"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

segunda-feira, novembro 05, 2018

O Poder e a Sabedoria da Cabala - 8/10

- Rav Yehuda Berg - 


RESISTÊNCIA E CURTOS-CIRCUITOS

O cabalista Rav Berg diz que quando os cabalistas falam da Luz com uma letra L maiúscula, estão se referindo à Luz infinita do Criador, a fonte de toda a nossa plenitude. Quando os cabalistas falam da luz com um l minúsculo, estão se referindo à luz do sol ou à luz de uma lâmpada. Tanto a luz quanto a Luz repartem características semelhantes no que diz respeito à iluminação.

Sabe como funciona uma lâmpada? Dentro dela há três componentes:

1. um pólo positivo (+)
2. um pólo negativo (-)
3. um filamento separando o (+) do (-)

Dos três componentes, o filamento é o mais importante. Ele funciona como uma resistência, empurrando de volta a corrente que flui a partir do positivo e impede que ela se conecte diretamente com o negativo. Esta resistência, ou o empurrar de volta da energia, é a razão pela qual a lâmpada gera iluminação. Quando o filamento arrebenta, o positivo se conecta diretamente com o negativo e a lâmpada sofre um curto-circuito. Ela explode, produzindo um clarão momentâneo de luz. Daí, então, vem a escuridão. Em outras palavras, sem resistência, não há Luz permanente.


A METÁFORA DA LÂMPADA APLICADA AO MUNDO INFINITO

O pólo negativo na lâmpada corresponde ao Receptor.
O pólo positivo corresponde à Luz.
• O filamento corresponde ao ato de Resistência do Receptor, que causou o Big Bang.

No momento que o Receptor resistiu e parou de receber a Luz no Mundo Infinito, ele passou de um estado reativo para proativo. Deste ato de Resistência nasceram as regras para a revelação tanto da luz quanto da Luz.


A METÁFORA DA LÂMPADA APLICADA À VIDA

O pólo negativo numa lâmpada corresponde aos nossos desejos reativos.
O pólo positivo corresponde a toda a plenitude e Luz que buscamos na vida.
• O filamento corresponde ao nosso livre arbítrio de optar por NÃO reagir, evitando assim o prazer direto.

Assim como a resistência do filamento mantém a luz acesa numa lâmpada, resistir ao nosso comportamento reativo mantém a Luz espiritual brilhando. Quando deixamos de aplicar a Resistência aos nossos impulsos reativos e reagimos, criamos um curto-circuito. Ocorre uma conexão direta entre o nosso desejo reativo (o pólo negativo) e a Luz do prazer (o pólo positivo). Há um clarão momentâneo de prazer indulgente, seguido pela escuridão, porque a "lâmpada,” a alma, sofreu um curto-circuito e se queimou.


UM UNIVERSO DE RESISTÊNCIA

O conceito de revelar Luz através da Resistência está presente em todas as áreas de nossas vidas.

Quando ouvimos um violinista tocando um instrumento, as ondas sonoras são criadas pela Resistência do arco contra as cordas. Percebemos a música quando nossos tímpanos resistem ao som. Este é o poder criativo aparentemente mágico da Resistência.

De maneira semelhante, todos nós nos maravilhamos com as imagens da terra vista do espaço. Como uma jóia azul brilhante, a terra reluz gloriosamente, tendo como fundo a escuridão aveludada. Mais uma vez, o princípio da Resistência é o responsável. A atmosfera da Terra resiste à luz do sol, criando a iluminação. Mas o vácuo do espaço não produz nenhuma Resistência, e o resultado é a escuridão, embora a luz do sol preencha o vácuo.

Os seres humanos possuem livre arbítrio para resistir à energia prazerosa gerada pelos impulsos reativos. O livre arbítrio só pode ocorrer se alguma coisa terrivelmente influente tenta nos persuadir a não resistir — este é o propósito do Satan e dos obstáculos que ele coloca em nosso caminho.

O Sétimo Princípio da Cabala afirma: Resistir aos nossos impulsos reativos cria Luz permanente.

O Oitavo Princípio da Cabala afirma: Comportamento reativo cria faíscas intensas de Luz, mas deixa em seu rastro, por fim, a escuridão.


SUPRESSÃO VERSUS RESISTÊNCIA

Há uma linha muito tênue e uma distinção muito fina entre suprimir as nossas emoções e fechar nossos sistemas reativos. A Resistência cria uma luta momentânea, mas quase que imediatamente há calma e claridade. Suprimir as emoções, por outro lado, cria um estresse em longo prazo. Lentamente, emoções suprimidas ganham força. A pressão cresce por fim, explodimos!

Por exemplo, se alguém nos deixa zangados, e nós verdadeiramente aplicamos o conceito espiritual de Resistência no que diz respeito a nossa reação usual irrefletida, não fica nenhuma animosidade. Nenhuma vingança em nossos corações. Não nos sentimos insultados ou ofendidos. Se sentimos qualquer uma dessas coisas, se somos pegos no drama do momento, significa que fracassamos em reconhecer a oportunidade espiritual da situação. Esta é a nossa indicação.

Quando reconhecermos que a raiva e outras emoções negativas não passam de testes que nos são mandados pela Luz para que possamos remover o Pão da Vergonha, saberemos, com certeza, que aplicamos a Resistência. Sentiremos a presença resplandecente da Luz que emerge de nossa ação espiritual. Nós simplesmente saberemos.

Inicialmente, o esforço para resistir será uma combinação de supressão com Resistência autêntica. Tudo bem. Este esforço irá gradualmente remover camadas de emoções reativas. Esforços consistentes na Resistência irão progressivamente purificar o comportamento descuidado, os desejos egoístas e os pensamentos negativos. A certeza de que estamos atraindo Luz e a consciência do processo são tão importantes quanto as nossas tentativas de Resistência. Resistir às nossas emoções reativas é algo refinado e aperfeiçoado à medida que nos ocupamos disso continuamente. Ficamos mais competentes à medida que vivenciamos este processo e internalizamos esses princípios espirituais.


ENFRENTAR VERSUS RESISTÊNCIA

Quando resistimos ao impulso de reagir e criamos um espaço para que a Luz penetre, a energia espiritual tem um efeito transformador sobre nossa consciência. Por exemplo, o simples enfrentar de um ataque de ansiedade não irá remover o medo profundamente assentado, nem impedirá que um novo ataque volte a acontecer. A Resistência, entretanto, com a convicção de que estamos removendo o Pão da Vergonha, ataca na semente do problema; saber com confiança profunda que estamos nos transformando de reativos para proativos irá purificar e gradualmente remover a causa do ataque. Na dimensão da Luz — naquela outra realidade — a negatividade não tem lugar. Através da Resistência podemos entrar naquele plano. E a conexão permanece conosco para sempre.


A ALEGRIA DOS OBSTÁCULOS: UMA VISÃO ALTERNATIVA DOS DESAFIOS DA VIDA

Conforme aprendemos, transformação espiritual não quer dizer buscar refúgio dos problemas da vida acendendo incenso e cantarolando para longe as nossas preocupações. Em vez disso, temos que confrontar nosso caos e as nossas reações a ele.

Para nos ajudar a receber mais Luz espiritual na vida, a Cabala nos oferece o Nono Princípio, que afirma: Os obstáculos são a nossa oportunidade de nos conectar com a Luz.

Quanto mais barreiras há, mais chances temos de nos ligar à Luz. Quanto mais obstáculos, maior o número de gatilhos para despertar nossas reações, de forma que possamos resistir a elas e transformá-las. Quanto mais, melhor! Afinal, a transformação é o objetivo de nossas vidas (ver o Quarto Princípio da Cabala) e somente um obstáculo pode nos dar essa oportunidade!


QUANDO MAIOR É MELHOR

A Resistência que aplicamos numa situação também determina quanta Luz recebemos. Imagine uma pequena pedra no espaço. Ela reflete e gera uma quantidade de luz relativa ao seu tamanho. Suponha que colocamos um espelho de 15 X 15 metros no espaço. Mais resistência ocorre; logo, mais Luz é revelada.

Este princípio simples é a chave para determinar quanta Luz espiritual nós geramos. Quanto mais Luz nós empurramos ou refletimos de volta, mais recebemos. Quanto mais resistimos ao nosso comportamento reativo, mais felicidade e prazer são gerados em nossas vidas.

Funciona assim:

Quanto maior o problema, mais forte é o nosso impulso de reagir.
Quanto maior a nossa reação, mais Resistência temos que aplicar para pará-la.
Quanto mais Resistência aplicamos, mais Luz espiritual temos em nossas vidas.

Lembre-se então do seguinte Décimo Principio, da próxima vez que um desafio difícil aparecer no horizonte: Quanto maior o obstáculo, maior a Luz em potencial.


O CAMINHO DA MAIOR RESISTÊNCIA

A maioria das pessoas tende a escolher na vida o caminho de menor Resistência. Buscam as situações fáceis, confortáveis. Mas, estar confortável não gera Luz duradoura. Temos que aprender a fugir de nossas zonas de conforto e mergulhar de cabeça em situações desconfortáveis. É aí que aplicamos a maior Resistência. É verdade, o caminho da maior resistência causa alguma dor e algum desconforto por um momento. Mas é a única maneira de gerar plenitude a longo alcance. Por mais difícil que possa parecer, deveríamos abraçar os problemas e obstáculos, em vez de evitá-los. Eles são as verdadeiras oportunidades para o desenvolvimento espiritual.


A LEI DO “TIKUN”

Assim como outras tradições espirituais do mundo todo, a Cabala ensina que cada um de nós vem a este mundo trazendo uma bagagem de vidas passadas. Essa bagagem contém todas as situações nas quais fizemos curtos-circuitos em nossas últimas vidas ou em algum ponto esquecido desta vida. Cada vez que deixamos de resistir ao nosso comportamento reativo, temos que corrigi-lo em algum ponto no futuro. Este conceito de correção é chamado de "Tikun". Podemos ter um Tikun com dinheiro, com pessoas, com saúde, com amizade ou com relacionamentos. Existe uma maneira fácil de identificar o nosso Tikun pessoal. Tudo o que é desconfortável para nós é parte de nosso Tikun!

Todas as pessoas em nossas vidas que realmente nos irritam e nos incomodam também são parte do nosso Tikun. Se achamos difícil dizer não para um vendedor que telefona durante a hora do jantar, este é o nosso Tikun, que precisa ser corrigido. Se temos vergonha de pedir um desconto para um atendente arrogante numa loja de decoração de alto nível, você pode ter certeza que este é o seu Tikun e a sua área de correção pessoal. Se temos dificuldades em enfrentar um funcionário ou um empregador, a causa raiz pode ser encontrada no conceito de Tikun.

Quando deixamos de fazer uma correção através de resistir ao nosso comportamento reativo, da próxima vez se torna mais difícil corrigir, nesta área específica. Esta característica reativa em particular fica mais forte. Nosso adversário fica mais forte. Não apenas temos que enfrentar o problema novamente, mas será mais difícil emocionalmente ativar a Resistência. E a próxima vez não significa necessariamente na próxima vida; as mesmas correções podem aparecer repetidamente em nossas encarnações atuais. Algumas vezes é um pouco fácil demais culpar o comportamento em vidas passadas pelos problemas nesta vida. Nós geralmente fazemos coisas más suficientes aqui mesmo para justificar o caos que nos aflige. Esta é a razão espiritual porque os mesmos problemas voltam a ocorrer. Eles podem muito bem se manifestar através de pessoas ou de situações diferentes anos depois, mas fundamentalmente é o mesmo problema se repetindo uma vez atrás da outra. Buscar o conforto e evitar o nosso Tikun produz gratificação e alívio momentâneo, mas está ligado ao caos de longo prazo. De forma oposta, quanto maior o obstáculo, maior a Luz em potencial.

Com esta nova compreensão, não podemos mais ser vítimas. Não podemos mais lamentar as dificuldades, os problemas e as circunstâncias desconfortáveis que nos confrontam, não importa o quanto isto possa nos fazer sentir bem, porque todas essas dificuldades estão presentes para atrair a Luz eterna da plenitude para as nossas vidas. Mas antes, há uma situação de Tikun que exige ser corrigida.


