindo nesse curto espaço de tempo, durante o dia ou durante a noite, mesmo que não observemos resposta, não desanimemos, continuemos a meditar sempre, pois não dispomos de meios para julgar os resultados de nosso esforço em termos de simples períodos de meditação, depois de uma semana de prática ou depois de um mês. Aguardar resultados imediatos é o mesmo que esperar executar Bach ou Beethoven depois da primeira lição de música. 

De fato não seria absurdo, desesperar depois de praticar escalas durante as seis primeiras horas, em uma arte que exige elevado apuro técnico? Se formos sinceros no desejo de dominar essa arte, reconheceremos que ao iniciarmos a prática das escalas, algo se processava tanto na mente como nos dedos e o aproveitamento final não pode ser medido em termos de prática-hora diária ou mensal. Assim acontece com a meditação; iniciemo-la, fechemos os olhos e compreendamos: Estou procurando a Graça de Deus; estou buscando a palavra que sai de Sua boca. Não sei como orar para isso, assim não rezarei por algo deste mundo. Espero ouvir Sua voz, espero escutar Sua palavra. Essa forma de meditação repetida uma dúzia de vezes por dia, muda inteiramente nossa vida e essa mudança pode tornar-se evidente em curto prazo. 

Toda vez que nos recolhemos àquele Centro interior, estamos reconhecendo que “de nós mesmos nada podemos”, estamos em busca do Reino dentro de nós. Essa atitude significa verdadeira humildade, verdadeira oração, reconhecimento da nulidade da sabedoria humano, do poder, a sabedoria e a força vem do Infinito Invisível. 

Os períodos de silêncio favorecem a creação de uma atmosfera divina na qual se desenvolve a atividade do Espírito que, através de nós, é capaz de fertilizar desertos. Aqui está um exemplo de uma forma simples de meditação, iniciamos com uma ideia central, um tema, uma citação e refletimos nela até que surja seu profundo significado: “De mim mesmo eu nada posso; é o Pai dentro de mim que executa os trabalhos”. 

O significado da primeira parte é patente; mas, que quer dizer a sentença – O Pai dentro de mim executa os trabalhos? Sabemos que ao fazer aquela afirmação Jesus se referia a Deus. Significa então que Deus dentro de mim executa os trabalhos? O mesmo Pai que estava em Jesus está também em mim; Ele é maior do que os problemas do mundo, a vida, a inteligência, a sabedoria que está dentro de mim é maior do que meus inimigos, maior do que minha ignorância, do que meus temores, do que minhas dúvidas, do que meus pecados. “Posso fazer todas as coisas através do Cristo que me dá forças”. 

Esse Cristo é o Pai dentro de mim, o Poder Divino do qual Jesus disse: “Eu nunca te deixarei, nunca te abandonarei”. Antes que Abraão fosse, esse Pai já estava dentro de mim e comigo permanecerá até o fim do mundo. É uma Presença, um Poder que tem estado comigo desde o início dos tempos mesmo quando eu desconhecia que ele aí está e estará comigo para sempre, independente do lugar onde eu esteja. Se estender meu leito no inferno... se vagar pela sombra da morte... esse Pai estará comigo. É uma Presença que jamais me deixa, um Poder que me fortalecerá sempre, indo à minha frente para endireitar os caminhos tortuosos e tornar planos os trechos íngremes. Sinto sua mão em minha mão; eu sei que há um Poder que tudo pode; sei que há uma presença que pode viver a minha vida por mim; jamais me deixará, jamais me abandonará. Não posso duvidar de Sua Presença, de tudo que me foi revelado a mim, um infante da Verdade, um iniciante da Senda espiritual. Essa prática de analisar a Escritura não é tão difícil para um principiante nem tão simples para um estudante avançado. Como no exemplo, um pensamento ou citação é empregado na tentativa de compreender seu secreto significado e iluminá-lo de modo que nunca mais passará a ser empregado como simples citação. Essas formas primárias de citações devem ser compreendidas e praticadas antes de podermos atingir estágios verdadeiramente esotéricos. Observamos que o nosso propósito é desenvolver um estado de receptividade capaz de auscultar aquela silente Voz. 

Na meditação não devemos cuidar de problemas pessoais, apenas nos dirigimos rumo ao Centro Divino dentro de nós e esperamos, esperamos, esperamos. Se ao cabo de alguns minutos não houver resposta interior, levantemo-nos para tratar de outras obrigações. Uma ou duas horas depois devemos retornar à meditação, aguardando silenciosamente até que a Voz se manifeste dentro de nós, não permitindo que pensamentos interfiram, atravessando nossa mente. Caso não sintamos o toque da presença do Cristo dentro de poucos minutos, devemos retornar aos afazeres habituais e horas mais tarde voltar à prática da meditação. 

Se persistirmos na disciplina ininterrupta desses exercícios durante anos incansáveis, dia virá em que obteremos uma resposta interior real e ela nos transmitirá a certeza daquilo que Jesus chamou o Pai em mim e que Paulo revelou como o Cristo interno. O principiante deve meditar, no mínimo, duas vezes por dia, pela manhã e à noite. A ninguém será difícil a execução dessa relevante tarefa, pois, geralmente, nos deitamos à noite e nos levantamos pela manhã; assim, todos podem reservar alguns minutos nesses períodos, caso não seja possível reservar mais outros períodos durante as 24 horas. Para os estudantes mais avançados vão se dilatando esses períodos de meditação, de modo que eles passam a integrar a própria existência. Estes meditam a qualquer hora do dia ou da noite, às vezes durante minutos apenas, outras vezes mesmo guiando um automóvel ou executando os trabalhos caseiros. Aprendendo a abrir a consciência pelo exercício constante, ainda que seja por curto espaço de tempo, aos poucos nos colocamos em estado de receptividade. Muitas pessoas de elevada estatura espiritual são consideradas “luz do mundo”. Dirijamo-nos ao Pai e peçamos que nos ilumine para que compreendamos o sentido da palavra Luz (Jesus, Elias, Paulo, João). Desenvolvendo o “ouvido de ouvir”, alcançaremos o significado espiritual do termo e não apenas sua interpretação literal existente nos dicionários. Às vezes não nos parece claro o sentido da palavra Alma. 

De fato, poucos conhecem seu real significado, um dos mais profundos mistérios da sabedoria espiritual. Sintonizemos com o Pai e se mantivermos esse estado de receptividade, cedo ou tarde, através da intuição conheceremos a natureza da Alma. Assim, aprenderemos a submeter à apreciação da consciência qualquer termo ou assunto do qual buscamos compreensão, esperando pacientemente que a luz brilhe e nos revele seu real significado. Muitos se familiarizam com a passagem: “Minha Graça é suficiente para ti”. Conhecemos as palavras, mas se conhecemos só as palavras, elas serão de pouca valia em nossas vidas, a menos que o seu sentido mais profundo nos seja revelado pela meditação... 

A partir de então, essas palavras passam a ser vitais para nós, tornando-se o Verbo. Ao despertarmos pela manhã, logo cedo, devemos focalizar a ideia de que a Graça de Deus é a nossa suficiência em tudo. Devemos conscientizar repetidamente essa afirmação até que ela se torne integrante em nosso ser, que seja a atmosfera e habitação natural em nosso viver cotidiano. “Tua Graça é minha suficiência - Tua Graça, a Graça do Pai dentro de mim basta para todas as coisas. Que devemos entender por Graça? Como será que ela é? Pode durar algum tempo para percebermos que a Graça não está fora, mas dentro de nós; conscientizando essa ideia, insistindo no sentido da palavra Graça, um dia compreenderemos que a Graça é uma dádiva de Deus, que vem de Deus sem nosso esforço, sem nosso mérito e sem que por ela tenhamos lutado. Contudo, essa Graça que é nossa suficiência em todas as coisas, é uma atividade de Deus dentro de nós”. 

Na meditação o significado da Graça pode ser revelado de um modo a uns e de outro modo a outros, porém chegará a todos com intensidade bastante quando as janelas do céu forem abertas e as bênçãos transbordarem sendo pequenos os recipientes daqueles que estão destinados a recebê-las. Para cada um desses plenificados pela Graça, dar-se-á um desdobramento da plenitude. Se mantivermos essa atitude, meditando freqüentemente, a luz da verdade há de brilhar sempre, pois estaremos pondo em prática o mais importante ensinamento transmitido à raça humana: “Se tu habitares em Mim e minha palavra habitar em ti, pedirás o que quiseres e isso te será dado”. 