FEITIÇO DO TEMPO

Se você não assistiu ao filme "Feitiço do Tempo", saia e alugue o vídeo assim que fechar este livro. É uma ótima demonstração do princípio cabalístico de Tikun em ação.

No filme, Bill Murray é Phil Connors, um meteorologista que representa o auge do caráter reativo, consumido em sua própria auto-indulgência, prepotência e indiferença pelo mundo ao seu redor. Mas Phil fica preso numa dobra do tempo. Ele fica preso na data de 2 de fevereiro — o Dia da Marmota. O mesmo dia fica se repetindo uma vez atrás da outra e ninguém sabe disso, só ele. No começo é divertido, enquanto Phil tira vantagem da situação, aprendendo tudo que pode sobre o seu mundo e sobre as pessoas que o habitam para manipulá-las e para servir aos seus interesses próprios. Só que o seu mundo se transforma num pesadelo quando os prazeres momentâneos desaparecem e não sobra nem uma gota de plenitude duradoura. Levado a ponto do suicídio, mesmo assim ele acorda de manhã e se encontra na mesma cidade, confrontando os mesmos acontecimentos. Não há escapatória; nem mesmo a morte. Finalmente, depois de suportar um sofrimento enorme, ele decide mudar a si próprio, porque não consegue mudar o mundo ao seu redor. Começa a realizar boas ações e a ajudar as pessoas que estão vivendo os mesmos infortúnios a cada dia. De repente, o personagem sente uma plenitude verdadeira. Inspirado por essa Luz, ele entra num frenesi de compartilhar pela cidade toda, conquistando os corações de todos. No fim, Phil termina junto com a garota de seus sonhos, e o pesadelo termina. Ele quebrou o ciclo recorrente e se encontra num dia totalmente novo, de braços dados com sua alma gêmea verdadeira.

Esta é a lei do Tikun, e este é o motivo porque nossas vidas às vezes se parecem com um filme ruim em que estamos presos.


RESISTÊNCIA EM AÇÃO

Aqui estão algumas situações para ajudar a aumentar a sua compreensão da Resistência e das oportunidades que se encontram dentro das circunstâncias difíceis que são parte de um Tikun:


RESISTÊNCIA AO EGO

Você está com um grupo de amigos ou colegas do trabalho. Todos estão falando, mostrando o seu conhecimento sobre algum tema em particular. Mas, para você, fica óbvio que seu domínio do assunto é bem superior ao deles. Você sente uma pressão para falar e exibir o seu conhecimento. Resista: É o seu ego! Não fale. Não diga uma palavra.Reconheça a oportunidade espiritual e deixe para lá. A Luz entrará e você pode aprender algo de valioso da conversa.


RESISTÊNCIA AO EGO INVERTIDO

Depois de uma apresentação de trabalhos, todos estão fazendo perguntas, menos você. Você se sente pressionado. Inseguro. Tem medo do que as pessoas na sala possam estar pensando de você. Você fica centrado em si mesmo. Sua reação imediata é falar, por causa da insegurança. Isto é um pensamento do ego invertido: Você não é suficientemente bom.

Resista! Deixe para lá! Preocupar-se com o que os outros pensam é comportamento reativo. Mais tarde, provavelmente meia dúzia de pessoas se aproximarão de você e começarão uma conversa, fazendo com que você se sinta muito bem a respeito de si mesmo.


RESISTÊNCIA À PREGUIÇA

Vem-lhe uma ótima idéia. Você fica totalmente entusiasmado e tem a intenção de agir a respeito. Então começa a procrastinação. Você adia. Resista a essa preguiça! Resistência não significa necessariamente parar e ficar quieto. Freqüentemente significa parar o desejo de parar, e mergulhar de cabeça. Seu Tikun é não conseguir terminar o que começa.


RESISTÊNCIA A JULGAR

Irrompe uma discussão entre membros da família ou amigos próximos. Você escuta um lado da história e fica espantado. Você está pronto para fazer o seu julgamento e escolher o seu lado. Resista! Abandone as emoções. Escute o outro lado. Seu Tikun provavelmente está ligado a um comportamento julgador. Você descobrirá que a história tem dois lados.


RESISTÊNCIA A SE COMPLICAR

Você está confuso a respeito de algumas decisões importantes, preocupado com o impacto delas em sua vida. Você pondera, analisa, se preocupa, se aflige, se enerva e se estressa. Resista ao impulso de se atormentar! Saia e faça algo de bom para alguma outra pessoa. Invista um pouco de tempo ajudando os outros com os seus problemas. Quando você sai do próprio caminho, as soluções vêm a você quando menos se espera.


RESISTÊNCIA AO AUTO-ELOGIO

Você fez algo realmente maravilhoso e todos o admiram por isso. Você agora se vê tentado a reviver a glória e reprisá-la repetidamente em sua cabeça. Resista a essas recordações que servem a si mesmo! Pense maior. O que mais você pode fazer? O que vem a seguir? Passe para o próximo ato positivo.


RESISTÊNCIA A IMPULSOS MALÉFICOS

As coisas não estão indo bem. Você está se sentindo para baixo e um pouco inseguro a respeito de si mesmo. De repente, um amigo telefona. Depois de uma rápida conversa fútil, o amigo começa a falar mal de um outro amigo próximo. Você é sugado pela conversa. Derrubar outra pessoa faz com que você se sinta melhor a respeito de si mesmo.

Ouvir a respeito dos problemas de outra pessoa faz você se sentir melhor acerca de sua própria situação. Resista ao desejo de fofocar e de falar mal dos outros! Cabalisticamente, o pecado do assassinato não se limita à morte física; inclui o assassinato do caráter. Terminar a conversa é, portanto, equivalente a salvar a vida de uma pessoa. Isto revelará uma Luz fantástica, que irá verdadeiramente ajudar em seu problema.


RESISTÊNCIA AO CONTROLE

Você é um novo escritor que acabou de completar o que acredita ser um grande texto. Você o mostra para um amigo que vem a ser editor. Você está esperando altos elogios. Mas, seu amigo o critica. Você toma a forte crítica pessoalmente e começa a perder a confiança. Resista! Sua reação significa que você acredita ser você a verdadeira fonte deste material, e não a Luz. Verdadeiros artistas sabem que são apenas canais. Além disso, a própria crítica vem da Luz. Por isso, desista do controle. Confie no processo e abra mão do seu apego pessoal à obra.


RESISTÊNCIA À CULPA

Você fez algo errado — errado mesmo — e então castiga duramente a si mesmo. Você se sente pesadamente culpado. Resista à compulsão de se autodestruir. Deixe passar. Abrace a verdade cabalística de que há dois lados dentro de cada um de nós. Proativo e reativo. Luz e escuridão. A alma e o Satan. A parte que precisa de correção e de transformação, e o aspecto divino de nós mesmos que ajudará a nos transformar. Não ignore o erro. Encare-o como uma oportunidade. É caindo espiritualmente e nos levantando novamente que criamos transformação espiritual.


RESISTÊNCIA A EXPECTATIVAS

Você está cheio de expectativas em seu trabalho, mas elas não se materializam. Você espera determinadas respostas de seus amigos; eles o deixam na mão. Você tem idéias claras sobre a maneira como certas pessoas deveriam tratá-lo depois de tudo o que fez por elas; elas demonstram ingratidão. Você cria expectativas por um período de férias longamente aguardado; chove todos os dias e alguém rouba seus cartões de crédito.

Resista a todos os sentimentos de desapontamento! Pare de se sentir vítima. Alguma coisa melhor está por vir. Abrace o princípio cabalístico de pedir à Luz o que você precisa na vida, não o que você quer. Mais tarde, você verá a verdadeira bênção e a razão espiritual para o desapontamento.


RESISTÊNCIA À FALTA DE CONFIANÇA

Você tem que falar em público ou assumir a responsabilidade por um projeto importante. Sua reação natural poderia ser: "não posso fazer isto, não sou suficientemente bom, não quero toda a atenção concentrada sobre mim.” Isto é ego invertido. Abandone o seu modo limitado de pensar. Na verdade nem se trata de você. Há uma figura mais ampla que inclui outras pessoas, não só você mesmo.


RESISTÊNCIA AO EGOÍSMO

Você chega em casa de um dia tumultuado no trabalho. Um acordo importante nos negócios consome sua mente. Seus filhos querem atenção, mas você está preocupado demais calculando os prós e contras. Você brincará com eles outra hora. Afinal — diz a si mesmo — está fazendo tudo isto pela sua família. Besteira! Resista a todas essas reações imaginárias, que servem a si próprio. Na verdade se trata só de você mesmo. A emoção do negócio. O lucro e o poder. Esses são desejos egoístas comuns. Dê de seu tempo aos seus filhos quando for mais difícil. Mesmo se você estiver com dificuldades para se concentrar.

Eles não querem mais um negócio fechado. Querem seu amor e sua atenção. E não caia sobre si mesmo se achando mau pai ou mau marido quando é difícil se concentrar durante as brincadeiras. Resista a isto também. O fato de estar consciente do que está acontecendo  e estar fazendo esforço trará Luz para a situação. Reconheça que o Satan está jogando jogos mentais com você. Ele está por trás da coisa toda — de todos os seus sonhos de poder e riqueza. Quando o Satan está puxando as suas cordas, não importa o quanto você suba, ele o fará sentir que nunca é suficiente. Em sua busca fútil e inflexível, a família se perderá. A Resistência impede que isto aconteça. Ao contrário do que diziam todos aqueles filmes de Jornada nas Estrelas, Resistir não é inútil. Resistência é plenitude! A verdadeira Luz que vem da família com freqüência é difícil de revelar. O Satan pode fazer a excitação dos negócios parecer melhor do que os confortos do lar — no nível superficial, até ser tarde demais. Quando, porém, você aplica o conceito de Resistência, encontrará repentinamente um sentido de contentamento e alegria que jamais conhecera.


RESISTÊNCIA À INSEGURANÇA

Você e um parceiro trabalharam muito tempo e se esforçaram muito em um projeto. É um sucesso retumbante. Agora você está temeroso de dar crédito demais para o seu associado. Tenta calcular quem fez o quê, por causa de sua insegurança. Irá ferir o seu ego se todos pensarem que seu parceiro deu a contribuição principal para o projeto. Resista a esses pensamentos e sentimentos reativos! Entregue todo o crédito. Tudo. Abra mão por completo. Quando está para fazer isto, você poderá pensar: "Eu deveria resistir só um pouquinho; não demais, porque tenho que praticar esse negócio todo de Cabala com um passo de cada vez". Lengalenga! Resista a esses pensamentos também e dê todo o crédito para o seu parceiro. Lembre-se, o Satan irá testá-lo a cada passo do caminho. Lembre-se, elogios dão prazer por um momento; a Luz fica para sempre. Não troque tudo por uma pequena gratificação do ego.


RESISTÊNCIA AO EMBARAÇO

Você comete um erro grande. Se todo mundo perceber, você vai ficar com a cara toda vermelha de tanto embaraço. Você reage e tenta encobrir o erro. Resista! Ame a humilhação. Receba tudo. Baixe suas defesas. Baixe sua guarda. Caminhe lentamente pela desgraça e absorva o máximo de embaraço possível. Fique vulnerável. Reconheça que esta é uma oportunidade de destruir o ego. No fim, seu ego será subjugado, e você verá que ninguém sequer chegou a perceber seu erro. É assim que a Luz funciona.


RESISTÊNCIA AO EGO

Você sai com amigos e conhece novas pessoas. É apresentado por seus amigos como o inteligente do grupo. Então, se sente pressionado a responder a uma pergunta difícil e não tem 100% de certeza da resposta. Sua reação inicial é fingir e enrolar o máximo que puder. Resista! Simplesmente diga: "Eu não sei.” Deixe ficar por isso mesmo. Depois, resista aos pensamentos reativos que lhe dizem que seus amigos podem não gostar, não admirar ou não procurar mais você.


RESISTÊNCIA A DÚVIDAS

Você aplica a sabedoria da Cabala em sua vida. Você usa o princípio da Resistência numa situação da vida real. Não há resultado. Dúvidas invadem a sua mente. "Não funciona você diz a si mesmo. Resista a esses pensamentos reativos! É um teste para ver se você realmente se entregou. Toda vez que você busca resultados, estraga o exercício inteiro. Este é o paradoxo final. Busque resultados e eles não virão. Desista, e você leva tudo!

Isto é mais ou menos tudo o que este livro pode fazer por você neste assunto em particular. O resto depende de você. É preciso mergulhar nas situações caóticas da vida e "simplesmente fazer". Você conhecerá a força e a magia da Resistência experimentando-a na vida real.

Mas, adivinhe o quê? Assim que passou de reativo para proativo, você eliminou o Pão da Vergonha. Você se transformou espiritualmente naquela dada situação. Está agora pronto e capacitado para receber a Luz eterna da plenitude naquele aspecto da sua vida. Você realizou o propósito de sua existência naquela circunstância específica.


O DESAFIO DE UM MILHÃO DE DÓLARES

Suponha que você se encontra com severas dificuldades financeiras. Deus vem a você e diz que lhe dará um milhão de dólares toda vez que alguém lhe magoar ou lhe irritar — desde que você deixe completamente de lado quaisquer sentimentos reativos. Posto de forma simples, você não pode levar nada de forma pessoal.

O que se passaria na sua cabeça o dia todo? Você ficaria rezando para Deus lhe mandar pessoas para magoá-lo. Você acordaria a cada manhã procurando todos os relacionamentos difíceis e todas as pessoas ofensivas!

O fato é que quando você vive a vida desta maneira, recebe algo que vale mais que um milhão de dólares. Você recebe a Luz, que já inclui sustento financeiro, rejuvenescimento, bem-estar, felicidade e paz de espírito.

Fomos programados a evitar os problemas e a depreciar os obstáculos. Fomos condicionados a refutar e rebater todas as opiniões e argumentos apresentados tanto por nossos inimigos como por nossos amigos. O Satan desempenha um papel central em criar este caos, e a técnica que ele utiliza é tão antiga quanto a própria humanidade...


TENTAÇÃO

Lembre-se do momento em que uma lâmpada se queimou em sua casa. A lâmpada queimou porque o filamento se partiu, permitindo que houvesse uma conexão direta entre os pólos positivo e negativo. Não havia nenhuma Resistência.

Quando uma lâmpada sofre um curto-circuito e explode, a intensidade momentânea do clarão é sempre bem mais forte do que a luz sob condições normais. Da mesma maneira, o prazer momentâneo provocado pelo comportamento reativo é muito mais poderoso e embriagante do que o prazer progressivo da Luz que é gerado pela Resistência.

Nosso adversário não perde nenhuma oportunidade para acenar com um prazer imenso para nossos cinco sentidos. Com demasiada freqüência, aceitamos sua oferta, porque o comportamento reativo é muito tentador. Ele fornece um arroubo impressionante de energia.

A intensidade da Luz resistida pode não brilhar tanto quanto o clarão de um curto- circuito, mas o volume de iluminação produzido pela Resistência é bem maior. As drogas e o álcool, de maneira semelhante, demonstram a força de um curto-circuito. De acordo com a Cabala, os tóxicos realmente elevam a alma para níveis mais altos da atmosfera espiritual. Como o psicanalista Carl Jung apontou, não é por acidente que o álcool também é chamado de espírito. O problema é que as drogas nos conectam com essas energias de forma muito direta. Como resultado, sofremos um curto-circuito. Caímos. Nos queimamos e, depois, apagamos.

O cabalista Rav Berg faz uma importante distinção entre os motivos moralistas para a abstinência às drogas em oposição ao ponto de vista cabalístico. Embora o nosso objetivo na vida seja ascender para estados de consciência mais altos, as drogas e o álcool são completamente inadequados para cumprir esta intenção. Precisamos encontrar formas de alcançar este estado de existência mais elevado permanentemente, e não momentaneamente. Mas o Satan usa a todo momento a força da gratificação instantânea e dos altos e "ataques" momentâneos para despertar nossas reações. Seu único propósito é criar curtos-circuitos, diretamente e de tal forma que, por fim, nos precipitemos para a escuridão.


DIETA RELÂMPAGO

Bárbara está 15 quilos acima do peso. Ela tem feito dieta e exercícios há algumas semanas. Mas alguém generosamente oferece a ela uma fatia de torta de chocolate, que é a sua favorita. O instinto reativo do seu corpo é aceitar com gratidão. Mas um conflito ganha força na cabeça de Bárbara: Será que deve desistir da dieta agora e começar de novo na segunda-feira, ou será que deve persistir no programa?

Bárbara tenta estimular sua força de vontade. Ela reúne o máximo de força que consegue, enquanto tenta relembrar o entusiasmo que existia por trás de sua jura inicial de perder peso. Ela quer desesperadamente reencontrar o sentido de dedicação original, em vista de um estilo de vida mais saudável. Sim, ela quer voltar a caber no seu jeans velho. Bárbara quer se manter fiel ao seu objetivo de perder peso. Ela sabe que precisa resistir.

De repente, alguém mais entra em cena. O Satan enche a cabeça de Bárbara com desejos imensamente vividos e convincentes, e Bárbara vai lentamente se quebrando, com o pensamento de lamber uma calda cremosa escorrendo de um garfo. Enfim, ela sucumbe ao impulso reativo.

Uma vez que já entregou o controle, mais vale comer a torta com força total. Pelo menos é isto que o adversário lhe diz. E ela come mesmo. E está uma delícia. Logo, o corpo de Bárbara está desfrutando de uma invasão de açúcar. Os canabinóides no chocolate induzem o mesmo tipo de onda proporcionado pela maconha. E o chocolate age como um substituto barato para o amor, porque contém uma substância estimulante que gera a emoção que sentimos quando nos apaixonamos. A gordura de cacau estimula a produção de entorpecentes no cérebro de Bárbara, que incitam ainda mais sentimentos de prazer. E há ainda aquela velha favorita, a cafeína, que também estimula seu cérebro e bombeia adrenalina por suas veias. Gratificação instantânea!

Mas a história ainda não acabou. De repente, o acometimento de prazer se desgasta. O açúcar no sangue de Bárbara desaba. Ela cai. Cabalisticamente, a Luz da torta foi cortada por um curto-circuito. Neste ponto, Bárbara fica devastada por sentimentos bastante familiares de culpa, arrependimento, depressão e desapontamento.

Se Bárbara tivesse resistido ao desejo reativo de consumir a torta, e em vez disso tivesse comido uma maçã, seu corpo e sua alma teriam se sentido saciados. Não de maneira intensa, mas de forma temperada, equilibrada e satisfatória. E o que é mais importante, 24 horas depois ela ainda estaria sentindo sentimentos de realização, valor próprio e plenitude.

Enfrentamos decisões duras todos os dias, no trabalho, em situações sociais, na vida familiar. Continuamos reagindo a todos os estímulos externos, que vêm de todos os lados? Ou paramos as reações, para trazer um pouco de sanidade espiritual para as nossas vidas?

Por algum motivo, simplesmente não é fácil resistir à gratificação imediata. Preparamos a mente, voltando-a para o objetivo de não reagir, mas, quando chega a hora, somos atacados pelos prazeres passageiros de um momento reativo. À medida que lemos estas idéias neste livro, ficamos entusiasmados por um momento. No dia seguinte, alguém nos insulta, uma negociação fracassa, alguém fala mal de nós, e recaímos novamente em nosso estilo reativo.

Antes de descobrirmos por que temos tanta dificuldade em resistir à tentação, é necessário revelar outra arma do arsenal do Satan.



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*Fonte: https://pt.scribd.com/doc/39897856/O-Poder-Da-Cabala-Tecnologia-Para-a-Alma-Yehuda-Berg

quinta-feira, novembro 01, 2018

O Poder e a Sabedoria da Cabala - 7/10

- Rav Yehuda Berg - 


PARTE QUATRO: O JOGO, O NOSSO ADVERSÁRIO E A ARTE DA TRANSFORMAÇÃO ESPIRITUAL

O JOGO MAIS ANTIGO

Imagine 22 pessoas reunidas num campo de futebol. Todas são dotadas de um talento atlético extraordinário, no nível de Pelé, Garrincha, Rivelino e Didi. Recebem todo o equipamento necessário para jogar futebol: a bola, chuteiras, uniformes, as traves. Tem até torcida.

Mas suponha que lhes falte um ingrediente vital — as regras do jogo. Essas 22 pessoas nunca ouviram falar de futebol e não têm absolutamente a mínima idéia do que seja. O que aconteceria se fosse dito a todos esses jogadores que jogassem um jogo chamado futebol, e não lhes fosse permitido deixar o campo até serem tão capazes quanto campeões de uma Copa do Mundo?

Imagine o caos! Brigas. Discussões. Frustração. Desistências. Alguns jogadores talvez façam suas próprias regras. Embora dotados com os atributos de craques do futebol, só o que conseguem produzir é um pandemônio.

De acordo com a Cabala, não importa quanto talento possuímos. Sem as regras do jogo, o resultado é o caos. O que nos leva a um jogo bem mais antigo que o futebol, e bem mais misterioso. O livro de regras deste jogo tão desafiante foi registrado num antigo manuscrito cabalístico há cerca de 2.000 anos. O livro se chama o Zohar, e ele contém todos os segredos espirituais que dirigem o Jogo da Vida.

Segundo a sabedoria do Zohar, cada um de nós é um Pelé em potencial no jogo da vida. Cada um de nós nasce neste mundo com um enorme talento. Mas para a maioria de nós, esse talento acaba não sendo aproveitado — porque temos jogado o jogo sem saber como ele deve realmente ser conduzido.

A Cabala definitivamente nos dá regras, mas sem impor constrangimentos para nossa experiência diária do mundo. Em vez disso, ela apresenta um conjunto de leis espirituais universais que nos liberam e nos dão poder, em corpo e em alma. Essas leis são os 14 Princípios Espirituais que estão sendo apresentados ao longo deste livro.

Antes de podermos começar a entender os princípios espirituais da Cabala num nível mais profundo, contudo, temos que superar um obstáculo. Aquelas pessoas talentosas no campo de futebol agora têm um livro de regras, mas suponha que tivessem os olhos vendados antes de entrarem em campo. Apesar de saberem as regras, não podem enxergar. E assim, permanece o caos!

De acordo com a Cabala, cada um de nós vem a este mundo com uma venda nos olhos. Antes de podermos continuar aprendendo as regras do jogo da vida e de podermos verdadeiramente agir a seu respeito, temos que retirar a venda dos olhos e descobrir uma coisa especialmente importante — Quem é o nosso adversário?


CONTRA-INTELIGÊNCIA

Por que a natureza humana parece ser tão orientada em direção a um comportamento autodestrutivo? Por que nos ocupamos de atividades que sabemos serem ruins para nós, mesmo quando não queremos? Por que deixamos de fazer o que é bom para nós em troca

do que é prejudicial? Por que a ambição é mais tentadora e divertida do que a generosidade? Por que é tão fácil ficarmos viciados em todas as coisas prejudiciais? Por que é tão difícil desenvolver bons hábitos?

Raiva, medo, inveja, preguiça — todos os nossos traços de comportamento negativos e destrutivos — são como a força da gravidade. Não importa o quanto nos esforcemos para pular três metros de altura, não conseguimos. A negatividade constantemente nos puxa para baixo, não importa o quanto estejamos comprometidos em nos libertar. Faz parte de nossa natureza.

Mas viemos a este mundo para mudar nossa natureza! Este é o acordo que foi fechado no Mundo Infinito. Nós, o Receptor, não receberíamos mais a plenitude verdadeira e duradoura a não ser que removêssemos o Pão da Vergonha, a não ser que antes transformássemos a nossa natureza reativa em proativa. Mas esta tarefa é extremamente difícil. A bem dizer é quase impossível. Por que a natureza humana tende tanto para o lado negativo?


O ADVERSÁRIO

A mudança verdadeira é tão difícil porque, como em qualquer jogo, enfrentamos um adversário no jogo da Criação, um adversário que tenta constantemente influenciar e controlar o nosso comportamento.