Se o Verbo permanecer vivo em nossa consciência, se conscientizarmos a presença divina quatro, cinco, ou dez vezes durante o dia e também quando despertarmos no meio da noite estaremos permitindo que a Verdade habite em nosso ser e que o Cristo se torne a atividade de nossa consciência. O que é o Cristo? Se quiseres realmente saber o que é o Cristo, faz humildemente esta confissão: “Pai, conheço tão pouco sobre o Cristo; ajuda-me a entendê-lo”. Então, cerra os olhos e fixa a atenção na ideia – Cristo. Um dia intuirás seu real significado, significado que não poderás transmitir a outrem, mas, que tu mesmo compreenderás. O Cristo se tornará uma presença consciente em ti; será um Poder, uma Influência, o Ser. Será algo indefinível, pois diga o que disser, jamais alguém poderá definir o Cristo.

Um dia, no entanto, persistindo nessa conscientização do Cristo vivo em teu coração, poderás ouvir: Nunca te abandonarei; assim como estava em Moisés, estarei contigo. Irei para onde quer que vás. Não procures sinal, não procures nada fora, busca-me e espera-me. Se assim fizeres, um dia, ao te achares necessitado de água, ela brotará de um rochedo; se é de alimento que precisas, ele cairá do céu. Mas não o procures nunca, esse é o pecado. Busca somente a Mim; Eu caminho ao teu lado e repouso em teu coração. Tu me sentes? Estou contigo, ando à tua frente para endireitar os caminhos tortuosos. Jamais te deixarei, procura-Me e serás salvo. Busca-Me e todas as coisas te serão dadas de acréscimo. Certificando-nos disso, compreenderemos o conceito de Paulo: “Não sou eu que vivo. É o Cristo que vive em mim”. Então a atmosfera do Cristo passará a ser a nossa atmosfera e a nossa presença física tornar-se-á uma bênção para aqueles que se puserem em contato conosco, sendo a luz do nosso ser. O método seguro é orar incessantemente, abrindo a consciência à realização do Cristo até que sobrevenha o tempo em que não necessitamos mais de esforço para fazê-lo, é que não haverá mais um tu ou um eu, seremos UM. “Confia em Mim e salva-te”.


terça-feira, março 12, 2019

A Arte da Meditação - 2


A ARTE DA MEDITAÇÃO
(Joel S. Goldsmith) 

Capítulo 2 - A FINALIDADE

"Os caminhos A todos os homens se destinam uma estrada elevada e uma estrada rasteira. Cada homem decide sobre o caminho que seguirá sua alma." (John Oxenham)

O propósito da meditação é alcançar a Graça Divina. Uma vez conseguida ela dirige nossa experiência, vive nossa vida, executa os labores a nosso cargo, retifica os caminhos tortuosos, já não vivemos só pelo pão, mas, pela Graça Interior. Suprimento, relacionamento satisfatório, êxito nas atividades profissionais, capacidade creadora, são efeitos tangíveis da Graça. Não poderemos recebê-la, porém, se a considerarmos um meio para alcançar fins lucrativos, se a procura tiver o intuito de conseguir a posse de algo ou de alguém. 

A meditação jamais deverá ser praticada com o propósito de obter resultados, seja um automóvel, mais dinheiro, ou, melhor situação. Sua única finalidade deve ser a conscientização da presença de Deus. 

Na meditação Deus se revela como vida individual. Ele é a fonte da qual derivam todos os bens e, desde que seja alcançada a experiência da sua presença, onde houver necessidade surgirá suprimento. Falharemos sempre que estivermos visando conseguir algo à parte, separado de Deus. Deus é o próprio bem. Orar ou meditar por pessoas ou coisas materiais anula o propósito da meditação. Diz a Escritura que o homem comum recebe as coisas de Deus. Quem é o homem comum senão o ser humano, o filho pródigo, mergulhado ainda na ilusão das facticidades, a orar por coisas materiais, pessoais? Rezamos para pedir dinheiro, mais bens, não oramos para diminuir o que já temos, essa, de fato, seria uma oração espiritual. Deus não toma conhecimento dos rogos feitos para aumento da materialidade. Comumente, nossos desejos humanos, mesmo quando realizados, nos deixam insatisfeitos, porque como seres humanos falta-nos sabedoria para conhecer as coisas que realmente nos são necessárias. Só o Pai dentro de nós é plena sabedoria e amor. Oração eficiente é aquela dirigida a Deus em espírito, deve, portanto ser de natureza espiritual aquilo por que oramos. 

Lembremo-nos disso toda vez que nos dirigimos a Deus na meditação, avaliando a qualidade de nossa meditação pelo grau de iluminação espiritual de que ela se reveste. “Eu vim para que eles possam ter vida e a tenham em maior abundância”. É uma promessa de realização; certifiquemo-nos, porém, de que aquilo que estamos pedindo é de ordem espiritual, não devemos orar a um Deus espiritual para cultivar o nosso aspecto humano. 

Devemos obedecer à orientação do Evangelho e deixar que o espírito dentro de nós testemunhe, “pois não sabemos o que devemos pedir para nossas necessidades, mas o Espírito intercede por nós...” 

Realmente, não somos nós que oramos ou meditamos, cabe-nos, apenas, abrir a consciência para que o Espírito, dentro de nós, revele nossa necessidade e providencie o suprimento. Aí está o segredo, muito diferente do trabalho mental de declarar ou afirmar que isso ou aquilo deve ocorrer agora, nesse minuto. Ao contrário, meditando, nossa atitude deve ser aquela do humilde hebreu: “Fala Senhor, para que seu filho ouça”. Esta é a verdadeira atitude para a prática da meditação. Alargar a consciência e permitir que Deus cumpra Sua palavra dentro de nós, não a nossa palavra, mas a Palavra de Deus, viva aguda, poderosa. Ela não ecoará em vão, no vazio. 

O verdadeiro aspirante à Senda espiritual tem um único desejo legítimo: a conscientização da presença de Deus, a experiência do Cristo na própria consciência. “O Pai dentro de mim faz o trabalho”. O Pai está dentro de mim, está dentro de vós; por que então os trabalhos são executados? Há uma condição necessária – a consciência da Onipresença. Dentro de nós está a atividade de Deus, o Poder de Deus. Nós, porém, formamos um estado de consciência ilusório constituído por camadas de facticidades. Não tivemos êxito em transpor essas camadas de materialidade e atingir o Centro Divino no nosso íntimo e enquanto isso não acontecer, falharemos em nossa meditação. 

Muitos de nós buscam Deus, conservando da vida uma perspectiva falsa, puramente material. Interessados que o coração pulse tantas vezes por minuto, que os órgãos da função digestiva e eliminatória funcionem devidamente e que nossa provisão de dinheiro seja suficiente, plenamente convictos de que no mundo é possível encontrar-se completa satisfação; para isso corremos atrás de mais dinheiro, acreditam outros que a fama é a resposta aos seus anseios e outros mais, que a sua felicidade reside na boa saúde. 

Quantas vezes ouvimos: “Se ao menos eu melhorasse dessa dor... poderia iniciar minha busca de Deus”, ou “se estivesse em melhores condições financeiras sobrar-me-ia paz para fazê-lo”. 

Desse modo, fica a conscientização da Presença de Deus dependente de condições físicas ou econômicas. A prova do contrário é verificarmos que muitos possuidores de milhares e milhões ainda não descobriram Deus e muitos que gozam boa saúde também não encontraram paz e felicidade. 

Vejamos agora o reverso do quadro: Dedicamo-nos à busca incondicional de Deus, observaremos que ao encontrá-la as dores desaparecem, os pecados se desvanecem e nossos horizontes se ampliam. 

Enquanto estivermos empenhados, apenas, em trocar discórdia física por harmonia, física, não teremos idéia do que seja o Reino de Deus, da riqueza Espiritual, da saúde Espiritual. 

Devemos iniciar a meditação com a convicção de que nem riqueza, nem saúde são motivos determinantes para nossa busca a Deus. Todo anseio por coisas ou pessoas dificultará, adiará nossa entrada no seu reino. 

A firme convicção de que a meta que visamos é a conscientização da Presença de Deus abrirá o caminho e nessa realização “todas as coisas nos serão acrescentadas”, ou melhor, elas já estão incluídas dentro de nós. 

O verdadeiro objetivo é a conscientização do Reino para nosso desenvolvimento individual, testemunhando perante o mundo que Deus é o Eu individual e que esse estado de consciência pode ser alcançado por todos aqueles que decidam desapegar-se das coisas terrenas. Isso não quer dizer que devamos isolar-nos em lugares remotos, quer dizer que devemos abandonar os desejos pelos objetos que o mundo oferece. Como aspirantes à sabedoria espiritual cabe indagar qual o melhor caminho e se existe algum para conseguirmos essa realização do verdadeiro Eu. Existe alguma via que conduza à conscientização de Deus aqui na terra? A resposta é Sim. Não só existe um caminho, como existe um caminho curto, simples e ao mesmo tempo difícil. Praticar em nosso próprio corpo um ato de cirurgia mental que elimine todos os desejos por pessoas, lugar, coisa, circunstância ou condição. Com afiado bisturi mental, devem esses desejos, ser extirpados e que apenas um permaneça. “Conhecer a Ti”. 