Aprendemos que, devido ao Pão da Vergonha, o Receptor queria merecer a Luz e ser a causa de sua própria plenitude. Uma maneira de obter uma compreensão ainda mais profunda do Pão da Vergonha é considerar qual é o objetivo de um jogo.

Em qualquer competição atlética, o objetivo é vencer. Pode ser um grande time ou mesmo uma pequena equipe da terceira divisão do interior. Se você perguntar a qualquer jogador o que eles estão tentando realizar, ele dirá que é ganhar o jogo. Mas será que o objetivo é esse mesmo?

Suponha que um cabalista evocasse uma fórmula mágica que permitisse ao seu time vencer absolutamente todos os jogos. Não importa o que acontecesse, você ganharia sempre. Jogo após jogo. Uma temporada atrás da outra. O resultado seria sempre predeterminado, e sempre haveria a mesma vitória garantida.

Como seria isto, na verdade? Você rapidamente descobriria que o jogo havia se tornado extremamente chato. O incentivo estaria perdido.

Será, então, que podemos realmente dizer que o objetivo final é ganhar? O que realmente queremos de um jogo é o risco, o desafio, e até mesmo a possibilidade de perder. Mais do que ganhar, é o teste de nossa habilidade que faz tudo valer a pena.

É o conceito de perder que dá definição, existência e sentido ao conceito de vencer. Nós "tínhamos tudo" no Mundo Infinito. Exceto uma coisa: a capacidade de adquirir, de merecer, e de ser a causa da plenitude que a Luz nos concedia. Assim, rejeitamos a Luz para nos tornarmos como a Luz — para nos tornarmos os criadores de nossa própria plenitude.

Queríamos a oportunidade de jogar por nós mesmos o jogo da Criação, de arriscar perder, temporada após temporada, vida após vida, em troca desta chance única de ganhar tudo e trazer o troféu para casa. Só então poderíamos ter a possibilidade de conhecer sentimentos genuínos de realização e felicidade. Só então poderíamos verdadeiramente maximizar o nosso poder de ser proativos. Se não nos testássemos até o nível mais alto possível, a semente proativa divina dentro de nós jamais floresceria completamente.

Como atletas olímpicos espirituais, devemos nos treinar mental e espiritualmente para que a parte divina de nossa natureza possa se desenvolver e se manifestar. Este treinamento satisfaz a nossa necessidade de merecer e de criar a Luz em nossa vida, e erradicar o Pão da Vergonha.


A FIRMA

Um homem constrói a partir do nada uma firma que se torna uma corporação multimilionária. Depois de dirigir a firma durante 25 anos, ele decide se demitir de seu cargo de diretor executivo. Ele passará a ser presidente do conselho, um cargo mais honorário do que prático.

Vendo que sua filha é abençoada com talentos iguais aos seus, o homem outorga a ela a propriedade de 50 por cento do negócio, e também o cargo que lhe pertencia. No entanto, a promoção causa um problema para a jovem. O sangue, o suor e as lágrimas de seu pai — e não o seu próprio — construíram a companhia, e apesar de o pai ter dado a companhia a ela por amor, admiração e respeito, a jovem sente como se tivesse recebido uma esmola.

A filha obviamente adoraria ter a propriedade de metade da empresa e o cargo de diretora executiva, mas, sob as condições corretas. Ela então concebe um plano. A companhia emprega milhares de pessoas e, por isso, na verdade ninguém sabe quem ela é. Ela decide pedir um emprego no setor de estoque. Trabalha duro durante vários meses. Depois de algum tempo, ganha uma promoção. Mais tarde, ganha outra. Continua trabalhando extremamente duro ao longo dos anos, e através de incontáveis horas de esforço, determinação, e com a cabeça para os negócios que herdou, ela aprende todos os aspectos operacionais, à medida que sobe a escada do sucesso. Enfim, ela trilha o seu caminho até o topo da firma e se torna presidente e diretora executiva.

Qual a diferença entre ter herdado a propriedade do negócio e ter subido todos os postos? A diferença é que, na sua própria cabeça, a filha não tinha merecido de fato a propriedade até ter labutado seu próprio caminho até o topo, vindo de baixo.

A filha sabia que uma vez que tivesse alcançado a liderança através de suas próprias ações, poderia desfrutar de tudo que seu pai tinha pretendido para ela. Além disso, só através desse processo o objetivo do pai estaria realizado por completo.

É importante entender que em nenhum momento durante a subida da filha pela escada da corporação o pai poderia ter interferido. Se a sua filha tivesse sentido qualquer dor ou revés, ou mesmo se tivesse sido despedida, o pai teria que se manter fora do caminho e permitir que ela resolvesse as coisas por si própria, não importando o quanto isto pudesse ser doloroso.

Mas o pai tinha confiança em sua filha. Afinal, ele a criou e sabia que ela era abençoada com as mesmas características que ele próprio possuía. Sabia que uma vez que tivesse trilhado seu caminho até o topo pelo próprio mérito, ela chegaria a verdadeiramente conhecer e apreciar o maravilhoso sentimento de realização e plenitude de ser proprietário da companhia.

Nesta história, a filha é uma metáfora para nós — o Receptor — e o pai é uma metáfora para a Luz. O Receptor precisa expressar sua natureza proativa herdada para remover o Pão da Vergonha. Para sermos proativos, temos que primeiro ser reativos. E para sermos reativos, precisamos do desafio. Para fazer com que essa transformação de reativo para proativo seja significativa, válida e completa, precisamos de um adversário poderoso para nos testar.

Quem é o nosso adversário?


BATALHA INTERNA

Há dois mil anos, o Zohar revelou o nosso adversário. O Zohar identificou inclusive as diversas técnicas, armas e estratégias que ele utiliza. Ele é a causa invisível do caos no mundo físico e no espírito humano. É dele a voz que sussurra: "Coma o bolo agora. Recomece a dieta na segunda-feira.” É ele quem estimula sentimentos de desespero, de pessimismo, de medo, de ansiedade, de dúvidas e de incerteza. Ele fomenta também o excesso de confiança, a brutalidade, a ambição, o ciúme, a inveja, a raiva e a vingança. O adversário é a voz que diz: "Vá e faça!" embora nós saibamos que não deveríamos. O adversário é a voz que diz "Não se importe com isto!" embora saibamos que deveríamos nos importar.

E o pior de tudo: Mesmo quando queremos aplicar a Resistência em nossa vida e parar o comportamento reativo, nosso adversário sagazmente nos convence a não fazê-lo.

Por exemplo:

• Você faz uma promessa de começar a comer comidas saudáveis — mas no momento em que vê uma guloseima, o adversário o convence a adiar por mais um dia.

• Você promete passar mais tempo fazendo coisas boas com a sua família — mas alguma coisa o compele a ter uma jornada semanal de 60 horas de trabalho.

• Você está dirigindo e um transeunte precisa de algum tipo de ajuda. Seu pensamento inicial é parar e ajudar — mas o seu adversário o convence de que outra pessoa provavelmente ajudará. Você continua indo apressado para o seu encontro marcado para a hora do almoço, enquanto o adversário passa o resto do dia tecendo racionalizações para a sua falta de generosidade.

• Você se propõe a economizar um pouquinho de dinheiro todo mês e a se fiscalizar para ser mais responsável — mas a cada mês o adversário o convence a gastar tudo futilmente, oferecendo à sua mente justificativas para cada despesa.

• Você entra numa loja de comida natural e gasta um monte de dinheiro em todos os tipos de vitaminas, realmente se comprometendo a fazer um regime diário de nutrientes. Seis meses depois, as garrafas estão cheias até o meio em sua prateleira. No ano seguinte a mesma coisa acontece quando você se vê novamente na loja de comida natural. Desta vez você se promete que vai ser diferente — mas não é.

• Você é convidado para uma importante festividade familiar. Você sabe que a coisa certa a se fazer é estar presente, mas uma voz crepita dentro de você, conjurando uma desculpa esfarrapada. Em vez de ir, você fica em casa e assiste a um vídeo.

• Um amigo próximo confia em você, compartilhando um segredo pessoal. Você promete ao seu amigo (e a si mesmo) não contar para ninguém. Poucos dias depois, o adversário cutuca as palavras para fora da sua boca enquanto você está fofocando com alguma outra pessoa. Você de fato vê a si mesmo dando com a língua nos dentes, apesar de saber, enquanto as palavras escorregam para fora de sua boca, que não devia estar fazendo isto.

• Um amigo querido se muda para uma casa mais bonita que a sua, ou veste uma roupa nova ou tem um carro novo e atraente. Você diz a si mesmo que deve ficar feliz por seu amigo, mas o rosto pavoroso da inveja começa a despontar, e você não consegue controlar o seu ardor dentro de si, ainda que queira. O ressentimento e a felicidade pela outra pessoa lutam pelo controle de suas emoções.


O ADVERSÁRIO

Ao longo da história, religiões, filósofos e poetas deram nomes ao adversário, nomes que incluem Lúcifer, Belzebu, o Capeta, Mr. Hyde, a Má Inclinação, o Lado Escuro, Darth Vader, o Senhor das Trevas, a Besta, e a Bruxa Malvada do Oeste!

Não importa o nome que você escolher, os antigos cabalistas dizem que o adversário é real, muito real. Apesar de você não conseguir ver esse adversário com os seus olhos, ele é tão real quanto os átomos invisíveis no ar e tão ubíquo quanto a força invisível da gravidade. Então, esteja avisado. O adversário está observando você neste exato instante, enquanto você lê estas palavras. Seu verdadeiro nome, conforme é revelado pelos antigos sábios da Cabala, é ____ . Em português, isto se traduz como "o Satan" — pronunciando a letra "n" no final.

O Satan não é o demônio coberto de vermelho com dois chifres que segura um tridente maligno. Essas superstições serviram somente para esconder ainda mais o seu verdadeiro propósito e identidade. Seu nome é um código para o comportamento reativo, movido pelo ego, e ele é o derradeiro mestre da magia. Seu talento para enganar é mais bem resumido com uma frase do filme Os Suspeitos: O maior truque que o diabo já fez foi convencer a humanidade de que na verdade ele não existe!

O Satan nos enganou, nos fazendo acreditar que somos vítimas de forças externas e das ações de outras pessoas. Ele nos convenceu de que o nosso inimigo é alguma outra pessoa, e não a nossa própria natureza reativa. O tempo todo, ele se esconde nas sombras de nossas mentes, se ocultando nos recessos escuros de nosso ser de forma tal que nós nunca saibamos que ele existe. Ele infla os nossos egos, nos fazendo pensar que somos brilhantes e que temos controle de nossas vidas. Todas as dúvidas que você tem sobre a sua existência, são de criação dele.

E o que é mais importante, ele nos cega para a nossa própria natureza divina, de forma que nem mesmo reconhecemos nosso objetivo na vida. Pense nisto. Quantas pessoas você conhece que realmente olham para dentro a cada dia, tentando arrancar pela raiz as suas características reativas negativas? No entanto, este é o verdadeiro objetivo de nossa existência.


ALTERANDO O NOSSO DNA

Quando a força chamada Satan veio à existência, sua aparição acrescentou mais um elemento ao nosso Desejo de Receber. Foi como se o nosso DNA espiritual tivesse sido alterado, com o acréscimo de algumas letras a mais ao genoma humano. Essas letras genéticas adicionais são:

s. o. m. e. n. t. e. p. a. r. a. s. i. m. e. s. m. o.

A humanidade foi imbuída com um Desejo de Receber Somente para Si Mesmo. Este "gene egoísta" adicional vem do Satan. Esta é a única raiz e força motivadora por trás da natureza reativa da humanidade e de nosso comportamento individual impetuoso e irrefletido. É isto que torna tão difícil a transformação de intolerante para tolerante.

O Desejo de Receber simplesmente atrai e puxa energia. O Desejo de Receber pode atrair posses materiais e espirituais para nós mesmos apenas ou para o intuito de também compartilhar com os outros.