O conhecimento que conduz à vida eterna. Empenhemo-nos de todo coração, alma e mente, na realização da Presença de Deus e não na obtenção de alguma forma de bem. Ao alcançá-la, passaremos a gozar de todas as coisas da vida sem a elas nos escravizarmos, sem a elas nos prendermos, sem temor de perdê-las. Jamais alguém que alcançar o contato com o Cristo perderá sua riqueza, sua saúde ou sua vida. Seja esta nossa oração: Uma coisa tenho desejado, poder conhecer-Te. Uma coisa! Brada meu coração: “Deus, revela-Te a mim. Não me preocupa que o faças na riqueza ou na saúde, na pobreza ou na doença. Apenas revela-Te. Em Tua Presença haverá segurança, sossego, paz e alegria”. 

Na meditação nada mais buscamos além da Graça de Deus; ela não é encontrada na mente humana nem é encontrada na paz que o mundo oferece (armistício). Simples afirmação e leitura de livros não a produzem. Podem servir de incentivo e nos conduzir a uma esfera de vibração silenciosa em que nos preparamos para receber a Graça de Deus, mas só a meditação nos eleva a um estado de receptividade espiritual no qual advém a Graça Divina. “Se isso acontecer de modo que o Espírito de Deus conscientemente habite em nós”, então tornamo-nos filhos de Deus. Como seres humanos estamos afastados de Deus e por essa razão não obedecemos a Sua Lei nem experimentamos as bênçãos de Sua presença. 

Nós nos afastamos do lar Paterno e diluímos nossa filiação divina na manifestação pessoal do ego. Para efetivarmos nossa filiação divina precisamos seguir o caminho de volta à Casa do Pai; aquela mesma jornada feita pelo filho pródigo para que possamos vestir o manto e receber novamente o diadema e o sinete de filho. Como poderemos tornarmo-nos filhos de Deus? Como despertar o Cristo que sempre foi, é e será a nossa verdadeira identidade e que se encontra dormente dentro de nós? Executar essa tarefa requer esforço. Precisamos abandonar todos os velhos conceitos ou preconceitos de vida “por causa de minha reputação”. Devemos nos levantar da mesa do banquete, deixar para traz pensamentos, pessoas e atividades do mundo e retornar ao Pai. É próprio do ser humano ser indulgente consigo mesmo. Bem-estar, conforto, riqueza, intemperança, glutonaria, indolência e sensualidade agem sobre a consciência como sentimentos separatistas de Deus. 

Na realidade, essa separação não ocorre, como sucede ao anel de ouro que não pode ser separado do ouro de que é formado. Ouro é o anel, ouro é a substância que o constitui, não há meio de remover o ouro do anel sem destruí-lo, pois não há duas coisas como ouro e anel, mas somente “um anel de ouro”. O mesmo acontece conosco; não podemos nos separar de Deus porque na realidade não há dois: Deus e eu. Não existe no mundo tu e eu como indivíduos isolados. Sendo Deus Infinito, Deus é tudo o que é. Deus é tu e eu, nossa vida, nossa mente, nossa alma, nosso ser; exatamente como o ouro que constitui o anel. Ouro é a substância, anel é a forma; Deus é a substância, o indivíduo é a forma pela qual Ele se manifesta. É a essência do nosso ser – vida, alma, mente, espírito, lei, atividade; Deus é tudo no indivíduo, seja ele santo ou pecador. 

A manifestação de santidade apresentada por um indivíduo depende totalmente do grau de conscientização de unidade com o Pai; do mesmo modo, a manifestação de pecado num indivíduo, depende do grau, do senso de separação que ele admite. Não somos, porém, os seres humanos que parecemos ser: somos puros seres espirituais. Não que haja em nós dois seres separados – humano e espiritual; nós não podemos nos separar de Deus, todavia, como homens, podemos manter esse senso de separação. Decrescendo esse senso de separação a filiação divina passa a revelar-se. 

A volta do filho pródigo se processa integralmente dentro de nós, dentro de cada um, como atividade da consciência. Entramos na senda espiritual no momento em que dirigimos nossos passos rumo a Deus, a nosso Pai. E ninguém se vanglorie, se não fosse pela Graça de Deus, ninguém atingiria a realização de sua filiação divina. 

Na experiência de cada um, chega o momento em que nos sentimos penetrados por um raio de luz divina. Sentimos um toque, um lampejo que descerra uma janela em nossa consciência, não por causa nossa, mas apesar de nós. 

Quando isso acontece, o próximo passo é inevitável – encontramos o caminho reto que conduz ao trono de Deus. Para o homem comum parece algo impraticável, na vida efêmera, intangível. 

Na realidade, porém, o Espírito de Deus é o que há de mais tangível no mundo. Uma vez conscientizada a Sua presença, as contas bancárias, os nossos negócios, os bens que possuímos, nossas próprias relações colocam-se em seu lugar certo como símbolos externos da Graça, como efeitos do Espírito. São esses símbolos ou efeitos que mudam; enquanto os homens viverem somente pelo pão, imersos na simples atividade humana, enquanto dependerem exclusivamente de símbolos. 

Um dia descobrirão que as posses humanas rápidas se esvaem, se consomem, se tornam nada. Observamos os resultados da dependência às coisas materiais quando olhamos as faces das pessoas que vivem a elas apegadas, pondo sua segurança na saúde de seus corpos, na riqueza de seus talões de cheques, nas coisas deste mundo. Contrastando com essas figuras, outras existem aqui e ali, cujas vidas esperançosas decorrem iluminadas por uma luz interior, espiritual, facilmente percebida; vemo-las nos olhos, ouvimo-la na voz, observamo-la na vitalidade, no vigor do corpo. Ainda que invisível essa presença está dentro de cada um de nós, não há coisa alguma fora dela. Essa Presença pode ser percebida por aqueles que têm olhos para ver, ouvidos para ouvir, isto é, os que estejam receptivos à Graça Divina. 

O propósito único de nossa existência é tornarmo-nos instrumentos através dos quais possa expressar-se a Glória de Deus. Jamais devemos ficar preocupados na tentativa de expressar nossa individualidade. 

Nosso empenho deve consistir na atitude permanente de permitir que através de nós se manifeste o Infinito Invisível. Não vacilemos no esforço de buscar essa glória e cada vez que meditarmos, digamos assim: Pai, “de mim mesmo nada posso fazer... Minha doutrina não é minha, mas d’Aquele que me enviou”. 

Não tenho sabedoria, Pai, não tenho opinião, não tenho saúde, não tenho riqueza. 

Aqui estou tranqüilo para permitir que dentro de mim flua o Infinito. Nossa função consiste em habitar nessa zona de realização interior e nos empenhar que surja a harmonia pela conscientização da presença do Cristo dentro de nós. Ele, então, se exterioriza como um ser humano mais rico, mais sadio, melhor. Mas não nos iludamos com as aparências, pois não estamos à procura de uma alteração no quadro humano. Meditação não é tentativa de transformar doença em saúde, carência em abundância. 

A nossa visão deve sempre se manter no Cristo Invisível que habita no centro do nosso ser, aqui e agora. Qualquer meditação que inclua qualquer desejo de alcançar alguma coisa de Deus não é meditação. 

O bem tem que ser realizado e não conquistado. A infinitude do bem já está onde eu estou, pois o Reino de Deus está dentro de mim. 

A presença e o poder de Deus interpenetram o nosso ser como o perfume na flor, quando desabrochamos espalha-se a fragrância. Cada um de nós tem dentro do próprio ser a totalidade de Deus, não apenas uma parte Dele que é Infinito, Indivisível. 

A totalidade de Deus está tanto em uma folhinha como em todos os seres na face da terra. Se não fosse assim, teria havido menos de Deus, no globo terrestre, quando sua população era somente 10% da atual e pelo mesmo motivo teria de aumentar a população. 

Havia tanto de Deus há milhões de anos como continuará a haver daqui a muitos milhões. A infinitude de Deus está no indivíduo, por isso se diz que um Cristo pode conduzir aos céus milhões de pessoas. Um Cristo é um filho individual, Infinito de Deus, manifestando tudo o que Deus é. “Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que tenho é teu”, estas palavras não são dirigidas a um grupo, mas a um indivíduo, Deus em sua Infinita totalidade está encarnado no Filho de Deus, manifestação de nossa identidade espiritual. 

Inicialmente, aprendemos pelo autoconhecimento, a interiorização no Centro Divino, depois permitimos que o perfume que jaz latente se evole, se exteriorize como transbordamento visível do Cristo interno invisível. É a magnitude de Deus que aparece individualizada. 

Quando não mais estivermos interessados na paz que o mundo não pode dar, mas buscarmos, tão somente nossa paz, abrir-se-ão as janelas da consciência espiritual e por elas irá penetrar a luz que se tornará a vida de nosso corpo, de todo nosso ser. 

Muitas pessoas desejam a vida espiritual para alcançar poderes, fenômenos, experiências. Como compensação pela busca de Deus pretendem gozar mais e melhor as coisas terrenas, apanhar em suas redes maiores e melhores peixes. Porém, o fundamento de nosso trabalho deve ser: “abandonar as redes”, desprezar esse tipo de busca e abrir a consciência para a realidade espiritual. 

Então, os objetos externos nos acontecem porque eles são o fruto da Graça interior e esta só pode ser alcançada no silêncio, em estado de grande receptividade. Compete a cada um preparar-se devidamente para o advento dessa experiência – o reconhecimento da Graça. Esse é, na íntegra, o propósito da meditação. 

A intensidade da força e poder que fluem através de nós é uma conseqüência da Graça Divina. O alvo final é a iluminação que só alcançamos pela Graça, não por esforço próprio. 

Assim, alguns lutarão até esgotarem as forças e não obterão; outros poderão alcançá-la fácil e rapidamente e uns poucos, ainda romperão todas as cadeias com o advento da consciência crística. Essa experiência, porém, só é alcançada através da Graça – seja qual for o grau em que ela aconteça, nada mais do que uma manifestação da dádiva divina. Ela não vem porque a conquistamos, não vem porque a merecemos nem porque somos humanamente bons. 

Na verdade, muitas vezes ela visita um pecador, pois sua luta íntima, o anseio interior pode ser mais ardente do que a de um indivíduo, apenas humanamente bom (bondoso) e o vácuo do pecador poderá atrair a plenitude divina e ele será, quem sabe, altamente compreendido. 

A única coisa pela qual somos responsáveis é a alimentar constantemente o desejo de alcançar a experiência crística e que esse desejo se expresse na sinceridade do nosso estudo, no aprofundamento de nossa meditação e devoção. Essa é a parte sob nossa responsabilidade. 

A experiência Crística é exclusivamente, dádiva de Deus, ninguém a merece e ninguém sabe também por que uns a recebem e outros não. 

Há um período na senda espiritual em que o devoto percebe que a alma se abre na experiência da iniciação. Pode ser provocado por algo que se ouviu ou leu, pelo contato direto com a consciência de um mestre espiritual. 

Quando a consciência espiritual sobrevém, o aspirante já não precisa de outras fontes fora dele mesmo; todo seu aprendizado, sua iluminação, seu poder curador, passam a fluir dentro dele mesmo. A partir desse instante, ao longo do caminho, ele é uma benção para os outros, distribuindo cura e conforto. 

Quanto mais ele submerge no Espírito, tanto mais pode despertar nos outros qualidades messiânicas – Se eu me elevo arrasto comigo os que me cercam. Na proporção que um indivíduo recebe luz espiritual, essa luz se torna lei para todos que se encontrem dentro de sua órbita. 

Assim, seja qual for o grau, tornamo-nos luz para todos os que se ponham em contato com a nossa consciência. E para o curador espiritual é essa luz em sua consciência que acarreta a cura. É esse o propósito da meditação; oxalá cada um consiga alcançar essa luz através da experiência crística. Uma vez conseguido o contato com nosso íntimo Ser, já não poderá haver homens, condições ou circunstâncias que nos escravizem. Somos livres em Cristo e podemos dizer: Cristo vive em mim. Que diferença faz haja períodos de prosperidade, de aridez, de secas ou inundações? Cristo vive em mim. Ele me guia através das águas tranquilas; escolheu-me para repousar em verdes campinas. Poderão mil cair à minha direita, dez à minha esquerda; a mim nada sucederá. Eu sintonizo com o Cristo e todos os dias morro para minha personalidade; estou renascendo pelo espírito, sendo guiado, dirigido, alimentado, mantido, sustentado e salvo por esta luz íntima de iluminação interior. Todo o segredo consiste em despertar o Cristo dormente dentro de nós e esta é a finalidade da meditação.


sexta-feira, março 08, 2019

A Arte da Meditação - 1


A ARTE DA MEDITAÇÃO
(Joel S. Goldsmith)

Capítulo 1 - O CAMINHO

Muitas pessoas estão convencidas da existência de um poder divino, que de certo modo atua sobre os labores humanos, porém não estão seguras do que se trata nem sabem como levar esse PODER e essa PRESENÇA DIVINA para sua experiência cotidiana. 

Tempo houve em que os homens se contentavam em crer em um Deus habitante de um céu remoto, um Deus que eles esperavam encontrar após a morte. Moderadamente, poucos se satisfazem com esse limitado conceito de Deus. 

O mundo está cheio de discórdias e agora surge a pergunta: “Se existe Deus, por que Ele permite o pecado, a doença, a guerra, a fome, o infortúnio? Como podem existir esses males se Deus é bom, se Deus é Vida, se Deus é Amor? Como podem coexistir esse tal Deus e os horrores da experiência humana?”. 

Através dos tempos tentou-se decifrar esse enigma; mas não há solução, não há resposta a essa pergunta angustiante, a não ser esta: que o mundo não conhece Deus. 

Se a humanidade tivesse perfeita compreensão de Deus, discórdias e desarmonia desapareceriam do mundo; a nossa ignorância de Deus é a causa dos males que nos acompanham em nossa vida. 

Quando entramos em harmonia com Deus encontramos o segredo de uma existência harmoniosa. Em todos os tempos os povos têm buscado liberdade, paz e fartura; essa busca porém tem sido feita, principalmente, através da febril atividade da mente humana. Prazer e satisfação têm sido provocados artificialmente e devido a esse artificialismo não são permanentes ou reais. Liberdade, paz, plenitude, são condições da Alma, não são dependentes das circunstâncias. 

Houve homens que foram livres mantidos em algemas, livres no meio da escravidão e da opressão, encontraram a paz em plena guerra, sobreviveram aos flagelos e fome, prosperaram em períodos de depressão e de pânico. 

Quando a alma do homem é livre, ela o conduz através de Mares Vermelhos e experiência no deserto à Terra Prometida de paz espiritual. 

Quando conscientizamos a presença do Reino de Deus no nosso íntimo Ser descobrimos também a manifestação do Poder Divino no mundo exterior. 

Quando buscamos a paz interior encontramo-la também lá fora na harmonia externa. Ao atingirmos a profundeza da nossa alma, deixamos que ela tome conta de nossa existência, dando a nossa vida novo cunho de paz e serenidade como jamais havíamos sonhado; é então que alcançamos a liberdade da alma, privilégio da Graça. 

Através de todos os tempos sempre houve pessoas espiritualmente dotadas: os místicos da humanidade que experimentaram a união consciente com Deus e manifestaram na vida cotidiana Sua presença e Seu poder. 

Sempre houve um Moisés, um Elias, um João, um Paulo, mas nenhum deles teve muitos seguidores, nenhum deles foi amplamente conhecido, nem seus ensinamentos foram intensamente praticados na época em que viveram ou anos após. 

Esses mestres espirituais devotaram suas vidas a semear a verdade que conduziam muitas almas receptivas ao estado de consciência que ora vivera. A luz que hoje nos ilumina deriva daquela luz projetada por eles e tem atravessado os tempos. 

Há muitos mestres espirituais sobre os quais nada sabemos, líderes de séculos passados e de épocas mais recentes: Moisés, Elias, Jesus, João e Paulo, já mencionados; Eckhart, Boehme, Fox, e muitos outros luminares de todas as épocas. Cada um desses apareceu como um raio luminoso, contribuindo para a totalidade da luz, emanada da Fonte Única. Todos esses líderes concordam com os princípios básicos que nós conhecemos: “Amarás o Senhor teu Deus com todo o seu coração, farás aos outros o que quiseres que te seja feito; não matarás, não roubarás, não cometerás adultério”. Eles não prescreveram que fôssemos da mesma nacionalidade, da mesma cor, do mesmo credo. Ensinaram o princípio do amor e da cooperação. Fosse o amor realmente praticado e vivido pelos milhões que dizem aceitar os ensinamentos do Cristo e as guerras não existiriam. 

É paradoxal que há milhares de anos perdure a revelação dessas verdades e a discórdia e a violência continuem a ser a força que move o mundo. Com esse vasto repositório de sabedoria, era de se esperar que depois de decorridos tantos séculos, o mundo passasse a desfrutar maior liberdade e abundância. 

Porém os princípios desses ensinamentos nem sempre foram praticados como haviam sido revelados, ao contrário, foram cristalizados em ritos e formalismos e gradualmente adulterados, descendo ao mais baixo nível do pensamento humano, em vez de conduzirem o homem às culminâncias de uma visão da Verdade. 

O princípio original ensinado pelo Mestre cristão revela que o Reino de Deus, a Presença. O Poder de Deus, estão dentro de nós. A essa Presença e Poder, Jesus chamava PAI... Não sou eu é o Pai que habita em mim que faz as obras. Paulo exprimindo-se de outro modo diz: Posso todas as coisas no Cristo que me fortalece. Seja qual for o nome porque o chamamos: Deus, Pai, Cristo, é dentro de nós que Ele deve ser encontrado. 