O Desejo de Receber Somente para Si Mesmo, entretanto, não deixa nem um bocado e nem uma porção para mais ninguém. Como um buraco negro no espaço, esse desejo consome tudo que está em seus arredores, a tal ponto que nem mesmo a própria Luz espiritual pode escapar do seu poder.


A DIFERENÇA ENTRE DESEJO DE RECEBER E DESEJO DE RECEBER SOMENTE PARA SI MESMO

Desejo de Receber é quando você vê a propriedade espiritual ou física de uma outra pessoa e o desejo pela mesma propriedade é despertado dentro de você. Mas, o Desejo de Receber Somente para Si Mesmo é quando você adquire uma propriedade material, como um carro ou uma nova roupa de um estilista, e ainda assim se sente mal e tem inveja de seu vizinho que comprou a mesma coisa, apesar de que isto não diminui de forma nenhuma a sua própria propriedade. Em outras palavras, ninguém mais deveria ter, só nós mesmos.

O Desejo de Receber Somente para Si Mesmo é manipulado e controlado pelo nosso adversário da seguinte maneira.


CAMPOS DE BATALHA

"Descobrimos que o Universo demonstra evidências de um Poder planejador ou controlador que tem algo em comum com nossas próprias mentes." (- Sir James Jeans, físico)

A batalha contra o nosso adversário vem sendo travada há muito tempo. Contudo, ela ocorre num terreno muito turvo e mal compreendido, que vem a ser a paisagem da mente humana. Mas antes de podermos realmente entender o que isto significa para nós, precisamos compreender o que é a mente, na verdade.

Suponha que um selvagem primitivo se aventure a sair da selva, sem ter nenhum conhecimento do mundo moderno. Ele encontra um rádio transistor tocando música, e olha para ele espantado, achando que a caixa é a fonte da música. Ele abre o rádio, e acidentalmente puxa o transistor, retirando-o. A música pára. Isto o convence de que o rádio é a fonte. Na verdade, ele pensa que matou a pobre criaturinha. Nós, é claro, sabemos que a fonte da música é na verdade alguma estação de rádio que transmite pelas ondas no ar, a uma distância de muitos quilômetros...

A Cabala ensina que os nossos pensamentos não se originam na matéria física do cérebro, assim como a música não se origina no objeto físico de um rádio. Em vez disto, o cérebro é como uma antena, uma estação receptora que capta um sinal e depois o retransmite para a mente consciente.

Durante a década de 1950, o brilhante neurocirurgião Wilder Penfield iniciou uma extensa pesquisa sobre o fenômeno da mente-cérebro. Seu objetivo era explicar como a consciência emergiu da matéria física do cérebro. Depois de 40 anos de estudo profundo, Penfield admitiu que havia fracassado. Em Mistério da Mente (Princeton University Press, 1975), um livro notável que detalha décadas de sua pesquisa, Penfield escreveu: "A mente parece agir independentemente do cérebro da mesma maneira como um programador age independentemente de seu computador, não importando o quanto ele possa depender da ação do computador para determinadas finalidades."

Mas quem — ou o que — é este programador?


GUERRA DE AUDIÊNCIA

De acordo com a Cabala, duas e estações de transmissão cósmicas — a Luz e o Satan — emitem sinais para os nossos cérebros. É uma batalha pela audiência da mente — uma batalha maior e bem mais importante do que as que são travadas pelas principais redes de comunicações!

Se pudéssemos aprender como distinguir quais pensamentos vêm da Luz e quais pensamentos têm origem no Satan, poderíamos recuperar o controle de nossas vidas.

Um bom ponto de partida é o seguinte:

Qualquer pensamento que seja alto e claro e que nos encoraje a reagir a uma situação é o Satan.

Qualquer pensamento que nos diga que nós somos os arquitetos de nosso próprio sucesso e que nós sabemos mais do que os outros, é mais uma vez a voz do Satan. A noção de que os nossos pensamentos são reações químicas no cérebro também é criação de nosso desonesto adversário.

Se um pensamento é dificilmente audível, uma voz fraca que emana dos recessos de nossas mentes, ele é a canção da Luz. Ou se há um súbito clarão de intuição, um impromptu de inspiração, a transmissão está se originando do plano do 99 por cento.

Essas duas freqüências nas ondas aéreas de nossas mentes se expressam da seguinte maneira:

Os pensamentos do Satan se manifestam como nossas mentes racionais e lógicas e como nossos egos.

O sinal da Luz se manifesta como intuição, sonhos e como uma voz fraca e quieta no fundo de nossas mentes.

Geralmente não estamos em contato com a nossa intuição. Como resultado, o Satan domina as ondas aéreas da mente, tocando seguidamente uma determinada música que é sucesso — a música chamada Reação!

O segredo para tomarmos controle de nossas vidas é cortar o sinal do Satan. Quando paramos os nossos impulsos reativos, literalmente desligamos sua transmissão.

Quando temos sucesso nisto, mesmo que por um momento, o sinal da Luz fica livre para preencher aquele espaço. Nossas vidas e nossas decisões passam a ter raiz na sabedoria infinita. Automaticamente, fazemos as escolhas corretas. Os pensamentos certos vêm para nossas mentes. As palavras per feitas são ditas. Emoções proativas aparecem. As melhores idéias imediatamente afloram. De repente enxergamos a sabedoria profunda num argumento oposto colocado por um colega, amigo ou parceiro. Mas para impedir que isto aconteça, o nosso adversário têm à sua disposição algumas estratégias aguçadas e alguns armamentos moderníssimos.


TÁTICA

O único objetivo do Satan é aguçar em nós o Desejo de Receber Somente para Si Mesmo para que nos desconectemos da Luz. Sua tática principal é simplesmente apertar o nosso botão reativo o dia inteiro. Quando esse botão é apertado, somos consumidos por pensamentos negativos, impulsos egoístas e desejos egocêntricos decorrentes do Desejo de Receber Somente para Si Mesmo.

Desta forma, perdemos o contato com a nossa essência, a nossa alma. Mais um pano é colocado em cima da lâmpada. A cortina entre o 1 por cento e o 99 por cento fica mais grossa. Há mais escuridão em nossas vidas. Dessa escuridão emerge o caos.

Mas quando proativamente reconstituímos a Resistência original — executada pelo Receptor no Mundo Infinito — ao nos recusarmos a reagir, puxamos uma alavanca de emergência que cancela o botão reativo que o Satan apertou. Essa alavanca ativa uma válvula interruptora que imediatamente corta as emoções reativas que inundam nossos corpos. Deixamos de ser reativos. Somos proativos. Fizemos contato com as nossas almas. E é neste instante que a Luz do outro lado da cortina ilumina as nossas vidas.


O QUE ESTÁ EM CIMA FICA EM BAIXO, O QUE ESTÁ EM BAIXO FICA EM CIMA

O cabalista Rabi Yehuda Ashlag, o místico do século XX, disse que as pessoas geralmente percebem os eventos como o oposto exato de seu verdadeiro estado de realidade, por causa de sua visão limitada da realidade.

Para ilustrar este ponto, ele ofereceu este experimento mental simples:

Imagine um homem que viveu em total isolamento desde o nascimento. Nunca observou uma criatura viva, seja humana ou animal, em toda a sua vida. Diante dele estão um hipopótamo recém-nascido e um bebê humano recém-nascido. Ele observa os dois. O bebê obviamente não é capaz de cuidar de si mesmo. Não consegue engatinhar, quanto mais andar, e precisa ser carregado de um lugar para o outro. Não é capaz de comunicar claramente as suas necessidades e nem de se alimentar sozinho. O bebê não percebe por completo as suas cercanias. Se irrompesse um fogo perto dele, por exemplo, nem perceberia o perigo. Basicamente, o recém-nascido está desamparado. O bebê hipopótamo, porém, imediatamente percebe o seu ambiente. Sabe fugir do fogo. Consegue se alimentar. Cinco minutos depois do nascimento, o hipopótamo recém- nascido consegue andar e nadar.

A que conclusão o nosso observador isolado chegaria? Provavelmente ele acharia que o hipopótamo é uma criatura mais avançada do que o bebê. Rav Ashlag ensinou que quanto mais avançada é uma criatura no começo do crescimento, menos desenvolvida ela será no final. Inversamente, quanto menos avançada é uma criatura no começo do seu desenvolvimento, mais avançada e evoluída ela será no final.

O mesmo princípio funciona em todas as áreas da vida. Oportunidades que parecem promissoras no início acabam se tornando um desastre, enquanto situações aparentemente sem esperança inesperadamente demonstram ser bênçãos disfarçadas. Julgamos mal as situações porque nos falta a capacidade de perceber tanto os efeitos em curto prazo quanto o resultado a longo alcance. Nós reagimos ao momento.

A Cabala ensina que com enorme freqüência o resultado final de qualquer processo na vida será o oposto exato da primeira impressão. Nosso adversário tenta reverter essa verdade espiritual incitando reações ao momento atual.


A ARMA DO TEMPO

A Cabala define o tempo como a distância entre a causa e o efeito. O tempo é a separação entre a ação e a reação. O tempo é o espaço entre a atividade e a repercussão, e o divisor entre o crime e a conseqüência. Mas o tempo causa destruição em nossas vidas. Ele cria a ilusão de caos quando, na verdade, existe uma ordem oculta. Nossos cinco sentidos nos impedem de ver através da ilusão do tempo.

Para nós, parece que o passado se foi e que o futuro ainda não chegou. No entanto, o passado e o presente estão sempre conosco. Dois mil anos depois de os antigos cabalistas terem revelado este conceito, Einstein fez asserções semelhantes. São unicamente os limites de nossa consciência que nos impedem de perceber o ontem — e o amanhã — neste exato instante!

Mas como o passado, o presente e o futuro podem todos existir ao mesmo tempo? Imagine um prédio de 30 andares. Estamos agora no 15° andar, que representa o momento presente. Os andares de 1 a 14 representam os incrementos de tempo que nos trouxeram até este momento. Os andares de 16 a 30 representam o futuro de nossas vidas. O que nós percebemos atualmente com os nossos cinco sentidos? Somente o 15° andar. Não podemos ver os andares de baixo e nem os andares de cima. Contudo, todos os andares — isto é, o passado, o presente e o futuro — existem como um todo unificado: o prédio de 30 andares inteiro. E se nós formos para fora do edifício e olharmos de longe, poderemos ver todos os 30 andares juntos!

Este é um belo conceito abstrato para manter a mente ocupada, mas qual é a lição para a nossa vida? O que nos importa se o tempo na verdade é unificado? Quem se importa com o fato de que o amanhã está aqui agora? Não podemos ver o amanhã e não podemos perceber o ontem, então que bem nos traz esta informação?

Boas perguntas, e há uma lição a ser aprendida.


TÁTICA DE IMPEDIMENTO

A ilusão do tempo cria uma distância entre a causa e o efeito. Há um espaço entre o comportamento e sua conseqüência. Existe uma separação entre as nossas ações e as suas repercussões. Esta distância impede que percebamos as conexões entre os eventos de nossas vidas. Podemos ter plantado uma semente negativa há 30 anos mas, até ela brotar, esquecemos a semente. Por fim, uma árvore (caos) apareceu "de repente", do nada. Só que nada acontece por acaso. Tudo pode ser seguido até encontrarmos alguma semente plantada em nosso passado. O tempo simplesmente nos faz esquecer a ação causadora original. O caos parece ser repentino porque o tempo separou a causa do efeito.


O TESTE DO TEMPO

Quando nos comportamos proativamente, o Satan usa o tempo contra nós para sabotar nossas realizações. Assim como o caos pode ser postergado, a Luz que nos é devida também pode ser postergada. Se pensamos ter sido proativos, mas ficamos nos perguntando quando receberemos a Luz, nosso adversário venceu mais um round.

Tratava-se apenas de uma tática de atraso enganadora para nos incitar a reagir com dúvida e descrença. Se aplicamos a Resistência em uma situação e o nosso adversário joga um pouco de tempo no processo, a Luz espiritual devida pode não reluzir imediatamente. Considere o atraso como um teste adicional para garantir que nossa resposta proativa foi genuína e profunda. Se nós reagimos ao atraso, perdemos.