A natureza divina deve ser buscada não em montanhas sagradas ou no templo de Jerusalém, mas sim dentro de nós mesmos. Se acreditarmos firmemente nisso, teremos o desejo de afastarmo-nos do mundo por algum tempo para nos colocar em contato com o Pai. 

Desde que passamos a reconhecer que o nosso bem é o bem de Deus, damos descanso ao raciocínio, ao pensamento, à mente que planeja e começamos a escutar a voz suave e silenciosa, sempre atentos ao anjo do Senhor, ao Cristo em nós, ao Pai em nós que nunca nos abandona. 

Esta auscultação é a arte de meditar cujo aprendizado conduz a um ponto em que a busca da Verdade deixa de ser uma especulação analítica da mente para intuir diretamente ao coração. Em outras palavras, não mais subsiste a análise intelectual sobre a Verdade, pois temos a certeza intuitiva da Realidade Divina como uma presença viva dentro de nós. 

Todos conhecem a palavra “Deus”, mas poucas pessoas no mundo conhecem Deus. Para a grande maioria, Deus permanece uma palavra, um termo, um poder fora de nós, não se converteu numa Realidade viva, exceto para uns poucos chamados místicos. A meditação nos leva a uma experiência pela qual sabemos que Deus é tão real como é certo estarmos lendo este livro. 

Se todos os jornais do país publicassem em vistosas manchetes, a afirmação que nós não nos achamos agora neste lugar, essa publicidade não modificaria em nada a nossa certeza de estarmos agora nesse lugar. Deus é tão real, tão presente como nós somos presentes e reais a Deus e Deus pode ser conhecido por nós, assim como nós somos conhecidos de outros e de nós mesmos. 

A partir do momento em que percebemos Deus através de nossa experiência, nossa vida se transforma graças à libertação de nossa individualidade. Ficamos possuídos do sentimento de que algo opera dentro de nós, através de nós e para nós. Algo muito maior do que pensamos. Essa tem sido a experiência de todos os místicos que realmente conheceram Deus, sentiram a presença de Deus, então Deus se tornou um poder dinâmico em suas vidas. 

O mundo conta com raras pessoas assim e se houvesse um número maior de pessoas com essa experiência talvez fosse suficiente para salvar o mundo. No místico a consciência da presença e poder de Deus não é mera admissibilidade, não é simples afirmação e sim, um produto da experiência, é uma realidade viva. 

Nossa busca, nossa procura do Reino de Deus é uma demonstração de fé na presença e no poder de Deus, é uma crença firme, mesmo ainda sem a experiência individual da Realidade. Só aqueles que alcançaram convicção interior são impelidos a essa busca. Os que assim procedem, apesar de não terem ainda atingido a experiência, guardam uma íntima certeza e dizem em seu coração: este é o caminho de Deus. Assim se inicia a busca por diferentes meios. O modo de começar essa busca depende da nossa vivência passada. Existem os que começaram em igrejas dogmáticas, esses obtiveram lá mesmo a resposta, descobriram o Reino de Deus dentro de si e continuaram a colaborar nas suas igrejas como forma de serviço e às vezes, como forma de gratidão. 

Alguns encontraram Deus palmilhando através do intelecto; outros ainda, por meios puramente intelectuais, há também os que se valeram de ensinamentos, combinando o intelecto com o espírito, graças à leitura de livros edificantes e graças a mestres, santos e videntes que nunca deixaram de existir entre os chamados – vivos. Uma coisa é ouvir falar sobre a verdade através de livros e conferências, através de teorias e citações; outra coisa muito diferente é conhecê-la pela meditação, pela conscientização quando o verbo se enraíza no ser individual e se expressa em frutificação espiritual. “Os frutos do espírito são amor, alegria, paz, resignação e benevolência, bondade e fé”. É matematicamente certo que ao atingirmos a conscientização do Cristo interior, quando somos tocados pela experiência interna da alma, a frutificação espiritual se exterioriza em forma de harmonia, inteireza, plenitude e perfeição. 

É propósito deste livro, auxiliar os adeptos na prática da arte de meditar pela qual o Verbo lança raízes, de modo que venham a alcançar a consciência da presença de Deus e passam a viver realmente na dimensão do Espírito. 

Nosso objetivo é atingir a estatura daquele Espírito que estava em Cristo Jesus e deixar que ele faça o que quiser; é alcançar a experiência revelada por Paulo: “Já não vivo eu, é o Cristo que vive em mim”, ou “Eu posso fazer tudo através do Cristo que me fortalece”. Em outras palavras, a atividade do Espírito se manifesta através de nós e nos governa; já não somos bons nem maus, doentes ou sadios. Nesse estado de consciência alcançamos um estágio que transcende os pares de opostos, inexistentes na sabedoria espiritual. 

Aquietamo-nos e nos afastamos da luta pelas coisas terrenas: DEUS É, e assim sendo não há mais preocupação de nossa parte sobre como alcançá-lo, já que nada existe que nos force a fazê-lo. Dia bonito, frutos amadurecendo nas árvores, plantas florescendo, sol, lua e estrelas em seu eterno e silencioso percurso – existe harmonia. Nesse estado de consciência espiritual, afastamo-nos da luta pelas coisas terrenas. “Que esse espírito vos possua, o mesmo que estava em Cristo Jesus e O elevou dentre os mortos e também vivificará vossos corpos mortais por seu espírito que habita em vós”. 

Devemos nos esforçar para alcançar essa mentalidade, mas isso não se consegue apenas falando, afirmando, ensinando e pregando; requer esforço e acima de tudo a Graça de Deus; esse é o fator mais importante sem o qual falece a força para prosseguir na senda que conduz à realização divina. Abandonado, sozinho diante dos árduos degraus a serem escalados, ninguém ousaria sequer iniciar a busca. 

Há uma área da consciência revelada na meditação, podemos chamá-la: Oceano do espírito, Alma Universal ou Pai em nós. Imersos neste estado de consciência, sentimo-nos “um com Deus”, com a creação, com todos os seres espirituais. Em contato com o Oceano do Espírito - o Pai em nós, percebemos a manifestação do Amor Divino e sentimos que já não vivemos pelo esforço pessoal, somos conduzidos pela Graça. Em vez de procurarmos o nosso bem em pessoas ou coisas, penetramos na Alma Universal e nos tornamos espectadores de Sua atividade, vemo-la expressar-se em idéias que se concretizam em forma do bem necessário à nossa experiência. Somente quando aprendemos a olhar dentro do Infinito Invisível é que começamos a compreender a natureza da Graça. Em vez de desejar algo já existente como forma ou efeito, aprendemos a nos dirigir “para dentro” e permitimos que nosso bem flua da Fonte Divina, do Infinito Invisível. Que o comerciante e o profissional percebam o Divino dentro deles; que o doente e o pecador busquem a cura e a perfeição dentro deles mesmos. Que cada um de nós esteja sempre alerta a observar o desabrochar da consciência em formas mais novas e mais ricas do bem, demonstrando a abundância da vida pela Graça. Devemos buscar nosso bem na Infinitude do nosso próprio Ser, no Reino de Deus dentro de nós. Tocando aquele centro o Pai revela nossa herança de co-herdeiros com Cristo de todas as riquezas celestiais. Isso é viver pela Graça, dádiva de Deus. Assim vivem seus filhos, compreendendo que a alma é o repositório eterno de todos os bens e permitindo que a atividade do Cristo se manifeste em nossa experiência. O segredo da Graça reside no contato com o Infinito Invisível – o centro Universal de nosso ser, dentro de cada um. Esta é a experiência da presença do Cristo na literatura mística chamada iluminação, Consciência Cósmica, Consciência Crística que no Evangelho recebe o nome de “renascimento pelo espírito”. 

A leitura de livros inspirados, edificantes, acrescida da meditação constante é o caminho que leva à comunhão com o Pai, atraindo para nossa consciência esse “toque do Cristo”. Com a mente repousada em Deus, ocorre às vezes, auscultar uma voz, aí percebemos que Ele executa aquilo que a nós cabia executar. Os que alcançarem esse estado de iluminação, já não terão problemas em sua existência, uma vez que passarão a ser alimentados, vestidos e alojados pela Fonte Infinita da Vida que chamamos Cristo. Esse estado de Graça não pode ser convenientemente descrito, já que ele se manifesta de formas diversas nas diferentes pessoas, porém os que recebem essa Luz compreendem a experiência dos iluminados de todos os tempos. 