Assim sendo, o tempo é também definido como a distância entre boas ações e os seus dividendos. O tempo é o espaço entre a Resistência e a recompensa.


MANIPULANDO O TEMPO

O Satan também usa o tempo de outras maneiras. Entre essas maneiras, incluem-se os conceitos de "ontem", "hoje" e "amanhã.”

• Ontem: Com muita freqüência, nos apegamos ao passado. Somos prisioneiros de sentimentos de remorso, vingança, ressentimento e de outras emoções destrutivas enraizadas em nosso passado. Nós acolhemos esses sentimentos e permitimos que eles atrapalhem nossas vidas no presente.

• Hoje: Muitos de nós acham tentador fugir dos desafios e pressões do momento presente.
Por isso procrastinamos e adiamos as coisas. Criamos falsas esperanças a respeito do futuro e vivemos negando nossa situação atual.

• Amanhã: Somos tomados pela ansiedade sobre como será. Ficamos amedrontados com o futuro desconhecido, apavorados com o amanhã. Não temos certeza de quais decisões devemos tomar ou quais serão os resultados de nossas escolhas. O medo e o temor nos consomem.

Todos esses sentimentos são reações — por termos permitido que o tempo controlasse as nossas vidas.


A ARMA DA COMPLACÊNCIA

Espiritualidade, de acordo com a Cabala, não é escalar uma montanha para comungar com Deus e com a natureza, meditando às margens de um rio cristalino enquanto os pássaros cantam a beleza do mundo. Isto é bom para uma cena poética, mas não é o propósito de nossas vidas. Assim como também não é o propósito de nossas vidas nos afastarmos do mundo físico, nos isolando no topo de uma montanha para contemplar a magnificência da natureza. De acordo com a Cabala, essas não são maneiras efetivas de alcançar crescimento espiritual.

O nosso caminho foi, por assim dizer, um descer da montanha, para penetrar no mundo do caos, das dificuldades, do tumulto e da aflição, com a finalidade de confrontar os gatilhos que acionam reações. Cada gatilho nos dá a oportunidade de transformar o nosso comportamento reativo e de remover o Pão da Vergonha. Transformação. É assim que reconstruímos o quebra-cabeça da Criação. Como diz um antigo provérbio: "Mares serenos não fazem bons marinheiros."

Na verdade, nossos traços positivos não nos fazem ganhar nenhum ponto na vida. Nossas características admiráveis e nossos talentos especiais não servem para nenhum propósito prático no que diz respeito ao estímulo de novos níveis de satisfação e Luz em nossas vidas. Esses traços já se encontram num estado proativo. Pelo contrário, são as nossas características e traços negativos que nos dão a oportunidade de efetuar uma verdadeira transformação de caráter.

Viemos a este mundo para criar mudança positiva dentro de nós mesmos e no universo ao nosso redor. A mudança positiva irá encontrar resistência, conflito e obstáculos. Devemos abraçar essas situações difíceis. Um homem pode viver numa cidade pequena, numa casa modesta com uma cerca de estacas brancas e um belo jardim do qual ele cuida o dia inteiro. É uma vida boa, uma vida tranqüila. Com a idade de 95 anos ele falece pacificamente durante o sono. Superficialmente, parece ser uma existência ideal. Mas será que era esse mesmo o seu objetivo neste planeta? Houve qualquer mudança interna na vida deste homem? Será que ele é um ser espiritual diferente, mais desenvolvido, na idade de 95 anos do que quando tinha 35 ou 65?

Algumas pessoas vivem 70 anos como se fosse um dia. Algumas pessoas vivem um dia como se fossem 70 anos. A cerca de estacas brancas, a aposentadoria precoce, o estilo de vida simples — tudo isto leva à complacência. Podem ser armas do nosso adversário. Nosso adversário irá instilar complacência dentro de nós para nos impedir de fazer mudanças internas. Então, quando é tarde demais, percebemos que a vida foi vazia e sem sentido.

Ainda pior, algumas pessoas vão para seus túmulos sem perceber que sua existência foi vazia. Lembre-se sempre que nossas características positivas não acendem o interruptor de Luz. A Luz só se acende quando identificamos, arrancamos e transformamos as nossas características reativas negativas. É o nível de mudança em nossas naturezas que determina a medida de nossa plenitude.


A ARMA DO ESPAÇO

E o que dizer de todas as pessoas que na verdade parecem ter sucesso com o comportamento reativo, egoísta? Bem, a palavra chave é parecer. Nossas ações em uma área da vida parecem não ter nenhuma relação com as conseqüências em outras áreas. Isto cria uma sensacional ilusão de espaço e de separação, e o Satan toma plena vantagem disto. Se você é um tubarão nos negócios, o Satan tem o poder de redirecionar o caos para a sua vida familiar. Se você engana seu companheiro, o Satan pode dirigir o retorno para os seus negócios.

Durante 99% do tempo, nossas vontades e desejos são implantados pelo Satan. Inversamente, quando a Luz gerada por nosso comportamento proativo nos negócios se materializa em nossa vida pessoal, o Satan nos manterá preocupados com os negócios.

Quando a Luz não se materializa como lucros maiores, assumimos que o nosso comportamento proativo não está funcionando. Não iremos notar que de repente nossos filhos estão sentindo uma ligação espiritual maior conosco. O Satan limita nossa visão e concentra a nossa atenção em situações que alimentam os nossos egos, e deixamos então de apreciar e de receber a riqueza que a vida nos oferece.


A ARMA DO DISFARCE

Uma das armas mais potentes do Satan é a capacidade de nos confundir. Nos sentimos tristes e desorientados, zangados e invejosos, e nunca sabemos quem é o nosso verdadeiro adversário.

Em meio a todas as fusões e aquisições de empresas, tomadas de poder, das grandes negociatas, das construções de riquezas, das promoções, mudanças de emprego, brigas conjugais, divórcios, ações legais, operações de ponte de safena, dos atos de calúnia, das intrigas, más línguas, racionalizações, justificativas, e de colocar a culpa nos outros, nós achamos que os adversários são os nossos vizinhos e amigos, que nos sentimos compelidos a superar com nossos carros, casas, roupas e férias. Ou achamos que o adversário é o nosso competidor nos negócios. Ou a pessoa no emprego que recebe todo o crédito pelo nosso trabalho. Ou talvez o adversário seja todo este mundo podre, todo o sistema corrompido que nos deixou na mão e nos tratou mal. Talvez por isso nossas vidas sejam tão miseráveis.

Mas não é assim. O Satan é um mestre da magia. Um mestre dos disfarces. O Satan projeta a si mesmo nas outras pessoas, de forma que você reconheça todas as suas falhas nos outros e veja o inimigo como a outra pessoa. Na realidade, você está jogando contra o Satan e nem sabe disso. Você chega até mesmo a duvidar da existência dele neste exato instante, enquanto lê um livro de Cabala que o identifica claramente!

Quando alguém lhe traz prejuízo e você reage, você perde. E o que é ainda mais extraordinário, de acordo com a Cabala você mereceu ser prejudicado por aquela pessoa por causa de algum ato negativo que cometeu anteriormente em alguma área de sua vida. É um comportamento proativo de importância crítica lembrar desta difícil verdade da próxima vez que a vida gongar em cima da sua cabeça: Sendo assim, o Sexto Princípio Cabalístico afirma: Nunca — mas nunca mesmo — coloque a culpa em outras pessoas ou em eventos externos.


DESMASCARANDO O NOSSO VERDADEIRO ADVERSÁRIO

Eis aqui uma técnica muito poderosa e prática para ajudá-lo a pôr esta regra em ação. Toda vez que alguém fizer alguma coisa realmente desagradável com você, imagine poder realmente ver o Satan sussurrando no ouvido da pessoa, causando todo o comportamento negativo. Veja a pessoa na sua frente como um fantoche indefeso, sob completa influência do Satan. Reconheça nele o culpado. Imagine-o rindo de vocês dois, enquanto tenta atiçar as chamas de ódio e de conflito entre vocês.

Como você se sente agora? Isto deve ajudar a aliviar as suas emoções reativas em relação a esta pessoa, colocando-o num estado mental melhor para o verdadeiro trabalho espiritual que começa quando você olha para dentro. E então você poderá ver que o Satan estava sussurrando no seu ouvido também. Todos os seus sentimentos negativos estavam sendo provocados por suas sugestões. Ele estava ajudando você a projetar todas as suas características negativas na outra pessoa o tempo todo. O fato é que você só pôde reconhecer e reagir às características negativas dos outros porque também as possui.



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*Fonte: https://pt.scribd.com/doc/39897856/O-Poder-Da-Cabala-Tecnologia-Para-a-Alma-Yehuda-Berg

segunda-feira, outubro 29, 2018

O Poder e a Sabedoria da Cabala - 6/10

- Rav Yehuda Berg - 


A TEORIA DA REATIVIDADE

"Todos pensam em mudar o mundo, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo." (- Leo Tolstoi)

"Eu queria mudar o mundo. Mas descobri que a única coisa que alguém pode ter certeza de mudar é a si mesmo." (- Aldous Huxley)

Quando olhamos para o âmbito do 99 por cento, descobrimos quatro atributos chaves que herdamos da Luz e que precisamos expressar em nosso mundo para eliminar o Pão da Vergonha.

São:

1. Ser a Causa
2. Ser Criador
3. Estar no Controle
4. Compartilhar

Em nosso mundo físico, essas quatro qualidades se unem numa única característica. Meu pai, o cabalista Rav Berg, a expressa elegantemente em uma palavra, diretamente relacionada com o comportamento humano: PROATIVO!

Além disso, todas as características do Receptor — isto é, da humanidade — podem ser expressas com uma única palavra: REATIVO!

Reativo significa:

1. Ser o Efeito
2. Ser uma Entidade Criada
3. Ser Controlado por Tudo
4. Receber

Em termos bem simples, a missão do Receptor é se transformar de uma força reativa em uma força proativa. Agora, veja só:

Este é objetivo final da vida;
A razão de nossa existência;
O sentido de nossas vidas;
Este é o caminho de volta para casa;
A rota para a plenitude infinita;
O segredo para eliminar o Pão da Vergonha;
E a verdadeira definição do termo transformação espiritual.

Desvelamos agora o Quarto Princípio da Cabala: O objetivo da vida é a transformação espiritual, passando de reativo para proativo.


ANALISANDO A TEORIA DA REATIVIDADE

Quando reagimos a qualquer situação e eventos externos em nossas vidas, somos meramente um efeito, e não a causa; somos reativos, não proativos.

Se vivemos nossas vidas sem qualquer crescimento pessoal ou mudança de natureza, não criamos novos níveis de existência espiritual para nós mesmos.

Quando permitimos que forças exteriores influenciem nossos sentimentos, positivos ou negativos, abrimos mão do controle.

Quando exibimos comportamento egocêntrico ou autocentrado, não estamos compartilhando, mas, ao contrário, estamos recebendo gratificação para o ego.

Reflita bem sobre isto antes de seguir para o próximo tópico!


UM BIG BANG ESPIRITUAL

Toda vez que reagimos na vida, seja com raiva ou com prazer, a energia que sentimos é uma perigosa conexão direta com o 99 por cento. Esta é a Luz que o Receptor recebia inicialmente no Mundo Infinito. Esta Luz nos dá uma carga de energia. Uma explosão de prazer. Um sentimento de gratificação. No entanto, foi este brilho inicial de Luz que também fez surgir o Pão da Vergonha! O Receptor recusou essa Luz porque ela era recebida deforma reativa.

Toda vez que nos comportamos reativamente, negamos a natureza divina que herdamos. Nossa alma repete então o ato original de Resistência e pára o fluxo de Luz. Uma versão espiritual do Big Bang é mais uma vez executada.

Metaforicamente, mais um pano é lançado sobre a lâmpada. A vida fica mais escura. E é neste ponto que o prazer se esgota. O entusiasmo nos deixa. A carga se vai. É por isso que nos sentimos tão mal depois que reagimos e explodimos com raiva contra nossos esposos. É por isso que caímos depois de experimentar o "alto" das drogas. É por isso que nossa excitação acaba se dissipando depois que compramos um carro novo ou roupas novas. A gratificação ou o prazer que recebemos não foi criado através de nossos próprios esforços proativos. Alguma coisa externa foi responsável por nossa satisfação.