A atividade do Cristo que resulta na vida pela Graça não se limitou ao passado; nos tempos atuais muitas pessoas adquiriram essa experiência e passaram a viver jubilosamente, vidas de beleza, saúde, harmonia, pela Graça. Embora a Verdade esteja acessível a todos, a Iluminação Espiritual será alcançada, apenas, por aqueles que, fervorosamente, a buscarem. “Habitua-te à presença de Deus dentro de ti e permanece na paz”. O conhecimento da presença do “Pai dentro de nós” é o começo da vida pela Graça. Viver pela Graça capacita-nos a executar maiores trabalhos, a colher melhores resultados em todas as atividades. Esse impulso espiritual, essa orientação divina, permite-nos despreocupar-nos com nossos assuntos pessoais, com os de nossas famílias ou de nosso país. 

A libertação do medo, da angústia, do perigo, das carências sobrevém somente quando surge o Confortador. A voz da Verdade fala dentro de nós e entramos em “paz repousante” a despeito de todas as tempestades necessárias à nossa experiência. 

É como se houvesse uma Presença sempre à nossa frente a “retificar os caminhos tortuosos, a fertilizar os desertos, abrir as portas da oportunidade e do serviço”. Ora, como a atividade do Cristo se manifesta através do crescente poder espiritual, nossa fé e confiança aumentam, proporcionalmente com a manifestação desse poder. Firmes nessa convicção íntima, fazemos cessar todas as formas de discórdia a passamos a viver, não pelo poder da força, mas pela força do Espírito, pela Graça. Neste mundo, poucos já nasceram com alguma percepção da Consciência Cósmica, mas qualquer um, com perseverança, dedicação e fidelidade, poderá desenvolver e cultivar “aquele Espírito que vivia em Cristo Jesus”. Isso requer devoção, determinação, receptividade para reconhecer e aceitar o Cristo quando Ele tocar nossa alma, despertando-a para uma “vida nova”. 

No silêncio de nosso Ser, Cristo fala e nós auscultamos: “Não deixarei, não te abandonarei... ficarei contigo até o fim dos tempos”. Essa consciência da presença de Deus é desenvolvida pela perseverança, na quietude do silêncio, na abstenção do uso do poder mental ou físico para que o Espírito possa agir. 

“Acalma-te e sabe que Eu Sou Deus”. “Pois, pela Graça vos salvareis através da fé; não por vós mesmos: é uma dádiva de Deus...” Pela Graça vos salvareis.


quarta-feira, março 06, 2019

A Onipresença é Amor Infinito

- Dárcio Dezolt -


Ao revelar que DEUS É AMOR, João revelava a real natureza do Universo e de cada um de nós, quando vistos espiritualmente e não pela “mente carnal” mentirosa e enganadora.

A Bíblia diz que “O PERFEITO AMOR LANÇA FORA O MEDO”. Em outras palavras, quando reconhecemos a natureza de TUDO sendo AMOR DIVINO, a ilusória “mente carnal temerosa” é inativada! NÃO PASSAVA DE UMA SUGESTÃO AGRESSIVA FALSA!

Em sua oração, Jesus incluiu a Verdade de que “somos todos amados por Deus” exatamente como ele próprio era e é!

“A mente carnal é a inimizade contra Deus”, disse Paulo. Isto significa ser uma “ilusão” aparentando ser “inimizade contra o AMOR DIVINO”!  TERIA PODER PARA ISTO? É ÓBVIO QUE NÃO!

Por isso, Jesus salientou que DEUS, SENDO AMOR, AMA A ELE E A TODOS NÓS DE IDÊNTICA MANEIRA!

Todo praticista de “cura espiritual” reconhece, em seus chamados “tratamentos metafísicos”, o valor do reconhecimento desta Verdade de que DEUS É AMOR!

Mary Baker Eddy assim disse: “A Ciência Cristã faz desaparecer dos inválidos a sua crença errônea na matéria ou devido a ela, ou que um pretenso organismo material controla a saúde ou a existência do gênero humano, induzindo-os a confiar em Deus, o AMOR DIVINO, que cuida de todas as condições necessárias ao bem-estar do homem”.

Nas “contemplações da Verdade”, devemos perceber que “vivemos, nos movemos e temos o nosso ser” no AMOR SUBSTANCIAL que DEUS É!

O CRISTO QUE SOMOS É O AMOR DIVINO  EM SI,  EXPRESSO COMO INDIVÍDUO, ou seja, O FILHO SEMPRE EVIDENCIA A MESMA NATUREZA DO PAI INFINITO!

Estas Verdades, portanto,  JÁ ESTÃO ACONTECENDO, e só precisam ser reconhecidas e percebidas espiritualmente, a fim de serem “trazidas à luz, por nos promoverem uma iluminada “troca de referencial” que nos faça permanecer IDENTIFICADOS COM O AMOR SUBSTANCIAL DE DEUS,  e não com a ilusória “crença material”, que aparenta nos expor um fictício “mundo de dois poderes”!

A Onipresença é AMOR DIVINO! A Unidade Perfeita é AMOR DIVINO! ISTO PORQUE DEUS É AMOR, E PELO FATO DE  “DEUS, O AMOR INFINITO”, SER TUDO!


quarta-feira, fevereiro 27, 2019

O Eu Único!

 - Líllian DeWaters -


Está mais que evidente que um avanço definido se iniciou rumo ao puramente espiritual. Hoje, temos aqueles que estão prontos para abandonar trabalho e esforço no sentido de demonstrar saúde, riqueza e felicidade, para aceitar a Verdade de que não somos carne (matéria), mas Espírito (Rom. 8:9).

Estas lições podem revelar Entendimento àqueles que não vieram de estudos de mentalismo, e também aos que estão preparados para uma expansão que os irá ultrapassar. Os que se autodenominam seres humanos são incapazes de encontrar uma solução para os seus problemas humanos.

Nenhuma terapia para as limitações de uma terra achatada poderia ser descoberta por aqueles que viveram como fazendo parte dela. Quando eles descobriram que a terra é redonda, concomitantemente um novo ponto de vista se lhes abriu. E então, as limitações de uma terra achatada sumiram automaticamente de vista. Ocorre exatamente o mesmo com as limitações chamadas pecado, doença. sofrimento, desejo e guerra. Todas estas, também. desaparecerão sem qualquer esforço, para aquele que reconhecer a si mesmo como Espírito.

Se medo e tribulação pudessem ser curados a cada necessidade que surgisse, jamais saberíamos que nosso Eu e nosso Mundo são completamente perfeitos aqui e agora. As promessas de segurança, proteção, paz e imunidade são vistas como certas e seguras por aqueles que recebem, ou aceitam a Luz, de que apenas um Ser está presente – o “Eu” infinito. “De seis angústias Ele (Eu) te livrará, e na sétima o mal não te tocará” (Jó 5:19).

Por que continuar a crer em mortais, quando “Eu sou o Todo de Tudo”? Por que persistir em aceitar dois poderes, dois mundos, quando não há nada ao lado de MIM? Por que prosseguir com conceitos equivocados, quando “Eu” sou a Mente única que existe? Por que lutar e se esforçar para obter ou emergir na Perfeição, quando a Perfeição é o que sozinha está presente?

“Os Vedas” declaram que a realidade não vem através de ginástica mental, mas por amor puro e devoção. Ensinam que a bênção do “Eu” está sempre conosco e que iremos descobri-la, se a buscarmos com sinceridade. Nós eternamente somos o “Eu”, o Absoluto. O objetivo essencial dos Vedas é ensinar a Natureza da Seidade única, e declarar com autoridade que esta constitui o nosso “Eu”; que nós realizaremos perfeita Paz, Serenidade e Bem-aventurança pela devoção constante ao “Eu” que não tem oposto.

É verdade que, se continuarmos a aceitar somente o “Eu” único, esta percepção espiritual nos trará infinita calma, paz e felicidade; estaremos vendo e conhecendo, amando e existindo, como este próprio “Eu”. E prosseguindo no conhecimento de que apenas um “Eu” e um Mundo estão presentes agora, esta Realidade se tornará natural para nós – nítida e certa. Nossa Realização de Deus como nosso Ser, Mente e Mundo é Consciência Divina.

No Infinito não há nenhuma evolução de outros seres, outras mentes, outras consciências. A igualdade não pode ser encontrada em parte alguma, senão em nossa percepção de que nós somos o Infinito.

Desvincule-se da doutrina ou crença de que este Mundo não é o Mundo de Deus; que já não somos dotados agora da Mente de Deus; e que nós precisamos passar por processo evolutivo rumo à Perfeição e Realidade. A Perfeição do Um jamais foi mudada. Ela está sempre aqui.

Confia no Senhor (no Eterno) de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e Ele endireitará as tuas veredas…o Senhor será a tua segurança” (Prov. 3:5-6,26). 

Na versão de Moffat, encontramos que “se confiarmos no Eterno com todo o nosso coração, sem nos apoiarmos em nossa própria visão, conservando a Mente dele em todos os caminhos, Ele iluminará o nosso percurso…o Eterno será a nossa proteção, e nos preservará de todo perigo”.


domingo, fevereiro 24, 2019

O Trio da Santíssima Unidade

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- Allen White -


O TRIO DA SANTÍSSIMA UNIDADE

A maioria dos leitores deste blog concordam com dois fatos (e eles são fatos): (1) Existe uma Única Presença; (2) Existe um Único Poder. Saber isso é o suficiente, sempre? Alguma vez você já disse uma ou duas dessas declarações, e o problema ainda parecia agarrar-se à realidade como um crustáceo?

Uma Única Presença e Um Único Poder são apenas dois integrantes do Trio da Santíssima Unidade. O mais importante deles é frequentemente o mais esquecido, e este integrante é UMA ÚNICA EVIDÊNCIA. Pense sobre isso. Qual é o sentido em dizer, "Existe uma Única Presença e um Único Poder" se você ainda admite que alguma outra coisa além do Um possa estar evidenciado?


NUNCA DESACREDITE DO QUE VOCÊ SABE

É bem aqui que a maioria as pessoas pensa: "Como posso dizer que existe uma Única Evidência, quando meus olhos vêem claramente algo que não possa ser evidenciado por Deus?". Vamos raciocinar juntos, eu e você. Em seu coração, você sabe que Deus é tudo. Nunca, por qualquer motivo, desacredite esse conhecimento. Cristo disse o seguinte: "E se o teu olho te escandalizar, arranca-o" (Mateus 18:9). Aqui está o significado espiritual desta passagem. Se os teus olhos reportarem o acontecimento de outra coisa além de Deus, não acredite em teus olhos. Acredite que Deus é Tudo.


NEM TODO OLHO ABERTO É UM OLHO QUE VÊ

A história seguinte é contada no Antigo Testamento da Bíblia Sagrada. Ao amanhecer, o servo de Eliseu pulou da cama, vestiu-se e saiu para aproveitar o ar da manhã. Olhando ao longe, ele viu um exército de carruagens, homens e cavalos. Ele correu até Eliseu, puxou-o para fora e gritou: "O que devemos fazer?". Eliseu, tranquilo como uma brisa, disse: "Não tema". Então ele orou.

A oração de Eliseu foi uma oração simples. "Abra os olhos dele, Senhor, para que ele veja". Em certo sentido, essa é uma oração estranha, pois os olhos de seu servo já estavam abertos. Mas ele não estava vendo. Olhos abertos nem sempre são olhos que vêem. Olhos abertos somente vêem quando percebem a Presença de Deus.


O QUE ESTOU VENDO QUANDO VEJO APARÊNCIAS DE IMPERFEIÇÃO?

Se os olhos abertos não estiverem vendo a Bondade Infinita de Deus, o que eles estão percebendo? O que eles estão vendo não é para ser temido. Por que? Porque eles estão vendo NADA. O que eles estão vendo não é presença, nem poder.


UMA BOA IDEIA É CONTEMPLAR

Tudo se resume a isso. Porque Deus é a Única Evidência, não há nada para ser visto além de Deus (Vida, Luz, Amor e Perfeição) evidenciado. Leitor, contemple esta declaração. Por algum tempo, seria bom lembrar a si mesmo de que há uma única Evidência, e que você está vendo essa Evidência o tempo todo.

CUIDADO: Não faça isso na esperança de mudar uma aparência indesejável. Dessa forma você estará partindo do nada. Faça isso porque no seu coração você sabe que o “Trio Sagrado de Um's” é a Verdade sempre presente.

Se você sente que não sabe que Deus é a Única Evidência, contemple diariamente o "Trio da Santíssima Unidade" (uma Única Presença, um Único Poder, uma Única Evidência), e você O conhecerá com uma certeza inabalável.


quarta-feira, fevereiro 20, 2019

Ser Possuído pela Bondade Infinita

- Allen White -


Recentemente um homem escreveu me contando que ele estava possuído pelo Bem Infinito. "Allen, eu não consigo parar de pensar sobre isso. Ao longo de todo o dia eu fico contemplando a Infinita Bondade, o Bem Infinito".

Quando eu li o e-mail dessa pessoa, tive a vontade de saltar de meu assento. Nos últimos meses, eu tenho usado o termo "Bem Infinito" em muitas de minhas mensagens matinais de domingo. Todos os domingos os nossos trabalhos começam com o reconhecimento da Onipresença do Bem; isso prepara o cenário para a realização de um grandioso trabalho matinal.


O MAL NÃO EXISTE

O Bem Infinito (Infinite Goodness) realmente significa Onipresença de Deus (Infinite Godness). Apenas por um momento, vamos desviar a nossa atenção para uma estrada escura e fantasiosa e ver a maldade, ou o mal. 

Em um livro metafísico está claramente afirmado que: "Não há mal." As pessoas leem essa declaração e imediatamente afirmam que ela é um absurdo. E por que não afirmariam isso? Afinal, tudo ao redor delas mostra incontáveis exemplos de maldade no mundo. A mídia lucra ao reportar o mal em todas as formas grotescas possíveis e imagináveis. Enfrentar essas formas, julgando-as pelas aparências (que é justamente o que não devemos fazer), faz com que tenhamos provas concretas de que o mal é real no mundo. No entanto, ele não é.

Vamos olhar mais de perto porquê o mal não existe. Responda esta pergunta: "O que o mal requer para existir?". Você respondeu dualidade e separação? Você está certo. Em toda forma aparente do mal (ou maldade), há dualidade e separação.


HÁ MAIS DO QUE APENAS UM AQUI

Vovó está doente com pneumonia. Há dualidade e separação aqui. Há um corpo, e há também um vírus ou bactéria infectando o corpo. Conte você mesmo. Há dois ou mais aqui.

Marcos não consegue encontrar um emprego. Então, a dualidade e separação estão presentes. Por um lado você tem o Marcos e, por outro lado, tem o empregador. Isso significa dois. Além disso há o espaço que parece separar Marcos de seu empregador ideal. Até aqui contei três. Quantos você conseguiu enumerar?

Durante o recesso, João deu um soco no rosto de Bob. Eles brigaram no chão até que o vice-diretor chegou e os separou. Ninguém diria que lutar é bom, mas olhe para o cenário e conte os culpados. Quer seja uma briga no playground ou em países em guerra, você tem dualidade.

Para o mal existir, mais do que um é requerido. Ou, mais do que o Um é requerido. No entanto, existe apenas uma Presença Infinita, Indivisível. Onde há uma Presença Infinita e Indivisível, não há mal. Onde há uma Presença Infinita e Indivisível que é Amor, Luz e Perfeição, há Bondade Infinita.


AQUI ESTÁ UMA OUTRA MANEIRA DE VER A EXISTÊNCIA

Veja a existência como o Um Infinito, um "organismo" vivo, Indivisível e espiritual. E conheça a si mesmo como sendo esse organismo. Percebendo a existência deste modo, e não sendo enganado pelas aparências de separação, você pode compreender porque tudo é Infinito Bem e porque o Bem Infinito é Tudo.

Neste exato momento, você vive DENTRO da Infinita Presença do Bem, e vive COMO a Infinita Presença do Bem. Contemple o fato de a Bondade Infinita ser PRESENTE aqui e agora; e contemple o fato de a Bondade Infinita se fazer PRESENTE como e através de teu próprio ser. E não fique surpreso se você (assim como o homem mencionado anteriormente) repentinamente se ver "possuído" pela ideia da Bondade Infinita.


sábado, dezembro 29, 2018

O renascimento do Eterno

- Núcleo -


Divinos personagens,

Está escrito: “Eu Sou o que Vive; estive morto, mas eis que estou vivo por toda a eternidade! E possuo as chaves da morte e do inferno.” (Apocalipse 1:18)

Poderia se indagar: Como é possível ao que é Eterno ter estado morto? Ou como é possível ao Eterno nascer novamente?

Do ponto de vista da percepção mental, que é dual, parecem fazer sentido estas indagações. Mas o ponto a ser notado aqui é precisamente este: a mente é quem faz estas indagações e é também quem vê sentido nestas indagações!

Do ponto de vista da percepção consciencial, que é unitária, estas indagações não fazem sentido.

Assim, a interpretação que se deve dar a esta revelação divina é esta: "Eu Sou o que Vive (conforme a percepção mental); estive morto, mas eis que (conforme a percepção consciencial) estou vivo por toda a eternidade! E possuo as chaves da morte e do inferno."

Outro ponto a ser notado aqui é que “morte e inferno” pertencem à Representação (mundo dos personagens) e não à Realidade Divina (universo do Ser Real). Aqui a Consciência do Ser está revelando que tem as chaves da representação! O Ser Real está plenamente consciente de que a representação é uma representação. Já a mente do personagem toma como real o que é uma representação. E é isso que torna possível a representação divina ser encenada com tamanho realismo!