Da mesma forma, se alguém nos faz um elogio e isto nos faz sentir melhor a respeito de nós mesmos, a outra pessoa é a causa, e nós somos apenas o efeito. Nossa felicidade será apenas temporária. Nossa alma é obrigada a reprisar o ato de Resistência e cortar a Luz para evitar o Pão da Vergonha. O resultado final é a escuridão.


UMA ALTERNATIVA ESPIRITUAL

Há uma outra opção disponível para nós, que previne o acontecimento de "big bangs espirituais" em nossa vida. A Cabala chama essa opção de Resistência, termo que significa parar todos os nossos impulsos reativos através de nossas próprias escolhas.

Embora isto possa ser expresso com uma frase curta, colocar a Resistência em prática requer uma força de vontade e um autodomínio quase sobre-humanos.

Em breve, vamos descobrir o porquê do ditado falar é fácil, fazer é que são elas. Tente o seguinte exercício para aprofundar seu entendimento da Resistência e aprender o que realmente significa a transformação.


O JOGO DOS $100.000

Cenário Número Um: Cem mil dólares em notas pequenas estão em cima de uma escrivaninha num escritório. Um homem entra e vê o montante. Ele se certifica de que não tem ninguém olhando, embolsa o dinheiro e foge como um ladrão.

Cenário Número Dois: Um homem entra e vê o dinheiro. Ele começa a tremer, amedrontado até mesmo com a possibilidade de tocar na quantia, quanto mais de roubá-la. Ele foge do prédio como um coelho assustado.

Cenário Número Três: Um homem entra e vê o dinheiro. Ele averigua para ver se não tem ninguém olhando. Ele então embolsa o dinheiro e começa a fugir, mas pára. Sofre por um momento e decide devolver tudo à escrivaninha.

Cenário Número Quatro: Um homem entra e vê o dinheiro. Recolhe o dinheiro e o coloca numa maleta. Tranca a maleta e a entrega para a chefia da segurança. No local, ele deixa uma nota, informando a quem tiver colocado num lugar errado uma larga soma em dinheiro que entre em contato, e ele, então, dirigirá a pessoa às autoridades para que o dinheiro seja devolvido.

Qual cenário revela mais Luz espiritual em nosso mundo? Qual pessoa expressa mais Luz espiritual em sua própria vida? Baseado em tudo o que aprendemos, vamos examinar brevemente cada cenário para descobrir a resposta.

Cenário Número Um: Neste caso o homem é dominado por seu desejo de receber reativo, instintivo, que lhe diz para pegar o dinheiro e fugir. Comportamento reativo não produz Luz alguma.

Cenário Número Dois: Este homem está meramente reagindo ao seu desejo instintivo de ficar amedrontado pelo simples impulso de roubar o dinheiro. Reagir a seus instintos naturais não produz Luz alguma. O homem entra e sai do prédio com a sua natureza inalterada.

Cenário Número Três: O homem inicialmente reage ao seu desejo de roubar o dinheiro. Mas ele então pára sua reação. Ele a fecha, proativamente. Então, indo contra o seu instinto inicial, transforma a sua natureza neste único instante e devolve o dinheiro. Sua transformação de reativo para proativo revela Luz espiritual.

Cenário Número Quatro: Aqui o homem meramente reage ao seu desejo instintivo de fazer a coisa certa. Ele já estava num estado mental proativo com respeito a roubar o dinheiro. Não acontece nenhuma mudança de natureza. Ele continua sendo a mesma pessoa ao longo da situação. Este tipo de comportamento não produz Luz alguma.

O homem honrado deste cenário ainda pode revelar Luz, porém. Depois de devolver o dinheiro, ele não deve reagir a seu ego, que lhe diz que ele é bom e virtuoso. Ele deve resistir ao seu desejo de receber — que, neste caso, significa o seu desejo de receber elogios por sua boa ação. Ele tem que perceber que a grande oportunidade não é o ato físico de devolver o dinheiro; é manter a boa ação em segredo e não louvar a si mesmo.


A LONGA FILA DE SUPERMERCADO DA VIDA

Na próxima vez em que você se encontrar preso em uma longa fila do caixa eletrônico, do engarrafamento ou na caixa de um supermercado, resista ao seu ímpeto de reagir. Não fique frustrado. Não fique impaciente. Não fique zangado. A fila está ali para testá-lo, e para lhe dar a oportunidade de não reagir. Mas se por acaso você reagir, a situação o controla. A situação se torna a causa, e você é o efeito.

Lembre-se sempre que a razão para não reagir à longa fila no supermercado, ao motorista louco que lhe dá uma fechada na estrada, ou ao cunhado que lhe provoca grande irritação, não tem nada a ver com ser educado. Nem tem a ver com moral, ética ou qualquer outro princípio altruístico. Tem a ver com você, como quando se diz, e o que você leva nisto?

Historicamente, a moral nunca levou à paz e à unidade. A moralidade pode ser um conceito nobre, mas jamais mudará a natureza da fera. Nunca o fez, nunca o fará. Somos uma espécie de recebedores, como diz a expressão, e o que eu levo nisto? E tudo bem. Esta foi a intenção do Criador.

Para estarem motivadas a atuar, as pessoas devem receber algo em troca. O propósito da Resistência é conduzir para mais próximo da Luz, a fim de que se possa receber. Então, pare seu desejo reativo de pensar constantemente em si mesmo — não por isto ser moralmente bom, mas porque a transformação serve ao seu próprio interesse.

Cada um de nós tem o poder de trazer plenitude para a própria vida, transformando a sua natureza. Quando um número suficiente de pessoas atingir este nível, o mundo será inundado com uma infusão inimaginável de Luz.


O MOMENTO DA TRANSFORMAÇÃO

Temos duas escolhas na vida:

1. Reagir à situação, caso no qual nossas almas irão por fim resistir à Luz, nos deixando na escuridão do âmbito do 1 por cento.

2. Proativamente, resistir ao nosso desejo de reagir, nos conectando assim com a realidade do 99 por cento.

A opção número dois remove o Pão da Vergonha, abrindo assim caminho para que a Luz preencha as nossas vidas numa circunstância particular. Colocando de outra maneira, no instante em que reagimos à reação, transformamos um aspecto particular de nosso ser — o que vem a ser o objetivo de nossa existência. Automaticamente nos ligamos com o 99 por cento e a medida apropriada de Luz irradia. Por isto, nosso Quinto Princípio Espiritual afirma: No momento de nossa transformação, fazemos contato com o âmbito do 99 por cento!


A FÓRMULA DA TRANSFORMAÇÃO

Transformar a reação em proação funciona da seguinte maneira:

1. Um obstáculo aparece.
2. Perceba que a sua reação — e não o obstáculo — é o verdadeiro inimigo.
3. Feche o seu sistema reativo para permitir que a Luz entre.
4. Expresse sua natureza proativa.

O momento da transformação tem lugar durante os passos três e quatro. É então que você impõe à sua alma a dimensão iluminada da Luz — o âmbito do 99 por cento.


APLICANDO A FÓRMULA DA TRANSFORMAÇÃO

Considere este cenário da vida e observe como funciona a fórmula:

1. Acontece uma situação difícil. Seu amigo explode com você.
2. Sua reação emocional. Você fica abalado, zangado e magoado.
3. Sua reação comportamental. Você grita de volta com seu amigo.


ANALISANDO A FÓRMULA DE TRANSFORMAÇÃO

1. Um obstáculo aparece. Seu melhor amigo explode com você.

2. Perceba que a sua reação é o verdadeiro inimigo. Seus sentimentos de estar abalado, zangado e magoado são o seu verdadeiro inimigo - não o seu amigo.

3. Feche o seu sistema reativo para permitir que a Luz entre. Ponha de lado todas as suas reações emocionais. Ao invés de gritar de volta, deixe que entre tudo. Mesmo que você não tenha culpa, simplesmente deixe o seu amigo descarregar. O que importa não é quem está certo ou errado. O que importa é a sua decisão de não reagir.

4. Expresse a sua natureza proativa. Agora você está em contato com o 99 por cento. As emoções que você irá sentir agora e seu próximo conjunto de ações terão raiz na Luz. Automaticamente, sentimentos e comportamento positivos irão surgir. Você verá uma mudança positiva surpreendente na situação externa que estava confrontando. Seu amigo responderá de uma maneira que você nunca sonhou ser possível. Ou alguma informação iluminadora acerca de seu relacionamento subitamente aparecerá.

Com grande freqüência, nossa atenção fica focada em circunstâncias externas. Alguém de quem gostamos nos magoa. Um negócio não se realiza. Nós discordamos da opinião de outra pessoa. Alguém nos insulta. Um colega recebe a promoção que nós merecíamos. Acontecimentos externos despertam reações dentro de nós o dia inteiro. Ao invés de reagir, aplique a fórmula. Você verá acontecer verdadeiros milagres.


INDO ADIANTE COM A DEFINIÇÃO DE COMPORTAMENTO REATIVO

O comportamento reativo tem por fundamento o Desejo de Receber humano: este é o desejo original que foi criado no Mundo Infinito. O comportamento reativo inclui a ambição, o egoísmo, a auto-indulgência, o ego e coisas desse tipo. O comportamento reativo é qualquer reação que temos a situações externas. Esse comportamento pode incluir a raiva, a inveja, o excesso de confiança, a auto-estima baixa, a vingança e a animosidade. Tome um momento e reflita sobre essas reações. Relembre as vezes em que essas emoções foram provocadas dentro de você. Pense nas situações que fizeram com que esses sentimentos aparecessem.

Na verdade, 99 por cento de nosso comportamento são reativos. Mas este é o plano. Lembre-se, nossa essência é o desejo de receber, de receber satisfação.

Nossa consciência é construída com base em desejos reativos, impulsivos, instintivos. Elevar-se acima dessa consciência constitui a transformação espiritual genuína.

Vamos examinar agora como todos esses conceitos cabalísticos se desenvolvem em nosso mundo real.



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*Fonte: https://pt.scribd.com/doc/39897856/O-Poder-Da-Cabala-Tecnologia-Para-a-Alma-Yehuda-Berg

sexta-feira, outubro 26, 2018

O Poder e a Sabedoria da Cabala - 5/10

-Rav Yehuda Berg -

PARTE TRÊS: O QUEBRA-CABEÇA DA CRIAÇÃO E A TEORIA DA REATIVIDADE


O FAZEDOR DE QUEBRA-CABEÇAS

Havia certa vez um bom e velho fazedor de quebra-cabeças que possuía poderes mágicos. Seu maior prazer provinha de criar quebra-cabeças com figuras encantadoras para as crianças que viviam na vizinhança. Esses quebra- cabeças não eram quebra-cabeças comuns. Tinham propriedades mágicas — quando a última peça era encaixada no lugar, raios de luz radiavam das imagens, enchendo as crianças de alegria. Tudo o que elas tinham que fazer era olhar para a figura. Mais nada. Para os pequeninos, era melhor do que comer 10.000 biscoitos de chocolate e beber 10.000 copos de leite.

Um belo dia, o fazedor de quebra-cabeças realmente se superou. Ele pintou a mais encantadora de todas as suas pinturas, usando tintas mágicas salpicadas com poeira estelar e pincéis especiais com cabos envoltos em ouro. O fazedor de quebra-cabeças ficou tão entusiasmado com sua criação que decidiu não picotar a pintura em peças separadas de quebra-cabeças. Ao invés disto, ele queria que as crianças sentissem de imediato a mágica toda.

Assim que terminou de embalar a pintura, um menininho entrou na loja esperando encontrar a última criação do fazedor de quebra-cabeças. Ele então entregou o pacote com entusiasmo. O sorriso brilhante do menino de repente desapareceu. Seu rosto ficou um pouco triste. Claramente, ele estava desapontado com alguma coisa. "O que há de errado?" perguntou o fazedor de quebra-cabeças. O menininho explicou que montar e criar o quebra-cabeça eram metade da diversão! O fazedor de quebra-cabeças imediatamente entendeu. Com o mesmo amor e carinho que investira em criar a imagem original, cortou e desmontou a pintura. Ele então espalhou carinhosamente as peças separadas dentro da caixa. Ele dera às crianças o que elas realmente queriam mais do que qualquer outra coisa — a alegria e a realização de montar o quebra-cabeça mágico desde o início.

Para proporcionar ao Receptor a oportunidade de criar sua própria satisfação, o Mundo Infinito foi desmontado e transformado num quebra-cabeça. Quando foi permitido ao Receptor que voltasse a montar o quebra-cabeça da Criação, nós, o Receptor, nos tornamos co-criadores de nossa própria plenitude e, desta forma, eliminamos o Pão da Vergonha.


UMA CORTINA DE DEZ DIMENSÕES

Para ocultar a Luz flamejante do Mundo Infinito — e para criar o pequeno ponto no qual o nosso universo viria a nascer — uma série de dez cortinas foram erigidas. Cada cortina sucessiva reduzia mais a emanação da Luz, transformando gradualmente o seu brilho, até quase chegar à escuridão.

Essas dez cortinas criaram dez dimensões distintas. Em hebraico, elas são chamadas de Dez Sefirot, ou de Árvore da Vida.




Keter, a dimensão superior, representa o nível mais alto, mais próximo ao Mundo Infinito. Malchut, localizada na base, denota o nível mais baixo, o nosso universo físico.


O PODER DA ESCURIDÃO

Uma vela acesa não emite luz nenhuma se ao fundo estiver um dia de sol brilhante. Mas num estádio de futebol escuro, até mesmo uma única vela é claramente visível. Da mesma forma, o Receptor era incapaz de criar e de compartilhar num âmbito que já irradiava Luz. Era essencial que uma área de escuridão viesse a existir para nos transformar de recebedores passivos em seres que genuinamente fizeram por merecer e criaram a sua Luz e a sua plenitude. Este é o propósito das cortinas.

A única Luz que resta em nosso universo obscurecido é uma "luz piloto" que sustenta a nossa existência. Esta "luz piloto" é a força de vida da humanidade; a força que dá vida a estrelas, que sustenta sóis e coloca tudo em movimento — desde corações batendo, passando por galáxias em redemoinho, até industriosos formigueiros.


DESMONTANDO O QUEBRA-CABEÇA

Um quebra-cabeça só pode ser um quebra-cabeça se existe espaço separando as peças individuais e se existe um tempo dado para remontá-lo. O Mundo Infinito é um âmbito sem tempo e espaço; por isso a Luz tinha que criar esses conceitos. Isto ocorreu automaticamente quando a Luz foi ocultada pelas dez cortinas. Escurecer a Luz significava obscurecer seus verdadeiros atributos: Se existe Luz de um lado da cortina, a escuridão deve se materializar do outro lado quando uma cortina bloqueia a Luz. Da mesma forma, se a ausência de tempo é a realidade de um lado da cortina, a ilusão do tempo é criada do outro lado. Se existe ordem perfeita de um lado da cortina, existe caos na outra dimensão. Se existe totalidade e unidade absoluta em um lado da cortina, há então espaço e as leis da física do outro lado. Se Deus é uma realidade e verdade evidente de um lado da cortina, a ausência de Deus e o ateísmo são a realidade do outro lado. Sendo assim, num certo sentido, os ateus estariam corretos em seu ponto de vista de que não existe nenhum Deus. Entretanto, nosso objetivo singularmente humano neste mundo é transcender o nosso âmbito do 1 por cento e descobrir uma verdade mais elevada, e este é o assunto deste livro. Você começa a perceber a figura? Bem-vindo ao nosso mundo de escuridão!

Mas ganhe coragem, porque, na realidade, a Luz ainda está aqui. Cubra uma lâmpada com muitas camadas de tecido e o quarto acabará ficando escuro. Mas a lâmpada continua brilhando como sempre. A intensidade de luz não mudou. O que mudou foi o tecido que cobriu a luz. A Cabala nos ensina como remover as camadas de tecido, um pano de cada vez — para remontar o quebra-cabeça da Criação e trazer sempre mais Luz para as nossas vidas.


ADÃO E O ÁTOMO: PARCEIROS NA CRIAÇÃO

Num processo cuja descrição está além do escopo deste livro, o Receptor infinito se quebrou em duas forças de energia espiritual distintas: o princípio masculino, chamado Adão, separado do princípio feminino, chamado Eva.

Esses dois segmentos então se despedaçaram em inúmeros pedaços. Esses pedaços são os fragmentos de matéria e energia que perfazem o cosmos, desde átomos até zebras, desde micróbios até músicos. Tudo é parte do Receptor original.

Adão havia se tornado átomo. Ou mais precisamente, Adão se tornara o próton num átomo, enquanto Eva incorporara o elétron. Eles são os princípios de energia masculino e feminino que animam o nosso universo.

As almas de todas as pessoas eram parte da primeira Alma, infinita, primordial, que se despedaçou. Sendo assim, de acordo com a Cabala, tudo no universo está imbuído com a sua própria faísca de Luz, com a sua própria força de vida. Isto por acaso significa que objetos inanimados também têm alma? Uma pedra tem alma? A resposta é sim! A única diferença entre a alma de uma pedra e a alma de um astro de rock é o nível e a intensidade de seu desejo de receber Luz.

Quanto mais Luz uma entidade deseja e recebe, maior é a sua inteligência e o seu autoconhecimento. Um ser humano é mais inteligente e tem mais autoconhecimento do que uma formiga, e uma formiga é mais inteligente e tem mais autoconhecimento do que uma pedra.


TRABALHO DE PARTO

No instante preciso da quebra do Receptor, as Dez Sefirot passaram por uma contração súbita em preparação para o nascimento do nosso universo.

Seis das dez dimensões se enrolaram, tornando-se uma só, e são conhecidas coletivamente como o Mundo Superior.




Esta contração, de acordo com o cabalista do século XII Moisés ben Nachman, é o segredo cabalístico por trás da frase "Seis dias da Criação". Por que, afinal, um Criador todo-poderoso necessitaria de uma quantidade qualquer de tempo para criar um universo? Deus deveria ser capaz de fazer surgir um universo em menos que um nanossegundo!

O cabalista Moisés ben Nachman concordava. Há cerca de 800 anos, ele explicou que os seis dias da Criação não tinham absolutamente nada a ver com o conceito de tempo conforme nós o conhecemos. Trata-se de um código para a união de seis dimensões em uma.

No caso de você não ter contado, ainda restam quatro das dez dimensões. Elas são as precursoras de nosso universo tridimensional, e da quarta dimensão do espaço-tempo.


A CIÊNCIA ALCANÇA A CABALA

Dois mil anos depois de os antigos cabalistas revelarem que a realidade existe em dez dimensões — e que seis destas dimensões estão compactadas em uma — os físicos chegaram às mesmas conclusões. Isto veio a ser chamado de Teoria das Supercordas.

De acordo com esta teoria, nosso universo é formado de laços minúsculos que vibram. Diferentes vibrações criam diferentes partículas de matéria, assim como as vibrações da corda de uma guitarra produzem diferentes notas musicais.

Dr. Michio Kaku é uma autoridade reconhecida internacionalmente em física teórica e um dos principais proponentes da Teoria das Supercordas. Na revista New Scientist, Dr. Kaku escreveu: "O Universo é uma sinfonia de cordas vibrando. E quando cordas se movem num espaço-tempo de dez dimensões, elas distorcem o espaço-tempo ao seu redor precisamente da maneira predita pela relatividade geral. Os físicos resgatam o nosso Universo mais familiar de quatro dimensões assumindo que, durante o Big Bang, seis das dez dimensões se enrolaram (ou "compactaram") e se tornaram uma pequena bola, enquanto as quatro dimensões restantes se expandiram explosivamente, nos dando o Universo que observamos."

Dr. Kaku, discutiu o impacto que esta nova (ou velha) ideia teve sobre a comunidade científica. "Para seus defensores, a teoria de que o Universo originalmente começou com dez dimensões introduz no mundo da física uma área nova e impressionante de matemática, algo de tirar o fôlego," escreveu o Dr. Kaku. "Para os seus críticos, ela margeia a ficção científica.”

Dr. Kaku, que escreveu um livro sobre Supercordas que se tornou um best-seller, intitulado Hiperespaço, ficou surpreso com as semelhanças intrigantes entre a Cabala e a Teoria das Supercordas. "É estranho", ele disse, "como os números mágicos da física e a teoria do campo unificado são encontrados na Cabala!"


UMA CIÊNCIA PRÁTICA

O que significa para nós, num nível prático, toda esta intrigante falação científica? Como os acontecimentos de nossas vidas se relacionam com uma explosão que aconteceu há uns 15 bilhões de anos? Por que deveria nos interessar se o universo tem dez dimensões, ou 50 dimensões, que seja? Muitos rabinos, estudiosos e cientistas reconheceram que existem profundas similaridades entre a Cabala, o Big Bang e a Teoria das Supercordas. Mas, e daí?! Qual a relevância disso para os nossos medos e fobias e para os nossos desejos de plenitude infinita? Qual a conexão com o nosso desejo interminável por felicidade duradoura?

Nisto reside a genialidade do cabalista Rav Ashlag. Ele sintetizou esses conceitos, os trouxe para o nosso mundo, e derramou uma luz profunda sobre sua relevância para a felicidade humana.

Como foi dito anteriormente, aquelas seis dimensões que estão justamente acima de nossa percepção são conhecidas coletivamente como o Mundo Superior. O Mundo Superior é o âmbito do 99 por cento sobre o qual falamos nos capítulos anteriores.

1. É este âmbito de 99 por cento que tocamos durante aqueles raros momentos de claridade, de êxtase, de percepção mística, de consciência expandida, de epifania ou de capacidade de escolher os números premiados da loteria!

2. Quando Michael Jordan enterrou sua última cesta no fim do jogo e de sua carreira, a alegria que ele vivenciou emergiu deste âmbito.

3. Quando seu coração bate como um tambor e a paixão o ataca, no momento em que você vê pela primeira vez a sua alma gêmea, você está tocando no 99 por cento.

4. Quando você está deitado numa praia com o sol se derramando sobre você, sem nenhuma preocupação no mundo, esta serenidade quase sobrenatural flui dos mundos acima.

5. Toda vez que você sentiu prazer, felicidade, tranqüilidade, paz interior, harmonia, e o tipo de confiança de que poderia conquistar qualquer coisa, estava tocando um dos níveis altos das Dez Sefirot.

6. Este é o âmbito sobre o qual Platão escreveu — o mundo eterno de Idéias ou Formas que existe "além" do mundo físico dos cinco sentidos.

Notavelmente, Sir Isaac Newton, o grande cientista que veio a ser visto como a própria personificação do método científico, concordava com esta afirmação. Matt Goldish, em seu livro O Judaísmo na Teologia de Sir Isaac Newton, cita de um dos manuscritos teológicos de Newton: "Platão, ao viajar para o Egito quando os judeus eram numerosos naquele país, aprendeu ali suas opiniões metafísicas sobre os seres superiores e sobre as causas formais de todas as coisas, que nós chamamos de Idéias e que os cabalistas chamam de Sefirot..." (MS. Yahuda, 15. 7, p. 137v)

Quando nos elevamos e compreendemos este mundo mais elevado, trazemos mudança permanente e positiva para nossas vidas. Lembre-se, mova o braço que cria a sombra na parede e a sombra na parede automaticamente responde.

Quantas vezes você se indagou: "Onde está Deus quando eu mais preciso Dele?". Quantas vezes perguntamos a nós mesmos por que é tão difícil se conectar com o Criador? A chave para nos conectarmos com o Criador e termos as nossas preces respondidas é saber como nos conectarmos com o Mundo Superior, conhecido como o âmbito do 99 por cento. Você aprenderá como fazer isto nas explanações a seguir.



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*Fonte: https://pt.scribd.com/doc/39897856/O-Poder-Da-Cabala-Tecnologia-Para-a-Alma-Yehuda-Berg