Assim, o Ser que é Real, que É Quem É, e que se revela como Eu Sou, está revelando que É o que Vive! E que está Vivo por toda a eternidade!

Ao dizer que “estive morto”, o Ser revela que assumiu um personagem na representação que “morreu”, mas que Ele está Vivo por toda a eternidade! E revela ainda que aquele que morreu na representação tem as chaves da morte e do inferno. Aquele que morreu na representação é chamado em algumas passagens bíblicas de Cordeiro de Deus, por ser o personagem no qual Deus se ofereceu em sacrifício para revelar que a vida verdadeira é a Vida de Deus, que é Eterna. E o divino personagem Jesus Cristo que foi enviado pelo Pai disse: “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor; mas Eu vos tenho chamado amigos, pois tudo o que ouvi de meu Pai Eu compartilhei convosco.”

E tendo compartilhado tudo o que ouviu, de Jesus foi revelado ainda que “a vida eterna é esta: que te conheçam a Ti, o Único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.”

E conhecer Jesus é perceber que é ele Quem revela: Eu Sou o que Vive; estive morto, mas eis que estou vivo por toda a eternidade! E possuo as chaves da morte e do inferno.

E conhecer Jesus é renascer por saber que Ele é o Eterno que Vive EM nós e que sendo a Verdade tem as chaves da libertação tanto da morte quanto do inferno em que vivem os que estão imersos na representação!

Seja amigo de Cristo, ouça Suas palavras e compartilhe o que dele ouviu, tal como Ele divinamente o fez!

Transcenda os limites das ilusórias indagações mentais; e eleve-se do simples acreditar em um Cristo distante e separado de você à verdadeira fé que te faz perceber que o real Cristo está vivo Em você pela eternidade! Enfim, perceba e promova o “renascimento do Eterno” que Vive em você!

Pelo natal, e pelo novo ano que se aproxima, meus votos de um feliz “renascimento do Eterno” em você!





terça-feira, dezembro 25, 2018

Uma Reflexão sobre o Natal

 - Núcleo - 


No sentido material comemora-se em 25 de dezembro o Natal, o nascimento de Jesus, o Filho de Deus. Jesus veio ao mundo para dar testemunho da Verdade. E no sentido espiritual Verdade é “Aquilo que É”. Aquilo que É significa que sempre É; É sempre o mesmo atemporalmente, de forma permanente. Nesse sentido apenas Deus é a Verdade, a única Realidade, “Aquilo que É” e sempre É, tudo mais é impermanência.

Da consciência de que Deus é a única Realidade Jesus declarou: "Eu Sou a Verdade". Declarou também: "Quem vê a mim vê Aquele que me enviou" e, "Eu e o Pai somos Um". Essas declarações contém em si o significado espiritual do Natal. O sentido espiritual de Natal é o de nascimento; nascimento do Cristo, o Filho de Deus, em nós. Por isso revelou Jesus a Nicodemos: “Aquilo que é nascido da carne é carne, e aquilo que é nascido do Espírito é Espírito. Por isso importa ao homem nascer de novo”. Esse novo nascimento em Cristo, essa conscientização da Presença do Filho de Deus em nós, esse nascimento ou renascimento espiritual é o significado espiritual do Natal.

A chave que possibilita a apreensão desse sentido espiritual do Natal como nascimento espiritual do Cristo em nós é a conscientização de que as declarações de Jesus sobre Quem Ele É são na Verdade Percepções! São Percepções de que Deus é a Verdade, a única Realidade, e sendo assim, de que o verdadeiro nascimento é o nascimento espiritual. Por isso Jesus enfatizou que “importa ao homem nascer de novo”, não no sentido material, não da carne, mas do Espírito.

É essencial estarmos atentos ao fato de que em cada uma daquelas declarações que revelam sua Consciência ou Percepção sobre sua natureza espiritual, Jesus está compartilhando Percepções da Verdade! Essas Percepções são em si a própria Verdade se expressando através de Jesus e como Jesus! Com essa consciência de total identificação com a Verdade Jesus compartilhou a Percepção: “Eu e o Pai somos Um”. Por sua total identificação com essa Realidade Única, através de seus ensinamentos e declarações Jesus compartilha as Percepções do que é a Verdade. Por serem expressões da Verdade, essas “Percepções” tem validade impessoal e atemporal. 

O advento de Jesus, sua vida e seus ensinamentos, nos possibilitam esse renascimento espiritual. Assim, podemos comemorar o natal não apenas do ponto de vista material, pelo nascimento de Jesus. Podemos comemorar principalmente o fato de que Jesus compartilhou suas Percepções de Filho de Deus, possibilitando a todos a conscientização de que sendo Deus a Verdade, a Realidade única, não há senão aquilo que nasce da Verdade! 

Sendo assim, a cada um de nós nos importa esse nascimento espiritual, esse renascimento ou conscientização da Verdade expressa pela Percepção compartilhada por Jesus de que “Deus disse: "Sois deuses, sois todos Filhos do Altíssimo.”

A todos um Feliz Natal!

domingo, dezembro 23, 2018

O significado espiritual do Natal


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Em 25 de dezembro se comemora em todo o mundo o nascimento de Jesus.

Mas, então, surge uma questão... Qual Jesus?

- Aquele de quem disseram: "Ainda não tens cinquenta anos e dizes que viu nosso pai Abraão?", ou aquele que disse: "Antes que Abraão existisse Eu Sou"? [Jo 8:58]

- Aquele que disse: "Eu Sou o pão que desceu do céu"? Ou aquele de quem disseram: "Este não é Jesus, o filho de José? Nós conhecemos o pai e a mãe dele. Então, como é que ele diz que desceu do céu?" [Jo 6:41]

Não há dúvida de que no natal se comemora o nascimento de Jesus, por sua condição de Filho de Deus, que fez muitas declarações que estavam acima da compreensão da maioria daqueles de seu tempo.

Ainda hoje é assim!

Muitos ainda seguem o Jesus, Filho de José... embora ele mesmo tenha declarado que, em verdade, Ele é aquele que desceu do céu!  

Muitos ainda seguem o Jesus, que não chegou a ter cinquenta anos... embora ele mesmo tenha revelado ser aquele a quem Deus amou antes que houvesse mundo. [Jo 17:24].

Vejamos o testemunho de João Batista, um profeta que sabia interpretar os sinais do céu, e que conheceu pessoalmente a Jesus: "Vi o Espírito descer do céu como uma pomba e parar sobre ele. Eu não sabia quem ele era, mas Deus, que me mandou batizar com água, me disse: 'Você vai ver o Espírito descer e parar sobre um homem. Esse é quem batiza com o Espírito Santo.' E eu de fato vi isso e por esta razão tenho declarado que ele é o Filho de Deus." [Jo 1:32]

Agora que identificamos a qual Jesus estamos nos referindo – o Filho de Deus, em quem Deus Se compraz –, vejamos o que o próprio Jesus disse sobre o "nascimento", já que no natal é comemorado o Seu nascimento...   

Jesus disse a Nicodemos: "A pessoa nasce fisicamente de pais humanos, mas nasce espiritualmente do Espírito de Deus." E completou: "Por isso não se admirem de Eu dizer que todos vocês precisam nascer de novo."  [Jo 3:6-7]

Eis aqui o núcleo dessa reflexão sobre o natal: Identificamos o "Jesus" e também o "nascimento" ao qual estamos nos referindo!

Estamos nos referindo ao Jesus eterno, atemporal, o Filho de Deus que nos advertiu que todos nós temos que "nascer espiritualmente"!

Esse nascimento espiritual nos fará cogitar das coisas de Deus, porque, como está escrito na Bíblia, em Romanos 8:5, "os que vivem como a natureza humana têm as suas mentes controladas por ela. Mas os que vivem como o Espírito de Deus têm suas mentes controladas pelo Espírito. Ter a mente controlada pela natureza humana produz morte; mas ter a mente controlada pelo Espírito produz vida e paz".

Então esse é o verdadeiro "natal" que devemos comemorar: O do "nascimento" do Espírito de Deus em nós, que nos faz pender para as coisas de Deus, que nos dá Vida e Paz! O "nascimento" que nos leva a viver em Unidade com o Filho de Deus, que assim orou a Deus: "Eu estou neles, e tu estás em mim, para que eles sejam completamente unidos, a fim de que o mundo creia que me enviaste e que os amas como também me ama." [Jo 17:23]     

Notem que revelação: "... e que os amas como também me ama."

Assim, por essa oração percebemos que "viver em Unidade com o Filho de Deus" nos torna conscientes do Amor de Deus por nós!  

Enfim, a "reflexão sobre o natal" nos levou a essa mensagem do eterno Amor de Deus por nós, através da oração de Seu Filho amado, que é Aquele que verdadeiramente "desceu do céu e fez nascer em nós o Espírito de Deus", e por isso comemoramos!

Com essa mensagem de Amor universal, desejo a todos um Feliz Natal!